Episódios de Até aí, ok!

#234. Trilha

01 de junho de 20261h26min
0:00 / 1:26:35

AMEI reviver esse quadro. E gente, tenham paciência até eu descobrir qual é a melhor plataforma pra conseguir umáudio mais limpo, ok? <3

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Participantes neste episódio2
P

Paula Ateaiok

HostPodcaster
C

Carol

ConvidadoApresentadora
Assuntos4
  • Perrengues de viagem no PeruPlanejamento e expectativas da viagem · Aclimatação à altitude em Cusco · Transporte em lotações e vans · Experiência em hotel de cura e cerimônia de ayahuasca · Trilha Salcantay e desafios físicos · Condições climáticas adversas (chuva, frio, lama) · Problemas com calçados e lesões (torção, unha preta) · Acampamento e falta de estrutura · Chegada em Machu Picchu e subida ao Huayna Picchu · Perda e recuperação de passaportes · Abordagem pela Polícia Federal no aeroporto · Reflexões sobre romantizar o sofrimento e buscar facilidade
  • O quadro Com Drink OK e o podcast Ateio OKOrigem e formato do quadro Com Drink OK · Sorteio de apoiadores para gravar episódios · Importância do apoio financeiro para a sustentabilidade do podcast · Interação com a comunidade através do grupo de Telegram · Evolução do podcast e reconhecimento do trabalho da host
  • Experiência com AyahuascaCerimônia com xamã em hotel de cura · Preparo e jejum para a cerimônia · Reações e visões durante a experiência · Diferença entre uso recreativo e espiritual · O papel do xamã como guia
  • Reflexões sobre a vida e o sofrimentoA busca por provar a própria capacidade · A romantização do sofrimento e da 'guerreira' · A importância de aceitar ajuda e facilitar a vida · Diferença entre dificuldade imposta e autoimposta
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Meu desejo é ter apoio quando os desafios da maternidade começam a aparecer. Nestlé Materna está com você, desde o planejamento, apoiando o preparo do corpo para a gestação, durante a gravidez, ajudando no alívio de náuseas e no funcionamento do intestino. E quando o bebê chegar, segue com você, apoiando para uma amamentação mais confortável e tranquila, garantindo que você tenha as vitaminas e os nutrientes necessários para cada desafio. Nestlé Materna. Com você, do seu jeito.

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Sejam muito bem-vindos ao Ateio OK. E o episódio de hoje será dedicado à minha apoiadora, Carol, que está aqui junto comigo para gravar para o quadro Com Drink OK. Dá um oi aí, Carol. Oi, tudo bem? Acho que alguns aqui talvez reconheçam essa voz que já esteve por aqui.

Bom, eu queria estar com o meu drink aqui, né? Fazendo jus ao quadro, mas eu tenho um bebê para cuidar, então nesse momento não vai ter como. Mas em primeiro lugar, quero aqui agradecer a Carol, que está aqui junto comigo. Primeiro por estar aqui, por ser apoiadora, uma das apoiadoras mais fiéis e antigas que eu tenho. A Carol já deu a voz aí, né? No quadro Manda Áudio. Pode ser que tenha a história dela no podcast, mas se é dela ou da sua amiga, vocês nunca vão saber.

E a Carol agrega muito aqui para a gente. Então é realmente uma honra ter ela aqui comigo. E antes que vocês falem que foi chuncho, eu compartilhei lá no grupo exclusivo do Telegram para apoiadores como que foi o sorteio do apoiador que gravaria a história comigo nesse mês. Então, para quem está perdido...

Deixa eu explicar rapidinho como é que funciona, né? Essa questão desse quadro e como que foi o lance do sorteio. Então, o quadro com o Drink OK, ele surgiu lá, ele estava dentro das ideias de quando eu criei o podcast.

E a ideia era sempre gravar com alguém. Só que, gente, a vida é corrida para todo mundo, né? E acabou que eu só fiquei com um episódio junto com uma amiga minha, a Mari Cib, que gravou pessoalmente junto comigo. E depois disso, acabou que não dava certo de gravar e o quadro acabou ficando meio esquecido. E na intenção de aumentar a quantidade de apoiadores e tal, para que o podcast possa se sustentar, se manter no ar.

Uma das minhas iniciativas e recompensas para apoiadores foi sortear todo mês pelo menos um apoiador que fizesse um apoio de 15 reais ou mais para gravar uma história junto comigo. E só para ficar bem transparente aqui para vocês, como que eu fiz esse sorteio? Primeira coisa, eu avisei lá no grupo do Telegram, esse grupo exclusivo de apoiadores, para não ficar ali gastando o tempo de todo mundo.

Eu avisei lá que eu sortearia uma pessoa e que esse sorteio rolaria no último dia do mês. E esse sorteio sempre vai rolar no último dia do mês, que é para dar chance aí de todo mundo entrar. E no último dia do mês, eu defini ali que seria 17 horas em ponto no horário de Brasília. Então, assim, todo mundo ficaria ciente do horário que rolaria o sorteio. E para não precisar ficar abrindo live, tomando o tempo da galera... ...quarear ele.

Eu abri o computador, eu abri ali uma aba com a janela do horário de Brasília, que é um relógio que fica ali rodando em tempo real, e não tem como mudar isso, não tem como você manipular. Se tem, eu desconheço. E nesse momento, quando deu 17 horas em ponto ali, quando deu um pouquinho antes das 17, eu comecei a filmar a tela.

E eu abri outra aba do computador, coloquei ali os números e fiz o sorteio. Antes disso, eu também já tinha filmado o nome de todos os apoiadores ali que o apoia-se mesmo já dá essa seleção. Então, eu já tinha mostrado todos os apoiadores qual seria o número de cada um e tal. Então, de forma bem comprovada, tem o vídeo, está tudo certo, lá no grupo dos apoiadores do Telegram.

então, acho que deu pra entender aqui, né? Deu, né, Carol? Deu pra entender, perfeito mas eu, assim, acho que eu sou preferida então, na verdade talvez tenha sido uma marmelada Olha, Carol me botando ensaia justa aqui

É brincadeira, gente É brincadeira A Carol é maravilhosa Fiquei super feliz quando vi que era a Carol Porque é a primeira É a primeira vez aqui Que eu tô gravando E até deixei aqui na pauta pra falar isso depois Mas a gente alinhou aqui Que quem vai contar a história hoje É a Carol E aqui até casando com o que eu acabei de falar Eu só queria pedir pra vocês desculpas Se porventura S more

houver alguma falha no áudio, alguma coisa. É a primeira vez que eu estou gravando à distância online e aí como que vai ficar a qualidade e tal. Aí já não depende apenas exclusivamente de mim, né? A gente também conta aí com a tecnologia. Eu vou dar o meu melhor, mas relevem-se. Porventura, a gente tiver algum problema técnico aqui, algum barulho de fundo, bebê, chocalho, que ele está lá embaixo com o meu marido. Mas é a vida acontecendo aqui.

A Inna Carol também, ela já me falou que às vezes está rolando obra ali no apartamento. Então, pode ser que tenha um barulhinho.

Mas eu fiquei muito feliz quando eu vi que era a Carol, porque como a gente já tem uma certa familiaridade e a Carol também trabalha muito com esse lance do computador e tal, eu sabia que ela também ia me ajudar a pensar como fazer acontecer essa gravação.

buscando aí a melhor qualidade do áudio, tá? Mas, então, lá no grupo de apoiadores, só reforçando para vocês, tem o vídeo bem certinho de como foi feito o sorteio. Eu filmei quando deu 16 horas, filmei os apoiadores, o nome dos apoiadores, o número de cada um, e filmei o sorteio e mandei lá no grupo quando deu 17 horas. Então, é isso.

E se você quiser ter a chance de gravar um episódio junto comigo, seja um apoiador. O link está aqui na descrição do episódio, mas se você preferir, se abre aí o teu navegador. apoia.se barra até e ok. E agora sim, a história de hoje é...

É de quem, Carol? Agora é com você aí, solta a voz. A história de hoje é minha história e é um perrengue de viagem. Eu já contei um perrengue de viagem no Manda Áudio e agora eu vou contar outro. Agora, assim, mais tempo, né? Não é só sete minutos, posso aí soltar a voz nos perrengues, né? Tempo que quiser. Aqui a gente gosta de coisa longa mesmo.

Então, também já peço desculpa se algum gato me há, porque aqui tem cinco, então pode ser, pode ser que aconteça, mas vamos lá, essa história é de 2013, quando eu era mais jovem e mais inconsequente.

E eu já namorava com o meu marido atual, né? Ele também era mais jovem. E a gente achou que era uma ótima ideia a gente fazer um mochilão pelo Peru. Ele sempre teve sonho de conhecer, ele adora essas civilizações mais antigas e tal. E aí fomos...

Fizemos toda a programação da viagem, assim, na época, né, quem é millennial vai me entender, na época que já tinha internet, já tinha sites como Booking e TripAdvisor, etc., mas não tinha facilidade que a gente tem hoje de montar roteiro, quando a gente fazia um caminho pelo Google, a gente tinha que imprimir, não tinha navegação.

em tempo real, com GPS, como hoje. Nossa, eu vou ali na esquina, ligo o Google em tempo real e vou seguindo, né? Meu Deus, tem que ser news que a gente não tinha um mapa na mão, né? A gente não tinha. Então, foi meio na raça, sim, tinha uns blogs de viagem, fóruns de viagem, eu fui pegando informações e fizemos lá a viagem, ia ser um mochilão de uns 15 dias, mais ou menos.

E fomos, né? Deu certo tudo, programamos direitinho, escolhemos ir em maio, né? Que era uma época que não chovia. Por quê? Porque a gente ia fazer uma trilha. Não é que ia ser 15 dias de trilha, mas dentro da viagem ia ter uma trilha. A gente queria chegar em Machu Picchu caminhando.

Mas a gente, né, foi ali, a gente fez várias outras coisas. Então, a gente chegou em Cusco, eu já com aquele medo, porque falaram que lá tinha muito problema com táxi e tal, então fomos tudo com cartão, evitamos dinheiro, já tinha remessa naquela época e tal. Beleza, foi dando tudo certo, fizemos a aclimatação da altitude, quem nunca foi, é difícil de respirar lá.

antes a gente tinha feito todo um treinamento pra andar com mochila, a gente não era iniciante já em trilha, já tinha equipamento já tínhamos feito trilhas longas e qual que era a estação que era lá em maio, cara? A previsão era frio, calor? Como que era? igual aqui, frio

e mais seco, em tese. Mas você vê, aqui em São Paulo, por exemplo, agora a gente está em maio, quando a gente está gravando, hoje deu uma chuva do caramba, totalmente fora de época, e lá, em tese, é um inverno seco. Então, era isso que a gente estava buscando, inverno seco, sol, fotos bonitas e inverno seco.

E aí a gente fez uma aclimatação e depois foi fazer uns passeios que é na região que eles chamam Vale Sagrado, que é cidades ali históricas dos Incas. E fomos fazendo, fizemos uma cidade, depois para outra, e a gente também tinha programado ir para uma cidade chamada Pisa, que fica no Vale Sagrado. E lá a gente ia se hospedar num hotel, que era um hotel de...

cura e fazer uma cerimônia com chamala. Gente, coisa de jovem, tá? E aí a gente foi para essa cidade, para ir para essa cidade no Peru, ou você se desloca entre grandes cidades de trem, ou você se desloca com umas lotações, assim, eu não sei como na cidade de vocês chama, mas aqui em São Paulo, antes deles regularizarem as vans, os micro-ônibus, a gente chamava de lotação, que era meio aquela coisa assim, é quase um transporte regular.

Eles meio que param nos pontos, mas assim, não é regularizado e as pessoas meio que vão amontoadas, sem cinto, meio de pé, meio sentado, tipo isso. No Peru é assim. Eu não sei.

Eu não sei dizer. Aqui em São Paulo tinha muito, a gente chamava de lotação. Hoje em dia é regularizado, chama micro-ônibus. No Rio ainda tem muita lotação não regulamentada. Então lá, o pessoal do Rio acho que vai reconhecer. São umas vans que fazem linhas que não são cobertas pelo transporte público e especialmente entre cidades próximas.

Olha, se aqui tem, que eu tô tentando fazer associação, né? Se tem aqui em Curitiba, eu não faço a menor ideia do nome. Pra mim, meio de transporte aqui em Curitiba é ônibus, carro de aplicativo, táxi, bicicleta, carro, enfim. Aqui eu desconheço isso. Talvez os curitibanos fiquem em choque comigo aqui, se tiver, e eu nem tô sabendo. Pode ser que nem tenha, mas imagina assim, ó, tipo uma van.

Tem os bancos assim, em fileira. Ela tem bancos laterais, dá meio para você ir em pé e dá para você ir sentado nos bancos assim, o pessoal vai meio amontoado. Como tem muita gente entre cidades, eles põem, se você tiver com bagagem, eles põem naquele bagageiro de cima, só passam uma tela assim, abre, fecha.

E a gente pegou uma dessa para ir de uma cidadezinha do Vale Sagrado para outra. São cidadezinhas mesmo, né? Tem lá a parte das ruínas e tem um povoado, que vai ter restaurante, pousada e tal. E aí a gente queria ir para essa cidade de Pisaque e pegou essa lotação. E foi um trajeto terrível, porque já era meio subindo cordilheira acima.

e passava, assim, gente, não tinha estrada de asfalto, era estrada de cascalho, do Neida tem um rio descendo a cordilheira, e a van passa no rio, e eu sou uma pessoa, assim, que eu tenho muito problema com carro, eu enjoo muito em carro. Então, já nesse trajeto da van, eu já cheguei lá, a gente chegou em Pisa, aqui no Hotel de Pura, aquele hotel lindo, na porta do hotel, eu já vomitei bastante.

Porque eu cheguei muito enjoada da viagem, eu não sei como eu não vomitei dentro da lotação, mas já foi assim, já foi aquele rolê, eu já cheguei lá, aí a mulher que recebeu a gente, bem assim, imagina, porque é uma pessoa bem hippie, só que já uma senhora, recebeu a gente, ela falando, não, é o seu corpo já fazendo limpeza.

Ai, meu Deus do céu. A gente se hospedou lá, um lugar lindo, maravilhoso. O feirão do BV entrou em campo com uma seleção de ofertas imperdíveis. Financie seu veículo, seja moto, carro ou caminhão, com o banco especialista no assunto e receba até mil reais em benefícios na conta BV. Acesse bv.com.br e marque um golaço. Consulte condições do site.

Rende, rende, minha gente. No Carrefour, rende mais. Rende mais que economia. No Carrefour, rende mais. No Carrefour, rende mais. Quando sua compra rende, a vida rende junto. Carrefour, sempre rende mais. Tá, mas vocês pararam nesse hotel de cura, com xamã e tal, né? Pararam. Não tenho muito domínio, nunca fiquei. Mas vocês já sabiam, vocês pararam nele porque foi o que deu na telha? Não. Ou vocês foram com a intenção de fazer alguma coisa já nesse hotel?

Fomos com a intenção, porque é um lugar meio famoso na região, e a gente queria fazer a experiência toda. De 100% da experiência. É, 100% da experiência. A gente gosta de imersão. 200% imersivo. E não tenho nenhuma referência anterior, não é que eu sou uma pessoa muito fluida, aberta para religião, para costumes locais.

Então, assim, se a gente for num lugar que o costume local é, sei lá, o budismo, a gente vai participar, vai conhecer, vai tal, eu gosto de conhecer. Se a gente vai, eu fui pra Itália, também contei um perrengue, né, de Veneza, não manda áudio, eu entrava em todas as igrejas, assisti missa, não sou católica, mas eu ia, por quê? Porque é o costume local. Ah, certo, perfeito.

Aí a gente foi lá e entrou, né, nesse centro, se hospedou, você faz lá todas as refeições, assim, pra mim foi ótimo, porque eu sou vegetariana, já era na época lá, uma comida super limpa e tal. Beleza, no dia seguinte fizemos a cerimônia, né, da ayahuasca, já estava marcado, você faz uma conversa com o xamã antes, e foi uma experiência muito louca, assim, eu acho que precisa de um, não precisaria do mundo.

podcast só pra contar sobre isso, é muito enriquecedor aqui, não vou nem zoar, porque assim, é uma experiência que realmente muda a vida da gente, meu marido fez também, mudou, achei muito positivo, aí lá é feito de uma forma muito responsável, você tem que se hospedar, né, tem que fazer uma limpeza de alimentação antes e depois você fica mais um dia fazendo a recuperação, então foi muito legal, a gente saiu desse clima de paz, de beleza, de é...

união com a natureza, uma coisa bem mística, foi muito legal. E aí, dali, a gente voltou para Cusco com a mesma lotação, enjoei exatamente igual, e no dia seguinte a gente já deixou, a gente deixava em armário mesmo parte da nossa bagagem, pegamos nossa mochila cargueira mesmo, e fomos fazer a trilha que a gente tinha escolhido.

Lá no Peru, as trilhas são todas em parques, é um parque federal, estadual, enfim, toda a região ali é controlada pelo governo, você precisa apresentar o passaporte, existe um controle de pessoas por período, não é livre, assim, e tem agências, que são agências regulamentadas de viagem, que você pode comprar o passeio, a trilha, né?

Então a gente foi numa agência certinha, a gente já tinha referência e tal, e comprou para fazer uma trilha que a gente queria fazer, que chega em Machu Picchu, mas não pelo caminho tradicional, chama a trilha Salcantay, ela ficou famosa hoje em dia, lá em 2013 não era famosa.

Porque, assim, a gente queria fazer uma trilha longa, então aquelas curtinhas de dois dias a gente descartou. Aí a gente tem a opção da trilha inca, que é um caminho. Algumas experiências, às vezes, eu penso que deveriam ser individuais, né? Querer fazer uma trilha no outro país e tem que ser uma trilha longa. Longa, claro. Porque é imersivo, imersivo. Pensa, experiência imersiva.

Aí, a gente tinha a opção de fazer a trilha Inca, que é o quê? Os Incas, lá, muitos anos atrás, fizeram um calçamento, um caminho, né, uma estradinha que ligava regiões e chegava ali, dentre outros lugares, em Machu Picchu. Então, essa trilha, além dela ter um calçamento, ela tem lugares de camping, tem estrutura, assim, para você fazer a trilha. E a gente pensou.

muito a gente pensou muito fácil assim muito muito muito normal queremos uma coisa diferente meu Deus tá muito fácil tá muito fácil outra vamos para outra aí tinha essa opção de trilha Salcantay

que na época era bem selvagem, não tinha camping site, não tem estrutura, então a gente tinha que levar literalmente tudo, e é uma trilha que demorava seis dias, e a gente ia muito mais alto do que Machu Picchu, Machu Picchu está a uns 3 mil metros de altitude, lá você vai 4.800, mais ou menos, quer dizer, bem mais alto. São seis dias...

Quantas horas por dia? Depende da velocidade da sua caminhada. E a média é quantos quilômetros? Depende, tem dia que é uns 20 quilômetros, mas em média era no total 120 quilômetros, então se você dividir por seis, tem que andar um pouquinho mais de 20 por dia.

né, então é isso meu Deus do céu será que é tipo até eu não tenho domínio disso, é que tem um rapaz famoso aí no Instagram que eu acompanhei esses tempos que ele fez aquele Santiago de Compostela, será que é mais ou menos nessa pegada, que você também caminha uma quantidade por dias, para eu sei que tem outros objetivos, né, cada uma com o seu propósito aí, mas deve ser nessa pegada, porque conforme ele foi filmando e mostrando, ele fazendo tudo

Ela também, ela tinha muitos pontos de apoio, tinha ponto de água, lugar de descanso. Não é uma trilha que você simplesmente se aventura no mato, né? Porque quando a gente fala trilha, eu já imagino barranco, borrachudo, pernilongo. Eu imagino cobras e bichos e mata e sufoco.

Essa ainda é adaptada. É, a trilha Inca é uma trilha assim, como, lógico, guardadas devidas proporções, mas no estilo da trilha de Santiago de Compostela. Então, é uma trilha que você pode escolher aonde que você entra, se você vai pegar lá desde o começo, ou você vai pegar mais para frente, mais perto de Machu Picchu, aí, óbvio, a duração é menor, né? E ela é uma trilha que tem vários camping sites, tem uns lodges, se você não quiser dormir em barraca, você dorme, tipo, em uma...

umas cabanas, assim, umas hospedagens simples, mas tem, vai ter água encanada, vai ter lugar pra se abastecer, então você não precisa levar água pra todo o projeto, né, então, assim, é uma trilha com estrutura. Essa que a gente foi, era mato. Hoje em dia ela tem um pouco de estrutura, eu vejo no Instagram e penso ai que ódio, podia ter essa estrutura, mas na época a gente queria totalmente imersivo mato, e a gente escolheu essa.

Vocês pegaram a mais longa, a mais complexa, a mais imersiva, né? Vamos dizer uma de imersiva. Sim, intencionalmente fui, li os termos e fui lá, aceito, estou ciente. Quero continuar. Quero continuar. Fui eu, inclusive, que escolhi. E aí, a gente foi, começou a trilha, e logo no primeiro dia, que era o dia mais longo de caminhada, tinha que andar quase 26 quilômetros,

meu Deus, morro acima, era dia de subida, subidão, ah,

uma explicação. A gente ia com dois guias, né, da agência, um grupo de apoio, que eles chamam de porteadores, que eles carregam toda a tralha que é usada para fazer comida, e a comida, isso era a única coisa que a gente não precisava levar, né, eles carregam material de apoio, tipo kit primeiros socorros, coisas importantes que precisam ser levadas. Ah, que bom.

Mas eles não carregam sua mala, nem sua água, né? Nem seu saco de dormir. Eles carregam a barraca também. Então, coisas a menos, porém, ainda assim, a gente carregava bastante coisa.

formava-se um grupo com essa agência, então, sei lá, ia ter a saída para a trilha Salcantay no dia, não lembro exatamente, mas 10 de maio, vamos supor, e aí montava um grupo de 10 pessoas aproximadamente para fazer a saída naquele dia. Beleza, o nosso grupo ficou assim, eu e meu namorado, que hoje é o marido,

Um casal de argentinos que, graças a Deus, porque eles andavam bem devagar, então a gente não se sentiu tão mal, tipo assim, a gente andava bem melhor que eles. Mas aí, além dessa galera, tinha um grupo da onde? Do exército israelense. Sim, sim. E para acompanhar esses caras? Soldados, né? Tinha duas moças e quatro homens, acho que eram um total de 12 pessoas na trilha.

e do exército real, assim, não eram aposentados, eles eram jovens, eles estavam a turismo, e eram todos amigos, e eles estavam, assim, no auge da forma física, aquela galera do exército, que está acostumada com bolha no pé, né, vida rústica. Então, isso foi isso.

foi muito tenso, porque logo no primeiro dia ficou muito nítido que eles andavam muito rápido, andavam até mais rápido que o guia que ia na frente, vai um guia na frente e um guia lá no final, para não ficar ninguém perdido no meio do caminho. Eles andavam até mais rápido que o guia da frente. Então, a gente começou a ficar meio incomodado com isso, porque a gente foi ficando para trás, não dava para acompanhar.

e num dado momento, apesar da previsão e dos anos que não chovia, caiu uma chuva assim, não foi uma chuva, é chuva torrencial, mas chovia, chovia, chovia, chovia, e eu não sei se vocês conseguem imaginar o cenário assim, tem bastante vegetação, montanha acima, a gente estava subindo, subindo muito, não tem asfalto, terra.

um caminho aberto, assim, e barro, e começou a chover, começou a descer enxurrada, porque é um sol seco, né, então descia enxurrada, chovia, chovia, chovia, chovia, chovia, chovia, a gente estava com bota, com tudo preparado, tinha capa que cobra as mochilas para não ensopar, tudo impermeava, a gente tinha equipamento, não era isso.

mas chega um dado momento que você está caminhando a 20 quilômetros, com chuva na sua cara, começa a entrar água pelos lugares, pelas frestas, você vai ficando molhado, e assim, frio, muito frio, frio, frio, frio. Então, chuva com frio, a altitude já estava uns 3.500, 3.600 metros, mais ou menos.

E é cansado. Então assim... O cansaço, o frio, o molhado, a dor no pé, bolha no pé. Ainda não estava com bolha nessa altura do campeonato, mas a gente vai chegar lá. Nossa, calma. Eu, quando a gente viajou, eu acho que nos primeiros 5 quilômetros, eu já fiz bolha no pé no primeiro dia de viagem. Isso que foi só, tipo assim, explorar o lugar. Explorar o lugar. Mas até também me faltou um pouco de inteligência. Eu resolvi... Sabe mania de pobre?

de comprar sapato novo. Isso aí. E a inteligência pura que, ao invés de chegar com já o tênis macio, eu quis deixar, não, eu vou guardar para estrear tudo lá na viagem. É, não. Não tem como fazer isso, né? Não tem como.

A gente que nunca viaja e quer viajar, quer inaugurar coisa nova e inventar moda. Vocês tinham algum preparo físico, Carol? Tinha muito. A gente tinha preparo físico, né? Eu treinava, tava de ótima forma e a gente treinou para a trilha. Então, eu pegava, andava na esteira com a mochila cheia, andava no bairro aqui que tem ladeira. Então, a gente... Então, já não eram sedentários. Então, já tinha... Não, não, não. Não dá pra uma pessoa sedentária fazer assim. Não falando que eu estou uma maratonista, não é isso.

O mínimo de treinamento possível? Não, precisa ter um bom treinamento, não é só o mínimo. Ah, não é o mínimo? Não, não é o mínimo. Você vai fazer 20 por dia? É bastante. Na altitude e com mochila de uns 10 quilos no mínimo nas costas. Então, assim, não é uma coisa fácil. A gente tinha preparado, tinha equipamento, a bota já estava bem amaciada, a gente já tinha feito trilhas longas, travessias e tal, mas não assim tão imersivo.

uma loucura de Mersilva agora então e aí numa dessas subidas de barranco e descer enxurrada o meu marido enfiou o pé numa poçona que era um buraco a bota dele saiu do pé porque ele não conseguia tirar meio assim ficou presa ele não conseguia tirar, a bota saiu do pé você imagina, você tá com uma mochila na subida, a mochila de uns 12 quilos more

assim, e você enfia o pé numa coisa mole, com lama e descendo água, é muito difícil você retirar o pé, né? E aí, na hora que ele puxou, a bota ficou e começou a ser levada pela enxurrada, a gente teve que descer o morro de cachorrinho pra tentar pegar a bota, já tava com lama, assim, até os olhos. O problema não é nem descer, é buscar, ia ter que voltar.

Não, tudo bem. Ele desceu, a bota dele desceu, não no sentido que vocês já iam descer. Não, a gente estava subindo. E a bota desceu. A bota voltou. Não foi para uma lateral, a bota só voltou. Então vocês tiveram que ainda descer e subir de novo. Sim, mas tudo bem. Para quem ia subir 26 quilômetros, descer, sei lá, 100 metros.

tá tudo bem, né? Não tem chuva, né? Exaustão no frio. Qualquer metro conta, né? Mas o melhor foi ele ter que enfiar o pé na bota. Nossa, sim. Lameada, ensopada. Nossa, sim.

Aí, nessa brincadeira, eu torci meu pé, não foi uma torção horrível, mas para continuar andando, juntou aí o desagrado. Eu sei que no final do dia a gente chegou no acampamento, eles já tinham montado as barracas e continuava chovendo, chovendo, chovendo, chovendo, chovendo. Fizeram um jantar lá, eu nem consegui jantar, eu entrei na barraca coberta de lama, eu não sabia o que fazer, porque eu estava com lama até no cabelo.

E sabe quando você não sabe o que fazer? E chovendo tanto do lado de fora, eu falei, gente, como é que eu vou tirar a lama? Aí eu tirei algumas coisas, eu fiquei na chuva para ver se a chuva me molhava, assim, né? E tirava um pouco da lama. E aí eu deixei a roupa do lado de fora e entrei na barraca e fiquei, tipo assim, em estado de choque. Não tinha sinal de celular, não tinha sinal de rádio, onde a gente estava... ...

no pé do morro, não dava para ver, porque estava chovendo muito, mas no dia seguinte acordou sem chuva, a gente conseguiu ver, a gente estava no pé do pico Salcantay, que é um dos picos mais altos ali da região do Peru, ele chega acho que a 5 mil metros, é muito alto, se vocês pensarem, o Everest, acho que ele chega a 4 mil, 800 e pouco, o Everest está a 7 mil, então se vocês pensarem...

Assim, é, só uma altura aí. Desculpa aí alguém se eu falei algum número não muito correto, mas é essa média. Ah, só pra ter noção, tá bom. É, só pra ter uma noção. Então, assim, é um lugar muito alto, a gente tava já no pico, né, quer dizer, na base do pico, e muito frio, e chovendo muito, e eu, tipo, chorei metade da noite, eu peguei no sono chorando, você pensa, de medo, de cansaço? Não, de ódio, de mim.

Por que que eu estou aqui, meu Deus do céu? Nossa, porque eu estou na minha existência, né, como pessoa. E quando você tem esse ponto, Carol, tem como voltar? Não. É o famoso não tem mais como desistir, não dá mais pra voltar atrás. Não dá pra voltar atrás. Ou termina, ou... É isso. Ou termina. Sei lá, alguém vem te resgatar de helicóptero, não sei. E como que vai pedir resgate se não tem nem sinal? Eles tinham um rádio satélite. Ah, tá.

Então, se acontece alguma coisa de mais grave, eles têm acesso para chamar um... Quanto tempo vai demorar para chegar o resgate? Eu não sei informar, mas tem. Mas tem. Enfim. Aí, desse dia seguinte, a gente realmente subiu para o cume. Quando nasceu, o sol estava bonito, o dia bonito, a gente acordava, tipo, cinco da manhã.

Na hora que eu acordei, uma das piores sensações da minha vida, eu nunca tinha tido isso, minha bota ficou por lá de fora, molhada, com barro, e aí, de madrugada, congelou, porque é muito frio, né? Então, eu tive que vestir a minha bota de manhã, cinco da manhã, congelada. Gente, uma das piores sensações da vida, se você já se encomneado, assim, terrível. Aí, fui...

vesti a bota, vamos, engole o choro, né, e fui, aí subimos, esse dia foi até bom, porque assim, apesar do frio, tava seco, não nos molhamos mais, chegamos lá em cima, conseguimos chegar no cume, essa. E nesse lugar que vocês param pra dormir, tem lugar pra tomar banho, lavar o cabelo bonitinho? Não, não, eu me lavei na chuva, não tinha um banheiro.

Não, tinha nada. Absolutamente nada. Chixi, cocô no mato, se lava na chuva. Meu Deus! Durante os seis dias, isso? Não, teve um lugar mais à frente. Tem alguns lugares específicos que tem um chuveirinho, pelo menos. Exato, mas... Meu Deus!

A P lá é mato. Mato. Hoje em dia tem. Hoje em dia, se alguém for, se alguém quiser ir, pode ir, agora tem. Entendi por que você tá com raiva. Entendi. Então tem lugar pra você fazer xixi com o mínimo de dignidade ali. Exato. E vai dormir todo elameado. Meu Deus, que angústia. Horrível, angústia. Aliás, uma das... Eu levei muito estupidez...

no meio da trilha, se não fosse totalmente contra meus princípios e as regras, eu teria largado um monte de coisa lá, porque eu olhava e falava por que que eu estou carregando isso nas minhas costas assim, de pensar, agora o que eu levei que não foi nada inútil foi muito útil, foi lenço umedecido Ah, sempre é útil, né? Nossa, esse banho de lenço umedecido era isso

E aí a gente chegou no cume, no segundo dia, foi muito legal, tipo, tudo congelado, é muito bonito, assim, um silêncio, uma coisa incrível, você tá num lugar alto desse, não tem mais vegetação, assim, né, e aí depois a gente começou a descida. Aí dali em diante foi basicamente só descida, terceiro, quarto, quinto dia, só descida. Valeu a pena a vista, o esforço todo, valeu a vista? Valeu, incrível. Valeu mesmo.

incrível, incrível, incrível. E eu me lembro até hoje da sensação que eu cheguei lá em cima, é tudo congelado, assim, é uma passagem, né? Você tá num pico e tem um outro morro muito mais alto, você tá, tipo, numa passagem, assim.

E aqui é tudo congelado, parece, para quem já foi em geleira, assim, é essa a impressão. E a geleira, tipo, estala, assim, é um silêncio, é um silêncio, não tem carro, não tem moto, não tem avião, não tem gente, não tem bicho, não tem árvore, não tem nada, porque não tem vegetação, assim.

Nada. E aí, se você fecha os olhos, assim, você ouve o gelo meio que se movendo, assim, estalando. É uma sensação incrível, uma coisa linda, louca, assim. E aí, a gente começou a descer, aí foi descendo, esse dia foi mais ok, dormimos mais ok, num lugar com um pouco mais de estrutura, tinha um banheirinho, fui tentar usar, alguém tinha, acho que, passado as próprias fezes nas paredes, tipo, uma pintura impressionista.

Então, assim, dava assim, impraticável, continuamos fazendo tipo de... Ah, procurou esse tipo de coisa, né? Sei. Era que eu pus e tal que passaram? Olha, sem querer não foi. Gente do céu, é... Cara, não dá... O único banheiro que você encontra, o primeiro que você encontra depois de tudo isso, você ainda tem que se deparar... Olha, o ser humano, realmente...

Não sei explicar. Então, e aí a gente foi descendo, né, aí no terceiro dia continuamos a caminhada, aí foi passando, você vai entrando numa área mais com vegetação, né, então começa a ter mais mosquito, mais água, aí dava para a gente abastecer a água que a gente levou, colocava umas pastilhas, né, para descontaminar a água, para você poder beber.

Ai, que legal, eu nem sabia que existia isso. É, existe. Sabe, tipo, aquele colorito que a gente usa pra lavar salada, lavar alfácea? Então, tem uma versão dele em pastilhinha que você joga, enche, tipo, numa cachoeira, num rio, óbvio que não pode ser uma água marrom, não é isso? Sim. Uma água que tem uma aparência de papo. Minimamente ok. Mas pode ter ali um micro-organismo, e aí você joga essa pastilhinha, deixa uns minutos lá, o tempo específico, e ela dizemana.

clora água, enfim, torna água potável. É muito legal ouvir isso daí, porque como definitivamente essas aventuras no mato não são coisas que eu faço, já falei, tenho muita agonia de imaginar os bichos que tem ali, eu desconheço. Uma vez, aqui tem uma cidade, quem é aqui da região sabe, tem Campo Magro, que é uma cidade metropolitana aqui, que é onde o pessoal faz muitas trilhas, até mencionei isso no manda-áudio, que uma vez a gente fez trilha de ônibus ali nesse, em Campo Magro.

E uma vez eu fui de carro até a pedreira pra conhecer um lugar que tem ali, foi o dia do meu aniversário. E eu me lembro que eu tava num misto, uma angústia, só de saber que eu estava num lugar que não tinha sinal e que eu tava no meio do nada. Eu tava com quatro pessoas, então eu tava em segurança, tava tudo certo, mas de pensar assim, ó, meu Deus, eu tô isolada.

da civilização da minha casa e tal. Tem gente que acha isso libertador. Eu acho angustiante, né? Então não é o meu perfil. E aí eu que tô acostumada, eu que não tenho vivência nenhuma, não conheço nenhum instrumento, nada de sobrevivência, o que que eu assisto? Largados e pelados. É, largados e pelados, né? É a ordem essa, né? É, acho que é, acho que é.

Eu tava pensando em pelados e largados, largados e pelados, faz tempo que eu não assisto, eu tive filho, né, não consigo mais sentar na televisão, mas a gente que assistia largados e pelados, vê eles tomando água de riacho, passando mal, e aquele matagal, e aquela bicharada, quando alguém fala de trinita, é isso que eu imagino. Então, saber que tem orra, tem um negocinho que você pinga na água e você pode tomar, maravilhoso, gente, e nem deve ser uma coisa super moderna, né.

Não, é bem antigo. Tem uns filmes que aparecem nisso. Eu não sei se você já viu aquele filme da moça, que é a primeira moça que faz aquela trilha muito longa num deserto americano. É um filme famoso, eu esqueci o nome agora. Mas mostra ela descontaminando a água sempre, esquentando as refeições. Me identifiquei super com esse filme, inclusive. Vou tentar lembrar o nome depois que você põe.

Vamos ver se eu consigo assistir algum dia, porque tá aí um filme, menina, que eu não ia me identificar, que eu ia falar, gente, que louca, eu ia ficar o filme inteiro assim, ó. Não, mas eu também assisti o filme inteiro pensando que louca, aí depois eu pensei, nossa, mas eu já fiz essas coisas. Já fui essa louca. Já fui essa louca, mas enfim. Aí a gente, né, foi seguindo, foi um dia mais tranquilo, também, de caminhada.

e só que assim, até então sem banho, né, só de chuva e de lama e sem estrutura nenhuma, os pés já estavam pedindo socorro, porque aí realmente eu descobri que muita descida é pior do que muita subida, porque apesar da bota estar amaciada, eu acho que por causa do frio, não sei se meu pé ficou menor, eu não sei o que aconteceu, ou se a bota estava muito molhada, de vários dias molhando.

o meu pé começou a escorregar e aí a minha unha do dedão começou a ficar preta, eu não fiquei com bolha nada, mas eu comecei vai prensando eu acho que a descida é pior nesse sentido, porque Carol, vocês estavam tudo com o pé super úmido, né? ou não tava? não, porque eu já tinha uma meia, o pé não tava úmido tem uma meia de um tecido que meio que segura a umidade eu já tinha um tecido

E a bota em si, ela é impermeável. Só que o problema é que a gente acabou... Escorre por dentro das pernas, não escorre? Exatamente. A gente acabou molhando e escorrendo por dentro da perna. E aí fica úmido dentro. Então, assim... Como é que não fez bolha?

Porque eu fico pensando assim, descida eu acho que ela é pior, porque, claro, né, se a gente for comparar pequenas distâncias, é claro que uma descida é super melhor. Mas dependendo principalmente de quão íngreme ela é, uma descida eu acho que é muito pior, porque você fica com o dedo esmagado na frente, ele escorrega pra frente, né, o pé dentro do calçado. Isso.

E eu acho, gente, desculpa, sou ignorante, não tenho realmente esse tipo de informação, mas você fazer uma trilha de 20 quilômetros, se você for caminhando, é muitas horas. Eu já pedi desculpa pela ignorância, né?

Mas assim, não tem risco de em algum momento, tipo, sei lá, começar a necrosar algum dedo, por exemplo, dá problema na necrosar, eu acho que é muito. Mas dá um problema de circulação por estar frio, a umidade que escorre por dentro da calça. Eu acho que sim. Eu acho que sim. Numa situação muito extrema, realmente. Eu acho que sim.

Sim, sim, mas nesse segundo, terceiro, no terceiro dia, né, terceiro, quarto dia, a gente já não estava mais numa região de tanto frio, a gente foi descendo, e o Peru é muito louco, porque você está numa área totalmente de deserto, aí depois você vai numa área de super altitude, com gelo, aí depois você vai um pouquinho mais pra frente, vai descendo, você chega na floresta amazônica, tipo, é muito louco isso.

É uma geografia muito louca. Ah, então não é só aquele frio com o corpo molhado de uma forma mais constante. Porque eu fico imaginando, eu acho que um frio seco não é tão ruim quanto até calor com o teu corpo úmido, né? Porque o nosso pé pode ficar poucas horas numa banheira, numa piscina, ele já fica todo enrugado, a pele vai ficando fina. E você vai nessa insistência andando, meu Deus, isso deve ser uma tortura com o pé.

É, então, mas a gente estava bem acostumado, assim, então, realmente, seis dias de trilha não deu bolha, a gente já fez várias trilhas longas aqui em São Paulo, eu sou a pessoa que, eu gosto... Não é confiável, você não é. Gente, a Carol, ela é capaz de fazer qualquer coisa, quem faz esse negócio que ela fez é capaz de fazer qualquer coisa, não confie na Carol.

Não, não. Eu sou a pessoa que gosta de ficar num lugar que não tem nada, não tem civilização, não dá sinal de celular, eu falo... Sem gente. Que delícia. Sem gente, assim, então a gente vai pra muitos lugares, a gente tem costume aqui em São Paulo, tem alguns amigos que vão sempre, e a única coisa, assim, eu tenho equipamento, a gente tem...

localizador, aquele localizador mesmo, GPS, e eu mando o localizador pra minha mãe, que é tipo assim, se a gente sumir, ela sabe onde me procurar.

É igual quando você vai numa tirolesa Eles pedem teu tipo sanguíneo Tá tudo bem até você pensar no pior de cenários, né? É ruim como localizar Que bom, mas que ruim Ter essa possibilidade, né? Mas alguém tem que Tem que saber onde a gente tá Tem certeza, óbvio, o seguro morreu de velho, né?

Mas eu acho, assim, a gente nunca teve nenhum problema, na verdade. Apesar dos perrengues, assim, a gente nunca teve nenhum problema de acidente, nem de se perder, tudo que tem que fazer com guia, porque tem uns lugares que é obrigatório, tudo a gente faz com guia, direitinho, a gente não é...

inconsequente, né, e vai ficando, acho que mais velho, a gente vai ficando mais responsável, mas continuo fazendo trilhas, mesmo depois desse perrengue. Mas, enfim, nessa vez, foi a primeira vez que a gente pegou um lugar que tinha, assim, tantos quilômetros de descida, tipo, 30 quilômetros de descida, somando no total, eu nunca tinha passado por isso, então, realmente, eu não estava esperando, meu pé foi ficando roxo, os dois dedões, né.

E aí, no quinto dia, era o dia que a gente já estava realmente se aproximando de Machu Picchu, e a gente chegou numa cidade que chama Santa Teresa, que é bem próxima ali. Assim, é um povoado, tipo as casas de alvenaria sem acabamento, mas para a gente foi uma grande civilização, e era o primeiro lugar que tinha um camping site mesmo, que para quem não conhece...

É tipo uma estrutura, assim, como se fosse um gramado, mas um pouco mais fechado, às vezes tem portão, tem grade, enfim, para você ficar mais seguro, às vezes não tem, é totalmente aberto, mas geralmente tem uma estrutura de banheiro, vestiário, às vezes tem uma cobertura para você montar as barracas embaixo, às vezes tem uma área de cozinha ou churrasqueira para o pessoal poder fazer uma refeição mais elaborada e tal.

e aí tinha esse camping site só que era um camping site muito muito, muito zoado, assim muito simples, tinha um chuveiro pra todo mundo e aí a gente, eu e meu marido, a gente já tava meio de saco cheio do pessoal do exército israelense e a gente falou assim, vamos explorar a cidade aqui, né, vamos andar e a gente saiu andando, gente sem sinal de celular, homing na época, imagina que eu teria internet 3G pra pesquisar onde eu vou na cidade moreana

É, numa cidade no meio do nada. Mas enfim, aí a gente saiu andando e foi na cidadezinha ali e encontrou um cachorrinho, tipo um vira-lata caramel, só que era preto, e começando a fazer carinho no cachorrinho. Cachorrinho, cachorrinho, cachorrinho, aí o cachorrinho começou a andar.

na nossa frente, a gente falou, vamos seguir o cachorrinho, porque não sei. Aí fomos andando, andando, andando, o cachorrinho levou a gente, juro por Deus, parece mentira, mas é verdade, na única pousada que tinha na cidade. Aí a gente entrou... O cachorro era o marqueteiro da Pouca Usada. Era o marqueteiro, tipo aqueles vendedores de colchão, que fica assim, vem aqui, vem aqui experimentar o nosso colchão. Vem aqui ficar apontando com a placa que está sendo aqui, está sendo aqui.

exatamente isso e aí a gente chegou era combinado isso eu achei perfeito achei o melhor marketing garoto propaganda fantástico e aí a gente chegou tava pousada, não tinha ninguém hospedado, tinha vagas a gente se hospedou, lugar simples simples, simples, tipo colchão box sem nada, sabe? colchão colchão

Ela deu um lençol na nossa mão pra gente botar o lençol na cama, um lençol lavadinho, né? Mas tudo assim, limpinho, muito simples, a mão com uma gracinha, oferecer... Mas porque perto de onde vocês estavam, vocês estavam numa mansão, né, cara? Estavam numa mansão e ela ainda foi uma fofa, viu que a gente estava...

nojento, cabado, assim, só o pó, ainda ofereceu, tipo, ah, eu tenho aqui o café da manhã, vocês querem comer já? Agora era, tipo, de noite, assim, vocês querem comer? A gente, sim, sim. Por favor, pelo amor de Deus, eu me glória.

E aí tomamos um banho de chuveiro quente, assim, meu Deus, a melhor coisa, acho que a água deve ter saído preta, dormimos num colchão, meu marido, essa noite, assim, prova de amor, a gente estava com um canivete suíço, né, ele girando a faquinha do canivete, assim, bem devagarzinho, teve que fazer um furinho numa unha minha do dedão, do pé.

Porque tava tão, tão, tão, o sangue tanto pisado que eu já não tava mais conseguindo vestir a bota direito. Aí ele foi bem devagarzinho, fez um furinho na unha mesmo, e aí sai o sangue que tá ali pisado, e aí alivia a pressão, né? Aí a gente ligou, tal, higienizou. É meio tipo, socorro, mas... Funciona.

aliviou muito, funciona, e aí a gente dormiu ali, acordou bem cedo, encontrou o pessoal do camping, e aí chegou nesse dia, você chega em Águas Calientes, que é a cidade de base de Machu Picchu, e aí no dia seguinte de manhã, de madrugadinha, a gente subiu até Machu Picchu. Aí chegamos em Machu Picchu, uhul!

Chegamos! Aê! Pra quem não conhece, Machu Picchu é o parque, assim, né? Você chega, tem todos os lugares pra você passear ali, as ruínas e tal. E aí tem aquele morro que vocês veem em foto, que parece um pão de açúcar, um corcovado, né? Eu acho semelhante, assim, a geografia, né?

que é, você consegue ver mais o Pichu de cima, se você subir lá, chama o Wynapichu, esse morro. E aí, a gente... E já tava bom pra conseguir enxergar, né? Sim, é lindo. Amém, Jesus! Porque o que eu vejo de post da galera que chega lá e tá só aquela névoa, que você não consegue enxergar nada, gente, meu Deus! Então, a gente já tinha andado pouco, aí a gente falou, por que não?

vamos, e aí fomos, subimos lá para Wainapit, é uma subida de umas três horas, muito íngreme, a gente tem fotos, depois eu posso até mostrar no grupo do Telegram, assim, é uma coisa que a gente subiu pensando, meu Deus!

Quantas pessoas já devem ter morrido aqui? Ninguém fala sobre isso. Porque, assim, é muito estreito. E um fluxo muito grande de gente. E aí, diferente da trilha que a gente estava, né? Gente totalmente, assim, turistas aleatórios. Mas, para subir nesse lugar, vocês também vão com guia? Tem lugar tudo certinho? Ou é cada um por conta do seu conto e risco? Não, é uma trilha demarcada. Você tem que comprar um segundo ingresso dentro do parque. Tipo, não é a mesma entrada do parque. É um extra.

Ah, você tem que pagar pra subir, então. Ainda tem que pagar, né? Tem que pagar pra se sujeitar ao negócio desse. Sim, sim. Olha, gente. E aí tem, tipo, é uma, basicamente, uma escadaria escavada nesse morro, nessa pedra, e você vai seguindo, tem umas plaquinhas, né? Pico, pico, vai subindo e tal, e sobe e desce em tese pelo mesmo lugar, né? Então, você imagina, é um tralcinho estreito e tem gente subindo e descendo ao mesmo tempo.

Aí chegamos lá em cima do morro, vista maravilhosa, sol lotado, tiramos várias fotos e aí a gente descobriu lá em cima que a gente, em vez de descer pela frente, a gente podia descer por trás, circulando o morro.

para passar no outro templo, né, Machu Picchu é o templo do sol, e nos fundos tem o templo da lua, que é um lugar que ninguém visita, lindo. A gente tem 100% mesmo da exploração, do lugar, da imersão. Imersão, andamos mais um pouco, aí descemos, né, fomos para lá.

fazendo toda aquela descida, mas umas quatro horas a gente achou que a gente tinha errado o caminho nessa altura do campeonato, porque aí já não tinha fluxo de gente, já estava sozinho, a gente, meu Deus, vamos morrer aqui, mas não morremos, chegamos, foi tudo bem.

E aí meio que daí em diante, meio que já não teve mais tanto perrengue na viagem, acho que a gente bateu a meta dos perrengues, tirando um específico, assim, dali a gente pegou trem, não pegamos mais lotação, fomos embora de Machu Picchu já, de trem, aquele trem turístico panorâmico, né, bonito.

Aí a gente viu as coisas bonitas Que nem gente, né? Que nem gente normal Como as pessoas mortais costumam fazer mesmo Exatamente E aí a gente foi, continuou a viagem de trem Foi até o lago Titicaca lá Fez um turismo mais assim, mais normal, né?

E aí teve um último perrengue, só para coroar, que foi bem no penúltimo dia da viagem. Meu marido, gente, ele é muito distraído. Muito, muito. Ele melhorou com os anos, agora que ele já é um adulto mais funcional.

Mas na época ele era muito jovem E eu acho que ele estava muito cansado Coitado, vou fazer aqui Vou passar um pano pra ele Porque nos últimos dias Da trilha ele carregou a mochila dele E a minha, porque eu já estava Por causa da carova Ainda bem que você casou com ele, Carol

Casei, casei, gente. Olha, casou certo, casou certo, amiga. Casei, porque ele carregou, furou minha unha, carregou minha mochila. Aí duas coisas que eu não faria. A minha reclamação não me culpou. Até hoje, acho, é uma das viagens mais legais que a gente já fez, sendo que eu me xinguei de imbecil 30 vezes por ter programado essa viagem. Ele achou o máximo, então, assim, super topa tudo, achou muito legal. Então, casei depois disso. Arrasou.

Tá aí um dos poucos homens que não será odiado nesse podcast. Sim, gente, foi maravilhoso, carregou tudo, me carregou, me jogou pra cima o tempo inteiro, vai, você consegue, você é foda, ele foi ótimo. Mas aí ele fez o dele também, ele tinha que dar o nome dele na viagem, a gente chegou numa cidadezinha, uma cidade histórica de trem, assim, e deu um problema lá no trem, tal, a gente ia chegar umas oito da noite, acabamos chegando umas dez, assim, porque atrasou.

E aí, na hora que a gente chegou, não tinha nada. De novo, gente, não tem GPS, navegação, tempo real. Então, a gente sabia como sair da estação de trem e chegar na pousada que a gente ia dormir. Mas, assim, imagina um povoadinho, rua de chão batido, assim, de terra batida, sem placa, e é isso. A gente foi caminhando, pegou umas informações ali.

E foi andando com a nossa mochila e chegou, depois de se perder um pouco, assim, meio escuro, 10 da noite, fechado, chegamos lá na pousada, uma pousada linda, linda, construída em cima da parte de ruínas, assim, muito bonito.

fomos super bem recebidos, eu falei, nossa gente, né, agora estamos vivendo, né, que delícia, aí tinha no quarto, foi o único quarto mais chique que a gente pegou, tinha uma banheira, aí eu já cheguei, já fui tirando a roupa, já fui abrindo a banheira, assim, eu nem sou muito fã de banheira, mas, gente, depois de sequências de banheira, meu Deus do céu, banheira, banheira, a gente pegou um quarto chique, eu falei, então tinha cama, pelo menos, tinha cama, tinha banheira, tinha, assim, aquecimento no piso, banheira, aí é o auge do...

luxo do banho de alge, tem o plus, nossa! E aí, o que que tinha também? Imagina assim, era metade da construção, era aquelas pedras incas, tipo ruína, e aí do meio pra cima era parede, né, normal de haverlaria, teto, isso é muito comum lá, porque os colonizadores aproveitaram as construções, né, as estruturas de construção do... ...

dos Incas e construíram coisas em cima. Então tem muita coisa assim lá, mas era muito bonito e tem uns recortes assim e tal. E tinha uma janelona, uma varanda com uma mesinha. A gente chegou, botou as mochilas, botas num janelão, fechou a cortininha, tirou a roupa e foi tomar banho. Eu entro na banheira, meu marido, do nada, viu as coisas voando. Não. Aonde está meu passaporte? Meu Deus. Dentro da banheira, assim.

Eu não sei, senhor, não sei onde está. Ele ficou responsável, ele estava com passaporte, dinheiro, nossa vida estava com ele, né? Uma das coisas que me deixa mais nervosa é o risco de perder passaporte. A pergunta, cadê meu passaporte? Isso acaba, meu Deus, me desestrutura. Não, eu não sabia. Aí, do nada, ele saiu do banheiro.

e foi procurar. Só que eu continuei lá, meio que assim, estado de alerta, ouvindo, mas falei, eu não vou sair daqui, né? Sim. Aí, eis que eu ouço do nada, assim, uma barulheira e a porta fechando, do quarto mesmo. Eu falei, meu Deus, o que aconteceu aqui?

aí eu saí, saí da banheira já, pensando, meu Deus, me vesti rapidamente, vi que ele não estava no quarto, né, e aí saí saí do quarto caminhei até a recepção a moça da recepção estava com uma cara de susto, aí eu falei pra ela

meu marido passou aqui? Aí ela falou, passou correndo. Me perguntou qual era o sentido, em espanhol, né? Eu falo espanhol. Me perguntou qual era o sentido da estação de trem, porque ele não sabia nem para onde ir. E aí eu apontei para ele e ele passou correndo.

Meu Deus, ele simplesmente saiu do quarto correndo. E você era no escuro sem saber de nada. Ele não me avisou que ele estava voltando na estação. E aí eu voltei pra trás e falei, gente, vou ter que ir atrás desse homem, né? Aí voltei pra trás pra vestir meu tênis, porque eu tinha botado um chinelo, né? Um short chinelo pra ir na recepção. E aí voltei pra trás, botei meu tênis, botei uma roupa. Na hora que eu fui botar o meu tênis, meu tênis estava aonde? Na varandinha que a gente botou as coisas e fechou a cortina.

Quando eu fui olhar o meu tênis, do lado estava a jaqueta, uma jaquetona impermeável que ele estava usando sempre, que tem um bolso interno, e dentro estavam os passaportes. Ele deixou ali a viagem inteira, por isso que eu sabia que estava ali. Mas quando eu vi a jaqueta dele solta, embaixo da cortina e da mesa, eu falei, ah, foi isso, ele não viu a jaqueta cair daqui, achou que ele esqueceu a jaqueta no trem.

E aí peguei a jaqueta, olhei, o passaporte estava dentro, peguei os passaportes, deixei em cima da cama, vesti o meu tênis, falei, vou atrás desse homem. Aí fui, a moça da pousada, uma fofa, falou, não, eu vou com você, pra você não ir no escuro sozinha. Falei, tá bom.

fofa, aí fomos nós duas andando, batendo papo, porque eu também não ia correr, porque eu não ia uma louca. Bem tranquilo, o passaporte estava ali, agora o marido ele se vira, daí é encaixa no momento. É, fazer o que? Aí, fomos andando, chegamos lá na estação, não era longe, era tipo uns 800 metros, assim, não era longe. Chegamos lá, estava esse homem.

Ele é alto, gente, é forte, carregou, né, 10 quilos da mochila dele, 10 da minha, se desse ele me carregava também, mas estava lá esse homem ajoelhado no alambrado da estação de trem, a estação fechada, apagada, já era nessa altura do campeonato, sei lá, umas 11 e pouco da noite. Meu Deus. Chorando, chorando, chorando.

sozinho e aí eu chamei ele, ele olhou pra trás e ele veio chorando pra me abraçar amor, eu perdi os nossos passaportes meu Deus, eu coitado se acabando eu esqueci a jaqueta no trem

Meu Deus do céu, ele nem viu que a jaqueta caiu e ele achou que ele tinha esquecido a jaqueta lá. Ele chegou tão cansado, tirou a jaqueta, acho que ele colocou em cima da mesa, deve ter escorregado pra baixo, ficou meio na lateral da cortina, assim, tava meio...

No cansaço também Na loucura da cabeça E no medo de perder Ele surtou Não procurou direito, saiu correndo Achou que tinha deixado no trem A gente também tem que colocar aquele bônus Da função que vem de fábrica de homem É aquela coisa Já viu aquele meme?

Eu vou, meu marido fez isso, eu vou esconder isso dele. Você só tira e põe pro lado. Foi meio centímetro pro lado. Exatamente isso. Então, além de estar no lugar ali, que às vezes caiu no lugar que ele não viu, se não tava ali, não tava. Não tava ali.

É mais fácil ir correndo até a estação de trem do que dar uma futucada maior. Exatamente, exatamente. Mas dando um desconto, a gente já estava bem cansado, já tinha passado várias. Vocês já não eram mais... Vocês já eram sobreviventes nessas alturas.

Porque, meu Deus do céu, eu já tô cansada, não sei você, mas eu já me sinto exalta e suja. É, não, tipo, aí eu não sabia se eu trollava ele ou se eu falava. E aí eu comecei... Eu não acredito que você cogitou trollar o homem chorando. Eu comecei a rir na hora. E aí ele falou, por que você tá rindo? Aí eu assim, não tem problema, amor, tá tudo bem? Ele não tá tudo bem.

Aí eu falei, não, mas eu achei os passaportes. Ele, não, achou. Achei sim. A gente nunca perdeu esses passaportes, homem. Aí, onde estava? Eu falei, na sua jaqueta. Mas onde estava a minha jaqueta? Eu falei, na varanda. Aí ele, é mesmo? Eu deixei tudo lá e fechei a cortina. Meu Deus do céu. Eu não acredito, tadinho. E você cogitando ainda trolar o homem. Meu Deus.

E aí a gente voltou pra pousada, junto com a moça da pousada, que também não sabia se ria ou se abraçava a gente junto. Tá, mas assim, ó, eu tenho uma pergunta aqui pra fazer. Ele voltou pra estação de trem porque ele achou o quê? Que o trem ia falar? Então, que ele ia conseguir achar o mesmo trem ainda?

Então, loucuras. Eu acho que o desespero nervoso de perder o passaporte é tão grande que acho que ele pensou o quê? Eu vou tentar. Igual a história que tem aqui do Anel de Diamante, né? É, vou, tipo, vou tentar. O ônibus tava lá no lixo, o anelzinho brilhando e tal. E acho que ele pensou, vai que dá sorte. Essa história é demais, meu Deus do céu. Mas enfim, ele achou que, sei lá, o trem ia estar ainda parado lá, fazendo uma hora, eu tava lavando o trem. Ai, o que ele achou? Mas ele saiu correndo,

E aí depois disso a gente voltou para a pousada, né? Para ter passado mais esse perrengue. Chegamos, nem conseguimos tomar banho de banheiro. Só tomamos um banho, uma ducha ali, deitamos, dormimos, acordamos no dia seguinte, rimos dessa história, né? E aí fomos embora. Pegamos o trem mais uma vez, porque aí a gente ia embora para ir embora mesmo. A gente tinha que voltar para Cusco e de Cusco pegar um avião.

Mas, não antes ainda, aí final, para finalizar, coroar estrelinha dourada na nossa testa, a gente chegou, a gente estava viajando com um mochila e uma malinha de mão que a gente deixou num armário de um dos hostels, que tinha as coisas que a gente ia usar mais bonitinhas, secador de cabelo, coisas que a gente não ia usar na trilha, mas ia usar.

no resto da viagem. E aí a gente estava, então, com as mochilas, essa malinha de mão, uma cara de acabado, a bota estava para fora da mochila, porque estava em estado de, tipo, não dar, aqueles bastãozinhos de caminhada, umas tralhas, tudo pendurada na mochila, e aí a gente chegou no aeroporto, fez check-in, fez tudo bonitinho, e aí quando a gente está saindo da fila do check-in, assim, para ver onde é o portão de embarque, vem a Polícia Federal,

do lado do Peru. Ninguém mais, ninguém menos. Ninguém mais, ninguém menos. E eles perguntaram pra gente o que a gente tava fazendo ali. Eu falei, estamos pegando um avião. Não parece, parecemos duas pessoas em situação de rua, mas estamos querendo voltar pra casa mesmo. Estamos voltando pra casa, eles perguntaram quanto tempo a gente tinha ficado, o que a gente foi fazer lá.

Aí eu contei, contei dos perrengues, contei da trilha, contei de tudo. A pessoa começa a contar a vida, né? Você não sabe, moço. Moço, olha meu pé aqui, estado de cara, eu não tô com a minha unha.

Mas não satisfeitos, eles levaram a gente para uma sala fechada, né? Separaram a gente e fizeram uma revista, revista de mala, revista corporal, porque acharam que a gente estava levando drogas. Eu não entendi a lógica, porque a gente estava indo para o Brasil, né? Tudo bem, do Peru. Mas sei lá, eu achei que, na verdade, o Brasil era polo de distribuição de drogas. Mas não sei, não entendo. É, não entendo também. Eu acho que não... Eu acho que não é um problema.

Eu também não entendo, graças a Deus eu não entendo. Mas eu acho que não deve ter eu acho que não deve ter muito disso, né? Que às vezes vai saber, não sei que tipo de droga que pode ter ali também. Eu até me lembro vagamente, também nada a ver, tá? Um comentário bem aleatório aqui que acho que nem tenho certeza se cabe aqui, mas eu me lembro daquela novela, novela do Félix.

Sim, sim. Então, agora, falando aqui, eu me lembro que bem no começo tinha aquele namorado da Paola Oliveira, o tal do Ninho. Era ele e a Alejandra. É mesmo, ele ia pro Peru, né? Isso, era um rolê de que ele ia pro Peru. Agora, eu não lembro se ele ia ou se ele voltava. Com drogas, é. É, e eles caíram com droga. Ela até morreu, acho que a tal da Alejandra, acho que ela morre no decorrer da novela. Não lembro se é de overdose ou quem engole ou o quê. Mas agora, não me lembro. Eu sei que era nesse trânsito Brasil e Peru.

Inclusive, foi bem nessa época a novela mesmo. Eu me lembro da novela e nessa época estava famoso. Ah, inclusive, quando a gente estava lá, em Cusco, a gente pegou uma filmagem. A gente não aparece nem nada, mas a gente viu uma filmagem da Globo lá em Cusco. Mentira! De certeza que é nossa novela, então. Não sei. O quê?

Era filmagem da Globo? Era da Globo, era dessa novela. Era dessa novela, mas não filmaram a gente, nem nada, e não tinha nenhum ator encenando, eles estavam filmando, acho que... Filmando tipo uma, é, um plano de fundo, alguma coisa, eu não sei se eles iam usar depois, tipo, encaixar, eu não sei, eu sei que eles estavam filmando, tipo, na Praça Central, ali, e tinha, tava escrito Globo mesmo, os vans, coisas da Globo, que tal, já queira.

Estavam filmando, é. Legal. Eu não me lembrava, agora que você falou, eu lembrei. Foi bem na época dessa novela mesmo. Enfim, a gente foi revistado, não encontraram nada, obviamente. E aí a gente foi liberado, pegou o avião e voltou. E voltaram sobreviventes. O que foi que você comentou comigo? Vocês chegaram a tomar chá de ayahuasca?

tomamos, tomamos, nesse ritual com o xamã, né, a gente tomou lá no hotel, na pousada lá na pousada, é, a gente fez um ritual no segundo dia que a gente tava lá, né a gente fez o ritual de ayahuasca tradicional, local lá com o xamã local e é muito sério o negócio, assim, eu até brinquei, né, falando, contando aqui eu falei, eu não vou nem zoar, porque foi uma experiência muito, muito legal, verdadeira verdadeira mesmo, e eu não não

acho que é uma experiência recreativa, assim, a gente quis fazer meio que jovem em busca de espiritualidade, coisas assim, e queria experimentar, conhecer, falar, bom, já que eu estou aqui, né, que é a terra do, eu vou fazer.

E aí fizemos, mas foi muito legal. Foi uma boa experiência. Você não deu ruim igual dá em algumas pessoas o chá? Não. Você tem que ter um preparo real, não sei o quê. Mas assim, não conheço de pessoas que... As histórias que eu ouvi, tem uma até no Altamente Cancelável, que é sobre isso, no quadro Altamente Cancelável, que é sobre o chá de Iwasca.

E eu sei que, tipo, se você faz sem preparo nenhum, ou até de forma leiga, vocês que fizeram com xamã, no lugar que é disso, eu não manjo nada, né? No lugar que é disso, eu acho que pode ser que seja feito de uma outra forma, e talvez por isso...

não tenha colaterais, nada, porque a galera que toma, assim, que toma... Não, tem, tem, tem colaterais, assim, eu acho que eu já tinha vomitado tudo que eu podia vomitar na minha vida antes, né, por causa da van lá, da lotação, e aí eu tava tão enjoada naquele dia que eu quase não me alimentei antes de fazer, e você tem que fazer um jejumzinho antes, eles recomendam, ensinam, você tem que se hospedar lá pra fazer, é obrigatório, você não pode chegar aleatório lá nesse local, você tem que se hospedar.

e pra você fazer, tipo, uma limpeza alimentar mesmo, pra não dar tão ruim. E aí, eu acho que como eu tava com o estômago muito vazio, eu não sei, eu sei que pra mim foi muito tranquilo, assim, eu não passei mal, não vomitei, eu tive as visões, né, foi muito, pra mim foi muito legal, uma experiência espiritual mesmo, assim, eu não tenho nenhuma ligação com essas religiões, com o Sagrão Daime, nada disso, nunca tinha ido.

mas pra mim foi muito legal meu marido gostou muito também mas ele vomitou, ele passou muito mal assim, como você vê nesses documentários que mostram, ele passou realmente muito mal, mas assim, o xamã que tava lá acho que ele é muito acostumado, ele conduz muito bem, ele já explica antes é, eu acho que é isso que faz a diferença

ele é um guia mesmo, né, então ele fica ali para conduzir a experiência, para ser uma coisa calma, ele vai dosando a coisa, né, então foi muito tranquilo, e o lugar que você toma lá é tipo um, como se fosse um...

um santuário feito lá, que é um santuário dos elementos da natureza, então, tipo, é uma coisa linda, assim, é tudo de madeira e o teto é todo de vidro, então, eles fazem à noite, você vê as estrelas, é um lugar muito calmo, muito tranquilo, ele mesmo toca aqueles, é, tambor, xamânico e tal, então, é uma coisa que vai baixando você, você vai ficando calmo e ele vai conduzindo.

Então, assim, não foi uma coisa horrível, foi, na verdade, foi muito tranquilo, eu acho que eu até comentei nessa história da moça da Ayahuasca, né, eu comentei que eu tinha tido já uma experiência totalmente diferente, que eu acho que como tudo na vida, né, tem...

Tem gentes e gentes no mundo. Mas essa parte foi muito legal da viagem. Tem pessoas que vão querer experimentar, que vão querer se jogar, e tem pessoas que não, né? E tem gente que tem alguns tipos de reação, tem gente de colaterais, assim, né? Tem gente que não. E eu pergunto justamente porque num lugar que você faz com o xamã, com o cara, eu acho que ele até sabe fazer o xamã, talvez de uma forma mais correta do que a gente, por exemplo, ir lá e tentar fazer de qualquer jeito, né?

Ah, com certeza, ele é uma coisa passada muito séria, né, o chá mole, ele é um ancião daquela comunidade, ele não é procurado só para isso, né, ele é uma pessoa sábia, e eu sei que a receita do chá é passada de geração para geração, é uma coisa séria, ele mesmo vai.

supervisionar todo o feitio ali, ele entrevista as pessoas antes de fazer a cerimônia, tipo faz uma triagem assim, quando a gente fez tinha mais três moças que a gente não conhecia, mas que também estavam hospedadas na pousada e fizeram, elas também passaram super mal, uma das moças tinha perdido o filho, ela tava lá para curar o trauma assim.

Então ela chorou muito, foi uma coisa muito pra ela, assim, foi muito tenso, mas de mesma forma, assim, ela saiu super leve, então eu acho que, no geral, quando é feito com essa tradição, que é uma tradição milenar, né, e com responsabilidade, eu acho muito legal, assim, e não acho que é recreativo.

E você fazer isso com um propósito adequado, né? Não fazer só de uma forma recreativa pra alucinar e fazer quem sabe o que esperar. Não, se alguém, ó, vou até deixar aqui o Avis alerta. Se alguém acha que isso é de alguma forma recreativo, tipo drogas alucinógenas, não é recreativo, gente. Não é porque eu tô dizendo que não é. É porque não é uma sensação de recreio.

É uma sensação de, assim, não é fácil passar por isso, mas foi muito engrandecedor para mim, assim, de várias formas. Então essa parte não teve nada de erro, foi muito bom. Que bom, que massa, não faz parte do perrengue, então. Não, essa não faz parte do perrengue. Agora, todo o resto, só não teve problema com atraso de voo nessa viagem, que a gente já teve várias outras, inclusive eu posso ter mandado ou não.

Pode ser que seja minha ou não. Pode ser que seja meu. Uma história que a Paula contou que, assim, todos os voos do planeta que podiam atrasar atrasaram nessa viagem. Então, essa pro Peru a gente não teve problema com o voo. Mas de resto... Mas de resto... E Carol, agora tem duas perguntas aqui que não querem calar depois de todo esse perrengue. Primeiro, genuinamente, lá no fundo, valeu a pena?

a trilha, os perrengues, ficar sem banho, valeu a pena? Ai, não, não. Não? Não, acho que a gente podia ter feito de uma forma menos sofrida, sabe? Dava para ir conhecer os lugares, ou então a gente podia ter feito, assim, tipo, anos depois que agora tem estrutura.

Isso, que agora vem a segunda pergunta. Faria de novo? Não, essa não. Mas essa não faria nunca mais. Mas eu não deixei de fazer trilhas, né? A gente faz trilhas bem longas aqui em São Paulo. Todas que são famosas aí, que aparecem na internet. Paranapiacaba, aquela cachoeira do Lagoa Azul. Todas essas que você vê no Instagram, a gente já fez. Já fizemos. Já fizemos para outros.

lugares, petar, também já fomos, esse tipo de coisa. Eu pergunto porque o teu marido adorou a viagem, achou que super valeu e tal, você acha que já não... Ele voltaria, ele já falou várias vezes que voltaria. Meu Deus.

Não voltaria. Não voltaria. E tipo assim, eu acho que eu tô entendendo o que você quis dizer. Você não faria duas vezes, mas se fosse pra fazer, você preferia fazer nos dias de hoje que tem mais estrutura. Sim, com certeza. Eu optaria por uma coisa com mais estrutura. Porque eu acho que a gente sofreu tanto que meio que tirou o brilho do negócio. Porque é um lugar muito bonito. Não é pouco bonito assim, não. É muito bonito.

e uma chance muito rara de você estar em contato com várias áreas de natureza de vegetação quase que intocadas, uma coisa muito especial para quem gosta e o céu do lugar, uma coisa assim, quando não estava chovendo, um céu incrível, é muito lindo.

É muito maravilhoso, mas se desse pra chegar de helicóptero, seria muito melhor. Sim, ou então fazer só o finalzinho, só um dia. Talvez não tão extenso. É porque eu acho que nesses casos a gente tem a mania de... Não sei se eu vou me expressar bem, mas é que eu acho que às vezes a gente tem a mania, principalmente quando se trata de viagem, um lugar novo, um lugar difícil de chegar, de talvez romantizar o sofrimento. De que a gente só consegue achar bonito ... E aí

porque foi extremamente suado, é aquela coisa, como é que é aquele ditado?

Então, é justo o que vale ou o que muito custe. Exato. Sabe qual que é? Não sei por que. Mas é essa coisa, tipo assim, que o sofrimento é tanto pra subir a montanha, o pico da montanha, né, que quando você chega lá, você olha e fala, cara, valeu muito a pena. Que eu lembro muito disso, porque meu professor falava isso no vestibular, que a gente se lascava durante o vestibular, mas quando você entrava na faculdade, você olhava e falava, nossa, valeu a pena. E não, é um sofrimento desgraçado.

Que cara do céu, por que a gente tem que sofrer tanto para dar valor para as coisas, né? Mas, assim, será que chegar, se fosse mais fácil, será que ele seria tão valorizado assim? Mas aí, eu falo, já não sei se é mania também de valorizar, de romantizar o sofrimento, né?

Exato, não, eu sou totalmente adepta, hoje em dia, de, não é ir pelo mais fácil, mas assim, se tem a opção de sofrer ou não sofrer, eu prefiro não sofrer hoje em dia, mas eu alcancei isso depois de muitos anos de terapia.

Porque parece, assim, quando a gente olha para uma trilha, é meio, às vezes, tirando para pessoas jovens e idiotas, como eu era, mas, assim, hoje em dia, né, depois 30 a mais, quase 40, a gente olha e fala assim, é, eu acho que é meio óbvio que eu iria pelo caminho mais simples ou menos sofrido, né, se eu tenho estrada A, que é...

reta e a estrada B, que é cheia de curva e buraco, eu vou pela estrada A, óbvio, mas isso para coisas óbvias, assim, agora no dia a dia da vida, eu acho que eu tinha muito essa tendência e eu acho que muita mulher tem, né?

Eu acho que muita gente tem, porque até saindo um pouco da história, eu me lembro que quando eu conheci o meu marido, eu conheci ele e uns dois meses depois, eu e minha irmã, a gente saiu de casa. A gente saiu da casa da minha mãe. Já comentei aqui anteriormente que a gente não saiu na maior paz absoluta.

E o meu marido, ele já tem uma história de vida que é mais puxada, sabe? A história dele, assim, ela vem de uma história bem sofrida e tal, ele teve que ser independente desde muito cedo, ele foi morar sozinho em situações e condições, assim, muito diferentes das minhas, assim, eu tive oportunidades muito melhores do que ele.

E eu me lembro que logo no começo ele me contou de todo o corre dele, de como foi tudo muito difícil para ele. E quando eu e minha irmã, a gente foi sair da casa da minha mãe, a gente teve a ajuda do meu pai. Foi o meu pai que foi o nosso maior incentivador ali e patrocinador em muitas coisas. O que não significa que para a gente foi fácil.

Meu pai falou, não, eu vou ajudar vocês ali com um valor X no aluguel. Eu vou pagar o primeiro aluguel pra vocês se mudarem. Então não me venham arrumar a casa cara. E a gente pegou uma casinha que era numa rua, era fundos e tal, uma coisa muito simples, assim. Então não era nada de luxo. E eu me lembro que eu peguei e falei pro meu marido, assim.

a gente às vezes, a gente sente vergonha de às vezes estar num caminho facilitado, né, eu lembro que eu falei assim pra ele, é, a gente comentando sobre esse rolê de sair de casa, como muda a cabeça da gente quando a gente vai morar sozinho, enfim, e eu falei assim, é, mas pra mim ainda eu fui muito Nutella, porque eu ainda tive a ajuda do meu pai, daí ele falou assim pra mim, eu nunca me esqueço disso, que ele falou assim pra mim,

Mas você não precisa achar que por isso você é a Nutella, porque hoje você tem que sustentar, você teve que mobiliar a casa tudo sozinha. E se eu tivesse alguém que pudesse facilitar pra mim, eu teria escolhido isso. Claro, né? Daí eu peguei e falei assim, é não, é que eu fico constrangida de falar que, né, nossa, sair de casa, é todo aquele perrengue e tal, porque o meu pai me deu uma ajuda. Ele falou, mas...

Eu não entendo por que isso é um problema. Eu acho excelente que você tenha tido ajuda, porque é muito melhor a gente ter. Então, assim, eu tive meu caminho um pouco facilitado, mas a gente tem mania de romantizar, de que não, mas só é justo, só é digna essa causa, porque teve muito sofrimento envolvido, né? E uma coisa nem sempre está relacionada à outra. Porque se a gente entrar também no meio de privilégios, o assunto vai se estender horrores.

Mas a gente precisa muito entender que nem sempre tudo que a gente faz pra valer a pena, pra ser valioso, pra ser uma coisa preciosa pra gente precisa ter todo o sofrimento envolvido, né. Pronto pra sentir a energia de Nescau? Então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio, o maior feat do ano. Se preparar igual eu nunca vi, você vai gostar mais de como do Brasil. Chama a galera e dá o play, que eu quero ver você jogar.

E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau. Energia que dá jogo.

Novo Jeep Renegade Willis. Interior renovado e novo design externo. O único SUV da categoria com tração 4x4, suspensão elevada e proteções off-road. Robustez para encarar qualquer selva com confiança. Uma lenda é sempre reconhecida. A aventura evoluiu. Novo Jeep Renegade. Desacelere, seu bem maior é a vida.

Sim, exatamente, precisa ter o sofrimento, às vezes, o manual, precisa ter o sofrimento, às vezes, emocional, não, mas aí a gente acabou de brigar e de chorar e aí tal, muito em relacionamento, às vezes, isso, né, tem que sofrer, tem que brigar, porque não tem briga no relacionamento. Não tem emoção. Não tem emoção, não tem amor, não tem... Não, gente, hoje em dia...

o quanto mais fácil puder ser, o quanto mais tranquilo, eu também fiz muito isso quando eu saí de casa, não foi tão cedo quanto você, mas eu também tinha muito isso de, ai, não, eu quero fazer faculdade pública pra eu não precisar depender dos meus pais, mas como quem eles não queriam me ajudar, eles sempre quiseram, né? Ai, eu quero conseguir, eu mesma, a gente comprou nosso apartamento, nós dois, tipo, sem ajuda, ai hoje em dia eu peço mais...

Por que eu não aceitei ajuda? É, por que eu não aceitei ajuda? Mas que burra, né? Assim, porque eu entendo a minha lógica na época, né? Eu queria eu mesma me provar e tal. E eu acho que tá muito ligado a esse negócio de ter cinco opções de trilha. Qual que eu vou fazer? A mais ferrada, sem caminho demarcado, que nem os incas fizeram. Ou se fosse uma civilização de mil anos atrás, se eles demarcaram outro caminho, por que você...

ser humaninho vai por um caminho que não é o que os caras achavam que era o melhor para andar. Assim, gente, não faz sentido isso, não faz. Mas eu acho que a gente, especialmente quando é jovem, eu estava bem nessa época de me formar na faculdade, sair de casa e tal, eu acho que a gente quer se provar para si mesmo, para si mesmo, porque eu não estava me provando para ninguém, nem redes sociais, assim, muito de ficar fazendo foto e tal.

a gente tinha direito, né.

então não era nem pra me provar pros outros acho que era bem pra mim mesma você sabe o que eu acho, Carol? é que é isso que você falou de nós mulheres a gente tem muito a visão da idolatria o que não invalida uma coisa não invalida a outra de que, ai nossa, ela foi uma mulher muito guerreira ela foi uma mulher eu não quero ser guerreira não eu quero uma vida fácil, gente vamos lá, eu não quero a gente ouve muito as pessoas falando que...

guerreira é a Xena? é deixa ela, eu quero ter uma vida fácil, é isso que eu quero porque as pessoas tem mania de romantizar o sofrimento qualquer coisa no trabalho, pra ele foi mais pra ela foi mais sofrido do que pra essa daqui conseguir, então essa daqui nossa, ela é guerreira, não sei o que então é isso que a gente tem mania, de ter um negócio muito suado e mostrar quão suado ele foi e

Porque, nossa, é cara de mania de querer ser guerreira em tudo. Exato, e eu acho que eu tava muito nessa fase, nessa viagem, e eu acho que foi ótimo pra mim, juntando, né, a realização de chorar na barraca, tipo, por que que eu fiz isso comigo?

e também toda a questão da cerimônia lá com o xamã e toda aquela... Porque depois você vai mastigando tudo, né? Na hora você só vive ou fica brava ou fala uhu, conseguir. Mas depois quando você começa a mastigar as experiências, olhar pra trás, fazer terapia, esse tipo de coisa, é muito isso. Eu acho que eu tava numa fase de querer me provar pra mim mesma que eu era guerreira, que eu conseguia vencer os desafios. Desafios que eu mesma tava botando, né?

viagem foi assim, foi um... Obstáculos que você mesmo colocou, você foi guerreira. Obstáculos que eu mesma coloquei, exatamente. Então, assim, acho que foi realmente um ícone na minha vida. Então, assim, continuo fazendo trilhas, mas agora com menos sofrimento, assim, né? A gente faz coisas mais curtas. Eu sei que eu consigo fazer 120 quilômetros se eu quiser, mas...

Você já descobri que você é capaz, mas você não precisa ficar se provando isso todo dia, né? Não preciso ficar me provando e se meu marido quiser carregar, e na época eu fiquei muito chateada porque ele carregou as coisas pra mim, eu me senti mal, pessoalmente mal assim, e hoje em dia eu falo, carregue, por favor obrigada. Hoje em dia ele se sente mal se ele não carregar porque eu obrigo ele a carregar. Não, não né? E aí

não chega a isso tô brincando, mas no sentido de aceitar ajuda, né? sim, aceitar ajuda aceitar que ele carregue pra mim e tipo assim, por quê? tá facilitando a minha vida, deixa as pessoas facilitarem a minha vida eu acho que essa é a lição é, não, tipo assim se a pessoa está se dispondo a ajudar por que não aceitar?

Porque a gente tem síndrome de guerreira, síndrome de Xena, de querer, não, eu dou conta de tudo, eu faço isso. Disse eu aqui sem moral nenhuma, numa fase onde eu não sei pedir ajuda, onde eu quero dar conta de tudo, que eu até brinco, eu até brinco não, eu até falo que, a minha irmã me mandou esses dias um negócio que fala que a gente só é sobrecarregada, não é porque a gente tenta dar conta de tudo, é porque a gente consegue dar conta de tudo.

Porque a gente passa a vida equilibrando pratinhos, em algum momento você tem que saber qual que vai cair hoje. E o problema é justamente se a sobrecarga vem quando a gente consegue equilibrar todos. Então que a gente consiga romantizar menos o nosso sofrimento. Uma metáfora pra colocar pra vida. Tem coisas que a gente tem que suportar mesmo, e é isso aí, bola pra frente, a gente é forte, a gente consegue. Mas tem obstáculos que a gente...

precisa, né? A gente pode desviar. Exatamente. Você gosta, e pra mim tá tudo bem, mas eu já, até pra ver vídeo de trilha, eu vejo vídeo igual largados e pelados, eu vejo aqui, ó, da minha cama com meu pijama quentinho, debaixo das cobertas, em segurança, com sinal no meu celular, se acontecer qualquer coisa, carro na garagem pra sair, pedir socorro, se der qualquer coisa, e é isso, né? Eu falo que viagem boa sempre tem perrengue, mas se não tiver, melhor ainda, né? É verdade.

Mas sempre tem, né? Sempre tem. Tem coisa que a gente não controla, né? Tem coisa que não controla. Mas, tá beleza. Então, acho que é isso. Carol, obrigada mais uma vez aí pela participação. E você fica aqui na linha, tá? Só pra gente poder se despedir. Tá bom. Eu amei. Muito obrigada. Amei, amei. S moreana.

É muito legal participar com você. Eu conheço podcast, nossa, acho que desde que você estava começando, você tinha um outro antes, né? Aí que você começou com a Théu e o Yumi, eu comecei a te ouvir do começo, super apoio. Eu acho que você progrediu muito ao longo desses anos.

E acho você incrível, espero que o podcast prospere, continue muito aí pra frente, que eu vou olhar pra trás e falar, nossa, que nem a trilha. Quando eu fiz isso aqui, era tudo mato. Eu vou olhar pra trás e quando eu comecei a ouvir, era tudo mato. Sim, essa é a chance da gente fazer amizade antes da fama chegar. E gente, só pra vocês saberem, vocês sabiam que a Carol, essa aqui que você fala, foi o grupo do Telegram Existe Graças a Ela?

É verdade. Lembra disso, Carol? É verdade. Eu falei. A Carol falou pra gente comentar sobre as histórias e eu não tinha. É verdade. Então vamos falar. É merecidíssimo, Carol, estar aqui, né? Então, Carol, mais uma vez, obrigada. Obrigada por ser apoiadora há tanto tempo, ser fiel, leal e ter topado gravar aqui a história comigo. Fico feliz que foi uma boa experiência pra você. Então, foi bom pra você, Carol? Foi ótimo.

Então, muito obrigada mais uma vez. E é isso. Espero que vocês tenham gostado também. E vocês já sabem o que fazer se quiserem também concorrer aqui, ter a chance de gravar a história comigo, né? Ser um apoiador. Mas é isso. Se você quiser comentar sobre esse episódio, comente lá no nosso grupo do Telegram. Eu e a Carol estamos esperando vocês por lá.

Mande sua história atéioak.podcast arroba gmail.com Me siga no Instagram atéioak.podcast E até o próximo episódio. Tchau, tchau! Quer dar um tchauzinho aí, Carol? Tchau, gente!

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