#217. Status e balada
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🎧 Divirta-se
- Importância de Dizer Não
- Relacionamentos TóxicosChupetinha · Manipulação emocional
- Demissao e ConsequenciasEstilo de vida superficial · Inteligência financeira
- Crescimento PessoalTerapia · Novo relacionamento
- Impacto em filhos e famíliaPais ausentes · Busca por validação
Oi! Sejam muito bem-vindos ao Até Ok. E a história de hoje é da Jéssica, mas se essa é a história minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber. Nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não, então, vem comigo.
Hoje, a Jéssica tem 30 anos, mas quando ela tinha 20, ela terminou um relacionamento que ela achava que era perfeito, mas no fim ela descobriu que não era amor, era cilada. Depois disso, ela sem muito saber como lidar com isso, começou a beber muito, sair muito.
Ela ia para a balada, ela viajava sozinha até se fosse necessário, ela ia em show em outras cidades, ficava com qualquer cara que baixasse nela. Ela viveu uma fase apocalíptica. E, gente, vale dizer para vocês que muitas dessas situações, muito de tudo que vai acontecer nessa história, muitos caras que ela ficou, foi pela dificuldade em saber dizer não. Isso junto com a falta de amor próprio, né? Obrigado.
talvez um seja consequência do outro? Fez ela estar em muitas situações ruins para ela, só que assim, situações que eram completamente evitáveis com um simples não. Depois de muita terapia, a Jéssica entendeu que essa dificuldade de falar não era porque a qualquer mínima atenção que ela recebesse, ela se sentia obrigada a retribuir. E por que isso? Porque na infância ela teve pais ausentes e ela se sentia obrigada a retribuir.
E ela tinha a sensação de não pertencimento, a sensação de não ser amada por eles. E quando eles davam atenção para ela em algum momento, ela queria ser solícita, ela queria ser gentil e retribuir para tentar continuar buscando esse amor. Então ela não sabia dizer não, porque o tempo todo ela achava que ela tinha que retribuir o menor sinal de atenção que ela recebesse.
E isso daqui alugou um triplex na minha cabeça, tá? Bom, o tempo passou e no carnaval de 2018, ela conheceu o Ricardo, cujo apelido era Chupeta de Baleia ou simplesmente Chupetinha. O Chupetinha, gente, ele era um cara muito legal, muito mesmo. Só que ele não atraía a Jéssica fisicamente, por quê?
porque ele era feio. E a partir do momento que um feio é legal e uma mulher linda e maravilhosa como a Jéssica começa a dar moral para esse feio, ele passa a agir como se ele fosse bonito e a feia fosse ela, né? E o que acontece? Um relacionamento caótico.
A Jéssica, nesse momento aqui, ela estava com seus 22 anos e ele tinha quase 30. Então é uma diferença de idade que não chega a ser problemática na idade deles, mas é uma diferença relativamente considerável.
Mas tá, os dois se conheceram ali no carnaval, no meio da bagunça, e eles começaram a trocar mensagens. E gente, sabe por que que eles se conhecerem evoluiu para uma troca de mensagens? Pela dificuldade de ela falar que não estava interessada nele. Ela achou ele feio, ficou com dó de falar não, e começou a trocar mensagem. E trocando mensagem, ela começou a levar o cara em banho-maria. Ela passou a achar ele legal, e ele passou a achar que ele era bonito.
E qual que foi o resultado? A Jéssica, que já morava sozinha desde os 17 anos, não conseguiu falar não e eles tiveram um primeiro encontro na casa dela.
E aí o primeiro encontro foi bom, só que a partir daí foi só a ladeira abaixo. Eles começaram a ficar e, claro, aqui eles já não estavam mais levando a ficada só porque ela não sabia dizer não. Mas o envolvimento acabou sendo ali meio que consequência, né? E isso logo evoluiu para um relacionamento. Gente, o Chupetinha, ele era feio, mas ele não era burro, né? Ele sabia que ele nunca mais ia encontrar uma mulher linda e maravilhosa igual a Jéssica.
E com o tempo, gente, ela começou a perceber que ele era um cara acomodado. Ele trabalhava, ele era vendedor de uma distribuidora de hortifruti. Só que assim, ele ganhava muito bem, gente, muito bem mesmo. Só que ele mais gastava do que ele ganhava. Ele não tinha a menor inteligência financeira. Sabe onde ele gastava o dinheiro dele, gente? Com 30 anos na cara dele?
Embalada, comprando combo, pagando camarote, bebida para os amigos. Roupa, ele só usava roupa de marca cara, não importava quão cafona era. Tinha que ter lá a logo, o símbolo da marca para todo mundo saber que ele era um cara da grana. Celular era sempre o de última geração. A maçã lançava um celular novo, ele estava lá na fila de inauguração.
O tempo todo ostentando, gente. Eles iam para a balada e o combo vinha com, sabe aquelas velas faísca em cima, aquelas de bolo de aniversário que estoura para todo lado? E aí todo mundo da balada olhava para o Chupetinha como se ele fosse o rei do camarote. E ele se achava o máximo fazendo isso, porque todos os olhares viravam para ele.
Eu acho que hoje, em 2026, eu acho que hoje a gente pode dizer que era muito micoso isso, né? Então, só com isso, vocês já podem ter uma noção do perfil do Chupetinha. Ele ganhava bem, só que ele gastava melhor ainda.
Ele se vestia cafona mesmo, mas o importante era coisa cara. Ele andava com coisa cara, só que a conta bancária estava sempre arrebentada. Documento do carro sempre atrasado. Não tinha onde cair morto praticamente, mas ele estava sempre gastando dinheiro. Gente, ele não tinha a menor perspectiva de futuro. A Jéssica sabia que ele era um lascado. Só que os amigos dele talvez não. Alguns percebiam, outros não.
E a gente faz cada coisa nessa vida, né? A Jéssica.
Por mais que essa questão, que eu sempre brinco, que é um feio e tal, isso é só um meme. Mas por mais que eu brinque com isso, de fato nessa história aqui, o Chupetinho realmente era um cara prejudicado de beleza, enquanto a Jéssica era linda. Então ela ficava com medo que as pessoas achassem que ela era interesseira, que ela estava com ele por interesse. Porque teoricamente só ela sabia que ele era um lascado. E gente, ela mesma pagava as coisinhas dela, as coisas que ela consumia.
O cara gastava milhares de reais com os amigos, mas o que ela consumia, ela mesma pagava. Vocês entendem que o cara gastava coisa de, sei lá, 3, 4 mil reais por noite.
E ela ia lá e gastava o dinheirinho suado dela, comprando bebida num lugar que ela só estava por causa do cara, enquanto tinham homens e mulheres ali enfiados no camarote do cara e tal, bebendo. Pessoas que nem conheciam ele. Ele estava pagando tudo para todo mundo, mas ela, para não acharem que ela era interesseira, ela queria pagar o dela. E além, gente, dessa ostentação dele...
mesmo sem ter necessariamente condições para isso, ele também fazia festas com os amigos. Só que, gente, a gente está falando de festas grandes, grandes mesmo, tá? Festas que a galera tinha que comprar ingresso para ir. Festas que são famosas, assim, num determinado espaço geográfico, né? Uma cidade que eu não vou especificar aqui.
Só que essas festas, elas eram puramente para status, porque a festa se pagava com o valor dos ingressos, que eram bem altos, porque eram festas bem elitizadas. Então, assim, a festa não era para ele lucrar. A festa era só para ele manter o status dele.
E nessas festas, a Jéssica não pagava o convite, ela não pagava o ingresso, mas de resto ela pagava tudo lá, ela pagava o consumo, pagava tudo. Enquanto isso, estava sendo ele lá bajulado por um monte de gente que eles não conheciam, tá? E tem uma coisa aqui que a Jéssica tem que reconhecer, gente. As festas que rolavam ali eram festas muito boas mesmo, eram festas de alta qualidade. Bom, pelo menos isso, né? Pelo menos as festas eram boas.
E a cidade, gente, que eles moravam ali é uma cidade litorânea. Então tem uma praia bem bonita e tal. E o que acontece? Ele dizia que ele tinha um apartamento numa cidade que ficava duas horas dali. E realmente ele tinha. Mas a questão é que ele falava como se fosse um apartamento de luxo.
Depois a Jéssica descobriu que eram esses apartamentos pequenos de Coab, sabe? Só que, gente, para ela era indiferente. Mas aqui já fica anotado para a gente que ele era um cara meio garganta, né? Um cara que contava muita vantagem, mas ok. E, além disso, ele também falava para ela que ele estava construindo uma casa no terreno que era dele.
o que também era verdade. Porém, a casa estava com a obra parada, porque ele não tinha dinheiro, e era um terreno familiar. E enquanto a casa dele estava sendo construída, ele morava com a irmã dele. Mas, gente, vocês conseguiram pegar que o Chupetim é um cara que vivia de status e contava vantagem como se ele fosse muito rico? Só que quando você olhava para uma lupa... Bom, aqui a gente aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui
Não era bem assim. E como ele morava com a irmã e a Jéssica morava sozinha, adivinha o que começou a acontecer? Ele começou a ficar por lá na casa da Jéssica. Ele começou a ficar mais tempo, foi ficando, ficando e ficou. Como ele não tinha nada, ele só tinha roupa do corpo...
foi muito fácil ele fazer uma mudança para lá, gente. Só que assim, a Jéssica achava o Chupetinho um cara muito legal, ela foi levando e se envolvendo, só que ela não se sentia necessariamente atraída por ele, sabe?
É meio inacreditável, mas como eu falei para vocês, tudo isso começou pela dificuldade da Jéssica falar não. E ela entrou num relacionamento onde ela simplesmente não amava o cara. Ela gostava, tinha ali meio que um envolvimento e tal, né? Era um negócio que dava para ir levando, só que não era o que ela queria ir para a vida dela. E conforme o relacionamento ia passando, ela foi percebendo cada vez mais isso, gente.
Porque de repente esse cara estava morando na casa dela. A dificuldade dela se impor fez com que ela entrasse num relacionamento.
e simplesmente estivesse morando com o cara. E quando ela percebia essas coisas dele, e mandava ele voltar para a casa da irmã dele, gente, quando ela tentava se impor, ele assumia uma skin nova. O Chupetinha falava que ele não tinha para onde ir, e ele começava um drama imenso. Um pouco antes deles se conhecerem, o Chupetinha perdeu um dos melhores amigos dele. Esse amigo dele se desviveu.
E para ele era muito difícil lidar com isso. E ele falava para a Jéssica que isso era uma depressão, que ele queria parar com essas festas e fazer família, porque ele já estava ficando velho demais para isso. E aqui entra um detalhe, gente, que era um fator, ou o maior dos fatores.
que fazia a Jéssica não ter certeza, se era, na verdade fazia ela ter certeza de que ela não queria ele para a vida dele, que ela só estava empurrando com a barriga. O Chupetinha nessa época, ele tinha dois filhos, que tinham ali dois e três aninhos. E simplesmente ele não tinha contato com as crianças. Ele morava na mesma cidade que os filhos, mas era como se ele não estivesse nem aí.
E a gente sabe que um cara que não é um bom pai, ele também não tem como ser um bom marido. Na verdade, ele não tem como ser um bom ser humano, né? E por que eu estou contando isso para vocês? Para que vocês consigam delinear o perfil dele, que além de tudo era um acomodado.
Mas talvez vocês estejam se perguntando, como que ele era um acomodado se ele trabalhava? Então, o que que acontecia? O chupetinha, ele trabalhava com aquelas vendas pelo celular. Ele não tinha um espaço físico. Qual que era a consequência disso? Ele ficava o dia inteiro deitado no sofá, jogado em casa, segundo ele trabalhando.
Só que isso começou a irritar a Jéssica de um jeito que é inexplicável. Hoje ela sabe quão surreal é tudo isso que ela viveu, o modo como ela insistiu, o que ela mesma falou para mim no e-mail. Eu não sei que surto, que falta de amor próprio ou delírio.
que me fez ficar nessa situação. Mas é isso, né, gente? Quem que nunca esteve numa fase tão perdida e, consequentemente, tão vulnerável que se enfiou numa situação ruim que teve depois dificuldade para sair, né? Mas, enfim, era isso. Ele era vendedor numa distribuidora grande, então ele mandava a lista, ele pegava pedido e realmente era tudo pelo celular.
Só que para a Jéssica era muito irritante aquela cena, aquele homem jogado no sofá da sala dela o dia inteiro, mexendo no celular o dia inteiro, só que tinha a cerejinha do bolo. Esse alecrim, ele tratava mal os funcionários que estavam num nível hierárquico menor do que o dele.
Gente, ele era estúpido com motoristas, com entregadores, e até com pessoas terceirizadas que faziam as entregas, porque, teoricamente, essas pessoas respondiam para ele que fazia os pedidos. Então, ele ficava responsável. Quando o pedido sofria algum atraso, alguma coisa assim, ele era de uma estupidez ímpar.
E a Jéssica via aquilo e falava que então ele que levantasse do sofá e fosse ele fazer as entregas, que ele fosse fazer os corre que os caras faziam ao invés de ficar lá berrando e se achando rei. E gente, a Jéssica reclamava para ele de ele ficar jogado no sofá, dele ficar gritando com os outros, e ele dizia que o trabalho dele era aquele e que ele não tinha culpa de ser assim, que era assim que ele ganhava super bem.
Só que, cara, por que que isso também irritava a Jéssica? Porque ela viu no celular dele várias vezes que ele não estava trabalhando. Ele estava ali deitado, jogado no sofá, conversando com mulher. Porque essas mulheres, gente, elas ficavam meio que dando em cima dele, sabe? Ficavam rodeando ele, bajulando ele, né? Essa coisa linda.
para conseguir convite de graça e ingresso para as festas que eram muito grandes, ou para que elas fossem promoter das festas. Então ele dizia que ele estava trabalhando, mas ele não estava trabalhando de fato 100% do tempo. Se o tempo que ele tivesse tirado para trabalhar, ele realmente estivesse trabalhando, mas intercalando esse tempo, fazendo uma planilha financeira, entendendo o dinheiro dele, por exemplo, ele não estava do jeito que estava.
Então ele ficava ali mexendo em rede social, conversando com mulher e dizendo que esse era o trabalho dele. Só que se a Jéssica pedisse para ele fazer alguma coisa em casa, a Adair não tinha tempo, né? E só um detalhe, tá gente? Ela nunca pegou nada concreto sobre traição no celular dele. Eram realmente, pelo menos até esse momento, eram claramente relacionamentos com uma clara troca de interesse. Então todo mundo só suportava ele.
Claramente por interesse nas festas, muito embora ela tenha dito para mim que ele era um cara muito legal. Ele era muito legal, mas não era para ter tudo isso que tinha de mulheres ali bajulando ele. E nessa situação dele ficar jogado no celular, de ela pegar a conversa dele com mulherzinha o tempo todo, a falta de organização financeira, eles começaram a ter brigas muito recorrentes, muito recorrentes.
Mas chegou um momento que o convívio deles começou a ficar um negócio muito crítico pelo fato dele não fazer absolutamente nada. E a Jéssica me falou, gente, que a sorte é que ela não precisava pagar aluguel, porque a casa ali era dos pais dela. Só que se ela precisasse, ela não sabe como é que ia ser.
Porque assim, mercado, os dois acabavam fazendo conforme tinha necessidade, sempre repondo as coisas. Então acabava que às vezes ele comprava, às vezes ela, então eles gastavam por igual. Muito embora ele que devesse pagar, já que ele estava morando ali na casa dela. E chegou um momento em que a Jéssica tentou colocar responsabilidade nele.
e colocou ele para pagar a conta de luz. Não demorou muito, cortaram a luz por falta de pagamento. Então, assim, o cara, a única função que ele tinha, ele conseguia ali descumprir com isso, sabe? E, de novo, vinham brigas e mais brigas e mais caos. E, desde o começo, gente, quando eles saíam, ela passava muita raiva. Por quê? Porque ele estava sempre cheio de mulher ali do lado dele.
A Jéssica tinha um amor enlouquecedor por ele? Não. Como eu falei para vocês, ela estava inserida nesse relacionamento. Só que ninguém gosta de estar nessa posição. Ela não brigava com isso, por causa disso, sim. Ela não brigava com ele por conta disso, porque ela sabia que era consequência do modo de vida que ele levava. Então, ela acabava relevando.
E isso foi no começo do namoro também, sabe? Depois de algum tempo, conforme ela foi vendo o perfil dele, o jeito que ele vivia a vida, gente, ela já não sentia mais tanta insegurança, assim. Ele começou também a tratar ela como um troféu. Então ele tratava ela super bem, ele tinha orgulho de mostrar ela e tal, e as coisas começaram a se ajeitar.
Só que mais um tempinho depois, ela começou a sentir vergonha de ser vista como namorada dele. Ela começou a ter vergonha dele. Porque assim, gente, ele era feio, sim, mas a aparência era o menor dos problemas. Era vergonhoso para ela essa ostentação toda dele.
esse jeito meio megalomaníaco, ele está sempre rodeado de gente que era claramente gente só por interesse, porque no fim das contas a vida dele era super vazia, o cara sempre com roupa de marca, celular caro, mas como eu disse para vocês, documento de carro atrasado, parcela atrasada, obra parada, não tinha uma casa para morar, morava enfiado lá na Jéssica, estava sempre se fazendo de coitado, gente.
Só que ao mesmo tempo estava sempre bancando festa para os amigos. Então o que começou a acontecer? Briga de novo. Mas com vergonha do comportamento dele e de perceber que ele era uma pessoa vazia.
A Jéssica, gente, ela começou a se afastar das pessoas próximas dela e viver só a vida dele. Por quê? Porque ela tinha vergonha de apresentar ele. Ela tinha vergonha dos papos dele. Ela tinha vergonha da realidade que eles viviam e do que ele mostrava, do status que ele mostrava. E, assim, às vezes a gente pensa que o cara é um coitado cheio de problemas emocionais porque ele não teve condições e tal, né?
Mas gente, só para contextualizar, o irmão dele trabalhava com a mesma coisa que ele, era vendedor numa distribuidora também. Só que o cara, ele teve uma inteligência financeira, abriu a própria empresa e ele estava vivendo uma vida de luxo, era um ótimo negócio isso.
A irmã dele, ela estava no mesmo caminho. A irmã dele, ela se mudou e foi morar na Europa. Então, assim, apoio para crescer na vida, ele teve. Agora, pagar combo em balada era mais interessante. Pergunte se a irmã dele ou o irmão dele gastavam dinheiro desse jeito, ostentando, se eles usavam só roupa de marca. Não, eles pegavam o dinheiro deles e eles aplicavam onde era digno disso. E você só sair gastando combo em balada...
Tudo bem, gente, eu também já gastei muito dinheiro na balada. Nunca 3, 4 mil reais, né? Ficar pagando combo pros outros, eu nunca. Mas assim, é... A gente gastar dinheiro na balada faz sentido numa determinada idade. Com 30 anos é uma coisa que já não faz mais tanto, né?
E, sei lá, na minha cabeça, que a gente viva 80 anos, 30 anos, você já está quase que na metade ali, né? Você já tem que começar a pensar um pouco melhor nas coisas e usar o teu dinheiro onde realmente vale a pena, onde vai te agregar, né? Mas cada um é cada um. Isso não é problema meu, né? É o modo como eu enxergo a vida. E é isso que a Jéssica diz a respeito do chupetinha ser um cara acomodado.
Ele tinha um irmão, uma irmã que com as mesmas oportunidades, nossa, decoraram na vida e foram longe. Agora ele não, ele ficou estacionado ali só se enfiando cada vez mais dívida. Então que perspectiva de futuro que um cara desse vai te trazer? Que segurança que um cara desse vai te trazer?
Bom, teve um dia que ela teria um casamento de uma amiga que seria em outra cidade, e ela ia sozinha, o Chupetinha não ia junto, por causa do trabalho e tal, ela foi sozinha, passou alguns dias lá na cidade dessa amiga, e quando ela voltou para casa, gente, ela viu no box um fio de cabelo comprido, sendo que ela tem cabelo curto.
Ela questionou ele, mas ele falou que era dela. Ela falou que não tinha como ser dela pelo comprimento. Mas, ah, ele falou que era dela com certeza, porque de quem seria se não fosse dela, que ela estava sendo louca. E aí vendo da raiz ali, colocando na ponta do couro cabeludo até a ponta do cabelo, a diferença não era gritante, evidente, a ponto de ser de fato uma traição confirmada. Ela acha que rolou uma traição na casa dela, na casa dela, no teto dela.
Mas ela não tinha muito o que fazer a respeito disso. Então ela relevou. Depois teve um final de semana que eles teriam uma festa fantasia para ir. Só que a Jéssica não estava a fim de ir. Ela estava gripada, ela estava com mal estar. E ela falou que eles não iam. E para ele foi bem ok não ir.
Ele seguiu no celular dele dia e noite e a Jéssica meio de olho ali, né? Gente, chegou o dia da festa, ela pegou o celular dele e ela viu que lá tinham mensagens dele com uma mulher falando que não ia na festa porque a Jéssica estava doente, que era foda, que não sei o que, não sei o que lá. Beleza.
Só que tinha uma outra conversa com uma outra mulher. Nessa conversa não tinha nada relacionado a eles terem ficado, terem tido alguma coisa. Mas estava nítido que ele estava interessado e ele estava pescando para tentar ficar. Eu não entendo o homem feio que consegue uma mulher linda, maravilhosa e ainda assim os caras tentam desperdiçar, né? Não dá para entender. Bom, a Jéssica viu essa conversa, anotou no caderninho e beleza. Ela estava sempre meio fuçando o celular dele. Por quê, gente? Porque...
Ela estava sempre tentando buscar uma traição ou alguma coisa, porque se ela achasse uma traição, ela poderia simplesmente expulsar ele da casa dela, terminar com ele, e isso seria um alívio para ela. Ela não conseguia, vale lembrar vocês aqui, que ela era uma pessoa com dificuldade de falar não e de se impor, que ela se enfiava nessas situações por conta disso. Mas ela sabia que para ela não teria sentido simplesmente olhar e falar, eu não quero mais você.
Então ela estava fazendo o quê? Esperando um motivo plausível para isso. Então para ela era um alívio pensar entre aí, porque ela já não queria mais levar o negócio para frente. Só que todas as vezes que ela tentava terminar com ele gratuitamente, quando eles tinham alguma briga e eles terminavam, gente, esse homem fazia um inferno na vida dela.
Vocês lembram que eu falei para vocês que ele teve um amigo que se desviveu e que ele vivia numa fase muito depressiva por isso? Pois é, em várias brigas deles, várias tentativas de término da Jéssica, ele mandava mensagem para ela falando que ele ficava olhando lá a ribanceira de um rio, que ele estava numa ponte observando a altura e pensando coisas. Então, o tempo todo, ele estava atribuindo a ela...
a possibilidade dele também se desviver. E como que fica a cabeça de uma mulher que já está numa fase vulnerável, que já tem dificuldade de falar não, que já está ali, sabe, carregando um fardo, e aí você simplesmente...
Quando... eu não sei explicar pra vocês, gente, porque eu não sou psicóloga, né? Mas eu acho que é algum mecanismo da cabeça da gente que tem medo que a gente sinta culpa pelo que outra pessoa faz. E aí virou... aí lasca tudo, porque vira uma gangorra de manipulação. Ela tenta fazer alguma coisa, ele ameaça se desviver. Ela perdoa. E aí o que ele faz? Se folga de novo.
E ela não tem coragem, de fato, de terminar. Por quê? Por causa da possibilidade dele ameaçar, se desviver de novo. E ela tem que carregar essa culpa. E aí vira uma manipulação do cacete, com o perdão da palavra. Já saiu, quando vi, saiu. E quando você vê, você está inserida num relacionamento que você simplesmente não sabe mais como sair. Porque você tem medo de ser responsável pelo que a outra pessoa vai fazer com a vida dela. E isso aqui é muito difícil. É um ciclo muito difícil.
É difícil para quem vive a causa de forma genuína. E é difícil para quem está inserido nisso. Porque vejam, se ela simplesmente fala para ele que ela não quer mais ficar com ele, ela não é obrigada. Mas e se o cara vai lá e realmente ele se desvive?
Como que fica? Vocês acham que a família dele, por exemplo, não ia culpar ela? Porque tudo que a gente precisa é um homem fazendo uma merda para cair a culpa em cima da mulher. A família inteira vê o que o cara passa e ninguém ajuda. Daí quando acontece, a culpa é da Jéssica. A culpa é da mulher que estava ali com ele. Então veja, para que ela não precisasse carregar isso, ela acabou caindo nessa manipulação. Então aqui a gente pode dizer que ela está num relacionamento tóxico.
mas é um relacionamento que não é abusivo conforme a gente está acostumado no passo a passo que a gente está acostumado naqueles moldes ele é abusivo, mas envolvendo aqui uma manipulação, uma chantagem, uma depressão como que ela ia duvidar disso como que ela ia duvidar que o cara é depressivo, ela ia falar o que só que ao mesmo tempo, é o que a gente sempre fala
mulher não é reabilitação a gente não é reabilitação de ninguém a pessoa tem que cuidar tanto dinheiro na balada e não pode pagar uma terapia pra ele, aí complica o negócio então quando ela se deu conta, ela estava numa situação onde ela só conseguiria sair com uma justificativa muito boa porque se acontecesse alguma coisa ninguém iria culpar ela porque ela ia falar, pô, mas você queria que eu continuasse mesmo com isso?
Apesar que a família queria que sim, né? Mas, tudo bem. O fato é que eles não foram nessa festa fantasia. E quando chegou a noite, ela pegou um vinho pra eles tomarem ali de boa e tal. E eles começaram ali, né? Na troca de carinho, não sei o quê. E foram pro sexo. No meio do sexo, gente, quando ela estava em cima dele, ela solta. Chupetinha, quem é fulana?
E ela falou pra mim. Paula, na hora o jubileu virou gelatina. A fulana, gente, era aquela mulher em questão com quem ele estava conversando, que deu a entender que ele queria ficar com ela, né? E ela fez isso de propósito. Mas ela falou pra mim que hoje ela jamais se submeteria a isso. Ainda mais transando com o cara, tipo, jamais. Ela teria mandado ele embora, não teria nem tido nenhum envolvimento, né? Mas na época foi o que a versão que ela tinha naquela época achava que era certo fazer.
Bom, com o jubileu do tamanho de um amendoim, ele começou a gaguejar, falando que ele não sabia o que ela estava falando, e a partir do momento que ele falou que ele não sabia do que ela estava falando, ele entregou 100% o jogo, né? Ele falou que não sabia de onde a Jéssica estava tirando esse nome, a fulana, que não tinha nada a ver.
Se ele tivesse falado que era só uma das mulheres que queria convite de festa, era uma coisa. Mas quando ele falou que não, não sabe da onde, não sei da onde você está tirando isso, que não sei o quê. Aí, esse foi o momento que a Jéssica levantou e mandou ele embora da casa dela. Ele começou a questionar se ela mexeu no celular dele.
E ela falou que ela não ia falar mais nada, que era só para ele pegar as coisas e ir embora da casa dele. E ele falando que ele queria saber se ela mexeu no celular, porque aí esse seria o momento, se ela falasse que sim, seria o momento que ele usaria isso como desculpa para dizer que ela que estava errada em ter mexido no celular dele. A gente sabe como é que funciona. Ele ia tentar inverter a responsabilidade, a culpa.
Só que ela só dizia que ela não queria conversar, que ela não queria saber, que era para ele pegar as coisas dela e as coisas dele ir embora, porque ela não queria mais. E aqui eles estavam, acho que com uns oito, nove meses de relacionamento, mais ou menos.
Nesse momento, gente, esse cara pegou ela pelo braço e forçou ela no sofá, sabe, tipo, mandando ela ficar sentada ali, para querer forçar uma conversa. Nunca tinha acontecido nenhum tipo de violência ou alguma coisa mais agressiva. Eles tinham discussões horríveis, ele vivia arrumando encrenca nas baladas, né, porque ele era o reizinho do camarote e qualquer um que olhasse diferente para ele era motivo de briga, mas com ela nunca tinha rolado nada.
Só que aqui, a partir do momento que ele pegou ela pelos dois braços e quis forçar ela a sentar, foi o momento que ela percebeu que as coisas iriam tomar um outro rumo, que as coisas poderiam seguir um outro caminho, porque as brigas deles nunca tinham tido nem palavrão. Só que aqui era dois palitos para o negócio desandar. Então a Jéssica conseguiu ser muito rápida.
E tem um pensamento muito precavido. Antes de piorar as coisas, ela pegou as coisas dela, saiu da casa dela e foi pra casa da avó. A avó dela morava ali, coisa de duas quadras da casa dela. Só que ela saiu e falou pra ele. Eu estou saindo da minha casa porque eu não quero ter que olhar pra essa tua cara. Se você não sai, eu saio. Só que amanhã, quando eu voltar aqui, se você ainda estiver aqui, o marido da minha avó vai vir aqui tirar você. E o marido da avó dela, gente, ele era um senhor.
que o Chupetinha gostava muito, respeitava muito. Então, por isso, no dia seguinte, assim que a Jéssica voltou para casa, ele já não estava mais lá.
Mas, como é homem fazendo merda, obviamente ele deixou as coisas dele lá, porque isso dava para ele respaldo, para ele ficar mandando mensagem para a Jéssica, enchendo os pacová dela, para ir lá buscar as coisas dele. Só que todos os dias que ele aparecia lá pegar alguma coisa, a Jéssica estava na casa da avó, ela não queria olhar para a cara dele, então acabava que eles não se viam. E ele dizia que ele não levava tudo de uma vez só, porque ele não tinha para onde levar.
Ele estava ficando de favor na casa de amigos, porque vocês lembram que a irmã dele mudou de país e a casa dele estava com a obra parada? Então. E aí, gente, ele foi ficando na casa de amigos e isso era, tipo assim, outubro, novembro. E nessas brigas, ela foi falando para ele, né, que ela sempre falava, né, e nessa briga não foi diferente, ela falando para ele que ele era um acomodado, que ele não tinha responsabilidade, que ele não pensava como um cara maduro, um cara de 30 anos e tal.
Bom, os dias e a semana se passaram, os ânimos foram ficando um pouco mais calmos, e o Chupetinha, que estava sempre ali na coitadolândia, ele começou a mandar mensagens para ela, dizendo que ele estava mudando por ela, que agora, além de fazer os pedidos, ele estava fazendo o que ela tinha sugerido, que era fazer as entregas, então que ele estava melhorando por ela. Ele mandava flores para ela, só que, gente, nada disso impressionava mais.
Ela não queria mais ele. Ela achou a oportunidade de pular fora e pulou. Só que chegou o Natal, já fazia um mês e pouco que eles estavam sem se ver, e ele mandou uma mensagem para ela perguntando se ele podia ficar com ela porque ele não tinha para onde ir nesse Natal. Ele não tinha ninguém para passar o Natal com ele.
E as pessoas que estavam acolhendo ele em casa, né? As casas que ele estava ficando ali hospedado, ou elas iam viajar, ou iam ficar com a família. E ela morria de pena, gente. E então ela ficou com pena dele, falou que ela estaria com a família dela, que ela passaria com a família dela, mas que se ele realmente não tivesse onde ficar, que ele poderia dormir na casa dela. E nesse drama dele, ela com pena...
No ano novo, ele pediu para passar a virada junto com ela na beira-mar. Vocês lembram que eles moram na praia, né, gente? Então, quando eu falar praia, é praia mesmo, tá? E ela falou que tudo bem passarem a virada do ano juntos, que eles poderiam ir para a praia, poderiam ver os fogos, mas primeiro ela ficaria com a família e com os amigos dela, e depois ela encontraria ele para que eles vissem os fogos juntos.
E mais uma vez, por que ela aceitou passar a virada com ele? Porque como ele estava sempre naquele sofrimento de depressão, de se esforçar para melhorar, para fazer as entregas dele, mandando flor, falando da depressão dele e tal, ela quis ver se realmente alguma coisa poderia ter mudado, se realmente ele estava se esforçando, para talvez tentar de novo. Mas adivinhem, nada mudou, gente, nada mudou.
Um pouco antes dos fogos, os dois já tiveram uma briga feia. Por quê? Porque ele começou a fazer o drama da vida dele. Porque, gente, a vida dele era uma vida completamente vazia, né? As únicas pessoas que ele tinha eram pessoas interessadas nele, no status que ele ostentava. Quando a única coisa que você tem a oferecer para as pessoas é um status e ser um cara legal, no máximo legal, o que você quer de volta?
As únicas pessoas que ele tinha eram essas, que não estavam ali no Natal, não estavam ali no Ano Novo. Eu, Deus me livre, longe de mim, querer cagar regra para a vida dos outros. Eu não sei se o sentido da vida de vocês, né, cada um encontra o sentido na vida onde quiser, onde fizer sentido. Eu não sei se o sentido para vocês é casar e ter filhos.
Se é casar e passar a vida viajando sem filhos, se é você nunca casar e passar a tua vida viajando, ou se é simplesmente você nunca casar e ficar no conforto da tua casa, na tranquilidade da tua casa. Eu não sei. Olha o tanto de gente que existe no mundo, cada um encontra o sentido em alguma coisa. Mas eu, Paula, nunca conheci e nunca ouvi falar de alguém que o único sentido que encontrou na vida era na balada, pagando bebida para os outros.
Já fui muito pra balada. Nossa, mas já aprontei todas de beber bastante, de beijar na boca, de gastar dinheiro. Mas a balada muitas vezes ela foi pra mim uma válvula de escape, muitas vezes ela foi uma fase divertida na minha vida. Só que a balada, barzinho, boteco, não é lugar de permanência pra ninguém. Ninguém encontra o sentido da vida ali. Claro, você pode encontrar o amor da sua vida, você pode ter arrumado uma oportunidade muito boa ali na balada, beleza, mas...
você passar a sua vida inteira frequentando balada, fazendo festa, pagando coisa para os outros, e você não cuidar da tua individualidade, de você por dentro, você nunca vai encontrar lógica na sua vida, você nunca vai ter pessoas por perto de você, você nunca vai ser preenchido com nada. Todo mundo aqui já viveu uma fase que eu olhei e falei, nossa cara, mas essa vida de balada ela era legal, era divertida, dei muita risada.
Mas passou. E é isso, gente. Passa. E no fim das contas, o que acontecia com ele? O Chupetinha não tinha sentido na vida dele, não tinha ninguém na vida dele, e ele não conseguia ser bem resolvido com ele mesmo. Então, qual que foi a consequência? Ele começou a falar para a Jéssica...
que essas mulheres que ele se envolvia, não se envolvia, mas que ele ficava de papo ali, elas bajulando ele, mesmo que fosse para a festa, elas alimentavam o ego dele. Porque, gente, aqui quase dá pena. Mas o fato é que o Chupetinha sabia que ele era feio. E ele falava para a Jéssica que ele sabia que ele era feio, que ele tinha autoestima muito baixa, ele não tinha confiança, porque ele também tinha o pênis muito pequeno.
E a Jéssica falou pra mim que realmente era. Só que isso nunca foi um problema pra ela. Tanto é que em momento nenhum eu trouxe isso daqui pra tentar ridicularizar ou diminuir o cara, né? A gente tem que saber a hora de separar as coisas, o que é humor, o que não é. Mas pra ele, realmente, o pênis dele ser pequeno era um problema, ele ser feio era um problema. E isso tudo piorava a autoestima dele. E ele falava pra Jéssica que ele tinha esses contatinhos e gostava de se sentir bajulado porque a única mulher que queria ele, que era a Jéssica,
falava para ele que ele era um acomodado, expulsava ela da casa dele e que ela não colaborava para aumentar a autoestima dele. O Chupetinho é um cara menos pior do que vários que já passaram aqui no podcast, o que não faz dele um santo. Mas no fim das contas, ele é um coitado que não tem absolutamente ninguém, não tinha nem onde morar, uma vida completamente vazia, só que ele pressionou a Jéssica no sofá na primeira briga que eles tiveram.
Se não fosse ela controlando a situação ali, o que que aconteceria? O que que isso ia virar? Então ele tá muito longe de ser um santo, né? Muito longe mesmo. Ele só não foi pior, um ser humano pior pela falta de oportunidade, porque a manipulação que ele faz com ela, ameaçando se desviver, eu acho que talvez chega a ser tão grave quanto vários outros caras que apareceram por aqui, vários outros jurandir, né? Agora, ele falar que a Jéssica não se esforça pra aumentar a autoestima dele, aqui.
Que ele fica de contatinho com as pessoas. Porque a única pessoa que queria ele faz isso. Expulsa ele de casa e tal. Como se ele não desse motivo para isso. Gente, mulher nenhuma tem essa função não. Mulher nenhuma tem que ficar erguendo a autoestima de cara. Na vida somos nós por nós mesmos. Se você não cuidar da tua autoestima, ninguém vai fazer isso por você. Se você não tiver amor próprio, ninguém vai fazer isso por você.
É claro que todo mundo gosta de ser elogiado. Agora, ele justificar que ele ficava ali conversando com as mulheres por culpa da Jéssica, ah, não, né, meu vilão. Aí você se orienta, entendeu? Porque ela não aumentava a autoestima dele, me poupe, né? Mas, bom, o fato é que os dois tiveram ali uma discussão e ela falou para ele que ela precisava ir embora porque ela tinha que buscar o irmão dela que estava na casa de uns amigos e que depois eles iam curtir juntos, ela com o irmão, que ela tinha que levar ele para casa e tal.
Gente, e aí é isso que eu falo, que tem homem que só não é muito mais escroto ao extremo por falta de oportunidade, né? Quando ela falou que ela precisava ir buscar o irmão, ele começou a surtar falando pra ela que ela tava mentindo, que na verdade ela ia sair com outro, que ela tava largando ele ali pra ir lá ficar com outro cara. E aí ela simplesmente virou as costas pra ele, e quando ela tava saindo ele falou. Eu sou um bosta mesmo, sempre te tratei bem pra você ainda virar as costas pra mim.
Ai, gente, olha, só por Deus, né? Os caras sempre se colocando como vítima. O tempo todo, chupetinhas se colocando como vítima. Isso é muito cansativo. Mas acabou que a Jéssica saiu, buscou o irmão dela. Porém, ela ficou com peso na consciência. O objetivo dele, que era deixar ela com remorso, ele conseguiu alcançar, né? Então, ela ficou com remorso de largar ele ali sozinho, porque ele não tinha ninguém e tal. Mas uma coisa é um fato, tá? Ele nunca fez nada para ela sofrer efetivamente.
Ele nunca fez nada escancarado para machucar ela, igual a gente vê muitas pessoas fazendo, assim, de forma intencional. Sabe, nunca teve atitudes que muitos homens tiveram. Enfim, ele tinha as manipulações dele, mas ela não enxergava isso. É muito evidente quando o cara faz as coisas para machucar alguma mulher, né? E ele nunca fez. Parabéns pelo mínimo para ele. Era um santo? Não. Mas como eu já disse, a gente tem piores aqui no podcast.
Mas de qualquer modo, quando ele falou isso, ela parou para pensar que era verdade, que os problemas que eles tinham era por essa questão dele ficar bajulando, sendo bajulado por outras mulheres, dele serão acomodados e tal, e essas brigas que eles tinham ali frequentemente. Estava muito longe de ser um relacionamento saudável, mas quando ela parava para pensar, do ponto de vista dela, ele não fazia nada intencional para machucar ela.
E aí ela ficou com muito remorso, mas ela tentou abstrair isso. Depois que ela buscou o irmão, ela amanheceu na praia com vários amigos, ali rindo, se divertindo, para ver se esse sentimento passava, gente. Mas logo de manhãzinha, não passou, ainda estava lá, então ela resolveu ir na casa dele. Vocês lembram que ele estava construindo uma casa, né? Então, era lá que ele estava.
Todo no improviso. A casa estava todo no improviso, gente. Longe de ser uma casa habitável, confortável. Só que para quem não tinha um teto onde morar, até que agora dá para quebrar um galho. Ela chegou lá, era umas seis horas da manhã e ele estava dormindo. A casa estava toda bagunçada. Mal tinha móveis. A cama dele, gente, não tinha lençol. Os dois lençóis que ele tinha estavam inteiros rasgados. Ele estava dormindo direto num colchão, ali no chão, sem nem lençol.
E aqui é um exemplo muito claro das coisas que irritavam a Jéssica. O cara não tinha onde dormir, mas o celular era mais moderno. O tênis era sempre o mais caro do momento, era o hype do momento. Era combo de uísque caríssimo com energético mais caro. O cara largava 5 mil reais numa noite na balada, só que o cara não tinha uma cama para dormir alto.
A construção da casa parada porque ele não tinha dinheiro para pagar um pedreiro e continuar. Se ele vendesse o celular, se ele pegasse um celular menor, não precisava ser o último do modelo, gente. Não precisava ser o primeiro também. Equilibra as coisas, pô. Usa um tênis por um tempo a mais. Você tem condições, entendeu? Não é uma pessoa que, meu Deus, o cara ganha bem, o cara só não sabe usar.
Assim, era uma coisa que não dava para entender. E quando a Jéssica viu isso, para ela foi muito desanimador, porque foi a certeza que ela teve de que é uma pessoa que nunca na vida ia sair do lugar, que nunca na vida ia passar uma segurança para ela, que não pensa em absolutamente nada, só pensa na imagem que os outros vão ter dele, sabe? Então, não dá. Quando ela chegou lá, ele acordou, ele falou que ele ficou feliz dela estar lá.
Os dois acabaram conversando, tal, transaram. Ela cochilou lá. Quando acordou, ela foi pra casa. Só que num caminho de casa, veio aquele filme na cabeça dela. As festas, esse ego dele querendo ser alimentado, esse status que ele dizia, né, que ele queria mostrar pras pessoas, essas mulheres no pé dele, ele culpando ela pela autoestima baixa dele, ele tendo dois filhos que pra ele não existiam.
o dinheiro todo dele indo só para coisas inúteis, coisas que não agregavam, a conta de luz sendo cortada, ele sem amizade, sem nada, uma vida completamente vazia. Ela começou a ver o que seria do futuro dela ali. Ela ter visto aquela casa com aquela obra parada, o cara dormindo no chão e reclamando da vida.
Não tem como você admirar um cara que não sabe negociar com o próprio dinheiro, gente. O dinheiro manda nele, não é ele mandando o dinheiro. É difícil você admirar um cara nessas condições. E aí, quando veio todo esse filme na cabeça dela, foi uma virada de chave tão grande que assim que ela chegou em casa, ela não quis saber. Ela me falou que ela acha que talvez inconscientemente, o drama que ele fez, a solidão dele ali no Ano Novo foi tão grande que talvez inconscientemente ela só tivesse ido até a casa dele para garantir que ele estava vivo e não tinha feito nada, sabe?
Mas chegou um momento que a virada de chave veio e foi quando ela percebeu que não dava mais. Ela mandou uma mensagem para ele dizendo que ela não queria mais ver ele nunca mais. Nunca mais. E ali, óbvio...
ele assumiu de novo a skin de culpar ela por tudo, pela baixa autoestima dele, por ele não ter amigos, por dizer que estava todo mundo sempre abandonando ele, que tudo isso começou porque ela largava dele, ele não tinha autoestima e as pessoas percebiam, porque a depressão dele, que ele começou a fazer entrega por ela, que ele tinha mudado por ela, mas mudado onde, gente?
Ela não viu mudança nenhuma. A única mudança que ele teve foi que ele estava fazendo entregas, que nem foi por ela, foi para aumentar o dinheiro dele para tentar se livrar dessas dívidas todas, de toda essa vida parada dele que não andava. Mas no fim das contas, gente, depois de quase um ano, ela conseguiu finalmente sair disso sem olhar para trás. Porque é isso, nenhuma mulher é reabilitação. Ela fez tudo o que ela pôde, fez mais do que ela deveria, fez mais do que ela poderia. E olha só que curioso.
Em janeiro, por conta disso que aconteceu, nessa virada do ano ali, curtindo com os amigos, ela decidiu que ela queria uma vida nova. Depois que ela saiu da casa dele, que passou todo esse filminho na cabeça dela, isso foi dia 1º. Então, dia 1º, ela mandou mensagem pro Chupetinha falando que ela não queria mais saber dele. Ela tinha certeza que ela queria uma vida nova. Dia 3, qual que é o primeiro passo de quem quer uma vida nova, que agora tá solteira, gente? Academia, né?
No dia 4, ela viu ali na academia um personal que ela achou um gatinho. Um mês depois, fevereiro, os dois começaram a conversar. Um mês depois, março, ela e o personal, eles dois saíram. E depois que eles saíram, eles nunca mais se desgrudaram. Hoje eles são casados, eles têm uma filha pequena, coisa mais linda querida do mundo. E agora eles estão planejando o segundo filho para aumentar de novo a família. E só um detalhe para vocês, tá?
Quando ela começou esse relacionamento com ele, ela teve que começar junto uma terapia, porque ela precisava entender como era um relacionamento saudável com um cara que não tinha nada de errado. Ela achava que logo ia dar alguma merda, que ele ia fazer alguma coisa escondido, que talvez ele parasse de trabalhar. Era estranho para ela não ter nenhuma festa para ir. Era libertador e estranhamente gostoso ela não ter mais essas festas.
Era estranho ela ser amada em voz alta. E ela precisou entender na terapia, gente, sobre as dificuldades dela em dizer não. Ela também precisou aprender a lidar com o tédio de um relacionamento saudável. O tédio de você não ter a necessidade de mexer no celular, de você não ter brigas, de você não precisar ficar em alerta o tempo todo.
Ela precisou entender que aquele sentimento de querer estar com alguém para a vida toda era finalmente um sentimento bom. E depois que ela entendeu isso, ela também entendeu sobre essas dificuldades e ela dizia não. E ali ela começou a cuidar dela, agora de dentro para fora.
E essa foi a história da Jéssica, gente. Olha só. E aqui, ó. Essa questão da gente não saber dizer não é uma coisa muito surreal. O medo de chatear os outros, o medo de decepcionar, o medo do que vão pensar. A dificuldade em falar não, ela pode ter tantas raízes, tantas origens, né? Eu acho que desde as chantagem que a gente recebe quando a gente era criança.
Ah, me dá um abraço. Então, ah, me dá um abraço nele. Ah, então eu vou chorar. Essas coisas pequenas, aos poucos, foram entrando. Porque, gente, a infância é o primeiro chão que a gente pisa. A gente também acaba pecando isso como adulto. Porque a gente não consegue acertar em 100% o tempo todo, né?
Então quando a gente para para pensar, você está explicando para uma criança que se você está sofrendo, você está chorando, é muito mais importante você passar por cima de uma vontade tua para acolher uma pessoa do que você se respeitar e falar, sinto muito, chora, o problema é teu. Então eu acho que desde isso, desde essas pequenas chantagem que não são feitas por mal, mas até isso que a Jéssica mencionou de você se sentir na obrigação de retribuir um sentimento que você nunca teve,
eu acho que isso tudo contribui pra gente aprender a dizer não. Eu tenho muita dificuldade em falar não, gente, muita mesmo. Às vezes isso melhora, tem fases que eu falo não pra tudo, que eu acho libertador. Só que tem fases que eu entro meio que numa regressão, sabe? E eu nunca parei pra pensar qual a razão dessa regressão. Porque o nosso emocional, ele realmente é meio complicado, né? E eu sou um ser humano como qualquer um. Ontem mesmo uma tia minha falou que ela queria ver o Arthur, o meu filho.
E eu falei pra ela que, putz, ele acabou de dormir. E deu lá, então depois que ele acordar me avisa que eu vou passar aí. Só que eu e meu marido, a gente foi pela primeira vez, desde que o Arthur nasceu, gente, cinco meses depois, a gente resolveu sair jantar, porque a gente tem uma rotina muito sólida com o sono do Arthur. E foi a primeira vez que a gente ia sair jantar, eu só olhei pra ele e falei, a gente lida juntos com as consequências dessa quebra de rotina dele, né?
Ele falou, sim, a gente lida juntos. Eu falei, então maravilha, então vamos sair jantar.
E aí eu falei pra minha tia, gente, parece que foi uma faca no meu coração falar pra ela, parece que ia cair um pedaço de mim. Eu falei, tia, que hoje a gente vai pela primeira vez, eu e o Arthur a gente vai sair jantar, e a gente vai levar o Arthurzinho junto e tal, hoje vai ficar meio ruim, será que a gente consegue fazer isso amanhã? Só que o amanhã, que no caso é hoje, também é um dia que pra mim seria complicado de largar o meu trabalho pra poder passar o dia em família, assim. Eu sei que a gente precisa de um tempo em família, mas enfim.
Então, pra mim, seria ruim hoje também. Mas foi o meu modo de falar não pra ela, foi tipo assim, ai meu Deus, sabe, eu tô priorizando a minha família, é importante eu fazer isso, mas ao mesmo tempo, coitada, ela queria ver o meu filho, ela queria dar amor pro meu filho, ela queria ser presente na vida dele, e eu tô podando ela. Essa minha tia, ela é muito presente na minha vida, na vida do meu filho também, mas dá aquele medo de, eu falei não uma vez, e se ela nunca mais quiser ver ele?
Tipo, gente, que bobeira, que bobeira, né? Claro que isso ia acontecer. E o que aconteceu? Hoje ela falou pra mim, olha, não vai dar, tal, durante a semana a gente combina melhor. Eu tô gravando esse episódio hoje, é domingo, tá? Só pra vocês entenderem. E eu falei pra ela, e ela falou pra mim hoje de manhã que ela não ia conseguir, porque ela tinha as coisas dela pra fazer. E que daí, durante a semana, a gente conversava. Ou seja, na hora dela falar não pra mim, isso não foi um problema.
Mas por que que pra mim falar não, né? Pra mim, eu precisar falar não, é tão difícil assim.
Então eu não sei, gente, são fases e fases, né? Mas fora isso, vocês sabem que eu penso que aquela frase onde não puderes amar não te demores? Eu penso muito que essa frase é muito verdadeira, porque veja só, se a Jéssica tivesse segurado essa situação, gente, por mais poucos dias,
ela nunca teria conhecido o atual marido dela ela estaria presa naquela vida de balada de sair, de beber bastante talvez ela nunca teria começado uma academia e teria conhecido o cara, ou talvez teria a gente nunca vai saber essa resposta porque eu sempre falo que o que é pra ser vai ser, mas eu acredito mais que as coisas acontecem exatamente do jeito que tem que acontecer
Acho que se ela não tivesse terminado ali, sei lá, se a vida dela como estaria hoje, né? Mas o fato é que ela terminou e como ela soube a hora de sair fora, ela demorou um pouquinho. Na verdade, ela não devia nem ter entrado, né? Mas já que ela estava ali, como ela conseguiu sair fora...
Foi bem certinho ali, parece que foi a vida falando pra ela, tá aqui minha filha, sua recompensa de você ter conseguido sair disso. E quando eu tava num relacionamento que eu não conseguia sair, gente, eu só pensava, quantas pessoas legais eu tô deixando de conhecer porque eu tô presa nisso. E aí quando eu voltava, e aí terminava de novo, eu pensava, já era pra eu estar bem. Se eu nunca tivesse voltado, essas horas eu já teria superado, eu estaria super bem e eu não tava aqui sofrendo de novo.
Então a questão é que relacionamentos assim são uma grande merda na cabeça da gente. É muito difícil sair, muito, mas quando a gente consegue sair é libertador. Eu não sei, parece que a gente passa por uma virada de chave também, que a gente fica, muitas vezes gente, eu estive num relacionamento muito merda, muitas vezes dentro de um mesmo relacionamento, né? Eu estive nesse relacionamento e muitas vezes eu ficava ali por pena do cara.
Pena do cara, gente, uma vez já aconteceu comigo. A gente estava terminado, o cara estava bêbado, dirigindo o carro, ele arrebentou a cabeça dele, abriu o ponto lá, não sei o quê, e o carro que era, era um carro do amigo dele. No fim das contas...
Ele me mandou mensagem me falando que ele quase morreu no acidente. E eu entrei em desespero. E aí ele tava perdendo amizade com o amigo dele, porque daí ele bateu o carro do amigo. Porque eu sei lá o que tinha acontecido com o dele. E aí já viu, né? Envolveu dinheiro ali, o negócio complicou. E aí eu, nossa, meu Deus, ele quase morreu, não sei o que. Ai, vou ficar com ele, não sei o que. Fui lá e voltei. Porque não tinha mais ninguém do lado dele, só tinha eu.
Eu não descubro uns dois, três dias depois que tinha uma mulher junto com ele no carro, gente? Tinha uma menina com ele?
Ele estava solteiro, ele fazia o que ele quisesse, né? São esses términos que a gente tem. Mas por que não foi pedir arrego para ela, então? Aí eu voltei e fiquei com o cara por pena, porque o cara estava sozinho, porque, nossa, ele está abalado com o acidente, sendo que estava dirigindo bêbado, colocando a vida dos outros em risco. Bateu, sei lá, num poste, foi um objeto inanimado, não lembro o que era.
Mas podia ter batido no outro carro, sabe? E eu ali, ai, porque coitadinho. Ai, gente, pelo amor de Deus. Eu tinha, sei lá, 20 anos na época, né? Hoje é coisa que eu jamais faria também. Então, às vezes, eu ficava ali com o cara por pena e no fim das contas eu tinha pena dele e não tinha de mim que estava sujeita a isso. Ai, a gente, ai, olha. Enfim, quando a gente consegue sair, parece que toda essa pena que a gente sente do cara, parece que a gente olha e fala, meu Deus, o que eu tinha na cabeça?
E aí, para. Sentir pena de macho escroto é demais pra minha cabeça, gente. É demais pra minha cabeça. Não dá.
Mas enfim, para trazer um pouquinho de humor aqui, que peseia um pouco do clima, vocês sabem que esse lance de não saber dizer não, ele me lembrou uma história que uma ouvinte, não é uma história, porque se fosse história, eu não podia estar contando aqui sem falar com ela antes. Mas foi um fato que ela mencionou, um e-mail muito fofo, muito engraçado, e eu até respondi ela e acabou que a gente não conversou mais. Mas ela mencionou uma situação que ela se enfiou por não saber dizer não.
Então, Rafa, se você estiver me ouvindo, um beijo pra você, você é uma fofa. Ela me contou que teve um dia que ela estava, tipo assim, com o dinheirinho contado pra ir na pane, e a pane era do outro lado da rua da casa dela. Ela tinha quatro reais, e nem o celular ela estava levando, porque era só atravessar a rua.
Só que quando ela parou para atravessar a rua, o motorista de ônibus estava vindo, achou que ela queria entrar. E ele parou o ônibus e abriu a porta para ela. E ao invés dela falar que ela só queria, que ela saía atravessar a rua, que ela não queria pegar o ônibus, gente, ela ficou com dó do motorista ter parado e ficou constrangida em não subir no ônibus. Então o que ela fez? Sorte que ela tinha dinheiro para passagem.
Ela subiu no ônibus e ela esperou mais cinco quadras para poder descer e não ficar tão na cara que ela entrou por pena do motorista. No fim das contas, ela ficou sem pão, porque ela gastou dinheiro na passagem, e ela ainda teve que voltar horrores a pé, porque ela parou super longe, porque ela ficou com dó do motorista. O motorista que nem iria lembrar da cara dela se ela falasse, não moço, foi um engano, eu não quero subir.
Gente, até onde a falta do não pode levar a gente? Porque a Jéssica aqui, eu fiquei imaginando a Jéssica indo parar no altar de uma igreja, casando e tendo filhos, porque eu não sabia falar não pra ele, né? É triste, é muito triste. Mas enfim, e vocês, gente? Que situação terrível que vocês já se colocaram, ou quase se colocaram por não saber dizer não. Eu acho que eu já contei aqui, mas quando eu tava grávida, a gente foi numa feira da gestante e tinha uma barraquinha de frutas, e essas feiras duram sei lá quantos dias, né?
E eram umas frutas que são todas selecionadas e já era o último dia, final do dia já, tinha um monte de fruta sobrando.
E lá é problema meu, o que o cara vai fazer com as frutas, gente. Mas ele foi e me abordou. Aí ele veio e falou pra mim, não, porque essas frutas, não sei o quê e tal. Olha esse caqui, que delícia. Ele já veio me dando um pedaço assim, ó. Eu comi e falei, nossa, que delícia, mesmo que gostoso e tal. Não, porque você que tá grávida, porque é bom, porque é saudável, isso, aquilo. E de fato, ele tá certo, né. Aí ele disse, não, ó, vou fazer um precinho camarada pra você, se você levar.
esses três caquis, gente, ele colocou na balança, eu não me lembro exatamente quanto deu mas foi uma coisa absurda, tipo assim, ó 70 reais, três caquis sei lá, eu acho que foi cultivado na areia dos deuses egípcios não sei de onde veio aquele caqui eu lembro que eram três por um preço, tipo muito absurdo, assim, dele, mas ó eu faço pra você no precinho por 50 reais, gente, eu não sabia dizer não porque foi o caqui mas começou porque ele tava me dando uma pera ou era pera aqui
Era caqui ou pera, agora eu não lembro. Mas eu fiquei constrangida em falar não, porque ele tinha me dado um pedaço da pera, ele tava sendo super educado comigo, sendo que, na verdade, isso é só uma estratégia de venda dele, né? O cara é persuasivo, é assim que ele vende. E aí eu comecei, e a minha irmã só olhou pra mim, só fez não com a cabeça, assim, ó. Eu olhei pra ela com aquela cara de cachorro, caiu da mudança. Eu falei, meu Deus.
Aí ela chegou e falou, não, a gente vai dar mais uma volta, depois você volta aqui. Aí eu tipo, não, Renata, mas olha que delícia, que delícia a fruta, você tem que experimentar. Eu querendo enfiar minha irmã junto no balaio dela.
Não. Depois a gente volta aqui. Só que essa barraquinha de frutas aí, de hortifruti, ficava bem doado pra essa alimentação. Ai, gente, a gente voltou lá pra comer, eu tava comendo, eu não sabia onde enfiar a minha cara. Eu, de costas, pro cara não me ver, botando capuz, pro cara não me ver, porque eu fiquei com pena dele.
Ele chegou a botar, ele começou a embalar. Gente, esse cara quase leva o triplo do meu dinheiro. Porque se ele me falasse para levar um bando de fruta, eu teria levado tudo isso de fruta, eu acho.
Eu teria levado tudo que ele me oferecesse. Por quê? Porque eu não sabia dizer não. Porque chega um momento, é igual em loja, quando você entra para ver alguma coisa. Inclusive, se eu não me engano, foi a própria, essa que mandou o e-mail contando do ônibus, acho que foi ela que falou para mim que ela já pagou mil reais num perfume, porque a lojista ficou tanto tempo conversando com ela, que ela ficou constrangida de ir embora sem levar nada, porque ela ficou tirando o tempo da lojista.
E aí a mulher perdeu um monte de venda nesse meio tempo, né? Não um monte, mas você entrou um potencial cliente ali, ela perdeu o que outra pessoa atendeu. Gente, isso já rolou comigo. E vou falar pra vocês, rolou comigo faz umas duas semanas. Eu descobri que eu tô com um dermatite no couro cabeludo. E eu já tinha isso, sei lá por qual razão. E depois que o Arthurzinho nasceu, isso piorou. Porque eu lavo o cabelo de noite e não seca, né? E eu vou dormir com ele úmido e vai abafando. Enfim, piorou minha dermatite.
E aí ela falou pra mim, assim, que ela já podia fazer as sessões de laser ali. Só que ela me pegou bem num dia, sabe aquela virada financeira que eu falei, meu Deus do céu, hoje eu tô sem dinheiro aqui, hoje eu não posso gastar com isso, né? Então, assim, não, vamos fazer um laser aqui na tua cabeça, porque custa, sei lá, 150 reais, 200 a sessão. E, gente, nesse, naquele momento, naquele dia, eu não tava podendo gastar isso, entendeu? Naquele dia, naquele momento, eu não tava.
Aí eu falei, não, é que eu tenho exame pra fazer daqui a pouco, não vai dar tempo, não sei o quê. Daí ela bem assim, não, mas é bem rapidinho, dá tempo de você ir. Vamos fazer? Aí eu falei, claro, tem que ser sincera, né? Falar o quê? Daí eu falei, não, dá pra eu voltar daqui uns, semana que vem, ou daqui uns 15 dias, que daí eu faço, tá? Porque agora se eu fizer vai me apertar um pouquinho o financeiro, não sei o quê.
Gente, aqui que eu falo pra vocês, me irrita isso, porque quando eu lembro disso eu fico com raiva, porque eu entendo que é assim que ela vende o produto dela. Só que ao mesmo tempo é uma grande falta de respeito, porque a pessoa começa a forçar arrumando solução pra você. Às vezes você só não quer fazer, às vezes é um dinheiro que você não pode gastar, que vai te apertar, que vai te comprometer. Vai de mim falar não de forma incisiva?
Vai. Primeira falha é minha. Mas a segunda falha é da pessoa dela, bem assim, não, mas se você quiser você pode pagar daqui 15 dias. O que você acha? Você me faz um pix daqui 15 dias.
Tipo assim, a mulher foi na confiança comigo, era a minha primeira consulta ali com ela, se eu não faço pix ela vai fazer o quê? Me mandar mensagem? Eu bloqueio ela e pronto, acabou, eu não assinei nada, né? Aí eu falei, não, tá, pode ser então. Só que daí eu saí me sentindo muito mal, assim, sabe? Eu falei, ah, cara, não vou me comprometer em fazer isso depois. Aí eu falei pra ela, eu falei, não, então faz o seguinte, passa aqui agora no meu cartão mesmo, não tem problema.
Ah, daí já fui, já paguei, já resolvi. E é isso, né? Não podia gastar naquele momento, mas o preço que a gente tem que pagar por não saber falar não, né? Então, ai, é... E eu já tô me ensaiando também. Eu tô usando todos os produtos que ela passou. Minha dermatite agora tá bem controlada. E ela que vem me falar de sessão de laser na próxima consulta, no retorno, que sei lá daqui quanto tempo é, que dessa vez eu vou falar não com afinco.
Porque a gente não dá, não dá pra gente ficar cedendo o tempo todo. É assim que as pessoas vendem o produto delas, né? Elas precisam ter essa persuasão e tal. Então, a gente também tem que saber a hora de se posicionar. Então, se ela vier de volta, dessa vez eu vou preparada pra falar não. Daí saiu eu cheio de produto lá, vocês vão ver só. Ah, enfim, gente, que situação terrível que vocês já se colocaram também, ou quase se colocaram, por não saber dizer não. Me contem aqui.
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