Episódios de Até aí, ok!

#233. Anônimo

29 de maio de 202626min
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Assuntos7
  • Pagamento do presente e descoberta do golpeAumento do valor do presente para R$ 800 · Mariana escolhe painel ripado e luminária · Pagamento do boleto por João · João é um fake
  • Encomenda de desenho e presente inusitadoMariana abre loja de estampas · João encomenda desenho de personagem · Proposta de presente de R$ 400 · João dos Santos
  • Investigação da identidade de JoãoBusca por CNPJ da loja de churrasco · CNPJ aponta para loja no norte do país · Investigação da loja de acessórios da mãe · CNPJ da mãe aponta para o Nordeste · Busca por farmácia em Linha Nova
  • Aplicativos de relacionamento LGBTMatch com João dos Santos · Distância entre Porto Alegre e Linha Nova · Conversa migra para Instagram
  • Investigação de identidade onlineDificuldade em buscar nome genérico · João dos Santos · Preguiça de investigar sem encontro marcado
  • Comportamento de João e desinteresse de MarianaDesmarcações e sumiços de João · Mariana não se importava com desmarcações · Recusa em videochamada
  • Confronto e fim do contato com JoãoMariana confronta João sobre a identidade · João nega e desconversa
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Sejam muito bem-vindos ao Ateio OK e o episódio de hoje será dedicado aos apoiadores. Amanda da Silva Santos, Ayla Honorato Bezerra, Denise dos Santos Ramos, Graciela Ferreira de Oliveira e Natália Gonçalves de Lara. E você?

Quer o seu nome citado aqui e ainda a chance de gravar um episódio junto comigo? Seja um apoiador. O link está aqui na descrição do episódio ou, se for mais fácil, entra aí no teu navegador. apoia.se barra até aí ok. E a história de hoje é da Mariana, mas se essa história é minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber, nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Então, vem comigo.

Alguns anos atrás, a Mariana estava vagando ali pelos aplicativos de relacionamento em busca do seu príncipe encantado. E esse aplicativo, ele é aquele aplicativo que mostra as pessoas que estão ali perto de você, num raio de distância que ela não sabe como está hoje, e eu menos ainda. Mas na época que isso aconteceu, era coisa aí de 100 quilômetros.

E um dia estava ela ali, né, flutuando e tal, e ela deu um match com um rapaz que morava relativamente perto dela. Não é perto, mas, né, a Mari, ela morava em Porto Alegre e ele morava em Linha Nova, que é uma cidade muito, muito pequena ali perto de Porto Alegre, coisa de uns 80 quilômetros de distância, mais ou menos. E o nome desse rapaz era João, João dos Santos.

Não era esse nome, mas é um nome tão genérico quanto esse. E o João, ele se mostrou um cara muito legal. A conversa estava fluindo muito bem. Os dois estavam falando sobre as coisas que eles gostavam. Conversavam bastante sobre a vida. E a conversa migrou desse aplicativo de relacionamento para o Instagram.

E nas conversas ali, a Mari falou um pouco da vida dela, o João contou um pouco da vida dele. E nessa cidade pequena do interior, gente, essa é uma cidade realmente muito pequena. Ele comentou com ela que ele tinha uma loja que vendia coisas de churrasco.

que a mãe dele tinha uma loja de acessórios femininos e que o pai dele era dono de uma farmácia grande ali nessa cidade. Beleza, ele deu algumas referências ali da vida dele para ela, ela também falou um pouquinho da vida dela e o papo seguiu.

De vez em quando, a Mari via uns stories que o João postava ali em Porto Alegre. Vira e mexe, ele estava por ali. E quando ele estava, ele marcava nos stories dele o arroba dos restaurantes, dos bares, dos lugares geralmente famosos que ele estava. Só que, de modo geral, o João era um cara bastante low profile.

No perfil dele, tinha fotos dele, fotos com a família. Só que nos stories, ele nunca postava selfie. Eram só aquelas fotos mais conceituais de lugar, sabe? E beleza. Só que assim, a gente precisa falar agora um pouco sobre a Mari.

A Mária é uma moça que nessa época, obviamente, estava solteira porque ela estava nos aplicativos. A Mária é uma moça muito linda, muito atraente, então ela estava cheia de contatinhos. E ela é uma moça prática, ela estava acostumada...

A conversar, gente, com os caras e aquela coisa. De 100% que você dá match, 40% evolui para a conversa. Desses 40%, menos de um terço sustenta de fato o nosso, uma conversa. E desse menos de um terço, nem a metade evolui de fato para um encontro.

Então a Mari, ela não ficava investigando a vida dos caras que ela conhecia no aplicativo, porque ela investia mais nos caras que ela conhecia pessoalmente. Com esses caras que ela conhecia ali pelos aplicativos, ali pela internet, ela conversava e se marcasse de sair e chegando perto da data realmente esse encontro tivesse de pé, fosse acontecer,

Daí que ela ia verificar a identidade, procurar o nome do cara no Google, o processo, aquele checklist básico para conhecer uma pessoa do mundo virtual.

E beleza, ela sempre pesquisava e tal, e sempre deu tudo certo. Mas quando ela tentou fazer uma busca rápida sobre o João, gente, o nome dele era muito genérico, né? João dos Santos. Tinham mais de 500 desses na internet. Então, ela teria que aprofundar aquelas buscas. E naquele momento, ela estava com preguiça, porque eles não tinham nada marcado.

Então ela deixou para investigar melhor caso realmente isso evoluísse para alguma coisa, porque o papo dele estava legal, ele já tinha dado várias referências, mas enquanto isso, ela continuou saindo, conhecendo outros caras, beijando outras bocas. E ela e o João falavam em marcar de sair, fazer alguma coisa, mas às vezes, raramente ela não podia, mas na grande maior parte das vezes, ele não podia. Estava difícil de bater a agenda dos dois.

Só que assim, a Mari não ligava, gente, ela não se importava. O João, ele era só mais um naquele mar de contatinhos. Ela achava ele um cara interessante, legal, atencioso, mas ela não estava apaixonada nele. Tipo, eles nem se conheceram, assim.

Então, se ele não podia sair, ou se ele desmarcava, ela nem ligava. Ela saía com outra amiga, saía sozinha, ou só dava graças a Deus, ficava em casa de pijama, e a vida seguia. Ela não depositava as fichas nele, sabe? Então, por isso, ela não investigava super. Era aquela coisa. Se der para sair, eu vejo o que dá, e se não der, não deu. E assim, eles seguiam conversando.

Só que o negócio, gente, começou a se tornar um pouco irritante, porque às vezes ele mandava mensagem para ela falando que ele iria para Porto Alegre. Daqui a pouco ele mandava mensagem dizendo que ele já tinha ido embora. Tipo assim, para que avisar então, né? Você só vai avisar quando já for embora. E isso era meio que um padrão.

que se repetia tanto, que às vezes ele falava que estava ali em Porto Alegre, e quando ele mandava mensagem dizendo que já tinha ido embora, a Mari já tinha até esquecido que ele estava por ali. Às vezes era segunda-feira, ele dizia que na quinta estaria em Porto Alegre para eles fazerem alguma coisa, quando chegava na quinta ele sumia, ele não dava nenhum sinal de vida. E gente, isso foi fazendo ele se tornar...

cada vez mais desinteressante, né? Porque, como eu falei para vocês, virou um padrão. Ele convidava, sumia, convidava e sumia. Era sempre a mesma coisa. E por conta desses comportamentos dele de desmarcar e agir com o que parecia um certo descaso,

A Mari nunca foi lá, nossa, a fundo, investigar a vida dele. Nunca foi um cara que super interessou ela, sabe? Eles nunca fizeram uma videochamada, por exemplo. Ele mandou para ela um áudio uma vez, uma voz meio esquisita. E quando ela sugeria de fazer uma videochamada, ele meio que desconversava e tal, mas tudo bem. Eles continuaram ali conversando, porque ele era um cara super legal, atencioso com ela, demonstrava muito interesse em ouvir ela. Era muito agradável conversar com ele.

E eles falavam muito sobre filmes, séries e tal. E beleza. Um dia, gente, ele postou uma foto e ela até viu que umas moças que ela conhecia, tipo, não eram amigas dela. Ela conhecia ali da cidade. Curtiram a foto dele.

Então era aquela coisa, né? Nossa, que mundo pequeno. E ela imaginou que talvez ele pudesse ter cruzado com essas meninas também ali pelos aplicativos de relacionamento da vida e tal. E beleza. Isso soava, era tudo uma situação muito familiar para ela, né? Normal.

Bom, o tempo passou, a conversa dos dois, gente, parou de evoluir para encontros e se estabilizou numa amizade. Virou uma coisa meio que à distância, mas nada demais. E, gente, a vida segue, né? Ninguém fica ali parado esperando uma pessoa que não está evoluindo. A Mari conheceu o rapaz, começou a namorar. E ela e o João meio que foram diminuindo um pouco a conversa de uma forma muito natural. Mas eles ainda se tinham ali nas redes sociais.

Mais um tempo se passou e a Mari começou a trabalhar com estampa de roupa. A Mari é ilustradora, desenha super bem e ela abriu a própria lojinha de roupa dela. E aí ela criou um Instagram profissional para poder vender os desenhos, também aceitar desenhos sobre encomenda para poder fazer estampado na roupa. E ela começou a postar e vender ali as coisinhas dela. E assim que ela divulgou esse perfil novo, quem foi lá seguir? O João.

Ele, todo solícito, mandou uma mensagem falando que sabia que ela estava começando, que o trabalho dela era maravilhoso e que ele queria dar uma força. Ele queria comprar um desenho.

Naquela época, a Mari estava cobrando um valor bem simbólico, coisa de 20, 25 reais, mas para criar um portfólio e atrair clientes. E o combinado era o quê? A pessoa mandar a foto, a inspiração, a ideia, e ela ilustrava para poder estampar na roupa.

Ele não pediu um desenho dele, ele não pediu um desenho personalizado, não. Ele só encomendou um desenho do personagem de uma série, uma série famosa, uma série que os dois já tinham conversado sobre. Só que, gente, assim, isso era meio estranho, porque as pessoas não pagavam pelo desenho dela, as pessoas pagavam pelo produto.

Uma camiseta, uma meia, não um arquivo digital de um desenho, de um personagem de uma série, que você acha facilmente ali nos Pinterest da vida.

Mas tudo bem, ela foi lá e fez, fez com um toque especial ali e tal. Quando ela mandou a ilustração pra ele, ele veio com uma proposta no mínimo bizarra. Isso, gente, foi ali por março e o aniversário dela era em abril, no mês seguinte. E ele falou. Viu, ao invés de te pagar os 25 reais da arte, eu vou te dar um presente. Como forma de te agradecer pela arte e já adiantar o teu presente de aniversário.

Que tal você escolher aí o presente que você queira, qualquer coisa que você queira que eu te dou? E ela ficou tipo assim... Gente, qual assim? Escolher um presente que eu queira? Oi? E ele completou. Você pode escolher qualquer coisa, até uns 400 reais. Gente, meu Deus do céu, 400 reais? Ela falou pra mim que por mais que a linguagem do amor dela seja presente...

Nem para uma pessoa que ela amava muito e tinha muita proximidade, ela compraria um presente de 400 reais com essa facilidade. Imagina para uma pessoa que ela nem conheceu pessoalmente. E ela obviamente achou que era uma brincadeira, que era mentira, que era migué, e não escolheu nada. E ficou por isso. Ele nem pagou pela arte e ela nem escolheu o presente. Só que passaram alguns dias e ele voltou a cobrar.

E aí, já escolheu o que você quer? E ela só respondia pra ele. Cara, não escolhi. Me paga meus vintão aí. Tá tudo certo, João. Tá tudo bem. Eu não quero presente. Gente, ele não pagava. E ele continuou insistindo. Dia após dia, ele mandava mensagem. E aí, já escolheu? E aí, o que você quer? Se você quiser, eu te ajudo a escolher alguma coisa.

Só que, gente, nessa altura, a Mari já estava até namorando. E ela contou para o namorado dela sobre isso que rolou. E o namorado dela falou que se o cara estava insistindo, então ela que aceitasse, né? Só que que ela não passasse os dados dela para ele. Tipo, não passasse endereço, essas coisas. Inclusive, ele ajudou ela a pensar no que escolher. Só que assim, ó, a Mari estava sem coragem de simplesmente escolher um presente e mandar do nada ali para o João.

Mas cara, teve um dia que depois de uns três dias sem falar nada, ele veio cobrar a ela, perguntando se ela tinha escolhido o presente. E como essa insistência dele não parava, esse cara simplesmente aumentou o valor do presente. Gente, sério, de 400 reais, ele subiu para 800 reais o presente. Falou que era para ela escolher um presente de até 800 reais. E aí ela pensou.

Quer saber? Com essa insistência toda, eu vou testar esse cara, não é possível. Gente, ela resolveu então escolher alguma coisa. Fazia tempo que ela queria um painel ripado para o quarto dela para decorar. Ela entrou no site de uma loja que ela já paquerava há um tempo e ela viu que esse painel ripado mais uma luminária, coisa mais linda, estava dando R$ 689.

Ela não pensou duas vezes. Colocou os dois no carrinho, fez tudo o que tinha que fazer, gerou um boleto, se certificou de que esse boleto não tinha nenhum dado pessoal dela e mandou para ele só para ver o que ia dar. Gente, no dia seguinte ela recebeu a foto do comprovante de pagamento. E embaixo ele só escreveu. Pronto, paguei. Logo chega aí.

ela ficou incrédula. Gente, ela ficou incrédula. É óbvio que isso era algum tipo de golpe, ela só não sabia qual golpe era esse.

Ela foi lá e entrou no site para consultar, para dar uma olhada no rastreio. Gente, não é que esse homem realmente fez o pagamento? Cinco dias depois, chegou o painel e a luminária na casa dela. Logo depois, coisa de um, dois dias depois, ele mandou mensagem perguntando se chegou, se deu tudo certo, se ela tinha gostado. Ela falou que sim e agradeceu aquela gentileza, né? É difícil a gente saber do que chamar.

E como eu falei para vocês, ela que fez a compra, ele só pagou. Então ele não teve acesso a nada dela, nada. Só que daí ele veio com um papo meio torto, dizendo que aquele presente era uma forma de mostrar que ele gostava muito dela, que ele tinha ficado chateado por ela ter começado a namorar. Ele falou que ela nunca tinha dado uma chance para ele, que ele tinha perdido a oportunidade.

E aí ela cortou na hora, né, gente? Ela falou que ela amava o namorado dela, que ele teve sim a chance dele enquanto ela estava solteira, mas que ele nunca apareceu. E aí ele falou que viu que ela era uma pessoa muito legal, que ela merecia alguém muito legal do lado dela também, mas que o tempo dele tinha passado. E ela foi bem direta e a conversa morreu ali. Só que assim, gente, ela receber esse presente foi muito legal, mas despertou uma curiosidade nela. Quem é o tal do João dos Santos?

Gente, de novo, ela tentou jogar o nome dele no Google, impossível. Apareceram lá milhares. E aí ela resolveu ir no perfil das redes sociais dele para dar uma olhada mais profunda. E aí ela percebeu que ele tinha ali coisa de 1.500, 1.600 seguidores, várias fotos com a família. Só que nessas fotos que ele tinha postadas com a família, ele não marcava ninguém.

Ninguém da família, amigos, ninguém comentava nas fotos dele. Tá, estranho? Talvez. Daí ela se lembrou que ele comentou que ele tinha uma loja, né? Aquela dos itens de churrasco. Gente, ela foi no Instagram da loja e ela também percebeu que em todas as fotos que tinha nessa loja, nenhuma aparecia rosto ou corpo. Era só foto dos itens. Era uma loja bastante discreta assim na internet, sabe? E mais.

página da loja não seguia o perfil pessoal do João. E isso levantou uma suspeita nela, porque como que a tua loja não vai te seguir? Mas tudo bem. Ela foi lá e jogou o nome da loja no Google. Quando ela jogou, ela encontrou ali o CNPJ e os dados. Gente, esse CNPJ era de uma loja no norte do país.

Sendo que o João, ele se dizia ser do Sul. Como que você vai ter uma loja no Norte que você precisa comprar itens, postar para entrega, sendo que você é do Sul? Então aquilo foi muito estranho para ela. E ela resolveu dar uma investigada na loja da mãe dele, a loja de acessórios. Só que, gente, a mãe dele é a mesma coisa.

Era uma página de Instagram que não aparecia a identidade de ninguém, não aparecia rosto, nada. Só tinham ali as imagens. E a mesma coisa, o CNPJ apontava ser do Nordeste. Tipo assim, nada a ver. E ela revirou a internet.

E ela não encontrou nenhum rastro, nenhum sinal, nenhuma ligação do nome João dos Santos com aquele CNPJ. Nem com o da mãe dele, nada gente, nada, nem ligação desse CNPJ com o Sul. Então ela resolveu voltar lá naquela foto do comprovante de pagamento para ver a mão.

Gente, não aparece a mão, é só a foto de um papel em cima da mesa. E ali ela começou a reparar que nas redes sociais dele era tudo muito genérico. Nos stories não tinha nada que aparecesse ele. As fotos que ela pegou, que tinha ali no Instagram dele, ela pegou e tentou jogar no Google Lens, acho que é esse, né? Quando você joga para ver se ele capta, encontra a origem dessas fotos.

Mas, gente, nada. Porque essa altura do campeonato, ela já tinha entendido que o João era um fake. Não tinha rastro nenhum dele. As histórias que ele contava, nenhuma batia. Estava tudo errado. Então, óbvio que ele era um fake. Mas ela não conseguia encontrar nem a origem das fotos. Nada, nada, nada, nada.

E nessa época, nem inteligência artificial tinha para a gente falar que o cara estava fazendo alguma coisa, tá? Não que não tivesse, acho que já tinha, mas não era igual hoje, né? Que está na nossa mão aqui com facilidade. E aí, ela se lembrou da farmácia que ele dizia que o pai dele tinha lá em Linha Nova, aquela cidade pequenininha que ele dizia que morava. Gente, uma amiga dela tinha a família toda morando ali.

Ela acionou a amiga na mesma hora e pediu para essa amiga pedir para alguém da família dela ir até essa farmácia e descobrir alguma coisa sobre o dono. Mas como eu falei para vocês, essa cidade é tão pequena que a tia dessa amiga trabalhava na farmácia. Então ela conhecia os donos, a família que era dona dali. E não, gente, eles não tinham nada a ver com o João. Eles não tinham nenhuma referência da família do João.

A família dona dessa farmácia era toda conhecida ali na cidade. E o cara nem filho tinha. Ele tinha duas filhas e ele era viúvo. E aí, com todas essas provas na mão, ela não aguentou e abordou ele. João, eu sei que você não é o João. Eu sei que você não é a pessoa dessa foto.

Eu sei que o teu pai não é dono da farmácia. Eu sei que você não é dono de loja nenhuma. A tua mãe também não. Quem é você? Gente, esse homem, ele negava. Ele falava que ele era quem lhe dizia ser sim. Ele desconversava e ela falava pra ele. Me fala a verdade, manda real. Quem é você? Por que que você fez isso?

Gente, ele falava que ele era ele, ele sempre tinha uma desculpa ali para qualquer coisa que ela perguntava. Ela ia fazer chamada de vídeo, ele tinha um argumento. Aí daí assim, a Mari já estava namorando, ela estava de saco meio cheio daquilo, ela ficou também um pouco assustada de saber que ela estava conversando com uma pessoa que ela não sabia o que era, gente. Era homem? Era mulher? Era uma pessoa jovem? Uma pessoa mais velha? Que dia acho que era aquilo?

E aí ela bem cansada, porque ela não ia conseguir tirar nada dele, né? Ela simplesmente apagou o número dele, excluiu ele das redes sociais e nunca mais ela teve contato. E eu vou pedir desculpa pra vocês aqui, porque essa história da Mari, gente, é isso.

ela não tem um desfecho. A Mari nunca soube quem é essa pessoa. Ela não tem nem a desconfiança. A única coisa que, assim, eu acho pouco provável, mas a única coisa de diferente que já aconteceu com a Mari é que ela conheceu uma vez um menino. Gente, lá no início dos anos 2000, época de bate-papo da Mônica, aqueles computadores de CPU com caixotão, que o monitor era um caixotão enorme e tal, sabe?

Quando ela conheceu esse rapaz, eles começaram a conversar e depois ela descobriu que, na verdade, isso era uma menina. Beleza, ela ficou no horror, ela era adolescente, tinha coisa de 12, 13 anos. Mas passados uns bons anos, a Mari estava no Twitter, ela sempre gostou muito do Twitter. E ela conheceu um rapaz e começou a conversar. E ela descobriu que esse rapaz era, na verdade, essa menina. Essa lá dos anos 2000. E fica a pergunta aqui, será que essa menina é o João?

A gente não sabe, gente. Eu, no lugar da Mari, o que eu teria feito? Vocês sabem me dizer se ainda dá tempo de fazer isso? No lugar da Mari, eu teria ligado na empresa onde ela comprou e inventado qualquer coisa para falar com o financeiro e descobrir qual é o nome que efetuou o pagamento do boleto.

Será que ainda está tempo de fazer isso? Essa história é ali de 2018, 2019, estourando 2020. Ela entrou no site quando ela me mandou a história e no site onde ela comprou o painel ripado e a luminária ainda aparece lá a compra dela, parece que o boleto foi pago à vista e tal. Será que ainda tem como, depois aí de 6, 7 anos, descobrir quem foi que efetuou esse pagamento? Olha.

antigamente, né, vamos nos referir a 6, 7 anos atrás como antigamente, antigamente, não era, não, eu acho que era já, né, eu acho que uns 6 anos atrás já dava para meio que descobrir isso, né, mas enfim, será que ainda dá tempo que agora que ela lembrou dessa história e resolveu remexer, deu meio que uma pulguinha na história, na cabeça dela atrás da orelha, né, até hoje, gente, ela fica olhando para aquele painel e aquela luminária e se questionando.

quem foi que deu aquele painel para ela, porque quando ela me contou, ela falou para mim, Paula, eu tenho uma história de um painel e uma luminária que eu tenho no meu quarto, eles são lindos, maravilhosos, custaram quase 700 reais, eu não sei quem me deu e eu mandei o boleto para essa pessoa pagar.

Eu falei, é o quê? Não tem como? Como assim? Você não sabe quem é a pessoa e ela pagou um boleto? E aí que ela contou a história. Gente, são tantas perguntas que eu tenho para fazer aqui. O que será que essa pessoa queria? Por que ela sumiu?

Pouco de que ela quis dar um presente desse. A ilustração que ela pediu para comprar o desenho. Por que comprar o desenho? Claro, se fosse o produto, a Mari teria que mandar entregar. E aí a Mari saberia o verdadeiro endereço. Mas assim...

Será que as redes sociais foram escolhidas a dedo para dizer que essa era a loja dele, vendo já que não tinha nenhum rastro de pessoa? Mas, gente, como que uma pessoa consegue se esconder por tanto tempo? Tanto tempo. Eu acho muito louco isso. Essas histórias de fake, assim, elas me deixam meio impressionada, sabe? Porque não é uma realidade que eu vivi.

Não é uma realidade que as minhas amigas viveram. Eu sei que são realidades diferentes, tipo, são grupos, né? Depois da história virtual...

que gerou muita polêmica sobre essa história, eu até fui levemente cancelada nessa história, por causa das coisas que eu falei ali, mas muitas pessoas falaram que poderia ser alguém performando e tal, mas assim, eu não fazia ideia disso, porque eu não vivo essa realidade do tal do catfish.

Eu nunca assisti a série, eu nunca vi filmes sobre isso. A minha vida, ela gira em torno de outros interesses, entende? Então, por isso que eu desconhecia isso. Para mim, é uma realidade muito paralela. Uma pessoa vivendo ali um personagem que, na verdade, ela não é. E eu confesso para vocês que, por não ser da minha realidade, e ser uma coisa que tem impacto na vida dos outros, claro, no caso da Mari, que foi positivo, né? Eu acho meio assustador, assim, esse negócio do tal do catfish, sabe?

Mas assim, uma coisa que eu queria dizer sobre essa história é que pra mim não aparece um desse, né gente? Alguém que queira ir me dar 700 reais pra eu gastar com o que quiser, pra eu comprar fralda, leite, roupa de bebê. Isso, olha, um desse não me aparece, né? Até me lembrei da história 23, Fetiche do Sogro.

Para mim não aparece um desse, né? Para mim é só problema que cai no colo. Mas brincadeiras à parte, gente. Fica aí o questionamento, né? Quem será que é o João? Por que o João fez isso? João, se você estiver me ouvindo, me chama no privado aqui para eu te perguntar umas coisinhas.

Brincadeira, fica longe de mim, tá? Deus me livre, um fake me perseguindo, eu com um bebê pequeno. Tô meio noiada, hein? Agora que eu tenho um filho pequeno, gente, não sei se isso é coisa de mãe ou não, mas eu vou andando pela rua assim, ó, sempre de olho, sabe? E principalmente depois da história roubo de criança, né? Nossa, eu tenho todos os pés atrás agora até com conhecido. Então, João, se você estiver ouvindo essa história, fique bem longe de mim, por favor.

Se você quiser comentar sobre essa história, comente no nosso grupo do Telegram. Eu estou esperando vocês por lá. Mande sua história, ateok.podcast.gmail.com. Me siga no Instagram, ateok.podcast. E até o próximo episódio. Tchau, tchau.

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