#215. Mãe e filha
Quer ser um apoiador? entre no link apoia.se/ateaiok
Comente sobre essa história no nosso grupo do telegram: https://t.me/ateaiok
Para falar dela, use a hashtag #maeefilha
⏰ Episódios novos toda segunda, quarta e sexta
✏ Mande sua história para o ateaiok.podcast@gmail.com
✅ Siga no Instagram @ateaiok.podcast
🎧 Divirta-se
*Os comentários aqui no Spotify estão desativados, porque eu não estava conseguindo responder todo mundo e o tempo de espera estava ficando muito alto, além de uma grande demanda. Mas para comentar, temos o grupo do telegram e as postagens das histórias no instagram.
- Comparação e favoritismo parentalCríticas à filha mais agitada · Tratamento diferenciado entre filhas · Impacto psicológico da comparação · Sensação de menos amor
- Cobrança de afeto físico pela famíliaPressão para abraços e beijos · Desconforto da raíça · Reclamações para avó e tias · Construção de carcaça emocional
- Pilares da Saúde EmocionalTemperamentos distintos · Irmã mais tranquila vs irmã mais agitada · Características opostas · Dinâmica familiar de contraste
- Segredos e PrivacidadeRisco de abuso infantil · Ensinamento sobre confiança · Porta de entrada para exploração · Educação preventiva
- Vulnerabilidade JuvenilPrimeiro namorado aos 15 anos · Afastamento silencioso da mãe · Medo de confiança · Brigas frequentes
- Efeito das palavras sobre a identidade infantilCríticas repetidas · Construção de autoestima · Impacto duradouro · Validação versus deboche
- Relacionamentos FamiliaresTentativa de expressar sentimentos · Busca de diálogo · Rejeição da mãe · Deboche público
- Questionamento e argumentação em criançasDiferença entre questionador e respondão · Capacidade racional como saudável · Questionamento de regras escolares · Repressão de curiosidade infantil
- Trauma e ComportamentoIntenção de quebrar ciclos · Diálogo com filha · Valorização de qualidades · Esforço diário de mudança
- Mentira sobre virgindadePerda precoce da virgindade aos 15 · Confissão mentirosa aos 17 · Medo de repreensão · Falta de segurança para confessar verdade
- Responsabilidade parental versus controle excessivoLimite entre guiar e impor · Hierarquia necessária · Autoridade vs amizade · Equilíbrio em relacionamento
- Herança e sucessãoQuebra de ciclos negativos · Modelagem de comportamento · Exemplo de respeito · Transmissão intencional
- Sonhos e Aspiracoes PessoaisDesejo de fazer teatro · Desestímulo materno · Outras faculdades cursadas · Medo de julgamento persistente
- Paternidade e MaternidadeAutoritarismo disfarçado · Necessidade de controle · Ignorância de vontades da filha · Mania de saber o que é melhor
- RelacionamentosOrigem na infância · Carcaça emocional construída · Impossibilidade de reverter · Aceitação de limitações relacionais
Muito bem-vindos ao Hotel OK. E hoje, eu e o nosso Little Boss, o CEO desse podcast, nós dois estamos aqui para contar a história da Raíssa. Mas se essa história é minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber. Nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Então, vem com a gente. A Raíssa, ela é a filha mais nova. Hoje ela já é adulta, ela já é mãe, inclusive. Só que ela é a filha mais nova.
que ela e essa irmã se chama Karen. Ambas foram planejadas e muito desejadas. E as duas, assim como a maioria das irmãs, são muito diferentes uma da outra. A Karen sempre foi uma criança mais tranquila, mais tímida, mais na dela. Enquanto a Raíssa sempre foi mais curiosa, mais exploradora e mais agitada. A Raíssa cresceu ouvindo que a Karen era uma criança fácil e que ela era uma criança difícil. Só que, na verdade,
criança conhecendo o mundo. Só que a gente sabe que o mundo é e sempre foi intolerante com crianças, né? Algumas pessoas esperam que crianças se comportem como adultos. E a mãe dela, como teve primeiro a Karen, que era uma criança tranquila, era fácil, talvez ela não tenha tido referência ou a paciência treinada pra lidar com uma criança mais ativa. E a Raíssa era, e é até hoje, gente, mais ativa do que a Karen em diversas esferas. A Raíssa sempre foi muito comunicativa,
Sempre fez amigos com facilidade. A Karen sempre foi mais quieta, mais isolada. A Raíssa sempre brincando, correndo, subindo em árvore, explorando esporte, quebrando perna, braço, dente. A Karen sempre foi brincadeira mais sentadinha, mais calma, brincar de boneca, ficar desenhando, massinha. Raíssa sempre muito conversadeira, cantarolando, assoviando. A Karen sempre mais quietinha. Raíssa se ia dançar alguma música, ela performava, mexia o corpo todo,
pulava, jogava o corpo, começava num canto da sala, terminava a música em outro canto. A Karen dançava mais tímida, sem se mexer, sem sair do lugar. A Raíssa sempre foi de questionar tudo. Ela queria entender o porquê das coisas, saber dos detalhes de tudo. A Karen era quieta, aceitava tudo quieta, não questionava nada. A Raíssa, se não gostava de alguma coisa, era braba. A Karen só aceitava tudo que era imposto. De modo geral, gente, eu digo isso com muito humor e com muito carinho pra vocês, tá?
Karen, ela era a filha que fez a mãe delas, a dona Cida, querer mais um filho. E a Raíssa, ela só poderia ser a segunda filha. Porque se ela fosse a primeira, ela teria sido filha única, né? Eu digo isso porque o meu filho é um bebê que me faz querer o segundo. Mas quando eu vejo outros bebês da idade dele que eu vejo que são muito mais agitados, com um sono muito mais complicado, eu confesso pra vocês que eu repenso, sabe? E aqui em casa, eu e a minha irmã, todo mundo que conhece a minha irmã primeiro, fala
pra mim, nossa, mas você é bem diferente da tua irmã, né? A tua irmã é bem fechada, ela é quieta e tal, e você é mais falante, mais expansiva, né? Então, gente, eu acho que esse é o comum das relações entre irmãs, das personalidades entre irmãs. E quem tem irmão sabe que é muito comum essa diferença, né? Ninguém tem dois filhos tranquilos. Se um é calmo, geralmente o outro vai ser virado no Jiraya. Eu não conheço ninguém que tem dois filhos calmos. Mas é assim, não tem nada de errado. Mas o problema é que a mãe da Raíssa,
a dona Cida, ela nunca entendeu isso. E ela sempre via isso de uma forma negativa. Ao invés dela falar que as filhas eram muito diferentes e ressaltar a qualidade de cada uma, ela falava como se a Raíssa fosse uma coisa negativa. E isso sempre fez a Raíssa achar que a mãe dela amava mais a irmã dela do que ela. E eu acredito que seja muito natural a comparação quando você tem dois filhos, muito embora não deva ser feita. Você crescer sendo comparado com o irmão,
Deve ser uma coisa muito terrível, porque eu acho que deve ser como você anular que você tem uma identidade própria, porque tem alguém querendo tentar impor que você tem que seguir uma personalidade. Só que não é assim que funciona, a gente não consegue sustentar uma personalidade que não é nossa. E aí a gente começa com crises de identidade. E o fato é que a Raíssa cresceu achando que ela era péssima, que tudo que ela fazia era ruim, era negativo. Só que na verdade, hoje a gente sabe que ela só era uma menina incompreendida,
Nada de errado. A Raíssa nunca foi uma menina mal educada. Ela nunca foi respondona. Ela era curiosa. Ela tentava entender as coisas. Ela tentava entender o porquê das coisas. E não tem nada de errado nisso, né, gente? Nós somos seres racionais. Eu já falei aqui. A nossa diferença para os animais é exatamente essa. A capacidade de raciocinar e questionar. E nessa de ela achar que ela era menos amada, ela e a irmã viviam brigando. Elas só pararam de brigar quando elas não dividiram mais o mesmo teto.
Então, depois de adultas. E, gente, não era por mal. Até porque briga de irmãos é super comum. Eu acho que nós podemos até dizer que briga de irmãos... Irmãos que brigam, eu acho que são a regra. Irmãos que não brigam e têm uma relação super amorosa, eu acho que são a exceção, né? Só que a Raíssa, ela se sentia muito afetada psicologicamente. Até porque não teria como ela não se sentir assim, né? Quando ela estava na escola, no ensino fundamental, vira e mexe, a escola chamava a dona Cida
ir lá conversar com a diretora. Motivo? Raíssa questionava as regras. Só que aqui eu pergunto pra vocês, tá errado isso? Na minha cabeça isso deveria ser incentivado, não reprimido. Porque existe uma grande diferença entre você ser respondona e você ser questionadora. A Raíssa nunca desrespeitou professores, inclusive hoje ela é professora, só que ela questionava algumas coisas. Uma das vezes que a Cida foi chamada na escola foi porque a Raíssa perguntou pra professora de educação física por qual
ela precisava tirar a blusa que estava amarrada na cintura. A professora não gostou do questionamento, se sentiu afrontada e deixou a Raíssa trancada sozinha dentro de uma sala de aula. Só que aqui que eu falo pra vocês, a Raíssa não era mal educada. Ela tirou a blusa? Ela tirou. Ela respeitou a professora e ela não bateu boca. Mas ela queria entender o porquê que ela tinha que tirar, por que que isso era uma regra. E eu tenho a opinião de que alguns adultos, gente, ou até alguns lugares, impõem regras só pra poder se sentir no controle de alguma coisa,
para poder mostrar quem é que manda. Tem regras que são necessárias. Óbvio, tudo no mundo funciona com regra. Só que essas regras precisam fazer sentido. Quantas vezes você que está me ouvindo, você adulto, foi questionado de alguma coisa por alguma criança e você não sabia responder, porque parando para pensar não tinha problema nenhum. Por exemplo, eu não sei para vocês, eu vou falar por mim. Por que uma criança não pode tomar banho de chuva? Eu cresci ouvindo que não e ponto final. Mas qual que é o real problema, gente?
Gripe é vírus, não é chuva. É só depois você ir lá e tomar um banho quentinho se o problema for friagem. Põe uma roupa seca e toma um banho quentinho, tá tudo certo. Só que isso é visto como um problema porque foi imposto isso pra gente em algum momento. Alguma mãe com certeza achava trabalhoso a criança entrar com a roupa molhada e tal. Mas qual que é o real problema? Se a gente parar pra pensar, não tem problema. E gente que questiona e argumenta é um ser humano sensato que consegue passar a vida
Dois lados da moeda, compreendendo os dois lados, compreendendo os seus sentimentos, as suas emoções. É um ser humano que constrói raciocínio, que constrói um diálogo, só que é muito mais trabalhoso do que uma criança que você dá ordem e aceita quieta, né? É muito mais fácil você lidar com uma criança que você vai falar não e ela vai sair quietinha do que você ter que ficar respondendo os porquês de uma criança que quer entender.
Então, na grande maioria das vezes, uma criança mais questionadora e argumentadora,
de fato, é visto como um problema. E a mãe da Raíssa achava um problema a Raíssa questionar, porque como eu mencionei, dá trabalho, né? A Cida, ela nunca precisou explicar nada pra Karen, a Karen aceitava tudo quieta. Então, a Cida, ela nunca desenvolveu a habilidade de precisar explicar alguma coisa, de dialogar ou de negociar. Então, a Cida, ela também, somado a isso, ela tem uma personalidade, assim, um jeito mais sargentona, sabe?
impor as coisas do que tem que ser, mandar e pronto, e as regras dela que funcionam. Só que a Raíssa não aceitava isso muito bem, por isso que era tão difícil a Cida precisar lidar com a Raíssa, porque a Cida impunha uma regra, a Raíssa questionava, e às vezes não fazia sentido. Só que a Raíssa, apesar de ter esse jeito mais espuleta e questionador, ela sempre foi uma menina muito carinhosa, muito amorosa, sempre gostou de um mimo, de um afeto, e a Karen não, a Karen sempre foi mais fechada e mais seca,
E a Cida, a Cida ela era carinhosa do jeito dela. Ela beijava, ela abraçava, só que ela nunca falou um eu te amo. Mas ela tinha o jeito dela de demonstrar que com o tempo foi morrendo. Com o tempo ela parou de dar beijos e abraços e tal. E por que isso? Provavelmente porque a Karen tem esse jeito mais fechado e a Cida foi se fechando também. E aí a Cida se fechando, a Raíssa também se fechou. Só que a Raíssa encontrou esse carinho e afeto aonde? Em namoradinhos.
ainda não lidou muito bem com a adolescência da Raíssa. A Karen, gente, não deu trabalho. Ela ficava em casa, quieta, isolada. A Karen só foi ter o primeiro namorado dela com 27 anos, enquanto a Raíssa, mais fogueteira que não parava em casa, teve o primeiro namorado com 15. E ó, a Raíssa, hoje ela é mãe, e ela reconhece que a adolescência dela realmente não foi fácil, tá? Só que ela tem na cabeça dela e no tendimento dela que a partir desse momento,
adolescência, o relacionamento entre ela e a mãe passou por uma virada de chave. A partir do momento que a Raíssa arrumou o primeiro namoradinho, o relacionamento delas mudou. Elas tiveram um afastamento que não foi abrupto e também não foi do nada. Foi, aos poucos, um afastamento que foi construído como consequência de diversas coisas. E como eu falei pra vocês, nessa personalidade da Cida impor as coisas, ela queria impor que a Raíssa deveria contar tudo pra ela.
deveria considerar a Cida como a melhor amiga dela, que as amigas dela não eram amigas de verdade e que a verdadeira amiga tinha que ser a Cida. Só que na prática isso não acontece, gente. Achar que você vai ser a melhor amiga da sua filha, que ela vai te contar tudo, é pedir para se frustrar. Pode acontecer? Sim. Mas esse negócio de filhos que contam tudo para a mãe, que a mãe é de fato a melhor amiga na adolescência, isso é uma exceção. Isso está muito longe de ser a regra.
impor aquilo pra ela naquele momento só fez ela se afastar ainda mais. Ela mais se afastou do que se aproximou. Por quê? Porque ela passou a sentir uma pressão muito grande, um medo do que poderia acontecer se a mãe dela descobrisse alguma coisa que ela fez e não contou. Então, além da pressão, agora ela também sentiu medo da mãe dela descobrir as coisas que ela não queria contar. Mas a Karen, é claro que ela contava tudo pra mãe dela. Por quê, gente? Porque a Karen não fazia nada fora do esperado.
tava sempre de boa. E a Raíssa, ela já era um pouco mais aprontona. A Karen já não era. Então, ia falar o quê? A Karen ia contar o quê? Só que como a Karen contava tudo, que não era nada demais, a Cida achava que a Raíssa tinha que contar também. Mas, gente, o que que acontecia? Por que que a Cida queria, de qualquer jeito, essa proximidade da Raíssa com ela? Porque a Cida tinha um medo que a Raíssa perdesse a virgindade. Mas adivinha o que aconteceu?
perdeu a virgindade ali na adolescência com seus 15 anos. E ela não contou pra mãe dela. Por quê? Porque ela ficou com medo. Ela não se sentia segura em contar pra mãe, em compartilhar essas coisas da vida com a mãe dela, porque ela sabia que a mãe dela ia pegar ela pela orelha. As mães que querem que os filhos vejam elas como melhores amigas, talvez seja só pra poder coletar informação mesmo. Agora, se você conta uma informação que ela não gosta, será que ela vai te tratar como a sua melhor amiga trataria? Não, provavelmente não.
Por isso que muita gente não consegue tratar a mãe como melhor amiga, né? E ela sabia que ela ia tomar bronca. Por quê? Porque a Karen não era assim. A Karen não dava esse trabalho. E um tempo depois, ali com seus 17 anos, aí sim a Raíssa contou pra mãe dela, gente. Mas ela contou como se ela tivesse perdido a virgindade ali naquele momento com aquela idade. E pasmem, isso já é meio que um spoiler até sobre o Pitaco de hoje. Até hoje a mãe dela pensa que ela perdeu a virgindade ali com seus 17.
Hoje a Raíssa não tem coragem de contar que mentiu lá naquela época. Porque ela sabe que a mãe dela vai julgar demais ela. Mas, gente, naquela época não tinha a menor chance de contar, tá? A dona Cida, ela batia pouco. Ela não era uma mãe que surrava as filhas. Então, a Raíssa, ela acha que ela não apanharia se ela tivesse contado. Só que o que provavelmente aconteceria? A Cida comentaria com as amigas dela e a Raíssa seria exposta. Então, todas essas pequenas coisas fizeram...
A Raíssa desistiu de confiar na mãe dela. E assim, logicamente, foi surgindo um afastamento silencioso. Silencioso, mas não muito. Por quê? Porque, gente, elas brigavam muito nessa idade. Só que a adolescência, de novo eu falo para vocês, via de regra, a adolescência é difícil para todo mundo, para toda a família, via de regra. Mas, como tudo na vida, existem exceções. A Karen, para variar, era uma exceção. E a Raíssa era a regra.
fase, gente. A Raíssa, ela sofreu em relacionamentos, mas ela sofreu calada, porque ela não podia confiar na mãe, ela sentia que não podia confiar. Ela me falou que teve coisas terríveis que aconteceram com ela e que até hoje a mãe dela não sabe. Ela me falou, gente, que com muito respeito, nunca foi com afronte, ela batia muito de frente com a mãe dela, porque ela questionava as proibições da mãe. E, claro, com a maturidade da idade, nem tudo que fazia sentido pra mãe dela fazia pra ela, né? Muitas
a mãe dela só respondia, por que não? E ela queria entender por que que não. E de modo geral, 99% dos problemas delas eram por falta de diálogo, falta de paciência da mãe dela em dialogar. Só que independente desses conflitos todos, ela aproveitou muito. Ela sabe que ela aproveitou muito a idade dela. Com 16 anos, ela terminou aquele primeiro namoro. E com 19 anos, ela foi fazer um intercâmbio. E esse intercâmbio, ela ficou por dois anos. E lá, ela teve muita liberdade, né? Então, sim. Apesar da relação
Complicada com a mãe dela. Ela conseguiu aproveitar muito. E é isso né gente. Tem dificuldades na adolescência. Mas no final dá tudo certo. Na grande maioria das vezes né. E em resumo de modo geral. Pelo que vocês viram até aqui. Os problemas entre elas. Estavam de fato. Na Raíssa ser uma menina questionadora. E a mãe delas. A dona Cida ser poucas ideias. Sabe ser de pouco diálogo. Só que gente. Muitas vezes a Raíssa tentou salvar a relação. Quando ela era pequena.
Ela costumava escrever cartas pra mãe dela, porque era o modo como ela conseguia se expressar nessas cartas. Ela falava que ela se sentia muito comparada com a Karen. Falava que sentia que a mãe dela amava mais a Karen do que ela. Ela abria o coração dela. Só que, gente, a Cida não dava a menor importância pra essas cartas. Algum tempo depois, ela costumava ouvir a mãe dela falando pras pessoas e pras amigas, assim. Ah, porque daí a Raíssa vai e me escreve umas cartas.
desdém ou de deboche, sabe? Era uma coisa tipo assim... Ai, Deus! Raíssa e as cartas dela. Lá vem mais uma carta melodramática. Só que, gente, isso pra Raíssa foi muito marcante. As cartas, elas sempre tinham um tom de abrir o coração, de falar como se sentia, de expressar os sentimentos dela, de buscar um diálogo, tentar apaziguar as coisas e se fazer ser compreendida. Se a mãe dela tivesse acolhido os sentimentos dela, elas teriam tido chance de virar
melhores amigas, aqui com certeza. Só que a mãe dela impor que elas se tornassem melhores amigas, só que ela não acolhia, não facilitava o caminho. Melhores amigas são pra quê? Pros momentos bons e ruins, mas a mãe dela parece que só sabia fazer, só queria impor que elas fossem melhores amigas porque ela queria saber o que estava acontecendo, ela só queria acompanhar o que estava acontecendo na vida da filha. Então ela queria que a Raíssa fosse melhor amiga dela, mas ela não estava disposta a ser melhor amiga da Raíssa, né? E vale dizer pra vocês que eu acho que isso está
meio evidente, mas vale reforçar que as cartas nunca tiveram um tom afrontoso nem questionador. Era apenas e exclusivamente para a mãe dela entender as emoções dela. A mãe dela, gente, recebia essas cartas e nunca tentou sentar a conversar. Nunca respondeu nenhuma carta. Era como se nada tivesse acontecido. A Raíssa não sabe o que ela fazia com essas cartas, mas esses tempos ela descobriu que tem uma carta que a Cida guarda até hoje, mas a Raíssa não sabe qual carta que é e nem sabe o teor,
carta. Enquanto a Raíssa tava no intercâmbio, a mãe dela perguntou ali por chamada de vídeo o que ela queria fazer quando voltasse pro Brasil. E ela expressou uma vontade de fazer teatro. A mãe dela só falou assim pra ela. Até parece mesmo, né, Raíssa? Você precisa parar de sonhar, minha filha. E no dia seguinte, gente, assim que elas conversaram, a mãe dela falou assim pra ela. Ó, eu já fui naquela escola de idiomas que tem aqui na cidade e falei pra dona de você. Quando você voltar, você tem emprego lá. E aqui é um exemplo que demonstra
a essência do jeito da dona Cida. Ela queria fazer as coisas do jeito dela, sem se importar se os outros aceitavam ou não, sempre achando que o jeito dela era melhor. E claro que a gente tem que abrir uma brecha aqui pra reconhecer que entra um lado materno, que se você perder a mão te complica, né? A Cida, ela queria fazer o melhor pela filha, só que ela fazia isso de um jeito meio torto e equivocado. E na ladainha, gente, que eu já aviso vocês que vai ser longa, né? E eu aviso que vai ser longa porque o título, o e-mail
a Raíssa foi. História com a mãe. Quero pitacos e ladainha. Então, na ladainha, eu falo melhor sobre isso pra gente não se perder, tá? Quando a Raíssa, ela manifestava alguma vontade profissional, a mãe dela sempre desestimulava ela. Sempre, sempre. Independente se era um sonho, se era grande ou pequeno. A Raíssa acabou se formando numa outra área, não atuou nessa área e depois ela fez outra faculdade e se encontrou hoje dando aulas. O sonho do teatro dela, assim como vários outros sonhos que
foram apagados, morreram ali. Ela nunca teve a oportunidade de tentar pra saber se daria certo ou não. Ela nunca mais teve coragem de tentar, porque ela sabia que ela seria desestimulada. E mesmo eu questionando o porquê, por que que hoje ela não faz isso, né? Hoje ela já é uma adulta, hoje ela já tem a vida dela, a independência dela, por que que ela não faz isso por prazer? E ela me falou que essas situações todas sempre afetaram tanto ela, gente, que até hoje ela sofre com a opinião alheia.
ela acha que ela vai ser julgada, que as pessoas vão rir dela. Mas eu vou falar aqui em alto, em bom som, para todo mundo que está nessa situação ouvir. Eu acho lindo, eu acho admirável, eu acho maravilhoso uma pessoa, mesmo depois de adulta, ou principalmente depois de adulta, ir atrás dos seus sonhos. Eu acho lindo, eu acho inspirador. E não, Raíssa, ninguém vai rir de você. Todo mundo vai achar da hora você ir atrás dos seus sonhos.
exemplo pra sua filha. Porque eu acho que a gente ir atrás de sonho quando a gente é adolescente e tá construindo a nossa personalidade, a gente não tem que trabalhar e tal, eu acho que é muito fácil, né? Mas a gente fazer isso depois de adulto, quando a gente já tem a nossa vida, eu acho que isso sim é viver um sonho sem pressão nenhuma pra saber se vai dar certo ou não, né? Bom, aqui então foi a vida da Raíssa, foi como ela cresceu.
Mas a vida passou, a vida aconteceu. A Raíssa hoje, ela tem uma filha e a mãe dela, a gente
ajuda muito ela com a filha. Mas muito. A Cida é uma avó excelente. Ela é maravilhosa pra filha da Raíssa. Ela é uma avó doce, ela é gentil, ela é prestativa. E a Raíssa me falou que a filha dela só vai ser matriculada na escola no ano que vem, que é quando é a idade obrigatória. Gente, ela conseguiu viver a maternidade de uma forma intensa. Ela aproveitou essa fase inicial da filha dela. Ela ficou com a filha dela em casa. Ela conseguiu
trabalhar, tudo isso graças à mãe dela. Então, ela é muito grata à Cida por ter feito isso que fez. Mas, claro, que quando a gente tem uma avó perfeita com a neta, a gente acaba tendo uma mãe imperfeita com a outra mãe, né? Então, a Cida, ela acabava pecando com a Raíssa. Por quê? Gente, coisa de avó. A Cida tirava a autoridade da Raíssa, a Raíssa falava que não, a Cida falava que sim, a Raíssa falava que não queria telas quando ela chegava em casa,
a avó lá colocando ela na tela porque ela tinha pedido, a criança, né? Ela beijava a criança na boca desde neném. E eu sei que, né, a gente problematiza isso muito hoje com toda a razão do mundo, mas, gente, antigamente isso era bem comum. Eu também dava muito selinho na minha mãe. Hoje eu me questiono como e por quê, né? Porque isso eu já grande, já com 3, 14, 15 anos. E hoje eu acho isso bizarro, né? Até minha mãe, ela se questiona como que a gente
normalizava isso, né? Hoje a gente não compartilha nem o mesmo canudo, porque a gente tem nojo, né? Cada um é cada um. Então, antigamente, era antigamente, poucos anos atrás, né? Era relativamente comum isso acontecer, tá? Não é porque a Sida era um bicho de sete cabeças. Não, era relativamente comum. Isso não era tão problematizado quanto hoje. Só que ela fazer isso, mesmo que fosse, entre aspas, normalizado, pra Raíssa nunca foi. A Raíssa ficava enfurecida que isso
acontecia. E além disso, gente, às vezes a Cida pedia também pra netinha guardar segredos, sabe? Coisa de vó que dá um docinho, mas não conta pra sua mãe, dá um dinheirinho, mas não conta pra sua mãe. E a Raíssa nunca gostou disso. E isso daqui, pras mães que estão me ouvindo, essa história, na verdade, ela é meio voltada pra mães, né? Gente, vocês precisam deixar claro pro filho de vocês uma coisa. Ninguém pode pedir pra uma criança guardar segredo da mãe. Ninguém, da mãe ou do pai. Isso precisa ser ensinado pra criança desde
pequena, não existe segredo entre mãe, pai e filho, essa é a porta de entrada para uma criança ser abusada, principalmente por pessoas da confiança dos pais, por avôs, avós, tios, tias, pessoas que abusaram de crianças, foi pedindo o segredo, ó, não conta para sua mãe, ó, eu vou te levar num lugar, você não conta para sua mãe, ó, eu vou colocar minha mão aqui, você não conta para sua mãe, então você precisa, o teu filho, tua filha, ele precisa crescer,
com a consciência de que não existe segredo entre pai e mãe, sabe, se vocês não quiserem abrir muito isso, pega só um dos pais como referência, ah, não existe segredo com a mamãe, e vocês precisam falar para as pessoas que estão ao redor de vocês, não peça para minha filha guardar segredo, não peça para o meu filho guardar segredo, não existe isso, combinado? Reforcei muito bem essa parte aqui, né? Essa parte eu esqueci de pontuar ali para falar depois na Ladain, então vou deixar aqui porque tem gente que não ouve a Ladain.
Como eu falei para vocês, então, ela pedia sempre segredo para dar um docinho escondida, para dar um dinheirinho e tal, e isso fazia com que elas tivessem muito motivo de briga, porque a Cida queria ser uma avó maravilhosa, só que ela acabava perdendo a mão sendo mãe. Então, ela era uma avó maravilhosa, mas acabava deixando a desejar ir como mãe, né? Mas assim, de modo geral, são coisinhas que aconteciam, normal, nada muito fora do padrão aí, mas ela era uma avó e a relação delas era realmente,
ali, muito de boa, ela ajudava muito a Raíssa, tá? E eu tô contando isso, gente, porque é o que eu sempre digo, todo mundo tem uma parte boa, toda relação. Desde que a Raíssa voltou do intercâmbio dela, desde que ela se tornou adulta, tem o trabalho dela, tem a filha dela, ela e a Cida tem uma boa relação. Depois que a gente fica adulta e mais experiente, as relações, principalmente com os pais, ficam mais fáceis, né? Elas conversam sobre muita coisa e ainda nos dias de hoje, gente, a Raíssa continua não contando determinadas coisas
para ela. Por quê? Porque a mãe dela continua sendo a mãe dela. Ela vai continuar se sentindo julgada em muitas coisas. Ela e a mãe batem de frente, mas hoje elas sabem lidar com isso. Isso não vira briga, isso não evolui para um climão. Então, não é o caso de uma relação onde vocês vão olhar para a Raíssa e o pitaco de vocês vai ser corta a relação com ela. Não, elas têm uma relação tranquila hoje. Raíssa já aprendeu a aceitar a personalidade da Cida e está tudo certo. Só que ela sabe que ela só pode confiar na mãe dela para algumas coisas.
que ela não consegue contar tudo. Afinal de contas, uma parte, a chave, o ponto chave dessa história é que os sentimentos não foram embora. O que foi construído na raiz, o que foi criado nela, não se apaga. Sentimentos, traumas, medos não se apagam da noite para o dia. Então, ela e a mãe, elas têm uma boa relação, mas elas não têm, por exemplo, contato físico e amoroso. Elas não têm uma relação amorosa,
Simplicidade, amor, demonstração de afeto. A Cida demonstra do jeito dela, ajudando ela com a filha, por exemplo. Mas elas não têm aquela coisa de deitar no colo da mãe, ganhar um cafuné, um beijo e um abraço. Elas não têm. Não existe isso. Mas não existe por quê? Porque quando a Raíssa tinha, isso foi podado nela. Isso nunca foi cultivado. E aonde que a Raíssa quer o pitaco dela, gente? Onde que entra toda essa história aqui que eu contei pra vocês? Recentemente,
família da Raíssa, as tias e a avó, começaram a cobrar a Raíssa de ser mais carinhosa com a mãe dela, de dar mais abraços, mais beijos, fazer mais carinho na mãe. Só que, gente, que coisa nada a ver, né? A Raíssa, ela não se sente confortável com isso. A mãe dela nunca tomou a iniciativa de abraçar ou trocar um carinho, um toque físico com ela. A Raíssa se sente uma estranha abraçando a mãe dela, parece que ela está incomodando. O pai dela, da Raíssa, ele também nunca foi muito
ou muito carinhoso. Inclusive, podem perceber que ele quase nem apareceu, quer dizer, ele está aparecendo agora aqui na história. Mas por que isso? Ele era muito ausente, porque ele trabalhava muito, e infelizmente ele tinha problemas com bebida. Então ele foi um pai muito ausente. Só que depois que a Raíssa se tornou mãe, ele passou a ser muito carinhoso com ela. Toda vez, sem exceção, gente, toda vez que ele e a Raíssa se encontram, ele abraça ela, ele beija ela, filha dela,
Só que essa iniciativa de dar carinho sempre parte dele. No começo ela estranhou aquilo, mas hoje em dia, se eles se encontram e o pai não abraça ela, ela sente falta, já começa a pensar se aconteceu alguma coisa, ou seja, a Raíssa é aberta para receber carinho, mas ela não consegue tomar atitude, porque a vida inteira que ela tentou demonstrar alguma coisa, demonstrar o amor dela, o afeto dela, ela foi podada.
da Raíssa começou a ser um pouco mais insistente e ela acha que é a Cida. Conhecendo a mãe, ela acha que a mãe dela foi reclamar disso pra avó e pras tias da Raíssa. Mas, gente, não é que ela não quer. Ela não consegue. E eu tenho certeza que muitos de vocês, coisa de 90% de vocês, sabem como que é esse sentimento de você não conseguir demonstrar carinho físico pra algumas pessoas. A Raíssa, ela consegue tranquilamente, ela tem uma
muito afetuosa com a filha dela. Ela consegue tranquilamente demonstrar com a filha dela, com o pai dela, mas com a mãe não. E eu acho que todo mundo entende porque todo mundo deve ter uma relação assim. Eu, pelo menos, tenho amigas com quem eu tenho uma relação relativamente melosa. Toda conversa nela é, ai, amiga, te amo. Ai, amiga, não sei o quê. E tem amigas que eu não falo, eu te amo há anos. Mas eu demonstro meu amor de outra forma.
Aqui eu acho que são amizades que cultivam, são pessoas, na verdade, que cultivam uma personalidade
diferente nossa. E a Raíssa, ela tem sido cobrada há muito tempo por isso, como se ela fosse uma filha ruim, como se fosse responsabilidade dela fazer isso, como se a Cida estivesse sofrendo por conta de uma característica da Raíssa. E a pergunta dela, onde ela quer um pitaco é Eu tô sendo uma pessoa ruim porque é assim que eu tô me sentindo. Eu preciso mudar esse meu jeito pra me adaptar? E, gente, o meu pitaco é Não, você não é uma pessoa ruim e você não precisa mudar o seu jeito
para se adaptar, porque esse jeito que a Raíssa tem hoje já é uma mudança que foi adaptada, né? A Raíssa, ela também queria deixar um recado aqui para quem é mãe ou para quem pretende ser mãe. Escutem as suas crianças. Muitas vezes as crianças vão falar coisas sem pé nem cabeça ou elas vão falar de alguma decisão que elas querem tomar que você sabe que não é a melhor escolha. Mas se sentir ouvida faz toda a diferença na vida de uma pessoa. Sentir que a sua opinião importa,
que a sua vontade importa, e você saber que a tua mãe está aberta ao diálogo, é plantar uma semente que você vai colher para o resto da vida com o seu filho. E um outro ponto é, cuidado com o que você fala sobre o seu filho para outras pessoas, ou até mesmo para ela. Cuidado para que ela não ouça as coisas. As palavras têm muito poder. E a Raíssa me falou que, gente, ela não teve uma mãe horrível, tá? Ela não teve. Claro, a gente está contando o que é relevante para essa história aqui, né?
âmbito. Mas a Cida, ela teve bons momentos, ela e a Raíssa tiveram bons momentos juntos, elas deram risada e tal. Claro, não tem como você ser uma mãe 100% ruim, quer dizer, tem, mas não é o caso aqui. Só que dói até hoje na Raíssa o fato de elas nunca terem conseguido dialogar. Ela sente falta da figura materna que ela não teve, do lado materno que ela não teve. Ela cresceu ouvindo a mãe dela, criticando ela, falando mal dela, debochando dela, fez ela ter um problema muito sério com validação. A Raíssa
ela tem medo da opinião dos outros, ela tem medo de estar incomodando, de estar sendo uma pessoa difícil, porque ela sempre foi taxada como uma filha difícil, né? Ela trata isso na terapia, né? Graças a Deus que ela faz. Só que é um caminho muito longo a ser percorrido. Não é fácil você cortar raízes que foram cultivadas por tantos anos, né? E hoje, gente, o que a Raíssa mais preza com a filha dela é o diálogo. Ouvir a filha, valorizar os pontos positivos dela, as qualidades e opiniões.
a maior herança que ela sabe que ela pode deixar para a filha dela. Ela me falou que ela sabe que ela não é a mãe perfeita e a filha dela, assim como toda criança, também tem pontos difíceis. Só que é um ciclo que ela quer quebrar, que ela já está quebrando, né? E esse esforço ela faz todos os dias por ela e pela filha, para que ela não seja uma reprodutora de ciclos. E só por isso daqui eu já falo, a filha da Raíssa é muito sortuda em ser filha dela, gente. É muito importante você ter a intenção de quebrar ciclos, tá?
eu vou começar com o meu pitaco aqui e só depois eu vou lá pra ladainha falar, né, as trocentas camadas dessa história aqui. Então, olha só. A Raíssa, ela tá sendo uma pessoa ruim? Não. É óbvio que não. Ela só tá vivendo na terceira lei de Newton. Toda ação vai ter uma reação. Então, assim, eu sei que são situações diferentes, tá? Completamente diferentes. É até meio cruel da minha parte fazer essa comparação. Só que, assim, se você nunca faz um carinho no teu cachorro,
se quando ele chega a te pedir carinho, você bota ele pra correr ele lá. Você só desce a lenha nele. Depois de anos ele sendo criado assim. Você quer reclamar que ele não vai te pedir carinho, gente? É aquela coisa, gato escaldado tem medo de água fria. Você vai pedir um carinho pra quê? Pra você ser rejeitada? Sabe? Se bem que um cachorro também nunca faria isso, né? De virar as costas pra você. Um gato faria. Ah, faria, né? Cachorro não.
Enfim, a gente só dá o que a gente tem, né? E quando se tratam de sentimentos e emoções,
que foi cultivado na gente. Só que isso não significa, claro, que a Raíssa não possa se esforçar para mudar esse cenário, contanto que a mãe dela faça a mesma coisa. A Raíssa, ela é aberta para essa mudança. Ela teve com o pai uma relação melhor do que com a mãe, né? Então, essa proximidade, quando o pai dela começou, foi meio desconfortável, mas foi relativamente fácil. Ela achou que seria pior. E a mãe dela, para chegar nesse nível de carinho entre mãe e filha, também precisaria se ajudar.
demonstrar isso para a filha, sentar e conversar, ir lá reclamar para as irmãs dela, para a mãe dela, não resolve. A Cida precisa falar com a filha dela, não com as irmãs e com a mãe. Mas, gente, francamente, eu acho que se isso não mudou até hoje, eu não acredito muito nas mudanças dos nossos pais depois de uma certa idade, sabe? Então, assim, eu acho que se a Raíssa quiser esse contato com a mãe, eu acho que ela consegue, aos poucos, ir treinando isso. Só que ela tem que querer e a Cida também tem que facilitar esse caminho.
importante aqui. Se a Raíssa não quiser, se o desconforto for maior do que a vontade dela, eu acho que não tem problema nenhum ela deixar pra lá, gente. Ela é amorosa com o pai, fisicamente falando, e com a mãe não. Mas ela tem um jeito de expressar o amor pela mãe, né? A Cida fez isso a vida inteira, expressou do jeito dela. Agora ela tá querendo carinho físico, sabe? E como eu falei pra vocês, eu tenho amigas que eu falo, eu te amo em todas as conversas, no aniversário eu mando um texto carinhoso, e eu tenho amigas que eu amo igualmente.
Só que eu não falo, eu te amo. E no aniversário é tipo assim, ó, ouço arrombada, feliz aniversário aí, entendeu? E eu acho que tá tudo bem. Eu não acho que ela seja obrigada a fazer isso. Eu acho que as pessoas, elas ecoam na gente, elas têm da gente versões diferentes. Acho que eu até já comentei isso aqui, né? O meu pai, eu tinha o meu pai como referência pra uma coisa, e hoje é um processo eu lidar sozinha, quando só o meu pai supria determinadas necessidades, sabe?
história tá indo pro ar hoje, dia 20 de março, e hoje meu pai faria 60 anos. Hoje meu pai entraria pra ser um idoso. Enfim, é só um adendo que eu acabei de lembrar aqui na gravação. Com meu pai eu tinha uma relação onde ele supria determinadas necessidades em mim. E a minha mãe, com ela, ela supri outras coisas. Eu tenho amigas que eu recorro em determinadas situações. E é isso, né? Todos nós temos múltiplas personalidades nesse aspecto.
E quem quiser culpar a Raíssa, as tias, as irmãs da mãe dela, a avó dela e tal, eu acho que é só ela falar que a gente consegue dar afeto para a pessoa de quem a gente recebe afeto. Você não vai ficar dando afeto para uma pessoa que não demonstra nada. E eu vou falar, eu acho que lá no fundo, lá no subconsciente da Raíssa, eu acho que ela foi tão criticada pela mãe dela de achar que ela não é amada igual a Karen, sabe?
presente tão enraizado e sempre foi, que eu acho que ela se sente invadindo um espaço da mãe dela. Eu acho isso. Raíssa vai ouvir isso aqui e reflita sobre isso, né? Leve isso pra terapia. Eu acho que a Raíssa, como a mãe dela nunca abriu esse lado emocional dela, eu acho que ela se sente atravessando uma linha que ela nunca pôde. Eu acho que ela se sente invadindo um espaço, desrespeitando a mãe dela, sabe? Acho que ela se sente atravessando essa linha que ela nunca conseguiu ultrapassar.
Ela tentava com as cartas, mas o que ela recebia? Deboche e exposição. Então o que ela fez? Ela se guardou e se fez uma carcaça para se proteger. Ela passou a vida inteira com essa carcaça. Aí agora, porque a Cida acha que tem a necessidade de receber carinho da filha, querem arrancar essa carcaça que a Raíssa passou a vida construindo a força, eu discordo e eu acho invasivo. Eu sei que tem muita gente que vai falar que mãe é uma só, porque não sei o que, e que...
Ai, a vida é curta demais pra isso e tal, e eu acho que não tá errado também, entendeu? Mas eu sou uma pessoa que eu respeito muito as emoções, porque é muito fácil uma pessoa passar a vida inteira apontando o dedo pra gente, julgando todas as nossas emoções. Aí quando bate a necessidade dela, ela quer que a gente esteja aberta pra isso. Eu acho que não é assim que funciona, né? Então, não, a Raíssa não é uma pessoa ruim por não conseguir tirar essa carcaça, jamais.
Se alguém acha ela ruim, tem que pensar e entender que ruim foi quem ensinou ela a ser assim.
Não demonstrar carinho pra sua filha é uma coisa, mas você fechar as portas quando ela pede carinho, aí é outra, né? E agora sim, agora que eu dei o meu pitaco, gente, eu quero muito falar sobre alguns pontos dessa história, sobre essas camadas. Então eu acho que algumas coisas aqui eu já posso ter mencionado anteriormente, né? Então foi mal se alguma coisa ficar repetitivo, porque tem algumas coisas que eu até vou evitar falar, porque eu já falei recentemente na outra história que é sobre conselho de mãe e filha, né? Então, abrindo os portais da Ladainha,
embora aqui já tenha rolado uma mini ladainha, eu queria dizer para vocês que, sim, gente, é muito fácil você ter uma criança fácil. E foi o que eu falei na história. O meu bebê é muito fácil. Ele é um bebê de baixa demanda, bonzinho, que não chora, é paciente, risonho. Ele é maravilhoso. Eu comecei essa história aqui falando para os apoiadores, pedindo desculpa se tivesse interrupção, porque se ele interrompesse muito durante a história aqui, eu ia deixar aqui para o gratuito, porque ele tomou vacina hoje,
meningos, ele tá muito dolorido e pra ajudar pela primeira vez o meu gato se assustou e arranhou a perna dele. Então antes de começar a gravar a história, ele tava chorando muito. E ele está aqui numa tranquilidade que ele tá quase passando despercebido. Até a metade da história ele tá bem presente e depois agora ele tá quietinho aqui brincando com as coisinhas dele. Então o meu filho, ele é maravilhoso, ele é paciente, ele é risonho, ele é perfeito.
E eu tenho medo de ter um segundo. Por quê? Porque eu sei que esse meu filho aqui não treina a minha paciência. Eu não preciso
porque ele é muito bonzinho. Ele não me suga, ele não me esgota. Eu tenho medo de ter um outro filho que venha me dar mais trabalho. Veja, eu sei que o meu filho é uma exceção. Então, a partir do momento que se eu decidi ter um segundo filho, eu tenho que saber que ele não vai ser igual a ele. Então, eu não posso fazer uma comparação. Então, sim, gente, eu tenho medo de ser tipo a Cida, que fica comparando os dois. Mas vejam, eu tive a sorte de ter um filho bonzinho. Só que na gravidez, eu atribuo isso à sorte,
a gente nunca vai saber. Quando eu tava grávida, faltando ali uns cinco dias pro meu filho nascer, um amigo do meu marido perguntou pra gente o que a gente queria pro nosso filho, o que a gente esperava dele. E eu acho que eu falei sobre isso no episódio de fechamento, tá? Gente, em momento nenhum eu falei que eu esperava uma criança fácil ou bozinha. Em momento nenhum. Criança tem que ser criança. E pelo contrário, eu falei que eu quero, né, porque um bebê fácil não é a garantia de que ele vai ser uma criança fácil, tá? Mas eu falei e ainda eu falo.
Quero que o meu filho seja explorador, que ele seja curioso, que ele seja ativo. Isso tudo é saúde, gente. Eu desejo que ele seja argumentador, sim. Que ele seja questionador. Aqui, nós casamos tudo isso que eu tô falando com a história da Raíssa. Eu quero que ele seja argumentador e questionador. A minha irmã falou pra mim esses dias. Nossa, guria, o Henrique é tão argumentador. Henrique é o filhinho dela de três anos. Eu acho tão fofo, porque ele fala coisas indignado e gesticulando com as mãozinhas, assim. Mas eu acho que eu não devia achar fofo, né?
Claro que você tem que achar fofo. Teu filho está te mostrando que ele está tendo uma personalidade moldada. Ele está se tornando argumentador, querendo entender as coisas. É um ser humano funcional, sensato, racional. É como eu falei na história, gente. Para você saber dialogar de uma forma saudável, você precisa ouvir e questionar. Você só consegue entender o outro lado da história se você ouvir, se você questionar a pessoa, se você tentar entender qual é o melhor caminho
argumento. Você precisa questionar. Você só entende os seus sentimentos se você questionar. Nossa, por que que eu estou pensando isso? Por que que eu tô me sentindo assim? Então a gente precisa usar a nossa diferença pros animais. A gente precisa questionar. A gente é racional por uma razão. E a minha irmã me falou que o medo dela é que nessas argumentações ele acaba desrespeitando ela ou afrontando ela. Mas é o que eu falei. São coisas diferentes.
Existe uma linha tênue que separa uma criança argumentadora de uma criança responsável
condona. Você responder, você responder externalizando a tua raiva, querendo descontar a tua raiva. E você questionar é você entender qual razão, né? E eu tô falando isso pra vocês porque a Raíssa passou a vida toda ouvindo que essa personalidade dela era uma coisa negativa. E, gente, não é. Eu juro pra vocês que o jeito que ela me descreveu a irmã dela me parece ser uma pessoa reprimida e com todo respeito a Karen. Ela me parece ser uma pessoa morna, insoça, sem sal. Eu não consigo.
eu sou uma pessoa muito intensa pra lidar com uma pessoa morna, sabe? Então, o meu filho, ele é muito bonzinho. Eu espero que ele continue sendo tranquilo, sendo calmo. Mas eu quero que ele tenha a personalidade dele. Eu não quero que ele aceite tudo quieto, gente. Claro, como mãe, é fácil se eu falar pra ele, vai pro teu quarto dormir, né? Você lidar com uma criança que não questiona nada é fácil, que vai virar e que vai pro quarto dormir.
Mas a vida inteira isso é bom? Porque, veja, como mãe é um saco, você precisava,
Vamos ser bem sincera, né? É um saco você ter que ficar o tempo todo dando satisfação de tudo pra criança, gente. Você tem que saber a hora de falar, porque eu tô mandando, né? Você tem que saber a hora também de mostrar que você é autoridade ali. É muito mais cômodo você ter uma Karen do que você ter uma raíça. Inegável. Só que no decorrer da vida, isso realmente vai ser mais cômodo? Você quer que a criança vá dormir com o quarto dela arrumado? É muito mais fácil você lidar com a Karen, que iria quieta, do que com a raíça,
e tento entender o porquê que é melhor para todo mundo ela ir dormir com o quarto organizado. E isso é trabalhoso, não é só para explicar, mas também porque tem coisas que só fazem sentido para nós adultos, tipo organização da casa. A organização da casa não faz sentido para uma criança, né? E é por isso que é tão importante você dialogar, você tentar colocar um equilíbrio. Filho, a mamãe gosta de ter a casa arrumada. Você tem que ter os momentos de bagunça, mas a gente tem que ter os momentos de organização para que a casa seja funcional e tal.
momentos a gente tá tão cansada que a gente só quer falar. Ai, filha, porque sim. Porque eu tô mandando. Mas assim, como eu disse, você tem que fazer isso no momento que você precisa mostrar que tem que ter uma autoridade. Que tem que existir uma hierarquia. Ninguém aqui tá falando que você tem que tratar teu filho de igual pra igual. E eu já falei em episódios anteriores. O meu pai sempre me criou falando eu não sou teu amigo, eu sou teu pai.
Se você quiser ter momentos de amigo comigo, a gente pode ter, tá tudo certo. Mas no momento que eu precisar me portar como seu pai,
eu vou me portar como seu pai. Então, não venha querer achar que eu sou seu melhor amigo, que você pode contar tudo, fazer tudo o que você quer. Se tiver errado, você vai sofrer as consequências disso. E sempre sofri, gente. Sempre consegui confiar no meu pai justamente por isso, porque a gente sempre dialogou muito, muito. Mas o que não dá pra você fazer é isso o tempo todo, né? Eu tô mandando, porque sim, sabe? É equilibrar as coisas.
Então, eu não sei vocês, mas eu gosto da personalidade da Raíssa. Eu espero do fundo do meu coração
Nessa história, ela se enxergue e saiba que fizeram ela acreditar que ela era uma coisa ruim e negativa, mas não é, gente. A raiz é o sonho de muitas mães. A raiz é a criança que é o sonho de muitas mães. E sabe por que eu digo isso? Porque uma vez a minha mãe ligou para minha avó para pedir socorro, falando que eu e minha irmã, que nós duas a gente estava se pendurando nos armários, no lustre, que a gente parecia umas macacas penduradas nas coisas, que a gente estava metendo louco na casa. E a minha avó só falou assim para ela, não reclama.
a mesma sorte que você, tipo a fulana. Gente, a minha mãe se desmontou e ela nunca esqueceu disso, que hoje é o que ela usa quando minha irmã fala que meu sobrinho tá terrível. Quem é fulana? É uma pessoa próxima que tinha dois filhos cadeirantes com problemas neurológicos irreversíveis. Então, assim, claro, existe um limite, mas uma criança ativa, gente, não é problema. Quando eu vejo meu sobrinho com a perna toda roxa, sabe, de brincar, coisa de criança, joelho esfolado, ele tá sendo uma criança ativa. Isso é saudável.
Em momento nenhum a pauta aqui é uma criança sem educação, tá? Uma criança que acha que pode meter o louco, que não vai ter consequência, daí não. Mas esse não era o caso da Raíssa. Raíssa não era mal educada. Outro ponto aqui é que eu acho que nós, como mães, a gente tem que cuidar muito, tá? Eu sei que a gente sempre vai ser mais experiente que um filho e a gente sempre vai achar que a gente sabe o que é melhor pra eles, tá?
Só que talvez isso já não seja mais o nosso papel depois de uma certa idade. Essa mania que a Cida tinha e tem,
de querer tomar decisões, de achar que ela é a mais sábia de todas, de definir o que as filhas deveriam fazer e tornar a verdade dela absoluta, isso é muito problemático. Se a gente perder a mão, a gente nunca vai ter filho independente e funcional, gente. E sabe por que eu digo isso? Porque sobre a profissão, por exemplo, é claro que toda mãe quer ver o seu filho bem, bem sucedido, seja lá o que esse termo queira dizer, mas assim, é preocupação com o futuro dele. Agora, você não pode decidir isso pro seu filho.
a vida sendo responsável pelas decisões dele. Você tem que dar autonomia pra ele ser o que ele quer. Conscientize sobre as consequências da escolha dele. Sempre reforce as desvantagens do caminho que o seu filho quer trilhar. Mas deixa ele sonhar. Um sonho consciente. Mas deixa. Quantas vezes a gente muda de opinião, né gente? E eu aposto que 90% de vocês também queriam ser médicos ou veterinários quando criança. Quem aqui queria?
Pois é. Mas quando a gente fala numa taxa de conversão, quantos de fato viraram?
E aos poucos a vida ela vai encaminhar. Eu vou dar um exemplo pra vocês aqui sobre, eu digo, de sonhar, mas um sonho consciente. Eu tinha alunos que queriam muito ser jogador de futebol, coisa também 99% dos meninos, né? Com seus 13, 14 anos, eles tinham certeza que eles seriam o próximo Neymar. E nós adultos, a gente sabe que coisa de 2% dos jogadores consegue fazer a vida no futebol, gente. Pra entrar na seleção é outros 500, daí já cai pra 0,0003.
Só que eu não ia ser a pessoa que ia falar para os meus alunos que eles tinham que desistir, que não ia dar certo, né? Eu não ia falar, porque com a idade deles, para eles darem certo no futebol, eles já tinham que estar muito acima do que estavam. Uma criança que vai entrar ali para a seleção, você vai ver os Hendrick da vida, que agora, acho que é, né? O jogador que é grande agora, acho que é o Hendrick, né? Não sei, eu não manjo nada de futebol, eu me metendo a falar o nome de jogador.
Copa que tinha lá o Paquetá, o Vini Júnior, não sei o que. Você vai ver onde eles estavam 13, 14 anos, gente, eles já estavam num clube relativamente grande. Porque a vida do jogador de futebol, eles se aposentam ali com seus 30 e poucos, né? E aí você vai ver lá o aluno que tá treinando pela escola dois treinos na semana. E tipo assim, ó, sonha alto, mas você tem que sonhar consciente. Eu não ia falar pra eles que eles já tinham que estar muito além.
Então o que eu falava pra eles? Tá certo? Sonha grande. Sonha grande, pequeno, dá o mesmo trabalho.
faz o que tiver ao seu alcance, continua se dedicando no futebol, mas também estuda, presta atenção aqui na aula, porque se não der certo, você tem estudo, você tem recurso para ir atrás de outra coisa, ter estudo é privilégio, os meus alunos, a grande maioria, era de escola particular, porque a gente sabe que aula particular também é um privilégio, e eu falava para eles, você estar numa escola particular é um privilégio, você ter aula particular é um privilégio, então aproveita essa oportunidade que você tem, sonha grande no teu futebol,
Futebol faz tudo o que você tiver, tudo o que você puder, tudo o que tiver ao teu alcance para você crescer, você faz, mas estuda. Tenha notas boas. Gente, eu não sei como é que pode. Lá nos Estados Unidos, o pessoal que joga futebol americano lá na NFL, eles precisam ter notas boas para que seja permitido que eles continuem jogando, para eles fazerem parte dos times. Aqui no Brasil, não. Eu não sei como é que eles não exigem uma nota mínima, sabe? Mas vocês entendem a diferença? Não é desmotivar.
mas dando um caminho a mais. É você trabalhar ali nos bastidores pra que essa criança tenha uma segunda opção, né? E por fim, eu acho que... Até vocês sabem, né? Eu já falei pra vocês. Eu fiquei quatro anos fazendo cursinho, gente, pra tentar medicina. E os meus pais passaram a vida inteira falando assim pra mim. Não desista que você é capaz. Você vai conseguir. Só que se você se tornar médica, você vai ter que abrir mão do teu sono, da tua vida, da tua família pra ir atender emergências. Você tá assim.
disso? E eu queria ser obstetra ainda. Você vai ter que ir no meio da madrugada pra atender partos. Você tá ciente disso? O tempo todo. Eles falavam pra mim, os próximos seis anos, quando você começar a faculdade, vai ser de estudo, estudo, estudo. Depois você vai pra residência, você vai estudar muito. Só que você vai ter uma vida confortável, você vai ter uma vida boa, você vai ser reconhecida, você vai ser respeitada. É esse caminho que você quer?
E eu sim, é esse caminho que eu quero. Então tá, filha, continue estudando. Eu não passava no vestibular, minha mãe falava. Minha mãe e meu pai. Se você desistir,
você vai ter que procurar uma outra coisa para fazer. Mas esse tempo que você perdeu, não é perdido, porque é estudo. Só que é tempo que você deixou de entrar numa faculdade, então você vai acabar entrando em um outro curso mais tarde. Mas está tudo certo. Veja o caminho que você quer seguir. Você acha que em algum momento, lá atrás, faz, sei lá, faz 20 anos quase que eu terminei o ensino médio, vocês acham que eles iam falar para mim, isso filha, não estuda, não faz nada, porque daqui 20 anos você vai se tornar uma podcaster. Vocês acham? Não.
Eles nunca me forçaram a fazer nenhuma faculdade porque eles quiseram, mas eles sempre me deram as escolhas, e eu me lembro que quando eu comecei a faculdade de biomedicina, porque eu caí de paraquedas, foi a minha segunda opção ali, eu já estava cansada de fazer vestibular, estava perdendo cabelo, acho que já até contei isso aqui anteriormente, eu falei assim para o meu pai, ah pai, eu passei aqui em biomedicina, e gente, eu só coloquei biomedicina porque não tinha farmácia, eu queria fazer farmácia, eu sempre colocava farmácia em segunda opção, mas na faculdade que eu tinha passado não estava aberto,
curso de farmácia. E aí eu falei assim pro meu pai, eu falei, ah pai, eu vou fazer, eu tô muito cansada de fazer cursinho e tal, e se não der, eu tranco e faço outra coisa. Meu pai falou assim, então só por causa disso que você acabou de falar, eu não vou pagar tua faculdade. Esse negócio de eu vou começar a faculdade, se não der eu paro, se não der eu mudo, isso, isso não existe, senão você vai ficar começando faculdade e trancando.
Você já tem, acho que eu já tava com 19, 20 anos, você já tem 19, 20 anos, você já consegue pensar bem no que você quer fazer pra tua vida. E gente, eu tive que financiar e eu tô até 2013,
32 pagando a minha faculdade, porque é isso que eu falo, meu pai me deu recurso pra eu passar fazendo o que eu quisesse, era escola particular, muitos privilégios, né, precisei trabalhar durante o cursinho e tal, mas eu tinha, assim, uma vida mais folgada do que muita gente, sabe, era uma vida corrida, mas eu tinha muitos privilégios, né, não posso falar que, meu Deus, foi uma vida sofrida, não foi. Eu trabalhava, eu estudava de noite, às vezes de madrugada, mas era uma vida privilegiada,
Não vou dizer o contrário. Então, meu pai é tipo assim, meu pai e minha mãe. Não, pode fazer, mas saiba disso. Então, é o que eu falo. Eles me deixavam sonhar, mas um sonho consciente. Mas, enfim, acho que eu fui tecendo bastante comentário aqui no meio da história. E uma coisa que eu sempre digo quando envolve relação de pais e filhos, gente, é que você precisa tomar cuidado com o que você fala dos seus filhos para as pessoas.
Não importa se é tua amiga, se é tua mãe, se é tua irmã. As pessoas vão olhar para o seu filho e respeitar o seu filho conforme as tuas falas sobre ele.
Esse negócio da mãe da Raíssa ficar expondo ela para as amigas não é nem um pouco legal. Isso fez ela se sentir exposta, ridicularizada, desrespeitada. Isso quebrou o vínculo de confiança. E se você não falar do teu filho com amor e respeito, ninguém vai fazer isso por você. Porque a gente pensa o quê? Se a mãe não ama, quem sou eu para amar? Não dê abertura para as pessoas falarem mal do teu filho. Se você respeitar o teu filho na frente dos outros, ninguém nunca vai se sentir no direito de fazer diferente de você, gente.
filha menina. Não fique brigando com a sua filha menina na frente dos outros, não. Isso faz ela se acostumar com isso e achar que está tudo bem se no futuro um cara, por exemplo, um escroto, um namorado, fizer isso com ela na frente dos outros. Nós, como pais, a gente precisa trazer referência para os nossos filhos, né? E eu falo que principalmente meninas, porque a gente precisa falar sobre relacionamentos abusivos e eu faço bastante isso aqui.
Então, as meninas, elas têm uma maior tendência de estar em relacionamentos abusivos.
e aceitar essas coisas. É o tal do normalizar o caos, né? Aí é isso, gente. Acho que quando se trata de história envolvendo o filho, os meus conselhos são quase sempre os mesmos. Todas as histórias que a gente tem de mãe e filho aqui, né? Eu sempre falo pra vocês que eu acho que são relações de mão dupla. Eu sei o esforço que eu faço pelo meu filho e seria maravilhoso se ele tivesse noção disso em algum momento da vida dele pra ele me valorizar mais. Mas na prática não é assim que acontece, né?
eu faço por ele, ele deveria me respeitar e nunca na vida dele mentir pra mim ou me ocultar dos stories dele, né? Mas nunca faria sentido pra ele eu falar que ele tem que me respeitar só porque eu sou mãe, se eu não respeitar ele. E por fim, gente, se eu não for carinhosa e eu não ensinar ele a ser um menino carinhoso, eu não posso esperar que ele seja um adulto que vai me dar carinho depois, né? E se eu fizer isso e ele não conseguir me dar o afeto que eu queria, que eu espero,
é ruim por causa disso. Eu só posso achar que fui eu que ensinei ele a ser assim. Nem tudo que um filho se torna é responsabilidade dos pais, mas boa parte é a essência do que a gente recebe, do que a gente é ensinado. Só repetindo o que eu falei, mas eu só quero ter certeza que vocês vão me entender, né? Se eu não for carinhosa com o meu filho e eu não ensinar ele a ser um menino que demonstra amor, carinho físico, eu não posso esperar ele ficar adulto
para ir reclamar para minha irmã e para minha mãe que ele não demonstra. Mas se eu fizer isso, se eu reclamar para minha mãe e para minha irmã e ainda assim ele não conseguir me dar o afeto que eu queria, eu não posso achar que o meu filho é ruim por isso. Ninguém tem que pressionar ele a fazer isso. Eu só posso achar que foi eu que ensinei ele a ser assim. Que é minha responsabilidade lidar com o que o meu filho se tornou. Então acho que agora vocês conseguiram me entender de uma forma bem clara, né? Então essa foi a ladainha dessa história.
e eu espero que vocês tenham gostado. Se você quiser comentar sobre esse episódio, comente com muita parcimônia no nosso grupo do Telegram. Eu estou esperando vocês por lá. Mande sua história até ok.podcast.com Me siga no Instagram até ok.podcast e até o próximo episódio. Tchau, tchau!