#212. Luzes
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- Ambiente de TrabalhoRetrabalho constante de projetos · Falta de aprovação do dono · Pressão por prazos apertados · Humilhação pública · Comportamento abusivo do dono Silvio
- Horas extras e exploração laboralPressão para ficar além do horário · Banco de horas · Impossibilidade de sair cedo · Ameaça de substituição · Necessidade de busca por responsável
- Decisão de sairConversa com amiga · Reconhecimento de padrão negativo · Preservação da saúde mental · Ato de amor próprio · Saída como vitória
- Violência contra a mulherChegada embriagado no evento · Humilhação de funcionários · Críticas destrutivas · Culpabilização de subordinados · Falta de responsabilidade
- Qualidade de VidaTrabalho nos fins de semana · Mensagens de trabalho fora do horário · Invasão da privacidade · Perda de tempo com família · Esgotamento e desgaste mental
- Desenvolvimento PessoalMetáfora do sapo na água quente · Normalização lenta de abuso · Toxicidade contaminando ambiente · Liderança inadequada · Ciclo de perpetuação do abuso
- Tratamento DepressaoInternação psiquiátrica · Uso de medicação · Crise de pânico · Estabilidade emocional · Recaída durante mudanças
- Crise InstitucionalDependência emocional de Roberto · Falta de férias por anos · Relação paternal abusiva · Normalização do caos · Perpetuação do sistema abusivo
- Importância de saber sairReconhecimento do momento certo · Privilégio de sair quando quer · Importância da educação · Recalcular rota de vida · Inteligência em parar
- Demissao e ConsequenciasInvalidação do trabalho · Facilidade questionada · Comparação com máquinas · Falta de apoio e isolamento · Gatilho para saída
- Catálogo de iluminaçãoProjeto de 3 anos em aberto · Revisões contínuas sem conclusão · Motivo de demissão de designers · Esgotamento criativo · Foco exclusivo por 2 meses
- Pilares da Saúde EmocionalDificuldade em pedir ajuda · Tentativa de resolver tudo sozinha · Terapia para aprender a ser cuidado · Reconhecimento do padrão abusivo
- Busca de oportunidades econômicasNecessidade de renda adicional · Flexibilidade de horários · Trabalho autônomo em design · Entrevista e teste seletivo · Proximidade da empresa com casa
- Desorganização InstitucionalProjetos deixados para última hora · Priorização baseada em relacionamentos pessoais · Múltiplos projetos simultâneos · Falta de planejamento · Conflito entre urgências artificiais
- Abuso de poder durante recessoInterrupção de férias · Oportunidade de trabalho distante · Fotos nunca utilizadas · Falta de apoio e isolamento · Despesas pessoais
Sejam muito bem-vindos ao Ateio OK. E a história de hoje é da Melissa. Mas se essa história é minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber. Nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Então, vem comigo. Melissa estava prestes a ficar noiva. E quem casa, quer casa. Ela e o futuro marido estavam começando a economizar para planejar o casamento e comprar a casa própria. Sendo assim, muito embora a Melissa já trabalhasse,
Ela precisava de algo a mais para compor a renda dela. Ela é formada em design com pós-graduação, porém ela é autônoma. Ela dava aulas por conta própria e fazia alguns freelancers. Então ela tinha ali alguns dias da semana cheios, outros vagos e agora ela precisava achar mais uma renda. Só que ela queria uma coisa um pouco mais sólida. Então ela queria uma empresa que aceitasse as condições de trabalho dela. Só que ela sabia que isso não seria fácil.
e passava muitas horas fazendo isso. E assim, gente, nesse momento, ela tinha acabado de se recuperar, ela estava ainda em processo de recuperação, de um processo de uma depressão profunda. Ela ficou um bom tempo na cama, sem levantar, sem comer, sem conseguir viver. E agora que ela estava se recuperando, ela estava fazendo coisas que priorizassem a saúde mental dela. E dar aula era uma dessas coisas. Ela gostava, para ela era prazeroso.
de cogitação. Ela sabia quão difícil seria encontrar uma empresa que aceitasse ali não ter um funcionário em horário integral. Mas ela seguiu ali firme e forte. Um tempo depois, ela recebeu uma mensagem ali nas redes sociais profissionais dela de uma moça do RH de uma empresa perguntando se ela tinha interesse numa vaga de ilustradora numa empresa de luzes, de decorações de grandes eventos. E ela, gente, a Melissa, ela era ilustradora por hobby, mas ela
era. Ela já tinha trabalhado na área. E tem gente que tem o dom pra tudo relacionado à arte, né? E a Melissa, ela é uma dessas pessoas. E, gente, assim, a empresa era muito perto da casa dela. Mas muito. Coisa de 10 minutos indo a pé em passos lentos olhando a paisagem. E ela ficou muito empolgada com essa ideia. Ser uma empresa que aceitasse o horário dela, tão pertinho assim de casa. Então, ela aceitou fazer um teste lá. Nesse teste, ela explicou todas as condições dela.
Eles foram super compreensivos, disseram que não tinha problema. Eles pediram para ela desenhar ali como ela faria as luzes de um evento gastronômico que teria shows musicais. Então ela precisava desenhar todo o espaço, a iluminação e tal, e assim ela fez. Gente, ela ficou apaixonada pelo trabalho dela. Ela já era capaz de ver como ficaria presencialmente esse evento. Ela tinha amado, se encantado.
amado, que estava apaixonada, que eles não tiveram receio com as condições dela de não poder ir alguns dias da semana. Ela estava muito empolgada. Nesse momento, ela morava com os pais. Eles apoiaram muito ela. Se ela estava feliz, eles também estavam. E logo em seguida, ela já soube que ela passou nesse teste e já recebeu ali uma mensagem para começar os trâmites para a contratação. Gente, ela ficou muito feliz. Ela estava radiante. Avisou o namorado dela que logo eles teriam a casa deles.
As pessoas eram muito legais, gente. Todo mundo muito cordial, todo mundo muito gentil. E ela fez amizade e ela ficou amiga deles muito rápido. E vocês lembram que eu comentei que ela tinha acabado de se recuperar de um processo depressivo pesadíssimo, né? Então, ela tinha feito uso de medicação por um longo período e tal e agora ela estava bem. Só que, gente, bem não, né? Porque depressão não é uma coisa que você resolve como se fosse uma dor de cabeça.
Mas ela estava tentando se reerguer, se recuperar e ela estava se sentindo estável.
com grandes mudanças, era muito difícil. Então, logo na primeira semana de trabalho, ela teve uma recaída muito grande e logo depois do almoço, num dia ali, ela precisou ir para o hospital psiquiátrico porque ela estava tendo uma crise de pânico, ela estava toda travada, não conseguia nem respirar direito. Nesse hospital, eles deram um calmante para ela, ela ficou dopada o dia todo e ela não conseguiu voltar para a empresa nesse dia.
No dia seguinte, a chefe dela, chamada Roberta, chamou ela para conversar e entendeu o que aconteceu,
porque ela só soube que a Melissa tinha ido para o hospital. A Melissa então explicou o que aconteceu e pediu desculpas já preparada para receber uma dispensa, né? Só que, gente, a Roberta foi muito, muito compreensiva. Ela perguntou se a Melissa realmente estava bem para continuar trabalhando, se ela precisava de mais um tempo. Melissa falou que não, disse que já tomava a medicação dela há alguns anos e tal, que ela já chegou a ponto de não sair da cama, mas que agora ela estava lutando contra isso. E a Roberta foi muito acolhedora, gente.
falou que a Melissa poderia contar com ela, que ela estava do lado da Melissa, que ela poderia pedir ajuda para os colegas se ela não estivesse bem, porque eles realmente eram muito legais e talvez animassem ela. E gente, isso foi a salvação da Melissa ali. Era realmente o apoio e acolhimento que ela precisava. E nesse momento ela teve a certeza que ela estava num lugar bom, um lugar acolhedor e muito gentil com os funcionários.
E até aí, ok, estava tudo indo muito bem. Mas um mês depois que a Melissa tinha começado,
mudanças começaram a surgir. Algumas proibições, por exemplo, proibiram de usar fone de ouvido e proibiram conversas entre os colegas, porque o Silvio, que era o dono e fundador da empresa, falou que ninguém ouvia quando a Roberta, a chefe, falava com eles, que tinham muitos trabalhos atrasados e que isso era culpa dessas conversas paralelas e das distrações com o fone. Mas, gente, isso não foi legal para o pessoal. A Melissa me falou que ela gosta de trabalhar ouvindo podcast,
ajuda na concentração dela. E essa nova orientação mexeu um pouco com ela, não só com ela, com todo mundo ali, porque esse pessoal mais criativo, eles gostam de ter um fone de ouvido, uma música, eles são mais despojados, né? Mas, tudo bem, o ponto central aqui é que, de início, eles acataram e beleza. Só que depois, a Melissa começou a notar algumas coisas. Realmente, tinham muitos trabalhos atrasados, mas, gente, muitos mesmo.
trabalhos atrasados e ela se declinava neles, era como se o tempo todo ela estivesse voltando para a estaca zero. Só que por que isso? Porque, gente, o trabalho era aprovado num dia e no outro dia eles já tinham que refazer tudo do zero. O que que acontecia? O Silvio, o dono, ele mandava o briefing para a Roberta, que era a chefe ali, e cada um fazia conforme os ajustes da Roberta. Quando ela devolvia para ele, não era aprovado.
Mandar para a Roberta, depois mandar para o Silvio. Tinha vezes que o Silvio aprovava, só que antes de entregar para o cliente quase na véspera, ele voltava atrás. E aí quando ele mandava fazer, era tudo muito urgente, estava tudo muito em cima da hora. E, gente, eram eventos grandes, grandes, grandes espalhados pelo Brasil todo. E assim, ali eles eram em três designers. Só que depois isso reduziu para dois, porque ninguém suporta ficar refazendo o mesmo trabalho, né? Por fim, parecia que só tinha praticamente a Melissa.
foram substituídos por outros dois, que demoravam, um demorava para entregar, e o outro faltava muito. Esse que faltava muito, filho do Silvio. Então, no fim das contas, era para Melissa, que sobrava tudo. E o que acontecia, gente? Melissa começou a ter que fazer hora extra para dar conta de tudo. Tinha dias que dava 5h59, faltava um minuto para ela bater o ponto, ela começava a arrumar as coisas para sair, e a Roberta vinha e falava. Então, você não tem como sair daqui até terminar essa decoração, Melissa.
que senão o Silvio vai ter que vir aqui falar com você. E lá ia a Melissa ficar. E como eu falei para vocês, essa empresa é responsável pelos maiores eventos dentro do país. Eles pegam vários estados, sabe? Deveria ser uma empresa séria por conta disso, né? Mas lá ia a Melissa ter que fazer hora extra. Eles deixavam, gente, no banco de horas para ela. Era tudo muito bem contabilizado. Só que tinham dias que ela precisava ou que ela queria sair mais cedo. Só que ela não podia. Porque se ela se negasse a fazer hora extra...
Assim, ela podia negar? Podia. Mas a que custo? Ela só ouvia a frase. Se você não fizer, vai ter alguém que faça. Então, você que sabe. E, gente, qual que era o problema dela fazer hora extra? Que mesmo ela morando perto, a região ali era pouco movimentada e ela tinha medo de voltar sozinha pra casa. Porque o caminho era muito escuro. Uma vez só ela voltou, mas ela sentiu tanto medo que ela nunca mais quis tentar. Então, quando ela fazia hora extra, alguém tinha que buscar ela. E aí vocês pensam.
mais sete, oito da noite, ainda tem movimento da rua, né? Só que, gente, não é nesse horário que saía. Quando fazia hora extra, ela saía coisa tipo dez horas da noite. E quem tinha que buscar ela era o pai dela, mesmo cansado, e ele tinha que buscar ela porque ela tinha que fazer hora extra, porque o Silvio reprovava todos os trabalhos, gente. Só que vejam, mais uma vez, porque a necessidade de hora extra, porque mesmo sendo um trabalho que a Melissa já tinha mandado há meses, era sempre perto
do evento, coisa de dois, três dias antes, que o Silvio pedia pra refazer. E aí o negócio tava parado, a princípio tava certo e aprovado, se tornava uma urgência. E aí, gente, teve um dia que o Silvio quis ir lá pra dar uma prensa na galera. Sabe aquele chefe que pensa, Roberta não tá dando conta, vou ter que ir? Sabe aquele cara que acha que todo mundo respeita ele, mas na verdade ninguém respeita, ninguém suporta, mas só aturam porque precisam do trabalho? Então, nesse dia que o Silvio foi lá,
Eu só não sei porque vocês não entendem. É só fazer. Se eu pedir para o computador, ele praticamente faz sozinho. Gente, não dá vontade de largar tudo e mandar ele então pedir para o computador fazer, se é simples assim? Pois é, a Melissa já sentiu essa vontade também diversas vezes. Em uma reunião, ela meio que perdeu as estribeiras e respondeu. Bom, se a gente não ficasse refazendo tantos projetos, a gente já teria pelo menos um fechado, né? Só que o Silvio fez o quê? Jogou a culpa na Roberta e nos designers.
Basicamente, ele chamava eles de incompetentes, né? Quando, na verdade, todo mundo sabia que o Silvio é um insatisfeito, insuportável, porque não é ele que tem que ficar refazendo tudo. Só que, gente, as falas desse homem faziam a Melissa se sentir desprezada, inútil. Era como se ela estivesse lá completamente, sem propósito nenhum. Era como se ela fosse realmente uma pessoa qualquer ali. A Roberta tentava animar ela quando o Silvio tinha esses chiliques, mas não adianta, né?
complicar, não adianta. Às vezes, eles precisavam ir em alguns ambientes, em alguns eventos, para simular algumas luzes, para eles poderem fotografar e compor um portfólio deles. Então, para isso, precisava ser de noite, para conseguir ver as luzes. Então, nesse dia, a Melissa pegou a câmera pessoal dela, saiu um pouquinho mais cedo do trabalho para pegar o carro do irmão dela, para que ninguém precisasse buscar ela, porque ela sabia que, como ela estava indo em um evento, era do trabalho,
ela ia voltar à tarde. Gente, estava um clima tão agradável, todo mundo ali feliz, toda a equipe de montagem, de produção, todo mundo rindo junto. Era como se o evento tivesse fechado só para eles, né? Eles fizeram um lanchinho, estava tudo muito agradável, todo mundo vendo o trabalho deles ali montado, tudo iluminado, coisa mais linda. Eles felizes da vida ali, admirando, tudo muito gostoso, até que chega quem? Silvio. Silvio chegou completamente bêbado.
Exalando dos poros dele, aquele cheiro que ele chegava, o cheiro vinha junto com ele. Roupa suja, um copo de cerveja na mão e gritando com todo mundo, gente. Xingando todo mundo, falando que todo mundo ali era incompetente, que estava tudo sempre atrasado por causa deles. Mas nesse dia, por alguma razão, o foco maior dele era a Roberta. Esse homem acabou com a Roberta. Ele humilhou ela na frente de todo mundo.
que as fotos estavam horríveis, que aquele evento estava horrível, que aquelas luzes estavam horríveis, que ela não devia gastar o tempo dela com isso, porque ele estava pagando hora extra para um serviço que estava ficando ruim, que ele estava só jogando o dinheiro dele no lixo. Ele virou para a Melissa e falou para ela que era para ela ir embora, porque o trabalho dela estava péssimo e que ele ia fazer aquelas fotos sozinho.
E assim, nesse estado que ele estava, com certeza ele ia, né? Gente, a Melissa ficou morrendo de vergonha, ao mesmo tempo com pena da Roberta,
Porque a Roberta tinha uma relação com o Silvio que era quase que paterna. Ela já estava ali na empresa há mais de 15 anos. E mesmo com todas as pessoas em volta dela dizendo para ela largar esse emprego, gente, ela não largava. Os abusos na cabeça dessa mulher eram tantos que no outro dia ela se desculpou com a equipe. Mas, gente, nunca mais depois disso as coisas foram iguais. Tudo mudou. A partir desse dia tudo mudou.
trabalhando, fazendo hora extra, não tava tendo tempo de encher a cara dele e fazer esse papelão que ele fez com o funcionário, né? Homemzinho cretino. Mas, gente, aqui a gente nem precisa de muito contexto pra imaginar também tudo que a Roberta já ouviu e já aturou desse cara, né? Era uma relação tóxica, uma relação com muito abuso. E ela vivia, ela respirava aquele emprego, gente. Se a Melissa fazia hora extra, a Roberta fazia dias extras. Ela já tinha comentado que fazia ano
que ela não tirava férias. Ela era a primeira a chegar na empresa e a última a sair, gente. Era uma coisa que, assim, a Melissa sentia dó. Só que depois de um tempo, a Melissa não sentia mais dó. Passou. Ela sabe que nesse tipo de relação, ela sabe que é difícil sair. Mas ela sabia que se ela ficasse com pena da Roberta, ela seria a próxima a ser engolida pelo Silvio. E, gente, o Silvio, ele queria seguir os modelos e decorações das luzes de Londres e Paris. Ele tinha várias inspirações
desses modelos de luzes expostos e ele estava criando um catálogo de disposição de luzes para eventos, desde menores até maiores portes. Só que tinha um problema. A Melissa entrou substituindo um designer. E esse designer, gente, antes de sair, quando ele foi apresentar o catálogo para ela, ele foi passar as funções para ela, ele falou que ele já trabalhava nesse catálogo, gente, há três anos. Três anos. Mas nada nunca estava bom possível.
Silvio, gente, nada. E aí agora nós chegamos no momento em que o Silvio voltou a infernizar com esse catálogo. Às vezes eles passavam por uma leva de eventos, uma sequência de eventos, e ele esquecia um pouco disso. Mas depois que abaixava a poeira, ele voltava. Gente, eles faziam reuniões semanais para falar sobre esse catálogo. E todas as vezes o Silvio dizia que eles tinham que recomeçar. A Melissa tentava, ela fritava o cérebro dela, tentava aplicar todos os
conhecimentos dela, tentava relevar pra tentar salvar um pouco da pele da Roberta, mas nada adiantava. A Melissa passou dois meses resolvendo apenas e exclusivamente o lance desse catálogo. Esse catálogo, gente, foi motivo de demissão de vários designers que passaram por ali, porque quem que quer ficar refazendo a mesma coisa? Chega uma hora que você desanima, né, que o teu cérebro ele derrete e você não suporta mais ver aquela coisa na tua frente, você entra em esgotamento criativo, você não consegue pensar em mais nada. E aí é melhor procurar outra coisa mesmo, né?
Só que ao mesmo tempo que eles ficavam refazendo o catálogo, gente, o que acontecia? Tinham outros eventos acontecendo, então tinham outros projetos que precisavam ser feitos. Então eles focavam no catálogo, só que ao mesmo tempo tinham vários trabalhos para fazer, que a essa altura, chocando ninguém, ficavam atrasados. Por quê? Porque nada estava bom, porque o Silvio não se contentava com o catálogo, porque o Silvio deixava os eventos sempre para a última hora. E o Silvio sentar, bundou na seca dele ali, fazer melhor, não queria, né?
Então, gente, é que não tinha tempo. Faltavam horas no dia para dar conta de tudo. E a Melissa começou a perceber que ela estava perdendo o tempo de qualidade dela. Ela passava o final de semana trabalhando de casa, tarde e noite, criando e recriando. Ao invés de descansar, aproveitar com o marido dela, ela ficava desenhando coisa que ia para o lixo. Se ela não estava na empresa, eles mandavam lá no drive dela. Tudo era urgente. Por quê? Porque o Silvio era um desorganizado.
ele tinha coisas erradas, ele não sabia organizar prioridade. Tipo assim, se a cidade A ia fazer um evento dali dois meses e a cidade B ia fazer um evento dali seis meses, se ele fosse amigo do prefeito da cidade B, ele pedia para deixar de lado o projeto da cidade A e focar no projeto da cidade B. Mesmo que o projeto da cidade A fosse dali dois meses, ele queria que focasse no projeto do amigo dele. Aí todo mundo fazia o projeto do evento da cidade B.
evento da cidade A, daí isso se tornava urgente. Por quê? Porque estava atrasado. Por quê? Porque o Silvio mandou priorizar a cidade do amigo dele. Aí o que que acontecia? Nenhum estava bom. O projeto da cidade B para o amigo dele não estava bom e o projeto da cidade A também nunca estava bom. Começava a se aproximar do evento, nenhum projeto estava bom, todo mundo tinha que jogar tudo que tinha feito no lixo e ele começava a dizer que estava todo mundo atrasado, que era todo mundo incompetente. O cara, gente, um sem noção, explorador sem vergonha, né?
Chegou um momento, gente, que o marido da Melissa, que até então era namorado, ele ia na casa dela pra ficar com ela, mas ela só conseguia dar um beijo nele e ficava ali trabalhando. Eles nem conversavam. E nessa altura ela já se sentia exausta, sem voz, abatida, perdendo o pouco de qualidade de vida que ela tinha recuperado desde todo o processo que ela passou. Ela sentou, conversou com a mãe dela e a mãe dela falou, não podemos criar raízes em um solo que não crescemos. E, gente,
na entrevista que ela fez na empresa, eles prometeram crescimento para ela. Por ser uma empresa que trabalha com eventos gigantes, imensos, é uma empresa de referência, maior empresa de luzes de evento ali que tinha na época ali na região, ela acreditou nisso. Só que aos poucos ela viu que aquela empresa de luzes, na verdade, não tinha nada de iluminado. A higiene do lugar onde ficavam as exposições eram deploráveis. O Silvio, gente, era um oportunista. Ele cobrava 200% acima do valor de produção.
Agora pergunta se ele repassava esse valor para quem fazia. Não. Ninguém ali era reconhecido. Aos poucos, a ficha da Melissa foi caindo de que ela fazia trabalhos lindos, imensos, e o Silvio lucrava sozinho. Ela estava perdendo a qualidade de vida dela, enquanto o Silvio estava enchendo a cara dele durante a semana. Ela não recebia comissão por aprovação de projeto. Ela estava só enxugando gelo. Só que ainda tinha uma pessoa que mantinha ela ali, a Roberta.
Ela chegou, sentou a conversar com a Roberta para tentar entender o que estava acontecendo. Ela falou que eles eram uma equipe, só que ela queria entender o que estava fazendo de tão errado, o que estava acontecendo, porque ninguém conseguia sair do lugar. E foi nesse momento que a Roberta usou a frase que fez a Melissa pedir demissão. Ela falou o seguinte, você não faz nada de errado, você só precisa entender que é fácil fazer o nosso trabalho.
E gente, eu questionei a Melissa sobre essa frase, porque eu penso que se fosse fácil,
E ela falou pra mim que o trabalho deles era relativamente rápido de terminar. E a vaga, gente, nunca ficava vazia. E aí, de acordo com a história, eu percebo que eu acho que na cabeça deles, ficar ali fazendo e refazendo o trabalho não parece ser uma coisa difícil, porque são os outros que fazem, né? Só que nesse momento, a Melissa entendeu que a Roberta já tinha criado raízes ali, mesmo não tendo mais espaço pra crescimento.
Que a Melissa não seria a pessoa que conseguiria fazer a Roberta crescer e sair do lugar.
E essa frase dela, gente, veio porque em diversos momentos de lazer dela, ela era interrompida com mensagens da Roberta, chamando ela para trabalhar, mesmo que fosse nove horas da noite. Se ela falava que ela estava no cinema, por exemplo, eles diziam que eles iam achar outra pessoa para colocar no lugar dela. E além desse abuso, tinham vários outros.
almoçar em casa porque a marmita que eles davam era muito ruim. Era de má qualidade, os funcionários passavam mal depois que comiam. Então, como ela morava perto, ela ia almoçar em casa. Teve uma vez que a Roberta perguntou se dava pra esquentar a marmita dela no micro-ondas da casa da Melissa. E a Melissa falou que sim. Só que vocês sabem, né? Um favor feito duas, três vezes vira obrigação. A Roberta começou, gente, a ir na casa da Melissa, mesmo que a Melissa não estivesse junto. Ela ia sozinha, incomodava os pais dela no horário de descanso,
Só que a Roberta... Só que a Melissa, ela ia ficar num hotel bem distante dali. Gente, vocês acreditam que...
a empresa Roberta e o Silvio pediram pra ela interromper o recesso dela, pegar a estrada pra ir até o evento fotografar, independente da distância, porque ninguém tava disposto a ir, e lá foi a Melissa, no recesso dela, largar a família dela, o noivo dela, pra ir até o evento, pegar a estrada, né, fez as fotos, e essas fotos nunca foram usadas, ela nunca ouviu um obrigado. Então foi um lugar que pra Melissa foi muito desgastante, um lugar com muitos abusos, e posteriormente
na terapia, ela entendeu que aquelas crises que ela tinha no começo, gente, aquelas dificuldades e desconfortos de lidar com mudança, ela descobriu que era medo de pedir ajuda. Ela fez várias terapias pra aprender a ser cuidada, porque ela nunca tinha se aberto pra isso, né, ela não sabia pedir ajuda, e hoje ela ainda tem muita dificuldade. Quando ela se sente muito mal e ela se isola, ela tenta resolver tudo sozinha, sabe? Mas independente de qualquer coisa, ela conseguiu sair dessa empresa,
depois dessa conversa com a mãe dela e depois de ouvir a Roberta atentamente, gente. E essa foi a história da Melissa. E eu quis trazer aqui essa história porque quando a gente fala em ambiente de trabalho, sobre meio corporativo, às vezes a gente vive naquela historinha do sapo, sabe? Que se você jogar o sapo vivo na água quente, ele pula na hora, sai todo queimado, mas ele sai vivo. Mas se você colocar ele na água fria e você for esquentando a água lentamente, ele não percebe que essa mudança de temperatura
ele lentamente e chega o momento que ele morre. Essa metáfora do sapo, ela mostra pra gente que quando a gente vai se acostumando lentamente com situações negativas, a gente pode só perceber que a gente tá inserida nisso quando for tarde demais. A Melissa percebeu quase que no limite, né, o que é muito bom, porque ela já tinha um histórico com depressão e ansiedade. Ela poderia facilmente adoecer de novo. Então foi muito bom ela ter percebido isso antes do limite dela.
Porque, gente, eu achei a Melissa de uma ótima percepção. Porque esses ambientes abusivos, eles são muito perigosos para quem está mais vulnerável. Só que ao mesmo tempo também eu penso que ela estar mais vulnerável é culpa da empresa também. Como não ficar? A Melissa já tinha um histórico. E somado a isso, nada que ela fazia estava bom. Ela não tinha nenhum incentivo, gente. Tudo que ela fazia ia para o lixo. O cérebro vai entrando em esgotamento criativo.
que a conclusão que eu tiro aqui é que nem todo o ambiente de trabalho saudável, gente, continua saudável, né? Vocês veem, a Melissa, ela achou que era o trabalho perfeito por ser perto da casa dela, ser flexível com horários, colegas gentis e uma chefe muito acolhedora. Só que, no fim das contas, tinha um abuso imenso escondido ali dentro dessa empresa, né? Uma desorganização gigante. E eu penso que essa toxicidade do Silvio, ela contaminou o ambiente todo,
Só que eu acho que nem sempre de forma direta, né? Muitas vezes de forma indireta também. Porque, vejam, o que acontece quando a gente tem um líder que não sabe ser líder? Quem que continuava contaminando o ambiente ali? A Roberta. Eu só quero deixar muito claro que a Roberta, no meu ponto de vista, eu acho que a Roberta também é uma vítima, tá? Só que ao mesmo tempo que ela é uma vítima, ela continua perpetuando esse sistema, gente. Ela tem uma dependência clara no trabalho,
Porque tanto tempo de empresa, sem férias, uma relação paternal com o Silvio, aguentando tudo que ele fala pra ela e quieta. Só que ao mesmo tempo que ela faz isso, ela pressiona a galera por área extra. Ela invadiu ali a casa da Melissa e achou ruim quando a Melissa impôs esse limite. Ela normaliza todo o caos que o Silvio instaura ali. Ela reproduz o que foi feito com ela. Esse abuso que é feito com ela, ela quer reproduzir pro pessoal.
Ela ameaçar colocar outra pessoa no lugar quando não faz hora extra, sabe? E a frase que fez a Melissa sair, porque, gente, a Melissa saiu pra preservar a saúde mental dela. Foi um ato de amor próprio aqui, né? Dinheiro nenhum no mundo segurava ela ali. Só que essa frase, que é fácil fazer o trabalho dela, gente, você ouvir isso da sua chefe, mostra pra gente que se o nosso trabalho é considerado fácil, qualquer um pode fazer.
um falar que o trabalho é considerado fácil. Vocês sabem aquele ditado, né? Se o meu trabalho parece fácil, é porque eu sou muito bom no que eu faço. Agora, você ouvir do teu chefe que sabe o que você faz, que tem as mesmas dificuldades que você, e ele fala que qualquer um pode fazer, porra, você se sente o cocô do cavalo do bandido, né? Dá a sensação que ninguém precisa ser valorizado, ninguém precisa ser respeitado, porque se pra você não tá bom, você pode sair.
E você ouvir isso da tua chefe, não tem como você continuar no emprego desse e não tem como continuar motivada,
E, gente, a Melissa, no fim das contas, entrou num lugar que parecia uma oportunidade, mas, na verdade, era um lugar com uma estrutura disfuncional. E eu vejo que a saída dela, o modo como ela saiu, por mais que ela precisasse do dinheiro, claro, ela precisava para ter um excedente, mas ela já tinha uma renda. Mas, assim, ela não saiu porque fracassou nem nada do gênero, muito embora a Roberta tenha deixado essa sensação de que qualquer um consegue fazer esse trabalho. Mas eu não acho que ela saiu por um fracasso. Obviamente que não.
um limite mesmo, né? E nem sempre a gente consegue mudar um ambiente que seja assim, que seja tóxico, né? Só que eu acho que tá dentro das nossas escolhas, escolher não criar raiz num ambiente desse, gente. Tipo assim, é triste, né, a gente reconhecer que nem todo esforço que a gente faz leva ao reconhecimento, né? Muitas vezes leva só ao esgotamento mesmo. Porque quando você faz alguma coisa que você só recebe crítica, isso vale pra mim também aqui no podcast, vale pra todo mundo.
Eu fico muito chateada com pessoas que não fazem um elogio pra mim, mas ficam esperando eu dar um deslize. Eu tenho aqui mais de 200 histórias no podcast. Eu falo uma coisinha que a pessoa não concorda, é motivo pra descer além em mim e falar que não vai me ouvir mais. Cara, então vai com Deus. Se você tá me ouvindo esse tempo todo e você não se esforça pra entender o que eu quero dizer, vai com Deus. Em algum momento vai pegar no meu pé. Só que essas pessoas, elas reproduzem a questão de que elogiar não precisa.
daí pode. Isso acontece comigo também, mesmo sendo autônoma. Nós que somos autônomos, o resultado do nosso trabalho é a nossa motivação. E aí, quando a gente só recebe crítica, a gente começa a pensar, poxa, peraí, sabe? Só que assim, no nosso caso, quando a gente é autônomo, a gente recebe críticas, não é do nosso chefe, são pessoas que estão consumindo de graça, normalmente, o nosso trabalho, tipo eu aqui. Mas desanima. Você só receber crítica, desanima. Você não
ser motivada nem nada. Eu recebo muitos elogios, tá, gente? Só um parênteses assim. Mas eu digo que as pessoas, assim, eu digo que uma pessoa, ela não faz elogio. Sabe? Tem várias pessoas com esse perfil. Elogiar nunca, mas criticar sempre. Sabe? Não faz um elogio. Não gasta o dedo dela pra fazer um elogio, mas gasta o dedo dela pra fazer uma crítica. Essas pessoas têm o mesmo comportamento que esses chefes, que só sabem criticar. Que nada tá bom, que não motivam. E no caso
da Melissa é pior ainda, porque ela tava lá enriquecendo um cara que vai alcoolizado da sermão dos funcionários enquanto ela tava ali, esgotando a saúde mental dela, gente, não dá. E continuar nisso é criar raiz num solo que você não vai crescer, né? Como diria sabiamente a mãe dela. Então, assim como eu digo pra vocês que eu acho que num relacionamento a gente tem que saber, a gente precisa saber a hora de sair dele, eu acho que isso também vale pra profissões, pra relacionamentos profissionais, né? É claro que nem todo mundo consegue sair na hora que quer.
Sair quando você quer é um privilégio, sim. A grande maioria precisa do emprego e do dinheiro. Mas o que não dá é você ficar acomodado onde está ruim, entendeu? Você já ir procurando um outro emprego, gente, isso já é um grande passo. Mas, além disso, uma dica minha aqui. Se possível, gente, estudo. Estudo é uma coisa que ninguém tira de você. E você se capacitar é muito importante para você ter um diferencial. Então, se estiver dentro das condições que vocês têm,
estudo sempre, tá? apesar de que hoje em dia eu vou falar pra vocês, né? só de ter pessoas que tem vontade de trabalhar e se dedicar, isso já é um diferencial, né? mas enfim, é isso, eu acho que a gente tem que saber a hora de sair das coisas você ser inteligente também é você as pessoas inteligentes sabem a hora de começar mas também sabem a hora de parar, né? mas isso também é um ato de coragem muitas vezes a gente pensa em pedir as contas achando que a gente tá fracassando mas na verdade eu acho que quando a gente recalcula a rota da vida da gente
No fim das contas, isso também é um ato de coragem, né? Porque é muito fácil a gente continuar num caminho que a gente já sabe como trilhar. Aí a gente entra na questão de zona de conforto, né? Que eu nem vou começar aqui, senão eu vou me estender muito. Mas por isso que eu digo que a gente saber a hora de recalcular a rota também é um ato de coragem, né? Então, é isso. Se você quiser comentar sobre essa história, comente no nosso grupo do Telegram. Eu tô esperando vocês por lá.
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