Manda áudio 24
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Episódios novos desse quadro toda quarta-feira.
Lembrando que seu áudio deve ter entre 3 e 7 minutos, além de uma boa qualidade. Áudios fora desse padrão serão desconsiderados.
- Falas e Gafes PolemicasConfusão entre recepção de boas-vindas e aniversário · Morte da mãe da colega · Constrangimento ao parabenizar pessoa em luto · Celebração no hospital (CTI) · Impacto emocional do erro
- Troca Nomes NamoradoConfusão com nome de ex-relacionamento · Repetição involuntária de nome antigo · Constrangimento ao corrigir-se · Memória persistente de passado · Conversa com o namorado atual
- Produção de PodcastsConvite para participação de ouvintes · Requisitos de duração (3-7 minutos) · Sistema de apoiadores com prioridade · Envio via Telegram · Episódios semanais às quartas
- Hábito de justificação excessivaTendência a se explicar demais · Piora da situação ao tentar se justificar · Interpretação equivocada pelos outros · Auto-reflexão sobre padrão comportamental
- Atraso em consultas e procedimentosDificuldade com GPS e navegação · Rua fechada e obras na via · Atraso de 15 minutos · Justificativa complicada para o profissional · Dificuldade em reconhecer responsabilidade
- Receio de constranger pessoasDificuldade em corrigir erros alheios · Empatia excessiva · Hesitação em apontar equívocos · Preferência por silêncio a constrangimento
- Relacionamentos FamiliaresConfusão entre esposo e pai · Dificuldade em identificar relacionamento · Aprendizado profissional no hospital · Uso de termos genéricos como 'acompanhante'
- Problemas de Memoria Pos-GravidezPerda de memória após gestação · Reconfiguração cerebral · Retenção apenas de informações essenciais · Impacto na qualidade de vida
- Hábitos de mãe com trocas de nomesConfusão entre nomes de filhos · Chamada pelo nome do marido incorreto · Introdução de nomes desconhecidos · Padrão familiar de gafes
Você tem uma coisa bem legal, mas é muito curtinha para mandar e-mail? Então, manda áudio, ok? Oi, Paula, boa noite. Eu tenho que contar para vocês sobre algumas gafas que eu cometi, mas a pior de todas foi essa no meu trabalho. Eu trabalho no hospital de grande porte, no CTI, e assim a gente costuma fazer café da manhã sempre.
café da manhã, cada um leva uma coisa, tem uma lista e a gente ali vai saindo do salão conforme dá e compartilha, né? Faz aquele café da manhã gostoso, em aniversário a gente tem uma salinha, compramos bolo para comemorar aniversário dos colegas. E o que que acontece? Se uma colega, como por trabalhar muito tempo, muitos anos no mesmo lugar, no mesmo setor, a gente acaba sabendo da vida particular dos colegas.
que tinha uma colega que cuidava há muito tempo de uma mãe acamada. Muito tempo mesmo. E ela entrou de licença. Eu achei que fosse para cuidar da mãe. Aí, cheguei no plantão, um belo dia. Olha, fulana chegou. Ah, tá. O que você vai trazer? Eu trago bolo, eu trago pão, trago queijo, presunto, cada um trazendo a coisa. Açúcar, refrigerante, a salgadinho. E aquele mesão. Colocaram balões, cartazes.
Volta fulano, que saudade de você. Você mora no nosso coração. E várias coisas ali, né? Sugestivas de um aniversário. Pois bem. Aí encontrei a colega no corredor, todo mundo de uniforme. Aí todo mundo abraçando. Vinha um abraçava ela, falava alguma coisa, não sei o que, não sei o que, dava beijo. Aí o outro também abraçava, fazia um carinho, não sei o que, não sei o que e tal. Falei, caramba, aniversário dela mesmo. Ah, não deve ser surpresa não.
mundo dando os parabéns, eu também vou dar. Cheguei lá, né? Toda espalhafatosa, cantando parabéns pra você. Parabéns pra você, nessa data querida. Muitas felicidades, muitos anos de vida, e dê aquele abração na amiga, fazendo aquela festa. Aí ela, obrigada. Mas não é meu aniversário? Falei, ah, para. Não, não é meu aniversário. Ah, você tá de brincadeira. Não, meu aniversário em novembro. Ah, que isso?
tá falando porque tá todo mundo me abraçando, me beijando, me abraçando, me fazendo carinho. Falei, então, todo mundo tá te dando os parabéns e vim dar também. Ela é que minha mãe morreu semana passada. Caramba, o chão abriu e eu entrei. Eu não tinha onde enfiar a cara. Olha, falei, amiga, me desculpa. Eu, meus sentimentos, eu sabia que a sua mãe tinha descansado semana passada, mas eu imaginei também que fosse seu aniversário, não é?
Estavam fazendo até as boas-vindas para você, te abraçando. Eu imaginei que fosse. E cada vez eu me enrolava mais. Quando eu tentava me explicar. Ia acabar queimando a surpresa do café da manhã que os colegas tinham preparado. Mas assim, foi uma coisa sugestiva de aniversário. Porque tinha tanta coisa naquela mesa. Tinha balão, tinha cartaz. Eu não imaginei que a pessoa voltasse de licença, nojo. E fosse ter uma recepção daquela.
Aniversário dela. Porque eu nunca tinha visto uma coisa dessa. A pessoa tirar licença. Licença nojo. Porque alguém morreu da família. E quando a pessoa retorna. Ah, porque ela estava triste. Para alegrar o coração dela. Fazer uma baita mesa. Como se fosse um aniversário. Eu fui induzida ao erro. Tudo bem. Que eu cometo algumas gafes mesmo. Já é bem de praxe. Mas essa foi a da minha vida. Olha. Depois eu fiquei traumatizada.
Parabéns para ninguém mais. Eu tinha que me certificar muito. De que era aniversário mesmo da pessoa. Para eu poder dar os parabéns. Quando chegou novembro. Que ela fez aniversário de verdade. Eu não tive nem coragem. De dar os parabéns para ela. E é isso. Beijo. Agora de tanto outra também. De tanto aprender. Dar bola fora. A respeito de acompanhantes. Às vezes uma mulher mais jovem.
hospitalizada, com uma pessoa mais velha, um homem mais velho, e eu falei, ah, seu pai, se referi como se fosse o pai, não é o esposo, ou o contrário, aí eu aprendi, falei, não, agora eu vou falar seu familiar, seu familiar, seu acompanhante, para parar de ficar dando bola fora, que às vezes não é esposo, ou então é a esposa, é um casal lésbico,
E eu falo a tua irmã ou sua mãe, coisas desse tipo. Olha, cansei. Sem falar no namorado da minha filha, que no mesmo dia, três vezes eu troquei o nome dele, chamando pelo nome do ex. Por fim, eu já estava com vergonha de fazer tanta coisa errada no mesmo dia. Assim, em pouco intervalo, né? De poucas horas, que eu falei, não, tá demais. Chamei e falei assim, olha fulano, preciso conversar com você.
bem nos olhos dele. Falei, olha, hoje é a terceira vez que eu troco o seu nome. Você me perdoa. Não é proposital, mas é porque são muitos anos aquele traste na nossa vida e o nome ficou, entendeu? Desculpa, me perdoa. Eu sei que o seu nome é fulano, mas assim, não é de propósito, não. Não me leve a mal, me desculpe. Aí eu comecei a chamar o namorado da minha filha atual de menino. Menino, menina, ela, mãe, para de chamar.
menino. Ele tem nome. Guarda o nome dele. Esquece o passado. Para com isso. Falei, minha filha, eu juro pra você que não é de propósito. E realmente não era de propósito. Mas é que o nome do traste que conviveu seis anos na minha casa, na nossa vida, não saía da mente. Então, o atual estava ocupando o lugar que o traste um dia ocupou. Virava, mexia. Olha eu trocando o nome do garoto. Graças a Deus, agora eu parei com isso. Ui, que alívio.
Sem sombra de dúvidas. De todas as gafes que eu já ouvi na minha vida, eu tenho quase que certeza absoluta que essa daqui está no meu top 10 ou talvez top 5 das piores. Gente, que coisa mais constrangedora que foi isso que aconteceu. Porque o problema não foi ela só chegar dando parabéns. Isso é facilmente irreversível. O problema é chegar feliz, batendo palminha, cantando,
Como se tivesse motivo pra comemorar, né? Meu Deus, isso é tão péssimo, mas é tão péssimo. Mas vocês sabem que no lugar dela, eu acho que eu também teria me enrolado. Porque eu sou uma pessoa que vocês que me ouvem aqui bastante tempo, vocês já sabem. Se eu tô falando alguma coisa e me ocorre o pensamento de que alguém pode interpretar de forma equivocada, de que alguém pode levar isso pra outro lado, de que alguém vai interpretar e vai vir me encher minhas paciências, meus pacová, eu começo a me justificar.
Só que às vezes, nessa de me justificar, eu quero tentar deixar claro que não foi isso que eu quis dizer. Mas parece que eu tô me justificando tanto que as pessoas começam a pensar que foi exatamente o que eu quis dizer. Mas não é. Eu sou uma pessoa que eu tenho o hábito de querer me justificar pra explicar, mas eu só me enrolo mais, sabe? Um exemplo disso foi que essa semana ainda, eu... Gente, eu juro pra vocês, muito embora eu saia com o Arthur, meu filho, desde que ele nasceu, eu não tenho muita opção.
acostumei de que quando eu chego em algum lugar, eu preciso chegar com pelo menos 10 a 15 minutos antes do normal, porque eu tenho que tirar bebê, bebê conforto do carro, bolsa, monta carrinho, e acha rampa, essas coisas tudo para poder chegar ao carrinho. E essa semana mesmo a gente tinha uma consulta, e quando eu coloquei ali no Waze, coloquei no aplicativo, eu vi que estava dando para chegar a 3h30, que era a tampa do horário, e isso já era o problema,
Três e meia no estacionamento. Até descer com todas as coisas do Arthur. Até montar o carrinho. Entra no elevador. Aí, nesse prédio, você vem do estacionamento. Você sobe na recepção. Dá o seu nome. E aí, ali na recepção, você pega o elevador e sobe. Ou seja, só aí eu já ia atrasar fácil coisa de cinco minutos. Mas, assim, cinco minutos fazendo tudo correndo, né? Mas, falei, tá, não tem problema. Cinco minutos não dá nada. Gente, eu fiquei ali distraída pensando na vida.
Ah, não, eu sei o caminho. Eu não entrei na rua errada. Quando eu olho o Waze, ele, tipo assim, eu tava um quilômetro dali. E eu tava, era 3h29 e a consulta era 3h30. Ou seja, eu já tava atrasada. Quando eu olhei, eu falei, ué, que caminho que é esse? Gente, quando eu abro o Waze de novo, ele recalculou a rota. E eu tava, tipo assim, ó, 10 minutos do lugar. Porque eram umas ruas que só vai, e aí, sabe, era mão única, e aí tem que dar a maior volta pra cair na rua.
cara, eu atrasei 15 minutos a sessão. É a sessão de osteopatia pro meu bebê. Eu caí numa rua que tava fechada, recalculou rota toda, eu cheguei muito atrasada. Só que assim, eu já tava meio atrasada pra sair de casa, né? E aí ao invés de eu só falar pra ele, nossa, me desculpa pelo atraso, eu me perdi aqui com o bebê. Ai, gente, eu comecei, não, porque tinha uma rua fechada, porque eu recalculou rota, porque isso, porque aquilo, e aí depois eu fui falar alguma coisa, e daí eu peguei e falei assim, é, não, é que a gente já se,
a gente já quase se atrasou e acho que ele pensou, essa sem vergonha dessa mulher se atrasou um monte e botou a culpa nas ruas. Porque ele falou assim pra mim, mas que rua que tá fechada? Gente, eu saio lá, vou saber que rua que era. Não é que ela tava fechada, é que eu tive dois problemas. Saindo aqui da minha casa, os caras estavam cortando a grama em uma rua que é pista dupla. E aí, vocês sabem, né? Eles ficam metade numa rede, então já tomou uma pista só.
ali, que eu levaria dois minutos, eu levei uns oito. E quando você tá atrasada, cada minuto conta, né? E depois, tinha uma parte que tava meio que em obras, e eu não ia conseguir mudar de pista a tempo, e acabou que eu virei numa rua que eu tava sendo obrigada, mas eu achei mais fácil falar que a rua tava fechada, sabe? Só pra dizer, tipo assim, eu tive que recalcular a rota. Gente, mas eu embananei, que acho que esse homem pensou.
Gente, o que ela tá fazendo? O que que aconteceu? Meu Deus, foi muito péssimo, mas tá, voltando aqui pra história agora, né? Eu tenho certeza absoluta
que eu me enrolaria por conta disso, porque eu consigo complicar coisas que são simples, sabe, de só falar meu Deus, é que eu acabei me perdendo e me desculpa, sabe, ao invés de só falar alguma coisa assim, porque também, aqui agora eu acabei de me dar conta de que por um segundo eu consegui pensar tempo aqui, mas eu provavelmente ia estragar a surpresa também, que eu ia falar, não, é que eu vi lá enfeitado de bexiga, que eu ia acabar com o troço, mas tá, então eu tenho certeza que eu ia acabar me embananando,
porque eu sou uma pessoa que me justifico demais, né? Mas, por outro lado, é claro que eu acho que ela comeu bola, porque ela sabia que a mãe dela tinha falecido, né, na semana anterior. Ela sabia, ela só tinha, ela só não ligou uma coisa na outra. Então, acho que aqui ela deu uma vacilada. Porém, eu preciso defender ela em uma coisa, gente. Quando eu trabalhava no hospital, eu trabalhei no hospital, trabalhei no shopping, eu acho que foram só esses dois lugares que eu trabalhei, tipo, com equipe mesmo, sabe? Que eu tinha equipe.
E lá nunca teve ninguém que saiu de férias, de licença, alguma coisa, e voltou e recebeu uma festinha, um café, alguma coisa assim. Nunca. Eu já vi amigos e amigas compartilhando ali nas redes sociais que receberam foto, florzinha. Mas, gente, juro pra vocês, balão, bexiga, pra mim remete aniversário também. Aqui eu não posso culpar ela.
Todas essas pessoas que eu vi, essas amigas minhas e amigos que receberam algum tipo de, ai, boas-vindas, não sei o quê, eram memes, era foto da pessoa, era bilhetinho, tipo, ai, cansou de descansar? Aqui e agora vai ter incômodo. Essas coisas, sabe? Agora, balão, bexiga. Eu tenho que defender que eu também acho que eu pensaria que é aniversário, gente. Eu acho que eu também faria isso.
Só que eu não consigo me lembrar a situação, mas eu sei que eu já estive do outro lado de alguém me falar uma coisa muito equivocada e eu ficar constrangida de corrigir a pessoa. Mas eu não consigo me lembrar agora o que é. Mas assim, eu consigo ver claramente a minha reação. E eu me lembro tanto da minha reação que eu lembro que foi alguma coisa que aconteceu. Alguém veio e deu uma bola fora comigo. E eu lembro que eu fiquei nervosa porque eu ainda comentei.
tipo, cara, essa pessoa vai descobrir que ela está errada, que ela deu essa bola fora e ela vai ficar muito constrangida. O que eu faço? Mas eu não consigo me lembrar que bola fora foi essa, gente. Se eu conseguir me lembrar o que foi feito comigo, eu volto aqui em algum outro mandar áudio e eu conto pra vocês. Mas eu consigo me lembrar claramente dessa minha reação. Gente, eu tenho pavor. Eu juro, eu sou essa pessoa. Eu tenho muita dificuldade de deixar as pessoas constrangidas. Muita dificuldade.
Então, eu realmente, assim, não sou essa pessoa que falaria, não, mas é que minha mãe morreu, não é meu aniversário, sabe? Eu, nossa, não consigo imaginar passar por isso, assim, de falar isso pra pessoa, sabe? Como eu falei, eu me lembro que aconteceu alguma coisa que eu pensei, essa pessoa vai ficar tão constrangida quando ela souber a verdade, sabe? Mas eu não consigo me lembrar o que foi. Mas nesse ponto aí, eu tenho que defender ela.
Gente, esse negócio de errar nome, putz, isso aí, caro do céu, isso é um B.O., né? Porque às vezes você tá ali, você tá vivendo tua vida de boa, alguém confunde o nome da pessoa e sobra pra você, né? Eu fico feliz que o namorado da filha dela seja tranquilo. Você já pega alguém mais esquentadinho também e já deixa claro que ali tem que ser o fim do relacionamento, né? Já dá uma surtada com esse negócio de trocar de nome. A minha mãe faz muito isso. Aqui em casa, eu me chamo Paula, minha irmã Renata, meu marido Arthur,
E o meu cunhado Davi. A minha mãe é um tal de chamar Paulo, Renato, sabe? Daí ela começa a chamar, assim, às vezes ela chama meu marido pelo nome do filho de uma prima minha, tipo, ah, é Gabriel. Sendo que, assim, ninguém tava falando do Gabriel, ninguém mencionou esse nome, sabe? A gente fica, tipo, mãe, pelo amor de Deus. Mas a minha mãe é rainha de Gaf, meu marido, meu cunhado já sabem disso. Mas, ah, cara, é cada situação também que a gente é inserida, né?
de Deus. Gente, eu não consigo me lembrar, assim, também. Eu tô ruim de memória, tá, gente? Depois que eu engravidei, assim, boa parte da minha vida foi deletada da cabeça, né? A memória da gente, o nosso cérebro, ele realmente passa por uma reconfiguração onde o cérebro mantém só o que é essencial mesmo, né? É real isso. Mas eu não consigo me lembrar. Não, acho que eu lembrei. Mas é que aqui eu não vou considerar... É uma gafe?
Putz, eu não sei, cara. Vocês que vão interpretar, tá? Eu acho que um psicólogo conseguiria
é melhor. Vocês já vão entender porquê. É capaz de eu até já ter contado isso. Porque eu acho que eu já contei. Mas, gente, é que eu sou boca de sacola, né? Eu tenho histórias aqui no podcast que são minhas. E, às vezes, eu comento... E, assim, essas histórias que são minhas não são identificadas. Eu não digo que sou eu, né? Mas tem histórias aqui que são minhas. E aí, eu não sei. Várias vezes já me ocorreu, assim, de... Putz, eu vou contar essa situação.
Será que eu já não contei isso daqui falando que era de outra pessoa e minha casa vai cair?
Se a casa cair, não tem problema, né, gente? Tá tudo certo, não ligo, não tem absolutamente nada demais aqui, não tenho nada pra esconder. E é isso. Mas tá, o que foi isso que aconteceu? Eu tenho a sensação que eu já mencionei em algum momento. Isso já aconteceu, deve fazer aí uns 13, 14 anos, faz bastante tempo. Eu tava com o meu namorado na época, né, o meu ex, e a mãe dele tinha casa na praia, então todo final de semana a gente tava na praia. Só que a gente fazia o contrário,
A gente não pisava na areia. A gente dormia durante o dia e a gente gostava de sair à noite de ir nos barzinhos que tinha ali na... nos bares que tinham ali na praia. E esse meu ex, ele tinha um amigo que morava lá. Então, sempre que a gente chegava lá, ele dava um alô pra esse amigo dele e a gente saía, tipo, com o pessoal dali, sabe? E esse amigo dele, naturalmente, tinha outros amigos. E uma das vezes que a gente foi até lá,
era daqui de Curitiba, e ele comentou com a gente que esse amigo dele estava lá para tentar se distrair, porque, gente, eu vou falar bem rapidinho aqui, vou deixar um alerta gatilho aqui, né, que eu vou relatar aqui uma cena de violência de forma bem breve, tá? Mas ele tinha uns amigos que estavam no Largo da Ordem, e o Largo da Ordem é um lugar aqui em Curitiba que, dependendo do dia e do horário, é tranquilaço, e dependendo do dia e do horário, é perigoso. E esse rapaz estava no horário perigoso, estava um grupo de jovens ali,
E chegou um grupo de skinheads e passaram a faca no pescoço desses meninos. E esses meninos morreram. Não sei se foi um, dois, eu realmente não me lembro. Eu só lembro que rolou isso, dos caras estarem ali a troco de nada, no arco da ordem, e chegaram e passaram a faca em todo mundo. E eu lembro que quando ele contou isso, a gente ficou muito chocado, a gente ficou muito... A gente se compareceu com ele, a gente ficou tentando distrair ele e tal. Só que, gente, o subconsciente da gente, ele é safado, né?
Em algum lugar, essa informação ficou armazenada na minha cabeça, sabe? E aí, tava o meu ex dirigindo o carro, eu no banco da frente, o amigo dele com esses dois amigos aí atrás, sabe? Então, esse menino que tinha perdido os amigos, tava junto no carro. E o amigo do meu ex, esse que a gente já conhecia, que morava lá na praia, tava sentado atrás de mim. E eu não lembro o que eu falei, que brincadeirinha que eu fiz, que eu peguei e falei assim, nossa, brincadeira, né?
falar já que é brincadeira, porque, gente, eu imaginei a cena. Como esse amigo tava atrás de mim, a minha irmã, ela tinha mania de fazer o quê? Vir brincar dando chave de pescoço, sabe? Mata-leão, sei lá que é o nome disso. Eu tava no banco da frente e ela vinha querer, tipo, me enforcar, assim. E a gente tinha... Não é esse hábito, é coisa de irmão. Coisa de irmão, da gente se pentelhar assim. E, gente, eu pensando exatamente nisso, tipo, nossa, deixa eu falar que é brincadeira aqui, que senão ele vai me pegar pelo pescoço. Gente, eu não sei porque diabo,
A porcaria da informação não ficou na minha cabeça. E eu falei assim, nossa, deixa eu falar que é brincadeira, né? Porque senão ele vai querer passar uma faca no meu pescoço aqui agora. Eu não falei? Eu falei, gente. Eu falei. Na mesma hora, o meu ex só grudou a cabeça no banco e me olhou. Gente, eu gelei. Mas eu gelei. Mas eu gelei pelo desconforto, não por medo de nada, né? Mas, assim, eu queria pular da janela. Eu não sabia o que fazer. Ficou aquele silêncio no carro.
percebeu que eu falei sem querer. Todo mundo percebeu que eu não falei aquilo pra afetar o menino. Só que, ao mesmo tempo, todo mundo percebeu o meu constrangimento, porque todo mundo tava ali tentando reerguer o menino que tinha acabado de perder os amigos nessa, sabe? Foi um ato extremamente violento. Meu Deus, foi muito péssimo, porque pareceu que eu tava fazendo uma piada, mas ficou muito claro que não foi por mal. Ai, gente, olha, meu Deus, foi muito horrível. Nossa, me causa... Lembrar disso me causa dor física. Sério, meu Deus.
Gente, eu tinha esquecido disso, mas eu fui muito péssimo, muito péssimo. Mas eu acho que esse foi um dos meus constrangimentos da vida, assim, que não foi por mal. Eu com certeza tive outros, consigo me lembrar, porque meu marido sempre fala que eu preciso ficar de boca fechada às vezes, sabe? Já dei fora com o pessoal do trabalho dele, mas daí também não dá pra eu falar, porque daí já acaba envolvendo a vida dele e eu me restringe a falar da minha.
Mas, ah, gente, é muito constrangedor. É muito horroroso, assim, a gente passar por uma situação de constrangimento. Porque aqui que tá... Foi tão horrível que aqui eu fiquei quieta. Nesse momento eu fiquei quieta. Ou eu fico quieta ou eu me enrolo inteira. E eu ia falar o quê, gente? Eu ia falar o quê? Ai, viu? Desculpa, eu esqueci. Viu? Acho que a informação da violência ficou na minha cabeça. Acho que eu fiquei tão chocada.
Eu ia falar o quê? Ai, olha. Enfim, graças a Deus passou. Mas lembrar disso me causa dor física. E vocês?
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