Episódios de Até aí, ok!

#232. Perdas e danos

25 de maio de 202640min
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@marialicia_oficial

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Participantes neste episódio1
P

Paula Ateaiok

HostPodcaster
Assuntos9
  • Interação Pai e FilhaPerda do vínculo afetivo · Juliana · Jurandir
  • Relação com o PaiDificuldade de comunicação · Juliana · Jurandir
  • Relacionamentos e CasamentoBriga com a irmã Tonha · Casamento de Juliana · Juliana · Tonha · Jurandir
  • Meta de apoiadoresDaniel Ferreira Machado · Fabiola Pique · Felipe Lipkin · Simone Matsubara · Tuane Gabriele Oliveira de Araújo
  • O papel das mães e avósFigura paterna para Juliana · Juliana
  • Compra de ApartamentoSonho de Juliana e do avô · Juliana
  • Síndrome do ProtagonistaComportamento em família · Tonha
  • Tonicidade e emoçõesComportamento com a sogra de Juliana · Tonha
  • Promoção Maria AlíciaViagem para a Itália · Maria Alícia
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Oi, sejam muito bem-vindos ao Ateio OK. E gente, olha minha voz falhando. Quando começa a chegar outono, inverno, eu começo a ficar fanha, gripe, começa a chegar, resfriado, congestão nasal, mas eu nem ligo mais, porque a gente já é íntimo aqui nesse podcast, né? A gente só não é mais íntimo do que eu e a Maria Alícia, com o público OK. Então pode entrar de novo, Maria Alícia!

Sim, gente, essa marca maravilhosa da moda feminina que vocês já estão familiarizados. Tá com uma promoção que vocês já conhecem. E eu tô vindo aqui pra reforçar que o tempo tá correndo. Você é mais o seu amor na Itália com Maria Alicia.

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Eu vou deixar o arroba e o meu cupom aqui na descrição do episódio para ficar fácil para vocês. E agora sim! E o episódio de hoje será dedicado aos apoiadores Daniel Ferreira Machado, Fabiola Pique, Felipe Lipkin, Simone Matsubara, Tuane Gabriele Oliveira de Araújo. Com o perdão se eu errei alguma pronúncia. E eu estou achando aqui que eu errei o da Fabiola.

E você, quer o seu nome mencionado aqui e ainda a chance de gravar uma história junto comigo? Seja agora mesmo um apoiador. O link está aqui na descrição do episódio, mas se for mais fácil, entra aí no teu navegador. apoia.se barra até aí ok. E a história de hoje é da Juliana. Mas se essa é a história minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber. Nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Então, vem comigo.

A Juliana já começou o e-mail me dando um spoiler. Eu comprei uma casa e perdi meu pai. Eu casei e perdi a minha irmã. Mas gente, calma. Eles estão vivos. A perda foi do vínculo, da relação. Então aqui já fica o tema da história de hoje. Mais uma entre tantas péssimas relações. Entre pai e filha e uma irmã que entrou de gaiata.

E para a gente entender onde foi que essa relação, aliás, essas relações se perderam, e aonde que a irmã da Juliana vai entrar, a gente precisa dizer que tudo começou muito tempo atrás, quando os pais dela se separaram, lá quando a Juliana tinha uns nove aninhos. Depois disso, a relação dela com o pai, o Jurandir, passou a ser uma relação ok.

Não era uma maravilha, mas eles se viam tipo uma vez por semana, se falavam com uma certa frequência. Só que já existia uma dinâmica meio estranha ali. A própria Juliana contou que na família era tudo meio que dividido em tom de brincadeira, mas com fundo de verdade. Ela era a filha favorita da mãe e a irmã mais velha dela, a Tonha, era a filha preferida do pai.

Mas estava tudo bem. Todo mundo era bem resolvido com isso, apesar de que, em alguns momentos, isso refletia de uma forma não muito legal na vida deles. Em 2005, por exemplo, quando a Juliana ainda estava no terceirão, mesmo antes dela fazer 18 anos, o Jurandir, o pai dela, simplesmente parou de pagar pensão. Parou do nada, por conta própria. Então, assim, era todo mundo bem resolvido, mas existiam aí algumas questões.

Avançando um pouquinho no tempo, a gente chegou em 2006. Juliana, agora com 18 anos, ela decidiu que ela queria ir para a Irlanda. A ideia era ficar só seis meses mesmo, fazendo aquele intercâmbio para aprender a língua, viver o mundo.

Só que ali, gente, a gente já pôde ver como o seu Jurandir não foi uma das pessoas que super apoiou ela. Para aplicar para o visto de estudante, ela precisava comprovar um suporte financeiro. E quem deu essa força foi a mãe e o avô dela. Mesmo assim, ainda faltava uma graninha. E aí ela foi pedir para o pai. Gente, ela só precisava que o dinheiro ficasse na conta da mãe dela por uns dois meses para poder comprovar a renda para esse visto. E depois ela ia devolver. E aí

E esse homem ficou cobrando ela frequentemente para devolver o dinheiro. Achou que ela ia roubar, sei lá. E olha que ele já tinha parado de pagar pensão, tá? Por conta própria. Então mesmo que não devolvesse, era no mínimo ele pagando uma dívida, né? Mas além disso, ele também não ajudou com nada financeiramente para a viagem. Não apoiou muito a ideia. E na única vez que ela pediu essa ajuda, foi essa dificuldade com o pai. Mas mesmo assim, ela foi para a Irlanda.

No comecinho, a comunicação com o pai dela era difícil mesmo. A gente está falando também de uma época que não tinha smartphone, a ligação internacional era uma fortuna no Brasil, né? Então era sempre a Juliana que estava indo atrás. Ela comprava aqueles cartões de ligação de 10 reais que durava um monte e ligava para ele e para a família. Só que acontece, gente, que o que era para ser apenas um intercâmbio e ele era intelligence.

Virou a vida da Juliana. Virou o lugar dela no mundo. Ela passou a morar na Irlanda de forma definitiva. E o tempo foi passando. A tecnologia avançou. Veio a internet. E ficou tudo muito mais fácil. Mas para o pai dela. A comunicação não mudou nada. Não ficou mais fácil. Era sempre uma desculpa. Ah, eu não sou muito de falar no telefone. Ah, meu telefone nem é bom para esse tipo de ligação.

Eu não tenho computador, eu trabalho por escala, não posso mexer no celular enquanto eu trabalho.

E, gente, ele falando desse jeito, é como se ele fosse um senhor confuso com a tecnologia. Mas não. Ele é um desses homens comuns que a gente vê pela rua com... Nessa época não tinha nem 60 anos ainda. Então, um homem novo. E a Juliana, ela estava sempre tentando dar um jeito, sempre tentando driblar esses empecilhos. Mas sabe quando a ficha cai? Demorou, mas caiu.

Ela me falou que ela levou pelo menos uns 5 ou 6 anos para se dar conta de que era só ela que ia atrás. E depois de mais alguns anos, ali por 2018, a constatação dela ficou ainda mais clara. Se ela não mandasse mensagem, eles simplesmente não se falavam. E é muito dolorido o momento em que você se dá conta de que uma relação é unilateral. A Juliana acha que ela se deu conta disso e ela se deu conta disso.

Logo que ela começou a terapia, foi onde ela abriu os olhos. E quando essa ficha caiu, esse sentimento foi uma mistura de raiva com frustração dela mesma, por ter continuado naquela situação por tanto tempo, de ficar insistindo um contato que só partia dela.

E aí ela começou a comunicar para o pai dela o que ela sentia. Ela começou a falar das necessidades dela, dos limites. No começo, ela se sentia muito péssima fazendo isso. Porque a Juliana, gente, ela foi criada para ser a filha bozinha, que não dá trabalho, que obedece, que aceita tudo. Então ela é muito compreensiva. E ter que se impor...

ter que reivindicar o lugar dela foi muito, muito, muito desafiador. As poucas vezes que eles falaram por ligação, ele insistia em sempre entrar no assunto de política, como se não tivesse mais nada de bom para falar.

E o problema é que eles tinham opiniões e posicionamentos completamente opostos. E mesmo a Juliana pedindo para não tocar no assunto, ele insistia. E quando surgiam as rusgas naquela comunicação, ele falava que era ela que estava sempre na defensiva.

No comecinho, ela ainda tinha esperança de que as coisas pudessem mudar, mas essa esperança foi morrendo. O tempo vai mostrando isso para a gente, né? Essa esperança, ela deu lugar a uma necessidade de provar para ela mesma que ela tinha tentado de tudo.

Ela falou, falou, falou tudo que não estava bom e nada mudava. E aí para a confirmação dela, ela começou a fazer uns testes. Ela passava meses e meses sem mandar mensagem, só para depois ela ter ali a prova de que a última vez que eles falaram fazia tantos meses porque ela foi atrás.

Ela até mostrava isso para ele, mas nada mudava. A única garantia que ela tinha de receber uma mensagem dele era no aniversário dela, e ainda era um parabéns super insosso. Só que como ela mesma disse, uma vez que você vê que a relação é unilateral, não tem mais como você desver isso. E aí, gente, aqui, a partir do momento em que ela percebeu isso, a gente chega na parte que é o início do fim da relação entre eles.

Em março de 2022, a irmã mais nova da Juliana, que não é filho do Jurandir, ligou para ela com notícias do avô. Gente, o avô materno, esse realmente era como um pai para a Juliana. Ele foi uma figura importantíssima. E nesse momento a irmã contou que o Parkinson dele estava progredindo muito rápido, que eles não sabiam quanto tempo ele ainda teria de lucidez.

ou mesmo de vida, e que era melhor a Ju vir para o Brasil. Fazia quase cinco anos desde a última visita dela, por conta da pandemia que atropelou tudo. E aí, sem nem pensar duas vezes, a Juliana comprou uma passagem para dali duas semanas, e veio para o Brasil de surpresa. Ela ficou 18 dias aqui, e nesses 18 dias, com a agenda super apertada, tentando ver todo mundo, ela encontrou o pai dela duas vezes.

E o encontro, gente, foi mais ou menos assim. Ele marcou um almoço na praça de alimentação de um shopping perto do escritório dele, chegou atrasado, eles comeram rapidinho e ela levou ele de volta para o trabalho e foi isso. Ela sentiu que ele podia ter demonstrado um pouco mais de alegria em vê-la ali, um pouco mais de esforço talvez para eles ficarem juntos, mas era só isso, era só o que ele tinha a oferecer. Mas apesar disso, ele ainda apresentou ela para todo mundo ali no trabalho, todo orgulhoso. Então...

No dia seguinte, quando ela estava voltando para a Irlanda, nenhuma mensagem de boa viagem. Nada. Dois meses depois, foi aniversário dele. Ela só mandou para ele. Feliz aniversário. Ele respondeu agradecendo e só. Cinco semanas depois, era aniversário dela. Ele mandou mensagem, mas por causa do fuso horário e do trabalho, ela não conseguiu responder na hora. Ele até ligou, mas ela estava trabalhando e não pôde atender.

Dois dias depois só ela conseguiu responder e pediu desculpas pela demora, falou que tinha sido muito corrido e perguntou qual era o melhor horário para que ela pudesse ligar para ele. E essa mensagem, gente, ele nunca respondeu, nunca. Não é a Irlanda o país, mas é um país que eu preciso só que vocês levem em consideração para que esse trecho faça sentido, que tem uma diferença considerável difusa com o Brasil.

Bom, a Juliana nunca teve um retorno dessa mensagem sobre um horário bom para eles se falarem, e ela acha que para ele, ela simplesmente não era relevante o suficiente para ele se dar o trabalho de responder com os horários dele e se esforçar para eles se falarem. Era como se para ele fosse indiferente.

Mas a situação só piorava. Em fevereiro de 2023, o avô da Ju infelizmente faleceu. E pra ela, gente, por mais triste que fosse, teve um lado que sentiu alívio. Porque a saúde e a qualidade de vida do avô dela tinham piorado muito nos últimos 10 meses. E, gente, todo mundo que cresceu com a Ju aqui no Brasil sabia da importância que esse avô tinha na vida dela. O pai dela também sabia. Inclusive, ele foi no velório.

Duas semanas se passaram, nenhuma mensagem dele de conforto, nada. E aí, pra Juliana foi a gota d'água. Ela mandou a seguinte mensagem pra ele. Olha só, faz duas semanas que o meu avô morreu, e tem duas semanas que eu esperava pelo menos uma mensagem sua. Eu já tinha desistido de cobrar ou reclamar dessa tua falta de iniciativa em me mandar mensagem, afinal eu já tinha reclamado anos atrás e nada mudou.

Faz mais de sete meses desde a nossa última conversa. Mas você não fala nada na morte do meu avô, isso pra mim é demais. O meu avô foi muito importante na minha vida. E assim que eu contei e compartilhei sobre isso, eu tive inúmeras amigas me mandando mensagem, me ligando pra expressar as condolências e saber como eu e minha família estávamos. Mas de você, eu só tive o silêncio, o descaso.

Eu passei as minhas duas últimas sessões de terapia falando só disso, da raiva que eu estava sentindo, ignorada e desimportante. Essa expectativa de ter o básico, o mínimo de educação e convivência com o ser humano...

já foi completamente extinguida. Então eu prefiro não ter mais contato mesmo, afinal eu me preservo e tenho energia para nutrir relações que eu sinto que tem reciprocidade. Pesado, né, gente? Porém, necessário. Três dias depois, a resposta dele só foi Eu posso te ligar?

A Ju estava em reunião, não pôde atender. E para ser sincera, a gente nem estava afim. O interesse já tinha morrido, era tarde demais. Seis dias depois, ele perguntou de novo se ele podia ligar naquele momento. E de novo, esse é o horário de trabalho dela. Depois do expediente, para a culpa não cair nela, ela mandou os horários dela explicando como funcionava por causa do fuso. Ele nunca ligou.

Três meses depois, de novo, chegou o aniversário dele. E ela mandou. Feliz aniversário. Só por obrigação. E de novo, por obrigação também, ele agradeceu.

Cinco semanas depois, aniversário dela. E ele mandou uma mensagem para ela e ela agradeceu e foi isso. Percebam, gente, o quanto a Juliana tentou insistir, tentou mandar mensagem, tentou resgatar barra manter essa relação. Só que teve uma coisa que aconteceu na vida dela que ganhou uma nova camada.

Entre a morte do avô e o aniversário dela, a Juliana realizou um sonho gigantesco. Ela comprou a casa própria dela sozinha. Esse era um sonho dela e do avô dela, que sempre jogava na Mega Sena para tentar ganhar e dar o dinheiro para ela comprar a casa própria dela.

A compra, que era para acontecer no dia do aniversário dela, teve um problema ali financeiro e acabou que não rolou. Mas por uma obra do destino, a assinatura aconteceu no dia seguinte, que era o dia do aniversário do avô, cinco meses depois dele partir. Foi como se fosse um presente dele para ela nessa data tão especial. Porém, ela não contou para o pai dela sobre essa conquista. Ia contar para quê? Para ele não responder? Não se importar? Ela só se frustrar?

E aí, gente, que entra em cena, a Tonha, a irmã mais velha, vulgo, filha preferida do papai. A Juliana contou da casa ali no grupo da família que elas tinham no WhatsApp. Nesse grupo estava a avó, a mãe, a Tonha e a irmã mais nova.

A Tonha, que é a irmã mais velha, ela idolatra o pai, perguntou se a Juliana tinha contado para ela sobre a casa nova. A Juliana só ignorou. Alguns dias depois, a Tonha perguntou de novo. E a Juliana respondeu que não. E foi aí que as coisas mudaram bastante de forma. A Tonha não entendia, ou não queria entender, a dor da Juliana. A resposta dela era sempre. Ah, você sabe que o paizinho não gosta de falar no telefone.

Gente, a Tonha chegou a dizer que ela tinha cobrado o pai dela, né? Pra ter mais contato e que ele falou que a Juliana tava sempre na defensiva quando ele tentava se aproximar.

Sério mesmo? Quando que ele tentava se aproximar? E nessa briga, a Tonha veio com o discurso de que a Juliana tinha que contar da casa porque a morte do avô tinha feito ela perceber a importância da família e que ela não ia permitir que a Ju acabasse com a família deles. Que o pai dela era assim mesmo, que esse era o jeito dele e que a Juliana tinha que aceitar isso.

não, né, gente? Ninguém tem que aceitar negligência emocional de ninguém. Seja pai, seja mãe, ninguém é obrigado.

Porque assim, e a Juliana? E as necessidades dela, que foram comunicadas tantas vezes, tinham que ser ignoradas? Não mais. A Ju já tinha acordado para a vida e decidido que não mais, que ela não ia passar por cima disso. No fim, a briga foi feia e o grupo da família, gente, virou um silêncio absoluto. Um mês depois, dia dos pais de 2023.

A Ju ainda foi cordial, mandou uma mensagem. Já era mais de 11 horas da noite na Irlanda. Ele só agradeceu. E esse foi o último contato dela com o pai. Avançamos agora para maio, junho de 2024.

Lá na Irlanda, a Juliana conheceu um brasileiro chamado Daniel e eles resolveram casar. E assim eles começaram a planejar uma cerimônia de casamento aqui no Brasil para o final do ano, final de 2024. Eles resolveram se casar aqui em Curitiba, que é a cidade do noivo, já que a maior parte dos convidados era da família dele.

E aí, nesse momento, veio o dilema. Convidar ou não o Jurandir? A Juliana não queria. O noivo, que também vivia uma situação similar ali, né? De pai ausente e tal, ele ficou meio dividido. Para ele, ou não chamava, ou chamava só por educação. Mas a mãe da Juliana, gente...

Para evitar discórdia, ela falou que achava que era mais fácil convidar o Jurandir. Aquela coisa para evitar a fadiga, né? Porque assim, se ele não fosse, a culpa seria dele e a Juliana fez a parte dela. Ela não carregaria nenhum tipo de remorso. E a Juliana, boa que é em evitar conflito, ela cedeu. Convidou o Jurandir para poder manter a paz dela.

No dia 1º de julho de 2024, 7 horas da noite, ela mandou o pré-convite, aquele save the date, para ele. Ele não respondeu, porém, 30 minutos depois, pipocou ali uma mensagem da Tonha. Fiquei feliz que você convidou o papai para o seu casamento. Obrigada.

Ou seja, gente, o Jurandir viu o convite, contou para a Tonha que foi convidado, só que ele não teve a capacidade de responder a Juliana. A Juliana, gente, não falou mais nem com ele, nem com a Tonha. No dia 23 de outubro de 2024, Juliana mandou o convite oficial para os convidados, dentre eles, o pai.

Silêncio de novo, nenhuma resposta, nem confirmação, nenhuma negativa. Nunca, até hoje. Chegamos em dezembro de 2024. Finalzinho de dezembro ali, coisa de 28 de dezembro. Juliana chega no Brasil para o casamento. E para ajudar, a sogra dela, que é um amor de pessoa, alugou, gente, uma casa.

para a família da Ju, porque a família da Ju é de São Paulo. Então, eles ficariam nessa casa, nesse aluguel temporário. E ela mesma, a sogra, foi lá, fez o check-in na casa, pegou todas as instruções com a proprietária para poder passar tudo direitinho para a família da Ju, que estava chegando.

E aí, de novo, vem um novo capítulo, né? Agora vem o capítulo onde a Tonha entra nessa história. As primeiras a chegar nessa casa foram as irmãs da Ju, né? Cada uma com seus respectivos parceiros, porque elas tinham vindo aqui para Curitiba de carro.

Gente, nos primeiros 30 segundos, a Tonha já foi uma estúpida com a sogra da Juliana. A sogra estava sendo super gentil, reforçando algumas regras da casa, e a Tonha, super seca, curta e grossa, falou para ela. Eu sei, isso está escrito nas regras, é bem óbvio.

Gente, a sogra só estava tentando ser prestativa, porque a reserva estava no nome dela. Se desse qualquer problema, se alguém descumprisse alguma regra, era ela responsável. E com aquela grosseria da Tonha, a sogra ficou super constrangida, mas engoliu aquele sapo e ficou esperando a mãe da Ju e a avó da Ju chegarem.

E assim, como eu falei para vocês, isso era finalzinho de dezembro. Elas tinham combinado que, como a Ju ficaria aqui em Curitiba um tempo, elas também passariam um ano novo nessa casa que a família da Ju estava todo mundo junto.

E aí, assim que a Ju chegou, a sogra dela chamou ela no canto e falou que esses planos de passarem o ano novo juntos, ali nessa casa da família da Ju, não ia mais rolar para ela, porque ela ficou super desconfortável com a grosseria gratuita da Tonha e achou que ela não teria clima para isso, que as coisas poderiam desandar. Então, ela queria evitar.

A Juliana não sabia onde enfiar a cara, mas não tinha muito o que fazer. Bom, a Juliana, gente, estava com zero expectativa de que o pai dela aparecesse no casamento. E ela estava de boa com isso. Só que a Tonha tinha que infernizar. Ela perguntou para a avó se a Juliana tinha avisado o pai que ela estava no Brasil. E a avó falou que achava que não. Até porque, gente, o pai dela recebeu o convite de casamento. Então, ele sabia a data do casamento. E se ela ia casar nessa data, é óbvio que ela estava no Brasil, né?

Mas aí a Tonha, a defensora do paizinho querido perfeito Jurandir dela, falou pra vó. É, mas eu acho bom a Juliana lembrar que ela não é filha de chocadeira. É bom que ela fale com o pai. Gente, a Juliana nem soube disso naquela hora. E se soubesse, nem teria dado bola. Mas chegou o grande dia. 29 de dezembro, data do casamento dela.

A noiva, maravilhosa. Ela foi cedo já pra casa, que a família dela estava hospedada, pra que elas se arrumassem juntas. O fotógrafo também chegou lá e eles começaram a fazer aquelas fotos do making-off. Estava lá a Ju, a mãe dela, a avó dela e a irmã mais nova. A Tonha estava sumida. Estava tudo lindo. Lógico que estava lindo, afinal a Tonha não estava ali estragando.

Mas nenhuma alegria é eterna, né? Daqui a pouco, Tonha resolveu aparecer. Gente, ela estava se arrumando sozinha no quarto. Ela veio, tirou algumas poucas fotos e voltou lá para o quarto dela ficar isolada. Quando chegou perto do horário da festa, o plano...

era que a Ju e o Daniel recepcionassem os convidados ali no salão e tirasse foto com todo mundo antes da cerimônia. O tempo já estava muito apertado, então a Ju foi na frente de todo mundo. Pouco tempo depois, faltando uns 10 minutos ali para o fim do tempo das fotos,

A avó, a mãe e o namorado da mãe da Ju chegaram. Tiraram as fotos, mas as irmãs dela não apareceram. Logo depois, a irmã mais nova apareceu, tiraram as fotos e a Tonha e o namorado dela não deram as caras. Depois, a Ju ficou sabendo que eles foram direto para o local da cerimônia. Não foram para o salão fazer as fotos. Mas, gente, Juliana nem se importou. Aquele era o dia dela.

Beleza, hora de entrar. Juliana entrou, deslumbrante, linda. A cerimônia foi linda. Quando acabou, o marido dela comentou com a organizadora que ele percebeu umas pessoas em pé, lá no fundo do local da igreja. Perguntou se faltou cadeira, espaço para sentar em ou o quê.

E a organizadora falou que tinha cadeira, mas que aquelas pessoas preferiam ficar em pé, mais no canto isolado, porque diz que estava batendo um pouco de sol. Adivinha quem que era? A Tonha e o parceiro dela. Tinha que causar ficando lá de pé com a maior cara de bunda do planeta Terra, né? A Juliana, gente, falou pra mim que a cara dela, só por Deus.

A festa durou só quatro horas e o tempo voou. Depois da festa, os noivos e a família do noivo ainda foram para uma pizzaria. E no dia seguinte, 30 de dezembro, aí era dia de relaxar, de finalmente poder dormir até tarde, não ter nenhuma reunião, nenhum compromisso, nada sobre casamento. Eles podiam desligar a cabeça um pouco.

O plano era a Ju e o Daniel ficarem em Curitiba até o dia 2 de janeiro, depois eles irem para São Paulo ficar com a família da Ju e aí voltar para a Irlanda só dali uns 15 dias.

Eis que chegou o dia 31 de dezembro, dia do ano novo. O combinado, gente, era a família da Juliana ir lá para a casa da sogra dela. Vocês lembram que era para ser na casa da família da Ju, mas aí a sogra da Juliana se esquivou porque ela ficou constrangida? Então, eles passaram então os planos para a casa da sogra. E estava tudo tranquilo.

Até que 5 horas da tarde, 5 da tarde, a mãe dela manda uma mensagem perguntando se ela estava livre para conversar. A Ju falou que sim. Gente, quando a mãe dela chegou lá, ela estava chorando muito, muito, muito. Motivo?

Tonha tinha surtado e brigado com todo mundo lá na casa, porque ela falou que a Ju não tinha dado atenção para ela no casamento e que estava destratando o paizinho querido dela, o Jurandir. E por isso, ela não ia para a casa da sogra da Ju passar a virada do ano. Ela passaria o ano novo sozinha ali nessa casa alugada.

E aí, gente, mãe é mãe, né? A mãe dela, para não criar mais conflito, ela decidiu passar o ano novo com a Tonha, e ela estava chorando justamente por isso. O que ficou muito claro para a Ju?

Que a mãe dela passaria com a Tonha, não por uma questão de preferência, muito pelo contrário. É porque a Ju ia voltar para a Irlanda. E a mãe dela ia ficar com a Tonha no Brasil. Então a mãe dela teria que evitar conflito. Porque senão ela teria que continuar lidando com a Tonha aqui. A Ju ia embora e a mãe dela ficava.

A Ju ficou morrendo de pena da mãe dela, porque era muito claro que a mãe dela estava tomando uma decisão que ela não queria tomar. Mas era a que teria a menor... a menos pior das consequências. E depois de muita conversa com a família do noivo, do Daniel...

Por volta ali, gente, das nove da noite, eles decidiram invadir a casa que a mãe da Ju estava. Eles falaram que não iam deixar que uma briguinha besta acabasse com tudo e que o amor ia vencer. E assim, eles tomaram a decisão. Chegaram lá com tudo.

Assim que elas chegaram, a Tonha estava no fogão fazendo uma farofa. Ela foi neutra na recepção, não estragou tudo, mas também não fez o menor esforço para ser agradável. Quando deu meia-noite, a Tonha só deu um abraço de Feliz Ano Novo na Juliana, mas um abraço só por obrigação também. A única troca de palavra entre elas duas foi Feliz Ano Novo.

Logo depois, a Juliana e o Daniel foram embora e no dia seguinte a família dela foi embora de Curitiba. A irmã mais nova, gente, ela estava passada, incrédula com as atitudes que a Tonha teve e ela se recusou a voltar no mesmo carro que ela. Então a avó voltou no lugar dela. A Ju também depois foi para São Paulo com o marido e alguns dias depois teve um jantar de aniversário para a avó e lá estava a Tonha. Chegou atrasada, ficou pouco e elas mal conversaram.

Três dias depois, teve um almoço de despedida para a Ju. No estacionamento, a Tonha só deu ali um abraço de boa viagem e tchau na irmã. E esse foi o último contato que elas duas tiveram, gente. Começo de 2025.

Alguns dias depois, a Tonha simplesmente saiu do grupo da família no WhatsApp sem falar uma palavra sequer. A Ju, então, não tinha mais nada a perder. Ela removeu a Tonha das redes sociais dela. E, gente, a Tonha teve a pachorra de reclamar para a mãe, dizendo que a Juliana tinha bloqueado ela. O que não era verdade, né? Ela só tinha sido excluída. E a Juliana mostrou isso para a mãe dela.

Quatro meses depois, em 2025, agora eu acho que vocês vão ficar chocados, gente. A Tonha fez aniversário, sabe em quantos anos? 40 anos. 40. Do jeito que eu falei aqui, com essas atitudes dela, não parece que eu tô falando de uma adolescente? Pois é, gente, tô falando aí de uma mulher criada e crescida.

Então assim, parece uma adolescente, mas não, uma mulher com 40 anos nas costas. A Ju não mandou mensagem de aniversário e aquele tchau no estacionamento foi a última vez que elas se viram, a última vez que se falaram. A Ju aceitou esse processo da vida dela, entendeu que o pai dela não tinha mais nada a somar, não tinha o que ela pudesse fazer diferente e se a Tonha e a irmã dela quis ir junto, que vá.

A Tonha nunca parou para ouvir a versão da Ju a respeito do pai, como ela se sente em relação ao pai. Ela sempre foi muito fanática pelo Jurandir. É meio inacreditável, mas ela sempre achou ele, um pai que está bem abaixo da linha média esperada para o comportamento de um pai, a Tonha sempre achou ele perfeito, intocável e maravilhoso.

E gente, eu que tenho irmã, eu não consigo entender muito bem essa atitude da Tonha. Porque se tem alguém que passa a vida inteira com a gente, é irmão. Via de regra, né? Se nada de ruim acontecer, Deus o livre.

o que acontece? Os pais, eles se vão mais ou menos ali na metade da nossa vida, os cônjuges chegam ali, né, na metade da nossa vida, o irmão é a única pessoa que está com você a sua vida toda, e você defender com unhas e dentes um cara tão vazio, você cortar relações com a sua irmã pra defender isso, pra mim soa muito surreal. E outra coisa, gente, que chama atenção aqui é como é ser, como é fácil ser e

Não é nem pai, é genitor. A Ju nunca encontrou uma explicação para esse descaso dele. E deve doer, né? Eu acho que a Ju se esforçou até demais, mas eu acho que isso foi necessário para ela conseguir enterrar ele ainda em vida. E essa foi a história da Juliana. E só para eu concluir aqui o meu raciocínio, nem vou dizer que é uma ladainha, porque acho que não chega a ser tão longa.

Mas assim, eu acho que a Ju, ela se esforçou demais, gente. Porque o Jurandir, ele é um tipo de pessoa muito complicado da gente enterrar. Eu acho que é o perfil mais difícil. E eu acho que a Ju insistiu por tanto tempo na relação deles. Porque o Jurandir... Por que eu falo pra vocês que eu acho complicado?

Porque o Jurandir, ele não é violento, ele não é agressivo, ele não é aquele pai que é óbvio e fácil de você odiar, vocês entendem? Ele é só um pai que é ausente, é indiferente, é incapaz de construir um vínculo com a filha. Vocês conseguem entender? Se ele fosse um cara que xinga, que grita e tal...

o sentimento de raiva, de frustração seria muito maior. Mas se não, eu acho que esse sentimento de indiferença é muito pior. Isso corrói, machuca, eu acho que até mais do que se ele fosse violento, porque é muito fácil você odiar um cara que é violento, entendeu? E quando ele só é ausente, ele faz você questionar se você deve mesmo se afastar ou não dessa pessoa.

Só que daí, o que acontece? Você acaba entrando num cabo de guerra. O quanto você merece ser amada, disputando com, ah, mas é o jeito dele. E quando ela fala sobre perceber que a relação é unilateral, gente, ainda bem que foi em terapia. Porque todo mundo quer se sentir importante e visto pelos pais, né? De novo eu digo, tá? Via de regra. E eu acho que o que dói...

Nesse tipo de situação, não é a questão do pai não mandar mensagem. Porque assim, quando a gente não sabe o motivo do descaso da pessoa, eu acho que dói mais na gente a sensação da gente não parecer relevante o suficiente para a pessoa sentir a falta. É aquela coisa, eu acho que...

Quando existe raiva, existe algum sentimento que dá pra gente traduzir e entender a causa. Mas quando é indiferença, não tem um sentimento. Você não tem nome pra causa daquilo. Entendeu? Então, às vezes, nem é... Às vezes não existe um motivo pra ele se sentir assim. Às vezes realmente é o jeito dele, dele demonstrar. Só que isso não traz uma obrigatoriedade da Juliana manter a relação.

e aceitar e ser compreensiva com o jeito desse homem, porque ali a entrega deles era muito desproporcional. Então, nesse caso, eu tenho certeza que para a Juliana, para a saúde mental dela, a melhor coisa que aconteceu foi, de fato, cortar esse vínculo.

E a Tonha, gente, sobre ela, ela passou pra vocês também uma vibe de ter uma síndrome de protagonista? Sabe a pessoa que quer chamar atenção a qualquer custo, que quer que as coisas sejam do jeito dela, que adora carregar aquela narrativa toda de treta da família nas costas? Sabe que conta tudo de um jeito, eu nem conheço ela, mas pra mim o perfil dela é esse.

que conta tudo de um jeito sensacionalista, que se não for do jeito dela não tá bom. 40 anos nas costas, gente, eu não me conformo. Mas me admira ela achar que o pai dela, esse Jurandir, é um homem perfeito. Só que eu tenho uma pergunta aqui. É uma pergunta que talvez seja meio profunda, e a gente nunca vai ter essa resposta. Mas será que ela genuinamente acha que o pai dela é perfeito? Ou será que ela ter ele como um pai perfeito?

É só porque se ela olhar para ele e ver quem ele realmente é, talvez desmonte uma estrutura emocional nela. Porque foi uma briga que ela comprou com a Juliana há muito tempo. Ele é, nossa, ela é a favorita do papai há muitos anos. E se Deus o livre ela descobrir que ele não é esse homem, que ela fez um inferno na vida dos outros a troco de nada. Então talvez ela só não queira enxergar.

Que ele é um homem falho. Que ele é um homem morno, vazio. Mas assim, sinceramente, gente, eu não vou ficar aqui construindo ideia sobre essa Tonha. Porque eu acho uma perda de tempo ficar falando isso sobre... Ficar aqui divagando sobre uma mulher de 40 anos. E eu quero que ela se lasque.

Que a Juliana me desculpe. Mas pra mim nada justifica uma irmã simplesmente invalidar a outra. E agir com birra no dia do casamento, cara. Vai estragar o teu casamento, não dos outros. Então ela e o Jurandir que se abracem. E vão pro inferno juntos. Sendo bem sincera, tá?

Mas no fim, fico muito feliz pela Juliana, uma mulher forte, determinada, que construiu uma vida, apesar disso que aconteceu. Ela foi embora sozinha, ela fez a carreira dela, comprou uma casa, criou vínculos saudáveis, encontrou um parceiro, fez terapia, e ela principalmente aprendeu a colocar limites.

aprendeu a hora de tirar as pessoas da vida dela. E eu sempre falei aqui no podcast, mais importante do que você saber falar não, é você saber a hora de se retirar da vida das pessoas e tirar as pessoas da sua vida. E muito embora a Ju tenha passado por um luto em relação ao avô dela, podemos também dizer que ela passou por um luto com o pai e com a irmã. Não deixa de ter sido uma perda. Mas eu acho que o luto mais doloroso

É justamente a gente ter que aceitar que algumas pessoas nunca vão conseguir amar a gente da forma que a gente merecia, barra precisava, barra esperava. E não porque a gente não mereça ou a gente não seja amável, mas porque essas pessoas simplesmente não têm essa capacidade. Então, eu sei que é clichê falar isso agora, meados de 2026, mas é aquela coisa.

eles se comportarem desse jeito com a Juliana, é sobre eles, não é sobre a Juliana. Então eu espero que a Ju siga o caminho dela feliz, com muita prosperidade, muito sucesso na Irlanda, que ela construa uma família cada vez mais feliz, mais linda, e que ela fortaleça as relações que ficaram, as relações que saíram, que nem façam diferença.

Mas é isso, essa é a história da Juliana, e é muito triste pensar que muitos de vocês aqui vão se identificar. Então fica meu abraço aí, quem tem uma relação falhada, uma relação...

ruim com o seu pai ou genitor. E é isso. Se você quiser comentar sobre essa história, comente no nosso grupo do Telegram. Eu estou esperando vocês por lá. Mande sua história até ok.podcast.gmail.com Me siga no Instagram até ok.podcast E até o próximo episódio. Tchau, tchau.

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