Episódios de Até aí, ok!

Manda áudio 32

06 de maio de 202628min
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Participantes neste episódio2
P

Paula Ateaiok

HostPodcaster
C

Cecília

ConvidadoPrincesa
Assuntos4
  • Viagens e PerrenguesEncontro com peru em local isolado · Subida perigosa em Campo Magro com tiros · Trilha de ônibus em pedreira com sinais de perigo · Perda de sinal e 4 horas em estrada de terra · Dificuldade em encontrar hotel na Serra do Rio do Rastro · Ataque de formigas em cachorro
  • Lua de mel assustadoraMedo de gansos e galinhas · Cidade deserta e assustadora · Confusão com querubim e monstro do Lago Ness
  • Medo e AnsiedadeAssociação de gatilhos de medo · Reação a situações de perigo · Diferença entre perrengue e medo real
  • Memória e esquecimentoEsquecimento do Monstro do Lago Ness · Dificuldade em lembrar detalhes de viagens
Transcrição71 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Oi! Você tem uma coisa bem legal, mas é muito curtinha pra mandar e-mail? Então, manda áudio, ok? Oi, galera! Oi, Paula! Oi, Tatuzinho! Oi, apoiadores! Meu nome é Cecília. Vou contar uma história aqui da minha lua de mel. Calma, calma, que pode ser para menores também, tá?

Então, não vou contar a cidade, né? Mas, só para não identificar aqui, mas não sei se eu posso falar o nome da cidade, mas enfim. Fomos para uma cidade litorânea em 2013, quando a gente casou. E nessa cidade, ela não tinha lá muita coisa para fazer, né? Mas nas cidades próximas, tinha. Então, lá fomos nós, uma cidade próxima deste lugar que a gente foi, passa na sala de mel, em setembro de 2013.

foi uma indicação, né, até do pessoal da cidade, né, e falou, ó, vai naquela cidade, lá tem um museu, tem uma fonte, tem as igrejinhas, tal, né, e você já conhece um pouco daquela cidade, legal, fomos, lá vamos nós. E a gente foi lá na igreja, fomos no museu, tal, e aí quando chegou nessa tal da fonte, logo na frente, assim, ó, a cidade, gente, em setembro, né, vocês sabem, tá época de frio, não é calor, não tem muita gente, né, e algumas cidades, infelizmente, elas vivem de turistas mesmo, né, então,

só na alta temporada, tem muitos turistas, e setembro, não era demanda, né, de praia, então só tinha eu e meu marido lá nessa cidade, acho que fora os moradores. E quando chegamos nessa cidade, a gente viu que tava deserto, não tinha uma alma viva, não tinha um carro, gente, na rua, a gente achou muito estranho, tudo fechado, eu me apavorei. Eu, pra quem assistiu, pegando a ref aí, a casa de cera, eu me apavorei.

Nossa, tava estilo aquela cidadezinha de lá, tava muito deserto, muito deserto, muito deserto, e eu já fiquei esquisita, e eu não sou uma pessoa cagona, desculpa aí a palavra, mas eu não sou essa pessoa medrosa, sabe, mas aquele dia eu fiquei apavorada. A cidade parecia o filme, né, e aí a gente foi se aproximando da fonte, não tinha ninguém, né, tava um deserto, né, a fonte.

E na hora que a gente olhou assim pro lado tinha um pedalinho, a minha marinha ainda falou, olha que legal, um pedalinho, né, quer ir aqui num deserto, gente. Eu falei, não, não quero. Daqui a pouco na hora que a gente olha um monte de ganso, de ganso se aproximando da gente e indo pra saída, sabe? E eles em filinha, e papapai, papai, vindo pra cá, pra lá, pra lá, indo pra saída, lá que a gente acabou de passar pela entrada, né, que é a mesma saída, e...

Aí meu marido falou, né, de pedalinho, eu falei, nem é pau que eu vou no pedalinho, morrendo de medo, apavorada, morrendo de medo dos gansos. Uma vez, quando eu era pequena, um ganso mordeu minha avó, acondi a minha avó e mordeu, então eu cresci com medo de ganso. E aí tinha um monte deles, eu não sei quantos tinham, mas tinha um monte deles. Eu...

Fiquei com medo e depois atrás dos gansos apareceu uma galinha com pintinho. Aí eu falei, nossa, a galinha vai ficar brava, vai ficar achando que a gente pode ser um perigo pro pintinho. E a gente vai, ela vai vir em cima da gente, vai bicar a gente e o ganso vai vir e os gansos vão vir morder a gente. E aí eu já entrei apavorada e os gansos foram lá pra saída, lá pra calçada. Continuamos nosso passeio pela fonte.

fomos andando, né, é um parque, é grande, não é gigantesco, mas ele é bem grande, fui andando, e aí meu marido, vai lá tirar foto, não sei aonde, eu sou apaixona por foto, eu sou doida por foto, eu tiro foto de tudo, de uma formiga, de uma borboleta, de uma flor, eu tiro foto de tudo, esse dia não tava na pegada, não tava, tava apavorada já com o ganso, já com a cidade que tava vazia, deserta, e fomos indo, aí tem uma pontezinha, meu marido, vai lá tirar foto, eu não quero, eu acho que não quero e tal, né, e aí, meu sorriso todo, os amarelo, Paula, gente,

Todas as minhas fotos eu tô muito amarela porque eu tô apavorada, enfim, tá. Aí daqui a pouco a gente chega, tinha um gazebo, coisa bem bonitinha, sabe? Coisa bem assim de interior, assim, muito lindo, muito lindo, muito lindo, muito lindo. Essa cidade é do estado de São Paulo, tá? Aí fomos indo e aí vê mais matinho pra cá, vê gazebo, vê a pontezinha, parará, parará. Daqui a pouco a gente chegou numa fonte bem grandona, né? Como se fosse um lago.

muito grande, mas você podia, né, ultrapassá-lo, sabe? E aí, meu marido, vai lá tirar foto, e eu não queria ir, eu não queria ir, mas eu fui, que eu falei, vamos, né, tudo pela foto, tal, vamos, eu fui. Na hora que eu tô indo, o meu marido vai e aponta pra, né, como se fosse nas minhas costas, né, onde eu tinha parado pra tirar foto, porque eu não queria ir muito pro fundo, porque eu tava apavorada. Não entrei, não entrei na água, né, eu só passei pela fonte, assim, né, e fui lá atrás pra tirar foto.

E ele apontou como se fosse para trás de mim. E ele fez assim, olha! Na hora que ele fez, olha, gente, para me apontar alguma coisa que estava atrás de mim, no fim, nem estava atrás de mim, estava na minha frente, mas eu não consegui ver nada do nervoso, não consegui entender. Gente, eu saí correndo para o encontro dele, saí correndo apavorada, morrendo de medo, chorando. Já estava chorando. Aí ele falou, nossa, o que foi?

E aí eu falei assim, é... É o monstro do Lago Neste. Gente, eu tava já, olha, doida. Eu já tava no meu medo da casa de cera, acho que no meu medo da cidade vazia, daqueles gansos, da galinha com filhotinho. Eu achei que o monstro do Lago Neste tava lá naquela fonte. E, gente, era um querubim. Ele tava mostrando um querubim com o biquinho, assim, sabe? Jogando aguinha lá na fonte, parará. Gente, meu passeio acabou aí. Acabou aí.

Aí deu pra mim porque eu não parava mais de chorar, meu coração tava desesperado.

tinha uma fonte de água potável, né, de uma nascente, vamos abaixar pra tomar a água, mas, gente, a qualquer momento ele falava assim, né, mas ele falava assim, o que aconteceu, o que foi, você ainda tá com medo, tá apavorado, porque acabou, acabou pra mim isso daí, o monstro do rago 10, ele tava saindo daquela fonte, eu vi, eu juro que eu vi, quando ele apontou pra mim, eu vi que ele tava saindo o monstro do lado, eu vi. E aí, gente, eu falava assim, amor, e se vira um urso?

E se vira um urso aqui, né, e pegar a gente aqui dentro e tal, né, vamos embora.

E ele falou assim, amor, no Brasil, né? Urso? Aí, gente, acabou, acabou, gente. Nossa, o passeio acabou ali. Aí, já tava acabando mesmo. E aí, fomos pra frente, gente. Aqueles gansos estavam todos lá na frente. Todos. E a gente falou, como que a gente ia passar agora pelos gansos? E eles estavam com uma cara de bravo. Todos com uma cara de bravo. Eles estavam lá me acumulando pra pegar, gente. Tenho certeza disso. Gente, saímos de lá.

O carro tava próximo. A gente passou pelos gansos. Não tão próximo, mas passamos.

E fomos depois ver Mirante, da cidade e tal, tudo. Gente, olha. É verdade que toda viagem tem um perrengue. Porque não é possível. Toda boa viagem tem um perrengue. E esse é o perrengue da minha lua de mel.

Guia o conto pra muita gente. Gente, foi um dia, assim, surreal. Eu não sei o que aconteceu comigo. Sei que eu vi moço de Lagunés. E eu também tava apavorada com o urso que podia me pegar a qualquer momento. Então é isso. Até ok, né, gente? Então, a gente é doido mesmo. Então, um beijo pra vocês. Quero falar que eu amo esse podcast maravilhoso, que é fundamental. E, Paula, te amo de paixão. Você é muito necessária. Você é incrível.

Obrigada. Um beijinho no totuzinho. E fiquem com Deus. Beijo, beijo. Tchau, tchau.

Ô, louco, meu, a Cecília já deu um oi caloroso aqui e falou em seguida que a história era da lua de mel. Eu só pensei, peraí, o que tá vindo aí? Aí eu vi que não tinha nada a ver. Mas, gente, vou falar uma coisa. Eu não sou psicóloga pra dar palpite sobre nada, não tenho entendimento sobre.

Mas eu acho que o fato da Cecília ter, primeiro, feito a associação do caminho deserto, né? Do lugar estar vazio. Associando com a casa de cera. E ela ter visto o ganso. Eu tenho certeza que esses ganhos funcionaram como um gatilho pra ela. E aí ela ficou ali esperta.

Eu não vou falar que é uma crise de ansiedade, porque eu acho que não chegou a ser. Mas eu acho que foi alguma coisa aí próxima, que fez ela ficar extremamente alerta. E aí tudo que acontecia, ela sentia medo. Sabe quando você está fazendo, está no meio do mato, por exemplo, fazendo alguma coisa concentrada, alguém vem e passa.

Alguma coisa na tua perna como se fosse uma cobra. Cara, você fica 100% alerta. Então, eu acho que rolou isso daí com a Ceci. E se ela conta rindo, beleza. Mas eu, no lugar dela, eu não sei se eu teria contado rindo. Porque, gente, eu não suporto sentir medo. Eu não suporto sentir medo. Nossa, é uma das... Pra mim, medo e ciúmes.

E arrependimento. Nossa, pra mim esses três sentimentos assim. Eles deixam qualquer lembrança minha amarga, sabiam? Nossa. Então me admira que ainda ela conseguiu curtir alguma coisa. E pra ela foi só um perrengue. Porque eu teria ficado com medo real assim. Eu quando começo a ficar com muito medo. Eu já quero encerrar tudo, quero ir embora. Sabe, eu não sou uma pessoa movida. Adrenalina, esse tipo de coisa. Ali nem era ocasião, né?

Ali ela tava fazendo um passeio e tal. Mas gente, eu sou muito medrosa. Nesse sentido assim.

Teve uma vez, o meu pai, ele gostava bastante de catar o carro e viajar. Então, eu, minha mãe, minha irmã e ele, a gente vira e mexe, assim, aqui para os estados aqui do lado. Meu pai sempre gostava de ir, ficar vendo o campo e tal. E aí, eu não me lembro, eu era criança, tá? Eu não me lembro onde que a gente estava.

que eu precisei parar para fazer xixi. E minha mãe fala que eu sempre tive essa mania insuportável de todo lugar que eu tinha que conhecer o banheiro. E a gente achou só uma casinha, assim, que era... Eu acho que devia ser um ponto de venda de alguma coisa artesanal. Eu não lembro. Eu sei que era um comércio e eu só tenho na minha cabeça que era no meio do mato um negócio muito, muito, muito simples, assim. E eu precisei ir ao banheiro.

E o banheiro era um lugar que era quase dentro da casa deles, assim. Porque era um lugar muito simples mesmo.

E eu lembro, era bastante mato. E aí eu lembro que eu fui ao banheiro e quando eu saí, gente, eu travei, porque eu tinha um bicho enorme na minha frente. Não me julguem, eu era criança. Esse bicho era enorme e ele estava parado me olhando.

Eu fiquei congelada e ele fez um glu-glu. Era um peru. Mas eu não sabia. Gente, eu saí correndo. Que perna pra quem tem. Perna pra quem tem. E aí eu cheguei e falei, mãe, pelo amor de Deus, pai. Tem um bicho, uma ave parada, me olhando, fazendo glu-glu. E aí a mulher, todo mundo começou a rir, né? Ai, que raiva que eu tenho. Que raiva que eu tinha disso, sabe? Quando eu era criança e...

Eu não tinha noção de algumas coisas assim. E aí eu virava a piada do lugar, né? Sem entender. Eu lá morrendo de medo, todo mundo rindo. Até hoje também. A minha mãe, ela lembra dessa história. E eu tive mais duas situações. Que agora, assim, eu já tive muito mais do que isso. Mas eu tive duas situações que eu me lembro. Que eu, gente, eu senti muito, muito, muito, muito medo. Quer dizer, uma não foi medo. Foi mais perrengue do que qualquer outra coisa.

Mas uma delas, eu tinha acho que uns 20, 21 anos. E numa cidade, não é cidade, região metropolitana. Aqui perto de Curitiba, um lugar chamado Campo Magro. Campo Magro é um lugar muito explorado. Pra fazer trilha de carro. Tem um lugar chamado Pedreira, que é um lugar que já foi muito lindo. Mas hoje é um lugar meio que de desova. É bem horrível. Nossa, acabei de lembrar de uma outra situação também disso. Meu Deus, foi muito horrível. Tá.

Deixa eu ir por partes aqui. E eu tinha acho que uns 20 anos e eu fui com uns amigos. Porque eles falaram que tinha um observatório muito legal lá pra ver as coisas. Gente, simplesmente. E eu só fui no embalo deles, assim, né? Porque eu acho que eles conheciam e eu só fui. E aí a gente começou a subir, tipo, de um morro, assim. Mas a gente parou o carro e começou a subir. Não foi nenhuma, nada, uma aventura muito extraordinária. A gente parou e começou a meio que subir.

Gente, daqui a pouco eu comecei a escutar tiro. Era tiro e um homem começou a gritar, sai da minha propriedade, sai da minha propriedade. Gente, assim, eu não sei, né? Eu imagino que não era. Eu acho que era carabina, sabe? De chumbinho, qualquer coisa. Eu não acho que fosse alguma coisa muito, tipo, bala normal, sabe?

Sei lá, gente do céu, eu lembro que eu saí de lá, mas apavorada, apavorada, apavorada, eu falei, nunca mais eu vou me aventurar, porque era de noite. Então eles não conseguiam ver que eram jovens ali de 20, 21 anos. E se visse também, acho que daí sim que ele ia querer balear, né? Da galera, de certo, todo mundo invadindo o observatório, sei lá o que que era do cara. Até hoje eu não entendi o que que era aquilo, porque a gente nem conseguiu executar, né? Finalizar ali o nosso plano que era subir.

Sei que o cara já começou a dar tiro, eu saí de lá correndo, falei, meu Deus, eu quase morri, minha mãe ia me matar se eu morro.

E a outra situação que foi que eu passei, que eu lembrei agora, foi que a gente uma vez... Ai, cara, mas também tem coisa... O que a gente tem na cabeça, né? Uma vez eu estava com um grupo de amigos. E um desses amigos, o pai dele tinha uma empresa de ônibus escolar. E tinha um ônibus que estava meio abandonado. E esse cara, ele morava em Campo Magro. E a gente estava fazendo um churrasco. Cara, olha as ideias. Meu Deus, eu tanto de vezes que eu já quase morri nessa vida.

E a gente estava fazendo um churrasco e o cara falou assim, hein, vamos fazer uma trilha de ônibus? Gente, como que isso poderia dar certo? Como? Não, vamos fazer uma trilha de ônibus? Eu não sei o que passa na cabeça da pessoa que propõe isso.

E pior, eu não sei o que passa na cabeça da pessoa que aceita isso. Porque todo mundo aceitou sem pensar duas vezes. Ai sim, vamos! Uma trilha de ônibus, gente. Qual a chance de isso estar certo? E aí, na verdade, não é que a gente foi pra uma trilha. O que a gente fez? A gente foi até a pedreira, o lago dessa pedreira. Por muito tempo ela foi um lugar que ninguém descobriu. E aí ela era linda. Só que depois que descobriram, aí o negócio ficou avacalhado.

E aí eu me lembro que ele simplesmente, gente, ele engatava assim, primeira, segunda, ele acelerava aquele ônibus. E fazia as curvas fechadas, até hoje eu não sei como, eu não sei como. Isso já faz uns 12, 13 anos assim.

Mas eu não sei como que ele conseguiu. Só que pra você chegar na pedreira, que é esse... Aí eu não sei nem... Eu acho que se vocês verem aí um Google de pedreira, campo magro, eu acho que é capaz de aparecer. E aí pra você chegar lá tem tipo de uma ponte. Gente, eu me lembro que o ônibus passava certinho nessa ponte. Tanto que eu olhava pela janela do ônibus, a gente devia estar uns oito dentro do ônibus.

E aí eu olhava pela janela, eu não enxergava a ponte, porque ela estava coberta pelo ônibus, conseguem entender? Porque ele ocupava o espaço. Caso você caísse, meu Deus. E eu lembro que ele falou assim, olha, nem lembro o nome dele, acho que era Wagner. Eu sei que ele falou assim, ó, gente, se dividam, fiquem metade para um lado, metade para o outro, tentem equilibrar o peso, para não correr o risco do avião, do avião, do ônibus tombar aqui na ponte.

Eu acho que esse dia foi o dia que eu senti mais medo da minha vida. Porque quando a gente começou a fazer essa trilha, já era final da tarde. Trilha, entre aspas, né? E quando caiu a noite, a gente tava chegando na pedreira. E eu comecei a falar, gente, eu tô com medo. Eu tô com medo, tá escuro, eu tô com medo. E o pé acelerava aquele ônibus, acelerava.

E eu falava, cara, eu tô com medo, eu tô com medo. Quando a gente chegou na pedreira, gente, tinha um carro parado lá. E esse carro começou a dar sinal de luz muito alto. Ele dava muito sinal de luz, assim, ó, em sequência. E eu lembro que eu olhei, e eu sempre fui meio inocentona pra essas coisas, assim. Sempre fui muito ingênua. Eu falei, e lá, o que que tão dando sinal de luz? Será que é boas-vindas pra gente? O que que é, né?

E daí ele bem assim, gente, não vai rolar aí, eles devem estar desovando alguma coisa. Aí eu falei, como assim? Cara, é o sinal de que não é pra gente ir, se a gente for vai dar ruim. Gente, no meio, assim, final dessa ponte, ela era uma ponte relativamente curta. Ele teve que engatar ré e voltar de ré nessa ponte.

Porque eu falei assim, será que eles não estão fazendo alguma coisinha 18 mais? E aí eles não querem que a gente vá para não verem? Ele falou não, porque até a gente chegar lá, eles poderiam terminar, ir com o carro para outro lugar, qualquer coisa. Mas com o tanto que eles estão dando de sinal de luz, alguma coisa está acontecendo. E não é difícil de vocês acharem. Uma vez eu vi no jornal que eles mergulharam nessa lagoa, na pedreira.

E gente, encontraram um monte de carro. Carro, a galera simplesmente jogava o carro lá pra dar golpe em seguro, sabe? Pra pegar o dinheiro do seguro e da PT em carro, dar o carro como roubado, essas coisas. O tanto de gente que já sofreu acidente, que já ficou preso. Porque daí o que aconteceu? Quando a pedreira era bonita, nossa, era a coisa mais linda do mundo, assim. Você vê ela de cima e tal. Só que a partir do momento que ela ficou conhecida, nada como ser humano pra estragar.

Eles começaram a jogar carro lá. E ela é funda, pelo jeito, né? Não sei. E o que aconteceu? A galera começava a pular de uma distância alta, porque ela tem uma parte bem alta. A galera pulava. E como eles acabavam mergulhando muito fundo, eles ficavam presos nos carros, nessas coisas que tem lá embaixo. Gente, me dá um arrepio só de lembrar. E de falar. Eu nem vou detalhar aqui, porque se tá dando gatilho em mim, imagina em vocês.

Então acabou virando um lugar muito perigoso. E aí eu ouvi falar que virou um lugar de desova de corpo e não sei o quê. E aí eu lembro que eles só falaram, eu só falei, cara, se eu já vim me cagando de medo essa trilha inteira dentro desse ônibus e tava todo mundo de boa e agora tá todo mundo com medo, então agora sim eu tenho mais motivo ainda pra ter medo. Gente, que medo que eu senti nesse dia. Eu lembro que eu cheguei em casa, eu fiquei ainda...

Eu falei, meu Deus, se meu pai souber, na época eu morava com o meu pai, eu falei, meu Deus, se meu pai souber aonde que eu tava, o meu pai me mata e nunca mais ele me deixa sair de casa. Gente, eu acho que eu fiquei uns quatro dias em casa assim, meu Deus. O que podia ter acontecido? Sabe o tanto de coisa ruim que podia ter acontecido? Meu Deus do céu.

E a outra coisa que eu ia comentar com vocês é que também vem do meu pai. Essas aventuras de andar de carro aí, sempre vem do meu pai. A gente foi em 2020, acho que foi. Foi época de pandemia. Foi época da pandemia. Meu pai falou, cara, vamos viajar, vamos fazer a Serra do Rio do Rastro. E a gente, ah, vamos. E aí, lá fomos nós. Cara.

O meu pai, como ele já viajou muito de carro a vida inteira dele, ele já tinha viajado, né? Ele achava que ele era muito entendedor de todas as ruas, assim. E a gente foi fazer a Serra do Rio do Rastro, a gente queria passar pela Serra do Corvo Branco. E explorar lá, né? Urubici, não sei o quê. E aí, num determinado momento, a gente ficou sem sinal no GPS.

E a gente tava indo pra Urubici. E aí... O meu pai pegou e falou assim... Era o meu cunhado que tava dirigindo. Aí o meu pai pegou e falou assim... Meu cunhado falou assim... Cara, perdi o sinal de GPS. Não sei pra onde que a gente vai. Aí o meu pai falou... Não, eu sei onde a gente tá. Pega aqui à esquerda. Meu cunhado falou... Tem certeza? Gente, a gente tava numa estrada. E o meu pai simplesmente falou pra gente pegar um buraco na esquerda.

Aí meu cunhado falou... Sem certeza? Meu pai, tenho? Pega aqui que a gente vai sair lá em Urubici.

Gente, eu juro por tudo que é mais sagrado nesse mundo. A gente ficou quatro horas, quatro horas, andando com o carro, atravessando, era mato e lama.

Não tinha civilização, não tinha casa, não tinha sinal no celular, não tinha nada. O tanto que a gente atormentou o meu pai, que a gente falou, você jura mesmo que você sabia o que você estava fazendo? A placa falou que a gente estava uma hora de urubici. Já faz três horas que a gente está no meio do nada e eu não sei aonde a gente vai parar.

Gente, foi um misto de engraçado com um desesperador. Porque eu tenho muito medo, assim. Porque eu falei, cara, se acontece alguma coisa, não tem gente aqui? Tipo, tinha umas casas que eu falava, como é que essa gente faz mercado? Como é que pagam luz? Como é que chega a internet aqui? Vocês também ficam se questionando isso? Porque a gente via máquina, roupa estendida. Então, a gente sabia que em algum momento passava gente. Mas começou a escurecer. Falei, gente, se acontece alguma coisa? A gente estava em cinco no carro.

Eu falei, se acontece alguma coisa, não tem um fiapo de sinal de celular aqui. Não tem como pedir ajuda, não tem nada. Nada, nada, gente. Sério. Aí ele me disse, não, é que eu sabia onde a gente estava. A gente estava viajando sem...

Como é que ele falou? A gente tava viajando sem rumo e resolveu aproveitar. O meu marido, ele na época, a gente tava em crise. Ele não foi nessa viagem. Na época ele era meu namorado. E eu lembro que quando eu contei pra ele, assim, como foi, ele falou pra mim que o filme Férias Frustradas, eu não sei se vocês já assistiram, Férias Frustradas, era a definição do meu pai. Não, vamos pegar esse caminho aqui, ó. Nós estamos de férias, vamos ver o que vai dar. Vamos pegar esse caminho aqui. Cara, era cada buraco que a gente se enfiava.

Que olha, se eu tivesse me ligado, eu teria pedido pra minha irmã gravar um áudio pra falar da experiência dessa viagem. Cara, e meu pai tentava disfarçar assim, não, tamo curtindo a vista. Que vista? Era só folha e lama. E a gente tava, que carro que era? Acho que era uma Spin.

Porque o bandite tava junto, né? Então tinha que ter espaço pro bandite. Gente, pelo amor de Deus. A gente não conseguia enxergar nada. Não era nem... Ai, tamo curtindo uma trilha aqui. Não. A gente só foi praquele mato. E aí eu, de repente, eu falei... Gente, eu acho que eu tô vendo luz. Eu acho que eu tô vendo civilização. Aí a gente conseguiu...

encontrar um pouco da civilização. Mas a mesma coisa também. Meu pai não, porque não precisa reservar o hotel e tal, porque lá é turístico. Gente, lá encheu. Eu nem lembro o rolê. Mas eu sei que lá enche, enche, assim, de motoqueiro e tal, que a galera tudo vai pra fazer a Serra do Rio do Rastro. E eu lembro que tava escuro. A gente tava faminto. A gente achou a civilização. E, de repente, a gente foi parar de novo no meio do nada, procurando hotel, porque não tinha hotel.

Cara, eu queria muito me lembrar o nome das cidades pra dar uma referência melhor aqui pra vocês. Mas eu sei que a gente saiu de uma cidade e chegou em outra, que era essa cidade turística que eu acho que é Urubici. Um frio, frio, frio, frio. E minha irmã tipo com um biquíni na mala. Ai, meu Deus, foi muito maravilhosa essa viagem.

Eu quero ver se eu me lembro dela. Se eu me lembrar com mais detalhes. Acho que ela caberia até numa história de perrengue mesmo. Mas aí, eu lembro que meu pai... Não, a gente vê lá o hotel. Não precisa. E minha irmã... Pai, minha irmã já tinha falado antes. A gente... Pai, não é melhor reservar? Não, a gente acha por lá. Gente, a gente não achou. Aí, a gente começou a voltar.

E a gente começou a cogitar dormir em motel. Porque daí ficaria o meu pai com a pessoa num quarto. A minha irmã e meu cunhado em outro. Só que eu falei, gente, mas daí eu vou pra cadeia? Como é que eu vou com o bandite em outro? O que vão pensar de mim?

Eu falei, não dá, gente, eu tô sozinha, não tem como. Mas, gente, nem motel tinha disponível. Porque a gente só precisava dormir, já era tipo 11 e pouco da noite. No fim, a gente teve que voltar pra outra cidade que a gente já tinha passado. Pra daí a gente conseguir achar um lugar, um hotel disponível pra gente ficar. E aí a gente ainda pegou, assim, o hotel beira de estrada, sabe? E... Aí tudo bem eu entrar com o bandido, né? Tudo bem o bandido dormir comigo. Mas, gente, olha...

Eu falo pra vocês, o meu medo dessa... A primeira vez foi levar tiro. A segunda foi tudo. Foi desde essa trilha de ônibus até a ponte. E principalmente com o farol... A gente não sabe quem tá do outro lado. A gente ali tava todo mundo de boa num churrasco que resolvemos se aventurar. Você não sabe quem tá atrás daquele carro. Se a pessoa tem uma arma, qualquer coisa... Ai, gente, morro de medo. E...

Essa viagem que a gente fez com o meu pai, o meu medo, foi justamente, falei, cara, a gente já tá aqui há quantas horas? Gente, eu tinha, a gente não tinha nem como olhar no GPS pra ver quanto tempo de estrada ainda. Tipo, eu tava, a gente tava no escuro. E literalmente, porque tava de noite. Então, a gente tava no escuro, sem saber quando que a gente ia achar a civilização, sem sinal no celular, e se acaba a gasolina, e se acontece alguma coisa, e se fura um pneu, e se...

Cara, se um bicho atravessa a frente, gente, sério, minha cabeça vai muito longe. E só uma última coisa aqui, que daí é que eu deixo vocês me julgarem. Vocês sabiam que quem me falou do monstro do Lago Ness foi meu marido? Quando a gente namorava ainda, eu não conhecia, nunca tinha ouvido falar. Ou se tinha, eu esqueci dele. Meu Deus, todo mundo estudou na escola, falou na escola, tinha livro e tal. Gente, eu não me lembro. Não me lembro do monstro do Lago Ness. Não me lembro de verdade.

Mas enfim, fica aí. Se algum dia eu conversar com a minha irmã, eu olhar as fotos e tal, se eu conseguir me lembrar dessa história, eu trago essa história como um terrenque de viagem. Porque essa... E outra, a gente fez a Serra do Rio do Rastro, maravilhosa, vale muito a pena. Mas a Serra do Corvo Branco, na parte que vira pra entrar nela, meu cunhado passou chutado. A gente... Ah lá, foi-se. Foi-se com Deus. E aí a gente não fez, não conseguiu fazer a Serra do Corvo Branco.

Então, eu lembrei de mais um perrengue também que a gente passou. A gente parou no... Esqueci o nome agora, não sei se o nome é observatório também. Me deu branco aqui. Sabe quando você está fazendo assim, você está lá na estrada e aí você para num lugar alto que você consegue ver tudo assim embaixo? Eu esqueci o nome. Eu acho que não é observatório, está na ponta da língua, mas não vem.

Enfim, a gente parado ali olhando a paisagem e o bandite do lado. Gente, o bandite começou a sapatear. Sabe urso com a chapa quente que eles começam a sapatear? O bandite começou a sapatear, começou a querer correr pra tudo que é lado. E tava eu e meu pai só.

O povo acho que tava do outro lado, assim, olhando do outro lado, não sei. Eu sei que eu olhei e falei, o que ele tem, gente, quando a gente olhou uns formigão enorme pegando ele. Nossa, essa viagem foi muito perrengue, eu tô lembrando agora. Nossa, lembrei de mais um detalhe. As formigas começaram a pegar o bandite.

começaram a pegar, a subir nele, e eu acho que picar, e ele começou a pular pra lá e pra cá, e eu comecei a ficar desesperada, achando que as formigas iam pegar eu também, e eu comecei, pai, pelo amor de Deus, tem que tirar as formigas dele, tá machucando ele, e eu fiquei com medo de tirar com a minha mão e elas me pegarem. Aí eu fui e só vi um paninho branco no chão e catei pra tirar do bandite. Gente, não era um lenço umedecido, usado, que alguém limpou o bebê e deixou cair ali?

E não foi xixi? Ah, gente, peguei ainda um lenço, me decido cagado pra passar no coitado bandite. Meu Deus, que perrengue que foi. Mas valeu a pena e eu faria de novo. E eu pergunto pra Cecília a mesma coisa. Foi um caos, tá, mas faria de novo ou não? O problema de viagem é que sempre tem perrengue. Mas eu acho que a gente sempre faria de novo.

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