Episódios de Até aí, ok!

#226. Mãe complicada

04 de maio de 202651min
0:00 / 51:34

Quer ser um apoiador? entre no link apoia.se/ateaiok

Comente sobre essa história no nosso grupo do telegram: https://t.me/ateaiok

Para falar dela, use a hashtag #maecomplicada

⏰ Episódios novos toda segunda, quarta e sexta

✏ Mande sua história para o ateaiok.podcast@gmail.com

✅ Siga no Instagram @ateaiok.podcast

🎧 Divirta-se

Participantes neste episódio1
P

Paula Ateaiok

HostPodcaster
Assuntos6
  • Relacionamentos FamiliaresDiagnóstico de autismo e TDAH · Abuso verbal e psicológico · Negligência parental · Dificuldades na adolescência · Traumas de infância
  • Desafios da MaternidadeNão buscar validação da mãe · Desconversar sobre o passado · Proteger os filhos da dinâmica familiar · Considerar cortar laços
  • Relacionamentos AmorososPrimeiro beijo com Ricardo · Relacionamento abusivo com Jurandir · Primeiro namorado da igreja
  • Preparação e Estratégias de SobrevivênciaAprender a mentir para evitar punições · Mentiras para ter liberdade · Conflito com a mãe sobre o passado
  • Importância dos relacionamentos humanosRespeito como via de mão dupla · Ensinar pelo exemplo · Evitar exposição em conflitos
  • Autocuidado e MaternidadeImpacto da maternidade na perspectiva · Impor limites e proteger os filhos · Relação com a avó
Transcrição140 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Sejam muito bem-vindos ao Até Ok. E o episódio de hoje será dedicado aos apoiadores. Caterine Campos, Aline Demoner, Marcelo Pena Carvalho, Jéssica Ambrozevics Macedo, Beatriz Neri. Com o perdão se eu errei alguma pronúncia. E você, quer o seu nome mencionado aqui? E ainda a chance de gravar comigo?

Seja um apoiador. O link está aqui na descrição do episódio, mas se for mais fácil, entre aí no teu navegador. apoia.se barra até aí ok. E a história de hoje é da Thaís, mas se essa história é minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber. Nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Ouçam essa com atenção, porque essa é com Pitaco. Então agora sim, vem comigo.

Bom, a história da Thais, como o próprio nome da história já diz, é sobre uma relação difícil com uma mãe muito complicada, a dona Jurandira. E para começar, a gente precisa contextualizar.

A Thais, depois de adulta, ela teve o diagnóstico de autismo e TDAH. E a gente sabe que a falta de um diagnóstico, gente, se ela traz consequências dentro de um núcleo familiar saudável, imagina o estrago que não faz dentro de um núcleo familiar.

quando a tua mãe é uma jurandira. E eu não estou falando isso para vocês, para que vocês achem que o problema era a falta de diagnóstico, como se a culpa fosse da Thaís, jamais, em hipótese nenhuma. Eu estou mencionando isso, para que vocês consigam colocar na balança, o peso maior que as emoções e os acontecimentos tinham na vida da Thaís, que ela foi uma menina incompreendida, porque ela teve que correr sozinha atrás do próprio diagnóstico depois de adulta.

Então, antes da gente chegar na parte que a Thaís quer o pitaco, eu preciso muito citar algumas situações mais marcantes que a Thaís teve para que vocês consigam entender quem que é a mãe dela, a sonsa da dona Jurandira e o porquê que a Thaís quer o pitaco de vocês. Então, olha só, as primeiras memórias que a Thaís tem da dinâmica do relacionamento que ela tinha com a mãe E aí

São lá de quando ela tinha uns 6, 7 anos. Agora imaginem essa cena, tá? Ela tem uma irmã mais velha, que na época que ela era pequenininha, essa irmã tinha 18. E essa irmã resolveu morar na mesma cidade que o namorado. E um detalhe importante, essa irmã, ela não era ainda legalmente filha deles. Ela estava ali em processo de adoção. E ela foi morar com eles quando ela tinha 16 anos.

E aí, gente, dois anos depois, só dessa menina querer morar na mesma cidade que o namorado, a dona Girandira simplesmente pegava o telefone e ligava pra menina pra xingar ela. E não era qualquer xingamento. Gente, era xingamento ruim. Puta, vagabunda, é daí pra baixo. E o pior de tudo...

A Thaís e os irmãos mais novos dela, criancinhas, escutando tudo aquilo. Só que não era só com a irmã, não, tá? Nessa mesma época, a Jurandira surtava por coisas completamente banais. Tipo um armário bagunçado, uma coisa espalhada pela casa.

A pessoa tinha três filhos em casa, né? Que era uma adolescente ali e dois pequenininhos. E ela achava que a casa ia ficar impecável. Eu não consigo entender por que uma pessoa dessa tem um filho, dois filhos, três filhos, né? Mas tudo bem.

E aí, gente, qual que era a solução dela quando ela via tudo bagunçado? Ela simplesmente ia no quarto das crianças, mas especialmente da Thaís, e jogava tudo, todas as roupas da guria no chão, e falava que era para ela pegar algumas e ir embora de casa, já que ela não se adaptava com as regras. Sim, gente, a Jurandira falava para Thaís ir embora de casa.

Reforço, uma criança de 6 anos, 6 barra 7 anos. A Thais falou que no começo ela ficava desesperada, ela chorava. Só que isso começou a acontecer com tanta frequência, mas tanta frequência, que ela já tinha até esquematizado na cabeça dela para onde que ela ia fugir.

E você ser uma criança e planejar fugir, porque a mãe brigou, gente, é uma coisa que quem nunca pensava ali no cenário de fugir de casa, igual o Chaves, com o cabo de vassoura com a trouxinha de roupa no final. Mas isso que você levou uma branca da mãe é uma coisa. Agora, porque a mãe te expulsou com seis ou sete anos, aí é outra coisa. O teu senso de pertencimento dentro daquela casa já vai para as cucuia.

E óbvio, tudo isso fez com que a Thais, numa tentativa de sobrevivência, ela se tornasse o que ela chama de uma adolescente meio respondona. Ela falou que esse foi o jeito que ela encontrou para conseguir se defender. Foi o modo de sobrevivência daquele caos. Ela me falou que ela nunca foi mal educada, mas ela se tornou respondona sim. E essa falta de conexão com a mãe dela, a gente era tão profunda, que desde pequenininha, nas apresentações da escola,

ela não sentia vontade de fazer nada para a mãe dela. Nada. Sabe aquela coisa de dia das mães, de fazer cartinha e tal? Ela não fazia.

a conexão simplesmente não existia. Porque, afinal de contas, a mulher expulsava ela de casa com seis anos, que é o quê, né? E aí tem uma outra situação que é muito revoltante. Quando a Thais tinha uns nove anos, ela estava com muita dificuldade na escola. Hoje, ela sabe que as dificuldades que ela tinha na escola...

Tinha uma razão. A casa era um caos completo. E além disso, como eu falei para vocês, ela descobriu depois de adulta que ela é autista e tem TDAH. E, gente, o que ela mais precisava quando ela era nova? Rotina. E o que os pais dela menos faziam? Rotina. É claro que isso impactava completamente na rotina de estudos, automaticamente na aprendizagem dela.

E um dia, por ela não ter feito um trabalho da escola, a mãe dela começou a chamar ela de burra. E não só chamou ela de burra, ela bateu na Thaís, gente, bateu. E depois ela foi ajudar a fazer o trabalho com a maior má vontade do mundo, porque ela, feliz ou não, tinha que entregar o trabalho na escola. E isso só piora, né?

Teve uma vez que ela sofreu uma tentativa de abuso por um namorado. Depois eu menciono melhor isso, mas foi uma situação horrível, gente. E quando ela contou para a mãe sobre isso, que na verdade nem foi ela que contou, a mãe dela que ouviu. Adivinha que a mãe dela falou? Que a culpa era dela, que ninguém mandou ela se envolver com esse cara. Esse era o tipo de apoio que ela recebia da mãe dela.

Mas, né, depois desse lance da escola, ela pequenininha, a gente vai avançar um pouquinho no tempo. Quando a gente chegou ali no fundamental, era o ano da formatura dela, né, formatura ali de nono ano. E, gente, esse era um ano muito traumático pra ela e pra turma, porque uma das melhores amigas dela tinha falecido de uma forma muito trágica. Alerta gatilho, se você for ou estiver sensível, você pula aqui 15 segundinhos, tá?

Essa moça estava voltando a pé da escola sozinha. Ela foi sequestrada, abusada e morta. Imagina o clima, né?

Alguns de vocês podem até estar achando essa história meio familiar. E por ter sido um ano muito difícil, eles estavam esperando ansiosamente pelo final do ano. Eles marcaram de ir num boliche para poder comemorar depois do último dia de aula. A aula ia terminar mais cedo, tipo umas três e meia da tarde. E gente, a Thaís estava muito, muito, muito empolgada, porque ela estava de flerte com um menininho que, meu Deus, ela era encantada com ele desde que entrou na escola.

O nome desse menino era Ricardo e ele era um menino muito querido. Gente, coisa mais linda do mundo, parecia um príncipe. A Thaís fala que ele era uma versão masculina dela. Moreno que nem ela, olho azul que nem ela, todo engraçadinho que nem ela, metido a engraçadão que nem ela, super dedicado nas coisas que nem ela e inteligente. Ele era o crush supremo da vida da Thaís. E ela estava naquela expectativa, né? Será que vai rolar o primeiro beijo com o Ricardo?

Então, gente, qual que era o plano dela? A aula acabaria. Ela e a melhor amiga dela na época, a Valentina, iriam para a casa da Thaís para se arrumar.

Só que, 5 horas da tarde, como sempre, a mãe dela pediu para ela ir buscar os irmãos mais novos na escola. Era para ela ir a pé e voltar com as crianças a pé. E aqui, gente, a Thaís abriu um parênteses. Mesmo depois do que aconteceu com a nossa amiga, eu andava sozinha em uma das cidades mais perigosas do meu estado. Não é nem da cidade, é do estado. Mas, gente, ela tinha que ir, porque senão, surra.

Só que aí vem aquele detalhe do destino, né? Quem que morava do lado da escola dos irmãos? Sim, Ricardo. Então a Thaís e a Valentina saíram de casa com um tempinho de sobra para chegar lá. Quem sabe dar uma conversadinha com o Ricardo antes de pegar os irmãos? Quando elas chegaram, ainda faltavam uns 15 minutos para os irmãos saírem.

E aí, de uma forma meio que acidental, o Ricardo apareceu na frente da casa dele para apreciar a vista. Claramente, ele tinha visto a Thaís ali, né? Então, era aquela coisa que ninguém queria admitir. Ela não queria falar que ela chegou mais cedo para ver ele. E ele não queria falar que ele saiu, porque ele viu ela, né? Aquela coisinha gostosa de adolescente.

Ele se aproximou das duas para cumprimentar, só que, gente, perto da Valentina, ele não era muito carinhoso, porque eles dois estavam meio que escondendo o rolo. Na verdade, a Valentina sabia, porque ela era amiga da Thaís. Só que eles meio que escondiam o rolo, porque o melhor amigo do Ricardo também gostava da Thaís. Aquela coisa adolescente, aquela confusão toda, né? Mas, mesmo assim, ele abraçou ela de uma forma discreta e perguntou para a Valentina se a Valentina não queria esperar os irmãos mais perto ali do portão, sabe, dando aquela deixa para eles ficarem a sós.

Pois é, gente, mas Valentina falou que não. Ela falou que não, que ela não ia sair dali. E o que mais incomoda a Thaís é que a Valentina era a melhor amiga dela na época, gente. A Valentina sabia de tudo, mas só depois a Thaís percebeu que ela não podia confiar na Valentina. Isso por causa de várias outras tretas que acabaram dando. E quando a Thaís abriu os olhos, ela percebeu que a Valentina nunca foi amiga dela de verdade.

Mas, enfim, a gente sabe que se a Valentina tivesse saído, a Thaís e o Ricardo teriam dado uns beijinhos ali, né? Só que como a Valentina ficou lá plantada, empatando o negócio, a Thaís e o Ricardo ficaram só conversando, enquanto a Valentina estava observando tudo ali bem inconveniente. E, gente, lá estava Ricardo lindo maravilhoso, olhando para ela, dando todos os olhares mais queridos do mundo.

E a Thaís, que se achava muito feia nessa época, ficava pensando que aquilo não era real, que não era possível, né? Mas o fato é que os irmãos dela saíram ali da escola, Thaís e Ricardo se afastaram, e eles vieram na direção deles. E o irmão do Ricardo estudava na mesma sala que o irmãozinho da Thaís. Então vieram as três crianças juntos, o irmão e a irmã da Thaís e o irmãozinho do Ricardo.

Quando o Ricardo foi se despedir da Thaís, ele segurou o pescoço dela e deu um beijo na bochecha dela. E assim que eles viraram pra ir embora, o irmão mais novo da Thaís começou a gritar. Ah, Thaís deu um beijo na boca do irmão do Cauê. E Thaís deu um beijo na boca do irmão do Cauê. E eu vou contar pra minha mãe e ela vai te bater. E sim, gente, o irmãozinho dela se referia à mãe deles como minha mãe.

A Thais me falou que a mãe dele sempre deixou muito claro nas atitudes que esse irmãozinho era o preferidinho dela. A Jurandira dizia que não, jurava que não, mas a Thais falou pra mim que ela sabe que pode parecer ciúmes de irmão, só que um exemplo que ela deu, gente, hoje o irmão dela já tem 17 anos, ele tem namorada, e os dois simplesmente dormem juntos na casa da Jurandira.

Já a Thaís, quando tinha 20 anos e estava prestes a se casar, não podia. Jurandira dizia que a casa dela não era motel. E o que irrita a Thaís não é nem isso. É a hipocrisia mesmo, porque a Jurandira chama todo mundo de machista por qualquer coisa, mas passa a mão na cabeça do filho só porque ele é homem. Jurandira é bem clássica, o tipo de mulher que não devia ter tido filho homem. Enfim, gente, a caminhada de volta para casa era coisa de 20, 25 minutos.

A Thaís, uma criança, com outras duas crianças, né? A Thaís achou que o irmão dela ia esquecer isso no meio do caminho, gente, mas não. Assim que eles entraram em casa, a primeira coisa que ele fez foi falar pra Jurandira. Mãe, a Thaís beijou o irmão do Cauê na boca.

E aí, gente, o que vocês acham que a infeliz da mãe dela fez? Opção 1. Riu e desacreditou por ser uma criança, que inclusive, pelo que a Thaís falou, tinha muitos traços mentirosos. Ou opção 2 bateu na Thaís? Sim, gente, opção 2. Ela primeiro perguntou se era verdade. E a Thaís falou que não.

Ela perguntou então para a irmãzinha, a irmãzinha falou que não viu. E ela começou a bater na Thaís, xingar e gritar que a Thaís, ela só queria sair de casa para vagabundear, sendo que a Thaís nem queria sair de casa, que a Thaís tinha feito aquilo de propósito para que a jurandira...

tivesse que agora passar a buscar os irmãos, porque colocar a Thaís para fora de casa, para ir buscar os irmãos qualquer coisa, era a oportunidade dela vagabundear. Por conta disso, ela mandou a Thaís subir para o quarto, dizendo que ela não ia no boliche, não ia em formatura nenhuma, e tudo isso na frente dos irmãos e da Valentina.

Então foi uma humilhação para Thaís naquele momento. Thaís foi para o quarto, começou a chorar, louca para ir para o boliche. Gente, imagina, nono ano, 13, 14 anos, você quer viver as coisas que são da sua idade, né? Mas depois de alguns minutos, a mãe dela foi conversar com ela. A Thaís jurou de pé junto que ela não tinha beijado ninguém, só que a mãe só conseguia chamar ela de mentirosa. Ela preferiu acreditar numa criança que vivia inventando coisa.

E assim, a Thaís não sabe exatamente como que ela conseguiu se safar dessa, mas ela conseguiu ir no boliche naquele dia porque o pai dela chegou do trabalho e foi conversar com a mãe dela no quarto. E o pai dela, gente, sempre foi muito protetor com ela, embora no fim das contas ele sempre acabasse defendendo a Jurandira. E isso é um ponto que machuca um pouquinho a Thaís, né?

Mas enfim, nesse dia ela e a Valentina conseguiram ir para o boliche Só que gente, a Thaís estava tão nervosa Hoje ela sabe que ela estava tendo uma crise de ansiedade Mas ela estava tão nervosa que ela nem conseguiu aproveitar a atenção que o Ricardo estava dando para ela Ela mal conseguiu aproveitar o boliche ali E olha que ela estava completamente nas nuvens Com aquele cara lindo, maravilhoso, gostando dela

Só que, gente, ela ficou tão, tão, tão traumatizada com aquele escarcel todo que o irmão dela fez, que a mãe dela fez, que a mãe dela bateu nela, que todas as vezes que o Ricardo tentava uma aproximação, ela saía de perto. E isso durou nesse final de ano, durou nas férias inteiras, até que ele desistiu. E três meses depois, ele começou a namorar uma menina de uma outra turma.

E claro que a Thaís ficou arrasada. Ela falou que ela era muito dramática nessa época, gente. Mas muito dramática. Paula, eu chorava no banheiro escorregando na parede durante o banho. Aquela cena bem clássica de novela, né? Mas aqui, para vocês entenderem o grau de como a Thaís ficou sentida com aquilo. Como eu falei para vocês, as emoções para ela tinham um peso muito maior.

Porque ela ainda não tinha o diagnóstico dela, ela sabia que tinha alguma coisa diferente com ela, né? Mas, gente, o tempo passou, ela e o Ricardo acabaram virando melhores amigos, e eles brigavam muito, porque eles eram muito parecidos, mas logo eles se resolviam. E aí o ano passou, e em novembro daquele ano, o menino do terceirão pediu para sair com ela. Ela ficou super empolgada e foi pedir para a mãe dela...

deixar ela sair com esse rapaz. E a mãe dela falou que sim, mas que primeiro ela tinha que pedir para o pai dela. Gente, quando ela pediu para o pai, para ver se ele deixava ela sair com esse menino, o pai dela fez toda uma ceninha policial, perguntando o nome dele, o endereço e tal. Só que como era um menino da igreja, foi mais fácil e não houve oposição.

E aqui a gente vê uma realidade distorcida, né? A Thais me falou que esse menino não prestava, que ele era um babaca com as meninas, só que como ele era da igreja, estava tudo bem. Presumia-se que ele fosse um menino bom. Mas a gente sabe hoje que nada a ver com o Cascalsa, né? Enfim, gente, já o Ricardo, que era um menino super bonzinho, respeitador, com esse não podia ter nada, né?

Mas enfim, acabou que a Thais, ela saiu com esse menino, beijou na boca e quando ela voltou para casa, o inferno começou de novo, gente. A mãe dela começou a falar que ela estava saindo para galinhar, que ela não fazia nada em casa, que ela tinha mentido para ela. Gente, a mãe dela inventou na cabeça que a Thais tinha dito que ia sair com amigos e não com um amigo.

E a Thaís não sabe de onde que a mãe dela tirava essas coisas, gente. Era um negócio que era delirante. E tanto não fazia sentido isso, que o pai dela pediu as informações do rapaz. E ela passou o nome do rapaz, onde ele morava. Ela passou o nome de um, não passou de vários.

Só que ela acha, inclusive, que foi vendo a Jurandira inventar essas coisas, que o irmãozinho dela aprendeu a mentir tão bem. Mas depois de todo o sermão, a mãe dela bateu nela de novo e mandou ela para o quarto, porque, segundo ela, segundo a Jurandira, a Thaís mentiu. Só que, gente, foi nesse dia que a ficha da Thaís caiu. Ela percebeu que ela não podia confiar na mãe e nem no pai, porque o pai, mesmo tendo ficado super claro que era um menino, não fez absolutamente nada para proteger ela.

Só que depois desse episódio, teve uma semana que a turma dela teve aulas ali em período integral, de manhã e de tarde, para recuperar os dias de greve que eles ficaram sem aula. A Valentina, que era a melhor amiga dela, trabalhava de tarde, e os outros dois melhores amigos dela não estavam indo nos dois turnos, estavam indo só de manhã. Então a Thais acabou se aproximando de uma galerinha ali de outra turma, e nessa ela conheceu um rapaz chamado André.

O André, ele era super popular, ele era todo bonitinho e tal, bem o estilo da Thaís. E ele era amigo também de algumas meninas que ficaram amigas da Thaís, enfim, gente. No decorrer da semana, eles ficaram super próximos e acabou que um dia o André beijou a Thaís.

Ela gostou, ele viu que ela gostou e eles continuaram. Eles ficaram, gente, na saída da escola, uma meia hora mais ou menos ali, beijandinho e tal. Só que isso fez com que a Thaís chegasse em casa atrasada. Ao invés de chegar no horário habitual, ela chegou ali uma meia hora depois. E a mãe dela já começou a perguntar por que ela demorou. Só que, gente, aqui foi o momento que a Thaís aprendeu a mentir.

ela falou que ela ficou estudando com a Valentina, tirando dúvidas ali com a professora na sala. E por que ela aprendeu a mentir? Porque ela aprendeu que se ela contasse a verdade, a mãe dela não ia achar que tudo bem que ela contou. A mãe dela provavelmente ia surrar, dizer que ela estava indo para a escola para vagabundear e tal. Então o que ela entendeu? Que era melhor ela mentir do que ela apanhar. Que a única forma dela ter um pouco mais de flexibilidade e liberdade era mentindo.

Depois do André, ela só foi se envolver lá pra frente com o primeiro namorado dela, que foi com quem ela perdeu a virgindade. E é óbvio que ela não contou nada pra mãe. Nada, ela escondeu tudo. Mas isso aqui vai entrar lá no ponto de pedir pitaco pra vocês. Então depois eu falo melhor sobre isso. Só que além de Thaís já estar traumatizada com tudo, gente, ela não podia confiar na mãe. E esse relacionamento dela foi uma grande merda.

Foi tudo muito conturbado. O que já não era bom na vida dela ficou horrível, porque ela não tinha apoio, ela não tinha orientação, ela não tinha como pedir ajuda para a mãe. Foi esse cara que tentou abusar dela. Enfim, um dia, eram umas 11 horas da noite, e ela e esse jurandir, eles estavam brigando pelo celular.

A mãe dela entrou no quarto, pegou o celular da mão dela e leu as mensagens. E o que tinha nas mensagens, gente? Jurandir chamando Thaís de galinha, vaca, puta. E sabe por quê? Porque o Jurandir viu que ela estava conversando com um amigo da sala dela, que inclusive era gay. O que a mãe dela fez? Leu aquelas conversas, ficou horrorizada e tirou o celular da Thaís. Falou que aquele relacionamento não era saudável. Só isso.

No dia seguinte de manhã, ela devolveu o celular e a única coisa que ela falou foi Vê se aprenda a parar de mexer no celular à noite. Ela não fez nada sobre xingamentos, ela não fez nada sobre aquele abuso verbal que estava rolando ali, nem ela nem o pai. Ninguém orientou a Thaís, gente. Qual que foi o resultado disso? Tirar o celular só fez o Girandir ficar ainda mais bravo, porque como a Thaís não respondeu na hora, ele achou que ela estava evitando ele e no dia seguinte ele virou a mão na cara dela.

Esse namoro foi terrível. A Thaís vivia com roxo no corpo. Aqui ela era adolescente ainda, né? Ela tinha roxos visíveis, que às vezes ela tentava esconder com a roupa. Só que, gente, a mãe dela, mesmo vendo alguns roxos, mesmo vendo que a Thaís estava se fechando, nunca falou nada, nada. A primeira vez a Thaís com esse namorado, gente, foi forçada.

As outras ela nem queria. Ela não brigava, mas pra ela era como se ela tivesse morta por dentro naquele relacionamento. Que eu também nem vou dar muitos detalhes aqui, porque eu não coloquei alerta gatilho, né? Mas quando a mãe dela, gente, ficou sabendo de tudo isso, a única coisa que ela falou, essa sonsa dessa mulher, foi que era tudo culpa da Thaís por ter se envolvido com o cara. A culpa, no fim das contas, sempre era da Thaís, independente do que acontecesse.

Depois que a Thaís finalmente se livrou do Jurandir, ela ficou, gente, doidona, segundo ela. Ela queria viver a vida loucamente. Ela chegou a ficar com três meninos no mesmo dia. Um na escola de manhã, um de tarde e o outro à noite na frente de casa.

E aí a gente chega na parte que ela começou a mentir de forma descarada. O Ricardo, aquele crush lá do começo, ele ficou solteiro. E ele tava dando muita bola ali pra ela, né? E aí teve um dia que ela falou pra mãe dela que ela ia dormir na casa de uma amiga.

E ela foi para onde? Para a casa do Ricardo. Eles tinham um trabalho para fazer, mas além desse trabalho, a Thaís tinha outras coisas em mente. E, gente, acabou que eles ficaram por um tempo, só que eles eram tão amigos que, no fim das contas, a coisa não evoluiu, tá? Mas sobre esse dia que a Thaís foi para a casa dele, ela dormiu lá. Era de sexta para sábado. No sábado de manhã, o Ricardo e o pai dele foram levar a Thaís para casa.

Quando a mãe dela viu o carro, ela viu que não era o carro dos pais da amiga dela e perguntou por que ela estava com ele. E a Thais, que já estava esperta em mentir, ela se virou, falou que estava voltando a pé da casa da amiga, que ele passou e deu uma carona para ela. E ali ela aprendeu o jogo. Se com 13, 14 anos, mesmo depois de acontecer o que aconteceu com a amiga minha voltando da escola, se ainda assim eu podia ir a pé buscar os meus irmãos?

Então eu também podia ir a pé para a casa de uma amiga. Era justo, né?

Então foi isso que ela colocou na balança para começar a mentir que ela estava voltando a pé, indo a pé, quando ela estava fazendo outra coisa, gente. E mesmo depois, com 18 anos mais, ela fazia a mesma coisa. Ela falava que ela ia para a casa de uma amiga e ela saía com os caras, né? Porque esse era o único jeito que ela tinha de ter a liberdade dela. Então só pensem o tanto de coisa ruim que podia ter acontecido com ela. Mas avançando para hoje, gente.

A mãe dela sempre foi assim. Quando a Thaís era criança, o problema era bagunça. Depois eram os meninos. Agora, já adulta casada com filho, tudo que a Thaís faz é na cabeça da jurandira para incomodar ela. Se a Thaís torce para um time, é para irritar a mãe dela que torce para outro. Se a Thaís assiste uma novela, é para irritar a mãe dela que não gosta de novela.

A mãe dela acha que tudo que a Thaís faz e que não agrada a ela de propósito é para alfinetar. E a Thaís falou para mim. Paula, na verdade eu só estou me descobrindo, sendo eu mesma e vivendo as coisas que eu gosto. E bom, gente, o fato é que a mãe dela, depois de todo esse tempo, acabou descobrindo uma história toda lá com o Jurandir.

e acreditem se quiser. Mesmo depois de tantos anos, a mãe dela está pé da vida porque a Thaís perdeu a virgindade com esse jurandir e não contou para ela.

Só que, gente, como que ela ia contar se tudo que ela contava a mãe dela batia nela? E isso é super recente, tá? É coisa de um passado passadaço vindo à tona. A Thaís já está casada com dois filhos. E ela e o marido têm uma teoria. Como a Thaís teve filho recentemente, ela está amamentando, ela e o marido acham que quando a Thaís parar de amamentar, a Jurandira vai vir com tudo e jogar tudo na cara dela.

Por enquanto ela acha que a Jurandira não quer prejudicar a amamentação. E agora vem o dilema da Thaís. Ela tem duas opções na cabeça dela, né? Ou jogar na cara tudo que ela já sofreu, sabe? Se a mãe dela encheu o saco, cortar relações, falar tudo que vem à tona. Ou viver a vida dela em paz, pelo bem da família, e continuar mentindo, negando as coisas.

Só que ela falou que ela é meio da treta ali, ela é meio barraqueira. Então a vontade dela é encher a mãe dela de desaforo quando a mãe dela começa a cobrar coisas do passado. E por enquanto, a Thaís está aprezando pela paz. Só que, gente, a lista de queixas da Thaís é infinita, né?

A Jurandira nunca cuidou dela direito, nunca percebeu que ela era autista, mas tudo bem, porque antigamente, é que não é tão antigamente, tá? Mas assim, naquela época, não se falava em diagnóstico igual hoje, não eram tantos profissionais capacitados, não era tão acessível, né? Mas enfim, de qualquer modo, ela precisou ir atrás do diagnóstico dela sozinha, né? Depois de adulta.

Ela não tinha noção do perigo, gente. A Thaís simplesmente saía de pijama na rua da cidade grande para ajudar a mãe dela na loja que tinha. Mãe dela nunca explicou as coisas direito. Ela teve que aprender tudo sozinha, com amigas ou com mães de amigas. As mães das amigas eram mais mãe do que a própria mãe dela. Quando ela era pequena, a mãe dela até deixava ela passar fome e quem que tinha que dar comida para ela, a irmã adotiva dela, assim que chegava do trabalho.

Tanta coisa ruim podia ter acontecido com a Thaís. A mãe dela foi tão negligente.

E o que deixa ela mais revoltada agora, gente, é que depois de tantos anos, a mãe dela fica mandando indireta o tempo todo. Fica falando mal dela pelas costas a ponto de que os irmãos dela, que já não são pequenininhos também, né, todo mundo cresceu.

estão contra ela, e ela não consegue mais nem visitar os irmãos para conseguir conversar, porque se ela pisa lá, a mãe dela dá um jeito de enlouquecer ela, enlouquecer até os filhos da Thaís, ela fica opinando sobre o corpo da Thaís, a mãe dela fica enchendo a porcaria do saco o dia inteiro, e ela tem medo de abordar os irmãos longe da mãe dela,

porque ela não sabe como que eles vão reagir, se eles podem achar que, né, porque a Jurandir, ela é um pouco manipuladora pelo que a Thais comentou.

E ela tem, gente, muita vontade de jogar tudo na cara da mãe dela. Porém, ela não quer fazer isso por duas razões. Primeiro, pelos irmãos dela. Porque com eles, a jurandira não é tão exportável. E segundo, pelos filhos da Thaís. Ela falou que a mãe dela é uma avó legal. Ela dá presente, ela brinca um pouco. Apesar de que ela está sempre querendo educar os netos como se a mãe fosse ela. A Thaís hoje tem 25 anos e a mãe dela tem 48. E ela me falou que ela não sabe se a mãe dela não se sente avó por ser nova.

Ou o que acontece? Mas assim, a Thaís, ela trata isso na terapia, porque na verdade, gente, ela sente muita culpa por ter abandonado, entre aspas, né, os irmãos dela. Como a mãe dela isolou ela, né, isolou a Thaís, do resto da família, de avós, tios, primos, os irmãos são a única parte da família de sangue com que ela tem contato.

E aí esse contato é cada vez menor, porque a Jurandira está sempre fomentando, falando sobre como a Thais não é uma pessoa difícil. E a Thais, ela meio que se sente sozinha no mundo, né, em relação a isso. A família dela hoje é a família que ela escolheu, que são os amigos e a família do marido. E os filhos, lógico. Mas assim, para fechar esse pacote de absurdo, gente, todas as vezes que a Thais vai visitar, a mãe dela quer ficar dando uma lição de moral sobre tudo.

A Thaís, ela se sente uma filha péssima, porque ela falou que ela consegue ficar meses sem ver a mãe dela. Só que, ao mesmo tempo, ela também sente pena do pai, que é um avô muito divertido. E aí ela lembra que ele também foi negligente, deixando a Jurandira ser uma cretina com a Thaís.

E a gota d'água que reforça que ela não pode confiar na mãe é que depois, gente, que ela finalmente contou o quão péssimo tinha sido o namoro com o Jurandir, que a primeira vez dela foi forçada e tal, e que ela não queria, a única coisa que a mãe focou foi no fato dela ter perdido a virgindade. E é aqui que está o ponto do pitaco da Thaís, gente, acreditem se quiser. A mãe dela agora está querendo cobrar dela por ter escondido isso lá atrás, gente. Lá atrás.

Entendeu? Agora, depois da Thaís ser independente, estar casada com dois filhos. Então, o pedido de ajuda da Thaís é, quando a mãe dela vier cobrar ela, o que ela faz? Joga verdades na cara dela? Se afasta? Mantém a paz para manter a mãe por perto? Ela falou que ela tem medo de afastar os filhos dos avós, por ser um problema dela com a mãe. Os filhos não têm nada a ver com isso.

Só que ao mesmo tempo ela sabe que a mãe dela não tem maturidade para ouvir as verdades e seguir em frente. E ela falou que por ter filhos hoje, ela não consegue mais pensar só nela. E aí ela não sabe se ela continua engolindo tudo que a mãe dela traz do passado, colocando como se a Thaís fosse uma pessoa péssima.

E ela já não sabe se ela está sendo ingrata, porque afinal de contas foi a mãe dela que criou. E aí ela alimenta um pouco de culpa em relação a isso, porque a mãe dela criou e ela está sendo ingrata. Ela tem medo de se afastar e não ver mais os irmãos, dos filhos dela futuramente culparem ela por eles não terem uma avó presente, né? Porque até os irmãos dela entenderem o quanto a jurandira é uma jurandira, vai demorar.

Mas enquanto isso, eles são ausentes na vida dos filhos da Thaís. Eles poderiam ser presentes, mas eles escolheram ser ausentes por conta dessa relação que a Thaís tem com a mãe dela. E é isso que ela quer ao pitaco. O que ela faz com que ela lida com essa mãe? Joga tudo na cara e que se lasque o mundo? Ou ela continua engolindo isso? Mas ela não precisa mais engolir hoje.

Essa é a história da Thaís e eu vou abrir aqui os portais da ladainha. E faz tempo que eu não faço uma ladainha um pouco mais extensa, né, gente? Aqui no decorrer dessa ladainha, eu vou tentar encaixar aqui para ver se eu explico um pouco para vocês. Mas a Thaís, ela me pediu ladainha longa e falei que eu vou dar o meu melhor dentro do que eu consigo hoje, né?

Mas sobre essa situação aqui que a Thaís está enfrentando com a Jurandira, gente, eu acho que não existe uma resposta perfeita, né? Eu acho que o que a gente tem aqui são escolhas que terão custos diferentes, assim como quase tudo na nossa vida. A gente não pode falar que a Jurandira, ai, ela é difícil, ai, esse é o jeito dela, ai, ela é brava.

Não, ela é uma cretina mesmo e existe um padrão nessa criação. Existe um padrão de humilhação, de agressão, de distorção da realidade. Só que isso não começou agora. Isso vem desde quando a Thais era pequenininha. Que é quando uma criança de 6, 7 anos, gente, não ter conexão com a mãe, a mãe tem que ser muito complicada.

Mas esse fato, o fato disso vir desde sempre, eu acho que isso muda tudo. Porque quando a gente cresce ouvindo que a gente tem que honrar pai e mãe, que a gente tem que ser gratos, porque em outro plano foi a gente que escolheu eles, não sei o quê. Quando é tão enraizado na nossa cabeça que a gente tem que honrar pai e mãe, independente de qualquer coisa.

A gente não aprende a diferenciar uma relação difícil de uma relação que machuca, de uma relação que machuca de verdade, que tortura. E a gente sabe que essa relação machucou, torturou, traumatizou a Thaís, afastou a Thaís. E machucou muito, mas machucou tanto.

Que ela fica meses sem ver a mãe dela e não tá nem aí, gente. Ela chegou a dizer pra mim que ela não gosta da mãe dela. E a Thaís falou, né? Ah, eu jogo tudo na cara dela. A gente, vamos pensar um pouquinho aqui? Vocês realmente acham que uma pessoa que nunca ouviu a filha, que sempre distorceu tudo, que sempre colocou a culpa nela, que preferiu acreditar numa criança com tendências mentirosas, vocês acham mesmo que agora ela vai sentar, vai ouvir tudo que a Thaís quer falar?

E vai dizer, nossa filha, você tem razão. Não vai, gente. E outra, eu não sei de onde que a Thais e o marido dela acham que a Jurandira está esperando ela amamentar para não prejudicar a amamentação. Vocês acham mesmo, gente, que uma mulher dessa vai ter esse grau de empatia, vai ter esse grau de preocupação?

Ela não está nem aí. Ela não está nem aí. Eu acho que ela só não fez nada ainda, porque ela não sabe como abordar. Só que nesse tipo de confronto, de jogar tudo na cara dela, quando a gente espera o reconhecimento das atitudes erradas da pessoa, gente...

Quando a gente espera isso não traz alívio. Isso traz frustração. Traz frustração. Porque você não vê a pessoa reconhecendo onde ela errou. E ainda te culpando das coisas. Pode fazer você sair mais machucada. Do que você entrou nessa discussão. Né. E agora o outro ponto dela. Aqui lidando com extremos. Né. Ah ou então eu continuo engolindo tudo para manter a paz. Também não. Também não. Porque isso não é paz gente. Isso é sobrevivência. Isso é você tentar sobreviver.

você tentar manter uma relação custe o que custar, que é uma relação que diga-se de passagem é falida. É você se esforçar pra caber numa relação com uma pessoa que nunca te respeitou. O fato é esse. A mãe dela nunca respeitou ela. E eu sempre falo aqui, não é porque você é mãe ou você é pai que você não tem que respeitar o seu filho. Não, eu sou mãe, ele tem que me respeitar. Não, gente. O respeito é uma vida em mão dupla.

Você precisa ensinar o seu filho, você precisa respeitar o seu filho ou sua filha justamente para que você traga referências para ele. Para que ele saiba que ele precisa respeitar as pessoas. Você só aprende sobre respeito quando você é respeitado.

E quando você fica numa relação onde você não é respeitado, gente, uma hora isso cobra, ainda mais quando a gente é adulto e a gente já tem discernimento de tudo. Ficar perto de uma pessoa que faz mal para a gente, uma hora a vida vai cobrar da gente, o corpo vai cobrar, seja o corpo, seja a cabeça, seja o casamento, as relações pessoais, seja no modo como você se vê.

É muito, esse negócio de não respeito, gente, é muito perigoso isso. Eu acho que eu já comentei aqui sobre o modo, eu vou até abrir um parênteses aqui, só para falar um pouquinho, eu acho que aqui vai caber. Para falar um pouquinho aqui, não é para transformar a história sobre mim, tá? É só para trazer para vocês aqui também uma referência.

O meu sobrinho, ele tá com três anos, e a minha irmã, até esses tempos atrás, assim, ele fazia alguma coisa, ela chamava a atenção dele na minha frente, da minha mãe e tal. Eu não lembro se eu já comentei isso aqui, gente. Desculpa se eu tô sendo repetitiva. A minha placenta levou embora boa parte da minha memória. Mães vão entender. Se o meu sobrinho fazia alguma peripécia de criança, a minha irmã, ela reprimia ele.

para que ficasse claro para as pessoas que a minha irmã não era uma omissa, porque não tem coisa mais feia do que você ver uma criança metendo louco e a mãe ali achando bonito. Então a minha irmã, ela reprimia ele, né? Ela falava, né, filho, não faça assim, não é bonito, não sei o quê.

E como a minha irmã trabalhou a vida inteira, né, num escritório, na frente de um computador, e eu trabalhei lidando com adolescentes e pais, a gente conversa muito sobre isso e tal, pra juntar, né, a experiência que eu tenho, a visão que eu tenho, minha mãe também e tal. E aí um dia eu falei pra ela, eu falei assim, olha Renata, eu sei que você tem, né, um casal de filhos, né, um menino e uma menina, eu falei, mas eu acho que você deveria chamar ele num canto, e não reprimir ele, não fazer isso na frente de todo mundo.

Ela falou assim, não, mas e se as pessoas acharem que eu sou missa? Eu falei, ninguém vai achar nada, porque no momento que você falar para ele, filho, vem cá, vamos conversar. As pessoas vão entender que você está impondo limites, né? E assim, a gente vai aprendendo aí, vendo se dá certo, se não dá, né? Ser mãe é uma experiência única.

Quando a gente fala sobre essa questão de respeito, o que acontece, gente? Jurandira não respeitava a Thaís. Jurandira brigava com a Thaís, expunha a Thaís na frente da Valentina e na frente dos outros irmãos. E isso daqui é muito errado. E qual foi a conclusão que eu e minha irmã nós chegamos?

O fato de o Henrique ser menino, futuramente ele vai ser um homem que provavelmente vai ter seus relacionamentos. A partir do momento que for normalizado para ele, que seja chamado a atenção dele em público, ele vai achar que isso dá o direito dele fazer, porque a gente aprende conforme a gente é criado.

Então, no momento em que a minha irmã, agora, que ele é pequenininho, chama ele num canto e fala, o que está acontecendo é assim, assim, assado. A mamãe não quer que você faça assim, assim, assim, por causa disso, disso, disso. Ela ensina para ele sobre diálogo e isso faz com que ele... A gente não sabe, a gente vai descobrir no futuro se isso vai dar certo ou não, né? Mas acredito eu que dentre todas as chances de dar certo, eu acho que essa é a maior.

A partir do momento que ela chamar ele num canto e não expor ele na frente dos outros, ela vai ensinar para ele que essa é a forma correta de você resolver conflitos. Não é você expor as pessoas, você expor alguém na frente dos outros, você lavar roupa suja na frente dos outros, porque não tem coisa mais feia do que um homem expondo qualquer coisa no relacionamento.

Então, ela já meio que quebra esse padrão que a gente costuma ver em homens. E paralelo a isso, no momento em que ela faz isso com a minha sobrinha também, que, né, por enquanto é um bebê de seis meses, mas vai crescer. No momento em que ela fizer isso com a minha sobrinha, ela também vai ensinar a minha sobrinha que não, não é normal uma pessoa gritar com você. Então, vocês entendem?

A partir do momento que você consegue conversar com o seu filho ali ao longe dos outros, você ensina o teu filho a respeitar, a resolver as coisas no diálogo. Gente, se isso vai funcionar, a gente não sabe, né? Tanto eu quanto minha irmã estamos aprendendo ainda. Mas a gente acredita muito nisso. Esse negócio de brigar na frente dos outros é uma coisa que eu não acho legal, porque faz as pessoas acharem que não precisam respeitar.

os filhos, né, acham que tá tudo bem e faz a criança achar que é normal resolver conflitos na frente dos outros. E não é. Deus o livre se o meu filho for o tipo

que seja, né, eu não sei o que meu filho é, eu nem tenho expectativa de nada, a única coisa que eu tenho expectativa para o meu filho é que ele seja uma criança, gente, com bom humor, juro para vocês, que tem espírito esportivo para as coisas, sabe? Mas de resto, de profissão dele, o que ele vai ser, com o que ele vai trabalhar, se ele vai casar, se ele vai ter filhos, orientação sexual, eu não tenho expectativa nenhuma, ele pode ser o que ele quiser, ele vai ser o que ele for.

Então, enquanto isso, não tenho expectativa nenhuma. Mas ser um homem escroto, gente, eu garanto para vocês que eu não vou deixar. Nossa, mas não vou deixar mesmo. Não vai se tornar um cara que vai querer resolver conflitos na frente dos outros. Não vai. Mas, enfim, ainda dentro dos parênteses aqui, eu acho que alguns de vocês, desde que eu tive filho, alguns de vocês que sempre gostaram muito de ouvir a Ladainha, quem não ouve a Ladainha nem vai perceber nada.

Mas vocês, talvez vocês meio que não reconheçam mais assim a minha versão de antes, sabe? A minha maternidade, ela me mudou muito. E assim, não ter ajuda de ninguém, gente, no dia a dia é muito difícil, né? Trabalhar até tarde e tal. Eu tenho meu marido depois do trabalho dele no final de semana. E eu não tô falando isso pra me vitimizar. Eu só tô dizendo que quando eu percebi que no final do dia eu não precisei de ninguém, eu sempre dei conta do meu filho.

Tomar algumas decisões e tirar algumas pessoas da minha vida ficou mais fácil, tá? E eu tô dizendo isso pra justificar o modo como eu penso hoje, como eu construo a minha ladainha hoje. E também pra fazer um paralelo aqui na situação da Thaís, tá? Eu achava que muitas, várias pessoas seriam mais presentes.

Eu achava que algumas pessoas mandariam uma mensagem, fariam uma visita. E nessa, gente, eu só me frustrei. Então, assim, com a cabeça que eu tenho hoje, eu acho que as minhas opiniões, elas estão mais racionais em relação às coisas.

Eu acho que nesse momento na minha vida não existe espaço para a paula emocional. A paula emocional ela fica algumas horas e depois o meu racional ele toma conta, sabe? E se vocês perceberem, eu estou até evitando um pouco de ladainha, porque eu ainda estou descobrindo quem que eu sou, gente, nesse meu novo mundo.

A maternidade, ela parece que tira o cérebro que a gente tinha antes e coloca outro no lugar. A gente reprograma toda a nossa cabeça, a gente é muito louco assim. E muitas opiniões minhas ainda podem mudar, né? Até eu conseguir estabelecer quem eu sou. Eu ainda estou perdida. E por enquanto, o meu lado racional, ele está precisando falar mais alto.

Eu vim aí de uma sequência de fatos, né? Eu passei pela perda do meu pai, depois a gravidez de alto risco, um pós-parto tendo só o meu marido. Ah, mas você não sabia que seria assim? Não, gente. Era para eu ter uma rede de apoio grande. Mas a minha irmã acabou que ela seria a minha maior rede de apoio e ela engravidou junto comigo.

E assim como eu, ela também está lá na labuta dela, sozinha, sem rede de apoio e com duas crianças, né? Tendo também só o marido dela. A minha mãe, ela trabalha, enfim. Eu estou dizendo aqui para vocês que essa é a minha nova versão, tá? Se ela é temporária ou definitiva, eu não sei. Mas diante de como a minha cabeça está hoje, eu acho que a Thais, o ponto de vista que eu tenho hoje, pode ser que isso mude, eu não sei. Pode ser que vocês estejam achando, não, está igual sempre. E pode ser que alguns estejam falando, cara, como ela mudou.

mas na cabeça que eu tenho hoje eu, né, justificado com tudo isso que eu acabei de falar eu acho que a Thais, ela precisa aprender a impor limite, gente, sabe eu acho que ela não ela não tem que querer que a mãe dela entenda nada porque essa jurandira ela só entende o que convém pra ela a Thais, ela não precisa de validação nenhuma dessa mulher o que ela precisa é proteger a vida dela e blindar os filhos

Os filhos dela, isso é uma coisa que eu concordo. Os filhos dela não têm que pagar pela má relação de mãe e filha. Se futuramente eles conhecerem a avó e acharem que não dá para lidar com essa versão dela, tudo bem. Mas é muito real. Eu acho que os filhos não têm que ser, se afastar da avó por conta disso. Então eu acho que o negócio, gente, o que é? Eu acho que é começar a fazer coisas simples, só que coisas poderosas.

Quando ela vier com o passado, o que a Thais tem que falar? Não, mãe, eu não vou falar sobre isso, eu nem lembro mais. Nossa, eu não sei do que você está falando, eu esqueci. Nossa, mãe, isso daí já passou. Gente, é sem gritar, sem explicar demais. Quem sou eu para falar sobre explicar demais, né? Mas sem tentar convencer. Porque hoje a Thais não é mais aquela criança que não tinha escolha.

Sabe, a Thaís hoje é uma mulher adulta, independente, casada, com filho. Ela tem um núcleo familiar dela. E sobre o convívio da avó com as crianças, gente, ó. A Thaís, ela precisa avaliar o tipo de convivência que a Jurandira oferece. Porque, vejam, a criança percebe, gente. Criança, nessa idade dos filhos dela, a criança absorve, eles são esponjinhas, a criança aprende.

E se eles perceberem a mãe deles sendo desrespeitada, isso também ensina. Ou seja, isso também precisa de limites. Só que como ela não entrou muito sobre como a Jurandira é como a avó, ela só falou meio por cima, que é uma avó legal e quer educar do jeito dela.

Eu acho que até ok, não cabe falar muito sobre isso, mas isso precisa impor limites de falar. Não mãe, eu não quero esse tipo de coisa com os meus filhos. Não mãe, isso daqui não dá. Sabe, esbarrou num limite, poda, corta. Os irmãos terem mais contato com as crianças, eu acho que vai depender muito de como vai ficar a relação da Thaís com a mãe dela. Entendeu? Acho eu, né? Mas, pra fechar aqui, né, essa ladainha extensa, que fazia tempo que não tinha.

A gente precisa aqui falar muito, eu pontuei para falar aqui sobre a culpa da Thaís. Ah, mas ela me criou. Ela te criou, mas ela também te machucou. E uma coisa não anula a outra. A gente precisa entender que gratidão não é dívida eterna com sofrimento, gente. Uma coisa não anula a outra. Então, no fim das contas, o meu pitaco para a Thaís é...

Thaís, querida, você não precisa convencer a sua mãe de nada. Você não deve satisfação de nada do seu passado nessas alturas do campeonato. Se você mentiu, foi por sobrevivência na relação que você tinha. Ou era mentir ou apanhar. O que qualquer ser humano vai escolher? Mentir.

E se mesmo você negando para a sua mãe, ela insistir que ela quer falar, e mesmo depois de você desconversar, e ela quiser te afrontar principalmente dos seus filhos, aí eu acho que daí não tem jeito, daí você tira ela da tua vida. Eu acho que vale dar essa tentativa de você tentar meio que desconversando, sabe? Até para ela sentir essa diferença na filha dela, de olhar e falar, nossa, mas como a minha filha mudou, não era isso que eu esperava.

Porque às vezes ela já está esperando que você vá lá querer espizinhar ela. Às vezes ela só está procurando conflito mesmo para alimentar a relação que vocês sempre tiveram. Às vezes ela nem sabe lidar com outro tipo de relação. E isso aqui é um ponto muito importante que eu esqueci de trazer.

esqueci de mencionar ali anteriormente mas aqui já tá bom, né e eu acho que você, Thaís, tentar manter uma relação aceitável é um esforço apenas exclusivamente pelos seus filhos, porque se não fosse por eles, eu já ia falar pra você cortar o contato, porque hoje, gente, juro pra vocês quando eu penso em tirar alguém da minha vida cara, é muito louco assim o que a maternidade fez na minha cabeça, juro pra vocês E aí

Mas eu penso assim, e não foi só a maternidade que mudou, né? Vale dizer para vocês que foi a sequência de eventos que eu vivi, que claro, não tem como eu ficar falando aqui no podcast, mas o que vocês sabem, o que eu já falei aqui é...

A ponta da ponta da ponta do 1% desse perg. Porque por trás dos eventos que aconteceram na minha vida, tem muito rolê, muita coisa. E não tem como eu não me transformar depois de tudo isso que aconteceu. Não tem, eu não sou, eu estou muito distante de ser a mesma Paula de antes. Mas hoje, o que eu penso? O que vai mudar na minha vida? O que eu tenho a perder se essa pessoa sair da minha vida? Se eu nunca mais tiver contato com ela?

E aqui não é uma reflexão por cima, aqui você tem que pensar no dia a dia, você tem que pensar no que você já viveu com essa pessoa, no quanto você se doou para essa pessoa, no quanto essa pessoa agregou e agrega na sua vida. No meu caso, em 99% das vezes que eu faço essa pergunta, a resposta é nada, não vai mudar nada.

E isso aqui já é uma grande resposta, tá? Porque se é uma pessoa que muda a sua vida, você nem vai chegar no ponto de precisar pensar o que ela agrega na minha vida. Você nem vai pensar nisso. Porque você vai ter uma boa relação com essa pessoa.

entendeu? E mesmo que não tenha, você sabe que é alguma coisa passageira. Agora, quando você começa a pensar, cara, mas o que vai acontecer? Mas quais são as consequências? E como que eu lidaria com essas consequências? E se você olhar e perceber que num plano real é uma pessoa que não vai te fazer falta, que não agrega em nada na sua vida, que não faz diferença, cara...

Você só segue, entendeu? Mas como eu falei, tá, gente? Eu não sei até que ponto que a minha opinião é válida, porque eu ainda estou descobrindo o meu lugar no meu novo mundo. Então é por isso que eu também estou evitando tomar atitudes na minha vida pessoal. Limites eu estou colocando, isso eu estou. Estou aprendendo a dizer não. E é isso. E se eu com um filho estou assim, tenho certeza que a Thaís também vai conseguir.

Nossa, vai tirar de letra isso daí. Vai tirar de letra. Então, eu acho que é isso. Tenta, sabe, desconversando. Ah, mãe, nem lembro. Nossa, mãe. Isso aí ficou para trás. Não, mas eu te contei sim. Você que não lembra. Não, não contou. Contei, mãe. Vai se fazendo de sonsa. Entendeu? Vai indo. Vai evitando conflito. E se perceber que a mulher quer só infernizar, daí você pula fora. Aí você, ó, tentei ter uma boa relação com você. Não dá e tchau. E os teus filhos você explica, ó.

A casa da vovó é tal, quando vocês quiserem ir lá, né, depois de maiores e tal, vocês podem ir. Mas por hoje, infelizmente, não dá. E é isso, gente, não dá pra ter tudo. E se for o caso de explicar pros filhos, isso também explica.

E acontece, acontece, não tem como uma relação ser perfeita. Mas eu acho que para a Thaís ficar mais tranquila em relação à consciência dela, se ela acha que isso pode culpar, eu acho que ela deveria tentar desconversar desse jeito. Porque eu também sou do time, eu já falei isso anteriormente. Nós mulheres, a gente tem uma tendência muito forte a garantir que a gente fez tudo que estava ao nosso alcance para que uma relação dê certo.

Então, eu também tenho essa tendência. Então, eu acho que ela deveria, a Thaís deveria tentar mais uma vez. E se realmente não der certo, aí você mete o pé, que daí você vai sem peso nenhum na consciência. Porque como é mãe, é um vínculo meio que eterno, até explicar isso para os filhos, se der para evitar esse desgaste é melhor. Mas se não der, minha amiga, vai dar tudo certo. Então é isso, gente. E vocês, qual é o pitaco de vocês para a Thaís?

comente com parcimônia sobre essa história no nosso grupo do Telegram. Lembrando que apoiadores têm um grupo exclusivo e o link tá lá no mural do Apoia-se. Mande sua história até ok.podcast arroba gmail.com me siga no Instagram até ok.podcast e até o próximo episódio. Tchau, tchau!

Anunciantes1

Até Ok

external
#226. Mãe complicada | Castnews Index — Castnews Index