#225. Oportunidade ou loucura?
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- História da LiliViagem para Nova York · Demissão do Fábio · Desafios no aeroporto · Decisão de viajar · Retorno ao Brasil
Sejam muito bem-vindos ao Ateio OK! E o episódio de hoje será dedicado aos apoiadores Rosana Morena Ferreira Honorato, Luciana Mara Lemes, Renata Pinheiro, Marilene Parisotto Campanha, Amanda Garcia Michelini. Com perdão se eu errei alguma pronúncia. E você, quer o seu nome mencionado aqui e ainda a chance de gravar uma história comigo?
Seja um apoiador. O link está aqui na descrição do episódio. Mas se for mais fácil, entra aí no teu navegador. apoia.se barra até aí ok. E a história de hoje é da Lili. Mas se essa história é minha ou se é da sua amiga, vocês nunca vão saber. Nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Então, vem comigo.
Lá em 1999, a Lili tinha 16 anos quando ela conheceu o Fábio. Ela, quando estava com 17 e ele com 20, eles começaram a namorar. Ela iniciou a faculdade de letras e ele de engenharia. Ele se formou e começou a ganhar mais do que ele ganhava no estágio, ainda que fosse pouco. Enquanto isso, a Lili seguia estudando.
Em 2003, eles dois noivaram, em 2004, casaram. Eles financiaram um apartamento pequenininho e começaram a vida juntos. Um tempo depois, veio o primeiro filho e eles decidiram que a Lili ficaria em casa cuidando do nenê, enquanto o Fábio trabalhava. Era uma vida sem luxo, tudo apertado, mas para eles era o que bastava. Eles se sentiam realizados e super felizes.
Mas um tempo passou, o Fábio conseguiu uma promoção e as coisas melhoraram um pouco. Alguns anos depois, nasceu a segunda filha, a princesinha da casa. E agora sim, eles sentiam que eles estavam completos. Com a vida indo muito bem, a Lili decidiu que ela começaria uma outra faculdade na área de educação. Depois ela virou professora, colocou os filhos na escola e seguiu trabalhando.
Com a vida indo maravilhosamente bem, tudo encaminhado a uma vida dos sonhos, eles compraram um apartamento maior, num lugar melhor, e esse apartamento era com três quartos para que cada filho tivesse o seu quarto, a sua privacidade. Eles passaram a viajar nas férias, a Lili, gente, tinha o trabalho dos sonhos, o Fábio tinha um ótimo emprego, um ótimo salário, os filhos iam bem, eles compraram um carro zero, tudo lindo, tudo maravilhoso.
Até não estar mais. Depois de 16 anos de empresa, o Fábio foi demitido. A Lili me descreveu que a sensação dela naquele momento...
Foi a sensação de você estar caminhando e de repente o chão sumir e parecer que você está caindo, que você está em queda livre. E ali, com essa bomba no colo, os dois começaram a pensar no que fazer. O Fábio recebeu a rescisão dele, que deu um dinheiro bem bom, e os planos eram a Lili manter o trabalho dela, eles cortarem os gastos, quitarem as dívidas mais pesadas, mais caras e segurarem as pontas ali até que o Fábio arrumasse um outro emprego.
Mas gente, ficou tudo muito apertado, porque 80% da renda vinha dele. E de repente a Lili passou a arcar com tudo. E no meio de todo aquele caos, de todas aquelas dificuldades, a Lili teve uma ótima ideia. E se a gente usasse o dinheiro dessa rescisão para viajar para Nova York?
Será que foi realmente uma boa ideia? Bom, eles tinham já o passaporte e os vistos, porque eles sempre sonharam em ir para Nova York, porque 90% da família da Lili mora lá, e já faz aí mais de 30 anos. Então eles sempre quiseram ir, só que o dinheiro nunca dava. E agora, com aquela rescisão generosa, a Lili viu a oportunidade. Que na verdade fica o questionamento aqui, né? Foi oportunidade ou foi uma loucura?
E a Lili, gente, ela tem uma personalidade em que ela não tem medo das coisas. Ela mete a cara e vai. O marido dela, ele é mais polido, ele é mais cauteloso. E muito embora ele confie nela, ele achou essa ideia meio louca.
Mas ainda assim, a Lili ficou com isso na cabeça. Por desencargo, só para dar uma olhadinha, aquela espiadinha marota, antes de dormir, ela entrou no aplicativo de viagens e pesquisou voos para Nova York, só para ter uma noção, assim, daquela coçadinha, sabe? E, gente, para a surpresa dela... Então, eu acho que isso é só isso em nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível nível
Ela achou ali uma promoção em que as passagens para Nova York, para ela, o marido e os dois filhos, estavam saindo 5 mil reais. 5 mil reais para os quatro. O voo de ida era direto, sem conexão, e o voo de volta teria uma escala de duas horas em Atlanta. E só para situar vocês.
Nessa época, o preço normal seria coisa aí de 12 mil reais para eles quatro. Então pensem, valia muito a pena, estava menos da metade do valor.
E quando ela viu aquilo, gente, ela enlouqueceu. Ela ficou empolgadíssima. Mas antes de dormir, ela fez um acordo com Deus. Oi, Deus. Eu de novo. Tudo bom, querido? Viu? Olha só. Se amanhã, quando eu acordar, essa promoção ainda estiver aqui, eu vou comprar? Então, assim, eu espero muito que a nossa vontade coincida. Mas se ela não coincidir, que a sua vença. Mas eu espero muito...
que é a nossa vontade conhecida. E no dia seguinte, quando ela acordou, adivinhem? Tava lá a promoção. Daí não teve jeito, né, gente? Ela comprou e pensou. Bom, se Deus quis, né? Então, já que ele faz questão, a partir daqui, então, que seja o que ele quiser. Gente, quando ela contou pro Fábio que ela comprou...
O Fábio achou loucura total da parte dela. Total. Só que no fim, os dois são muito parceiros e ele só falou para ela. Bom, já que você comprou então, né? Então, bora lá. E alguns meses se passaram, até que chegou o grande dia, o dia da realização desse sonho.
Todo mundo estava muito empolgado. E o voo de ida, como eu falei para vocês, era conexão direta. E o voo de volta tinha uma escala de duas horas em Atlanta. E, gente, na ida deu tudo certo. Eles chegaram lá, viram a família, mataram a saudade, passearam muito, rodaram Nova York inteira, foram a vários pontos turísticos, fizeram compras. Foi tudo muito, muito, muito maravilhoso.
Era verão, então eles conseguiram aproveitar tudo muito bem. Foi a viagem da vida deles. Como eles ficaram na casa de familiares, eles não gastaram com hotel. Então deu para ficar bastante. Eles ficaram 15 dias. Mas, como tudo que é bom acaba, esses 15 dias chegaram ao fim.
Eles estavam prontos para voltar para casa. Eram oito malas despachadas, mais as malas de mão, mais as mochilas. E nessa época, gente, a carga permitida era de 32 quilos por mala. Não é igual hoje, que é só 23. Então, gente, era muita bagagem, era muita coisa. Mas deu boa. Eles chegaram lá no JFK, que é o aeroporto de Nova York, despacharam as malas e embarcaram.
Repito, a escala seria em Atlanta, com duas horas para trocar de aeronave, e ali eles viriam direto para o Brasil.
Porém, gente, o avião saiu de Nova York com uma hora de atraso. Ali, a Lili já ficou meio nervosa, mas ela pensou. Tá, a gente ainda tem uma hora. Vai ficar apertado, mas dá tempo. Porém, gente, faltando alguns minutos para pousar, o avião começou a taxiar. Ele começou a rodar em círculos em cima do aeroporto e nada dele pousar. Daqui a pouco, a Lili percebeu o aeroporto se afastando.
Todo mundo sem entender nada e, de repente, o comandante anuncia. Devido às péssimas condições climáticas, não poderemos pousar. Por conta da falta de combustível, faremos um pouso de emergência no Tennessee. Gente, o coração dessa mulher foi parar na boca. Aquele avião virou um rebuliço a bordo. Só que depois de um tempo, deu tudo certo e eles pousaram.
Ela até manifestou para mim o que é real, né? Qual a necessidade do comandante falar isso? Porque não falar só que por segurança estão indo para o Tennessee, né? Eu sei que ele tem que ser sincero, mas, enfim, gerou um alvoroço todo ali, mas deu boa. Eles pousaram. Ali em Tennessee, eles abasteceram o avião. E, gente, só esse abastecimento levou mais de três horas. E detalhe, com todo mundo dentro da aeronave.
Imagina a Lili e o Fábio com duas crianças, gente. Aqui, evidentemente, ela já tinha percebido que eles tinham perdido a conexão em Atlanta. No fim, eles saíram do Tennessee e foram para Atlanta. Eles chegaram lá, gente, era meia-noite e meia.
Só que tem um detalhe, o aeroporto de Atlanta não tinha mais nenhum voo programado, então ele estava vazio, ele basicamente estava fechado, né? Só tinha ali uma atendente da companhia aérea para tentar resolver a situação e todo o pessoal do avião.
e virou um caos. A atendente estava super sem paciência porque estava todo mundo querendo saber o que ia acontecer. Por sorte, apareceu ali um brasileiro muito prestativo que resolveu a situação de quem não falava inglês.
Mas enfim, gente, quando chegou a vez da Lili ser atendida ali no guichê, eles sugeriram colocar cada membro da família num avião diferente. Imagina, o Fábio num voo, a Lili no outro, o filho dela que tinha 12 anos em outro e a filha de sete em outro.
Imagina colocar as crianças sozinhas, gente. Vê se pode. A Lili recusou sem pensar duas vezes e fez o maior escarcel. No fim, conseguiram colocar os quatro juntos num mesmo voo, porém apenas para o dia seguinte, meio-dia.
E esse voo voltaria ali para Nova York e de lá eles voltariam para o Brasil numa conexão direta. Ou seja, eles saíram de Nova York, foram para o Tennessee, foram para a Atlanta e agora, dali 10 horas, eles iam voltar para Nova York para daí até o Brasil. Era como se estivessem voltando para a estaca zero, né? Só que não tinha o que fazer. Todo mundo só conseguiria embarcar no dia seguinte, de qualquer modo, e isso já era 2 horas da manhã.
E aí virou aquela cena clássica de aeroporto, né? Era a galera dormindo ali mesmo, nos bancos, no chão, cada um esperando o seu voo. E a Lili e a família esperando 10 horas até o voo deles, que sairia meio-dia. Algumas pessoas até foram para hotéis ali perto, mas, gente, a grande maioria ficou por ali porque eles ficaram com medo de perder a conexão de novo, de dar alguma alteração. Então, acabou que a maioria dormiu tudo ali no chão mesmo.
Beleza, deu meio dia e finalmente eles conseguiram embarcar de volta para Nova York. Chegando lá, eles foram para o guichê da companhia aérea para poder fazer o check-in do voo que viria para o Brasil. Porém, gente, a hora que eles foram se aproximando do guichê, eles começaram a ver gente sentada no chão, desesperada, chorando, gritando no balcão.
Sem entender nada, eles foram se informar, já sabendo que vinha bomba. A notícia? O avião que levaria eles de volta para o Brasil tinha quebrado. E, gente, por mais revoltada que a Lily tenha ficado naquele momento, ela pensou que pelo menos foi melhor que tivesse quebrado no chão do que no ar, né? Mas o resultado era o mesmo. Não iam embarcar de novo.
Quem tinha compromisso urgente que se virasse? Porque não tinha o que fazer. A Lili, gente, já estava revoltada, desesperada e falando para o marido dela que parecia impossível voltar para casa, que parecia que era uma viagem sem volta.
Quando ela chegou no balcão para tentar resolver, ver o que ia acontecer, de novo eles propuseram colocar a família em voos diferentes por falta de espaço. E de novo ela não topou, óbvio, e falou que depois de tudo isso que eles estavam passando, ela só toparia um voo direto com os quatro juntos.
E aí o pessoal da companhia aérea falou que tudo bem, mas que esse voo só seria possível dali três dias. E gente, a Lili topou, porque separar a família não era uma opção. E a sorte é que ela tinha família em Nova York, né? A companhia aérea se ofereceu para pagar um dia de hotel, mas os outros ficariam por conta dos passageiros. E eles aceitaram porque não tinha outra alternativa.
Porém, nesse momento, surgiu uma preocupação aqui. E as oito malas, cadê? Essas malas já tinham sido despachadas, só que ninguém sabia onde elas estavam. De novo, gente, a Lili entrou em pânico, porque tudo que eles tinham comprado estava dentro dessas malas. Ela começou a perguntar, ninguém sabia, e eles só foram jogando a batata quente um para o outro, né? Até que chegou o momento que eles disseram que era para verificar quando chegasse lá no Brasil, que, por enquanto, não tinha o que fazer.
E de novo, sem ter opção, a Lili voltou para a casa da tia dela e lá eles ficaram mais três dias. Descansaram, aproveitaram a família, mas eles só tinham mala de mão e as mochilas. Eles tiveram que comprar roupa, inclusive roupa íntima, mas tudo bem, esse era o menor dos problemas.
Três dias depois, era uma sexta-feira, chegou o dia de finalmente ir embora. Eles chegaram no aeroporto, fizeram um check-in e sentaram na frente do portão de embarque. Nova notícia? O avião estava lotado e não caberia todo mundo.
Gente, ali pra Lili não deu mais. Veio o desespero. Ela falou que a vontade era de sair correndo e gritando de raiva. Só que ela já não tinha mais força. Ela só sentou e chorou. A companhia aérea precisaria remanejar pelo menos 20 pessoas. Foi uma desorganização sem precedentes.
Só que a Lili começou a ficar preocupada real. Por quê? Porque além de todo o cansaço, além de ela querer voltar para casa, de não saber onde as malas estavam, ela não só queria voltar para casa, gente, ela precisava voltar. Isso era sexta e na segunda ela voltava a trabalhar. E convenhamos, né? Perder o emprego nessa altura do campeonato não era uma opção, já que o marido dela ainda estava desempregado.
E aí foi uma confusão geral. As pessoas já estavam saturadas disso. Era gente surtando, gente brigando, gente chorando. Eis que a companhia aérea faz uma oferta muito boa. Quem topasse ficar, receberia um voucher em passagem aérea de R$ 1.600 por pessoa. Reais não, desculpa, dólares, R$ 1.600 por pessoa.
E, gente, na época, isso seria suficiente para viajar de novo para Nova York ou até para um outro lugar, quem sabe duas vezes, inclusive. Mas, por melhor que fosse, ela não podia aceitar. Ela precisava, ela queria voltar para casa. Ela estava preocupada com as malas. E ela também estava preocupada com o trabalho dela. Hein? Antes de continuar essa história, deixa eu falar uma coisa bem rapidinho aqui.
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Mas, gente, só um spoiler aqui, tá? Depois que ela chegou em casa, sim, ela consegue em algum momento da vida voltar para casa. Mas quando ela chegou, depois que o nervoso passou, ela me falou que ela se arrependeu profundamente de não ter aceitado essa proposta, porque era uma proposta muito boa. Mas, enfim, um grupo de meninas que estavam ali de férias, elas aceitaram a oferta.
E por isso eles conseguiram liberar quatro lugares. E agora sim, finalmente, a Lili e a família conseguiram embarcar para casa. Mas ainda sem saber das malas. A Lili, na verdade, só queria ir para casa. Só queria chegar em casa, dar uma descansada, tomar um banho.
Bom, chegando no Brasil, passaram ali, né, pra aquela parte de Polícia Federal e tal, e foram se informar sobre as bagagens. E um funcionário falou que dias antes, algumas malas ficaram rodando muito tempo na esteira. Então eles recolheram e deixaram com a companhia aérea num lugar específico. Gente, ufa!
Todas as malas estavam lá. A Lili comentou que mala rodando por muitos dias, elas às vezes viram suspeitas, né? E a polícia, a partir do momento que qualquer mala vira suspeita, a polícia pode abrir. E as malas deles foram abertas, mas foi por causa de um videogame que tinha na mala do filho. Eles abriram, mas eles deixaram um bilhete dentro avisando que eles tinham checado eletrônicos, mas que estava tudo bem.
E gente, mesmo com todos esses perrengues, ela me falou que valeu a pena, que ela não se arrepende de nada. Foram para casa, curtiram, descansaram. O Fábio ficou mais um ano desempregado. A Lili arrumou outro emprego em mais uma escola. Ela deu muitas aulas para pagar as contas, até que os dias de glória voltaram e voltaram com glamour.
O Fábio entrou numa grande empresa e, gente, as coisas começaram a se ajustar. Essa empresa tem sede lá nos Estados Unidos, em Nova York. E alguns anos depois, o Fábio pediu transferência e eles puderam ir para Nova York, mas dessa vez para morar e ficar pertinho da família. E, ó, não pensem, tá, gente? A Lili, ela reconhece. Foi uma loucura usar o dinheiro da rescisão para realizar um sonho.
Mas ela me falou que é aquilo que eu mencionei antes, né? Ela sempre foi assim, sem medo de arriscar, focada em criar memória com os filhos, com a família, e essa viagem ficou na memória de todos. E também nem tinha como não ficar, né, Lili? Pelo amor de Deus!
E, gente, mesmo com todos os perrengues, com aparência de loucura, no fim valeu a pena. E eu faço de novo o questionamento. Foi uma oportunidade ou foi uma loucura? E essa é a história da Lili. E vocês sabem, gente, que essa história dela, ela tinha me mandado num manda-áudio. Só que o manda-áudio é até sete minutos, né? E a dela acabou passando, acabou ficando com, sei lá, dez, doze minutos.
Então, a gente achou melhor ela me mandar aqui. E que bom que ela mandou aqui, porque eu adorei roteirizar e poder contar essa história. E, gente, eu só consigo imaginar o cansaço dela, a necessidade de um banho e pior, com duas crianças de 7 e 12 anos. Eu só fico imaginando isso para as crianças, porque, por um lado, as crianças têm mais energia do que adulto para esse tipo de coisa, né? Eles não passam o mesmo estresse que a gente, porque eles também não têm muita noção do que está acontecendo. Só que, ao mesmo tempo...
pela falta de percepção deles, eles também têm menos paciência, né? A gente tá acostumado, cara, deu B.O., não tem o que fazer, senta e espera. E a criança nem sempre tem paciência. Mas pelo jeito, os filhos dela tiveram paciência. E mesmo que não tivesse, não tinha outra opção, né? Só que eu falo pra vocês, tá? Hoje em dia, eu não sei o que acontece com uma companhia aérea se fizer uma presepada dessa, gente. Porque hoje, o mundo, ele...
ele é outro, ele é um mundo mais jurídico, ele é mais informado. E eu só fico imaginando quanto custaria o processo que essa companhia receberia. Porque, gente, poderia ter sido muito mais pesado se ela não tivesse família ali. Adiar três dias em Nova York, porque vejam, eu nem fiz as contas aqui, mas o que eu consigo imaginar? Que eles provavelmente estavam voltando embora o quê? Numa segunda?
Segunda-feira à noite, eles foram lá para o Tennessee, voltaram para a Atlanta, dormiram, terça-feira voltaram para Nova York, é, eu acho que foi isso mesmo, e só na sexta-feira conseguiriam de volta. Então pense, uma pessoa que vai para Nova York, normalmente ela vai numa segunda para voltar na sexta-sábado. É uma viagem que deve durar aí uma média de seis, sete dias.
E eles ficaram quase que esse tempo só porque deu ruim na companhia aérea. Eles tiveram que remanejar 20 pessoas que eles encaixaram no voo, mas acabaram vendendo, acho, mais do que o esperado. Então, não sei. Eu sei dizer para vocês que há três dias em Nova York, que já é caro, e em dólar, gente, é muita coisa. É muita coisa.
Mas enfim, né, essa história ela traz pra gente aqui a percepção de duas coisas muito legais. Primeiro, a gente não tem controle de nada nessa vida. E, em segundo lugar, gente, no fim das contas, tá tudo certo, né? Eu queria ser essa pessoa que nem a Lili. Eu, olha, eu tenho uma inveja de gente que é corajosa, sim, gente, mas eu não consigo. Eu sou muito pé no chão com as minhas decisões. Eu não conseguiria fazer uma loucura dessa, com certeza, absoluta. E o meu marido, ele é que nem eu.
Então, tem muitas coisas na minha vida, assim, que eu demoro muito pra fazer, que eu fico até, entre aspas, estagnada, porque eu só tomo uma decisão grande quando eu tenho ela muito certa. E eu e meu marido, assim, como a gente é muito parecido nesse sentido, a gente só toma decisões com a...
entre aspas, né, garantia, entre aspas, porque a gente não tem garantia nessa vida também, né, mas a gente só toma decisões quando a gente tem, entre aspas, a garantia de que vai dar tudo certo, ou pelo menos mais de 50% de chance de dar certo, sabe, mas eu queria ser igual a Lili, tenho certeza que se a gente fosse que nela, a gente já teria vivido coisas...
muito legais, né? Porque é o que eu falei pra ela. Só quem se arrisca merece viver o extraordinário, né? E, além disso, eu confesso pra vocês que eu também queria ter a paciência da Lili, gente. Porque eu acho que eu, ainda mais com duas crianças, eu acho que se fosse eu no lugar dela, eu teria voltado pro Brasil num avião especial. O avião da polícia. Que eu acho que eu ia voltar presa, porque eu ia quebrar tudo.
brincadeiras à parte eu acho que pra Lili a gente nunca foi tão bom voltar pra casa nem imagino porque numa viagem normal que foi maravilhosa a gente é a melhor uma parte muito boa é voltar pra casa essa é uma parte maravilhosa
E depois de todos esses perrengues aí que eles passaram, nossa, eu acho que ela nunca deu tanto valor para o banheiro dela, para a cama dela. Não adianta, a casa da gente é a casa da gente, né? Mas é isso, gente. Amo histórias de perrengue, especialmente perrengue de viagem, porque eu sempre acho que não tem como alguém se lascar mais do que a pessoa que manda a história. Daí vem uma nova história e eu falo, nossa, essa se lascou muito mais. E assim vira, né? Uma competição de quem é o mais lascado. Perdoem aqui.
o meu humor um pouco peculiar, né? Mas é isso, gente. Se você quiser comentar sobre essa história, comente no nosso grupo do Telegram. Lembrando que Apoiadores tem um grupo exclusivo e o link está lá no mural do Apoia-se. Mande sua história até ok.podcast.gmail.com Me siga no Instagram até ok.podcast e até o próximo episódio. Tchau, tchau!