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#219. Quem usa, acusa!

06 de abril de 202634min
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Participantes neste episódio1
M

Matheus

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • Relacionamentos AbusivosMatheus e Flávio · Terapia · Traição · Autoestima · Amor próprio
  • Pilares da Saúde EmocionalTerapia · Amor verdadeiro · Relacionamento saudável
  • RelacionamentosExpectativas em relacionamentos · Comunicação · Compromissos
Transcrição95 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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E a história de hoje é do Matheus, mas se essa história é minha ou se é do seu amigo, vocês nunca vão saber, nem se os lugares ou nomes foram alterados ou não. Se você acha que a pista só está salgada para a mulherada hétero, gente, não está não. Eu vou provar para vocês que homem é o cão, não importa a orientação sexual. Dito isso, a qualquer sinal de desconforto, saiba que você pode pular esse episódio. Agora sim, vem comigo.

A história do Matheus, ela começa quando ele tinha 21 anos e arrumou o primeiro namorado. Esse namorado, gente, era 20 anos mais velho do que ele. E era um cara muito confuso, muito, porque por ele ser militar, ele não podia assumir o relacionamento deles. Isso fez o Matheus se sujeitar a muitas coisas que ele sabe que hoje ele jamais aceitaria.

Tipo, ele entrava na casa do cara escondido no porta-malas para que ninguém visse. Para eles saírem juntos era só se fosse em outra cidade, onde não tivesse conhecidos. E assim, ele não julga o cara porque ele sabe que é complicado. Era uma situação com grandes consequências para o cara, né? Então ele não julga, só que hoje ele não ficaria num relacionamento desse. Ele sabe que ele não precisa disso e ele entende quão problemático isso é. Mas o fato...

é que ele viveu esse relacionamento escondido que só terminou porque o cara foi transferido para uma outra cidade. E vale dizer para vocês, gente, que hoje, depois de muita terapia, o Matheus tem consciência de que ele se permitiu viver isso e buscar homens mais velhos para tentar suprir a figura de um pai que ele nunca teve. E além disso, esse relacionamento, onde ele se sujeitou a tudo isso,

Foi a porta de entrada para ele se permitir estar e entrar num relacionamento pior. Porque esse cara tratava ele muito bem. Só que não assumia ele. E isso abala um pouco da autoestima, né? E aí, por consequência, fez ele aceitar menos do que ele realmente merecia. Ele não tinha nem o básico com esse cara.

que é ele ser assumido. Então, quando ele conheceu uma outra pessoa, não importa se essa pessoa era boa ou não, só o fato dele ser assumido já fazia ele achar que ele estava num grande relacionamento. Ele perdeu a referência por estar nesse relacionamento com o militar.

Bom, assim que ele terminou com esse militar, ele foi numa festa e nessa festa ele conheceu o Flávio. E, gente, foi amor à primeira vista. O Flávio, aqui eu não vou poder fazer a piada de que é sempre um feio, porque o Flávio era lindo, lindíssimo, educado, um pouco mais velho do que o Matheus.

Aquela coisa que eu acabei de comentar, de ele tentar suprir a figura de um pai e tal. Hoje isso já foi tratado em terapia. Amém. E no dia seguinte, eles já se adicionaram ali nas redes sociais e começaram a conversar. E gente, o interesse foi mútuo. Então, logo em seguida, eles já marcaram um encontro. O Flávio, ele era o homem que o Matheus tinha sonhado.

Bonito, educado, gentil, carinhoso, atencioso. O cara era um amor. E durante cinco meses, eles dois foram levando ali uma ficada mais séria. Eles saíam toda semana, eles ficavam juntos, eles tinham uma rotina de casal, mas eles não tinham nada formalizado.

Porém, gente, para o Mateus aquilo era um sonho, era muito diferente do ex dele, porque agora ele era assumido, ele era exposto, ele podia sair à vontade, ele não precisava ir para outra cidade para poder sair de mãos dadas. E estar junto com uma pessoa que assumia ele para o mundo todo era bom demais. Então assim os dois eles foram se permitindo e foram levando. Porém...

Depois desses cinco meses, o Mateus precisou mudar de país por conta do trabalho. E eles combinaram que eles dariam um tempo. E assim que o Mateus voltasse, se ambos estivessem disponíveis e dispostos, eles conversariam novamente. E lá foi o Mateus para outro país. Gente, ele foi feliz da vida, ansioso pela nova experiência.

Só que ele e o Flávio continuaram conversando. Eles mantiveram contato diário. A única coisa que realmente tinha mudado era a distância física entre eles, porque de resto eles mantinham, eles conversavam todos os dias. Uns três meses depois que o Matheus se mudou, chegou o aniversário dele. E no dia do aniversário dele...

o Flávio pediu ele em namoro. Para ele, aquilo parecia um sonho acordado. Foi a materialização de todos os sonhos que ele já tinha criado na cabeça dele com o Flávio. E ele acabou aceitando esse pedido de namoro.

E assim, né gente, quando o relacionamento dá certo, isso é ótimo, é lindo, é muito legal. Só que infelizmente a gente não tem bola de cristal para saber quando que vai dar certo ou não. E quando não dá certo, além de cagar na data do teu aniversário, você ainda deixa de viver uma fase muito boa por causa da outra pessoa.

E aí no fim é só uma perda de tempo, né? E o Matheus, que estava vivendo e aproveitando a vida dele fora, se fechou para conhecer gente diferente, viver experiências diferentes, para ser fiel ao Flávio. E nessa época, gente, o Flávio estava vivendo um momento financeiro difícil. Ele trabalhava, mas ele estava ali sempre vendendo almoço para poder pagar a janta.

E tinham alguns meses que surgiam imprevistos e ele se apertava mais do que o normal. E esse momento era uma dessas fases ruins dele. E aí o Matheus chamou ele para ir até o país que ele estava, para que o Flávio visitasse ele para eles ficarem juntos, matarem a saudade, se vissem pela primeira vez como namorados. Claro, o Matheus que chamou, o Matheus que pagou.

Matheus pagou a passagem, fez toda uma programação de roteiro ali para uns cinco dias que o Flávio ficaria lá. Gente, esse cara, ele reclamou de absolutamente tudo.

Ele não fez questão nem de fingir ou disfarçar que ele não gostou. Foi tudo tão ruim que, acreditem se quiser, eles nem transaram. Vocês têm noção disso? O tempo que eles estavam sem se ver, a saudade, pra ser uma grande merda quando o cara vai pra lá. E aí, quando o Flávio chega no Brasil, ele manda mensagem pro Matheus falando assim. Hein, você se importa se eu não postar nenhuma foto com você?

E, gente, está aí uma red flag escancarada, né? Só que o Matheus, na inocência dele, falou que sem problemas. Os sinais claros ali para ele, mas ele não enxergou. O Flávio, gente, provavelmente queria continuar mantendo a vida de solteiro, né? Só Deus sabe o que ele estava perguntando.

Bom, um tempo depois, o Mateus voltou para o Brasil e ali os dois seguiram a vida juntos como um casal. Eles continuaram, gente, com amor, com carinho, saíam com os amigos dele, eles iam em festas. E o Mateus estava realizado porque era a primeira vez que ele vivia um relacionamento assim, exposto, assumido. Ele estava deslumbrado, ele estava se sentindo emocionalmente realizado.

Ele estava cheio de planos para o futuro. Quando deu três anos que eles estavam juntos, como estava indo tudo bem, eles decidiram ir morar juntos. E aí, procurando casa para morar, eles começaram a divergir as opiniões sobre alguns pontos da futura casa.

E aí, gente, esse foi o momento que parecia que nada ia para frente, parecia que não saía do lugar. É como se o Flávio deixava o Matheus com a sensação de que ele estava enrolando para não ir. Só que daí o Matheus chegou um momento que ele não aguentou mais e ele meteu o louco. Ou a gente muda de casa ou a gente termina.

Hoje, o Matheus, ele acha que esse pode ter sido o ponto, o momento onde ele errou, porque ele já estava acostumado com a rotina de morar sozinho. E aí essa enrolação toda foi deixando ele agoniado, impaciente, porque ele precisava desse dívida dele. E talvez ele tenha a sensação de que ele pode ter apressado as coisas, muito embora eles já estivessem planejando morar sozinho. Mas foi um negócio que não estava fluindo.

E sabe aquilo que a gente conversa sobre quando o negócio não flui, a gente força, parece que aí começa a dar errado? Então, e o Mateus criou a expectativa dos dois irem morar juntos, só que o negócio não saía do lugar. E mais um sinal de Deus estava aí na cara dele, mas ele meio que forçou a barra ali. Mas enfim, gente, acabou que deu tudo certo, eles acharam um lugar ótimo para morar, se mudaram e começaram a construir a vidinha de casal deles ali.

E no início, como sempre, foi tudo mil maravilhas. Era amor exalando por tudo. O Matheus, ele estava muito feliz. Ele amava a rotina que eles criaram. Parecia tudo muito perfeito. Só que isso durou pouco. Daqui a pouco, o sexo começou a ser cada vez mais raro. O Matheus começou a achar que o problema era ele, que ele estava fazendo alguma coisa de errado, que ele estava fazendo o Flávio perder o interesse sexual nele.

Começou a achar que ele estava gordo, que ele estava feio, e isso começou a afetar a autoestima dele. Ele começou a ficar apilhado com tudo, mas a gente não adiantava. Nada do que ele fazia melhorava a vida sexual deles. E a essa altura, o Matheus já estava afastado da família dele. Por quê? Porque todos odiavam, detestavam o Flávio.

E por que eles detestavam? Porque o Flávio não enganava ninguém com o jeito dele, gente. Só enganava o Mateus mesmo. Porque, de resto, ele era um cara detestável, nada receptivo. Só que o Mateus não conseguia enxergar isso. Porque ele enxergava uma versão diferente do que as pessoas de fora viam, né? E contra tudo e todos, ele deu a vida dele pra esse relacionamento dar certo. Ele tava tão focado em construir a família dele, em ser resiliente e provar pra todo mundo que ele tava certo.

que ele queria, de qualquer modo, provar que o Flávio era uma boa pessoa. Só que quando a gente tenta dar murro em ponta de faca, gente, quando a gente tenta segurar para erguer um relacionamento sozinho, o que acontece?

O Matheus, que era um cara super alto astral, amoroso, animado, comunicativo, um cara que fazia amizade fácil, quando ele se deu conta, ele estava sem brilho, estava mais quieto, ele estava xoxo, capengo, anêmico, manco. O Flávio já tinha podado o Matheus nas falas, no bom humor e até nas roupas. Se o Matheus acordava feliz e de bom humor, o Flávio já podava ele. E aos poucos esse bom humor dele foi sendo reprimido.

Bom, relacionamentos abusivos sendo como eles são, né? Nada de novidade aqui. E enquanto o Matheus estava ficando super para baixo, o Flávio continuava exatamente como ele era. Só que assim, gente, era um discurso moralista insuportável que o Flávio tinha.

Sabe aquele cara palestrinha, adepto da moral e dos bons costumes? Então, gente, ele vivia falando para o Matheus que ele falava muito mal do pai dele, porque o pai dele traiu a mãe dele. Ele falava mal de todo mundo que fazia esse tipo de coisa, ele falava mal de todo mundo porque ele achava que ele era o perfeito sem defeitos.

O Flávio, gente, ele era um conservador moralista. Olha só. Então o Matheus, ele se achava um merda perto do Flávio, porque o Flávio se colocava como o cara maravilhoso.

Só que o Mateus, ele achava, gente, que ele amava tanto esse homem perfeito, que ele tinha que lutar e melhorar para que esse relacionamento desse certo, porque na cabeça dele era a coisa certa a se fazer. E beleza, nesse ritmo eles foram indo, até que quando eles estavam juntos há cinco anos, eles resolveram mudar para uma casa que já não era mais uma casa de aluguel.

era a casa da mãe do Flávio. Então, assim, era praticamente uma casa própria, né? Eles já não pagariam mais aluguel e só isso já era muito significativo. E, assim, desde sempre e para sempre, o Flávio, ele ficava com aquele discurso dele de pudor, respeito, que não aceitava traição, que não concordava que o pai dele traiu a mãe, que isso e aquilo.

Só que assim, gente, esse discurso dele era feito de uma forma tão incisiva, essa postura de um cara exemplar, sabe? Isso fez com que o Matheus começasse a ficar meio desconfiado. Sabe aquela história de que quem usa acusa? Tipo eu. Gente, vocês não sabem de uma coisa, mas acreditem, eu fumava, sabe? Eu fumava. Eu parei de fumar quando eu engravidei.

E quando eu comecei a fumar, eu comecei a reclamar do cheiro do cigarro dos meus pais. Os meus pais, eles fumaram a vida toda praticamente, a minha mãe parou faz alguns anos, faz alguns anos não, mas ela parou faz um tempo já, e o meu pai, ele fumou até descobrir, até receber o diagnóstico de câncer.

Então a gente cresceu sentindo o cheiro de cigarro e eu nunca falei nada. Quando eu comecei a fumar, eu comecei a reclamar. E quando eu comecei a reclamar do cheiro, foi quando os meus pais descobriram que eu estava fumando. Porque quem os acusa, né? E de tanto o Flávio ter esse discurso, afirmar que ele era um santo, não sei o quê...

o Matheus começou a ficar ligeiro com ele. O Matheus redobrou a tensão. E um dia, gente, o Flávio, ele deixou o computador dele em casa e o Matheus resolveu fuçar. E ali ele encontrou o WhatsApp aberto e aí pronto, né? Gente, depois de mais de duas horas sentado e lendo tudo, ele encontrou uma conversa muito atravessada. Vamos contextualizar.

Um tempo antes desse dia, o Mateus tinha comentado com o Flávio sobre um rapaz da igreja que era casado com filhos e tal, mas que o gaydar dele apitava. E o Flávio já questionou se por um acaso esse cara tinha dado em cima do Mateus. E o Mateus falou que não. E o papo morreu aí. Adivinha com quem que era essa conversa atravessada, gente?

Exatamente. Era uma conversa entre esse rapaz da igreja, casado, e o Flávio. Onde eles falavam... Eu não vou nem falar acreditem se quiser, porque é bem fácil de acreditar. Mas nessa conversa eles falavam que eles queriam continuar tendo encontros sem ninguém saber.

E aí, gente, foi quando veio o primeiro soco no estômago do Matheus. Aqui veio a descoberta oficial de uma traição e o choque de saber que aquele cara casado com família e tudo estava traindo a esposa dele com o Flávio. Sendo que o Matheus já tinha falado do cara. Agora fica aí o questionamento. O Flávio ficou ofendido de imaginar que esse cara poderia ter dado em cima do Matheus porque ele ficou com ciúmes do Matheus ou do cara?

Matheus, me desculpa colocar essa pulguinha atrás da sua orelha, talvez, né?

Bom, Matheus nem sabia o que era mais absurdo naquela história toda. Mas agora, com essa informação em mãos, o Matheus sofreu muito, gente, mas ele sofreu calado. Ele não falou nada para o Flávio naquele momento. Só que nessa fase, ele estava vivendo uma transição no emprego dele. E tudo isso deixou ele ainda mais fragilizado. Ele não conseguiu mais segurar e ele resolveu confrontar o Flávio. Gente, quando ele contou para o Flávio que ele sabia... psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological

O Flávio, ele fez o tratamento de silêncio. Ele não falou nada, absolutamente nada. Ele não falou um A. O Matheus começou a chorar pedindo explicação, mas o Flávio não falou nada por uma semana. E a gente sabe que o tratamento de silêncio, ele é uma forma de tortura psicológica, né? É uma forma de manipulação. Tortura tanto a outra pessoa que ela começa a achar que a errada é ela.

É muito enlouquecedor. Só que, de certa forma, o Matheus já estava acostumado, porque cada briga que eles tinham era assim que o Flávio reagia. No fim das contas, depois de um tempo, o Flávio enrolou ele falando que ele se arrependeu do que fez e tal.

E como o Mateus já estava naquele emaranhado todo por conta dessa manipulação silenciosa, dessa fragilidade por causa do momento que ele estava, ele aceitou. Ele caiu no papo do Flávio. Só que assim, gente, a gente sabe quais são as consequências de aceitar uma traição, né?

O Mateus redobrou a atenção dele, só que ao mesmo tempo ele passou a desconfiar muito mais do Flávio. Ele ficou inseguro, ele ficou desconfiado de tudo, sexo já não era mais frequente. E cada vez que eles iam transar, era só porque o Mateus procurava ele. E aí, além de ser um evento, por ser raridade, era uma coisa meio mecânica.

Sabe quando parece que a pessoa está ali, mas não está? Parece um sexo vazio, sem envolvimento. E isso ia matando o Mateus aos poucos, porque fazia ele achar que o Flávio continuava tendo relações com outras pessoas. Só que com o discurso tão firme que o Flávio tinha sobre o pai dele trair, e isso ser errado, sobre o Flávio se comportar como um alecrim dourado, isso entrou na mente do Mateus de um jeito que fazia ele achar psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological psychological

que ele precisava lutar pela família dele, que a família era importante e que eles iam vencer essa crise, que podia ser só uma crise momentânea que o Flávio estava. Só que, gente, ele estava lutando sozinho, né? E aí não tem como o negócio evoluir, as coisas não melhoravam e ele achava que o problema era ele, que era o físico dele, a aparência dele, que ele era frígido, que ele estava gordo, que ele não era mais atraente e que a culpa era dele.

E no decorrer do tempo, ele foi descobrindo mais e mais traições, e como ele já estava em frangalhos, ele foi relevando, sempre achando que dava para salvar ainda aquele relacionamento, que agora o Flávio ia mudar. Só que, gente, o Flávio sabia disso. Então, na cabeça dele, com tudo que o Matheus já sabia...

O Matheus, se ele não tinha deixado até agora, ele nunca ia deixar. Ele nunca ia terminar, né? Porque se eles dois terminassem, o que o Matheus ia fazer? Ia voltar a pedir pinico para a família dele? Que a essas alturas ele já não tinha mais nem contato, né? O Matheus, ele estava sem incentivo para ser uma boa pessoa, correr atrás da vida. Ele estava afastado de todo mundo. Ele estava vivendo a vida do Flávio, né? Ele era criticado o tempo todo.

Só que depois de se ver nessa situação, chegou o momento que ele praticamente morreu por dentro.

Ele só aceitou aquele destino de merda dele, aquele relacionamento de merda. Ele já não se importava mais com as coisas que o Flávio fazia. Ele realmente morreu por dentro, ele já não ligava mais. Até que um dia ele estava na porta da casa dele e passou por ele um motoqueiro.

Esse motoqueiro olhou estranho para ele. Quem era esse motoqueiro? Um cara que tinha conversinha com o Flávio, inclusive mandando foto de cueca para o Flávio. Gente, em menos de 10 minutos, esse motoqueiro chamou o Matheus ali nas redes sociais e começou a dar em cima dele. O Matheus falou que ele era um cara casado e o motoqueiro soltou o clássico. Não tem problema, eu não tenho ciúmes.

Só que, gente, nesse momento, eles estavam na mesa tomando um café com a sogra do Matheus. Ele levantou na mesa e saiu. O Flávio, sem entender nada, saiu atrás dele perguntando o que estava acontecendo. O Matheus só jogou o celular para ele e falou. Responde você, você tem mais intimidade com ele? Gente, quando o Flávio viu quem que era e o que ele queria, o Flávio ficou branco, amarelo, roxo, pálido, porque ele não sabia que o Matheus sabia desse motoqueiro.

E aí o Matheus só falou para ele que ele queria ser respeitado e que ele não merecia passar por tudo isso. O Matheus estava ali pedindo socorro, só que, gente, essas pessoas não se preocupam em como a gente se sente. Mas assim, nesse pique, ele tentou seguir mais um pouco e no mês seguinte ele começou a fazer terapia.

E como terapia salva vidas, façam terapia. Ali ele começou a ter uma virada de chave. E ele começou a entender, ter noção da gravidade de tudo que ele estava vivendo.

Ele falou para mim, gente, que ele nem começou a terapia por conta desse relacionamento. Ele começou para se encontrar porque ele estava se sentindo completamente perdido. E logo na primeira sessão, depois que ele comentou com a psicóloga sobre tudo que estava rolando, ele desabou ali. E ela, na primeira sessão, já sugeriu que ele saísse de casa.

Gente, ele saiu de casa, só que ele não conseguiu cortar o vínculo tão rápido assim. E aí, mantendo contato, uns dias depois, o Flávio foi lá buscar ele, dizendo que os pets estavam com saudades. Porém, gente, como o relacionamento deles já não tinha mais sexo, o Flávio traía ele à torta e à direita. E eles tinham tido esse afastamento?

O Matheus, ele tocou um foda-se ali e resolveu buscar sexo casual. E nessas buscas, ele conheceu um cara que foi muito relevante na vida dele. Esse cara começou a elogiar muito ele. O Matheus, ele começou a sentir uma tensão que fazia tempo que ele não sentia há muito tempo. Ele começou a sentir aquelas coisinhas que ele já não lembrava mais como era. Ele começou a se sentir vivo de novo.

E esse cara olhava para ele de um jeito, gente, que fazia muitos anos que ele não era mais visto pelo Flávio. E isso fez com que o Mateus ficasse mexido, porque fazia anos que ele não se sentia desejado, anos. Então ele saiu com esse cara, eles fizeram ali umas brincadeiras gostosas, depois eles tiveram um sexo casual e morreu nisso. Só que esse cara foi o gatilho que o Mateus precisava.

para perceber que alguma coisa tinha que ser feita em relação à vida dele. Então, num domingo qualquer, ele chamou o Flávio e falou para ele. Ó, já faz muito tempo que nós não somos nós. E para a gente voltar ao que a gente era, a gente precisa cuidar de forma individual de mim e de você. A gente não está bem. Eu te amo, você sempre vai ter um espaço no meu coração. Quem sabe no futuro a gente possa ficar juntos, mas agora não dá mais. Eu não quero mais.

Gente, não pensem que para ele foi fácil. Para ele foi um mix de sentimentos. Ele sabia que ele precisava de um autocuidado, ele precisava se olhar, e ele precisava se respeitar para ele ser respeitado. Ele não podia mais ser visto como parte de um casal. Ele precisava ser visto como um ateus de uma forma individual.

Ele ter se sentido desejado fez ele perceber que ele ainda estava vivo. Só que naquele momento ele estava só sobrevivendo. Então ele precisou de muita coragem porque foi muito difícil, mas ele conseguiu terminar com o Flávio. E chocando zero pessoa, gente, o Flávio ficou completamente em silêncio. Ele não insistiu nem nada.

E o Matheus, ele ficou, gente, uma semana arrumando as coisas dele, as roupas dele, porque ele ia voltar para a casa da mãe dele. O Flávio sempre dizia que ele não teria coragem de voltar para lá. Mas agora, cheio de coragem, e fazendo terapia, porque, gente, a terapia, ela não vai resolver a sua vida naquele momento, mas você se encoraja e você consegue organizar a tua cabeça.

E eu acho que quando eu fiz terapia para resolver diversas questões, atualmente, por conta do meu bebê, eu não consigo fazer, né? A nossa rotina é meio instável. Mas com a terapia, eu me encorajava em fazer o que eu precisava, porque eu sabia que eu tinha um chão para pisar. Eu sabia que se alguma coisa desse errado, eu não ia cair sozinha, porque eu tinha a terapia para me manter e me estruturar.

Eu acho que essa é a maior importância que tem você fazer terapia num momento caótico. Então, para o Matheus foi fundamental para ele se encorajar, porque ele sabia que ele tinha um chão para pisar, que ele não ia ficar sozinho. Enfim, no dia da mudança oficial e definitiva dele, enquanto o Flávio foi tomar banho, o Matheus resolveu olhar o celular dele, gente, para ter certeza de que ele estava tomando a decisão certa. Ele queria saber se era isso mesmo.

E para a surpresa do Matheus, ou não, o Flávio já estava marcando o encontro com outro cara, gente. O Matheus nem tinha saído de casa ainda, o corpo nem tinha esfriado, e o Flávio já estava marcando de sair com outro cara. E isso foi mais um momento, mais um marco muito importante para ele, gente. Mas muito, muito, muito. Porque ele estava fazendo a mudança dele, engolindo o choro.

Ele estava revivendo tudo que eles tinham passado juntos no decorrer desses anos. O total deu oito anos. Gente, oito anos junto com uma pessoa é muita coisa. E o Matheus ali chorando, todo sensível. Enquanto isso, o Flávio se arrumando para sair com outro.

Nossa, o Matheus foi puro Edu Guedes chorando pela grávida de Taubaté, sabe? Naquele momento, ele secou a lágrima dele e aí ele teve certeza absoluta de que era o certo a se fazer. E ele ainda foi educado, gente. Ele foi se despedir do Flávio. E vocês acreditam que o Flávio chorou? Ele chorou. O Matheus só ficou olhando para ele, assim, muito pleno. Achei que o Matheus arrasou aqui. Melhor coisa que ele fez foi ter fuçado.

aquele celular pela última vez. E nesse mesmo dia, no dia que ele saiu da casa do Flávio, desse jurandir dos infernos, sabe esse rapaz que eu falei para vocês que ele conheceu, que foi muito importante, com que ele teve um sexo casual e tudo mais? Então.

Nesse dia, ele contou para esse cara aí o que rolou. E esse cara resolveu levar ele num restaurante para dar um apoio, distrair a cabeça. Adivinhem quem passou de carro ali e viu ele entrando no restaurante? Flávio. Flávio estava com o seu boy, esse com quem ele tinha o encontro marcado. Quando ele estava indo sair com o boy, ele passou na frente do restaurante.

viu o Matheus e ele voltou para confirmar que realmente era Matheus. Depois, um pouco mais tarde, ele mandou mensagem para o Matheus perguntando o que ele estava fazendo lá, que ele fazia amizade super rápido, não sei o quê, como se ele tivesse muita moral para cobrar o Matheus de alguma coisa, né? E o Matheus, na mesma hora, respondeu para ele. Como é que foi tua visita em tal lugar com o fulano?

Ali o Flávio se ligou que o Matheus tinha mexido no celular dele porque a casa caiu, né? Ele não teria outra forma de saber com quem que o Flávio estava e aonde ele estava indo. E, gente, quando o Matheus falou isso, se instalou a Terceira Guerra Mundial. O Flávio quis falar absurdos para o Matheus, mas ele só falou. Cara, você nunca me respeitou. Não é agora que você vai fazer isso. E, gente, a resposta do Flávio foi.

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Vocês entendem que ele estava tentando colocar a culpa no Matheus? É isso que eu falo sobre a gente não se posicionar. Você perdoar uma vez a traição da pessoa não significa que você vai perdoar de novo.

Mas você perdoar 10 vezes significa que você vai perdoar 11. Entende? Então esse é o momento que meio que o jogo vira. E aí existe um ditado que eu acho que ele é meio injusto, mas vocês vão conseguir entender o que eu quero dizer. Eu acho ele muito injusto porque a gente nunca é culpado pelo que a outra pessoa faz, mas é aquela coisa. Se a pessoa te traiu uma vez, a culpa é dela. Se ela te traiu duas, a culpa é tua.

Porque ou você não se impôs o suficiente ou você se manteve nessa relação. Então, como eu falei, a gente não tem como ser responsabilizado pelo que outra pessoa faz. Mas sempre que eu vejo alguém falando que, porque eu estou desconfiado, que meu marido está me traindo, que minha esposa está me traindo, vira e mexe, vem e-mails, gente, de histórias que nem vão para o ar.

Porque a pessoa, a gente acaba conversando ali, a história morre ali, a pessoa resolve não contar. E muitas delas é isso, vem de uma desconfiança, de uma traição, alguma coisa. E eu sempre falo, se você descobrir essa traição, você vai tomar uma medida em relação a isso? Você vai fazer alguma coisa? Porque se for para você descobrir e continuar no relacionamento, ou se for para você descobrir, contar para a pessoa que você sabe não fazer nada, isso vai virar contra você.

Se você descobre uma traição e a pessoa sabe que você descobriu e não fez nada, ela vai continuar te traindo. Isso não é culpa tua. Mas a pessoa vai se folgar para cima de você. E é muito fácil esse jogo virar. Porque foi exatamente o que ele tentou fazer aqui com o Matheus. Falar, ué, mas você estava tão ruim assim, por que você não saiu antes?

Então, é muito complicado isso, mas quero reforçar, o errado aqui não é o Matheus, porque é óbvio que não é, né? Não foi o Matheus que traiu tantas vezes. O Matheus só traiu nessa última vez aí e eu passo pano pro Matheus, tá? Mas enfim, gente, o Matheus não tá errado porque eu também sempre digo que ninguém insiste num relacionamento pra se ferrar. Todo mundo insiste pra... quem insiste, insiste pra tentar ser feliz, pra tentar dar mais uma chance, ver se a pessoa muda e tal.

Mas tá bom, voltando então para a história. Quando o Flávio usou esse argumento contra o próprio Mateus, esse foi o momento que ele entendeu que ele tinha que se retirar, que ele não tinha mais nada a ver com o Flávio, e que eles terminaram e que a coisa tinha que seguir.

Ele se deu conta, gente, de que ele era um rapaz bom e não precisava estar nessa. O Matheus, ele conseguiu se enxergar. Um rapaz bom, amoroso, sempre solícito, vivia em função da vida do Flávio, dedicava tempo para ele, para a família dele. Então quem saiu perdendo foi o Flávio. Matheus, obviamente, seguiu na terapia. E depois de alguns dias, o Flávio começou a ir atrás do Matheus para dizer que ele tinha esquecido algumas coisas. E, gente, era só cacaré, covelharia, coisa que não importava.

O Matheus logo colocou ele para correr, falando que era para jogar no lixo. Mas ele acha que, na verdade, o que o Flávio queria era tentar uma reconciliação. Só que para o Matheus ali já não tinha mais chance. Ele não queria repetir aquele ciclo vicioso. Gente, o Flávio tentou usar até os animais dele para manter o vínculo. Mas o Matheus, em nome da saúde mental dele, com muita dor no coração, ele preferiu abrir mão dos pets do que continuar preso com esse cara. Ele deixou ali para o Flávio.

para que não fossem mais objetos de manipulação. Não tem como a gente ganhar todas também. Ele cortou tudo que o Flávio podia tentar usar e assim ele conseguiu se livrar desse cara, gente, com muita coragem, com muita determinação e com muita terapia. Façam terapia, terapia salva vidas.

Um tempo depois, o Mateus conheceu outro Mateus e eles dois se envolveram. E, gente, em que momento que o Mateus, vamos chamar de Mateus 1 e Mateus 2, em que momento que o Mateus 2 surgiu na vida do nosso Mateus? Quando ele estava bem. É sempre nessas horas que a vida faz isso com a gente, né? Foi quando o Mateus estava bem, estava tranquilo, querendo ficar em paz.

A vida olhou para o Mateus e falou. Meu irmão, dessa vez não. Vem cá que chegou o teu momento de brilhar. E assim o Mateus 2 se mostrou uma pessoa maravilhosa. Ele compra as brigas do nosso Mateus, do Mateus 1. Defende ele, motiva ele a ser uma pessoa melhor. E eles entenderam que quando um sobe na vida, o outro sobe junto. E juntos eles dois constroem a vida deles. Logo, logo isso daí já vai virar um casamento.

Então eu fico feliz demais em ver que o Matheus, além de conseguir sair de um relacionamento desse, conseguiu encontrar o amor da vida, viver a calmaria dele. Eu acho que aqui nós estamos na teoria dos três amores, hein? O primeiro foi o militar que ensinou para ele sobre amor, sobre relacionamento. O segundo foi esse tóxico turbulento. E o terceiro é onde ele encontrou a calmaria dele, é o amor para a vida.

Vocês viram, gente, que não é só a mulher hétero que sofre, não é só a mulher hétero que está no mapa da fome? É o que eu falei. O homem, quando ele é escroto, ele é escroto independente de orientação sexual, né? E é isso. Essa foi a história do Matheus. Fica aí meu abraço para o Matheus.

E para todos os homens e mulheres que foram, são e ainda serão alvos de homens escrotos, que todos consigam sempre sair desse relacionamento, se recuperar e viver aí uma vida plena e feliz, né? E que os Mateus, os Mateuses, os Mateus...

E que os Mateus aí, Mateus 1 e Mateus 2, encontrem a felicidade juntos, construam a vida deles juntos e sejam muito felizes. Agora sim, o Mateus está aí numa família que ele gosta e que ele merece. Então, essa é mais uma história que é ruim, mas acaba bem.

E é isso. Se você quiser comentar sobre essa história, comente no nosso grupo do Telegram. Lembrando que apoiadores têm um grupo exclusivo. Mande sua história até ok.podcast.com Me siga no Instagram até ok.podcast E até o próximo episódio. Tchau, tchau!

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