Creepypasta: Ubloo (parte FINAL)
Narração e tradução completa da creepypasta Ubloo, disponível em https://www.creepypasta.com/ubloo/
Speaker A
- Narração de CreepypastaUbloo · Robert Jennings · Andrew · Eli · Monaya Guthrie
- Confronto de Elias com AcabeUbloo · Revólver · Policial
- Encontro com Andrew e UblooAndrew · Ubloo · Maldição
- Descoberta na escolaOssos carbonizados · Símbolos tribais · Ritual · Monaya Guthrie
- Insegurança nas escolas e trajetosLouisiana Bank · Escola abandonada · Lenda de terror
- Dosimetria da maldadeDayala Buumba · Ubuala · Tribo Binuma · Enterrado vivo
Olá, bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta. Tem uma boa notícia, no episódio de hoje a gente vai finalizar a Creepypasta do Uhu. Para quem não sabe de qual Creepypasta eu tô falando, eu tenho contado essa história nos últimos 2 episódios. A primeira parte tá num episódio que tem outras 2 Creepypastas, a do Uhu é a terceira, para quem se interessar e para quem não ouviu ainda. Eu vou deixar alguns alertas de gatilho aqui também porque essa Creepypasta Ela tem um conteúdo bem violento, é bem gráfico, tem alguns tópicos sensíveis que podem gerar gatilho em algumas pessoas.
Então, se você é sensível a esse tipo de conteúdo, eu não recomendo que você ouça essa creepypasta. Tem várias outras aqui pra vocês ouvirem. Mas pra quem tá ouvindo, sem mais enrolação, bora pra história de hoje. Caminhava de um lado pro outro no quarto de hotel, girando a taça de gin e perdido em pensamentos. No dia seguinte, eu tinha uma reunião com o Louisiana Bank pra visitar a antiga escola que o Robert Jennings tinha investigado.
Eles ficaram um pouco surpresos quando eu disse que tinha interesse em comprar o imóvel. E ao saber que praticamente ninguém mais se interessava pelo lugar, eu também me surpreendi. A construção, embora em ruínas e precisando de reparos, Era linda. A mulher com quem eu falei por telefone me contou que a escola havia se tornado uma espécie de lenda de terror para os moradores da cidade. Ela foi fechada quando a verba acabou e muitos alunos e suas famílias ficaram revoltados com a decisão do governo local de transferi-los para outro lugar ao invés de fornecer recursos adicionais.
Depois disso, o imóvel foi colocado à venda, mas eu imagino que ninguém se sentisse bem em assumir algo que havia feito tanto bem àquelas crianças. Some-se a isso algumas tempestades fortes e a falta de manutenção, e o local acabou virando uma atração paranormal, embora nenhuma atividade real jamais tenha sido documentada ali. Eu dei um gole longo no gin e o engoli de uma vez. Eu não conseguia acreditar em como tinha me acostumado a essa merda.
Embora não bebesse muito antes, sempre tive gosto por whisky. Agora é só isso que eu consigo beber. O quarto de hotel onde eu tava hospedado era escuro e cheirava a mofo. O saldo da minha conta bancária estava baixando, já que eu vivia sem renda há mais de 2 meses e eu não podia me dar ao luxo de gastar muito. Pensei em passar algumas receitas e vendê-las, mas simplesmente eu não tive coragem de fazer isso. Embora o dinheiro fosse muito bem-vindo, eu me recusava a virar as costas para quem eu costumava ser.
Quem sabe? Talvez essa escola ofereça alguma informação nova que eu possa usar para, quem sabe, matar o Ublu. Matar? Balancei a cabeça. É uma maldita maldição! Como é que se mata uma coisa dessas? Apoiei as mãos na cômoda e me inclinei sobre o meu copo de gin, observando os cubos de gelo flutuarem e tilintarem nas paredes do copo. Doutor? A voz veio de trás de mim. Eu me virei tão rápido que eu quase caí e os meus olhos tiveram de se ajustar ao movimento brusco.
Diante de mim, alguém começava a surgir. Era Andrew. Ficamos ali, encarando um ao outro. Ele vestia uma camisa preta básica e calça jeans. O cabelo estava bagunçado e embaraçado. E seus olhos, antes de um verde brilhante familiar, tinham sido substituídos por esferas de um branco puro. Doutor, por que o senhor está aqui? Ele falou de novo. As palavras ficaram presas na minha garganta, mas eu finalmente consegui pronunciá-las. Eu estou tentando encontrar uma saída, Andrew.
Estou tentando vencer isso. Estou tentando vencer o Ublu. Andrew balançou a cabeça ao ouvir isso. Você não pode vencer o Uhuu, doutor. Não pode, ele disse. O Uhuu tá sempre lá, sempre à espera, sempre observando. Ficamos em silêncio. Meu estômago revirava, tomado pela depressão e pelo nervosismo. Bom, eu tenho que tentar, Andrew, eu falei finalmente. Tenho que tentar, porque eu não posso deixar isso acontecer com mais ninguém.
Simplesmente não posso. E então eu vi. A criatura emergiu das sombras atrás do Andrew com movimentos lentos, quase desajeitados. Sua pele era cinzenta e viscosa, esticada sobre o corpo. Eu via cada osso e músculo se contrair e se mover enquanto ela avançava, marcando sobre suas 6 pernas longas. Devia ter pelo menos 1,80m de altura, provavelmente mais, e isso estando agachada sobre os joelhos. Sua cabeça grande e arredondada e aqueles olhos negros e profundos me encaravam fixamente.
Embora não tivesse pupilas, eu percebia que ela observava cada movimento meu, me examinando. A longa tromba que prendia de sua cabeça balançava de um lado pro outro enquanto ele caminhava, como se tivesse nerd. Ele parou logo atrás do Andrew no momento em que ele voltou a falar. Vai acontecer com outra pessoa, doutor. Seus olhos brancos me encaravam diretamente. Só existe uma saída agora. A tromba do Ublu se ergueu e se pressionou contra o ouvido do Andrew.
Então eu vi a sua língua negra, longa e fina, emergir do nariz do Andrew, e ele soltou um grito agudo. Tapei os ouvidos com as mãos e desabei contra a cômoda. Não, para com isso! Eu gritei, mas foi em vão. A carne do Andrew começou a se desprender dos ossos em pedaços moles, escorrendo como cera de vela e expondo seu esqueleto e tecido muscular. Ele continuou gritando enquanto seu corpo se transformava em uma massa pastosa aos seus pés.
Observei o seu rosto derreter e revelar o osso da mandíbula. Então eu ouvi um estalo seco e vi o músculo da mandíbula se romper, fazendo o osso cair torto em um ângulo estranho enquanto ele gritava em agonia. Por favor, eu não consigo! Eu simplesmente não aguento mais! Acabe com isso, por favor! E com isso, o Andrew parou, com a mandíbula ainda escancarada. Ele não passava de um meio esqueleto agora, com pedaços de carne e vísceras presos entre os ossos que não haviam caído no chão.
Ele tava imóvel. Então a sua cabeça girou bruscamente pra olhar pra mim. E as esferas brancas rolaram da parte de trás do crânio pra revelar aqueles olhos horríveis de um verde brilhante. Atrás dele, o Ublu observava tudo, o tempo todo. O fim é o começo, doutor. Então seu esqueleto se despedaçou e seus restos caíram no chão, sobre a pilha de carne e bile que ele deixara pra trás. A tromba do Ublu despencou e ficou pendurada abaixo da sua cabeça.
E eu ouvi dizer: Ublô. Minhas pernas estavam emaranhadas nos lençóis, como madeira retorcida. Eu tava deitado numa poça de suor frio, ofegante, encarando o teto escuro enquanto o contorno de uma luminária fria ganhava nitidez. Fiquei ali deitado, ofegante, por algum tempo. Assim que eu recuperei o fôlego, eu me levantei, fui até a cômoda e abri uma das gavetas. Dentro havia um frasco de comprimidos e ao lado dele Um revólver. Embora eu ainda nutrisse a esperança de encontrar uma maneira de me livrar dessa maldição, uma pequena parte racional de mim insistia na ideia de que talvez houvesse, de fato, apenas uma saída pra tudo aquilo.
Peguei um frasco de remédio e coloquei 3 comprimidos na boca. Peguei uma garrafa de gin quase vazia e virei o restante. Me virei e olhei ao redor do quarto. Nada. Acendi a luz e verifiquei o relógio. 4:37 da manhã. Era hora de fazer as malas. Cheguei ao banco logo depois das 7 da manhã. Ainda levaria mais ou menos uma hora pra abrir, então eu peguei uma das muitas garrafas de gin que eu mantinha no carro e despejei um pouco do conteúdo no meu café.
O primeiro gole queimou a minha língua, mas eu não tava nem aí pra isso. Existem coisas piores do que uma boca queimada. Fiquei pensando no que o Andrew disse. Se é que era o Andrew. Será que era o Uplo falando comigo? Não fazia sentido. Se ele consegue me mandar acordar toda maldita vez, por que iria querer inventar uma visão do Andrew pra falar comigo? Ouvir aquela coisa falar seria muito mais bizarro, na minha opinião. Encontrei a mulher que ia me mostrar a escola logo na entrada.
O nome dela era Linda. Ela era de meia-idade, tinha cabelos castanhos e sardas e um sorriso de um branco radiante. Caprichei no visual pra essa reunião. Se eu queria parecer alguém interessado em comprar a casa e extrair informações dela, Eu teria que desempenhar bem o papel. Penteei o cabelo com cuidado e arrumei minha barba da aparência desleixada. Vesti algumas das minhas roupas de trabalho antigas, que eu tinha passado a ferro na noite anterior, e até passei um pouco de colônia.
Pra falar a verdade, foi bom me arrumar um pouco. Fomos de carro até a escola, que ficava a apenas alguns quarteirões do banco. Quando chegamos, eu senti um frio estranho na barriga, aquela sensação que a gente tem quando vemos pessoalmente alguém que a gente só conhecia por fotos. Eu sentia como se já conhecesse aquele lugar, de tanto que eu tinha estudado sobre ele. Pode não parecer grande coisa agora, mas eu garanto que já foi uma beleza, ela disse, caminhando em direção ao grande portão de ferro.
Ela tirou da bolsa um chaveiro com 3 chaves e ficou tateando para escolher a certa. Observei ela com atenção. Havia 2 chaves douradas e uma prateada. Ela escolheu a prateada e a inseriu na fechadura do portão. Olhei para a grade e examinei as pontas afiadas no topo. Não seria ideal escalar aquilo, mas com cuidado era certamente possível. O pátio tá um pouco tomado pelo mato agora. Geralmente a gente manda alguém cortar a grama a cada poucos meses e dá uma olhada no local para garantir que ninguém tenha mexido em nada.
Caminhamos pela entrada e subimos os degraus da frente. Eles rangiam sob os nossos pés enquanto a gente seguia para a porta. No mesmo chaveiro, ela pegou uma das chaves douradas e a colocou na fechadura. A porta abriu para dentro e ela começou a entrar. Então, aqui a gente tem o saguão e, como você pode ver, é um espaço amplo e aberto com pé direito alto, algo que tá super na moda hoje em dia, ela disse, fechando a porta atrás de mim.
A casa era realmente linda e eu consegui entender porque foi fácil para o Robert apresentar a aquisição como um bom investimento. Linda me mostrou o restante da casa, que tava sombria e empoeirada. As tábuas do assoalho rangiam sob os nossos passos e havia sinais de danos causados pela água espalhados pelas paredes e pelos A maior parte do térreo era composta por salas de aula, com exceção de uma cozinha pequena que os professores provavelmente usavam como sala de descanso.
No andar de cima ficavam a sala do diretor e mais salas de aula. Continuei caminhando pelo local, prestando só atenção no que a Linda tava dizendo. Uma parte da minha atenção tava à espera de que algo saltasse à vista, mas nada aconteceu. Eu tinha chegado num beco sem saída. Segui pistas até aquele ponto e agora eu não conseguia evitar a sensação de estar perdido e sozinho. Quando terminamos de visitar o local, voltei ao banco com a Linda para examinar alguns documentos e discutir valores.
Me sentei na sala dela, de frente para sua mesa. Ela pousou a bolsa e foi buscar café para nós. Quando ela voltou, ela se sentou e tirou a papelada. Estamos pedindo um mínimo de $685 mil, com todas as taxas da transferência da escritura por sua conta. Tem também uma comissão de corretagem de $10 mil, mas para ser sincera, eu acho que o banco pode abrir mão disso se você fechar o negócio. Eles estão muito decididos a se desfazer dessa propriedade.
Quando ela terminou de falar, ela deslizou os documentos na minha direção para que eu os analisasse. Eu fingi que li o documento e depois me recostei na cadeira. R$685 mil parece viável, eu disse, embora uma escola semelhante fosse custar quase o dobro disso no mercado atual, especialmente uma com essa metragem e esse estilo arquitetônico. Linda entendeu o que eu queria dizer antes mesmo de eu terminar a frase. É que... eu continuei.
Eu tinha ouvido alguns boatos sobre a propriedade enquanto eu tava na região, e embora eu seja certamente cético, eu também sinto uma curiosidade compreensível. A Linda suspirou, apesar da maneira diplomática como eu formulei a pergunta. Bom, eu posso garantir que não tem motivo pra preocupação com essa propriedade. Quando a escola foi fechada, transferiram os alunos pra escolas públicas, algo que desagradou a muitos pais porque ainda tinha muita tensão racial.
Os pais imploraram por verbas, mas manter a escola funcionando era caro demais. Eles acabaram afastando alguns dos primeiros compradores em potencial. A escola ficou vazia por muito tempo, e foi aí que as histórias começaram a surgir. Depois disso, fica bem difícil vender uma escola, principalmente uma que sofreu danos e carrega um histórico de conflitos e ressentimentos. Eu assenti. Fazia sentido. Uma parte de mim esperava encontrar alguma história concreta pra seguir, Mas tudo o que eu achava eram as lendas urbanas de sempre, histórias batidas.
Gente vista nas janelas, pessoas que entravam e nunca mais saíam, e por aí vai. Bom, eu vou ter que falar com a minha esposa sobre isso e ver o que ela acha. Falar aquilo pareceu estranho. Eu tomei um gole do meu café. Ele já tinha esfriado o suficiente para ser bebido, o que me deixou um pouco mais tranquilo em relação ao que eu estava prestes a fazer. Claro, eu entendo, a Linda respondeu, sorrindo. Enquanto isso, você se importa se eu pegar uma cópia de...
Eu estendi a mão sobre a mesa para pegar os papéis e deixei cair a minha xícara de café. O líquido derramou na camisa e no colo de Linda. Meu Deus, eu sinto muito mesmo. Ah! Ela se levantou e olhou em volta, procurando algo para se limpar. Eu só... Um momento, por favor. Ela saiu apressada da sala e ouvi o barulho dos seus saltos ecoando pelo corredor. Sinto muito mesmo, eu gritei enquanto as minhas mãos reviravam a bolsa dela e encontravam o chaveiro.
Eu sou tão desastrado, eu devia ter avisado. Guardei as chaves no bolso, tirei a caixa de lenços que eu tinha escondido embaixo da cadeira e a coloquei de volta sobre a mesa dela. Ah, não tem problema nenhum, ela disse, voltando com um rolo de papel toalha. Acontece o tempo todo, querido. Eu vou pedir a um dos estagiários para imprimir outra cópia daqueles contratos para você. Linda me acompanhou até a saída e eu pedi desculpas de novo por ter derrubado o café.
Ela disse que esperava ter notícias minhas em breve. Acenei para ela de dentro do carro e não consegui evitar um risinho ao sair, vendo-a parada ali com uma grande mancha de café na blusa. Assim que eu cheguei no meu quarto de hotel, eu servi um copo de gin e me sentei na cama. Joguei mais 2 comprimidos na boca e engoli. Eu vou até a escola por volta das 2 da manhã. Preciso lembrar de levar as lanternas e algumas ferramentas, só por precaução, caso eu tenha pegado as chaves erradas.
Embora fosse muito improvável, não era do meu feitio deixar margem para erros. Comecei a arrumar uma bolsa de viagem: lanterna, martelo, chave inglesa, chave de fenda, pé de cabra. Fui até a cômoda e tirei uma máscara de esqui. Senti algo pesado se mover por baixo dela e olhei para o meu revólver. Fiquei ali encarando a arma até ser trazido de volta à realidade pelo toque do meu celular. Peguei o aparelho e vi quem tava ligando.
Era o Eli. Hesitei por um momento e atendi. Eli, como você tá? Eu tô bem, doutor, ele disse com aquele charmoso sotaque sulista. É, eu já tive melhor, sabe? A minha voz sumiu. Como eu posso ajudar? Bom, doutor, eu pesquisei um pouco sobre isso, sabe? E? Eu respondi. O Ublu não era novidade pra mim, então eu tava menos inclinado a contornar o assunto do que ele. Bom, eu não consegui encontrar nada mais sobre Dayala Buumba, mas eu encontrei algo semelhante.
Tava na história de outra tribo. Meus ouvidos se aguçaram e eu senti um frio na barriga. Continue. Bom, diz aqui que um membro dessa tribo era afligido por pesadelos terríveis. Encontraram ele morto na cabana dele uma manhã. E a pessoa que o encontrou começou a ter os pesadelos. Parece promissor, eu disse, tentando disfarçar a empolgação na minha voz. Bom, isso aconteceu algumas vezes antes da tribo perceber, mas ao contrário de outras tribos, eles não baniram aquele que tinha sonhos.
Ao invés disso, atribuíram a ele um ubuala. Ubuala? Sim, doutor, esse é um termo antigo da língua para o despertador. O Ubuwala se sentava com a pessoa aflita e a acordava caso ela começasse a ter pesadelos, sacudindo ela e gritando: Ubu! Senti um frio na barriga. A situação tava ficando sinistra e começou a me atingir de uma forma um tanto pessoal. Funcionava? Bom, dizem que funcionava por um tempo, mas depois um membro da tribo começou a relatar que via o monstro mesmo quando tava acordado.
Ninguém acreditava nele, até que um dia o encontraram com os pulsos cortados, quando ele deveria estar buscando água. De certa forma, isso não me surpreendeu. E depois, o ancião da tribo designou que o homem que havia encontrado o membro amaldiçoado anterior atuasse como ubuala para ele, nunca saindo do seu lado. Até que certa noite, ao ser despertado de um pesadelo, o homem arrancou a faca das mãos do ancião e se matou na frente dele.
Droga! Você tá sentado, doutor? Tô. Por quê? Porque você não vai gostar dessa próxima parte. Diz que o ancião queria levar sua tribo da maldição e que qualquer pessoa que o encontrasse morto a herdaria. Então... Meu coração disparava. Então? Então ele pediu que sua tribo o levasse a um lugar onde ninguém jamais encontrasse seu corpo. Ficamos em silêncio. Onde? Eles o enterraram, doutor. Vivo. Eu senti um mal-estar imediato. Meu Deus, Eli!
Eu sei, doutor. É aqui que a pista esfria. Eu havia encontrado relatos esparsos sobre pesadelos em outros textos históricos, mas nada depois disso. Então eu pesquisei sobre a arte do vudu. Aprendi que, uma vez lançada uma maldição, o espírito caça até obter tudo o que lhe foi prometido. Essa é a única forma de acabar com uma maldição. Por isso eu não consegui entender como enterrar o ancião vivo poderia detê-la. Eu contive a náusea e as lágrimas.
Bom, existe alguma maneira de invocá-lo de novo depois de chegar a um beco sem saída como esse? Quer dizer, deve haver algum motivo para ele ter voltado. Sim, bom, uma maldição sempre pode ser revitalizada se for invocada de novo, mas mesmo assim ela só ansiará pelo que lhe foi prometido, e quem a invocou precisaria saber o ritual exato realizado. Veja bem, certos componentes são necessários para o vudu. O feiticeiro que invocou o Dayala Bumba mencionou o uso de presas de elefante, cobras e muitas outras coisas, bem como os restos mortais de toda a sua tribo.
E o livro que você me deu foi tudo o que eu encontrei da tribo Binuma. Antes disso, todos presumiam que eles nunca existiram. Minha cabeça girava com todas essas novas informações. Certo, bom, eu não pretendo desistir ainda, Eli. E se me enterrar vivo não matar essa coisa de vez, eu espero esgotar todas as minhas possibilidades antes mesmo de considerar isso. Eu entendo, doutor. Eu sinto muito ter que lhe dizer isso. Tudo bem, Eli.
Qualquer informação é boa informação. Hesitei e então fiz a pergunta que pairava entre nós dois: Você me enterraria se fosse preciso, Eli? A pausa foi longa, mas finalmente ouvi aquela velha voz solista falar de novo, suave como a água: Se fosse preciso, doutor, eu faria. Cheguei à escola quase exatamente às 2 da manhã. Peguei a bolsa de viagem do banco de trás e a coloquei no colo. Respirei fundo e abri a porta do carro. O ar da noite estava parado e úmido.
Eu havia estacionado a uma distância considerável da escola, então joguei a bolsa sobre o ombro e comecei a longa caminhada até o portão. Enquanto caminhava, eu não conseguia parar de pensar no que o Eli tinha me dito. Sobre o ancião, os Ubuala, tudo aquilo. Por que Dayala Bumba dizia Ubu? Por que aquilo me mandava acordar na ausência de outra pessoa? Caminhei mais um pouco e, de repente, a ficha caiu. Parei bruscamente. E se não for aquela coisa que diz UbuLu?
E se for outra coisa? Algum outro espírito tentando me ajudar? Tentando impedir que o pior acontecesse? Fazia sentido. Fazia sentido na medida certa. Era por isso que eu acordava do sonho, porque eu sempre ouvia aquilo logo antes. Senti um frio na barriga enquanto voltava a caminhar. Se a besta se alimenta de desespero, faria sentido que algum espírito benevolente me acordasse antes que ela pudesse se saciar. Minha mente fervilhava com essa nova informação.
E pela primeira vez em muito tempo, eu senti finalmente uma pequena centelha de esperança. Quando cheguei ao portão, meu ombro já começava a doer de tanto carregar a bolsa de lona. Enfiei a mão no bolso e encontrei o frasco de remédio. Tomei mais um comprimido, só por precaução. Guardei o frasco de volta no bolso e tirei as chaves. Prendi a respiração e inseri a chave prateada na fechadura. Ela girou. Finalmente, as coisas estavam começando a dar certo pra mim.
Abri o portão devagar e entrei. Me abaixei e corri silenciosamente pelo caminho até a porta. Introduzi a chave dourada, abri a porta e entrei sem fazer barulho. Fechei a porta atrás de mim e me vi envolto em uma escuridão total. Abri o zíper da bolsa e tateei às cegas até a minha mão encontrar a lanterna. Tirei-a de lá e a liguei. Apontei a luz pro primeiro cômodo, meio que esperando ver alguma coisa. Acho que assistia filmes de terror demais quando criança.
Dei uma risadinha e comecei a percorrer a casa. Mais uma vez, eu não sabia exatamente o que procurava ao revisitar a casa, mas de alguma forma eu senti que reconheceria o objeto assim que o visse. Subi pro andar de cima e passei pelo escritório e pelas salas de aula. Dei batidinhas nas paredes, tentando ouvir se havia passagens secretas ou algo escondido atrás delas. Examinei os cômodos e depois voltei pro andar de baixo. Passei pelas salas de aula, depois pela cozinha e em seguida pelas salas de aula de novo.
Após uma ou duas horas revistando a casa, me agachei sobre os calcanhares e soltei um suspiro. Eu teria que voltar outra noite e tentar de novo. Merda. Curioso é que aquele prédio não era muito diferente daquele onde eu morava em Massachusetts. Eu me levantei, fui até as paredes e esfreguei um pouco da sujeira acumulada. A cor da tinta era a mesma, ou parecia ser. A disposição dos cômodos, igual. O mesmo piso de madeira. Havia algo nos carpetes que eu simplesmente não suportava, provavelmente porque eu odiava passar aspirador.
Então eu vi uma tábua do assoalho, um tom ligeiramente mais claro que as outras. Me aproximei e direcionei a luz da lanterna para ela. Embora fosse a mesma madeira, parecia mais clara, com acabamento um pouco mais evidente. Parecia mais nova. Larguei a bolsa de lona e peguei o martelo e o pé de cabra. Arranquei os pregos de uma das extremidades e forcei a tábua para trás até que ela se partisse ao meio. Abriu-se uma fresta de uns 8 centímetros.
Tentei iluminar o buraco que ficou, Mas não conseguia ver muita coisa. Fui tomado por uma euforia frenética e comecei a arrancar as tábuas, usando o espaço aberto como alavanca. Removi mais duas e voltei a iluminar o vão. O que eu vi quase me fez vomitar. Havia ossos no chão, sob o assoalho. Não é incomum que as casas na Louisiana sejam construídas a certa altura do solo para evitar inundações, embora aquela casa ficasse bem longe de qualquer corpo d'água.
Havia um espaço de uns 30 a 60 centímetros e, logo abaixo, terra. Uma terra absolutamente repleta de ossos carbonizados e cinzas. Vasculhei freneticamente aquela área sob o assoalho com a lanterna. E então vi aquilo. Desbotado, mas ainda visível, havia um grande círculo em torno da pilha de ossos e cinzas, marcado com símbolos que eu reconheci quase instantaneamente. Eram caracteres do antigo idioma da tribo. Fiquei ali paralisado, encarando aquelas inscrições aterradoras, quando eu vi um pedaço de papel um pouco mais ao lado.
Estendi a mão por entre as tábuas do assoalho e apenas com as pontas dos dedos agarrei-o e o puxei pra cima. Abri o bilhete e li: Eu perguntei como você dorme à noite. Agora eu tenho a minha resposta. Assinado ao final: Monaya Guthrie. Recuei, me sentando sobre os calcanhares, atordoado. Monaya Guthrie? Eu disse a mim mesmo enquanto a raiva fervilhava dentro de mim. Ela deve ter, de alguma forma, invocado o Ublu de volta com esse ritual e o enviado atrás de alguém responsável pelo fechamento da escola.
Meus olhos se encheram de lágrimas de raiva e frustração. Mas por quê? Por que o monstro ainda tá procurando? Se ele matou a tribo, por que continuaria por aí? E então, a ficha caiu. O curandeiro escreveu que sua esposa tava grávida quando foi assassinada e que ele queimou toda a sua tribo pra invocar o monstro. Mas e se não tivesse sido a tribo inteira? E se depois de matar quem o curandeiro havia designado como alvo, o monstro continuasse procurando por aquela criança?
E se o curandeiro tivesse, de alguma forma, conseguido salvar o seu filho? Minha mente disparava freneticamente. Por mais primitivas que fossem, não era incomum que as médicas antigas fossem capazes de realizar tal procedimento. Quer dizer, no final das contas, é apenas uma cesariana prematura. Guardei minhas ferramentas e o bilhete de volta na bolsa e me levantei. Monaya Guthrie. Preciso encontrá-la. Ou pelo menos alguém que a conhecesse.
Ela deve saber o que fazer a seguir. Porra, ela pode até ser descendente de... A tábua do assoalho atrás de mim rangeu e eu congelei de pavor ao ouvir o som. Eu me virei bruscamente, acendi a minha lanterna e gritei. Ali, na escuridão, iluminado apenas por um feixe de luz, Estava Ublu. Ele me observava com aqueles olhos negros e frios, me encarando enquanto eu tremia de medo. Preciso acordar. Droga, droga, droga, preciso acordar!
Observei-o rastejar lentamente na minha direção, os ossos do seu corpo visíveis a cada movimento sob aquela pele lisa e cinza. E então eu percebi: nem em sonho eu soube que eu tava dormindo. Pânico me dominou como uma febre. Os membros da tribo que viram Ublu quando estavam acordados O jeito como o Andrew morreu encostado na parede de frente pra porta. Meu coração tava disparado. Não era nenhum espírito benevolente tentando me acordar.
Como eu pude ser tão estúpido? Era o Ublu. O tempo todo era o Ublu. Me dizendo pra acordar todas as vezes. Me fazendo sentir seguro no último momento pra que dessa vez, dessa vez eu percebesse que não há como acordar. Não há mais escapatória. O Ublu parou, inclinou a cabeça levemente e então disparou na minha direção a galope. Gritei, me virei e saí correndo. Saí da sala de aula e entrei no corredor. Na metade do caminho, eu vi uma porta e eu ouvi o Uhu bater com força contra uma parede atrás de mim enquanto me perseguia.
Ele tava ganhando terreno rapidamente. Atravessei a porta e me vi em outra sala de aula. Corri e procurei desesperadamente até encontrar outra saída. Me virei pouco antes de alcançá-la e saquei o revólver que tava preso às minhas costas, no cós da calça. Apontei a lanterna para onde eu acabara de entrar e vi a moldura da porta ceder para dentro quando o Ubu irrompeu dela. Disparei 3 vezes e vi o corpo dele estremecer. Pequenos buracos negros surgiram onde as balas o haviam atingido.
Ele não sangrava. Observei horrorizado enquanto os buracos simplesmente se fechavam. Corri pela porta próxima a mim, fui para o meio da sala e vasculhei o ambiente com a lanterna. Não havia saída. Eu senti o meu coração bater mais forte ao perceber isso. Varri o local com a luz, então percebi com horror que também não havia janelas. Não, não, não, não, não, não, não, não, merda, merda, merda! Eu ouvi o Ublu se aproximando da porta que vinha da outra sala.
Corri para o canto e me virei para enfrentá-lo. Vi lentamente a tromba contornar a moldura da porta. Em seguida, a cabeça dele surgiu com aqueles olhos grandes, negros e horríveis fixos em mim, encurralado no canto como um imediato. Agarrei com força o cabo do revólver e deslizei pela parede até o canto. É o fim. É o fim de Thomas Abian, o genial Dr. Abian, a quem foi confiada a missão de salvar Andrew Jennings tantos dias atrás.
Comecei a chorar. O fim é o começo, eu disse a mim mesmo enquanto chorava. Ubla entrou e vinha rastejando lentamente pelo cômodo em direção aonde eu tava sentado. O fim é o começo. Que jeito estúpido e maldito de dizer isso. Balancei a cabeça e as lágrimas caíram no meu colo. Eu consegui ouvir o Uhuu se aproximando agora. Eu vou acabar virando só mais uma maldita pista, pensei comigo mesmo enquanto tava ali sentado chorando como um bebê.
E pensar que eu realmente esperava. E então eu compreendi tudo, a doença sombria, horrível e distorcida de tudo aquilo. O monstro não se alimenta do nosso desespero ou da nossa tristeza. Ele se alimenta da nossa esperança. Ele nos mantém vivos apenas o suficiente pra acharmos que vamos conseguir. E então nos leva. As tábuas do assoalho ao meu redor rangiam sob o peso do Uhuu à medida que ele se aproximava. A esperança que Robert sentiu ao encontrar o livro, a esperança de Andrew quando eu lhe dei o remédio, a minha esperança quando eu encontrei o ritual e o bilhete debaixo do chão e pensei que talvez houvesse um espírito benevolente.
Mas acima de tudo, a esperança de que quando ele finalmente viesse nos buscar, nós acordaríamos. Eu comecei a chorar ainda mais quando tudo fez sentido. É a maldição perfeita. Uma que se torna mais forte quanto mais você pensa que pode vencê-la. Afinal, o fim é o começo. O fim da minha vida é o começo da sua fome por alguém novo pra amaldiçoar. Abri os olhos e olhei pra Ublu. Sua cabeça tava um pouco mais de 30 centímetros de onde eu tava sentado.
Ele sabia, de alguma forma sabia que tava prestes a tomar o que viera buscar. Eu deveria tê-lo deixado me enterrar, eu chorei enquanto ergui o revólver. Coloquei o metal frio e pesado na boca e senti meus dentes baterem no cano enquanto soluçava. Abri os olhos apenas o suficiente para ver a sua tromba se estendendo para frente, para ver o meu reflexo lamentável naqueles olhos escuros e vazios, para sentir o meu dedo apertar o gatilho e fechei os olhos e me preparei para o fim.
Um barulho alto. Meus olhos se abriram de repente. Onde o Ubu estivera momentos antes, uma coluna de fumaça negra agora se dissipava no ar escuro. Solte a arma! Eu tava em choque. Congelei por meio segundo e então percebi o que tava acontecendo. Me virei e encarei o policial com o cano da arma ainda na boca. Os olhos arregalados. Eu disse pra soltar essa porra de arma agora! Bom, gente, esse foi o fim da creepypasta. Achei estranho, tá?
Não entendi. Será que tem continuação? Pra mim não faz muito sentido. Ou será que tem algum significado por trás que eu vou reparar só daqui algumas horas depois que eu terminei de ler? Vocês pegaram o significado? Olha, eu vou dar até aqui uma olhada pra gente entender se tem mais partes ou não. Deixa eu ver aqui. Bom, tem algumas pessoas perguntando se vão ter atualizações. Aparentemente tem umas— essa é a parte 4, tá? Aparentemente tem as partes de 5 a 8 em um outro site que eu vou tentar achar para a gente trazer aqui o final de verdade, tá?
Mas enquanto isso, eu quero saber o que que vocês acharam. Então comentem aí o que vocês estão achando até agora, e até o próximo episódio.