Episódios de Assustador, Bizarro e Misterioso

Porque as crianças perdidas na Amazônia não queria voltar pra casa

13 de julho de 202625min
0:00 / 25:06

Caso inspirado no documentário "As Crianças Perdidas"

Participantes neste episódio1
S

Speaker A

Host
Assuntos4
  • Programas de Sobrevivência ExtremaEstratégias de sobrevivência na selva · Papel da irmã mais velha Leslie · Uso de ayahuasca na busca · Cão Wilson
  • Desmatamento AmazoniaSobrevivência infantil na selva · Operação de resgate na Colômbia · Magdalena Mucutui Valencia · Leslie Mucutui Valencia · Solene Mucutui Valencia · Tien Mucutui Valencia · Carlin Mucutui Valencia
  • Acidentes AéreosDesaparecimento de aeronave Cessna 206 · Busca e resgate na Floresta Amazônica · FARC · Operação Esperança
  • Relação abusiva e questões familiaresViolência doméstica contra Magdalena · Abuso sexual das crianças pelo pai · Manuel Ranocchi
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Quando eu olho pra esse caso, eu só fico pensando como 4 crianças sobreviveram no meio dessa imensidão. Bem-vindos a mais um vídeo no canal! Se você gosta de conteúdo assustador, bizarro e misterioso, você tá no lugar certo. Toda semana tem pelo menos 3 vídeos longos, todo dia tem vídeo curto. Então tem muito conteúdo pra vocês. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não esquece de deixar seu like, se inscrever no canal, comentar outros temas que vocês querem ver aqui.

As fontes dos créditos estão sempre na descrição do vídeo. Gente, no vídeo de hoje eu queria pedir desculpas porque: 1, eu continuo gripada, então minha voz continua meio zoada. E 2, eu tô sem microfone. Ai, que beleza! Mas vocês não têm noção. Tipo assim, eu tava gravando uma creepypasta, inclusive pro podcast hoje à tarde. E aí, eu tava usando o microfone e eu não sei onde eu coloquei. E aí, tava ficando meio tarde pra eu gravar esse vídeo aqui pra poder mandar pra editar.

Inclusive, desculpa, Gabriel, tô te mandando esse vídeo super em cima da hora. Eu falei, eu vou gravar sem microfone mesmo. Só que daí, o som não vai ficar tão bom como sempre. Então, desculpem por isso. E uma última coisa que eu queria comentar na introdução do vídeo é sobre um outro caso, antes da gente começar a falar desse. Porque eu sei que tá rolando, tem muita gente pedindo pra falar sobre o assunto. Eu confesso que eu ainda não fui pesquisar, não fui muito atrás.

Porque é aquele esquema que eu sempre falo pra vocês. Não gosto de ficar falando de casos enquanto eles ainda estão acontecendo. Mas fiquei sabendo que rolou um caso muito impactante nos Estados Unidos nos últimos dias. E eles encontraram dentro de uma casa 16 crianças vivendo em um espaço que, se eu não me engano, acho que é 12 por 12 metros. Extremamente pequeno, em condições muito precárias. Elas foram resgatadas e foram levadas imediatamente pra atendimento médico.

Descobriram elas lá junto com 4 adultos. O caso ainda tá sendo investigado pra entender como aquelas crianças pararam ali, se são da família, se não são, quem são aquelas pessoas, como que ninguém desconfiou disso antes. Então é um caso que eu tô ligada, tá? E aí, assim que a gente tiver mais informações, eu vou trazer aqui no canal. Mas só avisando vocês, já que eu tô recebendo bastante DM pra falar sobre esse assunto. O caso de hoje é baseado num documentário que tem na Netflix que se chama As Crianças Perdidas.

É um caso bem... Impactante também porque para mim é quase que inacreditável, sabe? É surreal o que aconteceu com essas crianças e felizmente teve um final feliz. Então sem mais enrolação, bora para a história de hoje. Tudo começou em Bogotá, na Colômbia, no dia 1º de maio de 2023. Então é um caso bem recente. Nesse dia, uma aeronave desapareceu no céu. A aeronave era relativamente simples. E aí, os sinais que ela tava mandando foram capturados a ponto de perceberem que alguma coisa tava errada.

Ela tava saindo de uma cidade chamada Aracoara e tava indo pra San José del Guaviare. O modelo do avião é um Cessna 206. E haviam 7 pessoas a bordo. 4 dessas pessoas eram menores de idade. Eles estavam acompanhados pela mãe deles, o piloto do avião e mais um homem. A última localização da aeronave era no meio da floresta. Floresta amazônica colombiana, em uma área bem remota e de difícil acesso. O nome da mãe das crianças que estavam ali era Magdalena Mucutui Valencia.

Os filhos dela que estavam com ela eram uma garota de 13 anos chamada Leslie, uma de 9 anos chamada Solene, um garoto de 4 anos chamado Tien e uma menininha bebezinha de só 11 meses de idade. O nome dela era Carlin. Todos eles eram de um povoado chamado Puerto Sabalo, que ficava em Araraquara. A princípio, quando a polícia, né, os militares ficaram sabendo desse avião que caiu, eles já ficaram bem preocupados. Mas a preocupação se intensificou ao saberem que havia uma família ali e haviam crianças.

Então, uma nave militar, a princípio, foi enviada pra rastreio. Mas, gente, eu acho que a gente não tem noção da imensidão que é a Floresta Amazônica. Eu mesma não tenho a mínima noção. A gente olhando de cima, de cima é uma coisa bizarra, é um mar verde. E a aeronave era pequena, a maioria das árvores da região onde ela caiu eram muito altas. Então mesmo que uma aeronave militar sobrevoasse o local onde esse avião tinha caído, ia ser muito difícil de ver ele de lá de cima porque as árvores estavam tampando.

Ou seja, era necessário que fossem enviadas pessoas para irem por terra. O que torna tudo ainda mais difícil, primeiro, pela imensidão da floresta. Segundo, porque corria o risco de outras pessoas se perderem. Também tinham os animais selvagens ali. Então, tem muitos fatores. E também era aquela coisa, será que alguém sobreviveu? Aonde a gente vai encontrar os destroços? Tem alguém precisando de ajuda? Agora, a Magdalena tava viajando junto com os filhos pra encontrar o marido dela, o Manuel Ranocchi.

O Manuel, ele tinha fugido da comunidade onde eles moravam por causa de ameaças de alguns grupos armados ilegais. Então, ele tinha fugido de lá, a família viu que não ia ser seguro pra eles continuarem ali. Então, eles falaram, vamos sair daqui e vamos encontrar o Manuel. Foi nesse percurso que a aeronave acabou caindo. Aparentemente, ela já tava precisando de um pouso de emergência. E parece que o piloto escolheu não fazer isso.

Depois de uma primeira busca mais superficial, depois de 6 dias, o Exército enviou uma equipe das forças especiais pras buscas em terra. Todas as unidades foram mobilizadas e parecia ter um tipo de ravina no setor norte que era muito difícil de atravessar. A região em que a aeronave caiu, pra piorar, era uma região ainda inexplorada. O território que eles estavam se dirigindo também era controlado pela FARC. A FARC são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

É um grupo guerrilheiro que foi fundado em 1964. Em 2016, o Alto Comando assinou um tratado de paz com o governo colombiano. Mas ainda assim, a gente tem alguns grupos dissidentes que disputam territórios e também atuam no narcotráfico. Então agora pensa, a gente precisava entrar em uma região inexplorada do território. E ainda por cima, poderiam ter ameaças que não só as próprias ameaças da floresta, mas também outros seres humanos.

E o pior, se alguém tivesse sobrevivido a essa queda de avião, eles também iam ter que enfrentar as mesmas coisas. E aqui a gente tá falando de crianças. Além disso, com o passar dos dias, se alguém tivesse morrido, isso também ia atrair animais selvagens. Nesses casos, como eu sempre repito aqui no canal, quando tem pessoas desaparecidas, a estatística é que quanto mais tempo passa, menores são as chances da gente encontrar essas pessoas vivas.

Então, depois de 15 dias de busca sem sucesso, já tava todo mundo desesperado e perdendo as esperanças. O caso repercutiu muito na Colômbia, várias pessoas eram entrevistadas na rua falando sobre o assunto. Acreditando que infelizmente todos tinham falecido e agora era uma questão de só recuperar os corpos. As coisas começaram a mudar depois dos 15 dias de busca, porque enquanto os soldados estavam andando pela floresta, eles encontraram primeiro uma mamadeira e depois uma casca de maracujá que eles acreditavam ter sido consumida por humanos.

E aí eles pensaram: será que as crianças sobreviveram? Será que eles estão perambulando por aqui procurando ajuda? A gente precisa apressar o nosso passo pra encontrá-las. É muito importante mencionar que essas buscas eram formadas por diversos grupos, tinham voluntários ali. Os militares não estavam querendo que muitos voluntários participassem porque poderia correr o risco de alguém sofrer algum outro mal, enfrentarem mais selvagens ou até mesmo acabar se perdendo, né.

Então o trabalho deles ia ser dobrado. Além de procurar as pessoas que caíram na aeronave, também iam ter que procurar os voluntários desaparecidos. Então eles estavam aceitando ajuda só de pessoas muito especializadas. Só que ali no local, a gente tinha pessoas que já moravam ali, que são dali daquela área, que queriam ajudar. E muitas delas são povos originários que estão ali com aquela identidade na mata, que são considerados até mesmo curandeiros, xamãs, pessoas assim que queriam ajudar e que acreditavam num lado um pouco mais espiritual do local.

De novo, os militares não queriam muito a ajuda deles, mas eles insistiram, eles continuaram a campanha. Isso vai ser importante pra depois. Os destroços da aeronave foram finalmente encontrados no dia 16 de maio. Então, um pouquinho mais de 15 dias depois do acidente. Nesses destroços, eles encontraram o corpo de uma mulher, que era a Magdalena, e ela tinha falecido. Eles também encontraram dois outros corpos adultos dos dois outros homens.

Mas não tinha nenhum corpo de uma criança. E uma coisa que ficou na cabeça deles é que quando uma aeronave cai assim As malas caem junto. E aquelas malas que estavam no chão, elas estavam bem reviradas. Então, será que existia a possibilidade das crianças terem sobrevivido e agora estarem buscando ajuda? Isso ficou cada vez mais claro. E foi aí que a operação de busca ficou mais urgente. A gente tinha crianças de 13 anos pra baixo tentando sobreviver em uma mata super hostil.

Uma dessas crianças tinha só 11 meses. Vocês sabem como funciona o clima na Amazônia também. É muita chuva, é muita umidade. No dia seguinte, no dia 17, a Operação Esperança foi criada com foco na localização dos menores desaparecidos. E eles mobilizaram, ao longo das semanas, 350 pessoas. Cerca de 90 dessas pessoas eram indígenas Monroi. Esses membros têm muita experiência em resgate na selva. O Manuel, que era o pai das crianças, também participou do resgate.

E ele deu várias entrevistas pra mídia dizendo o quanto ele tava abalado e o quanto ele esperava recuperar a família. Também teve uma polêmica no meio dessas buscas, que no dia em que os destroços foram encontrados, o presidente colombiano, Gustavo Petro, ele chegou a anunciar na internet que os irmãos tinham sido encontrados. Ele teve que se retratar do que ele falou depois. Isso fez com que ele perdesse muita credibilidade, chamaram ele de mentiroso.

E aí, qual foi o próximo passo? Era ganhar a confiança das crianças na mata. Então, por exemplo, como eles iam saber que as pessoas que estavam procurando por eles eram pessoas boas e que iam levar eles de volta pra casa? Eles deviam estar muito assustados lá dentro. Então, eles pediram pra avó deles fazer uma gravação pedindo pra eles voltarem. A gravação da avó era na língua originária que as crianças falavam. Ela pedia pra que eles ficassem parados.

Esses alto-falantes foram colocados em diversos pontos ali da floresta, naqueles quilômetros quadrados em volta de onde a aeronave foi encontrada. Com o passar do tempo, as equipes de busca foram encontrando outras pistas. Então, eles encontraram uma fralda, restos de frutas mordidas. Eles também encontraram um abrigo improvisado que tinha sido feito com galhos, gravetos e folhas. Só que tava todo mundo muito sem esperança. Eles estavam achando que talvez os irmãos pudessem ter sido encontrados por membros das FARC.

No dia 31, uma pegada de uma criança foi descoberta a 3,2 km a noroeste do local onde o avião caiu. E aí, as equipes de busca levaram um cão pastor alemão chamado Wilson pra ser solto na mata e tentar encontrá-los. Essa pista reacendeu a esperança de todo mundo que tava procurando. O mapa preparado pelos militares a partir dessas pistas indicava que depois do acidente, as crianças teriam andado 500 metros na direção oeste e depois 2 quilômetros a nordeste.

Isso fez com que as áreas de busca se reduzissem a 20 quilômetros quadrados. Agora, muita gente tava achando polêmica a participação do pai das crianças nas buscas. Ele tava se fazendo como bonzinho. A questão é que ele era muito abusivo com a Magdalena e também com as crianças. A Leslie mesmo, que era a garotinha mais velha, já tinha visto ele ser agressivo com a mãe. Um dia, ele bateu no pescoço dela com o lado de um facão e sei lá, talvez a intenção dele era cortar a cabeça dela.

Ela ficou muito machucada e aí as crianças ficaram muito assustadas e elas foram se esconder na floresta. E aí muitos dos familiares reproduziam esse fato, contavam sobre essa história, explicando por que as crianças não não iam querer sair do esconderijo delas da floresta, principalmente se elas soubessem que o pai delas tava junto na busca. Será que elas iam ser punidas? O que que ele ia fazer com elas sabendo que aquilo tinha acontecido?

Até então, a equipe de busca não sabia sobre esse passado dele. Durante o documentário da Netflix, a gente vê que eles citam algumas coisas um tanto quanto sobrenaturais que aconteciam dentro da mata. Os próprios militares estavam dando depoimentos dizendo que Eles estavam um pouco assim com a presença dos povos ali da região, porque eles acreditavam nos próprios deuses deles, outras entidades. E os militares, em sua maioria, eram católicos, eram cristãos.

Então, quando eles falavam da força da mata ou de espíritos que podiam estar ali, eles não acreditavam muito. Mas eles confessaram que coisas estranhas aconteceram. Então, por exemplo, eles diziam que em determinados pontos da floresta, as bússolas começavam a ficar muito loucas, elas começavam a girar assim sem explicação. O tempo continuou passando sem muitas novidades. Eu acho que era muito aquela sensação de que a gente tá perto, mas ainda assim as chances de encontrá-lo são muito pequenas.

E o que que a gente deveria fazer? Depois de 34 dias de busca, as tropas decidiram se retirar. Essa decisão é um pouco complicada, né, porque quando a gente pensa olhando de fora que Tem crianças desaparecidas, a gente tem que usar todos os recursos para encontrá-las. A gente também pensa pelo outro lado de que os recursos que eles estavam usando para isso também estavam ficando cada vez mais escassos, era muito dinheiro sendo gasto nisso e eles de fato estavam acreditando que nada ia acontecer, que eles não iam encontrar ninguém.

Então, os militares em si foram embora, mas os locais que estavam ali decidiram continuar. O grupo agora era bem menor e eles decidiram apelar pra última coisa que eles acreditavam. Essa coisa era o IAG, mais conhecido como ayahuasca. Eu não sei se vocês estão familiarizados com ayahuasca, eu também não vou entrar em detalhes porque eu sou bem leiga nesse assunto, mas é basicamente um chá que você toma e algumas pessoas têm experiências, tem um ritual pra tomar esse chá também.

A primeira tentativa, quem tomou o chá pela primeira vez pra tentar encontrar alguma coisa foi o Manuel, o pai daquelas crianças. De acordo com os locais, a selva o rejeitou e nada aconteceu. Mas aí um dos guias de lá, o Dom Rúbio, ele tomou e ele disse ter visto como se ele tivesse se transformando em um tigre. Depois que ele teve essa experiência, ele foi informar as outras pessoas do que ele tinha visto e ele disse que tinha ido tudo muito bem, que eles iam encontrar as crianças no dia seguinte às 3 da tarde.

Inclusive, nesse momento, eles já tinham até pedido para chamar um helicóptero e buscá-los. Então eles falaram, a gente, encontrando as crianças ou não, a gente vai embora. Infelizmente, se a gente não encontrar, a gente fez tudo que a gente podia fazer. O Dom Rúbio também indicou que eles deveriam procurar noroeste. Muitos dos voluntários que ainda estavam ali, eles procuraram por algumas horas, não tiveram sucesso e foram indo embora.

Sobraram 4 voluntários. Chegando perto das 3 da tarde, de acordo com eles, eles começaram a ouvir um som estranho, um som que parecia um choro de um bebê. Eles foram caminhando em direção ao noroeste e quando um deles levantou a cabeça, ele deu de cara com as 4 crianças. E os 4 estavam lá, vivos. A primeira coisa que o garoto disse foi, minha mãe morreu no avião. O dia em que elas foram encontradas foi o 9 de junho, então eles passaram mais de 40 dias naquela floresta sobrevivendo.

Elas estavam abatidas, elas estavam com sinais de desidratação, estavam com picadas de inseto. E elas receberam um atendimento médico emergencial ali mesmo. Depois, cada um dos voluntários colocou elas no colo e elas foram levadas pra um hospital militar de Bogotá. Agora, gente, pra mim... Eu fico muito chocada, sabe? Não tem como não acreditar numa força superior ouvindo uma história dessas. O local onde eles estavam era um local que chovia até 16 horas por dia.

Isso dificultava a audição. Dificultava a visão. Tinham muitos locais na floresta em que era completamente escuro, porque as árvores eram muito altas e tampavam o sol. Também tinham muitos animais perigosos, como onças, jaguatiricas, cobras, aranhas, plantas venenosas. Depois que elas se recuperaram um pouco, a Leslie, né, que era a mais velha, ela foi contar pros policiais tudo o que tinha acontecido durante esse período e como ela fez pra sobreviver.

Porque muito do que aconteceu ali E muito do mérito por eles terem sobrevivido foi da Leslie. Ela disse que quando o avião caiu, ela ficou inconsciente por um tempo. E quando ela acordou, ela viu que ela tava com um grande corte na perna esquerda. Um corte que tava doendo muito, a ponto dela não conseguir ficar em pé. Ela tinha que engatinhar pra conseguir andar. E quando ela olhou pro lado, ela viu que a mãe ainda tava fazendo alguns sons.

Mas logo depois, ela parou. Eu encontrei duas versões diferentes sobre isso. Na internet, no documentário fala isso, né, que a mãe dela ainda tava viva quando a Leslie acordou, mas depois ela acabou falecendo. Outras fontes dizem que ela sobreviveu por um período, tem gente que fala que ela sobreviveu por 4 dias, mas eu particularmente não acredito que isso é verdade. Algumas das fontes dizem que ela conseguiu falar algumas últimas palavras para as crianças, falando que talvez fosse melhor eles irem.

Mas isso eu não consegui confirmar, no documentário mesmo não fala isso. Ela também disse que ela ouviu os irmãos chorando e aí ela tirou a irmãzinha de 11 meses debaixo da mãe dela. Todos eles estavam aparentemente bem, eles não estavam com muitos ferimentos e ela sabia que ela precisava deixar a aeronave para encontrar comida e água para eles. Felizmente ela conseguiu encontrar água e ela encontrou alguns vegetais frutas que poderiam fornecer alguns nutrientes ali.

Uma coisa boa também é que no avião ela conseguiu pegar alguns itens. Então aquela mamadeira que depois ela perdeu, ela pegou de lá. Ela também tinha um saco de farinha que eles foram comendo ao longo daqueles dias, que tava junto com eles na aeronave, e poucas frutas. A Leslie, desde criança, ela aprendeu com a mãe como sobreviver na selva, né, coisas que ela podia comer, O que ela poderia fazer para sobreviver. E aí, ela conseguiu fazer uma vara de pescar.

Ela disse que conseguiu pescar alguns peixes, que depois eles comeram cru. Ela disse que o gosto era bem ruim. Durante 20 dias, pelo menos, ela disse que andava meio engatinhando, com muita dor. Ela conseguiu fazer alguns abrigos para que os irmãos dormissem da melhor forma possível. Então, ela pegava aquelas folhas, ela subia nas árvores, pegava aquelas folhas... Ia entrelaçando pra fazer um tipo de caminha. E ela fazia o possível pra que eles conseguissem dormir um pouco.

Ela mesma disse que não conseguiu dormir muito. Teve um dia também que ela conta que eles quase se sentaram em uma cobra e ela conseguiu matá-la com um graveto. Conforme os dias foram passando, por mais que ela conseguisse algumas coisas pra eles sobreviverem, eles foram enfraquecendo e emagrecendo. Ela disse que em determinado momento, o Tian, que era o irmãozinho mais novo, ele ficou tão fraco que ele não conseguia ficar em pé.

Ela sabia que tanto ele quanto a irmãzinha de 11 anos, não tinham muito tempo mais de vida. Para se protegerem, né, dos predadores da selva, eles se escondiam em alguns troncos de árvores. Isso contribuiu com que demorasse um pouco mais as buscas também. Talvez a equipe até tivesse perto, mas elas estavam se escondendo porque elas estavam com medo. A Leslie também disse que às vezes eles ouviam as vozes chamando eles, mas essas vozes duravam pouco tempo.

Então ela não conseguia ir até a direção. O cachorro Wilson, que eu comentei com vocês, ele também chegou a encontrar os irmãos, mas infelizmente o Wilson não foi encontrado, ele se perdeu. Eu não sei se eles conseguiram por fim encontrar o cão. Parece que depois de alguns dias ele foi visto na selva, só que ele já tava arisco. Eles estavam tentando usar todo tipo de coisa para atrair ele de volta, então carne, depois uma cadela, Eu acho que eventualmente ele foi encontrado.

E eu fico com dó, né, tadinho. Ele era um cão muito bonzinho e eu acho que por ter passado por alguns perigos na selva, ele ficou arisco e com medo, tentando se defender. As crianças foram entregues pro exército colombiano e depois de 34 dias de internação, eles receberam alta e eles foram colocados sob os cuidados do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar. Eles ficaram temporariamente nesse instituto para descobrir para quem que ia a guarda, né?

Afinal, a mãe tinha falecido e tinha aquela questão do pai. Esse instituto, ele divulgou um relatório sobre como os irmãos estavam um ano depois de terem sido resgatados. Eles disseram que eles passam os dias aproveitando e aprendendo, que elas superaram os problemas físicos decorridos do período da selva, né, na selva, e estão trabalhando com psicólogos para tratar o trauma emocional daquela experiência. Desde o resgate, os irmãos nunca foram separados, uma coisa que me deixa muito feliz.

O comunicado seguia dizendo: eles sempre apoiaram uns aos outros e contam com a companhia de suas famílias, bem como de pessoas que os amam e protegem. Eles se dedicam aos estudos e aproveitam a vida que meninos e meninas devem ter nessa idade. Tanto os avós maternos quanto o pai solicitaram a guarda. O pai não vai ficar com a guarda das crianças, até porque ele preso em agosto de 2024. Agora que a história fica ainda mais triste, tá?

Ele foi acusado de ter abusado sexualmente dos filhos antes do acidente. Ele nega, é claro, mas foram essas as acusações. Ele também foi acusado por agredir fisicamente a Magdalena, e também foi informado que durante as brigas do casal, às vezes as crianças se escondiam na floresta. Depois do acidente aéreo, a mãe da Magdalena, a Fátima, ela registrou um boletim de ocorrência contra o Manuel denunciando violência doméstica. Em julho de 2025, foi anunciado que ele foi condenado por esses crimes.

Então assim, a gente vê que a história é toda muito triste, né? A família, a mãe, as crianças passando por situações terríveis com o Manuel, que já agredia elas, já abusava delas. Depois desse acidente aéreo em que elas tiveram que lutar pela própria vida. Mas elas foram incríveis, elas foram sobreviventes e elas conseguiram sobreviver. E agora a gente torce para que elas superem esse trauma e vivam uma vida boa, né. Eu quis muito trazer esse caso para vocês porque apesar de triste e desesperador, é uma história de superação que vale a pena assistir.

O documentário da Netflix chama As Crianças Perdidas, é um documentário bem interessante. Tem algumas informações que ficaram de fora de lá, mas que vocês também conseguem acessar na internet. E eu espero que, não sei, essa história tenha trazido um pouco de esperança, né. Que a gente às vezes dá essas causas como perdidas, né. Imagina, quem que ia pensar que crianças tão pequenas desaparecidas em uma floresta iam conseguir sobreviver por 40 dias?

E foi por conta da persistência e por acreditar naquilo que os voluntários conseguiram encontrá-los. Eu acho que o documentário também me chamou atenção porque tem uma parte muito bonita que a gente vê da interação desses povos com a floresta, sabe? De entender que a floresta é como se fosse, sei lá, uma coisa por si só que tem suas vontades. E eles pediram ali para que as crianças fossem entregues em segurança. E aí teve toda a questão do ayahuasca.

Eu acho que são mistérios dessa vida que a gente fica pensando depois e que eu quero saber o que vocês acreditam. Então comentem aí o que que vocês acham e até a próxima.

Porque as crianças perdidas na Amazônia não queria voltar pra casa | Castnews Index — Castnews Index