Creepypasta: Ubloo
Narração e tradução de 3 creepypastas.
Speaker A
Speaker B
Speaker C
- Luisa Sonza e PolêmicaAndrew Jennings · Dr. A · Ubloo · Sonhos lúcidos · Transtorno de estresse pós-traumático
- Anora Petrova e a página da WikipediaCompetição Crystal Classic · Anora Petrova · Bri · Sergey · Jogos Olímpicos
- A caçada a WalterHistória do boneco Robert · Thomas Otto · Key West, Flórida · Museu East Martello
- Morte das irmãs Noémi e AudreyApartamento de Andrew · Dr. A · Senhora Jennings
Bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta! Gente, o episódio de hoje vai ser diferente porque o que eu vou fazer? Vou contar para vocês duas Creepypastas curtinhas e depois eu vou começar uma Creepypasta mais longa. Então eu quero feedback de vocês das Creepypastas curtinhas e também se vocês querem que a gente continue essa mais longa que a gente vai falar a parte 1 aqui nesse episódio. Então sem mais enrolação, bora para as Creepypastas de hoje!
Antes de começar esse episódio, queria deixar um alerta de gatilho, principalmente para a terceira creepypasta. A gente tem alguns temas bem sensíveis envolvendo drogas, envolvendo pessoas tirando a própria vida, então tomem cuidado aí para ouvir. A primeira creepypasta, para mim, ela é um pouco sinistra porque ela é uma história real, né? É um boneco que realmente existe, foi criada uma creepypasta em cima dele, só Só que é uma história bem bizarra.
Eu nunca tinha lido a creepypasta mesmo que fala do boneco Robert. Inclusive, tem vídeo no canal sobre esse boneco, talvez vocês devam conhecer, só não sabem muito bem qual é a creepy que fizeram em cima dele. Então essa vai ser a primeira. No final do século 19, Thomas Otto e suas famílias se mudaram para uma mansão na esquina das ruas Eaton e Simonton, em Key West, na Flórida. Hoje conhecida como Casa do Artista. Os Ottos eram conhecidos por serem severos com seus empregados.
Às vezes, até mesmo maltratando-os. Foi o tratamento dado a uma dessas empregadas haitianas que deu a reviravolta nessa história. Essa mulher foi contratada pra cuidar do filho deles, o Robert. Certo dia, a senhora Otto supostamente a viu praticando magia negra no quintal e a demitiu. Aqui, gente, vou abrir um parênteses. Que é importante falar que hoje em dia a gente não fala mais magia negra, né. Só que a creepypasta original fala dessa forma.
Eu quis manter o original, mas pontuando isso. Fecha parênteses. Antes de ir embora, a mulher deu a Robert uma boneca realista de quase 1 metro de altura, com botões no lugar dos olhos, cabelo humano, acredita-se que fosse do Robert, e recheado de palha. Bonecas que se assemelhavam a crianças não eram incomuns naquela época, mas essa se mostrou especial. O Robert deu à boneca o seu próprio nome e frequentemente o vestia com suas roupas.
Robert, o boneco, se tornou seu companheiro fiel. Ele o levava consigo em suas idas às compras na cidade e o boneco tinha um lugar à mesa de jantar, onde Robert dava pequenos pedaços de comida escondido dos pais. Robert até mesmo era colocado na cama com o menino à noite. Logo depois, depois de ser repreendido pela mãe, Robert passou a ser chamado pelo seu nome do meio, Gene. Gene disse para a mãe que Robert era o nome do boneco, não o dele.
Gene era frequentemente ouvido em seu quarto de brinquedos conversando com Robert. Ele dizia algo em seu jeito infantil e as respostas vinham em voz bem mais baixa. Às vezes, o Gene ficava muito agitado, preocupando os criados e a sua mãe. Ela, ocasionalmente, entrava de repente e encontrava o filho encolhido em um canto enquanto Robert, sentado em uma cadeira ou na cama, o encarava com raiva. Aquilo era apenas o começo. Objetos da casa eram encontrados espalhados pelo cômodo, os brinquedos de Gene apareciam mutilados e risadinhas eram ouvidas.
Sempre que esses atos incomuns aconteciam, Jenny dizia: "Foi o Robert!" O menino aceitava a punição, mas sempre insistia que a culpa era do Robert. Conforme as travessuras aumentavam, mais e mais empregados iam embora e outros eram contratados. Os parentes dos Otto sentiram que era hora de fazer algo. Com a recomendação de uma tia-avó, os pais de Jenny tiraram Robert de seus cuidados e o colocaram em uma caixa no sótão. Foi lá que ele residiu por muitos anos.
Depois da morte do seu pai, Gene herdou a casa da sua infância. Ele decidiu morar na mansão vitoriana com a sua nova esposa. Ele tinha se tornado artista e achava que a casa era espaçosa e lhe proporcionaria um lugar para pintar. Ele foi até o sótão e tirou o pó do seu brinquedo de infância. Ele se apegou ao boneco, apesar do desagrado da esposa. Ele levava o boneco para todos os lugares. Ele até se sentava na sua cadeirinha favorita enquanto Gene e sua esposa dormiam perto dali.
O quarto da torre se tornou o domínio de Robert depois que a senhora Otto o transferiu de volta para o sótão. O casamento deles azedou aos poucos, até que a senhora Otto supostamente enlouqueceu e morreu por razões desconhecidas. Gina seguiu pouco depois. Supostamente, Robert atacava as pessoas, às vezes trancando-as no sótão. Pessoas que passavam por ali afirmavam ouvir risadas malignas vindas do quarto da torre. Por algum tempo, Robert permaneceu sozinho na casa vazia, até que uma nova família comprou a mansão e a restaurou.
O boneco foi mais uma mais uma vez transferido para o sótão. Isso o agradou tanto quanto da última vez. O boneco era frequentemente encontrado pela casa. Em uma certa noite, Robert foi encontrado aos pés da cama dos donos, rindo baixinho, com uma faca de cozinha na mão. Aquilo foi o suficiente para fazê-los fugir da casa. Robert foi posteriormente transferido para o Museu East Martello em Key West, onde agora permanece empolerado em uma caixa de vidro.
Apesar do seu novo lar, acredita-se que o boneco não tenha abandonado seus modos ameaçadores. Visitantes e funcionários afirmam tê-lo visto se mexer. Seu sorriso pode se transformar em uma carranca. Um funcionário limpou Robert, apagou todas as luzes e saiu à noite. No dia seguinte, ao retornar, encontrou as luzes acesas, Robert sentado em uma posição diferente e uma nova camada de poeira nos seus sapatos. Alguns dizem que ele até amaldiçoa.
Se você quiser tirar uma foto com ele, deve pedir educadamente. Ele vai inclinar a cabeça em sinal de permissão. No entanto, se ele não fizer isso e você tirar a foto mesmo assim, uma maldição vai recair sobre você e qualquer pessoa que o acompanhou ao museu. O mesmo vai acontecer se você zombar dele. Até hoje, Robert permanece no Museu East Martello, no seu uniforme de marinheiro, agarrado ao seu leão empalhado, continuando com seus modos ameaçadores.
Bom, gente, esse foi o fim da creepypasta e o fim da história do Robert. Aqui é interessante pontuar que esse boneco Robert, ele realmente está nesse museu, você pode visitar, e em volta dele tem diversas cartas histórias de pessoas pedindo desculpas por ter falado dele, olhado para ele, tirado foto com ele. E eles dizem que se você não pedir desculpas, essa maldição vai recair sobre você. Então é uma história bem sinistra, e eu confesso para vocês que bonecos me pegam muito.
Já falei isso muitas vezes. Bom, a próxima creepypasta é da Anora Petrova. Essa creepypasta começa com um email. O assunto é: Por favor, Bri, Leia isso, não apague. Eu sei que você me odeia, mas nós já fomos melhores amigas uma vez. E eu preciso que você leia isso. Eu acho que eu tô com sérios problemas e não tem nada que você possa fazer. Mas eu preciso que você leia isso pra você entender. Eu sei que a gente não conversa desde as eliminatórias.
Isso vai durar pra sempre, mas o que aconteceu não foi culpa minha. Pelo menos não inteiramente minha. Eu sei que todo mundo acha que foi, mas eu nunca faria nada pra te machucar. Sei que tudo vai parecer uma loucura, mas eu preciso te dizer isso pra que pelo menos alguém saiba o que realmente aconteceu. Tudo começou quando a gente estava na 8ª série, na noite antes da competição Crystal Classic. Eu tava em casa e não conseguia dormir porque tava muito nervosa com relação aos concorrentes.
Bom, eu tinha ganhado um computador novo e eu tentava navegar na internet. Mas depois de conectar, eu não conseguia me concentrar em nada. Eu só fiquei sentada lá. Então eu resolvi fazer umas pesquisas aleatórias. Eu nunca deveria ter feito isso, Bri. No começo, encontrei apenas todas aquelas coisas habituais que você encontra enquanto pesquisa no Google sobre si mesmo. Mas então eu encontrei um link pra uma página da Wikipedia sobre mim.
Eu primeiramente pensei que foi o meu pai que tivesse feito aquilo. Não tinha muita coisa lá, apenas alguns fatos básicos sobre patinação, a cidade em que eu morava. Mas a única coisa que realmente me pegou foi que lá dizia que eu tinha ganhado o Crystal Classic daquele ano. Eu ri. Eu tinha certeza de que alguém só tinha feito aquilo pra me encorajar. Eu até confrontei o meu pai sobre isso, mas ele negou. Quando eu ganhei o concurso no dia seguinte, Eu fiquei tão feliz!
Aquela foi a primeira competição que eu tinha ganhado e eu me sentia muito bem. Eu lembro como eu passei a me esforçar mais depois daquilo. Foi quando meus pais contrataram o Sergey para me treinar. Você deve imaginar o quanto isso deve ter custado. Depois disso, eu passei a sempre verificar minha página antes de cada competição e ela sempre dizia em qual posição eu ficaria. Ela disse que eu ia ganhar os regionais e tudo se cumpriu.
Depois disso, Sergey convenceu a minha mãe e o meu pai que eu tinha realmente uma chance nos Jogos Olímpicos. Foi quando eles me tiraram da escola. Eu patinava todos os dias, mas eu não tava progredindo da maneira que o Sergei disse que precisava se eu quisesse ganhar o campeonato. Eu me esforcei tanto e eu tava patinando tão bem, mas ainda assim o Sergei disse que eu não era boa o suficiente. Então as eliminatórias chegaram. Eu só conseguia pensar em ganhar.
Então eu fiz algo que eu não deveria ter feito. Todo mundo tava dizendo que você era favorita e eu me sentia como se já tivesse perdido a competição. Então eu fiz uma conta na Wikipedia e tentei editar a página, colocando que eu venci. O estranho é que quando eu tentava atualizar a página, tudo que dizia era: "Anora Petrova é uma vadia egoísta que vai ter o que merece." Eu fiquei devastada. Foi por isso que eu parecia tão triste no dia seguinte.
Eu tava em uma espécie de transe. Eu me lembro de ter visto a sua apresentação e ver a sua lâmina se desprender. E a última coisa que eu lembro é de estar no chão e o meu rosto tá coberto de sangue. Então eles disseram que era minha culpa, porque eu tava com seus patins mais cedo. Bri, eu sinceramente não fiz nada com seus patins. Eu queria ganhar, mas eu não faria nada pra te machucar. Quando eles me disseram que eu tava banida da competição e de outras futuras, todo mundo disse que eu tive o que merecia.
Ninguém sequer quis ouvir o meu lado da história. Eu acho que você ouviu dizer que o Sir Gabe me abandonou depois disso. Ele disse que eu estraguei tudo. Ninguém mais falava comigo. "Você sabe o que é ser ignorada por todos?" Em seguida, a página ficou pior. Sempre que eu verificava, ela sempre dizia coisas horríveis sobre mim. Eu não posso nem mesmo citar metade delas. A linguagem era tão chula e vil. Eu chorava toda vez que eu a lia.
Mas eu não conseguia parar de ler. Eu sabia que tinha que fazer alguma coisa. Então eu fiz uma denúncia pra Wikipédia. Mas eles afirmaram não saber de nada sobre página alguma. Eu tava sozinha em casa naquela sexta-feira à noite. E eu decidi dar uma olhada pra ver se já tinha sido deletada. Ela ainda tava lá, só que dessa vez ela dizia: "Anora Petrova é uma orfanzinha patética". Eu entrei em pânico. Eu tentei ligar pros meus pais, mas cada vez que eu chamava, tudo que eu ouvia era uma risada cruel do outro lado.
Eu devo ter ligado uma centena de vezes, até que por fim a risada se foi. Depois do acidente, eu pedi pra polícia checar os telefones, mas não tinha registro das minhas chamadas naquela noite. Eu tava devastada. Naquela época, eu fiquei ocupada com treinos e tarefas pra casa, e eu nunca percebi o quão sozinha eu tava. Eu sei que você tentou se reaproximar, mas eu tava tão deprimida e com raiva que eu estraguei qualquer chance da gente voltar a ser amigas de novo.
Depois que eu fiz 18 anos e recebi uma certa quantia em dinheiro da pensão, eu vim pra Suíça. Eu resolvi seguir em frente. Minha patinação começou a decolar. E não tinha passado um ano e tudo aquilo que aconteceu parecia estar no passado. "É por isso que eu não deveria ter feito isso, Bri. Eu tô escrevendo agora de um antigo hotel de Praga. Eu tô fazendo testes pro Ice Circus amanhã. Eu sei que esse é o tipo de coisa do qual normalmente tiraríamos sarro, mas eu realmente quero isso." Eu tava me sentindo tão nervosa que eu recorri a um velho hábito: acessei a minha página na Wikipedia.
É difícil dizer isso, mas quando eu chequei a página pra ver se tudo ia dar certo amanhã, tudo o que dizia era: "A Nora Petrova morreu sozinha e sem amigos." E tinha a data de hoje listada como a data da minha morte. "Eu tô chorando tanto que eu mal consigo terminar de escrever isso." "Eu só queria que você soubesse a verdade." "Por favor, acredite em mim, Bri." "Eu anexei um print da página pra que você acredite em mim." "Tá tudo lá, assim como eu te disse." "Eu não sei o que fazer." "Eu não conheço ninguém aqui e ninguém fala inglês." "Eu ainda tô atualizando a página." Meu Deus, eu continuo atualizando, mas nada mudou e eu tô esperando até chegar a meia-noite.
Eu não sei o que fazer, então me tranquei no meu quarto. Falta apenas alguns minutos para meia-noite. Tudo que eu posso fazer é continuar atualizando a página. Eu tô exausta, mas não consigo e nem devo parar. Eu tenho medo de deixar o computador antes de descobrir o que vai acontecer. Agora, no final da creepypasta tem essa página da Wikipédia e tem algumas outras informações. Nessa página a gente consegue ler que ela faleceu em 1991, no dia 5 de maio.
E aí tá falando que ela tinha sido uma grande skatista, que morreu sem amigos, órfã, porque ela era uma porquinha gananciosa. Na parte de mais informações diz o seguinte: "Você deveria aprender uma lição da Nora. A Nora foi longe demais e conseguiu o que ela merecia." "Mas isso é o suficiente sobre aquela porquinha. Vamos falar sobre você." "Sozinho e lendo isso." "Me diga, o que você gostaria de ser quando você crescer?" "A Nora tinha grandes inspirações e eu acreditava nela.
Pelo menos eu acreditei por um tempo." "Mas agora, você não é como ela, é?" "Não, eu vejo algo grande em você. Algo que você ainda não realizou." "A gente poderia atingir grandes lugares juntos, você e eu." "Sim, quanto mais eu penso nisso, mais eu vejo que não foi por acaso que você tá aqui." Grandes coisas podem acontecer quando você se depara com uma página como essa. Pense nisso. Você com seus talentos e eu. Bom, vamos dizer que eu tenho um as na manga.
Então me diga, o que você deseja? Ah, você tá pensando sobre isso e a resposta é sim. Juntos a gente pode atingir grandes coisas. Eu poderia te ajudar tanto. Eu poderia te levar pra lugares que você nunca sonhou. Mas primeiro você vai fazer algo pra mim. Bom, gente, esse foi o fim da creepypasta. Eu acho que mexe muito com aquela ideia de que você consegue o que você deseja. Seja, se você der algo em troca. Então sei lá, as coisas que estavam aparecendo na página estavam realizando os sonhos dela, mas ao mesmo tempo ela tava tendo que dar coisas pessoais queridas por ela.
Então a família, né, ela perdeu todos os amigos e acabou morrendo sozinha. E foi o preço da fama. Então é aquilo, né, você quer ganhar o torneio, mas você tá pronto para sacrificar alguma coisa em troca? Enfim, essa foi a segunda creepypasta. E para finalizar, eu vou começar essa outra, e aí vocês me falam se vocês querem que a gente continue ou não. O nome dessa creepypasta é "U Blue". "Em uma vida passada, eu era psiquiatra." Bom, deixa eu reformular isso.
"Antes da minha vida desmoronar, eu era psiquiatra. E um muito bom, por sinal. É difícil dizer exatamente o que torna um psiquiatra bom no que faz, mas eu comecei cedo na minha área, adquiri muita experiência nos meus primeiros anos de profissão, e em pouco tempo eu quase tinha mais pacientes do que eu conseguia atender. Não tô dizendo que alguém entraria no meu consultório consultório com tendências suicidas e mudaria completamente de um dia para o outro.
Mas os meus pacientes confiavam em mim e sentiam que eu realmente os ajudava. Então eu era muito bem recomendado e a minha taxa era, eu admito, alta. Dito isso, eu tava acostumado a um nível superior, entre aspas, de pacientes. Eu não sei ao certo como a família Jennings me encontrou, mas eu presumo que tenham sido encaminhados a mim pelo psiquiatra anterior deles. Casos, como às vezes acontece. Alguém aparece no seu consultório e você, por algum motivo, não consegue ajudar.
Então você faz algumas recomendações. Um dia eu recebi uma ligação da senhora Gloria Jennings, uma proprietária de imóveis muito rica que queria que eu trabalhasse com o filho dela, o Andrew. Aparentemente, o Andrew já tinha consultado praticamente todos os psiquiatras do estado e eu era a última opção. Andrew era o típico usuário de drogas. Sendo a heroína sua droga de escolha. E como qualquer pessoa da minha área pode dizer, essas pessoas são uma dor de cabeça.
Se não tão sóbrias e com a cabeça nas nuvens, então tão drogadas e falando coisas sem sentido. Eu não teria aceitado como paciente, mas a senhora Jennings me ofereceu quase o dobro do meu preço normal, então eu não pude recusar. Foi a pior decisão que eu já tomei. Conheci o Andrew numa manhã de segunda-feira. Por experiência própria, é mais fácil pegar esse tipo de gente antes que tenham a chance de usar. Na melhor das hipóteses, eles nem aparecem e você ganha uma hora grátis.
Mas o Andrew chegou 15 minutos antes. Ele certamente tinha a aparência de um viciado em heroína: olheiras profundas sob os olhos verdes, cabelo despenteado, uma barba rala crescendo no rosto. Ele aparentava ter pouco mais de 20 anos. Era alto e inexplicavelmente magro, vestindo roupas largas e simples que apenas acentuavam sua figura esguia. Convidei-o a entrar no meu consultório e ofereci um lugar para sentar. Ele se sentou e começou a esfregar as mãos, examinando o consultório com os olhos rápidos e inquietos.
"Para preservar minha privacidade, eu vou me apresentar como o Dr. A." "Então, Andrew", comecei. "Eu sou o Dr. A. Por que você não me conta um pouco sobre você?" Pela primeira vez, ele fez contato visual. Hesitou por um instante e então falou: "Olha, essa é a oitava ou nona vez que eu começo do zero, então eu vou direto ao ponto. Minha mãe provavelmente já te contou que eu uso drogas, e eu uso mesmo." Uso heroína e cocaína, se eu conseguir.
Abri a boca para perguntar se ele alguma vez usava as duas ao mesmo tempo, para explicar o perigo da combinação, mas ele se adiantou. "Não, eu sempre faço separadamente. Não sou idiota", ele disse. "Eu não acho que você seja idiota", eu menti. "Já vi vários usuários na minha vida. Acredita em mim." Andrew não parava de me encarar. Eu me remexi desconfortavelmente na cadeira e fiz a pergunta óbvia seguinte: Por que você usa? Bom, nas noites em que eu não quero dormir, eu uso cocaína.
E nas noites em que eu não quero sonhar, eu uso heroína. Ao dizer isso, ele baixou o olhar para o chão, ainda esfregando as mãos. Desculpa, nas noites em que você não quer dormir usa cocaína? Eu perguntei só para ter certeza de que ele tinha falado certo. Isso mesmo, doutor, respondeu ele, ainda sem olhar para o chão. E por que você não quer dormir, Andrew? "Porque eu não quero ver o Ubblo", respondeu ele, voltando a olhar para mim e percebendo a minha reação àquela palavra.
"Desculpa, quem é Ubblo?", Andrew suspirou. "Ubblo é um monstro que eu vejo às vezes nos meus sonhos, que os controla." "E como esse Ubblo controla seus sonhos, Andrew?" "Bom, eu não sei se o nome dele realmente é Ubblo ou se esse é o nome que se dá, mas é isso que aparece. Eu sei que ele os controla porque as coisas que acontecem nos meus sonhos quando ele tá lá são inimagináveis para qualquer um." "Ele disse, finalmente soltando as mãos e fechando-as em punho ao lado do corpo." Aquilo tava começando a ficar interessante.
Eu decidi ir um pouco mais fundo na toca do coelho e fiz a pergunta que me incomodava: "E com que tipo de coisas você tem sonhado?" "Olha, eu não sou louco. Não é como se eu tivesse esses surtos enormes e sonhasse com essas coisas horríveis. Eu era um atleta de destaque, eu tava prestes a me formar como o melhor aluno da turma antes que isso começasse a me perturbar." Ele tava visivelmente irritado. "Eu não acho que você seja louco." Eu menti de novo.
"Se eu achasse, já teria desistido e mandado você embora. Eu sou psiquiatra, Andrew. Eu sei reconhecer loucura quando eu vejo." Isso pareceu acalmá-lo um pouco. "Mas você precisa entender que eu preciso saber de tudo antes de poder diagnosticar como ajudá-lo. Então eu vou perguntar de novo. Com que tipo de coisas você tem sonhado?" Eu o vi relaxar e soube que eu tinha conseguido. "Coisas terríveis." "Ele disse: 'Pessoas e coisas que eu amo e as piores coisas imagináveis acontecendo com elas'." Ele estava olhando para o chão de novo.
"Que tipo de coisas, Andrew?" "Uma vez..." Ele engoliu em seco. "Uma vez eu sonhei que eu estava preso em uma gaiola em um porão que eu nunca tinha visto antes e havia três homens mascarados estuprando e espancando a minha mãe." "Isso me assustou e eu me encolhi um pouco e ele percebeu." Eu estava perdendo a atenção dele. "Continue, Andrew." "Eu disse, tentando confortá-lo, disfarçando meu choque com curiosidade. Ela tava me chamando e eu tava chorando, e toda vez que ela me chamava ou pedia ajuda, um homem a agredia, e não importava o quanto ela sangrasse, ela continuava chamando e eles continuavam a bater nela." Agora, eu preciso fazer um parênteses aqui e dizer que pessoas normais não sonham com essas coisas.
Sonhos como esses são raros, mesmo entre os psicopatas mais graves, e agora eu tava começando a entender como Andrew tinha passado por tantos psiquiatras em apenas alguns anos. Ou ele era uma bomba-relógio, o psicopata mais criminoso da história, ou tinha um novo distúrbio do sono ainda desconhecido na minha área. Os prós de diagnosticar um novo transtorno eram amplamente superados pelos contras de acolher uma criança que poderia potencialmente fazer o Ted Bundy parecer um ladrão de carteiras.
Eu fiquei abalado, mas consegui me manter firme. Nessas situações, é importante não se perder nos detalhes e apenas esclarecer todos os fatos Primeiro: "Como você sabe que o Oogloo tava por trás desse sonho?" Eu perguntei pra ele. "Porque no final do sonho, eu sempre o ouço fazer aquele barulho horrível." "Oogloo!" Ele imitou, com uma voz aguda, como a de um pequeno animal. "E você sempre ouve esse barulho? É assim que você sabe que ele controlou o seu sonho?" "Eu sempre o ouço.
Mas às vezes também o vejo. Só por um segundo, e depois acordo." "Entendo. Você poderia desenhar o Oogloo pra mim, Andrew?" Eu deslizei um bloco de notas e uma caneta pra ele. Ele pareceu confuso a princípio, provavelmente porque eu tava, pra ele, acreditando em cada palavra, mas pegou o bloco de papel e começou a rabiscar. Olhei pro meu relógio. 20 minutos tinham se passado. Nada mal. Então eu olhei pela janela pro céu, que tava num tom claro de azul.
Ouvi a caneta bater na mesa e o bloco de notas deslizar de volta pra mim. Olhei pro bloco e engasguei com o coração que disparava.
"A criatura tinha um focinho longo e pendente, quase como a tromba de um elefante com a língua pra fora. Seu rosto era desprovido de feições, exceto por dois grandes olhos ovais eretos, completamente negros. Tinha seis membros e um longo torso esguio. Tava curvado. Os joelhos traseiros e do meio ficavam um pouco acima do corpo. Obviamente, ele podia se tornar muito alto se necessário. Os pés eram circulares, com seis apêndices projetando-se em todas as direções, —e que distantes uns dos outros.
As duas patas dianteiras eram consideravelmente mais longas e tinham apenas dois dedos extremamente compridos em cada mão, ambos no dorso da mão e na mesma direção. Era arrepiante de se olhar. Não apresentava características claramente perigosas—nem garras, nem dentes—mas mesmo assim eu não pude deixar de sentir um arrepio na espinha ao examiná-lo. Saí do meu transe e olhei para Andrew, que me encarava com apreensão. Acho que tinha um diagnóstico.
"Bom, Andrew, eu acho que sei o que tá acontecendo." Ele não pareceu nem um pouco aliviado. "Huh?" ele disse monotonamente. "Sim, eu acho que o que tá acontecendo é que você tá tendo sonhos lúcidos." "É, eu também pensei nisso." ele me interrompeu. Fiquei ali em choque. Você acha que eu tive algum pesadelo traumático com isso e agora, sempre que eu tenho um sonho lúcido, eu insiro subconscientemente na minha mente o que desencadeia um cenário traumático se desenrolando diante de mim?— Nos meus 10 anos de prática, eu quase nunca fiquei sem palavras.
E eu fiquei ali, boquiaberto. Andrew me encarou e eu o vi sorrir de canto.— Eu já disse, doutor. Eu não sou idiota. Investiguei tudo isso quando começou a acontecer. Foi por isso que eu comecei a usar. Eu descobri que os opioides podem suprimir sonhos lúcidos. E no início, suprimiram mesmo. Mas com o tempo ele foi se infiltrando. E quanto mais eu usava, mais ele lutava pra voltar. "Então eu tentei usar cocaína pra me manter acordado, mas eu descobri que isso piorava as coisas.
Eu ficava acordado por muito tempo e comecei a ter micro sonhos. Eu não sabia se eu tava acordado ou sonhando." E ele deve ter aprendido isso. "Veja bem, quando tudo começou, eu conseguia perceber vagamente que era um sonho. Todos eles tinham esse efeito nebuloso na minha compreensão, mas quando eu tinha micro sonhos, os sonhos eram incrivelmente vívidos. Ele descobriu, o Dr. A, que eu tinha mais medo dos sonhos durante o sono profundo e de alguma forma ele tornou todos os meus sonhos olhos igualmente claros desde então.
Sinceramente, eu não sabia o que dizer. Ou o Andrew era completamente louco, ou tão inteligente que tava cultivando a própria insanidade. Eu fiz a única pergunta que me restava: "Quando você sonhou com o Ubu pela primeira vez?" "Foi logo depois que meu pai morreu", ele disse, desviando o olhar para o chão. "Ele se matou, deu um tiro na cabeça quando eu tinha 17 anos. Na noite seguinte ao funeral, eu sonhei que eu tava em pé sobre o túmulo dele, olhando pra grama.
Parecia normal por um tempo, mas então eu ouvi. Ouvi seus gritos vindos do chão, gritos de socorro, pedindo pra eu desenterrá-lo. Mas eu não conseguia me mexer. Eu tava congelado. Fiquei ali parado, ouvindo bater na tampa do caixão com tanta força que o chão pulsava. E eu ouvi seus gritos de medo, mas eu simplesmente não conseguia me mexer. E então eu ouvi... "Hublot". E eu acordei. Fiquei ali sentado, olhando pra ele por um longo tempo.
Embora sua rejeição à possibilidade de sonhos lúcidos seja impressionante, não é incomum que crianças associem um evento traumático a algo imaginário pra melhorar e compreender o que tá acontecendo. Eu tava começando a me recuperar. "Quando foi a primeira vez que você viu o Ubu?" Ele hesitou por meio segundo, mas então começou a falar. "Uma vez eu sonhei com meu cachorro, o Buster. Eu tava atrás de uma cerca enorme, e como eu era só uma criança, eu não conseguia escalá-la." O Buster tava do outro lado de uma rodovia movimentada, sentando lá me olhando, e eu sabia, de alguma forma, que ele ia tentar atravessar pra me ver, e eu sabia que ele não conseguiria.
Ele correu pra rodovia e foi atropelado por um carro na hora. Eu gritei e chorei, mas o carro não parou, continuou em frente. O Buster tava lá, quebrado e sangrando. Eu o vi tentar se levantar, e ele tentou rastejar pra frente, e outro carro passou em alta velocidade e o atropelou de novo. Isso continuou acontecendo. Eu continuei vendo ser atropelado e despedaçado por esses carros. Eles simplesmente não paravam. Essa foi a primeira vez que eu ouvi, e eu ouvi bem no meu ouvido: "Ubu!" Então me virei e o rosto dele tava centímetros do meu, seus enormes olhos escuros me encarando. Então eu acordei.
Ele tava tremendo agora e eu percebi que tava prestes a desabar.
Eu tive que parar de pressioná-lo. Certo, Andrew, eu acho que podemos parar por aqui hoje. Eu me levantei, fui até a minha mesa e peguei um bloco de receitas. Andrew ficou sentado piscando para mim. Você vai, você vai me dar algo para parar com isso? Por enquanto eu vou te dar algo para suprimir esses sonhos até que eu consiga diagnosticar a origem desses sonhos. É importante que você durma bem à noite para ajudar a clarear seus pensamentos.
Eu tô te ajudando para que eu possa te ajudar, entendeu? Ele piscou de novo. "Sim, eu entendi, obrigado." "Existem remédios para suprimir sonhos?" "Bom, tecnicamente não. Existe um novo medicamento usado no tratamento de rinite alérgica, mas um dos efeitos colaterais é a supressão dos sonhos, especificamente pesadelos, principalmente aqueles induzidos por transtorno de estresse pós-traumático." Continuei escrevendo a receita em silêncio, sentindo o olhar do Andrew sobre mim.
"Mas não é por causa do transtorno, é por causa do ublo."— Eu sei disso, Andrew. Eu menti pra ele pela última vez. Mas vai funcionar muito bem pra manter o Woobloo longe dos seus sonhos também. Aquilo o emocionou. Ele ficou radiante e se levantou do sofá num pulo. Agradecia sem parar e dizia que eu era o melhor médico que ele já tinha visto. Que finalmente sentia que tinha uma chance de lutar. Eu não consegui conter o sorriso.
Acho que é por isso que eu continuei trabalhando nessa clínica por tanto tempo. Acompanhei ele até a porta e apertei sua mão. Ele olhou diretamente nos meus olhos, sorrindo pela primeira vez desde que eu o conheci, e saiu do meu consultório. Essa foi a última vez que eu vi o Andrew Jennings vivo.
Uma semana se passou e na segunda-feira seguinte Andrew não apareceu. Normalmente eu suspiraria aliviado, diria à minha secretária que tava saindo e tomaria um café na esquina, mas eu não conseguia parar de pensar nele. Eu vinha pensando nos sonhos que ele tinha desde que partiu e, pra falar a verdade, eu tava quase ansioso por notícias dele. Saí do consultório, disse à minha secretária que eu tava saindo e pedi pra cancelar minha próxima consulta.
Eu tinha na mão a fatura do Andrew referente à nossa última sessão, que continha o endereço dele. Ele tava hospedado em um prédio de apartamentos que pertencia à mãe dele, nos arredores da cidade. Ficava a uns 15 minutos de carro do meu escritório. Consegui entrar pela porta da frente do prédio quando alguém tava saindo e encontrei o nome dele na lista telefônica. O nome dele tava anotado em um pedaço de papel, então eu percebi que ele não tava ali há muito tempo.
Na verdade, provavelmente a mãe dele o tinha colocado ali só pra que ele ficasse mais perto do meu escritório, facilitando o trajeto. Era o último apartamento do primeiro andar. Eu fiz a longa iardoa caminhada pelo corredor até finalmente parar na porta dele. Hesitei por um segundo e pensei no que tava fazendo, mas a curiosidade falou mais alto e eu bati forte 3 vezes. Nenhuma resposta. Nenhum som de movimento lá dentro. Depois de ouvir por um bom tempo, eu bati de novo, mais forte.
"Andrew, sou eu, o Dr. A. Pode abrir a porta, por favor?" Ainda nada. Tentei a maçaneta e, para minha surpresa, ela girou até o fim. Senti o peso da porta se levantar e percebi que estava aberta. Eu não consigo descrever quanto tempo eu fiquei ali parado, com a mão na maçaneta, apenas pensando. Pensando em como seria a cena: o médico entrando no apartamento do paciente. O médico possivelmente encontrando o paciente sob efeito de heroína, ou possivelmente em overdose.
Overdose de heroína, mas talvez da nova droga que ele havia prescrito para o paciente, um usuário conhecido, apenas uma semana antes. Mas o pior era pensar naqueles pesadelos horríveis que ele me contou enquanto apenas um pedaço de madeira nos separava. Respirei fundo e abri a porta. A primeira coisa que eu notei foi que as cortinas estavam fechadas e não havia luz, exceto por um abajur fraco no canto. O ar estava abafado e mofado, e sobre a mesa havia agulhas, colheres e saquinhos plásticos vazios.
Atravessei a sala de estar e não vi nenhum sinal de Andrew. Havia um corredor logo do lado da parede onde o sofá estava encostado. Peguei o meu celular e liguei a lanterna. Caminhei lentamente pelo corredor, ofegante e com as mãos tremendo. Havia uma porta escancarada imediatamente à minha esquerda. Com cuidado, eu espiei pelo canto e iluminei o interior com a lanterna. Era o banheiro. Moderadamente sujo, mas não o pior que eu já tinha visto.
Não havia sinais de luta, nem vômito, nada que indicasse uma possível overdose. Soltei um pequeno suspiro de alívio e voltei para o corredor. Só havia uma porta bem à minha frente. Tava completamente fechada, toda branca, com uma maçaneta prateada. Fiquei ali parado no escuro com a minha lanterna, procurando o interruptor. Esses apartamentos eram antigos, o interruptor devia estar no quarto do Andrew, atrás daquela porta. Percebendo que não tava ficando mais fácil e engolindo nervosismo, eu comecei a me aproximar da porta com cuidado.
Cada passo parecia uma eternidade. Meus pés estavam desajeitados e as minhas pernas estavam pesadas. Quando eu finalmente cheguei à porta, parecia que uma hora tinha se passado. Me sentei e fiquei olhando para a porta branca e nua. Levantei a mão e bati levemente com os nós nos dedos na madeira. Andrew? Eu perguntei enquanto batia, a porta rangendo e se abrindo um pouco para dentro. Pela fresta eu consegui distinguir o contorno fraco de uma pessoa e empurrei a porta, abrindo-a completamente.
Andrew tava no chão, apoiado em algo e sentado num canto, a pele pálida e branca, os olhos verdes brilhantes fixos na porta por onde eu acabara de passar. Fiquei parado ali olhando para ele em completo choque. Era a primeira vez que eu vi um cadáver fora de um caixão. Parecia tão vazio e sem vida. Notei sangue no tapete e que suas unhas estavam rachadas e sangrando, arrancadas cortando os dedos em alguns pontos. De alguma forma eu consegui encontrar o interruptor de luz e acendê-lo.
Foi então que eu vi: "O fim é o começo", estava gravado profundamente na madeira do lado dele. Olhei para aquilo apenas o suficiente para ler o que estava escrito, quando o cheiro me atingiu. O cheiro mais repugnante que eu já tinha sentido. E naquele momento tudo fez sentido e eu senti uma náusea maior do que eu jamais senti na vida. Saí correndo para o corredor e vomitei imediatamente. Fiquei ali curvado, vomitando, quando uma senhora idosa, algumas portas adiante, abriu a porta e deu um suspiro de espanto ao me ver.
"Liga pra polícia!" Eu gritei pra ela, vomitando de novo. Ouvi a porta dela bater com força e tentei chegar ao saguão pelo corredor, parando a cada 6 metros pra ter ânsia de vômito. Quando os paramédicos chegaram, constataram o óbito no local. Devem estar acostumados com esse tipo de situação, porque não pareceram muito abalados. Prestei depoimento à polícia e disse que ele era meu paciente, que eu tava fazendo uma visita. Eles não pareceram muito desconfiados e disseram que se precisassem de mais alguma coisa, iam me ligar.
Deixei o meu cartão de visitas com eles e voltei para o meu carro. Quando eu comecei a sair, um carro entrou cantando pneus no estacionamento e eu vi uma mulher. Era a senhora Jennings. Ela tava chorando e gritando. Alguns policiais tiveram que contê-la. Ela gritava enquanto tentava se desvencilhar dos policiais. Observei o máximo que eu pude e saí do estacionamento. Liguei pra minha secretária e pedi que cancelasse todas as minhas reuniões do dia.
Parei na loja de bebidas pra comprar uma garrafa de whisky e dirigi pra casa. Fiquei sentado lá bebendo em silêncio por um longo tempo. Finalmente liguei a TV pra assistir ao jogo de futebol e pedi comida, mas quando chegou eu não consegui comer. Quando eu terminei a garrafa já tava ficando tarde. Me levantei e cambaliei pelo corredor até o meu quarto. Tirei os sapatos e me joguei de cara no colchão. Fiquei ali deitado pensando no Andrew, no seu corpo pálido e sem vida encostado no canto, me encarando com aqueles grandes olhos verdes em sua última mensagem.
Eu tentava encontrar sentido pro fim ao começo. Meus pensamentos estavam ficando mais lentos e as minhas pálpebras mais pesadas. O fim ao começo se repetia incessantemente na minha cabeça. Eu senti que eu tava quase dormindo quando eu ouvi: do nada e de todos os lugares ao mesmo tempo. Ooh, blue.
Bom, pessoal, essas foram as creepypastas de hoje. Comentem aí qual que vocês acharam mais interessante e se vocês querem que a gente continue a última. E até a próxima!