Episódios de Assustador, Bizarro e Misterioso

A ponte do lado de fora da janela do meu quarto

10 de junho de 202625min
0:00 / 25:25

Narração e tradução da creepypasta "The Bridge Outside my Bedroom Window", disponível em https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/q4bxhc/the_bridge_outside_my_bedroom_window/

Participantes neste episódio1
S

Speaker A

Host
Assuntos3
  • A Ponte do Lado de Fora da JanelaDiário do Toby · Morte da mãe · Aparicão da ponte · Doenças de Toby · Novo relacionamento do pai · Viagem pela ponte · Jogo com o senhor da ponte · Hospitalização e diagnóstico
  • O Legado de TobyMorte de Toby · Memórias e o diário · Família e perdas · A ponte como símbolo · Mensagem final para a filha
  • Opinião sobre a históriaImpacto emocional da creepypasta · Interpretação da história · Opinião dos ouvintes
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

Voz A:Bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta. A Creepypasta de hoje vai ser uma Creepypasta de um episódio. Ela, pelo que eu entendi, é lida por uma criança. Então acho que vai ser bem interessante. O nome dela é A Ponte do Lado de Fora da Janela do Meu Quarto. Então sem mais enrolação, bora pra Creepypasta de hoje. Hahaha! Diário do Toby. 5 de abril de 1990. Então, eu pedi ao meu pai pra me comprar esse diário. Ele sempre foi um ótimo pai, mesmo não sendo o mesmo depois que a minha mãe morreu. Ele sempre fez questão de me ensinar a escrever e essas coisas. Dizia que as palavras são a coisa mais importante do mundo. Ele escreve livros pra viver, então acho que ele meio que quer que eu faça o mesmo. Ele ficou bem feliz quando eu disse que queria anotar as coisas. Então me comprou esse diário muito legal com uma capa de couro. Eu tinha 5 anos quando a minha mãe teve o ataque cardíaco que a levou de mim e do meu pai. Mas eu ainda me lembro muito bem dela. Agora eu tenho 9 anos, mas ainda sinto muita falta dela. Às vezes eu começo a esquecer o rosto dela, mas temos muitos álbuns de fotos e outras coisas que eu olho bastante. Meu pai fica muito triste às vezes, e eu até o ouço chorar à noite. Ele tentou namorar algumas vezes, mas sempre diz que ninguém se compara à mamãe. Seria estranho se ele conhecesse alguém, no entanto. Quer dizer, eu teria que chamá-la de mãe, mesmo que ela fosse só uma mulher? Eu ainda quero que meu pai seja feliz, mesmo que seja constrangedor para mim. Eu não queria escrever nesse diário sobre coisas tristes, mas eu ouvi dizer que é bom anotar esse tipo de coisa para ajudar as pessoas a lidarem com elas. Mesmo assim, não foi por isso que eu pedi para o meu pai. A questão é que algumas coisas estranhas acontecem à noite às vezes. Quer dizer, eu acho que não são coisas estranhas, mas sim coisas bizarras. Acontece apenas a cada 2 semanas e E às vezes apenas uma vez por mês. Então eu acho que não é grande coisa. Isso acontece desde antes da minha mãe morrer. Mas me assustou no começo. Eu acho que eu era só uma criança boba quando eu vi aquilo pela primeira vez. Mas agora eu sou mais velho e eu sei que não é normal. Comecei a perguntar pro meu pai sobre isso. Mas soou estranho quando eu falei em voz alta. Então eu disse que eu só tava brincando. É tipo uma ponte que sai da janela do meu quarto. Me lembra um pouco aquelas pontes de madeira que a gente vê na floresta. Só que é absurdamente comprida. Na primeira vez que eu olhei pra ela de verdade, eu fiquei um pouco assustado porque ela não tava lá antes e de repente apareceu. Parece que eu poderia simplesmente abrir a janela e atravessá-la. Mas e se ela desaparecer enquanto eu estiver em cima? Eu não quero me espatifar no chão nem nada, mas eu quero muito ver pra onde ela vai. Ela simplesmente apareceu outro dia, então eu acho que não vai voltar tão cedo. Eu vou escrever mais quando isso acontecer de novo. 2 de maio de 1990. A ponte voltou ontem à noite. Eu não tava me sentindo bem, então eu nem fui olhar pra ela, mas eu consegui vê-la pela janela. Dessa vez, ela também fez barulho. Eu tive epilepsia, ou algo assim, mas eu não consigo explicar direito. Às vezes o meu corpo reage de forma estranha e eu meio que desmaio depois. Meu pai diz que eu também tenho outros problemas, mas eu não sei ao certo. Eu tenho que tomar um monte de comprimidos todos os dias, e alguns deles me deixam um pouco tonto, mas o papai diz que eu preciso tomá-los. Nada disso era o que eu tinha ontem à noite. Acho que eu peguei um resfriado ou algo assim. Por algum motivo, o meu pai fica muito preocupado comigo quando eu pego algum tipo de doença. Ele diz que meu sistema imunológico tá com defeito ou algo do tipo. Eu odeio quando ele usa palavras difíceis. Acho que às vezes ele as inventa. Não me sinto nada bem. Talvez eu me sinta melhor na próxima vez que a ponte chegar. 14 de setembro de 1990. Tô me sentindo melhor agora. Eu tenho que tomar um novo comprimido, mas o médico disse que vai me ajudar a combater as infecções. Faz tempo que eu não vejo a Ponte. Não sei se ela ficou entediada esperando eu sair do hospital. Acho que eu não ficaria esperando alguém se parecesse que essa pessoa tinha se mudado. Mas tudo bem. Meu pai começou a conversar com uma das enfermeiras do hospital. Eles riram bastante e ela não parava de tocar no braço dele. Ele conversava muito com ela no telefone e eles também têm saído para jantar às vezes. Ela é uma senhora simpática. É meio estranho vê-los de mãos dadas, mas o papai parece muito feliz. Talvez seja estranho se eles se casarem, mas eu não me importo. Ok, eu vou brincar agora. Não posso ficar escrevendo em você o dia todo, diário. 29 de outubro de 1990. O Halloween tá quase aí. Eu tô tão animado. Papai disse que eu não posso sair pra pedir doces por muito tempo, porque tá meio frio lá fora e ele não quer que eu fique doente de novo. Eu acho que eu consigo convencê-la a me deixar mais tempo fora. A enfermeira Mandy também vai estar lá, e eu sei que ela se derrete pelos meus olhinhos de cachorro pidão. Ela é uma senhora muito simpática e tem vindo bastante em casa ultimamente. Eu acho que a ouvi discutindo com o papai outro dia, mas ele me disse que eles estavam assistindo a um filme de terror e que ela gritou muito. Perguntei se eu podia assistir ao filme também, mas ele disse que era só para adultos. Consegui assistir alguns filmes meio assustadores, mas eram só para crianças. A Nickelodeon tem passado uns desenhos animados assustadores e bobinhos, mas são muito divertidos. Passou o do Garfield Halloween e eu gosto muito desse. Tem até piratas fantasmas. Eles me assustam um pouco. Acho que é pra ser assustador mesmo, então eu não me importo. Não gosto muito das partes cantadas, mas ainda é o meu desenho favorito. Eu também gosto do desenho do Charlie Brown, mas ainda não passou na TV. Então a ponte voltou ontem à noite. Eu queria muito abrir a janela e pular nela dessa vez, mas ainda me dá um frio na barriga. Fiquei acordado a noite toda pra ver quanto tempo ela ficaria lá, mas acabei dormindo depois de um tempo. Ela ficou lá por um bom tempo. Eu não sei quando apaguei, como diz a enfermeira Mandy, mas sei que a ponte tava lá horas antes de eu dormir. Eu quero muito ir lá logo, mas não quero perder o dia de ação de graças ou o Natal se ela sumir antes que eu possa voltar. Seria muito ruim se eu chegasse ao outro lado e ela tivesse desaparecido. Eu vou usar o meu relógio quando for atravessá-la. Se demorar horas para chegar do outro lado, talvez eu simplesmente volte. Sei que meu pai ficaria preocupado se eu demorasse muito. A enfermeira Mandy vai pedir pizza daqui a pouco, então eu vou tomar um banho antes que chegue. Tô morrendo de fome. 23 de dezembro de 1990. O Natal tá quase aí. Eu sei que eu dei muitas explicações, mas eu tô super animado. Me comportei muito bem esse ano, mesmo tendo dado um soco na boca do Ben. O garoto da casa do lado, que mora aqui desde a semana passada. Ele tava me zoando porque eu estudo em casa e me chamou de deficiente. Eu não sei o que isso significa, mas meu pai disse que foi uma coisa horrível de se dizer. Não devia dizer essas coisas, mas acho que não conta se eu escrever. Mesmo sem ter recebido o presente, eu fiquei com raiva e dei um soco na cara dele. Ele é uns 2 anos mais velho que eu, mas chorou que nem um bebê. Eu sei que foi maldade e que não devia ter feito isso. Mas o meu pai só riu. Ele disse que o Papai Noel ia me perdoar porque eu tava me defendendo. Eu espero que ele esteja certo. Eu tenho me esforçado muito pra ser super bonzinho esse ano. Eu quero muito um Super Nintendo. Acho que eles fabricam lá no Polo Norte, mas eu espero ter me comportado bem o suficiente pra ganhar um. Papai disse que tem um bom pressentimento, mas que não pode prometer nada, porque o Papai Noel é imprevisível ou algo assim. Enfim, a ponte voltou umas 3 vezes desde a última vez que eu escrevi aqui. Mas eu não fui nela. Eu queria muito ir da última vez. Até abri a janela pra ver melhor. Mas eu fiquei com muito medo de subir. Eu bati na madeira com as mãos e ela é real mesmo. Quer dizer, parece que tá ali de verdade. Da próxima vez que ela voltar, talvez eu suba, se eu não tiver com muito medo. Parece que ela fala um pouco. Quer dizer, eu acho que ela não tá falando palavras de verdade, mas acho que ela quer que eu ande nela. Eu vou fazer isso com certeza, mas só depois do Natal. Só faltam 2 dias, eu tô muito animado. Esteu ainda mais explicações do que da última vez. 20 de fevereiro de 1991. Meu pai vai se casar com a enfermeira Mandy. Ainda é meio estranho, mas ele tá muito feliz. Ele me deixa chamá-la de Mandy. Seria muito estranho chamá-la de mamãe. Quer dizer, ela é uma senhora super legal e me compra um monte de coisas bacanas, mas eu não me sinto bem em chamá-la de mãe. Eu ganhei meu Super Nintendo. É muito legal e a Mandy e o papai jogam comigo. Eu me divirto mesmo jogando sozinho, mas é legal quando eles se juntam. Na verdade, eu fui até a ponte ontem à noite. Eu ia no mês passado quando ela chegou, mas foi só alguns dias depois do Natal e eu ganhei um monte de coisas legais. Eu ganhei Final Fight, Super Mario World, F-Zero junto com meu Nintendo. Ganhei também alguns brinquedos das Tartarugas Ninjas, Transformers e Star Wars. Ganhei também alguns jogos de tabuleiro, mas eles não são tão divertidos quanto meu incrível Super Nintendo. Enfim, a ponte era bem longa. Parecia que eu tava andando pra sempre. Eu quase desisti algumas vezes, mas eu fui corajoso e continuei. O que foi realmente assustador é que parecia que eu tava no espaço sideral quando eu tava lá. Tipo, eu nem conseguia ver a minha rua lá embaixo. Ao meu redor, eu vi estrelas, nuvens roxas e azuis e outras coisas. Era muito legal, mas ainda bem que a ponte tinha corrimão, porque eu teria caído com certeza. Era muito difícil manter os olhos na estrada, como meu pai diz quando estamos no carro. Havia tanta coisa legal ao meu redor que eu ficava olhando para cima, para baixo e para todos os lados. Então quando eu cheguei ao final, depois de caminhar por uma hora inteira, havia apenas um círculo de grama com um cara sentado em uma mesa. Ainda havia espaço ao nosso redor, mas também um lago de aparência estranha ao lado daquele campo circular. Havia outro cara sentado em um barco, mas eu não conseguia ver como ele era porque ele estava usando um capuz e não olhou para mim. Ele me assustou um pouco, mas o outro cara na mesa era um senhor muito simpático. Ele tinha uma barba longa e até um cabelo super comprido preso atrás da cabeça. Ele parecia um pouco com o irmão do Papai Noel ou algo assim, mas não usava um traje vermelho nem nada do tipo. Ele usava uma espécie de roupão estranho que lembrava um pouco o roupão do meu pai. Eu fiquei pensando se ele tinha acabado de sair do banho antes de eu chegar. Talvez ele estivesse nadando no lago brilhante onde o barco estava. Ele era um pouco estranho, eu acho, mas era muito simpático e me convidou para jogar um jogo com ele. Perguntei pra ele que tipo de jogo era, porque meu pai me avisou sobre estranhos que queriam jogar jogos estranhos com crianças como eu. Mas eram só jogos de tabuleiro. Eu perguntei o que ele tinha e ele disse que podia jogar o que eu quisesse. Foi uma loucura, porque eu não vi nenhuma caixa nem nada. Eu perguntei se ele tinha alguns que eu sou bom, e aí ele se abaixou debaixo da mesa e tirou os dois. Foi muito legal, porque eu nem tinha visto eles ali antes. Então ele disse que só tinha tempo pra jogar um. Mas me disse que eu teria que ir com ele se eu perdesse. Isso me assustou um pouco, porque eu não queria deixar meu pai e meu Super Nintendo. Mas eu tinha um bom pressentimento de que eu conseguiria vencê-lo. Ele parecia inteligente e tal, mas eu sou ótimo em Hungry Hippos. Eu dei uma surra nele. Ele não teve a menor chance. Ele até pareceu feliz por eu ter ganhado e deu um sorriso enorme. Os dentes dele eram super brancos pra um senhor tão velho. Provavelmente eram postiços ou algo assim, mas pareciam reais. Então ele se despediu e disse que eu também deveria ir. Eu corri de volta pela ponte, mas a volta pra casa foi muito mais rápida do que a ida. Enfim, foi bem legal, mas eu tava feliz de voltar pro meu quarto. Meu corpo fica cansado com frequência, mas eu não me senti assim quando eu tava na ponte, nem quando eu tava conversando com o velho. Assim que eu entrei pela janela, eu fiquei com um sono danado. Me joguei na cama e dormi na hora. Foi uma experiência bem legal, mas eu não sei se eu vou voltar da próxima vez. 6 de setembro de 1991. Isso é muito estranho. Eu voltei à ponte quando ela reabriu um mês depois da última vez. Eu não ia porque meu corpo não tava se sentindo muito bem, mas eu me lembrei de como eu me senti bem quando eu tava lá. Dessa vez eu joguei banco imobiliário com meu pai porque eu também sou muito bom nisso, e a partida durou muito tempo. Tipo, muito tempo mesmo. Eu ainda dei uma surra nele, mas quando eu voltei para o meu quarto, não era mais o meu quarto. A ponte não tinha mudado de direção nem nada, mas me levou pra um hospital. Eu tava muito cansado quando eu passei pela janela e simplesmente me joguei na cama que tava lá. Mas quando eu acordei, tinham se passado uns 6 meses. Meu pai e a enfermeira Mandy entraram correndo quando eu acordei e disseram que eu tinha estado em coma, ou algo assim. Isso é estranho, porque o meu pai me ensinou tudo sobre vírgulas quando tava me ensinando a escrever, mas nunca me disse que eu poderia pegar uma. Ele disse que era um tipo diferente de coma, mas eu ainda não entendi. Ele me disse que eu tive uma crise "spléptica" muito forte, ou algo do tipo, e foi isso que me fez entrar em coma. Eu contei pra ele sobre a ponte, e ele disse que eu não preciso mais atravessá-la, mesmo sem acreditar em mim. Ele disse que provavelmente era coisa da minha imaginação, ou um sonho estranho que eu tive, mas que eu não deveria ir lá de qualquer jeito. Eu disse a ele como aquilo fazia o meu corpo se sentir melhor, Mas ele continuou dizendo não. É uma pena, porque eu gosto muito do velhinho que brinca comigo. E eu não quero que ele pense que eu tô bravo com ele ou algo assim. Eu acho que eu não vou de novo mesmo. Não quero fazer meu pai chorar de novo. Ele não faz isso desde que casou com a enfermeira Mandy. Mas ele tava chorando como um bebê quando eu acordei. Eu disse a ele que sentia muito. E ele disse que não era minha culpa. Mas mesmo assim eu me senti meio mal. Comprei esse diário pra escrever sobre as coisas estranhas. Então eu não sei se eu vou escrever mais. Eu até que gosto dele, mas a maioria das coisas que eu faço é muito chata para escrever, eu acho. Acabei de chegar em casa hoje, mas queria anotar isso antes que eu me esquecesse. Papai e Mandy querem que eu jogue Super Nintendo com eles, então eu vou lá jogar. 17 de junho de 1992. Eu quase tinha me esquecido do meu antigo diário até encontrá-lo debaixo da cama. Estamos nos mudando para um novo bairro, mas meu pai não tá me deixando ajudar muito a empacotar as coisas. Mesmo assim, eu peguei algumas caixas pra encapotar algumas das minhas coisas. Ele tá bem ocupado com a mudança, então eu não quero que nada do que eu faça se perca ou seja danificado. Completei 11 anos semana passada e a minha ortografia melhorou bastante. Eu li o que escrevia antes e nem percebi o quão ruim tava. Eu ainda tenho dificuldade com algumas palavras mais complexas, mas eu tô melhorando. O meu corpo, porém, tá se sentindo muito pior. Acho que é por isso que meu pai não quer que eu ajude com a mudança. Minha epilepsia melhorou um pouco, mas o meu sistema imunológico tá com mais problemas agora. Eu tive que fazer vários exames depois do meu coma de 6 meses, e os médicos descobriram que eu tenho linfoma, ou algo parecido. Eu tenho que fazer esse tratamento horrível, e eles fazem meu corpo se sentir ainda pior. Meu pai disse que a cidade pra onde vamos nos mudar fica perto de uma faculdade que pode me ajudar mais do que os médicos daqui. Eu odeio todos os exames e tratamentos, mas a Mandy diz que são só pra me ajudar a me sentir melhor. Mas só fazem me sentir um lixo. Eu me sinto meio mal por termos que nos mudar pra uma cidade nova só por minha causa. Papai disse que trabalha de casa mesmo. Mas a Mandy vai ter que trabalhar em um hospital completamente diferente. Ela disse que não se importa. Mas mesmo assim eu me sinto mal. Acho que tudo vai dar certo. Pelo menos eu estudo em casa. Então não preciso me preocupar em ficar sem jeito perto de outras crianças. A ponte ainda aparece mais ou menos uma vez por mês. Eu fiz o que o papai pediu e nunca mais voltei a usá-la. Mas eu queria muito, principalmente quando eu tava me sentindo mal. Eu acho que eu não vou precisar me preocupar com ela quando nos mudarmos. Ela me levou pro hospital, mas acho que não vai saber pra onde me seguir até a casa nova. Será que o velhinho tá bravo comigo por eu não ir mais visitá-lo? Acho que não importa muito. Eu vou terminar de empacotar tudo agora. Talvez eu escreva de novo quando a gente chegar na casa nova. 16 de novembro de 1992. Então, já faz uns 2 meses que estamos na casa nova. É bem legal, mas o meu quarto agora fica no térreo. Meu pai disse que eu tô muito fraco pra subir e descer escadas. Eu acho que ele tem razão. Eu tenho me sentido muito mal ultimamente. Eu nem pude sair pra pedir doces no Halloween esse ano, o que foi uma pena. Mesmo meu quarto sendo bem do lado de uma árvore enorme, a ponte ainda me encontrou. É muito estranho como ela simplesmente corta a árvore rente ao chão, mas de manhã ela já tá cheia de novo. Eu queria muito escalar lá ontem à noite. Agora tudo dói. Os novos médicos estão experimentando um monte de coisas novas e eu ainda tenho que fazer aqueles tratamentos horríveis. Eu tinha medo de agulhas e elas sempre me faziam chorar, mas não me incomodam mais. A Mandy disse que eu sou um alfineteiro agora. É meio engraçado e o jeito que ela falou me fez rir, mas eu só quero ser uma criança normal. Eu vejo as crianças da vizinhança brincando nos quintais, mas eu nem posso mais sair de casa, a não ser para ir no médico. Às vezes eu só queria ser como as outras crianças. Eu tenho um monte de brinquedos e coisas que as outras crianças não têm, mas eu também queria poder correr por aí. Acho que eu não devia reclamar. As coisas sempre poderiam piorar, meu pai diz quando eu tô me sentindo mal. Aposto que eu conseguiria correr na ponte. Eu acho que eu vou tirar um cochilo. 8 de março de 1993. Eu fui à ponte de novo ontem à noite. Eu sei que eu não devia, mas eu só queria não sentir dor por um tempo. Foi bom ver o velho de novo, e ele também pareceu muito feliz em me ver. Ele parecia um pouco triste, mas não tava bravo comigo por ter ficado longe. O mais incrível dessa vez foi que a minha mãe tava lá. Bom, ela não tava fisicamente presente, mas o senhor fez um jeito de conseguir falar com ela através da mesa onde a gente costuma jogar. Eu acho que isso soa meio estranho, mas foi o que aconteceu. A mesa é redonda e geralmente é só um pedaço sólido de madeira, mas ele fez umas coisas legais com ela. Ele mergulhou o dedo na superfície e quando fez isso, virou um líquido com aparência de madeira. Ele girou o líquido e ele se transformou em uma água super transparente e brilhante. Depois de alguns minutos, o rosto da minha mãe apareceu na água. Ela também conseguia me ver. Eu a reconheci na hora, mesmo não olhando muito as fotos ultimamente. Ela começou a chorar quando me viu e eu também. Eu sei que eu tô mais velha agora e que eu não devia mais chorar, mas eu chorei. Consegui ouvir a voz dela. Mas parecia vir de muito longe. O velho disse que só poderíamos conversar por alguns minutos, mas foi incrível. Eu tinha me esquecido de quanta falta ela me fazia. Depois que eu me despedi, o velho disse que não tínhamos tempo pra um jogo completo, mas que ainda assim tínhamos que jogar alguma coisa. Ele disse que fazia parte das regras, seja lá o que isso significasse. Ele simplesmente tirou um baralho de cartas e o colocou sobre a mesa, que tinha voltado a ser de madeira. Ele me disse que a carta mais alta ganhava. Então eu peguei a que tava no topo. Ele dividiu o baralho em dois e pegou a carta seguinte. Ele só tinha um 3 de Ouros e eu um 6 de Espadas. Ele riu e disse que eu tinha enganado de novo. E eu ri também. Dei um abraço nele antes de ir embora, porque eu ainda me sentia mal por ter ficado longe. Ele me disse que as pessoas normalmente não fazem isso por aqui, mas não se importou. Eu acenei em despedida e voltei pra casa. Assim que eu cheguei no meu quarto, meu corpo começou a doer de novo e eu voltei pra cama. Foi muito estranho porque assim que eu me deitei e fechei os olhos, um cara empurrou as minhas pálpebras para trás e apontou uma lanterna para elas. Eu nem tinha visto mais ninguém no meu quarto, mas o meu pai e a Mandy estavam lá com um outro cara com a lanterna. O cara era paramédico, meu pai disse. Ele me disse que eu tive um episódio, seja lá o que isso significa, mas eu disse que eu tinha acabado de voltar. Eu não queria contar para ele que eu tinha ido para a ponte de novo, mas meio que eu tive que contar. Mas ele não ficou bravo, começou a chorar de novo e eu tive que voltar para aquele hospital idiota. Eu vou ficar aqui por alguns dias, mas me deixaram levar o meu diário para anotar algumas coisas. Meu pai queria ler, mas eu disse que é privado. Eu tô ligado a uns aparelhos estranhos e chamativos e ainda levaram agulhas de novo, mas pelo menos eu tenho uma TV e o meu próprio quarto só para mim. Será que meu pai poderia trazer meu Super Nintendo? Não tem muitos canais na TV, vou perguntar para ele. 12 de dezembro de 1993. Tá nevando lá fora. Eu queria muito poder brincar na neve, mas eu tô de volta no hospital. Hospital idiota. Eu odeio esse lugar. Meus avós vieram me visitar ontem e ficaram chorando o tempo todo. Claro, o choro deles me fez chorar também, e eu nem sabia porque tava chorando. Meu pai tá ficando aqui comigo. Ele dorme em outro quarto. O médico disse que eu não posso ter visitas aqui por muito tempo, porque eu posso pegar infecções facilmente. Eu consegui trazer meu Nintendo e alguns outros brinquedos. Eu tô aqui há um bom tempo dessa vez. Acho que não é tão ruim, mas acho que eu não vou estar em casa pro Natal. Será que o Papai Noel vai trazer meus presentes aqui ou eu vou ter que esperar até voltar pra casa? Talvez papai ou a Mandy possam trazê-los pra mim. Me dói me mexer muito, mas eu aposto que eu ainda consigo desembrulhar um presente como um campeão. Meu cabelo caiu. Eu fiquei chateada por um tempo, mas acho que tá tudo bem. Era difícil lavá-lo quando eu estive no hospital da última vez. E às vezes coçava. Minha cabeça fica muito fria sem cabelo. Isso é muito estranho. Mas a Mandy disse que eu fico bonito careca. Isso também é estranho. A ponte esteve lá fora, do lado de fora da janela, o tempo todo que eu estive aqui. Eu continuo querendo ir lá fora, mas eu não sei se eu consigo com todas essas máquinas ligadas a mim. Eu nem sei como abrir a janela daqui. Acho que eu não preciso sair para o frio, no entanto. Nunca prestei muita atenção se estava frio ou quente na ponte. Acho que vou voltar a dormir. Tá difícil para mim ficar acordado por muito tempo ultimamente. Talvez seja por causa de todos os remédios que estão me dando. Eu tô muito cansado. 26 de dezembro de 1993. O Papai Noel deve ter vindo ao hospital. Eu tinha tantos presentes quando acordei no dia de Natal. Eu tive que pedir para o meu pai me ajudar a abri-los, porque eu tô muito fraco agora. Mas eu ganhei alguns jogos novos para o meu Super Nintendo. Eu, meu pai e a Mandy jogamos muito ontem. Foi muito divertido, mas eu me cansei bem rápido. Mesmo assim, aguentei firme. Já fazia um tempo que eu não via o meu pai sorrir. Ele e a Mandy estavam se divertindo tanto que eu não contei que eu tava me sentindo mal. Acho que eu vou voltar para a ponte. Ela parece um pouco diferente agora. Parece mais iluminada de certa forma. Ela ficou brilhante alguns minutos, mas tá me chamando de um jeito estranho. Tem alguém lá, tão caminhando até a janela. Isso nunca aconteceu antes. É a minha mãe! A mamãe tá lá fora, é ela mesmo! Eu vou lá agora. Desculpa, não consigo escrever mais nada, mas ela tá batendo no vidro. Eu escrevo mais amanhã. Eu tô tão feliz! Essa foi a última entrada no diário do Toby. Nós o perdemos no dia seguinte ao Natal, naquela noite nevosa de 1993. Ele sofreu por tanto tempo e a dor de perdê-lo antes mesmo que ele tivesse a chance de realmente viver ainda me faz chorar até hoje. Ele já tinha epilepsia e uma imunodeficiência bastante grave antes de ser diagnosticado com leucemia. Sabíamos que ele não tinha chance. Mesmo com toda a dor que sofreu, ele sempre foi uma criança tão feliz. Minha esposa, Mandy, tinha acabado de entrar na vida dele e o amava como se fosse seu seu próprio filho. Havia algo nele que simplesmente trazia alegria a todos que o conheciam. Eu não consigo nem descrever a dor que eu senti quando ele faleceu. Mandy e eu tivemos uma filha no início de 2002. Eu me preocupava por estar velho demais para criar outro filho e ainda estar traumatizado com a perda do meu primeiro filho, mas a Gracie me fez sentir jovem de novo. Ela teve a sorte de nascer feliz e saudável. Foi ela quem me trouxe de volta à vida depois de perder o meu filho. Ela era tão maravilhosa quanto o irmão, e fizemos questão de que ela o conhecesse, embora nunca tenham se encontrado pessoalmente. Às vezes ela até beijava a foto dele antes de dormir. Eu perdi minha esposa para um AVC há 2 anos. Foi repentino e devastador, mas tivemos uma boa vida juntos, mesmo nos momentos mais difíceis. Ela esteve do meu lado quando a morte do meu filho me deixou à beira do colapso, e eu sinto muita falta dela. "Minha vida teve seus momentos maravilhosos e terríveis. Ao me aproximar dos 64 anos, eu acredito que me resta pouco tempo. Fui diagnosticado com câncer de pulmão em estágio 3 cerca de 1 ano antes de perder minha esposa. Tem sido uma batalha árdua no último ano, mas eu me conformei com isso. Já tive que enterrar 2 esposas e o filho que eu amei com todo o meu coração. Acho que eu tô pronto para o que vier pela frente." "Minha querida filha tá na faculdade há 2 anos." Mas tá vindo pra cá agora. Infelizmente, eu não acredito que estarei aqui pra vê-la pela última vez. Durante a última semana, uma ponte esteve presente do lado de fora da janela do meu quarto de hospital. Eu sempre acreditei que fosse apenas uma história fantástica criada pela incrível imaginação do meu filho, mas agora eu sei o que significa. Enquanto eu tô aqui sentado, olhando pela janela, eu consigo ver 3 figuras à distância caminhando pela ponte na minha direção. "Eu não tenho mais medo. Eu tô deixando um bilhete pra Gracie pedindo desculpas por não poder vê-la de novo. Sei que ela tem uma vida maravilhosa pela frente. E meu único arrependimento é não poder vê-la se tornar a mulher incrível que eu sei que ela será. Vou pedir a ela que publique essas palavras finais como uma mensagem do meu amado Toby. Se algum dia você vir uma ponte pela janela, não tenha medo. Nada acaba de verdade." Nossa, gente! Essas últimas páginas, eu tô com lágrimas nos olhos. Nossa, eu tive que me segurar pra minha voz não tremer enquanto eu tava lendo. Acho que essa é a segunda creepypasta que me faz chorar aqui no podcast. Eu achei muito bonita assim, né? Não é uma coisa assustadora, né? Tipo, é uma coisa que a gente pensa que é algo sobrenatural, mas é bonito ver dessa forma, né? Uma criança doente e mesmo nesses momentos que ele tava em coma, né, ela tava se divertindo ali, jogando, né? Não percebeu o que tava acontecendo, apesar de quem ficou tá preocupado e tal. E achei, ai, sei lá. Acho que eu tô meio anestesiada. Quero saber a opinião de vocês. Comentem aí o que vocês acharam. E até a próxima!