O que é verdade na série da Lizzie Borden
Sobre a temporada Monstro, na Netflix.
- A representação da Bridget Sullivan na série Monstro e a teoria do romance com Lizzie BordenMaggie/Bridget Sullivan·teoria do complô com empregadas·romance ficcional de Evan Hunter
- O papel de Bridget Sullivan no dia dos assassinatos e seu depoimentomal-estar da família·rotina de Bridget no dia do crime·depoimento como testemunha principal
- Inconsistências e invenções da série Monstro em relação aos fatos históricosAndrew Borden e o negócio de caixões·Abby Borden e o abuso·outros crimes e personagens inventados
- A liberdade criativa em produções baseadas em crimes reaisséries inspiradas vs documentários·dramatização de fatos·Ryan Murphy e a liberdade criativa
- A vida de Bridget Sullivan após o julgamento e as teorias sobre seu silênciomudança para Montana·casamento com John Sullivan·teorias de dinheiro e confissão
- A vida e o trabalho de Bridget Sullivan antes e durante o caso Bordenorigem irlandesa e imigração·trabalho doméstico em Fall River·condições de trabalho na casa Borden
Eita, que temos mais uma temporada polêmica da série Monstro! Muita gente reclamando, falando de várias mentiras, entre aspas, que estão aparecendo ali. Mas o que é verdade, o que não é, o que foi inventado, é baseado em algum rumor? Enfim. Bem-vindos a mais um vídeo no canal. Se você gosta de conteúdo assustador, bizarro e misterioso, você tá no lugar certo. Toda semana tem pelo menos 3 vídeos longos, todo dia tem vídeo curto.
Então tem muito conteúdo pra vocês. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não esquece de deixar seu like, se inscrever no canal, comentar outros temas que vocês querem ver aqui. As fontes e os créditos estão sempre na descrição do vídeo. E, gente, eu nem nem cheguei de viagem direito, eu baixei todos os episódios da série para poder assistir no avião para trazer esse vídeo para falar para vocês, porque muita gente me mandou mensagem perguntando o que eu tinha achado, já que a gente trouxe o caso para o canal de novo recentemente, né?
E aí decidi fazer um vídeo dando um pouco da minha opinião e também aprofundando algumas coisas da história que não foram tão aprofundadas, porque antes da série sair era meio que uma teoria até que irrelevante, sem comprovação alguma. Mas agora que voltou essa teoria à tona, eu acho importante a gente esclarecer alguns pontos. Então, sem mais enrolação, bora pra história de hoje. Como vocês sabem, acabou de ser lançada a nova temporada da série Monstro na Netflix.
A 4ª temporada conta a história da Lizzie Borden. Vocês sabem que quem dirige essa série é o Ryan Murphy. E antes da gente entrar mais a fundo na história, eu queria pontuar algumas coisas pra vocês. Primeiro que muitos de vocês que estão assistindo esse vídeo, eu sei que já conhecem de cabo a rabo a verdadeira história da Lizzie Borden. E vocês devem estar tipo, meu Deus, essa série não tem nada a ver com a realidade. Então, o que eu acho?
Eu acho que muitas vezes quando a gente vai assistir alguma produção que é baseada ou inspirada em um crime real, a gente vai muito com a cabeça de que o que tá sendo apresentado ali é 100% a verdade, que aquela história tá retratando todos os acontecimentos. Só que não é bem assim. Se a gente quer ver os acontecimentos exatamente da forma que eles aconteceram, aí o melhor é a gente assistir um documentário. Vocês sabem que muitos, eu acho que eu até posso falar todos, todas as produções de true crime aqui que são baseadas ou inspiradas em fatos reais, elas em algum momento vão ter algum fato que é dramatizado, que é alterado um pouquinho ali pelo bem da história.
E isso aconteceu muito nessa temporada da Lizzie. Agora, não me entendam mal, tá? Eu sei que o Ryan Murphy, ele levou a gente a entender que essas temporadas iam ser super fidedignas com a realidade. Um exemplo é a primeira, a do Dahmer, né, quando a gente assistiu. Dá pra ver que eles reproduziram o apartamento dele. Aquela cena do julgamento perfeita, mostrando os familiares falando ali. Que deu a maior polêmica, porque muitos desses familiares disseram que tiveram que reviver um momento muito traumático na vida deles, né.
E aí a gente foi pra segunda temporada dos Irmãos Menendez, que também é bem próxima da realidade. Algumas coisas foram alteradas, mas ainda assim a gente conseguia acompanhar direitinho a história. E aí a do Ed Gein começou a mudar quase tudo. A do Ed Gein, a gente tem coisas ali que eram boatos que foram assumidos como verdade. E aí a história vai pra frente, volta pra trás, vira uma confusão. Até a gente chegar agora na da Alice, que, gente, muita coisa não tem nada a ver com o que aconteceu de verdade.
E aí, o que eu acho? Eu acho duas coisas. A primeira é isso que eu falei pra vocês. Como é uma série inspirada, baseada em acontecimentos reais, querendo ou não, o diretor ele tem essa liberdade criativa de assumir uma versão e retratar ali. Apesar dele já ter levado a gente a acreditar nas outras temporadas que tudo ia ser muito parecido com a realidade. O segundo ponto é que, como o caso da Lizzie é muito antigo, tem muita coisa que foi perdida.
E vocês sabem, né, pelo caso real, meu, a investigação foi uma loucura, um monte de gente entrando na casa, um monte de evidência perdida, tinha a mentalidade ali naquela época. Então, A gente não sabe exatamente o que aconteceu e também não tem como saber agora, né? Já passou muito tempo. Todas as pessoas que estavam vivas naquela época em que o crime aconteceu já não estão mais. Então eu acho que o Ryan Murphy tomou ainda mais liberdade criativa.
Ele falou, quer saber? Eu vou assumir que essa teoria é real e eu vou fazer os acontecimentos com a teoria que eu acredito. Isso é bom? Isso é ruim? Não sei, depende do espectador. Eu posso falar até É, como uma pessoa que tá começando agora a fazer alguns filmes, né, curtas e tal, vocês sabem que eu gosto muito de falar de lendas brasileiras. A gente já fez dois curtas da Loira do Banheiro, o meu próximo curta vai ser agora da lenda da Matinta Pereira.
E aí, enquanto eu tava pesquisando sobre a lenda e conversando com muitas pessoas que são do Norte, falando de experiências pessoais, a gente percebe que a grande maioria dessas lendas, elas têm variações, né. E aí, pra você fazer uma produção de uma delas, você tem que assumir que essa vai ser a que você acredita que é real. E aí você vai fazer a partir disso, né? Não tem como colocar todas as variações em uma história só. E aí, quando a gente lançar, provavelmente vão ter pessoas falando que é mentira, que não é bem assim, que não aconteceu desse jeito.
Provavelmente. Mas vão ter pessoas que vão se identificar porque sabem que essa versão também é falada. Então esse é o risco de fazer uma produção baseada em uma história real, né. Eu vou falar pra vocês que eu não odiei a temporada. Inclusive, das 4, eu acho que a minha... A que eu mais me interessei foi a dos Irmãos Menendez. Mas eu acho que essa também... Eu gostei mais do que a terceira, por exemplo. E é isso, eu não levei tão a sério, sabe.
Eu não levei como uma representação de quem foi a Liz e do que aconteceu ali. Eu levei como uma história realmente inspirada. Numa figura histórica. Quero saber a opinião de vocês, tá? Aqui a gente vai bater ponto por ponto de coisas que foram alteradas na história. E algo que eu achei interessante em trazer para esse vídeo é a história da Maggie, ou da Bridget Sullivan, que era essa empregada doméstica que trabalhava na casa ali dos Borden.
No último vídeo que eu fiz, eu comentei com vocês sobre essa teoria de que a Lizzie teria feito um complô ali com as empregadas para matar o pai e a madrasta, mas eu nem expandir muito essa teoria porque a gente não tem nenhum fato para comprovar isso, a gente não tem evidências para comprovar que as duas tinham um relacionamento. Muito dessa teoria veio a partir de reportagens sensacionalistas que apareceram nas notícias depois que o caso aconteceu.
Então eu acabei deixando para lá, mas nesse vídeo a gente vai falar bastante disso. Agora, essa 4ª temporada ela é do Ryan Murphy e também do Ian Brennan. Procurando algumas entrevistas, eu vi o Ian falando que essa temporada é— eles estão explorando a raiva feminina. Então eles usam não só a Lizzie Borden como também a Aileen Wuornos, que também foi uma serial killer que a gente já contou aqui no canal, e a Elizabeth Bathory como 3 mulheres de épocas distintas.
Vou deixar um PS aqui porque para mim as melhores cenas dessa temporada foram as cenas da Sarah Paulson como Aileen Wuornos. Eu achei ela perfeita, deu para ver que ela pesquisou muito sobre a história da Aileen porque as cenas dela estão quase perfeitamente iguais às verdadeiras. Inclusive, vou contar uma fofoca pra vocês, que semana passada eu fui numa premiere e a Sarah Paulson tava lá. Gente, eu fiquei tão emocionada de ver ela na minha frente.
Vou deixar o videozinho pra vocês verem. Mas outra coisa importante que eles falaram na entrevista é que a série foi concebida como uma espécie de comédia extremamente sombria. Fiquei tipo, comédia? Mas não como uma reconstrução documental. Então foi um pouco isso que a gente tava conversando ali no começo do vídeo. Inclusive, eu acho Não sei, né, aí vozes da minha cabeça. Mas dadas as polêmicas das outras temporadas, eu acho que talvez tenha sido por isso que eles escolheram um caso tão antigo e também resolveram falar isso: gente, não é com base nos documentos, sabe?
A gente criou aqui nossa história, querendo meio que tirar o deles da reta. Então o primeiro ponto da série é que historicamente nunca ficou comprovado que foi a Lizzie que matou o pai dela e a madrasta. Vocês sabem que ela foi absolvida no julgamento em 1893, apesar da grande maioria das pessoas aceitarem que foi ela. Ela mesma. Também não tem nenhuma evidência de que a Lizzie e a Maggie tinham um romance. Essa teoria ganhou ainda mais força com o romance ficcional chamado Lizzie, do Evan Hunter, que é lá de 1984.
E aí esse romance foi reaparecendo em algumas adaptações. Então vamos falar um pouquinho da história da Bridget/Maggie. A gente não sabe exatamente a data que ela nasceu, a gente acredita que tenha sido em 1866, lá na Irlanda. A cidade que ela nasceu era muito conhecida por operações de mineração de cobre. Só que essas minas sofreram grandes crises econômicas. E aí, as famílias que estavam trabalhando com isso também ficaram na miséria.
Assim como milhares de outras jovens irlandesas, a Brigid teria percebido que a sobrevivência dela ia depender dela ir pra América do Norte. Então, mais ou menos em maio de 1883, com 16 anos de idade, a Brigid entrou num navio e embarcou pros Estados Unidos. Ela chegou ali em Rhode Island, na cidade de Newport. E foi aí que ela conseguiu o primeiro trabalho dela como empregada doméstica. Depois ela foi para a Pensilvânia, ela ia trabalhando de casa em casa, e isso trouxe para ela muita experiência, principalmente fazendo serviços domésticos em famílias mais abastadas.
Ela também aprendeu a como operar os equipamentos domésticos da época e a cozinhar, principalmente a culinária norte-americana. Foi no final de 1889 que a Bridget se mudou para a cidade da Lizzie, a cidade de Fall River, em Massachusetts. A cidade tinha uma crescente classe média alta, principalmente por conta das indústrias têxteis. Têxteis? Têxtil? Indústria têxtil. Como é o plural de têxtil? Fiquei confusa agora. Então a demanda por empregadas domésticas cresceu.
Foi nesse mesmo ano que o Andrew Borden contratou a Bridget para trabalhar na casa dele. A princípio, ela ficaria responsável de trabalhar para ele, só que ela também tinha que cuidar de todas as necessidades dos outros adultos da casa. A oferta de salário padrão era de $2,75 a $3 por semana. Ela aceitou o emprego, ela se mudou pra casa, e aí ela ficou morando em um quartinho bem apertado e sem aquecimento que ficava no sótão da casa.
O sótão ficava no terceiro andar. E aí, assim como retratado na série, ela era a única empregada doméstica da casa. Então ela tinha que cuidar daquela casa de 3 andares sozinha, e ela fazia muitos trabalhos domésticos pesados que incluíam carregar água pra ferver roupa à mão, passar roupa com ferro pesado, fazer pão, e preparar as 3 refeições diárias para toda a família. Como eu falei para vocês no outro vídeo, por mais que o Andrew fosse muito rico, ele era mão de vaca.
Então tinham algumas coisas básicas que ele poderia ter em casa para facilitar a vida de todo mundo que ele não tinha. Então a residência não tinha iluminação a gás, não tinha encanamento interno e também não tinha aquecimento de água. A Bridget dependia de lamparinas de querosene, baldes de água, pinicos e uma latrina externa. Então isso tornava a carga de trabalho ainda mais Agora, é verdade que a dinâmica na casa dos Borden era muito complicada.
Como tinham sempre esses embates, essas discussões e as disputas pela herança, a Lizzie e a Emma, a irmã dela, mal interagiam com o pai e com a madrasta. E aí, por conta disso, a Bridget tinha que servir refeições em horários diferentes, porque ninguém queria sentar à mesa junto. Então é meio que isso que a gente tem de informações do dia a dia da família. A gente não tem informações claras de que a Lizzie tava vivendo esse romance em segredo com a Bridget.
Outra coisa que foi invenção da série foi as relações sexuais entre o Andrew e a Bridget. Na série a gente vê até que ela engravida dele e aí ela pede dinheiro em troca de tirar o bebê. Nos dias antes do homicídio ter sido cometido, aconteceu mesmo aquele incidente da família ter passado mal. Na terça-feira, no dia 2 de agosto de 1892, a Abby, a madrasta, teria atravessado a rua para se consultar com o médico. Ela teria dito que tava desconfiada que alguém teria tentado envenenar toda a família.
Ela disse que tanto ela quanto o Andrew tinham sofrido episódios de vômito violento durante a noite. Na quarta-feira, no dia seguinte, a doença teria acometido os outros presentes na casa. Então, o Andrew, a Abby e o John. O John é aquele, né, cara que aparece na série também, que seria o irmão da ex-esposa do Andrew. A própria Bridget estaria doente também. Mais tarde, a Bridget, ela testemunhou dizendo que ela tava sentindo náuseas dores intensas, cólicas abdominais e vômitos enquanto ela tava tentando realizar as tarefas dela na cozinha.
Depois que o crime foi cometido, tanto os médicos quanto os investigadores, eles chegaram em uma teoria do que tinha rolado. Eles acreditavam que a culpa tinha sido da comida que não tava muito legal. Então eles tinham comido um peixe-espada e um caldo de carneiro. Parece que a refeição tinha sido preparada dias antes e ficou ali na dispensa, que tava bem quente. Então não tinha uma refrigeração adequada e tava tendo uma onda de calor calor em pleno agosto.
É claro que os rumores de envenenamento, eles se espalharam depois que o assassinato foi cometido. Inclusive teve aquele farmacêutico local que testemunhou que a Lizzie tinha tentado comprar um ácido na farmácia dele na tarde de quarta-feira. Isso eu falei para vocês no outro vídeo também. Ela teria alegado que ela precisava daquele ácido para limpar uma capa que ela tinha ali. O farmacêutico se recusou a vender aquele composto para ela.
Mas o que que a Bridget estava de fato fazendo no dia do assassinato? De acordo com ela, ela disse que ela acordou às 6 da da manhã e ela ainda tava se sentindo fraca, tonta e indisposta por conta dos problemas estomacais dos dias anteriores. Apesar de todo desconforto, ela desceu as escadas para acender o fogão a carvão da cozinha, destrancar a porta dos fundos e buscar o leite que tava na varanda. Às 7 da manhã, ela já tinha preparado o café e já tava servindo o Andrew, a Abby e o John.
A Lizzie não desceu para tomar café da manhã junto com eles, ela permaneceu no quarto dela. Depois, o John teria saído por volta de 8:45 pra visitar parentes. Depois, o Andrew foi até o centro de Fall River pra tratar de negócios. Aqui um detalhe importante, gente. Esperem até eu terminar a história da Bridget, que eu vou voltar pra contar pra vocês sobre os pontos dos outros personagens também, tá? Se essas coisas que foram apresentadas ali são reais ou não.
Mas é só pra gente não perder a linha de raciocínio. No momento em que o Andrew saiu, a Abby teria pedido pra Bridget limpar todas as janelas da casa, tanto pelo lado de dentro dentro quanto pelo lado de fora. Uma tarefa que ela passaria o dia fazendo. O primeiro assassinato teria acontecido enquanto a Bridget estava do lado de fora lavando uma das janelas, jogando água ali ao longo da lateral e da frente da casa. Então, enquanto isso, entre 9:30 e 10 da manhã, a Abby teria subido até o quarto de hóspedes para arrumar a cama onde o John tinha dormido na noite anterior.
Enquanto ela tava no quarto, um invasor, entre aspas, teria entrado e a golpeado nas costas. A arma do crime seria semelhante a um machadinho e aquilo teria esmagado o crânio dela. Então aquelas cenas daquela luta da Lizzy com a Abby, daí ela foi correndo pela casa e tal, mesma coisa do Andrew, isso não aconteceu. A Abby ela caiu direto de bruços no chão e depois o assassino teria desferido mais 18 golpes na parte de trás da cabeça e pescoço dela.
Do lado de fora, ainda lá com o balde de água, a Bridget não teria ouvido nada. Por volta das 10:30 ela terminou de lavar janelas externas, entrou na casa e trancou a porta de tela atrás dela. Em seguida, ela começou a lavar os vidros internos tanto da sala de estar quanto da sala de visitas. Pouco depois, às 10:40, o Andrew retornou depois de resolver aqueles assuntos do trabalho que ele tinha. A porta da frente da casa tava trancada com 3 trincos distintos, então ele tentou usar a chave dele, mas ele não conseguiu abrir.
A Bridget teve que ir até o hall de entrada e abrir a porta para ele por dentro. Um pouco mais tarde, ela testemunhou que ela ouviu Alice nas escadas. E aí, enquanto a Bridget tava resmungando baixinho, Alice riu no topo da escadaria. Parece que a Bridget tava resmungando ali porque ela não tava conseguindo abrir a porta também. O Andrew entrou em casa às 10:55, mais ou menos. A Bridget terminou de lavar as janelas. E aí ela tava se sentindo meio tonta, ela também ainda tava com aquele mal-estar, principalmente por conta do calor.
E aí ela perguntou para Alice se ela poderia subir um pouco para descansar. A Lizzie teria dito: Se você sair, certifique-se de trancar a porta, pois a senhora Borden saiu para atender a um chamado de um doente e eu mesma posso sair também. A Bridget falou ok, foi até o quarto dela e tirou um cochilo. Esse cochilo durou cerca de 10 a 15 minutos quando ela foi despertada pela Lizzie por volta das 23:10, que estava dizendo: Maggie, vem, o papai tá morto, alguém entrou aqui e o matou.
A Bridget desceu as escadas correndo e aí quando ela chegou na sala ela se deparou com o Andrew deitado no sofá morto, e ele tinha sido mutilado por vários golpes do que parecia ser a mesma arma do crime da Abby. A Lizzie instruiu a Bridget a não se aproximar do corpo e disse para ela imediatamente chamar o médico. Ela fez isso, ela atravessou a rua, mas o médico não tava na casa dele. Então ela correu para mais alguns lugares e ela chamou uma amiga da família, a Alice Russell.
Quando ela voltou com essa amiga, uma das vizinhas chamada Adelaide Churchill também já tinha chegado. Quando eles perceberam que a Abby ainda tava desaparecida, elas decidiram subir as escadas e aí que elas encontraram o segundo corpo. Quando os investigadores chegaram na cena do crime, eles entrevistaram a Bridget na cozinha com todos os detalhes possíveis. Ela detalhou passo a passo a rotina dela semanal. Como a Bridget estava ou do lado de fora da casa ou então no quarto dela durante o horário que eles imaginavam que o crime tivesse sido cometido, ela imediatamente foi considerada uma cúmplice.
O quarto dela também foi minuciosamente investigado, mas eles não encontraram nada. Foi feita uma análise forense do vestido dela, os sapatos também, as mãos, mas não tinha nenhum vestígio de sangue, de graxa, de contaminação no geral. Por fim, ela foi chamada como testemunha principal e ela deu um depoimento durante horas. Ela comentou sobre as trancas que tinha na casa, ela comentou sobre o mal-estar que a família tinha sofrido na noite anterior, ela também falou sobre as relações internas da família que eram bem complicadas, E aí a acusação se aproveitou disso, porque eles falaram: como que um invasor entrou na casa se tinham todas essas trancas que o próprio dono da casa não conseguia passar?
Além disso, ninguém de fora poderia ter cometido dois assassinatos tão sangrentos em horários distintos sem ser pego. Apesar da acusação achar que tava ganhando por conta dessa questão das trancas, a defesa também conseguiu usar o depoimento da Bridget em favor deles. Ele perguntou sobre o comportamento da Lizzie, ele também comentou sobre como a Bridget tava calma detalhando todos aqueles acontecimentos, mesmo depois de horas de interrogatório.
Inclusive, a forma que ela lidou com isso foi até elogiada por jornalistas da época. O depoimento dela deixou o ponto dela muito claro. Ela não caiu em nenhuma armadilha, tanto da defesa quanto da acusação, para ser contraditória. Depois que a Lizzie foi absolvida, a Bridget decidiu deixar todos os laços que ela tinha com a cidade para trás. Ela recebeu todos os salários atrasados que eram devidos pela família Borden e ela decidiu se mudar.
Ela sabia que era praticamente impossível ela conseguir algum trabalho naquela região depois de ter sido uma testemunha-chave nesse caso terrível e também de estar na casa quando tudo aconteceu, né? Muita gente desconfiava dela ainda. Num primeiro momento, ela voltou para Irlanda para ver os familiares, e aí essa viagem serviu meio que como um refúgio de todos os jornalistas que estavam perseguindo ela. Em 1897, ela voltou para os Estados Unidos.
Aquela região favoreceu bastante ela porque era uma região que recebia muitos imigrantes europeus, ficava em Montana, e aí ela conseguiu meio ficar anônima. E ela também voltou a ter alguns trabalhos domésticos. Enquanto ela morava lá, ela conheceu um outro imigrante irlandês chamado John Sullivan, e ele trabalhava como operário nas fundições de cobre. Bizarro que os dois compartilhavam o mesmo sobrenome, né, a Bridget Sullivan e o John Sullivan.
Os dois se casaram quando ela tinha 38 anos de idade. A Bridget passou uma vida bem tranquila lá, ela não falava sobre o caso. Quando alguns repórteres procuravam ela, ela Ela falava que queria deixar tudo aquilo enterrado e ela também não era muito reconhecida. E aí foi depois do julgamento que começaram a surgir todas as teorias relacionadas a esse romance dela com a Lizzie. Alguns autores de obras até sensacionalistas começavam a falar de uma teoria de dinheiro para comprar o silêncio.
De acordo com essa teoria, as irmãs teriam pagado uma quantia bem grande para a Bridget para ela não falar nada. Elas supostamente teriam feito isso para convencer a Bridget a alterar o depoimento dela, deixar Massachusetts assets e manter um silêncio perpétuo de tudo que tinha acontecido naquele dia. Muita gente ficava até falando que ela teria comprado a grande casa dela em Montana com a fortuna Borden. No entanto, tem algumas pesquisas financeiras modernas que refutam totalmente essa teoria.
Uma outra lenda, teoria persistente é que a Bridget teria feito uma suposta confissão no leito de morte dela. Alguns boatos circulavam dizendo que a Bridget teria confessado ou ter visto a Lizzie cometer os assassinatos, ou que ela própria teria ajudado a Lizzie a se desfazer da arma do crime. Algumas pessoas que cuidaram da Bridget nos últimos momentos de vida dela, eles falaram que essa teoria não é real. Algumas sobrinhas-netas e também enfermeiras dela disseram que, apesar dela ter permanecido lúcida até seus últimos dias, ela se manteve em silêncio até o último suspiro.
Então, basicamente, essa foi a história dela. Todo o restante que tem ali na série foi provavelmente assumido, né? Quer dizer, foi assumido com certeza. Mas tudo ali da série é baseado em rumores, né? Então a gente tem rumores de que elas tinham um relacionamento, a gente tem rumores que ela era isso, que era aquilo. E eu imagino que eles falaram, tá, a gente vai assumir que é verdade, a gente vai colocar isso aqui na série. Agora, voltando um pouco pra outras coisas que tem ali na série que também não são reais, a gente pode citar inúmeros pontos.
Com relação ao Andrew, vocês devem estar se perguntando, nossa, ele realmente tinha esse negócio de caixões e ficava cortando mutilando corpos e tinha machados com nomes de mulheres? Andrew, ele realmente tinha uma empresa que vendia móveis, e entre esses móveis ele vendia alguns serviços funerários e também caixões. Mas ele já tinha abandonado esse ramo muitos anos antes do assassinato, e ele também fez a fortuna dele principalmente com imóveis, bancos e investimentos.
A gente também não tem evidências dele mutilar os corpos. E a Abby, ela era abusiva daquele jeito? Ela maltratava as funcionárias domésticas? Ela era abusiva com a Lizzie? A gente sabe que as duas não tinham um bom relacionamento, era um relacionamento de muita tensão, principalmente por envolver dinheiro e propriedade. Como eu falei para vocês no meu outro vídeo do caso, a Lizzie e a Emma, elas ficavam muito frustradas que o Andrew tava dando dinheiro para Abby e para família da Abby.
Quando as duas queriam estar com melhores condições de vida ali. Só que a gente não tem nenhum comprovante do nível de abuso físico e emocional que acontecia dentro daquela casa. Eu acho que aí eles devem ter pegado alguns padrões históricos, né, como eram as famílias naquela época, e talvez rumores. E aquele papo da Hebe ser infértil, dela entrar em depressão, dela beber um monte, usar drogas e querer se divorciar do Andrew? A gente também não tem informações sobre isso.
A Abby matou as pombas da Lizzie? Na história real, a gente sabe que a Lizzie disse que o pai dela, o Andrew, teria matado algumas das pombas. Mas não fica muito claro pra gente se esses animais, eles eram de fato animais de estimação da Lizzie, se ela tinha aquele negócio enorme de pombas que ficava cuidando delas ali dentro. A gente sabe que a Lizzie, ela gostava muito de animais, tá? Durante a vida toda dela, mesmo depois que ela foi absolvida, ela tinha muitos animais dentro de casa, mas é isso.
E a condição ginecológica dela, dela menstruar e dela sangrar bastante? A gente não tem evidências de que ela tivesse essa condição médica. Na verdade, a gente sabe que quando os investigadores foram até a casa, eles encontraram roupas íntimas da Lizy que estavam sujas de sangue, e ela disse que era porque ela tava menstruada. Mas é isso que a gente tem de informação. A gente também tem a informação de que a Lizzie e a Emma, elas teriam queimado um vestido ali no dia do assassinato, que daí a gente imagina que seja o tal vestido que tava completamente ensanguentado.
Mas dessa questão ginecológica, imagino que eles usaram ali só pra série. E o papo que a Lizzie e a Bridget tentaram matar primeiro o Andrew e a Abby por envenenamento, que eu já falei pra vocês, né? A gente tem o fato de que a Lizzie supostamente teria tentado comprar um veneno na farmácia e a gente teve toda essa intoxicação alimentar que aconteceu na casa da família antes do duplo assassinato. Mas como eu falei para vocês, os médicos assumem que foi por conta da comida.
Agora, um detalhe importante também que vocês devem ter ficado se questionando: e aquela outra mulher que foi morta a machadadas antes do Andrew e da Abby? Elas fizeram aquilo para treinar mesmo? Isso é impossível cronologicamente. Uma mulher chamada Bertha Manchester realmente foi assassinada com um machado em Fall River, mas isso aconteceu no dia 30 de maio de 1893, ou seja, aconteceu quase 10 meses depois dos assassinatos dos Borden e poucos dias antes do julgamento da Lizzie.
Não teria como ela ter cometido esse crime porque ela já tava presa aguardando o julgamento. Um outro homem foi condenado por esse crime. E o John Morse? O John, o tio da Lizzie, que era irmão da mãe biológica dela, ele tentou extorquir o Andrew? Ele se envolveu sexualmente com a Abby? O John, como vocês que vocês sabem, ele realmente tava hospedado na casa. Ele foi embora, né, logo no dia em que os assassinatos foram cometidos.
Só que o John, ele tinha um álibi para esse dia que foi considerado muito sólido, e a gente também não tem nenhum registro dele ter tido alguma relação com a Abby. E com relação à Nancy, aquela atriz que supostamente ajuda a Lizzie antes do julgamento, falando como ela deve se portar, a Lizzie e a Nancy, elas de fato se conheceram e elas de fato tiveram uma amizade próxima. Só que as duas se conheceram depois que a Lizzie foi absolvida.
Então aquela parte antes ela não aconteceu. E a relação das duas é um pouco esquisita, a gente não sabe tantos detalhes. A gente sabe que as duas se aproximaram bastante, até tiveram alguns boatos na época se elas tinham um relacionamento. E aí a Nancy supostamente frequentava a casa da Lizy, ela até deu um presente para Lizy que era um livro que gerou muitas suspeitas desse envolvimento amoroso. E aí tem uma teoria de que foi por conta da Nancy que a Lizzy e a irmã dela, a Emma, brigaram e pararam de se falar.
Isso porque a Emma e a Lizzy, elas foram morar juntas depois que a Lizzy foi absolvida, e a Emma teria ficado do lado da irmã e ajudado muito ela no julgamento. Só que parece que depois de uma noite em que a Lizzy recebeu a Nancy em casa, ela brigou com a Emma. A Emma pegou a mala dela, foi embora, e as duas nunca mais tiveram uma relação. A Emma teria chegado a falar que foi pelos acontecimentos daquela noite. Não falou especificamente o quê e disse que também nem ia falar.
Só que ao mesmo tempo, a Nancy fala que ela nem frequentava a casa das duas, que era tudo mentira. Então a gente não sabe o que é verdade. E depois do julgamento, a Lizzy e a Bridget, elas voltam a ficar juntas? Não tem evidência disso. Como eu já falei para vocês, eu já contei, né, tudo que aconteceu com a Bridget depois que o julgamento acabou. Ela se casou e a gente não tem evidência nenhuma de que ela voltou para cidade, encontrou a Lizzy de Também tem toda essa história, né, da Lizzie e da Bridget terem participado juntas de uma luta pelo sufrágio feminino.
Isso também não aconteceu. Aqui a gente vê que talvez, não sei, parece que o Ryan Murphy ele quis apresentar histórias de mulheres fortes, talvez injustiçadas, mas ele fez isso de uma forma meio estranha. Ah, uma outra coisa que a série acertou foi que a Lizzie ela deu vários depoimentos inconsistentes daquele dia. Então uma hora ela falava que tinha acontecido isso, depois ela que aconteceu aquilo. Isso não ajudou nem um pouco no caso dela, como vocês devem imaginar.
Foi muito com a ajuda da irmã que ela conseguiu ser inocentada, e também por toda aquela questão que eu já falei para vocês no outro vídeo, que ela foi julgada por vários homens e eles não acreditavam que uma mulher seria capaz de cometer um crime tão brutal. De novo, reforçando aqui, o caso real nunca foi solucionado de fato. A Lizzie nunca confessou. E aí a Netflix só eliminou essa ambiguidade e mostrou uma versão em que a Lizzie acredita que são culpadas.
Outros casos que aparecem no meio dessa série são o da Aileen Wuornos e da Elizabeth Báthory, como eu falei para vocês. Com relação a Elizabeth Báthory, a série ela conta como verdade uma história da Elizabeth que os historiadores já falam que é folclore nos dias de hoje. De fato, a Elizabeth ela foi uma nobre húngara do fim do século 16, início do século 17, acusada de torturar e matar jovens mulheres. Houve uma investigação, tiveram alguns testemunhos contra ela, até condenação de alguns dos empregados, mas o número de vítimas, a extensão do crime e até mesmo a culpa da Elizabeth continuam sendo debatidas até os dias de hoje.
Muita gente fala que ela era de fato uma criminosa, mas muitas pessoas falam que ela só tava sendo incriminada por conta de alguns interesses financeiros da época. Então eles colocaram a mulher essa vampira, como essa bruxa, sei lá, que nossa, toma banho no sangue das inocentes. Até o Guinness, que durante muito tempo associava a Elizabeth à maior assassina em série da história, hoje ressalta que o número de vítimas é muito controverso e que não tem evidências reais dos banhos de sangue.
Tem até um livro interessante da Dark Side que fala sobre Elizabeth Báthory e meio que vai desmascarando cada um dos boatos em relação a ela e mostra como as mulheres na história eram vistas, sabe? Como as pessoas queriam colocar essas mulheres como sendo essas grandes, sei lá, vingadoras malignas. Ah, e um detalhe é que não tem nenhuma evidência histórica de que a Lizzie tenha se inspirado na Elizabeth Báthory, tá? Isso também foi inventado.
No caso da Aileen, a gente também tem muitas diferenças da história real. Entre 1989 e 1990, a Aileen, ela matou 7 homens, foi presa em 91 e depois ela foi executada em 2002. Para quem quiser se aprofundar no caso dela, também tem um vídeo aqui no canal. E ela sustentou que todos esses crimes foram cometidos em legítima defesa contra agressões sexuais. Só que a gente não tem nenhuma evidência de que a Aileen tenha um dia sido meio que obcecada pela Lizzie Borden.
A gente não sabe nem se ela de fato visitou a casa dos Borden. Eles até mostram a casa como ela é hoje, né? Já falei para vocês que hoje em dia você pode fazer investigações paranormais na casa dos Borden e se hospedar por lá durante a noite. Na série eles mostram a Aileen se hospedando já nesse lugar como é hoje, só que ele só começou a funcionar em 1996. A Aileen tava presa em 91. Uma outra mudança foi a parceira da Aileen, eles mudaram até mesmo o nome dela na série.
O nome verdadeiro da mulher era Tyra Moore. Agora, outros pontos da série é que eu acho até que a atriz que eles colocaram para interpretar a Lizzie, eu acho que a personalidade dela na série, eles quiseram colocar ela como uma jovem inocente que foi levada a fazer isso. Mas no caso real, a Lizzie, quando supostamente cometeu o crime, já tinha 32 anos. Eu particularmente achei as atuações muito boas. Inclusive, a atriz que faz a Lizzie, gente, achei ela lindíssima assim.
A atriz que faz a Bridget também, achei a atuação dela muito, muito boa. Ah, como eu falei para vocês, a Sarah Paulson, não tenho nem o que falar. Como a Aileen, foi perfeita. Só que eu acho que quem for assistir a série pensando que vai saber mais sobre o caso real ou se aprofundar no caso vai se decepcionar. E aí eu acho que vai de cada um entender se tem interesse de assistir uma série que é baseada em acontecimentos reais, mas é bem fictícia, ou se realmente quer assistir algo real baseado nos fatos.
Aí, baseado nos fatos não, né, algo real que seja bem relacionado aos fatos, aí eu recomendo vocês assistirem alguns documentários e não essa série. Entre as 4, essa temporada de agora tá sendo a segunda mais bem avaliada depois de Dahmer. Só que assim, as avaliações ainda são meio baixas, pelo menos no Rotten Tomatoes. A mais bem avaliada é a do Dahmer com 57%, depois a gente tem a da Lizzie com 50%, e aí vem a dos Irmãos Menendez com 47%.
A do foi péssima, tá, tipo 22% de aprovação. Esses números tendem a mudar um pouco, né, também tem as avaliações da audiência. Como é só o primeiro fim de semana desde que ela lançou, talvez a gente tenha uma diferença aí. Mas é isso, gente, eu acho que minha opinião é essa. Eu achei que como uma história inspirada, até que a série foi interessante, assumindo uma versão aí que a gente não pode levar tão a sério e entender que ele só pegou vários rumores da época e decidiu assumir uma versão pra colocar ali pra gente assistir.
Mas se for pensar na parte da veracidade, do que realmente aconteceu, aí não acho que foi legal. E também acho que se fosse pra se basear 100% na verdade, não ia ter nem o suficiente pra você fazer uma série com 8 episódios. Então fica aquela questão: faz sentido ter essa liberdade criativa pra fazer uma série de casos reais? Ou então, de repente, você escolhe uma outra história? Ou então faz uma história fictícia de vez, sem falar que é baseada num caso real?
Porque daí vai trazer mais audiência. Não sei, já tô ficando confusa. Quero saber a opinião de vocês, o que que vocês acharam, se vocês assistiram a série, se tem algum outro ponto aí que vocês pegaram que é completamente diferente, se vocês querem saber mais. Então comentem aí e até a próxima!