Episódios de Assustador, Bizarro e Misterioso

A realidade é mais bizarra do que a ficção

31 de julho de 202625min
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Tradução e narração completa das creepypastas disponíveis em https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/othwh/gurgles_bugman/

Assuntos3
  • Desconexão da realidadeSíndrome de Capgras · Tia Mary · Stanley
  • Tentativa de sequestro de Emily DortyEmily · Travis Scott · Abuso Infantil
  • Travessuras na Ponte FerroviáriaBrad · Mark · Jason · Ponte Ferroviária Assombrada
Transcrição6 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta. No episódio de hoje, eu vou continuar com 3 contos daquela mesma série que eu tava fazendo mais curtinha pra vocês. Mas dessa vez, eu vou reunir 3 deles pra não ficar um episódio tão curto. E pra ser também o episódio da semana. É uma atualização pra vocês sobre a Creepypasta do Uhuu. Eu achei a continuação dela em um outro site. Mas eu tô tendo um pouco de dificuldade pra traduzir ela, pra poder ler ela aqui pra vocês.

Então tô trabalhando nisso pra trazer aqui pro podcast. Eu não esqueci, eu prometo. Então me cobrem aí nos comentários pra eu não esquecer. E logo logo a continuação sai aqui também, tá bom? Então sem mais enrolação, bora pras histórias de hoje. O primeiro conto se chama A Realidade é Mais Assustadora que a Ficção. A realidade pode ser mais assustadora que a ficção. O que é verdadeiramente aterrorizante não são os ruídos misteriosos na calada da noite.

Mas as reviravoltas macabras do destino na vida real. Especialmente quando a situação se torna ainda mais horripilante à medida que você investiga os detalhes. Como é o caso da história da velha tia Mary. Mary não era minha tia, mas sim tia de um amigo meu. Ele me contou essa história depois que eu compartilhei o meu próprio relato de infância sobre o Gurgles e Bugman. Por se tratar de um assunto familiar muito pessoal, os nomes foram alterados pra preservar a privacidade dos envolvidos.

A velha tia Mary era a mais velha de 4 irmãos. Ela permaneceu solteira durante os primeiros 40 e poucos anos de vida. E por isso, vivia mimando os sobrinhos com presentes generosos. Ela era a tia favorita de todos. No entanto, no fundo, ela se sentia muito solitária. O fato de permanecer solteira enquanto todos ao seu redor se casavam e tinham filhos acabou afetando o seu estado emocional. Quando seus pais finalmente faleceram, deixaram para ela uma casa enorme como herança.

Mas o vazio em sua vida se tornou tão vasto quanto os cômodos desocupados daquela mansão. Pouco depois de completar 46 anos, ela surpreendeu a todos ao anunciar o seu casamento repentino com Stanley, um homem que ela conhecia havia apenas 2 meses. Ficava claro, no entanto, que eles estavam profundamente apaixonados um pelo outro. Ele era apenas um pouco mais jovem, 39 anos. Mas possuía uma alma tão encantadora, vigorosa e generosa que a Mary logo se apaixonou.

Embora ninguém soubesse muito sobre Stanley, todos os adoraram e o acolheram na família. Sentiam também um alívio secreto por Mary ter encontrado a felicidade depois de tantos anos de solidão. Um mês após o casamento, eles partiram pra viagem de lua de mel de suas vidas, passando um ano viajando pelo mundo. A cada poucas semanas, chegava um cartão postal de algum lugar exótico. Relatando o quanto estavam se divertindo. Tudo parecia perfeito até que o casal retornou da viagem.

Ao passarem a viver juntos na mansão, Mary começou a mudar. Parou de dormir na mesma cama que Stanley e depois insistiu em ter um quarto separado. Pouco tempo depois, ela dizia ouvir ruídos estranhos pela casa: seu nome sendo chamado durante a noite, sons de arranhões furiosos ecoando pelos corredores ou lamentos dolorosos que pareciam vir das próprias paredes. Quanto mais Stanley tentava consolá-la, mais aterrorizada ela ficava.

Ela gritava pra que ele se mantivesse afastado e não a tocasse. Passava dias trancada em um quarto, chorando e balbuciando frases desconexas. Enlouquecendo aos poucos devido à sujeira que se acumulava e ao isolamento mental. Por fim, a família conseguiu levá-la a um psiquiatra, que a diagnosticou com um tipo de esquizofrenia paranoide conhecida como Síndrome de Capgras. Trata-se de uma condição rara na qual a pessoa acredita que alguém próximo foi substituído por um impostor idêntico.

Ela afirmava que Stanley não era o seu marido, mas sim algo que se parecia com ele, agia como ele e fingia ser ele. A família se viu diante de uma escolha difícil: internar Mary em uma instituição psiquiátrica pra que ela recebesse os cuidados necessários, ou mantê-la sedada e cuidada em casa.

?Voz B

Optaram por mantê-la sedada. Durante todo esse tempo, Stanley tava visivelmente transtornado, mas continuava amando a Mary de todo o coração. Ele jamais vacilou em seus cuidados, permanecendo ao lado da cama dela, alimentando-a e conversando com ela como um marido amoroso. Ao longo do ano seguinte, a família passou muito tempo conhecendo melhor o Stanley enquanto se revezava nos cuidados com Mary, sentindo extremamente grata por sua presença.

Por isso, foi um choque absoluto quando chegaram à casa certo dia e se depararam com várias viaturas policiais. A porta da frente estava isolada com fita policial e a entrada deles foi proibida. Após comprovarem o parentesco com os moradores, o policial responsável explicou o que tinha acontecido. Naquela manhã, o corpo da tia Mary foi encontrado na base de uma falésia, bem pra mar. A cerca de meia hora de carro dali. Um corredor que passava pelo local viu o carro dela chegar bem perto da borda do precipício e uma mulher retirando um corpo da parte de trás do veículo.

Depois de chamar a polícia, ele testemunhou a Mary esfaqueando um corpo masculino várias vezes com uma faca de cozinha grande. Em seguida, ela empurrou o corpo da falésia em direção às águas lá embaixo e começou a rir de forma incontrolável. Por minutos a fio. Quando a polícia chegou, ela simplesmente se virou, sorriu e saltou do precipício para a morte. Conseguiram recuperar o corpo dela, mas não encontraram vestígio algum do de Stanley.

Muito provavelmente, ele já tinha sido levado pela correnteza para o mar. A placa do carro levou a polícia até a casa, onde a investigação passou a se concentrar. Encontraram vestígios de medicamentos que haviam sido cuspidos perto da cama de Mary, além de uma luminária quebrada no chão e respingos de sangue nas paredes. A tia Mary tinha fingido tomar os remédios e então golpeou Stanley com a luminária de cabeceira enquanto ele estava distraído com a cabeça virada.

Depois, arrastou o corpo inconsciente e ensanguentado até a cozinha, onde esfaqueou Stanley antes de levá-lo para o carro e dirigir até a falésia. No entanto, foi o que encontraram em seguida que me deixou com um frio na espinha. Ao revistarem a casa naquele dia, a polícia descobriu um porão secreto sob o grande tapete. Ao abri-lo, depararam-se com o rosto angustiado de um cadáver ressecado sobre os degraus, com as mãos em posição de quem tentava desesperadamente arranhar a porta do porão pra sair.

O ambiente tava impregnado pelo fedor de excrementos humanos secos e havia sulcos profundos na madeira, marcas de alguém que tentara desesperadamente escapar daquela prisão arranhando as superfícies. Quando os resultados da análise de DNA e dos registros odontológicos ficaram prontos, confirmou-se uma compatibilidade de 99% com Stanley. Ele estava morto havia meses, muito provavelmente de inanição. Suas unhas compridas estavam quebradas e gastas de tanto arranhar tudo em suas tentativas inúteis de sair.

Stanley era a coisa que fazia barulho na calada da noite. Eram os seus apelos e tentativas desesperadas de fuga que ecoavam pelos corredores da mansão durante a noite. Mas desvendar esse mistério apenas deu origem a outro, ainda mais profundo. Quem era, então, aquela pessoa que cuidava da Mary e passava tempo com a família dela? E que acabou sendo assassinada e jogada de um penhasco, se o Stanley já tava morto? Seria um irmão gêmeo?

Um sósia? Seja o que for, a tia Mary levou esse segredo pro túmulo. O que mais me atormenta, porém, é o pensamento de que talvez ela estivesse perfeitamente lúcida durante tudo aquilo. E de que o mundo em si é que era verdadeiramente louco. A realidade é, de fato, mais assustadora que a ficção. Esse foi o fim da primeira história. E a segunda se chama Travessuras. Então vamos lá. Estou começando a achar que tenho amigos que vivenciam coisas estranhas.

Depois da história da Tia Mary, eu me lembrei de outra experiência que um deles teve. Não sei se essas duas histórias estão relacionadas, mas certamente estão conectadas pelo seu caráter insólito. Os nomes foram alterados para preservar a privacidade. Todos os dias, tomamos inúmeras decisões que afetam nossas vidas. A maioria delas é trivial. Mesmo decisões aparentemente importantes acabam se equilibrando ao longo de uma vida.

Coisas boas surgem de nossas escolhas ruins e vice-versa. De vez em quando, porém, nos deparamos com um verdadeiro ponto de virada. Um momento em que o nosso próprio destino se resume a uma simples decisão de sim ou não. Uma reação de luta ou fuga. O lançamento de uma moeda que muda sua vida. Conheço o Brad há alguns anos. Ele é do tipo quieto e sério, um contraste radical com o adolescente impulsivo e ousado que ele foi há muitos verões.

Mark e Jason eram seus dois melhores amigos, com quem ele aprontava todas naquela época. Eram tão unidos que todos os chamavam de os Três Mosqueteiros. Depois de terminarem o ensino médio em 1993, eles viram-se de repente com mais tempo livre do que sabiam como aproveitar. Então passaram a desafiar uns aos outros. Tinham apenas uma regra simples: qualquer que fosse o desafio escolhido, todos teriam de cumpri-lo. Um por todos e todos por um.

O resultado foi que os três saíram correndo nus por casas de repouso, enfiaram maços inteiros de cigarro na boca de uma só vez e os acenderam, além de encararem o desafio da canela enquanto estavam completamente embriagados. A melhor travessura que aprontaram foi dizer a alguns operários de obras viárias que homens vestidos de policiais viral viriam pra pregar uma pesta neles. Em seguida, ligaram pra polícia denunciando que brincalhões vestidos de operários iriam interditar uma rua.

A confusão que se seguiu, durando cerca de uma hora, rendeu aos 3 mosqueteiros uma noite atrás das grades. Aquele momento deveria ter servido de alerta pra que repensassem o rumo das suas vidas. Mas Jason tinha um desafio em mente. Nos arredores da cidade, havia uma área arborizada por onde trilheiros passavam ocasionalmente. Sobre um rio largo estendia-se uma antiga ponte ferroviária que fora adaptada para pedestres. Sem qualquer iluminação, quem ficasse no meio dela numa noite sem lua via ambas as extremidades tão envoltas em escuridão que a ponte parecia se prolongar até a eternidade.

Por isso, o local era muito procurado por quem pretendia cometer suicídio e tinha a fama de ser um dos lugares mais mal-assombrados da região. A Lua Nova se aproximava e Jason queria fazer uma visita à meia-noite pra provar que não tinha perdido o espírito aventureiro. Embora Mark tivesse algumas ressalvas, Brad concordou prontamente. Um por todos e todos por um. Assim, decidiram ir. O caminho até a ponte passava por um trecho isolado da estrada que serpenteava entre colinas arborizadas.

Com Jason ao volante, eles passavam o tempo contando histórias de fantasmas para provocar arrepios uns nos outros. Por isso, quando avistaram uma figura solitária à frente, no meio da noite, no meio do nada, o riso nervoso deu lugar a um pavor repentino. Com as histórias de caroneiros fantasmas ainda frescas na memória, Jason pisou fundo no acelerador sem nem pensar duas vezes. Não havia a menor chance dele parar para um estranho naquela noite.

A última imagem que tiveram da figura de aparência desleixada foi a dela mancando e acenando enquanto diminuía rapidamente a distância. Provavelmente um andarilho sem teto, concluíram para si mesmos. Havia veteranos de guerra que retornavam com transtorno de estresse pós-traumático, Não conseguiam se readaptar à sociedade e acabavam fazendo da floresta o seu lar. Embora estivessem mais apavorados do que admitiam, o orgulho teimoso não os deixava desistir.

Estacionaram o carro em uma área turística vazia, perto da ponte. A noite estava fresca, mas os arrepios que sentiam vinham mais do medo em suas mentes do que do ar ao redor. Pegando a única lanterna que tinham, seguiram a pé em direção à ponte. Quando chegaram ao centro, ficou claro que estavam sozinhos. Não havia almas solitárias buscando pôr fim à própria vida naquela noite. De onde estavam, as extremidades da ponte realmente pareciam desaparecer na escuridão infinita além.

Os primeiros minutos se passaram com o som da água batendo na base da ponte. Eles esperaram atentos para ouvir qualquer som de fantasmas de pessoas que tivessem se jogado para a morte lá embaixo. Nada. Mais alguns minutos se passaram em silêncio monótono. Finalmente relaxaram e começaram a conversar como de costume. Tentando aliviar a tensão. Brincaram sobre o caroneiro e como ele provavelmente queria uma carona até a ponte pra pular.

Mais minutos se passaram. A adrenalina tinha se dissipado, dando lugar ao tédio. Bom, cumprimos seu desafio ridículo, Jason, gabou-se Mark, contente. Você perdeu. Você nos deve $20 cada um. É, é, cara. Sei que você tava louco pra receber esses $20 de sexo oral, Jason retrucou. Não, ele tá louco pra receber 20 mamadas de $1 quando aquele mendigo aparecer, provocou Brad. Bom, vocês dois podem simplesmente... Shh! Jason sibilou de repente.

Você tá ouvindo isso? Parecia que alguém o chamava pelo nome do outro lado da ponte por onde eles tinham entrado. Jason, onde você tá? A voz fraca ecoou no ar. Mark se levantou e começou a voltar na direção do carro. Acho que a gente deve voltar embora agora e... Chamou meu nome, disse o Jason. Ninguém sabe que estamos aqui. A gente tem que ir verificar. Brad, você tá aí? A voz fantasmagórica continuou. Ok, isso não pode ser coincidência, disse o Brad.

Alguém que a gente conhece pode estar nos procurando. A gente tem que ir lá ver. Você perdeu a votação, Mark, argumentou o Jason. Além disso, eu tenho as chaves do carro, então você não vai chegar a lugar nenhum. Vamos embora. Todos seguiram em direção à outra saída da ponte. Alô? Quem tá aí? Jason gritou, mas não obteve resposta. Sabe, existem alguns fantasmas que atraem as pessoas pra... Gaguejou Mark. Cala a boca por um instante, Mark.

Você não tá ajudando em nada, interrompeu Jason. Ao chegarem do outro lado da ponte, não encontraram sinal de mais ninguém além deles mesmos. Enquanto seguiam pela trilha, a luz da lanterna projetava sombras agigantadas sobre as árvores. Não tem ninguém aqui, sussurrou Brad. Eu concordo com o Mark agora. Acho que a gente devia voltar. Tudo bem. Acho que chegou a minha vez de ser voto vencido, respondeu Jason, virando-se com a lanterna.

Ei, cadê o Mark? Ele tá bem aqui do meu lado. Brad girou o corpo rapidamente. Mark não tava lá. Ele tava ali agorinha mesmo, eu juro. Mark! Gritou Jason. Tá fazendo xixi atrás de alguma árvore? Nenhuma resposta. Ele pode ter amarelado e voltado pro carro, supôs o Brad. Socorro! Veio uma voz fantasmagórica, parecendo vir de trás deles. Lembrava vagamente a voz do Mark. Onde você tá, cara? Isso não tem graça! Gritou Jason. Silêncio absoluto.

Depois de mais alguns minutos de espera e buscas, Jason perdeu a paciência. Mark, tamo voltando pro carro. Encontramos você lá!

?Voz A

Ele gritou.

?Voz B

Eles atravessaram a ponte de volta em direção ao estacionamento. Mark também não tava lá, então eles esperaram no carro até o amanhecer. Já muito preocupados, Jason e Brad atravessaram a ponte de novo para procurar o Mark, aproveitando a luz do início da manhã. Sem sucesso de encontrá-lo e ficando rapidamente sem opções, Jason e Brad decidiram voltar à cidade em busca de ajuda. No caminho de volta, avistaram uma figura caída no chão à beira da estrada.

O caroneiro. A luz do dia deu a eles mais coragem, o suficiente para que Jason parasse o carro e oferecesse ajuda dessa vez. Ao se aproximarem do corpo, para surpresa deles, era Mark. Com as roupas rasgadas e sujas e o rosto coberto por uma barba de vários dias, ele tava inconsciente e quase irreconhecível. Eles o levaram direto para o hospital. Ele tava tão desidratado que corria o risco de morte. Quando finalmente se recuperou, Perguntaram o que tinha acontecido. Naquela noite, Marcus havia seguido pela ponte e pela trilha.

?Voz A

Ele olhou pra trás, em direção à ponte, apenas por um instante, mas ao se virar de novo, tava sozinho.

?Voz B

Concluiu que Brad e Jason estavam pregando uma peça nele e se escondeu atrás de algumas árvores. Ele gritou pelos dois, mas não obteve resposta. Procurou entre as árvores, mas não viu nada. De repente, ele ouviu o som de passos se aproximando. Aliviado, seguiu o ruído, mas não viu ninguém ao chegar perto. Agora totalmente desorientado, apavorado e sozinho na escuridão, gritou por socorro. Ele ouviu os passos se aproximarem, mas nunca via quem os produzia.

Tentou fugir correndo, mas se machucou ao bater em galhos grossos. Os passos o atormentaram por 3 dias, até que certa noite ele acabou chegando à estrada. Caminhou mancando, torcendo para que um carro passasse e o levasse para casa. Ficou radiante ao ver as luzes de um carro se aproximando. E ainda mais quando reconheceu que era o de Jason. Mas a alegria logo deu lugar à raiva e à frustração ao ver o veículo acelerar e passar direto por ele sem qualquer sinal de reconhecimento.

Pouco depois, ele desmaiou na estrada e acordou na cama de um hospital. O trio de amigos se separou logo em seguida. Até hoje, Mark acredita que Jason e Brad o abandonaram na floresta por 3 dias só pra rir da situação. Foi uma brincadeira que ele nunca vai perdoar. Jason também acha que tudo não passou de uma brincadeira, mas feita por Mark como revanche por ter sido o voto vencido na ponte. Mark deve ter passado aquela manhã caminhando de volta pra estrada, enquanto Jason e Brad, desesperados de preocupação, o procuravam na ponte.

Quanto a Brad, ele tem uma teoria diferente. Naquela noite, dentro do carro, eles foram apanhados por uma dobra no tempo. O tempo talvez não seja a linha reta que imaginamos. Talvez, como um grande rio, Ele possui redemoinhos e correntes que fazem curvas fechadas, sem emendas visíveis, arrebatando alguns poucos azarados pegos por essas marés. Quem sabe, naquela noite, os fantasmas que ouviram fossem ecos de Mark, preso nesses redemoinhos.

Talvez o mais assustador seja pensar que, naqueles locais famosos por suicídios, as vítimas não escolheram morrer. O destino lançou uma moeda e o lugar as escolheu. Se não fosse pela decisão fatídica de parar o carro, Mark também poderia ter se tornado mais uma vítima. No fim das contas, talvez o próprio tempo seja o brincalhão que prega peças em todos nós. A terceira história desse episódio se chama Notas. Então vamos lá. Logo após compartilhar com o Brad o texto que eu escrevi sobre a história dele, ele me contou outro relato que me deixou absolutamente atônito.

Trata-se de seus primos e da trágica história da filha deles, Emily. Como de costume, todos os nomes foram alterados para proteger a privacidade deles. Emily sempre foi uma espécie de mistério para a família, sempre muito quieta e introspectiva. Ela nunca teve a exuberância típica da infância que uma criança de 11 anos deveria ter. Na escola, sua natureza reservada tornava muito difícil fazer amizade com outras crianças. Nos primeiros anos, os pais achavam que poderia ser apenas uma fase de timidez natural, mas com o passar do tempo começaram a se preocupar com a dificuldade dela em interagir socialmente.

Eles tentaram matriculá-la em diversas atividades e incentivá-la a praticar esportes. Sacrificaram seu tempo e suas preciosas economias, fazendo tudo o que podiam para ajudá-la a fazer amigos. Mas ela parecia mais feliz quando tava sozinha, brincando com as suas bonecas. Nenhuma das outras crianças queria brincar com ela, porque achava ela estranha. E no fundo, os pais da Emily também sentiam isso. Havia algo de peculiar nela, uma mistura de seriedade adulta e distanciamento emocional.

Para completar, as poucas vezes em que Emily falava era sobre eventos futuros, e eles sempre pareciam se concretizar. Eles perceberam isso pela primeira vez quando Emily tinha 6 anos e foi levada para comprar bonecas. Ela parou diante da porta da loja de brinquedos e se recusou a entrar. Quando perguntado o motivo, respondeu: Tá quente, mamãe, e todos os rostos estão derretidos. Naquela mesma hora, uma falha elétrica provocou um incêndio que destruiu o estabelecimento.

Emily sabia quando o cachorro da família seria atropelado e quando teriam de sacrificá-lo. Ela sabia que a árvore do vizinho cairia e desabaria sobre a cabeça deles durante uma tempestade violenta. O que mais preocupava seus pais, porém, era a certeza que Emily tinha de que morreria antes de completar 12 anos. Partia o coração dos pais vê-la brincando sozinha com as suas bonecas. Ela conversava com elas sobre como não estaria mais ali, dizendo para não se preocuparem, porque a mamãe e o papai cuidariam delas.

E de fato, pouco antes do seu aniversário de 12 anos, Emily sofreu um aneurisma cerebral que nunca se recuperou. Ela ficou em coma por vários dias antes de falecer no hospital, com os pais chorando do seu lado. Seus pais levaram várias semanas pra conseguir forças e seguir com a vida. Quando entraram no quarto da Emily pela primeira vez depois da morte dela, notaram um bilhete manuscrito deixado pra eles sobre a mesa. Com a letra grande e desajeitada da Emily, tava escrito apenas: Queridos mamãe e papai, amo vocês, obrigada por tudo, com amor, Emily.

Ao longo dos meses seguintes, eles encontraram mais bilhetes escondidos pela casa. Cada um tava escrito em pedaços de papel diferentes, mas sempre com a sua letra azul característica. Sob uma casa de bonecas: Queridos mamãe e papai, desculpem por não ficar mais tempo. Não se culpem, a culpa não é de vocês. Com amor, Emily. Na parede do fundo do armário: Querida mamãe, diga ao papai que sinto falta das histórias que ele contava antes de eu dormir.

Com amor, Emily. Atrás de caixas de cereal na dispensa: Querido papai, a mamãe te ama muito e se preocupa com o quanto você trabalha. Passe mais tempo com ela. Com amor, Emily. Em uma pasta antiga: Queridos mamãe e papai, desculpem por não ter dito o suficiente que os amo. Sempre amei e sempre amarei. Com amor, Emily. Sabendo que iria morrer, Emily havia escondido dezenas de mensagens seus pais as encontrassem ao longo dos anos como lembranças dela, dizendo tudo que ela não conseguia expressar enquanto ainda tava viva.

Cada bilhete encontrado pelos pais era valorizado e guardado com carinho em uma caixa de madeira maciça. Mas houve um bilhete que encontraram e que parecia destoar dos outros. Embora a caligrafia parecesse ser dela, ao contrário dos demais, não tava assinado e fora escrito com uma tinta vermelho-sangue. Nele tava escrito apenas: Tio Scott. Intrigados, eles colocaram o bilhete na caixa, exatamente no momento em que o tio Scott bateu à porta para ver como eles estavam.

Eles sorriram e atribuíram o fato a uma coincidência. Até que algumas semanas depois descobriram um segundo bilhete escrito com a mesma tinta vermelha: Homem mau. Inquietos, naquela noite eles conferiram duas vezes as trancas das portas. Pela manhã, encontraram a fechadura da porta dos fundos arrombada. Foi apenas a corrente de segurança que impediu a entrada de qualquer invasor. Mais algumas semanas se passaram e eles encontraram o bilhete seguinte, também em tinta vermelha, atrás de uma fotografia sobre a lareira.

Nele estava escrito: No meu quarto. Curiosos, foram até o quarto da Emily e fizeram uma busca. Desde a morte dela, eles haviam limpado e conservado o ambiente com cuidado, mantendo exatamente como era quando ela estava viva. Achavam que já tinham revirado cada canto em busca de bilhetes. Verificaram de novo embaixo da cama e encontraram um bilhete em tinta vermelha colado no colchão: Atrás de portas fechadas. Curiosos, fecharam a porta do quarto da Emily.

Nela, estava colado um pôster de filhotes de cachorro de que Emily gostava desde a época em que tinha adotado o próprio cão da família. A vibração causada pelo fechamento da porta fez o cartaz se soltar e cair, revelando um quinto bilhete arrepiante: Ele vai sofrer. Uma onda de inquietação tomou conta dos pais de Emily, que correram para a cozinha em busca de uma bebida. Naquele momento, a campainha tocou. Era Scott, fazendo sua visita habitual.

Ele perguntou por que pareciam tão abalados e foi informado sobre o bilhete encontrado atrás da porta. Scott pediu para vê-lo e entrou no quarto da Emily, enquanto os pais dela permaneciam na cozinha, tremendo. De repente, a porta do quarto da Emily bateu com tanta força que a casa inteira estremeceu. Gritos de Scott ecoaram pelo ar, misturados a sons de estrondos e pancadas. Os pais de Emery correram para o quarto, mas nada que fizessem conseguia abrir a porta.

Os gritos dele se tornaram mais altos e aterrorizantes, acompanhados por ruídos guturais sobrenaturais, como se uma fera selvagem estivesse lá dentro com ele. Depois de vários minutos tentando arrombar a porta, tudo ficou subitamente em silêncio. Só o gemido baixo de Scott podia ser ouvido quando a porta se abriu de novo. Ele tava deitado em posição fetal, se balançando de frente para trás enquanto repetia: me desculpe, me desculpe, me desculpe.

Scott jamais falaria sobre o que aconteceu naquele quarto, mas mais tarde confessou ter abusado sexualmente de Emily desde que ela tinha 5 anos. Ele havia ameaçado para que ficasse calada e Emily se tornou retraída como resultado. Ele foi preso e encarcerado por seus condenáveis. No dia em que ele foi condenado, os pais da Emily abriram a caixa de cartas para relembrar do que o Scott havia privado eles. Foi então que perceberam que todas as cartas escritas com tinta vermelha haviam sido arrancadas da mesma folha de papel.

Tio Scott, homem mau, no meu quarto, atrás de portas fechadas, ele vai sofrer. Já se passaram vários meses desde aquele dia e nenhum outro bilhete surgiu. Os pais da Emily encontraram certo conforto e conseguiram algum desfecho para sua dor. Até alguns dias atrás, quando encontraram um novo bilhete sob um tapete escrito com tinta vermelha. O último bilhete dizia: Até logo. Bom, pessoal, esse foi o fim da história. Quero muito saber qual delas vocês gostaram mais, se vocês se interessaram.

Eu achei bem interessante, tô gostando bastante dessa série. É, no próximo episódio a gente continua com mais histórias. Então comentem aí e até a próxima!