Creepypasta: Gurgles e Bugman
Narração completa da creepypasta disponível em https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/othwh/gurgles_bugman/
- O programa Gurgles and BugmanGurgles · Bugman · Pegadinhas · Assassinato
- Morte de DerekDerek Jeter · Assassinato · Gurgles and Bugmen Show
- Narração de CreepypastaGurgles · Bugman · Infância · Programas de TV Classicos
Bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta. O episódio de hoje é mais uma historinha de continuação da história que a gente leu na semana passada. Não é 100% relacionado, tá, gente? Quem não ouviu o episódio da semana passada pode ouvir esse, que não vai ter muita coisa aí que vocês precisam saber, tá? É basicamente uma pessoa nessa Creepypasta que conta várias histórias que ela já passou. Então não é relacionada, mas se vocês quiserem, vocês podem ouvir o último episódio também.
Tá? Então, sem mais enrolação, bora pra história de hoje. Depois da minha última experiência, os meus pais me lembraram de outra história da minha infância. Quando se tem 5 anos, a mente ainda não tem experiência suficiente pra fazer julgamentos fundamentados ou conectar coisas que não são óbvias. Com o passar dos anos, os detalhes se tornaram imprecisos e acabam esquecidos. Conversando com os meus pais outro dia, eles removeram as teias de aranha que encobriam essa história.
Agora eu me lembro com clareza até demais da história de Gurgles e Bugman. Eu tinha acabado de entrar no jardim de infância naquele ano. Todo mundo é amigo quando se tem 5 anos, então não me faltavam colegas de classe. Mas como eu vinha de uma família pobre, eu não convivia muito com eles fora da escola. Meus pais passavam todo o tempo em que estavam acordados tentando fazer o dinheiro render e não tinham tempo para me levar de uma casa a outra.
Por isso, eu passei os meus primeiros anos principalmente na minha própria companhia, brincando com uma variedade aleatória de bugigangas que ficavam na prateleira do meu quarto. A falta de dinheiro fez com que a minha família tivesse o hábito de acumular coisas. Eles detestavam jogar qualquer coisa fora. Um item específico naquela prateleira era um aparelho de TV pequeno e antigo. Era uma caixa com acabamentos em madeira, medindo cerca de 60 centímetros de largura por 30 de altura.
Com uma tela de vidro curva que ocupava metade do painel frontal. Ao lado da tela havia um grande botão cromado usado para mudar de canal. No topo ficava uma antena formada por dois fios terrivelmente retorcidos. Quando o Tadinho me levava a ligá-lo, geralmente eu só via chiado e chuvisco naquela tela brilhante em preto e branco. Eu girava o botão pesado, que fazia um estalo a cada movimento, na esperança de captar alguma transmissão local.
Na maioria das vezes, o que apareciam eram imagens fantasmagóricas e fragmentos de som desconexos. Mas um canal tava sempre com a imagem cristalina. Era o Gurgles and Bugman Show. Gurgles era um palhaço, mas não um palhaço comum. Ele vestia um terno preto fino que caía sobre o seu corpo alto e magro, acompanhado de uma gravata combinando e sapatos de palhaço enormes e caricatos, completando o seu visual peculiar. Suas pupilas eram totalmente negras, como bolas de gude de ébano polido, sem nenhum traço de branco ao redor.
A pintura preta ao redor dos olhos, cobrindo também as bochechas e a boca, dava-lhe a aparência de um esqueleto maníaco e sorridente. Apenas a cabeleira rebelde e cacheada que brotava nas laterais da sua cabeça lhe conferiam um aspecto mais humano. Por mais que Gurgles me deixasse inquieto, Bugman me assustava ainda mais. Ele era baixo e rechonchudo, como um anão corcunda. E usava uma capa escura. Tinha próteses cobrindo os olhos, pra parecer uma mosca.
E uma boca que ficava posicionada a 90 graus, abrindo-se de um lado pro outro. O programa em si tinha pegadinhas feitas com pessoas que não suspeitavam de nada. Começava sempre com Gurgles e Bugman escondidos na casa de alguém. Gurgles virava-se pra câmera, encarando você, com o dedo ossudo tocando os lábios. Quando a estrela desprevenida do programa aparecia em cena, uma trilha sonora de risadas começava a tocar. Você os via cumprindo suas rotinas noturnas, alheios à conspiração na qual Gurgles e Bugman haviam nos envolvido.
Nós os víamos preparando o jantar, ou na sala assistindo à TV com a família, ou fazendo a lição de casa em silêncio. Depois, observávamos Gurgles e Bugman roubarem a caneta deles, mudarem o copo de lugar ou fazerem coisas desaparecerem pelas costas deles. Os ângulos da câmera mudavam à medida que eles trocavam de esconderijo, indo dos cantos escuros do cômodo pros armários, pro teto ou pra baixo dos móveis, sempre olhando pra você e piscando o olho.
Quanto mais perto chegavam, mais alto soavam as risadas da trilha sonora. Quando todos finalmente iam dormir, uma vítima era escolhida pra pegadinha deles. Esperando no armário ou debaixo da cama, assim que a vítima adormecia, Bugman saía rastejando e subia delicadamente na cama ao lado dela. Sua mandíbula se abria de forma lenta, revelando um canudo afiado dado que ele espetava no pescoço da pessoa. Isso sempre paralisava a vítima, porque às vezes era possível vê-la se debatendo caso acordasse e visse os dois em cima dela.
A trilha sonora de risadas ficava ainda mais alta e estrondosa naquelas poucas vezes em que as vítimas despertavam. Gurgles fazia caretas para câmera enquanto a plateia ria, e Bugman usava o seu canudo para sugar o pescoço da pessoa. Quando a vítima parava de se debater depois de alguns minutos, as risadas davam lugar a aplausos e gritos de euforia. Assim que Bugman terminava, o rosto de Gurgles preenchia toda a tela com o seu sorriso impossivelmente largo e cheio de dentes afiados.
Então ele sussurrava: a gente se vê em breve. A maneira como aqueles olhos totalmente negros pareciam atravessar a tela sempre me dava arrepios. Eu odiava o programa, mas eu morria de medo de chegar perto da TV enquanto ele tava passando. Um dia, a TV desapareceu misteriosamente do meu quarto. Meus pais disseram a mim eu tinha 5 anos na época, que haviam vendido pra pagar algumas contas. Eu aceitei a explicação sem questionar.
Na verdade, eu fiquei até aliviado por ela ter sumido. Mas ontem, quando eu voltei a perguntar a eles sobre aquela televisão, eles trocaram olhares nervosos e então preencheram algumas lacunas da minha infância. Na metade daquele ano, o Derek, um colega de turma que eu não conhecia muito bem, tinha morrido em circunstâncias horríveis. Ele foi assassinado em sua cama, vítima de uma facada no pescoço. Nunca encontraram vestígios de invasão.
Por isso, os seus pais, devastados, foram detidos como principais suspeitos. Eles negaram todas as acusações. Na época em que a senhora Nolan, a minha professora, contou o ocorrido à turma, eu aparentemente disse pra ela que o Derek não poderia estar morto. Pois eu tinha o visto junto com a sua família no programa Gurgles and Bugmen, no dia anterior. Quando a senhora Nolan comentou com os meus pais o que eu tinha dito, Eles imediatamente tiraram a televisão do meu quarto, levaram-na a um ferro velho e fizeram com que fosse queimada até restar apenas cinzas e metal derretido.
Aquela televisão ficava no meu quarto porque sempre esteve quebrada. Ela nunca foi ligada à tomada durante todo o tempo em que permaneceu na minha prateleira. O que quer que eu tenha visto naquela tela, não vinha de nenhuma emissora. Essa é, então, a minha história sobre Gurgles and Bugmen. Mas eu não tenho certeza se esse é realmente o fim. Afinal, será que Gurgles e Bugman ainda apresentam o seu show noturno para algum espectador desavisado em algum lugar do mundo?
E se sim, quem será a próxima estrela? Olha, gente, confesso que achei bem interessante essa história, tá? O plot do garotinho tá assistindo desenho, vê um crime acontecendo na tela da TV dele, e depois descobrir que aquela televisão nunca nem tinha sido ligada na tomada. Imagina você ser o pai desse garoto ouvindo essa informação. E o pior de tudo é que ele tava certo, né? Essas pessoas desapareceram no dia seguinte. Meu Deus, loucura demais!
Achei bem interessante. Quero muito continuar lendo essas histórias e quero saber a opinião de vocês, se vocês estão gostando também. Então comentem aí e até o próximo episódio!