Episódios de Assustador, Bizarro e Misterioso

O jogo das 11 milhas

20 de maio de 202614min
0:00 / 14:14

Tradução e narração da creepypasta "The 11 mile game", disponível em https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/ekkw88/i_think_my_friend_played_the_11_miles_game_and_i/

Participantes neste episódio2
L

Lily

Host
A

Amy

Convidado
Assuntos4
  • O Jogo das 11 MilhasRegras do jogo · Alex · Neville Sim · Peter
  • Desaparecimento de AnaBusca por Alex · Amy · Lily
  • Maternidade como missãoSuplementos para gestantes
  • Cajado Filho· PoliticaChocolates em barra
Transcrição38 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Meu desejo é parar de achar que existe um jeito certo de ser mãe. A gente entende que cada gestação é única e que cada fase pede cuidados diferentes. Por isso, Nestlé Materna desenvolveu uma linha completa de suplementos para acompanhar você em toda a jornada da maternidade. Desde o apoio à fertilidade para mulheres que estão planejando a gestação até linhas exclusivas com vitaminas e minerais para cuidados na gestação e no perpério. Nestlé Materna, com você, do seu jeito.

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Bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta. A Creepypasta de hoje é uma Creepypasta que se chama O Jogo das Onze Milhas. Na verdade, essa Creepypasta, esse jogo é uma Creepypasta em si, né? E aí existem diversas histórias, diversas Creepypastas, né? De pessoas que teriam jogado esse jogo e aí contam a experiência. E aí eu separei uma delas pra vocês.

Hoje eu vou ler pra vocês a parte 1, mas a Creepypasta tem 3 partes, e aí se vocês gostarem, na próxima semana a gente faz a 2 e a 3 juntas, tá bom? Então, sem mais enrolação, bora pra Creepypasta de hoje.

Eu acho que meu amigo jogou o jogo das 11 milhas e eu não sei como trazê-lo de volta. Meu celular apitou de novo e de novo, vibrando quase violentamente no meu bolso. Sem olhar pra ele, eu apertei o botão na lateral do celular pra colocá-lo no silencioso. Continuei, explicando como funcionava a avaliação de documentação pros novatos que tinham sido deixados comigo naquela manhã pelo RH.

O grupo parecia interessado no que eu estava dizendo e riu quando eu recontei uma história sobre um cliente dizendo que usava suas economias no pulso e sobre a foto que ele ia me mandar do relógio para provar que tinha dinheiro. Então, de uma vez só, alguma coisa estava errada. A parte de trás do meu pescoço ficou subitamente encharcada de suor frio e as minhas palmas começaram a formigar. Soltei uma respiração trêmula e uma das pessoas do grupo perguntou se eu estava bem. Eu a senti e então ouvi uma batida na porta da sala de reuniões.

Uma das gerentes do andar entrou. O rosto dela parecia severo e eu senti o meu estômago começar a revirar. Pessoal, eu preciso levar a Lili pra falar de uma coisa. Vocês podem fazer uma pausa lá embaixo na cozinha? Eu vou chamar vocês quando terminarmos pra vocês finalizarem a integração. Todos a sentiram e foram saindo da sala de reuniões, felizes por terem uma pausa tão cedo no primeiro dia. Amy, o que tá acontecendo? Ela mordeu o lábio e se sentou, fazendo um gesto pra que eu fizesse o mesmo.

Eu obedeci. Meus joelhos pareciam que iam ceder por causa da expectativa do que quer que ela tivesse para dizer. Houve um silêncio e naquele silêncio eu tenho quase certeza de que o meu batimento cardíaco era audível. Amy e eu éramos amigas, muito boas amigas, e eu conseguia perceber que alguma coisa estava muito errada. Os olhos dela estavam marejados e ela continuava mexendo no anel que estava usando. Lily, aconteceu uma coisa e talvez você precise ir para casa.

Senti meus olhos se estreitarem pra ela. Ir pra casa? Eu era a única gerente de treinamento que o escritório tinha. Não havia a menor chance de me autorizarem pra ir pra casa. A menos que... Quem morreu? Eu perguntei com uma risada fraca. Eu... Eu não acho que eu posso responder isso agora, mas... A Amy se aproximou de mim, agora que se sentando bem ao meu lado. Ela colocou a mão sobre uma das minhas. Alex tá desaparecido.

Um dos amigos dele me encontrou no Facebook e me mandou mensagem. Ninguém tem notícias dele há cinco dias. Os pais dele queriam seu número. Queriam falar com você, ver se você sabia de alguma coisa. Minha reação a isso foi me mover até a pequena lixeira que tínhamos no canto e vomitar. Amy esfregou as minhas costas enquanto eu chorava e tinha ânsias secas pelo que parecia uma eternidade. O resto do dia foi um borrão. Amy me levou pra casa e eu fiquei sentada no meu sofá, encolhida como uma bola, coberta por cobertores.

Eu não percebi quanto tempo eu tinha ficado ali, sentindo pena de mim mesma, até ouvir a minha porta da frente abrir. Meu cachorro mal reagiu, preferindo enfiar o focinho molhado no meu rosto. Lili, você tá bem?

Eu me sentei e a Amy olhou pra mim com preocupação. Você comeu? Não. Amy acariciou o lado do meu rosto por um momento. Bom, deixa eu preparar alguma coisa pra você e talvez você possa tomar um banho. Eu a senti e caminhei até o banheiro, fechando a porta atrás de mim. Observei a banheira encher com água quente, me sentindo entorpecida. Alex não podia estar desaparecido. Eu ia tomar um banho quente, saí e vi a Amy fazendo carinho no meu cachorro e explicando que tudo era uma pegadinha elaborada. Sim, seria isso.

Tudo ia ficar bem. Entrei na água, esperando que o calor escaldante lavasse o dia embora. Me inclinei por cima da banheira para pescar o meu celular do bolso da calça jeans. Encarei a tela com as incontáveis notificações. Os amigos de Alex estavam desesperados tentando entrar em contato comigo o dia todo.

Por que eu saberia onde ele estava? Eles não sabiam? Alex era o meu melhor amigo, mas nos últimos quatro meses ele não tinha falado comigo. Aparentemente, algumas garotas realmente não deixam seus namorados terem amizades próximas com mulheres. Rolei por todas as mensagens no meu celular. No começo, todos acharam que Alex estava em uma viagem de pesca ou acampamento.

Depois, o colega de quarto dele entrou escondido no quarto para roubar um pouco do estoque de maconha mal escondido dele e percebeu que todas as coisas dele estavam lá. Cada vara de pesca, mochila e equipamento de acampamento estava em seu lugar habitual, intocado e acumulando poeira. Rolei pelas notificações do meu celular, vendo as inúmeras mensagens do amigo do Alex, o Peter, algumas do irmão dele, mas apenas uma mensagem se destacou. Uma mensagem de um nome que eu não reconhecia.

Neville Sim. Cliquei na mensagem do Facebook e senti a confusão borbulhar no meu estômago. Ele jogou um jogo e perdeu. Mas acho que podemos trazê-lo de volta. Me ligue, hein? Censurado. Um jogo? Que jogo, porra? Eu má conseguia vencer o Alex no maldito Mario Kart? Que jogo ele poderia ter perdido?

Ouvi a Amy cantarolando pela minha cozinha e por um momento eu considerei pedir que ela ligasse para o número comigo, mas então eu me lembrei de que a Amy era um ser humano racional. Mesmo no estado em que eu estava, eu ainda fiquei um pouco surpresa por ela não ter me dado bronca por eu deixar a porta da frente destrancada para ela simplesmente entrar. Eu ligar para um número estranho para conseguir informações sobre o Alex...

Não. Ela provavelmente, com toda razão, me diria pra não fazer isso. Porque era uma coisa insana de se fazer. Respirei fundo e liguei pro número. No terceiro toque, a ligação foi atendida e uma voz desencarnada começou a falar comigo. Ela tinha um sotaque arranhado insuportável, como se o dono da voz tivesse acabado de fumar 20 cigarros seguidos e depois corrido uma maratona. E era ambígua o suficiente pra que eu não conseguisse ter certeza se era um homem ou uma mulher. Lily, a voz coaxou.

Neville, a minha voz soou pequena enquanto eu falava e eu puxei os meus joelhos contra o peito. A água na banheira, de repente, parecia gelo na minha pele. Eu posso te dar uma pista, mas eu tenho algumas regras. Regras? Um estalo como estática explodiu no meu ouvido e então a voz falou de novo. Não conta pra ninguém. Ele pode não conseguir voltar se você contar. Que tipo de piada doentia é essa? Eu disparei.

É mais ou menos tão engraçada quanto fazer um encontro no porta-malas de um carro e usar a jaqueta dele. Eu congelei. Como a avó sabia? Ou talvez seja tão engraçado quanto segurar a mão dele para se equilibrar enquanto andava em uma praia. Minha garganta ficou seca. Quem quer que fosse, sabia coisas que Alex e eu certamente tínhamos mantido em segredo. Ok, vamos lá. Responda essa pergunta e eu direi onde encontrar sua segunda pista. Você nem me deu a primeira pista.

A voz riu. E era um guincho agudo. Eu me encolhi. Se você acertar a resposta, terá a primeira pista. Me manda a resposta por mensagem. Só uma tentativa. 24 horas. Ok. Então vai em frente. Meu nome é o jogo. A linha caiu e eu ouvi a Amy me dizendo pra me apressar, porra.

Joguei meu celular sobre as roupas que eu tinha deixado empilhadas no chão e terminei o meu banho. Quando eu saí, seca e em volta em um roupão, a Amy estava parada sorrindo com uma tigela de macarrão com atum na mão. Eu assenti e peguei a tigela. Sentamos na minha sala de estar e comemos em silêncio. O trabalho disse que entende se você precisar de um tempo afastada e que você ainda tem uma porrada de dias pessoais para tirar. Então é só avisar a gente quando puder. Obrigada, Amy.

Então, você teve notícias dele ou respondeu os amigos dele? Eles me disseram que tentaram falar com você. Eu balancei a cabeça. Ainda não tô pronta pra isso. Tô tentando entender. Alex não simplesmente fugiria. Pelo menos não sem me contar. Escuta, eu tenho que ir. Mas você vai ficar bem? Porque eu posso ir pegar algumas coisas e dormir aqui.

Não se preocupa, eu meio que quero ficar sozinha. Quem me assentiu, apertou a minha mão e foi embora. Assim que eu ouvi a porta fechar, eu puxei o meu celular, encarando o perfil do Neville que tinha mandado a mensagem. Ele não tinha publicações. A foto de perfil dele era de uma estrada e... A foto de perfil dele era de uma estrada. Subi as escadas, o celular ainda preso na minha mão, e puxei o meu MacBook debaixo do travesseiro e meu diário do topo da cômoda. Folhei até a próxima página vazia e escrevi o nome.

Depois reorganizei as letras. 11 milhas. Pesquisei no Google e a barra de busca se iluminou com resultados. Todos os posts detalhavam as regras do jogo. Um jogo sobre o qual eu me lembrava de ter conversado com Alex durante uma das nossas viagens de carro, antes tão regulares. Lily, isso parece ainda mais falso do que aquela coisa do elevador que você me contou. Alex, esse aqui talvez seja real pra caralho. Ele soltou uma baforada de fumaça pela boca em resposta e balançou a cabeça.

Olha, com todos esses outros rituais fajutos, existem tipo um milhão de histórias com experiências. Não existe nada sobre o jogo das 11 milhas. Mas não fazia sentido. Alex sempre zombava de mim por acreditar em coisas paranormais e revirava os olhos sempre que eu me empolgava com um lançamento novo de terror. Eu respirei fundo enquanto pesquisava as regras no Google e mandava mensagem pra Neville. Eu. 11 milhas.

Meu celular vibrou imediatamente. Bingo! Arruma uma bolsa grande. O local vai chegar pra você. Coloquei meu celular de lado e li as regras. Um veículo. Carro é a escolha mais comum. Um desejo barra um pedido. Deve ser realizado à noite, em uma estrada pouco movimentada. Dirija até a floresta. A estrada que você pegar deve passar por ela. Enquanto dirige, entre na floresta. Olhe com atenção. Seu desejo vai guiar você.

Você saberá qual é a estrada quando ela aparecer. Assim que souber que encontrou a estrada, entre nela. Agora é hora de entender a importância das milhas. Faça uma pausa agora se precisar. Essa é a última chance que você tem. Milha 1. Dirija. Vai começar a ficar frio. Talvez você devesse ligar o aquecedor. Milha 2. Dirija. Agora você deve ligar o aquecedor.

Se não ligar, vai se arrepender. Milha 3. Dirija. Aquelas sombras podem parecer humanas, mas ignore-as. Não é o que parece. Milha 4. Dirija. As vozes não são humanas. Ignore-as. Milha 5. Dirija. Ignore as árvores desaparecendo. Aquele lago e o brilho da lua. Ignore tudo. Não é o que parece. Milha 6.

Dirija. As árvores voltaram, mas as estrelas sumiram. Seus faróis começaram a piscar. Ignore. O rádio ligou agora, mas ignore. Não desligue, não é o que parece.

Milha 7. Dirija. As vozes voltaram. Elas soam mais próximas agora. Não se vire. Não olhe para o banco de trás. Não é o que parece. Milha 8. Dirija. Diminua a velocidade, mas não pare. Seus faróis podem piscar. Se piscarem, você pode frear, mas não pare. Não importa o quanto fique frio, não importa quem ou o que você veja. Não pare. Não é o que parece.

Milha 9, dirija. Seu veículo pode morrer, feche os olhos. Tente dar a partida de novo, mas não abra os olhos. O que quer que você ache que ouve, não abra os olhos. Quando o veículo ligar de novo, dirija o mais rápido que puder. Quando a milha acabar, abra os olhos.

Mas lembre-se, não é o que parece. Milha 10. Dirija. Não olhe no retrovisor. Milha 11. Dirija. Seu veículo pode perder energia, mas ainda vai se mover. Deixe. Se você vir uma luz vermelha à frente, feche os olhos. Feche-os com força. Cubra os ouvidos se conseguir. Não abra os olhos, não escute, cubra os ouvidos.

Não importa o que você ouvir, não importa o que você sentir, não importa o quão quente fique, não olhe. Quando o seu veículo recuperar a energia, abra os olhos. Respire e dirija. Eu acendi um cigarro, sentindo o estresse se acumular.

Isso não era real. Não podia ser. Não fazia sentido nenhum. Outra mensagem do Neville. Tudo que você precisa fazer é jogar o mesmo jogo. Ganhar um jogo não é tão difícil. Bom, pro Alex foi. Olhei de volta pra tela. Tinha ainda mais informações, ainda mais regras. Agora dirija até a estrada acabar. Pare, feche os olhos. Qual é o desejo? Qual é o seu pedido? Imagine se possuindo. Mesmo que ele tenha mudado durante a jornada. Abra os olhos.

Se você queria um objeto, verifique o porta-malas. Se era algo não material, volte para a sua vida. Seja paciente, vai estar lá. Agora você pode se encontrar no começo da estrada. Pode começar de novo ou ir para casa. Durante sua jornada, não ligue o rádio, não use o celular, não abra janelas, não dirija a mais de 30 milhas por hora. Não saia do carro. Mantenha os olhos na estrada.

O Neville disse que eu podia escolher uma regra para quebrar, mas precisava ser agora. E eu disse que eu queria poder usar o meu celular. Ele disse que com a condição de que eu não ligasse pedindo ajuda, tudo bem. Mas se eu ligasse, haveriam consequências. Então agora eu estou com uma bolsa pronta, minha irmã a caminho para cuidar da casa. Infelizmente ela nunca foi de questionar o meu comportamento errático. E o meu GPS pronto para uma jornada de 11 milhas. Eu estou indo te buscar, Alex. Estou indo te buscar. Só aguenta firme por mim.

Bom, pessoal, esse foi o fim da primeira parte. Eu tô gostando bastante, eu acho que vocês vão gostar também. Então, quero ouvir os comentários de vocês. E aí, a gente continua na próxima semana. Até a próxima!

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