Episódios de Assustador, Bizarro e Misterioso

Uma peculiar espécie de loucura

13 de maio de 202621min
0:00 / 21:12

Narração completa da creepypasta "A peculiar kind of madness", disponível em https://www.creepypasta.com/peculiar-kind-madness/

Participantes neste episódio1
L

Lily

Host
Assuntos3
  • Creepypasta e lendas da internetHistória da bisavó órfã · O sino no campo · Desaparecimento dos irmãos e pais · A criatura com o sino
  • Nestlé Materna· NegociosSuplementos para maternidade
  • Jogos da LBFEnergia para jogar · Ana Castelli e Pedro Sampaio
Transcrição60 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Bem-vindos a mais um episódio de Creepypasta! Meu Deus, que saudade de falar isso, né? Ficaram umas semaninhas aí sem Creepypasta, me perdoem por isso, mas hoje voltamos com tudo. Mandem sugestões de Creepypasta, inclusive, nos comentários. A Creepy de hoje se chama Uma Peculiar Espécie de Loucura. Então, sem mais enrolação, bora pra história de hoje.

Meu desejo é parar de achar que existe um jeito certo de ser mãe. A gente entende que cada gestação é única e que cada fase pede cuidados diferentes. Por isso, Nestlé Materna desenvolveu uma linha completa de suplementos para acompanhar você em toda a jornada da maternidade. Desde o apoio à fertilidade para mulheres que estão planejando a gestação até linhas exclusivas com vitaminas e minerais para cuidados na gestação e no perpério. Nestlé Materna, com você, do seu jeito.

Pronto pra sentir a energia de Nescau? Então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio, o maior feat do ano. Chama a galera e dá o play, que eu quero ver você jogar. E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau, energia que dá jogo.

Eu sempre soube que a minha bisavó era órfã, mas no final de outubro do ano passado, ela decidiu me contar a verdade sobre o que aconteceu com a sua família. Estávamos visitando-a para o seu aniversário. Era uma tradição em nossa casa, uma viagem de carro que sabíamos, lá no fundo, que faríamos apenas mais algumas vezes. Ela estava completando 98 anos, então essa era a dura realidade. Na minha infância, a viagem até o centro de Iowa tinha sido uma experiência divertida e desconstruída.

Mas agora o meu irmão e meus pais só conseguiam manter uma polidez forçada enquanto nos encontrávamos e pegávamos a estrada juntos. Cada um de nós sabia que essa viagem poderia ser a última. Por várias horas, dirigimos por vastos campos abertos que se estendiam de horizonte a horizonte.

A casa da minha bisavó ficava no final de uma estreita estrada de terra, que saía de uma estrada de terra mais larga, que por sua vez saía de uma estrada de cascalho para tratores. Como um garoto da cidade, era mais ou menos a moradia mais remota que eu poderia imaginar. Ela nasceu ali, viveu ali a vida inteira e logo...

Bem, enquanto estacionávamos num retângulo lamacento e saíamos para esticar as pernas, a constância do lugar me envolveu. Todos os anos da minha vida, aquela casa e aquele terreno tinham sido exatamente os mesmos. O céu era um azul profundo, a terra um mar de ouro ondulante e o vento um rio suave de frescor e calor. Nunca houve nada que perturbasse esses três pilares da experiência sensorial, exceto a casa, o celeiro, um velho trator abandonado e o sino.

O sino era uma coisa simples, erguido no alto de um velho suporte de metal. Ficava no campo, a uns 400 metros da casa, servindo como indicador da intensidade do vento. Se uma tempestade se aproximasse, o sino deveria tocar, uma precaução necessária em uma região propensa a tornados.

O único problema era que o sino e o suporte estavam enferrujados há muito tempo. Todas as vezes que eu saí da van da família, dos 5 aos 26 anos, eu olhava naquela direção e senti um certo desconforto ao contemplar aquele artefato deteriorado. Dessa vez, aos 27 anos, eu olhei e vi que o sino havia sido raspado e polido, livre de ferrugem.

Brilhava a luz do sol, praticamente me desafiando a olhá-lo. Segui minha família pra dentro de casa, lutando contra uma sensação de pavor que eu não conseguia articular. Quem havia limpado o sino? E por quê? Tentei parar de pensar nisso enquanto nos reunimos na cozinha e nos cumprimentávamos.

Minha bisavó estava fazendo chá e dispensou nossas tentativas de ajudar. Ela era uma mulher frágil. Para quem se movimentar era difícil, mas isso nunca a impediu. A senha do wi-fi está num bilhete na sala de estar. Ela falou com uma autoridade inquestionável. Podem olhar para os seus celulares e o chá vai estar pronto num instante.

Meu irmão e eu fizemos o que nos mandaram, mas meus pais ligaram a televisão ao invés de mexerem nos celulares. Por alguns minutos, ficamos em nossos mundos separados, só voltando ao presente quando a minha bisavó trouxe o chá. E a gente se divertiu bastante.

Naquela noite, quando todos já estavam dormindo há muito tempo, por acaso eu abri os olhos e vi um brilho embaixo da porta do quarto de hóspedes que eu dividia com meu irmão. Meus pais estavam em outro quarto e não veriam a mesma luz, então coube a mim investigar. De forma silenciosa, para não acordá-lo, eu saí de fininho e desci, encontrando a minha bisavó ainda acordada. Ela estava sentada em sua grande poltrona de couro verde Jade, com um olhar fixo na televisão. Sem olhar para mim, ela me perguntou, Você não cai nessas coisas, né?

O quê? Tipo propaganda? Ela apontou o bracinho fino para o sofá próximo. Sente-se. Eu me sentei. Eu vou te contar um segredo de família. Ela disse suavemente, olhando na minha direção.

É pra você e talvez pro seu irmão, mas não pros seus pais, entendeu? Eu não entendi completamente, mas eu assenti. Você sabe que eu fui órfã por um tempo. Nasci nessa casa, morei com a minha família, mas depois fui criada por um tio depois que tudo aconteceu. Ela não esperou o meu aceno de cabeça.

Eu tinha 10 anos naquela noite. Era meu aniversário. Minha mãe me dava um bolinho, do tamanho de um punho. Eu esperava ansiosamente por aquele bolo todos os anos, já que não tínhamos muitos doces por perto naquela época. Custava 11 centavos, então era bem caro. Mas a minha mãe comprava um pra cada um de nós no aniversário. Não importava o quanto ela tivesse que economizar.

Durante o ano, eu vi Mary ganhar o bolo dela em janeiro, Arthur em março, Eleanor em junho, Clarence em julho e Ruth uma semana depois de Clarence. Depois, eram meses e meses até chegar a minha vez, a única diferente no dia 29 de outubro. Eu tava tão animada pra aquele bolo. Conforme os dias se aproximavam, conforme a manhã despontava, conforme as horas passavam lentamente, eu pulava pela casa como um coelhinho.

Mas eu não podia comê-lo antes do jantar. Eu olhei fixamente pro relógio, então eu sei. Sim, aquele ali na lareira, o de latão e cromo. O mesmo. Mas eu fiquei olhando pro relógio, então eu sei. A noite caiu às 6h41. Foi nesse momento que o brilho laranja intenso parou de cintilar no relógio e a minha mãe se levantou pra acender uma lamparina. Olhei pra ela.

Agora, ela sorriu e balançou a cabeça. Meus irmãos e irmãs reclamaram em coro, me apoiando, mas ela apenas balançou a cabeça para eles. Muito cedo, e ela vai estragar o jantar. Papai voltou do campo pouco depois, sujo e exausto.

Ele comeu em silêncio enquanto nós conversávamos sem parar sobre que tipo de bolo seria. Debaixo da cobertura, quem sabia? Podia ser de framboesa, baunilha ou até mesmo chocolate. Ficamos em silêncio quando o papai se aproximou do final do prato, um evento que marcaria o fim do jantar. Restavam quatro pedaços de carne e pão, depois três, depois dois. A qualquer momento, ele parou no último pedaço.

segurando o imóvel sobre a porção restante do molho. Viramos a cabeça. Era o sino. O sino estava tocando nos campos. Papai grunhou, depois colocou o último pedaço de comida de volta no prato antes de se levantar. Abriu a porta da frente. Nos preparamos para o vento, mas ele não veio. Cuspiu e ergueu um dedo para o ar da noite. Depois balançou a cabeça. Voltou para a luz do nosso candeiro e se sentou. Arthur perguntou, Vai chover?

Mary perguntou, vai ter um tornado? Minha mãe balançou a cabeça, sorriu para nós e disse para não nos preocuparmos. Sem vento, sem tempestade. Mas aquele sino continuou tocando. Meu pai mergulhou o último pedaço de comida no molho e se preparou para comê-lo, apesar do toque incessante da campainha. Mas então suspirou e o colocou de volta na mesa.

Fez um gesto para Clarence. Clarence era o mais velho, então entendeu. Ele já era quase um homem, e amarrar a campainha não seria problema. Pegou uma vela, protegeu a chama com a mão e saiu pela porta da frente, que estava aberta. Meus irmãos, minhas irmãs e eu nos amontoamos na janela. Ao abri-la, não encontramos nada além do ar frio e absolutamente imóvel. Observamos seu pequeno ponto de luz se mover ao redor da casa e em direção aos campos, na direção do sino.

O som metálico e estridente finalmente parou, e a pequena chama da vela pairou ao lado dele por um minuto inteiro. — Por que ele está demorando tanto para amarrar? — perguntou a Ruth. Eleanor sugeriu. — Talvez ele esteja com dificuldade para fazer um nó. Nó são difíceis. Observamos por mais um ou dois minutos antes que, e eu sei como isso soa, a pequena chama à distância começasse a subir.

Lentamente, suavemente, em linha reta, acompanhamos com os olhos, exclamando o tempo todo, enquanto ela desaparecia de vista além da beirada do telhado. O sino começou a tocar de novo. O nó dele deve ter se soltado, disse o Arthur. Nossos pais vieram ver, devido a nossa insistência, mas não tinha nada pra ver naquele momento.

Papai fez um gesto para Arthur. De bom grado, Arthur pegou uma lamparina acesa ao invés de uma vela. Ele saiu apressado pela porta da frente, contornou a casa e entrou no campo enquanto nós observávamos pela janela. A lamparina era mais fácil de ver, e tínhamos certeza absoluta de que ele havia alcançado a curva. Enquanto a luz da lamparina pairava ali, o sino parou de tocar.

Naquele momento, não tínhamos motivo para suspeitar de nada. Talvez o vento tivesse levado um pedacinho da vela acesa para o céu e Clarence tivesse se perdido na escuridão. Ele veria a luz da lamparina, encontraria Arthur e ambos voltariam. A pequena chama que tínhamos visto foi apenas um acaso. O problema era que, olhando para a noite de outono, ainda não sentimos vento algum. Ficamos olhando para aquela luz imóvel por um tempo estranhamente longo.

O que ele estava fazendo lá fora? Estava chamando o irmão? Por que não conseguíamos ouvi-lo, se era isso? Nossos pais desviaram o olhar por um instante, e nesse mesmo instante, a lamparina se apagou. Nós, as crianças, choramingamos, mas quando eles olharam de volta, não havia nada para ver.

Só a escuridão. O sino começou a tocar de novo. Meu pai começou a resmungar, mas não tinha mais filhos pra mandar pra fora. Ele estreitou os olhos, pensativo, e então entregou a lamparina principal pra Ruth, a filha mais velha entre nós. Nossa mãe riu. Ruth, seja um amor e vai procurar seus irmãos bobinhos.

Ruth hesitou um pouco, mas aceitou a lâmpada. Deixando-nos no escuro sem ela, ela saiu pela casa e foi para o campo. Essa lâmpada era a mais brilhante. Conseguíamos vê-la carregando a mão e seu pijama branco em uma pequena auréola iluminada. No caminho, ela chamava de vez em quando.

Clarence, Arthur, vocês dois estão perdidos? Mais ou menos na metade do caminho, onde as outras duas lâmpadas tinham parado de funcionar, seus chamados cessaram abruptamente no meio da frase. Clarence, Arth... Não era que ela tivesse parado de gritar.

O som que chegava até nós simplesmente havia cessado por completo. Ainda podíamos vê-la carregando a lamparina. Ainda víamos sua mão e o pijama. Ainda víamos virando-se para o lado e para o outro. Ela até ergueu a lamparina perto do rosto e a vimos gritando na escuridão. Só não ouvíamos nada. Nada além daquele sino que tocava incessantemente, cada vez mais rápido e urgente. Mary, Eleanor e eu olhamos para os nossos pais com olhares apreensivos.

Meu pai balançou a cabeça, falando pela primeira vez naquela noite. Então, afinal, há vento lá fora. O ar é como um rio dentro do oceano. Está se movendo rápido lá fora, levando a voz dela embora. Mas não conseguimos senti-lo aqui. Minha mãe pareceu preocupada, mas assentiu e aceitou a explicação. Vimos que ela aceitou, então engolimos em seco e acreditamos também. Todos nós ficamos com os olhos grudados naquela janela aberta.

Ruth alcançou o sino e, sob aquela luz mais forte, ele entrou no nosso campo de visão imóvel exatamente no mesmo instante em que o ouvimos parar de tocar. Ruth olhou para um lado e para o outro, visivelmente preocupada. Pareceu gritar silenciosamente uma ou duas vezes antes de se aproximar do sino imóvel.

Uma corda meio amarrada prendia na forquilha, um indício de que alguém tentara amarrá-la, mas não conseguíamos ver nem Clearance ou Arthur por perto. Ela colocou a lamparia no chão para liberar as mãos e terminar de amarrar a corda, mas isso acabou por esconder a luz entre os talos baixos recém-colhidos. Esperamos, prendendo a respiração. O ar preso nos meus pulmões começou a queimar. Finalmente, fomos obrigados a respirar de novo. A luz de Ruth continuava acesa, mal visível entre as plantas quebradas.

— O que está demorando tanto? — perguntou a Mary. Eleanor disse, — Espero que ela esteja bem. Papai nos disse, — Ela está bem. Essas crianças estão só brincando com a gente. Nossa mãe assentiu em concordância. — Eleanor, vai buscar sua irmã, por favor.

Eleanor balançou a cabeça. De jeito nenhum. É assustador lá fora. É só uma brincadeira. Vocês também não estão brincando com a gente, então? Não. Eleanor engoliu em seco. Então vai buscar os seus irmãos. Diga a eles para voltarem. Estava tudo escuro lá fora. E quase a mesma coisa aqui dentro. Exceto por uma única vela. Tremendo, Eleanor pegou nossa última vela e saiu sorrateiramente para a noite. Deslizando pela lateral da casa para ficar o mais perto possível de nós.

Com a voz trêmula, ela chamou. Ruth? Arthur? Clarence? Isso não tem mais graça. Agora éramos nós que estávamos sentados no escuro. Conforme Eleanor se afastava com a última luz que tínhamos, ficamos tensos. Papai olhou para a porta da frente aberta, e mamãe se moveu suavemente para fechá-la e trancá-la. Eu me perguntei o que eles queriam dizer com aquilo. Porque como os outros iriam voltar? Mas imaginei que eles destrancariam a porta se alguém voltasse e batesse.

Mamãe se afastou de nós em busca de mais velas. Durante todo esse tempo, a campainha continuou tocando na escuridão. Cada vez mais assustada, eu segurei a mão da Mary com força e gritei pela janela. Cuidado, Ellie! Ela deve ter cruzado aquele limiar invisível do silêncio naquele instante, porque se virou surpresa e se aproximou. Eu ouvi sua voz ficar mais baixa, mas não tem vento. O papai tá errado.

Ela se afastou de novo. Veja, quando eu passo por aqui, meu... Ela ergueu a vela para nos mostrar que a sua boca ainda se movia, mas não ouvíamos nada. Pensando bem, seu cabelo não estava se movendo e não tínhamos visto o pijama da Ruth balançando no vento. Eu perguntei ao meu pai.

O que está fazendo isso? O que está deixando tudo tão silencioso lá fora? É só uma brincadeira, insistiu meu pai. Eles estão todos mentindo. Ela está fingindo fazer barulho para parecer que está sendo silenciada. Eleanor alcançou a campainha. O aperto do meu pai no meu ombro ficou quase doloroso.

Ela se abaixou para pegar a lâmpada que a Ruth tinha deixado. Levantando-a com uma mão e segurando a vela com a outra, ela se aproximou do sino que tocava. — Viu? — Mary sussurrou para o pai. — A vela não se apaga, mesmo que ela não esteja protegendo a chama. — Não há vento lá fora.

Mas o sino está tocando, disse ele, ríspido. Então há vento. Eleanor olhava para os lados como se tivesse ouvido algo. Lentamente alcançou o sino, que pendia em imóvel do gancho. Mas ainda podíamos ouvi-lo tocar. Ao meu lado, Mary começou a chorar.

É uma brincadeira, disse o pai, irritado. É só uma brincadeira que eles estão fazendo. Eleanor atirou a lamparina em algo na escuridão. Vimos a lamparina se estilhaçar e se apagar, mas não ouvimos nada. Ela correu na nossa direção, vela na mão, mas a chama se apagou por causa da sua pressa. Esperamos ouvi-la se aproximar ao gritar, mas nada aconteceu. O sino continuou a tocar. Esperamos em silêncio, aterrorizados.

Mamãe voltou com uma vela para cada um de nós e ficamos de vigília na janela. Nada nem ninguém se mexeu. Por horas, o sino tocou sem vento. A noite permaneceu completamente escura. O sino tocava, tocava e tocava, penetrando cada vez mais fundo nos nossos ouvidos a cada minuto que passava. Perto da meia-noite, não aguentamos mais.

Papai estava extremamente agitado. Mary, vai encontrar seus irmãos e irmãs. Não, ela gritou. Eu não vou lá fora. Mamãe a encarou. Você tem que ir. Essa brincadeira tem que parar. Incentivada por ambos, Mary caiu em prantos e saiu pela janela. Segurando a sua pequena vela, ela avançou lentamente pelo campo. Seus soluços cessaram quando ela passou por aquele mesmo ponto na escuridão. Sua chama alcançou o sino e o toque parou.

Sua chama se apagou. Prendemos a respiração. O sino começou a tocar de novo. Papai cerrou os punhos. Vá. Me virei e vi que ele estava me olhando. De repente, eu percebi que eu era a única criança que restava na casa e eu me senti terrivelmente sozinha. Tudo em mim gritava contra a ideia de sair naquela noite maldita.

Não. Minha mãe hesitou. Já não mais tão firme em sua posição, alinhada com meu pai, ela também começou a chorar. O que você está fazendo? Ele perguntou. É só uma brincadeira. Não tem nada para ter medo. Ela gritou e exigiu. Por que você continua dizendo isso? Por que eu estou ajudando você a fazer isso? Ele a agarrou e gritou no seu rosto.

— Porque não estamos mandando nossos filhos para a morte. Não é isso que está acontecendo. Ela empurrou as mãos dele e correu para a janela. Passando por mim, ela caiu para fora e correu gritando em direção à campainha que ainda tocava. Não por medo do pai, mas por terror por seus filhos. — Arthur, Clarence, Ruth, Eleanor, Mary! Pelo amor de Deus, onde vocês estão? Ele rosnou e saltou atrás dela, gritando.

Nós não os matamos, tá tudo bem! Os dois continuaram gritando até passarem por aquele ponto na escuridão. E tudo ficou em silêncio. Exceto pelo sino. Duas vezes ele parou de tocar. E duas vezes mais, começou a tocar de novo. Em pânico e terror inexplicáveis, eu fechei e tranquei a janela e empurrei todos os móveis contra as entradas da casa. Me encolhi num armário, segurando a última vela junto ao rosto enquanto ela derretia lentamente até os meus dedos. Eu tava sozinha.

De alguma forma, eu estava sozinha. Todos nós tínhamos visto o perigo e encarado enquanto acontecia, mas um a um, todos saíram mesmo assim. Eu havia sido cercada por uma família inteira de irmãos a vida toda e agora estava completamente sozinha numa casa no meio do nada.

Pelo comprimento da minha vela, eram três da manhã quando bateram na porta. Tremi, mas não emiti nenhum som. A batida suou de novo, 40 batidas do coração depois. Dessa vez foi mais alta. Eu tremi, segurando a vela com força. A terceira batida foi mais como um estrondo tremendo ou um chute, e eu ouvi a porta se abrir com violência. 60 batidas do coração em silêncio se passaram.

E então o assoalho rangeu. Algo dentro de mim me dizia para apagar a vela, com medo de que fosse vista através das frestas do armário. Mas eu não me atrevi. Não a escuridão. Eu não suportaria a escuridão. Eu gritaria se o fizesse. Então a mantive acesa. Passos lentos e silenciosos percorreram a casa.

Quem quer que fosse, parecia parar e escutar às vezes. Em outras, avançava correndo para um ponto aleatório e um frenesi repentino e parava abruptamente. 400 batidas do coração depois disso, a campainha começou a tocar de novo. Mas dessa vez...

O som veio de dentro da casa. Veio da cozinha. Veio de perto da cama. Veio do lado de fora do meu armário. Um clangor a três metros de distância. Um clangor a um metro e meio de distância. Um clangor bem encostado na porta do armário. E então a porta se abriu. Fiquei sentada, esperando, de boca aberta e olhos arregalados, enquanto esperava minha bisavó continuar. Depois de um tempo, eu percebi que era isso.

Mas o que você viu? Ela balançou a cabeça. Não é essa a questão. Eu tô aqui, então obviamente sobrevivi. E um jovem como você não precisa saber os horrores que rondam esse mundo além das cidades pavimentadas. Engolindo em seco, eu perguntei. Você não tá brincando comigo? Isso realmente aconteceu? Sim. Seu olhar se perdeu na luz da televisão. Mas eis o que eu quero lhe dizer e o que você deve dizer ao seu irmão. A coisa que abriu a porta daquele armário e me encarou da escuridão... E o que você deve dizer ao seu irmão.

A coisa que esperava minha vela se apagar antes do amanhecer tinha um sino amarrado a um dos dentes com um pano ensanguentado, de modo que tilintaria quando a sua boca fosse aberta pra caçar. De alguma forma, algum herói, alguma pobre alma, conseguiu amarrar um sino de alerta naquela coisa antes de morrer. Ouvimos aquele sino a noite toda, e mesmo assim, minha família inteira saiu de lá. Um por um.

Não demos ouvidos porque não queríamos ouvir. Meu pai sabia o que estava fazendo na metade do caminho, mas não queria aceitar o que já tinha feito, então fez algo ainda pior para continuar vivendo na mentira. Eu apertei os olhos. O que você está dizendo? Ela segurou a minha mão por um instante. O medo vai te dizer para apagar a vela, mas a sua cabeça vai te dizer para mantê-la acesa.

Não ceda ao medo. Se você mantiver a vela acesa, vai superar isso. Virei a cabeça e percebi um som à distância. É o sino? Eu estava tão absorto que eu não notei. Há quanto tempo está tocando? Ela apenas cerrou o punho e voltou a atenção para a televisão.

Bom, pessoal, esse foi o fim da Creepypasta. Achei bem interessante. Gostei que tem... Dá pra relacionar com coisas da vida real, né? Quero muito saber o que vocês acharam. Então comentem aí e até a próxima.

Anunciantes2

Nescau

Energia para jogar
external

Nestlé Materna

Linha completa de suplementos para maternidade
external
Uma peculiar espécie de loucura | Castnews Index — Castnews Index