Episódios de Assustador, Bizarro e Misterioso

A vizinha perfeita

12 de maio de 202623min
0:00 / 23:54

Baseado no documentário da Netflix.

Participantes neste episódio1
L

Lily

Host
Assuntos4
  • O caso Susan LorinxSusan Lorinx · Ajiki · Conflito de vizinhança · Acusações de racismo · Agressão com placa
  • Dinâmica do Crime e EvidênciasHomicídio culposo · Negligência culposa · Agressão · Lesão corporal · Susan Lorinx
  • Legislação e JustiçaLei da Flórida · Uso de força letal · Disparidades raciais · Proporcionalidade da defesa
  • Produção de Conteúdo e EdiçãoDocumentários Netflix · Lendas brasileiras · Curta metragem
Transcrição65 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Essa foi a reação exata da Susan quando os policiais falaram pra ela que ela tava presa. Ela se recusou a acreditar, ela disse que ela não ia se levantar da cadeira e que ela preferiria que eles matassem ela do que fizesse com que ela se movesse. O policial ficou tipo, olha, tem pessoas aqui que fizeram coisas horríveis, coisas bem piores do que você, e todas elas andaram com as próprias pernas até a prisão.

Então, se você se levantar, vai ser melhor pra todo mundo. A Susan continuou muito abalada. Ela pegou uma prancheta assim que os policiais deixaram ela sozinha na sala pra tomar um tempo pra pensar e escreveu alguma coisa que até então ninguém sabia o que era. Bem-vindos a mais um vídeo no canal. Se você gosta de conteúdo assustador, bizarro e misterioso, você tá no lugar certo. Toda semana tem pelo menos três vídeos longos. Todo dia tem vídeo curto, então tem muito conteúdo pra vocês.

Se você gosta desse tipo de conteúdo, não esquece de deixar seu like, se inscrever no canal, comentar outros temas que vocês querem ver aqui. As fontes e os créditos estão sempre na descrição do vídeo. E o vídeo de hoje, de novo, é de um documentário que eu assisti, porque essas últimas semanas eu tô sendo a pessoa que tá assistindo mais documentários da vida. E é um caso muito chocante que a gente vai conversar bastante sobre legítima defesa. Então eu achei importante trazer esse caso aqui por conta disso. Como sempre...

recomendem outros casos aí nos comentários. Agora eu tô ansiosa, porque eu acho que a gente vai voltar com tudo pro canal. E eu tenho uma novidade pra vocês, porque eu vou gravar meu próximo curta, o terceiro curta, ele... Bom, eu vou dar um spoilerzinho, que ele também é inspirado em uma lenda brasileira. Eu quero fazer muitas coisinhas assim...

com coisas brasileiras, né? Eu acho que é importante, a gente tem muita coisa legal aqui pra falar. E eu tô muito empolgada. A gente deve gravar, talvez, no fim de maio, começo de junho. E ao longo desse tempo eu vou soltando uns spoilerzinhos pra vocês. Então acompanhem principalmente lá no Instagram, que eu adoro postar coisa de bastidor, de produção. Então, tô muito empolgada. Agora, sem mais enrolação, bora pra história.

No dia de fevereiro de 2022, a polícia recebeu uma ligação de emergência de uma mulher alegando que a vizinha da frente dela tinha atacado com uma placa. A placa que ela teria jogado nela é uma placa que fica naqueles terrenos dizendo que você não pode ultrapassar. Ela disse que...

E tudo começou quando os filhos dessa vizinha estavam passeando por um terreno, onde se dizia que era área restrita, eles estavam caminhando lá com um cachorro, e aí ela, a pessoa que estava ligando, simplesmente só foi para lá para avisar que aquele local ninguém podia passar. Ela pediu para eles irem para outro lugar, eles se recusaram, ela pegou o celular para tirar fotos do cachorro.

E aí, essa vizinha teria saído da casa, visto a cena e percebido que a que estava ligando estava tirando fotos dos filhos dela. Ela achou aquilo ruim e foi cobrar. De acordo com a pessoa que estava ligando, de novo, ela teria pegado essa placa de não ultrapasse e jogado na perna dela.

ela também se identificou para a polícia dizendo que ela era a Susan Lorinx. A polícia, depois de receber essa ligação, foi até o local para investigar. Assim que eles chegaram, eles perceberam uma comoção ali no bairro. A Susan estava do lado de fora e a vizinha, que supostamente a teria atacado também. Essa vizinha se chamava Ajiki. Ela morava ali naquela região há algum tempo e ela tinha quatro filhos.

Quando a polícia chegou, ela estava esperando eles do lado de fora da casa com um sorrisinho no rosto. Os policiais falaram brevemente do que ela estava sendo acusada, entre aspas, né? Afinal, foi só uma ligação de um incômodo que estava rolando. Então, eles queriam conversar para entender um pouco mais do que estava acontecendo. E aí, a Jiki também falou um pouco da Susan. Ela disse que antes da Susan se mudar para aquele bairro...

todas as crianças ficavam brincando ali na rua. Elas gostavam de brincar de bola, de esconde-esconde, de pega-pega, mas foi só a Susan mudar que ela começou a reclamar que as crianças estavam invadindo propriedade privada. Ela também falou que ela tinha jogado a placa, mas ela não tinha jogado a placa na Susan, não tinha sido de propósito. Ela só estava andando, voltando para casa, com a placa na mão e jogou ela para trás. Se pegou na perna da Susan ou não, ela não sabia.

Os policiais conversaram um pouco mais com outros vizinhos da região e eles falaram a mesma coisa sobre a Susan, que ela sempre estava ali reclamando, sempre ligando para a polícia e sempre tirando foto das crianças. Agora, um detalhe muito importante é que esse terreno que a Susan estava reclamando, que as crianças estavam brincando, não era um terreno de propriedade dela. Inclusive, ela falou com o proprietário daquele terreno...

e o proprietário falou que não tinha problema nenhum das crianças estarem ali. Os próprios policiais estavam bem felizes que as crianças estavam brincando na rua. Eles falaram, gente, é isso aí mesmo, continuem brincando na rua, melhor do que vocês estarem nas ruas cometendo crimes ou, sei lá, em casa assistindo TikTok.

A Jiki, ela era uma mulher muito nobre ali da região. Ela cuidava muito bem dos filhos, ela trabalhava como gerente do McDonald's e os horários dela mudavam bastante no trabalho pra ela poder cuidar melhor dos filhos. Ela sempre se sacrificou muito pra eles terem tudo.

E era uma grande felicidade dela ver os filhos se dando bem entre eles e também se dando bem com as outras crianças da região. Em dezembro de 2022, a Susan ligou muitas vezes para a polícia. A grande maioria das vezes era para reclamar das crianças jogando bola. E, inclusive, durante essas ligações, ela falava que ela era a vizinha perfeita.

Ela dizia que as crianças faziam muito barulho. Então ela reclamava dos cachorros latindo, ela reclamava da bola sendo jogada. E assim, gente, não me entendam mal. Eu acho que essas questões de vizinhança, às vezes a gente se incomoda com algumas coisas. Então, por exemplo, o prédio tem o horário limite pra você poder fazer barulho, pra você não atrapalhar os seus vizinhos. Sei lá, também tem uma quantidade razoável de barulho que você pode ouvir quando você tá morando numa casa.

E se estiver incomodando muito, dependendo do horário, você pode reclamar e você tá certo. Mas agora, reclamar de coisas ao longo do dia e, tipo, pessoas que não estão fazendo nada demais, é muito complicado. Ela era muito, muito exagerada. Se for me falar assim, ah, porque as crianças ficavam jogando bola de madrugada a noite toda, e gritando, e correndo, e cachorro latindo, e ela nunca conseguia dormir à noite. Aí é uma coisa, né?

A gente consegue entender ela reclamar e pedir um silêncio. Outra coisa é você reclamar literalmente o tempo todo.

E aí ela começou a se descontrolar. Às vezes, eles estavam brincando e ela saía gritando pela rua. Uma vizinha que mora na frente da casa da Susan descreveu ela como estando sempre irritada com a presença das crianças e disse que ela assediava verbalmente todas elas, gritando coisas desagradáveis quando elas brincavam por perto. E é aquela coisa, né? Se você também tem vizinhos que estão te incomodando de alguma forma, eu acho que a melhor maneira de você tentar resolver primeiro é com o diálogo, né? Conversar, de repente...

estabelecer um horário, olha, nesse horário eu tô fazendo tal coisa, me incomoda o barulho, será que a gente consegue adaptar? E aí vai também dos vizinhos serem conscientes e tentarem ter o melhor tipo de convivência possível. As coisas começaram a escalar quando a Susan não só tava agredindo verbalmente as crianças no geral, quando ela começou a insultar de forma racista os filhos da Jic.

E os xingamentos que ela fazia eram xingamentos extremamente graves, né? Eu não sei... Olha, eu confesso que eu vou falhar com vocês aqui, porque eu não sei quais xingamentos ou quanto é criminalizado nos Estados Unidos esses xingamentos racistas. Aqui no Brasil, ela já teria sido presa só por isso. Mas ela falava coisas extremamente absurdas.

Então, ela também fazia gestos físicos, ela fazia alguns atos de retaliação, como, por exemplo, sei lá, alguém deixou o patinho jogado, ela pegava pra ela. Não pegava pra ela, mas no sentido de, tipo, vou tirar daqui também e vou sumir com isso. Em uma das visitas da polícia na vizinhança, depois de uma ligação da Susan, eles conversaram com essas crianças e eles falaram, olha...

Não confrontem a Susan, não falem nada, vocês podem acabar se encrencando. Quando acontecer alguma coisa, quando ela falar algo, chama um adulto pra acompanhar vocês. O tempo foi passando, os meses foram passando, as ligações foram aumentando, e às vezes a Susan disparava o alarme da própria caminhonete só pra fingir que tinham sido as crianças.

Eu não sei o que ela tava querendo com isso, porque eu penso, tá, se ficou determinado que as crianças estavam fazendo esse barulho, elas que estavam fazendo todos esses atos e enchendo o saco. O que ela esperava que a polícia fizesse? Que desse uma multa, no caso, pra todas as casas da vizinhança, pra eles pararem de fazer barulho? Por que ela simplesmente não se mudava de casa? Eu sei que não é fácil se mudar de casa, tá? Mas tinha um relato de alguns vizinhos de que a Susan já tava falando que ela não gostava de morar ali e que ela já tava pensando em morar em outro lugar.

Um belo dia, ela decidiu comprar uma sirene. Ela também saía de casa com a própria caminhonete e ficava andando pelo bairro com o pé no acelerador. Algo que é bem perigoso, né? No dia 14 de março de 2023, a polícia foi de novo até a casa dela. Parece que ela tinha entrado em uma área do condomínio que o portão fechou e ela não conseguia sair, ela ficou presa. E aí ela simplesmente tentou derrubar o portão com a caminhonete.

Esse portão ele ficava sempre fechado e tinha uma placa de não ultrapassar. O que eu imagino que aconteceu é que ela entrou naquela região em um momento que ela estava acelerando com a caminhonete por aí, quando estava o portão aberto. E aí o portão fechou e ela ficou presa. O dono dessa região, ele falou, na verdade o dono não, né, o segurança que ficava no condomínio, ele falou que já tinha acontecido isso outras vezes, não com a Susan, mas com outras pessoas que entraram sem querer.

E aí elas simplesmente ligavam pra ele, ele ia até lá, abriu o portão e a pessoa saía. Mas a Susan não, ela decidiu que ela ia tentar derrubar o portão. Como foi um caso um pouco mais grave, a polícia foi questionar ela na casa dela. E aí ela disse que ela só tinha saído mais cedo de casa pra trocar um pneu. Nessa abordagem, parece que ela ficou um pouco apavorada. Ela comentou com o policial que quando ela era mais nova, ela já tinha sido abusada, estuprada e espancada.

Então, ela entrou em pânico quando ela viu que alguém supostamente teria trancado ela nesse portão. E parece mesmo que a Susan tinha um histórico de abuso quando ela era mais nova. É claro que esse histórico não justifica ela estar sendo abusiva com outras pessoas agora. Ela continuou dizendo que ela achou que ela estava correndo perigo e que alguém ia machucá-la. O portão ficou bem danificado, então eles pediram que ela pagasse pelo conserto.

Esse incidente passou, mas não demorou muito para que tivessem outros. Então, no dia 25 de abril, ela ligou dizendo que as crianças estavam perseguindo um cachorro. No dia seguinte, ela foi até a delegacia para dizer que tinham queimado uma placa ali na rua como uma forma de aviso para ela.

O policial registrou um boletim de ocorrência, mas ele falou, olha, isso é o máximo que eu consigo fazer, porque você não tem provas, você não tem vídeo, você não tem nada. Em um determinado momento, ela também mostrou para as crianças que ela tinha uma arma. E aí as crianças avisaram os pais, né, que isso tinha acontecido. Parece que ela estava ameaçando cada vez mais. E essa é uma situação muito complicada, porque eu acho que ela chegou num momento que ela estava sentindo que todas as ações que estavam acontecendo ali eram para irritar ela, para ser contra ela.

Ela ficava muito tempo em casa, então parece que ela ficava matutando com aquilo. Em junho, teve um incidente um pouco mais grave, porque uma das crianças disse que a Susan pegou o patins que estava ali no terreno e arremessou contra ela. Ela não teve nenhum machucado muito grave, mas ela foi contar para a mãe o que tinha acontecido. E nesse mesmo dia, a Susan pegou um tablet de um dos filhos da Jic.

Foi no mesmo dia que ela também saiu de casa manejando um guarda-chuva como se ele fosse uma espada ameaçando todo mundo. Ela chamou eles de idiotas. Como ela estava se sentindo ameaçada, ela ligou para a polícia para reportar o que tinha acontecido para falar a versão dela. E ela contou uma história completamente diferente. Ela disse que tinham vários brinquedos que estavam jogados no terreno, que não era o terreno dela.

Entre esses brinquedos teriam os patins, então ela pegou eles para devolver. Ela também disse que era mentira a alegação de que ela teria pegado um tablet. Agora, esse dia parece que foi a gota d'água para a Jiki. A Susan estava dentro de casa e aí a Jiki foi até a casa dela para tirar uma satisfação de tudo que tinha acontecido. Ela estava bem brava e na entrada da casa da Susan tem uma porta de correr. Ela bateu duas vezes para chamar a Susan.

E aí começou a falar pra ela, tipo, vem aqui e vamos conversar. Ela tava perguntando por que a Susan tinha pegado o tablet do filho dela. E essa interação teria durado cerca de dois minutos. Depois do barulho de duas batidas na porta, a vizinhança toda ouviu um barulho muito mais alto. Dessa vez, parecia um tiro. Ninguém sabia o que tinha acontecido, mas todos ficaram desesperados e já ligaram pra polícia. Uma das pessoas que também ligou foi a Susan. Ela parecia desesperada.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

Meu desejo é parar de achar que existe um jeito certo de ser mãe. A gente entende que cada gestação é única e que cada fase pede cuidados diferentes. Por isso, Nestlé Materna desenvolveu uma linha completa de suplementos para acompanhar você em toda a jornada da maternidade. Desde o apoio à fertilidade para mulheres que estão planejando a gestação até linhas exclusivas com vitaminas e minerais para cuidados na gestação e no perpério. Nestlé Materna, com você, do seu jeito.

Dá pra sentir daqui. Chocolate ao leite, recheio cremoso e aquela combinação de textura que dá vontade de repetir. Garotos Recheados é a novidade que junta tudo isso em um tablete. Mais recheio, mais experiência, mais hum. Vai de Garotos Recheados e deixe seu São João ainda mais gostoso.

Ela disse que ela tinha pegado a pistola que ela tinha em casa e atirado na porta. Ela também começou a lançar diversas alegações de tipo, eu achei que ela ia me matar e ela já me atacou algumas vezes. Também comentou dos filhos dela que ficavam invadindo o terreno. Resumo da história, a Susan, depois que viu a Jiki batendo na porta dela algumas vezes, questionando por que ela tinha feito aquilo com os filhos dela, ela simplesmente decidiu que era o momento de pegar a arma.

e dar um tiro. Ela tentou se justificar muito, dizendo que a Jiki estava sendo muito agressiva, que ela estava batendo na porta muitas vezes, muito forte, e que ela estava com medo dela entrar na casa e matá-la. Então, ela decidiu agir em legítima defesa. A Jiki caiu no chão imediatamente, e a parte mais triste da história é que um dos filhos dela estava logo atrás. Então, ele viu o que aconteceu.

Todo mundo ali em volta, depois de ouvir o tiro, também foi pra cima pra tentar prestar os primeiros socorros. E a polícia mandou tanto policiais quanto paramédicos. A Susan estava barricada dentro da casa quando eles chegaram. A Gique tinha só 35 anos de idade e foi transportada pra um hospital local. Infelizmente, ela foi declarada morta logo depois de chegar.

Todos os vizinhos pressionaram muito os policiais que estavam no local pra levar a Susan pra delegacia. Ela não podia continuar ali, eles tinham que tirar ela da casa. Ela era louca, ela precisava ser interrogada e presa. Todo mundo tava muito abalado. Os filhos... Tem uma cena no documentário que é muito triste, do pai falando com os filhos, que infelizmente a mãe deles não tava mais lá. E o baque que eles sofreram, uma coisa, assim, foi uma situação tão boba. Ela só tava indo ali defender os filhos. E aí

Ficou muito claro o que tinha acontecido e quem tinha sido a responsável. Por mais que tivesse ficado claro, eles ainda precisavam investigar essa alegação de legítima defesa ou não. E aí a Susan foi levada para a delegacia. Ela foi colocada em uma salinha e ela contou a mesma versão que ela já tinha contado na ligação de emergência. Ela disse que ela já estava sofrendo com essas crianças há muito tempo, que as vizinhas já estavam ameaçando ela, que ela estava se sentindo em perigo.

e que ela estava o tempo todo preparada para se defender caso algo acontecesse. Ela disse que no momento que a Jic chegou ali na porta, ela estava muito alterada, estava batendo muito forte, ela acreditou que ela ia invadir a casa e matá-la, então ela decidiu se defender. Talvez ela tenha tentado justificar com aquela mesma desculpinha que ela já tinha dado de já ter sido abusada mais cedo, então ela tem esse trauma.

e já acha que alguém vai machucá-la. Eu falei desculpinha, mas eu também, né, eu sei que o abuso é uma coisa que, às vezes, faz a gente tomar algumas decisões ou interpretar algumas coisas de forma diferente do que elas são. Mas, nesse caso, ela precisaria de um acompanhamento, né, de um tratamento. E não ferir outra pessoa ou matar outra pessoa.

Os detetives, depois de ouvirem a versão dela, eles determinaram que tanto as provas físicas quanto os relatos das testemunhas não corroboravam a versão dos fatos apresentados pela Susan. A investigação também não encontrou nenhum indício de que a Jiki estivesse tentando de fato entrar dentro do apartamento ou até mesmo que ela representasse uma ameaça iminente no momento em que ela foi baleada.

Um questionamento que eles fizeram no interrogatório é que da hora em que a Jiki foi até a porta, até quando a Susan ligou para a polícia, teria passado tipo dois minutos. E aí eles falaram assim, nesses dois minutos deu tempo dela tentar arrombar sua porta, gritar com você e ainda deu tempo de você ligar e falar com a polícia? Tipo, você tem certeza que ela bateu diversas vezes e ficou um tempão ali tentando entrar na casa?

A Susan justificou dizendo que, pra ela, apareceu muito mais tempo. Então, por isso que ela falou dessa forma. Ela também, né, quando eu vejo... Isso é uma opinião pessoal, mas quando eu vi ela falando, ela aparecia falando como se fosse a coisa mais normal do mundo. E, assim, uma coisa que me incomoda...

é que eu acho que ela tem essa percepção de americano branco, de que ela vai se safar com qualquer coisa. Ainda mais considerando que a Jika era uma mulher negra. Então, pra mim, parecia que ela tava falando não, vou falar que foi legítima defesa, eu tenho certeza que vão ficar do meu lado.

Agora, esse caso, ele atraiu atenção nacional. E tem uma lei na Flórida, que foi onde o caso aconteceu, que reacendeu um debate público sobre as leis de autodefesa. Na Flórida, essas leis permitem que indivíduos usem força letal se acreditarem razoavelmente que seja necessário para evitar morte ou lesões corporais graves. Então, era isso que a Susan estava alegando, que ela estava...

com risco de vida. Então, por isso, ela pode usar uma força letal. Imagina a quantidade de casos em que pessoas saem impunes com uma reação muito desproporcional só por conta dessa lei. Por isso que os casos de legítima defesa são muito difíceis de avaliar. Até mesmo aqui no Brasil.

Qual é a proporção da legítima defesa? Às vezes, de fato, a pessoa estava ali para se defender de uma ameaça que ela estava sofrendo, uma pessoa que estava tentando agredi-la, só que também tem a proporcionalidade. Você pode se defender a ponto de se defender, entendeu? Mas não pode ser uma coisa muito desproporcional.

Ai, é uma linha muito tênue que eu acho que a gente tem que entrar nisso em um outro momento. Um advogado de direitos civis, ele pediu publicamente a prisão da Susan, descrevendo o incidente como o assassinato inconcebível de uma mãe que simplesmente bateu em uma porta.

E aqui, acho que mães vão entender mais do que tudo. Qualquer mãe iria ali defender o filho e questionar o que estava acontecendo. Tipo, a mulher louca, sua vizinha, pegou o tablet do seu filho sem motivo nenhum. No dia seguinte ao crime, aproximadamente 30 manifestantes se reuniram na frente do centro judiciário do condado da cidade, exigindo a prisão da Susan.

Um promotor público teve que se encontrar pacientemente com aquelas pessoas, explicando que os investigadores ainda estavam processando algumas evidências físicas, registros digitais e depoimentos de testemunhas oculares para garantir que o caso não fosse comprometido.

No julgamento, depois, eles levaram muitas evidências, como o guarda-chuva que ela teria brandido contra eles, o patins que ela teria pegado. Depois da conclusão de entrevistas e revisão de diversos vídeos, principalmente de câmeras de segurança, os policiais prenderam a Susan no dia 6 de junho de 2023. Ela foi acusada de homicídio culposo com arma de fogo, negligência culposa, agressão e duas acusações de lesão corporal.

Foi durante o interrogatório dela que eu comecei o vídeo falando que ela falou que ela não ia se mover. Os policiais, eles explicaram a situação, explicaram que não fazia sentido o que ela estava falando e que eles precisavam levar ela para uma cela. Ela falou, não vou levantar daqui. Não vou levantar daqui, não consigo me mexer, não consigo fazer minhas pernas funcionarem. Eu acho que é mais fácil eu morrer de um ataque cardíaco do que me mover.

Os policiais ficaram tipo, não, mas a gente tem médico. Caso você sofra um ataque cardíaco, não...

Não se preocupa dela. Não, mas não vou me mover. E aí, eles foram tentando falar, minha filha, muita gente já cometeu crime aqui. Muita gente cometeu crime pior que o seu. Crime, assim, não que o dela não fosse horrível, né? Mas todo mundo se levantou e andou com as próprias pernas. Você vai andar com as suas pernas ou a gente vai ter que se carregar? Eles saíram um pouco da sala pra deixar ela processando um pouquinho e resolver se mexer. E aí, ela pegou uma prancheta que estava ali do lado e começou a escrever.

Esse bilhete foi visto só depois, depois que ela já tinha sido levada, mas ela escreveu Minhas sinceras condolências, eu não queria matar sua mãe. Eu tava morrendo de medo dela me matar e eu a tirei, por puro medo. Então teria sido um bilhete que ela deixou pros filhos da Jiki. O enterro da Jiki foi um enterro muito bonito, muitas pessoas estavam presentes, teve uma pessoa que falou algumas palavras, principalmente pros filhos dela, dizendo que...

era para eles irem lá e serem tudo que ela queria que eles fossem. Um dos filhos também, que presenciou ali um momento, ele falou que na noite em que ela faleceu, ele dormiu no carro da tia, e que ele sonhou com a mãe, e que a mãe teria vindo para ele na forma de um anjo. E até me arrepia falar. Por fim, o julgamento é... A defesa tentou alegar que foi legítima a defesa, também tentou falar para o júri que era para eles declararem ela culpada, só se eles tivessem...

100% de certeza que a culpa era dela, mas felizmente não adiantou. A Susan foi acusada de homicídio culposo e ela pegou 25 anos de prisão sem possibilidade de fiança. No julgamento, nas filmagens do julgamento, ela está bem diferente do que ela era. Eu quase não reconheci, eu até achei que era uma outra mulher ali esperando.

O júri considerou que o tiroteio foi muito mais baseado na raiva do que no medo. Então as alegações dela de que ela estava temendo pela própria vida não convenceram ninguém. Agora, por que eu falei que esse caso é importante para a gente falar sobre legítima defesa? As leis que ampliam a legítima defesa foram relacionadas a um aumento entre 8...

a 11% nos índices de homicídio, aproximadamente 700 mortes por ano. Alguns estudos apontam enormes disparidades raciais. Então isso mostra pra gente que americanos brancos têm muito mais chance de êxito ao alegar legítima defesa, especialmente quando eles matam pessoas negras. Então isso acontece muito, principalmente com leis que favorecem a legítima defesa e favorecem o uso...

de força letal. Aqui, de novo, pra gente pensar em legítima defesa, a gente tem que pensar em muitas características. Eu acho que a legítima defesa é uma coisa necessária porque tem casos que, né, a gente precisa agir com legítima defesa, mas dá pra ver claramente que essa não era uma das situações.

A gente via uma vizinha tendo reações muito desproporcionais, com coisas muito básicas, e que em um momento ela decidiu fazer justiça com as próprias mãos, e uma justiça que só precisava ser feita na cabeça dela, né? Ela estava irritada com coisas...

muito pequenas que poderiam ter sido solucionadas com um diálogo. Esse caso ele está num documentário da Netflix que se chama A Vizinha Perfeita, se vocês quiserem conferir também. É um caso muito triste, eu não consigo acreditar que chegou nesse ponto. Eu fico muito triste pela família da Jiki, acho que é uma coisa impensável, né? Ela foi conversar com uma vizinha sobre uma situação que estava acontecendo e ela infelizmente faleceu.

Bom, comentem aí o que vocês acharam, se vocês já tinham assistido esse documentário, e até a próxima.

Anunciantes2

Garotos Recheados

Chocolate ao leite com recheio cremoso
external

Nestlé Materna

Linha de suplementos para maternidade
external