A Política das Telas
Meta vício, ECA Digital, viradas e ciladas na regulação das plataformas.
O Clube de Cultura do Calma Urgente de 2026 já começou! Para participar dos encontros, entrar na comunidade exclusiva e ganhar descontos incríveis, inscreva-se em calmaurgente.com
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prod e Estúdio Fluxo
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais Bruna Messina
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
Consultoria de Comunicação, Luna Costa
- Toxicidade das telasECA digital · Saúde mental de adolescentes · Responsabilidade das big techs · Vício em redes sociais
- Regulacao Plataformas DigitaisJulgamento histórico nos EUA · Impacto do ECA digital · Exploração de crianças online
- Eleições e PolíticaDesempenho de Flávio Bolsonaro · Estratégias de comunicação da direita · Identidade política e engajamento
Olá, queridos ouvintes e espectadores do nosso querido Calma Urgente. Estamos de volta agora os três. Queria chamar logo Bruno Torturra e Alessandra Orofino, porque eu estou aqui de volta. O bom filho, a casa torna mesmo que o país. Saudade, Greg. Muita saudade, Greg. Eu também, eu ouvi vocês nos dois, então não estou com tanta saudade, porque eu ouvi vocês nos Calma Urgente. Não me dá saudade, né?
Não, não, não. Eu digo assim, não tô com saudade porque eu matei a saudade ouvindo vocês. Porque eu não tenho saudade de mim aqui. Porque eu ouvi vocês e eu percebi que vocês não precisam de mim. Não. Ao contrário, Greg. Vocês funcionam muito bem, vocês. O povo clama. O povo tá chateado. Falando assim, cara, é o programa mais deprimente que eu já escutei. Tipo, chama o Greg.
Sem o Greg, todo mundo quer cortar os pulsos, Gregório. A sua função é basicamente evitar que as pessoas saltem pela janela depois de escutar. É o serviço de valorização à vida. Não, mas eu ouvi vocês, além da vontade de me jogar pela janela, eu ouvi vocês e pensei que eu não teria tanto a acrescentar mesmo. Fiquei pensando, olha, funciona tão bem, eles têm uma química ótima. Sabe, aquela coisa de não falta. Você está pedindo demissão, Greg? Eu estou pedindo demissão.
em público. Quero saber se você está se mudando para a Europa, se você arrumou alguma residência física aí em Dublin. Isso não, isso não. No momento eu estou, até para explicar quem está ouvindo, no momento eu estou em Bruxelas e eu vou fazer peça agora daqui a pouco aqui. A gente antecipou um pouco a gravação porque na segunda feira eu vou estar em trânsito. É uma turnê que eu estou fazendo do céu da língua. Foram 15 cidades em 20 dias.
Ou seja, todo dia a gente acorda e troca de cidade, de país, quase todo dia. É uma loucura, eu já não sei mesmo que dia é hoje direito, onde é que eu tô. Todo dia eu acordo no meio da noite fazer xixi pro lado errado, sabe? Faço xixi na parede quase, porque eu não sei onde é o banheiro. E aí eu saio. O número do quarto, então, eu não faço ideia nunca.
Tá uma doideira, mas ao mesmo tempo não posso me queixar, porque o público tá espetacular, as pessoas estão sendo muito calorosas com a peça, e encontrar a comunidade brasileira fora do Brasil é sempre uma festa, que você lembra que a brasilidade ela é...
Ah, ela é inevitável. Ela é inevitável pra quem mora fora. E a brasilidade, ela é uma... Eu amo, eu amo, amo. Eu encontrar, de verdade. Por isso, inclusive, que eu nunca morei fora do Brasil. Nem moraria. Porque se eu morasse, eu ia passar o dia inteiro em feijoada, em samba, em choro. Aí é melhor eu morar no Brasil. Quer dizer, pra mim, eu digo. Pra pessoas que moram fora, eu entendo que elas têm mil motivos pra morar.
Mas eu não conseguiria, assim, eu ficaria ainda mais brasileiro, como é o caso das pessoas que moram fora. Elas ficam muito brasileiras. Então, está sendo uma delícia também encontrar tantos brasileiros, tão brasileiros, mesmo tão longe do Brasil. Eu diria até que, muitas vezes, mais brasileiros do que eram no Brasil. Porque tem isso, né? Você se exilar faz com que você se sinta ainda mais brasileiro. Então, essa peça acabou virando. Ela não era, o Céu da Língua não era, exatamente.
uma exaltação à brasilidade, mas ela tem se tornado, ainda mais fora do Brasil, essa exaltação. Então, aproveitar para mandar um beijo para todas as pessoas que eu encontrei, várias delas, inclusive ouvintes do Calma.
Pessoas que, vários calmers que eu estou encontrando o mundo afora e que todos eles ouvem o calmo, é uma maneira de manter essa chama acesa. E esse desespero aceso, que é também o que nos faz brasileiros, não é só a exaltação da brasilidade, mas é também um dilema em relação à brasilidade. Tipo, cara, o que é isso? Que relação tóxica é essa que eu tenho com esse país, que eu amo tanto e ao mesmo tempo odeio? Quem mora fora do Brasil tem esse dilema ainda mais forte.
Caralho, que pesadelo o Brasil, ao mesmo tempo que saudade do Brasil e essa dor. Então foi bonito abraçar as pessoas e sentir que lá no Brasil a gente tem um dilema muito parecido. Se a pessoa que mora no Brasil tem um dilema que também é esse. Caralho, que país infernal, ao mesmo tempo, puta que pariu, que delícia, eu não saberia ser outra coisa senão brasileiro. Dito isso, apenas um prólogo explicando aqui o que eu tenho feito por aqui. Eu estou morrendo de saudade do Brasil, das minhas filhas. Meu recorde longe delas são 20 dias, quer dizer, agora são 17.
São 17, vai totalizar 20 daqui a 3 dias e aí eu volto pra encontrá-las. Essa é a parte mais triste. Talvez a única parte triste. Tá longe das minhas filhas, da Giovana. Tá longe da minha família, tá longe de casa. E do Rio de Janeiro, que eu amo. Eu sou um barrista inveterado, né? E eu já já tô de volta. E do Calma Urgente, Greg, por favor. Da gente ele não incluiu, Bruno. Você viu? Eu tô falando com vocês agora. A única parte triste. A única parte triste. Eu tô falando com vocês, seus carentes. Eu estou falando com vocês agora.
E com ela você não fala nem assim por Zoom? Cara, eu falo, mas não durante duas horas, infelizmente. Só vocês conseguem duas horas do meu dia.
Eu queria muito que as minhas filhas conseguissem falar mais do que cinco minutos comigo por zoom quando eu ligo pra elas. Elas odeiam. Elas odeiam. Elas odeiam. Certas são elas. E tem um bom motivo pra isso. Elas estão certíssimas. Porque a tela, ela é tóxica. O que nos leva ao tema da semana. Gostaram da costura que eu fiz? Sim. Porque o tema... Perfeito, Greg. Gostaram? Foi assim.
O tema da semana é a toxicidade das telas. Esse cigarro digital, que são as redes sociais. Pior que o cigarro, tá? Pior do que o cigarro. Esse misto de cachaça com cigarro, com crack, sob a forma de uma telinha de LED. Na verdade, a tela não é nem o problema em si, né? O problema é a timeline infinita. É esse inferno, esse oitavo, décimo círculo de Dante.
que é a timeline infinita, é a escrolada violenta. E com algumas novidades que nós temos que eu diria que são muito positivas. Ou seja, eu de fato estou vindo aqui trazer boas notícias. E por isso que eu estou de volta aqui, para dizer que nem tudo é inferno, nem tudo é desespero. Nem tudo é Flávio Bolsonaro passando Lula em algumas pesquisas. Tá? Desculpem.
A gente nem vai falar disso, mas eu queria só... Dá aqui... Talvez fale um pouco.
Talvez fale, né? Porque eu acho que tem a ver com telas, né? Tem a ver com telas, completamente. Olha, porque o que a gente vai falar hoje é do ECA digital, que é um negócio espetacular, uma conquista da sociedade civil, e mais que isso, um início de, quem sabe, uma regulação mundial das big techs, inclusive naquela várzea daquele país que são os Estados Unidos da América. Aquele país que até lá, até lá, até lá, naquele país em que nem o futebol se joga com os pés,
Aquele país em que se conta a temperatura em Fahrenheit, se mede o tamanho das pessoas com polegada e pés, até lá estão regulando. E teve um processo, assim, diria que um marco na regulação dos big techs. Vocês concordam comigo? Esse processo, que aliás é uma palavra que eu aprendi de boa, que é bellwether.
Eu até fui pesquisar a origem e o weather é uma ovelha e o bell é um sino. Então o bell weather é aquela ovelha que porta um sino e que vai levando as outras ovelhas atrás dela. E é um processo que eles chamam de bell weather por quê? Porque vai abrir um precedente, vai ser uma ovelhinha que se tudo der certo vai permitir passar o rebanho. Por quê? Porque é um processo em que finalmente uma pessoa conseguiu imputar às redes sociais a responsabilidade pelos danos na sua saúde mental.
É inédito, infelizmente, porque é algo que já aconteceu muitas vezes. Todo mundo já viu acontecer perto de você, né? Todo mundo tem um adolescente na família, todo mundo que tem filhos adolescentes ou amigos com filhos adolescentes, já viram o estrago real, que não é metafórico. Já viram um adolescente se fuder, com perdão no termo.
se ferrar completamente por causa das redes sociais. Seja misoginia, uma menina alvo de misoginia, seja um menino que vira redpill, que é blackpillado ou redpillado, seja racismo, cyberbullying, seja exploração sexual, infantil, seja assim, todo tipo de cagada que existia antes no mundo real, existe, eu diria que...
exponencialmente hoje nas redes sociais. Eles viraram essa cracolândia não regulada para jovens que destrói vidas, destrói a saúde mental já tão frágil de uma pessoa de 13, 14 anos de idade. Então a gente tem pela primeira vez um processo. Conta pra gente isso, Ale, que processo foi esse? Que julgamento foi esse? Por que ele é de fato um marco? Pra depois a gente entrar no ECA digital. Que julgamento foi esse? O que aconteceu exatamente? Por que foi tão importante?
É, a gente, na verdade, tem mais de 1.600 ações reunidas contra a meta, o TikTok, o YouTube e o Snapchat lá nos Estados Unidos. Tem 250 distritos escolares, então regiões escolares americanas, que entraram também nessa ação coletiva. E 20 desses julgamentos chamados de Bellwether, que vão depois basicamente calibrar outras decisões ou embasar outras decisões que estão programadas. Esse é só o primeiro. Então, a gente vai ter uma série de julgamentos nos próximos meses.
E esse, ele foi centrado no caso específico de uma menina que foi identificada só como KGM, né, pra preservar a privacidade dela. Foi um julgamento que foi pro tribunal do júri. Então, a gente teve ali um corpo de jurados que determinou uma indenização, faz muita diferença.
E, no final das contas, o júri determinou uma indenização de cerca de 6 milhões de dólares em favor dessa menina. Para além do valor da indenização, o fato é que a gente teve ali um resultado de 10 a 2 em favor da autora, então, um resultado muito acachapante, uma vitória muito acachapante da autora, que, pela primeira vez na história dos Estados Unidos, definiu, de fato, a responsabilidade das plataformas por induzir um comportamento viciante. E o que foi interessante é que os advogados da AKGM se lembrou da ONG?
da menina em questão, que hoje já é adulta, usaram uma estratégia muito parecida com a estratégia que foi usada nos processos contra a indústria do tabaco nos anos 90, que é basicamente provar que as empresas sabiam dos danos e continuavam negando esses danos publicamente. Isso é muito central aqui. As redes sociais se beneficiam de uma certa compreensão do público ou se beneficiavam até recentemente justamente pelo aspecto...
novidoso das redes. Essa é uma novidade, relativamente recente. E durante algum tempo, havia um argumento de que ninguém sabia muito bem no que aquilo ia dar, nem quem estava, de fato, programando essas redes, ou pelo menos é o que eles querem que a gente acredite. O que os advogados da KGM conseguiram provar é que, em dado momento, as empresas passaram a ter plena ciência do potencial viciante danoso daquilo que elas estavam produzindo.
E mesmo tendo essa plena ciência, falando abertamente sobre isso em documentos internos, vários documentos internos foram vazados e foram usados como embasamento para decisão. Então, mesmo com os executivos, os programadores e as pessoas conversando internamente sobre como aquilo era muito viciante e terrível, ainda assim, publicamente, as empresas negavam os danos. Isso é muito central, porque isso mostra um nível muito grande de má fé.
E aí teve uma série de documentos do YouTube, da Meta, que foram divulgados ao longo do julgamento, que são realmente muito inacreditáveis. Um documento do YouTube em que uma das pessoas fala claramente que o objetivo não é audiência, é vício do usuário. É esse nível de clareza, de propósito. Ou um programador da Meta falando em 2020, meu Deus, gente, o Instagram é uma droga. E aí uma outra pessoa responde, dentro da empresa.
risos, quer dizer, todas as redes sociais, a gente é basicamente traficante. Esse tipo de declaração. Esse tipo de consciência. É, quando eu falo em Cracolândia, a Cracolândia é uma imagem deles mesmo, né? É isso que eles estavam falando lá dentro. Tem também um e-mail ali que eu achei interessante, que também vazou de uns funcionários falando, dizendo, ah, ótimo, então agora vamos atrás de menores de 13 anos. De 13 anos. E um colega responde o e-mail falando.
É, o Zuck fala disso há um tempo, e é o que o outro diz. Sim, foi nojento da última vez que ele mencionou isso. Ou seja, aparentemente o próprio Zuckerberg diz para os funcionários, como uma diretriz da empresa, que a meta agora, da meta, ou seja, a meta-meta, é jovens com menos de 13 anos. Isso era o objetivo deliberado do próprio Zuckerberg. Mas pode continuar, olha aí.
Não, não, acho que isso que você traz é essencial, porque foram esses documentos que embasaram a decisão e o que elas mostram é que tem um entendimento completamente naturalizado dentro dessas empresas de que aquilo é ruim, aquilo é viciante e que o objetivo é viciar crianças. E esse nível de vilania explícita é uma coisa difícil de encontrar mesmo. Enquanto isso, essas empresas seguem respondendo publicamente quando elas são criticadas.
dizendo ou que aquilo não causa danos, ou que aquilo não é para crianças, que as crianças não são o público desejado. Então, acho que tem uma coisa que também é interessante nesse sentido, o que foi explicitado ali. Tem, inclusive, dois argumentos. É o clássico problema da... Aquela falácia clássica que o Freud, inclusive, cita, que é o cara que fala... O cara quebra o... O que é mesmo? Ele quebra a panela do amigo.
e fala assim, olha, eu não peguei sua panela emprestada, e quando eu peguei, ela já estava quebrada.
E é o clássico argumento errado das redes sociais que falam muito isso. Isso não faz mal para a criança. E isso não é feito para a criança. Eles não escolheram ainda. São dois argumentos contraditórios, né? E nenhum dos dois é verdade. E é isso que o julgamento define. Que nenhum dos dois argumentos foi aceito pelo Tribunal do Júri, né? Então, ficou provado que faz mal sim. E que eles sabem, já sabiam que fazia mal. Isso é muito crítico.
E que era para criança sim, no sentido de que foi desenhado explicitamente com esse público-alvo em mente, aparentemente, por orientação do próprio Mark Zuckerberg. É muito revoltante. É muito revoltante. É muito revoltante e eu queria até falar, além das crianças, né? Porque, claro, são as vítimas mais inocentes e que é, em geral, o caminho pelo qual a regulação começa, mas é importante falar que exatamente por ser uma tecnologia...
recente. Ainda muito difícil de ser entendida como uma droga, e eu acho que não é adequado relacionar isso com a mesma maneira como a gente vê as substâncias que viciam, que provocam efeitos e tal.
Mas os adultos também não têm defesas para isso. A gente não tem referência cultural, não tem sistema imunológico para esse tipo de coisa. E não só os adultos, os pós-adolescentes, os jovens e tal, mas hoje em dia um dos problemas maiores que a gente está enfrentando na sociedade são os idosos ficando completamente fechados em scroll infinito de vídeo vertical.
Que era um público que não era exatamente afeito a redes sociais, porque precisava de um pouco de alfabetização digital, era um outro tipo. E hoje é tão sem atrito e tão fácil que tem sido um problema gigantesco. A gente vê isso vocês falando. As suas filhas não gostam de falar com os pais no Zoom.
Porque já são crianças que já estão tão enfiadas nisso, que já reconhecem de saída o quanto que isso é onipresente, o quanto tira a atenção dos pais, o quanto isso é ruim. Mas as pessoas mais idosas, eu acho que é meio que o contrário. Elas não estão tirando mais a cara dessa tela. E acho que em relação a...
vício, isso que é louco, né? É uma coisa que a gente já sabe há muito tempo. A grande novidade disso é que está batendo nos tribunais. Nos tribunais, nos países onde essas redes sociais... No país, especificamente, onde essas redes sociais são estabelecidas. Então, tem uma consequência muito mais grave se isso acontecer de fato nos Estados Unidos do que no Brasil, Argentina ou qualquer outro país periférico que não tem o escritório central deles, né?
Mas é interessante pensar que esse nosso déficit de atenção, que é muito relacionável com essa cultura de scroll infinito, a gente esquece quantas vezes essa conversa aconteceu de maneira muito assertiva. O quanto que o Zuckerberg já teve que depor no Congresso Nacional falando disso.
o quanto whistleblowers e delatores teve, o caso famoso da Frances Haugen, que era do Facebook, que vazou documentos muito parecidos com isso. O documentário do Experimento Social, que saiu no Netflix, que também fez muita gente falar disso. Mas eu vou te falar uma coisa. Apesar de achar um marco, uma coisa importante que aconteceu, eu não fico tão festivo.
com o que está acontecendo. Porque eu tenho um sinal de alerta em relação, na minha cabeça, ao que está acontecendo, e eu acompanho a preocupação de pessoas que dividem isso, que têm uma demanda diferente das redes sociais. Porque eu acho que não só esse caso, mas até o nosso ECA, que é um avanço, que vai melhorar um pouco a situação, que vai proteger a criança, ele está lidando na superfície do problema através de mais controle, mais regra e mais restrição.
Mas a gente não está falando sobre o problema estrutural da rede social, que não é o fato de que ela vicia, mas que a gente não tem autonomia na programação dessas redes sociais. E isso está sendo não só preservado, mas a gente está exigindo que as empresas tragam soluções técnicas para fechar mais o acesso, em vez de democratizar que tipo de rede social nós queremos ter, e não as que nós não queremos ter.
É diferente uma coisa da outra. Não, Bruno, mas eu discordo. Eu não acho que isso daí dê mais poder à rede social, não. Acho que é exatamente o contrário. Eu acho que isso daí restringe o número de clientes que ela pode usar, entendeu? Isso aí restringe a quantidade de dinheiro que ela vai ganhar, com certeza. Porque ela é uma restrição, sobretudo, monetária. Porque o que eles estão dizendo me parece que é, me diz se eu estiver errado.
Me parece que é assim, ó, vocês querem ganhar dinheiro em cima do conteúdo da vida das pessoas, ok, mas de criança não. Você não pode monetizar conteúdo infantil. Eu concordo com isso. E isso não é só uma restrição às empresas, é também às pessoas adultas que exploram crianças e adolescentes na internet, que virou uma coisa completamente naturalizada.
Não é essa a minha divergência. Aliás, é só um breve adendo aqui, que eu acho que é interessante que o ECA também se dirija a isso, que é o seguinte. Naquele vídeo do Felca, que inclusive foi ótimo, que foi uma das coisas, né? Um dos catalisadores. Exatamente. Que certamente catalisou a opinião social sobre o assunto. Tinha um ponto que era muito bom, na minha opinião. Que ele falava principalmente de exploração sexual infantil, que é algo muito presente.
nas redes sociais, mas ele falava também e botava mais ou menos no mesmo pacote algo que pra mim é totalmente do mesmo pacote que é a farinha do mesmo saco pra mim que é a exploração também financeira, ele falava dos coaches infantis de crianças que ficam indo ao podcast falar como ficaram milionários com sete anos e tudo
mentira, pastores, tem muito pastor infantil, pastor de 6, 7 anos, com sei lá quantos milhões de seguidores, tudo isso também é exploração infantil, tudo isso também...
deveria ser crime. Quer dizer, é crime. Desde que você não faça na internet. Porque eu acho que tem uma lógica das redes sociais que é o que me incomoda desde o início, que é assim, tudo que é crime, também, cara, também deveria ser crime nas redes sociais, entende? Você botar uma criança para trabalhar na tua loja com seis anos de idade, não pode no Brasil, pelo menos. Você não pode botar ela para trabalhar. Ah, mas é meu filho. Não pode mais. Já pode. Hoje em dia não pode. Botar ela para vender os teus produtos, botar ela para pregar na tua igreja, também não deveria poder. Se você estiver filmando, eu diria que deveria poder, inclusive, menos.
Mas enfim, pra mim, o ECA vai sobretudo aí. Eu concordo com isso. E eu não tô aqui falando que as crianças não têm que ser protegidas, que podem ser exploradas, que isso tem a ver com liberdade de expressão. O meu argumento não é libertário de longe.
Eu quero que essas redes sociais, no fim das contas, desapareçam em nome de outras redes sociais. Mas, claro, não é isso que eu estou exigindo aqui, que se feche as redes sociais e abra uma empresa estatal de rede social. Mas o que eu estou falando é que, com o argumento legítimo e justo, que é uma sinuca...
é ontológica que a gente se mete, que é de proteger as crianças, o cérebro e a vida delas, e a privacidade delas, na prática, o que a gente está fazendo é legitimando e dando mais capacidade para grupos privados terem mais acesso aos nossos dados, aos nossos hábitos. Uma parte do que o Google está falando que vai fazer, e aí é, por exemplo, que não é simplesmente verificação de idade.
que é uma coisa importante por um lado, mas que na prática acaba dando dados para uma empresa privada, acabar com privacidade de identidade em rede social. Então, assim, isso não é que vai proteger só as crianças. Vai obrigar e dar legitimidade que a gente seja mais monitorado em rede social. Uma das coisas que o Google está falando que vai fazer é que não é só verificar a idade.
mas é verificar os hábitos com inteligência artificial dos usuários para eles saberem, por algoritmo, se quem está navegando é uma criança ou não é uma criança. Mas Bruno, vamos lá, alguns esclarecimentos em relação a isso. Primeiro que, assim, a gente nem chegou a falar exatamente do que o ECA digital determina, né? Eu acho que a gente entrou logo na discussão sem dar um serviço básico, né? Mas tem um monte de coisas que a lei determina e agora ela está em vigor.
Entre elas, que existe um método de verificação de idade além da autodeclaração. Então, que a pessoa não possa simplesmente dizer sim, eu tenho mais de 18 anos, mas que esse método seja mais rebuscado. Existem outras determinações da lei. Proibição de perfis comerciais de menores, proibição de rolagem infinita, que é uma coisa muito interessante, que a gente conseguiu incluir. A proibição de notificações para reengajamento, o veto à publicidade personalizada para criança.
E a proibição de coisas como análise emocional para fins comerciais. Então, tem uma série de análises de dados e metadados que hoje as plataformas fazem impunemente, sempre com fins comerciais, ou seja, sempre, no final das contas, com o objetivo de vender mais publicidade para a gente, que justamente o ECA Digital proíbe que elas façam.
Então, o ECA Digital, ele diminui a liberdade que essas empresas têm de tratar e usar os nossos dados da maneira que elas bem entenderem. Ele faz isso na medida que a gente gostaria, para todos os públicos, com o nível de severidade que a gente gostaria? Certamente não. Mas é um passo muito concreto no sentido de diminuir a hipervigilância, não de aumentá-la.
Quando a Google fala que a maneira como eles gostariam de fazer a verificação de idade para além de autodeclaração é usando dados e hábitos online e inteligência artificial, isso é o que a Google está dizendo que gostaria de fazer. O ECA não diz que tem que ser feito assim, e o ECA joga para o regulador, ou seja, joga para o nosso legislativo, para as agências reguladoras e para o governo brasileiro, a responsabilidade de regular isso, ou seja, de dizer para essas empresas como elas deveriam fazer verificação de idade.
Então, não é porque a Google está dizendo que vai fazer desse jeito, que é desse jeito que será feito. E se a Google está dizendo que vai fazer desse jeito, é porque, um, ela já consegue fazer isso, ou seja, ela já tem esses dados, ela já sabe quem é criança e quem não é, e dois, porque ela sabe justamente que se ela ameaça...
fazer um tipo de hipervigilança, que na verdade ela já faz. Mas se ela é explícita em relação a isso e coloca a culpa no ECA digital, a sociedade pode ficar contra o ECA digital. E dizer, ah, não quero o ECA digital, porque agora vão ficar analisando os meus dados online para saber se eu sou criança. E assim, amigo, já analisam seus dados online, já sabem se você é criança, não é por causa do ECA digital que isso está sendo feito. Então, cuidado para você não cair no discurso dos lobistas da Google. Que tudo que eles querem é que a gente ache...
que a gente ache que por causa do ECA Digital as empresas agora vão ter que ficar violando a nossa privacidade, inclusive dos adultos. A gente já não tem privacidade e a única coisa que o ECA Digital está dizendo é e não é em todas as redes, não é em todos os sites, não é para estar na web, mas é para estar num ambiente onde existem danos concretos para crianças.
você precisa, se você cria um ambiente que pode ser danoso a crianças, você precisa evitar o acesso de crianças a esse ambiente. É da mesma maneira que uma criança não pode entrar num, sei lá, numa boate, entendeu? Tem ambientes que não são para crianças, ou num filme de terror pra mais de 18 anos. E ninguém fala assim, não, mas o cinema é uma empresa privada, e agora ele vai saber quem é, e ele vai te pedir um RG pra entrar no filme de mais de 18 anos. Ele não pode, pelo amor de Deus, não pode. Mostra o seu RG.
comparar pedir um RG na porta de um cinema com o tipo de falta de privacidade que você estabelece na hora que você se registra para entrar em um serviço digital é completamente diferente. Bruno, mas você já se registra. O meu ponto é exatamente esse. Falar que a gente já se registra, então o mundo já é assim. Então o que a gente tem que fazer é restringir e regular e reduzir a experiência. É mais ou menos...
Bem mal comparando, mas é onde eu quero chegar com a minha crítica, que é o seguinte, é quando a gente regula trabalho por aplicativo. Quando você regula trabalho por aplicativo e faz leves melhoras, e você recolhe um pouco de imposto aqui, você fala assim, então tá, esse mundo vale. Só que a gente vai melhorar ele um pouco. E o meu ponto é anti-lobby do iGoogle, mesmo que esse mundo deles não vale.
Porque o que a gente tinha que fazer não é pânico ou é moral que está colocado, porque tem uma coisa real acontecendo. Ela não é exagerada. Mas por conta da proteção infantil, que é um imperativo, a gente está criando uma coisa parecida com um sistema repressivo, mas aceitando o mundo como ele está programado. E o meu ponto, que é o antilobby, que é a gente tem que quebrar o algoritmo desses caras.
A gente precisa entender isso como algo que a gente tem que ter uma cidadania digital muito mais ampla para os adultos. E isso não está sequer em debate. A gente quer poder determinar que tipo de timeline nós estamos submetidos, não em nome dos nossos filhos, mas em nome de uma vida pública muito mais saudável e não mediada por lucro. Eu concordo totalmente, mas isso daí pode ser muito ludista. Porque você, por exemplo, serve contra o Pix? Claro que não.
Porque o Pix, ele financeiriza as trocas. As pessoas, elas não estão mais, elas não trocam mais pro dinheiro físico. Hoje em dia todo mundo sabe as transações que você fez. Ele tornou muito mais difícil, por exemplo, você fazer transações, você pagar uma coisa com o dinheiro. Então, por exemplo, num estado de hipercontrole, você não consegue mais financiar uma organização que seja... Greg, eu sou a favor do Pix. Eu não sou a... Eu sou totalmente contra que tudo que você compre tenha que ser feito por Pix.
Eu sou completamente contra isso. Eu sou a favor que existam maneiras de verificar a idade de crianças. Mas o meu ponto é que se você faz isso de uma maneira como está sendo sugerida nos Estados Unidos e aqui também, é que todo mundo tem que se identificar sempre.
Não, não é verdade. Isso não está sendo sugerido por ninguém além da Google, que já nos supervisiona todos. E justamente o que a gente tem a oportunidade de fazer aqui é, pela primeira vez, regular esse tipo de supervisão. É dizer para a Google, não, Google, você não pode ficar avaliando os nossos dados para saber se eu sou criança ou não sou adulto, porque isso é um estado de hipervigilância. O que você tem é que fazer de uma maneira muito específica em ambientes onde crianças não podem estar.
você precisa implementar um sistema de identificação para a entrada nesses ambientes. Em outros, não. Ninguém está querendo que a web, que qualquer comportamento seu online, em qualquer lugar, seja supervisionado. Apesar desse já ser o status quo. Já ser como a gente está... Isso já acontece. Já é o que já está acontecendo.
Mas ninguém está dizendo que isso é o que deveria acontecer. Justamente, pela primeira vez a gente tem uma lei que joga na mão da sociedade, do governo, das autoridades, a responsabilidade de pensar sobre como que a verificação de idade precisa acontecer. Ela não joga na mão das empresas. As empresas vão querer se meter nisso, como já quiseram se meter em tudo. Mas isso não foi o que o Eca Digital determinou. Ele tirou das empresas essa prerrogativa. Isso é super importante.
Isso é completamente diferente do que foi feito com a regulação do trabalho por aplicativo, que foi sim uma concessão para essas empresas e tirou elas de um espaço de insegurança jurídica. O ECA Digital inseriu um pouco mais de insegurança jurídica para essas empresas, porque elas estão com vários comportamentos que já foram proibidos, elas vão precisar se adaptar a uma regulação que nunca aconteceu antes, que de novo é insuficiente, mas é nitidamente melhor do que o que a gente tem hoje.
Não é que a gente está hoje com um comportamento não supervisionado, não existe vigilância na internet, e a gente vai ter que introduzir vigilância para se adequar à lei. É o contrário. É uma lei que determina muito mais um espaço específico de verificação que de uma coisa específica. Ao mesmo tempo que ela diz, você não pode fazer análise emocional do usuário com fins comerciais. Isso é um termo técnico, mas basicamente o que está dizendo é, você não pode tentar me vender chocolate porque você sabe que eu estou deprimido.
Você não pode tentar me vender outras coisas. Aumento do pênis porque você sabe que eu tô, sei lá, com crise de masculinidade, entendeu? É isso que é. Cara, um breve interlúdio cômico aqui, já que essa é a minha função. Já que é isso que eu senti. Eu senti falta.
Na Alemanha tem uma coisa muito curiosa, né? É que os brasileiros lá estavam me contando que tudo no serviço público ainda é feito por fax ou carta. Ou carta de próprio punho.
Então você quer cancelar o seu gás. Carta de próprio punho. Ou fax, que você tem que ir para um lugar que vai mandar um fax. As pessoas ainda têm fax em casa? E sabe por quê? Não, não tem. Você tem que ir para um lugar que vai ter um fax. Você vai ter que mandar uma carta. Por quê? De daten. De daten. São os dados.
Paranoia de dados, porque você não pode dar os seus dados, se você mandar isso por e-mail, aí o governo vai ter acesso. Ou seja, GovBR na Alemanha, GovDE, GovDeutland, não existe GovBR. Não existe carteira digital, que salva a minha vida, aliás, obrigado. GovBR, obrigado, carteira CNH digital. Obrigado, Brasil. SUS, como é que é o aplicativozinho do SUS, da vacinação? Sim.
obrigado pra caralho, eu amo nossa tecnologia, toma meus dados, meu amor, só não me faz passar um fax, porra, até porque é excludente pra caralho, porque você acha que o imigrante vai ter um dinheiro pra um fax, você acha que vai escrever uma carta pro punho em alemão, a pessoa imigrante chegou há pouco tempo, você acha que vai ter? Não, é muito mais caro, é muito mais difícil, tem que dominar o alemão, tem que tudo, então, no fundo, sob a desculpa de uma proteção de dados, tem também um elitismo e um puritanismo e aí
que para mim é muito excludente. Eu amo o GovBR, vou mandar um beijo para todos aí. Aliás, o Brasil nesse quesito tecnologia está de parabéns. E eu nunca ouvi golpe de GovBR até hoje, tá? Já ouvi de muita gente na rua, de tudo quanto é problema. Agora, nunca vi esses dados aí serem mal usados. Então, sou muito a favor da tecnologia nesse sentido. E da regulação, sim. Eu passo meus dados amarradão para o GovBR. Toma.
O GoFBR é uma coisa, pode ser mais forte, ter uma segurança melhor e ter uma usabilidade bem mais prática. Eu também uso muito e eu gosto, aprovo e tudo mais. Mas assim, o Brasil é um dos campeões mundiais de hackeamento de dados, de vazamento. E esse mercado colossal de fraude que a gente tem no país hoje, que é um tipo de criminalidade, assim.
completamente fora de controle no país, que quase todo mundo já foi vítima ou já tentou, ou se ia proteger, mas quase caiu, é exatamente a economia de dados digital muito mal, não só regulada, mas é muito difícil proteger isso. E não vamos esquecer, não estou defendendo o sistema de fax alemão, até porque a Alemanha é um país repressivo de outras formas.
Mas a gente tem que lembrar de uma coisa. É muito mais tranquilo você gostar do GovBR quando você assume que um governo democrático vai estar aqui para sempre.
Mas se isso não acontece, se tem um golpe de Estado como quase aconteceu, se o Flávio Bolsonaro ganha e se permanece no poder e a coisa fecha nos Estados Unidos, o golpe e a BR é uma das ferramentas mais perigosas que já foram instaladas no país. Eu não estou falando para a gente desativar ele, mas o que eu quero dizer é que eu não sou contra o ECA. Vocês não precisam ficar defendendo o ECA. Eu acho que é melhor do que o que tinha antes.
Minha única coisa é, existe um sinal amarelo colocado na maneira como a gente está falando, exigindo o controle social na rede, na internet. Porque a gente não consegue conversar sobre quebra de código, sobre transparência e algoritmo e sobre um outro modelo de cidadania digital. Enquanto a gente for o espaço que exclusivamente fica pedindo controle, restrição e cadeia, a gente está legitimando...
legitimando o pensamento de que o ambiente digital precisa ser controlado, que ele precisa ser doutrinado. Precisa ser doutrinado? Não, acho que ele precisa ser regulado, Bruno. Regulação. Eu também acho. Feito o ambiente não digital é... Mas é um outro modelo que eu acho, entendeu? É diferença de eludita, puro e simples, para as pessoas que querem ter o controle dos meios de conexão, que é o meu argumento, entendeu?
Essa tensão entre regulação estatal, regulação de governo e liberdade, ela está dada em todos os ambientes, não só no digital. Toda vez que você introduz um marco regulatório, você cria, em geral, algum tipo de autoridade que pode usar isso em momentos onde você tem a tomada do poder estatal.
por algum tipo de autoritário ou de agente maligno, se esse Estado tem mais poder, é mais poder na mão desse autoritário. Isso seria um argumento para um Estado mínimo em vários ambientes, não só no ambiente digital. A questão é que a gente abre, a gente convive também com essa possibilidade em nome...
de outras liberdades e de outros tipos de proteção. Porque a gente também tem que lembrar que a ausência de regulação estatal não cria um ambiente digital livre. Ela simplesmente deixa espaço para um outro tipo de autoridade se impor, que também é uma autoridade centralizadora, também é uma autoridade que pode se aliar a elementos autoritários e totalitários no próprio mundo político, que são...
próprios big techs. Então, na ausência de regulação estatal, não está dada a liberdade dos indivíduos um livre mercado digital. Está dado o monopólio da autoridade no ambiente digital pela Meta e pelo YouTube, entendeu? E pela Google. É isso que é. Então, a gente está ali, na verdade, usando um elemento de autoridade no país, que é o próprio governo, para fazer...
equilibrar um pouquinho esse jogo em relação aos big techs que já exercem a sua autoridade no mundo digital. O que acho que você traz, que aí sim eu acho que faz sentido, que é, a gente não deveria, apesar disso, abrir mão de um aspecto que talvez seja um pouco mais sonhático, mas que não deixa de ser necessário, que é repensar esse mesmo modelo de big techs.
Agora, eu acho que quando a gente faz esse tipo de regulação, isso contribui para isso. Porque aonde a gente está atacando as big techs, no caso do ECO Digital, do PL-2008, é justamente onde mais dói, que é no modelo de negócios. O scroll infinito é viciante, mas ele não é viciante só por ser viciante. Não é que elas são apenas malignas e querem nos viciar para a gente ficar triste.
Elas querem vender coisas, certo? Elas querem capturar a nossa atenção porque a nossa atenção é o commodity que interessa. Então, quando a gente começa a evitar que esse ambiente seja viciante para crianças, a gente acaba também evitando que ele seja viciante para adultos e para idosos. Isso vai no coração da história do poder delas, que é um poder comercial, é muito dinheiro. E se elas tiverem menos poder comercial, elas vão exercer menos poder político também. Hoje elas exercem muito poder político, Bruno. Isso já está acontecendo, entende?
A gente parece que eu não tô concordando com isso. Parece. Enfim, é que eu acho que tem um tom festivo que eu me preocupo um pouco. Porque eu já vi isso acontecer com muitas outras regulações. Deixa a gente festejar com alguma coisa. Bruno, pelo amor de Deus, cara. Não é possível.
Cara, a extrema direita inteira se organizou pra deter a aprovação do ECA Digital. Era a Nicolas enchendo o saco todo dia. Era a lobby de Big Tech dentro dos documentos. O negócio passou, é uma vitória. Bruno, eu entendo totalmente o seu ponto, mas de verdade eu acho que aqui, nesse caso, não é o que tá acontecendo. Não é que a gente tá falando assim, toma a chave da minha casa, faz o que você quiser. Eu não acho que seja isso mesmo. Tanto é que eles estão desesperados. Não é isso que eu tô falando. Mas eu já vou repetir meu ponto. Eu não quero repetir.
Eu entendo, pode festejar. Vamos então falar de uma outra coisa que tem a ver com a tramitação, mas que é um caos da tramitação do ECA digital, que o Intercept, o furo foi do Intercept, o Intercept investigou e publicou já no ano passado, mas que a gente talvez agora no final desse processo possa relembrar, que é quando o Intercept identificou, ironicamente, por meio de análise de metadados dos arquivos disponibilizados no site da Câmara dos Deputados.
E eles verificaram que duas das quatro emendas, ou seja, emendas são propostas de alteração numa lei que está tramitando. Então, duas dessas quatro emendas que tinham sido apresentadas pelo deputado Fernando Máximo do União Brasil, tinham sido criadas, ou seja, o texto dessas emendas, dessas modificações ao que hoje é o ECA digital, a lei que viria a ser o ECA digital.
Duas dessas modificações que não foram aceitas, mas houve uma tentativa de que elas fossem incluídas, tinham sido criadas diretamente pelo Marconi Borges Machado, que é um executivo da meta. Ele é o lobista da meta. E ele deixou um rastro digital. Eu acho isso uma ironia maravilhosa. Ele deixou um rastro de metadados, que foi depois lá...
visto pelo jornalista do Intercept. Esse rastro estava nos arquivos oficiais da Câmara. Os metadata estavam abertos ao público. E basicamente o que as duas propostas do Lobista da Meta buscavam fazer era excluir a exigência de relatórios sobre moderação de conteúdo, retirar multa, retirar sanção criminal contra plataformas digitais. Então ele estava tentando enfraquecer o ECA digital.
pago pela meta e editando literalmente, diretamente, o documento que depois o deputado da União Brasil foi lá e apresentou como proposta de emenda. Não é maravilhosa essa história? É isso, só que eu queria contar pra vocês. É maravilhosa. E assim, só pra deixar claro que eu concordo totalmente. Viva a hipervigilância.
Não, eu concordo totalmente com o Bruno nesse ponto que é, esse não é o mundo ideal, o mundo em que as redes sociais têm controle dos dados das pessoas e nem acho que isso daí é o que a ECA propõe. Mas o que eu acho importante só aqui é a responsabilização das redes sociais pelos danos causados. Eles deixam de ser interpretados como um mero veículo, que é o que eles tentam ser, não é? Eles tentam ser só um meio de conexão, que é o termo que eles usam, entre as pessoas e o conteúdo.
E eles passam a ser responsabilizados como agentes que são. Então, mas aí tem uma diferenciação muito importante de ser feita. Eu acho que a responsabilização que está sendo feita no caso americano lá...
eu acho correta, que eles programaram a rede para ser viciante. Eles sabiam que ela viciava. Eles criaram de uma certa forma para não otimizar a privacidade ou a conexão humana ou a usabilidade, mas o tempo de tela de maneira neuroquímica pensada de caso feito. Então, nesse sentido, eles são absolutamente responsáveis pelo que eles produziram.
Mas tem uma conversa que parece a mesma e que não é a mesma conversa, que é um dos artigos centrais na maneira como a web e a internet deveria existir. Que é o fato de que essas empresas, e esse é o meu ponto, elas não deveriam ser empresas tão privadas assim. Mas do jeito que está, a gente precisa de uma internet em que os provedores de serviços digitais não sejam responsáveis pelo que as pessoas são capazes de postar nesses ambientes.
que é um tipo de regulação que a esquerda principalmente exige, que é não pode ter post racista, misógino, desgraçado, de mau gosto, violento, não sei o que, em rede social. E eu acho que em algum limite é verdade isso, e a gente tem que ir atrás disso, tem que responsabilizar as pessoas que estão fazendo isso. Mas na hora que você responsabiliza a empresa, você começa a criar a ideia de que o Facebook é um veículo.
e não uma plataforma. E nesse sentido, se você revoga essa relativa isenção jurídica que essas empresas têm, você cria necessariamente uma internet muito mais regulada e muito menos livre na expressão. E aí é o que já está acontecendo.
Que é, em vez de se restringir nazismo, vai se restringir prioritariamente ativismo pró-Palestina, entendeu? E por aí vai. Então, assim, tem uma parte dessa liberdade digital que não é deixar o Facebook livre de nenhuma responsabilidade, mas é falar, então, já que a gente quer isso, vamos fazer com que isso seja uma responsabilidade pública e não é privada.
Perfeito. É não, tem que ser a legislação do país que vigora e não do Facebook. Aliás, daí era outra coisa que tinha que ser exigida. A transparência no algoritmo também, para não acontecerem coisas como shadow ban e tal. Exatamente. E uma manipulação política, uma manipulação política do algoritmo já acontece. Então a transparência do algoritmo, ela é realmente, nisso você tem toda razão. É o ponto fundamental. E é algo que a gente já vê acontecer. Eu não tenho dúvida que aconteceu várias vezes em eleições, isso daí já foi provado também.
Eu tenho certeza que vai acontecer esse ano. O que nos leva às eleições desse ano. Saiu a pesquisa Atlas Intel, na qual Flávio Bolsonaro passou de leve o Lula. Mas tem uma coisa que eu queria citar ali, que é uma abertura que a gente acabou nem falando. Então eu vou falar um pouco de improviso aqui, tá? Mas eu acho que vocês viram também que é algo bem interessante, que é o seguinte. Dentro da pesquisa, tem uma pergunta sobre acertos e erros do governo Lula.
E as decisões são majoritariamente vistas como acertos. Algumas como acertos gigantescos, como farmácia popular, que tem 84% de aprovação, mais 7% de não sei, ou seja, tem só 9% de pessoas que condenam. Desenrola, que é negociação de dívidas também, 14% condenam, o resto 75% aprovam. Isenção de IR para menos 5 mil, também 70% de aprovação.
Acordo Mercosul, muitas coisas são aprovação mais 70%. Ou seja, uma aprovação que invade o bolsonarismo, o mais ferrenho. A maioria das coisas tem aprovação. Onde é que desaprova? Imposto sobre compras de até 50%, é mais impopular das medidas. Ainda assim, ela é muito menos impopular do que a farmácia popular é popular, por exemplo.
cota de emprego para detentos, que é uma coisa que eu nem sabia que tinha, aliás, parabéns para o governo aí, não sabia disso, achei uma medida super progressista, mas em licitações públicas, você tem uma cota para seis detentos, um negócio que eu nem sabia que existia, mas a gente chama Emprega 347, que é muito impopular e dá para entender porquê, no Brasil de hoje, mas ali na mesma medida do cota de emprego para detentos,
tem a tentativa de fiscalização das transações via Pix, somando mais de 5 mil. Isso daí bateu num lugar para a população, graças a Nicolás Ferreira, claro, mas não só, porque eu acho que ele só fez o vídeo também porque ele sentiu que ali tinha um nicho, que a população ficou revoltada com a ideia do governo ficar sabendo.
ficar assim, monitorar transações de mais de 5 mil, que é imensa a maioria da população não faz transações com mais de 5 mil. Então tem algo também de muito... E é por isso que eu sou reativo um pouco, eu fui meio reativo à proposição do Bruno e à crítica do Bruno, porque eu acho que já existe um senso popular que eu acho que é muito nocivo, que é a ideia de assim, não me monitore. E eu sei que isso não está falando, tá, Bruno?
não me fiscalize, sendo que o objetivo não é fiscalizar você, meu amor, não é você que tem uma pequena empresa que vende doce, você que sei lá o que, não é, não, a gente está falando de uma fiscalização dos grandes agentes das redes sociais, pessoas que gastam bilhões, como o Ciro Nogueira da vida, ou da 7bet, para manipular o resultado de eleição, manipular, eu digo assim, para, olha, alegadamente, não é, produzir notícias falsas, supostamente produzir notícias falsas contra um candidato, por exemplo, é disso que a gente está falando, mas enfim.
No caso das 5 mil, eu fiquei muito chocado com a impopularidade disso. Eu queria saber o que vocês acham disso e falar um pouco dessas eleições e dessas últimas pesquisas. Porque eu acho que tem alguma coisa aí a ver no sentido de que, cara...
O problema, e agora eu vou falar a coisa mais clichê do mundo que vocês já ouviram mil vezes, mas o problema é de comunicação. Todo mundo já ouviu essa frase, não é? Eu queria só problematizar isso, porque eu acho que a comunicação melhorou. A gente já falou disso algumas vezes. O Sidone e tal, as redes sociais, o GovBR lá, o Instagram Bom e tal. Mas eu acho que vai além disso. Eu acho que tem um problema mesmo que não é só o perfil no Instagram do Lula, que de fato melhorou.
tem a ver com uma falta de informação, quase, da população em relação a esses programas, que elas aprovam, que a maioria da população aprova, ou seja, se fosse para votar nos programas, o governo Lula continuaria com ampla aprovação. E tem algo a ver também com o fato de que...
não cola nada na direita e cola tudo na esquerda. Ou seja, as coisas boas não colam e as coisas ruins, que nem são da esquerda, colam, como é o caso do Master. E aí vale lembrar, claro, do empurrãozinho que a Globo deu, essa matéria vergonhosa lá da Globo News, puta que pariu, que coisa horrorosa, criminosa que eles fizeram. Mas assim, não é só a Globo, a gente sabe que tem algo na direita que é meio teflon.
O Trump, se qualquer presidente de esquerda fizesse metade do que ele fez na última semana, já tinha rodado, já era escandaloso. E com ele não é, nada cola. Enfim, não sei se tem uma relação com o assunto ou se eu estou forçando, mas a ideia é de que, cara, como é desesperador ver que não adianta as medidas, as decisões serem acertadas, não adianta um governo ter botado o país nos trilhos.
porque isso foi isso que aconteceu ah, melhorou o Brasil, tá um paraíso, longe disso mas tá nos trilhos e a população aprova a imensa maioria das coisas feitas e ainda assim tá descarrilhado em termos de, a impressão que dá pra muita gente é que tá descarrilhado não sei, vocês estão sentindo isso também? sim acho que o governo tá se dando conta disso, a gente falou um pouco disso já, né, eu acho assim primeiro aqui
O problema de comunicação, eu acho que a gente, novamente, a gente só analisa a comunicação do ponto de vista da superfície, do conteúdo e da forma, como está sendo dito.
Então o Instagram está mais esperto, o vídeo vertical está mais bem feito, o Lula fez um discurso lá. Mas eu acho que essa comunicação que você está falando, que é capaz de dissociar a aprovação da política pública com o amor pelo governo ou a vontade de ver ele continuar, que é o centro desse negócio, não é uma comunicação que vai ser resolvida no conteúdo. E eu acho que a grande distinção entre a direita e a esquerda na área da comunicação, ou nos últimos anos, uma é...
A estrutura de comunicação favorece a direita por vários motivos, não só hoje por um alinhamento ideológico entre os donos dos novos meios de conexão, mas a estrutura em si, ela favorece a falta de foco, a superficialidade, a raiva, um monte de afeto que é mais dado a um campo mais irracional, mas outra que é uma crítica ao nosso campo, que é o que a direita ofereceu, e aí sim, de maneira mais hábil,
nos últimos 10 anos, mesmo que seja uma consciência política louca, alucinada, mas ela ofereceu politização ao público. Ela ofereceu uma identificação pessoal apaixonada por ideias e valores de uma politização de extrema-direita que foi feita na sociedade brasileira. E eu acho que o que o Lula não ofereceu e o PT não conseguiu fazer, especialmente nos últimos 10, 15 anos, que foi feita na sociedade brasileira.
foi oferecer mais consciência política a uma base muito ampla da sociedade que vai transcender a identificação pessoal com a esquerda. Que quem é de esquerda já vota, faz autocrítico, não faz, é mais apaixonado. Mas o que eu acho é que o que eles conseguiram oferecer para mais pessoas no país do que a esquerda nos últimos 15 anos, 10 anos, é que as pessoas se sentem parte de um movimento.
E o Lula não consegue fazer isso. Ele consegue oferecer uma promessa de políticas públicas marginalmente melhores. E complexas. Ceias de aprovações e pequenos escândalos misturando com o Congresso, põe isso aqui. Então é uma notícia complexa com resultados que são aprovados quando são perguntados de um em um, mas que no bojo...
Não responde à sensação emocional que as pessoas têm de viver em um mundo mais ansioso, menos seguro, com emprego precarizado, com contas muito altas, com violência, com scroll infinito, entendeu? Então é nesse sentido que a comunicação não está boa.
Não é que a publicidade não está boa, mas a conexão com a identidade política das pessoas está péssima. E que é o fato que a gente já fez essa crítica aqui muitas e muitas vezes. O Lula não usa muito bem a sua posição extremamente privilegiada de presidente da república e liderança muito carismática para fazer os seus eleitores um movimento ou é político. Ele não faz isso. Ele só pede voto. E isso não é o suficiente.
tem muito mais factóides, são coisas muito menos consistentes como políticas públicas, né? Não são coisas... Ou é a condenação da captura do Maduro. Tem muito mais coisa do terreno do simbólico e não da política pública de fato. É interessante mesmo que a gente está, no fundo, a própria pesquisa, ela lista desde coisas concretas até coisas de parte do discurso público.
É, porque se é pra dizer que... O que que tem ali de factóide, perdão? Ah, fiscalizar Pix acima de 5 mil? Sim. Também era pra botar a 6 por 1, que não rolou completamente ainda, ou a licença paternidade. Várias coisas que, entendeu? Sim. Já que é da ordem das propostas.
A questão da fiscalização do PIX é um desses exemplos em que a própria... A gente perdeu na semântica. A gente fica falando sempre do Don't Think of an Elephant, de outros... Que é esse livro que a gente deve ler no Clube de Cultura no segundo semestre, que vai ser publicado no Brasil pela primeira vez, pela companhia, e que é sobre justamente discurso e política, né? Mas a proposta não era fiscalizar o PIX.
A proposta era ir para cima das fintechs e dos grupos de crime organizado que usam a estrutura de pagamento digital para, basicamente, aplicar golpes e lavar dinheiro. E para isso acontecer, você precisava ter um tipo de olhar um pouco mais criterioso para transações grandes feitas por Pix.
E isso foi traduzido não só como fiscalizar o PIX. A maneira como o Nicolas apresentou isso para a sociedade era taxar o PIX, que já era uma inferência que estava se fazendo. Em outras palavras, o que foi comunicado para a sociedade foi se eles começarem a fiscalizar o PIX, eles vão fiscalizar o PIX para taxá-lo. E taxação do PIX realmente nunca esteve em discussão. Isso não era uma discussão.
Então, acho que vai mostrando como o discurso ele importa tanto quanto a substância da política pública. Mas eu ia te comentar que esse descolamento entre a aprovação da política pública e a aprovação do governo é muito interessante e é uma coisa que é estudada hoje na ciência política. Tem uma cientista política que estuda psicologia política chamada Liliana Mason, que estuda polarização, etc. Ela tem um livro que é...
que acho que não foi traduzido para o português, chamado Uncivil Agreement. E basicamente o que ela mostra é aquela coisa bem americana de ciência política americana, que às vezes é um pouco sacal, porque é muito baseado em dados, é uma obsessão com... Mas é interessante, por um lado... De data, de data. É, de data. E ela mostra um negócio que é meio intuitivo. É isso que muitas vezes que a ciência política americana faz, né? É provar o que a gente meio que já sabia, só que provar com dados.
que é que a identidade partidária, tribal, ela funciona como uma espécie de filtro anterior à avaliação de políticas. Então, o mecanismo psicológico, ele não é assim. A pessoa primeiro avalia a política e depois ela decide se ela aprova o governo. Ela primeiro decide se ela aprova o governo, se ela é desse time, e depois ela vai avaliar a política. E essas duas coisas são descoladas. Então, a gente pensa que a decisão de voto, ela deveria ser... ...
uma decisão posterior à avaliação das políticas públicas implementadas por esse governo. E não é assim que as pessoas estão decidindo votos. Realmente uma coisa não tem nada a ver com a outra. É muito mais uma questão identitária mesmo. A prova disso é um dado que na minha visão é o mais alarmante no médio e longo prazo do que...
A subida do Flávio, que é, novamente, terrível e perigosíssimo, né? Mas que é a performance do candidato do MBL entre jovens e geração Z. Eu não sei se vocês tiveram o... É desprazer de ver. Renan. O Renan tá com 25% de intenção de voto entre 16 e 24 anos.
isso é um isso é uma e ele subiu ele subiu 10 pontos basicamente de uma pesquisa até a outra é uma coisa vertiginosa de uma pessoa que não tem sequer política pública pra oferecer não tem nem o que aprovar e desaprovar no índice do big data Bruno, não é justo ele tem uma banda cover eu acho ele tem uma banda cover canta acho que canta em inglês não sei eu acho que já é alguma coisa assim não? mas o fato é isso ele tá operando o que que ele tá operando? identidade brisa
Ele está operando identificação num outro campo da comunicação, que não é o da mensagem, tipo, fui eu que fiz, eu estou oferecendo isenção de imposto, financiamento de matrícula, eu fiz o ProUni. Ele está oferecendo pertencimento no novo campo identitário midiático das redes sociais, da internet, em que o cidadão também é mídia. É esse nível de comunicação que a esquerda não sabe fazer, que não é o do conteúdo, é o da estrutura emocional.
Isso também é preocupante, que a pesquisa, além do empate técnico entre Lula e Flávio, tem uma coisa bem preocupante, que é o fato dos outros candidatos, os outros três candidatos, se não me engano são Caiado, Renan e ainda tem um terceiro.
agora não estou lembrando, são de extrema direita. São, sim, bolsonaristas, são periféricos ao bolsonarismo, sim, mas são bolsonaristas. O Renan Santos é bolsonarista jovem, outro é um bolsonarista mais velho, outro é um bolsonarista mais, sei lá, de onde. Mas são espectros do bolsonarismo. E eles juntos tem mais de 10%. Não há 1% que sobra para o Lula. Porque antes você tinha o Ciro, que, ah, tudo bem, foi meio a meio no melhor, né?
mais ou menos cada um para um lado, mas tinha alguns porcentinhos ali, você tinha a Tabet que migrou para o Lula, em grande parte, você tinha uma sobra, hoje você tem zero, zero. Não tem de onde ele tirar novos votos no segundo turno, né? E isso tem a ver com a hegemonia do PT no campo de esquerda, que é uma coisa que o PT trabalhou muito para conseguir.
É o projeto mais bem sucedido. É o projeto mais bem sucedido do PT. E de forma muito agressiva, às vezes, com outras vozes vindas de outros lugares. Isso ainda acontece em relação às poucas vozes, não exatamente dissonantes, mas alternativas dentro do campo de esquerda. Você pegar uma Erika Hilton, por exemplo, que é muito duramente criticada por certas aulas do PT, como se ela fosse o problema. Quando ela está ali propondo coisas interessantes, faltando o campo. A 6x1, inclusive, é muito dela. Mas o que é uma busca por um tipo de hegemonia,
que é um projeto muito específico de dominação partidária de um campo, mas que acaba gerando esse problema também, inclusive no momento eleitoral, que é claro, se você quer ganhar uma eleição, você não quer que seu campo esteja totalmente fragmentado, isso é ruim. Mas se você não tem nenhum tipo de dissidência que possa convergir em alguma coisa, você também deixa muitos órfãos, porque ou você precisa ter gente que se identifica completamente com uma liderança.
você não consegue ter aquela pessoa que vai querer demarcar uma posição e depois se juntar, que é exatamente o que o Renan está fazendo magistralmente, né? O Renan, ele está fazendo uma campanha para jovem, para esse público no qual ele está crescendo, muito boa, porque o que ele está fazendo é que ele está mantendo uma identidade de jovem de direita,
Ele critica muito duramente o Lula, obviamente, mas ele também critica o Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro de uma forma geral, às vezes de forma até bastante incisiva ou agressiva. Ele falou outro dia que o Flávio Bolsonaro tinha que morrer, e depois se desculpou, falando que queria dizer só morrer politicamente.
Mas, em todo caso, ele não se furta dizer que ele acha que o Flávio Bolsonaro é um merda, entendeu? Basicamente, ele diz isso o tempo todo. E, no entanto, tudo indica, não dá pra gente prever o futuro, mas seria muito surpreendente se no segundo turno ele não apoiasse o Flávio Bolsonaro. Então, é meio perfeito, porque ele consegue capturar uma insatisfação, enquanto o Flávio e o Lula vão se degladear aqui, o jovem fica achando os dois o O, os dois o fim da picada.
Ele tem um candidato que está criticando os dois, então que está ouvindo o que esse jovem quer ouvir também, que é não gosto de nenhum dos dois, os dois são uma merda. Mas esse candidato tem uma identificação ontológica e magética, estética, e muito provavelmente também haverá uma aliança política com um desses dois candidatos. Então quem vai herdar a rejeição a ambos vai ser um deles.
E esse vai ser o papel que o Renan vai cumprir nessa eleição. E ele vai cobrar caro por esse papel. Não tem nenhuma dúvida. Ele vai emplacar ministério. Se ele continuar com esse tamanho nesse público, que vai ser um público muito disputado no segundo turno, ele vai cobrar caro. E isso talvez seja o passaporte para o crescimento do partido do MBL, que é a omissão. Tomara que ele cobre caro. Assim, quem sabe, eles pagam o processo que eles estão me devendo já. Acho que uma grana aí. Eu vou falar agora para eles não processarem de volta, mas...
Tem supostamente uns 100 mil corrigidos do MBL para receber. Supostamente. Greg, o que você vai fazer com esse dinheiro se você ganhar? Eu quero promessas públicas aqui do que você vai fazer com esse dinheiro. Ainda não sei. Eu quero uma política pública com esse dinheiro.
saber se eu aprovo ou desaprovo muito bom, mas é isso, vamos ver agora, só conectar esse assunto da pesquisa com o assunto que a gente estava discutindo antes, que são as big techs e o ECA digital a extrema direita todos os expantes de extrema direita se manifestaram contra o ECA digital o Nicolas Ferreira em específico trabalhou se lembro
diuturnamente para que ele não fosse aprovado, chamando de censura e assim por diante. Então, evitaram, não conseguiram evitar, mas tentaram muito. E é muito fácil também saber por quê. A gente está com muitos sinais de um alinhamento político claro entre a extrema-direita brasileira e as big techs. E teve outra matéria do Intercept, também o furo do Intercept, que cobriu justamente um treinamento que foi dado pelas big techs para esses políticos e influencers de direita.
Então, um evento do PL pra onde a Meta mandou representantes pra treinar influências de direita claramente com um olhar eleitoral. Não sei se o Bruno quer falar um pouquinho mais sobre isso, que eu sei que ele ficou bem chocado. Choquei! Basicamente, é essa a informação, que eu não sabia, tava mal informado mesmo, mas que houve antes do Bolsonaro ser preso, um evento do PL sobre comunicação digital com a presença do próprio Jair, em que...
que pessoas da meta foram da workshop. E workshop sobre comunicação política em rede social, provavelmente com muito dado, com muita... Que é o que eles têm mesmo. E sobre inteligência artificial. Sobre uso de inteligência artificial. Então isso é totalmente coerente. Acho que no Brasil, apesar de não estar sabendo disso, foi feito de maneira muito explícita, porque foi uma participação no evento...
partidário mesmo, para ensinar coisas e não é simplesmente participar de uma conversa de maneira muito ostensiva, mas em alinhamento completo com o que a gente tem visto nos Estados Unidos, com o alinhamento dessas big techs com o governo Trump e com a extrema direita, exatamente por conta da tomada de consciência do campo um pouco mais progressista em relação ao que tem que ser feito com essas redes sociais.
que aí não é só no campo do conteúdo e da superfície, mas essa é a vontade que o FCC teve, que a Alina Khan teve nos Estados Unidos, que é de entender essas empresas como monopólios. E esse é o meu ponto. Na medida que eles começam a ver uma certa vulnerabilidade no discurso público, que corre não atrás de uma regulação de conteúdo.
mas do fato de que elas não podem ser tão grandes, que elas não podem ter controle tão grande, aí bate na bunda mesmo deles. Porque superficialmente era muito fácil para essas empresas serem progressistas, como elas eram identificadas antes. Elas doavam mais dinheiro para o Partido Democrata, elas se reuniam com o Obama, botavam arco-íris no dia da visibilidade, restringia pessoas com discurso nazista.
tudo absolutamente, né, assim, a gente acha bastante irrazoável. Mas você vê que isso é um interesse político superficial para que se mantenha o privilégio estrutural deles. E é isso que está em jogo. Parte da minha preocupação é exatamente essa. Em nome do campo superficial, a gente está novamente alinhando, cedendo no campo estrutural. Porque é onde eu acho que teria muito apelo popular também.
Se a gente conseguir explicar que o certo não é eles pagarem multa. Porque a multa, bem ou mal, entra na planilha também, gente, né? Mas não é multa, Bruno. É fim do scroll infinito. São coisas um pouco mais... Eu estou a favor do ECA. Eu só acho que a gente tende a tomar como uma vitória muito triunfalista uma coisa que para os caras não é tão difícil assim, aproveitar isso como uma oportunidade também.
Só esse meu ponto. Eu não vou relitigar isso. Eu não quero relitigar. Não, não, não. Não relitiga, não. Mas tem uma coisa que eu acho que... Que às vezes a brecha... E não à toa eles não deixam a brecha. Porque a brecha, ela permite abrir-se uma luz.
sobre o que jamais foi aberto. Então, por que, por exemplo, é um ponto muito sério para o streaming, de modo geral, pagar residuais? Sabe dessa... A Lê sabe bem, né? Essa campanha dos residuals, que é os criadores terem uma parcela do lucro do produto deles no streaming. Então, é algo que no cinema, por exemplo, é lei que todo mundo... Na TV. Sempre foi. Na TV.
Sempre foi assim, você ganha uma parcela da venda. Então, se você vende o seu produto para outro, você vai ganhar uma porcentagem, porque é seu. Para sempre, se vender daqui a 30 anos, ainda tem residual que você vai ganhar. Não existe isso na arte. Depende de audiência também. Isso. Cada view dá um centavinho para o cara que participou.
E para quem está vendo, isso não existe em nenhuma área da arte, do entretenimento, de nada. Não existe nenhuma outra indústria na qual o autor seja completamente alienado do produto dele depois que ele vende uma vez. É comum em todas as artes que eu saiba, do audiovisual, pelo menos.
do visual, da música, enfim. E o streaming meio que acabou com isso. E por que eles não querem abrir mão e nem negociar de pagar, por exemplo, 0,5% de residuals? Porque eles poderiam tentar negociar e não querem saber de 0,1%. Porque a partir de... se abre, abre um precedente para negociar e mais que isso. Eles têm que abrir as contas. Porque hoje as contas deles são completamente fechadas. É uma caixa preta. Quanto que... quantos assinantes têm? É o quanto eles dizem que têm. Quantas pessoas assistiram, estão assistindo de fato um streaming?
É quanto eles dizem que estão assistindo. É uma Coreia do Norte. Assim, é uma coisa assim, com perdão a Coreia do Norte, que deve ter mais transparência, talvez. Assim, você tem uma caixa preta, de verdade. Você tem uma caixa preta que, tipo, ninguém faz ideia do que está acontecendo ali dentro. Então, se você abre o residual, tem o fator da grana que eles não querem pagar, mas também tem a questão da transparência. E eu acho que esse tipo de coisa, o fim da timeline infinita, o fim da agência, faz com que obriguem eles.
a mostrar que é possível. E se mostra que é possível fazer uma rede social menos tóxica, eu acho que você abre uma brecha para torná-la, de modo geral, menos tóxica para todos. Tem uma regra bonita de urbanismo, que eu vi uma tese que algumas pessoas defendem os urbanistas, que é cidades boas para crianças.
são cidades boas pra todo mundo. Se você pensa cidades pra criança, ela, de modo geral, vai ser boa pros idosos, ela vai ser boa pros adultos, ela vai ser boa pras PCDs. Então, eu acho que isso vale um pouco pras redes sociais também. Uma rede social segura pras crianças, se é que isso existe, tá? Que eu e as minhas filhas, nem que seja segura eu vou botar, mas assim, uma rede social, pelo menos, que se preocupe com não ter crianças.
com não ter adolescente, com não monetizar crianças e adolescentes, é uma rede social certamente mais segura também pros adultos, pros idosos, pra todo mundo que as usa o Bruno mencionou inteligência artificial e eu queria mostrar uma coisinha rapidamente pra vocês, que a gente viu essa semana
e que mostra como é que vai ser feito o uso de inteligência artificial no contexto eleitoral, como já está sendo feito. Você provavelmente não conhece isso aqui, Greg. Vitor, põe na tela para mim, por favor. Isso é um exemplo de uso de inteligência artificial pela extrema-direita hoje no Brasil. Essa personagem, Dona Maria, que é uma influencer que não existe, ela é uma inteligência artificial muito realista, ela hoje tem, não sei mais quantos, mas vou verificar, acho que são 700 mil seguidores no Instagram, tipo, é grande.
É, 723 mil seguidores. É relativamente recente, né? Uma criação recente, então ela conquistou esses 723 mil seguidores bastante rápido, e o conteúdo de inteligência artificial é basicamente essa personagem que não existe, fazendo um pouco de react, assim, e falando mal do Lula. É só falando mal do Lula. Clica em um vídeo só pra vocês entenderem a estética, qualquer um.
O que aconteceu nesse desfile foi uma imoralidade sem tamanho. Usar dinheiro do povo pra atacar adversário é um escárnio que eu não aceito mais. O mínimo que se espera é que o miserável fique inelegível agora. O que vimos não foi carnaval, foi deboche com dinheiro público na cara de todo mundo. Ridicularizar o Bolsonaro enquanto exaltam o Lula, cheio de escândalo de corrupção, é o fim do mundo. Meu Deus!
é, e quando você vai vendo, primeiro que é muito bem feito é muito realista e quando você olha os comentários quase todo mundo é muito raro algum comentário nos muitos posts que são feitos, né? eu ia falar que ela faz, mas não é ela que faz, que alguém faz que não seja um comentário assumindo que é uma pessoa de fato então os comentários são, Dona Maria, a senhora falou tudo que maravilha ver alguém dessa idade que sabe se posicionar muito apelo popular muito mesmo então
E é uma personagem construída para atacar a base mais importante e em disputa nessa eleição, que é a mulher, no caso, uma mulher negra, de baixa renda, um pouco mais madura, que todas as pesquisas eleitorais mostram que é o público que vai estar mais disputado, assim, né? Que é um público que, historicamente, vota muito no PT.
mas que tem votado menos, inclusive, também por influência da religião. Então, ele é um público muito em disputa. Ele não é nenhum público consolidado para o petismo, nem consolidado para o bolsonarismo. Então, ele é um... Isso foi feito com certeza com estratégia política por trás. Isso não é uma coisa arbitrária.
E desculpa, aquilo ali está marcado como IA? Então, no perfil, o conteúdo nunca está guiado e o que as pessoas veem é o conteúdo, não é o perfil. E mesmo o perfil, ela é apresentada como Digital Creator e aí na bio tem especialista em vídeo com IA.
que não diz que ela é uma IA, mas diz que ela seria uma especialista em vídeo com. Então, é um bigo no perfil e não é marcado no conteúdo. E hoje a distribuição do conteúdo é algorítmica, né? Sobretudo, a pessoa não vai no perfil para ver o vídeo. Ela simplesmente vê o vídeo na timeline e passa para o próximo. Caralho, não vou nem falar das milhões de pessoas que cederam o rosto involuntariamente, né? Para criar essa personagem. É, e outra coisa, gente. Eu acho que eu tenho uma visão até um pouco mais... A voz e a voz.
um pouco mais desgraçada disso, que é o seguinte, eles escondem que é IA, eles não falam no vídeo, as pessoas têm muito pouca fluência para reconhecer isso, o grosso da população só vê o scroll. Mas eu acho também que faria pouca diferença.
se isso fosse mais claramente IA, com esse nível de realismo. Porque eu acho que a gente está no mundo do pós-mentira já, do pós-fake, não da pós-verdade. Eu acho que o tanto de conteúdo em que todo mundo sabe que é mentira, mas ele já não é nem mais que a pessoa não se importa, ele já não faz diferença se ele é falso ou ele não é, porque há algo ali que está respondendo só a necessidade emocional mesmo das pessoas. Então o fato de ser IA e de IA não ser,
Eu acho que é uma diferença marginal que faria no tipo de credibilidade que essa personagem é capaz de produzir e a Iá como um todo é capaz de produzir. Porque tem ela, que é mais realista, que é bem feita, que esse sotaque, que parece uma senhora super patriota e articulada, falando algo com uma linguagem popular que todo mundo vai se identificar, mas tem conteúdo de inteligência artificial absolutamente óbvio, mal feito, ridículo, Lula distorcido, não sei o quê. Mas eu acho que faz pouca diferença.
No caso. Porque a gente está nesse universo hoje em dia. Que é onde...
Como a verdade não é mais aferível, já não faz diferença se a mentira é também. Ela é assimilada de uma maneira muito apropriada, de qualquer jeito. Diferente do fake news. Diferente do fake news. Já é o ambiente digital. Uma coisa que eu não sei se vocês veem, que eu acho que é muito didático pro que eu quero falar, que é já tem muitos anos que tem pegadinhas experimentos sociais em rede social, que é uma coisa que bomba muito. Mas de um tempo pra cá, tem pegadinhas que são claramente falsas.
E as pessoas gostam do mesmo jeito. E não é que elas estão acreditando que é verdade. Ela produz o mesmo efeito de captura de atenção, de engajamento, de comentários engraçados, de reprodução disso como modelo de negócio. E aí que eu acho que a dona Maria vai longe. Que é a estrutura que favorece a extrema-direita.
Bruno, isso me enlouquece, desculpa, das coisas que mais me enlouquecem no mundo, junto com o aumento da extrema direita, é o aumento disso que você narrou de pegadinha falsa. O cara tá escondido atrás da porta, minha mulher vai passar aqui. Aí ele, buh, e a mulher, eita, assim, não, gente, isso é mentira, como é que a câmera estaria ali? Volta o mês e você fala, não tem como, a câmera já tá esperando, ela teria visto alguém filmar, quem que tá filmando isso? Sei lá, mas as pessoas não se incomodam. Não se incomodam. Eu acho que elas não se perguntam.
Elas gostam. Se você falar assim, é mentira, elas vão falar, ah, mas é engraçado. Eu acho que não é nem que elas não perguntem, eu acho que é um lugar novo, aonde meio que sabe, meio que não sabe, meio que não faz diferença. Que é após mentira, não após verdade. Que não é que você tá sendo enganada e aquilo serve ela de um outro jeito pra reformar uma identidade. Tipo assim...
tudo está no mesmo campo de valor. O que é verdadeiro e o que é falso, e o que é falso é simplesmente produção de conteúdo. Porque o conteúdo infinito é o que vale. E como é virtualmente impossível você fazer um conteúdo infinito de verdade, porque você dependeria de uma situação improvável de acontecer, você simula a situação improvável, mas é meio que o sentido da ficção.
É tipo você ver um filme, é tudo mentira. Todo mundo sabe que é tudo mentira, mas você suspende aquele negócio. Só que na rede social, isso ocupa um outro lugar cultural, que é o da inconsciência não intencional de estar enfiado em um espaço meramente e é performático mesmo. E é aí que a IA é perfeita. Porque já que não faz diferença, bota o robô pra fazer que você faz 100 Dona Zé Marias por dia.
E aí você não precisa nem mais do ser humano simulando. Você só faz, você só manda o prompt mesmo. Porque de qualquer jeito, o ser humano já tá sendo o prompt de si mesmo. Alguém me falou outro dia, né, que em breve vão pedir prova de vida pra você se candidatar, assim, prova de vida física. Porque os IA estão ficando tão bons que se Dona Maria simplesmente se registra, se filia, ela ganha. E ela não existe.
Você viu que tem umas instruções agora muito distópicas? Porque hoje os golpes que estão dando, o velho telefonema de, oi, eu sou a sua filha, é papai, aqui é a Alessandra, me salva, me manda grana. Agora tem vídeo, né? Eu tô fazendo vídeo, tô fazendo zoom, tô ligando de FaceTime com o avatar da filha. E agora tem um jeito de você prevenir, que é pedir pra botar a mão na cara e tirar a cara várias vezes pra ver se não distorce, se não tem alguma coisa.
Então tem essa instrução, quer dizer, se a sua filha te liga de vídeo, você fala assim, tá bom, filha, você pode pôr três dedos na frente do seu rosto, por favor? Isso é o que a gente precisava dizer pro Gregório nunca mais voltar.
Exatamente. Não, e certamente vai estar pior em qualquer lugar do mundo. Tem isso também, né? Que assim, a única coisa boa que está no Brasil é que a guerra, ela afeta, óbvio, mas não tão diretamente. Na Alemanha, as pessoas estão, de fato, já estocando comida. Por causa do governo. O governo sugeriu que as pessoas que elas estocassem, tá? O governo alemão já sugeriu e a guerra é... Então, nesse sentido, o Brasil, claro, vai ser um inferno, aumenta o preço de coisa, mas aqui, realmente, a guerra, eu sinto que é muito mais presente.
presente e inevitável. A impressão que dá é inevitável. A Alemanha mesmo nunca gastou... Você viu? A Alemanha está gastando 5% do PIB em defesa. A última vez que aconteceu isso na Alemanha a gente sabe já. A gente viu o que deu. O que aconteceu. A gente viu o que deu. Enfim. Dito isso, gente, eu não vou indicar nada. Livro nenhum que eu tenho que entrar já para passar o som e fazer peça daqui a pouco. Mas se vocês quiserem, vocês podem continuar.
Um beijo, Greg. Já já eu tô de volta. Saudades de vocês. Assim que eu voltar a gente se encontra no mundo físico. Obrigado a todas as pessoas que eu encontrei aqui nessa turnê. Já já eu tô de volta no Rio de Janeiro. Vamos ter calma ao vivo no Rio de Janeiro, né, Lê? Fala com eles. Isso, dia 6. Um beijo grande, querido. Mas já tá esgotado, então não adianta tentar comprar ingresso porque esgotou.
No entanto, não vai ser o único. A gente vai tentar fazer uma vez por mês. Nem sempre no Rio, ainda que vai ter mais apresentações no Rio, porque é mais fácil para dois dos três integrantes. Então, a gente ganhou por maioria. Mas a gente vai fazer uma apresentação no teatro no dia 6 de abril aqui no Rio e deve fazer uma outra no início de maio. Então, fica ligado que a gente vai avisar quando é que vai abrir a bilheteria da próxima apresentação. Se você não conseguiu o seu ingresso, você vem para a próxima. Não se preocupa.
É isso. Eu não vou indicar nada hoje também não, gente. Estou louca. Já indiquei o que eu podia indicar. Sigo lendo o Inês Aralma Mia, que eu mencionei no último episódio. E você, Bruno. Eu também, como a gente está gravando na sexta-feira, e a gente já gravou um na segunda e fez Clube de Cultura na quarta, eu e a Alessandra estamos trabalhando muito nessa semana.
Eu ainda tô relendo o Realismo Capitalista, que é o livro que a gente vai ler juntos no Clube de Cultura do Calma a partir da semana que vem. Aliás, na outra semana que a gente vai encontrar. O livro de abril.
é o Realismo Capitalista, do grande Mark Fisher. E eu já tinha lido esse livro duas vezes antes, mas dessa vez, tendo que ler pro clube, fazendo anotação e lendo com, assim, é o que que eu tenho pra falar do livro, que é muito diferente do que ler ele no...
na cama, sem nenhum outro compromisso mas basicamente depois do novo mandato Trump, ler ele com a ascensão da inteligência artificial e ler sob essa ótica que eu tô um pouco
perturbado aí da pós-mentira, do que eu tenho chamado pra mim mesmo de pós-mentira, é um livro altamente visionário e ultrapassado. Ele é muito adequado, ele precisa ser lido. Mas ele tem que sempre lembrar que ele tá fazendo esse livro em 2009.
O primeiro mandato é Obama, tinha um otimismo no ar muito grande, e ele já encara uma série de problemas que hoje estão escancarados e são onipresentes, que é a relação da escalada de problemas de saúde psíquica com o modelo cultural e econômico, que é o realismo capitalista, na minha opinião, hoje em dia já está no fatalismo capitalista, não é nem mais realismo.
Mas é um livro altamente relevante para tudo isso que a gente está colocando. E quem quiser discutir sobre esse livro, ainda dá para se inscrever no calmaurgente.com e fazer parte do nosso clube de cultura e entrar nessa leitura a partir do próximo mês. Não só nas leituras, mas nos descontos em muitas editoras, livros, livrarias, teatro, cinema, loja de roupa, que membros e membras têm direito a usufruir.
É isso, gente. Você vai ter perdido o primeiro mês, mas você chega no segundo e vai ter muito livro ainda, muita coisa pra gente discutir. Você não perde o primeiro mês, você pode acessar todo o conteúdo do clube que está lá gravadinho, bonitinho, pra você acessar, fazer parte de vários grupos de WhatsApp da nossa comunidade e encontros presenciais, é desconto de 55% pra assistir o Calma Gente ao vivo e outros benefícios que vão se somando ao longo dos próximos meses.
É isso. Um beijo, pessoal. Tchau, Bruno. Beijo, Alê. Tchau, tchau.
O Calmo Urgente é uma produção da Peri Produções e do Estúdio Fluxo. Na apresentação, Alessandra Orofino, Gregório Duvivier e Bruno Torturra. Na produção, Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes. Ilustrações, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Bruna Messina. Gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E...
Consultoria de Comunicação, Luna Costa