A Seleção Pós-Brasileira
Que seleção - e de que Brasil - foi eliminada na Copa? Bets, Neymar, Cazé TV e outros desfalques.
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O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
Consultoria de Comunicação, Luna Costa
- Futebol e Apostas EsportivasApostas esportivas · Modelos de negócio · Impacto social das apostas · Betfair
- Futebol Globalizado e Mudança de PotênciasFIFA · CBF · Mídia esportiva · Cazé TV
- O papel de Neymar na SeleçãoNeymar · Fim da era Neymar · 7 a 1
- Campeonato Brasileiro de FutebolSoft power brasileiro · Futebol como identidade nacional · Vini Jr.
- Controvérsias nas CopasCopa de 1934 (Mussolini) · Copa de 1954 (Alemanha vs Hungria) · Copa de 1978 (Argentina) · Copa de 2014 (Brasil)
- Copa do MundoFutebol e metafísica · Copa do Mundo
- Crítica ao técnico estrangeiroTécnicos gringos · Identidade nacional no futebol
- Botafogo e futebol brasileiroVestiário de 2002 · Vestiário atual · Futebol e samba
- Futebol Moderno e InovaçãoAnálise de dados · Inteligência Artificial
Boa noite, boa noite, queridos ouvintes e espectadores do Calma Urgente. Boa noite, meus eternos pentacampeões. Boa noite, meus eternos aguardadores do Hexa. Boa noite, meus sonhadores. Boa noite, você que acreditou. Boa noite, você que foi iludido, ludibriado. Boa noite, você que já sabia e que agora tá dizendo, eu já sabia. Boa noite você que já sabia e ainda assim foi ludibriado, que é meu caso. E boa noite, claro, Bruno Torturra e Miguel Lago.
Venham! Sim, hoje nós temos Bruno Torturra e Miguel Lago, deixando claro que não é porque Alessandra não saiba, não entenda de futebol, porque Alessandra Orofino entende de todos os assuntos e é apta a falar sobre todos melhor do que nós todos, mas ela está hoje num jet lag que é uma palavra para uma ressaca de avião. Ela viajou muito, na verdade já jet lag, tá com fuso, né, jet fuso, fuso lag, não sei exatamente qual o nome para isso.
Ela não pode, não pode entrar. E o Miguel, que é um homem, é um homem completo, um homem que aparece, que não atende. Verás que um filho teu não foge à luta, falando de Miguel nos salva.
E marido da Alessandra, e marido da Alessandra, que é uma coisa muito arriscada, que a gente vai falar de futebol e chama o marido da nossa coâncora, né. Então exatamente, a gente Explicar bem que ela incentivou, ela que falou: chamem o Miguel e eu estarei dormindo. Então só para nos isentar de qualquer—
muito bem lembrado, muito bem lembrado que ele não está aqui por ser mais um homem, por ser a turma do Bolinha. Não, ele tava no banco, ele tava no banco de reservas. Essa é a verdade.
E a nossa é um Tchelote que chamou ele em campo.
Então, nossa Ancelotti, que é também nossa Vini Júnior, que é também nossa— aliás, não é justo chamar Alessandro de Ancelotti. Que eu queria começar aqui, eu assim, esse é o momento em que os culpados aparecem para dizer que não é hora de apontar culpados.
Eu odeio, eu odeio essa frase. Com as mãos de sangue, né?
Eu odeio essa frase. Todo mundo que fala não é hora de apontar culpados é o culpado para mim.
É o cara com a faca na mão, é.
Que se tem uma hora de apontar culpado, é agora. Olha, sempre é hora de apontar culpados. Sempre é, né? E esse programa é basicamente isso. Calma Urgente é apontando culpados desde 2000.
Dedo de seta.
Então eu queria começar apontando meus culpados. E o primeiro deles, claro, na minha opinião, quero ouvir vocês, é o boca de chiclete, boca de traidor, como disse Valentino Bandeira. É o técnico sentado, técnico mais sentado da Copa. Que já me irrita profundamente um técnico sentado. Técnico é uma das poucas profissões que é bípede, a pessoa tem que estar em pé na beira do campo. Um técnico sentado mascando chiclete com a sobrancelhinha arqueada já me irrita profundamente.
Isso daí sempre me irritou, isso eu já sabia. E além disso, é um técnico gringo. E aí eu sou, eu vou ser xenofóbico, eu sou contra técnico gringo, é a maior escrita da história do futebol. Nunca nenhum técnico ganhou na história e tem um motivo para isso. Por que que não pode se contratar um atacante de outra seleção, mas o técnico pode? É um absurdo. Não pode. Não deveria poder. Não deveria poder. Um técnico... Porque seleção é uma das poucas coisas que é identitário na vida.
Você não pode trocar. Não é time que você contrata. A pessoa, ela tá defendendo mais que... Quando ela tá defendendo jogando pela seleção, ela não tá defendendo apenas um escudo, uma camisa, um clube. Ela tá defendendo uma nação. É a famosa pátria de chuteiras. Ela está representando um país, o espírito de um país. Sabe? E é por isso que Copa para mim é tão forte. Eu não gosto tanto da bola em si quanto do que tá acontecendo em volta.
Aliás, antes da gente continuar, eu quero ver vocês. Eu só queria avisar para as pessoas que estiverem, estão vendo, que a gente— eu posso dizer por mim, vocês podem dizer por eles— não somos especialistas em futebol, longe disso. Eu entendo, para ser sincero, entendo nada, tá? Então a partir daí prossiga com essa expectativa, tá? Isso é importante lembrar. Ah, mas vocês estão falando, mas não entende futebol, tá? Eu já falei isso antes de você, mas estou com Nelson Rodrigues que dizia que no futebol o pior cego é aquele que só vê a bola.
Essa frase é maravilhosa, é maravilhosa, porque é maravilhosa, porque é isso, você ficar falando de bola é chato. Futebol não é sobre uma bola, não é uma bola entrando no gol. Se fosse isso, não teria graça nenhuma. Tem toda uma esfera metafísica e mitológica que envolve uma contenda. E na Copa do Mundo, então, isso toma contornos épicos. Dito isso, eu queria começar apontando o primeiro culpado de todos, que é ele, tá? É o nosso eterno ali boquinha mascando, entediado com o jogo.
Parecia que ele preferia estar em outro lugar. Ah não, não é isso, é porque ele é um cara muito técnico. Então não é técnico, ele é um tecnocrata. E eu queria só atender, e o Bruno vai gostar dessa, Bruno vai gostar desse, dessa aspa dele. Perguntaram por que que ele botou para bater o Bruno Guimarães, que tava num dia péssimo, ele tava errando tudo. E ele falou o quê? Os dados. Ele falou dos dados, tá? Então por que que não bota uma IA para coordenar o time?
Não precisa de técnico se é só analisar dados. Bota uma IA, bota um software. Que vai escalar, vai dizer quem bate tênis, vai dizer cada um vai para que lugar. É isso, ele não precisa existir se é só dados, porque qualquer ser humano vai olhar para seres humanos e vai escolher baseado em ser humano, não vai escolher baseado em dados, em planilha. Porque para um ser humano, em vez de um tecnocrata, o ser humano não vai olhar para o Bruno Guimarães como uma coluna no Excel, ele vai olhar como uma pessoa, um ser humano que tá ali, vai sentir que o cara tá num dia horroroso, que estava, e vai falar: não, você pode ser o nosso melhor batedor de tênis.
De pênalti. Hoje não. Hoje você não tá num dia que tá com um cara que vai bater. Eu, antes de bater o pênalti, ele já, ele tá com uma cara, ele respirou.
Tava claro que ele ia perder o pênalti. Eu vi a cara dele, eu virei pro lado e falei assim, não vai, ele vai errar. Não tinha a menor condição.
Eu também senti isso, Bruno. Eu acho que todo mundo sente.
Eu, quando tenho aquele tipo de nervosismo, eu vou gaguejar demais, não vou conseguir falar, vou começar a suar que nem louco. Eu sei que nervosismo é esse. Eu sou solidário. Eu também estaria, se eu tivesse 3 pênaltis na minha carreira, em um estádio. Que é isso, não levou em conta o básico, que ali estava acontecendo uma situação emocional e épica, e não uma cobrança de pênalti no treino, que é uma questão de índices e pontaria, né?
Tipo assim, bota o mais experiente, claro, bota a pessoa que tá melhor em campo, bota a pessoa que tá respirando sem ofegar, pelo amor de Deus.
Ou bota o líder, né?
Quer dizer, o líder que seria o decisivo, o com confiança em cima.
E mas o problema é que o único jogador que poderia ocupar esse lugar, o Vini Júnior, ele foi treinado pelo Ancelotti no Real Madrid durante alguns anos. Então acho que alguma razão pela qual Ancelotti não queira colocar ele. E o Vini, apesar de ter lampejos de brilhantismo, como a gente viu no próprio jogo, eu acho que ele também falha muitas vezes. Então não sei se o Ancelotti não confiava nele para bater o pênalti, que normalmente deveria ser o Vini no momento assim decisivo.
É o craque, bate, é o craque. Até porque eu acho que a pessoa que bate Você me diz, me corrija se eu tiver errado, mas eu escolheria pela pessoa que menos tem a perder. Porque o Vini, perdesse aquele pênalti, ele continuaria sendo o melhor jogador do Brasil na Copa, entendeu? Então ele ia bater com uma tranquilidade da pessoa que sabe que a vida dele não depende daquele pênalti, porque ele já tinha entregado para cacete nessa Copa, ele carregou o time nas costas.
Então é um pênalti que ele ia bater com uma tranquilidade muito maior do que uma pessoa que hoje vai ficar marcada para sempre E eu não acho justo nem com ele, entendeu? Que tava fazendo uma ótima Copa.
Então eu nem acho que vai ser marcado para sempre, não. Ah, Bruno, eu acho que é diferente do pênalti perdido do Zico, dessas coisas que ninguém tem raiva, mas que ficou marcado. Mas porque teve tantos cúmplices, foi uma sucessão de problemas nessa seleção que acho que nem o Ancelotti vai ser totalmente culpado por essa situação. Eu acho que tem uma sinfonia de coisas aí que essas análises já estão sendo super ditas. Teve o gol do Hendrik, que ele perdeu um gol, puta que pariu, que não poderia ter perdido.
A Noruega tava organizada. O Ancelotti, que eu também concordo muito contigo, independente da qualidade dele, é um baita campeão, não sei o quê, eu acho mesmo que se o atacante não pode ser gringo, o técnico é a expressão do futebol do país, tem que ser igual. E eu já tinha ódio ódio daquela técnica que o Japão fazia, que a França já fez, de naturalizar craque para jogar na seleção. É o fim da picada. Eu já achava tipo roubo, eu já achava doping, entendeu?
Mas assim, agora eu honestamente nem no Ancelotti eu tô com tanta raiva, porque assim, eu concordo com a análise do que eu acho os melhores comentaristas de futebol disparado foram o Falha de Cobertura, assim, adoro também, completamente correta análise e inteligente e aprofundada e séria. E o Chico Barney. E o Chico Barney fez um comentário que eu acho um dos grandes jornalistas brasileiros. E o Chico Barney fez um comentário perfeito depois do Brasil e Escócia.
Ele pegou o microfone, abriu e falou assim, aconteceu o pior. A gente voltou a acreditar. Porque assim, ninguém tava, tava puto, ninguém estaria puto se o Brasil tivesse sido eliminado na 16ª lá, no 16avos, se a gente não tivesse um lampejo de esperança com 3 a 0 no Haiti e 3 a 0 na Escócia. Então assim, foi um auto-engano também. Então de algum jeito eu nos culpo também por isso, porque assim, essa revolta, essa revolta toda. E eu te digo mais, eu fiquei satisfeito com o resultado.
Ah, Bruno, não, aí para.
Aí eu não torci contra, eu não torci contra, eu torci a favor do Brasil. Queria que tivesse ganhado, tava indo com meu filhinho, queria, né, toda coisa de família. Botei a camiseta do Brasil nele e tudo mais, comprei a bandeirinha, pus no carro, fiz tudo, fiz assim a rigor do torcedor. Mas quando acabou o jogo e eu vi o que o Neymar fez no pênalti E depois de ser um escroto no pênalti, cair no meio de campo chorando tipo uma criança, eu me lembrei de quando a era dele começou, que foi na Copa do 7 a 1, que justo ele não tava em campo, bom que se diga.
Ele foi ferido no jogo anterior de maneira muito covarde, diga-se de passagem. Mas a era dele acabou do jeito perfeito Para que o Neymar de fato não vire o ícone que muita gente quer que ele seja. Ele acabou como o Neymar tinha que acabar, que nem um merda mesmo, que nem um cara mau caráter, amoral. E acho que isso é o que eu fiquei satisfeito com o resultado ontem. Não fiquei feliz, não acho bem feito, mas eu, eu acho assim, que bom que esse futebol, que bom que essa simbologia desse time Não é a simbologia que vai entrar na história como o hexa, entendeu?
Mas como hexa não, mas que é o fim da era Neymar na seleção, eu tenho minhas dúvidas. Porque a capacidade extraordinária de ilusão que esse grupo, que é um grupo que é entre CBF, entre essa indústria do jornalismo esportivo, que hoje em dia jornalismo esportivo, com raras exceções, virou só ex-jogador de futebol aposentado, Pois é, assim, que acho que devem entender tanto de falar sobre o futebol quanto a gente, que eu também não entendo muito, mas é, e que todos fizeram campanha, todos os comentaristas da Globo fizeram campanha para que o Neymar fosse convocado.
E do pouco que eu entendo de futebol, o Neymar de fato foi o jogador mais eficiente na partida ontem, porque o jogo tava 0 a 0, ele entrou e provocou 2 a 0, e depois fez um gol de pênalti no final. Então de fato ele foi muito eficiente, ele contribuiu para que a partida tava 0 a 0, e o Brasil estava relativamente bem. O Brasil tá bem. Então assim, eu acho que o que me doeu é o seguinte: eu não tinha nenhuma esperança com esse Brasil porque eu acho que a gente tem uma safra de jogadores horrorosa.
Mas a gente tem, aí eu vou discordar do Greg, a gente tem um grande treinador. Ele é um treinador vitorioso, não diria um grande treinador, mas um treinador extremamente vitorioso, o mais vitorioso na Europa. E que é um treinador bom de tiro curto, justamente. Eu achei que a decisão da CBF de trazer ele um ano antes da Copa era a melhor possível. Assim, não tem ninguém melhor no mundo para dirigir uma seleção meia-boca como é a brasileira para esse tiro curto.
E eu confesso que no primeiro tempo do jogo da Noruega foi a primeira vez que eu senti, olha, essa seleção talvez possa chegar na semifinal, coisa que eu achava impossível antes, que os primeiros 3 jogos achei um desastre completo, o jogo contra o Japão também. E esse eu tava achando, nossa, tá aí, tá pesado perder o pênalti e tal. Mas e aí quando ele colocou o Neymar e o Danilo, aí realmente eu achei, bom, tá bom, obrigado, acabou.
E acabou, cara. Mas me diz uma coisa então, o que que esse gênio, suposto gênio, que eu estou com muita raiva dele, mas é bom ter aqui um contraponto. É porque primeiro convocou o Neymar, um sujeito numa péssima fase, tá, e lesionado, uma lesão gravíssima. Convocou contra qualquer pessoa que entenda de futebol minimamente, dizia assim todos, né. Convocou e depois, no dia seguinte, ainda vem o filho do Gilmar Mendes e me diz que foi ele que disse Né, segundo filho de uma Mendes.
Filho de uma Mendes que chama Chico Mendes, que aliás devia ser proibido usar esse nome. Pois é.
Meu Deus.
Porra. Chama Francisco Mendes, vai. Não usa o apelido Chico não, pra quando seu sobrenome for Mendes. Tenha um pouco de respeito. Vamos combinar, né? Um pouquinho. E o tal do Chico Mendes, o nepo Cartola. Pode ser processado se falar Cartola? Se falar Cartola é crime, não?
Acho que é mais crime nepo.
Eu acho que é mais crime nepo. Nepo, tá.
O Nepo Mendes, tá, filho do Gilmar. É isso, tá. Se você, você que é fã do Neymar, ou seja, que é fã da CBF, você também é fã do filho do Gilmar Mendes, é fã do Gilmar Mendes, que foi o Gilmar Mendes que botou ele lá. É um combo o Brasil nesse sentido. E esse cara tá, ele, ele é pau-mandado do Chico Mendes, o Ancelotti. Por que que ele topa isso? Tá bom, R$5 milhões por mês, Mas é isso só? Assim, eu fiquei muito—
e acho que é uma boa pergunta. Eu não sei porque nenhum dos indicativos que o Assol estava dando ao longo das convocatórias apontavam para a possibilidade dele convocar o Neymar. Ele tava dando todas, ele tava criando já a arguição dele contra convocação do Neymar. Ele tava muito claro isso. Eu acho que tem duas coisas aí. E aí eu, eu, Greg, eu concordo que É, para seleções eu também acho muito estranho ter técnico estrangeiro, mas eu acho que o Brasil tá num nível tão falimentar do seu futebol que era bom ter um treinador de alto nível.
Infelizmente nós não temos treinadores no Brasil que sejam de um nível de segunda prateleira, quanto mais de primeira prateleira mundial, que eu acho que realmente a aposta em algum técnico dessa, desse calibre foi correta, tá? Então eu não que eu acho que a gente fosse ganhar a Copa do Mundo, mas poderia ser o início de uma virada talvez no futebol brasileiro.
O problema é que o Ancelotti não transformou o futebol brasileiro.
O futebol brasileiro transformou o Ancelotti. A minha impressão é que o Ancelotti foi abrasileirado, foi CBFizado, globalizado, muito mais do que outra coisa. Então eu imagino que a pressão foi enorme nele sobre a coisa do Neymar. E aí tem aquela coisa de composição, você vai, ah, cara, tão botando tanta pressão, se eu não levar esse cara com esse time, ele deve olhar para esse time que já é um time bem meia-boca E falar, bom, pelo menos eu não vou ser acusado.
O que eu acho incompreensível é ter colocado o Neymar no jogo de ontem. Aí eu acho que é um erro crasso dele. Mas ele convocar, deixar no banho-maria como ele tava fazendo, eu acho que foi meio que uma composição. Enfim, ele trabalhou 10 anos para o Silvio Berlusconi no Milan, né? Então assim, ele sabe lidar com mafioso, ele sabe lidar com mafioso. Cuidado com processo, Silvio está morto, não pode se defender. Mas tem filhos muito ricos.
Bem lembrado, muito bem lembrado, Miguel. E mais, eu não sei se quando eu digo submeteu, foi submetido à pressão, pode ser a pressão de um Chico Mendes, uma CBF, que ele mesmo tirou onda que fez. Aliás, é muito louco, a gente tá no momento em que o mafioso, botar muitas aspas aqui, tá, o poderoso, você entendeu o que eu quero dizer, ele exerce pressão ilegítima E se orgulha disso, que é a mesma coisa que o Trump fez. O que o Trump fez na Copa, meu irmão, é papo disso.
Isso não acontece em campeonato carioca da Série D, não acontece isso, entendeu? Assim, não acontece isso de uma pessoa exercer pressão, tirar um cartão vermelho a posteriori e a FIFA topar. Nenhuma confederação aceita isso, lugar nenhum do mundo que eu saiba. Assim, é muito vergonhoso. E o cara depois ainda ir lá e dizer que ele que pediu e tira onda. É eu que tirei o cartão do cara. É um negócio assim de uma vergonha, meu irmão.
Essa Copa é foda, né? Porque agora que perdeu é fácil falar mal. Parece que é coisa de recalcador de cotovelo. A verdade, essa Copa é uma merda. O Brasil não deveria ter participado desde o começo. Uma Copa nos Estados Unidos que não aceitou inclusive o Irã tinha que dormir em outro país. Uma quantidade de vergonhas gigantescas. Então tô feliz que o Brasil saiu dessa várzea, dessa merda. Aliás, desculpa, eu todo respeito às várzeas do mundo.
Não é muito pior que uma várzea, é uma merda de um campeonato escroto, ilegítimo, que eu não reconheço o ganhador dessa Copa. Eu não reconheço, não me representa. Não, cara, mas falando sério, eu tô com você, eu tô com você.
Eu acho que tá tudo montado para Argentina, né, que é do aliado. Pois é, então não sei, eu não sei. O jogo ontem na Inglaterra e do México, você tá montado para os anfitriões. O que assim, os pênaltis que marcaram a favor do México, inacreditável. Foi assim, foi heroico.
Eu tava torcendo muito para o México, eu tava torcendo para o México, passei a torcer para Inglaterra.
Mas o ponto, o ponto que eu acho que assim dessa Copa é isso: tem algumas Copas do Mundo que foram vergonhosas, né? 34, que é a Copa do Mussolini. Mussolini, a Tchecoslováquia era para ser campeã daquela Copa. Até hoje os tchecos não reconhecem aquele título, com razão. A Itália tricampeã, não deveria ter aquele quarto. A primeira Copa foi ilegítima, apesar de ter um grande time. A Alemanha, 54, Alemanha com Hungria, é das coisas mais absurdas, porque como o Ocidente tinha que criar né, uma, essa obsessão cindiu a Alemanha em dois.
Então vamos ter que criar duas identidades nacionais, uma Alemanha Ocidental. O que será a identidade da Alemanha Ocidental? Ela tem que ser um lugar vitorioso. Então prosperidade econômica, ordem, liberalismo, etc., e futebol. Só que 54, o melhor time do mundo era a Hungria, que era extraordinária. E a roubalheira dessa Copa, e sobretudo da final, é das coisas mais chocantes assim. O Puskás, que era o grande craque da atualidade, Parece que eles cuspiram no final do jogo em cima do árbitro, porque foi assim, gol anulado, foi assim, teve de tudo assim nessa final.
E depois descobriram, quer dizer, é uma, existe grandes suspeitas, não tem como comprovar, que os jogadores alemães estavam dopados naquela final também. 78, Argentina também, mas a Argentina, mas o Brasil que fica, mas é que o Brasil fica muito incomodado com Argentina sempre. Teve pressão, com certeza, aquele 6 a 0 do Peru foi totalmente gastado, mas não era final, totalmente, mas não era final. Eles ganharam a final.
Era manipulação de chave, era horrível, é horrível.
Mas na final acho que é 34, 58. Aí tem também 62 no Brasil, mas aí é mais tranquilo, que é meio tipo isso que aconteceu com Trump. O Jango parece que intercedeu para tirar o vermelho do Garrincha, que foi quem ganhou a Copa para gente. É, mas na época o cartão vermelho ainda não era muito— então aí tem uma discussão, porque o cartão vermelho na época não era uma instituição tão bem estabelecida. Então ele foi expulso na semifinal contra o Chile, só que ele era o melhor jogador do Brasil e ele deitou e rolou na final, ganhou a Copa pra gente.
Mas eles conseguiram suspender o efeito suspensivo do cartão, algo assim. Mas de novo, era outra época, o cartão vermelho tinha acabado de se introduzir naquela Copa. Então assim, é diferente. E o Chile também não reclamou, enfim.
Sempre foi, sempre foi, sempre foi uma várzea essa Copa do Mundo. Gente, é a FIFA, é a FIFA, é a FIFA, é a FIFA. A FIFA é uma grande CBF.
Exatamente, a FIFA é a CBF mundial, gente. Assim, tem filmes disso, né? Filmes. Havelange, né? Foi a própria Havelange que fez a FIFA ser o que ela é.
Não, a FIFA é uma tecnologia brasileira exportada para o mundo, vamos ser sinceros.
É padrão FIFA, é padrão FIFA, é uma invenção brasileira e que a gente depois entendeu como sinônimo de qualidade na Copa de 14. Então assim, na Copa de 2014 foi um momento muito importante para a gente entender o que que tá acontecendo hoje. E é por isso que eu fico satisfeito com o naufrágio final dessa visão de seleção brasileira que o Neymar encarna. Mas que em 2014, quando a gente cedia a nossa Copa aqui, ela foi a anti-Copa de 50.
Ela foi assim o tudo que 50 não foi. E eu vou te falar, eu tive a sorte, uma coisa que caiu no meu colo, eu vi a final no Maracanã. Eu fui ver Argentina e Alemanha. 2 dias antes me deram ingresso, eu fui ver. Eu vou te falar, foi o jogo de futebol mais triste que eu já fui na minha vida, porque eu nunca tinha ido no Maracanã reformado da Copa, entendeu? E eu conheço o Maracanã, eu conheço o Maracanã. Aí assim, sem— não, o que eles fizeram no Maracanã não é nem nada pessoal, mas assim, para mim teve uma dor especial Porque o Mário Filho é meu tio-avô.
Então eu sempre tive uma coisa muito assim profunda com o estádio Mário Filho, com o Maracanã. Minha família não chamava de Maracanã, falava, a gente vai lá no Mário Filho e tal, porque fazia questão e tal. Eu entrei lá, cara, eu comecei a chorar, cara, sozinho, porque eu falei assim, eu não acredito que fizeram isso. E não com a arquitetura, que foi um crime em si, eu tava cercado de milionário. Em todos os lugares era o rico brasileiro.
E ali vaiaram, tipo, Dilma com o slogan pré-lavajatista. Eu falei assim, caralho, isso aqui é um horror, é a antissimbologia que o Brasil inventou do futebol. Foi assim, Copa de 50, o Pelé, o Brasil, as massas, é uma invenção brasileira do futebol. Que é isso que a gente se orgulhava do tricampeonato, que o Pelé representava, é a ideia. E é por isso que o Brasil, que o mundo torce para o nosso time, se você é do terceiro mundo.
E não é porque a gente joga lindo, porque o Brasil alguma coisa, é porque a gente representava uma coisa, entendeu? O futebol como essa coisa épica, simbólica, mas popular principalmente. Ali a coisa começou a desandar, entendeu? E o que a FIFA fez É nos últimos anos, é isso. Eu não consigo nem ficar feliz. Olha, torcedor brasileiro na arquibancada. Você vai lá, você fala, cara, um monte de, um monte de rico, cara, entendeu?
E olha só, aí eu vou fazer uma defesa dos argentinos, também são ricos porque pagam o mesmo preço, mas você ouve o jogo da Argentina, eles não param de cantar. Rico, pobre, não interessa. O torcedor argentino, não tem nenhum povo que seja tão fanático por futebol quanto os argentinos e os uruguaios. É uma coisa É extraordinário, gente. Você, como experiência de torcida, eu nunca vi assim. Brasileiro gosta de ganhar, que eu acho que é parte do problema.
A gente não gosta de futebol, a gente gosta, é bem flamenguista. Flamengo gosta de ganhar, Flamengo é aquela coisa meio supremacista e tal. A gente tem uma coisa muito de ganhar, mas a gente não tem esse amor pelo futebol que essa, os torcedores argentinos e os uruguaios têm, que é uma coisa, você tá, eles cantam o dia inteiro, o tempo todo, jogo sem parar. Não sei como é que eles conseguem.
É, e para mim tem uma, e aí tem a outra coisa só para encerrar, que a gente pode falar disso daqui a pouco. Acho que tem várias camadas e tal, mas que é que para mim é a deterioração, é a deterioração máxima disso. Deterioração disso máxima, que é a incorporação das apostas e da bet, e como o Brasil, especialmente os nossos craques, a nossa TV, a nossa mídia, abraçou isso como modelo de negócio mais que qualquer outro país, para dentro da simbologia do esporte brasileiro, entendeu?
Então assim, eu não tô nem falando de ser muito literal que o futebol é político, eu acho que ele é, mas eu não tô falando nem do sentido ideológico do que que representa. É uma coisa amoral que o futebol brasileiro virou. É tipo, ele representa uma coisa quase que é degenerada mesmo hoje em dia. E é isso que eu fiquei satisfeito de ver naufragar ontem. Não digo feliz, não torci contra, mas é isso que eu olhei e falei assim: eu acho um desfecho adequado.
Eu não acho bom coroar isso com uma campanha vitoriosa ou digna. Eu prefiro é perder feio, ver eles humilhados e chorando mesmo, porque eu acho que é o que precisa acontecer para a gente ter uma conversa diferente, que não é sobre futebol. Não é ficar procurando quem que errou, quem que passou errado, quem que abriu espaço para o Haaland, entendeu?
Foda-se.
Ninguém lembra disso daqui a duas semanas, entendeu? Mas é o que que esse Hexa representa na cabeça da pessoa hoje, entendeu? É isso que eu fico tranquilo com a nossa derrota e até um pouco feliz, porque eu odiaria ver o Neymar no panteão, cara. Porque o craque que ganha uma Copa é totalmente diferente do gênio que nunca ganhou. Uma Copa totalmente diferente.
Pois é, Bruno, talvez alguém ouvindo isso, um fã do Neymar ou simplesmente um fã da seleção brasileira, assim, ué, mas você vê a política em tudo, você tá odiando ele porque ele é bolsonarista. E a verdade é que ele botou política no meio, tá? Ele é o cara que sem ninguém pedir foi lá ficar tirando selfie com o cara no meio da pandemia. Ele é o cara que bota bet no meio do intervalo de qualquer porra. Ele é que politiza tudo. Ele que é um muito ideológico mesmo e que botou política.
E a culpa é dele se ele divide o Brasil. Porque a parte que eu acho mais bonita, a parte que eu acho mais legal da Copa, é o fato de que é a única vez talvez no ano em que você torça pela mesma coisa que teu vizinho bolsonarista, tá? Você tá berrando no mesmo momento que ele, você tá comemorando no mesmo momento que ele, no momento que a gente tá tão fracionado, que a gente tá no momento que a gente não assiste ao mesmo jornal E a gente não assiste a mesma ficção.
Você tá assistindo, um tá vendo a novela da Record, o Dez Mandamentos, ou sei lá, o Dark Horse. Você tá lá vendo a HBO, série da Netflix, ou onde for. Cada um tá vendo uma, ou seja, não compartilha nem a ficção nem a realidade, tá, com vizinho. Mas compartilha ainda a seleção. Esse é o momento que dá para dizer que todo mundo torce para a mesma coisa. Aí quando entra o Neymar em campo, de repente o país volta a se dividir. E de repente eu não torço mais para ele fazer gol, porque ele fazer gol ele vai dedicar para bet, vai vender o negócio, vai foder mais a vida do brasileiro com esse câncer que é o que acaba com a família brasileira hoje.
É a bet, é o que tá acabando com casamentos, com famílias, com vidas, pessoas se matando. Então um gol do Neymar é uma cagada para o Brasil, para juventude do Brasil. Então assim, eu de fato eu torço para caralho para o Brasil, eu torço muito mesmo seleção, eu berro, eu roubo unha, ao contrário do Ancelotti, me desespero Não consigo sentar em um momento do jogo, fico em pé andando para o lado, para o outro, quase arranco os poucos cabelos que me restam.
Mas quando o Neymar entra, eu, aquilo rompe. Porque não é questão de ódio pessoal, não é picuinha, não é com a cara dele, não é. Poderia ser também, porque é um cara que mudou 3 vezes de corte de cabelo nessa Copa, né? Não fez nada assim. Então tem também implicância estética, obviamente, com o fato que o cara, na folga dele, que ele foi fazer? Foi comprar um relógio de R$5 milhões, porque isso que ele foi fazer. Então tem também essa implicância, claro, mais um.
É óbvio que isso também entra no caldo, tá? Uma implicância estética assim com o relógio de R$5 milhões, que também não é só estética, é ideológica. Mas isso daí não é o mais importante. O que eu penso mesmo é no estrago que esse homem faz para mentalidade do brasileiro, sabe? Então botar, escalar ele, além do problema futebolístico, que é uma coisa que ele não estava entregando há muito tempo, tá em péssima fase, está contundido com lesão de grau sei lá que porra, Para além de tudo isso, ele também é uma cagada mental para o brasileiro.
Tipo, ele fode a família brasileira. Isso que ele tá fazendo com uma ideologia merda mesmo, sendo cabo eleitoral de miliciano. Então meu problema também é esse com a escalação dele, entendeu? É, não é porque, ah, mas você tá politizando tudo.
Ele tá politizando, ele tá politizando tudo, que é uma coisa assim, aliás, uma acusação injusta que fazem do Pelé, por exemplo, que acho que pararam de fazer, mas há uns anos atrás o pessoal fazia isso, que ele não era politizado o suficiente, que ele não se colocava tanto. E o Pelé foi um cara que ficou assim, que teve dificuldade de navegar isso, era uma ditadura militar, é muito diferente de ser politizado numa democracia, muito diferente, mas ele conseguiu transcender isso de muitas formas, o Pelé.
Não dava para cobrar isso dele, entendeu? Com os olhos de hoje em dia. Ele navegou isso, como muitos outros, muitos outros jogadores já fizeram. Mas é o que você disse, o meu problema não é nem ideológico no sentido direita-esquerda, é meio moral mesmo. Não se trata do cara ter votado num cara, porque outros já votaram assim, mas é, ele é um representante muito foda dessa monocultura que aconteceu de 14 aí pra cá, desse mundo distopia de 16 em diante.
Ele é o jogador influencer, ele joga pra ele, ele é sozinho, ele é ultranarcisista. E ele é precursor da jogatina, porque nem tinha bet, ele vira sócio de plataforma de pôquer e promovendo isso jogando futebol na sua melhor forma, entendeu? Então assim, eu, eu vi a criança tendo ídolo como ele, fala assim, carai, que bosta, cara. E olha, só para me isentar, eu torço para o Santos e o cara estragou a minha relação com o Santos.
Assim, eu tipo assim, eu espero ele sair para eu voltar a me interessar, claro que eu não quero ver esse cara feliz.
Claro, cara, exatamente.
É muito possível que ele vire dono do Santos, então se prepare. É, eu sei, isso tem chance mesmo, tem uma chance mesmo, porque enfim, aí são os negócios do pai do Neymar. Mas o meu ponto, eu concordo com vocês, mas a minha implicância com o Neymar, eu confesso que ela é anterior à implicância política. Eu sempre tive implicância futebolística com o Neymar, eu sempre achei ele talentoso, mas eu sempre achei ele um Achei um Robinho um pouco mais eficiente.
Então assim, um cara talentoso, inegavelmente talentoso, mas eu te confesso que nunca teve nada que não é um Messi, não é, não é outros jogadores, Maradona, coisa assim que me, que me, ou até o próprio Zidane. Enfim, acho que tem outros caras que me impressionam muito mais, mas aí é uma questão minha pessoal. Mas ele sobretudo, acho que são os valores que ele transmitia do jogo e a imagem de futebol brasileiro que ele transmitiu para fora.
Porque a implicância que o futebol brasileiro sempre foi o nosso melhor soft power, como o Greg tava falando, de todo mundo torcer para gente, etc., sempre tivemos simpatia, coisa que a Argentina nem sempre teve. E o Messi, o Messi não, o Messi justamente sendo uma figura mais simpática gerou mais simpatia para Argentina e para o futebol argentino. O Neymar só antipatia, é porque é uma coisa do caicai, é coisa do cara que faz tudo para ganhar, é o egoísmo.
Então, como jogador de futebol, eu já não gostava do Neymar. Em 2014, eu talvez tenha sido o único ano que eu realmente não torci para seleção brasileira, porque eu tava tão escandalizado com o absurdo que foi a organização da Copa do Mundo. E o Neymar já tinha essa coisa inflada que a Globo fazia do Neymar, de todas as marcas com Neymar e tal, me faziam ter absoluto— aquela seleção realmente eu não tava meio que nem o Bruno em 2014, diferente de hoje.
Mas eu acho que o Neymar realmente, futebolisticamente, acho que a gente perdeu muito a nossa imagem exterior. Eu acho que o que ele fez com a gente, com o futebol brasileiro, acho que foi um pouco que o Bolsonaro fez com o Brasil de maneira geral, assim, para imagem do exterior. Uma coisa assim, tipo, que isso é meio triste de ver.
E isso é uma coisa importante que você falou, é o simbolismo externo que a gente tinha, o cartão de visita principal do país.
Perfeito. E o Vini, apesar de fazer propaganda de bet, transmite uma imagem melhor, com todos os efeitos do Vini.
Muito melhor, todos os efeitos. E assim, primeiro, sabem quem ele votou? Provavelmente votou no Bolsonaro. Mas o fato de eu não saber já tá ótimo.
E o Vini fora do país representa uma coisa muito importante, né? Vamos lembrar que o Neymar, ele sequer se achava negro. Lembra que ele falava que ele não, que ele se surpreendeu quando falaram que ele era negro, de racismo? Ele não se colocava. E o Vini Júnior, puta, o cara é um, o cara mudou mesmo a história do futebol em relação a esse racismo inaceitável.
Sim, mas tem uma coisa também, Bruno, de postura. O Vini tem uma postura que me dá um puta orgulho de ser brasileiro em campo, de verdade, que tem a ver com drible, mas tem a ver com passe, tem a ver com garra, tem a ver com comemoração, com dança, com coletivo, com carisma, com risão, sorrisão, alegre. É bonito de ver ele jogar. Eu tenho o Baila Vini, eu acho bonito, acho um cara que me dá um puta orgulho de ser brasileiro. E o Neymar é precisamente o contrário.
O que aconteceu ontem no final do jogo, tá? Ah, ele fez um gol, ele fez um pênalti, tá? Fez um gol de pênalti.
Tá, cara, eu até, o Bruno Guimarães não conseguiu, então também não, exatamente.
Ah, pelo jeito não é. Mas o que me irritou assim, o que me irritou que ele fez, ele conseguiu, ele conseguiu perder ali, é um bom momento, o cara ia fazer um gol, o Brasil tinha chance ainda de virar mesmo, porque o problema de empatar e de ir para prorrogação, isso aconteceu em vários jogos da Copa, tá? Times estavam ganhando de 2 a 0 e o outro time virou. A Inglaterra fez 2 gols em 90 segundos. A gente tinha 90 segundos ali para fazer 2 gols, era só bater o pênalti, pegar a bola, sair correndo, bota no meio do campo, incentiva a galera: vamos lá, galera, vamos virar!
Ele escolheu chamar a câmera para si, zoar, fazer aquela zoadinha de moleque em cima do goleiro, cara. Escroto, depois faz o gol e vai lá provocar o goleiro. Você tá perdendo, caralho! Você não provoca, ponto. Mas você não provoca, sobretudo quando está perdendo. Não faz sentido. O cara faz catimba perdendo. É uma coisa assim que não faz o menor sentido, é burro. Aí depois dá ombrada no norueguês. É assim, aquilo ali me deu uma vergonha de ser brasileiro.
Me deu muita vergonha que as pessoas estejam pensando que isso é o Brasil. Ué, se esse cara é um ídolo no Brasil, então brasileiro acha isso foda. Então assim, que vergonha mesmo. Para mim, eu acho que perder não é grave, perder jogo. Perder de 7 a 1, claro que é grave, foi horrível, eu tô traumatizado até hoje com 7 a 1. Mas não é tão feio quanto perder zoando, comprando briga, aquilo que o Canobbio fez no Uruguai. É uma tristeza você ver uma pessoa que o jogador do Uruguai, que aliás joga no Fluminense, é um cara que eu a princípio tinha simpatia tal, mas o que o cara fez porque tá por estar perdendo, perder a cabeça e querer partir para porrada, é um exemplo tão horroroso para as pessoas que estão vendo, sabe? Provocar da ombrada fazer a zoadinha. Isso me dá nojo, cara, nojo.
Não, acho que é isso. E assim, ele é tão escroto e tão narcisista, e acho que ele é a representação desse narcisismo tosco que tá saturado no mundo. Ele é uma, ele é um dos emblemas mesmo assim, que é, ele não tem a noção do simbólico do que ele representa para além de si mesmo. Então assim, ele faz essa coisa feia com um monte de criança chorando em casa que vai perder, que tava com esperança, que tava com a bandeirinha, que tava jogando futebol no fim de semana, que tava fazendo aquela coisa de Copa do Mundo que a gente sempre vê.
Eu tô morando numa cidade pequena hoje, cara, é a coisa mais legal que tem. Você vê a cidade pequena, você sente isso muito mais. Toda casa tem bandeirinha, cidade para ver junto na praça, tem uma coisa assim assim mágica de comunidade. E o cara faz aquele— desculpa, de só é moralista, mas assim, mau exemplo do caralho. Mas para mim, a parte que resume de uma vez o que ele fez não foi a coisa que eu já vi o Edmundo ser, que era o outro escroto e tudo mais, mas que era violento quando perdia e tudo mais.
Foi o que ele fez assim que apitou. Ele caiu no choro, ele caiu no choro em posição fetal no meio do campo, cara, e não parou de chorar. E teve que vir o Alisson consolar ele, teve que vir o Vini Júnior passar a mão na cabeça dele, passar na mão do menino Ney, entendeu? Então assim, essa combinação de violência com drama pessoal essa incapacidade de se entender como avatar do nosso país, assim, eu tô feliz que acabou. É tipo assim, começou mal e terminou do jeito certo.
Que é tipo assim, eu não queria que ele fosse lembrado como o cara que pegou. Assim, seria o certo, faz o pênalti, pega a bola, bota no meio do campo. E se você tivesse perdido o jogo assim, o pessoal ia te elogiar, ia falar assim, tá, raçudo, ele tentou fazer o que ele pode, ele tá velho, não conseguiu. Mas assim, eu preferia não ver ele sendo recuperado moralmente de nenhuma forma. Eu acho que tá certo. Até a Casa TV, até a Rede Globo tá sendo obrigada a falar que ele foi um merda, entendeu?
Foi assim, eu queria voltar a falar disso, vamos falar disso ainda, de Casa TV, de Bet, mas eu queria só saber com o que que você acha, Miguel. Você entende um pouco mais de tática, acho que do Ancelotti também e tal. Se você acha que, do que a gente certamente, se você acha que a falta total de pressão do time brasileiro, porque não tinha pressão, a saída de bola se dava com uma facilidade incrível, os jogadores ficaram esperando ele chegar.
Tanto é que o primeiro gol da Noruega foi, ele chegou ao fim de 5 minutos de troca de passe ininterrupta. Então tiveram trocas de passe eternas, eles tinham muito mais posse de bola do que a gente. O Brasil nunca teve tão pouca posse de bola no jogo de Copa do Mundo. Chegando a 30%. Isso é estratégia? Que não deu certo, a gente já sabe o resultado. Mas a minha dúvida é se isso é uma estratégia mal fadada ou se os jogadores estavam mal dispostos, não estavam entregues, estavam sem garra. Assim, isso é falta de garra ou é estratégico? Entende? O que que você acha?
Para você, eu acho que, enfim, você tá superestimando minhas habilidades táticas, mas vamos lá, tentando aqui responder a pergunta. Eu acho que tem falta de garra, claramente, nessa seleção. E é curioso, né, porque são— é a primeira vez que eu vejo uma seleção que sabe, todos os jogadores sabem cantar o hino perfeitamente. É um hino difícil, hino brasileiro, não é simples.
Isso é novo, é verdade.
E é engraçado que ontem estavam filmando os nossos jogadores e tal, e aí jogam no camarote da FIFA, do prêmio da FIFA, que estão os grandes campeões, né, o Roberto Carlos, os Ronaldos, que nem eles sabem cantar o hino. Fala assim, gente, que saudade, eles não sabem cantar hino, nem sabem jogar bola.
Eles estavam sem o teleprompter, eles estavam sem o teleprompter.
Mas enfim, mas o ponto é que eu acho que falta garra, falta garra inegavelmente, porque acho que tem outros times muito mais, pô, Cabo Verde, muito mais limitado que o nosso time, super, é isso, com muita garra e com muita vontade. Mas tem uma parte de estratégia mesmo, eu acho. E aí eu vou defender o Ancelotti, esse time brasileiro é muito limitado. Então realmente jogar em transição, né, então se você jogar no erro do adversário, eu realmente acho que era a melhor chance que a gente tinha.
Talvez contra Noruega, talvez foi superestimar um pouco a Noruega. Pois é, também senti, eu não entendi porque que ele não pressionava mais de fato, porque os defensores noruegueses não são tão bons, né, o bom são os atacantes.
O nosso time pode ser fraco, a Noruega era mais, cara, desculpa, mais fraca, mais fraca. Eu acho que eles venceram talentoso, né? Eles têm um cara muito talentoso.
Não, tem, não, dois. Tem o Odegaard também, joga muito bem. Tem um 10 e um 9, né? Que o Brasil não tem nem 10 nem 9.
Não tem. A gente tem um Vini, cara, desculpa.
A gente tem um Vini, é mais um ponta, ele não é um centroavante nem um meia armador assim.
Ele é o falso 7, né?
É, ele é mais um, o Vini é mais isso. A gente tem bastante, a gente tem muito bons pontas ainda, a gente tem bons zagueiros também, mas, e bons goleiros, que é uma coisa.
Mas nossos zagueiros deixaram a desejar legal, né, cara?
Mas eu acho que é mais o meio de campo. Eu não acho que são tantos, eu não vou culpar os nossos zagueiros. Acho que é mais assim, ele botou o Danilo, que é muito mais velho, que enfim tá estudando nos canais, acho super simpático, mas assim, já tá semi-aposentado. O Casemiro, então a gente não tem lateral direito, volante, enfim. Eu, eu, e o Brasil não tá formando meio-campista. Acho que o grande problema do Brasil aí estrutural do futebol é que você não tem mais um tipo de jogo.
A Espanha, por exemplo, a Espanha me irrita profundamente, mas eu sei como a Espanha vai jogar. Ela vai tocar aquele toque de passe insuportável e vai provavelmente ganhar. A gente tem uma marca, Argentina tem uma marca, o Brasil não tem mais a marca. A gente tinha uma marca de um futebol alegre e tal, não tem mais. Mas pensa assim, pensa nos jogos do Campeonato Brasileiro, pensa nos jogos do Fluminense ou do Botafogo ou do Santos.
Virou uma coisa boba, você ganha de 1 a 0, você ganha na retranca, É uma coisa, olha só, mas mais ou menos eu queria só trazer aqui uma experiência como tricolor, que é o dinizismo, tá, que eu vou defender até a morte. Foi uma coisa muito inventiva do futebol carioca, tá, do futebol brasileiro, que levou o Fluminense à final do Mundial com time muito inferior a todos eles. Mérito de uma pessoa, Fernando Diniz, que inventou um jeito de jogar muito nosso, com DNA nosso, com criatividade, lance inesperados, arriscados, tomando muito risco, às vezes tomando gol para caralho, às vezes fazendo gol para caralho, mas chegando em lugares assim, porra, chegamos a isso, a final do Mundial.
Então assim, eu preferia mil vezes perder com Diniz do que perder com Ancelotti, porque a gente já tá perdendo sendo nós mesmos, entendeu? Porque perder com Ancelotti é perder perdendo. E mais, ganhar com Ancelotti seria ganhar perdendo. Porque seria ganhar, seria ganhar graças a eles. Essa análise, Bruno, já estava pronta, tá? Eu sei, na imprensa internacional. Eu sei, eu vi os franceses estavam falando assim: uau, depois do jogo do Japão dá para ver que realmente a diferença que faz um técnico bom, um técnico europeu, o Ancelotti.
Se o Brasil chegar ao final ao futebol europeu, né?
Isso, ele já tinha uma análise pronta que se o Brasil ganhasse, é o gênio que Ancelotti é de ganhar com elenco medíocre. Tava pronto já. E aí eu não quero esse tipo de vitória, que a vitória na verdade é de um gringo que veio e botou ordem na casa. Seria uma vergonha para o Brasil ganhar porque finalmente veio um gringo e botou ordem no galinheiro. Isso daí seria um vexame. É particularmente, sabe, vem europeu, que é a pior escola do futebol europeu.
Pois é, é mais defensiva, retranqueira, futebol menos bonito que tem na Europa.
Exatamente, exatamente. Então assim, cara, eu acho que chamaram ele por causa de números. Ele é um técnico que tem números muito bons. Só que seleção não é número, cara. Não é seleção, é número. Os nossos técnicos campeões foram os melhores técnicos do mundo? Vamos ser sinceros, o Parreira era um gênio?
Não, não.
Vamos dizer que o Felipão era um gênio?
Não, não era.
Era um pesadelo.
Não, mas era um pouquinho melhor que Parreira, o Felipão, vai. Mas a gala um pouquinho mais inventiva.
Pois é, mas eu acho que o que ganha Copa não é genialidade do técnico mesmo, é uma Quer ver uma outra cena também que diz muito? Agora, saindo do futebol, saindo mais ainda longe da bola, é o vestiário. Uma cena que ficou muito marcante para gente, eu acho que viveu 2002, era aquele vestiário, aquela cena clássica. Se eu não me engano, é Ronaldinho Gaúcho no surdo, tá? Talvez um Ronaldo no pandeiro ou um Cafu no pandeiro ali, todos no vestiário cantando Deixa a Vida Me Levar.
Tá, esse era o nosso vestiário, era com um pagodão acústico live, tá, com jogadores na percussão e o resto no gogó cantando em uníssono. Hoje, como é a chegada? Cada um com seu fonezinho aqui da Apple, sei lá onde, ouvindo com seu, sua nécessaire muitas vezes carregando, que é o objeto muito simbólico, né, que volta e meia eles estão só com uma nécessaire assim, ou caminhando meio cabisbaixos ouvindo aqui talvez um gospel ou sertanejo ou um podcast de Café com Deus Pai.
Cada um ali ouvindo, e cada um no seu, independente do que estarem ouvindo, cada um está ouvindo o seu sonzinho aqui. Não tem mais o uníssono, não tem mais o hit coletivo, e não tem mais o samba, que era a música que fez o Brasil. O futebol era muito ligado ao samba, único samba e futebol. O futebol, nossa, uma das expressões do samba, Exatamente, exatamente. A gente fazia futebol como sambava, era no mesmo, tava no mesmo pacote.
E eu acho que a partir do momento que não tem mais um surdo no sentido do instrumento, um pandeiro, não tem mais um monte de surdo com um monte de gente ouvindo aqui, ó, eu acho que a gente perde muita coisa. E eu acho que diz muito sobre a situação agora.
Eu acho que você tem razão, eu acho que tem razão, não vou, acho que você tá certo, acho que explica muita coisa. Mas eu também tenho uma, eu fiquei Não sei por quê, mas fica o sinal amarelo com esse saudosismo gigante que rolou de rede social de 2002 e 2006, daquela geração do— que é uma geração genial mesmo, um puta futebol da gente projetar para trás. Porque ao mesmo tempo, o que aqueles caras representavam, a gente gosta muito mais é nostalgicamente.
Mas hoje em dia também não caberia também a simbologia da balada, da putaria, do não sei o quê, que hoje a gente mas hoje também não é muito contemporâneo. E aí, fazendo uma outra analogia, que assim, a gente tá numa Copa que os grandes craques da Copa, essa agora, são pessoas muito interessantes e muito legais, cara. Quando você vê o Mbappé, o próprio Haaland, isso é bom falar mesmo, importante, eles não são escrotos, cara. Não, eles não, eles assim, eles têm uma consciência muito forte.
E assim, o cara usa headphone, tá com a cabeça, o Messi é escroto, tá? Não bota o Messi no não. O Messi, o Messi é cuzão.
Eu não sei muito, mas assim, eu não sei, eu vou mais com a cara do Messi do que eu ia com os argentinos antes do Messi, entendeu?
E assim, o cara tá lá, ele tem meio autista, tá lá pelo saco do Milei para caralho, entendeu? Apresentei a Milei com camisa do Inter, apresentei a Trump também já pelo saco do Trump. Ele é pela saco, desculpa.
Mas assim, o Mbappé, que vamos dizer, um cara da geração, é, mas assim, o Mbappé, o próprio Haaland, e tem outros caras, o cara assim não faz propaganda de bet por razões corretas políticas, fala sobre isso, não faz propaganda de fast food. O Harry Kane também é legal, e ele fala claramente com consciência de classe, com consciência de classe, que a última vez que no país teve de verdade Foi na Copa de 82, mas no contexto de ditadura, no contexto da democracia corintiana, do que o Sócrates representava, do que aquela geração tinha um pouco mais de cabeça, de inteligência mesmo.
E eu acho que tem uma coisa que assim, fora o pagodão, que eu entendo, não tem mais um entrosamento, aquela monocultura, não sei o quê, ao mesmo tempo o Mbappé e esses caras todos que estão com nécessaire, que estão meio na moda cara, vão no desfile da Louis Vuitton, não sei o quê, tão nesse jet set do futebol hiper milionário, eles têm uma contemporaneidade mais interessante do que simplesmente uma nostalgia de um futebol que, entendeu, que vai ficando datado de todo jeito.
E para aí, outra coisa que eu queria falar de vestiário, que você falou, Greg, que ainda de vestiário, de vestuário, um negócio, cara, que eu fiquei muito puto, não vi ninguém falar, pelo menos no que eu vi, Que que meteram o Michael Jordan na nossa camisa azul, cara?
Ah, é muito bem observado.
Que porra é essa, cara? Nossa camisa azul, os caras entraram em campo, cara, com o Michael Jordan enterrando de logotipo, cara. Aquele logotipo, Jordan, a camisa azul da seleção tem o Pelé do basquete americano, entendeu? Impresso no meio da camisa, cara.
Eu acho uma, assim, um crime, uma submissão terrível.
Isso não é basquete, é nos Estados Unidos com essa Copa que não devia ter sido lá. Os cara é tipo assim, é tipo meter o Pelé na camisa da NBA, entendeu? Não tem sentido, cara. Ninguém faria, ninguém seria louco de fazer isso. Ou pior, meteu Pelé na camisa das Olimpíadas americanas, entendeu?
Olha só, mas já que você falou de bet, é importante lembrar disso.
Assim.
A gente acha, parece que o futebol é dominado por bet hoje no mundo inteiro, e assim que funciona. Sim e não, tá? A seleção norueguesa, por exemplo, que venceu o Brasil, ninguém faz. E não faz não é só porque todos são, ah, todos são muito éticos e maravilhosos. Não, é proibido na Noruega, é proibido no país, é proibido. De bet, provavelmente eles não podem mais vestir a camisa da seleção. É crime, é lei mesmo, lei. E faz todo sentido. No Brasil não é proibido É proibido cassino no Brasil.
É incompreensível, não é?
É muito menos grave.
Isso é um golpe, cara.
É um golpe. Revelou vários.
Pois é, o cassino empregava, o cassino, ninguém fala disso, o cassino empregava pessoas.
Se eu não me engano, O Grande Otelo, se eu não me engano, se eu não me engano, O Grande Otelo foi descoberto pelo Orson Welles no Cassino da Urca. Acho que O Grande Otelo, se eu não me engano, trabalhava no cassino. Não sei se ele fazia algum tipo de cena, mas ele foi descoberto, se eu não me engano, pelo Orson Welles.
Não sei quanto que é lenda, todo mundo, não, não, não, porque eu sei que ele tava no cassino, isso é verdade, Cassino da Urca. Mas que o Orson Welles descobriu, eu não sabia.
Não, o Orson Welles passou 6 meses aqui no Brasil, né? Aliás, o aniversário de 60 anos do Getúlio, o host é o Orson Welles.
Ele fez um dos filmes mais loucos de todos os tempos aqui no Brasil, aqui no Rio, que nunca terminou.
Assim, era, era de fato o cassino com os problemas, ele pelo menos o dinheiro ficava no Brasil. Bet é um cassino nas Bahamas que o dinheiro todo vai aqui sem empregar ninguém e vai direto para as Bahamas. São bilhões de reais que saem do Brasil assim todo dia.
Então assim, a Luísa tá nos lembrando aqui muito bem é que quem proibiu foi, quer dizer, a ideia vem da Dona Santinha, a primeira-dama do Brasil na época do presidente Dutra, que é provavelmente o segundo pior presidente da história do Brasil. Não preciso dizer quem foi o primeiro, mas o Dutra, o Dutra, que era fascista. E ela, e justamente ela era muito católica e muito conservadora, e realmente proibiram. Mas olha, sinceramente, eu tô com Dona Santinha hoje em dia quando eu vejo as bets.
Sinceramente, melhor Dona Santinha do que Neymar. Prefiro, prefiro fascismo dos anos 40, era menos grave para o resto do país, sinceramente.
E uma parada que é, e essa coisa de bet, cara, eu também sou contra cassino físico, tá?
Ah, mas assim, não quero entrar nessa polêmica, mas tipo, sim, sim, sim, sim, o que eu tô dizendo é só para dizer, não tô falando que o cassino tinha que voltar não, é que só que eu tô dizendo, não faz o menor sentido proibir o cassino físico e liberar o cassino online, não faz o menor sentido.
Mas eu ia falar um negócio sobre as bets, depois a gente pode falar mais de TV, dessas coisas todas, mas uma coisa que eu acho que representa a bet junto com a super elitização do futebol é que assim, esporte que representava não só uma coisa muito popular, mas algo que emanava do povo e chegava nesse lugar épico, né, de você chegar da, de onde o Pelé vem, de onde os moleques vêm do mundo todo, de Cabo Verde, das pessoas pobres do mundo que tem capacidade de criar essa versão épica, mas do povo assistir, se identificar e ter essa batalha.
Eu acho que um triunfo muito grande da visão FIFA, mas que foi para publicidade, depois bet, depois canal de TV, canal de internet, é que passou uma ferramenta de exploração de pobre, cara, que é você tirar o acesso deles dos estádios. Você cria uma desidentificação total de classe com o tipo de vida super, super elitizada que esses caras vivem, representando ostentação e o que tem de pior. Só que vira um modelo de negócio de extração de grana.
Então, se na época da ditadura militar as pessoas criticavam o futebol falando que era pão e circo, né, que era um jeito de distrair o povo. Meio que hoje o circo tira o pão das pessoas, que é tipo assim, nem pão tem, porque o futebol tá sendo usado um instrumento com tipo QR code, ódio, turbinada, para tipo pegar dinheiro dos endividados e vender ingresso para milionário. Então assim, tem uma perversão que fica esse oba-oba, e a gente precisa ver que simbolicamente o futebol também muda.
E aí que eu acho assim, tipo, meu, crise de consciência a gente precisa ter, não uma crise de esquema tático, sabe?
Perfeito. Mas aí, Bruno, eu queria fazer uma provocação, que aí acho que é o seguinte: claro, futebol é o cenário onde isso acontece, mas acho que o grande problema é como as bets no Brasil se tornaram, na verdade, modelo de negócios de empresas de mídia. Isso é o mais grave. Todas as empresas de mídia importantes, salvo por enquanto, a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, que eu saiba, assim, os grandes, né, Record, Globo, etc., não tem bet própria, né, nem que é propaganda.
Eu sei, é bet própria. Então a gente não ouve falar de bet, que é um escândalo muito maior do que o dos Vorcar ou qualquer escândalo do mercado financeiro. A gente ouve o dia inteiro Banco Master, não se ouve nada sobre bet, nada. E é dos temas que mais podem unir os brasileiros no momento de fratura. Eu tive uma experiência, enfim, eu trabalho no Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, no IEPS, e a gente articulou com outras organizações e com vários parlamentares um PL justamente para proibir, digamos assim, o cassino online, todos os jogos de mais alto risco, e também publicidade.
Não saiu praticamente na imprensa. E o que é incrível é, você tinha, a gente tem os coautores, são a Damares, a Érica Hilton, o Pedro Campos, a gente tem o vice-presidente Hamilton Mourão, você Você tem, você tem o espectro inteiro do parlamento brasileiro, de todas as ideologias, mas a gente não tem a imprensa que tanto fala de polarização o dia inteiro, de polarização, como o Brasil está polarizado. E uma coisa como exemplo de não polarização não se menciona.
Então assim, mas o Banco Master, a gente fala, a gente sabe a cor da cueca do Vorcaro, mas a gente não sabe dos impactos que acontecem da bet na população brasileira.
É que fique claro, eu não tô falando que o futebol é o centro da bet, ele é mais uma das instituições que estão se aproveitando disso. E eu concordo, a coisa mais grave mesmo são os grupos de mídia, o negócio inaceitável, porque estão fazendo bet em cima de notícia agora, mercado de previsão. Então assim, discurso de presidente, guerra e tudo mais, e isso vai piorar. Mas eu acho que tem essa inversão do caráter popular do futebol, que eu acho que o Brasil era o grande símbolo, e que pelo menos nessa Copa, assim, gente, tipo, tá entregue, né, cara?
Daí tá entregue para Cabo Verde, assim, que foi um dos jogos mais lindos que eu já vi na minha vida.
Perfeito. É porque quando você vê, quando você vê o jogo numa plataforma que fica anunciando bet, é muito louco, porque a experiência do jogo fica realmente transformada, para mim pelo menos, porque aquilo ali para de ser justamente uma contenda, como a gente falou, mitológica, metafísica, de nações se enfrentando, e vira odd, né? Porque as derrotas ficam relativas. O Brasil mesmo, Brasil perdeu, é, mas você apostou contra o Brasil, saiu ganhando.
Porque o jogo ali, ele vira um pretexto para operações financeiras e vai, de repente vai pelo ralo todo o capital simbólico que uma seleção podia ter construído. Ainda mais que uma própria seleção faz também a propaganda de bet no intervalo. Então assim, é uma coisa que imediatamente se esvai tudo e vira uma operação, vira uma brincadeira. Porque é claro, brincadeira que tira dinheiro de bilhões de pessoas, mas viram lá, quem será que vai ganhar?
Vou apostar, vamos brincar, cara. O comentarista ficar, porque não é mais o intervalo, é o comentarista que fica dizendo, narrador, perdão, que fica dizendo. E dizendo tem promoção, que é ódio aumentada, né, que é a novidade. Eu nunca tinha ouvido isso, não sei se vocês viram isso. Ele fica anunciando ódio aumentado, ódio turbinado, que é quando tá aí, só em um canal, certo? Eu acho que só no Casetv, né? É Casetv que faz isso.
Eu não sei, eu acho que a Globo não faz isso. A Globo não faz isso.
A gente nem falou de uma coisa que é o seguinte, mas faz de outro jeito, né? E tem para caralho hoje em dia, eles vivem de propaganda de bet, mas era um intervalo realmente. Agora é um pouquinho mais, um pouquinho mais, você tem toda razão. Agora uma coisa que a gente não falou inclusive é também disso, da, não sei nem contar, patacoada que era terem aceitado essa exigência norte-americana que já tem mais de 30 anos, mas nunca tinham se dobrado a ela, tela da pausa, e da pausa com muitas aspas, hidratação, né, que é uma grande hipocrisia ridícula.
Os estádios com ar-condicionado de repente fala agindo como se fosse um, né, tivesse jogando em Bangu, no Rio Grande do Norte. Exatamente. Agora de repente virou tão preocupadíssimo com a hidratação dos jogadores. Na verdade é uma pausa de merchan. O jogo hoje tem 4 tempos. Inclusive pessoas já analisaram muito melhor do que eu conseguiria o impacto disso no jogo. Congo, por exemplo, começou a virar contra a Inglaterra, ia virar, teve a pausa hidratação, o cara reuniu, mudou completamente o esquema tático da Inglaterra e viraram o jogo e ganharam do Congo por causa dessa, desse novo tempo, que é um tempo tático.
Se fosse hidratação, inclusive, podia ser só uma água, bebe ali, não precisa reunir, ter 3 minutos para reorganizar tudo. Se tem 3 minutos, é exatamente porque tem que ter pausa para o comercial. Então ela é uma nova pausa comercial e que era na verdade o entrave dos Estados Unidos com futebol, tinha muito a ver com isso, né? Eles não gostavam, tinha pouco lugar para botar a propaganda ali no meio. Como é que bota propaganda no jogo só para uma vez, né?
Então eles conseguiram, venceram, e provavelmente todos vão imitar, tá? Eu acho que é muito provável que o mundo— grana, imagina como é que você vai barrar isso? Muita grana, mas mais uma, mais duas pausas por jogo, cara.
E tem uma outra notícia aqui, tá? Na primeira vez na história das Copas, a final da Copa vai ter um halftime show igual no Super Bowl.
Que vergonha!
Vai ter a Madonna, a Shakira e o BTS, e o cantor do Coldplay, o Chris Martin. Então assim, a gente tá com Air Jordan na nossa camisa azul, a gente vai ter halftime show na final da Copa do Mundo. Então assim, é o que tá acontecendo.
Eles venceram, gente, eles estão vencendo. Uma coisa que as pessoas no chat avisaram, muito obrigado por essa grande notícia que ainda não tá concretizada, mas ao que parece a Bélgica está vencendo dos Estados Unidos por 2 a 1 por enquanto no primeiro tempo. Nossa, e toda a minha tristeza de ontem de repente se esvai.
E assim, primeiro, caralho, primeiro Estados Unidos empatou, Bélgica meteu 2 e tem o segundo tempo.
Isso é um mínimo. Eu nunca fui tão tão belo.
Mas a gente tá no primeiro tempo ainda, primeiro tempo, final do primeiro tempo.
Calma, tem muita, tem muita roubalheira.
A última pausa, é a última pausa de hidratação que me preocupa.
Tem muita roubalheira para o segundo possível.
Vamos aí. Essas horas o Trump tá ligando para quem? Família do Lukaku? O Ice tá batendo na casa da família do Lukaku? Porra, alguma coisa esse cara vai arrumar, alguma coisa vai acontecer. Caralho, é um reizinho! Vocês viram ele falando assim? É, nem saber o que que era cartão vermelho. Ouvi o jogo, o cara deu cartão vermelho, eu liguei, explicaram que ele não podia mais jogar pelo jogo. É, não é assim não, é isso aí, não é justo.
Isso é poder demais, diz o Trump sobre um juiz de futebol. Isso é poder demais, ele tá com poder demais.
Ele comprou o país. E a FIFA que deu o Prêmio da Paz pro Donald Trump uns meses antes da— tipo, ele não ganhou o Nobel, foi lá a FIFA deu um prêmio para ele, capitulou completamente em relação às promessas que tinham sido feitas para o Irã ir para Copa. Cara, deportou árbitro assim, os caras completamente—
esse bebezão, que para mim ele é um bebê idoso infantil, não parece um bebê que botaram em cima de um outro bebê e botaram um terno. Aí botaram um terno em cima de 3 bebês, um em cima do outro, e ele é o presidente da FIFA. Ele é o maior pateta que eu já vi na vida, esse cara. Puta que o pariu! Que imbecil assim completo, né, cara? É uma vergonha. Então assim, agora falando que ele saiu disso, e a Casa TV? Quando a gente falou por alto, né, disso daí, eu acho que vale falar mais mesmo. Virou a casa da bet brasileira. Fala mais, fala mais.
Eu não acho que é só casa da bet, eu acho assim, eles escancararam demais um negócio. Eu acho que eles depois baixaram bem a bola. Não digo nem só por ordem judicial, não sei o que aconteceu lá, nem ordem judicial, foi o próprio Econauta CONAR, que diga-se de passagem é um conselho de autorregulamentação de publicidade, tá? Quando falar que o CONAR mandou atirar, muita gente acha que foi o governo, que tem uma, que tem um jurídico.
É um conselho de publicitários para exatamente evitar que o governo faça intervenções no mercado de publicidade, que eles entendem como livre expressão. Então tem, então tem isso, mas eles pesaram na mão e acho que expuseram algo que de longe não é exclusividade deles. Está sustentando o Globo, futebol brasileiro, Galvão Bueno, Vini Júnior e por aí vai. Então não quero personalizar nos caras, mas eles encararam de um jeito muito absurdo.
E eu acho que a Casé TV de algum jeito combina com essa seleção. Eu não acho que eles são que nem o Neymar e tudo mais, mas eu acho que eles são os representantes autênticos de uma cultura contemporânea que a gente vem falando de vez em quando no Calma É que não é exatamente hipócrita, mas é que é o vendido já tá absorvido como algo normal, entendeu? Não existe separação entre o comercial e o editorial mais. É o influencer que não recebe, é recebido dele com algum constrangimento, mas é o modelo de negócio.
Não, ele quer ser comprado, ele quer se associar com uma marca. Ele entende como uma coisa só. A propaganda e a expressão editorial não são distintas, é tudo uma expressão só. E que eu acho que é um reflexo muito perigoso exatamente de uma cultura midiática pós-jornalística, que com todos os defeitos do jornalismo industrial e monopolista tinha uma separação de igreja e Estado muito mais clara entre editorial, comentário e o comercial.
São andares diferentes, são departamentos diferentes, são períodos de tempo claramente dele, muito é determinado. Essas fronteiras foram se perdendo. E o que me dói mesmo é ver o Kazé, que é um cara, e o time deles, eu acho em geral os caras muito talentosos, tá? Bons comunicadores, super competentes. Eu acho o Luizinho um narrador muito bom, eu acho ele assim nível mainstream total, assim, o cara pode ter qualquer canal de TV, falar vários idiomas, competente, rápido e e tudo mais.
Mas o que que me dói é que quando eu vi a ascensão anos atrás do EKZ, eu fiquei muito satisfeito, porque, porra, eu saí da mídia tradicional basicamente para ser streamer, para fazer live em 2011, entendeu? Eu acreditava nesse modelo, eu acreditava na descentralização, numa mídia que você não precisa virar um canal industrial para atingir as pessoas. E aí o Cazé era o exemplo máximo disso. Ele foi o streamer mais bem-sucedido do mundo e construiu um canal de esporte espontâneo, que as pessoas se sentem mais representadas, que é de fácil acessibilidade, não sei o quê.
E aí o cara, com o tempo, não só absorve essas propagandas e McDonald's e come junto com a narração e vai indo, mas não fica claro para as pessoas que eles foram comprados por grandes investidores, que a XP é dona de 40%, o fundo da XP é dono de 40% do negócio. Quer dizer, é um negócio já completamente estruturado como mídia industrial, diga-se de passagem. E essa cobertura full-time deles faz aquela coisa que você falou do Nelson Rodrigues, que é: o pior cego é o que só vê a bola.
É só sobre futebol. Então eles estão procurando culpado, falando, mas o Brasil não tem dimensão simbólica e moral nenhuma. Então, para mim, eles são equivalente midiático do Vini Júnior fazer campanha de bet, entendeu? De uma seleção que põe o Air Jordan, não sei o quê, que assim, grana e expressão tá fundido numa, num evento só. E eu acho isso deprê, que a cultura de internet espontânea foi a que se vendeu mais fácil, mais rápido, e acha que isso é um sucesso e não uma capitulação.
E aí eu acho que combina com esse fracasso da seleção, apesar deles serem tecnicamente mais competentes do que a nossa seleção. Mas você vê que essa discussão sobre bet, sobre moral, sobre simbologia, sobre exemplo, ela tá completamente corrompida na essência, no tipo de explicação que eles dão para nossa derrota e para o significado dela. É aí que me entristece. E para encerrar, botar o Romário de comentarista sem falar uma vez que o filho da puta é senador, entendeu?
Mas não pode fazer propaganda eleitoral, Bruno, é por isso.
Mas o ponto não é esse. O ponto é assim: como é que você, cara, despolitiza o senador reacionário do Brasil para reabilitar ele como uma pessoa querida por jovens Sendo que o cara vai se candidatar de novo nas próximas eleições dele, né? Não agora, só 30, só 30, mas enfim, o cara é um político na ativa, super, super. E aí acho que fazendo comercial ele, entendeu? É tipo assim, é muito, muito sujo.
O Romário já tinha uma Romário TV antes também, tinha, já tava entrevistando o mundo todo, jogadores do mundo todo. Ele se construiu como influencer de futebol nos últimos anos e de maneira muito bem-sucedida. E o Romário tem um ethos, ele, ele bem parecido com o do Neymar, só que o Romário é vencedor, né? Essa talvez é a grande diferença, mas é bem parecido se a gente for olhar, porque é o cara que é isso, aquela coisa de quem que foi melhor.
Ele diz que só o Garrincha, o Pelé e o Maradona foram melhores do que ele. Ele acha que é do nível do Messi, acho que do nível do Ronaldo, melhor Ronaldinho Gaúcho, assim. Assim, é um ego. E aquela coisa do eu sou superior, né, que eu acho que tem muito a ver com a coisa eu sou melhor que todo mundo, eu sou. E aí aquela coisa de ser pegador, só fala disso. Eu acho que esse etos tá muito na moda. Acho que não é à toa que o Romário faz sucesso com—
não, você acha que o Romário tá muito na moda?
Eu vou ter que defender o Romário, desculpa. Não só porque eu jogo no Fluminense, não só porque ele pegou Não, digo, ele toca carioca, ele toca carioca. Vergonha dele como senador. Mas o que que ele difere, Neymar, além da entrega? Você tem entregado pelo menos uma Copa do Mundo pra gente. Ele tinha algo meio folclórico divertido, tinha algum senso de humor ali que fazia com que tinha quase uma autoparódia dele se achar foda. Então tinha um humor ali, ele não tinha uma missão, que ele não era missionário.
Porque o que me irrita muito no Neymar é que vem junto a zoeira do pegador o tempo todo com uma coisa mega religiosa de Deus e ao mesmo tempo um choro, é um cai-cai, entende? É uma coisa que tem junto. E é isso que não combina, Neymar, para mim. Uma coisa do cara foda com um cara que não para de chorar, de cair, de culpar os outros, que a culpa é sempre dos outros, entende? O Romário tinha, para usar um termo de jovem, ele farmava aura do invencível e do fodão.
E ele dizia assim: não vem treinar, não vem treinar porque amanhã eu vou meter 3 gols, quer ver? Ó, se eu meter 3 gols, e metia. Metia, entendeu? Tipo assim, então tem uma diferença na entrega, mas também tem, eu acho que uma coisa mais bem-humorada no Romário. Ele era mais, né, mais divertido.
Ele é divertido, ele é engraçado. A treta do Romário com o Pelé ou com Edmundo são maravilhosas.
Com o Zagallo, ele vai lá e faz, ele comprava briga. Exatamente, ele era mais iconoclasta. E mais, e posso falar outra coisa sobre ele boa? Ele foi um puta pai e é um puta pai de uma criança PCD e levantou essa bandeira bandeira, tá? E levou essa bandeira para o Brasil inteiro de criança PCD, de inclusão e tal, que eu não sei se o Romário, se o Neymar seria capaz.
O meu ponto é que o Romário hoje, não há uma semana atrás, hoje ele é um senador da República. E eu não tô falando que ele não precisa ser lembrado e discutido como exemplo, como jogador, que que ele representava, que ele foi, que a gente tem saudade, a gente idealiza ele, não sei o quê. O ponto tá tudo certo. É, apesar dele ter sido mulherengo de um jeito super tóxico, entendeu? O que ele representava não caberia, não caberia hoje.
Mas não vou fazer tipo releitura dos anos 90 disso. Mas atualmente ele é um senador, atualmente ele é um senador de direita, atualmente ele é um problema na política brasileira. E ele foi chamado para ir para Copa se reapresentar publicamente para uma geração jovem que não viu ele jogar como o baixinho da Casé TV, a lenda fazendo piada, dando palpite sobre a seleção. Isso não é lembrado no veículo que contratou. É um absurdo essa omissão, entendeu?
Essa omissão, na minha cabeça, no mesmo campo ético da coisa da bet, entendeu? É falsa informação você reapresentar ele só como um ex-craque.
E sabe o que é foda do Cazé? O Cazé é um cara foda no estilo assim, ele é do Ele tem, ele tem uma, uma, um carisma gigantesco. Ele é mais do que um apresentador, ele é um amigo imaginário para milhões de pessoas no Brasil. Ele passou a madrugada com as pessoas, ele passa, e as pessoas almoçam, almoçavam, sei lá, e iam dormir ouvindo o Cazé. E ele é um carismático demais, ele ganhou um lugar de confiança, de carinho do povo brasileiro, sabe?
E ele usar esse capital simbólico para fazer as pessoas apostarem dói muito no fundo do coração, muito, muito. Porque qual foi a grande malandragem dessa da Live Mode? É um pessoal que, se eu não me engano, é da Faria Lima, enfim, são investidores, sei lá se é da Faria Lima ou de onde que é, mas são grandes investidores que sabem que chamar de Live Mode e uns paulistas de coletinho Michelin não farma aura, né? Essa é verdade. Então o que que faz?
Vamos pegar o cara mais carismático, o Cazé, ou é o Zeca Pagodinho? O Zeca Pagodinho não topou. Não tô assim, vamos pegar o Cazé. Em vez de chamar de Zeca TV, vamos chamar de Cazé TV. Tô brincando, Zeca Pagodinho não topou, mas tô falando justamente porque o Cazé tem esse lugar meio de Zeca, as pessoas, todo mundo ama. Então bora botar o Cazé, bora. Então ele é a cara, inclusive ele é o logo, ele é o nome de uma empresa. E então ele doou a alma dele.
E o Luizinho, a mesma coisa, outro cara talentosíssimo. Você lembrou bem, é gente talentosa, gente carismática. E é isso que é chato, porque se fosse um bando de cuzão, ficaria muito mais claro que eles são uns merda que estão querendo foder a vida do brasileiro. Só que no caso é queridão, é queridão, um cara querido e tal, que todo mundo confia, todo mundo ama. E é isso que pega.
E virou o maior canal de YouTube do mundo. E é compreensível que vira uma história mundial. Que eles fizeram com transmissão de futebol é um negócio foda mesmo. A quantidade de jogos, a capacidade de cobertura, a gente jovem empregando jornalista, Tipo assim, fazer um negócio que nenhuma redação faz, um negócio que você fala assim, uau, deu certo! Não, e Bruno, uma coisa que isso também é o seguinte, era meio que o sonho de muita gente, não cobrir Copa, mas assim, o que a gente tentava fazer há 15 anos atrás era acreditando nesse potencial, tipo assim, cara, tá aqui um negócio só para fazer.
E essa falta de, falta de fronteira entre o comercial e o editorial, mais promíscua do que na mídia industrial, para mim é uma traição do sentido da coisa assim tão deprê, cara.
E sabe o que é foda?
Futebol, despolitiza o futebol.
E é o famoso, é o realismo capitalista chegando com tudo, é o fim do sonho.
É o fim do sonho.
Porque ele perguntado, sabe o que ele responde? Eu acho que é uma resposta muito dolorosa mesmo de ouvir, que assim, ué, alguém tem que pagar alguma coisa, tem que pagar as contas, alguma coisa assim. A gente tá transmitindo de graça, tem que pagar as contas, como se não houvesse outra alternativa senão essa. E aí que fode, é realmente o fim do sonho. Tipo assim, se a única maneira de botar um futebol no YouTube é com bet, sabe?
Primeiro não é, porque tem no mundo inteiro. Claro, é isso. Na Noruega não estão botando. Como é? E aí? Primeiro não é assim. O que aconteceria é que você e todos os caras, LiveMoura, ganhariam menos. Eu diria que muito menos, mas estariam botando sim. Alguém botaria No YouTube, usei com certeza, entendeu? Então assim, cara, se eu não fizer, outro vai fazer. Enfim, os argumentos são muitos. Se for isso, acabou, acabou o sonho, acabou tudo, acabou.
E esse daí, então assim, Greg, e se for isso, então vamos supor uma coisa ficcional aqui, que o único jeito é fazer isso com Bet, não tem outra pessoa. McDonald's e Bet são os únicos dois que se interessaram, e a Bet só vai topar se você ficar empurrando Bet nada no meio do jogo. Você tem duas opções: não fazer e fazer. Aí, se você faz, você fala assim, não, mas alguém faria se não fosse eu. Tá, mas foi você que fez. Então você é o cara que faria, você é o cara que fez.
Então você é o culpado. Nada vai te inocentar. Você sempre tem a opção de deixar outra pessoa fazer, porque você não vai ser a pessoa que vai fazer. Vai fazer. Essa é a banalidade do é vendido, não a banalidade do mal da arte. Mas assim, se alguém vai fazer e você só tá fazendo porque você teve a sorte de fazer isso, mas não é verdade, porque tem opções de fazer. Você pode ser menos rico, você pode botar limites nisso, você pode se contentar com ter menos audiência e fazer uma coisa um pouco mais decente.
Mas mais importante do que isso, você não se amarra ideologicamente para não poder fazer uma cobertura melhor, explicar melhor o que tá acontecendo.
Entendeu?
Sabe, é isso que eu fico muito chocado. Assim, você, se você fica mais preso do que a mídia convencional, e as pessoas acham que é mais livre porque está falando palavrão em rede nacional, entendeu?
É isso que é foda.
E você tem esse capital do carisma de um cara que veio realmente do quarto da casa dele, que era, era revolucionário.
Vem cá, algo para concluir. Estamos com 1 hora e 20 falando de futebol. Quem diria?
Dia.
Como é que vocês querem concluir falando? Olha, gente, só para avisar que a odd aqui tá aumentada. De que as odds do Calma Urgente, de que, gente, o El Niño tá vindo com super El Niño, tá vindo com tudo, tá?
E se apostarem que vai bater 42 graus ainda em outubro, é 2,5, 3,5 na odd aí, a turbinada do El Niño. Você acha que vai ser furacão, enchente?
Algum livro quer indicar? Eu tô, eu quero procurar um livro para indicar aqui no final sobre futebol rapidão enquanto vocês falam.
Eu quero indicar, antes do Miguel pegar a palavra, eu quero indicar o nosso jabá, o jabá do Calma Urgente, aliás, do Clube de Cultura do Calma Urgente. Entre no nosso time, a gente tá com inscrições abertas para o segundo semestre. É o único modelo de negócio do Calma Urgente. Aonde você pode ser membro ou membra da nossa comunidade maravilhosa, ter acesso exclusivo ao nosso grupo de WhatsApp, Instagram, emails e encontros semanais em que a gente fala sobre livro do mês, filme do mês, série do mês, comigo, Greg e Alessandra. 2 encontros por mês ao vivo que a gente faz por Zoom e muitas vezes com autores e autoras das obras que a gente analisa, como na semana passada fez uma entrevista com a Pauline Totti, autora de Os Imortais.
Livraço Brasileiro, lançado esse ano pela Editora Fósforo. Então, calmurgente.com. E é isso, gente, aumente as suas chances aí de, sei lá, de que, gente, é isso, é Clube do Livro ou bet. Então, bet, assina lá, senão a gente vai começar, que ele começa a ameaçar, que vai começar a ameaçar, ou semana que vem tá comendo fast food aqui ao vivo.
E Miguel, muito obrigado por ter vindo. Desculpa se eu— desculpa, agora que eu tô percebendo, talvez eu não tenha deixado você falar.
O Miguel falou pouco, eu achei também.
Falei, gente, falei bastante, falei até da Tchecoslováquia, tá tudo certo. Mas só podia sugerir um livro que é— eu acho que ele não tá traduzido em português, mas é o melhor livro que eu já li sobre futebol, porque é tão raro a gente ver boas reflexões intelectuais sobre futebol, e tanta gente gosta de futebol. Mas é o do Simon Critchley, que é um filósofo inglês, professor na New School, Nova York, que é um grande filósofo político, inclusive super interessante, bem anarquista.
O Bruno ia gostar bastante do Simon. E o Simon, na verdade, escreveu um livro chamado O Que Pensamos Quando Pensamos sobre Futebol, e é um livro que se propõe a ser uma filosofia do futebol, e é muito divertido. Então assim, é o Simon Critchley, C-R-I-T-C-H-L-E-Y. H-L-E-Y. É um cara bem interessante.
Adorei, tô louco para ler isso.
Ele é um torcedor fanático do Liverpool. Assim, eu só consigo trocar mensagem com ele quando o Liverpool ganha alguma grande coisa, ele responde. Mas ele é um grande fanático do Liverpool e ele também é um grande fã de David Bowie. Ele também escreveu um livro sobre filosofia sobre David Bowie. Então ele tem uma coisa de cultura pop é bem interessante. Ao mesmo tempo é um cara super sério em questões, enfim, em outras questões, mas é muito interessante.
Alguém podia traduzir isso, hein? Fica a dica aí para os nossos. Nossa, ele tem um livro também sobre calvície, que interessante.
Porra, 3 coisas que a gente se interessa, né, Greg? Boa e futebol e careca. Caralho, ele é isso também.
E ele é uma figura muito excêntrica. É muito inteligente.
Olha, fiquei curioso, eu vou ouvir. E eu queria falar de um, eu tô procurando ele aqui há um tempo e não tô achando. Como vocês podem ver um pouco aqui atrás, minha casa tá, tá meio uma zona. Mas acabou de sair, por coincidência, saiu logo antes da Copa, de um cara que eu adoro, que é o Fábio Luiz Barbosa da Silva, que é o Saudade do que Nunca Fomos. É do caralho, é uma análise do futebol brasileiro, desse mito justamente. Esse título é bonito, né, e vem a calhar no momento Desconstruindo um pouco esse mito do Brasil como país das grandes seleções.
Ele passa em revista as últimas seleções, últimas Copas e tal, sempre com esse olhar para tudo além da bola. A bola como ponto de partida para falar de um país, um país que se vê refletido no campo e muitas vezes não se vê esse conflito entre o país e o campo. Esse cara é espetacular. Aliás, tem outro livro bom também dele sobre O Médico e o Monstro, sobre política na América Latina. Ele é um especialista em política América Latina.
China. Eu gosto muito do livro da Elefante, que é uma ótima editora também. Saudades do que Nunca Fomos, ótimo para ler nesse momento, muito bom para a gente tentar fazer essa, essa terapia aí do que rolou assim. Puta, ainda tô agora, realmente os Estados Unidos ia me curar imediatamente, os Estados Unidos eliminado imediatamente.
Bom, tá esperando o segundo tempo, vamos torcer para ver a humilhação americana, norte-americana, estadunidense para quem me cobra nessas. Aí, para falar de um clássico da época de ouro do futebol, da crônica esportiva de futebol, um livro que eu acho que não tá reeditado, não sei se tá em cartaz, mas você acha ainda por aí, que é A Sombra das Chuteiras Imortais e A Pátria em Chuteiras, que são as duas coletâneas de crônicas esportivas do Nelson Rodrigues, exatamente, que se interessava por tudo em torno da bola, não exatamente a que é o tipo de crônica que morre junto com essa mercantilização absoluta do futebol e da sua imprensa futebolística. Então comenta também.
Perfeito. Já que estamos, então vamos lá. Então, bom, Zé Miguel Wisnik escreveu o melhor livro sobre futebol, na verdade melhor que o do Simon Critchley, que é o Veneno Remédio, o Remédio Veneno. Pera aí, agora que é maravilhoso. Eu não li esse livro Futebol Brasil, extraordinário, extraordinário. É um, não é só sobre a bola. E também, e também tem uns livros maravilhosos, um ou dois do Eduardo Galeano também aí, mas é o futebol aí platense mesmo.
Aí realmente é Uruguai-Argentina de gente que realmente gosta de futebol. Mais uma vez defendendo aqui. Sobretudo os uruguaios, que não ganham muito tempo.
Que tristeza, uruguaios! Eu torci, pô, mas foi feio demais. Mas é que o Bielsa também é um demente, né, cara? Como ele mesmo se dizia.
E vocês vão é torcer para França, os dois francófilos aí?
Então, francófilos, mas traumatizados por 98, 2006, né?
Totalmente.
Aquele uniforme dá gatilho.
Ao mesmo tempo, para mim também não consigo gostar França. Eu gosto do Mbappé, mas eu não gosto da França.
Eles são foda. Ao mesmo tempo, vamos ser sinceros, cara, tá uma máquina. Eu diria que talvez é o melhor futebol que eu já vi jogar, tá? Podem me apedrejar, mas eu nunca vi uma seleção jogar assim. Eu nunca vi. Eu não tava vendo 82, 78, eu não sei, 70. Agora, ver ao vivo, ver torcer, é lindo de ver.
Aí sim, é lindo, é lindo.
E é um projeto, e é um projeto de estado, né, de longo prazo. Aí ele deu França lá que acaba sendo assim, não é por acaso. Ué, como é que pode de repente surgiu a França, virou um celeiro? É um projeto sério para caramba, né? Tanto é que todos vêm do mesmo lugar. Inclusive, só justificando, falo assim, ah não, porque a França tem uma coisa. Aliás, só já que você falou da França, rapidamente, a gente, que falam muito racista, que brasileiro pelo amor de Deus tem que parar de falar, tá?
Que é, ah, esse time da França também é todo africano. Na boa, não sei por onde começar, meu irmão. Você tá falando um negócio que é tipo Puta que o pariu, cara, você tá falando que a extrema-direita francesa tá dizendo para expulsar os caras assim? Não faz o menor sentido você dizer isso mesmo. São franceses para caralho.
Até porque nenhum deles é naturalizado. O único que é mais, que é mais ou menos francês, vai, é o Olivier, que de fato cresceu na Inglaterra, a mãe dele é meio francesa. Esse beleza, mas assim, inclusive uma coisa que aconteceu muito ao contrário, tá?
A França é é o país que mais exportou craques. Vários jogadores da Costa do Marfim, eles sim são franceses e foram naturalizados ao contrário, porque é mais fácil o cara jogar na Costa do Marfim do que jogar na França. Então esse argumento é muito racista, é muito escroto. Você não gostar da França, tem mil motivos para não gostar.
É, mas acho que não é só brasileiro que faz não, acho que em geral assim. Até o Trevor Noah fez um comentário assim, fez, né? É, acho que o Senegal e França, ele falou, a única certeza que temos é que a África vai sair ganhando, uma coisa coisa assim.
Enfim, complexo, complexo. É porque é isso, o cara passa uma vida inteira tentando falar para todo mundo que é francês dentro da França.
E são franceses, são franceses para caralho. É bem diferente do Quiñones do México, que é naturalizado, um equatoriano naturalizado, e que é o melhor jogador disparado do México.
Do México, exatamente. Ontem, exatamente, bem diferente. Mas enfim, também não consigo torcer pela camisa, mas que é bonito para caralho de ver, é, né?
Os caras jogam muito impressionante. Mas eu sou meio espanhol, né, Bruno? Eu vou torcer para Espanha.
Ah, você é mais espanhol?
Pode ficar. Ou para o Marrocos, não sei, vou ver.
E fez uma partida esquisita hoje, né? Foi um jogo chato, né?
Espanha é muito chato. Espanha é impressionante. Eles têm bons jogadores, mas é um estilo de futebol muito essa troca de passe, né, cara? Interminável. É muito—
e eu vi um cara fazendo uma analogia muito boa sobre isso, falando que é tradição da França de futebol UOL é como a guilhotina. Você pega o cara e corta a cabeça dele, mata ele rápido. E a Espanha é de uma tortura lenta, que você fica tocando a bola, vai enlouquecendo o adversário. Aí quando vê, você enfia um gol e acaba com ele moral e acaba com ele psicologicamente. É uma coisa mais inquisição lenta e muito cruel. E a França é mais tipo assim, bota na guilhotina e corta a cabeça, mata logo de uma vez.
Tipo, são os dois tipos de massacre europeus clássicos. É muito bom, Miguel. Eu só tomei o culpado que eu acho que eu falei muito. Não queria nem entrar hoje porque eu não entendo nada de futebol. Isso não tem nada a ver.
Eu falei muito, mas eu falei, a gente chamou ele para ouvir.
Adorei conversar com vocês, foi ótimo.
É para se vingar da Alessandra que fala mais do que eu e o Greg. Então a gente pegou o marido.
A gente fala, é o contrário, Bruno, acho que é o contrário. Ele tá vendo que a Alessandra passa. Alessandra mandou ele aqui aqui para ver. Olha só, vai lá ver como é que é minha vida, vai.
Dura, né, que eu tenho que passar toda semana.
Foi um prazer falar com vocês. É a primeira vez que eu falo sobre futebol, então foi interessante. Em público? Em público não, é com vocês.
Eu só quero te dar os parabéns, Migue, porque você conseguiu ficar 1 hora e meia uma conversa sobre futebol e não falou a palavra Botafogo. Eu tô muito impressionado, porque você fala do Botafogo toda vez que você fala de política, de guerra, de igreja, de ficção científica. Política, de qualquer coisa, você traz o Botafogo como final da sua analogia. E hoje ele não apareceu em campo. Muito estranho, é verdade, cara.
Muito estranho. Vai ver que eu faço o— o Roland Barthes tem uma frase maravilhosa para definir a experiência do Ocidente com sexo, que a gente sexualiza tudo menos o sexo. Então talvez eu faça isso com o Botafogo. Eu botafoguizo tudo e só não falo do Botafogo no futebol.
Perfeito.
Perfeito, não é muito vantajoso, né, falar de Botafogo no futebol.
Não tem graça nenhuma, maravilhoso, maravilhoso, não tem nenhum sentido.
Grande sacada.
Não é pelo futebol que você é botafoguense, afinal de contas.
Não, não, tudo menos a bola, pela política. Muito obrigado, gente. Essa hora de Miguel Lago, muito obrigado, Miguel.
Muito obrigado, gente.
E até semana que vem.
Agora torcer para os Estados Unidos na Copa. Melhores estádios.
A única torcida, vai Bélgica!
Yankees, stay home!
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão.
Na sonoplastia, Felipe Croco.
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