O Primeiro Turno do Resto de Nossas Vidas
Uma conversa sobre Bets, Nossa Senhora, Big Techs e a impotência das campanhas na era das guerras culturais.
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Direção, Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Supervisão de Produção, Gustavo Rosa de Moura
Na Produção Executiva, Carolina Forattini Igreja
Na Coordenação de Produção, Sabrina Macedo
Na Captação, Edição e Mixagem, Amanda Carvalho e Vitor Bernardes
Na Edição de Cortes, Marina Cartum e Amanda Carvalho
Ilustração e Design, Anna Brandão
Na Coordenação de Pós-Produção, Marcelo Daros
Nas Redes Sociais, Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Na gestão de parcerias, Leo Tone Costa
Estratégia de Distribuição, Luna Costa
Identidade visual, Pedro Inoue
Na sonoplastia, Felipe Crocco
- A polêmica religiosa sobre Nossa Senhora Aparecida e a cobertura da mídiaMaria Cristina Fernandes e a apuração da Igreja Católica·A retratação da Rede Globo e a crítica à imprensa·O bispo do Flávio Bolsonaro e o livro 'A Bomba'·Intolerância religiosa contra católicos e religiões de matriz africana
- A proibição das bets pelo governo Lula e seus impactosA coerência da medida e o apoio popular·A crítica da imprensa e o lobby das bets·O argumento da segurança jurídica e a falácia do investimento·O impacto na economia e a desigualdade social
- A história e o simbolismo de Nossa Senhora Aparecida no BrasilO milagre dos pescadores e a imagem negra·A associação com a liberdade dos escravizados·A consagração como padroeira do Brasil por Getúlio Vargas·O ataque de setores neopentecostais à santa
- A guerra cultural e a captura midiática pelas betsO curto-circuito na polarização de identidades·A influência das bets em veículos de comunicação e clubes de futebol·O parasitismo do capitalismo tardio e a grana fácil·O uso das bets como ferramenta para a extrema-direita
- A importância do debate na Rede Globo para as eleiçõesA ineficácia das campanhas tradicionais·A oportunidade de Lula pautar a conversa·A fraqueza de Flávio Bolsonaro em debates·A necessidade de Lula confrontar o adversário
Olá, queridos ouvintes e espectadores do Calma Urgente! Estamos ao vivo hoje na segunda-feira, dia 28 de setembro, a 6 dias do primeiro turno das eleições de 2026. Esse é o Calma Urgente. Eu estou falando diretamente de Montreal, também conhecida como Monroi, do Quebec, do Canadá, e onde estou fazendo peça, espetáculo. Por isso estou aqui agradecer a minha prima que mora aqui, que me hospedou na casa dela para eu poder fazer essa live.
E agradecer, chamar nossos maravilhosos parceiros Bruno Tortura e Alessandra Rufino. Entrem, é um vivaço! Como é que vocês estão? Onde é que vocês estão nesse planeta?
Eu estou em casa e o Bruno também.
Eu tô em casa também aqui na terra, na É terra de Santa Cruz, né?
E aqui terra de milícia.
Estamos aqui, terra de milícia, aqui em Pindorama.
Pindorama. Eu volto já já, antes que me cobrem, obviamente. Eu volto já já para— faço peça ainda em Vancouver na quinta e volto correndo para o Brasil para votar, pelo amor de Deus, as eleições mais importantes da nossa história. Bom, viemos de uma semana aí muito turbulenta, é, inclusive, muito animada. Dá parabéns, dá parabéns a vocês dois. Sim, fizeram um trabalho espetacular no Revelando. Não quero ser cabotino aqui porque ele é um produto que tá também vinculado ao Calma Urgente, mas eu, como eu não fiz nada diretamente, eu quero aproveitar para— eu posso elogiar.
Que vídeo maravilhoso o do Revelando com Fábio Porchat! Realmente algo assim muito importante que o jornalismo não estava fazendo. Então, como muita gente falou, o humor precisou entrar.
E não só, claro, vocês, o jornalismo tradicional talvez não tivesse fazendo, mas nós somos jornalismo.
Na verdade, eu quero defender o jornalismo tradicional em parte. Sim. Porque muita coisa que tá nos revelando... Tudo! Foi tudo que estão revelando assim, quase tudo. Vou fazer uma defesa também do que a gente fez que a mídia não fez. Mas eu acho muito injusto a galera aqui falar, gente, vocês fizeram o que o jornalismo não fez. Não, o jornalismo fez. Ele só não tava encadeado dessa forma. Se vocês virem até o final...
A gente usou todas as fontes que são jornalísticas e tinham sido publicadas antes da gente. A gente se apoiou integralmente na apuração de terceiros, da Juliana Dal Pisa, Ivan. Né, de gente muito boa.
Posso citar um monte de gente. Se vocês virem no final, tem um monte de gente que eu sei. Todas as fontes colocadas e tem um time de jornalistas trabalhando no Revelando.
Gente, eu sei, tá todo mundo citado lá. E semana passada fizemos um grande elogio a todos esses jornalistas que fizeram um trabalho espetacular. Eu usei o termo errado, eu quis falar a grande mídia, eu quis falar dela que fez um trabalho, realmente é muito importante, eles fazem um trabalho espetacular. Sem jornalista estaria fodido. Contra Bolsonaro, de verdade, os governos Bolsonaro foram espetaculares, agora o governo Lula também.
Mas durante essas eleições está rolando uma falsa isonomia perigosíssima sobre todos os assuntos, em que parece que todos os lados estão envolvidos no caso Master. Ah, porque agora a campanha de Lula lança fake news sobre Nossa Senhora, como se tivesse alguma coisa a ver com a campanha do Lula, como se fosse fake news. A gente vai falar disso. Nesse programa, mas eu não quero entrar antes de terminar esse elogio ao programa de vocês, que fez algo muito importante, muito didático, muito comunicativo, muito inteligente, esperto, num tempo bom, bem escrito.
Que bom que rolou! E o Porchat maravilhoso também, uma entrega muito potente. Então furou a bolha mesmo, um vídeo que fez a diferença. E depois disso a gente ainda teve uma grande polêmica religiosa, uma reedição da Guerra Santa. E eu acho que é muito importante a gente falar dela. Por quê? Porque a gente, por acaso, a gente falou muito disso ao longo do nosso Clube do Livro. Nosso Clube do Livro de setembro, se eu não me engano, ele foi sobre— desse mês ele foi sobre o livro do Rui Tavares chamado— exatamente, o maravilhoso livro Hipocritões e Oligarcas, do Rui Tavares, que é um livro que fala de guerras culturais Mas a guerra cultural que ele mais fala, aquela que ele mais, a que ele mais se atém, é justamente a guerra religiosa, a Guerra de 100 Anos.
Mas mais do que a guerra em si, esse embate que durou muitos séculos e dura até hoje, como prova essas eleições, comprovam essas eleições, que é o embate entre protestantes e católicos. Esse embate que é muito central mesmo no Ocidente, muito maior do que a gente imagina. Nessas eleições ficou meio claro né, que esse é, esse é um embate vertebral do Brasil. Alessandra fala nisso há muito tempo, inclusive fez o livro Apocalipse nos Trópicos, o filme Apocalipse nos Trópicos, que fala muito disso, desse projeto de poder da teologia do domínio e tal.
Então queria começar com Alessandra, ouvindo dela. O que que você achou que aconteceu essa semana? Se isso tem potencial para dividir eleição, para mudar alguma coisa. E mais, eu acho que mais importante assim, essa história da, isso que mais me incomodou vendo a cobertura é que a imprensa, que volta e meia é omissa em relação a fake news, vamos ser sinceros, volta e meia corre fake news aí que enfim não tem, não tem uma, por exemplo, que o Lula está no Banco Mastercard, você não vai ver um trabalho mostrando que isso é uma fake news do Flávio.
Quando o Flávio fala Lula é Mastercard, você não vai ver esse tipo de manteigamento. Mas em relação à história, eu vou só resumir para quem não viu a história. A Maria Cristina Fernandes começou, ela falou de um projeto que existe, não é fake news, um projeto que existe, um deputado bolsonarista de acabar com a Nossa Senhora ser a padroeira, Nossa Senhora não ser mais a padroeira do Brasil, a Nossa Senhora Aparecida. E esse projeto existe e ele é realmente um deputado bolsonarista.
E mais, esse projeto não foi retirado pelos bolsonaristas, ele foi só arquivado. E ele é um projeto de fato que existe, que Bolsonaro, o próprio Flávio, Volta e meia cita assim de como uma piscadela quando ele fala que o Brasil só tem um Senhor, Jesus Cristo.
E é o primeiro ato dele, é, vai ser fazer exatamente o primeiro ato dele.
Então queria que você falasse disso, Alessandra. Primeiro me ajuda a esclarecer, isso não é uma fake news, certo? É uma fake news? E aí, claro, matérias fake news de campanha de Lula. Queria que falasse disso.
Eu vou falar, eu vou dar um pouco, inclusive, a cronologia de como a coisa se deu. Antes disso, só quero responder uma pergunta que surgiu aqui nos comentários, porque a gente citou o Revelando e já tem gente cobrando: cadê o episódio do Revelando dessa semana, que a gente tinha prometido para segunda-feira e a gente atrasou? Ele vai ao ar amanhã, terça-feira, por uma boa razão. A gente tinha um episódio pronto para ir ao ar hoje e a gente trocou de tema no final de semana para poder contar uma história que é muito urgente, que é muito quente.
Que foi muito pouco coberta, essa sim realmente bem pouco coberta pelo jornalismo até agora. E a gente tá com uma história muito forte que a gente espera que vocês acompanhem amanhã. Mas a gente teve que refazer todo o nosso episódio pra acomodar essa mudança nos acontecimentos. Então vai ao ar amanhã às 8 horas da noite no canal de YouTube do Revelando, que vocês podem encontrar no YouTube e aqui também no Calma Urgente a gente vai repostar o vídeo.
Mas se vocês quiserem assistir a live, é amanhã, 8 horas da noite, no canal de YouTube do Revelando. A gente conta com vocês para assistir ao vivo, para compartilhar, para comentar, para ajudar a gente a furar bolha de novo, que é o que a gente vai precisar com esse episódio. Vocês vão ver que ele tá muito especial, ele tá muito impactante, muito bonito. Eu tô bem, bem apreensiva e ansiosa para esse lançamento de amanhã.
Agora, só lembrar para as pessoas amanhã compartilharem, que é uma coisa que ajudou muito o vídeo do Fábio Porchat ter bombado, foi audiência do Calma Urgente engajada, sendo os primeiros a verem e a compartilharem, mandarem para todo mundo. Então a gente precisa de vocês viu, para a gente fazer bombar esse vídeo de amanhã também, porque é muito importante e tá muito forte. Então até breve, amanhã. Continuem ligados que esse vídeo vai sair amanhã.
Alessandra, o que que você achou essa semana? Você, só lembrando aqui, Alessandra ela é católica, né? Então ela tem lugar de fala. Eu e Bruno somos os famosos ateus com Nossa Senhora, mas a Alessandra ela não, ela é católica com Nossa Senhora mesmo. Então fala para gente, por favor, o que que você achou dessa semana? Católica praticante, praticante mesmo. Ela vai, frequenta missa, batizou as filhas e tal.
Fala comigo.
Batizar as filhas é o mínimo, não quer dizer muita coisa, mas eu sofro. Mas eu realmente, eu vou reivindicar esse meu lugar de fala, porque para quem tá chegando no Calma Urgente agora, e a gente sempre sabe que tem muito público chegando agora, né, no Calma nesse ciclo eleitoral, é de fato eu sofro assédio moral dos meus colegas aqui de bancada, se é que a gente pode chamar isso aqui de bancada.
Cada vez menos, cada vez menos, cada vez menos que eu sofro esse bullying.
Então a minha hora chegou, a minha hora chegou, a minha hora é essa, é isso, ninguém tira isso de mim. Eu falei para o Gregório, para o Bruno, que nesse episódio eles só iam falar amém a cada 5 minutos, era a única coisa que eles estavam autorizados a comentar. Amém, amém, amém, amém.
Nós vamos lá, eu pensava muito em você, Alessandra, eu pensava muito em você, muito em você e no Miguel. Você, porque você, Alessandra, é casada com Miguel Lago, que vem falando também, são muito tempo os dois, de que, de que, gente, a Igreja Católica ainda ia salvar o Brasil. Pois é, exatamente, foi basicamente isso. Eu não queria botar essa frase, mas é triste, né?
Quem é que tinha razão?
Mas eu vou discordar de vocês, não é a Igreja não, é a santa.
É a santa, obrigada. Melhor ainda, Maria passou na frente. Maria passou na frente. Olha só, mas falando sério agora, gente, na noite de quinta passada, 24 de setembro, No GloboNews, em pauta, a Maria Cristina Fernandes, como o Gregório falou, né, que é uma grande jornalista, é das antigas, de muito tempo de profissão, muito respeitada no meio, ela disse que a apuração dela é que a Igreja Católica estava começando a reagir ali internamente a uma parcela, né, do setor evangélico, de evangélicos, que estariam mobilizando um projeto de lei para tirar de Aparecida a condição de padroeira.
Ela não disse que era o Flávio Bolsonaro, ela não fez referência ao projeto específico de 2007, então a gente não sabe se na apuração dela havia possibilidade de um outro projeto ser apresentado, por exemplo, ou se esse seria o temor da Igreja. E ela diz que isso poderia surtir efeito entre católicos a favor do Lula. Então, o que a Maria Cristina tá fazendo, isso é muito importante da gente enfatizar, ela tá fazendo uma apuração de bastidor que não diz respeito à campanha do Flávio e tampouco diz respeito à campanha do Lula.
O que ela tá dizendo é: a Igreja Católica tem essa preocupação. E aí, isso foi cortado, foi usado nas redes sociais, e poucas horas depois, cerca de 3 horas depois, na edição da meia-noite, a Marcelle Setúbal, que é apresentadora da edição da meia-noite, lê uma correção em nome da emissora, em nome da Rede Globo, portanto. E ele diz que é uma correção, e ele fala basicamente, ele se refere a esse movimento católico já como uma suposta reação a evangélicos, e ele informa, portanto, a Marcelle informa que a proposta foi apresentada de dezembro de 2007, foi arquivada pela mesa diretora da Câmara em agosto de 2008, esse projeto de lei, e fala: nós pedimos desculpas pelo erro.
É muito delicado o que aconteceu e é muito grave o que aconteceu, porque não foi a Maria Cristina se retratando, o que seria perfeitamente natural e legítimo se ela achasse que tem alguma coisa para se retratar. Em nenhum momento a jornalista que fez a apuração veio a público e falou: gente, de fato errei, ouvi uma fonte que tava errada. Não é isso, ou não foi isso que eu quis dizer, ou eu fui mal interpretada. A empresa decidiu pedir desculpas em nome da jornalista, uma jornalista experiente, e ao pedir desculpas, a empresa de alguma forma parafraseou errado a Maria Cristina, o que é muito grave.
Porque, de novo, em nenhum momento a Maria Cristina citou um projeto específico e disse que ele continuava em pauta. E aí a correção seria dizer, não, mas esse projeto foi arquivado e a gente disse que ele ainda estava, sei lá, tramitando. Não foi isso que aconteceu. A Maria Cristina falou, a Igreja Católica tem essa preocupação. E a Igreja Católica tem essa preocupação, isso é verídico, isso é absolutamente verídico. E mais, a Igreja Católica poderia ter essa preocupação mesmo se isso fosse uma alucinação de 3 bispos, porque todo mundo tem direito às suas alucinações.
Ser uma alucinação não tira o fato, né, se fosse uma alucinação, de que a Igreja tem essa preocupação. Mas no caso não é uma alucinação, a Igreja Católica e muitos fiéis têm essa preocupação, especificamente em relação à Nossa Senhora da Aparecida, que é uma figura, né, sobre a qual eu posso falar mais, mas é um símbolo muito interessante, riquíssimo em significado, mas existe essa preocupação em relação à Nossa Senhora da Aparecida e existe uma preocupação mais ampla entre católicos e, sobretudo, entre católicos que a gente chama de catolicismo popular, que é esse catolicismo em que existe muita, uma grande ênfase nos santos, nas festas, muito sincretismo religioso.
Então, entre os segmentos mais ligados ao catolicismo popular, que tende a ser mais místico, que tende a trazer elementos e símbolos de outras religiões, sobretudo das religiões de matriz africana, esse segmento se vê sistematicamente atacado por setores fundamentalistas do neopentecostalismo brasileiro. E um dos grandes expoentes desses ataques sistemáticos aos católicos, e sobretudo ao catolicismo popular brasileiro, é o bispo do Flávio Bolsonaro.
O bispo do Flávio Bolsonaro é um fundamentalista dominionista que escreveu um livro, autorou um livro que ele nunca retratou, que ele nunca rechaçou, que ele nunca negou, em que ele tem um capítulo inteiro dedicado à Nossa Senhora de Aparecida. Em que ele fala que é paganismo, que ela é uma rainha da promiscuidade, em que ele basicamente desqualifica inteiramente a figura específica da Nossa Senhora de Aparecida. Eu posso ler trechos do livro já já, vale muito a pena se conectar com isso.
E ele é o bispo do Flávio hoje, aparece em foto com o Flávio hoje, foi na igreja dele que o Flávio foi batizado em 2024, e foi na igreja dele que o Flávio fez a primeira aparição pública dele depois de anunciar a candidatura. Então, a Igreja Católica olhar para esse candidato à presidência possivelmente prestes a se tornar presidente e falar, temo que se esse cara for presidente, essas tentativas que já foram formalizadas no passado por pessoas próximas ao bolsonarismo, ex-assessor da presidência do Jair Bolsonaro, que essas tentativas vão ser ressuscitadas e que vai haver de fato uma ofensiva para tirar Nossa Senhora de Aparecida do posto de padroeira do Brasil, isso é absolutamente racional e baseado num histórico amplo fartamente documentados, ataques sistemáticos, não de todos os evangélicos, obviamente, não de todas as igrejas, mas dos setores mais obscurantistas e mais fundamentalistas do neopentecostalismo brasileiro, que é com esses setores que o Flávio está.
O Flávio não dialoga com evangélicos humanistas, plurais, que buscam pontes com outras religiões cristãs. Não é com esse povo que ele está. Ele está com o pessoal que é fundamentalista, que está na tradição do bispo chutando a santa. É nessa linhagem que ele se insere e é com essas pessoas que ele tá hoje. Então é para ter medo, sim. É para os católicos ficarem em polvorosa, sim. A Maria Cristina não falou nada de fake news e é um absurdo o que a Globo fez.
Assim, eu fico indignada porque eu acho um desserviço não só para o debate público, para política brasileira, mas como católica eu fico indignada. Acho realmente, acho que é intolerância religiosa inclusive, porque se isso se desse com qualquer outro credo, com qualquer, não, não seria desse jeito. Mas não pode. Católico não pode ter medo, católico não pode estar preocupado. Ah, pelo amor de Deus!
E não é só a Rede Globo, não é só a Rede Globo que fez uma errata muito precipitada e uma errata errada, mas toda imprensa, home do UOL, G1, comentário político de YouTube, de podcasters, tem um, é aposto que é a notícia falsa Todo pior.
Desculpa, posso falar uma, só um adendo que é pior? Não é notícia falsa, é fake news.
Fake news.
Eu só queria dizer que isso é diferente.
Também tem notícia falsa, também tem notícia falsa e tem factoid.
Mas eu acho que tanto notícia falsa quanto fake news quanto factoid são 3 coisas diferentes. A gente precisa entender isso e o jornalista precisa saber isso. Fake news, esse neologismo dos últimos anos na língua portuguesa, o neologismo que nasce com Trump muito inclusive, né, se populariza. Ele diz respeito a uma indústria de invenção de pós-verdade, na qual é mamadeira de pirocas. Isso é uma fake news, tá? Uma notícia que pode talvez ser usada politicamente não é fake news.
Ah, mas é de 2009. Isso não é fake news, concordam? Não é, nem é notícia falsa. Mas até notícia falsa é diferente de fake news, porque fake news tem uma orquestração em geral estatal Ela é um produto de um tipo de pensamento de pós-verdade. A notícia falsa pode ser um erro do jornalista, muitas vezes. É diferente de fake news. E uma terceira coisa é uma polêmica. É algo que, na verdade, está em disputa. Ainda é uma terceira coisa.
Gente, eu tenho uma dúvida. Pra mim é muito claro. Você pode mentir, você pode dizer que uma coisa é mentira quando ela se refere a algo que deveria ter acontecido, porque existe um... O passado, ele deixa rastros. A gente pode dizer: isso aconteceu ou isso não aconteceu. Então, se a Maria Cristina Fernandes tivesse falado assim: o Flávio Bolsonaro declarou, ou fez uma reunião, ou arquitetou um plano no passado para tirar de Nossa Senhora da Aparecida o título de padroeira do Brasil, a gente poderia dizer, a não ser que ela tivesse fontes confiáveis, né, a gente poderia dizer: isso é mentira, isso é falso.
E ela precisaria se retratar. Já é... Primeiro que ela nem falou Flávio Bolsonaro. E segundo que ela tá falando de uma coisa que pode acontecer no futuro, é especulação. E especulação é algo absolutamente não só válido, mas é o dia a dia da mídia corporativa no Brasil. Por exemplo, na economia, que é a minha área, a economia vive de especulação, vive-se de se dizer: não, mas porque se o Lula for reeleito, ou se fulano vier pra cá, ou se fulano não for reeleito, aí os juros vão aumentar, aí a dívida pública vai explodir, aí o gasto público vai sair de controle.
Em nenhum momento o Lula falou assim: olha, se eu for reeleito, o gasto público vai sair de controle. Se eu for reeleito, eu tenho um plano para explodir a dívida pública. Óbvio que não. Mas o que você tem é economistas, na concepção deles, se baseando num comportamento histórico, em indícios, em informações vindas da campanha, em bastidores, em padrões, falando: olha, temo que, se ele for reeleito, isso e isso vai acontecer. Esse tipo de especulação acontece diariamente na cobertura econômica no Brasil. E ninguém fala: isso é fake, o Lula nunca disse isso. Que poupem.
Não, e só uma coisa importante disso assim, não é que eu vou defender o que a imprensa fez, na verdade, explicando melhor, fora a própria Globo que fez uma errata da sua repórter que não errou, eu acho que o grosso da imprensa, o que ela tá fazendo na verdade, é falando que a notícia falsa, que o fake news, é o que as redes sociais soltaram em seguida. Que é, a partir da fala da Maria, pegaram essa oportunidade midiática e falaram que o Flávio vai proibir.
Ah, sim, isso é um absurdo, não pode ser feito.
Calma, mas aí é que tá. Isso é de se esperar, é como rede social é, é como a coisa age. Mas o que eu fico muito impressionado é que a imprensa não se interessou pelo caso em si. Ela só se interessou pelos posts de rede social e chamou tudo de fake news. E ninguém fez uma matéria na home do UOL ou na própria Globo sobre esse livro do próprio bispo, do Flávio Bolsonaro. Pouquíssimas pessoas fizeram, e só um outro comentarista, o fato de que o Flávio faz sim apito de cachorro que os evangélicos fundamentalistas entendem, e logicamente os bispos brasileiros também entendem, quando ele fala que no seu primeiro ato ele vai fazer o nosso país ser do Senhor Jesus.
Isso é claramente a prova de que o fato de que a Maria Cristina tava falando se confirma e se justifica e se invalidou O que é, você bem disse, a especulação profundamente realista, muito realista. E é louco porque hoje, quando entrando em contato mais com esse caso, eu dou mais crédito para esse caso do que eu dava no fim de semana, do fim de semana que eu via, eu vi a notícia e eu achei exagerado. Eu tava no campo dos jornalistas que tava achando assim estão forçando um pouco a barra.
Eu até entendo de onde vem, tá, todo mundo é desesperado. E hoje eu acho menos que estão forçando a barra. Eu acho que os memes têm muito mais razão de ser do que a imprensa tá dando crédito.
Tem muito mais. Olha só, Bruno, numa breve pesquisa, tá, eu encontrei aqui, não só, lembrei na verdade vários fatos. Um deles foi Marcelo Crivella cantando uma música dizendo chutei a heresia. Não sei se você lembra que um pastor chutou uma santa na televisão. Chutou uma santa.
Não, não só chutou essa santa, a Nossa Senhora Aparecida.
Vocês lembram disso, tá? Ele chutou para dizer que aquilo era idolatria. Depois, não só esse cara chutou a santa em rede nacional, como veio Marcelo Crivella, fez uma música que ele conseguiu tirar do ar a canção, mas nunca se retratou num capítulo de Desculpas dizendo chutei a heresia, dizendo, elogiando o pastor que chutou e falando se a santa, se a santa é Deus ela que me castigue, tá? Isso daí é o Marcelo Crivello, pastor Marcelo Crivello, fez endossando e pedindo, pedindo assim, zoando inclusive, continua dobrando a aposta de zoar.
Olha só: na minha vida dei um chute na heresia, houve tanta gritaria de quem ama idolatria. Se ela é Deus, ela que me castigue. Então assim, eles depois, um vídeo, eu quero mostrar aqui rapidamente, só relembrar quem é Marcelo Crivello, para quem já esqueceu quem é o Marcelo Crivello. É um pastor que ele é sobrinho do Edir Macedo, inteiro. Ele foi senador pelo Rio de Janeiro, ele foi prefeito da cidade do Rio de Janeiro, ele é do PL, partido de Flávio Bolsonaro.
Ninguém ia esquecer, ministro da Pesca de Dilma Rousseff.
Aí, Bruno, não precisava disso, só para não, porque isso é importante falar isso, que depois tem um caso que eu quero rememorar. Então, e eu queria lembrar, e eu queria lembrar que esse Crivella que fez essa música, e são os maiores, não é um pastor X que tem uma ligação, talvez que são A gente tá falando da alta cúpula do bolsonarismo, tô falando de Marco Feliciano. Marco Feliciano tem um vídeo que eu quero mostrar aqui para vocês, tá?
Que isso é, isso é intolerância religiosa. Aquilo que Marco Feliciano acusa o Porta dos Fundos de ter feito é o que ele faz e fez durante muito tempo em relação a católicos, tá? É um vídeo dele dizendo que acha um absurdo, que primeiro os católicos são religião morta e fajuta, e que o Jesus dele não, ele não conversa, ele não vem falar com quem tem um Jesus pendurado no pescoço, porque diz que Jesus dele não morreu para estar em pescoço de bandido, em tornozelo de vagabunda.
É isso que é, essa é assim que ele está se referindo aos católicos desse país, Marco Feliciano. Eu acho que valia talvez mostrar esse vídeo aqui só para vocês entenderem o tom, porque acho que às vezes a gente fica numa coisa meio, meio assim, ah, porque calma aí também, gente, né, não é bem assim. E tem muita, ah, hoje em dia estão moderando por questões eleitoreiras, mas a verdade é que esse povo odeia sim católicos e odeia as imagens por motivos que muitas vezes são religiosos, por outros são políticos.
Mas o fato é que eles, esse povo, a gente tá falando dos evangélicos no geral, falando dessa alta cúpula bolsonarista, Feliciano Crivella e tal, tem mais do que provas de intolerância religiosa. Então vou só compartilhar para vocês entenderem do que que eu tô falando aqui, tá?
Católico entre nós aqui, que eu duvido muito, mas se tiver, está em busca de um avivamento. Deixa eu te explicar uma coisa. Primeiro, você não pode sentir aquilo que nós sentimos sem experimentar o Deus que nós servimos. Não, pastor, não, pastor, mas eu sou carismático, eu até aprendi a falar em línguas, botaram uma fita no rádio e eu decorei. Este avivamento é avivamento de Satanás, porque o avivamento que provém de Deus você não precisa ouvir fita para aprender, é É o Espírito que ensina, é ele quem dá, é ele quem faz.
Deixa eu te dizer, por que é que você não pode experimentar o mesmo avivamento? Você não pode experimentar o mesmo avivamento que eu porque o seu Deus não é o mesmo que o meu Deus, porque o meu Deus exige santidade, santidade física e santidade de alma. Não adianta dizer para mim que o seu coração é de Deus, mas o seu corpo está entregue prostituição, a idolatria e a todas as misérias dessa vida. Quem é de Deus louva a Deus até o seu corpo.
Não, pastor, meu Deus é igual o seu. Olha, eu tô até com ele aqui no meu pescoço. Vou dizer uma coisa com todo respeito. O meu Jesus não foi feito para ser em frente de pescoço de homossexual, nem de pederasta, nem de lésbica. Meu Jesus não foi feito para andar como um dia desse eu vi uma moça, eu sou cristão, quer ver? E me mostrou a cadela dela, tinha uma correntinha e uma cruzinha aqui amarrada e um Jesusinho ali. Eu falei, esse não é o meu Deus, porque o meu Jesus não nasceu para ser em frente de pescoço, de braço, de perna.
Nem pra ser em frente de janela, nem pra ser em frente de sala, nem pra ser em frente de tampa de caixão, nem de porta de cemitério. O meu Jesus nasceu, tá no céu, ele tem coração.
Ai, Greg, tira, corta, corta, corta, vai.
Pois é, desculpa aí fazer vocês passarem por isso. Eu só queria que, eu só queria relembrar vocês que esse é o Marco Feliciano, tá, falando que esse avivamento católico é o avivamento de Satanás. Pronto, bola para frente. Só queria que foi—
não, eu acho isso é muito importante lembrar disso. Bruno, você queria fazer um comentário? Vai lá, eu tô— esse assunto me deixa um pouco mobilizado.
É, amém. Se quiser fazer um comentário. Não, na verdade eu não tenho muito mais para dizer do que eu já disse. Só tem um lembrete histórico que eu queria fazer, que é uma outra intervenção e que me mostra um pouco como a gente tá numa outra era política, né? Eu lembro de 2010, do segundo turno entre Dilma e Serra, que foi uma eleição muito tensa para quem tava engajado nela, como eu tentei estar. E eu lembro muito bem que o segundo turno— isso, aliás, bom a gente saber, a gente não está se dando conta disso— o Dia de Nossa Senhora Aparecida vai cair no meio do segundo turno, no dia 12.
E no meio do segundo turno de 2010, o Serra, que teve uma história política em que ele declarou ser materialista histórico, ateu, né, uma pessoa religiosa nunca foi, foi com Geraldo Alckmin no dia 12 no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. E ele postou essa foto, postou e divulgou e foi para imprensa, apareceu na Rede Globo. E eu lembro do choque que foi na esquerda, como muita gente, inclusive eu, a gente ficou muito revoltado com a politização da Nossa Senhora Aparecida.
E curiosamente, olha que inversão, né, que a Igreja Católica recebeu o Serra e tava achando que a Dilma ia legalizar o aborto, coisas assim. Então a Igreja Católica se colocou favorável ao Serra naquela época. E olha a mesma notícia, olha o que diz aqui, né: a guerra santa na qual se transformou o segundo turno teve mais um capítulo. O candidato José Serra compareceu à missa na Basílica da Nossa Senhora Já os assessores da candidata Dilma, que esteve em Aparecida anteontem, eles se preparavam na terça para uma reunião de petistas com as lideranças evangélicas.
Então tinha exatamente uma inversão, era a tentativa ativa de que a Dilma ia ser uma candidata bem recebida pelos pastores evangélicos, já que a Igreja Católica estaria em uma guerra santa ao lado de Serra. E olha que nível a gente chegou. Em 2014, a Dilma subiu no púlpito com o Eduardo Cunha, né? Tinha essa coisa e tinha uma expectativa.
O Crivella foi ministro da Dilma, Bruno. Crivella foi ministro da Dilma, vamos lembrar.
E eu lembro de conversar com jornalistas, me lembro do começo da blogosfera progressista, quando começou uma mídia independente mais, é, mais petista. Tinha-se, na minha opinião, sempre foi uma ilusão, eu nunca defendi isso, mas que a Record ia ser a Rede Globo do PT. Tinha-se essa ilusão de que a Igreja Universal, de que o Edir faria uma aliança tática de longo prazo com os petistas. Deu no que deu, e tá aí agora Nossa Senhora no colo dos ateus, inclusive.
E já que a gente vai lembrar de pleitos passados, Bruno, vale lembrar que na última eleição, em 2022, o Bolsonaro foi bateado quando ele foi no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida no 12 de outubro, no dia de Nossa Senhora de Aparecida, né? E justamente porque ele tava de alguma forma tentando instrumentalizar ali a fé. É esse episódio do chute da santa, que é um episódio de 95 e que foi muito polêmico. Inclusive alguns, né, ouvintes nossos lembraram que uma das passagens mais tensas da carreira do Chico Pinheiro foi, que acabou de se aposentar, né, foi justamente quando ele reagiu ao chute da Santa, que foi um bispo da Universal chutando a Santa, e ele era âncora do jornal da Record, e ele tinha, portanto, autonomia sobre o noticiário, e ele resolveu falar do assunto, e foi por isso que ele essencialmente teve que sair da Record, porque ele se recusou a tentar explicar ou de alguma forma justificar, passar pano para o Edir Macedo e para a emissora e botar panos quentes nessa história, né?
Então, o Chico Pinheiro, ele sai, ele era um âncora do telejornal, e ele sai da Recorre por causa desse episódio, num lance bastante corajoso, assim, porque era uma posição importante para carreira dele. Mas para não querer chegar lá muito, essa história ela é até hoje uma história muito mal digerida pelo próprio Edir Macedo e muito ruim para a Igreja. Foi realmente uma grande mácula na história da Igreja, porque Nossa Senhora de Aparecida é muito querida não só pelos católicos.
E acho que vale, como falei antes, né, eu quero contar um pouco a história de Nossa Senhora Aparecida, se vocês me permitirem. Mas ela é muito querida, é uma figura realmente muito específica, né, do panteão, assim, dos símbolos nacionais.
Conta pra gente qual é assim o início da— como é que começa? Qual é o milagre dela e o surgimento? Quando é que ela aparece?
Gente, eu vivi para ver o dia em que o Gregório ia me perguntar sobre um milagre. Eu estou, eu tô assim, eu tô exultante. Eu só quero deixar isso bem claro.
Eu queria saber, inclusive, não só fazer uma medalhinha, eu quero não, eu quero fazer uma promessa promessa para Nossa Senhora de Aparecida. Eu viro devoto se a gente ganhar essa eleição, viro devoto, eu subo o que for preciso, subo o que for preciso. Eu andei, fui andando na Lavagem do Bonfim. Qual o próximo? Eu posso subir a Escadaria da Penha.
Eu vou te passar uma lista, Greg, de coisas para você fazer. Mas a história de Nossa Senhora de Aparecida é o seguinte: no século 18, início do século 18, consta-se que dois pescadores super pessoas muito humildes, tinham sido, tinham recebido a incumbência de conseguir peixe para o banquete do Conde de Assumar, que era governador de São Paulo e Minas Gerais e que tava passando por uma vila em Guaratinguetá. Ia fazer assim um grande banquete para esse cara e os pescadores tinham que pescar o peixe para o banquete.
E eles não estavam conseguindo pescar, não vinha peixe nenhum, até que eles recolheram no Rio, no Rio Paraíba do Sul o corpo de uma pequena imagem em terracota da Nossa Senhora da Conceição, que é muito venerada, né? Tem muitos devotos de Nossa Senhora da Conceição em Portugal, e portanto isso foi exportado para o Brasil também. E um pouco mais abaixo no rio, eles encontraram a cabeça. E aí, depois disso, eles começaram a achar muito peixe e as redes ficaram tão cheias que o barco quase afundou.
E aí, essa imagem que eles encontraram, ela tava escurecida pela argila e pelos anos no rio. Era uma imagem que tinha sido escurecida, então era uma Santa Negra. E eles colocaram em casa, na casa desses dois pescadores muito simples, e a vizinhança começou a se reunir para rezar o terço, começou a haver um movimento de devoção a essa imagem de Nossa Senhora da Conceição, mas numa versão, digamos, negra da Nossa Senhora da Conceição.
Em 1745, cria essa primeira capela para Nossa Senhora de Aparecida no local aonde ela, essa imagem, tinha sido colocada.
E você sabe dizer o ano que ela aparece?
1717, ela aparece em 17. Aí demora-se 20 e poucos anos para que ela tem a primeira capela. E aí, entre os muitos milagres atribuídos à Nossa Senhora de Aparecida, o primeiro mais conhecido assim, o fato importante, é o do Zacarias, que era um homem escravizado que tinha sido levado acorrentado de volta para fazenda. Ele é um escravo que foge e aí ele é pego pelo capitão do mato, é levado de volta para a fazenda, e aí ele pede para rezar diante da imagem de Nossa Senhora de Aparecida, e imediatamente as correntes são soltas dos seus pulsos.
Essa é a história que se conta. E esse relato fez da Nossa Senhora de Aparecida, dessa Santa Negra do Paraíba do Sul, um símbolo estreitamente associado à liberdade dos escravizados. Então, quando, por exemplo, o JB Carvalho, que é o bispo do Flávio Bolsonaro, diz no livro dele, eu quero citar as passagens do livro já já, que a cor da Nossa Senhora de Aparecida é uma marca de paganismo, essa não é só uma relação desrespeitosa em relação aos católicos, aos devotos de Nossa Senhora de Aparecida e a um símbolo nacional muito querido.
Essa também é uma declaração racista. A história de Nossa Senhora de Aparecida é a história de uma santa negra que foi objeto primeiramente de devoção e de adoração, sobretudo de pessoas escravizadas. A consagração de fato da Nossa Senhora de Aparecida foi feita muito depois. Ela foi consagrada santa, né, que é o Papa que decide, só em 1904. Então, durante mais de um século, um século e meio, Nossa Senhora de Aparecida, ela era realmente uma figura do catolicismo popular que nem era reconhecida pelo Vaticano.
Ela nasce desse sincretismo maluco, dessa coisa muito brasileira de se misturarem várias imagens e várias formas de devoção, e ela permanece nesse imaginário popular, sem nenhum tipo de chancelar do Vaticano, até o início do século 20. E aí tem um decreto do Pio X, ela é consagrada, portanto ela vira santa. Em 1930, o Pio XI proclama ela como padroeira do Brasil, que foi uma coisa muito ali alinhada e arquitetada com Getúlio Vargas.
E aí tem a parte também política da história, né? O Getúlio, ele tava querendo criar uma identidade nacional, E parte desse projeto de criação de identidade nacional era essa ideia de um país em que as diferenças raciais, as tensões raciais seriam superadas ou não seriam mais tão importantes, a ideia da raça cósmica, a ideia de um país... Claro que Getúlio, ao fazer isso, ele também apagou séculos de escravidão e de racismo que ele não queria muito reconhecer como parte da história.
Ele queria falar assim, gente, isso está superado, tá? A gente já resolveu essa parte. Isso 30, 40 anos depois da abolição. Então, imagina, era ousado tentar falar, não, imagina, já resolvemos. Está tudo certo. Muito problemático, né, esse aspecto do getulismo. No entanto, teve o mérito de, de alguma forma, consolidar símbolos que o Getúlio via como símbolos desse sincretismo, desse encontro entre diferentes tradições religiosas, estéticas e de outras naturezas.
E a Nossa Senhora de Aparecida, portanto, funciona naquele momento como um símbolo político. Então ela é profundamente política também, não na sua origem necessariamente, mas na maneira como ela foi depois, como ela se torna, portanto, padroeira do Brasil. Então, de alguma forma, essa conversa que se arrasta há muitas décadas no meio fundamentalista, e eu repito, não são obviamente todas as igrejas evangélicas, muito menos os fiéis, até porque deve ter evangélico que também é devoto de Nossa Senhora de Aparecida, porque esse país é uma loucura completa, tem de tudo nesse Brasil.
Mas essas lideranças fundamentalistas que têm ódio à Nossa Senhora de Aparecida, e o que o bispo do Flávio Bolsonaro, isso eu posso dizer e afirmar com base no livro dele, o que ele é ódio à Nossa Senhora de Aparecida, o que eles estão fazendo não é só atacar uma santa, uma figura, você não pode adorar figuras e tal. Eles também estão atacando essa figura que representa a Era Vargas, que representa o projeto getulista populista para o Brasil.
Então é também, de alguma forma, uma maneira de você falar: esse projeto, ele tem que se encerrar. E representa a luta dos escravizados desde o século 18. É muito grave, né? E é muito profundo, é muito simbólico mesmo. Talvez seja o maior símbolo, né, de um projeto de nação, a qual nós também vamos ter críticas, porque isso também foi, como eu falei, né, também é um projeto de nação ali gestado pelo Getúlio, que também busca um apagamento das tensões raciais brasileiras.
Mas é certamente um projeto muito mais interessante, rico, a partir do qual a gente pode construir coisas do que esse projeto de supremacia branca estranha, aonde o catolicismo popular, aliás, onde nenhuma outra confissão religiosa tem vez. Quando ele fala agora, o Marco Feliciano, no vídeo que você mostrou, Greg, da medalhinha no tornozelo, ele tá falando justamente dos símbolos sincréticos, que é a cruz na medalha do tornozelo, que é uma tradição muito mais presente nas religiões de matriz africana.
Quer dizer, Tudo que de alguma forma amalgamou essas coisas é o que, é o que eles odeiam. E odeiam mesmo, odeiam mesmo, absolutamente.
Muitas declarações nesse sentido de muitos pastores, que a África, o próprio Crivella já falou algo parecido com isso, de que a África seria amaldiçoada por acreditar em ser animista, ou enfim, ter religiões politeístas, que a fome na África viria daí. É uma acusação hiper racista mesmo. Racista literal mesmo, supremacista branca horrorosa. E são essas pessoas, é o mesmo pensamento, então anda junto. É bem lembrado isso, Alessandra, o supremacismo racial nesse caso tá colado com a intolerância religiosa.
Então é muito racista mesmo. E a gente vê isso sendo dito literalmente, né, Bruno?
Você vê, não, e a Nossa Senhora na verdade assim é a parte que o Brasil, o Brasil se sensibilizou e virou um escândalo. E é, tanto é que é 31 anos Mais tarde estamos aqui falando daquela cena que a Rede Globo espalhou no país, é adnáuseo. Mas eu, gente, te confesso, eu tinha nada salutar hábito durante muitos anos, especialmente nessa época quando eu era adolescente, de ver Igreja Universal na madrugada. Eu adorava ver, eu ficava muito indignado, eu escrevia música disso, eu tinha uma banda que era meio para falar disso.
E eu passava trote de madrugada para a Igreja Universal. E o que que eles faziam que ninguém lembra? Tinha um que era o Bispo Romualdo, é um bispo famoso da Igreja Universal, e nas madrugadas ele passava a madrugada assim satanizando a Umbanda e o Candomblé. Ele falava que ele tinha sido um, falava, eu era um pai de encosto. E ele chamava um monte de mãe de santo que tinha se convertido para falar que o que elas faziam era conjurar o diabo e tudo mais.
E todo dia ele mostrava como se fazia alguma macumba. Ele falava, ele mostrava, você pega uma cachaça, você faz assim, você bota o frango e tal, mas com uma trilha satânica. Atrás e falava o mal que acontecia com as pessoas. Isso, gente, era toda santa madrugada. O que mostra também o nosso extremo racismo, que ninguém lembra dessa parte que era diária. Então quando o cara chutou uma santa, a santa, ele tava assim, era o aperitivo do que esses caras faziam toda madrugada na Igreja Universal.
E aí em 95, quando teve esse, esse baita episódio, começou uma guerra santa também entre a Igreja Universal e a Rede Record, que o Bispo Macedo tava começando a assumir, e a Rede Globo, que fez uma série com Edson Celulari, que era um pastor evangélico. A série chamava Decadência. E aí começou uma guerra entre as duas TVs, uma expondo o Bispo Macedo, que tinha aquele vídeo, aquela videoaula dele pegando dinheiro, lembra? Ensinava para os pastores o que que fazia para ganhar grana, que era um vídeo clandestino que eles conseguiam.
A Rede Globo passava isso todo dia no Jornal Nacional. E a Rede Record começou a falar que quem via Globo era do demônio. E aí eu sei de fontes internas, de pessoas que trabalhavam naquela época na própria Globo, que houve um armistício, que houve uma conversa entre o Roberto Marinho e o Edir para que tivesse uma detente, porque tava uma destruição mútua assegurada. Mas essa guerra cultural teve vários episódios, e acho que esse de chutar a santa também foi muito, muito central nessa cisão entre Rede Globo Record, entre Globo satânica e enfim, Rede Record santa, e vice-versa.
E olha, e já que você falou rapidamente de intolerância religiosa contra também povos de santo, né, os povos de terreiro e tal, é muito bom lembrar que a gente tá falando escandalizado com essa intolerância em relação a Nossa Senhora, que é de fato escandalizante, mas a intolerância religiosa contra religiões de matriz africana corre solta, solta em todas as esferas. Tem o famoso narcopentecostalismo, né, que são os traficantes convertidos, que proíbem pessoas de usar guia em seus territórios tomados, ou os vestes de branco, que destroem terreiros.
Isso aí é um dado, fato mesmo. Tolerância religiosa contra terreiros é uma coisa que corre solta. E pastores, inclusive o Felipe Valadão, bom lembrar, líder da Igreja Lagoinha, em 22 subiu no palco e disse que tinha despacho na frente do palco, chamou as práticas religiosas de matriz africana de endemoniados e ameaçou fechar os terreiros do município, tá?
Inclusive, o Valadão da Lagoinha, objeto do Revelando de semana passada, né?
A família Valadão foi indiciado criminalmente por causa disso, inclusive.
E eu queria só comentar isso, que a gente tá falando de guerra cultural, né? E de como essas identidades, elas são mobilizantes, elas são profundamente mobilizantes. Também não acho que seja coincidência que o episódio semana passada foi um episódio tão visto. O fato de que a gente tenha escolhido olhar para o escândalo do Master a partir dessa relação entre Lagoinha e Master. Que é central para o escândalo, né? É muito, é muito fundamental para, como a gente mostra, né, para que o Boccaro tenha tido acesso aos ministros do Supremo, a políticos de Minas, sobretudo especificamente ao Nicolas e ao próprio Flávio.
Enfim, então tem ali uma centralidade da Lagoinha. E acho que tem a ver também com essa, essa intuição que tá colocada de que é essas pessoas que se chamam de bispos e que têm igrejas enormes e caríssimas e com área VIP e que se distanciam completamente dos preceitos do cristianismo, que é uma religião, né, para pobres e para escravizados e para pessoa— essas pessoas não só são intolerantes religiosas, que não deveriam, e que eu realmente acredito que não representam nem, nem os evangélicos do Brasil, que não são essas pessoas.
Mas não só isso, elas também fazem parte de um tipo de cultura da ostentação, do dinheiro, do jatinho, da área VIP, da festa, que obviamente não tem nada a ver com os preceitos de Cristo, mas que é, que desemboca no vorcaro. Então existe uma teologia de base, entendeu, que vai viabilizando esse tipo de comportamento público, inclusive, que é bem grave.
Você quer falar aqui a respeito do livro? Porque você pegou o livro desse pastor exatamente, é um negócio muito chocante. Então queria que a Alessandra falasse disse rapidamente, só para a gente entender do que que a gente tá falando aqui.
É, acho que é importante saber, né? Esse, então, só para você deixar claro, quem é esse pastor? É o JB Carvalho. Como eu falei, o Flávio Bolsonaro, ele se batiza na igreja do JB Carvalho. É João Batista, mas ele é conhecido como JB, Bispo JB Carvalho. Ele se batiza na igreja dele e é na igreja dele que ele faz a primeira aparição pública depois do anúncio da candidatura. É um pastor, é o pastor do Flávio, especificamente o pastor do Flávio, tá?
E é para lá que o Flávio vai, a igreja dele que ele frequenta aos domingos, etc. Lembrando que o Flávio só se converteu como evangélico em 2024, na igreja desse homem. Então, basicamente, toda experiência que ele tem como evangélico é com esse cara, tá? E ele tem esse livro com esse título maravilhosamente sensacionalista chamado A Bomba. A Bomba. E o livro A Bomba, vale a pena procurar o PDF, a gente pode disponibilizar algumas partes, a gente tem que entender questões de direito autoral, para a gente, porque só me faltava ser processada pelo JB Carvalho por infração de direito autoral.
Mas o que eu posso ler para vocês aqui é o seguinte: na página 82 do livro, ele fala especificamente de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, né? Então ele fala que a lei que torna ela padroeira do Brasil é ilegal, que o feriado de 12 de outubro também é ilegal, e que, abre aspas, está na hora de destronarmos a rainha em nossa nação. E depois ele convoca os brasileiros cristãos a exigir que, abre aspas, Aparecida não seja mais senhora em nossa nação.
Então ele dá um recibo político assim, claro. Aí um pouco depois, na página 87, ele cobra que deputados e senadores tomem posição para que o Brasil não tenha mais Aparecida como padroeira. Então ele chama a devoção à Aparecida de institucionalização da adoração pagã, e ele diz que o culto à Nossa Senhora Aparecida é ilegal pelas leis humanas e pelas leis de Deus. Depois, antes, aliás, no início disso, para mim é o mais forte politicamente, né?
Mas antes disso, ele define ela como deusa da promiscuidade, páginas 33 a 34, podem ir lá olhar. Na página 33, ele fala que a entidade que ele chama de rainha dos céus, que no raciocínio dele seria a Nossa Senhora Aparecida, seria uma espécie de símbolo disso, é o braço direito de Satanás. Ele descreve essa entidade como promotora da prostituição, da pornografia, da indústria do sexo, do aborto. E na página 34 ele fecha a lista dos disfarces dessa entidade, que seria uma entidade que se disfarçaria em diversos símbolos pelo mundo.
E nessa lista ele diz: no Brasil ela se mascara com o nome de Aparecida. Então entende que você pegar a única santa negra, né, que tem devotos em massa no Brasil, a personificação negra de Maria, é esse símbolo. E você falar não só que ela é a rainha dos céus, mas você dizer também que ela é a promotora da prostituição, da pornografia, todo o léxico é profundamente racista, porque ele vai associar Aparecida a essas atividades que no discurso racista, né, sistemático, são imputadas à população negra do Brasil.
Depois ele culpa a imagem escura de uma deusa, ele não cita isso, ele fala imagem escura de uma deusa. Ele, ele vai, ele vai, ele culpa Aparecida por todas as desgraças do país. Ele fala que por causa de Aparecida a gente afundou na recessão, a gente tem inflação, a gente tem seca no Nordeste, a gente tem criminalidade, é tudo culpa de Aparecida. Seria até interessante ver se tira Aparecida tudo melhora, porque realmente esse teste— depois ele vai debochar do milagre especificamente.
E aí ele vai, e é na hora que ele debocha do milagre, Greg, que é também ali, ele tem um capítulo sobre Aparecida, então na página 80, 81 ele fala que os pescadores que encontraram a imagem de Aparecida eram exagerados e que eles pescaram uma imagem escura de uma deusa. Ele chama Aparecida do Norte de cidade consagrada à deusa, ele chama o feriado de 12 de outubro como o feriado para a deusa que apareceu sem cabeça, ele afirma que Aparecida não é Maria, enfim, e por aí vai.
É esse show de horrores, entende? Então assim, você dizer nessas circunstâncias, com esse sendo o seu bispo, de novo, tem um monte de pastores interessantes, cristãos de fato, conectados com seus fiéis e com as suas congregações. O Flávio poderia ter encontrado qualquer outra liderança espiritual evangélica, se ele quer ser evangélico. Ele foi encontrar essa liderança. Essa é a liderança espiritual do Flávio, que escreveu esse livro, que disse essas coisas.
E nessas circunstâncias você quer vir acionar o STF para dizer que uma especulação sobre um possível plano seu de tirar Aparecida do título de padroeira é fake news? Pelo amor de Deus! É absolutamente natural especular a esse respeito. Esse é o recibo político do seu pastor, caramba! É isso que ele diz.
E se ele vai para o STF, eu até entendo, porque ele tá tenso. Mas a imprensa comprar essa é foda, cara.
Isso eu acho uma loucura. Falando em imprensa, só fazer uma errata aqui, que a Alessandra disse que Chico Pinheiro estava se aposentando. Não está jamais. Inclusive disse que só se aposenta por decisão de Nossa Senhora Aparecida.
Agradecer.
O Chico está assistindo e foi apontado por Alessandro.
O Chico tá no ICL, se eu não me engano, tá fazendo tratamento, tá fazendo tratamento, vai, vai estar com muita saúde em muito breve.
E é isso, tá bom. Perdão, Chico, eu me retrato, foi uma fake news, eu me retrato sobre isso, mas apenas sobre O resto todo é verdadeiro. Maravilha.
Então, não, voltando aqui, a gente, enfim, eu achei muito importante lembrar disso. Enfim, que bom que você tá fazendo esse trabalho de lembrar que existe muita base mesmo para falar intolerância religiosa, em ódio a católicos no Brasil, em ódio a Nossa Senhora. Lembrar que essa tolerância ela ainda é maior em relação às populações, às religiões de matriz africana. Mas eu queria falar de uma coisa importantíssima também que aconteceu essa semana, foi a proibição das bets.
O Lula vinha há um tempo assim não prometendo, mas tá dando sinais de que ele faria isso. A gente mesmo torceu muito por isso aqui no Calma Urgente e aconteceu. Eu não preciso dizer que eu achei, achei o mínimo, achei o fim de uma coragem, mas ao mesmo tempo de uma coerência com tudo que ele acredita. Achei muito, muito importante. As pessoas: mas será que isso vai ser bom eleitoralmente? Bom, primeiro, acho que não deveria ser um cálculo, já que é algo que tá levando pessoas ao suicídio no Brasil, é algo que deveria, né, que tá levando endividamento, ao fim das famílias, e assim, R$140 bilhões saindo do país.
Não preciso nem usar os argumentos. Mas além de todos esses dados, para mim, obviamente é bom eleitoralmente. Mas mesmo que não fosse, ele deveria ter feito. Mas claro, a gente tá aqui também especulando, faltam 6 dias para eleições. Quero saber o que vocês sentiram, se foi— eu senti muito bem, tá, da internet pelo menos, porque não só tem dados, 75% da população brasileira é contra, é a favor da proibição das bets, da proibição, não é contra as bets, é a favor da proibição das bets, 75%, e o percentual ainda maior em relação às mulheres.
E bom, os números são surreais, são avassaladores. Aliás, o Café da Manhã fez uma boa matéria inclusive com Miguel Lago falando lá. Só engraçado que assim, tem, eles ouvem os dois lados, né, como é tradição do jornalismo, que tá certo por um lado, por outro lado é bem engraçado. Porque de um lado, Miguel Lago, cientista político, estudioso de saúde pública, falando de dados e como vidas são ceifadas e famílias são falidas e dando números e tal, porque ele estuda isso. Ah, vamos ouvir outro lado. Temos aqui um lobista, não fala esse nome.
Estamos aqui com uma pessoa que deveria apresentar assim, que é paga por empresa de bet.
Isso, jornalismo apresenta, ele não fala, o jornalismo fala assim: e agora vamos falar com uma pessoa, com o presidente da Associação Jogo Responsável. Não, amigo, tem que falar assim: agora vamos falar com uma pessoa remunerada pelas bets para defendê-las.
Vamos ouvir aqui com o porta-voz das bets, basicamente.
Eu vou te falar, Greg, na verdade eu não acho que isso nem deveria ser aceitável. Não existe dois lados em que um lado não ganha nada e o outro lado ganha. Não é opinião, porque o que existe entre o Miguel e esse outro sujeito que faz um papel cínico patético no café da manhã hoje não é uma diferença de opinião. O outro sujeito é pago para ter a opinião que ele tem, então não tem como saber se a opinião que ele tem é a opinião que ele tem de fato.
Assim, quer dar dois lados, Vai me procurar alguém, um sujeito coerente, capaz de, né, levar lé com cré, completar uma frase, que não seja pago por bet para defender bet. Procura esse personagem, amigo, faz sua produção de personagem.
Eu queria um personagem, queria um personagem que é um cara que falou assim: gente, eu jogo bet, eu sou jogador, isso tá infringindo a minha liberdade, eu ganho dinheiro assim, eu comprei minha casa, eu pago escola do meu filho, eu sanei as minhas dívidas vidas, eu sou grato a essas bets, é um absurdo que estão fazendo, se não fosse as bets eu tava na miséria. Acha um, um, não precisa chamar um representante do sindicato dos viciados em bet.
Exatamente.
Acha um caso.
Eu queria dizer, inclusive comparando, aliás, vários memes maravilhosos, né, não vou citar porque vocês já devem ter visto, mas bom, primeiro, o Brasil está como, nossa, tá como o Alto da Compadecida, a gente tá sendo salvo no final por Nossa Senhora. Nossa Senhora, mais uma vez. Mas tem algo que eu adorei também, que a ideia de que, cara, vivi para ver crentes defendendo jogatina e ateus defendendo Nossa Senhora. Mas é basicamente o que tá acontecendo nessas eleições, não é?
E é basicamente isso que tá acontecendo. Agora, eu acho que é muito bom, inclusive porque quando ele faz isso, ele obriga— tem algo que é muito importante na política, que é você pautar o debate. E ele tirou o debate daquela discussão ridícula do Supremo, do STF, RSF, que respingava nele mesmo, não tendo nada a ver, que como ele é o incumbente parece que é uma confusão do governo mesmo, Supremo, né, não tendo uma ligação direta com o governo e ele não tendo sido implicado no Banco Master.
Aquilo ali respingava de alguma maneira estranha um pouco nele, e ele conseguiu pautar, ele conseguiu trazer a bola para o pé e ter posse de bola. E quando ele traz a discussão para Nossa Senhora, para Betis, ou para Bolsa Família, ou para— ele ganha. Então assim, é muito importante ele fazer o Flávio Bolsonaro defender Bete, porque é basicamente a única, só resta isso ao Flávio. Ou ele fala parabéns, Lula, ótima notícia, ou ele fala o que ele falou, que é a medida eleitoreira, tá tentando se eleger. Isso é uma resposta de quem perdeu.
Exatamente, exatamente. É o maior sinal, o maior sinal de que foi um golaço do Lula. E eu realmente acho que foi um golaço, foi um golaço enquanto presidente fazendo o que é responsável, foi o que também um golaço enquanto candidato. É justamente o que o outro lado não consegue ter nenhuma resposta de mérito. Então eles não vão debater o mérito da questão, eles não vão dizer que não deveria ter sido proibido, eles vão dizer que é eleitoreiro, eles vão dizer que cria instabilidade de contratos, eles vão dizer essa, essa é minha preferida, que a MP vale só 4 meses, que depois da eleição não, a MP ela vai para o Congresso, o Congresso pode tornar isso, né, lei ou não.
Eu queria muito que o Lula tivesse feito mais isso, MIPs, de verdade, decreto que obrigasse o Congresso a tomar medidas, a se posicionar.
E é muito doido que eles falem que depois vai voltar ao normal quando eles estão se preparando, possivelmente, muito provavelmente vão conseguir ter a maior bancada do Congresso. Então assim, se você não quiser que volte, não volta. É uma, é uma, enfim, é o discurso de quem sabe que não tem um discurso de mérito. O Miguel fala Laila, uma coisa hoje no café da manhã que eu vou repetir aqui, que eu acho que é muito interessante, que é qualquer outro setor da economia, se você tivesse com uma medida provisória basicamente proibido esse setor inteiro, pensa só na hotelaria, na aviação, na construção civil, no varejo de shopping, o que seja, qualquer outro setor da economia que tivesse passado por uma proibição rápida, como vai ser o caso agora com as casas de ele teria usado a perda de empregos, a perda de serviços fundamentais para o país.
Ele estaria falando: gente, mas espera aí, mas se fechar aqui a aviação, as pessoas não vão mais conseguir se locomover, e aí tantos empregos serão perdidos, e tantos milhões de reais, e tanto impacto em outros setores será XYZ, os efeitos em cascata para todo o setor produtivo será blá blá blá blá. As bets não conseguem falar de nada disso, elas não conseguem falar de emprego, elas não— a única coisa que elas conseguem falar um pouco é de arrecadação, e é absolutamente falacioso, porque evidentemente que o dinheiro que as pessoas estão gastando com bets, se elas não estivessem gastando com bets, elas estavam gastando com outra coisa, a outra coisa paga imposto também.
Então, a arrecadação só ia vir de outro lugar. Mas elas não têm nenhum argumento relacionado ao serviço que elas prestam, porque é um setor que não emprega ninguém, praticamente, e que presta um desserviço para a população. Então, fica-se fazendo esses discursos focados em processo que, primeiro, eu acho que são profundamente elitistas e alienantes para a enorme maioria da população, porque quem é que está preocupado com a segurança segurança dos contratos.
E segundo, também são falaciosos, são profundamente falaciosos. A gente pode falar isso já já, mas acho que o Bruno queria fazer um comentário. Vai lá, Bruno.
Não, eu tava ouvindo, eu tava escutando assim, eu recebi com felicidade. Acho que o timing foi o timing possível. Acho que é uma coisa que a gente tem falado, a gente falou no outro Calma, mas é isso. Acho que se o Lula tivesse feito isso há 6 meses quando seria melhor para nossa, para nossa economia, teria menos gente endividada. O tipo de massacre, o tipo de pressão que ele ia ter é inimaginável. Então, apesar de parecer muito oportunista por conta do calendário, é o calendário possível de fazer isso.
É quando a sociedade entende e quando os adversários ficam nas cordas. E aí eu não tô falando do Flávio, eu tô falando das casas de bet, E aí sim, uma outra ponta super importante, que eu acho que é um curto-circuito na guerra cultural mesmo que tá acontecendo. É muito interessante a gente pensar que essa eleição a esquerda não se manifestou como a esquerda é cultural, como a esquerda woke. A gente não teve uma questão de identidades, a gente não viu a questão LGBT, a gente não viu as pautas de pânico moral serem levantadas por nenhum lado.
De algum jeito muito doido ela tá se dando em torno de uma outra polarização de identidade, que é dessa profunda cristalização de votos que se identificam com campos cada vez mais separados, mas que sobrou para evangélico é defender bet, defender basicamente vício, algo que era basicamente uma pauta mundana, mas deu um curto-circuito muito forte na própria imprensa. Porque não é só clube de futebol que vive de bet, né, gente? É uma verba publicitária colossal para grandes veículos de comunicação, colossal para veículos de comunicação que não tem a manha de vir a público e falar: a gente vai quebrar isso, porque eles precisam ser mais discretos do que isso.
Eu acho que não a MP, mas na hora que ficou claro que o Lula iria fazer isso, que esse boato já tá circulando, que isso tá sendo ventilado, que o Lula botou isso na campanha, Eu acho que a cobertura mudou. Eu acho que houve uma baixada de tom em relação ao Flávio Bolsonaro, porque afeta diretamente o bolso de grandes veículos, vários deles ou sócios ou já preparando as suas próprias plataformas de bet, que é o web— pelas organizações Globo, começando pelas organizações Globo que são donas de bet.
Muito bem. E eu acho que tem uma questão que o Lula deveria pelo menos falar, e eu vou chegar no meu ponto no final, que é o Brasil parasita, que acho que tá de muitas maneiras colocado, que tem a ver com o tipo de crime organizado que o Flávio defende, representa e tá envolvido, com o tipo de economia que foi criada extremamente muito parasita e que tá contaminando coisas muito centrais. Não tô falando para nossa economia, porque não é para nossa economia, ela só destrói a nossa economia.
Mas para estrutura de grandes grupos econômicos que estão, que fazem parte da nossa identidade, que são grandes grupos de comunicação, os clubes de futebol. Então tem um, tem que arrancar o carrapato logo, porque se dura mais 4 anos, se isso se estende mais, vira uma coisa muito mais difícil de você arrancar. Então tem uma questão do parasitismo que eu acho importante de falar, que não tá sendo muito colocado, e que amalgama um monte de coisa de mercado financeiro, do tipo de investidor que tá apoiando o Flávio, que já se conformou que tem que ser junto com o Flávio.
Mas aí vai chegar numa outra pauta que estamos cobrando aqui, que é o Lula precisa, eu acho, vocalizar isso no debate da Rede Globo. E que tá, não tá claro se ele vai ou não. Muita gente tem falado que ele não vai, muita gente do nosso campo tem defendido que ele não vá, mas pessoalmente Eu acho que tem uma análise muito importante de ser feita, que é— e eu não acho que o Revelando, que a gente ajudou a fazer, é— explodiu a bolha com tanta força à toa.
Ele tem a qualidade dele, tem o talento do Porchat, tem uma estratégia muito bem feita, mas ele também é um sintoma de uma outra coisa, que é: as campanhas de ambos candidatos não conseguem mais pautar a sociedade. As pessoas não estão vendo campanha. Não vem horário. E eu acho que o Lula não teve a chance nessa eleição de se dirigir ao país mesmo de uma vez só, não se confrontar com o Flávio e fazer ele defender bet, fazer ele defender criminoso que ele se associou no passado, falar da família dele, daí tem que lembrar, o Flávio é péssimo de debate, gente.
E vamos lembrar de uma outra vantagem desse debate da Rede Globo, que é o Renan não vai estar. Se o Renan estivesse, eu juro que eu ia ficar um pouco mais inseguro.
Por quê?
Porque o cara é um porco no chiqueiro, porque ele faz espetáculo, porque ele causa, porque ele vive de corte, porque ele sabe trabalhar com meme.
Olha, Bruno, mas o pior inimigo do Renan hoje é o Flávio, tá? Ele ia partir muito mais para cima do Flávio do que para o Dudu Lula. Inclusive, o Renan no segundo turno tá cada vez mais apontando, apontando, se não para um apoio para o Lula, pelo menos uma abstenção. É, mas o ponto não tem chance de apoiar o Flávio no segundo turno. É bom lembrar disso, que acho que as pessoas não estão lembrando.
É, e eu acho, eu acho que também nem o Caiado, tá? O Caiado deu um sinal interessante nos últimos dias, não sei se vocês viram. Ele fez um post de Nossa Senhora Ele fez um post e esse Mendonça não censurou. Engraçado, foi antes do Flávio Dino vir com a outra liminar dele, que é um outro assunto, mas que é o fato de que o Caiado, se o Flávio ganha, a direita brasileira tá fodida, tá fodida, tá fodida. Vira uma dinastia. O Flávio vai tentar reeleição, se é que vai ter eleição em 30, provavelmente não, tem chance alta disso não acontecer, entendeu?
Então assim, tem um cenário diferente. E eu acho que o Lula agora, já que a campanha do Lula, vamos falar sério, não conseguiu pautar a sociedade, os números não estão do jeito que a campanha planejou. Isso todo mundo precisa reconhecer. O desenho que eles tinham na hipótese de campanha deles não aconteceu. O Lula deveria estar muito mais seguro a essa altura do campeonato, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Eu acho que uma performance do Lula bem feita na quinta-feira ajuda e muito o Lula fazer o que o próprio Greg disse, que é pautar a conversa e estabelecer qual o frame que estamos conversando, botar o Flávio nas cordas pessoalmente.
Esse embate não aconteceu, ele precisa acontecer, eles precisam se ver olho no olho.
Eu acho, eu concordo, e o Lula tem muito mais qualidade do que o Flávio.
Isso é inegável.
E se ele não tiver, o Flávio vai nadar de braçada. Então é realmente entregar um palco para o Flávio. Aí ficam: ah não, mas o Lula pode dar uma entrevista para outro canal no mesmo horário. Gente, é um debate da Globo há 3 dias do primeiro turno, nada vai ter audiência que esse debate vai ter. Não é comparável. Tem que ir, tem que ir. Ele pode ir, ele sabe fazer isso, ele sabe fazer isso bem.
Eu tenho fé de que ele vai.
Você tá rezando para Nossa Senhora Aparecida?
Eu tenho fé hoje, com certeza ela vai operar esse milagre de Lula vai no debate, vai amassar o Flávio. Eu acho que você vai fazer diferença.
Agora a gente tem que levá-lo primeiro, é a chance dele.
Eu acho que o jogo virou de verdade, tá, nos últimos, nas últimas duas semanas. Com certeza, com certeza. Eu tava bom, isso é inclusive em pesquisas, tá. Flávio estagnou, tava subindo, subindo, subindo, né, tava assim, o Lula tava bem, bem regular. E o Flávio foi subindo, subindo, subindo. As últimas 2 semanas teve uma estagnação da diferença, que é muito perigosa. Diferença muito pequena, de 5 pontos, não é nada, mas teve uma estagnação de modo geral, né?
Eu acho que, e eu acho que o Flávio tocou ali no teto dele, que é 37, que é um teto altíssimo para um candidato como ele. É altíssimo, é apavorante o Brasil ter 37 pessoas que votam nesse cara. Cara no primeiro turno é realmente é muito doloroso mesmo, é muito, acho que é sinal de uma falência muito grande democrática em algum lugar. E não tô culpando, ah, só um detalhe, alguns fizeram vídeo criticando aquele vídeo que eu tava com ódio falando, o cara, porra, não entende, bota a culpa toda no eleitor sem entender que esse eleitor ele é um cara também precarizado pelo PT.
Achou muito ingênuo a coisa, eu tá com ódio do eleitor. Não, gente, eu não estou com ódio do eleitor. Eu não tenho ódio desses 37% que votam no Flávio não, tá? O ódio que eu tenho, quando eu tô falando que eu tô com ódio, eu tô falando da pessoa de elite que vem falar que o Flávio, meu, vai dar mais segurança ao país. Eu tô com ódio não dos manipulados, mas dos manipuladores, dessas pessoas que eu tenho ódio. E eu acho que é muito importante separar, tá?
A pessoa que tem acesso à informação, acesso a todos os dados de economia, acesso a todos os crimes do Flávio, e essa pessoa ainda assim vota nele, essa pessoa eu tenho memória. Agora, da pessoa que tá num regime de informação mentiroso, da pessoa que tá achando que às vezes é manipulada pelo pastor evangélico, como ele já viu vídeos inclusive que isso acontece diretamente, da pessoa mandando votar em tal pessoa, da gente, da pessoa que também foi precarizada no governo do PT, que a gente tem mil críticas.
É bom lembrar disso também, a gente passou 4 anos aqui fazendo esse programa muito crítico ao governo do PT em vários aspectos. Então sim, a gente não é cego a essas críticas. Ninguém aqui nega que o problema, que tenham tido muitos problemas nesses últimos 4 anos. Agora, isso você dizer que é uma, que a gente tá, enfim, que isso daí justifica algum voto no Flávio, eu acho uma loucura.
Mas enfim, só tô dando esse parênteses aqui porque foi uma crítica, entre aspas, gente, a gente começou a falar do debate, mas eu não queria passar batido ainda pela questão das bets. Eu queria só dar dois passos para trás porque a gente tá aqui só agora com 13 mil pessoas ao vivo. A gente sabe que esse programa vai ser muito visto por gente do nosso campo e eu acho que a gente tem que estar muito bem preparado para reagir, já que estamos falando de guerra cultural.
A gente tem que estar municiado e a gente tem que estar muito bem preparado para reagir aos grandes argumentos que estão se desenhando pelo lobby das bets, né? Então tem muitos, mas os 3 grandes que eles se ativeram nessa última semana são a questão da segurança dos contratos, da segurança jurídica, o fato de ser, segundo eles, uma medida eleitoreira, e uma suposta preocupação com um suposto crescimento do jogo ilegal caso as bets sejam de fato permanentemente banidas do país, né?
Posso falar rapidinho dessas 3 coisas só para todo mundo ficar com a mensagem bem na ponta da língua? É bem rápido, gente. Sobre segurança dos contratos, estabilidade jurídica, primeiro que assim, né, tudo que é legal, porém injusto e nocivo para a sociedade, em algum momento precisa deixar de ser legal. A escravidão era legalizada no Brasil. Aliás, os senhores de escravo também alegaram preocupação com a segurança jurídica, a estabilidade dos contratos, porque afinal de contas eles tinham feito grandes investimentos.
Ele é muito vendido, exatamente como as bets estão falando agora, que vão lá pedir o dinheiro das outorgas. É a mesma coisa, claro, né, com todas as diferenças circunstanciais, mas o tipo de discurso patético é muito parecido, é o mesmo dispositivo. Então esse é o primeiro assunto. Segunda questão: esse é um setor especificamente muito pouco intensivo em capital. O que que eu quero dizer com isso. Se você tem um setor muito intensivo em que você precisa investir muito antes de começar a ganhar, existe um argumento que é: puxa, me falaram que essa atividade era uma atividade que eu poderia exercer ao longo de muitos anos, eu fiz um investimento aqui de 10, 20 anos, passei 20 anos só perdendo dinheiro, só investindo, só comprando máquina, fazendo coisa, escavando troço lá, e na hora que eu ia começar a recuperar o meu investimento, o setor foi banido.
Isso para alguns setores mesmo assim deveria ser possível, mas o fato é que no caso específico das bets esse não é o caso. Criar uma empresa de bet não dá trabalho, e o valor que o governo fixou na regulação para outorga, né, muito pouco intensivo em capital, é site, é coisa barata de se fazer. E o valor que o governo fixou para outorga é muito baixo, é R$30 milhões. Essas empresas já recuperaram esse dinheiro muitas vezes. Elas estão operando há 2 anos regulamentadas, elas já recuperaram esse investimento, mas assim, enormemente.
Só o contrato, sei lá, é um mês de Virgínia. Não sei se exatamente o mês de Virgínia, mas o fato é que assim, dá muito dinheiro, é muito dinheiro muito rápido, é uma margem absurda. Você não emprega ninguém, não é intensivo em capital, não existe nenhuma razão para haver essa choradeira com a suposta insegurança jurídica que isso gera. Não gera insegurança nenhuma, não tem investidor perdendo dinheiro. O investidor que hoje tá perdendo dinheiro no Brasil é investidor que tá investindo no varejo, na indústria, e a gente tá tendo uma realmente uma depressão do consumo no Brasil porque as pessoas estão endividadas por causa de Isso sim gera insegurança no investidor. Então assim, né, pelo amor de Deus, deem um tempo.
Esse é o segundo argumento também, algo que já foi dito, mas é o seguinte: vocês apostaram e vocês perderam. Essa é a verdade. Vocês apostaram, vocês não investiram, foi uma aposta de que o Brasil ia desregulamentar. Ganharam muito dinheiro por um tempo, provavelmente muito maior do que vocês investiram, e agora vão perder. É isso, vocês trabalham no ramo de apostas, caralho. Qual a parte que vocês não entenderam?
E o Lula fala desde a regulamentação.
Ele falou lá na regulamentação que se a regulamentação não desse conta de, né, coibir o crescimento explosivo das bets, que ele ia proibir. Então a possibilidade de haver uma proibição tava na mesa desde o início. Ninguém entrou nessa desavisado. Não tem segurança jurídica porra nenhuma. Me poupem, parem com essa choradeira ridícula. Segundo assunto: ah, seria eleitoreiro. É, aí eu recomendo que vocês ouçam a resposta do Miguel, que vai fazer uma análise como cientista político no café da manhã de hoje da escolha.
Eu vou dar os dois, né, os dois pontos centrais da eleição. É, a gente vive numa democracia representativa em que durante 4 anos, entre uma eleição e outra, o poder que o eleitor tem sobre o seu representante é muito pequeno, porque a gente delega a nossa representação e eles meio que fazem o que quiserem com isso, né? O momento em que o eleitor passa a ter poder, em que esse equilíbrio de forças ele volta a estar mais para o lado do eleitor, é justamente às vésperas da Proibir bet não é uma medida eleitoreira.
Proibir bet é uma medida popular. São coisas muito diferentes. É popular com eleitor, mas não é popular com a classe política, que está em grande medida comprometida com bet e sendo pressionada pelo lobby das bets, e com medo da mídia capturada pelas bets, e muitas vezes ganhando dinheiro diretamente com bet, tá? E apuração da Piauí sobre a relação do Ciro Nogueira com Fernandinho IG, que não nos deixa mentir. Então, durante os 4 anos entre eleições é muito difícil você emplacar uma medida como essa, porque o eleitor ele tá com pouco poder.
Às vésperas da eleição o eleitor passa a ter mais poder, e é nesse momento que você consegue tomar certas medidas que são necessárias, que são populares, mas que desagradam a classe política. Está certíssimo em fazer isso, Alessandra.
Perfeito. Eu só queria lembrar disso, isso que você falou é perfeito. O Miguel diz também, é muito importante a gente lembrar, porque quando um governante cede à pressão do mercado, ele é realista, ele é pragmático. Quando ele cede à pressão popular, ele é populista, ele é eleitoreiro. Quando na verdade um governante deveria ceder muito mais à pressão popular do que a de mercado. Mas a de mercado é legítimo, é perfeitamente legítimo ele ceder e falar assim: não, realmente tem que aumentar o juro porque tem que baixar, porque o mercado, as decisões de mercado, quando o mercado manda e o governo obedece, isso é visto como saúde.
Eu, como é normal, é assim que funciona. Agora, quando o povo pressiona e o governo faz, isso é eleitoreiro, é populista, é demagogo. Então assim, é realmente mostra que para eles eles deveriam mesmo viver numa, num capitalismo mais selvagem possível, que é uma democracia sem nenhum controle democrático, que a democracia é ruim. A democracia, o que é democrático eles chamam de eleitoreiro, e o que é basicamente obviamente a cleptocracia e enfim a oligocracia, né, esse mundo, essa oligarquia em que a gente vive, tava me faltando a palavra, a oligarquia dos grandes conglomerados de poder mandando e o governo obedecendo, isso é saudável, isso é pragmatismo, isso é o realismo, é o realismo, capitalismo vencendo, né, assim.
Mas lembrando, mas lembrando de uma, só porque isso aí me revoltou e você tem toda razão de lembrar isso, tem toda razão de lembrar que é isso, tem que ceder à pressão popular, óbvio, Isso não é eleitoreiro, isso é verdade, isso é democracia. Chama democracia, caralho. O que as pessoas chamam de populismo muitas vezes é só democracia. Perdão, fala.
E tem uma outra questão aí que é o seguinte: nesse caso nem é uma pressão do mercado com M maiúsculo, é uma pressão específica de um mercado parasita que capturou muito poder midiático com imprensa, influenciador e clube de futebol. Mas o mercado, o mercado produtivo brasileiro brasileiro tá achando ótimo. O Lula no dia seguinte foi se encontrar com vários empresários, que a gente do varejo tá falando: finalmente, R$112 bilhões prontos para virar consumo, emprego, imposto produtivo no país, que vai aumentar a compra de supermercado.
A gente, a gente viu a campanha do Flávio falando que não tem picanha, não tem picanha, em grande parte porque as pessoas estão se fodendo com bet, gente. Tipo, é facilitar compra de picanha, literalmente, entendeu?
E é o dinheiro do pobre que tá indo para esse espaço. Então, no caso, tá estudado pelo Guilherme Klein, professor maravilhoso da UFRJ, fez esse estudo literalmente. Onde é que sai o dinheiro das bets? Sai sim das populações mais pobres, obviamente. Para onde é que vai? Para o 0,01% mais rico, muitas vezes nem do Brasil. Então Então assim, é mesmo uma desigualdade, aumentar a desigualdade de renda.
É uma máquina de sugar dinheiro de pobres.
Exatamente, é um Robin Hood ao contrário. É você tirar dinheiro da população mais pobre, tirar do consumo do país, tirar da economia e mandar para as Ilhas Caimã R$140 bilhões, porque é para lá que vai. Não fica nem entre rico brasileiro. Então assim, ou fica com as offshore dos ricos brasileiros nas Ilhas Caimã, que também é Mas assim, pelo que a gente viu na época do Gazz News, eu não sei se mudou, mas quem mais ganhava dinheiro com bet é a pessoa mais rica de bet inglesa, a dona da Bet365.
Hoje em dia mudou um pouco porque a regulamentação obrigou essas empresas a terem sócios brasileiros, né?
Muitas vezes um só, um laranja, vamos ser sinceros, né?
Mas tem muito brasileiro ficando rico, não tem a menor dúvida disso. E é captura cultural, gente. Eles fizeram isso exatamente porque o capital que eles tem é 100% midiático, gente. Não é à toa que compraram a Virgínia, o Vini Júnior. Não é à toa que grupos de comunicação são os maiores patrocinadores disso, clube de futebol, gente. É uma cortina de fumaça cultural gigantesca para um parasitismo. Novamente, não é o capitalismo brasileiro que tá demandando isso, é um tipo parasitista de capitalismo muito contemporâneo, diga-se Isso tá acontecendo em muitos países, Estados Unidos especialmente, com o mercado de previsão, com captura da própria Casa Branca.
É uma fase tardia de capitalismo parasita mesmo, de grana fácil, que ela responde também a um outro problema que a gente não vai falar, que a gente não vai falar hoje, mas que é regulação mais inteligente de Big Tech, de como é que isso responde a algoritmos, de como é que isso responde a uma maneira que a gente autorizou que o capitalismo e a timeline de uma maneira completamente parasitista. Mas no curto prazo é o que vocês falaram, é tipo, é democracia, não é populismo puro.
Antes de continuar e dar o terceiro argumento, só falar um dado da Mônica Bergamo que é perfeito para provar esse ponto, né, que é, se todo mundo acompanhou a lavada que os comentários a favor da proibição deram nas redes sociais. Qualquer post do, quando os clubes, por exemplo, foram defender as bets, acabaram com os clubes. É uma lavada mesmo, tipo 80%, 90% dos comentários são negativos, ou seja, contra as bets. Só que nas televisões e nas rádios, tá, é 68%, 85% dos comentários são positivos, 68 para 85 negativos à proibição.
Passou de 68% para 85%. Dos comentários na televisão são negativos em relação à proibição. Ou seja, na contramão completa da população mesmo. Só lembrando isso para vocês.
Desculpa, o que indica a captura midiática, né, Greg? Inclusive, antes de eu falar do terceiro argumento, só para ficar nessa questão da captura da mídia, é absolutamente cabotino que essa mesma Rede Globo que se apressou em jogar a Maria Cristina na fogueira pela suposta fake news da Nossa Senhora Aparecida conhecida, não fale em toda, assim, eles vão lá diligentemente chamar de fake news, falar que é falso, mas na hora de falar de bet eles não falam em toda cobertura como eles deveriam, como eles têm a obrigação de fazer em toda matéria, em todo comentário, em toda entrevista, abrir dizendo: a gente é dono de bet, essa cobertura que vocês estão vendo aqui é a cobertura de uma empresa dona de bet.
Você pode fazer cobertura tendo conflito de interesse, mas você tornar público o conflito de interesse. O público, a audiência, tem o direito de saber que o conflito de interesse existe. Então, só para deixar claro aqui, gente, nós não temos nenhum dinheiro em bet, nós não ganhamos dinheiro com isso, e também não ganhamos dinheiro se elas forem proibidas. Não temos conflito de interesse nessa pauta. Na pauta de Nossa Senhora Aparecida eu tenho um conflito, porque, né, não posso.
A gente abriu falando isso, a gente abriu falando, a gente falou que eu era católica, a gente abriu falando isso a título de transparência. A Alessandra é católica, Praticante. Agora, eu acho muito bom que você falou isso, Ale, que eu queria fazer um comentário, um meta-comentário midiático sobre o Revelando, sobre o Calma Urgente, sobre como a imprensa viu o caso. Eu tive a oportunidade de ver uma parte da nossa grande imprensa repercutindo o vídeo Revelando, especialmente porque a Meta derrubou, que é um caso que depois a gente pode fazer um outro programa disso quando a eleição passar, sobre Big Tech.
E censura de espaço público. Mas eu vi mais de um jornalista falando, teve o Joel, teve a Vera Magalhães, teve outros também falando sobre como o nosso vídeo era muito bem feito, mas ele tinha um viés, ele tinha um viés, que a gente não deu o mesmo, que a gente não deu o mesmo peso que a gente deu para o Flávio, para o PT da Bahia, por exemplo, na situação E o viés me pegou muito no caso. Primeiro assim, essa é uma conversa tão gasta, me deu um déjà vu assim de 2013, 2014, quando a gente teve esses debates ad nauseam.
Mas tem uma coisa super importante que é: eu acho que tem um dogmatismo formalista no jornalismo industrial que acha que é necessário para você ser um jornalista profissional profissional, de que você busque um equilíbrio mesmo quando o equilíbrio não existe. Colocar as suspeitas do PT da Bahia, do Vorkaro, impede equilíbrio com o envolvimento do Flávio Bolsonaro, é em si desequilibrado. Isso não é um viés, isso é uma correção de pesos diante da situação Muita gente fez essa crítica: eles não falam sobre o Lulinha, falam do filho do Bolsonaro, mas não falam do filho do presidente Lula.
O Lulinha não é o candidato à presidência. A gente não tá falando do Carluxo aqui, a gente não tá falando do Jair Renan, a gente não tá— a gente fala do Eduardo na medida em que ele pode ser o nosso chanceler, caso o irmão dele ganhe, e porque ele tá trabalhando com o Trump para fazer isso acontecer. Então esse equilíbrio formalista E as pessoas não percebem isso, é o viés. E na situação do Flávio Bolsonaro especificamente, de novo, a gente não tá falando aqui do José Serra, gente.
A gente não tá falando de que a gente é esquerda e tá contra o projeto neoliberal, não é nada disso que tá acontecendo aqui. Se você continuar reto, reto nesse falso equilíbrio, você vai cair de um Desviar disso não é viés, é a missão pública do próprio jornalismo, cara, que é esclarecer a sociedade dos riscos de acordo com o peso que eles têm de fato na sociedade. Então, e outra, e para encerrar, a gente tem viés, deixa eu falar só uma coisa: a gente é transparente com o que a gente acha.
O que o jornalismo precisa não é ser é ser honesto. E quando você não fala que você tem uma bet, você é desonesto, mesmo que equilibrado, que pretensamente equilibrado, que ouvindo os dois lados, entendeu? Então assim, é só deixar isso bem claro para gente que eu até gosto, respeito, mas que tem esse formalismo dogmático que é um puta de serviço. E não é à toa que as pessoas pessoas tão putas com jornalismo brasileiro. Não é à toa, eu tenho que vir aqui fazer a defesa do jornalismo brasileiro, que foi fonte de todo Revelando, que a gente usa, que apuração que foi feita por gente corajosa de veículos independentes e veículos industriais.
Mas é nesse ponto que a sociedade tá justificadamente puta com a imprensa brasileira, entendeu? É falta de honestidade e de transparência e de equilíbrio na frente do abismo democrático que a gente de fato tem.
Toda razão, gente. Vou dar o terceiro argumento só para vocês ficarem bem municiados, né? Então já falamos da coisa da segurança dos contratos, já falamos de, ai, é uma mídia delitoreira. O terceiro argumento é, ai, mas isso vai fazer com que as pessoas caiam no mercado ilegal. E aí tem algumas coisas. Um é um dado simplesmente, que aonde as bets foram legalizadas, o consumo explodiu. Como as bets são um fenômeno novo não só no Brasil, mas no mundo todo, a gente tem muito dado bom porque são dados recentes, aconteceu em vários países mais ou menos ao mesmo tempo.
Então a gente consegue fazer um comparativo internacional bastante bom. Se a gente olha para o caso dos Estados Unidos, que é o mais emblemático, né, 39 estados americanos legalizaram apostas esportivas por celular em 2018. E a coisa do celular foi muito importante, e a legalização multiplicou o gasto total em apostas em cerca de 10 vezes e aumentou a adesão em 3,1 pontos porcentuais da população inteira dos Estados Unidos. Então a gente tá falando de muito mais gente apostando e gastando, perdendo 10 vezes mais dinheiro com aposta depois da legalização.
No Brasil, a autorização legal ela veio no governo Temer em 2018, sem regulamentação nenhuma. Então foi realmente uma terra de Marlboro, assim, façam o que vocês quiserem. O Bolsonaro nunca regulamentou, deixou essas bets legalmente operando no país sem nenhuma regra. O setor cresceu quase mais de 700% entre 2021 e 2024. Aí a regulamentação começou a ser feita em 23, ela virou regulamentação plena em 25, e foi aí com a regulamentação plena que o mercado se consolidou.
Em 2026, já sob regulamentação, a gente teve 15,2 milhões de apostadores só no primeiro trimestre. Então uma multiplicação muito rápida no número de apostadores e do dinheiro que as pessoas gastam. Então assim, legalizar, no caso específico das bets, empurra mais gente para o jogo efetivamente. E aí tem duas grandes questões aqui, né? Uma é que a legalização ela acaba também trazendo com ela a publicidade, essa captura midiática que a gente tava discutindo.
Então bet legal não faz publicidade na Copa do Mundo, entendeu? E é muito mais fácil você evitar que as pessoas caiam no vício. Isso é a primeira coisa. E a segunda coisa é que bet é um fenômeno novo. Tem muitos outros vícios que também são nocivos, são nocivos para população, são nocivos para saúde, mas que fazem parte da cultura de várias sociedades humanas há milênios. É realmente muito difícil você proibir uma coisa assim, proibir o álcool, por exemplo, que é parte da cultura há literalmente milênios, né?
É muito difícil você proibir sem que as pessoas caiam na ilegalidade, porque são hábitos muito arraigados. Bet é viciante, mas bet não é um hábito culturalmente arraigado ainda. A hora de expurgar é agora. E não, a gente não vai ter uma explosão das bets ilegais. A gente vai ter gente que vai lá baixar VPN, fazer um rolê complicado para apostar ilegalmente. Mas o grosso das pessoas vai estar finalmente sem receber essa bateria de publicidade e vai parar de apostar. E é isso que vai acontecer.
Não vai ter QR code no jogo, não vai ter QR code na televisão, e não vai ter âncora da Casé que tá falando assim: vai lá, pessoal, o ódio de 1,5 para você pagar a conta de luz, entendeu? É foda, gente, pelo amor de Deus, não vamos de, né, enfim, é muito cínico.
É isso, gente. Mas essa é a guerra cultural, e a guerra cultural passa também pela captura da indústria cultural. E as bets, nesse sentido, elas não são só objeto da guerra cultural, tema de guerra cultural, mas elas são instrumento da guerra cultural, porque elas foram usadas por setores especificamente da extrema-direita para capturar elementos da indústria cultural. É o uso que a gente já repetiu aqui várias vezes no Calma, mas que eu não canso de repetir, que, né, pessoas associadas ao Ciro Nogueira, especificamente especificamente a 7 Games Bet, por exemplo, capturando a maior página de fofoca do Instagram, que é o Alfinetei.
Com dinheiro de bet, essa página foi capturada. Dinheiro de uma bet que é de uma pessoa que, segundo a Piauí, é essencialmente um laranja do Ciro Nogueira, um cara muito próximo do Ciro Nogueira. Então você tem alguém próximo de um ex-ministro do Bolsonaro, o ministro da Casa Civil do Bolsonaro, mais importante ministro do Bolsonaro, né, próximo desse empresário de bet, e a bet desse cara é a bet que ficou aí séculos, meses patrocinando Alfinetei enquanto Alfinetei dava uma guinada drástica de extrema-direita na sua cobertura.
Isso é o uso das bets como ferramenta para guerra cultural. Isso é muito grave mesmo. Vídeo Virgínia e outros, né?
Muito grave. Então acho que a gente tá aí numa semana em que brigas muito importantes foram compradas e vão continuar sendo. Essa briga da bet acabou de começar e acho que vai dar muito o que falar nessa última semana. Eu achei muito importante, muito corajoso maravilhoso. E tô animado para semana aí. Eu acho que o jogo tá virando, né? Acho que de verdade deu uma guinada boa. Então eu posso ser aquele otimista incorrigível, cauteloso, cauteloso.
É importante, é importante, é importante, viu? Mas, gente, a gente tem que se despedir. Muito obrigado a todos vocês.
Vamos lembrar amanhã, tá?
A gente vai fazer amanhã, tem um treinamento fresquíssimo, muito forte, 8 horas da noite no canal de YouTube do Revelando.
A gente conta com vocês, gente, para compartilhar hoje, né, uma participação situação espetacular.
Vocês vão amar a pessoa que está no Revelando Amanhã.
Não posso falar, mas guarda sua dica, Bruno. A dica dessa semana é Revelando Amanhã, aquela combinada.
Domingo, tá bom, não preciso nem dizer, não esqueçam de votar. Mas à noite, será que a gente consegue entrar ao vivo?
A gente vai entrar ao vivo na noite de domingo, logo depois do anúncio dos resultados, 21 horas. A gente vai estar com vocês comentando ao vivaço, quando vai estar todo mundo ou desesperado ou feliz, não sabemos, mas a gente vai comentar ao vivo. E de qualquer maneira, ninguém Ninguém larga a mão de ninguém. A gente vai estar aqui, talvez levemente alcoolizado. Como disse Vera Iaconelli, não podemos prometer sobriedade.
Vera Iaconelli, sobre as eleições que Nossa Senhora tá protagonizando, ela disse que o lema é: ninguém solta a mãe de ninguém. Como bom psicanalista, boa psicanalista, ela resumiu a isso. É sempre sobre ela, a mãe.
É isso, gente. Nossa Senhora, um beijo, tchau tchau, pessoal.
Boa noite. Nossa Senhora.
Nossa Senhora Aparecida! O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luiza Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de Julia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoue. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.