Episódios de Calma Urgente

Vem do Berço: a Vida Sob Suspeita de Flávio Bolsonaro

22 de setembro de 20261h30min
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Da Alerj ao Senado. Da Rachadinha ao Dark Horse. De Queiroz a Vorcaro. Das Milícias ao Planalto? Uma conversa ao vivo sobre o herdeiro de Jair.▶️ Assista ao novo epsiódio Revelando: Grandes Igrejas, Master Negócios com Fábio Porchat, que mostra os laços entre a Igreja da Lagoinha e o Banco Mater.   • Revelando: Grandes Igrejas, Master Negócio...  📲 Compartilhe e siga no instagram:   / ddkswe7ruw_  Créditos:O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno TorturraNa Direção, Pesquisa e Roteiro, Luiza MiguezNa Supervisão de Produção, Gustavo Rosa de Moura Na Produção Executiva, Carolina Forattini Igreja Na Coordenação de Produção, Sabrina MacedoNa Captação, Edição e Mixagem, Amanda Carvalho e Vitor BernardesNa Edição de Cortes, Marina Cartum e Amanda CarvalhoIlustração e Design, Anna BrandãoNa Coordenação de Pós-Produção, Marcelo DarosNas Redes Sociais, Gabi BigaNa gestão de comunidade, Marcela BrandesNa gestão de parcerias, Leo Tone CostaEstratégia de Distribuição, Luna CostaIdentidade visual, Pedro InoueNa sonoplastia, Felipe Crocco

Participantes neste episódio3
G

Gregório Duvivier

HostComediante
A

Alessandra Orofino

Co-host
B

Bruno Torturra

Co-hostJornalista
Assuntos9
  • A trajetória profissional de Flávio Bolsonaro e o esquema de rachadinhacargo fantasma na Câmara em Brasília·faculdade e estágio no Rio simultaneamente·indícios de rachadinha na Alerj·Fabrício Queiroz como operador do esquema·anulação das provas por tecnicalidades
  • A falsa equivalência entre os casos de Lula e Flávio BolsonaroLula condenado e preso antes da anulação·Flávio sem julgamento por invalidade de provas·diferença nos motivos das anulações·interferência política no caso Flávio·ligação de Flávio com crime organizado
  • As ligações de Flávio Bolsonaro com milícias e o Escritório do Crimehomenagens a Adriano da Nóbrega·emprego da mãe e mulher de Adriano no gabinete·defesa da atuação criminosa da polícia·Queiroz encontrado na casa do advogado da família
  • O caso da loja Copenhagen e a lavagem de dinheirolucro irregular da loja de chocolate·depósitos em dinheiro vivo suspeitos·sócio Alexandre Santini e a Bolsotini·distribuição desequilibrada de lucros·suspeita de lavagem de dinheiro do crime organizado
  • O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro e seus clientesatuação como advogado sendo senador·especialização em defesa de policiais criminosos·ligação com fraudes do INSS·escritório como operação política·conflito de interesses evidente
  • Apresentação do episódio e do Revelando: Grandes Igrejas, Master Negóciosparceria Calma Urgente e Porta dos Fundos·ligações Igreja Lagoinha e Banco Master·envolvimento de Flávio Bolsonaro·ministros do STF e Daniel Vorcaro
  • A emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro para miliciano condenadodinheiro público para organização de miliciano·resposta oficial da campanha sobre legalidade·receptor do dinheiro é criminoso·ligação com o caso Marielle Franco·risco de narco-estado no Brasil
  • A percepção pública sobre escândalos de corrupção e a família Bolsonaropesquisa sobre o escândalo do Banco Master·associação do caso Master com a esquerda·diminuição da percepção de 'todos' envolvidos·importância de conscientizar o eleitorado
  • O apoio ao fascismo e a impunidade no cenário político brasileirofascista como criminoso comum na política·ideologia de milícia e combate ao crime·ódio de classe e hipocrisia·salve geral para golpistas e criminosos·vingança e aparelhamento do Estado
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GDGregório Duvivier

Olá, querido, queridos ouvintes, queridos espectadores do nosso Calma Urgente. Estamos aqui ao vivo, 9:30 da noite, na verdade 9:31 da noite. Hoje é segunda-feira, dia 21 de setembro, e eu queria chamar já, sem enrolação, nossos queridos Bruno Tortura e Alessandra Orofino. Como é que vocês estão, gente? Obrigado a todos aí por terem topado uma hora mais tarde. Culpa é totalmente minha, que eu tenho que botar meus filhos para dormir e elas—

AOAlessandra Orofino

todo mundo sabe que a culpa é sua, todo mundo sabe, Greg.

GDGregório Duvivier

Ninguém tem dúvida, Greg, de mim mais. Exatamente, vocês sabem.

BTBruno Torturra

Nosso público já entendeu tudo, né? É, nos avisa que você vai atrasar, pode ficar tranquilo, tá tudo certo.

GDGregório Duvivier

Boa, gente! E hoje vocês viram um pouco mais cedo no próprio canal do Calma Urgente. Vocês viram uma parceria entre, mais uma, entre o Calma Urgente, o Fluxo, a Peri, que produzem o Calma Urgente, com o Porta dos Fundos. Sim, hoje nós temos Fábio Porchat com o Calma Urgente. Ele fez o Revelando dessa semana, que está fortíssimo. Alessandra, fala um pouco do Revelando dessa semana.

AOAlessandra Orofino

Claro, posso falar um pouquinho e a gente vai falar mais também ao longo do programa hoje, porque tem temas que vão se sobrepor. Mas a gente fez um episódio do Revelando dessa semana, é sobre as ligações umbilicais abundantemente documentadas ao longo de décadas entre a Igreja Batista da Lagoinha, do André Valadão, e o Banco Meister, do Daniel Vorcaro. E essas relações envolvem inclusive o Flávio Bolsonaro, que vai ser objeto da nossa pauta, né, aqui hoje no Calma Urgente, mas também outros políticos, o Nicolas Ferreira e assim por diante.

A gente fala de algumas coisas bem importantes que eu sinto que escaparam um pouco ao debate público, ou de alguma forma ficaram escondidas ou ocultas, apesar de serem informações absolutamente públicas, não são furos, mas são informações que foram pouco enfatizadas no debate público, né? Então, só para dar um exemplo, e aí vocês vão lá assistir depois para ver o que vocês acham, mas para dar um exemplo específico, é muito interessante, por exemplo, perceber que os dois ministros do Supremo que estão hoje em guerra aberta e que ambos têm em alguma medida relações com o Daniel Vorcaro, né, o André Mendonça e o Alexandre de Moraes, ambos foram apresentados ao Daniel Vorcaro por pessoas que têm ligações com a Lagoinha.

Então, no caso do André Mendonça, foi de fato através do Cezinha de Madureira, que diz que fez essa apresentação, essa aproximação entre André Mendonça e Daniel por Caro a pedido de membros da Lagoinha. Então está documentado também. E no caso do Alexandre de Moraes, a apresentação foi feita pelo Fábio Faria, que era ministro das Comunicações do Bolsonaro, que é casado com a Patrícia Abravanel, filha do Silvio Santos. A Patrícia já pregou na Lagoinha.

O Fábio e a Patrícia frequentam a filial de Orlando da Lagoinha e já jantaram na Flórida também com o André Valadão e a esposa dele. Tem uma relação também de bastante tempo. Então é curioso que apesar desses dois ministros estarem hoje em campos opostos, em alguma medida, né, se enfrentando publicamente, ambos no fundo chegaram nesse ponto a partir de um grupo político que tem várias coisas em comum, entre elas o bolsonarismo como um campo político comum e a própria Igreja da Lagoinha.

Então quem quiser saber mais vai lá e a gente vai pedir já já para vocês também nos ajudarem a gente a compartilhar, comentar, fazer esse vídeo chegar em mais gente. Então quem quiser tirar aqui 15 segundos para ir lá, a hora de fazer, a gente vai lembrar no final também.

GDGregório Duvivier

Vamos lá, gente, pode ir fazendo agora. Abre uma aba, vai lá, Calma Urgente, só buscar Revelando. O nome é Grandes Igrejas Master Negócios. É o segundo episódio do Revelando com Fábio Porchat. Está fortíssimo e é muito importante, gente, que a gente faça você chegar no máximo de pessoas possível, porque Porque a gente tá com problema de comunicação. Isso é uma coisa certa, não é? A esquerda, de modo geral, não tá. Talvez tenha muito tempo a gente todos, enfim, é um problema muito grande.

Porque o sintoma maior que vocês podem ver é uma pesquisa que inclusive está no Quest, acho que de hoje, uma pergunta ótima que o Celso Rocha Barros tem perguntado há muito tempo e tem sugerido há muito tempo que se pergunte, que é: em quem colou mais o escândalo do Banco Master? Não sei se vocês viram essa pergunta. E grande parte das pessoas acha que é na esquerda ou em todos, tá? É uma pergunta, é muito louco isso.

BTBruno Torturra

Mas na esquerda mais, na esquerda. Mas isso é muito louco, mais de 30% eles acham que é um escândalo, acho que é mais da esquerda, e 20 e poucos por cento que é um escândalo mais à direita.

GDGregório Duvivier

21% citam família Bolsonaro, 16% STF, 11% Lula. Por que que é isso daí é mais do que deveria? Porque realmente mais gente fala que a família Bolsonaro, é porque não tem nenhuma relação com Lula. Então ter 11% é muita coisa. 11% de pessoas que falam, ah não, caso máster é governo Lula, é uma loucura.

BTBruno Torturra

Não, mas 11 tá ótimo, vai, Greg, porque tipo um quarto do país meio que acha que o Lula é um clone.

GDGregório Duvivier

Então sim, tá, tá bom.

BTBruno Torturra

11% para quem, para quem tem um país que metade vota no Flávio Bolsonaro, não acha que é uma besteira.

GDGregório Duvivier

Mais preocupante para mim, Bruno, é esse 37%, que é a grande maioria, que acha que o caso afeta todos. Isso é muito, porque o todos meio que equivale, é excelente para o Flávio Bolsonaro.

BTBruno Torturra

Excelente.

GDGregório Duvivier

A gente já falou disso aqui. Mas uma boa notícia é que diminuiu esse todos. Era 46%, metade quase das pessoas. Hoje já é 37% acham que o caso afeta todos da classe política. E já a família Bolsonaro aumentou de 15 para 21%. Ou seja, tá adiantando em alguma medida essa campanha de conscientizar as pessoas.

BTBruno Torturra

Jornalismo, brincadeira, nem se tá adiantando.

GDGregório Duvivier

Eu ia falar é a campanha, mas não.

BTBruno Torturra

Jornalismo, os fatos, né? Assim, os fatos, eles têm o seu tempo de permear na consciência pública, que às vezes demora muito mais do que o calendário. Mas enfim, é um fato, isso não é um argumento de campanha.

GDGregório Duvivier

Por isso a gente vai fazer aqui esse momento meio, esse momento meio Janones, que é assim: comente esse vídeo, manda para todo mundo que você conhece, revelando, manda para todo mundo, comente esse vídeo, chegar nas e furar as famosas bolhas. É muito importante isso, porque como a gente já falou aqui, é, não adianta tanto, infelizmente. Seria incrível que a seleção fosse sobre propostas, sobre, né, ideias, sobre ideologia até.

Não é sobre nada disso. A seleção aqui é um, ela é binária, ela é sobre quem é melhor, Lula ou Flávio. É isso, é isso que ela é. E isso é muito bom para o Lula, isso é muito bom mesmo, essa, esse binarismo. Ele, se não fosse esse binarismo, se fosse só um plebiscito, o governo Lula, infelizmente ao que parece ele perderia. Mas não é, ele precisa ser uma comparação, porque assim que funciona a democracia. E aí talvez você vai esbarrar com pessoas que falam assim: ah, mas eu me recuso a escolher o menos pior. E aí você tem que responder que assim, então você odeia a democracia, né?

AOAlessandra Orofino

Ou pelo menos a democracia representativa. Eu acho que a gente, né, a gente fala aqui no Calma Urgente de outros modelos de democracia possíveis. Eu acho que vale muito a gente sonhar com modelos melhores de democracia em que a gente seja confrontado com escolhas melhores, né? Mas o fato é que não é nesse modelo que estamos, e uma decisão será tomada, e essa decisão tem consequências para a nação, né?

GDGregório Duvivier

E olha só, só para dizer que não é que eu abandonei a democracia aleatória, não, continuo acreditando nela. Mas é porque mesmo democracia aleatória, em geral, o executivo você escolhe, alguma coisa você elege em geral, tá? Porque também não é tudo completamente aleatório. E mesmo, e mesmo na vida, gente, a escolha, você tá o tempo todo escolhendo entre o menos pior. Onde é que eu vou almoçar hoje? Fala, ah não, mas eu não queria ter que escolher entre o menos pior dos restaurantes do meu bairro.

É, mas é assim que você escolhe, correto? Você não escolhe, ah não, hoje eu quero almoçar no Noma de Dinamarca, que é um lugar... Não vai. Eu não, pelo menos. Eu acho que a maioria das pessoas não. E eu acho que, de modo geral, você tem opções. É assim que funciona a vida, cara. E as opções, no caso da democracia, são essas. Não te dá uma raiva a gente fala assim, ai não, não, não, me recuso a escolher o menos pior? Tipo assim, a pessoa não entendeu um dado muito básico. Do sistema eleitoral.

BTBruno Torturra

É que eu acho que até tem um sentido se você fala isso, se faz pouca diferença, se são dois horríveis com pouca diferença. E não é o caso. O menos pior é infinitamente menos pior. Tem um abismo de uma consequência existencial que acho que no caso do Flávio Bolsonaro justifica-se muito menos a opção por abstenção O voto nulo, que eu acho que às vezes é um voto bastante compreensível, respeitável, mas no caso que a gente está, eu acho com um grande desrespeito ao país, ao futuro, às crianças, aos mais pobres, aos doentes, à Floresta Amazônica.

Então, eu acho que é uma situação emergencial que não justifica um pensamento cínico que vai demandar um ideal ou um alinhamento perfeito com as políticas públicas ou com a performance do PT no poder.

AOAlessandra Orofino

E aí vale a gente falar de por que esse caso é especial, né, Greg? Que é um pouco a pauta que a gente quer trazer hoje.

GDGregório Duvivier

Isso.

AOAlessandra Orofino

Porque se trata de Flávio Bolsonaro do outro lado. E acho que a gente já tá, inclusive a gente, inclusive o campo progressista, etc., se esquecendo um pouco de quem é Flávio Bolsonaro. Ele tem tantos episódios, o B.O. do Flávio é tão grande, mas tão grande, que a gente esquece de algumas coisas. E a gente hoje queria trazer algumas delas de volta à tona e compartilhar um pouco esse histórico com vocês, entender também o que, o que isso nos diz, né, sobre o momento em que a gente tá vivendo.

GDGregório Duvivier

Isso, acho que essa linha do tempo é muito importante mesmo. A gente fazer uma pequena biografia do Flávio, a melhor coisa que você pode fazer, eu acho que no momento é isso. É muito importante lembrar disso. Aliás, eu só tava lembrando aqui de uma coisa que foi a eleição de 2014. Não sei se vocês têm ela ainda fresca na memória, de algo que aconteceu muito muito forte, que a gente esquece, que era a TV Folha. A TV Folha fez um trabalho com João Weiner, Ana Virgínia Balossier e uma atora muito boa, que era basicamente dar voz aos eleitores, sobretudo do Aécio.

E foi um manancial cômico tão incrível. Pela primeira vez a gente viu, era um proto-bolsonarismo ali, e era aquelas pessoas de ossobuco, coxinha de ossobuco. Esse era um vídeo deles, eles falavam, botava a câmera na boca e ainda tinha uma ingenuidade de sair falando assim Eu paguei R$500 pra estar nessa área VIP e assim...

BTBruno Torturra

E EloBlock, que era na Copa do Mundo. Era na Copa do Mundo que tinha uma área VIP, meio que era exatamente o começo da área VIPização da nossa política.

GDGregório Duvivier

Aquilo ali fez um serviço muito importante, de verdade, de envergonhamento mesmo de um eleitorado, do outro tipo assim, vocês querem fazer parte dessa turma? É isso que vocês querem? Enfim, eu tô sentindo um pouco falta disso agora também, cara. Se você quiser votar no Flávio, só ouve isso daqui. Só queria que você soubesse, lembrasse, ou pelo menos queria que você soubesse que a gente sabe quem ele é. Isso é muito importante a gente ter na ponta da língua, inclusive o eleitor.

Então já vai falar aqui um monte de coisa que o eleitor talvez diga, você ou a pessoa que tá vendo, o espectador, diga assim: ah, mas eu já sei isso do Flávio. Mas é importante que você lembre, tem isso na ponta da língua para lembrar para o eleitor. A gente sabe quem tá vendo aqui não é o eleitor do Flávio Bolsonaro, mas São pessoas que têm, que conhecem eleitores e que vão lidar o tempo todo com eles. Então é muito importante ter esses dados na ponta da língua. O que que são eles? É uma trajetória.

BTBruno Torturra

A gente mesmo esquece, né, Greg? Eu acho que eu mesmo, que sou enfiado nesse problema, a gente fez o Greg News, a gente falou dos B.O.s do Flávio aprofundadamente várias vezes. Eu mesmo, vendo a nossa pesquisa hoje, Voltei a ficar em choque, porque o último escândalo sempre se sobrepõe aos outros tantos de antes. Então a gente estava falando do Voo Caro, Master Voo Caro, Master, que a população, acho que a maioria é não sei o quê, mas é uma ficha corrida desde os 18 anos de idade.

GDGregório Duvivier

Então, Bruno, isso aí foi uma primeira coisa que eu fiquei chocado com a maravilhosa apuração da nossa Luiza Miguez, que fez uma linha do tempo muito clara. Vamos começar com o começo da vida profissional dele, que é uma coisa que eu não sabia. Não sei se o espectador já sabia. Antes de ser eleito, antes de ter o primeiro cargo como deputado, ele já tinha um cargo de 40 horas semanais na Câmara em Brasília.

AOAlessandra Orofino

Em Brasília, muito importante, no gabinete do PPB, que era o Partido Progressista Brasileiro, de Paulo Maluf, Celso Pitta.

GDGregório Duvivier

Não sei se vocês estão lembrando, esse era o PPB, tá? 11.

BTBruno Torturra

Não, eu acho que não era não, PPB.

AOAlessandra Orofino

Era sim, era o PPB, era no gabinete do PPB.

BTBruno Torturra

Era Paulo Maluf.

GDGregório Duvivier

Hoje é o PP.

BTBruno Torturra

Era o PPB?

GDGregório Duvivier

O PPB não para de mudar de nome porque ele sempre todo se queima e é só por isso que ele muda de nome. Ele era Partido do Povo, era Partido Progressista Brasileiro, virou só PPB, aí hoje em dia é o Progressista Brasil.

BTBruno Torturra

Era PDS antes. Era PDS.

GDGregório Duvivier

É um partido que não para de mudar de nome porque acha que mudando o nome começa do zero, né? A ficha, limpa a ficha. Só que a gente lembra quem é o PPB. É isso, Maluf, Celso Pitta, essa turma maravilhosa, idônea e libada. E foi aí que ele começou sua carreira com um cargo. Vamos lá, Flávio, é muito bom lembrar disso. Aos 19 anos, se eu não me engano, ou seja, em 2000, ele ganhou um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados em Brasília, ao mesmo tempo em que fazia faculdade presencial e estágio no Rio de Janeiro.

Vocês estão entendendo que lá era 40 horas semanais na Câmara e aqui no Rio era presencial, estágio no no Rio durante 2 anos.

BTBruno Torturra

E vamos lembrar, essa vida é, não tinha Zoom, então todo trabalho era presencial, gente. Não dá para trabalhar remoto. Muito bem lembrado, todo trabalho era presencial.

AOAlessandra Orofino

Quem apontou essa história foi uma investigação da BBC que basicamente falou, olha, tudo indica que ele era funcionário fantasma. Então ele começa bem, Flávio Bolsonaro começa sua vida profissional, você que tá aí buscando seu estágio, tentando se inserir, jovem universitário, Mas eu tenho que tirar o chapéu pra Flávia Bolsonaro, que já estava o quê? De funcionária fantasma. Ao que tudo indica, com 19 aninhos, 20 aninhos, na faculdade.

BTBruno Torturra

20 aninhos. E que o salário de hoje em dia ia ser, acho que é R$13 mil como salário inicial da sua vida. E um ponto que eu quero colocar, que é uma coisa que sempre me choca muito, e a gente fala muito pouco. Foi o pai que arrumou o emprego de funcionário fantasma para o filho de 18 anos. É uma coisa para mim inconcebível. O pai pega um filho, tipo, entrando na maioridade, e fala assim, ó, toma aqui o seu primeiro emprego, é uma mamata.

GDGregório Duvivier

Mas ele, olha, em defesa do pai, em defesa do pai, tá, o Jair já deixou muito claro isso, que ele gosta de separar o filé mignon para os seus filhos. Essa é uma frase que o Jair falou, tá? Quando o Jair tentou mandar o filho para Washington, lembra disso? Porque antes do Eduardo fazer lobby pelo tarifaço, o Jair queria que ele fosse remunerado para isso pelo Estado brasileiro e queria que ele fosse o embaixador em Washington, tá?

E ele disse, claro que eu quero, eu quero, eu deixo filé mignon para os meus filhos. Então realmente esse filho com 19 anos ganhou esse filé mignon Que é um cargo de R$13 mil em Brasília que você provavelmente não precisa ir, porque senão ele não teria se formado aqui, não teria feito estágio. Então assim, cara, mas o Bruno, você tem toda razão.

BTBruno Torturra

Olha esse pai, o pai, e olha esse filho, olha esse filho, né?

GDGregório Duvivier

Olha esse filho que topa, que começa assim, ele estreia a vida política dele, ele entra na vida pública, isso, como um nepo ghost, nepo ghost. Grande, grande, grande expressão. Parabéns, Bruno. E aliás, queria falar disso. Vamos falar rapidamente de nepo baby, porque é muito bom lembrar que ele é um nepo baby, porque esse termo geral, em geral, é um elogio.

BTBruno Torturra

Baby é um elogio.

GDGregório Duvivier

Ele não aprendeu ainda a fazer cocô no banheiro direito, então ele mal saiu das fraldas, ele não desfraldou, ele não desfraldou. Então ele é um nepo baby. É só porque esse termo sempre usam para filho de artista, né? Nepo baby em geral, quem que você pensa? Pessoas geral, filhos de artista, inclusive muitas vezes muito talentosas, pessoas, né, os Gilsons, não sei o quê, estão sempre zoando. Ah, porque esses nepo baby, pessoas que têm um mérito, que são trabalhadoras, trabalham desde cedo e tal.

E ah, porque artista cheio de nepo baby, a classe artística parece, cara, desculpa, a profissão mais hereditária que tem não é a das artes não, é da polícia, cara. Inclusive a quantidade, né, é advocacia Advocacia e política é uma capitania hereditária. É muito louco, é tipo licença de táxi que tu passa. Exatamente, tu passa para o filho. Advocacia e política são coisas que são, cara, só tem nepo baby. E Brasil, inclusive na Câmara dos Deputados, a quantidade de nepo baby deputado, senador, é uma loucura.

Esposas, cunhados, é uma bancada, tem a nepo bancada no Congresso. E o Flávio, ele é um nepo. Então vamos lembrar disso, que ele começa com uma mamatinha descolada pelo PAP em Brasília, que não exige que ele vá porque ele se formou aqui. Bola para frente. 2002, Ale, ele se elege, não é?

AOAlessandra Orofino

Exatamente.

GDGregório Duvivier

E conta para gente o que que ele faz quando se elege.

BTBruno Torturra

Como é que se elege deputado estadual? Se elege deputado estadual.

GDGregório Duvivier

Estadual. Estadual, para quem não sabe, no Rio de Janeiro é alerje.

BTBruno Torturra

É bom que se diga, é bom que se diga o que que alerje em si é, né? Aí vale 3 programas. Aí eu acho que vale uma minissérie.

GDGregório Duvivier

É muito bom esse nome, alerje. Porque já me deixa todo empolado.

AOAlessandra Orofino

Alérgico. Já te deixa alérgico imediatamente. É, ele se elege em 2003.

BTBruno Torturra

Me passou a Allegra, né?

AOAlessandra Orofino

Ele assume em 2003, né? E ele fica um tempo longo na Lerje. E aí o gabinete do Flávio na Lerje é esse gabinete aonde existem indícios de rachadinha. Então é no gabinete do Flávio que os assessores teriam devolvido parte dos salários ao Fabrício Queiroz, que trabalhava com eles. E que, segundo o Ministério Público, era o operador do esquema de rachadinha. Então, basicamente, o que acontecia era: você era empregado pelo gabinete, possivelmente você trabalhava, possivelmente não, é difícil de saber, certamente tinha alguns ali que não trabalhavam.

E uma parte do que você recebia, você devolvia indiretamente pro próprio Flávio Bolsonaro via Fabrício de Queiroz, né? Essa é a acusação do Ministério Público. O Queiroz, ele movimentou cerca de R$7 milhões em 3 anos. Então ainda era peixe pequeno, assim, ainda era aquela corrupçãozinha ali, ó, de quem tá começando. Depois do estágio de tomar massa em Brasília...

BTBruno Torturra

Mas R$7 milhões, exatamente, já é uma promoção.

GDGregório Duvivier

Olha aí, R$7 milhões com 20 e poucos anos, 20 e poucos anos.

AOAlessandra Orofino

Tá animado, tá animado.

GDGregório Duvivier

Moleque era promissor já.

AOAlessandra Orofino

É, promissor, exatamente. Não é à toa que vai culminar com ele comprando imóveis em cash, né? Assim, ele começou bem na carreira. E em 2020, o Flávio, né, foi portanto denunciado por organização criminosa. Peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita em conexão com esse esquema de rachadinha no gabinete dele na Alerj. E é bom lembrar que ele nunca foi inocentado, não houve um julgamento que falasse, não, não é verdade, isso não aconteceu.

O que aconteceu foi que o STJ e o STF invalidaram as provas usadas na investigação. E aí a denúncia teve que ser rejeitada sem julgamento do mérito das acusações. E essa invalidade das provas é um outro assunto, mas basicamente elas foram consideradas inválidas por uma série de questões, inclusive dizendo respeito à cadeia de custódia, né? Então as provas não eram mais consideradas válidas porque elas tinham passado na mão de muita gente, era difícil ter certeza que elas não teriam sido adulteradas.

Então houve ali um desfecho, um cambalacho ali no final para o Flávio não ser levado a julgamento. E isso é muito importante durante o governo Bolsonaro, né?

BTBruno Torturra

Durante o governo Bolsonaro, isso é importante dizer, durante o governo Bolsonaro.

GDGregório Duvivier

Durante o governo Bolsonaro, Flávio, atenção, e é bom lembrar que ele não foi inocentado, só que é muito importante, ele não foi inocentado, concorda? Dá para dizer isso?

AOAlessandra Orofino

Sim, exatamente. Não, dá perfeitamente para dizer isso, exatamente isso que eu tô falando.

GDGregório Duvivier

Ele não foi inocentado.

AOAlessandra Orofino

As provas foram consideradas inválidas.

GDGregório Duvivier

Melaram o jogo, vamos ser sinceros, gente, não sei se dá para falar isso assim, mas foram uma minúcia processual que assim, e essas provas aqui não vale, é o que expirou. Tem muito isso no direito, vamos ser sinceros, né? Direito às vezes é isso. E não era Fonte 15 ali, tava em Fonte 13 o processo, e não, não, a prova não valeu, ele não conseguiu entrar com recurso a tempo, anularam, babou, viraram tabuleiro. Foi isso que aconteceu. Ninguém, momento nenhum, julgou que ele era inocente.

AOAlessandra Orofino

É, teve inclusive um detalhe dessa investigação e da maneira como a defesa do Flávio conseguiu invalidar as provas, que vale a pena lembrar também. Parte da acusação contra o Flávio, ela repousava sobre esses relatórios do COAF, né? Lembram do COAF? O COAF já foi parte do nosso léxico político. E o COAF, basicamente, né, que monitora movimentações financeiras grandes, ele apontou que havia uma série de movimentações suspeitas, incompatíveis com a renda do Fabrício Queiroz.

Então, lá em 2018, o COAF fala: olha, esse cara, Fabrício Queiroz, ele tá movimentando muito dinheiro e ele não ganha para isso, tá estranho. O Fabrício Queiroz, ele era chefe de gabinete do Flávio na Lerje. Então, ele era a pessoa mais importante da equipe do Flávio Bolsonaro na Allergy. E aí em 2018, é, em 2018 o COAF vai lá e fala, ó, entre 2016 e 2017 ele movimentou uma quantidade de dinheiro incompatível com a renda dele, tá?

E aí a partir desse relatório do COAF que a denúncia vai ser apresentada pelo Ministério Público e depois vai se apurar que houve essa movimentação de R$7 milhões em 3 anos. A defesa do Flávio ela fez várias manobras para evitar que o caso fosse a julgamento e o próprio governo Bolsonaro, o próprio Bolsonaro como presidente também manobrou, né? Isso foi inclusive uma das coisas que levou o Moro a sair do Ministério da Justiça, porque havia uma tentativa de se blindar o Flávio, de interferir na Polícia Federal no Rio de Janeiro, e o Moro ficou revoltado com isso e acabou saindo do Ministério da Justiça.

Uma das coisas que a defesa do Flávio fez foi alegar que esses relatórios do COAF, eles tinham sido produzidos sem que o COAF tivesse sido autorizado judicialmente a produzir esses relatórios. Então, basicamente, eles falaram assim: o COAF não podia ter feito esses relatórios, ele não podia ter feito essa investigação, porque ele não foi provocado a fazer essa investigação de uma forma que fosse autorizada pela Justiça. Então, eles invalidaram os relatórios do COAF como elemento de prova.

E essa decisão, ela não repercutiu só sobre o Flávio, sobre o caso do Flávio. Ela teve uma repercussão geral sobre todos os casos, na época, que estavam sendo julgados ou apreciados usando como elemento de prova relatórios do COAF. Então foi uma coisa que acabou melando julgamentos de fraude financeira, de movimentações suspeitas, de lavagem de dinheiro pelo Brasil inteiro.

BTBruno Torturra

Essa história do COAF virou um precedente, ele virou um precedente muito importante, muito importante, que salva a vida de muito golpista hoje que não tem as suas finanças devidamente fiscalizadas. E o universo É digital muito mais fácil hoje em dia de você lavar dinheiro, de você fazer transação fraudulenta. E para salvar o Flávio, criou-se um precedente que tem milhares de pessoas no país tomando golpe e muita gente saindo ilesa.

Então tem isso. E outra coisa, a gente precisa dar uma leve biografia de quem é o Queiroz, ex-policial, que foi trabalhar na Alerg, e que é uma ponte importante com o mundo miliciano carioca. Tem um cara que fez muitas investigações, parece ser uma ponte. E quero lembrar só aí um outro fato, aí é um fato mesmo, não é uma ilação, não é uma suspeita, não são indícios pura e simplesmente, mas é daquele episódio muito saboroso de como o Queiroz foi encontrado quando ele foragido estava, lembra?

Ele estava fugido, estava com mandado de prisão para cima dele, ele estava foragido, a família Bolsonaro no poder fingindo que nada estava acontecendo e ele foi encontrado de maneira muito irônica em Atibaia, em uma casa de campo em Atibaia do advogado da família Bolsonaro, o pitoresco Frederico Assef. Lembra dele? Claro. A gente esquece do personagem. Ele estava embaixo da cama quando a polícia acha ele. E aí todo mundo achou que viria uma grande delação, queria entregar tudo, e aí abafa-se o caso. Hoje ele está solto e na eleição passada ele foi candidato, inclusive.

GDGregório Duvivier

Foi, mas não se elegeu.

BTBruno Torturra

Não se elegeu.

AOAlessandra Orofino

Fabrício Queiroz.

GDGregório Duvivier

Em parte porque ele é uma pedra no sapato dos próprios bolsonaristas.

BTBruno Torturra

O pessoal prefere fingir que ele não está lá. É, os bolsonaristas, eles—

GDGregório Duvivier

e só perguntar, quando ele foi perguntado como é que ele conseguiu movimentar tanto dinheiro, não sei se vocês lembram, tem um vídeo maravilhoso que eu recomendo também que revejam, que ele falou assim: carros, eu sou um cara que eu mexo com carros.

AOAlessandra Orofino

Tem uma frase maravilhosa. E o ACF, Greg, você perguntou onde é que ele tá, o ACF que tava embaixo da cama, o famoso debaixo da cama, ele tá em São Paulo fazendo campanha com Cezinha de Madureira, que foi o deputado que apresentou o Daniel Vorcaro ao Alexandre de Moraes, perdão, ao André Mendonça. Então tudo no final das contas se encontra. É aí que está o acesso. Mas esse foi o segundo capítulo da vida profissional de Flávio Bolsonaro, gente.

Ele passou de nepo ghost para, segundo o Ministério Público, o operador de um esquema de rachadinha no seu gabinete na Alerjica.

GDGregório Duvivier

E aí tem algo muito importante que eu queria que o Bruno falasse, algo, Bruno, que acho que é muito importante, tem a ver com Queiroz, que é assim, ele ao mesmo tempo que se aproxima, não é nem se aproxima do Queiroz, porque ele sempre foi próximo, enfim, o Queiroz aparentemente era um operador do esquema dele, ele também se une a uma turma que é muito próxima do próprio Queiroz, porque o Queiroz, ele ao mesmo tempo que movimenta a grana, também tem ligação sim com a banda podre da polícia, chamada assim, chama como quiser, com, inclusive, com grupos de extermínio, como o Escritório do Crime.

Aí eu queria que o Bruno falasse sobre isso. Bruno, qual é a relação dele com o Escritório do Crime? Dá para dizer que ele tem alguma relação com o Escritório do Crime? Que basicamente, para quem não sabe, quem não é do Rio de Janeiro, é um escritório, como o nome diz, não é? Não sei se tem escritório, mas certamente tem crime. O nome já é bem didático. E eu queria que você falasse um pouco desse Escritório do Crime assim, dessa relação dele com o Flávio.

Que é muito importante lembrar disso, é outra coisa que às vezes a gente esquece.

BTBruno Torturra

É, bom, acho que o pivô da relação do Flávio com o escritório é o famigerado Adriano da Nóbrega, ex-policial miliciano, parte de um grupo de extermínio, que foi também assassinado, para não dizer exterminado, em condições muito suspeitas pela Polícia Militar da Bahia. Enquanto tava foragido em investigações que implicavam também o Queiroz. Mas não só o próprio Adriano, ele foi homenageado, ele foi condecorado pelo Flávio quando era deputado estadual, mas o Flávio empregou no seu gabinete A mãe e a mulher do Adriano da Nóbrega.

Então também não dá para falar que ele simplesmente homenageou um policial, porque quando você emprega não só a mulher, mas a mãe do cara no seu gabinete, operado pelo Queiroz das Rachadinhas, eu acho que é um pouco mais do que suspeito de falar que ele tinha uma relação Bastante próxima. E uma relação que não era só próxima, era uma relação que, novamente, não só era homenageado, mas a defesa da atuação muitas vezes criminosa da Polícia Militar e das próprias milícias era motivo de elogio muitas e muitas vezes na carreira não só do Flávio, mas de toda a família Bolsonaro.

Faz parte de uma visão mesmo de aliança, de grupo político, e de acertos que eram feitos de muitas maneiras nos bastidores. O que leva também a um outro escândalo da família Bolsonaro, tendo o Flávio como protagonista, que é a Kopenhagen. Então assim, ele vai de nepo ghost para um cara, para um rachador para um operador político com muitas relações com a milícia, com a banda podre da polícia, para o empreendedor do Barra Shopping, digamos assim, para um cara que abre uma loja de chocolate no Barra Shopping.

GDGregório Duvivier

Isso.

BTBruno Torturra

Aliás, e que acho que foi um escândalo, curiosamente, que mais colou no Flávio à época que ele foi revelado, que eu acho que foi Na verdade, o escândalo menos, digamos, violento da vida do Flávio.

GDGregório Duvivier

Olha, sim, Bruno, realmente, a Copenhague é o mais... Por um lado, não vou dizer divertido, mas é o mais anecdótico, ao mesmo tempo também é o maior batom na cueca do mundo, talvez, que ele tenha. Ali é muito difícil que ele passe ileso. Só também agora resumindo rapidamente, Copenhague, o que é? Ele virou sócio de uma loja da Copenhague, ele tinha um sócio que aliás É um dos B.O.s desse sócio, vou falar já já, que é nessa loja da Copenhagen, que é uma loja de chocolate.

Quem não conhece Copenhagen, né, aquela franquia, ela ficava no Via Parque, no shopping na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ela tinha um lucro no Via Parque.

BTBruno Torturra

Esse detalhe eu tinha certeza que era no Barra Shopping.

GDGregório Duvivier

Não, no Via Parque.

BTBruno Torturra

Eu tava na minha cabeça, então me corrija.

GDGregório Duvivier

E essa loja do Via Parque tinha um lucro maravilhoso, espetacular e muito regular, né? Um lucro que caía sempre, o que era muito estranho. Às vezes até porque qualquer loja com lucro regular já é estranho, não ganhar mais no Natal, mas no caso de uma loja de chocolate, isso é estranho.

AOAlessandra Orofino

Loja de chocolate, não ganha na Páscoa?

GDGregório Duvivier

Normalmente você vê qualquer rendimento na Páscoa, você vai ganhar 10 vezes mais se você tem uma loja de chocolate, qualquer Copenhagen.

BTBruno Torturra

Copenhagen vive da Páscoa.

GDGregório Duvivier

Exatamente, você como tem franquia você consegue analisar e foi isso que a Polícia Federal fez, falou, opa, não tá batendo, como é que essa loja vende igual O que acontece no Via Parque que não tem Páscoa? Ou que é Páscoa o ano inteiro? E como é que o pessoal lá só compra chocolate com dinheiro vivo? Porque era muito depósito de dinheiro vivo, muito depósito de dinheiro vivo lá no alto comprando chocolate com depósitos. Enfim, outra coisa estranha.

AOAlessandra Orofino

E pra ser específico, gente, 1.512 depósitos em dinheiro vivo feitos no ano.

GDGregório Duvivier

Isso é maravilhoso.

AOAlessandra Orofino

É muito mesmo, não é pouquinho.

BTBruno Torturra

Cara, é muito, assim, é muita prova de como que assim... É tão fácil no Brasil você fazer isso, que como é que isso passa ileso? Porque é uma falta de cuidado, é uma burrice, é uma certeza de impunidade. E não é que os caras estavam certos, nunca foi punido, cara. Isso é batata para virar presidente.

GDGregório Duvivier

Então, sabe outra coisa que a gente não fala também que é interessante? Cara, olha só, outro batom na cueca. Como se já não bastasse essa loja do deputado lucrar muito mais e lucrar o ano inteiro, como se não bastasse isso, ele tinha um sócio. Que é o Alexandre Santini. Inclusive, o nome da razão social maravilhoso, que já é Bolsotini, que é Bolsonaro e Santini. Eu amo esse detalhe.

AOAlessandra Orofino

A Bolsotini, o Gregório, ele se atém a umas coisas.

GDGregório Duvivier

Eu amo Bolsotini, me pega demais. Uma empresa, razão social Bolsotini. Imagina esses dois héteros, assim, pô, eu sou Bolsonaro, tu é Santini, vamos abrir a Bolsotini. Aí será que um falou assim, não, vamos pensar, vamos abrir a Santinaro. Santinaro é melhor. Não, Bolsottini. Não, Santinaro. Será que tem essa briga?

AOAlessandra Orofino

Eu acho que tem a ver com prevalência, qual o nome de quem que vem primeiro, entendeu? Bolsottini.

GDGregório Duvivier

Então não sei porque o nome dele vem primeiro, porque tem um detalhe maravilhoso na Bolsottini, que é o seguinte, eles tinham 50% cada um, certo? Logo era para cada um tirar 50% da loja, concorda, né, do lucro. Vocês não concordam?

AOAlessandra Orofino

Você pode ter distribuição desequilibrada de lucro, mas seria pouco justificado no caso em que nenhum dos dois trabalha na loja, que ninguém tá contribuindo mais pro negócio.

GDGregório Duvivier

Se tem um que tá em Brasília, concorda que não é pra ele sacar a imensa maioria do dinheiro? Você concorda? Só o Flávio tirava, o outro tirava, sei lá, 10 ou 20%, o Tini, o Santini, sendo que ele era o sócio mais atuante, óbvio, porque o Flávio é deputado, entendeu? Outro batom na cueca: por que que a distribuição de lucros era tão irregular?

AOAlessandra Orofino

Da Bolsottini, tão desequilibrada, né?

GDGregório Duvivier

Exatamente, tão desequilibrada da Bolsottini. Como é que se explica isso, né?

BTBruno Torturra

Então isso daí é outra coisa que é muito curiosa também. Imagina a placa no caixa falando, só aceitamos depósito em dinheiro vivo. Você quer comprar esse língua de gato? Por favor, você pode na agência mais próxima ali, você deposita em dinheiro e você traz o comprovante Para gente, por favor.

GDGregório Duvivier

Exatamente. Como é que faz sentido?

BTBruno Torturra

Oi? Acho que as pessoas não percebem que não é dinheiro vivo, é depósito em dinheiro vivo numa agência.

GDGregório Duvivier

Então, rapaz, eu acho que tá dando um exemplo.

AOAlessandra Orofino

E aí, gente, a gente tá aqui, não é pagamento em cash.

BTBruno Torturra

Exatamente.

AOAlessandra Orofino

Uma loja, uma loja num shopping que em si já é um shopping fantasma porque ninguém nunca passou na Via Parque, tem 3 pessoas lá dentro tomando um milkshake. É uma coisa deprimente, que fatura, tem um faturamento super regular ao longo do ano, apesar dela vender um produto que tá especialmente sujeito a uma irregularidade de demanda, que é chocolate, que acompanha o ciclo Páscoa, Natal e Dia dos Namorados e assim por diante. Uma loja com capital social de R$10 mil, que começa a faturar milhões de reais ou reportar um faturamento de milhões de reais e que recebe centenas, mais de 1.500 depósitos em dinheiro vivo, qual que é a suspeita?

É que seja lavagem de dinheiro, evidentemente. Que esse dinheiro vivo que é depositado, ele é dinheiro do crime organizado, ele pode ser dinheiro de uma série de atividades ilícitas, e que a loja tá falando, não, eu ganhei esse dinheiro vendendo em abenta, pra ser uma forma de você dar, né, uma, você alegar que o dinheiro tem uma origem lícita. Isso é lavagem de dinheiro. Então Esse é um caso que também não foi concluído, como todos os casos do Flávio.

Ele vai navegando, ele vai se safando, ele vai se defendendo. E ele faz isso com outros também, como a gente vai ver já já. Mas a alegação, a preocupação aqui é com lavagem de dinheiro. Lavagem de dinheiro é sempre a serviço de alguém. E quando a gente olha pra esse histórico do Flávio de homenagear miliciano, empregar mãe e irmã de miliciano no gabinete, Ter o Fabrício de Queiroz como chefe de gabinete, é evidente que a suspeita é que se essas são as relações políticas que ele tem, se é pra essas pessoas que ele governa, são essas pessoas que ele defende, se existe uma suspeita forte corroborada por uma série de fatos inegáveis de que ele tá operando um esquema de lavagem de dinheiro, a quem beneficia?

Qual é a origem desse dinheiro, né? E aí é evidente que a suspeita é que esse dinheiro venha do crime organizado. Então, quando o Gregório falou semana passada que o Flávio, ele é cria do Rio de Janeiro e que esse narco-estado que o Rio virou é também consequência de anos de governos bolsonaristas e que a família Bolsonaro tem uma ligação umbilical com esse ambiente, é disso que a gente tá falando. Todas essas denúncias, de alguma forma, vão voltando para o mesmo padrão.

Que é uma ligação muito próxima, né, pelo que a gente tem de informação, pelos documentos que estão disponíveis publicamente, com elementos do crime organizado carioca, fluminense, né.

BTBruno Torturra

E aí tem, e aí tem um outro ponto super importante que a gente mencionou logo no começo, mas a gente falou muito mais sobre o fato dele ser um nepo ghost, funcionário fantasma e tal. Mas o que que ele fez presencialmente mesmo quando ele era muito jovem? Ele virou advogado, ele se formou. Em paralelo a todos esses escândalos, o Flávio Bolsonaro também tem um escritório de advocacia, que acho que é uma das atividades menos observadas dele em público e que permaneceu funcionando e ele agindo como um operador jurídico sem deixar de ser deputado e senador.

Então tem uma série de casos interessantes da gente é observar de como o escritório de advocacia do Flávio, que hoje está um pouco exposto porque ele emitiu notas para uma empresa que tinha a ver com o Evocar, que possivelmente era um mediador de depósitos e tudo mais, a atividade do Flávio como advogado também aponta para os mesmos indícios que a gente tem acompanhado com o Queiroz, com o Adriano da Enóbrega, para o tipo de gente que ele homenageava e tudo mais.

Que é aí sim literalmente defensor de um tipo muito particular de bandido. Acho que o Greg queria falar alguma coisa.

GDGregório Duvivier

Não, não, não, não, não, não, não, não, não, perfeito. Eu tô concordando, concordo totalmente. Isso é muito importante a gente falar desse escritório, porque muita gente na Ler já falava isso. Você perguntar para o Freixo, é isso que ele vai falar. Igual cada um, você se elege em geral com uma pauta. Com uma pauta de defesa de alguma, de algum grupo. Assim, o Chico Alencar vai falar dos professores, né, e cada um vai ter o seu grupo.

Anísio Trindade vai ser eleitado, falando de saúde agora, do SUS. O Flávio, a pauta dele, o que ele mais falava, que ele mais subia na tribuna para defender, era a banda podre da polícia. Essa é a pauta dele, é isso. Esse daí é o maior apego ideológico dele ao longo desses 20 e tantos anos que ele tá na vida pública, não é tanto. Você vai falar, não, mas ele é de direita, é o liberalismo. Não, tá cagando para isso. Não é. A única, a única coerência dele ao longo desses anos todos é essa relação uterina com a banda podre da polícia carioca e fluminense, é com os assassinos da polícia, com aqueles que estão, que cometeram crimes dentro da polícia.

Essas pessoas que ele condecorou empregou a família, ele tem uma relação de dívida com essas pessoas.

BTBruno Torturra

Essa pessoa pode chegar a defender como advogado e defender.

GDGregório Duvivier

Ele abriu um escritório que parece especializado nessas pessoas que cometeram crimes usando farda, crimes em nome do Estado, crimes usando armas e o aparato e dinheiro do Estado, né? Porque é bom lembrar disso, que geral quando se pensa em corrupção se pensa em políticos de Brasília, que claro existe, mas também existe uma corrupção gigantesca nas Forças Armadas e nas forças policiais. E o Flávio defendia essa turma, e o escritório dele se especializou em defender e abraçar essas pessoas que mataram usando farda, que roubaram usando farda. Essa, essa é a turma dele, não é não?

AOAlessandra Orofino

Olha só, a gente totalmente, a gente vai falar um pouco mais sobre isso. E essa característica é muito específica, né, da atuação do Flávio como advogado é uma coisa que ainda tá recebendo pouca luz e que a gente sabe é que mais informações vão surgir nos próximos dias, porque tem mais gente olhando, tem jornalistas sérios olhando, tem gente investigando. Então podem, vocês estão ouvindo aqui no Calma Urgente, mas podem estar seguros que vocês vão ouvir mais sobre isso nos próximos dias, porque é um tema que tem que ser olhado mesmo com muito mais cuidado.

E acho que essas informações vão vir à tona. Mas só para falar do escritório do Flávio de forma mais geral, antes de entrar nos casos que esse escritório pega e como ele atua, né, tem uma coisa importante do escritório de advocacia do Flávio, que é: muitas vezes o Flávio, ele entra em casos depois que já existe uma defesa constituída, ou seja, a pessoa que tá acusada do crime, ela já tem um advogado de defesa, e o Flávio, ele entra inclusive assinando petições às Cortes Superiores, etc., uma vez que a defesa que já tá constituída, ela começa a não conseguir o que ela quer.

Então ele entra basicamente e ele já é senador, né? Ele tá atuando como advogado enquanto ele é senador, o que também é uma maluquice que isso seja possível, que o senador da República possa ser advogado de defesa de alguém, pago pra isso, mas enfim. Mas o fato é que é assim que ele atua. Então o escritório, assim, tudo indica que na verdade, e isso é muito típico, tudo indica que o escritório de advocacia do Flávio Bolsonaro seja essencialmente uma operação política, né?

Você contrata esse escritório não porque você tá interessado na defesa técnica que o Flávio Bolsonaro pode fazer. Não porque você quer contratar o Flávio como advogado de fato, você quer contratar o Flávio como seu defensor no Senado da República. É você chamar o senador, você quer acesso, você quer o nome dele nos documentos que vão para as Cortes Superiores, porque você sabe que certos juízes já vão olhar de um outro jeito. Então você tá comprando apoio político licitamente, você vai lá e contrata a firma.

Do Flávio. Mas é um absurdo, é um conflito de interesse evidentemente colocado. Isso não deveria ser possível no Brasil. É mais um dos escândalos, né, do Judiciário e do direito de uma forma geral que são realmente chocantes. E no caso do Flávio Bolsonaro é realmente um padrão, né? O escritório parece só pegar esses casos em que no fundo o que eles precisam é de um, da assinatura do Flávio num documento, é de um operador político, de um operador É de um operador político e que é, na verdade, o que se sabe.

BTBruno Torturra

Eu não vou afirmar e não dá para afirmar isso sem um trânsito em julgado, que o Flávio é miliciano, porque ele não parece um miliciano. O que ele parece é um operador político dos interesses das milícias cariocas. Ele parece ser isso. E ele parece que ele se remunera de muitas formas dentro desse mesmo universo. De lavagem de dinheiro, de ex-PMs no seu gabinete, de mãe de assassino no seu próprio gabinete. E vamos lembrar que também tem relações com os milicianos, os milicianos, milicianos reais mesmo, e que são condenados por conta disso, que mataram a Marielle, que é outro escândalo que é, de alguma forma, parece que o Brasil metabolizou já Nessa eleição ele mal aparece, mas que quando aconteceu não só a prisão do Rony Lessa e o esclarecimento disso e toda a operação abafa profunda que a família Bolsonaro fez em relação a esse caso, ou era para se defender em alguma maneira, isso era uma coisa muito explícita e teve a ver com a saída do Sérgio Moro e de uma série de pessoas que ainda defendiam o próprio governo, ou de defender o grande grupo de milicianos cariocas, pra não cair mais peças de uma rede mesmo de banda podre da polícia, que não controlava só a Alerj, mas grandes territórios cariocas, grandes volumes de dinheiro, e começaram a penetrar não só na política estadual, mas na política nacional mesmo.

E é muito por isso que o governo Bolsonaro foi o que foi, foi tão importante. E é uma coisa que eu, falando isso também, eu acho que é uma das coisas mais importantes da gente lembrar. Quando Bolsonaro, quando o Jair vira presidente, é quando muito— eu tenho a sensação de que eles não imaginavam, eles eram tão despreparados e tão burros, ou não imaginava que ele ia ganhar, mas mais importante do que isso, que eles iam ficar tão expostos ao escrutínio público.

Esses escândalos todos de rachadinha, de relação com os assassinos da Marielle e tudo mais, foi porque o Jair era presidente. E aí a imprensa nacional vai atrás desses casos, entendeu? Começa a ter repórter investigativo de todos os espaços para ir atrás dessas histórias, de fora do Rio de Janeiro inclusive. E aí que a família é imposta em um tipo de relação, um tipo de entranha que por 20 anos era extremamente confortável, porque o Rio, como vocês sabem bem melhor que eu, tem uma operação abafa muito bem estabelecida já.

É inclusive com ameaças de morte, com medo, com muita coação, né? E é nesse, e é no governo Bolsonaro que o Brasil tem a chance de observar quem era o Flávio. E que parece que agora a gente esquece.

GDGregório Duvivier

Sabe uma coisa que eu tô com a impressão, Bruno? Que todos os escândalos de corrupção do Brasil levam a Flávio Bolsonaro. Eu não tô brincando, não. Eu tô achando assim, falta aquele PowerPoint. Aquele PowerPoint, ele é tão sedento. Uma coisa ele fez bem na vida, que ele não deixou passar nada. Não deixou passar uma maracutá em um esqueminha, uma tramóiazinha aparentemente, Ele abocanhou porque assim, cara, um cara conseguiu estar ao mesmo tempo no Banco Master, pediu R$130 milhões para o Forcaro, vamos lá, Banco Master, INSS, careca do INSS, não tem nada a ver.

O Willer Tomás, irmão dele assim de jatinho, parceiro de jatinho, sócio, R$5 milhões, não, movimentou R$45 milhões o parceiro dele do INSS, cara, da fraude bilionária do INSS. Aí junta com Não, vamos mudar de assunto, tá muito escândalo de Brasília. Rio de Janeiro, CV, Rodrigo Bacelar, irmãozão do cara, irmãozão, pacto eleitoral com Rodrigo Bacelar, comandante intelectual do Comando Vermelho, preso agora há pouco no Rio de Janeiro, o Bacelar, tá?

Então assim, dá a impressão de que todos os escândalos você vai parar no Flávio em algum lugar, todos que estão acontecendo no Brasil afora. É uma loucura isso, cara. É uma loucura, né? Faraó das bitcoins. Vamos pegar um escândalo nada a ver. Faraó das bitcoins. Quem foi advogado do faraó das bitcoins? Flávio Bolsonaro. Meu Deus. É, não, mas é que ele tem um escritório muito grande, tem muita gente que ali que pode ser um amigo, alguém que advogou para ele.

Só para você ter ideia, o escritório se chama Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, para não deixar dúvidas.

AOAlessandra Orofino

Mas não é, mas isso é bem importante, tá? Apesar de ter esse nome, desculpa, vai fazer rachadinha consigo mesmo. Apesar desse nome curioso, ele tem, ele tem uma sócia, e a sócia do escritório de advocacia do Flávio é a Letícia Caetano dos Reis. A Letícia Caetano dos Reis é irmã do Alexandre Caetano dos Reis. O Alexandre Caetano dos Reis está preso sob suspeita de participação nas fraudes do INSS e ele é sócio, ele é sócio do careca do INSS numa empresa offshore nas Ilhas Britânicas.

Ou seja, a sócia do Flávio é irmã do sócio do careca do INSS e as duas empresas têm o mesmo endereço. É isso.

GDGregório Duvivier

Vocês estão entendendo?

AOAlessandra Orofino

A empresa do careca e a empresa do Flávio, mesmo endereço.

BTBruno Torturra

Eu acho que a Melissa também Sócio, a irmã da sócia do outro, entendeu?

AOAlessandra Orofino

Esse é o escritório, é disso que a gente tá falando, meus amigos. É muito animado, é muito animado.

GDGregório Duvivier

Caralho, caralho, caralho! Vocês estão entendendo a capilaridade do Flávio Bolsonaro quando o assunto é cambalacho? Vocês estão entendendo assim mesmo? Ele é tentacular, ele tá onipresente. Ainda vão descobrir que, sei lá, que os anões do orçamento ali nos anos 90 era o Flávio Criança ali que inventou. Ele tá realmente onipresente, é um negócio, cara, é meio enlouquecedor mesmo.

AOAlessandra Orofino

E é parte da dificuldade aqui, gente, é de por que que essas coisas não se cristalizam melhor na opinião pública, é que a gente tá lidando com, de um lado, Flávio Bolsonaro, que é esse grande pau de galinheiro da República, Um grande pau de galinha no Brasil, né, Greg? E do outro lado, a gente tá falando do Lula, que é um político que foi ao longo de muitos anos acusado de corrupção e apontado de fato como um grande operador, como se ele tivesse ali no centro de um grande escândalo de corrupção.

Teve o PowerPoint do Lula. O PowerPoint que não fizeram pro Flávio, fizeram pro Lula, só que ele tinha muita informação inverídica. Mas o fato é que na cabeça das pessoas é quase como se essas coisas se anulassem. É quase como se elas não fossem, elas não pudessem ser relevantes porque elas são equivalentes. E aí é bom lembrar que elas não são, por várias razões, né? Então só pra gente fazer essa recapitulação aqui, né? Primeiro, o Lula tem milhões de acusações que já pesaram sobre o Lula, vários escândalos envolvendo o partido, e acho que ninguém aqui, nem ninguém na nossa audiência vai dizer que o PT ele é um grande, uma grande congregação de anjos.

Não se trata disso. Mas não existe nem nada semelhante ao que existe em relação ao Flávio Bolsonaro envolvendo o Lula. Se a gente falar especificamente, por exemplo, do áudio do Flávio e o Provocaro. Não existe o Lula de viva voz falando pra um bandido: amiguinho, me dá R$130 milhões. Se existisse, gente, não existia possibilidade do Lula estar no poder, entende? Porque por muito menos porque a Dona Marisa pegou o elevador num prédio no Guarujá, já inventaram que ele tinha um apartamento, entendeu?

É uma coisa que não tem nenhuma comparação. Não existe um batom na cueca para o Lula como existe para o Flávio. Então isso acho que é uma coisa que tem que estar dita. Para além disso, segundo ponto que é importante lembrar também: tudo isso que a gente tá falando não é corrupção exatamente. É corrupção, tem acusações de corrupção, tem acusações de esquema, tem acusação de roubo de dinheiro público, mas tem sobretudo essa relação relação muito documentada com crime organizado.

Então é a serviço de quem que esses esquemas estão sendo montados? É a serviço de quem que você tem uma loja da Copenhagen que tem todos os indícios de ser usada para lavagem de dinheiro? É a serviço de quem que se emprega um monte de gente num gabinete com ligações com a milícia? É para quê? Para a serviço de quem que o Flávio tá atuando como advogado quando ele vai defender policial acusado de homicídio no Rio de Janeiro, né?

Quem são esses policiais com várias acusações de homicídio? Quem são essas pessoas que precisam de empresas sediadas no Rio para fazer lavagem de dinheiro? É o crime organizado do Rio de Janeiro. Então não se trata de falar de corrupção. Se a gente fala de corrupção, as duas coisas se anulam. É uma espécie de polos opostos, se anula. A gente tá falando de ligação, de indícios muito fortes de ligação com o crime organizado, com narcotráfico, com a milícia.

Disso que a gente tá falando. E aí, por fim, só para não me alongar demais, teve gente aqui no nosso chat perguntando sobre o caso, né, da anulação das provas no caso da Rachadinha, do Flávio, e como que isso se compara com o caso do Lula, em que também houve, né, uma decisão que basicamente levou à soltura do Lula e a possibilidade dele ser presidente novamente, etc. E aí eu queria só falar brevemente sobre isso, só para a gente não deixar passar, porque porque efetivamente isso é uma coisa que é importante que a gente tenha na ponta da língua, tá?

O Lula, ele foi denunciado, ele virou réu, ele foi julgado e ele foi condenado. Ele passou, né, quase 2 anos preso, 580 dias preso, antes do Supremo Tribunal Federal anular o processo. O Flávio, ele nem chegou perto disso, porque o tribunal não pôde nem aceitar a denúncia, porque houve uma inválida, né, as provas foram consideradas inválidas antes disso por uma questão absolutamente burocrática, absolutamente processual. Então o Flávio, ele não foi julgado, não houve processo.

Então a gente não conhece os detalhes, na verdade, das acusações que pesam sobre o Flávio. A gente só conhece o que os jornalistas nos disseram, porque a gente não teve a chance como país de ver esse homem ser julgado. Então isso é a primeira coisa. O motivo da anulação também é diferente, né? No caso do Lula, o Supremo disse que aqueles processos estavam no tribunal errado porque as acusações não tinham ligação com a Petrobras.

E num julgamento separado, o Supremo declarou que o Moro tinha sido parcial. Ou seja, o Supremo falou: o juiz não julgou de forma imparcial. Isso é muito sério, um juiz que não tá julgando de forma imparcial, porque isso quer dizer que essencialmente a decisão desse juiz não é uma decisão na qual a gente possa confiar. No caso do Flávio, o problema foi que quem assinou a quebra de sigilo foi um juiz de primeira instância que não foi considerado imparcial.

Ele não tava tentando deu o Flávio. A decisão foi que ele não podia ter feito aquilo, ele não podia ter autorizado a quebra de sigilo. E com isso eles invalidaram as provas. Então foi no fundo uma manobra muito mais covarde, entende? E aí um terceiro elemento só, e aí eu vou parar de falar que eu sei que eu tô me alongando, mas também sobra o que também muda, perdão, que sobrou de cada lado. Os processos do Lula, mesmo depois da decisão do Supremo, eles foram mandados para Brasília E eles podiam seguir em Brasília, porque a prova em si ela não foi jogada fora.

No caso do Flávio, os relatórios do COAF, as quebras de sigilo foram anulados, e sem eles a acusação não tem mais como se sustentar. Tanto que quem pediu para encerrar o caso do Flávio foi o próprio Ministério Público, porque ele não tinha mais provas, né, consideradas válidas para sustentar o caso. No caso do Lula, a acusação ficou brigando até o último dia para manter o caso de pé. Então assim, se houvesse provas substanciais, se houvesse razão para o Lula continuar condenado, ele teria continuado.

O Flávio não tinha nem mais como o caso continuar porque eles conseguiram manobrar na base da acusação, que eram essas provas, e de um jeito muito pouco transparente, né, alegando tecnicalidades e inclusive tomando decisões de repercussão para outros casos. Parei.

BTBruno Torturra

No governo Bolsonaro, no governo Bolsonaro, no governo Bolsonaro.

AOAlessandra Orofino

E aliás, as duas coisas aconteceram no governo Bolsonaro. O Lula, ele foi solto sob um governo hostil, e o Flávio, ele foi não exatamente inocentado, mas ele escapou das acusações no governo do pai dele.

BTBruno Torturra

É totalmente diferente, totalmente diferente, totalmente diferente. Ah, e só um detalhe nada incidental, o juiz Sérgio Moro, que condenou o presidente Lula, hoje tá no PL, no palanque do Flávio Bolsonaro, sem a menor condição de fingir que ele não sabe desses B.O.s aqui. E eu aposto com muita segurança de que ele sabe muito mais do que a gente sabe, exatamente porque ele teve mais acesso, porque foi ministro, entendeu? Porque anda nos meandros da própria justiça brasileira.

E se afastou quando fingia que tinha alguma dignidade, porque viu o presidente defendendo os próprios filhos de crimes. Quando ele resolveu sair fora do ministério e agora volta filiado no PL no palanque do Flávio. Essa é a cena.

GDGregório Duvivier

Isso é muito louco, né? E assim, ele tem no mínimo um dedo muito podre. Porque assim, a quantidade de dedos que ele tem em todas as cagadas brasileiras, É muito louca, é muito, é inexplicável. Assim, é algo realmente podre o que esse homem toca. Queria só lembrar de algumas coisas só que a gente acabou não falando. E olha só que louco, a gente falou por alto dos crimes que Flávio cometeu. A gente falou por alto, não só citou. Quer dizer, cometeu não, perdão, teria cometido, mas nunca foi.

AOAlessandra Orofino

Acusado de cometer.

GDGregório Duvivier

Olha só, só queria lembrar 3 coisinhas, 3 nomes que ele indicou que a gente queria escrever rapidamente. Primeiro, Lembra do caso Precisa Covaxin? Lembra? Ele que foi lobista, ele que apresentou o pessoal da Precisa, da Covaxin, aquele escândalo que eu também não vou entrar aqui no meio da pandemia, tá? Da Covaxin, escândalo bilionário e tal. Foi ele que fez o lobby, ele que fez o encontro, teve comprovadamente não só ponte, teve uma reunião de Zoom.

Outra, quem foi que indicou? Isso é muito louco, a nomeação do presidente da CVM, que é a Comissão de Valores Mobiliários, Tá, foi ele, ele botou um amigo de infância dele lá, que é o João Pedro do Nascimento. Foi essa comissão, não precisa nem dizer, que foi que aprovou o saque do Banco Master. Não existiria, porque a primeira coisa, o Banco Master rolou, muita gente falava assim, cara, como é que a comissão, como é que a CVM meio que permitiu isso, né?

Perdão, saque contra fundo de previdência pública e impactou todo o sistema financeiro. Veio um relatório, Conselho de Controle do COAF, tá? Ele foi o cara que indicou o presidente da CVM na época do Márcio, João Pedro Nascimento. E mais, terceiro, que é muito importante também, só lembrar, que é uma indicação dele que a gente esquece, que é ligação dele direta com o Comando Vermelho, que foi ele que indicou o Carracena, que tá preso, assim como Gutemberg Fonseca.

Eles estão presos, eles trabalharam no Crivella, tanto na prefeitura do Crivella quanto também no Cláudio Castro. Os dois estão presos, foram indicações do Flávio Tá, o, perdão, o Carraceno eu tenho certeza, o outro não sei. Foi uma indicação do Flávio e ele tá preso por atuar dentro, dentro do governo, para o Comando Vermelho, interceptando armas, dando armas, fazendo tráfico. Ele basicamente era, ao que parece, ele tá preso por isso, ele era, ao que parece, um agente do Comando Vermelho, do Comando Vermelho, do CV, dentro da prefeitura, dentro do governo Cláudio Castro.

Tá, então essa é a acusação que pesa sobre o indicado dele, o indicado do Flávio Bolsonaro. Vocês estão entendendo que assim é muito pesado mesmo? E aí eu me lembro de uma frase do Norberto Bobbio, que é muito atribuída a ele. Agora eu não achei o lugar que ele falou, mas é uma frase clássica que já é muito citada, que a ideia de que o fascista ele é antes de tudo um criminoso comum que encontrou na política uma maneira de cometer crimes.

Mas ele encontrou na ideologia escandalosa, na ideologia estridente, uma cobertura para cometer crimes. E esse daí é o retrato perfeito dele, sabe? As pessoas ficaram meio chocadas. Ah não, mas ele é contra, mas ele é conservador. Tipo, foda-se, não tem nada a ver com isso, tá? Ele é basicamente um sociopata que arranjou uma maneira de disfarçar. É isso que ele tá fazendo.

AOAlessandra Orofino

E tem um elemento também muito importante dessa, de como esse sociopata conseguiu sobreviver até agora, né, Greg? Por que que a gente tá aqui cheio de dedos falando, ah, ele é acusado, ao que parece, os documentos, porque não tem condenação? E que também é muito diferente do caso do Lula, que é esses casos do Flávio, eles, eles circularam, eles, eles tramitaram no Rio de Janeiro. É Rio, é o crime organizado do Rio, é lavagem de dinheiro no Rio, né?

E aí, e a maioria deles chegou de fato na justiça, eles foram levados à justiça durante o governo Bolsonaro, que foi um governo que interferiu na Polícia Federal, no Ministério Público do Rio de Janeiro, né? Então assim, quando a gente compara, por exemplo, o caso do Lula, que foi processado por uma Força-Tarefa Federal que tinha estrutura, cobertura de imprensa, um enorme apoio político. E o Flávio, que foi processado por um Ministério Público Estadual no Rio, né, enquanto ele era filho do presidente em exercício, e que esse mesmo MP Estadual acabou pedindo a rejeição da própria denúncia enquanto o presidente era o pai do denunciado, o presidente da República era o pai do denunciado, assim, a diferença é gritante.

Então também parte da razão pela qual o Flávio segue aí podendo ser candidato à presidência da República, empatado hoje no segundo turno com o Lula, é porque a gente tá falando de Rio de Janeiro. É exatamente o que você falou no episódio da semana passada, Greg. Ele é cria do Rio, inclusive ele é cria da Justiça do Rio. Essa é a Justiça do Rio, senhoras e senhores, que também tá loteada para o crime, que também tem um monte de interferência política, e sobretudo durante o governo Bolsonaro foi alvo de pressão do governo.

Né, vários órgãos, não só a Justiça, mas a Polícia e assim por diante. Isso não sou eu que tô falando, isso foi o Moro que falou quando ele saiu do Ministério da Justiça. Foi ele que disse, certo? O Moro, quando saiu do Ministério da Justiça, deu entrevista revoltado por essa questão da anulação do relatório do CAF no caso Flávio Bolsonaro, falando: isso vai acabar com casos, né, investigações de lavagem de dinheiro no Brasil inteiro.

GDGregório Duvivier

Isso daí só prova o quanto o Moro é um rato, né? Porque tá lá ele, tá lá, ele voltou Ele voltou com um rabito entre as pernas e tá ali fazendo campanha do lado. Mudou. E aí, cara, você não tinha saído do governo porque o cara tava querendo blindar o filho, caralho? Oportunista, oportunista. E assim não vale nada, nada, nada. Mas enfim, voltando ao Flávio, é isso.

BTBruno Torturra

Mas tem uma coisa que eu queria falar, que a Alessandra disse assim, né? Não, que agora eu me esqueci do ponto exatamente. Ah, da falsa equivalência que as pessoas criam. Ah, tudo é corrupto, então tanto faz e zera. E essa ideia de que o fascista é um criminoso é comum, né? Eu concordo em parte, mas acho que tem um outro elemento super importante que eu acho que explica bem o apoio que o Flávio tem na sociedade brasileira. Não todos os votos que ele tem, mas talvez a maior parte dos votos, a base dele mesmo, a base bolsonarista, a base de extrema-direita, não é que é uma hipocrisia nos nossos termos, de que eles fingem não ver o tipo de crime que o Flávio cometeu.

Ou eles acham que é tudo mentira. Às vezes é da boca pra fora, que fala que é fake news, que finge que não vê. Mas eu acho que faz parte do lastro social da milícia. Não da milícia como crime organizado que nós entendemos, como mais uma máfia que trafica arma e que trafica droga. Mas a ideologia civil que defende a ideia de milícia, que elege miliciano, e que faz democraticamente, entre grandes aspas, uma certa blindagem disso, que é a ideia de que o Estado precisa agir como criminoso para combater o que eles consideram crime, que em geral tem recorte racial e social, que é a ideia de que se o crime emana da favela e se o crime emana desse espaço que vai se conectar com o trabalhador, com as pessoas mais pobres, com os nordestinos, com uma ideia eugênica de país mesmo, o único jeito de se combater isso é dando tiro na cabeça.

Então, o que eu acho que o Bolsonaro sempre representou e ensinou isso para os seus filhos, acho que tem o fato de que o Estado é um caixa eletrônico, que o Estado é feito para pegar grana, mas a ideologia que sustenta isso mesmo é a ideia de que o Estado tem que ter o monopólio do crime e não o monopólio da autoridade. E acho que a sociedade não admite isso em público, mas é mais ou menos isso que pensa. É a mesma cabeça que defende o cara que dá tiro na— que entra de helicóptero, é alemão, e sai matando todo mundo, que bandido bom é bandido morto.

É a ideologia que dá lastro para milícia. Que nos anos 90, a gente via político de centro defendendo isso. Entendeu? A gente viu Eduardo Paes até falando que a polícia mineira presta um serviço importante, que é de contenção de um certo tipo de crime, mas abandonando completamente o devido processo, a própria Constituição, as próprias leis, que é a ideia. A gente precisa ser o Capitão Nascimento, a gente precisa cometer crime para combater a porra do crime.

E é aí que eu acho que o eleitor do Flávio Bolsonaro, não é que ele não se importa, é que ele se identifica de algum jeito. Entendeu? Ele acha que o cara que defende o Adriano, que o cara que sabe que ele está no fundo, no fundo, ele está protegendo ele, esse cidadão insolente e assustado ao mesmo tempo. E é isso que é louco. A base do Flávio, desculpa, só para encerrar aqui, A base afetiva dele é a segurança pública, é o plano que ele vende, e é o cara mais entranhado no crime organizado brasileiro, quer a presidência para cuidar da segurança pública. É a única proposta que ele tem desenhada.

GDGregório Duvivier

Bruno, eu concordo completamente, mas, e é exatamente por isso que eu acho que é muito bom lembrar que ele não tem ligação apenas com a banda podre da polícia, mas também com o crime. A gente dava para falar em banda podre do crime, mas com o crime, com o que há de pior no crime carioca. Então é foda separar, porque o crime, então a polícia também é crime, mas assim, o narcotráfico mesmo, tá falando do Comando Vermelho, a gente tá falando de PCC, gente, tá?

Também tá ligado lá com a REAG e tal, e com o Banco Master, e com PCC e tal. Então assim, tá tudo junto. É isso que é importante a gente lembrar. É porque esse pensamento meio fascistão brasileiro acha que se você tá combatendo o crime, você pode cometer crimes, que já é um absurdo por si só. Mas eu não sei se ele compra que para combater o crime você tem que fornecer armas para o Comando Vermelho, entendeu?

BTBruno Torturra

Não, não compra.

GDGregório Duvivier

Eu acho que é aí que você acha uma rachadura muito grande nessa narrativa deles, que assim, ele tá indicando gente ligada ao Comando Vermelho para trabalhar no governo do estado.

BTBruno Torturra

É, tá. Mas ainda assim, importante, Mas ainda assim tem a hipocrisia também. Porque aí, no fim das contas, o ódio de classe é o que dá base para tudo isso. E aí, no ódio de classe, o cara é contra o Lula meio que antes de ser contra, entendeu? O próprio crime do Flávio, o crime, digo assim, comum, não o crime da milícia que se justifica, do crime... Não. A relação de lavagem de dinheiro, de CV, de tudo isso. Entendeu? Divorciaram.

Crime que não se justifica de nenhuma forma que está combatendo o tráfico. Mas começa por aí. Eu tenho a impressão que tem o velho classismo brasileiro mesmo, que ele demanda muita hipocrisia, violência, muita hermenêutica, muito twist carpado e conceitual para se manter empatado com o Lula, só trocando o campeonato.

GDGregório Duvivier

Que loucura, cara, tá empatado! A gente nem falou das grandes coisas que aconteceram essa semana, né? Aconteceram várias coisas muito fortes, inclusive para o governo Lula.

AOAlessandra Orofino

Eu queria trazer isso, mas eu só queria trazer mais um elemento, né, para esse longo histórico de acusações que pesam contra o Flávio, que a gente traçou aqui, que foi o elemento, né, relatado hoje pelo Estadão e por outros veículos. Dessa emenda que o gabinete do Flávio destinou a um miliciano condenado no Rio de Janeiro. Dinheiro público sendo dado diretamente pelo Flávio, pelo gabinete do Flávio, para a organização de um miliciano no Rio.

E o que eu acho especialmente interessante do caso é que a resposta oficial da campanha, a resposta oficial do Flávio Bolsonaro é: que a emenda ela foi feita dentro da legalidade, ela foi feita dentro da lei, como se o problema fosse o processo pelo qual o dinheiro é destinado. Não, o processo ele foi lícito, sim, mas o receptor do dinheiro é um miliciano condenado. Ele não era condenado na época. Você pode dizer, eu não sabia, mas no mínimo você tem que falar, meu Deus, eu não sabia, erramos loucamente, precisamos recuperar esse dinheiro, vamos atrás de receber de volta.

Pedimos mil desculpas porque fomos muito enganados por esse sujeito de nome Peixão. Ele parecia ser um cidadão ótimo, ele parecia ser muito querido, ele parecia ser idôneo, e não é. R$199 mil, gente, destinados ao Peixe, que é ex-assessor do Domingos Brazão e que é acusado pela PGR de integrar justamente a organização criminosa do caso Marielle. Então, eu acho essa resposta muito interessante. Ela tem um paralelismo com a resposta que o Flávio deu no caso do próprio Dark Horse, do próprio Daniel Vorcaro, que é: não, mas o dinheiro era privado.

No caso do Daniel Vorcaro era assim: não, mas eu estava pedindo financiamento privado, não teve nem Lei Rouanet. Tipo, amigo, antes tivesse tido, entendeu? É super regulado o financiamento via Lei Rouanet. A questão não é essa. A questão é para quem você tá pedindo dinheiro e quem você é quando você tá pedindo dinheiro. Você é um senador da República pedindo dinheiro para um bandido, e que quando você foi pedir dinheiro para ele, todo mundo já sabia que ele era bandido.

Não tinha possibilidade, entendeu? Ele já tava encalacrado, ele tava há um mês e meio de ser preso. Era essa situação, essa é a questão. Da mesma maneira que essa emenda, esses R$199 mil do meu, do seu dinheiro de dinheiro público foram destinados a um assessor do Domingos Brazão, acusado hoje pela PGR de integrar uma organização criminosa. E o problema aqui não é se— não é saber se o processo foi adequado. A questão aqui é reconhecer que o recipiente do dinheiro é um criminoso.

E de novo, é milícia, gente, é milícia, é gente que manda matar, é gente que mandou matar Marielle Franco. E aí eu quero realmente falar muito sério assim com quem nos assiste. A gente tá, né, eu e Greg moramos no Rio, a gente tem família, a gente tem filho para criar, tem uma exposição de ficar falando desses assuntos no Rio de Janeiro. Eu conheço muita gente que não fala. Inclusive queria agradecer de coração e manifestar minha enorme admiração pelos jornalistas que de fato investigam esse tipo de coisa: Juliana Dalpiva, o Chico Otávio, a Constança Rezende, que inclusive foi alvo de ataque público do Jair em 2019, o Tales Alcântara, o Paulo Motorim, o Tácio Lohan, o Aguirre Talento.

Esses jornalistas que botam a cara a tapa, muitos deles moram no Rio, moram nessa terra de miliciano e de bandido e se expõem todo dia. E em muito menor medida a gente também tá se expondo aqui, mas a gente faz isso porque a gente vê o que o crime organizado fez com o Rio de Janeiro. E se isso for feito em escala nacional É um desastre. A gente vai realmente em direção ao narco-estado. Então assim, para quem não gosta do Lula ou tem convicção plena de que o Lula é um corrupto, bandido, que seja, a minha, o meu apelo é: tudo bem, eu entendo.

E eu entendo mesmo que as pessoas queriam ter outras opções. Aquilo que você falou no início do programa, né, Greg, que elas queriam estar sendo confrontadas com outras opções. Mas veja, a gente tá falando No pior dos casos, se tudo, todas as acusações que fazem contra o Lula forem verdade ou fossem verdade, a gente estaria falando de dois políticos corruptos, mas só um deles tá trabalhando ou parece estar há muitos anos trabalhando e tem ligações muito públicas, muito abundantemente documentadas com o crime organizado.

Uma coisa a gente viver num país em que tem corrupção na política, muita corrupção na política, isso é muito ruim, a gente não deveria ter dinheiro público sendo desviado dessa forma, né? Tanta coisa para a gente fazer nesse país. É uma merda mesmo corrupção, estamos todos de acordo. Todos os países têm corrupção, não existe nenhum que não tenha. Democracias, países autoritários, todos têm. O Brasil tem muito e é um problema. Isso é muito diferente de viver num país dominado pelo crime organizado, é muito diferente, é muito pior você tá num narco-estado.

Não tem comparação, até porque num narco-estado você segue tendo a corrupção, corrupção. E quem abre a boca para falar de corrupção no narco-estado é assassinado. A Marielle denunciava corrupção, ela denunciava casos de corrupção na Zona Oeste, ela denunciava a milícia que tava atuando na Zona Oeste construindo prédio em que morre gente porque o prédio cai, porque a obra é superfaturada. Era isso que ela tava fazendo e ela foi morta, morta por esse mesmo grupo político que tava recebendo dinheiro do Flávio Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro.

BTBruno Torturra

E o cara que deu o tiro depois da morte dela, diga-se Tá?

AOAlessandra Orofino

O dinheiro chegou depois do assassinato da Marielle Franco para esse grupo.

BTBruno Torturra

Para que a gente não sabe. E quem deu o tiro foi quem? O vizinho do Jair Bolsonaro. A gente esquece também, deu no JN. Eu vi, não foi ninguém que me contou, Brasil inteiro viu. O porteiro falou que o cara, quando ele entrou, ele interfonou na casa do Bolsonaro. A casa do carro, estava na casa. Aí o porteiro some, some os registros da portaria, e depois o porteiro fala que não foi nada disso, depois de dias que ele volta. E aí os assassinos da Marielle, depois do assassinato, os caras que mandaram matar, não o assassino que matou, que era o Roni Lessa, vizinho da família Bolsonaro na Barra, amigo Os mandantes recebem uma emenda do Flávio.

É isso, é isso que tá rolando. E aí assim, e aí quando você fala que o Brasil vai ser dominado pelo crime organizado e pelo narcotráfico e tudo mais, não só eu concordo, mas tem uma angústia especial nisso tudo, que é a armação geopolítica que o Trump tá fazendo no continente e que o Flávio já adotou o concurso, e o Eduardo começou a ventilar, é que vão acusar o PT de ser o operador do crime organizado e do narcotráfico brasileiro.

É essa farsa que tá em campo no continente todo, mas agora nós somos a bola da vez. É tipo, é essa narrativa que já tá circulando de maneira muito forte, de que o PCC, de que o CV tem a ver com o PT e que o Trump tá criando, falando que são grupos terroristas que têm a ver, né? Isso na semana em que o Milton Leite, o todo-poderoso da Prefeitura de São Paulo, União Brasil, a Câmara, né, dos vereadores, mas aliado mór do nosso prefeito Ricardo Nunes, teve que se entregar porque era um operador do PCC no nosso transporte público aqui nessa cidade. Então essa é a direita brasileira, a direita real, não a conceitual.

GDGregório Duvivier

Olha, isso é muito bom de lembrar. E assim, eu acho que vale um Calma Urgente inteiro sobre por que é que se fala tão pouco, por que que os escândalos de corrupção colam tão pouco na direita, né? Porque é que quando se pensa em corrupção, é isso, em geral não cola tanto. No caso do Márcio, tem lá 11% das pessoas estão achando que é do Lula, que não tem nada a ver, nunca nem falou com o cara, o cara foi preso no governo dele, tá lá, tem 11%.

Ou estão achando, é porque o Lula também é todo assim. De modo geral, existe uma desproporção gigantesca na cobertura. Ah, é a imprensa que é golpista. É também, tem muita gente na imprensa que dá muito mais atenção, interessa muito mesmo inflar esses casos em geral da esquerda e tal. Mas não só, eu tenho uma teoria Que eu acho que é porque a direita achou o crime perfeito, sabe, que é ficar falando contra pronome neutro enquanto rouba debaixo do pano.

E não é invenção dos Bolsonaro, gente. Vamos lembrar que Pinochet, a gente esquece disso, Pinochet era corrupto para caralho, tinha os Pinochetes, o filho dele então rico para caralho, tudo de dinheiro do Estado. Hitler era bilionário por causa de um dinheiro, ele tinha royalties do livro que era obrigado a comprar, então comprava o livro dele e ele ganhava do Hitler. É verdade, fazer rachadinha, gente. Mussolini, Mussolini, ele foge da Itália, encontram ele com ouro de Dongo lá, com 95 milhões em barras de ouro que ninguém sabia onde tinha ido parar.

As doações que os ricos todos tinham dado, teoricamente, que eram, tinham que doar dinheiro para guerra na Etiópia, para guerra sei lá o quê, o Mussolini foi pegando e era tudo, tava dele. Ele tava fugindo para Suíça com esse de ouro, com barras de ouro. Todo fascista é bandido.

BTBruno Torturra

É muito verdade isso. O Trump, olha o que ele tá fazendo em tempo real. A gente não precisa ir para o fascismo raiz, a gente pode falar do fascismo contemporâneo. Olha o que ele tá fazendo com criptomoeda, com os cunhados dele, com petrodólar, com dinheiro da Arábia Saudita, com dinheiro do Catar, com avião que ele recebe, operacionalizando a presidência para ganhar dinheiro, que é no microcosmo, mas agora com chance de chegar no próprio Planalto, é como Flávio começou a carreira dele, com um cara que ele nem aparecia pegando dinheiro público porque o pai era deputado já no seu segundo, quarto mandato.

GDGregório Duvivier

Quando você tá cometendo crimes contra a humanidade, é mais fácil você cometer crimes comuns, é real, sabe? Porque é assim, eu tô dando um tiro para o alto num carro, eu sou, eu tô Você não vai abrir meu porta-malas e ver que tem maconha, sabe? Assim, ou que tem o que for. Assim, ele tem uma operação que é diversionista. O crime contra a humanidade, ele serve para iludir e disfarçar os crimes comuns.

AOAlessandra Orofino

E as duas coisas se confundem, né? E tem uma particularidade da família Bolsonaro, que é essa mistura entre os crimes muito grandes, ou as acusações muito grandes, os escândalos muito grandes, e o pequenininho, o medíocre. O mesquinho, ela é muito evidente. Tem um detalhe muito saboroso dessa história, né, da emenda pro Peixe, pro ex-assessor do Brazão, que é uma das negociações com o Peixe, quando eles estavam destinando quase R$200 mil de dinheiro público pro Peixe, envolveu uma troca de favores pra conseguir 4 ingressos pro Sambódromo.

Então assim, até quando ele tá destinando dinheiro público pra o grupo político que foi, né, acusado da morte da Marielle, o grupo político do Cheirinho Brazão, 15 anos mesmo, ele também tá pedindo ingressinho, entendeu? É um negócio assim que consegue ser o pior de tudo, a milícia, o homicídio, assassinato político, desvio de dinheiro público para esse, né, para pessoas que fazem esse tipo de atividade, e consegue ser pequeno e mesquinho.

É, você me consegue também um ingressinho, por favor, no camarote do Sambódromo?

BTBruno Torturra

É assim, é assim.

AOAlessandra Orofino

É muito grave, é muito sério. Agora, Greg, eu quero pegar a sua deixa. Você falou de cobertura da imprensa. A gente abriu, né, o episódio hoje falando do Revelando e falando que o segundo episódio do Revelando, ancorado pelo nosso querido Fábio Porchat, é sobre a ligação entre Meister e Lagoinha. E eu queria dizer que a gente está aqui ao vivo, ao vivaço, com 6 mil pessoas, 6 mil e 24 6 mil pessoas assistindo agora. E eu quero falar para cada uma dessas 6 mil pessoas que se vocês forem agora aqui no canal do Calma Urgente, na playlist Revelando, pegarem esse episódio do Porchat, comentarem e mandarem por WhatsApp para os amigos, para família, repostarem nas suas redes, é isso que pode ajudar a gente a dar visibilidade para esse tipo de caso.

A gente tem um talento como Porchat, né, uma pessoa que é conhecida, que tem credibilidade, A gente tem uma equipe de jornalismo muito séria que fez uma apuração muito séria por trás, mas a gente tá num canal independente, gente. A gente precisa de vocês. Então vocês que estão agora ao vivo, a gente precisa de vocês nesse segundo. E se você não tiver assistindo ao vivo, tiver assistindo mais tarde, amanhã de manhã, amanhã durante o dia, para o que você tiver fazendo agora, comenta, posta, divulga, por favor. Segue, Bru.

BTBruno Torturra

Não, e a gente nunca pede isso, né? A gente quer A gente não é uma chave de coincidência. Quem pede Calma Urgente, o Estúdio Fluxo, há muitos anos a gente nunca pede para seguir, não pede para compartilhar, não pede para apertar o sininho, não pede para comentar, não faz nada. Mas é porque tem um esforço jornalístico muito sério que foi feito em algo que a gente acha importante, que não é exatamente furo de reportagem, mas é algo que a imprensa tradicional tem muita dificuldade de fazer porque não é da gramática mesmo.

Que é pôr em contexto, que é criar uma linha do tempo mesmo, que é pegar toda a apuração incrível que esses repórteres fazem há muitos anos, repórteres com muita coragem, com muita diligência, financiados pelos seus veículos. Mas a gente pega uma outra equipe que faz uma puta pesquisa, que vai levantando dado, que liga para fonte, que pega tudo isso, mas conta uma história. E o que a gente sente é que o que a gente precisa é de um contexto mesmo, de uma linha narrativa que chega em um argumento que seja consequente para o momento que a gente tá passando, né, que é novamente existencial, muito sério.

Então é isso, não é uma peça de campanha, não é um argumento, é uma peça jornalística, mas que a gente entende novamente que ela é urgente para o momento que a gente tá passando. As pessoas precisam pelo menos saber disso, mesmo que queiram votar no cara, pelo menos vota sabendo em quem você tá votando. Escolha, tipo, faça escolha com a cara de frente para o que você tá fazendo, né? Depois finge que sem fechar os olhos, né? Tipo, fala que isso é melhor do que a alternativa, honestamente.

GDGregório Duvivier

Claro, é exatamente. Bom, gente, acho que a gente pode terminar. Em vez de terminar com o livro, com essa indicação aí do Revelando, não deixa de ver. Se vocês tiverem, claro, algum livro, alguma coisa, mas eu acho que isso daí vai ser Seria bem legal que todo mundo visse mesmo e mandasse para todo mundo, cara. É muito importante constranger. Eu acho que tem algo importante que é o poder do envergonhamento. Existe um livro ótimo do Frédéric Rollin lá que é A Vergonha é um Ato Revolucionário, sobre o poder político da vergonha.

E, cara, a pessoa tem que ter muita vergonha de votar no Flávio, mas muita mesmo assim. Tipo assim, tem que ter. Mas eu tô com saudade daquele voto envergonhado que as pessoas tinham antigamente, sabe, no fascismo.

AOAlessandra Orofino

Porque assim, cara, ele tá bem desavergonhado esses dias, né? É muito triste, é muito triste.

BTBruno Torturra

Eu não sei, eu não sei. Eu acho que o voto do Flávio Bolsonaro, ele tá consolidado, ele tá sedimentado de algum jeito, mas ele tá menos militante do que o voto do Jair. E é aí que eu lamento dizer isso no final do nosso programa, Eu acho que a seleção tem voto envergonhado, sim.

AOAlessandra Orofino

Eu acho que esse empate técnico, esse extremo, no Lula, eu acho que tem gente que vai votar no Lula, mas tá com vergonha de dizer. Eu tô botando as minhas fichas nesse voto, entendeu? É isso, gente. Então, inclusive, esse pode ser o nosso apelo. Se você vive no meio muito bolsonarista, muito de direita, tá assim, puta, não quero crime organizado, narco-estado, tá, mas Eu posso falar isso para o meu tio? Tudo bem, vota envergonhado, tá tudo bem, vota no Lula envergonhado, pode ser uma realidade.

BTBruno Torturra

Fala na pesquisa que você vai votar no Flávio, mas chega na hora e pensa, pensa bem, pensa bem, olha para essa urna, pensa se você quer esse B.O. na presidência da República.

AOAlessandra Orofino

Gente, é um B.O. infinito, é um B.O. interminável, é inacreditável. O que para mim mostra muito, é muito assim, A gente vai entendendo também porque que o Flávio teve tanta dificuldade de costurar apoio político, né? É evidente que a classe política inteira sabe que ele é o Paulo de Galinheiro da República e que ninguém quis amarrar o seu barquinho nessa maluquice. Mas esse cara não só fez, né, é acusado de tudo isso, teve essa trajetória, etc., mas ele hoje acha que ele pode ser presidente.

Eu realmente fico impressionada com a cara de pau e com a autoestima autoestima desse homem. É muita confiança.

BTBruno Torturra

Mas assim, as pessoas estão, as pessoas estão votando nele. Então assim, a autoestima dele, eu acho que quem tem autoestima é muito mais o Augusto Cury, o Renan, que achava que ia conseguir 15% e se fazer para 30%, entendeu? O próprio Caiado, que achou que o Kassab ia salvar a pele dele. O Flávio, lamento informar, Lamento informar, o cálculo que o Jair fez preso foi mais correto do que todo o campo político de direita brasileiro, como Ciro Nogueira, como Kassab, que achava que não ia ter chance.

GDGregório Duvivier

Eu acho que o Jair errou acertando. Tipo assim, eu acho que o Jair botou ele para perder. Mas acontece. Eu acho, não é possível que... Eu acho, até porque não é bom ganhar. É, agora imagina, quer dizer, é bom porque ele vai ser solto, mas assim, eu acho que de fato, cara, mas tem uma coisa ali de fato que é muito constrangedor para toda a direita ele ganhar, sabe? Tipo, mas claro, é impunidade, não, você tem toda razão. Isso é muito importante falar, gente.

BTBruno Torturra

Aliás, isso é outra coisa que a gente não falou, tem toda razão.

GDGregório Duvivier

Então, coisa que a gente não falou, que talvez seja o mais importante, que assim, ele vai ganhar e vai ser um grande salve geral para o próprio pai, para começar, Primeira coisa, né, tá ganhando para isso. E todos aqueles psicopatas lá do 8 de janeiro, todos aqueles que atentaram contra a democracia, todos os foragidos nos Estados Unidos, sei lá onde, as Zambellis do Brasil, todos aqueles que atentaram contra a nossa democracia.

Não vou nem falar em todos esses do Comando Vermelho que estão presos, que a polícia prendeu recentemente no Rio de Janeiro. Vou nem falar desses, dos podem vir a ser presos, certamente não vão, feito Cláudio Castro da vida. Então é um salve geral, tá? É a certeza da impunidade. E eu acho que é isso que a direita vê no Flávio. A única coisa que eu vejo assim, por que que estão aderindo a esse cara tão ruim? É certeza da impunidade. Assim, se tem uma certeza no governo Flávio, é essa, tá?

BTBruno Torturra

Então só isso. Tem um outro detalhe, tem um outro elemento dessa impunidade que eu acho bem importante da gente importante de pensar também. Você imagina o que vai acontecer com a ala militar que resistiu ao golpe, entendeu? Com o pouco que sobrou de pessoas que hesitaram naquele momento, naquela reunião com o Jair, que a anistia vem para os golpistas e para os que não toparam vão ser provavelmente reformados à força, vão ser afastados.

Olha, o segundo mandato Trump. Olha a diferença que representa do primeiro para o segundo, exatamente pelo tom de vingança e pelo aparelhamento muito mais, muito mais conciso do próprio estado. Complexo.

AOAlessandra Orofino

Então, com esse barulho, queridos, é isso que a gente tem para dizer para vocês.

GDGregório Duvivier

Tomara que a gente nem falou de BAT, de Bolsa Família, nem falamos de canetinha emagrecedora. Eu só queria dizer que, ao que parece, as últimas pesquisas aí não levaram em conta ainda esse esses 3 dados. Então, se quiser uma boa notícia para terminar, a pesquisa ainda pode ter uma surpresinha positiva aí durante essa semana.

AOAlessandra Orofino

Oremos.

GDGregório Duvivier

Então oremos. Até semana que vem, gente.

AOAlessandra Orofino

Foi um prazer.

GDGregório Duvivier

E divulguem, vejam o Revelando, mandem para todo mundo. Vamos revelar a verdade sobre esse crápula.

AOAlessandra Orofino

Até breve. Beijo, gente. Tchau, tchau. O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luiza Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes.

Na identidade visual, Pedro e Noe, e uma consultoria de comunicação por Luna Costa.