Episódios de Calma Urgente

Plantão Supremo

16 de setembro de 20261h30min
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Mais um Calma extraordinário, ao vivo, sobre a crise não eleitoral que está definindo as eleições.

O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções 

Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra

Na Direção, Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez

Na Supervisão de Produção, Gustavo Rosa de Moura 

Na Produção Executiva, Carolina Forattini Igreja 

Na Coordenação de Produção, Sabrina Macedo

Na Captação, Edição e Mixagem, Amanda Carvalho e Vitor Bernardes

Na Edição de Cortes, Marina Cartum e Amanda Carvalho

Ilustração e Design, Anna Brandão

Na Coordenação de Pós-Produção, Marcelo Daros

Nas Redes Sociais, Gabi Biga

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes

Na gestão de parcerias, Leo Tone Costa

Estratégia de Divulgação, Luna Costa

Identidade visual, Pedro Inoue

Na sonoplastia, Felipe Crocco

Participantes neste episódio3
G

Gregório Duvivier

HostComediante
A

Alessandra Orofino

Co-host
B

Bruno Torturra

Co-hostJornalista
Assuntos6
  • A crise no Supremo Tribunal Federal e a politização do judiciárioSupremo Tribunal Federal·Alexandre de Moraes·André Mendonça·Gilmar Mendes·Flávio Dino·TV Justiça
  • O escândalo do Banco Master e as ligações com políticos e ministrosBanco Master·Daniel Vorcaro·Dias Toffoli·Nunes Marques·Kevin de Carvalho Marques·fraude bancária
  • A estratégia da extrema-direita de se apresentar como antissistemaFlávio Bolsonaro·eleições·narrativa antissistema·Breno Altman
  • A influência da milícia carioca e a segurança pública no Rio de JaneiroRio de Janeiro·milícia carioca·segurança pública·Witzel·Cláudio Castro·Adriano da Nóbrega
  • A importância de uma narrativa clara para a campanha de LulaLula·eleições·sentimento público·defesa do legado·narrativa política
  • O impacto da deflação de alimentos e o endividamento das famíliasdeflação de alimentos·endividamento das famílias·juros altos·bets·salário mínimo
Transcrição157 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GDGregório Duvivier

Olá, queridos ouvintes, espectadores do Calma Urgente! Cá estamos nós, ao vivo, ao vivaço, nessa terça-feira, 15 de setembro. São 8 horas e 42 e cá estamos nós. Queria chamar logo os meus dois colegas, Alessandra Orofino e Bruno Torturra, para estarem ao vivo. Dessa vez cada um está—

BTBruno Torturra

Oi, vocês!

AOAlessandra Orofino

Olha só, Vossa Excelência Gregório, Vossa Excelência daqui por diante, Vossa Excelência, Vossa Senhoria.

GDGregório Duvivier

Caralho, é tão ridículo isso, né?

BTBruno Torturra

Vossa Excelência disse fezes, falou fezes, falou fezes.

GDGregório Duvivier

É foda isso porque a gente já viu tantas vezes. Eu fiquei lembrando, que vexame, nunca vi nada tão feio. Mas aí já teve, já teve, o Supremo já passou por tantas vergonhas que não dá para achar que isso é inédito, né? Mesmo quebra-pau, talvez já tenham tido piores, tenham tido pior. O senhor é o mal com atraso, psicopatia e tal. Exatamente. Eu mesmo no Mensalão também, antes ainda, né, ali em 2000 e poucos. Aliás, acho que foi no Mensalão que a gente começou a saber o nome dos ministros, né?

Que eu me pergunto se é uma coisa boa. Eu me descobri, eu percebi essa semana, a gente sabe, eu sei o nome de todos os ministros do Supremo já faz um tempo, né, que a gente sabe, quem acompanha política. Isso é meio uma doideira, não sei se era para ser assim não, né. Mas eu queria que, bom, antes de mais nada, que Alessandra resumisse para gente. Alessandra, o que que aconteceu essa tarde? O que que foi aquilo? A gente viu os memes, a gente viu que era pau, viu que tá, viu que tá difícil.

BTBruno Torturra

Por que estamos aqui numa terça-feira?

GDGregório Duvivier

Exatamente. Teve calma ontem, teve calma ontem e tá tendo hoje. É um calma literalmente urgente, um calma emergente. Alessandra travou, não sei se travou para vocês também.

BTBruno Torturra

Travou para mim também. Alessandra tá no México, para deixar isso bem claro, e como estamos ao vivo não temos a chance de esperar ela voltar. Então eu vou—

GDGregório Duvivier

então vamos falar nós, Bruno. Que que você assistiu? Você assistiu?

BTBruno Torturra

Eu assisti, eu assisti. Eu não assisti tudo porque eu também tenho um pouco mais o que fazer, tive outros trabalhos para fazer, tive que responder muito, muito email, mas eu acompanhei na segunda tela o que tava acontecendo hoje e eu tive uma sensação parecida. Rolou um déjà vu assim, tipo, não é a primeira vez que a TV Justiça vira o programa mais quente da tarde. Quer dizer, isso é um hábito que a gente vem infelizmente se acostumando no Brasil dos grandes escândalos, mas é o primeiro que é um escândalo endógeno, que não diz respeito a ninguém fora do STF, e é o primeiro escândalo em um período tão crítico de eleições, e que de maneira indireta e direta e oportunista e não declarada, mas ao mesmo tempo óbvio, tem a ver com essas, com essas eleições.

E é por isso que a gente achou por bem fazer um Calma Hoje, até porque eu e Alessandra, e acho que o Greg também, estamos com uma obsessão que é tentar ultrapassar esse assunto, tentar com que a próxima segunda-feira a gente seja capaz de mudar de assunto para falar sobre as eleições em si, porque a gente está preso no STF, que é uma coisa que a Cármen Lúcia, no seu voto deprimido, reconheceu. É uma tristeza que o país esteja parado para ver algo que não é a avaliação dos candidatos.

GDGregório Duvivier

Perfeito. Mas é isso, eu senti a mesma coisa. Eu senti uma tristeza. A gente tá acompanhando a um mês da eleição o STF. Não era para a gente estar vendo isso. Assim, de tudo que era para a gente estar vendo, não era para estar vendo um escândalo dos ministros julgando a si mesmo, que ainda tem isso, né? Uma das peculiaridades do dia de hoje é que eu acho que isso sim é meio inédito, que a gente tem juízes acumulando muitas funções.

O Rafael Maffei falou uma coisa interessante, que é, pô, o Alexandre de Moraes já estava acumulando funções normalmente não são acumuláveis, que é do juiz e da vítima, porque ele era juiz e vítima no caso do inquérito das fake news, por exemplo, e alguns outros, né? E também era investigador. Então ele era juiz, vítima e investigador. E agora parece que ele é juiz investigador, vítima e réu, investigado, investigado, não investigado, talvez investigado, talvez investigado.

A gente não sabe exatamente. Ele é assim, é precário. Precisamos falar sobre a precarização do juiz do Supremo, no qual ele tem que jogar nas 11, entendeu? Ele é um arlequim servidor de dois patrões e ele tem que estar lá, ficar empilhando pratinho, fazendo, fazendo milagre, porque o cara precisa ser juiz e vítima e investigado investigador é muita coisa. Então dá um nó na cabeça, porque o que eles estão julgando ali meio que a si mesmos, né?

BTBruno Torturra

Assim, que é o que sobrou, é a prerrogativa que eles têm, e é onde o curto-circuito acontece, né? É o Supremo Tribunal, que é a instância máxima, que é a instância que vai julgar as pessoas com a maior prerrogativa de foro de todas, né? O único órgão que teria capacidade de fazer alguma coisa é o Senado, para fazer impeachment. Mas aí é um outro processo, outro tipo de recolhimento de prova, outro julgamento político, que é o que tá no desenho, digamos, central da candidatura Flávio Bolsonaro e do plano deles de lotar o Senado brasileiro.

Mas hoje o que rolou, sem querer entrar nos pormenores demais, foi mais uma das coisas que a gente tá muito acostumado. Que é a gente tava esperando uma sessão culminante, um último capítulo. Não tô falando de uma novela, mas último capítulo de temporada, né? Aquela coisa que se resolve o que a gente tá esperando e nada acontece. Fora o aprofundamento da baixaria e das baixas expectativas e da perda de credibilidade de mais uma instituição.

Mas que é Hoje seria o julgamento em que o Alexandre de Moraes poderia ser afastado, afastado do caso onde ele tá julgando, e para ser ou não investigado pelas evidências que apareceram no caso Vorcaro, no caso do Banco Master, na mão do André Mendonça, com todas as contradições que isso tem, os vazamentos supostamente seletivos, mas hoje seria o dia em que o plenário julgaria isso. Como no meio tempo o Mendonça também foi citado, e o Mendonça também não é assim o juiz mais idôneo nessa, nessa situação, e também aparentemente tem relações com o mesmo Forcaro, no mesmo escândalo, e com dinheiro financiando instituto e coisas próximas, O Mendonça também seria julgado posteriormente, também seria um dos casos na fila para ser avaliado.

O que o Gilmar Mendes faz hoje? Pede uma questão de ordem, quer dizer, uma votação que vai se impor sobre a votação principal daquele dia, que é, de acordo com o Gilmar Mendes, justificaria-se juntar os casos, que esse, que essa avaliação não deveria ser feita em separado, porque se trata do mesmo, da mesma investigação com muita similaridade. Então, se um juiz é afastado, o outro também deveria ser. Vamos julgar isso junto. Então, o dia de hoje, na verdade, ele deveria ter resolvido a questão de ordem antes para dar seguimento no julgamento principal do caso.

O que acontece é que, como todo julgamento do STF se arrasta nos discursos, virou naturalmente como se esperava. E acho que essa era a expectativa do jornalismo que gosta de sangue na água, do jornalismo de Brasília mesmo, que vive dessa temperatura, dessa fofoca, dessa análise da linguagem corporal, do B.O. de quem que gosta disso. Então tinha essa auto- expectativa e ela se cumpriu, que é uma certa lavação de roupa suja com os termos de Vossa Excelência.

Tipo, o Vossa Excelência é leviano, é um pichuleco, é Vossa Excelência um pichuleco eleitoral. Hoje a gente substituiu mais uma frase lapidar do nosso juridiquês de baixíssimo nível. E aí A questão de ordem não chegou ao fim porque no final da sessão Flávio Dino pediu vistas. O Flávio Dino não pediu vistas de maneira protocolar ou fingindo costume, assim, ele fez dentro de uma crítica frontal, de um ataque mesmo à condução do Fachin, que o Fachin não tava sendo um bom mediador, que tava virando baixaria.

E ele disse uma coisa muito clara, ele falou assim: estamos num período, estamos a um mês da eleição, e o que o senhor está fazendo vai arrastar esse tribunal por semanas e meses. Mais ou menos, não literalmente, mas que esse teatro de que a condução do Fachin iria manter a crise do STF por semanas a fio no período de eleições. E aí ele meio que ameaça, em vez de ameaçar, ele já pede vistas. O que significa que claramente ele fez uma jogada, quase que assumidamente, uma jogada de eu vou parar esse processo até o fim das eleições.

Esse teatro do STF não vai continuar da maneira como tá sendo conduzido. E na sequência, aliás, antes do voto dele acabar, a Cármen Lúcia pede a palavra faz o voto dela e faz uma fala parecida, que ela acha extremamente triste, uma página triste, mas que ela está triste porque o país deveria estar prestando atenção nas eleições. Ela basicamente falou: Deus tenha misericórdia dessa nação, dessa nação, e nós também aqui na terça-feira ao vivo no Calma Urgente.

GDGregório Duvivier

Boa, Alessandra! Que que você sentiu? Faz aí para gente qual foi a A sua visão do que que você viu nessa tarde?

AOAlessandra Orofino

Acho que o Bruno deu, né, um pouco o que aconteceu de fato. Então é isso, né? A gente tinha hoje uma sessão que deveria tratar de uma questão específica, que era essencialmente para entender se o tribunal abriria uma investigação contra o Alexandre de Moraes, mas imediatamente o Gilmar Mendes traz essa questão de ordem e fala que a decisão sobre Alexandre de Moraes não deveria ser tomada de forma separada da decisão do André Mendonça.

Então isso foi o que o Bruno já trouxe para vocês. Tem algumas coisas que acho importante também sublinhar para quem não acompanhou a tarde toda, né? Uma é que dois ministros saíram de cena por razões que já são em si parte da notícia, né? O Toffoli se declarou suspeito, mantendo a coerência com outras posições dele no caso do Banco Master. Por causa das relações comprovadas entre ele e fundos ligados ao Banco Mastra. Então a gente tem que relembrar isso sempre, né, que o relator original do caso era o Toffoli, e que quando a gente descobriu ou veio à tona o fato de que o Toffoli tinha ligações com um fundo, né, basicamente do Vôrcaro, toda a história do Taiaia Resort, etc., isso, ou familiares do Toffoli tinham essas relações, ele foi considerado suspeito. E aí a relatoria do caso passou para o pro André Mendonça.

GDGregório Duvivier

Mas desculpa, isso aí não assumidamente, ele em momento nenhum falou isso, né? Ele usou um pretexto. Eu tenho impressão que Toffolini falou: eu sou suspeito porque tenho relação com o Banco Master. Ele disse questões de foro íntimo, só para deixar claro que tem também um teatro aí. Eu concordo totalmente, obviamente foi por isso, mas ele disse são questões que ele não quer entrar, mas de foro íntimo, como quem diz assim: eu não tô me sentindo bem.

AOAlessandra Orofino

Porque na verdade são questões que envolvem familiares dele, né? Não é ele diretamente com relação a ninguém do universo Master, são familiares. Então acho que é por isso que ele joga no foro íntimo, mas ele se declara suspeito. E se declarar suspeito, é de alguma forma dizer que existe um conflito de interesse, né?

BTBruno Torturra

E dando só mais um dado, que nos últimos dias potencialmente essa relação dele com o Vorcaro se intensifica, porque a PF suspeita que ele tenha dinheiro fora do país que seria do Vorcaro, que o Vorcaro teria mandado para o Toffoli. Mas isso é um caso que está no meio desse grande sarapatel de cheques e Pix que o Forcaro fez.

AOAlessandra Orofino

Isso. Bom, enfim, então esse é o Toffoli. E aí, grande termo, o Toffoli a gente já sabia que iria se declarar suspeito, muito provavelmente por se tratar de um caso que de alguma forma também tem relação com o Banco Master.

BTBruno Torturra

Já o Nunes Marques, é o Nunes Marques, eu tô falando do Toffoli ainda.

AOAlessandra Orofino

Aí a gente teve uma surpresa que foi o Nunes Marques se declarando impedido E aí sim foi realmente uma desculpa, Greg, mais do que o Toffoli, né? Porque ele fala que ele tá impedido por presidir o TSE, basicamente. Então, o Nunes Marques, hoje, só para lembrar, né, o Nunes Marques é o ministro que foi apontado pelo Bolsonaro, 1, 2, e ele hoje é o presidente do TSE. Ele ocupa a mesma função nessa eleição que o Alexandre de Moraes tava ocupando na eleição anterior, é o mesmo cargo, digamos, a mesma função, né?

E ele diz, olha, eu tô impedido de participar dessa decisão porque, como presidente do TSE, a minha prioridade é a eleição, e foi essa a missão que me foi confiada pela Constituição Brasileira, e portanto eu não, não deveria participar dessa decisão. Só que o que a gente sabe é que horas antes do início da sessão, mensagens, né, a gente veio a público que mensagens no celular do Vôrcaro apontam para um pagamento mensal de R$500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, que é filho do Nunes Marques, através de uma empresa de consultoria que é de um sócio do Kevin.

GDGregório Duvivier

E você sabe que o cara é novo, você sabe que ele é um advogado novo porque o nome dele é Kevin. E você sabe que não merece ganhar 6 milhões de honorários porque o nome dele é Kevin. Todo respeito aos Kevins do Brasil, mas assim, ele é muito moleque, ele tem 25 anos. Só deixar claro porque que eu tô zoando, ele tem 25 anos, o Kevin, como é clássico. Acho que ele talvez um dos Kevins mais velhos do Brasil, inclusive. E ele, e ele pioneiro, ele como pioneiro dos Kevins.

Exatamente, os Kevins, eles são talvez mais novos que os Enzos até, ou são um pouco depois.

AOAlessandra Orofino

Deve ser muito competente porque a tal da consultoria, a Consult, que tem esse nome também muito original, é uma empresa de consultoria que é ligada a ele, né, do sócio dele. Já recebeu 18 milhões da JBS e do Master. Então, do alto dos seus 25 anos, Kevin tá o quê? Arrasando na consultoria, gente. Melhor consultoria do Brasil, consultoria do Kevin. E aí Nunes, Nuninho, fala: não posso, obrigada. E sai do recinto. Então ele foi mais dramático do que o Toffoli, porque o Toffoli ficou, né, de observador no meio do hospital.

BTBruno Torturra

Lembrando, e o Nunes Marques, e de algum jeito o Nunes Marques não é suspeito para É presidir o TSE. Exatamente.

AOAlessandra Orofino

Com o Kevin ali, mas é porque ele, só para deixar claro, em nenhum momento ele se declara suspeito. O que ele diz é que ele está impedido porque a grande função dele nesse momento é a presidência do TSE.

BTBruno Torturra

Porque ele tem mais o que fazer.

AOAlessandra Orofino

Eu tô trazendo isso porque acho que isso mostra assim, é um tribunal de impedidos, entendeu? Os dois ministros que estão protagonizando a disputa, o Alexandre de Moraes, o André Mendonça, ambos o Alexandre de Moraes de forma muito mais contundente e relevante, né? Sejamos justos. Mas ambos têm ligações com o Vôrcaro, claramente. Já foram agraciados com favores do Vôrcaro, têm relações documentadas com o Vôrcaro. No caso do Alexandre de Moraes, a gente tem o tal do contrato com a mulher dele, o escritório de advocacia da mulher dele.

BTBruno Torturra

Minuta que ele editou.

AOAlessandra Orofino

Minuta essa que ele editou. O Toffoli é suspeito, o Nunes Marques está impedido. Quer dizer, é um tribunal que A gente tá praticamente numa situação em que a maioria dos ministros de alguma forma não deveria ter envolvimento com o caso. E isso diz muito sobre o tribunal e diz muito também sobre o Máster, né? E diz muito, eu diria, sobre como funciona o jogo de interesses e de lobbying e de advocacia administrativa e de interferência nos três poderes entre o empresariado brasileiro e quem ocupa funções, né, na alta administração pública no Brasil.

É porque é isso, porque a mesma consultoria do Kevin também tem contrato com a JBS. Quer dizer, isso, o caso do Banco Master, ele é ao mesmo tempo excepcional e exemplar. Ele é excepcional porque ele tem uma escala realmente muito impressionante, é o maior rombo do FGC da história do Brasil, a maior fraude bancária da história do Brasil. O nível de ambição desse homem e de produtividade do Daniel Vorcaro é realmente invejável.

Mas ele também é exemplar no sentido de que ele não é tão extraordinário assim. Ele é extraordinário na escala, mas ele não é extraordinário nos mecanismos. Esse tipo de mecanismo é clássico. Inclusive, né, você vê as repetições: é o escritório da mulher do Alexandre de Moraes, é o escritório do filho do Nunes Marques, é sempre o escritório de um familiar fazendo um contrato milionário que não faz sentido nenhum com alguém que tem um interesse na corte.

E isso é o que fica muito claro antes mesmo do, enfim, do negócio começar, da sessão começar. Começar e da disputa começar. E aí, no final das contas, o que acontece, como o Bruno falou, é que o Dino vai pedir vistas. Ele pede vistas para ser clara, né? O objeto do pedido de vistas é a questão de ordem que o Gilmar Mendes levanta no início da sessão. Então, em tese, isso não impediria a corte de pautar a abertura de investigação contra o André Mendonça numa outra sessão, mas provavelmente haveria também um pedido de vistas nesse caso.

E o mais provável agora, o que não é ruim para o país, é que essa discussão só volta, só torna depois da eleição, numa outra temperatura.

GDGregório Duvivier

Claro, claro, não faz o menor sentido ter ela agora. Isso é a única coisa que eu tenho certeza. Não faz o menor sentido o país parar para ver esse ministro brigando e produzir.

BTBruno Torturra

Agora já foi, mas seria bom mudar de assunto. Seria uma coisa que você falou do Evocário, rapidamente fazer um comentário, que você falou que ele é exemplar e extraordinário. Eu me dei conta de uma coisa meio óbvia, mas assim, o que ele fez com o Supremo e com os poderes, com os políticos, políticos foi mais ou menos o que ele fez com as festas dele. É um nível de ostentação máximo assim, sabe? Ele pesou na mão mesmo. É uma coisa que o Joesley faz contratando pela JBS, todas as empresas fazem, é o modus operandi do grande capital brasileiro, é como eles acessam o Judiciário.

Mas o que ele fez com o Supremo meio que parece a festa de casamento dele, sabe? Tipo assim, chama o Alok, 800 milhões para ópera de não sei o quê, joga uma cachoeira de Shiva's Hagen e bota o Coldplay junto, sabe?

GDGregório Duvivier

Eu acho que o Master, inclusive, o motivo que ele caiu foi esse, Bruno. Foi até uma coisa interna, tipo o CONAR ali dos banqueiros falou assim, gente, parou, para esse cara que tá pegando mal para gente, tá dando pinta, tá dando pinta, ele perdeu a linha. Tem algo que em grego tem uma palavra grega que é o hybris, né, a Hybris com Y é o orgulho desmedido, que é o principal motivo das tragédias gregas acontecerem. Basicamente o conflito é esse: o herói, por causa da Hybris, ou seja, do orgulho desmedido, ele se compara aos deuses.

Exatamente, ele acha que ele é um deus, e aí os deuses fazem questão de lembrar que ele é mortal, e vem aí o castigo divino. E parece meio isso que aconteceu, o cara achou realmente Ele cresceu, ele exagerou. Eu acho que foi isso, né? Se ele tivesse sido low profile, se ele tivesse roubado 20%, desviado 20%, ou subornado ali 20%, a gente até hoje acharia o Marcos Master é mais um desses bancos que tem aí, que surgiram no governo Bolsonaro e que ganharam muito dinheiro no governo Bolsonaro, mas estão aí lá ganhando aquele dinheiro médio. Mas eu acho que ele também, ele cresceu o olho. Essa é a verdade, né?

BTBruno Torturra

Assim como ele pisou muito fundo.

GDGregório Duvivier

E assim como os ministros do Supremo também cresceram o olho, né? Porque vamos ser sinceros, essa promiscuidade existe há muito tempo, a gente sabe, né? O Gilmar Mendes tem já aí o Instituto do Gilmar Mendes, já há muito tempo ele presta esse tipo de serviço e tem essa promiscuidade, dá palestra e é remunerado por palestras e vai ao LIDE, sendo que as palestras às vezes são remuneradas por pessoas que talvez um dia apareçam no Supremo, e a esposa advoga para mim, enfim.

Essa promiscuidade dos ministros com seus investigados é algo que acontece no Supremo há muito tempo. E a gente já sabe há muito tempo que não existe profissão mais bem remunerada do que a do filho de ministro do Supremo, né, da esposa de ministro do Supremo. Não foi algo que o Alexandre de Moraes inventou, pelo amor de Deus, mas isso não o exime de culpa. Até porque o que ele inventou, que eu acho aí sim uma loucura, é ele mesmo editar o contrato da mulher.

Tem um nível de amadorismo ali, ou de novo, É um orgulho desmedido. Acho que ele ficou tão poderoso que ele ficou completamente ali imerso nesse poder infinito e ele nunca achou que fosse ser pego. Porque, gente, cadê o Laranja, né? Cadê o bom e velho— não, cadê o mau e velho Laranja, que é uma pessoa incrível?

BTBruno Torturra

Onde é que tá o Zé Teu, né?

GDGregório Duvivier

Cadê o Zé Teu dele?

BTBruno Torturra

Exatamente.

GDGregório Duvivier

Pra botar a mulher, a esposa, pra ele mesmo ditar.

BTBruno Torturra

Mas aí, Greg, a coisa louca é que é o que foi dito hoje na sessão do STF. E acho que a Dani Lima até fez esse comentário fazendo a cobertura dela, uma cobertura boa, crítica, não sei o quê. Ela falou assim: não é crime. Então não é nem a soberba de que acha que vai passar impune, é que talvez seja um pensamento criminalista cínico e seco e muito irresponsável politicamente mesmo, mas que é Se não é crime, foda-se a ética. Se não é crime, por cento e não sei quantos milhões, é separado.

GDGregório Duvivier

A minha mulher pode ter um escritório de advocacia, ele pode, ele pode editar o contrato.

BTBruno Torturra

Acho que, eu acho que essa é a investigação.

GDGregório Duvivier

Ele pode trocar mensagem?

BTBruno Torturra

Eu acho que, eu acho que isso, essa é a investigação. Se ele respondeu a mensagem, eu não sei. Merece ser investigado, na minha opinião, imediatamente. Com toda certeza ele tem que ser investigado.

GDGregório Duvivier

Esses prints das visualizações rápidas, né?

BTBruno Torturra

Com toda certeza tem que ser investigado. A nossa angústia, a nossa angústia é que isso tem plenas condições de ser feito com toda transparência e todo rigor do mundo daqui 60 dias.

GDGregório Duvivier

Isso, cara, a gente não tem que estar falando disso. Eu acho esse de serviço, sabe? E eu acho que quem ganha nessa porra é a extrema-direita. É extrema-direita que tá louca para botar abaixo esse Supremo, não pelos motivos certos, tá? Não tá porque o Supremo é corrupto. Até porque os ministros de extrema-direita, o Cássio e o Mendonça, estão afundados até o pescoço na mesma lama. O que eles querem aí sim é botar ministro que odeia uma democracia, né?

Ministros que não tem nenhum apego pelas garantias constitucionais ou nada disso. Que permitam o suposto presidente Flávio Bolsonaro, seja quem for, fazer o que quiser. Porque o Supremo, com todos os problemas que ele tem, esses que a gente já citou, ele foi sim uma barreira pro Jair fazer as cagadas que ele queria. O Supremo foi sim um freio institucional pro fascismo brasileiro.

BTBruno Torturra

Fundamental, fundamental. Se não fosse esse Supremo, a gente tava muito fodido.

GDGregório Duvivier

Então olha que merda, é esse Supremo que salvou a democracia no Brasil. Porque esse Supremo, com todas as cagadas que ele tem, ele é infinitamente melhor do que o governo do Executivo do Jair Bolsonaro, do que o nosso Congresso. Então essa é a grande cagada brasileira. Mas eu acho que mostrar esse Supremo, sobretudo porque a esquerda o defendeu e precisou dele para defender a democracia, acaba sendo um desserviço ao campo progressista, ao Lula, chama como quiser.

Então assim, mesmo que o Lula não tenha indicado o Alexandre de Moraes, não seja uma pessoa do Temer, mesmo que o Lula tenha sido uma vítima do Supremo, Porque ele foi, é bom lembrar disso, muito antes de Flávio do Jairo ou de que seja quem for ter sido condenado pelo Supremo, o Lula foi condenado pelo Supremo injustamente. E vale dizer isso, vale lembrar isso, né, que o Lula foi injustamente condenado mais de uma vez. Ele foi impedido de ver o seu, de ir ao enterro do seu neto, entendeu, pelo Dias Toffoli.

Ele foi impedido assim. Então é bom, eu se fosse o Lula, inclusive eu lembrava disso, que ele mesmo já foi vítima desse Supremo.

BTBruno Torturra

Sabe, do Gilmar Mendes, que impediu dele virar ministro da Casa Civil numa jogada absolutamente inconstitucional, dando uma canetada assim inacreditável no Poder Executivo.

GDGregório Duvivier

Inacreditável. E mesmo a própria Carmen Lúcia, que no final falou, o ministro, o Supremo não tem que estar sujeito à pressão popular. A própria Carmen mudou de opinião graças à pressão popular, né? Vamos lembrar disso, porque ela foi a favor, ela Ela foi contra o habeas corpus do Lula, depois voltou e o absolveu porque tinham mais provas, que eram coisas simples. A verdade é que ela mudou também de ideia e também tá, não tem como não estar no meio dessa pressão popular.

Tem gente que vai atribuir isso a câmeras, o fato de TV Justiça de filmar, realmente mudou muito, né? Desde que botaram a câmera na TV Justiça, parece que os votos demoram muito mais. Tem esse estudo mesmo, não é uma impressão, demoram de fato. Muito mais tempo. Os juízes começam a falar muito mais e passou a se virar um grande teatro da justiça e tal, porque eles estão, claro, envaidecidos pela câmera. Enfim, mas o fato é que eu acho que essa discussão sobre o Supremo todo nesse momento ela é péssima para o Lula e ela é bom para o Flávio Bolsonaro, porque a gente tem aqui dois candidatos muito discrepantes, dois candidatos que quando você compara é surreal a humilhação mesmo, por mil motivos.

Não só porque o Lula entregou, qualquer motivo, não saberia por onde começar, né? Mas qualquer, qualquer seara que a gente entre, o Lula ganha. Vamos falar de economia? Lula tá entregando agora o governo com pleno emprego e com inflação controlada, deflação de alimentos, Brasil saindo do mapa da fome, 10 milhões de empregos criados, tá? Economia. Vamos falar de corrupção? O Flávio estava negociando com o Vorcaro, pediu 60 milhões para o Vorcaro.

Flávio é o cara da Rachadinha que comprou sei lá quantos milhões, uma casa de R$6 milhões com dinheiro ao vivo, é o cara que multiplicou o patrimônio sei lá quantas, 30 vezes, ninguém sabe direito. É o cara do Queiroz, é o cara da rachadinha, é o cara assim, vamos falar de violência, Flávio Bolsonaro é o cara que prendeu medalha para o Adriano da Nóbrega. Então qualquer métrica que você use é um esculhambinho.

BTBruno Torturra

O Lula tem mais, é supino que o Flávio com 80 anos de idade, entendeu? Ele tem assim qualquer coisa, não há, ele segura mais na esteira. Assim, é foda.

GDGregório Duvivier

Não há nenhuma métrica, não há nenhum campo no qual o Lula não humilhe o Flávio. Não há nenhuma, nada. A não ser quando você desloca a discussão deles e você joga para o Supremo. E aí, se um é a favor desse Supremo e outro é contra, essa é a única situação em que o Flávio ganha. A única. É justamente, ganha justamente, exatamente.

BTBruno Torturra

Mas ele ganha na grande narrativa que ele mesmo propôs.

GDGregório Duvivier

Exatamente.

BTBruno Torturra

E é aí que o risco tá colocado. Antes de vir para cá, antes da gente entrar, a Alessandra, que tá sem internet aparentemente, ela mandou para a gente um vídeo que o Flávio soltou, que tá circulando no WhatsApp. A gente não vai exibir o vídeo aqui, o vídeo é esquisitíssimo, meio que parece que tem um filtro de IA, ele tá bem mais forte do que ele é, tá todo tratado, é uma É uma cagada o vídeo, mas qual que é o discurso que tá sendo colocado lá?

É uma resposta exata a isso que você tá colocando, Greg, que é: o Supremo tá podre, o sistema tá podre, e o governo está junto com esse Supremo. O governo é o mesmo sistema que está podre. Nós precisamos superar isso, precisamos mudar isso. O Supremo tem um lado, ele tem, ele vai jogando todas essas, essas coisas que tem um lastro de realidade, mas que é extremamente cínico, porque se trata de uma investigação em que, uma, o juiz dele, Flávio, tá totalmente encalacrado, fez uso oportunista, esquece o fato de que ele tá mais sujo do que qualquer ministro do Supremo.

Mas o fato é que ele tá aproveitando o que talvez seja a melhor oportunidade que ele tem nessa eleição inteira de se apresentar como algo que o pai dele conseguia fazer e ele não conseguia, mas agora ele consegue, que é: eu sou candidato antissistema, eu sou o cara que tá falando que tudo que tá aí tá podre. E aí eu escutando, eu fiquei, parecia que a campanha do Flávio escutou as críticas que o Breno Altman tem feito sobre a República, sobre o Supremo, que esse reconhecimento de que a Sexta República apodreceu.

E é esse diagnóstico que o Flávio tá fazendo, que é um diagnóstico que todo mundo vai concordar, mesmo quem odeia o Flávio, mas é um diagnóstico correto que ele cinicamente tá se aproveitando. E de novo, o nosso problema número 1: o Lula não é o cara que vai falar isso.

GDGregório Duvivier

Não é.

BTBruno Torturra

O Lula, ele é o filho pródigo da Sexta República. Ele é o produto bem acabado da Constituição de 88, é o Lula.

GDGregório Duvivier

É uma situação que tá lembrando muito americana, e é por isso que eu tô apavorado, apavorada, tô apavorado, porque a eleição americana foi basicamente isso. Você tinha números lá para mostrar, vocês tudo, mas se você for defender a institucionalidade em 2026 ou em 2024, você tá fodido. E era isso que o Biden tentava fazer, defender a normalidade, defender que está tudo bem. Tá tudo certo e vamos mudar e vamos continuar mudando, fizemos muitas coisas boas e vamos continuar.

Se for sobre isso eleição, a gente perdeu, né? Se eleição for um plebiscito do governo Lula, você aprova esse governo, não aprova, você aprova, você gosta do Lula ou não gosta, o Lula perde. Isso daí todas as pesquisas estão dando. Agora, se for você prefere o Lula ou Flávio, Compara esses dois, quem é o melhor, o Lula ganha. Então a gente precisa urgentemente deslocar a campanha e deslocar a pergunta para: você está aprovando as instituições brasileiras?

Você acha que tudo está funcionando? Você acha que tá tudo bem? Se for essa pergunta, fodeu, porque o sentimento não só brasileiro, mundial, ele é anti-governo, ele é anti-incumbente.

AOAlessandra Orofino

Como já falamos aqui também, né? É, gente, eu caí de novo, voltei, mas já me situei aqui graças à nossa equipe maravilhosa que já me disse do que que vocês estão falando. E Greg, eu concordo e digo mais, eu acho, né, a gente vem dizendo, falamos ontem novamente, que a pergunta que de alguma forma a própria campanha do Lula colocou na mesa não é nem de aprovação do governo nem das instituições, ela é antes de tudo uma pergunta sobre aprovação da própria figura do Lula.

E mais do que aprovação de uma de uma adoração mesmo, de uma aprovação sem nenhuma crítica, né, sem nenhum porém. Essa pergunta não vai trazer uma resposta em que a maioria diz sim, e eu concordo. Aí a segunda pergunta que a gente tem, que a gente tem que evitar que seja a pergunta que tá pautando a eleição, é: beleza, você pode até nem amar o Lula profundamente, nem achar que ele é a última bolacha do pacote, mas É, você talvez queira proteger as instituições, proteger a democracia, que foi a pergunta que a gente fez para o eleitorado em 2022.

Ela não foi uma campanha de aprovação do Lula ou de adoração do Lula ou de devoção ao Lula. Ela foi uma campanha de defesa das instituições, da democracia, e funcionou muito bem em 22, porque em 22 isso tava muito premente, muito colocado. O Bolsonaro vinha atacando o sistema eleitoral já há meses, então havia realmente um risco à democracia muito colocado, muito claro. E as instituições não estavam no seu pior momento. A gente tinha vindo, na verdade, de um processo em que o Executivo tava em constante confronto com as instituições, né?

A gente lembra de como foi durante a pandemia, por exemplo, Bolsonaro essencialmente falando: deixa todo mundo morrer. E as instituições, no fundo, se juntando em diferentes níveis, nos governos estaduais, no próprio STF, e assim por diante, para evitar o morticínio. Então a gente tinha um momento institucional em que as instituições estavam muito mais defendendo o povo brasileiro brasileiro do que outra coisa, ainda que elas já tivessem seus grandes problemas colocados e flagrantes, né?

Então botar como pergunta central do pleito: você quer defender as instituições brasileiras? Fazia sentido e levou uma vitória, levou a criação primeiro de uma coalizão muito ampla em volta do Lula, e depois há uma vitória, né? Isso não vai acontecer dessa vez, concordo plenamente com você. É outro momento institucional, as pessoas não— em outro momento da relação da opinião pública e da cidadania com as instituições, né, em que a a conclusão que se tira do que tá acontecendo é: tá tudo podre.

E essa declaração do Flávio hoje, ela é esperta em se apropriar desse momento e apresentar o Flávio como um candidato antissistema. Mas a cara de pau é inacreditável. É inacreditável que o Flávio, que é a pessoa que tá no centro do escândalo— porque isso vale a gente lembrar sempre, e você que tá nos ouvindo, vale você lembrar os seus amigos e a quem te ouve— que é: tem dois candidatos, né, viáveis à presidência da República nesse pleito, e só um deles tem áudio de viva voz pedindo dinheiro para o banqueiro mais pilantra da história do país, entende?

BTBruno Torturra

É mais de 100 milhões.

AOAlessandra Orofino

Isso não vai acontecer, é uma coisa completamente inédita você ter esse nível de batom na cueca. E o sujeito, no meio disso tudo, fazer uma declaração se posicionando não só como antissistema, que já seria risível para alguém que é, como a gente falou ontem, um nepo baby da política, né? Ele tá na política desde que ele aprendeu a, se eu não me engano, na verdade não sei se ele já aprendeu, mas enfim, aprendeu a amarrar o próprio cadarço.

E ele ainda usa fraude do pai, e ele vir se declarar ante o sistema, e além de tudo falar desse escândalo como se fosse um escândalo do Alexandre de Moraes. Existe um escândalo envolvendo Alexandre de Moraes, é escandaloso o que você descobriu sobre a relação do Alexandre de Moraes com o Vô Caro, da mulher dele, tudo isso é escandaloso. Mas o escândalo mais relevante para fazer pleito é o Escanudo Flávio, porque afinal de contas o Alexandre de Moraes não é candidato à presidência da República.

Então nesse momento é muita cara de pau. Mas se ele tem essa cara de pau e ele tem uma cara de pau inacreditável, é porque ele sabe que cola em alguma medida. Ele espera que cole. E o nosso papel é fazer com que não cole. Ninguém acredita nisso.

GDGregório Duvivier

Perfeito. Alessandra, sabe uma coisa que eu tenho pensado muito, Bruno? E eu acho que você vai concordar também, que é o seguinte: a gente mora no Rio de Janeiro, eu moro no Rio de Janeiro, Tá? E acho que é muito bom lembrar que o Flávio Bolsonaro, ele é cria do Rio de Janeiro. Ele não é apenas carioca, ele é cria do Rio, não de qualquer rio, tá? Ele é cria da milícia carioca. Exatamente, do Rio das Pedras. Uma das principais preocupações das pessoas é a segurança pública no Brasil hoje, é uma das principais coisas que as apavoram.

Não está seguro, o Brasil não está seguro. Com razão elas estão preocupadas com isso. Eu moro no Rio de Janeiro, o Rio de Janeiro é governado há 8 anos por bolsonaristas. Se tem um lugar que é um tubo de ensaio para o que o bolsonarismo tem para apresentar em termos de segurança pública, é o Rio de Janeiro. O caos do Rio de Janeiro é o caos dos governos bolsonaristas. Eles estão no governo há 8 anos. A explosão de latrocínio, de chacina, de guerra de facções, de tiroteio, de bala perdida, de morte, ela é bolsonarista no Rio de Janeiro.

É isso que eles têm para oferecer. Eles vão transformar o Brasil num grande Rio de Janeiro. É isso que vocês querem de verdade?

AOAlessandra Orofino

Vocês que vêm no mundo inteiro sem o Pão de Açúcar.

GDGregório Duvivier

E a praia. E sem eu, as poucas coisas no Rio que ainda se salvam, talvez, reaparece.

AOAlessandra Orofino

Ele aparece.

GDGregório Duvivier

Não, vocês veem, essa é a prova que eu não sou barrista. É a prova que eu não sou barrista. Meu pesadelo é um Brasil que expanda, que expanda a gestão do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro, os dois últimos governadores estão presos. Na verdade, os seis, os seis. Mas para falar só dos últimos dois, tá, dos últimos governadores bolsonaristas que a gente teve, começou em 2018 com Witzel, depois Cláudio Castro, seu vice. Também preso.

Os dois presos são bolsonaristas e aliados de Flávio, amigos íntimos de Flávio. Flávio tá até aqui, vocês procurem Bacelar, vocês verem a ligação dele com TH Joias. A gente tá falando de Comando Vermelho. O Flávio tem ligação com essas pessoas direta. Ele deu medalha para milícia, assassino. Ele é uma pessoa literalmente assim, ele é, a relação dele é uterina com a milícia. Ele é a milícia carioca. E é isso que vocês vão ver, vocês vão ver o Brasil milicianizado.

Então Eu acho que é isso que a gente precisa falar, é isso que precisa ser dito urgentemente, entendeu? Que esse modelo que ele tá apresentando já existe no Brasil, não só durante 4 anos de governo Jair Bolsonaro, com gente na fila do osso, na fila, pelo amor de Deus, tentando implorar por um pedaço de osso para sobreviver. Então não é só a volta da fome, não é só o governo Jair Bolsonaro que vai voltar, mas é o governo Witzel, é o governo Cláudio Castro.

Expandido a nível nacional. Só o carioca sabe o que é isso, gente. Então acho que isso aí tinha que ser explorado também, sabe? Porque o carioca sabe muito bem o que é, e sobretudo o fluminense. Não o time, mas o morador desse estado é vítima realmente dos piores governos do Brasil. Então adoram falar, não, porque fulano vota mal. Carioca adora zoar os outros votando. Ninguém vota tão mal quanto a população fluminense, e a prova disso são os candidatos todos na cadeia.

Tá? E eu acho que é bom lembrar isso, que a gente tá falando de um político fluminense, de um político uterinamente ligado ao que tem de pior na política desse estado. Tá falando de Bacelar, TH Joias, tá falando de Comando Vermelho e de milícia juntos, uma joint venture da milícia e Comando Vermelho. É isso que é o Flávio Bolsonaro.

BTBruno Torturra

E é isso que vocês estão falando.

AOAlessandra Orofino

Alerge.

GDGregório Duvivier

Ele é um cara, uma cria da alergia, é algo assim.

BTBruno Torturra

Alergia.

GDGregório Duvivier

Mas desculpa, é só porque eu acho que era muito importante a gente lembrar disso.

AOAlessandra Orofino

É, tem uma, tem um, sem querer entrar muito em teoria, mas tem um, e eu concordo plenamente, tá? Tá, Greg, mas por que que o Flávio consegue fazer isso? Por que que ele consegue, sendo cria do Rio de Janeiro, tendo todas essas ligações amplamente documentadas com crime organizado, né, assim, ligações aparentes com crime organizado no Rio de Janeiro, como é que ele consegue de alguma forma ainda assim fazer uma declaração como a que ele fez hoje e isso não gerar uma refuta, uma refutação imediata É inclusive ancorada nessa cara de pau que ele tem.

As pessoas não falarem, pelo amor de Deus, né, Flávio, dá um tempo. E tem um psicólogo social chamado William Maguire que formulou uma teoria nos anos 60, bem época da Guerra Fria, era outro contexto obviamente, né, que ele falava de inoculação, teoria da inoculação. E era basicamente o seguinte: se você expuser alguém a uma versão fraca de um ataque a um argumento junto com uma refutação, isso gera uma espécie de anticorpo na pessoa que vai fazer com que ela resista depois à versão mais forte desse mesmo ataque.

Então é como se você— então é isso. No caso, por exemplo, do Banco Meister e do Dark Horse, eu sinto que o Flávio, ele operou na gente, foi um processo de inoculação. A mesma coisa com a ligação dele com as milícias. É quase como se agora surgissem provas mais contundentes da ligação dele com o crime organizado, isso quase não importaria mais tanto, porque foi inoculado no eleitorado uma versão mais fraca desses argumentos em várias etapas, que aliás é um dos problemas desses vazamentos seletivos, é que a gente vai sabendo dos escândalos a conta-gotas.

Isso é muito bom para quem é objeto do escândalo, porque você primeiro é exposto à versão mais fraca da relação Vorcaro com Flávio, né? Você ainda não sabe as datas, você não sabe exatamente o que aconteceu, você é exposto a uma versão relativamente fraca. E depois as outras informações, elas vão se acumulando. O fundo tal, o tal do fundo para onde o dinheiro foi, não tem auditoria, nem a produtora conseguiu mandar o auditor olhar, você não sabe para onde é que dinheiro foi, você na verdade custou mais do que custou menos.

Assim, outras informações vão se acumulando que vão dando, inclusive mudando de alguma forma o próprio, a própria história que deveria ter sido contada a partir dos áudios e das mensagens entre o Vorcário e Flávio, né? Porque a história que foi contada quando o escândalo veio à tona ainda era uma história de Flávio pedindo dinheiro para o Vorcário para fazer um filme. E a real é que as informações que a gente tem hoje, todos os elementos que a gente tem hoje apontam para Flávio pedindo dinheiro para família dele.

Fazer um filme claramente não era o O filme não custa o que eles dizem que custou, não foi gasto o que eles dizem que se gastou, e nem a produtora do filme consegue acesso ao fundo para poder fazer uma auditoria desse fundo. Aliás, a produtora tá recebendo dinheiro de emenda parlamentar.

GDGregório Duvivier

As entrevistas com a produtora são algo assim, são um supra-sumo de constrangimento. Ela nem combinou direito o que tinha para falar, ela não sabe responder nada.

AOAlessandra Orofino

Se a gente tivesse tido a história inteira de uma vez, teria sido muito difícil o Flávio escapar dessa história. Mas houve uma inoculação. Tá aqui a versão mais fraca desse problema. A versão mais fraca é ele pedindo dinheiro, como ele mesmo diz, privado para um investidor privado que venha ser um cara um pouco difícil, um pouco suspeito, para fazer um filme para o pai dele. A versão mais forte é a versão que a gente tem hoje.

Só que foi tudo sendo inoculado aos pouquinhos e isso vai vacinando o público. E agora parece que tá todo mundo vacinado, ninguém consegue reagir, entendeu? Não só isso, não gera doença.

BTBruno Torturra

E não só isso, é um público muito específico que tá disposto a ver os 8 desdobramentos. Porque quando o escândalo explode na sua versão mais fraca, ele explode junto com a negativa do Flávio, e isso com um rearranjo narrativo completo que eles são capazes de fazer. E é uma parcela muito pequena da nossa população que é louco que nem a gente, que acompanha o noticiário político, policial, judicial, os autos, não sei o quê, da mesma maneira que as pessoas acompanham, sei lá, o Campeonato Brasileiro, entendeu?

Tipo, o povo acha que é uma coisa do filme, o filme não tem nada que ver com política, investimento privado no filme. E diga-se de passagem, o Flávio também conhece o gado dele, o Flávio conhece o gado dele. Isso é uma outra realidade. O eleitorado é bolsonarista não é coerente. A gente não pode esperar coerência, lógica, razão, que tá avaliando isso nos termos dos fatos, né?

AOAlessandra Orofino

Eles fazem desde o eleitorado bolsonarista. Eu tô falando do eleitorado indeciso, Bruno.

BTBruno Torturra

Não, do eleitorado indeciso, ok.

AOAlessandra Orofino

Nesse eleitorado meio não muito politizado, que justamente não consome informação política na mesma velocidade, que eu acho que a inoculação mais funcionou. E parte da inoculação é justamente a refutação, como você mesmo disse, já que é o argumento mais fraco junto com uma refutação.

BTBruno Torturra

Mas eu acho que no indeciso, Alessandra, eu tenho uma ideia até pior, na verdade, que o indeciso a essa altura do campeonato ele é desinteressado até da primeira versão do escândalo. Assim, uma pessoa que essa altura do campeonato tá assim, ó, eu tenho dúvida, na verdade, se esse indeciso, se esse indeciso agora ele tá entre o Lula e o Flávio, ou ele tá entre o Flávio e o Zema? Eu não sei.

AOAlessandra Orofino

Não tem só isso, tem também as pessoas, por exemplo, tem um perfil de eleitor que votaria no Lula, é um eleitor que a gente sabe que tem exatamente esse perfil, é o eleitor que é, tem muita, enfim, se beneficia de programas sociais. Então é o recipiente de Bolsa Família, é o recipiente, né, de um pé de meia, de um, e que que é muito, em outras eleições teria uma propensão muito maior a votar no Lula porque foi quem criou os programas sociais, muito concretamente.

E no entanto, nessa eleição a gente tem visto nas pesquisas, nas pesquisas qualitativas também que têm sido feitas dentro das diferentes campanhas, que existe um desânimo desse eleitor em votar. Então não é necessariamente que ele tá indeciso, não é que ele acha que Flávio e Lula dá no mesmo, é que ele tá desanimado, ele tá desanimado até com Lula. Ele tem uma gratidão Mas ele já expressou essa gratidão em 3 pleitos e agora ele tá desanimado.

E tem uma coisa especialmente difícil desse eleitor, que é ser beneficiário de programa social não é uma identidade política organizadora, aglutinadora, porque ela não gera orgulho, ela não gera senso de pertencimento. As pessoas não falam orgulhosamente sobre isso, até porque a gente tem uma sociedade que envergonha o beneficiário de programa social como se isso fosse uma falência individual e não um problema, enfim, coletivo, e que programa social tá ali justamente por reconhecer que existe um problema coletivo.

Então não é mobilizador de uma identidade política. Esse eleitor, Bruno, ele também é um indeciso, ele também entra nas estatísticas dos indecisos ou das pessoas que vão potencialmente se abster. E eu discordo, eu acho que ele pode estar perfeitamente indeciso agora e que ainda é possível tirar ele de casa e animar ele a votar. Eu acho que esse é justamente o trabalho da próxima semana.

BTBruno Torturra

Eu concordo. Eu acho que tem uma mobilização de quem pretende não votar, de voto branco, nulo, talvez até uma parte do eleitor do Flávio mesmo que precisa lembrar quem ele é e tudo mais. E a gente, eu volto, volto no diagnóstico insistente meu, que a gente tem falado isso desde Barcelona quando a gente foi lá entrevistar o homem, que é: o Lula precisa ficar mais puto, o Lula precisa falar de uma certa maneira que que toca na decepção das pessoas, porque essa defesa solar que ele faz das instituições, do Estado e do próprio legado dele não sintoniza bem com o sentimento público, não sintoniza bem.

E esse sentimento de urgência que a gente reivindica e tudo mais, eu acho que é isso que tá em campo agora, e de maneira estranha e inadequada, tá? É o palco errado para isso acontecer. Eu vi isso no STF hoje. Os juízes do STF hoje estavam putos com uma veemência que eu não vejo na boca do candidato à presidência da República. Eles estão se acusando, eles estão putos, eles estão fazendo jogo pesado lá dentro, porque eles, tanto o Mendonça quanto o Flávio Dino e todos, e o Gilmar Mendes, eles estão entendendo que eles não estão jogando ali um jogo judicial, porque infelizmente eles foram puxados para um jogo político.

Eles têm que manter o teatro, eles eram atores políticos. Esse STF não merece elogios mesmo, apesar do que a gente já reconhece que eles, que eles fizeram. Mas olha que tragédia, né? A gente tá vendo essa libido antissistêmica de indignação, de acusação clara, frontal, de apontar o caráter do é outro na instituição onde isso menos deveria acontecer. Mas na campanha isso não tá colocado, cara.

GDGregório Duvivier

Bruno, eu fiz uma experiência sem saber a semana quando foi pensado, mas eu postei alguns vídeos em tons diferentes, né? E um deles foi eu andando no aeroporto falando do caso da Copenhague. 6 milhões de views, negócio bizarro e replicado e mil coisas assim. Uma coisa muito simples, eu achei que todo mundo soubesse, que é o caso do Copenhague. As pessoas não, pelo jeito, não sabiam, ou então gostaram de lembrar. Nosso vídeo, eu aqui falando, surtei de raiva também, sei lá o quê, sei lá, mais ainda, 12 milhões, 15 milhões de views só com um ódio improvisado.

BTBruno Torturra

Recorde total do Calma Urgente, assim, recorde completamente fora da curva.

GDGregório Duvivier

Olha o espírito do tempo. Em compensação, eu postei um vídeo, uma ediçãozinha que eu fiz até mais cuidadosa, assim, eu pensei um pouco mais. Eles têm, botei um cachorrinho do Lula na passeata do Lula, perdão, no ato de domingo no Rio de Janeiro. Um cachorrinho fofo, minhas filhas, tudo em geral vai bem, que o algoritmo gosta. Imagina um cachorrinho todo de Lula, fofíssimo, todo mundo alto, música era só mais um Silva tal, um vigésimo de visualização, 5% deu puto falando improvisadamente que tem que eu, do ódio que eu tô sentindo.

Que que isso quer dizer? O espírito da semana, o espírito do mês, ele não é do amor vai vencer o ódio. Não é o amor que vai vencer o ódio, essa eleição não vai ser. É o ódio que vai vencer o fascismo, vai vencer a milícia. É o ódio. É, a gente precisa estar muito puto. E mais, é o ódio, é o pavor. Ah, mas o pavor é um sentimento que joga você para direita, que joga. É verdade isso daí, né? Em geral, o pavor ele bota a gente no lugar mais direitoso.

Mas nesse caso específico, a gente talvez até precisa desse sentimento direitoso conservador para se, para se, para vencer algo que é pior do que essa direita e esse conservadorismo, que é de fato o colapso total. Porque a vitória do Flávio Bolsonaro não é a vitória da direita, não é. Antes fosse, gente. Se fosse, eu não estaria tão desesperado se fosse Lula e Lula e Alckmin, Dilma Serra, não estaria mesmo, tá? Eu estou desesperado, estamos nós, porque seria a vitória do colapso, da morte, da morte.

Feito Bolsonaro, morreu 700 mil pessoas. Quantas precisariam morrer agora? Não se sabe. Está falando realmente de uma, de um candidato cuja, vocês viram, não estão explorando isso também, a campanha. A ministra da Fazenda do Flávio dizendo que ela quer replicar o modelo do Milei. É isso que ela quer. E não só isso, tem que ser usado, entendeu? Tem que mostrar as pessoas quebrando tudo na Argentina. Olha o caos que tá, a miséria subindo.

AOAlessandra Orofino

A futura ministra da Fazenda do Flávio, isso aliás é uma coisa que a gente vai falar em um dos episódios do Revelando, do projeto que a gente lançou ontem, ela defende, por exemplo, total liberdade contratual para patrões e empregados definirem qualquer jornada. É uma visão que era conservadora na Europa do século 18, entendeu? Ela é assim, ela é uma coisa que foi resolvida pelos sindicatos um pouco depois da Revolução industrial, que a ideia de que essa ideia de uma liberdade para patrões e empregados sozinhos, em toda liberdade, e definirem a sua jornada, é o que chega, é o que resulta em jornada de 20 horas, em jornada exaustiva, em criança trabalhando.

É esse tipo de trevas, entendi? As pessoas estão falando isso, ela especificamente falou isso assim, defendendo mesmo com orgulho.

BTBruno Torturra

Você lembra do fim das 6 por 1? É tipo isso que eles estão oferecendo, é o fim da 6 por 1 mesmo.

GDGregório Duvivier

É o 7 por 0, é o 7 por 0 de verdade. Cadê aqueles vídeos, Alá João Santana, entendeu, de pessoas com fome de verdade nas ruas da Argentina toda quebrada, com a miséria explodindo? Cadê o pavor? Cadê? De verdade, as pessoas precisam entender o que que significa, sabe? O que que significa uma escala 7 por 0? O que que significa criança voltar a trabalhar? O que que significa as pessoas voltarem a passar fome? E, mas ele tem que ser dito, não tem que ser dito pelo Lula, tá em gravata, tem que ser dito na rua mesmo, com imagens, sabe?

Ele, o Flávio e Cleitinho ficam fazendo campanha no supermercado, sabe, mostrando: olha o preço disso aqui. É isso que você vai ver no Alfinetei, nesse site que a extrema-direita comprou. Você só vai ver gente: não tô conseguindo botar comida na mesa. Pessoas, tudo mentira, comprado, atores e tal. Por quê? Porque esse ano teve deflação de alimentos. Deflação de alimentos. Mas essa sensação térmica é de inflação de alimento. Por quê?

AOAlessandra Orofino

Mas a sensação térmica também é, Greg, não é só por causa disso. É que deflação é a taxa de inflação diminuindo, e depois você teve de fato uma queda de preços, né, que é deflação mesmo. Mas você teve uma inflação anterior. Tá mais caro mesmo hoje do que tava alguns anos atrás, assim.

GDGregório Duvivier

A gente não tem um aumento da fome. As pessoas estão falando assim, as pessoas não estão conseguindo botar comida na mesa. É isso que a direita está falando.

BTBruno Torturra

Isso é mentira, é isso, é mentira. Mas a gente também tem que tomar um cuidado muito grande de não fazer o argumento Biden, que é o seguinte, que é uma coisa terrível. Você não pode fazer isso. Você não pode falar que o que as pessoas estão sentindo está errado. Você pode até falar que o que elas pensam está errado, porque você argumenta, mas você invalidar um sentimento público é um mau jogo numas eleições, que é a mesma coisa do Biden.

O Biden tava entregando uma economia, é uma macroeconomia muito razoável. Eles tinham os índices, aumento de emprego, aumento real de salário para a maioria das pessoas. Não era isso que as pessoas, pessoas reconheciam na própria vida. Tinham pressões vindo de outros lados e tem esse afeto de ansiedade, medo, raiva e a descrença, que é um território que o Lula não costuma navegar, especialmente quando ele ganhou as eleições dele.

Mas isso que você disse do seu vídeo, Greg, eu queria reconhecer que eu vi anedoticamente, tá? Assim, a gente fez o Calma Urgente na segunda-feira, na terça-feira eu fui na escolinha do meu filho, buscar o meu filho. Tem 15 famílias, 4 pessoas vieram para mim na escolinha, falou assim: Bruno, o Greg me representou. Assim, falaram a mesma frase, falou assim: cara, eu tô com o Greg, você não sabe, lavou minha alma, é isso. Tipo assim, você tocou em um nervo muito claro que a gente tá falando racionalmente, mas você expressou ele emocionalmente muito bem articulado. Cara, essa é a chave.

AOAlessandra Orofino

Assim, eu queria comentar isso do ódio e voltar rapidinho na coisa do supermercado. Eu concordo com o que você falou, Bruno, esse é o risco. Foi exatamente o, né, a armadilha que a campanha do Biden caiu, na qual ela caiu. E acho que tem um outro elemento aqui, Greg, você tem toda razão, não teve um momento da fome, pelo contrário, nesses últimos anos, né, de Lula. A gente tinha tido, o Brasil tinha voltado para o mapa da fome no governo Bolsonaro, e o Lula foi lá e tirou de novo, de novo.

Então isso é evidente, claro, cristalino. Mas a promessa de campanha do Lula não era tirar o Brasil do mapa da fome. A promessa era picanha. Existe uma questão também que é quais são as expectativas. E acho que o Flávio, o Cleitinho, eles não estão falando para pessoa miserável. Eles estão falando para uma pessoa que é real, que existe, que tá sofrendo porque tá passando mal. Não é que tá passando fome, mas tá passando vontade, sabe?

Tá comendo mal, tá se regulando, o dinheiro não tá chegando. E essa pessoa existe. A questão aqui é lembrar para essa pessoa que a situação dela no governo do Jair Bolsonaro era muito pior, porque ela era objetivamente muito pior. O Brasil tinha de fato voltado para o mapa da fome, a renda tava em relativa aos preços, tava pior. A gente tava com um salário mínimo que tinha sido desidratado, a gente tava, a gente tava numa situação pior.

GDGregório Duvivier

Então é lembrar disso, tem que lembrar disso, tem que lembrar que já foi muito pior. A memória não tá viva e tem que dar dado, gente, porque tem muita gente inclusive privilegiada ou de classe média que em vez de falar na primeira pessoa, de falar assim, ah, o Lula não fez nada por mim não, que se falasse isso eu diria assim, ué, é um bom sinal, sinal que você não ganha menos que R$5.000, salário R$5.000 por mês, que você não foi isento.

Então você não fez nada, você não foi isento do Imposto de Renda, seu filho não tá no pé de meia, né, sua filha, sua escola pública não virou tempo integral e você não tá, sabe, não tá mais na miséria, você não tá passando fome, que bom. Você não fez nada por você, você não tá, você não usou da farmácia popular, que bom, você não precisou de um SAMU, que bom, parabéns. O Lula não fez nada por você, significa que você é um privilegiado.

Vocês não falam isso, o Lula não fez nada por mim. Fala assim, o povo tá aqui no comentário. Quer ver um comentário típico aqui? Olha só, fui ver e tá assim, Greg, você tem que reconhecer que você é privilegiado porque o emprego piorou sim, tá com menos emprego sim. Amor, é óbvio que eu sou privilegiado. Não tô falando que, não tô falando, quando eu digo que o governo melhorou não é do meu ponto de vista não, tá? Porque do meu justamente não melhorou.

Justamente eu, cara, eu vivo Eu, só para vocês terem uma ideia, exatamente, é bom lembrar disso, é bom lembrar disso, tá? Eu, por acaso, eu não era taxado. Eu ganhava o dinheiro do Porta limpo porque eu sou sócio do Porta. Eu ganhava dinheiro por dividendos, é assim que eu era remunerado no Porta. Sabe quanto eu pagava de imposto? Zero. Zero. Então eu era isento de imposto. Agora eu pago. Em compensação, a pessoa que ganha menos de R$5.000 pagava e não paga. Então essa foi a mudança. Então, Zé, a vida tá muito boa, né, Gregório?

AOAlessandra Orofino

Não, não tá não.

GDGregório Duvivier

Não, se tem alguém que a vida talvez tenha ficado um pouco pior, é sim a elite desse país. O que explica inclusive o ódio que a elite tá do Lula. Tem a ver com isso, tem a ver com imposto de dividendos histórico nesse país, cara. Então é só bom lembrar isso.

BTBruno Torturra

Só uma outra coisa, nós três aqui, o Greg News foi cancelado diretamente como uma consequência de uma lei do audiovisual importante que o Lula passou.

GDGregório Duvivier

De qual a turma?

AOAlessandra Orofino

Um pouco mal desenhada.

BTBruno Torturra

Um pouco mal desenhada, uma lei totalmente criticável. Mas o ponto é, pessoalmente, pessoalmente, a nossa vida econômica e profissional não foi afetada, ou talvez negativamente, pelas condições, ou foi negativamente. Agora, como ela melhorou a nossa vida? Melhorou a nossa vida porque a gente é cidadão brasileiro, pronto. Porque a gente não quer ver esse país ir para o buraco. Porque eu quero ter futuro climático para o meu filho, porque eu acho justo que as pessoas mais pobres melhorem um pouco de vida. Aliás, eu acho justo que eu pague mais imposto, eu acho justo, óbvio.

AOAlessandra Orofino

Claro, só para dar os dados, Greg, acho que vale dar os dados só para quem tá nos ouvindo ficar com esse dado então na ponta da língua. Ainda que eu acho que dado não é necessariamente o que vai convencer ninguém, mas acho que para a gente é importante que a gente os tenha para a gente ter a gente mesmo subsídio para nossa indignação quando a gente vai falando com outros, né? A renda real do trabalhador subiu quase 13% nesse mandato do governo Lula, é nesse último mandato do Lula, né?

E o salário mínimo subiu 33%, quase 34% em termos nominais desde o fim do governo Bolsonaro. A cesta básica de São Paulo, que é o que a gente usa em geral para fazer esse tipo de avaliação, encareceu 13%, tá? Então o tempo de trabalho necessário para comprar uma cesta básica para alguém que ganha salário mínimo, ela, ele caiu de 143 horas mensais para 122 horas mensais. E é isso que é a medida, né, de renda versus trabalho. É isso que interessa.

No fundo, assim, você quer saber é quantas horas de trabalho uma pessoa que ganha um salário mínimo precisa para comprar uma cesta básica. Isso concretamente diminuiu no Brasil. Mas de novo, a expectativa das pessoas não é cesta básica. A expectativa das pessoas é outra. E acho que é por isso que não dá para invalidar o sentimento sentimento de que a vida tá difícil, porque esse sentimento ele tem alguns fundamentos. O que sim dá para a gente falar é que a vida tava mais difícil com Jair Bolsonaro e ela vai estar mais difícil com Flávio Bolsonaro, pelas razões que você acabou de trazer.

Esses foram governos comprometidos com a manutenção de privilégios, comprometidos com a elite do Brasil. E nós três aqui, como pessoas privilegiadas que somos, poderíamos estar muito felizes deitados em berço esplêndido pensando: ai, que bom, de repente Flávio volta e corta de novo aí imposto sobre os dividendos, eu vou começar a pagar menos imposto a partir do ano que Sim, e assim, só para deixar claro, somos cidadãos brasileiros, temos necessidade.

GDGregório Duvivier

E eu não, eu não invalido a pessoa que fala assim, ah, mas as coisas estão caras assim, eu tô sentindo isso. Se a pessoa tiver sentindo de fato, agora se ela disser, onde é que você viu isso? Aí a pessoa diz assim, ah, eu vi num vídeo do Cleitinho. Aí eu invalido, falo, puta que pariu, caralho, porra, sabe? Ah não, eu não vi no TikTok, eu vi na uma, uma pessoa me mandou um vídeo de um, não, esse site aqui, o ranking dos políticos políticos, tem esse nome malandríssimo, né?

O site do Renato Feder, secretário do Tarcísio, ranking dos políticos, que só manda esse tipo de merda, supostamente imparcial, mas é só esse tipo de cagada. Então tem um monte de sites pseudo-jornalísticos e perfis que nem às vezes nem são pseudo, são os alfinetei da vida, que estão postando vídeos de propaganda política. E a sensação térmica, ela é sempre pior do que a realidade.

BTBruno Torturra

E tem uma coisa muito importante que aí vem das críticas que a gente fez ao— nem críticas, aos grandes vacilos que o Lula cometeu nos últimos 4 anos, que mudam exatamente essa sensação térmica, que é o trabalhador mudou muito e as oportunidades perdidas foram enormes na hora da regulação do trabalho precarizado, naquelas grandes cagadas que foram feitas, que novamente empurra o Lula para um lugar sistêmico, para um lugar que não representa o novo trabalho e não entrega um benefício tangente para o batalhador, para a pessoa que tá no sufoco.

E a outra coisa que é uma cagada, e que se o Lula não fizer direito e rápido, a Damares pega, que é a questão do endividamento e das bets, que também é outra bola quicando, que o Lula poderia ter sido o campeão. E essa tentativa de negociar tudo, de ouvir todos os lados, de que ele é só uma carta de é intenções e não defender a briga, pegar a bandeira na mão nessas eleições, também faz com que ele seja um candidato fraco. Não como candidato, mas sem força de uma convicção política de algo novo.

Ele só defende a legado, mas não tá claro qual que é a bandeira dele. O site dele novo é prova disso. E Alessandra, a gente falou disso um pouco ontem. As propostas demoraram muito e elas não têm uma força de uma bandeira a ser defendida, a ser acreditada. Dá tempo de fazer isso. Agora, olha o que que o Flávio tá fazendo. Eu comentei isso ontem, vou te contar hoje, Greg. Ele— eu ouço muito rádio. O Flávio tá falando toda hora no rádio, toda hora no rádio, que o Lula tá atacando ele. Então ele reconhece meio escândalo Ricardo.

AOAlessandra Orofino

É como ele apareceu nessa declaração de hoje, ele falou, estão inventando escândalos.

BTBruno Torturra

É, ele falou assim, ele fica me acusando, fica inventando escândalo porque ele não tem nada para mostrar e ele tá com vergonha que o povo tá endividado. Quer dizer, ele vai nesse sentimento vago, entendeu? E acusa a falta de proposta, a falta de bandeira que o Lula na campanha, na campanha, não tá conseguindo demonstrar.

AOAlessandra Orofino

Entrar. Tem uma amiga minha que é linguista, que trabalha, enfim, com persuasão e linguagem, uma pessoa super interessante. Um dia a gente pode entrevistar aqui no Calma Urgente em circunstâncias menos terríveis. E ela fala uma coisa da extrema-direita no mundo todo que eu acho que é muito aplicável nesse caso. Ela fala que a extrema-direita ela oferece para as pessoas uma história de origem para sua dor, né? Então história de origem é um termo muito gringo, né, origin story, mas é a história do herói, o nascimento de uma coisa.

Qual que é a história de origem de cada herói? Em geral tem alguma coisa que aconteceu na percepção. E essa ideia de você vender para as pessoas uma história de origem simples para dor que elas estão sentindo, ela realmente é muito poderosa. Hoje, na extrema-direita europeia, por exemplo, vai desenhar uma história de origem para sua dor que tem a ver com a imigração, com o outro, com essa invasão que aconteceu na Europa. Então, se você hoje tá vivendo uma situação pior do que a dos seus pais, por exemplo, na Europa, a culpa é desses imigrantes que chegaram aí, que estão tomando o seu emprego e usando os serviços sociais, os serviços do governo, e enfim.

Encarecendo tudo. Essa é a história de origem que eles vão contar, né? No caso do Brasil, a história de origem que a extrema-direita articulou em 2018 foi a corrupção, que já era uma história falaciosa, né? Essa ideia de que se os serviços públicos não têm a qualidade que você gostaria que eles tivessem, se você tá sofrendo, é porque roubaram o seu dinheiro. E quem roubou, né, segundo essa história, teria sido a esquerda ou quem tá poder.

A história de origem agora do próprio Flávio, ela não foi muito atualizada, ela continua sendo vagamente corrupção. E é por isso que a história de origem da sua dor, né? E é por isso inclusive que esses escândalos, mesmo que ninguém entenda exatamente o que é o escândalo, eles beneficiam o Flávio porque eles ajudam a criar essa ideia de que tá tudo muito podre, muito apodrecido. E essa já foi, essa é a história que ele vem contando há muito tempo.

Ele tá tentando atualizar um pouco a história porque ele sabe que não cola perfeitamente para ele, para figura política, né, para figura pública que ele é. Então ele tem falado de violência, ele tem falado de dívida, ele tá sugerindo outras histórias. Mas eu não acho que tá coeso, eu não acho que a campanha do Flávio tá fazendo um excelente trabalho. Eu acho que a campanha do Lula tá fazendo um trabalho muito ruim, mas a campanha do Flávio não tá maravilhosa não, gente.

Essa história não é coesa, ela não é coerente. O Flávio tá fazendo de novo uma estratégia que não era inoculação, mas a estratégia clássica de advogado, né, que você apresenta quase que o ponto fraco do seu cliente antes que o outro advogado apresente. Ele no fundo vai falar de segurança pública porque ele sabe que é o calcanhar de Aquiles dele, porque ele sabe isso que o Gregório disse, ele sabe que ele vem do Rio de Janeiro, que o Rio de Janeiro é governado por bolsonaristas há anos e que é um desastre na segurança pública.

Ele transforma isso em bandeira. Mas eu não acho uma campanha excelente. Eu acho perfeitamente possível que a gente desmonte isso porque eles não estão com uma história de de origem articulada para dor que as pessoas estão sentindo. Agora, o que o nosso campo não pode fazer é também não ter uma. E hoje eu acho que a gente não está com uma história de origem bem articulada. Por que que as famílias estão endividadas? Porque o juro tá alto e porque o Brasil vive uma pandemia de bet.

Esses dois elementos explicam muito da dívida das famílias, mas muito mesmo. É juro alto, e juro alto não é culpa do governo Lula, até porque o Banco Central é independente, porque a gente tem outras questões, né, históricas no Brasil que ajudam a explicar alto. E claro, tem coisas que o governo Lula poderia ter feito a esse respeito, mas não é algo que dê para atribuir ao governo. E a bet, e bet aliás mais do que juro, que é difícil de atacar, é uma coisa, seria uma coisa muito fácil do Lula vir agora e falar: vou proibir, vou proibir, comeu a renda das famílias.

E para essa mulher que tá indecisa, que a maioria do eleitorado indeciso, seria fantástico, porque essa mulher tá fodida agora porque os maridos estão apostando tudo no tigrinho, entendeu?

GDGregório Duvivier

Isso aí, que é um cara, precisa proibir bet por decreto. Foda-se!

BTBruno Torturra

Cadê?

GDGregório Duvivier

Amanhã, 81% da população é contra essa merda.

BTBruno Torturra

Não é a coisa mais, é a coisa mais fácil que tem.

AOAlessandra Orofino

Apostem bet, que é proibir bet, gente. Todo mundo sabe que é uma merda. Mas o que eu quero dizer é, o Flávio ficar repetindo um blá blá blá de, ai, as famílias estão endividadas lá. É verdade que as famílias estão endividadas, mas ele não tá apresentando uma história de origem para essa curar a dor. Ele só tá apontando a dor, o que já é alguma coisa, porque pelo menos as pessoas se sentem reconhecidas. Ah, realmente eu tenho medo de andar na rua.

Ah, realmente eu tô endividado. E esse cara tá reconhecendo que a minha dor existe, que ela é real. A gente já falou da segurança aqui. O nosso campo tem muita dificuldade de lidar com a dor real da falta de segurança e com que ela gera. Mas o palavra não tá dando uma boa história de origem, e a gente pode dar. A história de origem da dívida das famílias tá dada. A história de origem origem da segurança pública no Brasil é que a gente tá virando um narco-estado dominado por miliciano e traficante de droga.

E o clã Bolsonaro tem uma história umbilicalmente ligada à instauração do narco-estado no Rio de Janeiro, entende? Então assim, a gente tá em tempo da gente dar as histórias de origem da dor das pessoas, mais do que negar essa dor ou contestar essa dor ou trazer dados para falar: a dor não é bem assim. Mas a gente pode contar a história de como essas dores começaram. E a gente tem boas histórias para contar.

GDGregório Duvivier

Perfeito, muito bom você falar disso, Alê.

BTBruno Torturra

Lembrando que o estado de bets brasileiro também é uma obra do governo Bolsonaro. Perdão, foi liberado no governo, ele foi liberado no governo Temer, mas ele foi regulamentado e aprofundado no governo Bolsonaro.

GDGregório Duvivier

Aí você sabe que o Flávio, ele tá muito por trás disso. Isso, né? Sabe que o Flávio foi um dos principais articuladores de trazer— ele queria trazer cassino para o Brasil. Ele chegou a ir a Las Vegas e o Flávio Bolsonaro queria trazer cassino, não conseguindo, tá? Porque é muito impopular isso no Brasil. Ele conseguiu trazer, foi um lobby estrangeiro para botar bets aqui.

AOAlessandra Orofino

Então privatização de praia para fazer cassino, olha isso, as pautas desse cara quando ele era, né, sobre isso, gente, sobre as praias.

BTBruno Torturra

Projeto do Flávio. Privatização de praia é um projeto do senador Flávio Bolsonaro, né, que ele voltou a falar.

AOAlessandra Orofino

Ele herdou o projeto, ele não foi o autor original, mas ele que ressuscitou a PEC.

BTBruno Torturra

Ele ressuscitou a PEC, ele era o representante, ele que teve que responder pelo BO quando isso voltou à orla, digamos, por interesses novamente de cassino, de desenvolvimento hoteleiro, no litoral, na transformação das praias em áreas VIPs, e por aí vai.

AOAlessandra Orofino

E eu tô vendo que o pessoal no chat falando, gente, mas o lobby das bets é muito forte, se o Lula mexer com isso não vai ser bom para ele não. Sabe o que que vai ser ruim para o Lula? Perder a eleição.

GDGregório Duvivier

Caralho, total.

AOAlessandra Orofino

Não dá para ter medo mais agora desse lobby de bet tentar derrubar o Lula, entendeu?

BTBruno Torturra

Talvez fosse ruim, tipo, é, talvez vocês tivessem razão, que eu discordo, tá? Mas esse argumento podia parar em É, há um ano e meio atrás.

GDGregório Duvivier

É, olha só, agora 3 semanas da eleição, uma coisa que me deixou muito, muito bolado, é 3 semanas da eleição, Fantástico fazer uma matéria enorme sobre Dark Horse e não citar o nome de Flávio Bolsonaro, do principal financiador do filme, do principal articulador do filme. Então fala que ganhou 130 milhões e tal, não fala que o Flávio ligou e ele articulava para isso, e ele era o principal captador do filme. É inacreditável, porque assim Mesmo tempo que eu tô falando, Bruno, parece realmente que é porque o Lula tá à beira de proibir as bets.

E hoje em dia uma das principais fontes de financiamento da Globo é a bet. Eu não quero soar conspiratório, mas é o que fica aparecendo, que é realmente um lobby que eles estão comprando briga e não estão— porque não tem como não ser uma posição política omitir e blindar o Flávio numa hora dessas.

BTBruno Torturra

Eu acho estranho porque a Globo não tá blindando o Flávio. Globo tem bet e hoje em dia vive de A Globo não tá blindando o Flávio. Se você vê a cobertura da Rede Globo, da Globo News especialmente, o Flávio tá super exposto, tá sendo lembrado o tempo inteiro desse escândalo. É que não tem mais audiência no Fantástico. Não sei como é que isso se justifica, se foi um erro brutal, se uma decisão esquisita, o qual foi o racional de não colocá-lo nisso.

Porque mesmo que ele não fosse o maior articulador financeiro do filme, se o Flávio Bolsonaro fosse só um estagiário de um filme cheio de escândalo, é relevante porque ele é candidato à presidência. Só por causa disso. Tipo, se o cara é candidato à presidência, tudo é relevante, como bem se sabe, né? E de novo, não quero chover no molhado, todo mundo fala isso sempre, mas assim, vocês imaginam O que que aconteceu com o áudio do Lula pedindo 100 milhões para um banqueiro safado, cara? Não, o que que aconteceu com esse país, cara?

GDGregório Duvivier

O que que aconteceu com esse país?

AOAlessandra Orofino

Que que o STF ia estar discutindo hoje, Bruno? É inoculação?

BTBruno Torturra

Eu não acho que é inoculação, porque o Lula também tá inoculado. Tem mil escândalos de corrupção em cima da vida dele. O ponto é, isso é para mim é muito claro, Bruno, a esquerda é julgada diferente pelos seus desvios éticos no mundo inteiro.

AOAlessandra Orofino

Claro, claro que é, claro que é. Mas também porque a esquerda foi durante muito tempo a defensora da ética na política, né? O primeiro escândalo que—

BTBruno Torturra

eu acho que não é só por isso, Alê. Eu não acho que é só por isso.

AOAlessandra Orofino

Eu não acho que é só interesses corporativos também, tem interesses midiáticos, tem tudo isso.

BTBruno Torturra

Eu acho que tem uma coisa moral. Eu acho que é vindo da Bete, para mim é perfeita.

GDGregório Duvivier

Se você tem um candidato a favor de Bete e outra que é contra Bete, a emissora que vai cobrir as eleições, ela vai tender a explorar mais qual escândalo de corrupção, entende? É óbvio que as coisas são intimamente ligadas. Só isso.

BTBruno Torturra

Mas eu acho que na percepção pública ofende mais o candidato de esquerda. Eu acho que tem uma coisa psicológica que é errada, mas ela é parecida com o comunista de iPhone, sabe? É coisa assim, se você é de esquerda, você não pode— você, você é meio como se você tivesse se fingindo de tanto e as pessoas querem não acreditar. E qualquer desvio é uma demolição muito maior na cabeça das pessoas. É meio comunista de iPhone, é o cara de esquerda que mora num bairro bom, ele é desqualificado porque parece que tem uma incoerência nisso.

Porque na verdade quem espera essa pureza impossível É um, é ninguém. E é exatamente o opositor que tem uma visão mais cínica do mundo. Então o cara que é de direita e ele rouba é o que se espera mesmo, porque o mundo é uma selva, a gente tá aqui para competir, estamos aqui para se dar bem, é cada um por si. Mas você que finge que é coletivista, que tá pelo trabalhador, se você rouba, você vai ser condenado com uma sentença muito maior na moral das pessoas.

E Claro, tem os interesses corporativos, os grupos de comunicação sempre foram inimigos do trabalho organizado, tem ranço pessoal com o próprio Lula, e por aí vai.

AOAlessandra Orofino

Mas eu vou te falar, eu acho que esse julgamento moral diferente para um campo político que fala de coletividade, que fala de um comportamento pró-social, que fala de dividir, de diminuir desigualdades, ele é, ele é razoável, é normal.

BTBruno Torturra

Eu também acho que é razoável.

AOAlessandra Orofino

Ele seja mais comunista, já é fone? Não, aí é só burrice. Mas essa ideia de que se você se coloca como defensor de uma ideia de coletividade, de uma ideia de ética na política, de moralidade na política, você precisa sim ser mais realista do que o rei, você precisa prestar atenção nessas coisas. Isso faz sentido. Eu acho que a esquerda, liderança da esquerda, tem que ter muito cuidado sim com, com, eu concordo, mas tem algo assim Porque tem algo também que as pessoas são do líder coletivo.

GDGregório Duvivier

Desculpa, só muito rápido, Bruno, já te devolvo. Só para lembrar de uma coisa que eu concordando com você, Bruno, que é: não aceitam igual um pobre roubando, ponto, né? E acho que também tem a ver com isso, tá? E uma daquela, aquele áudio do pobre, digo assim, a pessoa de origem pobre, isso mesmo, aquele áudio clássico do Eduardo Paes também resume tudo. Porra, Lula, porra, sítio em Atibaia, porra, entendeu? Foi assim, Angra, não foi ter um sítio em Maricá.

Assim, o que mais, é claro que aquilo é em tom de chacota, é zoeira do Eduardo Paes, é óbvio. Mas aquela zoeira eu acho que mostra um pouco o que que uma elite pensa do cara. Foi assim, tem algo do, é cafona, tem algo que é da ordem, é diferente do Aécio com bilhões. Aécio tá aí de volta, tá? Aécio vem. E só um breve parênteses, eu só tenho que falar uma coisa muito importante antes de concluir, que é o seguinte, gente: eleição para o Senado é muito importante, tem a ver com Aécio Neves.

É o seguinte: eleição para o Senado, você tem direito a 2 votos. É muito importante você lembrar disso, são 2 votos. Isso eu acho que a maioria dos espectadores do Calma Urgente sabe. Muita gente do Brasil não sabe, tanto é que mais da metade das pessoas anulou o segundo voto nas últimas eleições porque nem sabia, então tinha pensado em outra pessoa para votar. E outra grande parcela da população, ao invés de anular, fez algo pior ainda, que é votou num segundo candidato que anulou o seu primeiro voto.

Eu posso explicar: você, quando tem dois candidatos, tá, o segundo voto não vale menos do que o primeiro, vale igual, vai computar igual. Logo, se você vota, por exemplo, como fizeram em São Paulo, como fizeram em 2018, 2018, ou em Minas também, na qual o Suplicy tava em primeiro lugar, mas todo mundo que votou no Suplicy para tirar o Major Olímpio, que estava em terceiro, todo mundo votou no Suplicy, votou também na Mara Gabrilli para tirar um terceiro, fez um voto útil.

O Suplicy ficou de fora, entrou o Major Olímpio e a Mara Gabrilli. Mesma coisa com a Dilma em Minas Gerais. Acontece isso toda vez que tem dois votos que é um candidato de centro que ganha simpatia da esquerda para tirar a extrema-direita, acaba tirando o candidato de esquerda. Isso pode acontecer no Rio de Janeiro com Benedita e Pedro Paulo. Você quer votar na Benedita, né? Maravilhosa, eu vou votar nela, ela tá em primeiro. O Pedro Paulo tá ali em segundo, empatado com Crivella.

Que que você pensa? Eu vou votar no Pedro Paulo para tirar o Crivella. Então vou botar Benedita e Pedro Paulo. Que que vai acontecer na prática? Prática, o Pedro Paulo tá pedindo voto para Benedita e para o Crivella, tá? Isso é um fato, ele tá saindo com os dois. Ele vai ganhar voto da Benedita, do Crivella, ele vai estar em primeiro, Crivella em segundo, Benedita em terceiro. Os eleitores da Benedita vão ter tirado a Benedita.

Por isso é importante não lembrar que não tem voto útil no Senado, não existe isso. Vota o seu segundo voto, vota em quem você acredita de verdade, em quem não te incomodaria se um tirasse o outro. Por isso, no Rio, por exemplo, eu vou votar, obviamente, votar na Bené e na Mônica Benício, maravilhosa, que está lá. São, tem duas grandes candidatas no Rio. São Paulo também, você ter a Marina e a Simone Tebet, duas candidatas que estão comprometidas com o governo, que alguma ala esquerda.

Em Minas Gerais você vai ter a Marília e a Áurea Carolina. E tem gente querendo votar, gente de esquerda querendo votar no Aécio, e estão falando uma chapa Marilécio. Isso tá existindo em Minas Gerais. Isso, tá? E olha, parece que tem gente da campanha de Marília fazendo essa sacanagem de Marilécio. Vamos fazer uma campanha aqui porque o Malécio também vai dar voto para gente. Não vai, não caiam de novo nessa pegadinha.

AOAlessandra Orofino

Porque as pessoas estão discutindo campanha para o Senado agora, mas a gente vai fazer um episódio do Calma Urgente só sobre Senado e a gente vai se debruçar sobre a corrida para o Senado em alguns estados-chave, tá?

GDGregório Duvivier

Então a gente vai falar disso já, tá, gente? Pelo amor de Deus, não vamos, não vamos repetir o mesmo erro.

BTBruno Torturra

E votar no Aécio, vamos combinar combinadinho, e votar no Aécio é tipo votar no Pedro Paulo, né, gente? Vamos lembrar que o Pedro Paulo agrediu mulher, né, gente? Vamos fingir que isso não aconteceu. Ter que lembrar isso, fingir que isso não aconteceu, né? Tem certos limites na real política. Você precisa ter algum tipo de corte ético para, enfim, tipo, é dito isso, vou ter a sorte de votar na Marina e na Simone Tebet, que a Simone Tebet também não é a minha candidata dos sonhos, mas estamos aí.

Simone Tebet, valeu! E spoiler para a Lê e para o Greg também: fechei hoje uma entrevista com a Marina Silva no sábado.

GDGregório Duvivier

Maravilhosa!

AOAlessandra Orofino

Aqui no Calma Urgente vai ter Marina.

BTBruno Torturra

Vocês estão convidados também.

GDGregório Duvivier

Então é isso, maravilhosa! Vocês querem indicar algum livro?

AOAlessandra Orofino

Acabou já? Eu, antes de acabar, minha última coisa que eu vou dizer é só retomar aqui para a gente deixar organizado, que se organizar direitinho Tadinho, a gente não perde. E para deixar organizado, só, né, acho que o resumo da nossa ópera aqui, gente, é esse escândalo do STF, ele, ele só vai emanar podridão e tristeza e não vai resultar em nada de muito produtivo para essa eleição. De verdade, a gente precisa virar a chave. A gente já falou um pouco sobre isso ontem e a gente precisa entender como que o lado de lá tá se movimentando, como que o Flávio tá se movimentando, para a gente poder também entender como é que a gente se movimenta do lado se dedicar.

Isso independe da campanha, isso é a gente, é um movimento nosso, é um movimento cívico. A gente ainda tem esses indecisos, a gente precisa falar com eles e sobretudo com elas. E aí vamos repetir, essas mulheres que estão indecisas não vão se convencer com palavra de ordem, mas isso não quer dizer que a gente precisa estar plácido, apático. Tá todo mundo sofrendo, tem sofrimentos reais, e não, e não se conectar com esse sofrimento, além de muito estranho para pessoas que dizem querer, né, defender aqueles que sofrem, é também pouco estratégico nesse momento.

Então é se conectar com esses sofrimentos, mas lembrar que o Flávio é um sonso, que essa história dele de, ah, eu vou voltar com a esperança, ele é filho de um sujeito que deixou o país quebrado, 700 mil pessoas mortas, que não conseguiu cuidar da gente no momento em que a gente precisava de cuidado. Essa pose de bom moço, de, ai meu Deus, as famílias estão endividadas. Ai, meu Deus! Quando que Flávio Bolsonaro se preocupou com alguma família que não fosse a dele?

E a gente tem que chamar ele disso, de sonso, de fraco, porque é isso que ele é. Ele é um ratinho, ele é pequenininho, ele não tem nem tamanho, ele não tem nem estatura. Aliás, eu acho que ele fez algum filtro de ar para ficar maior no vídeo, porque acho que ele sabe que ele é muito pequeno, ele fica meio Robocop assim. Mas em todo caso, é a gente lembrar de conversar nesse tom e desse perfeito. E lembrar que tem muita coisa para falar dessa família.

Eles deram muito material ao longo de muito tempo. A gente disse que, né, que a gente estreia um dos episódios do Revelando hoje sobre eugenia, e que fala um pouco da história da família com, com uma fixação com controle de natalidade, sobretudo controle de natalidade de mulheres mais pobres. Mas a gente vai falar de Lagoinha e Banco Master na semana que vem. A gente vai falar da PEC das Praias, a gente vai falar de escala 6 por 1 e dessa cruzada anti- trabalhador, né, que obviamente não se resume à família Bolsonaro, mas que é histórica no Brasil, e eles são o último capítulo dessa cruzada.

Então a gente vai ter bastante material interessante, de interesse público, que a gente vai soltar nas próximas semanas. E de novo, não esperem da gente produção de material de campanha, não é nosso papel, e a gente nem poderia. A nossa contribuição aqui, além dessa análise que a gente traz de forma muito sem filtro, né, como vocês podem ver, e que a gente dá de fato a nossa posição política, porque não faz sentido esconder isso, mas a nossa contribuição também é subsidiar vocês com material de relevância jornalística. E é isso que a gente vai continuar fazendo. Vai lá, Greg.

GDGregório Duvivier

Perfeito. Bom, vou indicar aqui um livro que chegou. Eu fico muito feliz que ele tenha finalmente saído, porque é um livro que eu esperava muito tempo, que é o livro O Tesoureiro, do Chico Sá. Chico Sá, escritor espetacular, que talvez os jovens conheçam como cronista, cronista esportivo, cronista romântico, amoroso. Hoje apresentador do do PL, cara que escreve lindamente, muito também engajado na política, mas ele era um grande jornalista investigativo.

E foi ele, foi o Chico Sá, que descobriu o paradeiro do PC Farias. E ele conta essa história aqui, finalmente, uma grande história, história maravilhosa, esse, ele com essa fuga do PC, no qual ele encontra, e é o coração, né, do coração financeiro do governo Collor. E é uma história incrível, escrita, narrada lindamente por esse grande prosador que é o Chico Sá, porque ele além de ser um grande jornalista, ele é também um grande prosador, né?

O cara escreve como Garrincha dribla, assim, tem uma prosa gostosa de ler, típica, uma prosa com um estilo muito característico, com algum humor e muita poesia. É um cara espetacular, eu adoro o Chico Sá, saudade dele, e fico feliz que ele tenha publicado esse livro, esse documento aí que fala muito sobre os anos Collor, mas também fala muito, obviamente, sobre hoje em dia. Então tem tudo a ver em alguma medida com o momento atual.

É até meio aflitivo você ver como o Brasil, ele é cíclico. Até porque o PC morreu, mas o Collor tá aí, né? Collor é senador pelo Alagoas. A gente esquece disso, mas tá aí.

BTBruno Torturra

E o Zé, que é o outro tesoureiro, e por aí vai.

GDGregório Duvivier

E o Renan tá aí. E o Renan inclusive mudou de lado, hoje em dia tá assim compartilha, mas é o mesmo Yananda dessa época aqui.

BTBruno Torturra

Enfim, Roberto Jefferson.

GDGregório Duvivier

Pois é, Roberto Jefferson.

BTBruno Torturra

Bom, beijo para o Chico, amigão meu de noites e noites e noites em São Paulo nos anos, né, 20 anos atrás. Saudade dele. Eu vou recomendar o que a gente vai ler junto no Clube de Cultura do Calma Urgente no mês de eleição, no mês do segundo noturno, que é um livro que o Greg e a Alessandra recomendam há muito tempo. Eu nunca li e tô lendo agora, Não Pense Num Elefante, que tem muito a ver com esse chamado que a Alessandra fez no final aí da gente saber conversar, identificar qual é a mensagem, pensar na linguagem certa, colocar no frame que nos favorece, forçar os nossos adversários até a conversa que a gente tá oferecendo.

E é até uma pena que a gente não leu esse livro um pouco antes, né, porque acho que ele é particularmente útil para o mês que a gente tá. Então eu recomendo, é um livro recém-lançado pela Fósforo, do Jorge Lakoff, e a gente vai ler junto no Clube de Cultura do Calma Urgente a partir daqui a duas semanas, se eu não me engano.

AOAlessandra Orofino

É isso, pessoal, boa noite! Vou voltar aqui para minha tempestade, ainda bem que eu consegui ficar.

GDGregório Duvivier

E eu para mim, boa noite a todos. Força, firmeza, viu? Esperança na ação. Vamos lá, otimismo da vontade e pessimismo da razão. Vamos juntos, seguiremos, atravessaremos mais uma semana.

BTBruno Torturra

A gente se vê semana que vem. Muda o assunto, chega desse teste.

GDGregório Duvivier

Semana que vem morreu, tá? Morreu, morreu.

AOAlessandra Orofino

Tchau, pessoal!

BTBruno Torturra

Pedimos vista.

GDGregório Duvivier

Calma Urgente pediu vista.

AOAlessandra Orofino

A gente só fala desse assunto daqui a 90 dias. Eu te amo, pessoal! O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes.

Na identidade visual, Pedro Inoue. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.

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