As Instituições Estão Disfuncionando
O palanque de Mendonça. PF, STF, PGR, AGU e as legendas em disputa nessas eleições.
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela BrandesIdentidade visual, Pedro Inoue
- Afastamento do diretor-geral da Polícia Federal por André MendonçaAndré Mendonça·Polícia Federal·André Augusto Passos Rodrigues·Supremo Tribunal Federal·Partido Novo
- Implicações do caso Banco Master e Daniel Vorcaro na política brasileiraDaniel Vorcaro·Banco Master·Flávio Bolsonaro·Jair Bolsonaro·André Mendonça
- A postura do presidente Lula diante da crise institucional e eleitoralLula·Eleições·Supremo Tribunal Federal·André Mendonça
- O desespero com a possibilidade de vitória da extrema-direita e suas consequênciasFlávio Bolsonaro·Donald Trump·Meio ambiente·Amazônia
- Apatia social e exaustão cultural no período eleitoral brasileiroReconfiguração das plataformas digitais·Polarização política·Eleições
- A necessidade de transparência e o fim do sigilo no caso Banco MasterBanco Master·André Mendonça·Lula·Flávio Bolsonaro
Salve, salve, eleitoras e eleitores, espectadores e espectadoras do Calma Urgente. Aqui é Bruno Torturra. Estamos ao vivo, ao vivaço, em um plantão do Calma, um Calma Urgente urgente, porque estamos em período eleitoral e tá difícil manter a calma pra esperar o próximo episódio de Calma na segunda-feira. Então estamos aqui, Alessandra Ourofino e eu, O nosso público aqui intuitivamente já sabe da grande realidade: Greg está atrasado. O pessoal já conhece o nosso elenco de outros tempos.
Já tá no chat: eles estão atrasados é por causa do Greg.
É, mas como é ao vivaço hoje, a gente tá aqui. Se Greg— espero que ele apareça. Se ele aparecer, a gente inclui na nossa conversa. Se é que dá para chamar de conversa, né, Alessandra? Desabafo.
Olha, tem umas informações quentíssimas aqui de Luiza Miguez que Greg está entrando nesse exato momento, ele está entrando. Então é isso, ele vai pegar o desabafo andando, mas pelo menos vai estar no início. A gente podia aproveitar esses minutos antes dele chegar para falar mal dele, fazer umas fofocas assim totalmente sem consequência para o futuro da nação, dado que o resto desse programa será sobre o futuro da nação. Era um bom momento, Bruno.
Era um bom momento.
Não, eu assim, gente, a gente gravou—
falar mal dele?
Não, não vou falar mal do Greg não, vou só contar para vocês aqui o nosso bastidor, que a gente conversou hoje de manhã e a gente disse, bom, não vai dar para esperar semana que vem, vamos ter que fazer outro. Tínhamos feito um na sexta, quer dizer, vandalizamos a nossa própria agenda. A gente sempre grava na segunda-feira direitinho, bonitinho, organizado, Luísa pura, nossa equipe tá a postos, todo mundo, né? Sendo respeitado no ambiente de trabalho.
E aí chega uma eleição e acaba, o povo tem que trabalhar no feriado, acaba 5 por 2, entendeu? A gente aqui defendendo, defendendo o fim das 6 por 1 e a gente tá trabalhando em regime de 7 por 0. Tá errado isso aí, vai dar problema. Mas a gente não conseguiu esperar e acho que porque o desespero ele tá, ele tá contagiante. Mas a gente vai falar disso também, a gente não pode se deixar tomar pelo desespero. Não sei se o Bruno é a melhor companhia para ter esse tipo de conversa, mas é importante.
Mas eu não sei se você reparou, eu não sou desesperado. E essa é a vantagem de ser pessimista há mais tempo, porque você não toma susto, você não tava esperando.
Você não—
é verdade, o otimista, ele é, ele é a mãe, ele é o pai da frustração, assim, né? O otimismo, ele, ele é a estrutura da raiva, da frustração, do desespero, decepção e tudo mais. A gente sempre achou que nunca ia ser uma eleição fácil, né? A gente sempre duvidou de quem achava que o Flávio não tinha a menor chance, como o Kassab, por exemplo. Mas o que me surpreende, aí sim me surpreende e já me encaminha para um certo desespero quase, é eu não esperava tamanha apatia social diante de uma eleição tão consequente como essa.
É impressionante. Eu tenho algumas teorias a que isso pode se dever assim. Acho que uma delas é a reconfiguração das plataformas e dos nossos hábitos digitais. Eu acho que tem a ver. Campanha, eu acho que não cabe muito na lógica de Reels. E ao mesmo tempo tem um cansaço das outras, das outras formas de comunicação digital que definiram de alguma maneira a pauta e a cabeça das pessoas. Mas tem uma exaustão cultural mesmo, e que tá estranhamente no nosso próprio campo, né?
E antes de entrar no nosso assunto de hoje, que é o plantão Polícia Federal e STF, tem um comentário que fizeram É, aliás, Alessandra, a gente nunca mais fez o Calma Urgente, né? A gente fez uma vez, nunca mais fez.
A gente disse que a gente ia fazer toda vez e aí a gente descumpriu a nossa promessa imediatamente, que era comentar os comentários.
Mas tem um comentário que fizeram, que um comentário nos xingando, xingando bastante a gente em algum episódio que a gente fez críticas à campanha do Lula. Se eu não me engano, no episódio que a gente falou sobre o clipe que a Janja fez, como é que a gente fez uma análise crítica sobre a proposta da campanha como um todo. E um dos comentários era assim: que sorte a nossa que a gente não precisa de É Vocês para ganhar a eleição, a gente só precisa do Lula.
Esse comentário me marcou muito, assim, até repeti essa frase no último episódio, mas que eu acho que tem um pouco esse clima generalizado na campanha civil. É como se assim, deixa que o Lula ganha. E é muito doido isso, cara, porque não foi assim que ele ganhou em 22, né?
Exatamente, ele ganhou em 22 graças a uma coalizão muito ampla, né, com apoio inclusive do voto crítico, enfim, de todo mundo.
É, não, segue, sei lá, a gente tá aqui para falar de outra coisa hoje. A gente não tá para fora.
Mas eu acho que começar falando da apatia do nosso campo, as duas coisas têm relação, né? A gente vai comentar o afastamento do Andrei da Polícia Federal, a gente vai falar da crise instalada no Supremo Tribunal e o que isso quer dizer, a gente vai falar das últimas pesquisas também que têm contribuído para que as pessoas fiquem um pouco mais preocupadas com o resultado da eleição. Mas eu acho que é um bom lugar para se começar falando da apatia do nosso campo, porque essas coisas estão relacionadas, até a nossa maneira de lidar com as novas informações e com os desdobramentos, ela tá diferente.
A gente tá indo, o meu sentimento, né, indo de um absoluto imobilismo para um desespero que também é imobilizante, né. Então é muito doido como rapidamente a energia ela passa de um já ganhou para um já perdeu, sem parar, vamos tentar, sem passar pelo vamos tentar. É, sem passar pelo vamos tentar.
Mas antes de ser uma crítica ou uma coisa, ah, ninguém faz, ninguém faz nada, porque, né, assim, eu não acho que as pessoas estão numa apatia cômoda, não tem nada a ver com comodismo, tem uma falta de, tem uma falta de clareza do que tem para ser feito, do que fazer, porque de alguma maneira durante muitos anos a gente foi realmente condicionado a se posicionar, a política a se posicionar basicamente por vias digitais e basicamente por plataformas.
E esse lugar tá totalmente desorganizado, algoritmizado de um jeito imóvel, não tem clareza, não tem um chamado da própria campanha ou de movimentos de como acessar a sociedade, criar argumentos e materiais. Mas eu acho que tem uma outra, uma outra questão aí que eu acho que cristalizou nesse ano. A gente fez o programa de calcificação, né, a gente falou muito sobre essa, sobre o desdobramento e o aprofundamento da polarização.
Mas cada vez mais eu tenho achado que a gente tá meio internalizando já o fato de que a gente vive realidades muito separadas, eu acho. Sociais assim. Eu acho que deu uma fragmentada e uma atomizada em grandes grupos que se organizam por autoidentidade política, que vão compartilhar de um mesmo senso de léxico, que falam palavras parecidas, que tem as mesmas palavras de ordem e que consomem um código estético e cultural semelhante e tudo mais.
E todo mundo sabe que o eleitor que tem que ser conquistado ou tem que mudar de opinião, ele não tá nesse nosso universo comunicacional. A gente parece que não tem contato mais, porque dissolveu de algum jeito uma monocultura, um espaço comum de campanha mínima que tem para ser feito. Então acho que tem um certo, uma certa apatia também por falta de Não sei explicar isso bem, por falta de caminho mesmo. A gente não sabe o que fazer quando abre a porta, sabe?
É esse universo de calcificação das posições políticas e sobretudo das identidades políticas, relativamente novo no Brasil, né? Outras culturas políticas lidam com a polarização extrema, etc., há mais tempo, e no Brasil isso é novo. Relativamente novo. E isso cria uma sensação muito estranha de estar assistindo ao jogo de futebol, né? De que a campanha, ela não é mais um momento de conversar com os seus, de falar com a família, de você ser um ator político, e sim um espectador da política.
Porque você não tem o que fazer, essas pessoas já estão colocadas nos seus campos, a gente fica muito mais espectador. Craig, você chegou, seja bem-vindo!
Oiê, obrigado, gente! Estamos aqui.
Enquanto você não chegava, a gente não quis comentar, né, sobre a Polícia Federal, Federal e o Supremo, porque a gente sabe que você é um expert nesses dois assuntos e você vai ter todas as respostas e todos os caminhos para o futuro do Brasil. Você vai apontar para gente a luz no fim do túnel.
É o cara que tem fontes no Supremo, fontes quentíssimas, fontes na Polícia Federal.
Você vai resolver esse rolo aí para gente, Gregório.
Puxa os seus arcos, Greg, puxa os seus arcos.
Falando só de apatia do nosso campo e com vontade de todo mundo É cavar um buraco e ir embora, que inclusive foi o que você perigou fazer nessa noite de terça-feira. Quase desistiu da gente, provavelmente porque você não aguenta mais. Ninguém aguenta mais.
Eu tô com ódio.
O que que você tá sentindo, Greg?
Eu tô sentindo um pouco de ódio até de vocês, sabe por quê? Vocês estavam certos. Não, eu tô de verdade, gente, assim, no nosso grupo, para vocês terem uma ideia, eu tô um tempo falando assim, gente, Pelo amor de Deus, eu acho que eu não cheguei a falar a frase já ganhou, que ela seria muito clichê.
Mas você falava que o Flávio não tinha chance.
O Flávio não tinha chance porque ele é o pior candidato que a extrema-direita poderia ter, na minha opinião. E mais, o Lula tá lidando com um céu de brigadeiro assim econômica. Essa é a verdade, que ele tá com deflação de alimento e tá com pleno emprego. Quando na história que o presidente não se reelegeu dessa maneira? Pronto, deflação de preço de alimento, tá? Inflação mais controlada, com emprego perto do pleno, desemprego a quase zero.
Como é que a pessoa não vai se reeleger, gente? Esse era o meu argumento. E vocês falando assim, é a estupidez economista, é a estupidez. E aí, ou seja, minha raiva vem de vocês estarem certos. Vocês estavam certos. E eu já, eu sou essa pessoa que a Alessandra descreveu, que passou do já ganhou para o já perdeu. Eu tô completamente desesperado. Hoje foi o dia que realmente caiu a ficha de que, amigo, eles estão conseguindo dominar a narrativa, estão conseguindo tocar o caos, estão conseguindo destruir o Supremo por dentro.
Não precisou de um cabo, de um soldado, bastou um pastor. Essa frase não é minha não, frase é do Paulo Motorim, que tá arrasando, que deu essa síntese, né? É um pastor que tá acabando, fazendo aquele papel que basta um cabo, um soldado para terminar com o Supremo. Ele está conseguindo implodir o Supremo por dentro. Claro que o Supremo ajudou, isso é importante falar também, não é?
Não é que ele não tá explodindo uma bomba em uma creche, não é exatamente terrorismo.
Ele não entrou num convento, não é? Vamos dizer assim, e descobriu que não, aquilo ali já era uma, umas, eu ia falar uma vila mimosa, mas isso é um desrespeito com as trabalhadoras lá. Já era assim, totalmente, era, era, já era. Na verdade, é o mais parecido, é mesmo uma guerra de facções, né, que tem ali dentro há um tempo já. É a mistura do mal com caso com psicopatia. A gente vê já o Supremo como um ninho de cobras há muito tempo.
E entrou uma nova facção graças a Bolsonaro, que são, é o CV que estão chamando, que é o Crentes com Vorcaro, que é essa, essa junção, essa joint venture da teocracia com o vorcaro, com banqueiros. Assim, é algo que vem junto, tá? E ainda tem junto uma ala do PT. Vamos ser sinceros que o AGU, e isso daí me deixa mais confuso, Aparentemente o Bessias, que é o candidato que o Lula queria botar para o Supremo, tá próximo do André Mendonça, que o cara tá implodindo.
Já desde a Sabatina, né? Já desde a Sabatina. Eu acho que antes de explicar isso, vamos, vamos, já que entramos agora no assunto, vamos só dar o serviço, não, né, para quem tiver morando dentro de uma caverna, tiver passado as últimas horas, sei lá, num voo muito longo e tiver chegado agora e pegado a conversa no meio, né? Então hoje o André Mendonça sozinho afastou o diretor-geral da Polícia Federal. E quem nomeia e quem demite, né, prerrogativa constitucional, o diretor-geral da PF é o presidente da República.
O André Mendonça tomou essa decisão e ela não levou, ele não levou essa decisão ao plenário do Supremo. Ele tomou uma decisão individual a pedido de um partido político, o que também é muito importante. Então, a pedido do Partido Novo, a menos de um mês da eleição presidencial, né, como sabemos. Então, isso nunca tinha acontecido na história do país, é um fato inédito e é um fato muito consequente. O policial em questão é o André Augusto Passos Rodrigues, que comanda a PF desde janeiro de 23.
E junto com ele foi afastado também o diretor de inteligência da PF, que é o Leandro Almada. Esse afastamento é preventivo, ele vale por até 90 dias, mas o fato é que ele vai valer durante todo o período eleitoral, né? Então ele vai atravessar a eleição inteira se nada for feito. E aí o André Mendonça, ele apoia essa decisão. Em uma série de argumentos, mas o principal é que a PF produziu nos últimos 30 dias, entre 3 e 31 de agosto, uma série de relatórios, 6 relatórios para ser mais específica, sobre ele próprio, sobre ele, André Mendonça, enquanto ele relatava o caso do Banco Meister.
Então ele basicamente escreve, abre aspas, ao menos há mais de 30 dias esse relator, esse relator é o André Mendonça, tem sido monitorado pela Polícia Federal. E aí ele faz uma comparação com George Orwell, com 1984. Ele diz que ele está vivendo um estado de exceção. E ele chama o monitoramento da PF de arapongagem institucional. Isso também são palavras dele, né? Então ele afasta os dois. E além de afastar o Andrei e o Almada, ele também manda a Corregedoria da Polícia Federal abrir uma apuração penal e disciplinar contra os dois.
E ele suspende, isso é bastante importante, a produção de relatórios de inteligência sobre atos de juízes da advocacia pública e da polícia judiciária. Então, basicamente, ele impede a Polícia Federal de elaborar relatórios de inteligência sobre esses altos membros do alto escalão do Judiciário.
É uma autoblindagem muito forte também, né, de algum jeito.
E o que que o Partido Novo tem a ver com isso? O Partido Novo fez o requerimento de afastamento dos dois, né? Foi uma petição que foi entregue para o André Mendonça no dia 2 de setembro, que foi no dia seguinte do Partido Novo ter pedido a prisão preventiva do Andrei, o que o Mendonça negou. Não teve nenhuma manifestação prévia da procuradora, da PGR, né, da Procuradoria-Geral da República, o que também é meio anômalo assim no processo. E é isso, basicamente.
O Andrei, vale lembrar quem é o Andrei.
Eu acho que vale a pena lembrar quem é o Andrei.
Vai lembrar que o Andrei não é qualquer diretor da Polícia Federal, tá? Ele é o cara que tá por trás de, vamos dizer, não sei por onde começar, o próprio caso Vôrcaro. Ele é o cara que prendeu o Vôrcaro.
Sim, literalmente.
Ele é o cara que chegou mais perto de elucidar o caso Marielle Franco, não foi?
Sobre, e não só isso, né? Acho que, e acho que para a situação de projeto de poder mesmo, talvez a coisa mais relevante é que o Andrei, novamente indicação do Flávio Dino enquanto ministro da Justiça, e foi o cara que fez uma investigação expressa da tentativa de golpe do 8 de janeiro. Ele foi o cara que indiciou geral que junto com a PGR indiciou geral os conspiradores do 8 de janeiro. Então, se o Alexandre de Moraes era o juiz que ficou com o protagonismo e a PGR foi que fez as denúncias oficiais, o policial que investigou oficialmente foi o André, o cara que tava à frente dessas investigações.
Então são 3 pilares super importantes, mas sem esquecer que a investigação dos golpistas Tá na mesma, no mesmo sistema solar que mandou o Bolsonaro para cadeia. Então é tudo isso que o Mendonça, não só como indicado do Bolsonaro, mas como juiz do Supremo, foi um dos votos dissidentes que queria inocentar golpista. Então vamos lembrar que tem esse, tem isso no currículo também.
É muito surreal isso, cara. É realmente muito descarado mesmo você prender o CC. Afastar o Andrei. É realmente um, é melar o jogo, é pegar o jogo tabuleiro, jogar para o alto. É um golpe mesmo, não tem outra palavra. E é muito louco. O que que tem contra o Andrei? É bom falar assim, o que que tem? Você tem uma mensagem dizendo que vão pressionar o Andrei, tomar aquele, se sensibilize. Tem esse tipo de mensagem, não tem? Mas não tem nada nem do próprio Andrei, nem você tem qualquer recebimento de dinheiro como teve, por exemplo, o próprio André Mendonça no instituto dele, no ITER, que esse sim recebeu alguns milhões de vários, inclusive vários prefeitos e governadores bolsonaristas apenas, curiosamente, deram dinheiro aí sim para o Instituto do André Mendonça.
O Andrei tem algum recebimento de algum dinheiro de Vorcaro? Tem algo nesse sentido justificasse isso? Não, né?
Não, ele tem. A coisa mais, enfim, mais problemática que existe em relação ao Andrei na relação com Vorcaro é a ida do Andrei a um fórum jurídico em Londres em abril de 2024 E de novo, a cronologia importa. Abril de 2024 é pré-matéria da Piauí. Então o Banco Meister já era, já cheirava mal assim para os entendidos, mas é antes, né, desse indiciamento público do Vorcaro. E ele vai a esse fórum jurídico em Londres com, segundo a Polícia Federal, com passagem, hospedagem paga por um grupo ligado ao Vorcaro, né.
Os organizadores, basicamente os organizadores pagaram hospedagem, alimentação, transporte, não só para ele, mas para todos os participantes, ele não recebeu cachê, mas ele tava lá. E numa das noites, claro, não era para ter ido. E numa das noites desse evento teve a tal da degustação de uísque orçada em milhares de dólares. Agora, a questão desse evento é que além do Andrei estavam lá também o Alexandre de Moraes, o Dias Toffoli, o Paulo Gonê, o Ricardo Lewandowski, Hugo Mota.
Então assim, esse evento sozinho, se a gente fosse afastar todas as pessoas além do Andrei Todas as pessoas presentes nesse evento fossem ser subitamente afastadas de seus cargos, eu estaria achando bastante positivo. Acho que seria ótimo para o país. No entanto, não é isso que aconteceu. E também é importante, Greg, lembrar que a justificativa que o Mendonça dá para afastar o Andrei não tem absolutamente nada a ver com o Vorcaro.
Não é sobre o Máster. Ele apoia a decisão, não na saída nesse evento, até porque é isso, se ele fosse fazer isso, o buraco seria um pouco mais embaixo. E evidentemente essa é uma situação ruim, não era para ter nesse evento. Inclusive essa relação promíscua entre políticos e empresários em eventos pelo mundo, eu acho ela absurda, assim como acho absurda a relação promíscua de médico com laboratório, entendeu? Bancando o Congresso.
A gente realmente tem que desnaturalizar essa situação. Mas em todo caso, não tem nenhuma, não tem nenhum batom na cueca, não tem o Andrei mandando áudio para o Vôrcaro chamando ele de irmão e pedindo milhões de reais para um fundo patrimonial da família, supostamente para fazer um filme.
Nem frequenta na mesma igreja.
Não, muito menos. Então é outra história. Mas de qualquer forma, Mendonça, ele apoia a decisão dele hoje de afastar o Andrei nesse monitoramento que ele próprio, Mendonça, estaria sofrendo há um mês por parte da Polícia Federal. Basicamente o que ele tá dizendo é que o Andrei tá fazendo jogo do Alexandre de Moraes e que ele, Mendonça, tá sendo perseguido pela Polícia Federal. É isso que ele tá É isso que ele tá alegando, né? Então não tem absolutamente nada a ver com— e aí as mensagens recuperadas no celular do Vôrcaro, tem 3 mensagens que citam o Andrei, mas é sempre o Vôrcaro falando do Andrei para terceiros, nunca com o Andrei, não é?
Não tem nenhum indício de que havia qualquer tipo de comunicação entre os dois, tá? Então, por exemplo, o Vôrcaro pergunta para o Moraes A gente não consegue reverter isso com o Andrei? Que é isso, né? O escândalo dessa interação está na interação do Moraes com o Evorcato. É o Evorcato investigado para ser preso perguntando para o juiz do Supremo se ele consegue fazer alguma coisa em relação à atuação da Polícia Federal.
E mesmo que não tivesse resposta, se tivesse algum indício de que o Andrei tivesse aliviado para o Evorcato nos meses que importam, poderia ser mais suspeito. Não existe sim, isso também.
Vamos lembrar que ele foi o cara que prendeu o Vôrcaro, né? Então assim, não faz o menor sentido achar que ele foi comprado pelo Vôrcaro. Se foi, não valeu a pena.
Enfim, novamente, não foi por isso que ele foi, não foi por isso que ele foi afastado.
Ele foi afastado, nem tem Vôrcaro no meio dessa história. Olha que loucura isso. Segundo o ministro, teria havido superlativa gravidade e ilicitude por parte do Andrei na produção dos relatórios de inteligência publicitários pelo ministro Alexandre de Moraes. Ou seja, ele tá sendo afastado basicamente porque ele indiciou bolsonaristas. Foi isso?
Ele nem chegou a indiciar. Ele tá sendo afastado basicamente porque ele monitorou, produziu relatório de inteligência sobre o André Mendonça. E o que o André Mendonça tá falando é: isso é uma forma de me pressionar, e o juiz do Supremo não deveria ser objeto dessa investigação, ela é ilegal. E assim por diante.
Mas vamos falar do elefante na sala aqui, né? Que tudo isso ia ser muito atípico, já seria muito grave de não levar isso a plenário, tudo mais. Mas novamente, a gente tá fazendo plantão hoje não porque teve um escândalo na Polícia Federal e no Supremo, mas porque estamos em período, estamos em período eleitoral indo para reta final, né? Então, e E é aí que eu acho que o Mendonça, para quem tinha alguma dúvida do jogo que ele tava fazendo na semana passada, né, dos vazamentos, do tipo de coisa que ele provocou na semana passada, eu acho que fica muito claro qual é o jogo do Mendonça aqui, né, qual é o grupo político que ele faz parte, qual grupo político indicou ele e qual projeto ele tá representando em uma— e é novamente, tudo isso é mais do que atípico, tipo beira o crime eleitoral, a intervenção e a incidência em uma eleição altamente inflamada, altamente consequente, que novamente polui, polui o verdadeiro escândalo que tá acontecendo, que é correr o risco de meter o irmãozão do Vôrcaro na presidência se a gente não conseguir devolver essa história para o lugar dela.
Qual é a história que importa nas próximas 3 semanas? E é tudo que o Alexandre de Moraes, que o Mendonça, que o escândalo do STF não permite que a gente faça, né? E põe no STF que justiça seja feita, né? Assim, é o— foi o órgão que impediu o bolsonarismo de dar um golpe. Mas o corolário disso é que o bolsonarismo ensinou para sua base que o STF não tinha moral, que era corrupto, que era autoritário, que era uma ditadura que acontecia lá.
Esse é o escândalo. O escândalo é não falar do Flávio. O escândalo é que o Flávio não é citado na manchete de nenhum jornal mais, a não ser na hora em que ele hoje numericamente passou do Lula no segundo turno em uma pesquisa.
É, vamos chegar já na pesquisa, inclusive. Mas eu concordo, Bruno, assim, a relevância dessa história toda é o contexto eleitoral. E aí, para poder entender como que isso se insere no contexto eleitoral, a gente lembrou quem é o Andrei. Talvez vale lembrar, porque parece óbvio, né? Mas talvez vale lembrar quem é o André Mendonça. Então vamos lá, né? A maioria das pessoas vai lembrar do André Mendonça como ministro terrivelmente evangélico, porque foi assim que o Bolsonaro se referiu a ele quando ele tava ainda para ser confirmado pelo Senado.
Mas antes dele ser ministro do Supremo, o André Mendonça entrou nas nossas vidas em 2020, quando Sérgio Moro renunciou ao Ministério da Justiça no início da pandemia. Lembra? O Moro vem a público depois daquela reunião que foi vazada, ele vem a público e ele fala: eu tô renunciando ao Ministério da Justiça, eu superministro do Bolsonaro, porque o Bolsonaro quer interferir politicamente na Polícia Federal. E o Bolsonaro queria interferir politicamente na Polícia Federal para salvar a pele dos filhos dele e do filho, que agora quer ser presidente da República. 5 dias depois do Moro renunciar ao cargo, o André Mendonça assume o Ministério da Justiça.
Ou seja, se o Moro estava muito desconfortável com a tentativa de intervenção do Bolsonaro na Polícia Federal, o André Mendonça, ao que parece, não estava tão desconfortável assim, tanto que foi lá e assumiu o Ministério da Justiça e fez um discurso de posse histórico, que vale a pena agora, no meio dessa história, ir lá rever o discurso de posse do André Mendonça. Ele se se descreve como líder e também servo, né? E aí você pode interpretar isso como um servo de Deus ou servo do Bolsonaro, acho que é um pouco difícil de entender.
E ele diz para o presidente, né, para o Bolsonaro: Vossa Excelência tem sido há 30 anos um profeta no combate irrestrito à criminalidade. Então é nesse tipo, é esse tipo de submissão ao bolsonarismo que ele vai desenhar nesse discurso de posse no Ministério da Justiça. E depois, quando ele vai se referir ao próprio Ministério da Justiça, ele fala que— e a Presidência da República, ele vai falar, ele fala pro Bolsonaro: vamos fazer operações conjuntas, cobra de nós mais operações na Polícia Federal, Presidente da República.
Então ele coloca a Polícia Federal à disposição do Bolsonaro, no momento em que a crise era justamente intervenção da Presidência na Polícia Federal. Coisa que, né, com todas as críticas que os críticos ao Lula podem fazer a ele, especificamente o caso Lulinha, Isso o Lula não fez. Ele não está intervindo na Polícia Federal para salvar a pele do filho dele, não mesmo. Coisa que o Bolsonaro evidentemente escancaradamente fez, tão escancaradamente que o aliado Sérgio Moro saiu do Ministério da Justiça por causa disso. 6 anos depois disso, é esse homem, esse que assume Ministério da Justiça no meio dessa crise, que não tem problema com a intervenção, que vai afastar o diretor-geral da Polícia Federal por decisão monocrática própria.
Lembrando Rapidamente, ele saiu do cargo dele para ser o indicado do STF do Bolsonaro, atendendo uma pressão de Silas Malafaia, da própria esposa e de Damares. Então, fora essa questão de devoção ao próprio presidente, de colocar a Polícia Federal a serviço e tudo mais, ele é historicamente, degradamente não digo declaradamente, mas historicamente é o que se chama de teocrata brasileiro. Tem essa, tem, faz parte do grande projeto Silas Malafaia.
Mas ele sai para ser indicado para o STF e quem entra é o Anderson Torres, que teve que ser preso no 8 de janeiro, que foi preso pelo grupo do qual o Andrei faz parte. Então o que tá acontecendo é meio uma guerra política muito séria, é uma guerra política muito séria, nada republicana, nada republicana.
E tem um detalhe do currículo do André Mendonça que eu também acho que tem a ver com essa história, que é quando ele era ministro da Justiça, acho que ainda em 2020 ou 2021, a secretaria, uma das secretarias lá do Ministério da Justiça tinha produzido, vocês devem lembrar disso, um relatório de inteligência que tinha quase 600 servidores É tanto da área de segurança, tinha professores universitários identificados como antifascistas, e tinha nome, tinha perfil de rede social, em alguns casos tinha até endereço residencial.
Foi no meio dessa história inclusive que o meu endereço foi publicado, mas eu não morava mais lá. Tinha errado, foi um monitoramento grande que foi feito de cidadãos privados e servidores públicos de forma paralela, a tal da ABIN paralela. Isso foi sob a gestão do André Mendonça. E aí o caso veio a público, o André Mendonça acabou tendo que demitir o diretor de inteligência na época por pressão pública, e aí a Carmen Lúcia relatou uma ADPF basicamente para dizer que aqueles atos eram inconstitucionais e que você não podia usar a máquina do Estado para reunir informações sobre cidadãos privados simplesmente por causa da opinião política deles.
Ou seja, o fato de você ter uma pessoa que é contra a sua opinião política, opinião política do governo, não é em si razão para abrir um inquérito, começar a investigar e monitorar essa pessoa. Essa ADPF relatada pela Carmen Lúcia, que é a ADPF 722, é uma das bases legais que agora o Mendonça tá citando na decisão para afastar o Andrei. Então ele usa essa história para falar: agora eu vou tirar o Andrei porque o que o Andrei tá fazendo comigo, André Mendonça, é isso, ele tá no fundo me monitorando por causa da minha posição política.
O que evidentemente não é o caso, entendeu? André Mendonça tava lá fazendo terno com o Porcaro, não tava? Não é isso, né? Tem outras coisas que pesam sobre o André Mendonça que justificam algum tipo de monitoramento.
Por que que a gente não tá pedindo, todo mundo, a sociedade, o fim do sigilo do processo Banco Master? Por que que tá na mão do André Mendonça, sabe? Como é que pode que isso tá em sigilo ainda e ele vai ficar conta-gotas revelando só o que ele quer pelo próximo mês? É inacreditável, isso é inacreditável, cara.
É inacreditável. É a arma que esse cara tem, está nas mãos desse cara.
Porque obviamente ele tem nas mãos dele algo que derrubaria Flávio, no mínimo Flávio, né? Assim, se o que a gente tem foi o que vazou por acaso, um áudio tal, a gente vazou outro dia o Nicolas, uma coisa ou outra. Agora ainda mais, se a Polícia Federal não deve vazar nada, a gente vai ter vazamentos ultra seletivos. E a gente tem aí o Vocaro querendo delatar. Como é que vai ser aceito? Quem que vai aceitar essa delação? E o que é que querem que ele delate, né?
Então a gente tem um escândalo master, que é um escândalo bolsonarista, que implica diretamente o Flávio, implica diretamente o próprio Bolsonaro, que ganhou dinheiro de campanha do, do Vorcaro, implica toda a família Bolsonaro, o Tarcísio, implica a extrema-direita brasileira inteira, o Ciro Nogueira, que tem tatuado Vorcaro na testa. E quem tá com esse escândalo nas mãos, sentado em cima É o pastor terrivelmente evangélico, terrivelmente bolsonarista, que tem como missão ali dentro, claramente ele diz isso com toda clareza, né, uma missão teocrática mesmo de luta do sei lá o quê.
Ele fez um vídeo, vocês viram um vídeo que ele fez agradecendo: irmãos e irmãs, obrigado pelas orações, por eu estar defendendo Deus.
Assim, é um teocrata.
No STF.
É algo criminoso mesmo, tendo em vista legislação brasileira assim, que é laica. Não era para ele tá fazendo um vídeo agradecendo oração, por carinho de irmão, por ele ser representante de Deus. Que isso? Que Deus? Que oração? Tá maluco? Numa hora dessa, ainda por cima? Então assim, é uma missão que ele tá lá, e uma das missões é implodir o Supremo. Agora, o Lula, ele tá numa sinuca. Não sei se vocês concordam, porque esse não é o momento de defender instituição.
É, mas ao mesmo tempo é preciso defender as instituições, né? Porque a gente quer a implosão do Supremo agora. Agora vocês querem recomeçar do zero agora? O Supremo falar assim, então tchau, também não dá. É uma sinuca fodida.
Eu não acho que é hora de defender, eu não acho que é hora de defender instituição nenhuma, honestamente. Agora assim, só um dado disso que você colocou, Greg, para ouvir o seu comentário, ver o que que você acha. Aconteceu um episódio muito interessante hoje. Que o Lula postou. O Lula fez um post pistola, um post que eu adorei, se ele não tivesse apagado antes de eu saber o conteúdo dele. Porque ele postou e apagou o conteúdo do tweet dele.
O tweet dele foi o seguinte, deixa eu ler aqui o post que ele fez. Acho que foi no Instagram, no Twitter, não sei, mas tinha uma imagem do Evorcário, do Mendonça no meio e do Flávio, escrito urgente. E o texto é o seguinte: indicado por Bolsonaro, o juiz André Mendonça, ele disse, ele decidiu afastar o chefe da Polícia Federal que prendeu o Daniel Evorcário, o irmãozão de Flávio Bolsonaro.
Perfeito.
Perfeito, né, assim, como candidato Lula, né. Só que apagou-se depois, apagou, porque na avaliação de parte da campanha dele, e talvez dele como presidente mesmo, não é o caso de comprar a briga, é o caso de se manter afastado do Supremo, deixa o Supremo resolver e toca a própria campanha alheio a isso, ou seja, não se polarize junto com a guerra que tá estabelecida lá. Eu entendo essa posição, tá? Eu entendo essa posição, mas, cara, já era.
Não é a briga que você quis ter, é verdade, mas é a briga que tem. Porque se você se retirar disso achando que as pessoas vão prestar atenção, que vai ter espaço na imprensa para você falar de escala 6 por 1, de isenção de imposto a quem ganha R$5.000, você tá deixando a direita sozinha falando sobre o STF, sabe? E o Alexandre de Moraes sendo o porta-voz da instituição e não sei o quê, que o Lula já é associado. Então se o Lula não fala nada, me parece muito mais uma, meio que quase que uma indiretamente um atestado de culpa, que ele não quer encostar porque ele sabe que é perigoso, entendeu?
É tipo assim, ele tem que ir para cima, cara.
E tem que ir para cima, cara. Quem veio para cima foi o Mendonça, não foi o Lula.
E parece, o que parece é que ele arregou, ele peidou, ele não tem o que dizer, ele tem rabo preso.
Ele apagou o post.
Não pode. Como é que faz ele apagar um post?
Que é a pior coisa, porque ele já se posicionou na internet. Exatamente, já se posicionou, já tá na home do UOL.
Que vergonha! Não pode, cara.
O Mendonça já sabe que ele postou isso.
O que ele está vendo agora, eu acho que é realmente uma guerra de facções. Não é, a gente não defende, não acho que seja exatamente algo muito republicano desde o início, e que finalmente a gente tem, não é um golpe como por exemplo da Dilma, qual você tinha realmente uma corja de bandidos contra uma presidenta contra a qual nada tinha sido provado, não foi até hoje, não é isso. Você tem um presidente implicado, perdão, um juiz do Supremo implicado em alguma medida aparentemente no caso Vorcaro, e você tem outro juiz também implicado querendo, é uma guerra mesmo nesse sentido de fatores, como o pessoal brincou, que era o crente convorcado versus PCC, que era o primeiro comando do Careca.
Ficaram brincando disso, faz algum sentido essa piada. Não significa que o Supremo seja todos bandidos, não, mas ele falou que tem ali facções, tá? Isso, isso é verdade. O que que um presidente faz? A gente sabe no Rio de Janeiro que guerra de facção é uma coisa que empurra a população para direita. Guerra de facção só é boa para milícia no Rio de Janeiro, a gente sabe disso. A política fluminense, ela é fruto disso. Fruto de uma população cansada de uma guerra de facções, no qual o Estado é inexistente, e votando então contra tudo que está aí num bandido que promete que vai ter uma solução milagrosa.
E todos os governadores do Estado do Rio nos últimos 20 anos foram isso. Então o Flávio Bolsonaro sabe muito bem que uma situação de guerra de facções favorece a ele, favorece a um um sujeito sem preparo nenhum que vai dar soluções práticas, vai dizer que é contra tudo que isso que tá aí favorece a direita, basicamente. E porque ele não tem coragem, assim, ele é um cara que vai falar assim: eu sou novo, eu sou contra isso daí, tu, ah, o STF só tem bandido.
Enquanto isso, o Lula vem com uma voz da institucionalidade no momento como esse, ele quer se colar, ele quer colar a imagem dele a do Supremo no momento como esse. Pelo amor de Deus, não pode, cara.
É, mas só Mas só um, eu concordo, mas só um comentário importante de colocar, que você colocou nos termos de guerra de facção, e eu entendo, não tô tirando a razão, mas tem um risco de colocar nisso meio parecido com o do Mar de Lama, né, que quando você fala de guerra de facção fica criando uma certa equivalência entre os dois lados, que a coisa é meio fratricida, que tem aqui, tem bandido de todo lado. Uma, o Lula tá fora dessa.
O alvo do Mendonça, no final das contas, é muito mais o Lula do que o Moraes. É que o Moraes cai, se o Lula cair, o Moraes tá fodido. Mas não porque eles são associados, porque faz parte do mesmo plano de tomada de poder dentro do Supremo. Mas tem uma outra coisa super importante: o Moraes cometeu um ato extremamente antiético. Horrível conflito de interesse irresponsável. A gente já falou disso, não vou repetir aqui, mas é importante lembrar de uma coisa: um lado prendeu golpista, destruiu uma trama de, assim, destruição da República Brasileira, de golpe militar, entendeu?
E a outra facção é golpista. Tentou soltar a golpista e tá tentando até hoje de botar na rua o egopista-mor, o Jair Bolsonaro, de impulsar o filho do egopista-mor, o Flávio Bolsonaro, e de anistiar todo mundo que ainda tá preso, e de quebra mandar para casa o juiz que foi o responsável por prender o Bolsonaro. E o Andrei, que foi também responsável por isso, já foi afastado. Então é importante, na hora da gente narrar, mesmo nessa guerra de grupos políticos, que tem uma distinção muito profunda entre o que cada grupo político representa, mesmo que alguns elementos do outro grupo esteja cometendo atos ilícitos, como Alexandre de Moraes pode muito bem ter cometido.
Mas o ponto é que a gente tá esquecendo mesmo assim qual é o projeto que tá em curso no meio dessa treta, mais uma treta que ninguém aguenta mais, de corrupção, celular, divórcio caro, vazamento, Lula e tal. Então, para mim, o Lula não tinha que definir instituição nenhuma, nenhuma. Ele tem que gastar toda saliva dele ficando pistola e puxando Flávio para o meio do ringue o tempo todo. Irmãozão do Vorcário. E se tiver a chance, fala que o Mendonça é safado e é cúmplice junto, que foi o que ele tinha feito.
E para mim esse é o único caminho que o Lula tem, porque esse infelizmente não era o nosso plano.
Tô falando sério, cadê o Messias? Não era o trabalho dele agora defender o governo?
É, então agora é isso. O Messias tá numa situação curiosa nessa história, né? Porque ele é ao mesmo tempo a pessoa dentro, né, dentro do governo, que deveria defender o governo e defender justamente a prerrogativa do presidente da República de ser quem aponta e quem eventualmente pode demitir o diretor da PF. Mas o Messias também é citado justamente nesses relatórios da Polícia Federal que motivaram a decisão do André Mendonça.
Ele aparece, portanto, duas vezes. Ele é o AGU e ele é um dos alvos do tal do monitoramento, né? Então é uma posição estranha. E o Messias está próximo do André Mendonça desde abril, desde quando o Senado rejeitou a indicação dele para o Supremo, porque o André Mendonça tentou fazer com que o Messias fosse aceito, né? Inclusive porque eles compartilham a relação com as igrejas evangélicas. Então isso também foi parte do processo.
Parece que o Messias de fato tem uma dívida um pouco de gratidão com o André Mendonça, mas criou uma proximidade desde então. É uma posição estranha mesmo que o Messias tá. Enfim, mas o Messias, a gente já falou aqui algumas vezes dele nesse programa, né? Eu acho muito estranha a posição que ele ocupa de uma maneira geral. Acho péssima de ser o AGU, acho tudo péssimo. E tá aí agora a situação colocada. Mas sobre a questão que você trouxe, Greg, de tirar o sigilo, eu sinto que isso é uma É talvez o pedido mais interessante de se fazer agora e que poderia unir o eleitorado.
E que se o Lula inclusive encabeçasse esse pedido, ele colocaria o Flávio também numa armadilha, ele próprio, porque seria muito ruim o Flávio não endossar o pedido, né? Então a gente poderia sim ter uma situação em que o, em que o Fachin, por exemplo, poderia levar para o plenário do Supremo uma mudança regimental que basicamente diga que processos envolvendo citando algum ministro, ou quando o ministro é citado, eles precisam ser públicos.
É porque hoje é exatamente essa situação que a gente tem. Só quem pode tirar o sigilo do processo é o próprio André Mendonça. André Mendonça é citado. Então é uma situação extremamente estranha. Essa mudança regimental é alguma coisa que o Fachin poderia pautar e que o Lula poderia pedir. E a ideia de que o brasileiro não deveria ir às urnas daqui a um mês sem saber todos os detalhes do caso Maestra, ela faz muito sentido. Eu acho que ela intuitiva muito para o eleitor, né?
É, queremos saber o que tem aí antes da gente precisar decidir em quem que a gente vai votar. É, se o Lula encampa esse pedido e ele pede republicanamente que os demais candidatos também o encampem, ele coloca o Flávio numa posição bastante delicada, né? E aí, sobre a AGU, gente, a AGU já recorreu, tá? O Messias está fazendo o que foi pedido dele. Não tô dizendo que ele não vai fazer, Mas a posição em que o Messias está é uma posição delicada de qualquer forma.
Mas ao mesmo tempo, eu acho que esse jogo da AGU, do Messias, exatamente o que você colocou, assim, se for esse jogo, se for o É Governo meio comprando a briga que o Mendonça ofereceu, é o que o Mendonça quer. Parece que o É Governo assume a culpa e tá tentando devolver o cara para o cargo dele, fica uma guerra institucional. Eu acho que o que precisa mesmo é o Lula, cara. Ele é o candidato, ele é o cara que precisa falar e dar nome aos bois.
Ele precisa entrar em campo. E sendo justo com o Lula, elogiei na semana passada e vou repetir: ele fez um vídeo pedindo transparência, mas ele fez um vídeo, uma institucional, um vídeo como presidente, e um vídeo que não tem a temperatura, não tem indignação, não tem a força necessária para romper o bloqueio midiático, que não é nenhum bloqueio é que tem coisas muito mais saborosas do que um vídeo institucional do presidente.
Ele precisa ficar pistola, falar os nomes, e é o que você disse, convocar todo mundo a abrir o sigilo, autorizar, pôr o nome do André Mendonça na mesa, chamar o nome da família Bolsonaro, falar do meu Évor Caro, e virar notícia. Que acho que uma das coisas que o Lula também não tá conseguindo nessa eleição e é difícil mesmo, mas eles não estão pensando nisso, acho que é dominar a atenção. O Lula não tá conseguindo produzir a notícia por conta própria, ele tá sendo levado pelas notícias que seus adversários estão conseguindo produzir. Não à toa o Flávio sobe.
É, o Lula, como você falou, né, no vídeo institucional que ele fez semana passada, Bruno, ele fala: o Brasil não pode ficar refém de vazamentos seletivos. É parecido com que a gente tá dizendo aqui. Essa história não pode estar sob sigilo com André Mendonça decidindo o que que ele vaza, o que que ele não vaza. Mas existe uma diferença entre você dizer o Brasil não pode ser refém de vazamentos seletivos, você dizer tem que tirar o sigilo do caso Master já.
E eu, como presidente da República, estou conclamando o Supremo a fazer isso. E eu peço que todos os outros candidatos à presidência peçam a mesma coisa.
Gente, é muito simples, é assim: Mendonça, quem que você está Quem que você está acobertando? É isso que o Lula tem que perguntar, é isso que o Brasil tem que perguntar. Quem que você está protegendo? Quem que você está blindando? Do que é que você tem medo, André Mendonça, né? O que é que você tá escondendo? Acho que essa pergunta tem que ser feita para o André Mendonça. E eu acho que essa pergunta, o Brasil não pode ficar refém de vazamentos seletivos, é assim, ela desloca completamente a atenção na frase o sujeito parece que é o Brasil é refém do— não, não dá nome, que é o Mendonça que está tornando o Brasil refém, sabe?
E vazamento seletivo não é tão complexo quanto ele está blindando, ele botou sigilo, sabe?
Não deixou o nosso país refém de nada, ele tá acobertando coisas. Isso que é o que as pessoas entendem, é comunicação pública, que o Lula sempre foi maravilhoso em fazer como candidato.
Que agora eu percebo que ainda mais grave, que é o seguinte: quando ele reclama dos vazamentos seletivos, parece que ele tá reclamando que coisas vazaram, quando o problema não é esse. O problema é o que não vazou.
O problema é os seletivos, não vazamentos.
Exatamente. Parece que ele tá incomodado com os vazamentos. E certamente, certamente tem gente dentro do PT que tá, tá? Tem gente que tá desesperado com os vazamentos seletivos. O Lula não tá, não deveria estar, e não acho que ele esteja, porque acho que se tivesse alguma coisa contra o Lula já teria vazado há muito tempo.
Há muito tempo.
Ele não tá preocupado com, não deveria estar, eu imagino não esteja preocupado com vazamento. Então quando ele fala o Brasil tá refém de vazamento seletivo, parece que ele tá com medo dos vazamentos, quando é o contrário. Assim, o Brasil quer que vaze tudo, mostra aí, cadê, quem que você tá escondendo? Eu iria muito nessa linha da pressão por transparência, mas não de Josim, queremos transparência, a gente quer o caso Mastra inteiro aqui na minha mesa, cadê que eu vou mostrar, vai fazer uma live, sabe, ler. Tá faltando isso, cara, faltando para cima.
É, tá voltando para cima. E é isso o problema que a gente falou antes. O Lula, e aí é quem ele é mesmo, ele defende as instituições, ele age, ele quer agir mais republicanamente do que a nossa república merece, no fim das contas. Eu partilho muito do diagnóstico que o Breno Altman fez na semana passada, deu uma viralizada forte e tal. Que é a atual república, a Sexta República brasileira, apodreceu. Ela não tá funcionando como uma república, ela tá completamente disfuncional.
As instituições não estão dentro dos seus papéis, tá totalmente corrompida por grana, por banqueiro, por plutocracia, por alto luxo, por área VIP, por pulseirinha, entendeu? E o Lula virou não só símbolo, mas o defensor mesmo da Sexta República, não da corrupção, mas das instituições como elas são. O Lula quer separar demais o bebê da água do banho, e é o bebê de Rosemary, muitas, sabe, muitas vezes assim tem que jogar a banheira inteira fora.
E o Lula, a única coisa que ele tem para oferecer, e que talvez seja parte do voto, talvez não, certamente é uma parte decisiva do voto que o Flávio tá conseguindo conquistar, nessa reta final é o antissistema. Se o Lula ficar defendendo a Sexta República como ela é, se ele não oferecer uma coisa claramente diferente, radical mesmo, de oferecer mais do que reformas, mas assim uma limpeza total, uma conversa pública, vou gastar 4 anos com isso, oferecer um sistema diferente como visão, sério, Fudeu, entendeu?
Sobre isso de pedir a retirada do sigilo, esse tipo de comunicação pública que a gente tá imaginando que o Lula poderia fazer, de fato seria menos institucional, né? Mas o pedido em si, ele não é tampouco uma coisa assim radical anti-instituições. Eu não acho tão distante, enfim, né? É distante da trilha que o Lula tem trilhado, mas não é impensável. Antes que quem nos ouve, né, ache que isso que isso seria uma coisa ultra radical, nunca antes feita.
Ministros do Supremo retiram sigilos de casos o tempo todo, né? Quando o próprio Fachin era relator da Lava Jato, por exemplo, lá em 2017, ele autorizou que um monte de inquéritos fossem liberados, liberando inclusive aqueles vídeos dos depoimentos dos delatores da Odebrecht. Então tinha um acervo gigante de depoimentos prestados por vários ex-funcionários da Odebrecht, todo mundo que fez delação premiada no caso da Odebrecht, e ele E levou tudo isso a público numa escala gigante.
O Celso de Mello, em 2020, naquele inquérito que tinha sido aberto a pedido da PGR na época, justamente sobre a suspeita de interferência do Bolsonaro na PF, essa que motivou a saída do Moro, essa que eu citei anteriormente, ele também determinou o levantamento do sigilo na nota dele. Então assim, tem vários casos. O Moraes já fez isso algumas vezes. Tem vários precedentes para isso, não seria uma coisa, uma ruptura com a prática institucional do STF, e seria perfeitamente legítimo e, acho eu, muito popular exigir isso do Mendonça há um mês da eleição, falar, a gente quer tudo, a gente quer ler todos os detalhes, tudo o que você sabe, Mendonça, a gente quer saber.
E aí, sobre essa questão do sigilo, eu acho que vale lembrar que o Mendonça está fazendo uma coisa mais grave do que só manter tudo em sigilo e deixar que a coisa vaza a conta-gotas. Ele também fez uma coisa que é extremamente perigosa, inclusive para o próprio caso, né, para o próprio processo, que é levar todas as provas do caso para o gabinete dele. Então ele, ele basicamente chega, ele fala, olha, eu quero que tudo que existe de prova— na verdade, o primeiro movimento não foi nem do Mendonça, né, primeiro Toffoli, que era o relator do caso do Maestro.
A gente lembra disso, né? Era o Toffoli, não era o Mendonça. Mendonça. E ele teve que ser afastado por causa da história lá do Tayayá. O Toffoli, ele determinou que o material todo apreendido na Operação Compliance Zero, que foi a operação da Polícia Federal que detonou essa história, fosse lacrado e fosse mantido sob custódia no Supremo. Então ele tirou todas as provas da PF, tá? E aí os peritos todos se manifestaram, enfim, deu um barulho.
Depois, o Mendonça, quando ele passa a relatar o caso, ele herda essas relatorias, ele determina que a PF envia ao gabinete dele todos os documentos da investigação, e não só os relatórios consolidados, ele pede os documentos brutos, os originais, e que qualquer alteração na equipe de inquérito tem que ser comunicada para ele. Segundo ele, para garantir que o processo fosse transcorrer sem interferência política. Mas é um problemaço, porque agora ele tem não só o caso que ele tá mantendo sob sigilo, mas ele tem todas as provas.
E aí tem um grande risco, que é se o próprio Mendonça depois for considerado suspeito, se ele tiver envolvido, coisa que a gente já viu que tem razões para acreditar que ele tá, é o fato dessas provas estarem sob custódia do André Mendonça pode virar um problema por causa de uma coisa chamada cadeia de custódia, que é a regra no ordenamento jurídico brasileiro que garante que a prova que chega para o juiz é a mesma prova que foi lá apreendida.
Então basicamente cadeia de custódia é por onde que essa prova passou, na mão de quem que essa prova passou, ela pode ter sido adulterada nesse processo. Então se ela for na mão do suspeito E hoje a gente não sabe como é que tá a custódia dessas provas. É uma coisa muito estranha. E ela tá possivelmente na mão de alguém que pode ser suspeito, né? O precedente que a gente tem é o precedente da própria Lava Jato, que teve uma série de provas do sistema interno da Odebrecht especificamente, que eram provas eletrônicas, etc., que foram declaradas imprestáveis pelo Toffoli.
Então assim, hoje o André Mendonça, ele tá com o poder completamente desmedido. Ele tá sentado em cima desse inquérito com todas as provas no gabinete dele, e a gente tá refém desse para. Não é possível que isso não possa ser uma demanda unificadora. Eu acho que você vai na mosca, Greg, quando você pergunta sobre o sigilo. E é realmente aí que a gente tem que ir e que o Lula deveria ir, sinceramente. Doa a quem doer, porque certamente vai doer em alguns aliados, tá? Não tenho dúvida também.
O Lula falou isso, doa a quem doer, só não falou com a ênfase, com as palavras e com a estratégia de comunicação para fazer o negócio bombar mesmo, para ele ser associado como o demandador de investigação, porque não tá claro isso.
Tem que abrir uma live, sabe? Tem uma coisa assim, desculpa a metáfora futebolística, mas tô me revendo naquela, naquele jogo contra Noruega que os caras estavam, sei lá, 70% de posse de bola, sabe? E o Brasil tá com uma estratégia que é deixar os caras jogarem, sim, e quem sabe mordiscar um contra-ataque. E tá me parecendo ser a estratégia do PT no momento, sabe? Deixa os caras jogarem, quem sabe no final. Que isso, não tem que ter posse de bola, sabe?
Traz a posse de bola, tem que, tem que pautar o jogo, cara, pautar o ritmo do jogo, tem que ter o controle da narrativa, tem que ir para cima. Só que deve ter gente em volta do Lula, imagino, falando assim: não fala nada, pelo amor de Deus, não fala nesse assunto que é espinhoso, que você vai se estressar com gente, com Moraes, você vai com fulano, você deve depois, sabe, sei lá qual é o papo. Mas eu não sei, certamente tá tendo um papo de abafa para pagar tweet, para pagar post, é porque tá tendo um papo ali de não fala nisso porque o fulano—
um bom post, um bom post.
É, me pareceu ótimo.
Porque agora o Lula tem que falar como candidato, gente. É isso aí que tá rolando, pessoal, é campanha.
Eu tô desesperado, Bruno. Não sei se vocês estão na mesma. Eu tô muito desesperado com o fato de que eu, eu tô, eu voltei a ficar com ódio. E eu percebi como a gente estava privilegiado ao longo dos últimos 4 anos.
O coração mais calmo, né? Era bom.
Eu não tava com ódio, sabe, de um vizinho bolsonarista. Eu achava meio folclórico, tipo um cara que, sabe, sabe aqueles reaças folclóricos? Igual na nossa infância, os reaças eram folclóricos. Eu não tinha raiva dos reaças, sabe? Na infância, obviamente não, mas eu já com 15, ali nos anos 2000, reaças, eles eram folclóricos. Não me davam ódio assim. E aí quando eles chegaram ao poder, eu passei a ficar com ódio, porque eu vi quanto que numa opinião divertida, engraçada, o quanto que ela matou de gente no Brasil.
Essa é a verdade, matou, não é exagero, matou, tá? Matou. Porque o presidente figurão engraçadão contra tudo e todos, ele é muito divertido, e ele não gostou muito, não queria trazer vacina não, então não respondeu o email da Pfizer quando viu morrendo 200 mil pessoas, inclusive algumas bem próximas de mim, de você que tá assistindo. Tá vindo. Então eu tô voltando, tô tendo um flashback e tô lembrando que é numa brincadeira, por causa desse reação engraçadinha.
Esse tio que é uma figura, que ele gosta do PT, ele odeia o Lula, então não vota no Lula nem morto. Por causa de gente como esses imbecis, que morre gente para caralho. Então assim, eu tô revendo tudo e tô vendo a possibilidade disso voltar. No que vem vai ter um El Niño, esse ano vai ter, quando que vem uma quebra de safra, como Bruno bem lembrou. Da última vez, e vai ter consequências gigantescas de mudança climática. A gente vai estar com o presidente negacionista, miliciano, bandido.
A gente vai ter Trump nos Estados Unidos agonizando porque talvez, provavelmente, vai perder as midterm elections. A gente sabe que ele tem muitas chances de ficar pior ainda assim com o poder dele ameaçado. E a gente vai estar aqui como um quintal submisso porque o presidente que a gente vai ter provavelmente vai ser um capacho dos Estados Unidos que vai entregar todas nossas terras raras, a Amazônia, e o que mais, o Pix, e o que mais o Trump quiser.
Porque, ah, não gosto muito do PT não. Ah, porque Lula também já deu, né? Ah, é, o Lula é porque argumento não é argumento, que são imbecis. Eu já tô revendo tudo, sabe? Eu tô naquele momento de voltar e vendo o caos, a merda que nos aguarda por causa de gente imbecil que não aprendeu porra nenhuma. Ah não, mas tem que respeitar o outro lado. Talvez antes de 18, sabe? Depois de 4 anos de Bolsonaro, depois de 400 mil mortes, assim, é, não dá para respeitar, cara. Então eu fico com ódio, eu tô com ódio, ódio, ódio mesmo, sabe?
Ódio no coração.
Eu queria lidar numa boa. Viva a democracia, é bonito, alternância de poder também. Aí 2030, né, a esquerda tende— não vai ter 2030, gente, não vai ter Brasil, não vai ter mundo assim. Não é exagero. É o Trump que tá nos Estados Unidos, caralho. Ele tá querendo desesperadamente comer cada galinha desse galinheiro. Ele tá querendo assim, ele tá com os olhos dele vidrados, ele e Marco Rubio e Elon Musk e todos os grandes vilões do mundo.
E a gente, eles estão querendo botar na presidência um capacho, bandido, miliciano, covarde, arregão, um merda, cagão. Sabe, a pior, das piores pessoas que o país já produziu mesmo. Flávio Bolsonaro, das piores pessoas em todos os aspectos. Bandido, ladrão mesmo de Copenhague. Todo mundo já tem aquilo, é um batom na cueca bizarro naquela cueca freada dele. É uma atrás da outra. É um sujeito que enriqueceu milhões de patrimônio, multiplicou o patrimônio, comprou casa com dinheiro vivo.
Ele vai estar na presidência indicando ministros pro Supremo, um atrás do outro. Vai indicar 3 ministros pro Supremo, provavelmente. Então, assim, 4 ministros pro Supremo. Vocês estão entendendo o desespero que isso vai dar? Sem falar em meio ambiente, sem falar em Amazônia. Vocês viram como é que é a curva de desmatamento da Amazônia? Pra todo mundo que diz assim, ah, mas o Lula também é meio ambiental. Meio ambiente não é muito bom, né?
O Lula também não dá pra esperar muito. Vocês viram a curva de desmatamento da Amazônia? Vocês viram isso daí? Assim, a diferença que faz o Lula na presidência e a Marina Silva no Minas? Ah, não faz diferença? Faz para você, caralho. Ah, mas o Lula podia ser melhor. Claro que podia, mas a diferença ainda assim é abissal. E assim, sei lá, cara, eu fico— então é só que eu tô querendo passar para vocês um pouco o meu clima. Eu voltei àquele desespero, eu tô desesperado mesmo.
E eu não acho que isso vai fazer alguma diferença mesmo. É isso que tá mais me desesperando. Eu não acho, eu não tô mais, eu não tô conseguindo nem mais acreditar em vira-voto, em bolo. Eu tô realmente apenas assim, como Bruno, Bruno descreveu bem, falou que a gente tá numa coisa meio inerte, mas não é falta de interesse, é falta de crença de que a gente pode mudar algo. A impressão que me dá é essa. A gente tá lidando mesmo com forças tectônicas, sabe?
A gente não tem acesso nenhum à campanha de Lula, estão cagando, estão em outro planeta. E não é só a gente, eu vi, é isso, o Altman falando, se o Renato Rovai, o que era super próximo ao PT, fez um vídeo falando assim: gente, eu não sei o que tá acontecendo lá, completamente alheio, eles não me ouvem, não me respondem. O presidente do PT inclusive falou que acha que vai perder. Eu fiquei desesperado, viu? Rovai falando isso, sabe?
Um cara muito próximo ao PT a vida inteira e tal. Então assim, é, o Rovai, como muita gente tá falando, que eles não fazem a campanha, não faz ideia do que tá fazendo. E aí é foda, porque o Brasil tá nas mãos deles. E aí eu fico culpado, claro, ter tentado antes me interessar. Onde é que eu tava nesses 4 anos? Tava lá falando de de metáfora de coisa nos últimos anos.
Mas o Brasil que queremos também pode falar de metáfora.
Exatamente, eu tava tão aliviado porque eu tava tão aliviado de poder falar de outra coisa que eu falei só de outra coisa. A gente falou a verdade que ele não ficou ali convencendo, viu? A gente não fez. E também nem o Lula quis que a gente fizesse.
Não, a gente fez uma temporada de Greg News inteira, a gente fez uns cancelados, a gente fez Foi cancelado. A gente fez mais de 100 episódios do Calma Urgente, a gente debate.
A gente tentou, a gente pediu muito, pressionou o Lula para que ele indicasse uma ministra, uma mulher negra para o STF. Talvez aí a gente não tivesse ficado nessa situação.
A gente falou de uma transição energética mais vigorosa, a gente tentou, mas o cupom foi só zero efetivo. E a gente é só podcaster, né?
A gente não é mudar nada, não que ia não, mas assim, eu já tô também nessa fase de culpa. Sabe aquele vídeo da girafa entrando na areia movediça? Não, qual é essa girafa? Vou resumir, era um desenhozinho que eu adorava daquele maravilhoso Robert Chicken, aquele pessoal do Cartoon Network, sabe? Lembra disso?
Adult Swim.
5 etapas. Adult Swim, exatamente. A girafa, que ia ser a primeira, é negação. Não, eu não vou cair nessa areia movediça. Aí a segunda areia já tá aqui, ela fala, a segunda eu acho que já é desespero. Ai, meu Deus, hoje tô caindo na removentista. Terceira já é perdão. Desculpe, Senhor, por tudo que eu fiz. Culpa. É, meu Deus, eu sou um merda, por que que eu caí 5? Religiosidade. Sei lá, são as etapas, eu tô, sabe, as etapas do luto assim. E eu tô meio no momento agora.
Calma urgente, calma urgente, porque assim, a gente não tá fazendo um programa, esse não é o programa depois do segundo turno que a gente perdeu e tamo aqui vociferando. Calma, o que precisa acontecer, e por isso que a gente tá fazendo plantão e uma série de coisas e tentando falar com mais gente, ver se isso vai penetrando de alguma jeito na conversa. Não que a gente saiba o que tem que ser feito, mas uma coisa tá muito clara: o que tá sendo feito já, o plano não tá funcionando, não tá funcionando.
A curva é a contrária da que deveria estar acontecendo, e dá tempo de mudar. Tem muita coisa que pode ser feita. Uma, é isso, o candidato é muito bom, é o maior profissional da política brasileira no século, é um candidato que já ganhou 3, elegeu 2, a sua casa é civil, ele tem uma capacidade de comunicação extraordinária com as pessoas, ele tem um legado, ele tem uma economia que tá organizada. O adversário É o, é o pior dos Bolsonaros, assim, é um cara desqualificado, como você bem disse.
Então assim, a gente tem 3 semanas até o primeiro turno e mais 3 até o segundo turno para pôr o trem no trilho, entendeu? E tentar impedir uma tragédia nacional, internacional, e de um jeito bem egoísta, as nossas tragédias pessoais. Porque exatamente isso, assim, fora o destino do país e da humanidade, de todo o resto, eu não quero ficar sentindo o meu fígado retorcer do mesmo jeito que fiquei 4 anos no governo Bolsonaro, entendeu?
Eu piorei a minha vida, assim, eu fiquei mal, entendeu? Fez mal para quem tava à minha volta. E vocês, e a gente sabe disso. Então assim, tem o que fazer, é um discurso tenso e é desesperado, mas não é hora de derrotismo. A gente, porque assim, a situação hoje ela é bem menos confortável do que ela era em 22, bem menos, mas ela é mais confortável do que em 18. A gente tava perdido, a gente, mas o PT tava em negação completa, tava em negação completa depois da, depois, não, eu Eu escrevi isso, tem escrito meu em 16, que o Bolsonaro ia ganhar. Em 16 eu escrevi no Facebook que o Bolsonaro ia ser presidente.
A minha primeira coluna para Folha, que eu acho que foi em 15, também 16, era uma coluna para Bolsonaro e era sobre isso. A gente sabia, mas a questão é, eu concordo com o Bruninho, eu quero só registrar que esse é um momento histórico aqui no Calma Urgente em que o Gregório tá desesperado e o Bruno tá tentando manter o otimismo. É verdade, achei que foi bonito, achei bonito.
De novo, eu não sou desesperado, eu não sou desesperado, é difícil me desesperar. Eu sou pessimista, é diferente.
Mas concordando com o seu não desespero, tá, Bruno, a eleição tá longe de estar ganha. E acho que a gente apanhou bastante, inclusive nos últimos 2 meses, quando a gente falou que ela tava longe de estar ganha, porque parecia até que era uma espécie de blasfêmia contra o Lula. Como você ousa dizer que esse homem santo não vai ganhar a eleição sozinho? Tudo sem que ninguém precise fazer nada. Então é evidente que ela não tá ganha, e quem até agora não entendeu que ela não tá ganha realmente deve estar vivendo em outro planeta.
Mas ela também não tá perdida, tem muita coisa para fazer. Eu concordo com o Bruno. Agora, a gente, nós três aqui somos de uma maneira ou de outra comunicadores. O nosso ofício é a comunicação pública, não só porque a gente comunica, mas porque a gente estuda comunicação, porque a gente observa, porque a gente vê, porque é isso que a gente faz. De formas diferentes há 15 anos, né, pelo jornalismo independente, pelo ativismo, pela organização, pelos veículos de mídia, pela comédia, né, de diferentes maneiras.
E o que a gente tá sentindo, o pulso que a gente pega, é o discurso que vai prosperar num mundo aonde a vibe, a energia que emana dessa fragmentação midiática gigante em que a gente é simplesmente de que tá tudo podre. É o resumo da ópera na cabeça das pessoas, é esse. Não é o Mendonça, o Vôrcaro, o Andrei, o Almada. É assim, ai, gente, tá tudo podre, tá tudo nojento. Se essa é a energia, o que vai prosperar é antissistema, é qualquer coisa que chegue com uma marreta e fale, tá tudo podre, eu vou quebrar isso tudo pilastra por pilastra.
Então, se não houver— e tem um detalhe, gente, a esquerda passou anos denunciando a podridão do sistema. Anos dizendo tá tudo podre, a gente precisa quebrar tudo pilastra por pilastra. Isso não quer dizer ser antidemocrático. O que tá acontecendo no Supremo Tribunal Federal é uma corrupção da democracia. É isso que é. O que tá acontecendo no Congresso Nacional é uma corrupção da democracia. Defender a democracia hoje não é defender esse sistema, isso é evidente.
Então a melhor defesa que a gente pode fazer da democracia é quebra tudo. E se é isso que vai prosperar, e se isso é justo e condizente com os valores que a esquerda construiu ao longo dos últimos últimos, né, 20 anos. Seria muito bom que o Lula encampasse esse discurso. Eu não acho que tá tarde para ele fazer isso, para campanha fazer isso. Ele ainda é o presidente da República, então ele tem— qualquer coisa que ele faça comanda atenção em alguma medida.
A questão é que ele tem feito coisas quase que com a intenção oposta, com a intenção de não chamar a atenção para o que ele tá fazendo. É o: ai, não podemos ficar reféns de vazamento, dormir. Não, quebra a porcaria do sigilo, fala que vai sim fazer reforma profunda no Supremo, que vai ter mandato para ministro do Supremo, que vai acabar com supersalários, que vai acabar com penduricalho, que o Judiciário vai deixar de ser esse universo de marajás, que você não vai mais poder ficar advogando, né, diante da corte, diante do próprio Supremo, se você for parente de ministro.
Coisas óbvias. Fala, enumera e pede imediatamente o fim do sigilo no caso Meister. E outra coisa, entendeu?
E eu volto ao meu ponto, que assim, traz o Flávio para o centro do debate. Então o Lula não fala quase dele. É muito louco isso, é muito louco na minha cabeça, porque assim, agora que o Flávio tá um ponto acima em uma pesquisa no segundo turno, empatado na melhor das hipóteses no segundo turno, trata ele como protagonista. Não trata ele como segundo colocado, como o cara que você vai derrotar. Não vem com o triunfalismo da sua própria história, porque tem essa questão do antissistema, que eu concordo, falei aqui, do sigilo, do negócio.
Mas tem uma outra coisa que o Lula conseguiu convocar nas últimas eleições e nessa ele não conseguiu, que é um sentido de urgência. Essa urgência que o Greg trouxe, esse desespero dele do ódio, do que tá em jogo, não sei o quê. O Lula não tá colocando bem, cara. Eu acho muito louco que não tá, que não tem uma manchete que o Lula tá chamando Flávio de cachorrinho do Donald Trump, de tipo, sabe? E uma coisa, isso precisa vir para esse, porque toda vez que você fala disso e enumera as coisas que estão em jogo, como que o Greg fez, as pessoas falam, nossa, Até gente de esquerda não se dá conta que ela tá no alto da montanha-russa assim, que o negócio que tipo o frio na barriga que dá quando você ouve da realidade do que significa uma vitória do Flávio Bolsonaro.
Que de novo, gente, é muito pior do que a vitória do Jair Bolsonaro, tá? É muito pior.
Eu posso falar uma frase da Luiza Miguez, nossa maravilhosa repórter? Claro, gente, o Lula está governando quando ele tinha que estar fazendo campanha. Essa é a verdade. Ele tá hoje lidando com essa crise como um incumbente tem que lidar, porque um presidente, ele não pode, o presidente não pode chegar e falar assim: acaba com o Supremo, que palhaçada! Não pode. Ele tem que manter ali, né, um discurso entre as instituições, o AGU.
Só que ele não é o presidente agora, ele é um candidato, e um candidato tem que falar isso, né? Então eu achei o diagnóstico da Luísa perfeito. É isso, ele está ali trabalhando, ele tá parecendo um governante. Não tem momento pior para você ser um governante como essa crise gigantesca Institucional. E ele é um candidato tão melhor do que o Flávio, só que se ele for o presidente, ele se transforma no candidato ironicamente pior, porque ele é o presidente durante essa confusão toda que tá acontecendo. Então ele é o chefe de uma casa pegando fogo.
E o Mendonça puxou quem? O governo para dentro da crise do STF. Ele, ele, ele, ele, ele tipo cria uma, ele abafa o caso Flávio quando ele puxa o gabinete Lula para para dentro do governo. É uma jogada de mestre dele, diga-se de passagem.
É uma ótima jogada. Ele se revelou, não pode você falar assim, eu me recuso a lidar com isso porque é uma arapuca. Tá colocado, gente.
Tipo assim, essa é a briga que tá em campo. Ele puxou a faca, você não vai se defender com os seus punhos, entendeu? Tipo assim, é hora de entender que a república tá em suspenso, gente. A gente tem que ganhar essa eleição. Porque se perder, uma coisa a gente pode garantir: não vai ter república depois para o Lula ser vítima. Mas pelo menos ele não rompeu o rito, pelo menos ele seguiu os protocolos. Ou pelo menos a gente tá com Flávio Bolsonaro, mas o Lula, ele perdeu assim dentro do papel republicano.
Puta que pariu, gente, de novo. Você não vai perder para o Alckmin, para o Serra. E outra, quando eu falo que é pior do que o Jair, cara, não é porque o Flávio é pior do que o Jair, é porque o cenário que tá construído hoje e o aprendizado que eles tiveram, a passagem no É Poder, é o nível de consolidação em que o Flávio é quase a cereja do bolo, cara. Porque os caras estão falando de tomar, de fazer, de tomar o Senado fazer impeachment de ministro do STF, entendeu?
De ampliar sua maioria na Câmara, de anistiar geral e de ter o Flávio Bolsonaro para aí sim, cara, tipo, a chance dele nem precisar dar um golpe é muito diferente. E é esse sentido de urgência que o Lula precisa passar, que em 2022 ele passava Lula, porque ele soube não só se colocar como grande personagem, como a fênix da democracia brasileira, mas o indiciamento era do Bolsonaro. E o Lula estranhamente tá querendo fazer essa eleição virar um plebiscito dele, sobre ele, sobre ele.
O Lula tá falando assim: me aprovem. Se vocês não me aprovam, é vocês que estão errados. E o Flávio virou um nanico. E enquanto ele sobe, essa é minha angústia. Dá tempo?
Eu concordo, dá. Eu concordo. E é mais, é pior, porque o que o Lula tá pedindo, a maneira como a campanha posicionou o Lula, e a gente tem falado isso desde que a campanha começou, né, inclusive antes dela começar, ela tem posicionado o Lula nessa posição bem, bem do santo a ser canonizado, desse ser, né, infalível, é tapete vermelho para o filho do Nordeste, é Deus fez o povo, o povo fez o Lula, é um discurso realmente messiânico nesse sentido.
E o problema disso, para além, né, tem vários problemas, mas um problema tático, não é só um problema ético, moral ou estético, mas um problema tático, é que o que a campanha acaba pedindo do eleitor não é só aprovação do Lula, porque se fosse isso já seria difícil porque a reprovação tá alta, mas é mais grave. Ela tá pedindo uma espécie de adesão absoluta. E se essa campanha, se essa eleição for um plebiscito em que o sim é eu amo o Lula, ele é sem defeitos, ele nunca errou, ele é perfeito, ele é o maior homem que já pisou na terra, e o não é ele talvez tem algum defeito, vai ganhar o não, gente.
Não tem uma maioria da população brasileira que idolatra o Lula. Pode ter uma maioria da população brasileira que gosta e reconhece, é grata e vê o legado, combinado com uma parte da população que não reconhece nem gosta, mas que realmente vê o perigo do Flávio. Essa combinação desses dois sentimentos pode dar 50% mais um, mas a idolatria não vai dar, já não deu. Então é isso, tratar Flávio como a eleição não é sobre o Flávio é a pior estratégia possível.
A eleição é sobre o Flávio. Quem vai ser presidente se o Lula perder é É o Flávio.
É o Flávio. E mais, gente, quando é que o Lula teve seu apogeu de popularidade nesse Lula 3, no terceiro mandato? Vocês lembram?
Foi no embate com Trump. Exatamente, quando ele foi para cima do Trump.
Porque você não precisa amar o Lula, tá? Mas você precisa reconhecer que ele é a única pessoa, não só no Brasil, no mundo, que tá batendo praticamente, tá? Cláudio Sheinbaum, um outro, mas assim, no mundo ele é o protagonismo de uma resistência democrática ainda a Donald Trump. Ele é uma possibilidade de uma resistência a ele, sem o alinhamento também imediato a Putin. Assim, ele tem, ele é a voz de um sul global democrático, livre e soberano.
Então a pessoa, mesmo ali à direita indecisa, naquela hora ela bandeou para o Lula porque falou: eita, Esse cara é brabo, esse cara, o Brasil precisa dele. Então as próximas eleições para mim não são tanto sobre eu amo esse cara, ele fez muita coisa nesse governo, eu admiro a trajetória dele de luta, eu sou petista, o PT governa. Não é isso nem sobre ele. Para mim é assim, é em relação ao mundo. É assim, o Brasil merece continuar existindo?
Essa é a pergunta para mim. Você ama o seu, você ama o Pix? Você ama a Amazônia? Você ama, você acha que o Brasil tem direito a dispor das suas terras raras? Assim, para mim é sobre isso. Ou você acha que um presidente tem que ser alguém que vai lá advogar por tarifas contra o seu próprio país, ele foge para Orlando quando ele perde uma eleição? Assim, que tipo de presidente você quer, né? Então eu iria em soberania, em, sabe, orgulho nacional, orgulho e coragem.
Que o Lula foi essa pessoa. Ele peitou o Trump e o Trump afinou para ele. Essa é a verdade, é isso.
E é por isso que é muito mais fácil a gente ganhar um plebiscito se for você quer o Flávio Bolsonaro presidente e a maioria das pessoas falar não, do que você acha que o Lula sem defeitos. Porque não é nem se a pergunta for essa, a gente tá muito ferrado. E essa é a pergunta que a campanha tá colocando para o seu próprio eleitor. É uma má pergunta. Agora, o Flávio Bolsonaro presidente, meu Deus do céu!
Exatamente. A pergunta precisa ser se é você, tá, se é você quer o Flávio presidente. Não é para dar o Lula uma segunda chance, mas é que o Flávio não merece a primeira. Esse é o ponto. E eu acho isso mesmo, muita gente que eu tenho visto na conversa por aí é meio isso, é se recusando em votar no Lula. Lula não tem a ver com Flávio. Isso é o bolsonarismo. O bolsonarismo vai de Flávio, eu entendo. Mas isso aí já, esse voto era o que o Flávio tinha há um mês e meio atrás.
Essa subida dele é o fracasso da campanha do Lula, é o ponto que tinha que estar com Lula hoje para ele dar aquela subidinha que eles achavam que ia estar nessa altura do campeonato. E para quem fica puto com a gente, que acha que a gente é antipetista, que ainda tem comentário aqui, a gente sofre isso sempre, Pensa numa outra questão, uma outra questão. O que que vocês acham que vai acontecer com o PT se o Lula perde? Entendeu?
Pensem nisso. O que que vai ser o PT com 4 anos de Flávio Bolsonaro, Escudo das Américas, Milei, o Esprighella na Colômbia, entendeu? STF dominado. E um Senado de direita, entendeu? Então assim, até do ponto de vista partidário, essa crise precisa se instalar imediatamente e rever o rumo da campanha e os argumentos e a estratégia, porque vai ser ruim especialmente para o Partido dos Trabalhadores, que vai ficar sem líder, claro, sem— vai ficar profundamente órfão, mas vai perder espaço político real e vai ser perseguido mesmo, mesmo na perseguição que o pai não conseguiu fazer devidamente, mas que agora eles vão ter mais instrumentos para fazer isso.
Tem uma pergunta aqui no chat, talvez seja um bom ensejo para a gente fechar a discussão, que é, alguém perguntou, é uma ilusão a gente achar que a campanha está guardando munição para uma hora melhor? É assim, espero que tenha munições várias Eu acho que é uma ilusão achar que a campanha vai fazer qualquer coisa a essa altura do campeonato. A campanha tá tentando, tem gente boa também tentando, e eu espero que tenham, que boas decisões sejam tomadas.
Mas o fato é que a grande coisa que a gente precisa perder como militância nesse momento, como campo nesse momento, é essa, essa ideia de que a campanha é algo que tá acontecendo e que a gente tá assistindo. Quem faz campanha é o eleitor. E sobretudo no ambiente midiático em que as pessoas não confiam mais informação que é mediatizada, né, que passa por um intermediário, aonde existe justamente uma lógica e um sentimento antissistema colocado.
Então o melhor porta-voz, o melhor interlocutor, a melhor pessoa para falar dessa campanha é você. Não espere que vai vir de cima essa ideia de que seremos iluminados por uma decisão. Não vai acontecer. A gente tá seria muito bom que a campanha ajudasse, mas a gente não deveria depender dela. E a gente tá sentindo o nosso campo desmobilizado. E quando eu digo o nosso campo, eu não tô falando da esquerda unicamente, eu tô falando disso, de um campo que se mobilizou mais em 2022 porque percebeu que havia ali uma decisão que era existencial para o Brasil, e que parece não tá entendendo que o que tá em jogo agora também é uma crise existencial ainda mais profunda.
Até porque, e isso conecta toda a pauta que a gente, né, trouxe hoje, até porque o Supremo, com todos os seus defeitos, com todos os penduricalhos, com as facções, com a mistura de psicopatia, com sei lá o quê, ainda assim desempenhou um papel fundamental durante os 4 anos de Bolsonaro. Não foi só depois, na tentativa de golpe, foi também durante os 4 anos, foi também na salvaguarda de direitos fundamentais, em segurar algumas coisas.
E esse mesmo Supremo, dessa vez, ele vai estar tão descredibilizado que não dá para esperar que ele vai cumprir esse papel. Então, se o Flávio vem agora, para além de tudo que o Greg já trouxe de Trump, de Casa Branca, de todo esse contexto terrível, a gente também tem um Congresso na mão deles e a gente vai ter um Judiciário enfraquecido e sem credibilidade. É uma tragédia.
E eles têm projeto. O Bolsonaro, o Jair, ele chegou um susto na presidência. Foi tipo Trump quando chegou em 16 e 17, ele chegou no susto, entendeu? Depois de 4 anos de presidência, de entranha de poder, de ganho de espaço, de aprendizado de 4 anos fora, de estabelecimento de rede internacional, eles estão muito mais preparados para assumir esse governo, mas muito mais, gente, não tem comparação. Se você pensar só em 17, quando o Bolsonaro, aliás, em 18, quando o Bolsonaro ganha, O Bolsonaro era mais um canário na mina, assim.
Era o Trump, o Bolsonaro, o Orbán, e a turma punha o Boris Johnson como um dos equivalentes, que hoje em dia é quase um centrista. Quando você olha o que que o Reforme tá falando na Inglaterra, o que que a extrema-direita alemã que tá subindo vertiginosamente agora. Hoje a gente perde a conta de quanta gente de extrema-direita tem. E é só ver o estrago que o Trump tá fazendo no segundo mandato dele, o nível de consolidação de poder, o nível de estrago que ele tá fazendo.
Então é essa urgência, essa urgência que tem que ser vocalizada pela gente, pela campanha. Eu concordo, quem faz a campanha é a gente. Não dá para esperar uma mensagem iluminada, mas ao mesmo tempo, sem a mudança da mensagem que sai do farol é muito difícil para uma sociedade tão atomizada quanto a nossa resolver essa parada, porque a gente algoritmizou em um nível disfuncional. Não é só as instituições que estão, que estão disfuncionais, é a conversa pública.
Ela piorou, gente. A produção de discurso hoje, ela não é nem mais no Twitter, ela é um audiovisual estranho, é uma algoritmização de vídeo vertical, de scroll infinito, de saturação de hábito. E não vou entrar no assunto agora, que eu acho que vale um próximo Calma, mas que a gente não falou hoje. Achei que a gente fosse falar até, que é o que que tá acontecendo no voto jovem.
Vai ser o próximo Calma, cenas dos próximos capítulos, que é uma conversa muito mais complexa de se ter para nós e o nosso público. É, gente, a gente perdeu o Greg pro interfone. Ele deve estar voltando para dar boa noite para vocês. Gente, Gregório, quem que atendendo o interfone 11 horas da noite, tô muito preocupada, entendeu?
Eu pedi uma comida, eu tenho que descer inclusive para buscar.
É o sinônimo.
Olha só, todos vocês, a gente vai ficar por aqui. Greg, eu fiquei com pena de você, tenta dormir, tomar um banho.
Mas obrigado pela companhia, obrigado a todos vocês que estão vendo. Uau, bateu 5 mil pessoas aqui simultâneas! Para todos vocês, se acalmem, gente, segunda-feira estamos de volta. É isso, obrigado a todos e até breve.
Tchau, pessoal!
A gente tá dando tchau para todo mundo já? Ah tá, achei que ia ter dica de leitura. Tá bom.
Não, hoje não, hoje não, hoje é plantão, Bruno.
É plantão, ninguém tá lendo porra nenhuma. A gente tá lendo pesquisa da Quest.
É isso, tchau tchau, gente!
Beijo, turma!
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção Leotônio Costa. Na pesquisa e roteiro, Luiza Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoue. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.