Episódios de Calma Urgente

Direita faz. Esquerda paga?

04 de setembro de 20261h29min
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Plantão do Calma Urgente depois de uma semana de vazamento, escândalos e neblina eleitoral na República de Vorcaro.

O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções

Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra

Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo

Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez

Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_

Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha

Na sonoplastia, Felipe Crocco

Na Edição de Cortes, Julia Leite

Nas Redes Sociais Gabi Biga

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes

Identidade visual, Pedro Inoue

Participantes neste episódio3
G

Gregório Duvivier

HostComediante
A

Alessandra Orofino

Co-host
B

Bruno Torturra

Co-hostJornalista
Assuntos6
  • O escândalo do Banco Master e o envolvimento de Nicolas FerreiraBanco Master·Nicolas Ferreira·Daniel Vorcaro·Ativo minerário·Corrupção
  • A cronologia dos vazamentos e o envolvimento de Flávio BolsonaroFlávio Bolsonaro·Banco Master·Daniel Vorcaro·Eleições·Fundo de investimento
  • A foto dos ministros do Supremo Tribunal Federal gargalhando em meio a escândalosSupremo Tribunal Federal·Alexandre de Moraes·Gilmar Mendes·Breno Carvalho
  • A necessidade de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal e o PGRSupremo Tribunal Federal·André Mendonça·Paulo Gonet·Ética na política·Corrupção
  • A influência de perfis de fofoca e a comunicação política em ambiente pós-jornalísticoAlfinetei·Augusto Cury·Ciro Nogueira·Jornalismo·Memes
  • A cultura da ostentação e a percepção do luxo na política brasileiraExperiência ultra VIP·Ascetismo·Comunicação política·Luxo
Transcrição113 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GDGregório Duvivier

Olá, queridos espectadores do Calma Urgente! Sim, cá estamos nós numa sexta-feira. Sim, antes, muito antes do esperado, porque o Brasil está pegando fogo e o Brasil não pode esperar. Essa é a verdade. Sim, a gente ia gravar na sexta para botar na segunda-feira, porque segunda-feira é feriado, mas o mundo tá acabando, não é? Sei lá o que está acontecendo com o Brasil, então a gente resolveu antecipar. Então O episódio de segunda está saindo hoje, agora.

E queria chamar nesse exato momento meus amigos Alessandra Rufino e Bruno Torturra. Como é que vocês estão? Tudo bem? Cada um no seu canto?

BTBruno Torturra

Cada um no seu canto, um calmo quentinho.

GDGregório Duvivier

Você tá em Porto Alegre hoje?

BTBruno Torturra

Eu tô em casa no Rio. Inclusive, talvez vocês vejam crianças correndo, porque essa é a situação da pessoa que grava em casa. E o Bruno acho que tá lá em São Chico, né?

AOAlessandra Orofino

Eu tô na cabana, gente.

BTBruno Torturra

O Bruno já correu para as montanhas. A gente sempre faz essa piada, mas ela tá especialmente adequada hoje porque domingo é uma descrição. Não, a gente sabe que realmente a coisa tá difícil quando a gente não confia que dá para gravar um programa na sexta e ele ainda tá fazendo sentido na segunda. Pode ser que não tenha mais república até segunda-feira, então a gente achou melhor não correr nenhum risco.

AOAlessandra Orofino

Porque realmente tudo pode acontecer, inclusive nada. Inclusive é uma coisa muito preocupante. Exatamente, Bruno, seria algo muito preocupante se não acontecer nada, tipo, após uma semana como essa.

GDGregório Duvivier

Seria desesperador e tem muitas chances não acontecer nada, porque como vocês viram, o Supremo está gargalhando. Aquela foto, parabéns ao Breno Carvalho, tirou uma foto exemplar. Eu queria muito saber que piada foi aquela, porque eu não acho que eles estavam rindo assim informalmente. Ah, como a vida é boa! Claramente era uma piada. O Alexandre de Moraes tá segurando a barriga assim, ah, como quem fala, meu Deus, essa foi muito boa!

E o Gilmar Mendes também tá rindo da piada. E tem alguém fora de quadro que fez— será que foi o Fux? Será que o Fux tirou a peruca? Será que— o que que aconteceu ali para descontrair que foi tão eficiente assim? Eu queria saber, como comediante, eu queria muito entender de que piada que eles estão conseguindo rir nesse momento.

BTBruno Torturra

Gente, eu quero só ter certeza que todo mundo— a gente botou aqui no vídeo também, mas que todo mundo viu essa foto. É a foto de todos os ministros indo no meio, entre uma sessão e outra, no meio do olho do furacão. E a gente tava conversando, nós três, antes de entrar aqui pra gravar com vocês. E o Gregório tem certeza absoluta de que havia uma piada sendo dita. Eu achei que talvez fosse assim, uma risadinha, sei lá, porque aconteceu alguma coisa engraçada, porque um passarinho passou e fez cocô em cima de alguém.

Mas não, o Gregório, como um especialista da área, ele garante, ele é um perito, ele como perito do humor, ele periciou a foto, ele acha que aquilo é gargalhada, é gargalhada de piadão, gargalhada mesmo, né?

GDGregório Duvivier

E não é um momento de tipo você tá rindo de qualquer coisa. Ao mesmo tempo, às vezes o riso ele aparece, a piada aparece justamente nesses momentos, né? Nesses momentos mais difíceis da vida. Se bem que não dá para dizer que eles estão num momento difícil, porque é isso, o Supremo, como o nome diz, ele tá um pouco acima mesmo de tudo. E é um pouco a crítica que os bolsonaristas fazem. Eu não quero dizer que eles têm razão não, antes que façam esse corte, mas a verdade é que eles têm mesmo uma postura de foda-se. Essa é a verdade.

BTBruno Torturra

Então, mas eu queria só, eu queria só defender aqui o Barulho. Se bem que defender o Barulho de qualquer ministro do Supremo nesses dias é sempre um uma proposta arriscada. Mas eu só queria lembrar que não aparece uma pessoa nessa foto, que é a nossa querida Carmen Lúcia. E que eu não sei, eu não sei como, ou ela fez a piada, mas em todo caso Carmen Lúcia não aparece.

GDGregório Duvivier

Acho que ela fez a piada falando assim, Carmen Lúcia falou assim, vocês vão me deixar sozinha aqui no Supremo, né? Vocês vão tudo para cadeia, vamos me abandonar aqui.

AOAlessandra Orofino

Aí ele já finalmente, acho que finalmente vai tomar maioria feminina no Supremo?

BTBruno Torturra

Não, eu acho na verdade que do jeito que a República tá indo, é muito possível que só sobra a Cármen Lúcia, que a gente vire uma espécie de ditadura da Carminha, o que talvez não fosse tão ruim.

GDGregório Duvivier

Não fosse. Olha, para ser justo, vamos, acho que a gente tem que ser justo, a gente tá falando de Carminha, Carminha, Cármen Lúcia realmente ela se destaca, mas eu acho que tem que botar junto aí o Fachin e o Dino também. O Dino não tem nenhuma ligação assim, qualquer que seja, com nada de corrupção até o momento, né?

BTBruno Torturra

Mas fora isso, realmente a gente bota um até o momento para ter certeza, mas não, mas não parece.

GDGregório Duvivier

É, não, é realmente, de verdade, eu tô falando até o momento de brincadeira porque eu não acho que ele tenha. Então é só isso. O que tá mais me incomodando, eu vou falar para vocês o que que tá me deixando mais desesperado, que assim, eu não tenho nenhuma relação de carinho, de afeto pelo Alexandre de Moraes, nunca tive. A gente foi grato a ele, falou assim, uau, esse cara, grato por ter feito o trabalho trabalho dele. Basicamente foi isso que aconteceu.

Uau, um ministro que fez o seu trabalho! Foi isso que a gente falou. Nunca caí em papo de, ó, Alexandre Moro ministro, Alexandre de Moraes. Nunca cantei essa canção. E assim, eu acho que eu não, eu não mesmo não me surpreende para caramba que um ministro indicado pelo Temer, que foi, sabe, secretário de Segurança de São Paulo, que assim veio da política, que ele tem esse tipo de relação. Infelizmente não me surpreende tanto. Então o que eu acho que tá cada vez mais gritante, que também não me surpreende, mas deveria surpreender grandes partes do eleitorado, é o quanto a direita brasileira está até aqui.

E aí sim não tem ninguém quase que se salve, tá, no bolsonarismo. Quando a gente fala de escândalo do Banco Master, o áudio de Nicolas Ferreira é uma vergonha. Ele tinha que renunciar. Nicolas Ferreira tinha que renunciar seu candidato, seu mandato, Não dava pra ele ser candidato a nada, tinha que sair da vida pública. Não é porque ele chama de Dani, não é porque ele chama de Lindão. Ele está pedindo subserviente algo a Daniel Vorcaro, que ele tava cansado de saber quem era.

Até porque quando ele... ele já tinha criticado o Banco Master. Então ele manda uma mensagem pedindo desculpas por ter criticado o Banco Master, porque ele não sabia que era o banco do Dani. E ele pede... Pro Vôrcaro liberar um ativo minerário de um amigo. Que ativo é esse, pelo amor de Deus? Eu sei que muita gente fez piada com ativo, passivo, né? Aí, mas eu não vou, não quero entrar nessa piada não. Eu quero perguntar pra gente prestar atenção aos fatos, porque o Dani, o lindão que ele teria dito, depois parece que ele não falou, isso é o de menos.

Não me importa o vocativo que ele usou. Quero saber qual é esse ativo minerário que Nicolas Ferreira está pedindo para Daniel Vôrcaro liberar pra ele. Porque coisa boa não é.

BTBruno Torturra

Tem um detalhe, Greg, também. Independentemente do que for o ativo minerário que Nicolas tá tão interessado em liberar, é, tem a data do áudio, né? O Nicolas, na sua defesa, ele, por exemplo, enfatiza muito que no momento em que ele pegou o jatinho do Vorkar emprestado em 2022, que ele não sabia ainda que o Vorkar era bandido, né? O que já é um tanto quanto contestável, porque em 22 já haviam muitos indícios. Tanto que a primeira matéria que a Piauí faz sobre o Banco Master é de 23.

Então a gente já tinha ali em 22 uma coisa que tava dada assim, de que tinha alguma coisa, cheirava mal na história do Banco Master. Mas efetivamente o Vôrcaro ainda não tava tão enrolado quanto ele tá hoje, não havia nenhuma condenação ainda por esses casos específicos. O Vôrcaro tem enrolações anteriores, inclusive ao Banco Master, né? Então só para dizer que assim, 22 em alguma medida daria para acreditar, mas o áudio ele é de 25, ele é de março de 25.

Então não é só que ele tá pedindo um favor para um empresário. Ele tá, enquanto deputado federal, pressionando. E tem uma subserviência, mas tem também, né, uma, um pedido gentil, que quando você tá numa posição de poder ele nunca pode ser interpretado só como um pedido. Mas ele tá colocando na mesa uma coisa que é importante para ele. Ele é um agente público falando com um banqueiro que tá sob investigação da Polícia Federal, que já tá completamente encalacrado, que tá precisando ativamente de ajuda de todas as instituições para tentar salvar o seu patrimônio.

É nesse contexto contexto que ele tá falando com Daniel Alvorcara. Acho que isso é muito central, né? Se o Nicolas quiser passar de inocente, em 22, imagina, não tinha como saber que 4 anos depois esse cara estaria como ele está hoje. 25, março de 25, impossível, entende? Aquele áudio, ele acontece nesse contexto. Acho que isso a gente tem que lembrar sempre.

GDGregório Duvivier

E não só isso, gente, fala, Bruno.

AOAlessandra Orofino

É o tipo de áudio que mostra que ele fala bastante com o Dani. Também não é tipo um áudio que ele manda, que um amigo pediu um favor, não é uma coisa única, que é algo que eles sempre usam. Tipo, tem um telefonema que foi exposto, eles falam, não, foi uma vez que eu liguei. Mas tudo lá indica uma relação de confiança, de dívida, que é algo que o Volcaro tinha com muitas pessoas poderosas, né, quando a gente vê exatamente nos anos dos cometimentos criminosos dele.

Que novamente, para funcionar, dependia de uma relação íntima de gratidão com deputados, com senadores e juízes e tudo isso. Então, se você é uma pessoa poderosa com uma relação duradoura com o Evocário e mediada por muita grana, que inclui carona em avião, voo para cima e para baixo, e favor de olhar uma mineração, você tá no esquema, cara. Esse é o esquema. Exatamente, esse é o esquema do Vorkara.

BTBruno Torturra

O áudio acontece, gente, 2 dias depois da história do BRB, né, do Banco de Brasília, que foi dia 28 de março, 2 dias antes do Nicolas fazer esse contato com o Dani, com o lindão Dani. Que a diretoria do Banco Central, não, que ele tinha entrado com um pedido justamente de fusão, né? Então assim, tem uma história ali na negociação entre o BRB e o Master que é muito central, que foi uma das tentativas do Vô Caro de tentar salvar o império.

E aquilo tava acontecendo naquele momento, sabe? 2 dias antes, para dar exatamente o dado, 2 dias antes o BRB tinha anunciado a compra do Banco Master por cerca de R$2 bilhões. 2 dias antes do Nicolas pedir favor. E era isso que poderia ter salvo o Banco Master, né? Esse era o Hail Mary, esse era o bilhete de salvação, bilhete premiado do Vurcaro. Estava acontecendo ali com o banco público envolvido, né? Isso só não foi de fato, só não aconteceu efetivamente porque o Banco Central resolveu intervir na operação, evitou que o BRB comprasse esse ativo podre, basicamente salvasse o bumbum do Daniel Vurcaro.

E o Banco Central inclusive foi objeto de uma série de calúnias e de uma campanha pesada de acusações contra o Banco Central, que depois a gente soube que foi uma campanha subsidiada, paga pelo Daniel Vorcaro, para caluniar o Banco Central e os servidores do Banco Central que impediram que isso acontecesse. Eu não tô dizendo aqui que o Nicolas teve nenhum papel especificamente nesse anúncio da compra do Banco Master. Né, pelo BRB.

Eu tô só dizendo que o momento em que ele tá pedindo ajuda para o Vôrcaro é o momento em que o Vôrcaro mais está precisando de ajuda do poder público. É nesse momento, é no momento crucial da história que ele tá como deputado federal, um dos mais votados do Brasil, mandando áudio para o Dani para pedir um favor. Isso não é pequeno, eu acho isso— e pedir desculpas. Isso é muito central para a história. E isso obviamente depois não explica.

GDGregório Duvivier

Por ter criticado o Banco Master porque ele não sabia que era o banco do Dani. Que que ele quer dizer com isso? Eu nunca criticaria o seu banco, amigo. É isso que ele tá dizendo. Eu não sabia que era seu. Se essa é verdade ou se é mentira, tanto faz. Nos dois casos é ridículo. Se ele tiver mentindo para o Daniel Avocado que ele não sabia que o Banco Master era dele, é ridículo. Se ele tiver pedindo desculpas Porque ele, ele realmente não sabia, também é ridículo.

Mas em todo caso, ele tá pedindo desculpas por ter criticado o Banco Master. Ele não criticaria. Por que que ele não criticaria o banco do Daniel Vorcaro? Ele tem uma relação de dívida com ele. Ele é submisso a Daniel Vorcaro mesmo e pede favores a ele, como esse que ele pede no áudio, para liberar um ativo minerário. Que isso, cara? Que vergonha para alguém que se diz um bastião da luta contra a corrupção. É assim, é muito vergonhoso.

Você não tinha que ter, é muita cara de pau vir fazer um videozinho falando começou a campanha. Então, gente, ele faz um vídeo com assim, ele é, a gente tava falando que, ó, não, porque o Supremo não tá nem aí, gargalhou. Supremo gargalhou entre 4 paredes e o jornalista, o fotojornalista foi muito hábil em tirar essa foto. Eu acho o que o Nicolas faz pior, porque ele liga uma câmera e vem e gargalha na cara do eleitor dele, sabe?

E o eleitor é burro o suficiente pra acreditar. Aí é uma loucura mesmo. Gargalha... Eu não falei lindão. Assim, tá, mas explica que ativo minerário é esse, por que que você tava pedindo favor a ele, sabe? Assim, que que é isso? Por que que você pediu desculpas a ele? Não explicou nada, não explicou nada. E bola pra frente, foda-se. É um nível de foda assim muito grande, cara.

BTBruno Torturra

E tem um detalhe, gente, que de novo a gente não tem como provar isso, isso não tá dado, mas quando o Nicolas fala que a pessoa que tem interesse nesse ativo minerário é o advogado dele e é um irmão dele, isso também é muito relevante, porque a coisa mais comum do mundo na política— novamente, não necessariamente é o caso com o Nicolas, mas seria absolutamente parte de um padrão na política se esse ativo minerário na verdade fosse de interesse do próprio Nicolas— é muito comum na política que o seu advogado irmão seja ser o operador de corrupção.

Tem como saber se esse é o caso com o Nicolas? Não tem como saber. Mas ele não tá pedindo que o Vôrcaro ajude uma pessoa, um financiador de campanha, que já seria estranho, ou um eleitor, ou uma pessoa distante. Ele tá pedindo que o Vôrcaro ajude o irmão advogado dele, o advogado que é o companheiro, né, que ele próprio chama de irmão. Um irmão meu. Para mim, o que tá no subtexto, né, o que eu entendo que tá no subtexto quando ele diz Ele é meu advogado, enfim, um irmão meu é.

Esse pedido é para mim, esse pedido me diz respeito. Não tenho como provar isso, mas tô dizendo que isso seria parte de um padrão de comportamento na política. Nenhum político opera sua corrupção sozinho, você tem um operador sempre, né? E muitas vezes é um advogado próximo mesmo. E aí, como é que você indica para um banqueiro poderoso que tá com vários problemas, né, que ele precisa resolver com ajuda do poder público, que no fundo você tá colocando seu preço?

GDGregório Duvivier

Perfeito. Ou seja, você tem bandido, você gosta do Nicolas Ferreira, você tem bandido de estimação. É isso que você tem. Isso aí tá mais claro do que nunca. Ele é o seu bandido de estimação, ele é seu chaveirinho bandido, chaveirinho da bandidagem que você gosta, que ele é fofo, ele é um bandido fofo. Essa é a verdade, vamos ser sinceros.

BTBruno Torturra

Eu vou tentar refrasear de um jeito que dê menos chance de ter processo. Se você ainda tá acreditando no Nicolas Ferreira a essa altura, você no mínimo tem um mentiroso de estimação, porque é evidentemente mentira que ele não conhecia, que não sabia quem era, que ele chama de Dani porque ele não sabia o nome do cara. Aí não, o cara que tava, né, cujo jatinho ele tava pegando desde 22, 3 anos depois, em março de 2025, ele não sabe quem é?

Ele tá chamando de Dani porque por acaso ele não sabe que o cara se chama Daniel? Ele sabe suficiente, ele sabe que o cara pode ajudar o irmão advogado dele, amigo dele, próximo dele, a liberar um ativo minerário, mas ele não sabe o nome desse sujeito. De novo, sujeito que era dono do avião. É só um parênteses sobre o avião, gente. Eu não sei vocês, eu sou uma pessoa que viaja bastante de avião, mais do que eu gostaria, e eu tenho um pouco de medo de avião, né?

Não assim pavor, não é que eu não... Mas me dá um medinho. Mas eu nunca conheci ninguém que entrasse num avião que não é um avião de carreira, um avião comercial de companhia, sem saber de onde o avião veio. Porque avião cai. A coisa mais comum do mundo é avião cair, ainda mais jatinho. Essa ideia de que você tá entrando num avião que é do Vorcaro, você tá entrando nesse avião com o Valadão, que é amigo próximo, pastor, 50 anos de relação ali, décadas e décadas de relação entre a Lagoinha, a igreja do Valadão, e a família do Vôrcaro.

Desde o avô do Vôrcaro você tem uma relação. Então você tá entrando nesse avião com esse cara, o Valadão, que tem décadas de relação com o Vôrcaro. Você tá entrando nesse avião com o cunhado do Vôrcaro e você não sabe que o avião é do Vôrcaro? Isso não existe, entende? Então assim, no mínimo, você, se você tá acreditando no Nicolas a essa altura, você tá acreditando num mentiroso. Se é bandido ou não, a história dirá. Mas que é mentiroso, acho que tá bem estabelecido.

AOAlessandra Orofino

Eu acho que ele é mais que mentiroso. Se a gente não pode afirmar que ele é um bandido, mas ele é um suspeitíssimo. Ele é um cara que merece estar dentro de uma investigação profunda, né?

GDGregório Duvivier

Tem que quebrar o sigilo, tem que entender que ativo é esse, tem que ver. Diga, Bruno.

AOAlessandra Orofino

Mas uma coisa importante da gente falar, a gente poderia passar o programa inteiro falando dele, e esse é só um dos vazamentos que aconteceram nessa meio que nos últimos 3 dias. O Nicolas é uma das peças de um tabuleiro que tá pegando fogo mesmo. E sabe a minha preocupação? Que eu tô assim, acho que é o único comentário que eu tenho hoje a mais para fazer assim, que é o envolvimento do Flávio Bolsonaro tá virando notícia velha, né?

O Flávio tá meio fora do escândalo. Então a coisa que eu tô realmente preocupado com esses mega vazamentos, inclusive polêmicas em torno de Nicolas, Alexandre de Moraes, Mendonça, tudo mais, é que eu acho esse um escândalo, tá assim, saudável. É muito bom que isso venha à tona, que a gente tenha capacidade de investigar, que o Brasil veja isso, que o sigilo caia. A coisa que tá me deixando de cabelo em pé é que isso tá acontecendo a um mês das eleições, cara, porque o tipo de imprevisibilidade, o tipo de mexida no terreno que isso dá, a capacidade não só de manipulação de informação mais de afeto que provoca no público.

É muito estranho. E a coisa louca é que o Flávio, ele, ele é, ele não é a página virada, mas o escândalo dele, meio por ser mais antigo, ele tá sendo dissolvido. E das pessoas envolvidas hoje nesse escândalo, disparado, o Flávio é mais consequente disso. Porque dessas pessoas todas, o Flávio é a única pessoa que pode chegar na presidência, o que seria a pessoa mais graduada a ser potencialmente corrompida pelo dinheiro do Vorcaro.

E eu acho que nesse escândalo todo o STF tá entrando no centro, que me parece um território de escândalo muito favorável à compreensão de corrupção que o bolsonarismo tem. Sabe, eu não sei o que que vocês acham disso, mas eu tô um pouco, para variar, um pouco pessimista.

BTBruno Torturra

Eu também quero falar do Flávio, acho que você tem toda razão, mas antes eu queria só ficar um pouquinho mais no Nicolas, porque o Greg levantou uma bola que eu acho que vale a pena a gente olhar com mais carinho. Greg, você perguntou, né, você falou, bom, a gente tem que ver que ativo minerário era esse que o Nicolas tava defendendo ali quando ele liga para o Dani para pedir ajuda. E o Estado de Minas, ele apurou um pouco essa história e traz uma informação que pode nos ajudar a entender que ativo minerário possivelmente seria esse, né?

Então, como eu já falei, o áudio do Nicolas é do final de março de 25, e a gente sabe que o Thiago Rodrigues de Faria, que é o advogado do Nicolas a que ele se refere, que também foi assessor dele, é realmente uma pessoa muito próxima, trabalhou no gabinete do Nicolas, ele assinou em janeiro de 25, ou seja, 2 meses antes do Nicolas mandar esse áudio para o Daniel Vorcaro, ele assinou um contrato com uma empresa chamada G+ Ambiental, e é um contrato de intermediação.

É basicamente um contrato no qual o Thiago Rodrigues de Faria e o escritório dele, na verdade, ganha uma garantia de 25% do lucro de um negócio. E qual que é o negócio? É que se obtenha uma autorização para minerar numa lavra, num espaço em Minas Gerais, e que essa lavra seja vendida uma vez obtida autorização. Então, basicamente, a gente tem uma empresa essa G+ ambiental, pagando ou prometendo lucros milionários para o advogado irmão do Nicolas, palavras do Nicolas, não minhas, né, ele que chama esse advogado de irmão, caso esse advogado ajudasse, não se sabe bem como, a desembolar ali uma questão de licenciamento para mineração nessa área, tá.

Esse negócio era estimado em cerca de 45 milhões de dólares, então 25% do lucro é muito, muito dinheiro, tá. Então quando o deputado, quando o Nicolas Ferreira liga para o Daniel Vorcaro pedindo para o Daniel ajudar a destravar um ativo minerário, esse contrato de êxito que a gente chama, que é basicamente um contrato que promete um prêmio em dinheiro caso alguma coisa aconteça, já tá assinado com o escritório do Thiago Rodrigues de Faria e tá esperando esse destravamento.

Agora, a lavra em questão, aonde a tal da mineração poderia acontecer, ela, ela conta, ela tá no distrito de Rodrigo Silva, que é perto de Ouro Preto, e os direitos são da mineradora Topázio Imperial, tá? Dentro dessa lavra tem uma barragem que é a Barragem de Água Fria. Ela foi construída por um método que se chama método amontante, que é o mesmo método de construção de barragem que foi usado em Mariana e em Brumadinho. É um método muito arriscado e ela tá listada entre os 7 barramentos com maior risco de rompimento no Brasil, tá?

Então é uma barragem que tem risco de rompimento, é por isso que tá difícil de liberar a atividade de mineração nessa região. E o Ministério Público Federal basicamente parou as atividades justamente por isso, porque há risco de vida para população local. É isso que tá travado, é isso que tá travando esse negócio, que se ele destravar, o advogado irmão do Nicolas, ex-assessor do Nicolas, essa pessoa super próxima dele, vai ganhar milhões de dólares.

E é nesse contexto da existência desse contrato que precisa ser gravado, apesar de haver uma barragem que tem alto risco de rompimento e que se ela romper, gente morre. É nesse contexto que o Nicolas Ferreira tá ligando para o Daniel Vorcaro para pedir ajuda com um ativo minerário, tá? 6 meses depois dessa ligação do Nicolas para o Vorcaro, a Polícia Federal deflagrou uma operação em Minas Gerais chamada Operação Rejeito, que era justamente sobre corrupção em processo de licenciamento mineral.

Foram feitos vários mandatos de busca e apreensão, 22 mandatos de prisão, mais de R$1 bilhão e meio foram bloqueados. E a G+, essa empresa que assinou o contrato com o advogado irmão do Nicolas Ferreira, a G+ apareceu no relatório da PF como uma empresa de fachada que funcionava no endereço de uma clínica de estética em Belo Horizonte e tinha dois gestores ocultos: o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, que tinha sido superintendente da PF Minas, e o consultor ambiental Gilberto Henrique Horta de Carvalho.

Eles dois foram presos, tá? Agora, essa, segundo essa investigação da PF deflagrada, portanto, alguns meses depois do áudio do Nicolas, esse mesmo núcleo ali da G+, etc., também tocava o Projeto Taquariu, que é um projeto para tirar minério de ferro na Serra do Curral, com o mesmo lobista. E esse Parque Nacional da Serra do Curral é um parque nacional ali pertinho de BH. Na verdade, a criação, havia a proposta de criação de um parque nacional que justamente impediria a exploração de minério de ferro ali do do lado de BH, tá?

E naquele mesmo ano você tinha uma população enorme em BH se mobilizando para que o parque fosse criado, para que as atividades minerárias ali fossem cessadas, basicamente porque os moradores estavam mostrando que eles varriam a casa e saía pó de minério brilhando, que tinha explosão de madrugada, que as paredes estavam rachando das casas, que uma criança foi atropelada por um caminhão de mineração. É com essa gente interessada nesse tipo de exploração de mineração que o advogado irmão do Nicolas tava metido com contrato assinado com milhões de dólares para serem ganhos.

E é no meio dessa história que tem o Nicolas Ferreira ligando para o Alvaro Caro. Acho isso muito importante que a gente lembre. Na verdade, esse ativo minerário, ele é talvez o maior escândalo da história toda e o que tá recebendo menos atenção.

GDGregório Duvivier

Perfeito. Obrigado por trazer isso e obrigado por falar mais do Nicolas, porque acho que é muito importante. Não se deixe de falar, pelo amor de Deus. Não se canse. E meu Deus, que vergonha! Mas eu vou voltar aqui para o comentário do Bruno, que eu acho que é muito importante. Eu tava com medo do comentário do Bruno porque eu sabia que o Bruno ele ia trazer aqui uma densidade que eu não tava a fim. Eu tava só gostando mesmo de lembrar do quanto que o bolsonarismo tá enfiado até aqui.

Mas o Bruno tem toda razão, eu acho que ele costuma ter, de que eu acho que realmente esse escândalo a um mês da eleição pode gerar um sentimento antipolítico muito perigoso, e que geral quem se beneficia dele é a extrema-direita. A gente, mesmo que a extrema-direita esteja afundada até o pescoço no escândalo, tem um tipo de meme que eu queria que você— vamos mostrar aqui para o Bruno antes de voltar para ele, que tá rolando muito aqui, que é esse meme aqui.

Isso daí tá circulando em redes de esquerda, tá? Pessoas de esquerda estão falando: só eu que não recebi Pix do Orcaro? Ou mundo inteiro vazio com as pessoas que não receberam Pix do Orcaro? Coisas que— o que que esse meme tá dizendo? Basicamente, qual é a graça, entre aspas, dele? É que toda a classe política está envolvida, que nem é só a classe política, o mundo todo. Ou seja, um escândalo geral que mexe em todas as esferas do poder e todas as pessoas que estão, alguma vez se meteram com política.

Mentira! Isso é mentira, gente, isso é mentira! Porque tem, pô, não preciso nem dizer. Eu sei que uma meme geral é mentira, que uma piada é mentira, mas nesse caso é uma mentira de direita. Vocês estão compartilhando uma mentira de direita. Não, não é só você que não recebeu o Pix do Vorcário, é o Lula. Sinceros, é o Lula, não recebeu nenhum indício que ele tenha recebido nada na vida dele do Vorcário. Então assim, é para dizer uma pessoa só, mas não precisa nem dizer todos os políticos de esquerda que não tem nada a ver com isso, né? Do PT, só o PT da Bahia que é de direita, como ele já falou, mas tudo bem.

AOAlessandra Orofino

O Haddad, a Marina Silva, a Simone Tebet, O Dino.

GDGregório Duvivier

Porra, a gente podia ficar aqui falando um dia inteiro das pessoas que não receberam. Até o Zanin, que a gente pode criticar, se ele for, mas tudo bem que ele não era ministro na época, mas ainda assim, enfim.

AOAlessandra Orofino

Mas podia ter dado um telefonema para o Dani, né?

BTBruno Torturra

Poderia ter dado um telefonema para o Dani, inclusive durante o processo de confirmação dele como ministro, que é o tipo de momento que você precisa de ajuda de alguém poderoso.

GDGregório Duvivier

Sinal, só fazer um adendo, a gente falou de pessoas que não têm nada, realmente o Zanin não tem nada Nada contra ele até o momento não, tá? É, a gente não botou ele naquele pacote que entrou o Cármen Lúcia, Fachin, Dino, Zanin também. Até hoje não tem nada. Então assim, a gente só para lembrar disso, porque senão, de modo geral, botar todos os políticos no mesmo saco favorece muito a extrema-direita, sempre. E eles vivem disso. Mas Bruno, o que você tá sentindo?

AOAlessandra Orofino

Meio que anula o escândalo do Flávio, porque ele se dissolve, ele se dilui, vira uma solução com muitas substâncias em suspensão. E claro, eu acho um puta erro o nosso campo fazer o argumento superficial de mar de lama. Eu acho que é importante reconhecer que o Lula fez ontem um vídeo bom. Eu não achei um vídeo ideal, mas ele fez um discurso correto sobre investigar todo mundo, doa a quem doer. Mas ele não deu relevo na figura mais importante, mais central disso, que é o Flávio Bolsonaro.

Né? E essa diluição, essa coisa de se todo mundo é igual, eu posso fazer uma outra análise, dizer, ah, o jogo e o Evocaro deixa de ser um escândalo porque tudo é um escândalo, favorece o Flávio. E aí tem o personagem central disso, que para mim assim, puta que pariu, Alexandre de Moraes, que novamente a gente já falou no Calma, em algumas ocasiões teve um corte nosso que viralizou quando eu falava que o Alexandre de Moraes sempre foi de direita, da direita brasileira, quem que ele foi, não sei o quê.

Aí que ele fez um trabalho super importante, mas que a gente deu uma glorificada muito fora da casinha. Mas o que me surpreende não é que eu esperava que ele fosse um cara de esquerda, progressista, nada disso, nunca esperei mesmo. Mas eu achava ingenuamente que o Alexandre de Moraes, especialmente depois do que ele fez no governo Bolsonaro, ele teria a dimensão biográfica dele. Eu não tô falando que ele seria um cara que eu confiava, que era honesto, não sei o quê, mas o Alexandre de Moraes, ele teve um peso absolutamente desproporcional histórico na restabilização da nossa democracia.

Foi muito por causa disso que ele virou um herói para muita gente. Ele foi o antagonista do Bolsonaro, que de muitas maneiras a gente precisou para que ele fosse constrangido com a lei e com todo o resto. E o que essa, o que esse contrato e essa relação com o Evocaro faz é assim, é uma irresponsabilidade muito além da corrupção, porque o que ele representa como fiador indireto da estabilidade democrática brasileira, de ser o inimigo do Bolsonaro, ele tinha uma responsabilidade muito além da própria lei, muito além da própria ética.

Que vamos falar, não tá nem claro se o Alexandre de Moraes cometeu um crime, como algumas pessoas têm falado para defender ele. Mas uma coisa dá para falar: ele foi absolutamente antiético e ele foi absolutamente irresponsável com o peso histórico que ele desempenha para manter o bolsonarismo no lugar dele, que é um bando de golpista safado, desonesto, que deve à justiça. E é isso que de maneira indireta desestabiliza muito a candidatura Lula, apesar do Lula tá limpo nessa história, não tem nada que ver com essa história.

Mas na cabeça do eleitor médio que não acompanha os detalhes, que não vai acompanhar o nome de quem, o recibo de quem, a narrativa foi muito bem estabelecida pela extrema-direita. E o que o Flávio precisa para ganhar a eleição não é uma virada de mesa, são 4 pontos, cara, 4 pontos que estão em disputa absolutamente nos indecisos e nesse eleitor que tem uma compreensão moralista da política. E eu acho novamente que o cenário que tá se desenhando é esse.

E o que a campanha do Lula precisa fazer, e o que o nosso campo precisa fazer, é ser radicalmente tático na maneira como isso vai ser comunicado de hoje em diante.

GDGregório Duvivier

Bruno, mas 4 pontos é que eu acho que você foi otimista. Eu, com 1 ponto ele resolve no segundo turno.

AOAlessandra Orofino

É, não, ele resolve com 1 ponto. E a gente tem que lembrar que historicamente a gente nunca teve um exemplo oposto disso. Quando a urna abre, eles costumam ter bem mais votos do que a pesquisa diz. Na extrema-direita do mundo todo. Milei, o colombiano, Donald Trump, Bolsonaro, candidatos a deputado, candidatos ao Senado, Nicolas da vida. A gente sabe disso. Então assim, eles têm máquinas, é foda.

GDGregório Duvivier

Exatamente. E eu nem acho que seja, Bruno, voto envergonhado como era tradicionalmente no Le Pen e tal, não. Eu acho que hoje é mesmo máquinas invisíveis, né? Máquinas WhatsApp, disparos de todo tipo. Deep webs da vida. Mas isso, exatamente. Tem uma outra coisa que a gente não falou, que eu acho que tem um monte de coisa que a gente não falou, mas uma delas que eu acho que é especialmente gritante, que é o fato de que quem tá controlando tudo, o timing inclusive dos vazamentos, mas não só aquilo que é vazado, é uma pessoa diretamente envolvida no escândalo, que eu acho uma loucura, que é o André Mendonça.

O André Mendonça se encontrou com o Vorcaro também. Ele nunca poderia estar com esse vazamento nas mãos, ele nunca podia estar com esse caso nas mãos. Vamos lembrar que isso daí foi outra coisa que vazou também, pois aí tá passando batido. André Mendonça se encontrou reservadamente com o Vôrcaro, encontro articulado pelo advogado Ciro Soares, pelo deputado Cezinha Madureira do PL, confirmado por ele mesmo numa das minhas testemunhas.

O Ciro diz que ele foi com Mendonça a um alfaiate para o ministro fazer um terno. Tá assim, aí realmente é uma coisa que, pelo amor de Deus, o Edson Fachin inclusive, perdão, o Alexandre de Moraes pediu, fez um pedido de investigação contra André Mendonça, que é uma loucura, o ministro do Supremo pedindo para investigar o outro. Mas nesse caso, Moraes tem razão, tem que investigar o Mendonça também, e o Moraes obviamente também.

Mas tem fortes indícios ali realmente de, do que ele tá dizendo, é que a improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade. O André Mendonça não tem autoridade, não tem legitimidade para estar tocando esse processo mesmo, nenhuma. Então ainda tem isso. E o Paulo Gonê é outro, que é outra loucura. Meu Deus do céu, o cara é PGR! Ele diz, o André Gonê teria dito que estava na torcida pelo grupo do Vôrcaro.

Do Vôrcaro afirmou que estaria com saudades dele. Isso daí, claro, não é ele, a gente não tem o áudio dele, a gente tem o Ciro Soares, o advogado. Do Vôrcaro fazendo intermediação e falando essas coisas. E dizendo que, ao que parece, o Gonê viajou a Londres com o filho, com despesas bancadas pelo Master. Teve prova de whisky em Londres.

AOAlessandra Orofino

Falando feliz, né? Falando feliz que ia ter charuto e Macallan, que é um whisky single malt de vergonha, cara. É James Bond, toma.

BTBruno Torturra

É uma coisa, a gente já falou um pouquinho em outros episódios do Calma, mas eu acho que a cada capítulo desse escândalo Master, isso vai se cristalizando, né? E tem a ver inclusive com o fato, por exemplo, da Carmen Lúcia ser uma ausência notória também nessa história. Tem uma— o escândalo sempre se confunde com, por um lado, uma lógica da ostentação da área VIP. Tem, claro, tem os montantes relevantes de dinheiro, né? O contrato do Vorcaro, do Bancomaster, com a mulher do Alexandre de Moraes, ele é para um montante muito relevante.

O dinheiro que o Flávio vai e pede para o Vô Caro depositar no fundo, né, do Eduardo Bolsonaro também é um montante extremamente relevante. Mas em muitos casos parece que a moeda de troca era simplesmente esses favores e essas pequenas propinas e esses pequenos acessos, que em si não são necessariamente gigantes em termos monetários, ou pelo menos muito menos relevantes do que o próprio, né, a própria, o próprio pedido do Flávio Bolsonaro, por exemplo, mas denotam alguma coisa, né?

E até a maneira como o Avocado se refere a essas coisas. Ele fala da experiência em Campos de Jordão que ele tava montando, experiência ultra VIP. É uma obsessão com a área VIP, é uma obsessão com camarote, é uma obsessão com a bebida que pisca, sabe? É esse, essa estética realizada. E a sensação que dá é que o cara não tinha só uma parte relevante dos políticos, sobretudo, né, do centrão e da direita, na mão, mas ele tinha uma parte relevante desses políticos numa situação de deslumbre hipnótico com o tipo de vida que ele mesmo levava, sabe?

É uma coisa meio dessas pessoas estarem: ó meu Deus, então quer dizer que eu posso andar de jatinho e eu posso tomar esse uísque, eu posso fumar esse charuto, e o meu filho pode ir para Londres. Inclusive, a conexão com o próprio, né, a conexão alegada com o próprio Jacques Wagner, com o Peita da Bahia, também passa por esse lugar. É o show da Taylor Swift, é o ingresso para filha, é o camarote. São coisas muito, no fundo, prosaicas, sabe?

É claro, isso não é o caso de todos os personagens envolvidos. No caso específico do Alexandre de Moraes e do Flávio Bolsonaro, a gente tá falando de dinheiro dinheiro mesmo, e dinheiro alto. Então não é simplesmente o camarote ou a área VIP ou jatinho, que valem dinheiro, mas tem um aspecto qualitativo diferente, né? Mas eu fico muito chocada. E aí a segunda coisa, e é por isso que eu acho que tem a ver com a questão da Carmen Lúcia, é que muitas vezes também se confunde com um universo de uma masculinidade muito terrível, né?

São as meninas, as suíças, as prostitutas, as garotas de programas, acompanhantes às festas. É uma coisa, não sei, gente, é um universo muito específico e ele tem um tipo de apelo para uma parte mais relevante da classe política do que eu achei que se deixaria seduzir por esse tipo de coisa, sabe? Eu sei que isso é real, que isso é parte não só de como a política funciona, mas como o mundo dos negócios funciona. Mas eu devo confessar que eu fico genuinamente surpresa com o quanto que as pessoas se deixaram corromper simplesmente por um certo cheiro de um universo de luxo, sabe?

AOAlessandra Orofino

É tão mansinho, a experiência ultra VIP, que é novamente, é um valor muito pervasivo na nossa cultura como um todo.

GDGregório Duvivier

Como um todo.

AOAlessandra Orofino

Mas eu fico surpreso com duas coisas. Não tô falando nem que eu esperava alguma coisa do papel institucional de um PGR, né? Assim, de uma pessoa que é uma instituição, pessoas de toga, né? Assim, quando você ganha toga, ganha cargo nesses lugares, com todas as suas prerrogativas, é porque você deixa de ser um indivíduo, você deixa de ter certas liberdades porque você representa uma coisa muito maior. Mas tem uma outra coisa que entra para mim mais no campo da burrice, da cegueira.

Isso que você colocou acho que é bem verdade, é uma coisa hipnótica. Eles parecem que eles estão meio seduzidos por um canto de sereia da área VIP, assim, por um promoter master cheio de pulseirinha no bolso, assim. Que é, vocês estão fazendo isso, vocês estão fazendo isso pouco tempo depois de grandes escândalos onde tudo isso vem à tona. Quantos celulares já foram apreendidos nos últimos anos e que estoura na cara de todo mundo?

Tudo bem que eles podem não ter medo de ser preso, mas parece que eles sequer têm a preocupação que podem ser expostos de alguma maneira, né? E assim, a gente veio depois de vaza-jato, de hackeamento, de de Mensalão, não, de Petrolão, de um monte de escândalo mesmo onde essas entranhas estavam colocadas. E ninguém aqui, ninguém dos envolvidos, Gonê, Alexandre de Moraes, ninguém deles pode alegar que o Vôrcaro era uma pessoa acima de qualquer suspeita, que foi um susto para eles.

De saber que o Banco Master tinha alguma coisa suspeita, no mínimo, antes do escândalo estourar. Mas tem uma outra coisa, que é: mesmo se fosse o empresário mais idôneo do país, como é que você aceita isso, cara? Assim, é, não sei, eu não sei nem concluir. Assim, é esfregar na cara mesmo da sociedade de novo. Então tem uma falência de credibilidade institucional que tá aprofundada, que esvazia qualquer argumento das pessoas que ainda estavam tentando manter o bebê junto com água do banho da nossa república como ela é hoje em dia.

E para encerrar, uma crítica que a gente fez muitas e muitas vezes, mas acho que hoje ela se aprofunda de maneira definitiva nesse último mês que o Lula precisa garantir a reeleição dele, que é: o Lula não pode ser no fim das contas, o defensor das instituições, cara, porque é elas é que realmente assim estão absolutamente na lama, né? E essas exceções, esses nomes que não estão envolvidos, são os nomes que precisam de algum jeito serem imbuídos não só de uma certa expectativa pública, mas de responsabilidade histórica de ir além do que o vídeo que o Lula fez ontem, que foi um bom vídeo, mas é virar plataforma de campanha mesmo, sabe, de refundar essas coisas.

BTBruno Torturra

Bruno, só porque tanta coisa essa semana, relembra para quem tá nos ouvindo.

AOAlessandra Orofino

O Lula fez um vídeo que eu achei um vídeo muito bem posicionado, um vídeo que eu não tenho críticas ao que o vídeo representa. Ele se pronunciou mais como presidente do que como candidato, o que eu acho importante, mas não suficiente, em que ele fala categoricamente, sem citar nomes, que as instituições, que o Supremo precisa— basicamente ele fala que precisa de muita transparência, que a gente precisa saber de tudo, que todo mundo tem que ser investigado, doa quem adoer, ninguém tem que ser protegido, não interessa que grupo político é.

Ele não cita, claro, Alexandre de Moraes, não cita Enfim, não cita o Jax Wagner, não cita o Flávio Bolsonaro, não faz nada disso. Então ele fez um pronunciamento de presidente falando: quero ver tudo investigado. Ótimo. Ah, e ele fala no final, Alessandra, que ele, que essa, que a gente precisa de uma reforma nessas instituições. Ele deixa isso no ar, mas deixa dito, o que é muito importante. Mas eu acho que agora, a partir de segunda-feira, a partir de terça-feira, vai ter o feriado para pensar bem no que vão fazer.

Essa reforma precisa ser qualificada, as exceções precisam ser ditas, precisa dizer para o povo brasileiro que ele não tem a ver com isso, que o Dino não tem a ver com isso, que precisa botar esses nomes, acabar com esse papo de que tá todo mundo envolvido nisso. E insisto de novo, o Flávio precisa voltar para o centro dessa merda, porque a gente tem tempo para investigar o Alexandre de Moraes, Isso demora, produção de prova, autorização.

Tem tempo para investigar o Mendonça, eles não vão cair de um dia para o outro. Tem tempo a gente investigar o Jax Wagner. A gente não tem tempo publicamente de esperar os devidos ritos para responsabilizar o Flávio Bolsonaro, porque existe uma chance significativa e cada vez maior hoje, daqui a poucas semanas, desse cara ser presidente eleito. E aí acabou.

BTBruno Torturra

E aqui, aí acabou. Acho que é importante Com certeza, Bruno. E aí, né, você tá aqui pedindo para a gente falar do Flávio, vamos falar do Flávio, porque não dá, cara, ninguém tá falando. É, não, tem uma, tem uma, um outro detalhe. Acho que a gente tá se perdendo muito na cronologia nessa história do Magister. E a cronologia importa muito, né, porque o Banco Magister, ele começa a operar ali em 2020 e ele tem uma mudança radical de perfil, né, de primeiro um crescimento patrimonial absoluto.

E as coisas que eram, né, impressionante, e as coisas que eram verdade em 2020 não são exatamente mais verdade em 22, e não são exatamente mais verdade em 24, não são mais exatamente verdade em 25 e em 26. Então, quando as coisas aconteceram importa demais. Eu acho que tem alguns marcos nessa história, né? Tem a matéria da Piauí, que aliás eu falei no início do programa que era de 23, na verdade ela é de 24. Então entre 20 e 24, eu acho que ainda dava para você alegar que você não tinha muita certeza de que o Vô Caro era um picareta.

A verdade é que a própria matéria da Piauí vai mostrar que essa história já corria a boca miúda em Brasília há muito tempo. As pessoas já estavam ali sabendo o que tava acontecendo, porque o Banco Master já vinha oferecendo ganhos completamente fora do padrão de mercado, dinheiro fácil. Aquilo já tava se portando mal há muito tempo, tanto que a Piauí foi compelida a fazer uma investigação e a publicar uma matéria em 24. Mas você poderia alegar que não havia nada de relevante na imprensa, que você não tava sabendo.

Em 24, a matéria da Piauí é publicada. Então isso muda completamente a história, e qualquer tipo de contato com o Vorcaro a partir desse momento tem que ser lido e visto a partir dessa lente. Em 25, ali em março, como eu falei, né, justamente na época em que o Nicolas manda esse áudio para o Vorcaro e disse essa, esse anúncio, essa tentativa de compra, né, do Banco Master pelo BRB, que é essa tentativa essencialmente de salvar o Voo Caro com dinheiro público, né, com o banco público.

Então a coisa fica significativamente pior justamente em março. E aliás, não é à toa que vários desses vazamentos dizem respeito a interações ou conversas que o Voo Caro teve com pessoas em março de 25, porque é o momento em que ele tá negociando essa compra. E depois disso existe a deflagração da investigação da Polícia Federal e o início dos primeiros vazamentos e as notícias se acumulando. O Flávio tá falando com o Vôrcaro já em 25 também, e o recebimento de montantes, né, pelo fundo do Eduardo Bolsonaro de dinheiro do Flávio, ele acontece até quase o final de 25.

Aliás, uma das revelações dessa semana foi justamente o fato de que houve um último montante sobre o qual a gente não sabia ainda. Então a gente sabe que essa relação ela se estendeu durante boa parte do ano de 2025, em paralelo justamente às investigações e ao acúmulo de denúncias, né. Então o Flávio, ele tá falando com o cara naquele momento que já é um cara completamente encalacrado, que já tá no olho desse escândalo e que já tá sob investigação da Polícia Federal.

E a família Bolsonaro, através desse fundo que é controlado pelo advogado— olha os advogados de novo ali, né— pelo advogado do Eduardo Bolsonaro, tá recebendo dinheiro, portanto, desse cara enquanto ele tá sendo realmente denunciado por questões muito sérias. Ele não— eles não estão conversando em 21. Seria muito diferente se eles tivessem conversando em 21. Eu realmente acho que de todas as coisas que a gente viu, efetivamente, como você falou, né, Bruno, as duas coisas mais graves são a relação com Alexandre de Moraes, que é inadmissível por muitas razões, e essa relação com o Flávio.

Mas a coisa mais consequente para a República agora é efetivamente a relação com o Flávio, porque existe uma definição de eleição. É isso. A Piauí revelou esses pagamentos até setembro, com indícios de pagamento outubro de 25, tá? É muito grave.

GDGregório Duvivier

E tem algo que eu acho que não tá sendo dito, não tá tendo alcance que deveria, que é o fato de que o próprio Vôrcaro afirmou na sua proposta de delação, que foi rejeitada pelas autoridades, não sei por quê, porque isso daí é uma delação muito vultosa e muito importante, que é o fato de que o Vôrcaro na delação estaria dizendo que ele deu R$5 milhões em doações oficiais para campanha de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 22, o que por si só já é escandaloso, Sim, o Vôrcaro deu R$5 milhões para Bolsonaro e Tarcísio, 3 para um, 2 para o outro, em 22.

O Vôrcaro deu R$5 milhões para Bolsonaro, para Tarcísio em 22. Além disso, o que ele diz é que esse dinheiro, obviamente, né, não tem caixa de nós, é propina. Isso aí foi propina no acordo articulado com o Kassab para manter o Credsesta no governo paulista, tá? Então ele comprou, eu, o Vôrcaro está dizendo na delação dele que ele comprou, que ele subornou o Tarcísio de Freitas. E o Bolsonaro, a gente não sabe nem qual é o motivo exatamente, se é só Bolsonaro. Doação de campanha, né? Doação de campanha, sim.

BTBruno Torturra

Mas o nome, que ele subornou o Kassab, ele veio querendo dizer que é dando dinheiro para Bolsonaro e para o Tarcísio.

AOAlessandra Orofino

E só falando aqui, um outro aposto rapidinho só para não esquecer: o Gilberto Ekassab, que é o candidato à vice-presidência do Ronaldo Caiado, outra chapa da direita brasileira em campo.

GDGregório Duvivier

Então assim, é, eu acho muito louco isso aí não seja mais gritante, queria entender por que que essa doação, essa delação, ela foi rejeitada. Mas enfim, eu acho que a direita tá até aqui. O Tarcísio está envolvido, entendeu? A gente tá falando de Bolsonaro, está falando de Kassab, de pessoas assim, de, não é espectro diferente, porque é tudo muito parecido, mas tem gente mais do centrão, tem gente mais da extrema-direita, tem bolsonarista radical, Tem o Ciro Nogueira, tem direita pragmática, tem direita técnica, tem todos os espectros da direita, estão com o Máster até aqui.

BTBruno Torturra

E o Flávio Bolsonaro, claro, tem um outro nome, tem um outro nome da direita, clássico nome na direita brasileira, que também tem um envolvimento direto com o caso Máster, que é o Michel Temer, né? Só lembrando, aquela história é porque, de novo, gente, tá um pouco confuso esse calma, porque a história é confusa mesmo. Mas eu vou ficar repetindo as cronologias mil vezes porque as cronologias são muito, são muito importantes, elas dizem muito, tá?

Aquela história que tava acontecendo em março, vamos, vou repetir para a gente não esquecer. 28 de março a gente tem um anúncio de que o BRB, o Banco Público de Brasília, ia comprar o Master. 30 de março o Nicolas tá mandando áudio para o Daniel Vorcaro para pedir possivelmente ajuda dele para liberar um ativo minerário que era essencialmente um contrato de mineração, de exploração de minério em Minas sobre o qual o advogado e assessor do Nicolas, uma pessoa super próxima que o próprio Nicolas chama de irmão, tinha um interesse direto, um negócio de milhões de reais que precisava ser liberado pelas autoridades. 2 dias depois, né, do, desse anúncio de que o BRB compraria o Maggi, isso em março.

O Banco Central vai rejeitar a compra do BRB em 3 de setembro de 2025, tá? Então meses depois essa compra é rejeitada porque evidentemente era um absurdo, o negócio, ele ia transferir para um banco público o passivo ali do Master. Isso aconteceu em 3 de setembro. Em 8 de setembro, 5 dias depois da rejeição da compra, o Flávio manda o áudio para o Daniel Vorcaro pedindo dinheiro para pagar, supostamente pagar as contas do filme do pai.

Então isso tá acontecendo 5 dias depois do Banco Central falar: não vamos, não vamos permitir que um banco público, que o BRB, assuma os passivos do Master e salve a pele do Vorcado. 5 dias depois do Banco Central tomar essa decisão, enquanto o Banco Central tá sendo atacado de todos os lados, enquanto tem influenciador, alfineteio, caralho a 4, recebendo dinheiro para falar mal do Banco Central, tá um senador da República, candidato à presidência da República, mandando áudio para esse homem para pedir dinheiro para família dele.

É isso que tá nesse momento. As coisas não aconteceram em outra cronologia. E aí, claro, quando a gente soma isso, o fato, como você disse, foi entregue de que esse mesmo banqueiro já tava apoiando campanha do Tarcísio e campanha do Bolsonaro, não só apoiando, mas sendo, né, através do Zé, ter o maior doador de campanha desses dois desde 22, a gente percebe que esse é um projeto construído ao longo de anos. É evidente que é. E que se o Flávio ganha esse ano, o projeto se conclui.

Esse sujeito que tá recebendo dinheiro, né, cuja família tá recebendo dinheiro do a 4 anos pode virar presidente da República, mesmo tendo mandado áudio pedindo milhões de reais para esse cara 5 dias depois do Banco Central falar: a gente não vai comprar, não vai permitir que o BRB compre esse banco não. Ou seja, quando o cara tá no pico da crise, ele tá desesperado porque ele não tá conseguindo fazer o negócio avançar, é nesse contexto que você tem um agente público com o poder de um senador pedindo dinheiro para ele.

Ah, tô pedindo dinheiro para o filme. Não tá pedindo dinheiro para o filme, tá pedindo dinheiro para um fundo controlado pelo advogado do irmão. Se o dinheiro vai ser usado no filme ou se ele vai ser usado na paçoca, não tem como saber. E a gente não sabe porque o perito da própria produtora não conseguiu acesso ao fundo.

GDGregório Duvivier

Não tem acesso ao fundo. E mais, a produtora não tem acesso ao fundo. E na delação agora do mineiro, que é Antônio Carlos Freixo Júnior, que é o mineiro operador financeiro do Boccaro, na delação dele, tá, o que ele diz é que o dinheiro estava sendo destinado a um fundo dos Estados Unidos chamado Heaven Gate Development Fund, que é administrado pelo advogado do Eduardo Bolsonaro. E as autoridades suspeitam, claro, que parte era destinada ao próprio Eduardo, o que sinceramente é um pouco óbvio.

Porque é muito curioso que todo mundo, logo todo mundo, quando você vê os R$130 milhões do escritório da Barsi de Moraes, da Viviane Briardo Moraes, a pessoa olha e fala assim: não, esse daí é estranho, isso daí não é salário de advogado, isso não é honorário de advogado, isso é honorário de ministro do Supremo. Né? As pessoas fazem essa relação com alguma razão, óbvio, eu diria com toda razão, não tô falando alguma razão, questões jurídicas.

Mas quando você vê o Volcaro dando 65 milhões, milhões para o Flávio, para um filme, você fala: não, isso não é dinheiro de filme, né? Isso é dinheiro que você dá a candidato a presidente, a deputado. Esse tipo de dinheiro é um dinheiro que você não dá para um produtor de um filme. Ele deu, Volcaro deu esse dinheiro para alguma outra produção de filme?

BTBruno Torturra

Ele financiou Se Eu Fosse Você 3, ele é o grande diretor executivo das artes.

AOAlessandra Orofino

E tem uma outra coisa nessa história. Vamos supor, com a boa-fé que eles não merecem, que o dinheiro foi para o filme, foi só para o filme, não teve um centavo que foi desviado, ele só gastou com produção cinematográfica. Vamos lembrar que essa produção cinematográfica não é exatamente um filme, filme é uma peça de campanha de propaganda eleitoral para garantir a eleição da família Bolsonaro nesse ano. É porque deu ruim, é porque virou um escândalo.

E o filme é porque o filme é muito ruim e tem um escândalo que ele não vai ser, que ele não vai entrar em cartaz no 7 de setembro, pessoal. Então tem que lembrar que 5 dias depois do Evocaro, tá fodido. O cara liga não é para pedir um favor por aí, é simplesmente, ó, é grana da nossa campanha, isso aqui é para garantir que o nosso grupo tem alguma, tenha mais chance em 26. E aí tem um outro personagem que eu queria jogar aqui, que também tá passando ileso assim de um jeito muito louco, que é o Fábio Faria.

Faria, o ex-ministro de quem? Do Bolsonaro, que é o cara que fez a ponte entre o Alexandre de Moraes e o Evocaro. Então, para quem acha que o bolsonarismo é inimigo mortal do Alexandre de Moraes, é bom lembrar quem é o Fábio Faria, a extrema proximidade que esse cara tem com a família Bolsonaro e com o projeto, porque era ministro das Comunicações, não é qualquer coisa.

BTBruno Torturra

Né?

AOAlessandra Orofino

Não era um cargo encostado, ele era um político assim que precisava de uma vaga lá. Não, ele é um homem do núcleo duro mesmo que fez a ponte entre o Vórcaro e o Alexandre de Moraes. Então até a suspeita sobre o Alexandre se dá por uma ponte feita pelo, pelo bolsonarismo mais raiz que tem. Não veio da esquerda a ponte do Vórcaro com Alexandre de Moraes, apesar de imerecidamente ele ser percebido como do campo tipo lulista veio do Fábio Faria, genro do Silvio Santos.

BTBruno Torturra

Exatamente, vamos só lembrar também, é muito curioso, gente.

GDGregório Duvivier

Mulher dele, olha. E eu acho muito louco isso, eu acho que uma das coisas que tem que ser retomadas, né?

BTBruno Torturra

Desculpa, Greg, só para terminar sobre a Patrícia. A Patrícia Abravanel estava inclusive na experiência ultra VIP em Campos do Jordão organizada pelo Bocaro. Fecha o ciclo, segue.

GDGregório Duvivier

Meu Deus do céu! Essa presença ultravip em Campos do Jordão é uma coisa, puta que pariu. Ah, só lembrando que outra coisa, não sei se você viu isso, Alessandra, que é algo que você vem batendo na tecla há muito tempo, que a Veja revelou que perfis de influenciadores investigados pela Polícia Federal, no caso Banco Mastercard, também participaram agora de uma das publicações favoráveis Augusto Cury. Que que isso quer dizer? Que o Banco Mastercard tá financiando o Augusto Cury hoje?

Não, não é isso. É só que tem perfis, vamos lá, alfinetei, alfinetada, babadeira diferentona Que é muito curioso, porque os nomes não têm nada a ver com política, não é? Não são perfis de, não são blogs de política, não são, não, não são, são perfis de fofoca, mas que eles estão sendo investigados por supostamente, vamos lá, receber dinheiro dos Vorkaro para atacar o Banco Central. Fizeram menos, esses mesmos aí, aí é só um fun fact, que eles mesmos fizeram 17 posts agora sobre o Cury, somando 37 milhões de interações, 37 milhões de interações nesse período forte de crescimento do candidato nas Claro que não foi o Master que pagou.

O que isso daí só tá provando é que são perfis aparentemente à venda ou aluguel. Você aluga para falar do Cury ou do Master do Banco Central, falar bem ou falar mal. É isso que acontece, tá?

AOAlessandra Orofino

São no mínimo a mesma rede de fornecedor, né? No mínimo a mesma rede, o mesmo campo de influência.

BTBruno Torturra

E tem um detalhe exatamente sobre esses perfis, o maior dos quais de longe é o Alphinetake, tem milhões, mas quase 30 milhões de seguidores. E bilhões em engajamento acumulado ao longo de um ano. E o Alfinetei especificamente é um perfil que ficou muito tempo alugado pela Set Games Bet, que é uma empresa de bet ligada ao Fernandinho OG, que segundo a revista Piauí, sempre ela, né, na vanguarda das revelações, é ligado ao Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do Bolsonaro novamente.

Então tudo indica, né, pela, pela, segundo as investigações da Piauí, que o Ciro Nogueira tem essa ligação umbilical aí com Fernandinho EG. O Fernandinho EG é um cara investigado por várias fraudes ligadas a bets especificamente. E uma das empresas de bet do Fernandinho ficou meses patrocinando essencialmente o Alfinetei, tanto que o Alfinetei até muito recentemente tinha ali na bio embaixador Sete Games Bet. Agora não tá mais, então não sei se nesse período eleitoral isso foi suspenso, mas isso aconteceu durante bastante tempo e coincidiu com uma guinada à direita na linha editorial do Alfinetei, que tem feito uma cobertura nojenta da política brasileira e que inclusive fez das coberturas mais violentas durante a chacina aqui no Rio de Janeiro comandada pelo nosso ex-governador.

AOAlessandra Orofino

Aliás, posso fazer uma sugestão rápida para a Piauí? Eles tinham que ter uma página de meme de fofoca da própria Piauí, porque assim, eles precisam popularizar esse jornalismo da Piauí, tipo Investiguei, sei lá, cara, tipo Apurei, não vejo ninguém, entendeu?

BTBruno Torturra

Apurei com muitas fontes, apurei com bastante credibilidade jornalística.

AOAlessandra Orofino

Assim que você fazer, gente, amigos da Piauí, a gente vai lançar por vocês, porque precisa disso para fazer frente. E aí vem uma angústia de novo, o meu, né, o meu pessimismo informado, que é a aflição que eu tô nessas eleições. Acho que esse processo se consolidou muito de que a gente tá num ambiente pós-jornalístico, é um ambiente midiático onde tudo isso que a gente acabou de relatar longamente é uma apuração feita por profissionais, por repórteres, por pessoas que têm fonte, não sei o quê.

Mas a gente vive numa época em que os escândalos não são estabelecidos mais pelo poder do jornalismo como produtor de de monocultura, né? E a importância dessas páginas de fofoca e da maneira como a comunicação tá se dando também é uma coisa para mim extremamente preocupante, porque esses escândalos, novamente, eles não são traduzidos com dados, com cronologia, com o contexto que a gente, Alessandra, tá fazendo esforço enorme para colocar aqui para nossa audiência.

Mas quando a gente vê a nossa audiência especificamente, que é uma audiência restrita, pequena, a gente tá bem ranqueado entre os podcasts, mas é pouca gente no país. Mas a nossa faixa etária é de 40 anos para cima, né? Tem uma massa brasileira de eleitor mesmo, e até de rendas diferentes, não tô falando de eleitor médio ou de baixa renda necessariamente, mas que não tá se informando tendo o jornalismo como protagonista do centro midiático.

E essa questão é muito foda, porque não são manchetes que estão escandalizando as pessoas, é a maneira como elas vão escorrendo em página de fofoca, em página de meme, nessa, e nessa conversa de vibes, de zeitgeist, assim, e não de contexto. E é isso que eu acho que as campanhas desse mês, de novo a minha aflição, 4 semanas para o primeiro turno, as campanhas elas ainda estão muito baseadas em um modelo de educação midiática baseado em jornalismo e manchete, e não em, não nesse novo universo de memes ou de um contexto narrativo que seja capaz de entregar um indiciamento moral do seu adversário, né?

Eu acho que a campanha do Lula, de maneira, eu acho que incompetente até pelo, pelo jingle que a gente já falou aqui, tá enumerando um monte de fato rápido do que que o Flávio Bolsonaro fez, mas ainda não tem esse indiciamento claro do centro do escândalo em cima dele e da direita brasileira. Insider. É muito por conta disso que eu acho que o Nicolas de algum jeito escapa, não digo ileso, mas ele preserva a sua base de maneira muito forte, porque essas pessoas estão enfiadas em um ambiente midiático completamente diferente do universo midiático que cobre o escândalo.

GDGregório Duvivier

Perfeito. Isso é verdade, isso é verdade mesmo. Esse escândalo não tá sendo coberto por algo que as pessoas elas acompanham.

AOAlessandra Orofino

É, e ele não escorre de um jeito orgânico para o saco, mas é a manchete, é o novo dado.

BTBruno Torturra

E eu acho que isso ajuda a explicar, Greg, a história do meme que você trouxe, essa sensação de assim, todo mundo recebeu dinheiro do Voo Caro nesse país, porque a experiência ultra VIP do espectador, ela é uma experiência de confusão mesmo, ela é confusa, ela é fragmentada. Então é Fulano recebeu dinheiro, fulano fez um terno, fulano ligou, fulano recebeu, fulano fez reunião. E aí você não consegue mais conectar os pontos, assim, tem muito pouco contexto na maneira como as coisas são trazidas à tona, inclusive pelo próprio jornalismo.

E o pouco de contexto que a gente tem no jornalismo não tem uma tradução adequada nesse ambiente de informação hipersegmentado em que a pessoa tá lendo uma legenda, ela tá lendo a legenda do meme.

GDGregório Duvivier

E eu acho que eles ganharam, eles ganharam a batalha memética. Essa é a parte triste, tá? A batalha memética tá na mão deles por um motivo. Todos os memes vão nesse sentido de tá tudo podre, Brasília é um horror. E é mesmo, é um lugar assim, eu digo, o ambiente de modo geral é majoritariamente corrupto. Mas o meme é: não se salva ninguém. Isso é muito ruim para o incumbente, de modo geral. Esse sentimento de que não se salva ninguém é muito ruim para um presidente estar querendo se reeleger, não importa quem ele seja.

AOAlessandra Orofino

É muito ruim.

GDGregório Duvivier

Por incrível que pareça, o Flávio, que é o cara mais continuidade do que tem de pior no mundo, pode sim aparecer como nesse ambiente memético como uma novidade. Só que assim, pelo amor de Deus, então é hora da gente bater e cada vez mais lembrar que não é que ele é mais sujo que pau de galinheiro, de que ele é o master até a cabeça, de que ele é o cara que pediu 60 milhões para o Vorcaro, de que o governo do pai dele ganhou milhões de doação de campanhas.

Ainda nem, ah não, porque a delação está afirmando que a doação era propina. Isso é uma delação que o Vórcaro está afirmando, que a doação do Flávio Bolsonaro era propina e para o Tarcísio era propina. Isso daí é o que o Vórcaro tá afirmando, não é o que eu estou afirmando. É que houve doação de campanha de Vórcaro, ponto. De que ele foi o maior doador através do Zé, do pai dele. Então assim, é isso que eu acho que o PT assim, e a campanha tinha que estar indo para cima.

E outra coisa que eu acho que tem para cima também, código de ética pro Supremo, pelo amor de Deus. Isso aí tem que ser uma bandeira do Lula. Ah, mas não é ele que diz, não é ele, não tem o poder. A gente tem o poder de pressionar o Supremo a fazer isso. O Fachin já tentou, e esse talvez seja o único momento pra gente falar isso, sabe? Tem que ter um código de ética, tem que ter. Não pode um juiz do Supremo ou um PGR ir com empresário investigado tomar whisky em Londres ou experiência ultra VIP e na porra do coisa, ou taiayá, ou seja o que for.

Não pode, cara. E sabe o que eu acho mais doido? Esses caras já ganham penduricalho para caralho, com perdão da rima involuntária. A gente fez um bagulho, meu Deus, porra, tu não consegue comprar uma porra de um whisky, caralho?

AOAlessandra Orofino

É muito cafona, cara, é muito cafona.

GDGregório Duvivier

Os caras ganham. A gente fez já um Greg News sobre isso na época, que já faz quase uns 10 anos. A conta era que com os penduricalhos eles ganhavam mais de R$100 mil por mês, com os penduricalhos. Que eles têm tudo, inclusive auxílio terno. O que me leva a perguntar: por que é que André Mendonça ia fazer terno com o advogado do Vorkar, se ele tem um auxílio terno?

AOAlessandra Orofino

Todo mundo gosta de recebidos, Greg. Todo mundo gosta de recebidos.

BTBruno Torturra

E quando a gente diz que isso tem, isso tá culturalmente entranhado, é verdade. É óbvio que é muito mais, é muito mais grave quando é o ministro do STF, mas no fundo a gente está naturalizando naturalizando na cultura a ideia do conflito de interesse. Quer dizer, naturalizando não a ideia do conflito de interesse, mas naturalizando o conflito de interesse em si, como se ele não fosse um conflito. Então é o influencer que recebe o cosmético e faz a propaganda, mas não usa o cosmético, vai dizer que usa, mas na verdade não usa e tá recebendo.

Assim, isso não é publicidade, isso é outra coisa. É você tá usando a sua credibilidade pessoal para falar uma coisa que concretamente não é verdade, né? Claro, isso já acontecia na publicidade televisiva, É a Xuxa com Monange, sei lá. Mas é muito diferente quando você sai de um espaço midiático em que as pessoas pelo menos têm algum entendimento de que aquilo está acontecendo na televisão e você vai para casa da pessoa, porque ela tá realmente te enganando, ela tá realmente retratando aquele uso daquele produto, daquela coisa, como uma coisa que ela faz no dia a dia dela.

Acordei e passei o Monange aqui na minha cama, no meu banheiro, na minha casa, que é muito diferente de você tá num ambiente claramente da propaganda. Essa falta de fronteira foi também criando uma certa confusão, e a gente naturalizou a ideia de que ser influente, ser importante, ter relevância pública equivale a ficar recebendo presente de Deus e o mundo. O único presente que eu topo que me deem, o único presente que eu topo que me deem, que eu realmente tenho esse recebido na minha vida que eu curto, são as editoras ficam mandando livro pra gente, mas até recebido.

GDGregório Duvivier

Isso não é recebido, você tá botando um livro que nada a ver.

AOAlessandra Orofino

Deixa eu falar uma coisa rápida, isso não é recebido.

GDGregório Duvivier

Café também pode mandar?

BTBruno Torturra

Café pode.

AOAlessandra Orofino

Não, mas gente, isso não é recebido. Nós somos um programa que a gente recomenda livros e a gente não recomenda livros porque nos mandaram de presente. A gente recomenda livro, a gente não recebe dinheiro das editoras, a gente não ganha dinheiro e a gente não recomenda livro que a gente não leu recebeu e não gostou. Então assim, é do mesmo jeito que jornalista faz isso, divulgação de produto é totalmente diferente de recebidos.

O que seria, o que seria muito suspeito, que vai além do recebido, tá, que é uma coisa que tem a ver com o Vorcaro, com Jacques Wagner, com o Terninho, que é o seguinte: as marcas elas fazem ativações e fazem eventos de experiências VIP VIP. Então a coisa mais comum de um creme não é só mandar para a influenciadora, mas pega ela e leva ela para um fim de semana em um hotel de Campos do Jordão, entendeu? Dá uma massagem para essa influência, ela vai ter uma experiência de final de semana que vai ser luxuosa, ultra VIP, e cuja contrapartida, muitas vezes negociada, mas muitas vezes não negociada porque não precisa negociar, é que ela vai ter uma visão favorável da marca e vai postar a marca e vai gostar da marca, mesmo que não haja um cachê envolvido.

É isso que o Vorcaro faz. Você cria relações de intimidade, de gratidão, que borram essa fronteira ética entre a separação institucional entre resenhista e produto cultural, entre produto de moda e uma pessoa que gosta de moda e poderia ser independente para falar disso. E muito mais importante, de um fraudador financeiro.

GDGregório Duvivier

Pois é, Bruno.

AOAlessandra Orofino

E o Procurador-Geral da República.

GDGregório Duvivier

É porque eu não acho que vale a comparar. Desculpa aqui fazer uma coisinha. É porque eu acho que nenhuma das pessoas que você citou, o influencer, o que for, tá julgando ninguém, entendeu? Não, claro, a gente tem que esperar deles. Eu sei que você tá fazendo, que você tem uma diferença, mas que eu acho que para mim Eu acho muito louco que um juiz tem esse tipo de proximidade com o poder, ou com luxo mesmo. E aí entra uma coisa meio, pode achar moralista da minha parte, eu acho que talvez eu seja muito moralista nesse aspecto.

Eu espero um ascetismo, tá, do juiz. Que que é ascetismo? Aquela coisa dos primeiros cristãos, talvez uns certos budistas, dos monges, que é assim, não, isso aqui, os prazeres da carne, tá, muito obrigado. Não tô dizendo que ele tem que virar um monge, não pode comer açúcar, não é isso, mas assim, eu não acho de bom tom um juiz frequentar o mesmo espaço dos bilionários que ele vai julgar, no caso Supremo? Então não é só que ele não pode aceitar convite, eu acho que ele não pode estar na mesma sala.

E mesmo eu acredito que isso prejudica, além de pegar muito mal mesmo, sério. Eu acredito, eu acho que a gente espera dessas pessoas que estão ganhando muito bem mesmo um tipo uma ética própria, uma ética muito acima das outras pessoas. Ah, mas então você tem direito a fazer o que você quiser e o ministro do Supremo não? Isso, exatamente o que eu tô dizendo, é exatamente isso, é exatamente isso. Ele escolheu uma profissão que sim, não tem os mesmos direitos que uma pessoa normal.

Por outro lado, tem vários direitos e vários privilégios que eu não tenho. Eu não julgo ninguém, não tenho, pronto.

AOAlessandra Orofino

Mas ele, né, só um comentário rápido antes dele entrar, só um comentário rápido para, não tô falando para eu me defender, é muito diferente o influencer do juiz, não tô colocando na mesma prateleira. Mas o que eu tô tentando falar é que é o mesmo software cultural que a gente tá autorizando na sociedade. Eu acho que quando E vamos lembrar, o Jax Wagner foi no show da Taylor Swift, mas ele tava fazendo um favor para experiência ultra VIP das filhas, entendeu?

É assim, faz parte do mesmo universo do vendido, digamos assim, que tá culturalmente absorvido. Claro, é muito diferente, é muito, é muito mais criminal, muito mais consequente, não tem nem comparação.

GDGregório Duvivier

E eu sinto falta disso nos deputados também, tá? Desculpa, só, só um breve parênteses. E no presidente, assim, não à toa o Mujica é um exemplo para esquerda, é uma pessoa que morreu ainda com popularidade altíssima e foi quase santificado, porque ele era um cara que morreu dirigindo seu Fusca na sua casinha. Enfim, eu, ah, mas isso é moralista achar que um líder não pode enriquecer? Sim, então eu sou. Eu acho realmente que uma pessoa não pode sair da presidência mais rica, não pode sair, não pode como Flávio Bolsonaro multiplicar o seu patrimônio enquanto deputado, não pode.

Pode, você não pode multiplicar seu patrimônio. Ah, mas você não pode ser presidente, ser deputado e também investidor? Não pode, não pode. Para mim devia ser mesmo lei, não pode. Então assim, eu acho realmente escandaloso isso ter sido normalizado, um enriquecimento enquanto você tá na vida pública. Pode falar.

BTBruno Torturra

Não, e você tem toda razão, Greg, não pode mesmo, porque você necessariamente tem, tem um tipo de influência sobre inclusive o aspecto regulatório, outros aspectos que vão ter consequências para qualquer investimento que você tenha. Você precisa sair isso já foi muito mais esperado, né, de agentes públicos, e hoje em dia não é tanto. Eu concordo totalmente, né, que evidentemente a comparação do influencer com o juiz do Supremo, ela é descabida em termos de consequência de gravidade, mas eu tenho uma visão parecida com a do Bruno.

Eu acho que tem um software cultural mesmo, e a maneira como a gente, para mim, como eu percebo que é um zeitgeist, né, uma coisa que se impôs culturalmente, é que não existe justamente só o influencer e o juiz do Supremo. Existe um espectro muito amplo e todo ele, toda essa gama de possibilidades hoje ela tá contaminada pela cultura da experiência ultra VIP oferecida para alguém que tem algo, algum tipo de influência, né? Então você tem a pessoa que realmente vive disso, que vive de publicidade, que vive de marca, etc., e que pode viver, não tem nada de errado nisso, publicidade faz parte do mundo.

De novo, que eu acho que fica muito confusa quando isso vai se confundindo com a vida pessoal, sobretudo se não for verdade, sobretudo se essa relação alegadamente pessoalizada não existe, porque aí o público tá no fundo sendo enganado. Ele tá sendo dito uma coisa, está sendo dita que de fato não é verdade, né? Mas isso já é um passinho diferente da publicidade tradicional. Aí tem um outro passinho que você vai, você dá, que é quando você tem essa confusão entre o influencer e o agente público, que eu acho que o Dória em alguma medida foi o grande político assim que inaugurou isso no Brasil.

Mas ele fazia isso também ainda um software meio antigo. Isso foi se atualizando e se tornando cada vez mais normal, a ponto da gente ter hoje uma absoluta confusão, né? Se você é alguém em cargo público, muitas vezes você também tá tendo um comportamento de influencer, o que do ponto de vista da comunicação não necessariamente é ruim. No fundo, você tá se adaptando ao espaço de comunicação que existe, mas na relação com as marcas e na relação com as empresas é sim ruim.

A gente desse assunto quando a gente comentou, por exemplo, o show da Shakira no Rio de Janeiro e a Google e outros patrocinadores trazendo agentes públicos para uma experiência ultra VIP no show da Shakira. Não pode.

AOAlessandra Orofino

Se é agente público, você não pode procurar pagar.

BTBruno Torturra

Não pode, tá errado. Tá tão errado quanto André Mendonça fazendo terno? Não, não tá tão errado. Mas entende que existe um contínuo, existe uma naturalização de uma relação que não é positiva país e que vai contribuindo inclusive para essa sensação de que tá tudo uma grande lama, porque a ética central, a ética central ela é a mesma, é o padrão ético central. Agora, aonde existe realmente uma diferença fundamental é quando a gente vai além da experiência ultra VIP e entra realmente um pagamento de propina.

E esse tipo de remessa de dinheiro mesmo, grande, absurdo. O que a gente, o que a gente tá vendo hoje de alegação de escândalo envolvendo isso envolve duas pessoas: o Alexandre de Moraes, numa relação que foi intermediada, como o Bruno bem lembrou, pelo Fábio Faria, ex-ministro do Bolsonaro, e o Flávio Bolsonaro. Ali não foi experiência ultra VIP, ali foi: tá aqui a conta, faz o Pix.

GDGregório Duvivier

É por isso que eu concordo totalmente com vocês, mas eu acho que é importante não botar no mesmo pacote, né? Eu entendo que vocês não Mas é só que eu acho que esse pacote é muito louco, porque eu acho que isso é uma coisa que a direita, é sobretudo a extrema-direita nova, faz bem, é conseguir criar uma imagem de ascetismo justamente que não é real, né? É o Bolsonaro comendo aquele cachorro-quente com farofa sentado numa esquina de Brasília, que nem tem esquina, mas enfim, na calçada.

Aquilo ali é obviamente teatral, encenado, né? Né, é completamente cenográfico tudo que envolve o Bolsonaro. Mas aquilo ali convence muita gente de que ele não tem nada a ver com o Master, por mais que o Master tenha doado dinheiro. Então, no caso, o Bolsonaro, a mim, diz muito sobre isso, de que há de fato um depósito, uma transferência do Banco Master para campanha dele. De fato, isso não é hipótese, não é nada. Há transferência milionária, mas ele senta na porra da calçada e se empanturra com farofa na cara.

Então, ah, ele tem nada a ver com um banco, com um Vorcaro. Olha para ele. E eu acho que é algo que a direita opera bem, esse teatro do ascetismo, sabe? Me dá raiva porque é fake. Enquanto a esquerda, lato sensu, né, o PT e tal, volta e meia fica aceitando uns convites merda para área VIP de sei lá que porra, sabe? E mesmo que seja honesto, fica com cara de área VIP, fica com cara de Vorcaro. Por isso que em tempos de hoje eu acho escandaloso uma pessoa de esquerda Isso, fazer história em área VIP que seja, sabe, ou em executiva, ou em qualquer porra.

Eu acho que é muito importante lembrar que a comunicação da riqueza, ela é escandalosa também hoje.

BTBruno Torturra

E não é só da própria riqueza, é do recebido, é do convite, é do me deram acesso a isso aqui, é do camarote, é do avião particular, é do avião particular.

AOAlessandra Orofino

Tipo, quem não quer voar de jatinho? Alguém precisa falar eu não quero. Eu prefiro ir no de carreira porque eu não quero entrar no avião particular.

BTBruno Torturra

Aliás, tem a reação do Nicolas, né, já alguns meses quando o escândalo do jatinho veio à tona pela primeira vez, que ele fala em plenário: tá com inveja? É que eu peguei, mas eu acho que eu peguei avião.

AOAlessandra Orofino

Mas eu acho, Greg, que você tem razão quando você fala que eles vendem a imagem do comendo farofa no meio-fio, mas eu vou discordar que é uma imagem assética, porque ele combina exatamente a farofa no meio-fio com jet ski em Angra. Eles combinam a tosqueira no hotel, que ele leva o miojo para comer com a família imperial japonesa, com o luxo na Disney, com ostentação. E eu acho que isso revela— fala.

GDGregório Duvivier

Não, é que eu acho que o luxo deles, o jet ski, a Disney, é um luxo de uma classe, não é tido, não é lido como luxo no Brasil.

AOAlessandra Orofino

Não, mas é Mas é esse valor que não ofende as pessoas, porque é como se fosse um luxo raiz, não o luxo Nutella, entendeu? É o luxo que o agro almeja. O agro é o cara que quer ter uma picape cara, uma mansão em Goiânia, mas ele come no chão a farofa com os amigos. Ele fala, entendeu? Ele, ele se mantém raiz. E o que a esquerda imprime, na minha opinião, quando ela enriquece ou ela vai para Paris, não sei o quê, é a ideia de que é pedante.

De que é um luxo que diminui o popular, que ele é o arrogante, ele é a gravata Hermès, entendeu? Por isso que a gravata Hermès, que é barata perto de qualquer coisa que o Bolsonaro faça, ela vai imprimir mais luxo do que a picape, do que o jet ski, do que a mansão em Angra dos Reis, entendeu? Do que Cancún. Ele oferece Cancún. Ele não oferece a Riviera Francesa. E Cancún, ela combina com a farofa do pensamento desse tipo de pulseirinha VIP que todo mundo no fundo quer, entendeu?

Então não é que eu tô igualando as duas coisas, mas tem um campo de normalização entre as pessoas, porque todo mundo meio toparia um convite de entrar no baratinho, mas só a esquerda é verdadeiramente hipócrita. É o comunista de iPhone, entendeu? Eu posso ter o, eu posso ter o iPhone porque, porque eu sou liberal, eu sou capitalista, você não pode ter.

GDGregório Duvivier

Luxo é outro, exatamente. E quando, por exemplo, quer ver um exemplo? O Lula tomou aquele Romanée-Conti, não foi, não teve nada a ver com aquilo, foi um presente do Duda Mendonça. Ele chegou lá com o negócio, eles tomaram, ponto. Não acho que aquilo tenha zero de escandaloso. Mas por que que a direita amou aquilo e até hoje hoje vai falar o Remo, porque aquilo ali é um luxo com muitas aspas. Quer dizer, muitas aspas não, o luxo ponto, que é um vinho milionário.

Eu sei quanto é que custa, não, mas sei lá se custa R$5.000, R$10.000 uma garrafa daqui. Aquilo ali é o clichê de um luxo a qual a população nem aspira, entendeu? É um luxo, é um luxo do luxo, é um luxo de rico, é um luxo que não pega bem. Não é o jet ski, que é foda-se o jet ski, não é um luxo aspirável, entende? Entende? E aquilo ali foi um erro, embora não tenha sido proposital, porque ele não postou, nem tem rede social para postar, mas que o Bolsonaro não cometeria.

Não ia tomar um vinho no restaurante de Ipanema no dia da— porque aquilo foi no dia que ele ganhou.

BTBruno Torturra

Custava R$6.000 na época, em 97. Então seria, sei lá, hoje para a gente chamar garrafa de vinho custar R$20.000, mais, é mais, enfim, enfim.

GDGregório Duvivier

Eu acho que aquilo ali Isso aqui é uma coisa que para mim diz muito sobre uma coisa que não é, não é moralmente errado, eticamente então nem se fala, mas é estranho para comunicação. Até porque quem deu era o Lula Mendonça, que tinha um dinheiro gigantesco que vinha também por caixa 2, porque também tem isso, tem um tipo de luxo e tem um tipo de grana, uma quantidade de grana que em geral é imoral também, por um motivo, porque a pessoa não ganhou aquilo honestamente.

Vamos ser sinceros, quem paga R$50 mil numa garrafa de vinho Aí nesse caso eu sou meio moralista mesmo também, sabe? Eu não acho que a pessoa trabalhou, eu não acho, eu não acho, eu acho mesmo nesse sentido, eu sou moralista. Eu acho que tinha, a Polícia Federal tinha que ter recibo da tua boate de São Paulo. Onde é que eles estão indo lá? O Forcaro tava gastando acho que R$300 mil por dia num bar de São Paulo, parece, por semana.

Ele é toda semana gastava R$300 mil. Já era para ter rodado ali, eu acho. Se a Polícia Federal tivesse um recibo de quem tá gastando R$300 mil no restaurante, em São Paulo, você for bater lá na porta, a chance da pessoa ser um bandido é muito grande, muito grande. O Milor falava isso do Antiquários no Leblon, falava assim: se a polícia prendesse todo mundo ali, chegasse todo dia, prendesse, ia ter muito poucos erros, sabe? Milor falava assim: muito pouca gente ia ser preso injustamente.

BTBruno Torturra

É o método do Bukele, né?

GDGregório Duvivier

Alguns de vocês serão presos.

BTBruno Torturra

O encarceramento de massa dos frequentadores de antiquários. Mas tem uma coisa aí, gente, vocês falaram da ostentação. É curioso porque eu tenho uma sensação às vezes, Greg, sim, o ascetismo à la Mujica ele funciona bastante, mas quando você não está vivendo efetivamente de uma maneira completamente monástica, que era o caso do Mujica, eu tenho a sensação hoje que a ostentação ela tem um efeito contrário. Ela justamente serve para provar que você não tá fingindo costume, que você tá deslumbrado.

Porque o postar e falar, tô aqui no jatinho, não é só uma atiração de onda, é um atestado, é um recibo de deslumbre. É, eu tô aqui, eu não tô achando isso normal, eu tô aqui e tô vendo que isso é muito maneiro, isso é muito legal. E é aí que tem uma identificação. Então eu quase sinto que o consumo de luxo chique, em que você não fala muito, em que você não fica mostrando, não fica jogando na cara dos outros, ele é lido hoje popularmente nessa cultura maluca da ostentação em que a gente vive como pior, como ainda mais elitista em alguma medida.

AOAlessandra Orofino

É melhor que todo mundo, que você não precisava postar, né? Você não precisa nem mostrar, deixar superior porque você não ostenta.

GDGregório Duvivier

Tem toda razão. Nossa, que loucura!

AOAlessandra Orofino

Ai, que cilada!

GDGregório Duvivier

É uma inversão muito louca. Mas enfim, fomos para lugares malucos Aliás, me lembro o livro que eu vou falar, que eu tô lendo para terminar. Eu sou obcecado, como meus amigos já sabem, pelo Carrère. Obcecado assim pela obra, né, não pela pessoa, que eu não conheço. Do Carrère. E do livro que eu tô lendo era o último que faltava, que é Outras Vidas Que Não a Minha. Era o único que eu não tinha lido. Tô falando do Emmanuel Carrère, escritor francês, que tem dezenas de livros publicados, acho que pela Alfaguara no Brasil.

E esse era o que tava faltando. E é lindo o livro. O que ele tem de muito interessante é que ele começa França, um episódio trágico do tsunami. Ele estava lá por acaso no Sri Lanka no tsunami que teve 2004, e ele vai para França, volta, e começa. Quando vê, você tá numa discussão sobre o direito do consumidor no final do livro, que é lindo. Então o Caio tem isso, né, de começar— a gente faz um pouco isso no Calma Urgente, mal comparando— começa aqui, quando vê vai parar no direito do consumidor, na corte soviética da coisa e tal, e no influencer que ganhou, no Romani Conti.

Enfim, a gente vai Vai terminar, vou terminar então falando desse livro maravilhoso. Então leiam Outras Vidas Que Não Há Medo, o Léo Carreira. E eu vou falar com ele aqui dia 22 de setembro no Rio de Janeiro, e a Vera Iaconelli vai falar em São Paulo. Então já anunciando, mas digam.

BTBruno Torturra

Muito legal. Vocês estão lendo livro hoje? Eu tô sem livro, a gente tá gravando numa sexta assim impróprio. Normalmente se eu leio e penso e seleciono os livros que eu quero trazer no final de semana. Então hoje eu vou ficar sem livro, gente. É o roteirista do Brasil, realmente realmente capturou o meu coração, a minha mente, o meu tempo livre. Vai lá, Bruno.

AOAlessandra Orofino

Eu ainda tô lendo o livro que eu recomendei na semana passada, A História dos Pássaros. Então não tenho nada, nada aí, nada novo a acrescentar. E é isso aí, gente, ansiedade máxima. Eu, o que eu tô lendo nessa semana, infelizmente, são os vazamentos. Depre. Mas é isso aí, foi a minha leitura principal dos últimos 3, 4 dias aí.

GDGregório Duvivier

Aliás, vocês podem baixar o WhatsApp do Workaro se você quiser, né, em casa. E aliás, tem que atualizar, não sei quem tá fazendo aquilo, mas falta entrar um monte de coisa nova que entrou ontem.

AOAlessandra Orofino

O WhatsApp da nossa Luiza Miguez aqui de avisar: a gente tá gravando esse programa na manhã de sexta-feira, agora é meio-dia em ponto, ele vai horas 8:30. A chance muito alta desse programa está desatualizado, de novos vazamentos de Nicolas, Alexandre de Moraes, André Mendonça, algum Bolsonaro. Então é o que deu para apurar até meio-dia de sexta-feira.

GDGregório Duvivier

Ótimo, muito bem lembrado. Muito obrigado a vocês, um beijo grande para todos os espectadores, um bom final de semana. E é isso, façam campanha. Não lembre, olha só, não tá ganho, hein? Lembrem disso, indecisos, conversar. Infelizmente, sei que dá preguiça, Vamos trazer gente para junto.

AOAlessandra Orofino

Falem muito de Nicolas Ferreira. Lembrem do Flávio. Esse mês, depois a gente pega os outros. Foco, foco, foco.

BTBruno Torturra

É isso, pessoal. Tchau, tchau. Bom final de semana, bom feriado para todo mundo. O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Igreja e Sabrina Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luiza Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga.

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoue. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.

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