Calma, Gente. É Urgente
Indecisão, etarismo e o espaço para a crítica ao PT em um cenário eleitoral mais do que preocupante.O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno TorturraNa Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina MacedoNa Pesquisa e Roteiro, Luiza MiguezNa Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_Ilustração, Anna Brandão @annabrandinhaNa sonoplastia, Felipe CroccoNa Edição de Cortes, Julia LeiteNas Redes Sociais Gabi BigaNa gestão de comunidade, Marcela BrandesIdentidade visual, Pedro InoueGravação do episódio, Sawi Studio
- A gravidade das eleições de 2026 e a ameaça à soberania brasileiraeleições 2026·democracia brasileira·soberania nacional·Donald Trump·Escudo das Américas·Doutrina Monroe
- A importância da crítica à campanha do Lula em um cenário eleitoral preocupantecrítica à campanha do Lula·militância·Greg News
- Análise das pesquisas eleitorais e a dificuldade de vitória do Lula no segundo turnopesquisas eleitorais·segundo turno·Datafolha·Simone Tebet·Ciro Gomes
- Estratégias para conquistar votos de eleitores indecisos e abstêmioseleitores indecisos·eleitores abstêmios·mulheres jovens de classe C e D·eleitores 70+·autoestima eleitoral
- A importância de pautar a corrupção e o caso Banco Master na campanhacorrupção·Banco Master·Daniel Vorcaro·Lulinha
- A necessidade de acolher a crítica e o pragmatismo na campanha eleitoralcrítica política·pragmatismo eleitoral·reatância psicológica
Olá, bom dia, boa tarde, boa noite para você que tá nos ouvindo e para você que tá assistindo agora no YouTube. Boa noite, ao vivo hoje, segunda-feira. Sim, estamos presenciais. Que alegria, muito bom, adoro, adoro.
A gente fica menos produtivo, fica bem menos produtivo, tá uma hora e meia atrasado.
É verdade, é verdade, é verdade. Mas é mais gostoso, eu acho. A gente se interrompe mais, o que é bom, né?
É verdade, eu acho.
Tem uma coisa, inclusive nos comentários falam que a gente se interrompe muito pouco. Esse é um comentário prevalente, criticam muito nossas interrupções, mas aqui eu acho que fica mais orgânico porque é ao vivo e a gente tá, a gente tá muito bom ter os três aqui, ter os três. Olha eu falando terceira pessoa, ter os dois e os três, porque tem Luiza Miguez, nossa jornalista, está aqui também fora de quadro. Estamos no Estúdio Saúl no Rio de Janeiro.
Então a gente vai falar de eleições, é claro, né? O que mais? Semana passada a gente teve um Teve algumas viralizações não necessariamente positivas, sobretudo um vídeo da gente criticando uma parte da campanha, não campanhas, uma parte específica viralizou um pouco negativamente com a militância dizendo que a gente, isso é hora de criticar. Muita gente falou, isso são horas? E em geral, o curioso que nunca é hora, né?
Nunca fala parabéns pelo timing da crítica, da crítica, que é bem na hora certa.
Na semana correta, foi lá.
Eu acho que sim, é hora sim. Essa crítica eu não vou aceitar não. É hora, óbvio que é hora. Agora, o que eu entendo e eu simpatizo é que as pessoas falaram assim, meu Deus, que preguiça de ver gente criticando a campanha do Lula. Isso eu entendo e eu sinto isso. Então eu tô com você. Eu tenho preguiça de me ver. Falei assim, cara, que cara chato esse Felipe também.
Eu também.
Não é? Não, você não pode falar isso de mim. Porra, Bruno, eu posso me acreditar, mas você não. Porque, cara, a verdade é que Esse programa talvez valha fazer uma carta de intenções. Assim, para quê? Isso não é estratégico. Mas vocês não entendem, isso não é uma análise. E eu queria dizer que esse programa não é estratégico mesmo, a gente não é um programa de campanha, não é um programa estratégico, não é tático, não é nada. Isso aqui é um programa de desabafo.
Já tá no nome, Calma Urgente, tá? Já fala sobre isso. Ele fala sobre você falar com calma de assuntos urgentes e vice-versa, trazer coisas que nós estamos, coisas que estão, que a gente acha que precisa trazer urgência para. Mas não é um programa nem de informação, nem de debate, nem de análise. É de quê?
Desabafo de verdade.
A gente fazia o Greg News, que era um programa, esse sim, muito pensado, estratégico. Tinha uma equipe, a gente pensava, não fazia um programa que eu não pudesse defender com unhas e dentes tudo que eu falei ali, porque tudo foi pensado.
E não era um programa de debate, não era um programa em que a gente tava formando uma opinião juntos, era um programa em que a gente primeiro formava a opinião e depois escrevia o programa.
Exatamente. O Calma Urgente, ele é um pouco esse papo pré-Greg News.
A gente trouxe a nossa reunião de pauta.
Exatamente. E aí algumas pessoas vão falar assim: ué, mas isso daí é um pouco perigoso, porque às vezes uma coisa que vocês vão falar vai gerar um corte pra extrema-direita e vai eleger o Flávio Bolsonaro. Bom, obrigado pela importância que vocês estão dando a esse programa, viu? Que inclusive é meio contraditória com a desimportância que vocês voltam e me atribuem, porque a mesma pessoa às vezes critica coisas opostas nesse programa.
Esse programa daí é visto por muito pouca gente, não vai mudar nada, e num corte desse vocês elegem Bolsonaro. Ou Flávio, ou seja quem for. E é meio contraditório, porque ou é irrelevante ou vai eleger a extrema-direita. O fato é que isso não acontece. Muita gente tá falando, ah, isso aí vai gerar um corte pra direita.
Nunca rolou, gente. A direita não tá interessada na gente, infelizmente. Bem que eles podiam estar assistindo mais.
Exatamente. Esse programa, ele tem uma função que eu acho que é meio terapêutica mesmo pra gente e pra muita gente que agradece e fala assim, olha, pô, eu me sinto desesperado junto com vocês. Me sinto menos desesperado quando eu vejo vocês desesperados e vice-versa. Então, feito esse breve, não tão breve adendo a essa introdução, esse nariz de cera, eu vou chegar logo no assunto que são essas eleições e que a gente vai falar um pouco de desespero, porque eu tô desesperado.
E a crítica que a gente fez semana passada, uma coisa que algumas pessoas não entenderam assim: porra, vocês estão tão confortáveis assim é com as eleições para tá criticando? E não, a gente não tá criticando porque a gente tá confortável, tá criticando porque a gente tá desesperado. Eu tô desesperado.
Se você tivesse confortável, tava falando de outra coisa.
Exatamente, eu adoraria tá falando de outra coisa, eu adoraria. Eu tô falando disso, a gente tá falando disso porque a gente tá desesperado mesmo, eu tô desesperado porque essas eleições, gente, e aí eu acho que é um bom assunto para começar, eu acho que ela é mais grave da nossa história, é mais grave do Brasil. Exatamente, porque se 22 o Brasil tava, a nossa democracia estava em risco, eu acho que 26 são as democracias do mundo todo.
Que estão em risco. O Brasil, ele virou uma aldeia gaulesa de Asterix e Obelix contra o Império Romano. Não há— o mapa mudou completamente em volta da gente, em volta da gente mudou radicalmente. Foi uma guinada, uma guinada completa que a gente teve para um outro planeta político, né? E foi isso que aconteceu.
Dito isso, por causa do Trump, basicamente tem que lembrar disso. 22 tinha uma ameaça muito grande que não dependia nem da eleição do próprio Lula, como ele ganhou e teve uma tentativa golpe de qualquer jeito, mal-sucedida, mas teve. Agora, há uma coisa que a gente esquece em 22: o presidente dos Estados Unidos era o Biden. E isso foi muito central para que o golpe não tivesse dado certo, né? E aliás, você falando disso, olha, só para provar um pouco a ideia de que a gente virou uma aldeia gaulesa, esses últimos dias o primeiro-ministro do Canadá, o Carney, ele acabou dando errado a negociação entre eles e os Estados Unidos.
Vai ter uma guerra tarifária, ele vai retalhar como Lula tá falando que e retalhar, e anunciou isso em um pronunciamento que ele fez à nação, falando, a gente não quer perder o nosso país, basicamente, né? A gente não vai aceitar isso. E foi muito interessante, porque nos comentários dele tinha um monte de canadense falando assim, finalmente estamos fazendo como o Lula no Brasil.
Perfeito.
Os canadenses estavam entendendo que o único país que tava se posicionando de maneira soberana era o nosso país.
Teve uma matéria, já tem alguns meses, no New York Times falando do Lula, E dizendo exatamente isso, tem uma pessoa que tá conseguindo fazer frente ao Trump de maneira efetiva, né? Que não tá nem baixando a cabeça e nem também partindo pra um conflito completamente desatado a ponto de também gerar uma reação desmedida, que é o Lula. Então esse é o papel que o Brasil tá ocupando hoje no mundo.
E esse é o nosso desespero. Essa é a nossa urgência mesmo, que eu acho que um otimismo exagerado ou um já ganhou, ou algo que tava muito nos nossos comentários dito de muitas formas, que é: deixa que o Lula ganha, deixa que ele sabe o que ele faz, deixa ele jogar sozinho. Só precisamos do Lula, basicamente, na nossa opinião. E isso eu defendo, que a gente falou no programa passado mesmo, é insuficiente. E não foi como a gente ganhou em 22.
Em 22, para quem tava lá, A gente até no próprio Greg News, a gente fez um programa quando a gente ganhou a eleição falando que foi uma eleição que todo mundo ganhou junto, porque o Lula era o camisa 10, era o craque, mas todo mundo jogou. Teve campanhas feitas totalmente independentes e por fora do que o PT tava propondo naquelas eleições, que houve muitos acertos e erros da própria campanha, mas tinha muita gente, muita gente mais mobilizada, muitas organizações com campanhas próprias e um cenário político muito sinto.
Tinha a Tebet, como por exemplo, né, foi uma pessoa importante no segundo turno. Tinha uma frente ampla de uma urgência que tinha a ver com 4 anos de Bolsonaro, com medo de perder a nossa, nossa democracia, que eu não sinto nessa eleição. Estranhamente, nessa eleição, a galera tá parecendo muito mais uma eleição que é contra o Serra ou contra o Aécio do que contra um vassalo dos Estados Unidos em um momento em que o mundo tá sendo invadido, como você colocou, tá tendo crise europeia em relação a isso.
E aí, para encerrar, eu acho que é uma coisa que deveria ser dita mesmo assim: ironicamente, é a eleição do Flávio que faz o Brasil correr o risco de virar Venezuela. A Venezuela de hoje, não a Venezuela mitológica, que é um estado vassalo com os recursos naturais totalmente sequestrados pelas empresas privadas dos Estados Unidos, que é a promessa que o Flávio fez declaradamente no Salão Oval, ele, Eduardo Bolsonaro, e a turma da Flórida, que são as pessoas que estão fazendo não o desenho da campanha do Flávio, mas o desenho geopolítico de uma presidência Flávio Bolsonaro.
Isso, perfeito. Assim, antes a nossa democracia tava em jogo, agora nossa democracia tá em jogo e nossa soberania, o nosso país, nossa existência como país. A gente tem uma ameaça existencial ao Brasil. Que é o governo Trump.
Em 2022, quando a nossa democracia tava em jogo, a gente teve então essa grande frente ampla, né? O Lula realmente não jogou sozinho. Inclusive, ele fez alianças com um arco muito amplo de lideranças e de movimentos, inclusive com gente que não gosta dele. Então era uma aliança, era uma coalizão que não só admitia crítica, mas a encorajava. Quer dizer, foi falar: eu quero os meus críticos comigo, eu entendo que os meus críticos também estão do meu lado.
Que é o oposto de uma certa postura que a gente tem visto na militância hoje, que pode ser muito contraproducente quando a gente quer criar um arco de alianças amplo. E mesmo com esse arco de alianças amplo, a gente ganhou por menos de 2 milhões de votos. Foi uma eleição muito apertada, e tudo indica que essa eleição esse ano também será. Então acho que vale a pena a gente falar um pouco dos números desse ano.
A gente tem que falar, mas tem que sempre comparar com 22, que nessa época a gente tava muito mais confortável numericamente também. Em agosto de 22, a gente não tava tão apertado quanto a gente tá em agosto de 26. Tá bem mais atacado, muito, muito preocupante.
Eu acho que tem duas coisas que eu acho que já tem que antecipar aqui. Primeiro, Bolsonaro era o presidente e ele tinha a máquina a seu favor. Teoricamente, o Nubank desesperadamente, todos os meios legais e ilegais. A gente tem a máquina teoricamente, porque a nossa máquina não envolve prefeituras, por exemplo, não envolve o Congresso, não envolve— é uma máquina muito mais fraca do que a que o Bolsonaro tinha.
A máquina mudou também.
E também tem mais ética, porque o Lula não tá disposto, com razão, a usar a máquina da maneira que o Bolsonaro usou. E não está usando. Mas tem um outro fator que é: por um lado, o incumbente cresce, tende a crescer. Por outro lado, a extrema-direita tende a crescer na hora H, na frente da urna.
É isso que a gente viu nos últimos pleitos, assim. Se a gente for olhar aonde que as pesquisas estavam no mês de agosto das últimas 3 eleições, então 14, 18, e 22. Eu fui atrás porque fiquei tentando justamente entender como que a gente tem se comportado historicamente, né? Primeira coisa, a mesma coisa, é a primeira coisa que acho que é importante que o público saiba é que especificamente pesquisa de segundo turno no Brasil historicamente não é preditiva nesse momento da campanha.
O que que eu quero dizer com isso? Se a gente for olhar como que as pesquisas estavam desenhando o segundo turno em agosto dos anos eleitorais nos últimos 3, 4 pleitos, nunca foi nem próximo do que foi a realidade do segundo turno. Então a gente não deveria confiar que os dados de segundo turno agora são confiáveis. Os dados de primeiro turno um pouco mais, porque de fato o pleito tá desenhado em torno do primeiro turno nesse momento, né?
Mas se a gente for olhar agosto de 2014, Datafolha dos dias 28 e 29 de agosto de 2014 tava dando segundo turno com Marina Silva com 50% e Dilma 40%. É 10 pontos de vantagem para Marina no segundo turno. E no primeiro turno a Marina fez 21% e acabou ficando em terceiro lugar, nem foi para o segundo turno. Muito diferente, né? 2018 a gente já tem uma situação um pouco diferente. O Bolsonaro era, né, naquele momento deputado do baixo clero, ele tinha em agosto de 2018, 18% de intenção de voto no primeiro turno. E aí ele foi crescendo, foi crescendo.
A facada no começo de setembro.
No Datafolha de 2018, eles tinham testado ele em todos os cenários de segundo turno, tá? Ele perdia pra Marina por 11 pontos, ele perdia pro Alckmin por 5 pontos e ele perdia pro Ciro por 3 pontos.
E pro Haddad?
E um mês depois, ou seja, depois da facada, no final de setembro, o Datafolha tava dando Haddad 45% e Bolsonaro 39%. O Haddad ganhava de 6 pontos em agosto de 18. Não, não, não, final de setembro de 18.
Uau!
Pós-facada, o Haddad tava levando em todas as pesquisas. E no dia 28 de outubro, ou seja, um mês depois dessa pesquisa que dava Haddad na frente por 6 pontos percentuais, o Bolsonaro fez 55% e o Bolsonaro 44%.
E ele quase ganha no primeiro turno.
Não, isso, isso foi já no final do segundo turno. Esse é o resultado do segundo turno. Então teve uma virada de 17 pontos em 30 dias, em 2018, a favor do Bolsonaro. Ou seja, não foi a favor do incumbente, não foi o incumbente por causa da máquina ganhando ponto, foi a extrema-direita ganhando ponto, que é exatamente o que você tava trazendo, né, né, Greg? E aí em 22 é o que o Bruno já falou, né? A gente, em junho de 22, o Lula tinha 57%, Bolsonaro tinha 34%.
Então a gente tinha 25 pontos percentuais de vantagem. Essa vantagem foi diminuindo, diminuindo, diminuindo. Mas na véspera do primeiro turno, as pesquisas ainda estavam dando assim, às vésperas, né, ainda estavam dando Lula mais ou menos 54 contra 38 do Bolsonaro. Então não à toa o primeiro turno de 22 foi o primeiro turno em que muita gente da militância à esquerda acreditava numa vitória no primeiro turno e teve um super banho de água fria. Vocês lembram desse dia?
Não só com Lula, mas a gente tava junto nesse dia, né, Greg?
A gente tava na sua casa.
Eu tava na minha casa.
Foi um banho de água fria assim sensacional.
Eu cometi o erro de fazer uma festa da comemoração na minha casa também. E eu fui ficando totalmente deprimido, as pessoas continuaram na festa. E eu assim, vão embora, eu quero ficar quieto aqui. Mas que não foi só decepção que o Lula não ganhou o primeiro turno, que eu não era tão otimista. Mas, cara, o que aconteceu com Cláudio Castro, com o Congresso, com o Tarcísio, com o Senado em São Paulo, Márcio França, que era uma barbada assim, tipo, não levou o Senado.
A gente viu o desenho do Congresso inimigo do povo que temos hoje foi no primeiro turno de 22.
Então, o que a gente sabe, para resumir, é que historicamente a pesquisas de segundo turno não valem muita coisa. E que se a gente for olhar para o primeiro turno especificamente, a gente tá numa situação bem menos confortável hoje do que a gente tava na última eleição, tal. Que qual é a situação que a gente tem hoje segundo Datafolha da sexta-feira, que são as pesquisas mais recentes que a gente tem na mão? A gente tem o Lula no primeiro turno com 39% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 33%, né?
Se a gente for olhar para votos válidos, isso sobe um pouquinho, né? Então se a gente tirar os brancos e nulos, isso diminui o número total de votos, que são os votos válidos. E a gente fica com 42,5% para Lula e 37% para o Flávio. E a gente tem na intenção de voto Caiado com 5%, Renan Santos com 4%, Zema com 3%, Marçal e Cury com 2% cada um. Essa é uma situação desconfortável para passar para um segundo turno. E ela é desconfortável porque é quase desesperadora, para usar o termo do Gregório.
Se a gente entra no segundo turno com 42% dos votos válidos, a gente vai precisar tirar 8, 9 para ganhar de algum lugar. E como todos os outros candidatos, literalmente todos os outros candidatos que pontuam, né, mais, né, que tem, que aparecem nas pesquisas pontuando de alguma forma minimamente significativa, são de direita, bem de direita, bem de direita, é bem difícil do Lula roubar voto dessas pessoas. Então a gente hoje, né, no segundo turno, ou fazer uma, o que a gente chama de transferência de voto, o Datafolha mediu transferência de voto.
E hoje, no geral, a gente tem mais ou menos 60% desses votos que vão para todos os outros candidatos que migrariam já naturalmente para o Flávio. E muita gente que tá indecisa, os outros 40%, ficam mais ou menos metade e metade. Metade fala que anula ou não sabe, metade vai para o Lula. É pouco, é uma transferência muito pequena. Em 22, a gente tinha, como outros candidatos, a Simone Tebet, que apoiou explicitamente o Lula no segundo turno, o Ciro, que claro não fez esse apoio.
E a gente o criticou muito por isso, mas que tem um lugar ideológico em que naturalmente tem mais eleitores do Ciro que migram naturalmente para o Lula do que do Zema ou do Caiado. Incomparavelmente. Então a missão no segundo turno de converter votos desses outros candidatos para o Lula, para que ele saia de 42 e chegue em 50% mais 1, ela vai ser muito, muito, muito difícil.
E tem um cenário que parece mais com 18 do que com 22, não só porque tem isso, mas em 2018, um grande, uma grande aposta errada que o PT fez no É Primeiro Turno era achar que os candidatos do primeiro turno iam apoiar naturalmente o Haddad, porque ninguém teria coragem de apoiar o Bolsonaro. E ninguém apoiou o Haddad no segundo turno. O Ciro foi para Paris, como bem se sabe. O Alckmin não falou nada, né? As pessoas abandonaram o barco, falaram, cara, não é comigo, foda-se.
E a Frente Ampla se formou em volta do Bolsonaro, com Dória, com novos atores na política, com uma galera que ou lavou as mãos ou apoiou ele criticamente ou apoiou ele abertamente. E a sensação de movimento, de onda, de Frente Ampla foi com o Bolsonaro. Em 22, repito, foi com o Lula. Quando vem a Simone Tebet, que vamos lembrar, a gente ganhou, as pesquisas falaram que a gente ia ganhar por 6, 7 pontos, a gente ganhou por 2, 1,8, menos de 2%.
Então assim, o argumento que a gente fez lá no Greg News. Todo mundo foi importante para esse 1,8 acontecer. A Tebet foi super importante porque deu uma autorização, novamente indo para o nosso ponto original do nosso começo, uma autorização crítica para votar no Lula. Uma pessoa que era contra o Lula, apoiava a Lava Jato, já chamou de ladrão, não sei o quê, abraçou o cara, falou que a democracia, que a Frente Ampla, isso aqui não é sobre direita e esquerda, é sobre né, o Brasil.
E foi lá e virou ministra, e republicanamente agora, porque entendeu que o capital político existe, né? Porque agora vai te ensinar a transacionar.
Antes do segundo turno, antes do, né, dava mais ou menos 60% de transferência de voto da Tebet para o Lula, que é o que o Flávio hoje tem com alguns desses candidatos de direita. Então a gente tá vendo uma situação inversa, e isso é muito preocupante. É muito preocupante porque existe uma chance muito concreta. Eu diria que hoje, aliás, provavelmente é o resultado mais possível, independentemente do que digam as pesquisas de segundo turno, do Flávio levar no segundo turno por causa dessa matemática, né, de para onde que a gente vai tirar voto.
E aí a gente tem que ser estratégico e pensar, bom, se a transferência de votos do Zema e do Caiado vai ser difícil, da onde que dá para tirar voto? Porque tem outros bolsões de votos por aí. A gente tem o Renan, que de todos esses candidatos de direita é o que menos transfere para o Flávio, porque é o que mais bate no Flávio.
Eu vejo inclusive o Renan como um herdeiro, pouca gente tá falando disso, mas do Ciro de 22. Ciro de 22, não Ciro de 18 nem de 12.
Falar que os dois são ruins.
É um tipo de voto do Ciro, jovem homem e tal. É, o voto machosférico, né?
O voto os dois são ruins, os dois são bandidos.
Eu não acho que o Renan emplaca a terceira via, eu acho que ele é uma outra. Tudo bem, mas ele tem muito menos voto do que o Ciro teve, pelo menos nessa época. O Ciro tava com uma votação maior. O Ciro tem mais bagagem, tem mais reputação do que o Renan.
Ah não, claro, tem mais partido, muito melhor do que o Renan. Não, muito menor. Mas eu acho que o eleitor é um pouco parecido assim, sabe?
Ele tá herdando parte desse eleitorado, talvez, talvez uma parte, uma parte.
Eu acho que sim, a parte machosférica.
Mas o eleitor do Renan é um eleitor que hoje no Datafolha menos da metade diz que vai transferir automaticamente para o Flávio. Não quer dizer que a outra metade vai para o Lula. Muita gente vai anular, muita gente fala que não sabe. Então tem um potencial de desmobilização desse eleitor no segundo turno. Isso é um caminho possível. Que o próprio Renan acho que tem interesse nisso, porque não é interessante para o Renan que o Flávio ganhe essa eleição e se consolide como o nome hegemônico da direita.
Então isso é um caminho. E tem outros dois caminhos que acho que a gente pode comentar aqui e falar bastante sobre eles, que são: a gente pode olhar para os indecisos, esses 8, 9% que não sabem quem são eles, como se alimentam, aonde vivem, e como que a gente faz com que mais, uma parte maior desse voto vá para o Lula. E a gente pode olhar para quem não vota, Sobretudo quem não é obrigado a votar. Então, e aí a gente tem duas demografias que historicamente, porque não são obrigadas a votar, mas podem votar, votam menos, que são os jovens de 16 a 18 anos, que infelizmente as pesquisas nesse ano não estão mostrando um cenário muito favorável para o Lula nessa demografia.
E tem os mais velhos, né, o eleitor de mais de 70 anos, que não é obrigado a votar e que, ao contrário do que muita gente intuitivamente pensa, ele é majoritariamente de esquerda, ele não é majoritariamente de direita.
Tem muita intuição errada nessas eleições. Muita intuição errada. Sobre demografia, sobre bairro, sobre faixa de renda e tudo mais. Depois a gente pode falar disso.
Mas enfim, acho que esses são os dois bolsões e são as duas estratégias, quer dizer, as três estratégias possíveis, né? Desmobilização do voto Renan, que é mais importante no segundo turno, mobilizar esse voto indeciso e fazer com que ele se decida a nosso favor, e é falar com o eleitor que poderia votar no Lula, mas que nesse momento não tem, não tá fazendo plano de votar, e que historicamente tem uma abstenção muito alta, né?
A gente tem uma abstenção histórica do voto 70+, 60+, que é o que a gente muito alta.
De quantos por cento?
58% de abstenção. Então a gente tem aí um contingente gigante, porque a gente tem, tem que ver exatamente, mas a gente tem acho que 15 milhões de eleitores nessa faixa etária, e metade, mais da metade, quase 60%, historicamente não vota. Então a gente tá falando de 8 milhões de votos que estão para jogo. Se o Fábio consegue converter mais desses 8 milhões de votos para ele, a gente tem uma injeção de novos votos válidos no pleito a favor dele.
Mas se o Lula consegue fazer isso, o efeito contrário acontece. E a gente tem mais voto nessa faixa etária que iria para o Lula se essas pessoas tivessem que votar. É, só que essa, o perfil do eleitor 70+ que votaria naturalmente no Lula também é o perfil do eleitor 70+ que tem mais dificuldade de votar, que tem mais dificuldade de mobilidade física, porque tende a ser um eleitor de mais média e baixa renda, que tá mais acostumado a pensar que o seu voto não importa.
Que qualquer coisa, para que que eu vou votar? A minha participação política não importa. Então tem vários empecilhos, a gente pode detalhar mais.
Eu acho que isso daí é, então assim, tem muito voto para, tem voto para conquistar, para conquistar. Isso é muito importante ser dito, porque a impressão que dá é que tá congelado, de que o Lula tem, ou a impressão que dá é que o Lula tem um piso muito alto, mas um teto muito baixo.
É só que o teto não tá nos outros candidatos, o teto tá nesses eleitores indecisos ou que não vão votar. É aí que o nosso teto vai aumentar. Então ficar achando que o problema é— a questão aqui não é convencer necessariamente o eleitor que vai votar no Flávio ou que vai votar no Zema. A questão é ir atrás dos indecisos e dos abstêmios.
E sobretudo, eu acho que tem algo que o Lula conseguiu em 22 que ele precisa conseguir de novo em 26, que é as pessoas entenderem que essa eleição vai mudar tudo. Sabe, eu conheço muita gente que não simpatiza com Lula, que votou nele em 22. Por quê? Exatamente, porque uma coisa é não simpatizar com Lula, né, e outra coisa é ter repulsa, ódio, nojo ao Bolsonaro e o projeto dele. E eu acho que esse eleitor, que é o não simpatizante do Lula, mas que é o apavorado com razão do projeto bolsonarista miliciano e tal, que a gente precisa que vote no primeiro turno.
E tem um motivo para isso, não é só que o Flávio tem mais chance de ganhar no segundo, É que é no segundo turno que a interferência estrangeira vai vir forte. A gente tem uma eleição hoje que não é uma eleição normal. Já a maior potência militar do mundo já disse que tá interessada nesse resultado, tá interessada nesse resultado, que tá monitorando, que quer nossas terras raras, de que quer acabar com o nosso Pix. Isso não é uma teoria de conspiração, isso é confesso É literal.
Então a gente tem um projeto real, confesso, da maior potência militar mundial de tomar conta desse país.
Não sendo noturno, ele é declaradamente, ele tem nome, chama Escudo das Américas. Olha isso, tem vídeo do Departamento de Estado, que aliás viralizou pouco. Vale a pena ver, Departamento de Estado dos Estados Unidos, dos caras explicando a história do continente, o que é a Doutrina Monroe, de que maneira que os Estados Unidos impediu que outros países tivessem influência no quintal deles, que como ele chama. E agora o Trump tá com esse projeto.
Explica o que é a Doutrina Monroe para quem não sabe.
A Doutrina Monroe foi uma doutrina geopolítica do presidente Monroe dos Estados Unidos, que ele falava que é América para os americanos, que América, o continente, o continente. Então a América do continente americano começou com um discurso orgulho, digamos, de regionalismo, de um orgulho regional, mas o que na prática representava é o continente para os norte-americanos. Então assim, todo o continente vai ser uma área de influência dos Estados Unidos, que já declaradamente disse que já era uma maior potência, que deveriam ser os líderes, deveriam espalhar sua visão política para o continente todo.
Com o tempo, isso foi se radicalizando com golpes de Estado. E aí não era uma doutrina Monroe, mas uma visão do Estado dos Estados Unidos mesmo. A gente sabe disso muitíssimo bem. É praticamente todos os golpes de Estado que aconteceram no nosso continente, não foram poucos, foram diretamente feitos pelos Estados Unidos nas suas embaixadas dos respectivos países. O do Brasil foi assim também. E o Donald Trump hoje leva isso a uma potência desavergonhada o que ele já fez na Venezuela, o que ele tá fazendo em Cuba, e o tipo de influência e de peso que eles já colocaram na Colômbia, o tipo de pressão que estão fazendo no Canadá, e o tipo de pressão que só não vê quem não quer, que já tá fazendo no Brasil.
E o que eles estão falando de escudo das Américas, que é uma atualização radical do que a doutrina Monroe significa, é assim, já que o mundo vai ter áreas de influências novas, e já que eles estão entendendo que a China, por exemplo, não vai dar para ser contida militarmente lá na Ásia, em Taiwan, no Mar do Sul e tudo mais, o continente aqui vai ter um muro contra a influência da China e uma série de outras coisas. Então assim, a ideia de derrubar o Lula, ele é a rainha do tabuleiro.
Ele é a rainha do tabuleiro, assim, ele é a peça geopolítica mais importante, muito mais importante do que o Petro, muito mais importante do que o regime cubano, muito mais importante do que o Maduro era para a reconfiguração mundial, para a reconfiguração mundial. Porque nós somos um país grande, não parece, mas somos um país rico. Exatamente, nós somos um país importante geopoliticamente em termos de população, de recursos naturais, de recursos agrícolas, de água, de tudo que vai ser e já é muito importante.
Mas tem um outro detalhe, E aí vem a nossa parte não crítica e a parte que a gente defende. A gente é assim ufanista. O Lula é um dos maiores estadistas em atividade no mundo, possivelmente o maior do campo democrático em atividade, eleito como parte de um país grande. Todo mundo gosta de falar da ex-presidenta da Nova Zelândia, de um cara legal na Escandinávia, mas assim, a gente tá falando de de ilhas, né? Aqui a gente tá falando de uma potência geopolítica e natural.
A gente tá falando de terras raras, a gente tá falando de Amazônia, a gente tá falando de, a gente tá falando de Pix, de autonomia bancária, de soberania digital.
A gente tá falando de quem vai ter o domínio dos nossos dados, a gente tá falando sobre equipamento militar de defesa, e é justamente porque a gente tá falando sobre direito de exploração de tudo incrível que tem nosso país e que é uma coisa que eu acho que o agronegócio brasileiro é, consegue sendo completamente burro e míope, que é perda de mercado exportador, cara. Que é, não, a gente não vai poder fazer negócio com qualquer país do mundo sem pedir licença para o patrão da família Bolsonaro, o patrão da família Bolsonaro.
E vamos dizer, vai ser no mesmo, na mesma época, e o Brasil vai ser um pouco antes, diga-se, o que bota tudo numa situação um pouco mais delicada, da eleição nos Estados Unidos Unidos, que o Trump tende a tentar melar e não reconhecer também o resultado. Então outubro e novembro vão ser meses assim não só de super El Niño, mas de super crise política, geopolítica no mundo todo. E aí de novo, não reconhecer uma vitória do Lula no primeiro turno é muito mais difícil, porque você vai ter que anular a eleição de senadores, de deputados, que a direita vai vai ser majoritária, não tenha dúvida disso.
Agora, não reconhecer uma eleição de segundo turno com o Congresso brasileiro já eleito é muito mais simples. E tem mais, você tem muito menos resistência interna.
Alguém, alguém acha que um segundo turno vai ser bom para o país? De verdade, que esse segundo turno entre Lula e Bolsonaro vai ter debates muito produtivos, em que finalmente vai haver uma síntese hegeliana?
Vamos ver as propostas, vamos ver as propostas.
Não há, não há. Então você, que por exemplo, acho que vai, tem que falar com pessoa que não simpatiza com Lula, mas que odeia Flávio Bolsonaro, de que esse segundo turno não vai ser bom para você que não gosta dos dois.
Você quer mais um mês de eleição mesmo?
Exatamente, é mais um mês.
Inclusive é um bom argumento para trazer aquele eleitor que não vai votar, né, de abstenção para o primeiro turno, que é vota no primeiro para não ter que votar no segundo.
Acaba logo com isso.
E que é um voto que pode também muito facilmente, também com essa migração espontânea que aconteceu em 2018, muito forte. Vamos lembrar aqui o que aconteceu com o Alckmin. O Alckmin acabou a eleição com 2% em 2018. O Geraldo Alckmin, o nome do PSDB, o governador de São Paulo 4 vezes, vice do Lula hoje. Mas assim, ele acabou com— porque teve essa migração, essa puxada que o Bolsonaro fez, que ele cresceu 18 pontos em menos de um mês, que foi o susto que todo mundo tinha em 2018, que cada pesquisa o Bolsonaro tava 3, 4 pontos acima.
Então não é impossível que isso aconteça nas próximas 5 semanas, que é o que a gente tem de campanha, é porque justamente todos os outros candidatos, o voto é muito menos firme. Essa pessoa que tá falando que vai votar no Zema não é apaixonada pelo Zema, porque quem é apaixonado pelo Zema?
Não, aparentemente Minas Gerais, né, que reelegeu ele, mas enfim, ninguém ama o Zema.
Não é, é um voto na direita, e esse voto na direita também tende a ficar mais nervoso à medida que o primeiro turno se aproxima e começar a duvidar de se vale a pena levar essa eleição para o segundo turno, se não é melhor já apoiar o Flávio desde agora, ver o que acontece. Acho que isso não vai acontecer muito com eleitor do Renan, porque que tende a ser mais ideológico, mas é, mas caiado, eu não confio que esse é um voto que tá sólido, que não tem chance de migrar.
Aliás, não confio, e os dados mostram que ele de fato é menos sólido, as pessoas têm menos certeza. E se elas estão incertas em relação ao voto no caiado, não é que elas estão incertas entre votar no caiado e votar no Lula, elas estão incertas entre votar no caiado e votar no Flávio.
E aí a gente vai precisar refazer o argumento do programa passado agora com mais mais dados e mais calma, talvez menos urgente, que é um recado para a militância, para o comentariado petista e comentariado lulista, que é o, que é o óbvio. É assim, o voto que o Lula precisa não é o voto entusiasmado. O voto que o Lula precisa não é o voto que vai topar Beatificar o Lula e achar que a gente só precisa dele. Não é o voto que vai falar assim: não, realmente, eu nunca tinha pensado nisso, mas o Lula é o maior líder popular da história do Brasil e a gente precisa aceitar de barato o que ele tá dizendo pra gente, botar a bandeirinha no carro e falar: o tapete vermelho, acender o tapete vermelho para o meu voto, entendeu?
Assim, ele é o grande cara. A gente precisa entender, esteja você em qualquer espectro de admiração do Lula, de...
Devocional Seja Mulher Sábia.
Relação ao reconhecimento da sua trajetória é incrível. A gente precisa abrir espaço para o voto crítico do Lula, para o voto que vai tapar o nariz e votar no Lula. E o único jeito desse eleitor se sentir confortável em fazer isso é se houver um espaço crítico sendo ventilado na sociedade, é se esse voto tiver sendo articulado por pessoas que votam no Lula e estão implorando para você votar junto. Não é nem o nosso caso, porque o nosso caso não é de voto extremamente crítico.
Eu não tô tampando meu nariz para votar no Lula, eu não tô assim, puta, como eu queria tá votando em outra pessoa, mas é o que tem, entendeu? Eu tô assim, vamos nessa. É o que eu falei, o estadista do mundo que mais tá fazendo frente ao grande problema na sala. Mas a gente precisa de 8% de pessoas, 8% de pessoas que essa altura do campeonato, não sei de onde, tão indecisas. O que será que eu voto?
Então, para falar dessas indecisas, porque acho que isso, esse comentário do essa altura do campeonato é muito central, né? Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro são, são, bom, não Flávio especificamente, mas o sobrenome Bolsonaro e o Lula, não dá para dizer que são desconhecidos. Não tem candidato desconhecido, né? São nomes, mas os nomes mais conhecidos do Brasil. Então a pessoa que tá indecisa a essa altura é isso, ela não vai virar uma convertida absoluta.
E eu tô falando no feminino porque a maioria é mulheres. Vale a pena talvez falar um pouco de quem são os indecisos. Depois a gente pode falar dos abstêmios. Mas as indecisas, elas são em geral, o perfil que mais aparece, tá, é mulher jovem. Jovem assim que eles chamam de idade reprodutiva, que eu acho péssimo, mas basicamente entre 20 e poucos até uns 50 anos. Então é mulher jovem, classe C e D, moradora sobretudo da região metropolitana do Sudeste.
Então a gente sabe que a gente tem muito ouvinte desproporcionalmente, infelizmente, no Sudeste, né, Rio e São Paulo. Então acho que a gente, quem, se você tá nos ouvindo em casa, tem grandes chances de você conhecer alguém com esse perfil. E essa mulher tem um histórico de trocar de voto. Parte votou em Bolsonaro em 18, aí migrou para o Lula em 22 e agora tá indecisa. E elas são entre 3 e 5% do eleitorado, tá? Esse perfil. Então a gente tem um perfil traçado.
Essa mulher que vive em região metropolitana, ela gasta 2 ou 3 horas por dia se deslocando para um trabalho onde ela em geral ganha mal. Onde ninguém sabe o nome dela direito. Ela queria estar mais perto de casa, ela queria ter mais tempo com a família. Ela complementa a renda com venda, com bico, com programa de afiliado, e tudo isso é recebido por Pix, o que aliás torna a questão da soberania do Pix muito central para essa eleitora.
Mas por isso também que aquela taxa das blusinhas doeu tanto no bolso dessa eleitora, foi um super tiro no pé com esse eleitorado. Mas essa, essa é a mulher. Falar para essa mulher que se ela tá crítica do Lula, indecisa em relação ao Lula, não tem certeza, acha que ele tem muitas coisas ruins, na verdade o que ela tá fazendo é insultando um líder que tirou milhões e milhões de pessoas da miséria, é profundamente antipático, porque ela é essa pessoa que foi tirada da miséria, ou a mãe dela era, ou a sobrinha era, ou a avó era.
Então tem uma distância que se cria quando a gente quer dar lição de moral na eleitora que tá indecisa. Essa eleitora não precisa de lição de moral, e sobretudo ela não precisa de uma lição de moral que parte de uma presunção de que existe um recorte de classe, de que o indeciso é aquela pessoa que não é sensível ao papel essencial que o Lula teve, que os governos Lula tiveram em tirar pessoas da miséria. É óbvio que essa pessoa é sensível a isso, não é daí que vem a indecisão dela.
A indecisão dela vem de outras coisas, inclusive do fato de que tende a ser um eleitor menos politizado ou ideologizado, que tem mais aversão à política, que acha todo esse papo um saco, que não tem muita paciência para isso. E também por causa disso, a posição de idealização ou de beatificação também é ruim, porque ela é muito ela rapidamente cheira a conflito, né, a briga no jantar de família. Essa é, claro que não é o único eleitorado indeciso.
Se você tem indecisos na sua vida, vai conversar com seus indecisos. Mas esse é o grande eleitorado em disputa hoje no Brasil: a mulher jovem de classe C e D, trabalhadora, morando em região metropolitana do Sudeste.
Você falou isso sobre essa demografia central, todo mundo sabe disso. Então, Tarcísio puxando o saco aí, todo mundo, voto feminino, tal, de novo, a gente não tá falando nenhuma novidade.
Quem trabalha com campanha, isso é muito importante Isso também, desculpa, Bruno, mas só para reafirmar, nada do que a gente tá falando aqui nesse programa é assim uma informação que só nós três temos. Que isso também é uma crítica, né, Greg? Vocês estão entregando as estratégias para direita. Se tiver alguém de direita ouvindo isso, tá aprendendo a fazer. Tipo, a gente não tem a presunção de estar ensinando a direita a fazer campanha.
Isso é uma coisa que quem trabalha com campanha eleitoral já sabe, já identificou. A gente só tá contando para quem talvez nos ouça e não trabalha com campanha eleitoral, que maioria das pessoas.
Você falou dessa demografia, você falou de outra que são os idosos, e tem uma específica também que eu acho importante colocar, que não é uma demografia restrita em termos de idade, gênero e classe, mas é regional, que é a aposta declarada também. Não é um segredo que eu tô falando aqui, isso tá sendo dito publicamente em outros veículos, inclusive veículos de esquerda, é que a estratégia do Lula principal é aumentar significativamente a sua votação na capital de São Paulo.
São Paulo é o capital. E eu afirmo isso de novo, fazendo a defesa do voto crítico, fazendo a, fazendo não a defesa do voto crítico, mas a defesa de que a gente precisa criar um ambiente confortável para quem não tá confortável em votar no Lula. São Paulo é muito esse território. Território. São Paulo é um território que para votar no Lula tem que ter muito mais um clima de Frente Ampla do que o candidato da esquerda que quer abrir o tapete vermelho para o filho da dona, entendeu?
É sempre assim, da dona Lindu, sabe? A gente precisa criar esse espaço de um conforto, e que não é um conforto de puxar o saco, mas é de um espaço cultural e de identidade para essa pessoa Lula, ok, eu vou votar no Lula. Que é mais ou menos um espaço que eu acho que é um voto que precisa ser pensado taticamente mesmo, que é o Tarcísio-Lula. É que para ganhar São Paulo vai ter que ganhar, vai ter que ganhar uns 5% de voto do Tarcísio no Lula, que não vai votar no Haddad, que não gosta do PT, mas fala, quer saber, o Flávio não.
O cara tá louco para votar no Tarcísio em 40, que não vai dar para votar, diga-se de passagem, se o Flávio ganhar. Importante dizer isso para Faria Lima e para quem tá sonhando com o voto, tá sonhando com o Tarcísio presidente, que para mim é um pesadelo, mas é isso, né? E esse espaço, novamente, a gente tá no ambiente, gente, que de novo apostar tudo no Lula, deixa que o Lula ganha, não só tem esse erro histórico, na minha opinião, mas tem um erro muito contemporâneo que é achar que a campanha do PT vai fazer o trabalho todo sozinho com slogan e com jingle, não reconhece que o ambiente midiático tá muito diferente até do ambiente de 22.
Ele tá extremamente fragmentado. A gente tá numa cultura agora de vídeo curto, de mais dispersão, de mais fragmentação, de menos capacidade de criar uma monocultura. Grande parte do desânimo dessa campanha, que parece que não começou, e de novo faltam 5 semanas para terminar, é pelo fato de que quase ninguém hoje em dia mais tá gastando horas do seu dia vendo o Globo. A galera tá gastando horas do seu dia no seu celular. Então a percepção de candidatos, ela não vem mais de slogan e de promessas de campanha e de projeto específico, não sei o quê.
Ela vem de vibes, ela vem de uma coisa que vai sendo permeada, que vai penetrando como água no cimento, no pão, assim, entendeu? Que é uma percepção pública difusa. E se o que a gente vai ficar é martelando, não como campanha, mas como militância, é o Lula no pedestal, vai ser esse espaço cultural que vai sendo criado, que é a caricatura do que a direita diz que a esquerda é, que idolatra as pessoas.
Desse personagem, queria que você falasse um pouco desse personagem, Greg. Você entende condição de personagem? Não, tem um tanto que é. A gente também, por outro lado, e é contraditório, a gente já falou sobre isso, eu e você, né, Greg? Nós três, aliás. A gente também sente falta da empolgação. A empolgação, ela também é necessária. Então, quando a gente diz que não dá para idolatrar, isso não quer dizer que a gente não deva tentar empolgar. E eu queria falar um pouquinho dessa situação.
Pois é, eu tenho impressão de que a empolgação é muito importante. Isso acho que a campanha tá fazendo um pouco, tô sentindo ela bastante lulista, bastante empolgada com a figura do Lula. Mas eu não acho que seja essa empolgação também que vá trazer para junto o indeciso, ou como você diz, o abstêmio, aquele que não vai votar. Tem algo que eu acho que é muito importante, foi um presente que Renan Santos deu para Lula. Quando Renan Santos vem com a fralda geriátrica ou fica chamando ele de velho.
É tudo que o Lula precisa para tirar o idoso de casa para votar nele, porque é uma campanha em que o etarismo tá comendo solto. Mas não é um etarismo difuso, tipo um chamou assim, ah, você é o mais experiente, tá chamando de velho de maneira cifrada. Não, estão chamando Lula de velho, tá, de velho, sendo que ele não está. Ele tá por acaso de idade, mas por acaso ele tá muito bem, né? Você não acredita que não dá para fazer ele?
É essa uma crítica, ele tá debilitado, que ele não consegue andar, Não, mas ele não é o Trump, não é o Biden, que são velhos, é decrépito.
A gente fez a crítica ao Biden na época, todo mundo fez, e ali não era etarismo, ali era uma realidade que se impunha. Ele não estava em condições de ser candidato.
O próprio Jair tava muito mais decrépito em 22 do que o Lula hoje.
Muito mais, muito mais. O Lula hoje, ao que tudo indica, está muito em forma. E então uma pessoa idosa que vê ele, essa pessoa em forma sendo chamada de velho caquético, dando, recebendo a fralda geriátrica, Eu acho que isso é o tipo de coisa que tira a pessoa de casa pra votar com raiva no 13.
Se o cara é tipo presidente, eu consigo sair de casa pra votar, né? Exatamente.
Então eu acho que esse é o tipo de presente, sabe, que tem que ser muito usada, se não pela campanha oficial, por nós na tentativa de virar voto. E mais que virar voto, fazer a pessoa sair de casa, porque a pessoa tem que sair de casa, como você falou. É uma campanha pra tirar a pessoa de casa pra votar. Nesse sentido, parece um pouco uma campanha americana, que os norte-americanos focam muito mais nisso, né? Porque como é facultativo o voto, a campanha norte-americana bacana é tirar as pessoas de casa.
A abstenção lá é mais da metade.
Exatamente. A gente tem uma situação metade, mas tem uma situação altinha, né?
De quê? 20%. E nesse grupo bem mais, bem mais de 50%.
Você tem uma chance mesmo de ganhar muito voto em cima dessa abstenção. E tem um tipo de coisa que tira as pessoas de casa, e uma delas é o ódio, é a raiva. Com certeza tem empolgação, tem empolgação. Isso dá ódio. Então tem empolgação com o Lula, tem. Isso vai, isso tira as pessoas de casa, tira. Mas tem também a força do ódio dos outros candidatos, e do Flávio nem se fala. Falando nisso, tem outra coisa que eu acho que foi abandonado nessa campanha, acho uma pena, que é o assunto corrupção.
O Banco Master tirou muito voto, pelo menos ali de intenção de voto do Flávio, porque não foi, não é só que ele tá envolvido diretamente no escândalo, mas é a resposta dele ao escândalo no qual ele mentiu de cara. Ele falou que não conhecia o Vórcaro para um dia depois já dizer que não, não é bem assim, porque apareceram áudios dele chamando o cara de irmão. Isso não tá sendo usado, e eu acho que tem um motivo para não tá sendo usado.
Tem gente no PT que não quer que fale a palavra Banco Master, né? E tem, tem gente que não quer. Mas você, em caso, você pode falar que tá no palanque. Tem gente que tá no palanque e fala assim: pelo amor de Deus, não fale nunca mais. Exatamente.
É, mas você que tá em casa pode. E mais do que lembrar o Banco Mais, lembrar exatamente isso que você trouxe, Greg, é lembrar que o Flávio falou que não conhecia o cara e depois não só conhecia como chamava de irmão e falava que tava com ele sempre. E essa falta de confiabilidade do Flávio é uma coisa que pega muito justamente com essa eleitora indecisa, que ele não é confiável, não dá para acreditar no que ele diz. Que é diferente de assim, ele é ladrão, porque ladrão na cabeça dessa eleitora indecisa que tem uma certa repelência política, todo político ladrão.
Ladrão é o piso, ninguém ela vai achar que não é ladrão. Mas existe uma diferença entre o cara que não só tá metido em esquema como ele mente no básico, sabe? Ele, você não consegue acreditar, tá te tratando de otário, você não consegue acreditar numa palavra que sai da boca dele. E esse é o Flávio.
Isso. E eu acho que pautar o Banco Master é muito bom. Flávio fica na, ele fica na lona, ele não tem o que dizer em relação a Banco Master, em relação a Dark Horse, o filme do pai. Isso tem que ser trazido à tona, até porque se não for, não existe vácuo na política, o assunto vai ser o Lulinha. Já, essa é a verdade, o assunto já virou, passou de Vorcaro para Lulinha. Então se você não fala de Vorcaro, vamos falar de Lulinha. Tem que falar de Vorcaro porque Lulinha é ridículo enquanto escândalo diante do que é o Vorcaro.
É assim, pelo amor de Deus, Lulinha tá lá, matéria dizendo que empresário de caseiro teria dito que fulano que na Lava Jato afirmou que— são assim as matérias até agora.
Sobretudo, Lula tá acertando na resposta pública ao escândalo Lulinha, né? Assim, ele tá falando, olha, é meu filho, mas pode investigar, sim, vai para cima.
Quando ele tiver tendo que responder ao caso Lulinha, é ruim para ele.
Não pensando no elefante, a gente tá pensando nesse elefante. O elefante na sala não pode ser o Lulinha.
O assunto mudou de Vorcaro para Lulinha. Isso é muito ruim, independente de qual é a razão que Lulinha tem, que o Lula tem. É um assunto muito pior para o Lula do que o Vorcaro.
E você viu como que o Flávio tem respondido sobre o Evorcário hoje? Resposta mais cínica do mundo, mas acho que ela estranhamente funciona para a base deles. Ele falou assim: o caso Vorcário é uma página virada. Uma página virada.
E o pior é que é mesmo.
Então, o pior é que é mesmo, porque eu acho que a gente também tem que lembrar, e aí é uma coisa que eu, enfim, às vezes não fica bem falar isso, mas eu acho mesmo, o eleitor do Flávio Bolsonaro, ele tem um nível muito mais baixo de, tipo, exigência ética e de coerência, porque afinal de contas, né? Então eu acho que tem esse espaço mesmo de que se passa um certo tempo, o crime do Bolsonaro é prescreve. Eu já vi. É mais ou menos como eu vi esses dias a galera fazendo pouco de uma foto do Flávio abraçado com o Queiroz, que uma agência de checagem disso disse: é falso que essa foto foi tirada na saída da convenção do Flávio.
Mas essa foto tem 4 anos, entendeu? Mas acho que para o eleitor do Flávio Bolsonaro fala: não, isso aí já foi. E eu acho que tem um ambiente cultural político para a direita especialmente que o caso Évora Caro já foi metabolizado E vamos para a próxima, vamos para, porque é uma coisa clássica também, que a acusação de corrupção sempre cola muito mais na esquerda, que historicamente se espera mais a moralidade, do que a direita, que de algum jeito já sai corrupta de saída.
Mas é isso. Eu acho que não só muita gente do PT não quer falar do caso, do caso Master, mas eu acho que tem uma outra coisa que é para mim um erro enorme também, que a grande parte do PT não quer falar de corrupção, não porque a corrupto, mas porque entende que volta a pecha, injusta que seja. Mas eu acho que toda vez que muita gente do PT tem essa tese de que quando corrupção vem à tona é ruim para o PT, é ruim para o PT como um todo, porque as pessoas têm essa ideia de que o PT cronicamente é corrupto.
Eu vou mudar de assunto, vamos falar de renda, vamos falar dessa impressão. E acho que com Flávio essa impressão tem que ser abandonada de um certo jeito, porque o Flávio é o pau de galinheiro número 1 da política brasileira.
Brasileira.
O cara tem assim, em que ano você quer um escândalo com ele? Em que mês você quer um escândalo com ele?
Tem gente no PT que acha que a preocupação anticorrupção ela é de direita.
É de direita, é moralista.
Eu não acho que seja, né? Inclusive, essa era a preocupação do PT até 2002. O PT era um partido que só falava, não, mas falava muito de corrupção. Ele era o bastião da ética no Brasil, era o PT mesmo. E era um partido inclusive tinha procuradores, tinha pessoas, tinha muita gente que que era, que era, enfim, que tava justamente prendendo políticos, defendendo que se prendesse mais políticos. Chegando no Rio tinha o Biscaia, tinham figuras mesmo que eram figuras da lei assim, que defendiam a mão dura da lei.
É, e o PT de repente virou um assunto proibido, a corrupção. E eu acho uma merda isso politicamente, sobretudo para esse eleitor, esse eleitor que é um pouco mais, não diria conservador, mas ele é um cara mais despolitizado, contra a classe política. E a verdade é que se você não fala desse assunto, vão falar por você.
E aí, pensando nesse eleitor que não vota, que é o eleitor mais promissor em certa medida, né, o que a gente pode— é daí que a gente pode crescer, é para cima desse eleitorado. O escândalo do INSS especificamente, ele é muito ruim, né, para mobilizar esse eleitor. Se ele for o assunto, esse eleitor é muito facilmente ganhável para o lado do Flávio. E é o que o Flávio vai tentar pautar, ele vai tentar pautar INSS, Lulinha, E ele vai ficar de olho no eleitor 70 a mais, porque de novo, nada do que a gente tá falando aqui é novidade para quem trabalha com campanha.
Então, da mesma maneira que a gente sabe que a gente tem aí 17 milhões de eleitores aptos a votar, é 11% do total de eleitores aptos no Brasil que tem mais de 70 anos, estão aptos a votar, tem título, porque eles, é diferentemente do jovem de 16, a pessoa que tá com 70 já tirou título, ela só não precisa mais votar. É um grupo que cresceu, aliás, 15% desde 2022, porque a população tá ficando mais velha. Vermelha, né? Então, se eles sabem que tem esses 17 milhões e que mais ou menos 10 milhões desses 17 cronicamente não votam, eles também vão para cima desses 10 milhões.
E eles vão para cima desses 10 milhões falando de aposentadoria, falando de INSS, sendo que no escândalo do Máster, um dos aspectos mais terríveis do escândalo do Máster é o tanto de governadores que botou dinheiro da Previdência. Foi o caso do Cláudio Castro no Rio de Janeiro, Intitulo podre do máster. Isso não é coberto, né, da mesma maneira que o investimento de menos de R$250 mil, pessoa física, é coberto pelo FGC. Então a gente tem ali um rombo que em última instância pode absolutamente acabar sendo pago com dinheiro público, que afeta diretamente a aposentadoria do velhinho.
Tá ali o rombo. A própria história do INSS já tem um monte de ligações possíveis de coisas que estão surgindo, né, relacionando o escândalo com a Lagoinha, com o Zé Teu. Tem assim, tem muita coisa ali que, que é é usável. Mas é óbvio que o Flávio também vai querer pautar isso pelo lado que encosta no PT, e ele vai atrás desse eleitor. E hoje a gente não tá com um plano claro de como tirar a fatia desse eleitorado, dessas 10 milhões de pessoas de mais de 70 anos que cronicamente não votam e que gostariam de votar no Lula, que se fossem votar, votariam no Lula.
A gente não tá com um plano para tirá-las de casa. A gente precisa de um plano para tirar o eleitor lulista ou que pende ao lulismo, ao com mais de 70 anos de casa. E isso é muito efetivo. Você falou que é como as eleições americanas costumam se organizar, né? É muito sobre tirar as pessoas que já gostam de você de casa. E a gente sabe, inclusive por causa das eleições americanas, de ter tanta ênfase nisso, a gente sabe mais ou menos o que funciona.
Eles fazem muita pesquisa sobre como tirar um eleitor que simpatiza com o seu lado, mas tá meio sem saco de votar, de casa. Eles fazem muita pesquisa. Então Então a gente sabe, primeiro a gente sabe que funciona bem mais do que tentar converter voto, mas muito mais, e até do que tentar convencer os indecisos. Tirar alguém que meio que você não precisa convencer a decidir por um candidato, a única coisa que você tá tentando fazer é convencê-lo a sair de casa no dia da votação, isso é mais fácil, a conversão é maior.
Então é um ótimo foco para os nossos esforços assim. E a gente sabe muita coisa sobre o que desmobiliza o voto de 70+ no Brasil especificamente. A gente sabe que tem uma parte do eleitor de mais de 70 anos que não sai para votar porque tem uma baixa autoestima eleitoral, acha que o seu voto não faz diferença, ninguém faz campanha para ele ou para ela. Então falar: não preciso votar.
Isso é importante, muito importante.
É muito importante falar de autoestima eleitoral. E aí o dado em si, ele ajuda nesse convencimento, que é falar para esse eleitor: olha, para sua avó, para sua tia, para sua irmã, para sua amiga que tem mais de 70 anos, falar: olha, as últimas eleições foram decididas por menos de 2 milhões de votos. Os idosos que não votam no Brasil são, foram 8 milhões na última eleição, podem chegar a 10 nessa eleição. É muita gente. Essa eleição poderia, pode ser decidida pelos idosos.
Então não só o voto deles importa, como pode acabar sendo o que mais importa. É muito importante que eles saiam de casa, mas autoestima eleitoral é um problema. E aí tem um segundo problema que é barreira física, e esse é um problema especialmente difícil para um tipo de eleitor de mais de 60, mais de 70, que nos interessa muito, que tem realmente mais tendência a votar no Lula, que é o eleitor de média e baixa renda de mais de 70, que tende a ter mais barreira física, né, tem menos, não tem tanto dinheiro para pegar um táxi, para pegar um Uber, para sair, né, tem menos rede.
E a mulher. E aí tem um lugar que é muito triste assim, as mulheres com mais de 70 anos, elas comparecem uns 10 pontos percentuais menos do que os homens da mesma idade na eleição. O que diz muita coisa sobre a situação da mulher de mais de 70 anos, que em muitos casos uma situação de solidão. É um dado sobre solidão da mulher idosa. O homem idoso tem cuidador, tem gente olhando, tem um filho, tem uma filha, tem uma mulher mais nova ou da mesma idade, mas que tá em melhor estado de saúde.
Tem muita gente em volta desse homem idoso. A mulher idosa vive cronicamente no estado de solidão.
O homem idoso é muito mais desocupado.
Exatamente. Apartamentos. Então essa mulher ela sai menos. É muito doido porque as mulheres nas outras faixas de idade elas votam mais do que os homens, e aí entre as mulheres idosas elas votam menos. Essa mulher idosa que não vai sair de casa para votar porque tem baixa autoestima eleitoral ou porque tem uma barreira física e que votaria no Lula se ela fosse votar, a gente precisa tirar essa mulher de casa. E para tirar essa mulher de casa, a melhor coisa, mais do que campanha na televisão, mais do que o TSE tenta tirar os idosos de casa porque é um problema para democracia, e vai tentar de novo convencendo, tem que tentar mesmo.
Mas pensando no nosso campo, a coisa que mais funciona em todas as pesquisas sobre tirar idosos de casa para votar é o contato humano um a um. É você identificar os idosos da sua vida que não vão sair para votar e ligar e oferecer ajuda, falar sobre autoestima eleitoral. E a coisa que mais funciona na conversa um a um é o que os americanos chamam de plano de voto, né? Não só convencer a pessoa a ir votar, mas falar assim: assim, tá bom, mas no dia da votação, o que que você vai fazer antes de votar?
Que horas você tá pretendendo votar? Lembra que você não pega fila porque tem fila preferencial. Como que você vai voltar da sua zona eleitoral? Para onde você vai depois? É fazer a pessoa realmente organizar o dia.
Aliás, como ficou a história do passe livre?
Vai rolar em algumas capitais? Vai rolar?
Não é lei.
Em São Paulo tem, mas é uma frente de pressão justamente por causa desse eleitorado. Isso de novo é uma questão para democracia brasileira, mas do nosso lado a gente precisa identificar esse eleitor. É aí que eleição pode ser ganha, gente. Isso é muito, muito fundamental. E é uma coisa que você tem razão, Greg, a própria campanha do Lula deveria explorar mais. A campanha do Flávio vai explorar, vai tentar falar com esse eleitorado, vai, porque eles sabem que dá resultado.
As pessoas votam por muitos motivos, elas votam por amor. Esse voto, o Lula tem muito voto apaixonado nele. Esse não tá em disputa, esse não tá em disputa.
Tá apaixonado, já tá apaixonado. Ninguém vai se apaixonar a essa altura do campeonato.
Muita gente também votou no Lula em 22 2, por medo e por ódio. Por ódio, exatamente.
Raiva da pandemia, medo, por ódio, por raiva, por rancor, assim, coisas justificadas, tá?
Coisas todas muito justificadas. Ah, mas o ódio é ruim. Não, o ódio é uma paixão política que mobiliza muito. Imagina, é óbvio, ele tá na equação. Ódio, Lula precisa desse ódio. E assim, os outros candidatos são de dar ódio, ódio, ódio. Tem ódio mesmo deles. Ah, mas uns ignoram o ódio, Não é uma paixão muito madura política, a gente tem que pensar. Não, eu acho que é, não dá para— o que inclusive acho que a gente fala pouco de lesa pátria, sabe?
É o que o Flávio tem feito, é o que o Ricardo— o Ricardo, eu esqueci o nome do outro— Eduardo tem que botar, tem que trazer mais o Eduardo, eu acho.
Eu gosto muito.
E o Eduardo tá foragido, vamos lembrar disso. Se ele pisar aqui, ele tem que ser preso.
O pai tá preso, vai estar preso em casa, o outro tá foragido. Um tá preso, um tá escapando do manicômio que eu não sei como. E tem o Flávio, né, que é o cara mais sujo possível com todos os B.O.s. E vamos lembrar aqui, o Lula, a hora que a popularidade dele subiu para cima de 50% nesse ano, foi na hora que ele falou de lesa pátria, foi na hora que ele pôs o Trump de novo como protagonista, mas os Bolsonaro como vassalos. Foi na hora que o Eduardo Bolsonaro se expôs fez com aquele vexame que ele fez do tarifaço.
O Flávio, quando vocês perguntam, são as horas em que o Lula ganha os pontos que ele precisa para ganhar essa eleição.
Eu acho que política é muito sobre você definir quem é seu inimigo. É essa a estratégia. E o inimigo do Lula, o adversário dele, não é o Flávio, muito menos o Renan ou o Caiado, é o Trump. Essa eleição é Lula versus Trump.
É isso aqui.
Isso precisa ser dito, porque claro que tem os brasileiros trumpistas, eles tem, tá? Mas eles são quantos? Põe 5 a 10%, 15, sei lá.
Quanto brasileiro que olha para o Trump e fala: esse cara é legal, pô, esse cara já era, esse cara não tá em disputa, já era, esse cara já era, esse cara é—
mas tem muito brasileiro de direita que odeia o Trump, ou pelo menos que não quer ele governando o nosso país, que não quer que o Brasil vire a Venezuela. Essa pessoa, ela precisa ser abraçada.
E tem muito esse perfil nesse voto mais velho, porque a conversa de soberania de imperialistas saem do meu país. Ela foi muito presente no Brasil, sobretudo durante a ditadura. Inclusive tem um eleitor ali que é popular, mas que não é necessariamente de esquerda, mas que é soberanista. Porque essa ideia de que tem potências internacionais tentando se apropriar das riquezas brasileiras, que agora tá colocada, é real. Ela também foi construída no Brasil durante muito tempo, e sem um viés ideológico para esquerda necessariamente.
Foi exatamente. E eu acho que ela é muito identificável. Pode ver qualquer pessoa que fale mal dos Estados Unidos na internet, do, perdão, qualquer pessoa que fale mal do Brasil nas internas, na internet, a horda que provoca. O brasileiro é, isso é muito louco, eu tenho visto que a gente é muito patriota de uma maneira estranha. A gente não é patriota tipo a nossa bandeira, o nosso orgulho, nossos feitos militares, não é isso que comove a gente, mas a gente tem um amor pelo país de modo geral muito grande.
A gente é fã do Brasil, a gente é fã É exatamente comportamento de fandom. Isso não é direita, esquerda assim mesmo. Acho que isso transcende polarizações, é mesmo, mais do que qualquer país. Aliás, pode ver qualquer vídeo de gringo reagindo a qualquer coisa brasileira, viraliza. Os gringos já entenderam isso.
Então já eles fazem isso.
Meu Deus, o que tem de russo reagindo ao Sione ou de coisa assim, é o Oscar faz isso.
Eles estão pensando, qual brasileiro vão indicar no próximo ano?
Mas assim, não, de verdade, eu acho que tem que, eu acho que tem que apelar para um sentimento nacionalista jovem que é diferente do nacionalismo tradicional.
Isso o Lula consegue fazer.
O Lula é o melhor do Brasil, de verdade. Ele é assim, agora eu vou parecer lulista demais, mas é verdade, ele é brasileiro pra caralho. Você tem uma coisa com o Lula, ele é brasileiro pra caralho. Não existe ser mais brasileiro do que o Lula. Pode gostar ou não gostar, mas ele é brasileiro pra caralho. E isso daí é lindo. A gente tá meio recuperando a bandeira, já faz um tempo. E eu acho que é o momento nessa eleição de se apropriar completamente não só da bandeira, mas de todos os símbolos nacionais e patrióticos.
Eu, eu tô muito patriota, eu concordo muito, faz todo sentido, porque não tem nada mais patriotizante do que uma ameaça externa real, concreta, real, documentada. E acabou o Brasil, gente, de verdade. O Flávio ganhar, acabou, acabou, acabou o Brasil, acabou, acabou soberania, acabou, acabou. Se você gosta do Brasil, acabou, acabou, se É verdade. Beijo. Olha o que aconteceu na Venezuela, olha o que aconteceu, gente, olha o que aconteceu na Argentina. Que vergonha, que vergonha! Virou um quintalzinho.
Peter Thiel tá fazendo refúgio apocalíptico na Argentina, não é nos Estados Unidos.
É República de Banana mesmo, de alfajor. Virou uma coisa assim, é muito louco. Enfim, você quer isso?
Eu concordo com isso, porque tem um outro aspecto também que eu queria falar, que é o Flávio. Ele não tem carisma, ele é um candidato fraco, que é uma vantagem em muitos, em muitos níveis, mas também é uma fragilidade para nossa campanha. Por quê? Porque, como você falou, é difícil amar o Flávio, mas pelo menos, mas pelos mesmos motivos é difícil odiar o Flávio. Você não olha o Flávio como um cara perigoso, apesar das relações e da biografia dele, apesar de ser objetivamente, alegadamente, uma pessoa muito perigosa.
Mas é, mas ele não, não cola nele, não é isso que ele passa. Ele é o cara que faz cocô na calça no debate, ele é esse cara. E nesse sentido, a falta de carisma faz com que um voto inercial se sinta confortável com ele, que assim, cara, esse cara não fede, não cheira, e é quem governa mesmo. Ele vai mediar, ele é mais moderado que o pai, porque o pai despertava o ódio. Muita gente derrotou o Bolsonaro porque queria derrotar o Bolsonaro.
A eleição de 22 foi muito isso, não era vamos eleger o Lula só, era vamos derrotar o Bolsonaro. E não tem esse clima de vamos derrotar o Flávio nessa, nessa eleição. Mas o Trump tem o carisma do ódio, da grande devoção que tem por ele algumas pessoas, mas cada vez mais as pessoas têm uma ojeriza objetiva ao Trump, tem medo dele. E cara, o O Flávio é o cachorrinho do Trump. E aí a fraqueza dele pode ser traduzida dessa forma, não como falta de carisma, como o cara que não fede e não cheira, mas como um cara que tá farejando o rabo do Donald Trump todo santo dia, né?
E isso não tá sendo muito explorado. Eu acho que eu entendo também, porque eu acho que o Lula provavelmente tá fazendo uma conta geopolítica muito delicada, que é o quanto xingar o Trump e a guerra comercial, a guerra eleitoral. Ele teve um telefonema na semana passada que supostamente o Trump disse para ele que é, a gente se gosta mesmo, eu também gosto de você. Ele falou isso para o Lula, alegadamente.
Eu acho muito ruim para o Lula isso, ele ter falado inclusive.
Mas a esquerda tá falando assim, olha como o cara é estadista e tudo mais. E em alguma medida eu dou razão, isso foi uma cilada, eu Eu acho, em geral eu acho esse lado, mas assim, vai fazer o quê?
Eu prefiro o Trump, mas você não precisa divulgar depois.
Eu prefiro o Lula, exatamente, eu prefiro o Lula puto com Trump do que o amigo do Trump desesperado.
E ele não, e ele tá, eu também fico desesperado, mas ele também tá puto com o Trump.
Eu tenho uma visão entre vocês dois, tá? Eu acho positivo ele ter tido a ligação, eu acho ruim a maneira como ele reportou a ligação.
Não me coloca como o cara que tá achando que é bom que o Lula fica amigo do Donald Trump, não acho isso. Eu sou do campo que prefiro treta.
E o Trump, ele é psicopata o suficiente para respeitar mais o cara que tá xingando ele.
E o Lula fez isso quando encontrou foi no G20 que ele fez isso, que ele não cumprimentou, ele ficou lá, não sei o quê, e o Trump ficou meio de canto e tal. E o Lula tem falado isso, mas eu entendo, imagino que no cargo de presidente, que não é só uma eleição que tá em jogo, mas balança comercial, é tarifação, com a pressão industrial, com PIB mesmo colocado nessa questão, a conta que o Lula precisar fazer é uma conta diplomática muito delicada, que é mais difícil da gente saber.
Mas novamente, Novamente, o nosso campo pode fazer isso sem medo, entendeu? O nosso foco não deveria ser fazer o Lula falar as coisas que a gente quer que ele fale, ou contar só com o Lula para ganhar a eleição, que é o meu ponto. E novamente, não ficar gastando tempo meio que criticando quem tá tendo uma análise diferente da sua, mas foco total nos pontos em que dá para a gente ganhar voto.
Falando sobre isso de como não perder o foco, né, não ficar perdendo tempo criticando o voto crítico, porque auto-crítico, ele é positivo, ele é pragmático. É pragmático acolher a crítica nesse momento. Johnny's é uma figura excelente para o campo de esquerda de maneira geral no Brasil hoje. Ele faz um trabalho ali que tem, acho que ninguém tá fazendo com a mesma competência que ele é, que ele faz, que é dialogar com esse eleitor jovem, majoritariamente masculino, antissistema, que poderia muito bem migrar para extrema-direita, que é um eleitorado que tá sendo conquistado pelos Pabllo Marçal da vida, que tem a energia radical, né?
Tem uma energia radical, que não, que tá cansado das instituições da maneira como elas operam, com razão, porque é uma democracia farsante, né, de meia tigela, que não entrega, é capturada por esses interesses autocráticos malucos desse Congresso que não representa ninguém, e, né, capturado pelos interesses de poucas elites. E ele tá vendo isso e falando sobre isso, dialogando com esse eleitorado e trazendo esse eleitorado para a esquerda.
Ah, mas é o comunismo. Ele tá trazendo para esquerda, ele não tá deixando esse eleitorado ser capturado pela extrema-direita machoasférica, misógina, nojenta. E aí esse cara, porque ele não é assim, porque ele não escreveu 13 no folheto dele, é, e porque ele vai votar no Lula, obviamente que ele vai votar no Lula, mas ele tem uma postura que é crítica ao Lula a partir da esquerda. Esse cara vai virar alvo de militância, pelo amor de Deus. Isso sim não é pragmático, isso não entender em que mundo nós estamos.
Alvo de militância e alvo de ministro, é uma loucura, é uma loucura, é loucura, fora a parte tática.
Isso aí é uma loucura, pelo amor de Deus. O Boulos foi falar, aí é realmente, eu não sei por onde começar.
Não, pelo amor de Deus, deixem isso.
Gente eleita tentando atrapalhar o caminho do João de São Noel.
E sobre se eu concordo com todas as agendas ou discordo, é só que a postura pragmática, fala muito de pragmatismo, como se agora é hora de pragmatismo, não é hora de criticar. E ao contrário, o pragmatismo agora é não só aceitar a crítica, é aplaudi-la, é falar eu quero os críticos comigo, venham críticos.
Não precisa, não precisa amar. Eu, por acaso, amo, mas não precisa amar.
E tem uma coisa, tem uma teoria de um psicólogo chamado Jack Brehm que ele formulou lá nos anos 60 e que é muito lida para quem trabalha com campanha eleitoral, justamente, que ele chama da teoria da reatância psicológica.
Reatância?
Reatância. Foi traduzido como reatância, mas em todo caso é uma coisa meio parecida com o que a gente sente quando a gente tá falando com criança, que é assim, se você você, quando a pessoa sente que a liberdade dela de escolher, a liberdade dela de pensar por si mesma, de tomar uma decisão que ela tomou, tá sendo ameaçada, ela reage reafirmando essa liberdade, fazendo o contrário do que você tá pedindo para ela fazer. Então isso se traduz em campanha eleitoral como uma coisa que é profundamente antipático.
Em campanha eleitoral você fala assim: você tem que fazer isso, você não tem outra escolha, a única escolha possível é essa, não dá para defender esse para o outro lado. É o contrário do que funciona com, obviamente, o eleitor que não está persuadido ainda. Esse eleitor, ele precisa falar: não, eu de fato tenho escolhas, eu estou tomando as minhas decisões de maneira deliberada, não tem ninguém do meu lado gritando que eu vou ser fascista se eu escolher de uma certa forma, mas eu estou afirmando a minha escolha, escolhendo esse caminho aqui porque ele é o melhor caminho.
E o kit básico de argumentação, que é assim: eu entendo o seu ponto, eu entendo o seu ponto, valido que o cara acabou de falar, eu entendo o seu ponto, mas eu sei de onde você tá vindo, eu Eu reconheço isso, mas olha, o meu lado é mais ou menos esse. Você pelo menos fala assim, você não, você valida o sentimento da pessoa, que é uma coisa que a gente já falou aqui. Você pode desvalorizar o argumento de qualquer pessoa, isso é argumentação.
Você fala, o seu argumento não para em pé. Mas se você invalida o sentimento da pessoa, essa pessoa para de ouvir você na hora. E novamente, eu acho que a vitória do Bolsonaro lá em 2018 se deve em parte a esse tipo de voto, que é quase um voto de pirraça, é falar assim: eu vou votar para você não ganhar, para você, porque eu quero ver você triste, eu quero ver você perder, porque você me encheu o saco por 8 meses sem parar, entendeu? Você me chamou de fascista, entendeu?
Quando a gente fica falando aqui, liga para o velhinho na sua vida, fala com eleitor indecisa, é fazer tudo isso, mas fazer isso com um cuidado, que é não cercear a liberdade, não ficar na procura do, do, do, da pessoa que tem uma moralidade perfeita e que tá tentando impor essa moralidade a uma outra pessoa.
É chato ter que pedir isso, mas assim, é não ser chato. É, infelizmente isso é o que às vezes tem que lembrar.
Lembrem da reatância psicológica.
E se você acha, nossa, é programa muito chato, é só não ver. Mas a gente não tá na cédula, entendeu? A cédula é o foco mesmo, né?
Exatamente. Então esse foi o Calma Urgente.
Pera aí, antes de você encerrar, temos uma coisa: nosso número de WhatsApp. A gente criou um número de WhatsApp, a gente tá organizado nesse negócio, gente.
Quando a gente faz um vídeo, se você tem mais de 70 anos, Alessandra vai te levar pessoalmente para votar. Ela vai te passar na sua casa, né?
Você, idoso, você vem comigo, vamos passar de van, eu vou buscar.
Não, olha só, quando a gente fazia o Greg News, o Greg brincava que todo programa que tinha assim um assunto mais animado terminava com a gente dizendo: por isso a gente criou um site. Como agora a gente tá mais pobre, a gente não criou um site, a gente criou um número de WhatsApp.
E ninguém entra em site, todo mundo tá no Zap.
Os sites acabaram, os sites morreram. Mas a gente criou um número de WhatsApp. Esse número de WhatsApp é para duas pessoas que estão nos ouvindo. Uma, se você é uma pessoa que quer receber um pouco mais de informação sobre mensagem, sobre o que dizem as pesquisas como calibrar sua mensagem para o eleitor indeciso ou para esse eleitor que talvez não apareça para votar, sobretudo eleitor mais idoso. A gente tá preparando um guia de mensagem e se você mandar uma mensagem para gente no WhatsApp, a gente vai te mandar esse guia.
Mas tem uma segunda, um segundo tipo de ouvinte do Calma que eu queria conclamar aqui, alistar você. Você é você mesmo, Greg, que é os nossos ouvintes que têm audiências, né? Então são artistas ou influencers ou tem um público, né, tem muitos seguidores, já falam para um público e que querem se comunicar socialmente, se comunicar mais sobre, com esse eleitor especificamente, esse eleitor de mais de 70 anos que precisa sair para votar.
Então que querem ajudar a gente a conclamar esse eleitor mais à esquerda que talvez não esteja planejando votar e trazer ele para urna, porque isso pode ser muito decisivo. E se você é alguém que tem uma audiência ou que conhece muita gente que tem uma audiência, fala com a gente nesse número de WhatsApp WhatsApp também. A gente sabe, né, anedoticamente, né, Greg, que tem muita gente da famosa classe artística que nos escuta, e a gente quer conversar com você.
Então, se você mandar uma mensagem para esse número de WhatsApp, você primeiro vai receber uma mensagem automática com esse guia de mensagem, mas se você der um outro alô ali, vai ter um ser humano que vai te responder, e a gente vai conversar sobre como usar esse seu público de uma forma civicamente importante nessa eleição, tá? O número de WhatsApp é 21, porque Rio de Janeiro é melhor que São Paulo.
Não fala, aí já perdeu metade. Você acabou de fazer tudo o contrário.
Assim, a estratégia é ganhar o voto do paulistano, é ganhar o voto de São Paulo.
E assim que a Alessandra começa, eu quero ser clara que isso é uma brincadeira, mas o número é 21 porque quem criou fui eu e eu tô no Rio. O que que eu vou fazer? 21, 21 99 07 71 87 Vou falar de novo: 21 99 07 71 870. Tem um QR code que vai aparecer na tela, aparentemente me disseram na produção. Isso vai acontecer, tá aqui em algum lugar, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, não sei. Mas esse QR code, se você também apontar para ele, você vai direto para o nosso número de WhatsApp.
Dá um alô por lá que a gente vai enviar nosso guia de mensagem. E se você falar sou artista ou tenho um público rico, a gente vai falar com você. Talvez demore um pouco porque a gente não é muito rico, a gente não tem uma equipe muito grande, mas a gente vai fazer o possível para entrar em contato e conversar, é para te ajudar a criar conteúdo nessas eleições e ajudar a gente a ganhar.
Tá difícil.
E não é você que fala QR code, não QR code.
Ah, tá, perdão.
QR code foi foda.
QR code é uma palavra do português, né? Ele realmente é desde Camões, a gente fala code.
Code, gente, foi um prazer enorme falar com vocês.
Nada vai indicar.
Ah não, gente, a gente indica que vocês parem de ler e liguem para os velhinhos na sua vida. Hoje a dica não é hora, pragmatismo, nada de leitura pelas próximas 5 semanas. É agora é falar com as pessoas.
Um beijo enorme, até breve, gente.
Tchau, tchau, até a próxima segunda.
O Calma Urgente é uma produção da Periproduções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade audiovisual Pedro Inoue e uma consultoria de comunicação por Luna Costa.