Distopias Convencionais
As convenções dos partidos que oficializam candidaturas e a disfunção política nacional.
Quer participar dessas conversas e de muitos outros encontros sobre livros, filmes, séries e cultura? As inscrições para o segundo semestre do Clube de Cultura do Calma Urgente já estão abertas. Acesse calmaurgente.com e venha fazer parte da nossa comunidade.
Dicas:
Livros
Why David Sometimes Wins: Leadership, Organization, and Strategy in the California Farm Worker Movement (2009), de Marshall Ganz (dica da Alessandra)
Livre, de Lea Ypi (2021) – Livro de agosto do Clube de Cultura
Filmes
A Odisseia (2026), de Christopher Nolan (dica do Gregório, que detestou e quer discutir)
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
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Bom dia, boa noite ou boa tarde, queridos espectadores e ouvintes do Calma Urgente. Aqui é Gregório do Vivê falando com vocês de Maceió, e gostaria de chamar Alessandra Orofino do Rio de Janeiro e Bruno Torpua da Serra da Mantiqueira.
Olá, queridos, que saudade de estar junto!
Saudade, né? Esse mês de julho foi uma loucura. Não paramos, férias escolares junto com— eu tô numa turnê também pelo Nordeste, tô no meio dela assim, ainda falta uma semaninha, mas consegui encontrar tempo aqui em Maceió. Até porque está chovendo em Maceió, uma pena, mas é bom também, é bom porque quase não choveu. Estavam explicando isso, que o Super El Niño já chegou aqui, no sentido que foi um mês quase sem chuva, que é época de chuva, né, em Maceió.
E quase não choveu, que foi ótimo para o setor hoteleiro, mas muito ruim, claro, para o clima, para o meio ambiente, né? Então essa chuva, por um lado, é boa porque ela fez falta. Quase não choveu aqui. Isso é um sinal de que o Super El Niño vai chegar forte aí também no nosso Brasil, no Nordeste, é, no Nordeste, no resto do Brasil, no verão, né? É o grande medo. O Bruno sabe falar disso melhor que eu consigo, mas esse verão É melhor não, porque eu tô preferindo omitir informações.
Eu tô preferindo omitir informações, eu tô preferindo, tô guardando tudo.
Agradeça quem quiser que se informe.
As informações estão todas por aí, cara. Eu não vou ser, eu não vou trazer mais notícia não solicitada mais.
Não faz isso, Bruno.
Não, é pior do que nudes não solicitados. Notícias apocalípticas não solicitadas.
Hoje em dia, né?
Você tá lá vivendo sua vida tranquilo, te liga o Bruno para falar que o mundo vai acabar. É uma ocorrência diária.
Pior não é isso. O pior foi a Alessandra no ano passado, me liga feliz da vida: você não sabe, Bruno, que o mundo não vai acabar.
Eu tava tão animada.
Teve uma solução, eu vi uma notícia de que tá caindo emissão e vai dar tudo certo, a gente vai salvar o mundo.
Era para estar assim se não fosse pelo nosso querido Donald Trump. Mas esse é outro assunto, né, gente? Não é a nossa pauta de hoje. Ainda que chamar o Bruno de profeta do apocalipse seja sempre gostoso.
É sempre engraçado, mas não é sobre isso.
Eu não sou profeta, eu sou jornalista.
Hoje é uma pauta boa. Olha só que incrível, é só eu voltar que eu trago de volta o otimismo para vocês. Eu vou tentar, mas eles vão acabar rapidinho. Eles vão acabar rapidinho com a minha alegria. Eu tenho certeza que eles vão, porque o tema agora é eleições. Está aberta, está aberta a corrida eleitoral. E a boa notícia Me digam se eu estiver errado, provavelmente eu estou, eu costumo estar, mas me digam se eu estiver errado. Mas a boa notícia é que o Flávio já desistiu, não é o Flávio em si.
A boa notícia é que a candidatura do Flávio é um defunto ambulante, é um cadáver de pé. Ela é um, assim, ela tá, tem uma autópsia, não foi uma convenção, foi uma autópsia. Ele não conseguiu uma vice, ele Ele não conseguiu, tipo, até agora. Até agora é muito duro.
Vai conseguir enquanto você tiver ouvindo esse episódio, porque a gente tá gravando esse episódio na segunda-feira e ele tem até quarta para anunciar.
Cara, eu ouvi falar que ele tá batendo de porta em porta. Se ele bater, se alguém bater na sua porta agora, pode ser o Flávio. Tá pronto para ouvir a palavra do PL, senhor? Ele vai falar assim: o que que você vai fazer agora de agosto a outubro, hein? Tá de bobeira? Você pode ser convocado pra ser mesário ou pra ser vice do Flávio, porque ninguém quis.
Se você é mulher de mais de 18 anos, de mais de 35 anos, Alice, caralho.
Meu Deus do céu.
Mas você acha que isso quer dizer que a campanha está defunta? Quer dizer, elabora um pouco mais, Greg.
A minha impressão, vendo de fora, é que ninguém acredita ali nele de verdade. Ninguém. Tipo, ao lado dele, as pessoas que estavam era a mulher e a mãe. Tipo, e a mulher dizem que meio obrigada. Então assim, são as pessoas que não poderiam dizer não para ele, é quem estava ali com ele. Tipo, de grande não tinha ninguém de grande politicamente, não havia ninguém perto. Não foi o Nicolas. O Nicolas, aliás, não é só que não foram, é muito sistemático que não apenas as pessoas não foram, como elas mandaram vídeos muito capengas, vídeos obrigados.
O Nicolas não gravou um vídeo legal no estúdio com a produção, Ele mandou uma video selfie com outras pessoas aí. Um beijo, querido, com tom de que tava obrigado. A Michelle mandou um vídeo muito sintomático. Cara, como a Michelle é esperta, malandra mesmo assim, politicamente. Ela, nas entrelinhas, ela faz a obrigação dela, que é mandar um vídeo, obrigação lá familiar. Ao mesmo tempo ela fala: tudo de bom pra sua família. Perceberam isso? A sua família, que não é a minha não.
Que não é a minha não, exatamente.
Não me inclua nessa. Ela cria uma separação imediata.
Tudo de bom para sua família, né? E ao mesmo tempo que fala o nosso povo, então assim, o povo compartilha, mas a família não, sabe? E ela se distancia. Não sou da sua laia, não estarei aí. Então até os vídeos que mandaram foram mais declarações, eu acho, de distanciamento do que de apoio. E mais, o vídeo, ia, queria muito falar disso, gente, o vídeo do Bolsonaro.
Não, mas só rapidamente, só para encerrar essa parte, o grande nome que foi e foi o destaque internacional foi o Milei, em uma hora de profunda baixa da Argentina, diga-se de passagem, na reputação nacional. Então assim, o nome que se dispôs aí fisicamente falar que tem que votar no homem é o presidente palhaço da Argentina. Então o cara tá mal mesmo, cara. E Netanyahu, né, que mandou um vídeo massa também.
Netanyahu e Milei foram os apoios que eles conseguiram. Bem lembrado, Bruno. Netanyahu e Milei, quantos votos no Brasil dá? Acho que não se elege Bojador.
Um voto lascado no Brasil hoje em dia, imagina.
Você acha, Bruno?
Claro que não, claro que não. Mas tipo assim, ah, bom, ufa, achei que você tava falando uma presença mais tóxica do que o Netanyahu. Porque assim, exatamente, 100% dos votos que admiram o Netanyahu já estão totalmente garantidos. Ele não tem nada a ganhar com esse apoio, nada, nada. E ele põe o vídeo lá do criminoso, do cara mais odiado do planeta hoje em dia, o cara mais odiado do que qualquer, assim, líder do Oriente Médio, que eram os grandes demônios no Ocidente.
O primeiro-ministro da Israel hoje é a pessoa mais odiada na política ocidental.
E o Milei, por algum motivo, os argentinos conseguiram sublimar aquela peruca, aquela voz, aquele jeito, aqueles óculos na ponta do nariz. Eles conseguiram se acostumar com aquilo. Mas para um brasileiro olhar para aquilo é tipo, parece um personagem da Escolinha do Professor Raimundo, é uma coisa meio esquisitíssima. Quem é esse cara? Nem sabe quem é. Se souber, vai ficar com asco, né? E ele é, além de argentino, que não teria problema, ele acabou de falar que a culpa é do Brasil da Argentina ter perdido, porque foi a campanha do Brasil contra o povo argentino.
Ele ainda tá nessa tese anti-brasileira. E aí ele vai lá na campanha tentar puxar voto para assim Puta que pariu, assim, é uma coisa, é muito burro pedir apoio do Milei, muito burro assim. E bem lembrado, Milei e Netanyahu.
E ele não, você vai falar já já do Bolsonaro em IA, né? Mas só para lembrar que não é só que o Milei vai na convenção, mas o Flávio também publica um vídeo em IA fazendo disso, dessa vinda do Milei, um grande acontecimento. E é o vídeo, né, o vídeo retrata o Flávio como uma espécie de Tom Cruise num avião de guerra indo salvar o Brasil. E aí o Milei chega também e eles pousam juntos na convenção. E é uma coisa autocongratulatória, muito triste, e ao mesmo tempo muito desconectada de quem o Flávio é, né?
O Flávio, essa criatura que não consegue num debate eleitoral sem, enfim, ele se vê como um herói de guerra. É uma coisa muito triste, realmente. Mas enfim, mas chega no Bolsonaro, ele se vê como herói de guerra.
Cara, isso é muito louco, que tem isso, né, do, a campanha, o marqueteiro do Flávio, que já trocou acho que duas vezes, tá no terceiro, trocou de novo agora, tá no terceiro marqueteiro. Isso antes da campanha começar. E acho que o resultado disso, isso se vê na construção de uma persona que é contraditória. E como ficou mudando, ou talvez tenha mudado por isso mesmo, elas ora investem no guerreiro que salva o Tom Cruise, ora no família fofa, ou meu amigo Flávio que é o gente boa, ou ele é o cara moderado que entende, experiente da política, ou ele é o mais corajoso, sabe?
Eles não entenderam direito quem é o Flávio. Não decolou, não vai decolar. Eles sabem, porque se a gente sabe eles sabem. Então o clima para mim parece fúnebre, sabe? É aquele, é feito um casamento ao qual todo mundo já sabe que o cara tá traindo ela e vice-versa, e que o amante tá na plateia, e que, sabe, foi aquele olhar, todo mundo sabe, cara, esse casamento já acabou assim. É meio que para mim essa imagem.
Eu acho que o reposicionamento novo dele não é nem de Top Gun, que eles fizeram um vídeo e tudo bem, aquela coisa hipermasculina ridícula deles. Mas o que fica claro na convenção, me parece que só restou a eles falarem: ele é o filho do Jair Bolsonaro. Que eles estavam tentando fingir que não antes. Eles estavam falando assim: o Flávio é diferente, o Flávio é mais família, ele é moderado, ele é um senador, ele é profissional, ele é conciliador.
E agora não. Agora ele é o filho do Jair. Ele é do mesmo sangue do Jair, pode confiar que ele é Bolsonaro. Ele não é o Flávio. Ele é Bolsonaro, que era a nossa reivindicação há 3 semanas atrás.
Exatamente.
Eles estão perdidos mesmo em relação ao posicionamento.
Mas vai lá, galera, chega na IA, chega na IA.
Enquanto a IA, eu queria muito falar, cara, porque é muito simbólico e muito forte, cara. Não é lindo assim? A ideia de que o pai tá dando apoio nele por um vídeo de IA pareceu uma ideia muito boa pra eles, com certeza, da campanha, que foi assim, é genial. Porque ele não pode, mas a IA não tem como. Não tem como a gente punir, o Bolsonaro ser punido por um vídeo que ele não fez, que é a IA. Ao mesmo tempo ele vai tá lá. Então pareceu uma ideia gigante, brilhante pra driblar a proibição, mas ao mesmo tempo é a pior ideia do mundo.
Porque um vídeo de IA não significa nada. Eu sou uma— só mostra a fraqueza dele como candidato, sabe? Você ter um apoio de um vídeo de IA do teu pai É, tipo, muita vergonha. Num dá um voto, porque é um vídeo de IA falando que é uma IA. Oi, eu sou uma simulação. Eu estou com o Flávio. Por que que cê quer o apoio de uma simulação, cara? Não faz o menor sentido. Esvazia completamente a figura ali no meio. Ele até finge uma emoção.
Só que... tu vai... tu tá emocionado por causa de um vídeo que o teu... a simulação do teu pai manifestou apoio à sua campanha? Cê vai chorar? Assim, caralho, é muita vergonha de vídeo.
Eu tô comovido com esse prompt, eu tô comovido.
Exatamente.
Nossa, que prompt lindo! Não tô acreditando nessa versão 5.0 do Opus, meu Deus, que coisa comovente!
Cara, eu amo exatamente. E aí tem os juristas debatendo se ele podia ter feito isso ou não, e tem gente dizendo que isso é crime. Pelo amor de Deus, deixa o cara fazer, porque isso é bom demais, não vai mudar nada na campanha dele, um vídeo de Iá do Pai, pelo amor de Deus.
Ou não, Ao mesmo tempo que não vai mudar nada na campanha de Dia do Pai, tem, significa alguma coisa para a era em que vivemos, né, Bruno?
Muito.
Conta aí o que você acha.
Mas eu acho que antes de falar só do significado, que foi você falando, me caiu uma outra ficha. Ele botou Milei, o Netanyahu e IA, que é a terceira coisa mais odiada do mundo. Sim, e com o Netanyahu é basicamente o Netanyahu dos softwares. Assim, a galera odeia IA, a galera sabe que é uma coisa ruim, que se sente enganado. Todo mundo que cai num vídeo de IA fala, nossa, meu Deus, não só se sente trouxa, como cai a ficha de que estamos em uma distopia esquisita.
Então até isso eles jogaram contra a própria imagem. E para mim teve um susto muito grande. Eu concordo com o que o Greg disse nesse sentido. Acho que para campanha do Flávio É péssimo. Pra ele ter mais voto, eu acho que é isso. A gente só tem que rir. Não digo comemorar. Mas me bateu mais uma camada da nossa distopia. Porque o que a gente temia no ano eleitoral presidencial com o uso de inteligência artificial? Vídeos falsos contra o nosso campo.
Que o Lula ia estar fazendo algum absurdo, que ia ter um vídeo fake de não sei quem, que ia ser inundado com slop. E aí as vovós do Zap não iam saber o que que tá acontecendo. Foi o contrário, eles fizeram EIA deles mesmos. A EIA é o jeito do Jair sair da cadeia. E isso fora da campanha me trouxe uma camada de distopia que para mim é o pós-perfil, assim, já é uma outra era digital que a gente entra, que é a avatarização de si mesmo.
Que é você conseguir exumar gente morta, tirar gente presa, tipo multiplicar a sua cara e a sua voz infinitamente para você não ser mais punível com isso. Então abre possibilidades existenciais e legais e políticas muito esquisitas. E de algum jeito muito louco, foi a campanha do Bolsonaro que inaugurou isso no mundo, até porque eu não vi um candidato grande no mundo político de renome fazendo algo semelhante no mundo ainda. Junto.
E aí novamente com Netanyahu, com Milei. Então assim, é um carro alegórico novo da extrema-direita muito louco que entrou em campo agora, e que para mim vai além da própria política, sabe? Ele vai para o entretenimento, para nossa projeção digital no mundo fora. Então eu fiquei assim meio chocado, fora da parte ridícula, eu fiquei um pouco chocado.
Sim, que talvez o uso mais perigoso de IA não seja, né, tem muitos. Você perguntar para o Drauzio Varella, por exemplo, que é que tá agora processando o YouTube, parece. Vamos checar essa informação, Luísa, por favor, para não dar informação falsa. Mas ao que consta, tava processando o YouTube justamente porque o YouTube não tira do ar vídeos de IA do Drauzio, né. O Drauzio é uma das personalidades mais copiadas por IA. Então tem, se você procurar no YouTube, você vai ter vídeo falso do Drauzio recomendando um monte de coisa Sobre tudo esses suplementos alimentares que não servem para nada, em geral é coisa que alguém quer vender.
Se você quer vender alguma coisa médica ou que tem alguma relação, né, com bem-estar, com saúde, etc., você usa a imagem do Drauzio. Então isso é um uso, existe, e é muito triste, deve ser desesperador. Imagina para o Drauzio, né, que cresceu e fez a sua carreira num tempo em que isso era inconcebível. A essa altura da vida, ter que lidar com isso assim é de uma—
é um absurdo.
E um cara que é particularmente cuidadoso com a sua reputação, com a sua imagem, com a sua reputação, com o que ele diz, com o que ele recomenda, não recomenda. Então tem esse lado. E a gente achou que ia ser isso, né? Isso era o que sempre me preocupou mais. E o que a gente tá vendo agora com esse vídeo do Bolsonaro é uma outra dimensão, que não é tanto o vídeo falso que criam para imputar a você uma opinião, uma fala, algo que você nunca fez, Mas o vídeo que te torna inimputável.
Inimputável. Assim mesmo. Assim mesmo, tipo, eu posso... E é o que eles fizeram. Porque, por exemplo, se eu fizer um vídeo meu falso, eu falando uma barbaridade que eu quero que vá a público, que eu quero que vá a público, esse é o ponto. Mas foi a IA. E eu não sabia que fizeram, não fui eu que fiz. Mas tem o meu nome e a minha cara lá.
Esse tipo de inimputabilidade da IA, ela não vai acontecer só no campo das personalidades políticas. Ela vai acontecer, por exemplo, já tá acontecendo em relação aos crimes de guerra, às decisões de política pública erradas. Então você vai lá e joga uma bomba, como foi feito no Líbano, né, numa escola de criança, e fala que não foi o exército americano ou o exército israelense, foi a IA que estava com a base de dados atualizada, que autorizou a bomba.
Então também é uma maneira de você terceirizar a responsabilidade por um monte de coisas. Mas o fato é que, da mesma maneira que o Bolsonaro provavelmente, né, queria aquele vídeo, se não quisesse, o vídeo não teria sido publicado, A bomba também foi desejada. Então é uma camada de inimputabilidade que surge e que acho que vai dar muito problema pra gente em vários terrenos em breve.
Você quer ver um que aconteceu na semana passada que provavelmente é mais consequente para o mundo da inimputabilidade digital do que o caso militar? Porque no militarismo as coisas são meio inimputáveis mesmo, tem uma cadeia de comando, eles negam, tem propaganda. E explodir a escola não é novidade para o Exército dos Estados Unidos ou para o Exército israelense. Mas há duas semanas atrás, um modelo da OpenAI, do Sam Altman, rompeu a barreira deles, que era para ele não ficar online.
Era um modelo que estava no que eles chamam de sandbox, que é um lugar fechado. Ele rompeu essa barreira, eles não descobriram, e ele cometeu 17 mil hackeamentos criminosos em segredos corporativos de uma outra empresa de criptografia e segurança que chama Hugging Face. A Hugging Face veio a público avisar que nós fomos hackeados por um modelo de inteligência artificial, nós não sabemos o que aconteceu. 2 dias mais tarde, a OpenAI vem a público e fala assim: foi um modelo nosso, mas a gente não sabia, a gente não sabia.
Ninguém está sendo processado, ninguém. A OpenAI não tá sendo processada, a pesquisa não teve que ser interrompida legalmente, não tem nenhum caso sendo investigado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos ou de qualquer outra a jurisdição. E o ponto é exatamente esse: se fosse um ser humano, se fosse um funcionário da OpenAI que tivesse feito isso, o funcionário no mínimo estaria preso já, respondendo preso, um baita crime que esse cara cometeu.
Então essa inimputabilidade é uma das principais mudanças que a gente vai ver no mundo, não só da política, mas criptografia, banco, por aí vai.
E a gente já fez a checagem aqui ao vivo, porque quem sabe faz ao vivo, e o Doraldo está processando a Meta, não o YouTube. Mas voltando para campanha, gente, Greg, eu não sei se eu concordo que a campanha tá morta-viva. No entanto, eu também ia falar isso, juro.
Eu ia trazer as matérias de vocês, quero ouvir vocês, porque eu acho que todo mundo já saiu fora, todo mundo, gente, da Faria Lima ao Kassab. Ah, o Ciro Nogueira nem se fala.
Eu acho que todos já, veja, Tereza Cristina, eu posso ser convencida do contrário também, não tô com opinião formada, mas eu diria duas coisas aqui que acho que são importantes da gente lembrar. Uma é o seguinte: apesar de todo mundo ter saído fora, a gente ainda segue com o cenário eleitoral concreto, que é o Lula não perde voto na esquerda, né? Não tem outros candidatos fortes num campo parecido com o do Lula que poderiam, portanto, dar votos para ele no segundo turno.
Já o Flávio tem, tem ali, né, o Caiado, tem o Renan. Então ele tem outros candidatos, outras figuras que podem no segundo turno dar voto para ele. Então se o Lula não ganhar no primeiro turno, é difícil ele ganhar no segundo. Não vai ser um segundo turno fácil, simplesmente porque parte desses dados, né, desses números mais baixos de Flávio no primeiro turno também se devem a essa fragmentação do voto da direita. Então esse é o primeiro ponto.
O segundo ponto é que caso pareça que o Lula vai se eleger no primeiro turno, o que é possível, tá? Eu não tô totalmente desesperançosa de uma vitória no primeiro turno. Caso isso aconteça, o Flávio vai ter muito mais facilidade de trazer gente para campanha dele, porque vai haver um pânico dentro do antipetismo, um medo do Lula se eleger no primeiro turno, que talvez seja suficiente inclusive para convencer um eleitorado suficiente de ir com Flávio já no primeiro turno, o que poderia inclusive fazer o Flávio ganhar no primeiro turno.
Então, o que eu diria aqui, o que vários, né, outros analistas políticos, quem trabalha com pesquisa eleitoral, já tá dizendo é que essa é uma eleição com grande chance de ser decidida no primeiro turno, seja para um lado ou seja para o outro.
Mas ela é uma eleição que tá com cara de primeiro turno, porque não tem um cara que vai puxar 12% dos votos, 13% dos votos, para dar aquela quebrada que o Ciro Gomes sempre fez, que outras candidaturas de esquerda do pessoal eram capazes de fazer com 3%, 4%, soma com outro e tudo demais. Eu concordo. E eu acho assim, eu acho que o momento ele tá numa baixa, numa baixa histórica, eu não tenho dúvida. Mas eu não acho que a galera tá pulando fora do barco completamente.
Acho que a galera tá muito cética e tá fazendo conta. Mas eu concordo com a Alessandra, eu acho assim, a gente nunca pode subestimar o nível da polarização ideológica brasileira. A gente não pode subestimar o nível do cinismo da Faria Lima, dos bancos e do mercado com qualquer notícia negativa ou qualquer índice econômico negativo que apareça nos próximos meses. E eles tendem a aparecer porque tem uma crise mundial meio que cozinhando em fogo baixo e a temperatura já tá bem alta.
Tem Super El Niño, tem escândalo do Lulinha que já tá na manchete todos os dias agora, e a PF já tá indiciando e tudo mais. Então tem muita água para rolar embaixo dessa, dessa Ponte. E novamente acabou de sair uma pesquisa, acabamos de receber aqui no nosso chat os números do BTG, Nexus BTG, falando que o Flávio subiu 4 pontos da última pesquisa. Então no primeiro turno Lula em tese caiu, tá com 41%, e o Flávio Bolsonaro com 37%, apenas 4 pontos atrás.
Você acredita nessa pesquisa? Não tô brincando não, porque essa pesquisa eu não sei se é um Datafolha, não é um Big Data, uma, sei lá, eu não duvido de pesquisa inconveniente para nosso campo, entendeu?
Assim, se ela não é completamente tosca. E a gente tem que sempre lembrar, as últimas eleições provaram isso, não só as presidenciais, mas de governo, as de prefeitura, idem, que a direita tem um voto constrangido nas pesquisas. Eles chegam acima quando a urna abre, eles não chegam abaixo. A gente vê isso com Trump, vê isso com Milei, vê isso com a Colômbia, é a mesma coisa. E no Brasil a gente viu quando Lula ganhou também, o Bolsonaro tava muito acima do que se esperava.
A questão para mim é menos acreditar ou não. Eu não olhei a metodologia dessa pesquisa, não tenho uma opinião metodológica. Mesmo que eu tivesse olhado, acho que eu não sou qualificado o suficiente para ter uma opinião. Mas o que eu posso dizer É que essa diferença, ela sempre é relativamente apertada no primeiro turno, Greg, em várias pesquisas. Apertada o suficiente pra num segundo turno ela se tornar pouco confortável. Justamente por isso, porque a gente tá falando de um campo que tá fragmentado no primeiro turno, mas não vai estar no segundo.
Então, eu acho que a gente subestima a força do antipetismo mesmo hoje ainda, sabe? E o quanto que essa reação meio de ojeriza ao Lula pode acabar levando a um tipo de união do outro lado que a gente não tá vendo ainda. Até porque o Flávio é um candidato fraco, ele é um candidato muito ruim mesmo. Isso eu concordo 100% com vocês, é, e com você, Greg. Então eu acho que ele não, ele não, as pessoas também não querem essa proximidade, nem elas não querem essa proximidade a não ser que ela seja justificada pela possibilidade real do Lula ganhar.
Se aproximar do Flávio agora, antes do primeiro turno, no início da campanha, significa dar um tipo de apoio incondicional a ele? Que se daqui a 3 meses aparecem mais escândalos, como a cada semana aparece um escândalo do Flávio, né? O último foi que um banco ligado, né, uma empresa ligada ao escândalo do Banco Master fez uma doação para ele. Então tem uma doação, não, um pagamento para o escritório de advocacia dele, né? Que aliás, a gente descobriu no escândalo do Banco Master que honorário de escritório de advocacia é o esquema desse país.
Mas enfim, em todo caso, Apoiá-lo agora, apoiar o Flávio no início da campanha, é manifestar uma espécie de apoio incondicional. Apoiar o Flávio coladinho no primeiro turno, se parecer que o Lula pode levar no primeiro turno ou num segundo turno, é o tipo de apoio que você pode justificar depois se afastando dele, falar: mas não era, nunca gostei do Flávio, sempre achei ele um bandido, sempre achei ele terrível, mas o Lula era um mal maior, eu tive que apoiá-lo.
Que é muito diferente de apoiar agora. Então acho que ele é um candidato que ninguém quer apoiar agora. Porque ele é muito ruim, ele é muito fraco, ele não é confiável. Tudo pode acontecer ainda, milhões de escândalos podem surgir até o final da campanha. Todo mundo meio que espera que isso vai acontecer, ninguém sabe exatamente o que que vai surgir. Então tá todo mundo com o pé atrás. Isso vai mudar na cara do gol e o nosso campo não pode achar que já ganhou.
Não, eu concordo. Só para te responder já isso, eu não acho que já ganhou não. Eu acho que pode obviamente ter uma reviravolta, mas nunca estive tão otimista E o que eu tô sentindo é que quem mais quer, quem mais quer que o Lula ganhe é esse centrão e essa direita difusa, e a própria Faria Lima, no sentido que talvez Flávio ganhar é muito ruim, é muito ruim Flávio ganhar para o Tarcísio, é muito ruim o Flávio ganhar para o Zema, nem se fala, para o Caiado, para uma direita, para o Renan Santos, uma direita que ficou refém do bolsonarismo.
Ela odeia o Flávio, odeia essa tirania familiar monárquica da família Bolsonaro, esse direito do sangue que faz com que eles nunca sejam uma opção real. Enquanto o bolsonarismo for capitaneado pelos Bolsonaros, é dinástico, ele não— quando ele for dinástico, exatamente, eles vão continuar sendo no máximo ministros, quem sabe Um dia vão estar ali na corte pegando uma rebarba, mas eles nunca vão acessar o poder. Então acho que tem muita gente que não quer o Flávio.
Eu diria que eles não querem de jeito nenhum, estão bem felizes com esse resultado, eu chutaria. E mais, eles sabem que o governo Lula é disputável, né? Assim, Lula tá louco para abraçar esses caras, vamos ser sinceros, é verdade. Não todos, claro, mas é isso. O Ciro Nogueira e o Kassab sabem muito bem, que eles têm muito a ganhar também no governo Lula 4.
Eu acho que esse aqui, o otimismo do Greg, é um caso clássico da gente ser influenciado pelo entorno. O Greg tá um mês no Nordeste fazendo o tour do Nordeste e ele está agora assim certo de que a vitória, a vitória é inevitável.
Mas nem para o Rio de Janeiro, eu só queria fazer um comentário que eu concordo com a análise que o Greg fez. É, e eu acho que a fragmentação da direita que Alessandra acha que pode ser um risco para o nosso campo no segundo turno, talvez não. Eu, eu talvez seja o oposto, porque o Renan, por exemplo, eu tô achando interessante o movimento dele. Campanha terrível, um cara que eu acho das figuras mais abjetas que eu já vi.
Nossa, vocês me fizeram ver a conversão.
Ele tá batendo no Flávio de uma maneira irrecuperável. Ele não tá batendo no Flávio como, mas agora estamos juntos porque temos um mal maior. Tá chamando de bandido, vagabundo, igual Lula ou pior. Ele tá assim porque a gente não pode esquecer que para eles e para todo mundo, mas assim, é a última eleição do Lula e é a primeira do Flávio. Se o Flávio ganha essa eleição, a próxima é reeleição do Flávio Bolsonaro. Não tem para ninguém depois disso, não tem espaço para Renan, não tem espaço para Caiado, não tem espaço para Tarcísio, que é o sonho molhado.
E aí vem o que essa eleição me parece que ela é mesmo, que ela é a eleição parlamentarista do Brasil, gente. Essa eleição, a direita e o PP, eu não acho que eles não estão apoiando Flávio por medo de perder, eles estão não apoiando o Flávio porque o interesse deles é bancada no Senado, bancada no Congresso. E render o presidente da República mais do que o Lula já tá rendido, gente. Essa semana vai passar provavelmente um pacote anti-meio ambiente daqueles assim devastadores.
A gente nem aguenta mais, porque a cada 3 meses tem um PL da devastação novo, e que o Lula não vai ter capacidade de vetar. Então esses caras já estão governando, né? E tem um outro fator que eu acho que parte da Ferialima deve se preocupar, e do agronegócio também, que é o alinhamento vassalo do Flávio aos Estados Unidos não é bom para o comércio externo brasileiro, gente. Não é bom para nossa balança de commodities, não é bom para os investimentos brasileiros, que é cheio de, entendeu, investimento chinês, investimento com um monte de lugares que os Estados Unidos fazem questão de vetar. E o Flávio já falou, é isso mesmo, aqui vai ser quintal com orgulho.
Mas você falou uma coisa que eu acho que vale falar mais, Bruno, que eu acho que é isso mesmo. A ideia de que o Executivo, ele rouba atenção pelo seu caráter muito mais midiático, é um contra o outro, é muito mais interessante, suculento de se acompanhar. Mas a verdade que é onde o poder tá sendo disputado mesmo é no Legislativo. E eu acho que isso o Valdemar, isso os caciques de partido, Ciro, já entenderam. Tipo assim, que que vai mudar?
Na verdade é essa A eleição para presidente hoje, com as emendas de relator e com o fundo partidário, ela não é tão relevante mesmo. Então está lá disputando quem vai ser a rainha da Inglaterra, quando na verdade o primeiro-ministro ninguém tá prestando atenção, né, no campo midiático e tal.
Eu acho que vale a pena aqui, Greg, para corroborar isso que você tá dizendo, vale a pena a gente lembrar dos números. O que que quer dizer eleger um deputado federal hoje no Brasil se você é presidente de partido, tá? Então, só para a gente lembrar do básico, a gente tem 513 deputados federais que ficam 4 anos, né, no mandato. E a gente tem hoje, varia um pouquinho, mas as emendas individuais por parlamentar, ou seja, o dinheiro de investimento, de investimento público, de dinheiro público que cada parlamentar acaba conseguindo comandar, e em grande medida esse poder de comando sobre esse dinheiro ele é delegado ao presidente de partido, como o último escândalo envolvendo justamente o Valdemar Né, presidente do PL mostrou, é mais ou menos R$37 milhões por ano por parlamentar.
Fora isso, a gente tem nessa eleição de 2026 só de fundo eleitoral, a gente tem um total de quase R$5 milhões por parlamentar de fundo eleitoral que é designado, né, para cada, para cada partido. E a gente tem de fundo partidário, não, perdão, esse dado é É isso. E a gente tem de fundo partidário uns R$12 milhões. Então é por deputado, por legislatura, por deputado. É, então a gente tá falando de um— perdão, R$12 milhões não. É, exatamente.
Então a gente tá falando de uma loucura, de uma quantidade muito grande de dinheiro, tá? Ao longo de 4 anos, um deputado vale— de 4 anos de mandato, um deputado vale mais ou menos uns R$167 milhões de reais para o partido, um deputado, para o partido, né? Dinheiro que de alguma forma o partido passa a tocar entre fundo partidário, fundo eleitoral e emendas que não pertencem ao partido tecnicamente, mas que a gente sabe que os presidentes de partido têm muita ingerência sobre como que essas emendas são alocadas.
E aliás, vale lembrar que esse ano, graças a uma manobra do Arthur Lira, a gente vai estar pagando emenda parlamentar no meio da campanha eleitoral ainda. Então ainda tem esse detalhe. Então, se eleger um cara desses para o Congresso, é R$167 milhões de dinheiro público que o partido passa a ter gerência muito direta sobre. Um deputado. O PL hoje tá com 97 deputados na bancada, né? É uma barbaridade. Quase 20% do Congresso é do PL, do partido do Flávio.
E o Valdemar, o presidente do partido, tem a intenção de nessas eleições chegar em 100. Se ele chega em 100, a gente tá falando de uma grana completamente fora de reais. Não, não, mais de 1 bilhão não, mais de 4 bilhões de reais. Se a gente soma de fundo eleitoral, de fundo eleitoral, só de fundo partidário, só de fundo partidário. Se a gente soma as emendas, o fundo eleitoral e o fundo partidário, são 4,2 bilhões de reais que o Valdemar passa a ter um controle quase direto a partir da sua bancada de 100 deputados.
Então o objetivo do Valdemar não é eleger o Flávio, o objetivo do Valdemar é eleger 100 deputados. É isso que interessa, esse é o business.
E essa conta que o PP faz quando ele libera um estado dele de apoiar o Lula, porque fica mais fácil de eleger deputado, de eleger senador quando tem o Lula no palanque, vamos dizer, em Alagoas.
É, o PP tá com uma meta de eleger 40 deputados, né? O Ciro Nogueira tá com essa meta, que é isso, vai ser um pouco menos da metade, vai ser uns 2 bi. De dinheiro público que o Ciro Nogueira vai ter uma ingerência mais direta sobre. Então, quando a gente fala de meta de eleição, a gente tá achando que é sobre política, né, sobre ter gente representando os interesses do partido em Brasília, etc. Mas no final das contas, o cálculo que esses presidentes de partido estão fazendo hoje é muito mais parecido com o cálculo de planilha financeira de empresa.
Quantos deputados eu enfio no Congresso para ter X de dinheiro disponível, em que momento? Do que qualquer outra coisa. É isso que aconteceu com o Brasil. É mais do que um parlamentarismo, porque um parlamentarismo pressupõe que o jogo do poder se dá no parlamento, mas ainda é sobre a coisa pública, é sobre você poder afetar a coisa pública. O que a gente tem aqui é realmente uma captura do orçamento de investimento do Estado, da capacidade financeira do Estado brasileiro, por partidos que usam esse mesmo dinheiro público para se manter no poder e reeleger as suas bancadas.
A gente vai ter recorde de reeleição esse ano, com certeza. Então a gente tá falando aí de uma situação que eu acho que não— dizer que é parlamentarismo não captura perfeitamente a situação. É uma cleptocracia mesmo, é uma apropriação da máquina pública por interesses privados que ela hoje é matemática. É como é que eu fatio esse dinheiro público, que antes era o fundo partidário, era o fundo eleitoral, que já era muito grande, já era um absurdo, né?
Ainda mais com a falta completa de transparência partidária que a gente tem no Brasil. A gente nem sabe o que que é feito com esse dinheiro, como é que esses caras são eleitos, como é que os dirigentes partidários que são eleitos. É uma completa loucura. Isso já era um absurdo, mas agora ainda tem as emendas, que é basicamente todo orçamento de investimento do país. Então o país hoje, ele é governado por pessoas que não são eleitas.
O Valdemar da Costa Neto tem mais poder do que qualquer deputado federal e do que qualquer presidente. A mesma coisa, o Kassab, a mesma coisa. Essa é a situação, é muito triste assim. E essa situação não se resolve com eleições presidenciais, ela não se resolve Eu diria que ela não se resolve por vias democráticas. É isso que é mais profundamente perturbador, porque qual o caminho democrático vai fazer, vai convencer esse Congresso a abrir mão desse tipo de privilégio? Como que Maria Antonieta vai cortar sua própria cabeça, entendeu?
Daí não vai. E daí um outro fenômeno. Fala, fala, Greg.
Não, não, foi uma porta que abriram e que não se fecha. Poderia se fechar pelo Supremo, né? Porque isso é inconstitucional. A verdade é que isso é inconstitucional no Brasil.
É, o Supremo tem tentado, mas a gente tem que lembrar que se você tiver senadores suficientes no Senado, você faz impeachment de ministro do Supremo.
E que o Supremo tá gastando quase todo o capital político deles em outros assuntos que são mais urgentes até do que a questão das emendas parlamentares, que é a própria estrutura democrática, as eleições. O Dino tá tentando disciplinar a questão das emendas, mas tem essa questão que é a falta de vergonha mesmo. Quer dizer, uma série de ordens que são emitidas não são cumpridas, porque eles sabem, e eles sabem corretamente, que não vai ter consequência de verdade disso.
Não vai ter ninguém que vai ser cassado ou preso por uma ordem do STF, porque eles sabem que o STF não vai fazer isso, não tem força política. E se fizer isso, vai ter uma rebelião que vai desestabilizar ainda mais a política brasileira. Então eles jogam com essa percepção de que eles consolidaram esse poder mesmo. E vamos lembrar, isso não é uma percepção nossa que eles estão percebendo isso. Eles construíram isso diligentemente nos últimos 8 anos. Foi uma coisa desenhada pelos parlamentares brasileiros.
Que essa hesitação do Ciro Nogueira não necessariamente precisa ser lida como uma descrença na candidatura do Flávio. A hesitação do Ciro Nogueira é simplesmente entender que nos estados que mais interessam a ele, inclusive no estado dele próprio, o petismo é muito forte e que um apoio ao Flávio põe em risco inclusive a candidatura dele. O Ciro não tá reeleito, não tá dado que ele tá reeleito, ele precisa do Lula. Ele tá num estado muito petista que vai reeleger no primeiro turno um governador do PT, Rafael Fonteles, que é um super governador muito bem avaliado.
Essa é a situação do Ciro, entende? Então ele tá preocupado com isso. O Flávio é a décima das preocupações do Ciro.
Ninguém gosta do Flávio também, até porque é isso, Flávio não é um fenômeno, ele é um filho do fenômeno que tá em casa preso.
E outro problema grave, um problema é emenda do relator, mas o outro problema gravíssimo é também o fundo partidário, que é meio primo dele, mas não é a mesma coisa, né? Porque o fundo partidário, ao contrário da emenda relator, Ele foi uma luta da esquerda, é verdade, achando que ia tirar o dinheiro público, perdão, ia tirar o dinheiro privado e isso ia acabar com o problema. E acabou criando uma forma de políticos perpetuarem lá e de aumentarem as bancadas, as bancadas grandes aumentarem suas bancadas, não é?
Então uma perpetuação, uma exacerbação de quem já está no poder, aumentou muito muito, muito custo de um deputado. Custa cada vez mais caro para você eleger um, tá na ordem dos 40 milhões, 50 milhões. São coisas, são verbas assim, não faz o menor sentido, né, Alessandra? Diga.
É isso, é muito caro, mas como eles valem 167 milhões se eles forem eleitos, o retorno do investimento nunca é muito.
É um baita investimento, é um belo ROI, e é com dinheiro de outras pessoas, é com dinheiro público. Então assim, também foda-se, né? Não é dinheiro seu, não é dinheiro seu. Você não tá pedindo isso para o seu amigo do caixa 2, né? Você tá pegando dinheiro da viúva. Agora, eu só queria—
é um puta negócio.
Eu queria voltar num comentário que a Alessandra fez que eu não queria deixar passar, que é: não vê isso se resolver de forma democrática. Quer dizer, você não vê isso se resolver dentro do parlamento e tudo, para que eles não— é de alto interesse preservar isso. Como é que a Maria Antonieta não vai pôr a própria cabeça na guilhotina. E aí tem dois pontos, né? Um, que você começa a entender a força e a pertinência, que acho que é um fenômeno também, aí não digo positivo, mas que vem de um lugar mais positivo no nosso campo.
Até na direita tem acontecido coisas que são manifestos de novas bancadas, não de executivo, mas assim grupos de deputados da esquerda radical grupos de deputados jovens do EPT, grupos de deputados que estão tentando se candidatar com uma plataforma mais comum e se apresentar para a sociedade com uma plataforma meio é parlamentar. E aí tem a plataforma revolucionária que fala que isso aí não vai adiantar, que foque em orçamento secreto, foque em emenda do relator.
Mas eu queria falar com você sobre uma outra coisa que eu tenho pensado aqui sozinho. A gente já falou disso há anos atrás. No próprio Greg News, mas que eu acho que essa ideia precisa voltar a toda, porque eu acho que uma rachadura importante nessa distopia parlamentar que a gente vive, ela poderia vir não do próprio parlamento, que já tá viciado, mas de partidos bem-intencionados, especialmente dos partidos de esquerda, os partidos progressistas, que é a realização de prévias realmente democráticas.
Porque eu acho que se você amplifica a ideia de democratizar o acesso à vaga de candidato, isso não ser decidido dentro da lógica interna dos já eleitos dentro de Brasília e dos presidentes, mas você bota o povo na conta de em quem que a gente quer votar, é, isso empurraria a discussão de uma reforma política para uma promessa de campanha e não para uma demanda externa, entendeu? Isso forçaria com que os diretórios eles tivessem que responder de uma outra forma.
Porque, por exemplo, nos Estados Unidos, que é uma democracia completamente deteriorada, apodrecida, comprada, uma distopia completa, a única coisa que põe esse país com uma democracia quente e realmente com a possibilidade de uma mudança, não digo revolucionária, mas de insurgência, é a prévia, é a primária dentro do partido, é a esquerda do Partido Democrata arrancando o centro democrata de vagas para o Senado, de vagas a deputado.
E aí o debate nunca é contra o fantasma, é o fantasma fascista, não é polarizado, é um debate de plataforma de ideia e de respaldo popular. Então uma das coisas que eu acho que deveria ser uma demanda nossa para a próxima mesmo é a gente demandar dos partidos de esquerda realização de prévias populares para suas candidaturas de Senado, de governo, de presidente.
Mas defina partidos de esquerda, de quem que você tá falando?
Eu tô falando do PT, eu tô falando do PSOL, tô falando da rede que tá coligada, eu tô falando se o PSB se abrir para uma ideia dessa, entendeu? Eu tô falando dos partidos que não são os partidos da extrema-direita brasileira, do PDT.
Justo, eu tô falando disso, é a demanda. A gente já tentou, não conseguimos, né? Mas é a demanda, é a demanda certa, de fato. É o mínimo, é o mínimo, é o mínimo que você pode pedir de uma classe, né, de instituições, os partidos, que só de fundo partidário, né, só do dinheiro que eles precisam para pagar— não tô falando de fundo eleitoral, falando do que eles usam para pagar funcionários, sede do partido, custos próprios— eles estão levando mais de R$1 bilhão por ano, é que eles tenham transparência.
É que crescer dentro dessas estruturas e, portanto, ter acesso a esse recurso seja algo que seja uma aspiração que todos os cidadãos possam ter, que todos os cidadãos possam entender como que essas decisões foram tomadas, como que o Valdemar foi parar lá, como que o Kassab foi parar lá, e que alguém possa querer tirar o trono do Kassab, entendeu?
Não digo nem o Kassab, que é do partido, não tô, porque aí os filiados podem votar. Mas eu tô falando de uma coisa mais simples, que assim, se você tem fundo eleitoral, se o meu dinheiro público vai pagar a campanha do deputado federal do campo que eu acredito, Eu quero que seja um fundo partidário, duas coisas diferentes, mas fundo eleitoral como base, assim, eleição, né? Assim, eu vou pagar a campanha do deputado petista, eu quero poder falar qual candidato eu acredito que tem mais chance de ganhar da extrema-direita, eu quero ter acesso a esse cara, eu quero que ele responda mais às minhas demandas, entendeu?
Porque o jogo intrapartidário é um jogo que a gente não acessa, e mais importante, é um jogo disfuncional, é um jogo feio de se ver. É um jogo que racha o nosso campo e sem respaldo democrático. Então eu acho, e tem uma outra coisa possivelmente boa de fazer isso, quer dizer, se uma coalizão suficientemente grande de partidos populares e democráticos brasileiros se oferecerem para abrir prévias reais que a população participe, põe a extrema-direita, que não vai querer participar disso, como partidos antipopulares, como partidos que não ouvem a sua base.
Que são máquinas de eleger pessoas, que têm medo do povo escolher qual candidato é o melhor para se candidatar.
Então, Bruno, o certo era que sem prévias você não pudesse ser partido, entendeu? Isso não deveria ser, não deveria ser uma questão, mas aí a gente não acha que deveria ser uma concessão. Mas quando eu digo que eu acho que não tem caminho democrático, eu quero falar disso, nem com esses que você citou. Mas eu duvido muito que um PT da vida diga sim para uma possibilidade dessa, não vai dizer. Não vai dizer. E adoro, adoraria estar errada, gostaria muito de morder a minha língua.
Apesar do PT tá nascido com uma promessa desde o nascimento do PT, a gente falou disso, né, no Clube do Livro do Calma, quando a gente leu o livro do Celso, O PT: Uma História. Ele nasce com uma promessa de democracia partidária, mas que vai se deturpando ao longo do tempo. E hoje não tem ninguém que tenha. Os partidos estão aí brigando, tem briga interna pública no PSOL. Sobre alocação de recursos do fundo eleitoral, de quem é que tem, quem é que não recebeu.
Enquanto isso, Valdemar da Costa Neto tá dizendo que esse ano, e eu não duvido que ele esteja certo, a gente vai saber no final da eleição, ele vai ter sido o dirigente partidário que mais vai ter destinado dinheiro para candidaturas femininas. É isso que ele diz que ele vai fazer. Então assim, é uma loucura, é uma salada, né, de, enfim, de narrativas. Inclusive eu dei o dado errado, tá? O fundo eleitoral, o que cada deputado toca ao longo de um ciclo, eu falei que era mais ou menos R$5 milhões, é o dobro, é mais perto de R$10.
Mas isso não muda, mas o valor total que ele tava certo, mais ou menos uns R$167 milhões por deputado de dinheiros públicos diversos, né, que o partido vai acabar tocando. Então tudo isso para dizer que não sei, Bruno, concordo que a gente tem que pressionar os partidos de esquerda, acho que é o mínimo, mas eu tenho muita dificuldade de entender que isso vai vir de uma concessão. Eu concordo, isso sim é o tipo de coisa que é povo na rua, que é medo.
É a situação que a gente vive hoje com os partidos no Brasil, repito, ela é pré-revolucionária, ela é uma situação quem seja uma revolução, quem seja uma, uma, algum tipo de choque que vá colocá-los numa outra posição. Eu não vejo essas instituições se reformando sozinhas e não tem nenhuma razão para acreditar que isso vai acontecer, porque elas não estão fazendo isso.
Mas Alessandra Bolchevique, dê a ordem, camarada! Não, assim, eu tô falando sério, porque você é sempre a pessoa que fala: Bruno, para de falar de revolução, aí as instituições, as reformas, não sei o quê. Veja bem, a Igreja Católica, o Santo Padre, e tudo mais.
Não, se bobear vai ser o Papa que vai puxar a remessa.
Eu concordo com você, eu não vejo os partidos fazendo isso, abre aspas, não vão voluntariamente. Agora, aonde eu acho que tem, tem a construção de uma demanda que acho que não tá na nossa boca. Nosso campo não demanda isso, nosso campo não quer isso. E outra coisa que eu acho que é o argumento que eu faria positivo para os partidos se abrirem É, façam experiências locais, não precisa abrir nacionalmente. Vamos fazer prévias presidenciais, Senado, governo, no Brasil inteiro. Mas e se vocês fizerem na prefeitura?
Você tá tão reformista nesse programa.
Eu tô fazendo um outro argumento, que é o seguinte: a gente deve perder cadeira no Congresso esse ano. Esses partidos tendem a perder dentro do jogo do fundo partidário. Se você inclui prévias, inclui o povo, você dinamiza e você tende a ganhar mais cadeiras, porque você amplia a sua energia popular, você chega na base de uma outra maneira, você faz campanha com outro tempo. Você precisa disputar isso meses antes do ano eleitoral começar, né?
Isso é uma coisa que eu acho que poderia aumentar, porque assim, se o PT tivesse nos tempos áureos, com 30% de base, maioria, maioria é formada, ele nunca ia topar um negócio desse. Mas assim, Tá difícil eleger o Paulo Teixeira, entendeu? Eles, a turma precisa. E aí, se o PT não vai fazer, paciência. Por que que o PSOL e a Rede não fazem? Será que isso não vai crescer o partido deles? Eu aposto que sim, entendeu? Eu apostaria que sim, que se o PSOL fizesse isso e me fizesse sair de casa para votar numa prévia do PSOL, eu te garanto que eu ia votar no PSOL na eleição, com certeza.
Porque eu não ia votar nessa prévia e depois dar meu voto para o PT, entendeu? Então acho que tem um argumento até eleitoral, que não é só democrático, até de alto interesse dos partidos, que se fizer bem feito vira algo rico para democracia brasileira e ganha voto lá na eleição.
Eu acho isso, mas é curioso só que não há nada mais distante do que tudo isso que vocês estão falando quando você olha a realidade hoje. Não, tá falando sério, concordo totalmente. É, eu concordo totalmente. Mas assim, o caminho que a política tomou, inclusive de 4 anos para cá, inclusive de 8 anos para cá, é justamente a do personalismo. O que mais me chocou vendo as convenções, eu vi acho que quase todos, a maioria, é que todas elas estão investindo numa história de uma pessoa, não de um partido, não de um movimento, não de um coletivo, não de um governo.
Mesmo Lula, eu amei, por acaso, ao contrário, eu acho que o Alessandro não gostou tanto. Era só mais um Silva, claro, tocou cordas emocionais minhas, cresci nos anos 90 ouvindo essa música, né? Achei uma puta sacada o Silva, o Lula, coisa, a versão ficou boa, achei forte, achei lindo, fiquei, caralho, mandaram bem. Mas ainda assim é sobre o Lula cada vez mais, o PT é sobre o Lula, eleição é sobre o Lula. Flávio Bolsonaro, a mesma coisa.
Eu, meu pai, a minha história de vida. Só que você for lá nos candidatos menores, Renan Santos mais ainda, é, cara, chega a ser engraçado, tá? Não recomendo que vocês façam isso não, mas a convenção do Renan Santos, ele recebe uma espada e ele diz que ele tem a missão. O nome do partido é Missão. Ele diz que ele foi escolhido, sei lá por quem, por Deus. Vem o vice dele, que é um coronel que teve 200 votos para vereador em Porto Alegre, vem dar para ele uma espada e uma comenda do sei lá o quê, de uma porra da ordem Ele recebe chorando a tal da espada, sabe?
Pois é, muito. Não é uma espadinha fininha, tadinha. A espadinha assim, cara, como símbolo, como símbolo fálico. Até aí é uma merda. Então, desculpa, desculpa, não quero rir não, mas o maluco ele vai brandir, ele vai brandir uma espada e é uma espadinha. Meu Deus do céu, é tão melancólico.
E você viu o início do discurso dele, Greg? Falando das convenções, a gente falou bastante da do Flávio. Vamos falar da do Renan um pouquinho, depois vale falar da do Lula. Nossa, quando ele chega, antes tá o Kim Kataguiri, né, falando lá por horas. E aí ele anuncia o Renan, que o Renan tava sofrendo algum do eleitorado mais conservador, parece que alguns ataques e questionamentos por uma coisa de, ai, enfim. Ele entra como uma criança Mas que eu tenho impressão que ele não tem filho.
Acho que a criança não é filha dele, mas ele arrumou uma criança. Aí ele entra com a criança, que é uma menininha fofa, tal, dá um oi. Tem uns papagaio de pirata, todo mundo homem praticamente. Aparecem umas 3 mulheres assim meio pedindo desculpa, passando por trás assim, desculpa, a gente não era pra estar aqui. E elas se escondem assim num cantinho. E aí ele vai até, ele, né, tem como todas as convenções agora, tem aquela coisa de show de popstar que você tem aquela parte do palco, caminha pra dentro da plateia.
Então ele vai e ali tem um púlpito com o microfone, só que o microfone tá na altura errada. E aí ele não consegue ajustar o microfone. E aí finalmente aparece uma mulher, que é das poucas que aparecem em qualquer frame da convenção do Renan, que trabalha claramente no lugar, enfim, é uma funcionária ali, que tenta ajustar o microfone. E a primeira coisa que ele diz no seu grande discurso para a nação brasileira, no momento de anunciar a sua candidatura à presidência predestinada, é um esporro nessa mulher.
Ele olha pra ela, pô, tinha que ter arranjado isso aí antes, né? Tinha que ter ajustado antes. Ele começa a reclamar pra mulher, entendeu? É assim que ele abre os trabalhos.
Maravilhoso.
Eu só digo isso. É muito maravilhoso. É tudo maravilhoso. Ele não consegue esconder a playboyzice do lado masculino.
Ele não consegue deixar de ser o playboy que trata mal o garçom. Não tem jeito.
Não consegue. Ele trata mal o garçom. Quer dizer, desculpa jurídico, ele tratou mal essa mulher. Mas enfim, é apenas uma inferência.
Ele é um Paulo Cogos sem o carisma do Virgem, sabe? Sem o carisma do— Então assim, se tem algum carisma no Paulo Cogos, é isso. É que, tadinho, o cara parece que nunca saiu do porão da casa dele. Aí você fala, coitado. É meio— Não, o outro saiu já do porão, então não dá nem pena. Não tem nem um carisma da peninha. É só— Nossa, é muita coisa lá dentro.
Ele é o playboy paulista cuja definição assim O bico é tá sempre reclamando do serviço. Não tem jeito, é o cara que tipo assim chega no hotel, ele vai reclamar, ele vai reclamar da recepção, vai reclamar da fila, vai pegar classe executiva e vai falar que o quarto dele tá frio.
É esse cara, é exatamente, ele abre o discurso reclamando do serviço, a primeira coisa que ele faz é reclamar do serviço. Mas eu vou discordar do Greg de novo, coitado do Greg.
É por isso que eu tô aqui, a minha função é essa, ser Motivo de discórdia?
Não, motivo de discórdia não. Eu discordo que todos estão fazendo uma fala tão personalista. Justamente, eu achei o discurso do Renan um discurso muito mais, com todos os defeitos, é um discurso ruim, fraco. Ele erra várias vezes, ele não conjuga os verbos direito, é tudo meio ruim.
E mas eu vou falar, não entra nessa de não conjuga os verbos direito não. Agora vou entrar aqui a polícia da letra.
Ai, meu Deus do céu, não.
Daí é o de menos. Daí, pelo amor de Deus, não muda também não.
E aí, presidente 4 vezes agora, então sim.
Mas o Renan não é o Lula, certo? O Renan é o cara que chama o Lula de analfabeto, e no entanto o Lula forma frase de forma muito mais coerente, coesa do que o Renan.
É, tá bom, tá bom. Coerência e coesão, eu concordo com a crítica.
Ele é ruim em todos os sentidos, inclusive na sintaxe, mas a gente não precisa falar disso agora. Mas o ponto só é que Apesar dele ser muito ruim nesses sentidos, ele é bom, ou pelo menos ele é diferente do tom que o próprio Lula adota, justamente ao enfatizar a história de um movimento. Se você pega o início do discurso do Renan, ele é todo sobre nós. Ele demora pra chegar nele. Ele fala dele, dos jovens que derrubaram a Dilma e não sei o quê.
É uma história heroica desse bando de jovens que ninguém levava a sério e que agora, segundo ele, têm que ser levados a sério. Mas é uma história de um coletivo. É um coletivo patético. Mas é um coletivo.
Ele deve ter aberto o discurso assim, todos os trechos que eu vi é assim: eu sou predestinado, eu fui o escolhido.
É tudo assim, quem diria.
Mas Greg, se você folhear, ele fala assim: quem diria que um rapaz que não é nem o mais carismático do movimento dele, ele fala isso dele mesmo, que não é nem—
Nossa Senhora, nossa Senhora!
É, então assim, tem uma coisa que teoricamente, quem diria que ele seria presidente da República? Ele fala como se já fosse, entendeu? Mas assim, é uma vergonha, é uma vergonha. Com a foto dele enorme em 3/4 se olhando para o infinito, é, cara, é tudo, é tudo muito puxado.
Mas a gente reparou num detalhe, Greg, que a projeção no final do palco tem uma luz meio esverdeada que fez com que todos os papagaios de pirata atrás dele ficassem com cabelo verde. Repara depois, eu fiquei obcecada com essa parte, mas eu tenho obsessões muito esquisitas.
Então, mas eu acho muito, acho muito engraçado, para não dizer trágico, que o partido justamente novo, de uma suposta juventude, o partido que vem contra tudo que isso que está aí, vem inclusive contra Bolsonaro, que já era contra tudo que está aí, esse partido ele tem 3 pilares. Olha que engraçado, o Livro Amarelo, que é o lugar que eles escrevem, né, o As propostas, as propostas. Eles têm o Livro Amarelo, tem 3 pilares. Cadê?
Um é o país do futuro, que já é muito bom. O país do futuro, como se fosse uma coisa nova, uma sacada deles, entendeu? O outro, evocando, é muito bom, evocando o Temer. Exatamente, precisamente que o Temer dizia. Então olha só, eu acho muito bom que um partido, gente, um partido justamente novo, mais novo que o Novo, porque exatamente contra o Novo, é novíssimo. 3 pilares novos, são palavras novas que eles pensaram. Estado Novo, que é o nome da ditadura, não só do Vargas como do Salazar.
Salazar também era Estado Novo. É assim, esse é Estado Novo, reformas de base, que aí é Jango também, é uma coisa, é uma esquerda dos anos 50, e país do futuro, que é Stefan Zweig, anos 30. É, e anos 30 já se fala, é o mito do Brasil. Essa é a novidade, eles têm a propor um estado novo, a reforma é assim, cara. E o grande slogan deles é prendeu, matou, que é uma coisa muito burra, porque assim, nem a extrema-direita, nem Bolsonaro dizia prendeu, matou.
É ou prendeu, matou. Você não conseguiu prender, mata. Mas vai prender para matar? É assim, é muito burro esse slogan. O slogan deles é prendeu, matou, que para eles é uma ideia nova de segurança pública. Para eles é uma coisa que nunca foi testada no Brasil.
Realmente, a ideia nova de segurança pública.
Então essa é a novidade que eles trazem, é o prender um ator. Essa foi a grande sacada assim, sabe? É bem, é muito bom.
É ridículo e é cansado, e toda a iconografia é cansada, mas eu insisto, eu acho que eles estão conseguindo criar uma narrativa de movimento. E aquilo que a gente tava falando sobre transparência partidária, eles não estão fazendo nem de longe. No entanto, eles têm mais elementos e caminhos de você entender o que tá acontecendo no partido, até por ele ser nascente, poder se candidatar, poder, do que, e tem um caminho das pedras ali desenhado, mais transparente, tá no site, você consegue falar, eu quero me candidatar na minha cidade, tem ali uma coisa mais aberta para o público, convidativa para o público do que qualquer outro partido.
Isso eles estão fazendo. E se eles crescerem, vai ser por causa disso, vai ser na base disso, o que corrobora o argumento do Bruno anterior de que esse é um caminho que poderia trazer voto para os partidos de esquerda.
Porque você se compromete com a política fora do período eleitoral, mesmo que seja para uma outra eleição local mais específica. E eu concordo com a Alessandra, eu não acho nem que é só uma— eu acho que tem a questão do próprio movimento, mas ele faz um argumento que estranhamente nenhum outro partido faz de maneira organizada, nenhum pessoal faz, que é uma responsabilidade de geração, que ele faz um corte de idade entre millennials e geração Z, não sei o quê, e os boomers.
Eles são os caras que estão falando que a gente tá numa velhocracia, não tem outro campo que faz isso porque se cuida, pô, não sei o quê. Então eles fazem esse argumento que no médio e longo prazo acho que tende a favorecer bem eles, de uma responsabilidade.
Mas como dissemos no Greg News uma vez, a gente na verdade quer o partido velho, a gente tá mais interessado nos velhos, tão melhores que os jovens. A gente não, mas você tem razão, Bruno, eu acho que esse discurso geracional é muito importante e ele é forte, ele traz, ele dinamiza o processo. E obviamente, se você tá fazendo uma construção política que é voltada para os jovens, demografia é destino, né? Você tende a ser uma força mais importante no futuro.
É um pouco, né, contam que um dos grandes erros da Rede Globo foi ter acabado com os programas infantis porque eles não conseguiam rentabilizar, porque não podiam botar publicidade depois que houve uma regulamentação mais rígida para publicidade voltada para crianças, que depois foi essencialmente abandonada na era da internet. Mas na era da TV linear era isso, era importante. E a Globo foi eliminando ali TV Globinho, os programas matinais, porque não dá.
Xuxa. O que que aconteceu? Perdeu uma geração. Se ainda existe algum afeto na nossa geração com a Globo, é porque a gente assistia esses programas. E isso cria uma relação afetiva, uma memória, etc., que a geração Z já não tem, porque já não teve essa mesma relação com a Rede Globo. E isso também acontece com os partidos. Então eles também estão fazendo uma aposta de médio prazo ali, o Missão. Sobre o que você tava falando, Greg, do cada um, as narrativas meio individuais, vocês conhecem um teórico político, enfim, de organização política chamado Marshall Ganz?
Ele é muito interessante e eu recomendo o trabalho dele para quem se interessa por ativismo e organização política. Ele é professor em Harvard, ele entrou em Harvard nos anos 60, e aí larga o curso quando ele tá, ele era estudante ainda, para ir para o Mississippi para trabalhar com, né, em 64, com direitos civis no sul dos Estados Unidos, etc. Depois ele vai trabalhar com trabalhadores rurais, ele passa muito tempo organizando pessoas e ele cria uma espécie de metodologia depois de 20 anos organizando boicote, greve, etc., de metodologia de organização comunitária e de liderança.
Ele foi muito importante para treinar a militância de base do Obama em 2008. Ele ajudou a criar uma coisa chamada o Camp Obama, né, que treinava lá a militância. E ele tem uma coisa muito simples que ele fala, que qualquer liderança política precisa ter 3 histórias que se conectam. Ele fala que a história do eu, story of self, a história do nós, story of us, e a história do agora, story of now. E aí ele vai, faz dissecar discurso político e vai mostrando como historicamente discursos políticos muito potentes, de lideranças muito inspiradoras, em geral fazem esse passeio.
Elas contam a história de por que que eu sou a pessoa certa, o que que na minha biografia, na minha história, no que eu vivi me coloca aqui hoje. Aí depois elas passam para uma história do movimento, o que que nós fizemos juntos até agora, o que que nós ainda podemos conquistar no futuro, por que que nós somos a geração certa ou grupo certo predestinado, ou que seja, para conquistar essa mudança. Depois é uma história do agora, que é por que agora, por que que esse é o momento crítico, por que que esse é o momento certo, por que que agora que a gente tem que agir.
E a sensação que eu tive vendo as convenções foi que o Lula tem uma história de self, né, de eu, muito boa, melhor do que qualquer outra, né, inacreditável a história do Lula. E eles sabem articulá-la muito bem, de forma muito emocionante, potente, como lá no Rap do Silva, no outro vídeo lá que eles lançaram, etc. Mas ele não consegue falar de nós mais, o que é muito estranho e triste, dado o PT, e muito menos agora de futuro, do para onde vamos.
O Renan tem só uma história de nós ali, que é um nós muito fraco, não é um nós inspirador, mas ele não consegue falar dele próprio de maneira inspiradora. Quando ele fala, é ruim, porque ele não tem, ele não é uma figura que inspira. E ele também não faz uma análise do agora decente, porque é isso, as palavras são velhas, é o Estado Novo, é uma coisa meio velha e requentada. E o Flávio, eu acho que não tem nenhuma das três coisas.
Ele tem uma história do pai, que é uma outra coisa que o Marshall Ganz não previu, uma espécie de nepo-babismo assim da organização política. Então eu não sei, ninguém ali, ninguém é uma liderança inspiradora. Essa que é a real.
Eu só vou discordar de uma outra coisa.
Desculpa, desculpa.
Eu só vou discordar de uma outra coisa. Eu acho que o Lula, ele tá com o nós bem dificultado mesmo. Ele não tem o nós muito claro, até porque a configuração social brasileira mudou muito nos últimos 20 anos, especialmente no mundo do trabalho, que é. A gente já discutiu isso exaustivamente, mas eu acho que o porquê agora o Lula tem bem. Ele não tem bem uma ideia de futuro, porque a ideia do futuro dele é muito futuro antigo, futuro do século 20.
Mas o agora, eu sinto que ele tem um agora mais urgente do que ele não tem há muito tempo, que é assim, é o risco mesmo dessa eleição transformar o Brasil num quintal dos Estados Unidos em um momento que o mundo tá em uma profunda reconfiguração, uma questão de soberania democracia que tá ameaçada no nosso continente todo. E acho que ele tem articulado isso bem. Mas mais importante do que isso, eu acho que a própria militância, os eleitores do Lula e a mídia independente tem articulado isso com uma força grande, que acho que vai ter importância lá na frente nas nossas eleições, de um tipo de pessoa que não gosta do Lula, mas que entende o agora e não o nós, sabe?
O nós eu concordo que tá bem em Mas o momento é isso. E eu acho que o Lula, com todos os problemas que a gente fala aqui, eu acho que ele ainda é inspirador, honestamente.
Não, a história dele, de novo, é muito boa, mas ele não tem esses 3 elementos bem articulados. E eu discordo, não acho que nenhum agora esteja bem articulado, tá, Bruno? Eu acho que a gente, o campo, articula isso bem por ele.
Eu acho que sim, eu acho que sim.
Mas eu não acho que tá vindo dele redondo, não é isso.
Tem alguns agoras que ele tá mandando muito mal mesmo assim, né? Falando coisas bem loucas.
E o nós, quem o nós, sobretudo, é quem esse nós? No sentido que ele tá, as alianças do PT no Brasil são, por um lado, uau, dá para elogiar como são vastas, né? Porque ele tá no Rio com Eduardo Paes e tá, sabe, com PSB, é claro, é no Pernambuco, e tá até no Pernambuco, tá com PSB, e algum lugar, PSB, que a Raquel Lira também de certa forma tá com ele. Assim, ele tá com um arco de apoios muito vastos, muito. Então enquanto o Flávio tá bem isolado, ele abriu ainda mais o leque.
Então esse nós é complexo. Quando você diz nós nesse caso, ele não tá falando mais do PT, ele tá falando de quem? Naquela época, em 2022, o nós era muito claro, que era todos os que são antifascistas, todos que repudiam o Bolsonaro, os democratas do Brasil. Ainda é esse o nós? Quando ele fala nós, ainda é esse o nós? Porque o bolsonarismo, Bolsonaro tá preso, tá? Então é todo mundo que odeia o Flávio, todos que odeiam. Eu acho que já não tá tão claro mesmo quem que tá ali.
O Lula tá fazendo um movimento complexo para ele fazer, mas que o Flávio tá facilitando bem a vida dele. Que eu acho que não são mais os democratas, são os patriotas e nacionalistas que estão com o Lula, os caras que acreditam que o Brasil é um país soberano, um país grande, um país que fala por si, que não admite intervenção estrangeira, que fala de igual para igual, que faz comércio com todo mundo, que não é vassalo, entendeu?
Que eu, eu sinto um pouco que essa é a linha do orgulho nacional que o Lula tá fazendo, essa defesa. E acho que é uma defesa inteligente, porque como a gente sabe, a defesa da democracia brasileira, ela tem um teto mais baixo do que a gente gostaria, e não é o caso. O O Flávio não é o cara que tá tentando dar um golpe hoje, né? Assim, talvez ele tente, mas o ponto é que agora ele representa o trumpismo no Brasil, ele representa uma outra coisa no Brasil, ele representa o Top Gun, o cara que chega de caça americano com o Milei.
Ele não representa o cara que sai do Brasil e peita a águia americana, ele é o cara que tipo quer ser comidinha da águia. E acho que esse é o argumento nacionalista que o Lula tá fazendo. E tem feito de muitas formas, né? Até ele se reivindicar Silva novamente vem de novo orgulho nacional brasileiro, né?
Sim. E na convenção, né, dado que a gente falou das convenções dos outros, ah, eu achei muito bom justamente nesse sentido o uso novamente dos símbolos nacionais, que eu acho que tem a ver com isso que você tá falando, Bruno, né? Então ele vai lá e eles abrem a bandeira nacional na arquibancada, quer dizer, tem uma uma reapropriação desses símbolos que tinham sido roubados pelo bolsonarismo, que a gente sempre falou que a esquerda precisava se reapropriar.
E acho que eles estão fazendo isso bem, e justamente assim, de alguma forma, dialogando com esse sentimento nacional. A convenção em si é um pouco que a gente já disse, ela, ela é toda construída em volta dessa grande figura da história do Lula, pessoa física, que é, como falamos, é extraordinária, mas fica nesse lugar meio personalista que o Greg tava relatando. E aí teve a grande, que não é nenhuma gafe, né, assim, tomático, que eles tenham elencado um pouco como missão, elencado um monte de homem para falar, não tinha uma mulher para falar.
E foi o Lula no meio do discurso que fala: ai, a gente esqueceu de ter mulher, deixa eu chamar aqui a Janja. Ops! E é inacreditável, é inacreditável, é o fim da picada. O fim da picada.
E nem falamos, não é assunto para hoje porque estamos adiantados, mas nem falamos do voto feminino, que é o, que é o bode na sala de todas as convenções, de todas as convenções. Depois a gente faz um programa só sobre isso, que eu acho que vai ser válido fazer só sobre isso e sobre o pele e mulher, né?
Porque o pele e mulher que a Michelle menciona tantas vezes naquele vídeo que ela fez falando mal do Flávio É realmente um fenômeno, gente. É inacreditável a quantidade de mulher que a Michele filiou ao PL. E eles vão eleger, muito possivelmente vai ser a maior bancada feminina do Congresso, vai ser a bancada do PL. Isso é uma derrota para a esquerda brasileira, assim, é o fim da picada a gente não ter sido capaz de articular isso muito antes, né, quando o movimento feminista tem uma ligação histórica com a esquerda. Então é Enfim, é isso, é o que temos, é o que temos.
Tristíssimo. Mas semana que vem a gente fala disso. Eu queria falar também da Odisseia com vocês, que vocês não viram ainda. Eu vou dar um jeito de ver, porque eu acho que, Bruno, dá um jeito, porque eu acho que tem muito caldo para o caldo. Eu acho que é muito louco. Então minha dica, até para a gente poder falar semana que vem, já adiantando, a dica é Odisseia. Atenção, dica não é porque eu gostei não, tá? A dica é porque eu detestei.
Na verdade era mais a longo prazo, detestei. Eu fui detestando cada vez mais depois que eu Não porque, ah, porque o livro é melhor. Não vou ser essa pessoa blasé. Aliás, o que surgiu de helenista, o que surgiu de helenista na última semana, de pessoas que têm referência em livro, feliz, tanto, tantos helenistas entre nós, não é?
Que coisa mais bonitinha!
Todo mundo leu Odisseia no original, no grego. Não é nem por isso não, é porque eu acho que como o barato do clássico inclusive é isso, né, de todo clássico, é que ele Ele diz muito sobre a época na qual ele é adaptado. Como você tem uma história base, você consegue ver muito bem o que que a época tem a dizer para aquele clássico. Então ele sempre diz mais sobre a época e a pessoa que o fez. E essa Odisseia é sobre Estados Unidos, Trump só.
Inclusive tem muito pouco lá da Odisseia original. Tem um soldado, um soldado com estresse pós-traumático, sabe, traumatizado pelas violências que fez. É a culpa do Império Americano, que é o tema preferido lá dele. Ele é bem um Oppenheimer, o Ulisses, que é muito curioso. Não tem nada menos grego do que isso, né? Nada menos grego.
É uma lógica, mas não adianta, não adianta.
Spoiler da Odisseia, por favor.
Desculpa, tô dando spoiler.
Não dá spoiler da minha opinião, dá spoiler do filme.
E eu tô também condicionando vocês. Não quero condicionar. Vejam lá, vejam todos vocês, e vejam você espectador também, para a gente poder dar spoiler do filme, porque eu acho que a gente vai poder muito falar disso, senão aqui no Clube do Calma É, mas assistam para vocês poderem acompanhar a gente semana que vem.
A minha dica, já que eu falei do Marshall Ganz, vou indicar o livro que fez o nome dele, é que é um livro de 2009, ele tá um pouquinho datado em alguns sentidos, mas ainda tem muita coisa muito boa nele. É que tá em inglês, mas é fácil de encontrar PDF, ele é fácil de traduzir de forma mambemba se for necessário, chamado Why David Sometimes Wins, Por que Davi às vezes ganha. Né, pegando a história de Davi e Golias. E basicamente ele vai, ele vai falar sobre um caso específico, mas a partir desse caso ele vai extrapolar, em que a parte mais fraca, a parte que não tinha poder, ganhou numa disputa política.
E aí ele tá olhando especificamente para o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Recentemente, o líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais dos Estados Unidos, que é um sindicato super importante, histórico, foi acusado de assédio sexual por várias mulheres que faziam parte do sindicato. E claro que só esclarecer para quem tiver a vontade de ler o livro e for dar de cara com o nome dele, o César Chaves, que obviamente o livro foi escrito muito antes, muitos anos antes desses casos virem à tona.
Então quando o Marshall Ganz fala muito bem do César Chaves, tá datado nesse sentido. Mas o caso é muito interessante e é uma análise muito técnica assim. Então também para quem se interessa por ativismo, organização comunitária, como é que você força um oponente te deixa mais forte a tomar certas decisões, etc., é bastante iluminador.
Bom, eu tô relendo, eu tô relendo para o nosso clube de cultura que vai ao ar na próxima quarta-feira, depois da manhã, Livre, da Leia Ypê. Já tinha lido pouco depois que ele saiu e acho um livro, ele muda muito de acordo com o ano que você lê. Tô tendo uma impressão dele completamente diferente de quando eu li ele originalmente. Então a gente vai discutir esse livro na quarta-feira Quem quiser fazer parte, ainda dá tempo, se eu não me engano, de se inscrever no clube de cultura do Calma Urgente, calmurgente.com, para ler junto conosco Livre de Lei a Ypê, que é uma história muito interessante de uma cientista política que hoje é uma cientista política, né, residente nos Estados Unidos, se eu não me engano.
Não, ela dá aula no LSE, Reino Unido.
Muito bem. Mas ela é uma albanesa e ela era uma criança quando o regime comunista albanês colapsa. Então ela narra o fim da mitologia infantil, mas a mitologia que sustentava o país, que botava a casa dela numa situação muito delicada em termos, em termos políticos, repressão e de família, na mitologia stalinista, na mitologia do tio Ever e tudo mais. Depois o sistema cai, cai a cosmologia toda, cai a ontologia a qual ela era submetida, e ela tem que lidar com a nova liberdade do neoliberalismo dos anos Sprinter.
Então aí é a ascensão e queda de vários mitos na cabeça dela. E hoje ela faz uma análise muito crítica dos dois regimes com as suas respectivas mitologias sobre o que liberdade representa. Então é muito engraçado, né? É bom. Ele é um livro claramente muito criticado pela esquerda radical hoje, pela esquerda comunista, por ser um livro anticomunista, porque ele mergulha mesmo em todos os estereótipos da mitologia stalinista, do ambiente repressivo e tudo mais.
Mas não é mentira, é experiência pessoal dela, né? Mas ela também não poupa o que o neoliberalismo e o que o americanismo representou quando achou que a história tinha acabado.
E, gente, para finalizar, eu vou lembrar de novo desse serviço já há duas semanas atrás, mas só lembrando que até o dia 20 de agosto qualquer pessoa que tem a atitude de eleitor regular pode pedir voto em trânsito no site do TSE. Isso é para quem quer votar numa cidade diferente de onde está registrado. Essa é uma transferência temporária só para essa eleição. A pessoa pode pedir para o primeiro ou para o segundo turno ou ambos.
E se a transferência for para outro estado, é para outro município do mesmo estado, ela pode votar para todos os cargos. Se for para outro estado, só para presidente. Mas lembrando que essa é uma eleição que pode ser decidida já no primeiro turno. Não esquece de pedir o seu voto em trânsito se você não for estar no seu domicílio eleitoral.
É isso, valeu, gente!
Beijo, gente! Muito obrigado a todos e até mais! Até semana que vem estaremos de volta com o Calma Urgente. Até breve, um beijo em todos vocês.
Beijos, queridos! O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção temos Carolina Foratini Greja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Toni Costa. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes. Na ilustração e design, Ana Lelabrandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoue. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.