Episódios de Calma Urgente

2026, um Problema Continental

24 de março de 20261h46min
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Os efeitos da violência Trumpista na América Latina e no ano eleitoral mais complexo das nossas vidas.

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O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prod e Estúdio Fluxo

Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra

Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo

Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez

Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_

Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha

Na sonoplastia, Felipe Crocco

Na Edição de Cortes, Julia Leite

Nas Redes Sociais Bruna Messina

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes

Identidade visual, Pedro Inoue

Consultoria de Comunicação, Luna Costa

Assuntos15
  • Darren Beatty e Interferência EleitoralHistórico neonazista de Darren Beatty · Participação em conferência de supremacia branca · Tese de doutorado sobre Heidegger · Fundação do site Revolver News · Cunhagem do termo 'Fed Surrection' · Nomeação como assessor sênior pro Brasil · Planejamento de reunião com Bolsonaro em prisão · Possível avaliação do sistema eleitoral brasileiro
  • Crise energética em CubaBloqueio de petróleo por três meses · Falta de energia em hospitais · Cancelamento de cirurgias · Morte de bebês em incubadoras · Punição coletiva à população civil · Comparação com embargo de décadas
  • Geopolítica e eleições na América LatinaSequestro de Nicolás Maduro na Venezuela · Bloqueio energético a Cuba · Investigação criminal contra Gustavo Petro (Colômbia) · Operação Escudo das Américas · Classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
  • Imperialismo na América LatinaDoutrina Monroe e Don't Row · Submissão aos interesses americanos · Redondezas como 'quintal' dos EUA · Comparação com Poderoso Chefão 2 · Investimentos imobiliários de Trump · Resort e campo de golfe em Cuba · Modelo Porto Rico de protetorado
  • Soberania Energetica Petroleo BrasilExploração da Foz do Amazonas · Possibilidade de ser quarto maior produtor de petróleo · Impacto climático da exploração · Argumento moral do Brasil · Dependência de diesel importado · Sucateamento de refinarias por Bolsonaro · Propina das joias sauditas
  • Christy Noem e Operação Escudo das AméricasChefe do ICE e deportações em massa · Campanha publicitária cara do ICE · Interrogatório humilhante no Senado · Realocação para Escudo das Américas · Comportamento psicopata · Visita ao presídio de El Salvador com relógio de luxo · Liderança de operação militar na América Latina
  • Revolução Cubana e Legado HistóricoComparação com regime anterior de Batista · Libertação da opressão latifundiária · Resistência sob pressão sufocante · Apoio popular significativo · Importância mitológica para esquerda latino-americana · Expectativa de vida maior que EUA
  • Autoritarismo PoliticoDificuldade de criticar regimes autoritários de esquerda · Falta de liberdades civis em Venezuela e Cuba · Presos políticos e violações de direitos · Necessidade de separar crítica interna de discurso imperialista · Diferença entre submissão e democracia
  • Marco Rubio Secretario EstadoDescendente de cubanos exilados · Ideologia anticomunista · Adoção da doutrina Monroe · Don't Row de Trump · Pressão contra governos progressistas latino-americanos
  • Supremacia Branca e Racismo de Darren BeattyCrença em superioridade racial branca · Misoginia documentada · Ataque a Taylor Swift · Elogio ao Dr. James Watson · Desprezo pelo Brasil e miscigenação · Preocupação com 'homens brancos competentes' · Desejo de submissão de elites raciais
  • Diplomacia Eleitoral PreventivaConstrução de reconhecimento internacional antecipado · Apresentação do sistema eleitoral brasileiro · Visitas a Bruxelas e capitais internacionais · Diálogo com potências não alinhadas · Legitimação antes da eleição · Coalizão midiática internacional
  • Acordo entre Trump e Tarcísio/FlávioNegociacao de Conflitos · Direita brasileira disposta a aceitar acordos · Transferência de presos · Possível alinhamento militar submisso
  • Tarifas como Ferramenta de Pressão50% de tarifa no Brasil · Mudança após reunião com Lula · Chantagem diplomática com México · Corte de fornecimento de petróleo por pressão tarifária · Impedimento de ajuda a Cuba via Guatemala
  • Comunicação sobre Urnas EletrônicasDesconfiança histórica na população · Questões de Aécio e PT no passado · Mecanismos de auditoria e transparência · Ciclo de transparência democrática um ano antes · Necessidade de comunicação clara · Legitimação do sistema antes de ataques
  • Bailout Ideológico da ArgentinaResgate financeiro de Milei · Motivação eleitoral explícita · Crime de política externa americana · Apoio a aliado ideológico de direita
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Olá, olá, calmers que nos assistem. Boa tarde, aqui quem fala é a Alessandra Rofino. E hoje eu tenho o prazer de conversar com o meu querido amigo maravilhoso, Bruno Torturra. Oi, Bruno. Oi, Alessandra. Nossa, que introdução. Gostou? Eu nunca abro. Eu achei ela um pouco formal. Sucinta também. Sucinta, sucinta, formal. Tá ótimo. E estamos sem o Greg, né? Estamos sem o Greg. Greg segue na sua Eurotrip.

fazendo um backpacking, entendeu? Ele tá lá viajando pelas Europas, apresentando o céu da língua para teatros lotados em Berlim, Amsterdã, em Lisboa, em Londres. Ele tá muito chique. E aí, com isso, ele abandonou os coleguinhas, não quer mais saber de Brasil, não quer saber mais do problema de Brasil, de ficar comentando política, só quer saber de falar mal da gente na internet, que enquanto ele tá lá, ele tá falando mal de mim em outro podcast. Olha que absurdo. Ele deixou pré-gravada, pré-gravada uma crítica

A minha pessoa. Me chamando de furona para todo o Brasil. Que você não aparece nos programas que você marca. Pois é. Pra quem não acompanhou, Greg no Não Importa, que é o podcast dele onde ele fala do que não importa, que ele fala do que importa um pouco. Mas no outro, onde ele fala do que não tem importância, ele fala da coisa com menos importância possível, que é o meu hábito de marcar coisas e não aparecer. Supostamente. Eu quero dizer, ele deu como exemplo que eu marquei de num samba do Gabriel da Muda e não fui. E o próprio Gabriel da Muda me defendeu dizendo que eu fui sim.

Então, quero só deixar claro. É ele que não foi. Eu tenho testemunhas. E eu tenho que dizer uma outra coisa. O Greg nunca aparece, lembra, é uma incógnita, se ele vai aparecer na nossa reunião de pauta, que há três anos é fixa, no mesmo horário. Três anos. É um compromisso de três anos, sexta-feira, nove e meia da manhã. De nove às dez, a gente vai começar, entre nove e meia e dez, a gente tem reunião de pauta. Nunca se sabe se o Greg vai aparecer. Pois é, e aí ele tem a cara de pau,

a cara de pau de, antes de viajar e nos abandonar, deixar pré-gravada essa crítica a mim. Então eu quero aqui deixar registrada a minha indignação antes da gente começar a falar do que importa. Que, infelizmente, não é a Eurotrip do Greg. Eu queria muito que esse fosse o assunto mais relevante do mundo nesse momento. Mas enquanto tudo isso acontece e a gente se preocupa com as nossas marcações de reunião e de programas entre amigos, o mundo tá acabando, né, Bruno? A sua profecia está se concretizando. Minha não, né?

meu Nostradamus, pessoal. Não, assim, as pessoas acham que eu falo de fim de mundo, meio que é como se eu quisesse isso, como se fosse algo que eu prevejo, que eu desejo. Quando a gente fazia o Greg News, você interpretou um personagem chamado Bruninho Apocalipse. Sim. Eu quero só deixar isso claro. Segue o baile. A gente põe o vídeo aí. Não, é verdade, eu interpretei um personagem, muito bem, um personagem, não sou eu. Assim, é que simplesmente, eu infelizmente levo as notícias, a sua

sequência lógica, que em geral é apocalíptica e escatológica. E acho que hoje mais do que nunca. A gente vai vendo nos últimos 10, 15 anos isso vem se acelerando. A gente tem falado disso, do ano que inaugura a distopia, 10 anos atrás. É o vocabulário banal hoje. Mas acho que em 2026 começou com tudo já. E no último episódio a gente falou bastante até sobre o caráter apocalíptico é cristão dessa coalizão de extrema direita se manifestando.

hoje no Irã. E hoje a gente vai falar um pouco sobre o nosso lado. O nosso lar. E o que eles chamam de hemisfério ocidental ou, como eles chamam mesmo, de quintal. Que é o continente americano pra além dos Estados Unidos, especialmente aqui pro sul, América Latina, na qual fazemos parte. E antes que o povo vá nos comentários reclamar, Bruno, desculpa te interromper, mas só uma precisão semântica. Sabemos que o certo

é não chamar os estadunidenses de americanos, chamá-los de estadunidenses. Mas, sim, de vez em quando a gente vai chamar de americanos, gente, porque é isso aí. Também, se a gente ficar se policiando, a gente não fala. Mas, deixando muito claro que também achamos eles um saco, também sabemos que as Américas são muito maiores do que os Estados Unidos. Estamos de acordo, podemos seguir viagem. Muito obrigado por falar isso. Eu tenho dois motivos pelos quais eu não falo estadunidenses.

Como vocês sabem, eu sou meio gago. Então, adotar uma palavra nova que eu não estou acostumado a falar,

depende literalmente de memória muscular. Todos os gagos sabem disso. Então, se eu não adoto essa palavra no meu cotidiano, ela é especialmente difícil de falar. Então, eu tendo a gaguejar mais, o que ninguém merece. Eu e vocês não merecem isso. Mas, outra questão que eu acho é que eu realmente prefiro não falar por enquanto. Porque eu acho que é uma palavra que, apesar dela estar correta e ideologicamente, acho que ela tem um sentido de ser adotada dentro do nosso campo. Para o bem ou para o mal, a gente está tentando

também pra fora do nosso campo. A gente tá tentando pegar um pouco de uma pessoa que tá um pouco desavisada, que tá um pouco perdida, que tem valores progressistas, mas não tá acostumada com o nosso léxico e com essas outras coisas. E eu acho que quando você mete umas palavras desse tipo, meio que vem uma bagagem por trás, que honestamente eu prefiro às vezes não usar de maneira consciente mesmo. Mas é isso. O Greg tem falado, o estadunidense e eu também acho ótimo. O Greg tá numa cruzada anti-americanos.

Eu também estou, mas é isso. Anti-americano, olha aí, você acabou de falar. Pois é, mas em todos os sentidos, anti-americanos de fato e anti a palavra americanos. Mas vamos então ao que interessa, que é falar justamente dessa influência do regime Trump e dos Estados Unidos na América Latina e das consequências mais recentes, atuais, presentes dessa influência e dos planos que Trump e seus comparsas têm anunciado para o nosso continente. Então a gente vai falar um pouquinho do que está acontecendo

mas também vai fazer um pouco de projeção para o futuro, né Bruno? Vamos começar pelo futuro até a gente chegar ao presente. O que você teme, Bruno? Qual é o apocalipse que você vislumbra na sua bola de cristal? Então, eu acho que tem um desenho meio óbvio. Não é algo que está escondido, não é conspiratório, não é algo que depende de muita informação, mas é um desenho que a gente tem dificuldade de introjetar, de aceitar ele como uma realidade colocada.

outras reuniões que eu tenho. E eu acho muito estranho que todo mundo planeja o ano e essas eleições do mesmo jeito que a gente planejou, sei lá, a última eleição, que foi muito tensa, foi muito difícil, todo mundo precisou batalhar, teve que ter muito ativismo, muito envolvimento civil e tal. Ou a de 2018, que a gente perdeu. Mas o que eu acho que ninguém põe na conta das reuniões e do planejamento, do pensamento desse ano,

que talvez essas eleições não corram normalmente. E que talvez a gente esteja sob um tipo de pressão, um tipo de sabotagem, um tipo de influência que é comum dos Estados Unidos fazerem em outros países. Já fizeram muito na América do Sul. E a gente faz parte de uma redemocratização um pouco privilegiada, que a gente não passou por isso de maneira tão escancarada como provavelmente vai acontecer nesse ano.

Estado dos Estados Unidos, que hoje está dirigido pelo Marco Rubio, que é um descendente de cubanos que fugiram de Cuba, diga-se, antes da Revolução 1 é comunista, então ele sempre se coloca como um exilado do comunismo, dos caras que fugiram de opressão, mas não, eles fugiram da crise econômica do Fulgêncio Batista, mas que ele é um cara que adotou essa identidade norte-americana patriótica dos Estados Unidos e

militarista da doutrina Monroe, que hoje tem sido chamada de Don't Row, que é a do Donald Trump indo para cima do nosso continente. E esse cara, mais do que o próprio Trump, tem esse desenho na cabeça dele há muito tempo, que é acabar com a farra dos governos progressistas dos últimos 20 anos no nosso continente, que é de devolver o continente inteiro como uma órbita

absolutamente submissa aos interesses e à economia dos Estados Unidos. Então, a gente está vendo muitas coisas acontecerem simultaneamente no nosso continente, e é bom que a gente tenha esse desenho claro e aceite que ele é a verdade, porque talvez uma coisa que eu queria discutir contigo hoje e aqui, que é mais do que analisar o que o Trump está fazendo, que a gente vai falar, mas é o que a gente tem para fazer em relação a isso. Porque a gente, nesse caso, a gente não vai ser só,

espectador de uma notícia trágica que está acontecendo no Oriente Médio e vai sofrer as consequências disso no preço da gasolina, no rearranjo da Petrobras. Mas a gente vai ser o cidadão que está tentando ser recolonizado por uma potência hoje abertamente imperialista. Mas o que está acontecendo é isso. Acho que as duas notícias mais recentes do Brasil especificamente têm a ver com a não chegada, mas a tentativa de vir para cá

Estado chamado Darren Beatty, que viria com credenciais diplomáticas para atender um evento sobre terras raras e minerais raros no nosso país, mas estava agendando na paralela, sem comunicar o nosso departamento de Estado, que no caso é o Itamaraty, de que ele estava querendo se reunir com o Bolsonaro na cadeia e ter reuniões também com o Nunes Marques, porque uma das funções dele, em tese, seria fazer uma avaliação

do nosso sistema eleitoral. Pra repassar lá pros Estados Unidos, pra passar pra o Donald Trump. Sendo que esse cara, só de estar no Departamento de Estado do Donald Trump, ser enviado pra cá nessas condições, já é muito suspeito. Mas a biografia desse cara já mostra quem ele é. Ele é um cara que foi demitido em 2018 da Casa Branca do Donald Trump por ter ido numa conferência de supremacia branca e ter queimado um pouco o filme. E como a gente sabe, no segundo é mandato

isso não é mais um problema, então ele volta com tudo. Só que nesse meio tempo, ele era um cara que falava abertamente contra o Alexandre de Moraes como um dos censores, um dos caras que estaria impondo essa chamada ditadura de esquerda anti-liberdade de expressão e, muito provavelmente, questionando a legitimidade do nosso sistema eleitoral como um todo, na minha opinião, e acho que isso é muito evidente, não parece?

opinião muito longe da lógica, é de que eles estão preparando o terreno para caso uma derrota do Flávio Bolsonaro ou da direita aqui, ou é Trump ter elementos oficiais, ou seja, dentro do Estado dele, pessoas que falam essa eleição não é válida, é fraudulenta. E o outro elemento é o que acho que ainda não aconteceu, mas tende a acontecer nos próximos dias, é a denominação do Comando Vermelho

e do PCC, como organizações... Terroristas. Narcoterroristas. Que também faz parte de um desenho todo para a América Latina, que já está sendo aplicado na Venezuela e na Colômbia, especificamente. Então, aproveitando essa deixa, Bruno, eu quero voltar no Darren Bet, que acho que vale falar um pouco mais sobre quem ele é. Você já deu algumas pinceladas, mas eu sou bem obcecada com a figura. Eu acho que vale a gente falar mais dele.

Mas antes disso, eu queria dar dois passinhos para trás, para só dar um panorama mais factual do que está acontecendo.

acontecendo hoje em relação à relação entre Trump e regime Trump, Estados Unidos e outros países latino-americanos. Então, o que a gente pode dizer é que desde que o Trump volta à Casa Branca, né, pra lembrar, em janeiro de 25, então tem um pouquinho mais de um ano, parece uma eternidade, mas só tem alguns meses, desde que ele volta à Casa Branca, ele meio que transforma a América Latina num laboratório da sua política externa mais, assim, agressiva. Então, ele captura, né, sequestra o presidente venezuelano,

Nicolás Maduro em Caracas. Ele impõe um bloqueio energético a Cuba. A gente vai falar desse bloqueio energético, das consequências disso já já. Mas esse bloqueio energético deixa a ilha totalmente sem petróleo por três meses consecutivos, o que é uma coisa completamente sem precedentes e com consequências humanitárias muito graves. Hoje a gente tem em Cuba gente esperando para fazer operações críticas porque não tem energia para o hospital funcionar.

e totalmente produzida pelos Estados Unidos. Eles abrem uma investigação criminal depois de várias farpas entre o Trump e o Petro, que é o presidente da Colômbia, o Gustavo Petro. Ele abre uma investigação criminal contra o próprio Petro, por suposto envolvimento com o narcotráfico. Isso depois de ter perdoado alguns narcotraficantes condenados nos Estados Unidos. Então, uma situação completamente de hipocrisia muito explícita.

que ele apelidou de Escudo das Américas, que é uma coalizão militar de vários países, no momento são 17 países, que prevê o uso de força letal contra cartéis e a presença de tropas americanas em um solo latino-americano. Então, essa classificação do PCC e do Comando Vermelho como narcoterroristas, ela permitiria que as forças militares desses diferentes países e que as tropas americanas, no arcabouço dessa Operação Escudo das Américas,

vissem diretamente, por exemplo, em solo brasileiro. Essa Operação Escudo das Américas, ela hoje vai estar sendo liderada pela Christy Noam. Lembrando que a Christy Noam estava até ontem na frente do Departamento de Segurança Homeland Security, do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, basicamente do departamento responsável pelas deportações em massa de imigrantes nos Estados Unidos. E era chefe do ICE, basicamente. Ela foi basicamente chefe do ICE durante todos esses meses.

porque não como uma resposta à política absolutamente desumana e assassina do ICE, mas ela foi afastada porque ela lançou uma campanha de publicidade do ICE que gastou, acho que, 200 milhões de dólares. Foi uma coisa, assim, muito cara. E nessa campanha publicitária do ICE, ela se colocava como protagonista em excesso. Então, ela foi interrogada no Senado americano. Foi um interrogatório completamente vexaminoso para a Chrissy Noam. Ela saiu humilhada desse interrogatório. Foi muito ruim.

para ela e foi muito ruim para a relação dela com o Trump, porque em dado momento nesse interrogatório no Senado os senadores perguntam se o Trump sabia que ela teria esse papel proeminente na campanha publicitária e ela responde dizendo que o Trump sabia de tudo, então ela não protege o Trump nesse mini escândalo que aconteceu e o fato de não proteger o chefe foi muito mal visto dentro da administração e ela foi afastada, mas ela também não caiu totalmente assim, ela foi colocada realocada para essa operação Escudo das Américas

Américas. E ela é uma pessoa realmente terrível em todos os sentidos. Psicopata. Uma psicopata. Assim, muito claramente. É a pessoa que foi visitar o presídio de segurança máxima em El Salvador, né? Lembrando que El Salvador e os Estados Unidos estão com um acordo de cooperação em que basicamente os Estados Unidos enviam presos, inclusive presos políticos, né? O que eu consideraria presos políticos. Pra El Salvador, pra esse presídio de segurança máxima.

E ela vai visitar esse presídio de segurança máxima usando um relógio Cartier de, sei lá,

50 mil dólares, 60 mil dólares. Coisas completamente... No mínimo... É isso. Coisas de psicopata. Coisas que uma pessoa normal com o mínimo de empatia não faz. Mas ela é essa figura e ela que está à frente dessa operação. Eu estou trazendo esses dados só para a gente se situar. Por que a gente está suando um sinal de alerta em relação à relação Trump e América Latina? Vai lá, Bruno. O que mais? Tem mais um dado que eu queria trazer. Você falou muito de como ele... Que acho que é a parte principal.

ele está tentando sabotar os seus adversários ideológicos. O outro campo. Tem uma outra parte, que é o que ele está fazendo para os seus aliados ideológicos, para a direita da América do Sul. E ele basicamente salvou o Milley de mais uma mega crise financeira que a Argentina iria passar no ano passado. Ele basicamente assinou um cheque para pagar o saldo sem fundo que a Argentina estava no seu sistema monetário. E falou declaradamente,

que em si já é um crime lá nos Estados Unidos, mas parece que ninguém se importa com isso lá mesmo, que é, ele fala, eu fiz isso para ele ganhar a eleição, para a eleição parlamentar, para ele conseguir ter apoio, não sei o quê, porque se fosse um outro candidato, se ele perdesse isso, ele não faria isso. Então ele está fazendo, ele assumiu que ele está fazendo isso para estabilizar o aliado dele na Argentina, não por nada diferente, quer dizer, foi um bailout ideológico. O que ele está fazendo,

com o Ebukele, também, que é uma parceria, mas também o que ele tem feito com os países que ele tem poder de persuasão é tarifária. Então vamos lembrar que nesse ano também ele botou 50% nas tarifas de tarifa aqui, no nosso país. Depois isso mudou numa reunião teoricamente positiva com o próprio Lula. Mas ele está impedindo, com pressão diplomática e com chantagem muito forte, que países da América do Sul ajudem Cuba. Então o México

nada pra ajudar. Seria o país mais próximo, muito simples, da Claudia Sheinbaum. Não só não tá fazendo nada, como cortou o fornecimento de petróleo que existia. Cortou o fornecimento de petróleo que existia, sob ameaça tarifária dos Estados Unidos. E acho que a... Não é Nicarágua, é a Guatemala. A Guatemala devolveu a delegação de médicos. De médicos. Pra Cuba. Então, assim, não tá indo turismo pra lá. Então, eles estão criando uma crise humanitária.

absolutamente cruel, criminosa e é desnecessária, e que fica um pouco nessa névoa de uma guerra muito mais exuberante como a do Irã. E o Brasil está numa situação muito peculiar, porque a gente não é nem visto tanto quanto o Petro, que é mais um adversário que chama o nome, que chama o Trump de fascista, que peita, que fala da Palestina com mais assertividade. A gente sabe que o Lula também não é fã,

Então eles têm uma relação que eles sabem que eles não se gostam, mas eles mandam recados positivos, a tarifa cai. Mas tem algumas exigências que os Estados Unidos estão fazendo para o nosso lado que eu me pergunto se o Lula vai ou não atender. E é uma situação muito perigosa. Eles vão solicitar que o Brasil também seja um lugar que vai receber presos e deportados dos Estados Unidos. Ele quer que a gente abra a possibilidade de ser o maior salvador.

que essas conversas estão acontecendo nos bastidores com Tarcísio, com Flávio e com esse campo de a direita, que seria o tipo de acordo que a direita brasileira iria topar tranquilamente. E essa vontade que os Estados Unidos têm e que o Lula já pediu ajuda para combater o narcotráfico. E que aí não é só presença militar, é uma coisa que me preocupa tanto quanto, que é fusão de sistemas de informação e de inteligência.

desculpa um pouco mais fácil para ocupar militarmente o nosso território, mas é para invadir a nossa inteligência, a nossa informação bancária, os nossos sigilos fiscais e bancários em um país, e aí é que eu acho que é a inteligência cruel que eles estão usando aqui no nosso país, de grupos que não são terroristas, mas são grupos criminosos, perigosos, muito bem financiados, e aí sim,

infelizmente, com laços na sociedade toda. Então, se você designa o PCC como um grupo terrorista, você ganha, como Estados Unidos, como Serviço de Inteligência, como FBI, como DEA, autorização interna para ser ir para cima de sigilo bancário da Faria Lima, de políticos brasileiros, de policiais. Então, mais do que designar o grupo como terrorista, o que você faz é todo mundo que está em contato com esse grupo,

um potencial financiador e apoiador de terrorismo, o que é uma ferramenta de controle político, possivelmente mais poderosa do que a presença militar. Muito bem lembrado, Bruno. Eu quero que a gente, de novo, vamos falar mais de Cuba especificamente, já já, mas quero voltar um pouquinho no Darren Beatty, porque a gente passou por ele como parte desse quadro, então são todos esses elementos que a gente trouxe, e aí teve esse caso específico do Darren Beatty que o Bruno já trouxe as linhas gerais, eu queria que a gente se debruçasse

conversasse um pouquinho mais sobre ele, se você topar, Bru. Basicamente, como o Bruno falou, o Darenbit ia entrar no Brasil e acabou tendo o visto revogado pelo Itamaraty, porque ele estava planejando se encontrar com o Bolsonaro e não tinha aberto essa informação para o Itamaraty no momento que ele pediu esse visto. E aí o Bruno já disse que o Darenbit é uma figura que foi afastada da primeira administração do Trump por ter participado de um evento neonazista. Mas eu queria dar um pouquinho mais de informação,

sintomático do tipo de figura que está operando essa política de influência do regime Trump na América Latina. Então, o Beach é um cara bem formado, ele tem um PHD pela Duke, que é uma universidade grande dos Estados Unidos, e tem um dado interessante que a tese de doutorado dele foi sobre o Heidegger, que, vale lembrar, foi membro do Partido Nazista. Então, ele já tem... Mas o Heidegger é também uma figura... Um grande filósofo.

É um grande filósofo, muito estudado. É, tá tudo bem. Então, assim, não quer dizer que ele... Não quer dizer que todo mundo que estuda Heidegger, ele estuda Heidegger por ter simpatia pelo nazismo. Mas os que estudam Heidegger e vão na conferência... E vão na conferência, a gente começa a desconfiar. A gente começa a achar um pouco mais curio. De que parte do Heidegger que ele é fã. Que ele tava achando interessante, exatamente. Aí depois que ele foi pra Casa Branca, de fato, quando o Trump assumiu,

no primeiro mandato, e ele foi demitido em 2018, e aí vale salientar uma coisa, a CNN revelou que ele tinha participado dessa conferência neonazista nos Estados Unidos, mas a participação dele tinha acontecido em 2016, portanto, antes dele assumir o cargo na Casa Branca do Trump. Então, você não assume um cargo alto na Casa Branca sem passar por um processo de vetting, como eles chamam, basicamente de investigação, bastante rigoroso. Então, eu acho totalmente inconcebível,

que a Casa Branca tenha sido surpreendida com essa informação. O que aconteceu é que ela se tornou pública e naquele momento pessoas participarem de conferências neonazistas ainda era uma coisa que causava escândalo nos Estados Unidos, então ele foi demitido. E pouco tempo depois ele foi contratado pelo Matt Gaes, que é um deputado americano investigado por tráfico sexual. E ele foi contratado pelo Matt Gaes como assessor de discursos.

Que era o cara que o Trump queria ter colocado no departamento de justiça dele. Exatamente. Até os republicanos falaram.

Claro, cara, ele não. Acho que não. E votou a Penn Bondi, que é atual, que é uma mulher terrível também. Mas o Matt Gaetz e essa turma tá muito mais empoderada nessa Casa Branca do Donald Trump, que é sem limites, que não tem forças moderadas lá pra tentar equilibrar a situação. Que foi provavelmente o motivo que demitiram ele em 2018. Porque tinham chefes de gabinetes e pessoas que não eram tão confortáveis com o nazismo aberto.

Mas é claro que o Matt, o acusado de tráfico sexual, ficou bastante confortável, então contratou o Darren Beatty. Aí o Trump, também para dar uma ajudinha, acabou nomeando ele para uma comissão de memória do Holocausto, onde ele permaneceu até que o Biden assumiu e tirou ele dessa comissão. E ainda em 2020, ele fundou um site de extrema direita chamado Revolver News. E foi através do Revolver News que ele começou a falar bastante

eleições. Então, ele cunhou o termo Fed Surrection, que é basicamente como a extrema-direita americana apelidou uma teoria da conspiração de que o ataque ao Capitólio no dia 6 de janeiro, então, portanto, a tentativa de golpe, essencialmente, nos Estados Unidos, teria sido incitada pela Polícia Federal americana, pelos agentes federais. Teria sido uma coisa feita pelo FBI. E ele escreveu lá no Revolver News por um tempo. E aí, quando o Trump

volta, ele imediatamente nomeia ele já em fevereiro de 2025, então bem no iniciozinho da administração, como subsecretário de Estado, alocado no corpo diplomático, depois ele vira presidente interino do Instituto de Paz dos Estados Unidos, e aí agora ele foi nomeado assessor sênior pro Brasil, no Departamento de Estado. Então, Darren Beach está com um olhar específico pro Brasil. Esse cara que tem no currículo ligações documentadas com grupos neonazistas, e que é, né, ele trabalhou como

assessor de discurso do Metz. Ele criou um site. Ele é um cara que tem como ofício a comunicação pública. Então, tudo indica que o olhar que o Darren Beatty vai ter para o Brasil vai ser um olhar de manipulação do espaço de mídia e de comunicação pública, que é justamente onde a coisa pode se tornar muito fragilizada e criar muitas vulnerabilidades para a gente no contexto das eleições desse ano. Então, eu queria voltar nele. E é exatamente isso que a Alessandra colocou.

óbvia, mas que precisa ser feita, que é o tipo de criador e difusor de narrativas que são muito semelhantes às do nosso 8 de janeiro aqui, que é da nossa insurreição, que quebrou o nosso parlamento, que tentou dar um golpe de Estado aqui. A ideia de que foi uma tramoia da própria esquerda que estão inventando, que tem um lawfare, que a eleição não valeu, que teve fraude, que urna eletrônica é muito semelhante

tipo de conspiração que ele ajudou a inventar nos Estados Unidos. Exatamente. Não estou falando que é esse o cara que acredita e que difunde isso. Ele é um dos fundadores desse tipo de teoria fraudulenta, de fake news real, para sustentar a ideia de que os Estados Unidos estavam sob uma ditadura Biden, como os bolsonaristas sustentam que estamos em uma ditadura hoje do Alexandre de Moraes, inimigo do próprio Darren Beatty. E é tudo isso. Então, esse...

complô essa ponte, é muito óbvia quando esse cara é o cara que a Casa Branca destacou pra ser o especialista no nosso país. É, e tem uma coisa extremamente irônica dessa, não irônica, mas irônica e muito preocupante, né? Tem algo muito preocupante nesse apontamento do Darren Beatty como alguém, né, assessor sênior pro Brasil, então alguém que dentro do Departamento de Estado tá olhando especificamente pra Brasil, que é o seguinte, o Darren Beatty tem essa relação muito documentada com o

os neonazistas supremacistas brancos. E eu posso falar um pouco mais sobre isso, mas tem algo em que fica claro que o desprezo do Darren Beats não é pela esquerda brasileira. O desprezo do Darren Beats é pelo Brasil. Ele é alguém que realmente acredita na superioridade de inteligência, a superioridade racial dos brancos. E é uma pegada meio bacural, entende? Ele não vai achar que o Bolsonaro é branco. Ele não acha que o Eduardo é branco. Ele só entendeu que tem uma turma

no Brasil, que tá mais disposta a submeter o Brasil aos interesses de quem ele acha que tem que dominar o mundo, que são os homens brancos americanos. E ele fala isso de forma muito explícita, né? Aí tem milhões de declarações polêmicas do Darren Beats, mas eu fui olhar algumas, porque eu já conheço a figura há um tempo. Ele fez um tweet que causou furor nos Estados Unidos há um tempo atrás, em que ele fala que, literalmente, tá?

Vou abrir aspas. Homens brancos competentes precisam estar no comando se você quer que as coisas funcionem. Infelizmente, toda a nossa ideologia nacional

baseada em mimar os sentimentos de mulheres e minorias e desmoralizar homens brancos competentes. Isso foi um tweet. Outro que eu acho que você vai achar especialmente relevante, Bruno, foi ele elogiando o Dr. James Watson, que é um dos fundadores da genética moderna. Foi um dos descobridores da estrutura do DNA. Mas ele basicamente chama ele de o maior cientista americano vivo. O que é complicado porque o Dr. James Watson, apesar de ter de fato feito

contribuições científicas importantes, ele também foi o cara que disse que negros seriam menos inteligentes do que brancos, textualmente. Então, chamar ele de o maior cientista vivo dos Estados Unidos é um apito de cachorro também para a extrema-direita lá. Completamente. Até porque ele não é o maior cientista americano vivo só pela descoberta que ele fez nos anos 50, se eu não me engano, descoberta super importante, mas junto com o Francis Crick. E não é que ele é um titã da biologia,

desde então. Ele tá falando isso por conta dessas declarações, que ele já deu uma declaração racial muito complicada e ele deu uma misógina também, falando sobre a presença de mulheres no ambiente científico, também colocando como algo tipo cota, algo que atrapalha, algo que não é o ideal. E aí só o último do Darren Beatty pra fechar, que eu acho que é relevante, ele entra muito nessas polêmicas mais de cultura pop, porque ele é um cara que tem um domínio do discurso público mesmo, da comunicação pública. E aí teve um episódio

que eu achei que diz alguma coisa sobre ele, que foi quando a Taylor Swift se manifestou publicamente contra a criação de um monumento pro Nathan Bedford Forrest, que era um general confederado dos Estados Unidos, que foi um dos fundadores do Ku Klux Klan, do grupo supremacista branco, o KKK. E ia se fazer um monumento pra ele no capitólio do Tennessee. A Taylor Swift se manifestou contra e aí o Dorian Beats atacou ela e falou que ela tinha feito favores sexuais pra produtores musicais, pra poder

na carreira. Então, tô aqui fazendo meu apelo aos Swifties que nos ouvem. Se vocês não tiverem outros motivos pra se preocupar com o Darren Beatty, esse é o motivo. Mas a gente tá falando de alguém, assim, de alguém realmente profundamente, documentadamente misógino e racista, que tem um profundo desprezo pro tipo de mistura racial que é, de alguma forma, muito definidora do que o Brasil é e do que o Brasil representa também no imaginário público, não só do Brasil, mas dos Estados Unidos. E essa é a pessoa que tem como

missão hoje, fortalecer uma parte da elite política brasileira que está disposta a submeter os interesses não só dos Estados Unidos, mas de uma elite branca, supremacista branca dentro dos Estados Unidos, que é o que ele representa. E é isso que está em jogo nas eleições de outubro. É se a gente vai ou não ter uma administração que se submete. Eu acho que isso para mim é muito mais relevante inclusive do que as questões de política nacional a essa altura do campeonato no Brasil. É isso que eu ia colocar e

Enfim, só lembrando de uma outra coisa que está nesse cenário, já puxando pra cá um pouco. O Lula, que a gente aqui não se priva de fazer críticas ou de elogiar, não sei o que é, mas eu realmente não queria estar na pele dele. Eu não queria estar na pele dele nunca, mas nessa situação, realmente eu acho uma das piores situações possíveis que ele pode estar, que é esse lugar muito difícil de manter a altivez, manter a linha cruzada, não se submeter e não passar de uma certa outra linha

que vai trazer um prejuízo talvez mais violento e mais agressivo para as nossas eleições. Agora, a minha sensação é que não tem o que o Lula possa fazer de positivo que vá atenuar a agressão eleitoral nesse ano. Eu acho que tem uma certa, uma coisa astuta e mais esperta de você fazer isso no ano passado, de você tentar diplomatizar a coisa das nossas tarifas para não ter prejuízo econômico, para não ter esse tipo de sabotagem,

mais independente tem feito com o Donald Trump, de saber esse limite entre bajular, separar, criticar e riscar linha no chão. Mas esse ano, o Lula está perigosamente tentando fazer com que o Trump goste dele e aceite ele. E agora, tinha uma visita marcada para o mês de abril agora, em que o Lula iria para a Casa Branca, que não é uma coisa simples, é muito perigoso ele fazer isso, pelo tipo de ritual de humilhação pública que o Trump costuma fazer com

de Estado que ele despreza ou ele quer prejudicar. Como já fez com Zelensky, com o presidente da África do Sul e acabou de fazer com a primeira-ministra japonesa que é de direita e tomou aquele constrangimento absurdo na cara dela, acho que na quinta ou sexta-feira passada. Parênteses. Mas está em suspenso essa visita por conta do Irã. Porque assim, ninguém sabe o que fazer agora em relação a isso. Ninguém sabe nem o que declarar. O Lula tem sido mais assertivo nas suas críticas a essa guerra e a arrogância

civilização imperial dos Estados Unidos e de Israel, mas não está claro qual vai ser essa ponte diplomática que vai ser feita. E o que me preocupa muito é essa boa vontade, achando que você dando meio dedo, o cachorro vai poupar a sua mão, que é a negociação que ele tem feito em relação ao PCC, CV, de pedir ajuda para o combate do crime organizado no país, que pode ser até uma maneira de neutralizar críticas eleitorais, para falar, olha, como a gente

A gente está querendo combater, a gente aceita a ajuda dos Estados Unidos para ver se pega um voto meio classe média assustado e despolitizado. Mas, de qualquer jeito, é você entregar a vitória do outro campo sem nem precisar que o outro campo ganhe. Você já chama dentro. E outra é a negociação perigosíssima que está sendo feita em relação a terras raras e data centers, que é a outra fronteira de interesse profundo deles aqui.

gigante geopolítico do continente. Então, se você tem a intenção de transformar o hemisfério inteiro em um escudo, esse é o nosso lado. O resto do mundo que dispute é aí. A gente vai disputar a África, a gente vai disputar o Oriente Médio, mas a América é dos norte-americanos. Nesse sentido, o Brasil não é só um gigante geopolítico. Ele é o gigante das terras raras, é o gigante da mineração estratégica.

E do petróleo. E do petróleo, que é onde eu ia chegar. E do petróleo, entendeu? É onde ainda tem poços colossais, inexplorados, e que aí sim, eu acho o grande erro geopolítico que o Lula tem insistido, que é em abrir a Foz do Amazonas para exploração de petróleo e anunciar os quatro vetos de que temos condições de serem, nós temos a condição de sermos o quarto maior produtor de petróleo do mundo, caso esse poço

que seja viável. Que é tudo que a gente não precisa nesse momento. Que é tudo que a atmosfera não precisa, que é tudo que o nosso país não precisa e é tudo que faz o Donald Trump e aquele bando de psicopata olhar pro nosso país com saliva pingando. E aí se torna ainda mais interessante inviabilizar uma vitória da, não vou nem falar da esquerda, do centrismo no Brasil. De um mínimo, mínimo piso de pensamento soberano.

E aí é isso, é o que está colocado. O Tarcísio já está elogiando as atitudes norte-americanas e apesar de votos de massa dependerem de fato de boas políticas econômicas, de boa comunicação, de promessas e entregas tangíveis na vida material das pessoas, eu tenho a impressão de que um dos movimentos-chave para impedir o avanço do Flávio Bolsonaro

como vitorioso dessa eleição e para constranger os tarcísios da vida, por aí, Nicolas e tudo mais, é a associação deles com o Donald Trump e com o imperialismo dos Estados Unidos, que eu acho, suponho eu, que no Brasil é muito mais minoritário do que o apoio ao sobrenome Bolsonaro. Então a ideia de que esses caras são vira-latas mansos, são capacho, que aqui vai virar uma colônia, precisa ser comunicado de maneira muito mais clara,

essa associação ideológica que esses caras fazem, e de um risco muito real, que é, se esse vilão está fazendo guerra que o brasileiro não apoia, vamos lembrar que o Milley está falando de mandar tropas para o Irã, para ajudar o Trump. Imagina se o Brasil fica 100% alinhado com as ordens geopolíticas e militares dos Estados Unidos. Hoje o Sakamoto publicou uma coluna que eu acho super pertinente, que é dizer, o que o Bolsonaro estaria fazendo em relação ao Irã com as nossas tropas,

sido reeleito. Possivelmente a gente estaria enfiado numa coalizão militar muito diferente da que está sendo, da nossa função hoje como país, sabe? Então acho que tudo isso que você colocou bem, assim, é central nessas eleições, eu acho. Infelizmente. Mais do que foram nas outras eleições. Eu concordo plenamente. E essa história da Foz do Amazonas, da exploração de petróleo ali, é realmente uma cilada, né? O Brasil já tem soberania energética. A gente não é um país que está precisando

conquistar a soberania energética. E eu entendo que nesse mundo de muita instabilidade geopolítica, a gente defender a nossa soberania energética, que nesse momento dificilmente seria sem nenhum tipo de combustível fóssil na matriz, ainda que possa ser pouco. A gente tem muita energia renovável também, e já teve mais, inclusive, do que tem hoje, proporcionalmente. Mas o fato é que a gente tem soberania energética. Ali seria para ampliar a capacidade de exploração do petróleo do Brasil para exportação.

das implicações climáticas que são gigantes, nos impede de fazer um movimento que seria moralmente e diplomaticamente muito valioso, que é de fato defender não só que a gente não explore, mas que ninguém explore, que aquilo seja preservado o máximo possível por uma questão mesmo de preservação do clima no planeta, tornando qualquer tipo de avanço dos Estados Unidos sobre essas reservas de petróleo algo muito repreensível

internacional, coisa que caso a gente já esteja, como estamos, num caminho de devastação e de exploração desenfreada, isso se torna, a gente perde esse argumento moral que é o único que temos, porque a gente não vai fazer a defesa das nossas reservas de petróleo com o nosso exército submisso e incompetente. Então não vai ser daí que vai vir. E mesmo que o nosso exército fosse menos submisso e menos incompetente, a gente está falando do exército americano.

Então tem uma diferença muito grande de poder de fogo. Então a gente precisa encontrar estratégias para defender a nossa

soberania, que passem por outros tipos de argumento moral, que obviamente não são tão efetivos quanto uma bomba atômica, mas a gente tem uma espécie, a gente já falou disso aqui no Calma Urgente, a gente tem uma espécie de bomba atômica de carbono no território brasileiro, a gente tem um ecossistema muito precioso para o equilíbrio climático do mundo, que todo mundo sabe, até quem na fachada se diz negacionista climático, mas eu acho que muitos na verdade não são, todo mundo sabe que seria desastroso para o mundo se o Brasil de fato

devastasse de forma desenfreada a Amazônia, e se o Brasil colocar realmente, como está planejando fazer, essas muitas toneladas de carbono a mais na atmosfera. Então, essa é a nossa bomba atômica, em alguma medida, né? E proteger o ecossistema do mundo é a única função que pode nos dar algum tipo de autoridade moral e simbólica e efetiva nessas negociações, porque não vai ser por poderio militar. Então, eu fico muito surpresa que a gente queira jogar sobre nós

petróleo, sabe? Sobretudo dado que já somos um país que tem reservas já sendo exploradas de petróleo razoáveis, que tem total condição de fazer uma transação muito mais competente para renováveis, e rápida, e manter o pouco que você precisa ali de energia fóssil ainda, por questões de equilíbrio da rede de energia, numa percentual mínimo com as reservas que a gente tem. Então a gente tem condição de ser soberano sem precisar se colocar nessa posição de extrema fragilidade, que gente, é isso, é Venezuela,

Irã, que mais que a gente precisa de provas de que reservas gigantes de petróleo, ou você tem um regime autocrático, ditatorial que vai entrar numa negociação bilateral com outros autocratas e vender a alma do país, controlando essas reservas, ou você tá sujeito a esse tipo de intervenção externa, né? É evidente, tá dito, tá feito. E vamos falar sério aqui, né? Também tem o argumento de soberania energética, que é uma palavra que eu detesto pra falar de petróleo,

sólho inadequada. Não, mas eu não tô falando só de petróleo, soberania energética é o que a gente tem, né? Eu sei, é, mas eu acho que muitas pessoas têm usado esse termo pra falar que o Brasil é alto ou é suficiente de combustível e fóssil, de petróleo e produção de energia e que isso gera uma certa independência ou uma soberania, na verdade, essa palavra soberana que o Lula reivindica muitas vezes pra falar da Petrobras. Então tem dois elementos aí.

Um deles é mais óbvio, que assim, a Petrobras ainda permanece uma empresa mista, mas com controle acionário

e estatal por uma maioria de 1%. Mas os lucros da Petrobras já foram privatizados. A maior parte do lucro da Petrobras, que são ações que não votam, mas são ações que são negociadas na Bolsa só para ter dividendo, a maior parte desse lucro vai para fora, do país, diga-se de passagem. Não só na mão de investidores privados, mas já está na Bolsa de Nova York faz tempo. Então, assim, esse argumento da Petrobras como soberania de receitas para o nosso país, dinheiro que fica aqui,

É conversa fiada. A maior parte vai pra fora e a gente fica com alguns ativos, mas a maior parte dos passivos... Mas não é disso que eu tô falando. Não é disso que eu tô falando. Mas a outra parte que eu tô falando, eu me recuso a chamar de soberania quando uma pessoa é dependente química de combustível fosso nessa altura do campeonato. Então, assim, é tipo o cara falar assim, não, eu tenho a minha liberdade, eu escolho fumar o meu cigarro há 60 anos.

Não, você é dependente químico. Não vem falar que isso é uma escolha sua. Assim, você não tem... A gente não pode falar que a gente é soberano, que a gente tem...

liberdade, que a gente é senhor do nosso destino, quando essa guerra no Irã mostra como o planeta e o sistema capitalista de hoje em dia é dependente químico de uma substância que está literalmente matando todo mundo junto. Uma substância tóxica para a civilização. Mas só para defender o termo, quando a gente fala sobre energia energética, a gente não está falando de petróleo. Inclusive no caso do Brasil, a gente tem mais de 80% da matriz elétrica composta por fontes renováveis.

a gente é um país soberano energeticamente muito mais por conta das nossas fontes renováveis do que por causa do petróleo. Agora, a gente ainda precisa de combustível fóssil, não porque falta energia renovável, mas porque o tipo de energia que as renováveis provém tem algumas limitações em termos de a velocidade do uso. Aí a gente vai entrar numa discussão muito técnica que eu nem domino tanto. Mas o fato é que a gente não consegue de fato suprir todas as nossas necessidades, não porque não existe só

suficiente, ou vento suficiente, mas pelas limitações técnicas de armazenamento, de uso, de velocidade, de rapidez, de como a rede mesmo funciona. Então, a gente tem uma soberania por uma combinação de fatores, porque a gente tem renováveis, um percentual muito grande de renováveis, e porque a gente tem petróleo e outros combustíveis fósseis, gás, etc. Isso é relevante, de fato. Isso não nos garante um isolamento completo da escrita

de combustíveis fósseis. Até porque, como o petróleo é uma commodity que é vendida no mundo todo, e como a Petrobras é uma empresa que tem uma parte do seu capital aberto, ela vende nesse mercado mundial de petróleo. Então, quando o preço do petróleo aumenta, a gente não consegue segurar completamente aumento de preço no mercado interno. Então, nem nesse sentido a gente é inteiramente soberano. Aí são as limitações desse discurso.

Mas a gente não tem, já levando para outra parte da conversa, a situação de Cuba, por exemplo. Em que se alguém faz um embargo no país,

Literalmente não consegue acender a luz do hospital. E você tem um bebezinho, nesse momento em Cuba, morrendo na incubadora, porque não dá pra ligar a luz do hospital. Há semanas. Essa é a situação de Cuba. E isso o Brasil não tem, o que é uma boa notícia pro Brasil. E aí nos leva a conversa sobre Cuba, que realmente é de uma crueldade tão absoluta que tá acontecendo em Cuba. E você falou, né, Bruno? Como a gente tá vivendo o Irã, com o bombardeio de escola de menina,

A gente tem quase que pouco espaço cognitivo, mental e emocional para lidar com essa crise em Cuba que é um pouco mais silenciosa. Mas que é extremamente preocupante o que está acontecendo lá. Então eu queria levar para lá. É extremamente preocupante e muito, muito, muito relevante, muito histórica, muito tragicamente histórica para a história da libertação do nosso continente. Essa história sangrenta, difícil, cruel do continente americano ainda estar em processo de independência.

de metrópoles e de impérios que vão trocando de roupa, de cara e de uma elite interna que é autocolonialista, que é autoimperialista, que é vassala dos Estados Unidos, que é vassala do continente europeu, em parte porque é descendente disso ou se identifica com um tipo de cachê cultural e financeiro que não faz parte do povo latino-americano. Então, assim, isso é central. Então, enquanto esses capítulos estão acontecendo com

diferentes níveis de drama aqui no Brasil, na Colômbia, na Nicarágua, em El Salvador, na Bolívia, na Argentina, vamos lembrar que a ilha de Cuba é a mitológica ilha de Cuba, que se livrou com uma revolução comunista de um dos regimes mais tirânicos e racistas e desgraçados que o continente tinha, que era a relação do Fulgêncio Batista e das elites

latifundiárias, escravocratas de Cuba até os anos 50, que se recusavam a oferecer o mínimo do mínimo do mínimo de qualquer dignidade para os camponeses, para as pessoas que trabalhavam lá. Então, assim, é muito interessante porque toda vez que alguém aponta os grandes defeitos, os problemas de Cuba, as falhas da própria revolução e do regime ia castrista nas décadas de poder lá, ninguém tem

coragem de fazer uma comparação com o que acontecia antes em Cuba. E é muito impressionante a gente ver a coragem que eles tiveram não só de fazer essa revolução, mas de manter a revolução sob pressão absolutamente sufocante do país vizinho, da praianado de cidades de Cuba para a Flórida. Literalmente. Então, essa resistência, essa clareza moral, que novamente não foi amantida

simplesmente graças a uma ditadura de partido único, mas de um apoio popular muito significativo ao sentido daquela revolução. E que hoje está sendo estrangulada quase que literalmente. Que é um estrangulamento que é muito além do embargo, que já era ilegal, que já era denunciado por décadas na ONU, que nenhum presidente reviu, nem Jimmy Carter. O único que tentou fazer uma normalização de relações diplomáticas, que foi o Obama, que foi uma das coisas mais interessantes que ele fez como presidente,

foi imediatamente repelido quando o Trump assumiu o poder e que o Biden não tentou rever. Então, assim, o significado histórico nesse lugar, que além de real, é um pilar da estrutura mitológica da esquerda do nosso continente, é muito trágico. E acho que tem uma outra tragédia que eu não sei muito expressar. E acho que a minha falta de vocabulário para expressar isso é o que eu quero dizer. A gente não está sabendo falar sobre esse assunto.

acontecendo no nosso continente, no país que significa muita coisa para as pessoas, que é o país que fez a revolução mais duradoura do continente. E vamos lembrar que o primeiro ataque foi ao país que fez uma revolução socialista no século XXI, que foi a Venezuela, com todos os defeitos, com todas as críticas, com todos os problemas enormes que dá para a gente passar falando daquela revolução. Mas eles sequestraram o presidente e impuseram um regime de submissão,

ali em horas. E Cuba, não tô se dando um trabalho nem de invadir. Eles vão matar de fome. Vão acabar com o sistema de saúde de Cuba. É, o que tá acontecendo em Cuba é... E vamos lembrar só de um detalhe, que eu acho que é um requinte de crueldade que o Marco Rubio tá fazendo. Que é, Cuba, por décadas, tem uma expectativa de vida maior do que a do norte-americano. E acho que eles estão tentando fazer com que isso despenque em questão de semanas, sabe? É, eu entendo o que você quer dizer.

com falta de vocabulário, Bruno, mas eu queria dialogar sobre isso. Eu acho que tem uma dificuldade pra certo, não pra toda a esquerda, porque tem uma parte da esquerda que acho que tem muita tranquilidade de aceitar, digamos, as figuras mais autoritárias dentro da esquerda latino-americana. Então, que nunca teve um problema com o regime venezuelano e assim por diante. Tem uma outra parte da esquerda que eu acho que tem dificuldade, sim, de, por exemplo, defender a Venezuela, ou teria dificuldade de defender a Venezuela e Cuba em menor medida, mas

em condições normais de temperatura e pressão, porque, evidentemente, se preocupa com a falta de liberdade civis, com os presos políticos, com as violações de direitos que são reais e que são características, de fato, desses governos. E é muito ruim quando a gente é colocado nesse lugar de não poder denunciar as atrocidades que estão sendo cometidas com essas populações e esse projeto de submissão dos Estados Unidos por medo disso ser confundido com defesa.

de regimes autoritários. Mas o Trump, ele está fazendo uma coisa que é muito esclarecedora nesse sentido e que deveria nos permitir falar, inclusive, com mais facilidade sobre esse assunto, que é ele não está nem fingindo que ele está preocupado com liberdade civis, com libertação de presos, com violação de direitos, com democracia. Ele não está fingindo. Porque o que ele fez na Venezuela e o que ele claramente também quer fazer em Cuba não é nem, assim, dentro dos limites muito

claros do discurso para a democracia de fachada dos Estados Unidos, mas não é nem dentro desses limites de alguma forma facilitar a criação de regimes democráticos plenamente democráticos nesses países. É simplesmente decapitar o regime atual, tirar uma figura simbólica, no caso de Cuba até mais simbólica do que o Maduro, e manter o regime, manter inclusive e talvez sobretudo os traços mais autoritários desse regime, mas submetendo esse

regime aos interesses do regime americano. Então, é uma política muito mais voltada pra submissão do que qualquer outra coisa, tá? Acho que isso tem que estar muito claro, que é exatamente o que ele fez na Venezuela e o que ele já dá sinais de que ele vai fazer em Cuba. Ele não tá preocupado em... Ele tá preocupado com democracia. Ele tá preocupado com alinhamento aos interesses dos Estados Unidos e até mais fácil que isso venha de um regime autoritário, porque esse alinhamento, ele pode ser tão...

Ele pode ser total de uma forma que muito dificilmente uma democracia entregaria esse tipo de

missão total, porque povos, em geral, quando são consultados, apreciam sua própria soberania e o povo cubano, apesar de ser um povo que hoje está sofrido, está muito castigado, é um povo com alto nível de educação, muito orgulhoso do seu país e também das conquistas que foram feitas. Então, dificilmente ele se submeteria totalmente. Então, isso é um aspecto da situação. Acho que a gente não deveria se preocupar com essa disputa simbólica entre democracia e autoritarismo, porque a conversa hoje sobre Venezuela e Cuba

sem absolutamente nada a ver com isso. Mas acho que isso contribui para a falta de diálogo que você está apontando. O segundo aspecto disso para mim é o que está acontecendo em Cuba hoje, independentemente do objetivo, mesmo que os objetivos fossem nobres, coisa que eles evidentemente não são, mas o que está acontecendo hoje em Cuba é um cerco, tipo cerco de guerra mesmo, que até em situação de guerra é considerado uma coisa desumana, que você não deveria fazer, porque você faz basicamente punição coletiva a uma população civil. Então,

hoje Cuba é uma ilha de... A contagem populacional está em disputa, tá? Mas, sei lá, 8 a 9 milhões de pessoas, eles tiveram uma implosão populacional importante desde 2020. Mas é uma ilha que tem menos gente do que a cidade de São Paulo. Onde é isso? Bebês estão em incubadoras sem energia, idosos estão morrendo esperando remédio, cirurgias estão sendo canceladas por falta de luz. O país está... Ele está se esvaziando e passando fome em velocidade de guerra.

E isso está sendo deliberadamente orquestrado por um governo estrangeiro que está chamando isso

estratégia de pressão. Isso é obsceno. E, independentemente da sua simpatia ou não pelo atual regime cubano, isso nunca deveria ser possível. Em nenhuma situação. Nem que houvesse guerra, que não é o caso. Porque Cuba, obviamente, não agrediu os Estados Unidos. Então, é isso. Esse, pra mim, é o vocabulário. Tudo bem, mas a minha crise não se dá nem nesse ponto. De que a gente tá falando sobre ah, não dá pra criticar. Não. Uma que eu...

Isso já, acho, já tem um tempo e é uma conversa complicada de ter, mas assim, quem quiser conversar sobre autoritarismo venezuelano, autoritarismo ecobano, violação de direitos humanos, liberdade de imprensa, sobre, tipo, dentro desses países, eu super tô dentro dessa conversa. Também tenho problemas, não sou uma pessoa que aceita de barato ditadura do proletariado, assim como uma coisa, mas, o meu mas é muito importante.

para ter sem a participação do discurso norte-americano sobre isso. E sem a participação de qualquer veículo de comunicação que chama esses países de ditadura, mas é incapaz de chamar o que Israel faz de genocídio. Que chama o Maduro de ditador e o Donald Trump de tipo arroubos verborrágicos com tendências autoritárias, quem sabe, mas as instituições são muito fortes. Que são pessoas que são capazes

de falar que Cuba tá mal porque não tem carro, porque não tem isso, porque tá indo mal, porque tem inflação, tipo, responsabilizando o regime de Cuba, sem colocar a palavra é embargo em qualquer parte do livro que escreve sobre as imperfeições do regime cubano. Então, assim, se essa for uma conversa pra ter dentro do continente americano, é dentro do, literalmente, tá? Do Fórum de São Paulo. Vamos nessa. Do Fórum Social Mundial, entendeu?

desse tipo de conversa. Mas assim, quando ela está inserida dentro de um contexto em que a referência democrática é o modelo liberal defendido pelos Estados Unidos e pela Europa, eu honestamente, hoje, 26, mundo pegando fogo, mudança climática, Irã, é tipo assim, não. Eu não aceito essa conversa. Eu só não colocaria nesse momento a Europa e os Estados Unidos exatamente no mesmo lugar. Eu acho que sob

regime Trump, estamos falando de figuras bem diferentes. Mas concordo com a visão geral. A Europa só fica democrática quando só fica realmente corajosa e verdadeiramente pega com os princípios universalistas do direito internacional quando é a Groenlândia que está em disputa. Quando é a Ucrânia que está sendo invadida. Quando alguém assassina o Ayatollah. Mas eu não estou falando de direito internacional. E a família.

e aí o neto, e a mulher do Ayatollah, e o filho do Ayatollah. Ninguém tem uma palavra pra falar disso. Isso não é inteiramente verdade. A Europa não entrou justamente nessa guerra, apesar de ter sido pressionada, falou, a gente não vai entrar nisso, a gente não vai ajudar... Palmas pra Espanha, que tem que se colocar de maneira mais assertiva em relação a isso. Eu não... Eu estou dizendo que o que você está falando, que não houve nenhum tipo de reação europeia, especificamente a guerra no Irã e a agressão absolutamente ilegal dos Estados Unidos,

de Israel no Irã, isso não é verdade. O que não quer dizer que a Europa não tenha falhas e que sejam democracias perfeitas e que tratem o mundo perfeitamente. Mas eu acho que você está sendo um pouco exagerado ao equivaler a essas coisas. Só que você está esquecendo de uma coisa. Na Inglaterra, até esse mês, quando um juiz acabou botando essa lei inconstitucional, estava cheio de gente presa por segurar uma placa falando de Palestina livre. Free Palestine. Palestine Action.

Era considerado um slogan terrorista em Londres, na Inglaterra. Na Alemanha, está cheia de gente presa, com direito cassado, com incapacidade de fazer movimentação bancária e entrar em avião por ter escrito artigos sobre o genocídio de Gaza. Entendeu? E não tem nenhum sionista louco de extrema direita que faz essas defesas nos mesmos países de genocídio em Gaza. Entendeu? Preso, processado,

ou impedido de fazer qualquer coisa. Esse é o continente europeu, entendeu? Nos seus países principais. Gostaria que você não confundisse a Inglaterra com a Europa, tá? Porque eles fizeram muita questão de dizer que eles não fazem parte. Você, por favor, não misture as coisas. Mas a Alemanha está pior que a Inglaterra. Está pior que a Inglaterra. A Alemanha tem uma história muito particular com essa questão específica. Eles não podem ver uma supremacia étnica que eles começam a marchar um pouco mais.

mas é sincronizado. Mas, Bruno, brincadeiras à parte, de novo, eu concordo contigo, acho que essa discussão sobre autoritarismo na América Latina e olhando especificamente para os casos de Venezuela e Cuba, que são casos, na minha avaliação, sim, de autoritarismo, é claro, e de custo extremamente elevado para a dissidência, de você não poder se indispor com quem está no poder, de você não poder criticar, de você ter prisioneiro político, e em escala grande, de você ter viabilização de partidos de oposição, de figuras de oposição,

Eu não acho elas menores, mas eu concordo que essas são discussões que foram historicamente usadas como, desculpa mesmo, instrumentalizadas pelos Estados Unidos para garantir uma outra coisa, que de novo não tem nada a ver com democracia, que é garantir submissão dos governos latino-americanos aos interesses dos Estados Unidos. O que eu acho que está ficando muito claro nessa iteração dessa relação sob autoridade do Donald Trump

democrática dessa influência. Quer dizer, até esse verniz, esse discurso de fachada, ele acabou, ele serodiu. E quando isso acontece, a gente precisa aí sim, ter muita, primeiro até na nossa comunicação com o outro lado, com quem, caso o verniz estivesse posto, estivesse disposto a acreditar nesse verniz, que acho que tem, essas pessoas existem. As pessoas que historicamente acreditaram, caíram no engodo do discurso pró-democracia americana,

no caso da Venezuela, no caso de Cuba, elas existem. Se a gente não aponta para elas que até dentro do modelo mental delas, o que o Trump está fazendo não faz sentido, a gente perde uma oportunidade de convencê-las a vir para o nosso lado. Que é, mesmo se você é alguém que passou os últimos 20 anos acreditando piamente que todas as ações dos Estados Unidos na Venezuela e em Cuba tinham puramente interesse democrático, o que me parece muita ingenuidade, mas essas pessoas que existem,

mesmo elas podem saber e podem reconhecer dados, fatos, evidências, declarações públicas, a abundância de evidências, que a operação hoje em Cuba e a operação que foi feita na Venezuela, ambas não têm absolutamente nada a ver com democracia. É só disso que eu estou falando. Porque eu acho que a gente perde uma oportunidade quando a gente não renova a conversa com essas pessoas, entende? Que existem, que votam, que vão votar nessas eleições.

E que deveriam estar do nosso lado nessas eleições. Porque nem elas eu acho que querem um Brasil submisso. Eu concordo em parte. Eu sou um pouco mais pessimista que você, com certeza. Eu acho que você tem uma certa boa fé. Você vê o melhor nas pessoas com mais facilidade do que eu. Pra ser bem elogioso pro seu ponto de vista. Que assim, você tá supondo que a maior parte das pessoas que apoiavam a derrubada do regime cubano estavam honestamente acreditando

que os Estados Unidos representam democracia. Porque você tem que lembrar que grande parte do pensamento liberal brasileiro, da classe média que é contra a esquerda, é geral assim, essas narrativas norte-americanas, elas têm uma serventia também de averniz para esse tipo de brasileiro, para esse tipo de sul-americano. Porque não é que as pessoas acreditam na primazia democrática dos Estados Unidos. Esse discurso também serve para essas pessoas

esconderem atrás desse discurso com o seu racismo, com a sua supremacia branca, com a sua vergonha auto-axenófoba de ser latino-americana. A gente vê isso manifesto. Então, essas histórias, ela não é um verniz só pro império. Ela é um verniz pra quem bate no peito e fala, não, eu sou só um democrata. Eu sou apenas um democrata. Eu sou a favor de liberdade de imprensa, que é a primeira pessoa que acha uma

culpa pra empastelar a jornal de sindicato, pra sair quebrando o sigilo de mídia independente brasileira, que é abertamente de esquerda, que divulga fake news e que vota no Bolsonaro no fim das contas. Entendeu? Então, assim, não vamos esquecer que essa história não serve só à máquina de guerra. Ela serve à hipocrisia de uma boa parte do povo. Isso é uma coisa. Agora, você tem razão. Tem uma parte do eleitorado que pode ser persuadida

argumento extremamente de coerência, racional, e é aí que eu me pego. Independente se a gente vai ou não defender Cuba e a Venezuela, que eu acho que hoje em dia é isso, assim. Eu acho que nesse caso, eu tô defendendo o regime do Irã. Sem nenhuma identificação com o regime iraniano. Deus me livre. Mas assim, isso não pode ser feito. A gente tem que ganhar. Agora, só pra encerrar mesmo, assim, o que eu ia colocar, mas é aí que eu falo, sem ter que entrar nessas discussões mais sofisticadas sobre princípio, democracia, não sei o que,

é o Trump tá com o filme queimado com mais gente do que parece no nosso país. E aí tem uma associação mais fácil de ser feita. Que não é ficar defendendo as revoluções socialistas do nosso continente como mais ou menos autoritárias adiante de um regime mais autoritário do que eles. Mas é que fala o seguinte, esse cara vai fazer do nosso país um quintal. Um quintal. Ah, isso não há dúvida. E aí eu acho que tem uma parte da classe média hipócrita que reconhece e não quer isso também. Mas Bruno, eu acho que

você discorda de mim e fala que eu tô sendo otimista em relação às pessoas, você tá se enganando sobre quem são as pessoas e quantas são as pessoas que compram o discurso de pró-democracia dos Estados Unidos. Que não é só uma parte da elite pra quem isso é conveniente. Isso existe também, né? O uso, ou o da classe média, ou o que seja. Mas o fato, a pesquisa que a Caixa fez logo depois do sequestro do Maduro, eu achei bem reveladora. Os dados eu tava procurando aqui, que eu não me lembro

de cabeça, mas basicamente 46% dos brasileiros aprovaram a operação dos Estados Unidos. 46%. 46%. 39% desaprovaram, 15% não souberam responder. Uau. E aí, mas olha o que é mais interessante. Quando você olha o recorte ideológico, 71% dos eleitores bolsonaristas aprovaram a ação e 62% dos lulistas se opuseram. Mas isso quer dizer que você ainda tem aí 38% dos eleitores de Lula que aprovaram. Sim.

Isso não é pouca coisa. E acho que esse eleitor, o cara que votou no Lula, mas está aprovando, é muito possível, ainda mais que essa pesquisa foi feita logo depois da ação. Então não estava totalmente claro que o regime sobreviveria e que a única coisa que aconteceria é que eles iam deixar lá a Delce Rodrigues no poder e que ela se submeteria aos interesses dos Estados Unidos, mas que não haveria de fato nenhum tipo de abertura democrática relevante na Venezuela. Esses 38% dos eleitores de Lula que falam gostei,

E parte também dos eleitores bolsonaristas. Eu tenho a sensação, e é anedótico, mas também olhando pra esses números, que parte deles, pelo menos, o faz de boa-fé. Porque pra mim acreditar que 46% da população brasileira, que é quem aprova a operação, que todo mundo faz isso de má-fé, é um pouco doloroso demais. E eu não acho realista também. Eu não acho que tenha tanta gente assim agindo de má-fé. Acho que pra você chegar nesses números, você precisa ter um tanto de embarque sincero no discurso americano. O que cá pra nós?

É um discurso que não é martelado só nos círculos de elite de análise política, na imprensa especializada. Ele está nos filmes de Hollywood. Ele está em todo o lixo cultural que é jogado no Brasil, goela abaixo dos brasileiros. Então a gente tem um consumo hipertrofiado desse discurso em todas as suas versões. Na sua versão mais popular e na sua versão mais rebuscada. É natural que as pessoas acreditem nisso em alguma medida. E acho que apontar como esse discurso está sendo absolutamente

ignorado pelo Trump, é relevante sim. Porque tem uma quebra de expectativa que eu sinto que ela pode ser, inclusive, útil nesse contexto eleitoral, em que a gente vai precisar trazer essas pessoas pro nosso lado. Porque, lembrando, eleições de 22 foram ganhas por 2 milhões de votos. Se a gente não convencer mais ninguém nessas eleições, 2 milhões se ganha e se perde piscando um olho, entendeu? A gente perde. Então, ou a gente começa a procurar os argumentos que têm capacidade de convencer quem não estaria naturalmente convencido pelas nossas posições, ou a gente vai ter muita dificuldade nesse ciclo eleitoral.

Eu concordo com você completamente. E só dois pontos. Um importante. Eu não tô falando que 46% das pessoas estão agindo de má-fé. Má-fé é uma falha de caráter. Tipo, pra ter má-fé, depende de muita sofisticação também. Porque você meio que sabe o que você tá fazendo. Não, sério. Tem uma certa sofisticação na má-fé como prática mesmo. Mas então eu não tô acusando metade do país de agir.

ou votar ou pensar de má fé. Mas o que eu estou falando é 46% hoje que já querem votar no Flávio Bolsonaro, não falo nem de Trump em Venezuela, tá? Vamos baixar aqui para o nosso problema específico. Essa altura do campeonato, eu assim, não é que eu perdi as esperanças de mudar 1%, 2% de voto, mas não mais do que isso também. Porque assim, essa altura do campeonato é que nem o segundo mandato Trump, entendeu? Você votou no Trump uma vez, é uma coisa. Voltou duas, voltou três.

apoia. Eu não tô preocupado se você tá iludido pelo fake news. Chega uma hora que não tem tempo pra ficar te convencendo. Eu só quero ganhar. Mas Bruno, mas ganhar é convencer. É isso que é ganhar uma lição. Eu sei que é. Mas é convencendo como? Eu não tô nem fazendo uma defesa do que tem que fazer. Eu não sei o que tem que fazer. Eu tô preocupado. Mas aí que tá meu segundo ponto, que é onde eu acho que vai pegar mesmo. Porque você tá falando de manter os 2 milhões de votos de vantagem e esperançosamente ampliar isso pra 3 milhões.

4 milhões, fazer a vitória um pouco mais estável. A minha maior preocupação, que eu acho que é onde a narrativa precisa começar a ser trabalhada já, não é em quem a pessoa vota, é o que a pessoa vai fazer e o que ela vai achar na hora que o Trump não reconhecer a vitória do Lula. Na hora que o Flávio não reconhecer a vitória, o pai em prisão domiciliar e o Darren Beach já está totalmente integrado com a sociedade brasileira, com o agro-brasileiro, com a jovem

pans da vida, com as novas redes de AI, de não sei o que, e Big Tech. E o Trump fala, não, que Lula o quê? Quem ganhou foi o Flávio. Olha a UNA eletrônica. Olha o Alexandre de Moraes. Olha isso aqui. E o Cassio Nunes, presidente do TSE. Essa hora é a hora de um posicionamento político que vai demandar um tipo de desidentificação americana muito além do voto. Essa mitologia da democracia americana tem que ser

construída de um jeito que não tem a ver com, tipo, o Lula entrega mais, entrega menos, ele é amigo ou não do Maduro e tal. Então, assim, é uma construção complexa. E é por isso que eu acho que a associação da vilania, do demônio Trump e Netanyahu, que é a crueldade demoníaca desses caras, que é a morte de criança que eles estão fazendo diariamente há anos agora, porque o genocídio de Yegaza é americano,

Tanto quanto israelense. Entendeu? Então, assim, isso eu acho que, infelizmente, é argumento de campanha para o nosso lado. Porque ele se estende para o que a gente vai precisar, que é o pós-vitória. Supondo que ganharemos. Que a gente defende a nossa vitória. Supondo que ganharemos. Supondo que ganharemos. E aí, Bruno, você falando do genocídio em Gaza, me lembrou de um aspecto que eu acho que a gente pode também trazer para a conversa, que é, não só o Trump não finge que é sobre democracia ou sobre outra coisa,

Mas ele também sempre nos discursos explicita sobre o que é, né? E é muito mesquinho. Porque é sobre a versão mais... A gente ficou aqui o tempo todo falando de submissão aos interesses dos Estados Unidos. Fica parecendo coisa de um grande estadista. Cruel e horrível, porém um estadista. E é mais mesquinho do que isso. É sempre sobre construir um resort. É sobre fazer um hotel. É sobre botar uma Trump Tower. É sobre campo de golfe. O Trump mandou... É resort. O Trump mandou uma...

contratou, inclusive, ilegalmente, pela lei americana, consultores nos anos 90 para poder tentar achar oportunidade de investimento de negócio em Cuba, quando não era permitido que investidores americanos fizessem qualquer tipo de movimento nesse sentido. Ele tentou, depois de novo, encontrar lugar para construir campo de golfe. Ele fez aquela apresentação fatídica sobre Gaza, falando da nova Gaza e o vídeo que ele publicou, mostrando o Trump Tower na frente, falando de como é bonito.

invade, ou que ele diz que vai invadir, ou que ele fala que ele vai tomar, ele fica ali num gozo antes dessa ocupação, que é um gozo de investidor de imobiliário, entendeu? É isso, ele fica ali falando da cor do mar, sobre Cuba, como o clima é bom, como é bom pra ir à praia. Ele fala que não tem furacão em Cuba, e o que também não é verdade. O que também não é verdade. Ele tá repetindo essa ideia de que Cuba é um bom lugar de investir,

não vão ficar pedindo dinheiro de socorro depois de furacão. Que, aliás, é uma maneira dele falar sobre o Porto Rico, que ele despreza e que já revela que o plano dele pra Cuba provavelmente é um modelo meio Porto Rico, de protetorado mesmo, é colonialista mesmo. Mas o ponto só que é, isso também é argumento em relação à mexiquinha ali, que é a pior crueldade do mundo, é assassinato em escala, é ser comunitário,

que é uma técnica muito parecida, né? Gaza, é isso. É você cercar, você impedir, você sufocar, você matar de fome, você bombardear, você matar criança. São todos esses elementos. E no final, é todos esses elementos pra construir campo de golfe e hotel. É isso. É esse o plano. Ele não é nem mais sofisticado do que isso. Não, e pra botar a população de Cuba, pra botar a população de Cuba, pra ser serviçal em hotel.

É isso que é. E vamos lembrar aqui uma dica de filme para os próximos dias. Poderoso Chefão 2, grandíssimo clássico, todo mundo viu, mas acho que nem todo mundo revei sob essa perspectiva, que a gente sempre vê um filme de máfia, como os grandes personagens, os Corleone e tal. Mas o centro da tramoia do Poderoso Chefão 2 é a pré-revolução cubana, quando tem esses investimentos mediados pelo Departamento de Estado,

e por senadores dos Estados Unidos com máfias. Máfias bem posicionadas para a construção de hotéis em Cuba, na ditadura do Efulgêncio. E eles passam um ano novo lá, fogem, porque veem que tem uma revolução vindo, que é esse projeto que o Trump está literalmente retomando, que é crime é organizado como política de Estado, que é uma técnica de máfia, de gangster, de ganho pessoal,

que mistura departamento de Estado, senadores e grupos oligárquicos criminais que querem explorar essa população, na opinião deles, racialmente destinada a servir. Que é exatamente a visão pro Brasil, né? Que é essa visão do serviço, do serviço sexual, enfim. É uma visão de submissão absoluta, inclusive nesse sentido. No sentido racial, gente, de novo, não é à toa que é o Darren Beatty, que é uma pessoa

acredita numa submissão racial. Essa é a chave de leitura do mundo dele, né? Mas vamos agora falar um pouco do que a gente pode fazer, Bruno. Em algum momento você disse, o que a gente pode fazer? Precisamos falar do que podemos fazer? Quero falar com você sobre o que podemos fazer. Você tem alguma ideia do que a gente pode fazer? Não, assim, um, eu acho. Não? Não, se eu soubesse, sei lá, se eu soubesse. Eu acho o seguinte, eu acho que a gente precisa, antes de mais nada, enfiar esse elemento norte-americano do não reconhecimento dessas eleições.

e de uma sabotagem ativa que já está acontecendo como parte fixa da nossa paisagem. A gente não está tratando mais de uma possibilidade de conspiração, de análise. Esse jogo está explícito e você negar isso é mais conspiratório do que assimilar isso, na minha opinião. Isso tem que estar parte das nossas conversas quando a gente fala sobre isso. Esse elemento é a parte central. E as pessoas assimilam muito mais rápido, sei lá, escândalo do Banco Master,

morais do que essa situação. E, gente, desculpa, do ponto de vista histórico, grande, dos grandes poderes, dos grandes movimentos mesmo geopolíticos, isso é central nessa eleição de 26. Não estou falando que a única coisa que tem que ser considerada, mas não é considerada. Em qualquer cálculo, é tirar da equação uma constante que vai dar um resultado errado. Qualquer cálculo de comunicação, de aliança, tem que passar por essa situação. Outra, são coalizões,

eu acho mais internacionais do que a gente está acostumado a fazer. Eu acho que tem uma urgência muito grande dessa esquerda do século XXI antifascista se ampliar internacionalmente e estar conectada. Porque se a gente vai tomar uma invertida com o resultado agente favorável, mas é desfavorável do ponto de vista político depois, a gente vai precisar estar integrado com os bons grupos ativistas e políticos,

fora no dia 1. Porque se a gente perder duas semanas fazendo isso, três semanas, o jogo está perdido, galera. Entendeu? Se essa resistência não estiver colocada de saída, se o botão não estiver apertado de cara, entendeu? Vai ser muito mais complicado. E tem movimentos dentro dos Estados Unidos, na Europa, na América Latina, em outros lugares, que estão precisando se reorganizar e se organizar porque a água está batendo na bunda de todo mundo que é de esquerda,

no mundo inteiro e minimamente democrático. Não digo nem só de esquerda, mas de uma esquerda de uma certa democracia que vai além da mera defesa do pleito, mas de um sentido democrático mais amplo, de liberdade, de igualdade, de redistribuição de renda, de anti-oligarquia. Isso é um movimento internacional e a direita está muito mais articulada. Mesmo antes, quando eles não estavam no poder na Casa Branca, eles passaram quatro anos se articulando com o

Brasil do mesmo jeito, fazendo CPECs, viajando, estabelecendo. O Alan dos Santos foi para os Estados Unidos no governo, estava lá no governo Biden, entendeu? Trabalhando com os caras. Então eu acho que tem uma certa amplitude de relações que a gente vai ter que estabelecer como campo internamente. Então são coalizões mais flexíveis e mais abertas, sem exigir um alinhamento integral com as pautas para a gente estar alinhado nisso. Mas eu acho que a gente deveria falar

mais com quem está fora do país, para que essas vozes sejam um pouco mais avassaladoras. Tanto com grupos ativistas, mas sobretudo, não é sobretudo, mas também, de maneira muito importante, com novos grupos de mídia independente no mundo todo, que estão cada vez mais poderosos com o poder de... a disseminação de ideias e de informação, como a gente bem viu, em Gaza, com Cuba e com tudo isso. É graças,

graças a esses grupos que muita gente hoje em dia sabe que é um genocídio, não é graças ao New York Times, a CNN e a Folha de São Paulo mesmo. É, eu diria que tem três camadas, assim, dessa, do que eu chamaria de uma construção de um reconhecimento internacional preventivo das nossas eleições. Tem uma camada que é essa de sociedade civil, ativista, tem essa camada midiática que você traz, né, Bruno, de construir essa coalizão midiática, e tem uma camada de diplomacia eleitoral,

eleitoral, assim, ativa. A gente vai precisar visitar não só Washington, acho que teria que visitar Washington sim, não o Lula e visitar o Trump, mas conversas no nível da diplomacia mesmo sobre o sistema eleitoral brasileiro, mas sobretudo Bruxelas, outras capitais latino-americanas, outras capitais de outros poderes não alinhados e assim por diante, para apresentar o sistema eleitoral brasileiro, para construir uma base de reconhecimento antecipadamente, porque se a gente já tiver

países falando que as urnas são confiáveis antes da eleição, fica muito mais difícil depois o Trump tentar deslegitimá-las. Então a gente precisa ter um processo de diplomacia eleitoral. E achar que isso não é necessário a essa altura do campeonato é ingenuidade. Assim como eu acho que a gente não deveria tratar com tanto desprezo a desconfiança que as pessoas têm das urnas. A gente sabe que a gente tem um sistema eleitoral muito bom, muito robusto, com ampla oportunidade de auditoria, com ampla oportunidade

oportunidade de... Tem até um momento que todo mundo pode tentar hackear o sistema. A gente tem muitos mecanismos de auditoria e de fiscalização do nosso sistema eleitoral antes, durante e após as eleições. Um ano antes do pleito a gente abre um ciclo de transparência democrática. É uma coisa super bem feita, mas mal comunicada. E acho que, de novo, da mesma maneira que eu não acredito que 46% dos brasileiros apoiem a ação do Trump na Venezuela por má fé, eu também não acredito

que as teorias conspiratórias em relação ao sistema de voto sejam simplesmente uma invenção de má fé de bolsonaristas que queriam roubar a eleição. Acho que se isso encontrou eco na sociedade brasileira, isso deveria nos preocupar. Não quer dizer que a gente deveria mudar o nosso sistema eleitoral, pelo contrário. Mas tem que tratar a comunicação sobre o nosso sistema eleitoral com seriedade mesmo. Para fora, na diplomacia eleitoral e para dentro.

Acho que essas coisas são, sim, relevantes e que se a gente não encará-las, a gente vai ter um problema maior depois. Para além disso, isso a gente está falando do caso

Tem um caso em que a gente ganha, mas eles tentam fazer com que a gente não consiga assumir, enfim, não reconhecem a derrota, que foi o que eles fizeram em 2022. Mas tem também a possibilidade de a gente não ganhar. E tem a possibilidade da gente... Outra possibilidade é a gente ganhar, assumir e ainda assim ser submetido aos interesses dos Estados Unidos por outras estratégias de pressão. Então a gente deveria estar olhando para todos esses cenários, né? Como que a gente tenta ganhar? Acho que essa é a primeira coisa.

a gente vai precisar ter essa estratégia de tenda grande, assim, de trazer mais gente pra família. Se a gente ficar numa pré-disposição a entender, a acreditar que todas as pessoas que não votaram Lula em 22 são necessariamente terríveis, e eu sei que isso é muito difícil de dizer e de aceitar, mas a gente não vai ganhar essa eleição só segurando o que a gente já teve em 22. Não funciona assim. Vai ter perda. Então a gente vai precisar trabalhar no convencimento, na chave do convencimento, e isso parte de uma

disposição ao diálogo, obviamente não com os malucos, tem 20% de doidos de pedra, assim, que são pessoas aí, realmente, acho que terríveis mesmo, acho que tem falha de caráter ali, real, assim, de falta de empatia, de falta de abertura ao outro, de racismo explícito, de misoginia explícita, isso existe, mas tem um monte de gente que é convencível, e a gente vai precisar trabalhar com esses convencíveis, e isso parte de não acreditar na nossa própria superioridade moral, porque senão é muito difícil de conversar com os outros, então acho que tem isso, e aí, por fim, né, caso tudo dê certo, caso a gente ganhe, caso a gente

suma, caso a gente não consiga, não seja, né, caso o resultado eleitoral não seja totalmente questionado, como que a gente vai trabalhando melhor na nossa soberania, né, e aí eu queria só dizer que, como você falou, né, Bruno, a gente não se furta de criticar o Lula, mas eu acho realmente que nesse ponto ele tá dando um show, ele faz as colocações de um jeito muito correto, né, a frase que ele falou lá em Bogotá sobre os minerais raros, ele falou, quem quiser explorar, que venha se instalar e produzir aqui, ele fala de soberania, então ele tá começando a usar

minerais críticos como poder de barganha, o que é importante na diplomacia nesse momento. Ele tá falando de reciprocidade, ele tá conseguindo manter não só uma altivez simbólica, mas em alguns casos tem exceções, eu acho que os data centers são uma dessas exceções, em que a gente abriu espaço demais pra submissão a interesses americanos. Mas em muitos casos ele tá conseguindo manter de fato uma política de soberania. Tem um calcanhar de Aquiles que fica evidente agora com a crise do petróleo, que é o diesel. E a gente não falou disso, né? A gente passou por isso? Não.

do diesel, dos caminhoneiros. É, a gente precisa olhar para isso, porque essa é uma outra ferramenta de pressão possível, não só internacional, mas também nacional, uma base eleitoralmente muito volátil, que já foi usada e manipulada pelo bolsonarismo antes. E hoje a gente está com um problema de crise mesmo, de aumento do preço do diesel, às vésperas da eleição. Isso é um problema, e esse é um problema estrutural no Brasil, porque a gente falou que o Brasil é soberano energeticamente, eu falei, você discordou do termo, mas o fato é que, apesar disso,

25% do nosso diesel. A gente exporta petróleo, mas importa diesel. Porque a gente não tem capacidade de refino no Brasil. Inclusive, em parte, graças a Bolsonaro, né? Que lembra do escândalo, das refinarias. Porque ele sucateou e vendeu. E vendeu pros árabes no contexto daquele escândalo envolvendo justamente as joias. As joias que foram dadas pelo Arábia Saudita. Era isso aí. Era pra... Bem lembrado.

facilitar, enfim, né? Tá aí uma campanha boa. O seu diesel caro é a joia do Bolsonaro. É a joia da Michele. É a joia da Michele, entendeu? Não é outra coisa. O diesel caro é porque o Brasil não tem capacidade de refino. Porque se a gente conseguisse não só explorar o petróleo que a gente tem, mas refinar nacionalmente, a gente não estaria submetido a essa alta do preço do diesel da mesma maneira. Mas a gente está submetido porque a gente importa diesel.

E a gente importa diesel porque a gente não consegue refinar. E a gente não consegue refinar porque o nosso sistema

por Jair Bolsonaro, que foi pago pra isso. Todos os indícios são de que as joias foram uma propina pra que ele basicamente vendesse a capacidade de refino do Brasil a preço de banana. Temos certeza absoluta? Não temos. Mas é isso que tá colocado. E o fato é que temos um problema de capacidade de refino que vai precisar ser resolvido em algum momento. Então, isso é também uma questão de soberania mesmo. Porque senão a gente fica com um ponto fraco aí, né? Na nossa capacidade de andar sozinho. Acho que isso tem um ensinamento do

da situação com Cuba. É claro que Cuba é uma ilha pequena. Esperar que Cuba fosse perfeitamente autossuficiente em tudo é uma expectativa absolutamente irreal. Mas o Brasil pode ser. E se tem uma coisa que a gente precisa aprender, é que a gente está lidando com potências internacionais cruéis, perversas, que não teriam nenhum medo de nos sufocar, de nos fazer passar fome. A gente precisa ser mais autossuficiente. A gente precisa melhorar nossa capacidade de refino. A gente precisa poder fazer fertilizante no Brasil, em vez de ficar dependendo

de fertilizante russo, a gente precisa dessas coisas, porque senão a gente vai ter um problema em algum momento e não vai demorar. Concordo com a linha geral, não vou divergir dos detalhes, porque eu acho que apesar do Lula ter dado declarações altivas, que ele sempre dá, em geral é sempre altivo, o Lula nunca imprime submisso, mas eu acho um estreitamento das nossas capacidades políticas hoje em dia, dele estar falando, tipo assim, quem quiser vir explorar que venha, mas venha dando emprego

para o brasileiro, tipo assim, não, não, não, não. A gente explora, ninguém vem. Porque é isso, troca o governo, privatiza tudo, entendeu? Tipo assim, eu acho que a gente precisava ter um olhar para as terras raras no mesmo nível nacionalista que a gente teve no petróleo na Era Vargas, entendeu? Tipo assim, cara, isso aqui não é um produtinho. Isso aqui não é um, entendeu? Não é um, estamos vendendo, entendeu? Chocolate. Isso aqui é tipo assim, é absolutamente estratégico para a desejável e necessária troca

de modelo energético no mundo. Então assim, isso é uma coisa. Ondas eletrônicas eu também discordo um pouco, acho que a comunicação não é tão mal feita assim. A gente bate nessa tecla, é uma coisa que é uníssono da imprensa brasileira, ninguém desconfia disso e tal, mas a gente tem esse problema de comunicação geral hoje em dia, que não é a mensagem que importa, mas é o emissor que importa. E a direita, a direita organizada, age de má fé.

Então assim, eu acho que só teria uma mudança de chave na compreensão da onda eletrônica na hora que o Flávio Bolsonaro falar, não, valeu sim, porque

Eu fui convencido que o sistema é muito bom. Isso não vai acontecer. Então eu acho que em termos de urna eletrônica, é isso. Tem que ser legitimado. Eu não acho que precisa ser o Flávio falando, tá? Apesar de eu achar que o emissor importa. Não sei, mas... Você fala por um lado que... Sim, mas essas campanhas são velhas. Elas partem de uma premissa comunicacional velha. É imprensa tradicional. E a gente não leva a sério as preocupações que as pessoas têm. Eu não levo a sério mesmo. E eu lamento.

pode soar elitista, pode soar, mas eu não levo a sério mesmo, porque eu acho que... Mas tem que levar, Bruno. Mas eu levo em outro nível, porque assim, não é que eu desprezo. Eu não desprezo. Eu levo muito a sério. Mas eu não sou, eu não tenho compaixão pela dúvida que a pessoa tem em relação à onda eletrônica. Talvez uma minoria de pessoas, mas assim, de novo, eu volto àquele meu argumento. Desconfiar das ondas eletrônicas é só o verniz que a pessoa dá pra si mesma, muitas vezes, não pra fora, mas pra si mesma, que ela é incapaz de admitir que o que ela quer

dura no Brasil. Que ela não admite perder. Que ela não gosta de democracia. Que ela só gosta de democracia quando ela ganha. Não gosta quando ela perde. Então ela precisa dar um jeito de justificar o golpe que ela apoiava no 8 de janeiro. Entendeu? Entendeu? Pra mim, isso é o que sustenta a narrativa. E aí tem os ingênuos, os mal informados, as pessoas. Mas mesmo essa ingenuidade, de maneira inconsciente, ela serve a uma outra posição política que a pessoa tem no mundo.

Mas tudo bem, não vou entrar nesse detalhe agora, já está tarde. E se der para melhorar a comunicação, ótimo. Mas eu não acho que salvar a reputação das urnas eletrônicas é a chave para esse ano. É que eu acho que, assim, primeiro a gente tem que lembrar do primeiro grande questionador das urnas eletrônicas, que foi a Aécio, né? Assim, em escala nacional. Então, lembrar que essa coisa do mal-perdedor que você está falando é verdadeira, né? E ela vai além do bolsonarismo. Mas, assim, em 2006,

Quando o resultado das urnas mostrou Lula com 48, quase 49% dos votos, mas a boca de urna dava vitória no primeiro turno, teve parte do PT questionando a urna eletrônica. Então, assim, é muito comum na política brasileira que se questione. Também já houve na esquerda. Não é uma coisa que aconteceu agora. E se isso encontra algum tipo de eco pra além dos setores mais partidários mesmo, que estão ali muito no calor da eleição,

algum tipo de mistério que ainda não foi resolvido na cabeça da população. Eu não acho que isso é tão complicado, tá? E também não acho que deveria ser todos os nossos esforços empreendidos pra isso. Mas eu acho que vale olhar pra isso um pouco. Porque um sistema eleitoral que não conta com a confiança da população, ele vai ser um sistema eleitoral mais fácil de você questionar e, portanto, de você subverter. Então, é uma preocupação a se ter. É, eu acho você muito otimista. Muito bondosa. Você não tem uma coisa que eu...

que eu tenho mais. Você é pouco misantropa, você é católica, você acha que a essência humana é uma coisa mais luminosa do que eu acho. Eu acredito na bondade das pessoas, Bruno, e você já desistiu. Você sabe que isso é tão debate que a gente não vai ter hoje, mas você sabe que eu não consigo me considerar comunista, no sentido da utopia comunista e marxista. Você não acredita no ser humano. E marxista até o fim, que eu acho que a análise do capital dele é, pra mim, irretocável.

o projeto que se deriva a partir disso, eu não consigo aderir nele, não estou falando que eu não concordo com o sentido dele, mas é que eu acho que ele pressupõe um ser humano com uma natureza menos nefasta. Você sabe que durante toda a teologia da libertação... Há o gênero humano mesmo. Mas então, dentro da igreja católica, as correntes mais progressistas e mais comunistas mesmo ali dentro da teologia da libertação, tinham alguns,

autores e filósofos que falavam uma coisa meio parecida, que você só pode ser plenamente comunista se você tiver uma ética, que eles viam como uma ética cristã, mas de crença no outro, na bondade do outro, que todos somos criaturas de Deus e filhos de Deus. Tem uma coisa. Então talvez te falte um pouco de cristianismo, Bruno. E não é que eu tô falando disso de todos os seres humanos, não é que eu tô falando que cada ser humano, mas eu acho que cada ser humano tem ali dentro do coraçãozinho o anjo e o

é diabo mesmo, é a história da nossa crise como espécie, não tem muito o que fazer em relação a isso. Mas existem não só vocações e pessoas com índoles levemente diferentes e tudo mais, mas tem sistemas morais, culturais e econômicos que proliferam, que estimulam os nossos bons anjos e não os nossos maus edemônios. Ah, com certeza. Mas isso eu acho que sim. Então não é que eu acho que tá fadado e por isso uma ditadura que a gente de direita acha a sermão inexoravelmente ruim, eu tenho que botar na rédea curta.

A gente precisa de um ditador benevolente. Eu não acho isso, mas eu acho que toda a estrutura, que aí é onde eu acho que o comunismo e o marxismo nas etapas de formação dele acabam estabelecendo, que são regimes de muita concentração de poder burocrático e partidário, que eu acho que é uma política que seleciona as pessoas que têm um tesão especial em ter poder. Possivelmente é mais saudável do que o capitalismo fez, porque aí é uma política de incentivo.

Uma política de incentivos, assim. O capitalismo é basicamente a política de incentivo das coisas que é de pior no ser humano. Parece que foi pensado pra botar o Elon Musk como o primeiro trilionário do mundo. Só isso já é o indiciamento em si. Mas eu tenho esse problema, assim. Eu sou um pouco mais misantropo do que você, assim. Eu tenho um pouco mais de fatalismo em relação à nossa condição do que você católica. Eu, ao contrário do que o Gregório alega, ao contrário do que o Gregório alega, eu vou pro samba, né, Bruno?

Isso faz toda a diferença na minha disposição de diálogo com o outro. Bom, isso nos leva ao final desse papo. Eu queria dizer aqui, antes da gente encerrar, que a gente vai fazer a nossa primeira gravação aberta ao público. Vai ser uma gravação super especial no teatro, com plateia. A gente está muito animado. Vai ser muito legal. E a gente está preparando uma edição especial com nós três no teatro, com outros membros da equipe, com algumas surpresinhas para quem vier nos assistir ao vivo no Rio de Janeiro.

no dia 6 de abril, uma segunda-feira, às 6h30 da tarde. E a partir de amanhã, você já vai poder comprar o seu ingresso, se você quiser vir nos ver. Os ingressos vão estar disponíveis no site do Teatro, no Simpla, e a gente vai divulgar no nosso Instagram, do Calma Urgente, e no nosso site. Então, a partir de amanhã, amanhã entendido como terça-feira, hoje é segunda, que a gente está gravando, você já pode comprar o seu ingresso, e os membros do Clube de Cultura do Calma Urgente têm 55% de desconto. Então, é mais do que uma meia-entrada,

Meia entrada também, para quem se qualifica para meia entrada. Mas quem é membro do Clube de Cultura tem 55% de desconto. Se você é membro do Clube de Cultura, você vai receber o seu cupomzinho de desconto por WhatsApp e por e-mail para ver a gente. E a gente sabe que é no Rio e que o Brasil todo não está no Rio. A gente tem consciência disso, apesar de às vezes parecer que não. Sobretudo por minha culpa e do Gregório. Eu tenho consciência, eu sei.

A gente está estudando maneiras de fazer essas apresentações também fora do Rio. Mas vai depender um pouco de como a gente viabiliza isso financeiramente.

mesmo pra essa bilheteria poder cobrir esses custos que não são baixos, de deslocar todo mundo, de fazer uma apresentação ao vivo. Mas a gente tem valorizado muito aqui no Calma Urgente e achado que isso é uma chave muito importante pra gente sair dessa cilada em que nos encontramos. Essa, como diriam os nossos amigos do Medo e Delírio, essa quadra terrível da história. A gente se vê mais, né? A gente se vê na vida real. A gente se encontrar, a gente criar comunidade, a gente se falar.

É uma coisa que a gente tá tentando estimular no Clube de Cultura. Essas gravações presenciais também

pra isso e a gente vai tentar fazer isso em outras cidades brasileiras e criar outros momentos de conexão com o nosso público do olho no olho. Então a gente espera ver você lá. Vamos lotar esse teatro. Vamos fazer isso acontecer bonito. Vai ser muito legal no Rio de Janeiro no dia 6 de abril. É isso. Compre seu ingresso já. Bruno, mais alguma coisa? O que você tá lendo, Alessandra? O que você tá vendo, lendo? O que você quer recomendar hoje?

Ai, gente, eu tô... Como eu falei pra vocês na semana passada, eu fiz uma maratona de Eduard Luí porque eu entrevistei

Eduardo Luiz semana passada aqui no Rio de Janeiro. Também no mesmo teatro onde vamos gravar. Foi muito gostoso. Então eu li toda a bibliografia do Eduardo Luiz em poucos dias. Já tinha lido alguns, mas não tinha lido tudo. E foi muito legal essa conversa. E agora eu tô lendo um livro da Isabel Allende, chamada Inês de la Alma Mia, que eu ainda tô no início, ainda não terminei, mas já tô amando. Então já estou indicando Inês de la Alma Mia, que é um livro sobre uma figura importante pra história do Chile, o país da Isabel Allende, que é

Inês, a protagonista e também a narradora desse livro. E tá sendo um épico, delicioso, com todas as... todos os marcadores da Isabel Allende, né? Do realismo fantástico, da integração de histórias de família muito longas, ao longo de vários continentes, lugares, e tá sendo fascinante de ler. Eu tô querendo ler mais autores latino-americanos esse ano. É uma coisa que eu me propus a fazer. Eu tenho a sorte de falar espanhol bem, então tô lendo tudo que eu posso no espanhol mesmo. E vou dividindo com vocês o que eu tiver descobrindo

legal. Nunca tinha lido esse. Já li alguns livros de Isabel Allende, mas esse é a primeira. Eu não conhecia. Então, tô conhecendo agora e amando. Excelente. Dá lá, Bruno. Lembrando que no Clube de Cultura do próximo mês, abril, a gente vai ler juntos o fundamental e que é cada vez mais pertinente Realismo Capitalista do Mark Fisher. Então, recomendo que quem não leu, independente de estar no Clube, leia. Mas quem tiver afim de ler junto com a gente,

em grupo, um grupo de muitas pessoas, e a nossa leitura, calmaurgente.com, ainda dá pra se inscrever e fazer parte do Clube de Cultura do Calma Gente de 2026. Você tem acesso a todas as conversas que já aconteceram, que foram três, é por enquanto só, e a partir da semana que vem, aliás, nessa quarta-feira eu e Alessandra estaremos juntos, e a partir da outra semana a gente vai começar a falar do Mark Fischer. Mas o que eu estou lendo, vagarosamente, junto com outras coisas, mas é um livro que eu quero recomendar,

que editores brasileiros considerem publicar aqui no país, mas pra quem lê em inglês, eu acho uma leitura muito reveladora e muito importante, que é o livro Palo Alto, de Malcolm Harris. É um livro grande, o livro mais recente dele. E esse subtítulo parece muito é grandiloquente, mas eu juro, é exatamente sobre isso. É uma história da Califórnia, do capitalismo e do mundo. Que é como esse pequeno pedaço de terra, o vale do silício mesmo, por conta da presença desse material

muito importante para o começo e para o desenvolvimento contemporâneo da ciência eletrônica. É um lugar que, apesar de ele ser radicalmente influente hoje na construção da internet, redes sociais, inteligência artificial e as maiores empresas do mundo instaladas nesse espaço muito pequeno de terra, a história dele no século XX é absolutamente definidora de muito do que a gente interpreta em relação ao colonialismo econômico,

tecnologia militar, desenvolvimento filosófico do capitalismo dos Estados Unidos em direção ao resto do mundo e, basicamente, o contorno que o capitalismo toma a partir da hegemonia não só econômica, mas tecnológica e ideológica que, em grande medida, foi forjada nesse espaço. É um espaço onde, além do desenvolvimento de tecnologia de ponta em parceria com empresas privadas e com financiamento estatal,

essa parceria que se arvora como o máximo do capitalismo liberal, ela quase que inteiramente é financiada em parceria com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas mais importante do que isso, ela é fundida com um pensamento eugenista, com todas essas ideias extremamente perigosas que são base de pensamento fascista no século XX, mas que hoje está se manifestando com outra roupagem.

Então, para entender o seu computador, o rock psicodélico, a mistura do LSD com a internet e a atual edistopia do mundo, esse é um livraço. Eu acho que ele daria meses de conversa só nele. Tem algumas entrevistas do Malcolm Harris que dá para acessar, mas o livro tem um conteúdo imprescindível e é uma história que nunca foi contada dessa maneira. Tem partes que já foram contadas, como a biografia do Stanford,

foi o cara que fundou a Universidade de Stanford, que ainda é a mais importante de ciência da computação, de onde saíram muitos dos bilionários da tecnologia. Mas é uma mistura da história do Stanford com muitas outras coisas. E o Malcolm Harris é um jornalista muito capaz de fazer isso, tem um texto excelente e uma visão claramente crítica. Porque, entre outras coisas, ele foi criado em Palo Alto. Então tem um sabor pessoal também que faz essa leitura

mais saborosa. Que maravilha, Bruno. Quando você terminar, você me empresta? Você me traz quando você vier pro Rio? Trago, trago. Ainda vai demorar, porque ele é longo e eu tô lendo junto com... Tô relendo Realismo Capitalista, tô lendo Coisas Brasileiras aqui na Paralela, tô estudando outras coisas, mas ele tem me acompanhado vagarosamente aqui no meu escritório. Maravilha. Bom, queridos, hoje, como fui eu que abri, sou eu que vou fechar.

Muito obrigada por escutar a gente. A gente volta na semana que vem. Vamos tentar voltar com o Greg. Se não for possível, vai ser mais uma semana sem ele. A gente tá aqui tentando

só uma gravação com ele no meio do backpacking europeu, da Eurotrip. E é isso, né? A gente não sabe se ele vai aparecer ou não vai aparecer pra gravação, porque ele faz isso. Mas a gente vai tentar mesmo assim. Um beijo no coração, gente. Tchau, tchau.

Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes. Ilustrações, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Bruna Messina. Gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E, consultoria de comunicação, Luna Costa.

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