Episódios de Calma Urgente

Encruzilhada Master - Corrupção à Direita, Prejuízo à Esquerda

10 de março de 20261h22min
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Dois juízes do Supremo, dezoito deputados da direita e um empresário entram num bar. Quem vai pagar a conta do Caso Master?

O Clube de Cultura do Calma Urgente de 2026 começou na primeira semana de março. Para participar dos encontros, entrar na comunidade exclusiva e ganhar descontos incríveis, inscreva-se em calmaurgente.com

O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prod e Estúdio Fluxo

Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra

Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo

Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez

Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_

Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha

Na sonoplastia, Felipe CroccoNa Edição de Cortes, Julia Leite

Nas Redes Sociais Bruna Messina

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes

Identidade visual, Pedro Inoue

Consultoria de Comunicação, Luna Costa

Assuntos15
  • Rede de políticos de direita ligados a Vorcaro18 deputados de direita na agenda · Nenhum parlamentar de centro ou esquerda · Doadores de campanha do Bolsonaro e Tarcísio · Fabiano Zettel no grupo de WhatsApp com sicário · Zé Tell e ligação com Lagoinha
  • Ambição e DestinoContrato de 129 milhões com esposa Viviane Barça · Comunicações por mensagens de visualização única · Presença em mansão em Trancoso · Possível aconselhamento legal para Vorcaro · Legitimidade comprometida como juiz
  • O caso MasterBanco Master como pirâmide financeira · Fraude multimilionária · Investidores e fundos de pensão afetados · Custos ao tesouro público · Daniel Vorcaro como operador central
  • Ciro Nogueira e emenda parlamentar do FGCSenador e ex-ministro-chefe da Casa Civil · Tentativa de aumentar teto do FGC de 250 mil para 1 milhão · Impacto estimado de 55-60 bilhões ao Brasil · Proteção de grandes investidores do Banco Master · Melhor amigo de Vorcaro
  • Nicolas Ferreira e uso de avião para campanhaTour de 10 dias em 9 estados durante segundo turno · Pastor Guilherme Batista acompanhando · Não declarado como doação de campanha · Engajamento de juventude · Alega não saber proprietário do avião
  • Operação Lava JatoLava Jato como blindagem de criminosos · Perseguição política seletiva · Diferenças com investigação atual · Medo da esquerda de novo lavajatismo · Necessidade de lucidez na reação
  • Risco de lavajatismo na investigação atualAndré Mendonça como juiz principal · Confiança reduzida no STF · Vazamentos estratégicos para eleições · Poder de indiciar pessoas · Destaque do Senado nas eleições 2026
  • Operação narrativa da direitaFoco no Alexandre de Moraes para desviar · Obscurecer envolvimento da direita · Reframing de bandido para perseguido · Simplificação maniqueísta bem vs mal · Inimigo do Bolsonaro era amigo de Vorcaro
  • Supervisão bancária comprometidaBellini e outro funcionário do Banco Central · Pagamentos e benefícios por vigilância · Disney como suborno para supervisores · Falha na fiscalização do Banco Master · Responsáveis por supervisão bancária
  • Violencia contra JornalistasMalu Gaspar e Lauro Jardim como alvo · Plano de Vorcaro para agredir Lauro Jardim · Ataques às investigações como distração · Vazamentos estratégicos pela PF · Confiança na integridade dos jornalistas
  • EleiçõesEmpate técnico Lula vs Flávio · Lula tinha 20 pontos de vantagem em 2022 · Incumbente tende a crescer em ano eleitoral · Espaço reduzido para erros · Eleição acirrada novamente
  • Risco de Trump e precedente de golpeManual de extrema-direita para retorno ao poder · Trump sem limite no segundo mandato · Possível não reconhecimento de derrota pelo Flávio · Consequências mais dramáticas em 2026 · Engajamento necessário
  • Morte suspeita do sicário em custódiaMorte em cela sem pontos cegos · Suposto suicídio com camiseta · 10 minutos sem vigilância detectada · Questionamento sobre investigação adequada · Membro do grupo de WhatsApp com Zettel
  • Atuação de Lucia na políticaConceito 'é a economia, estúpido' · Transformação da política em performance digital · Identidade política e não apenas análise racional · Afetos e moralidade como determinantes · Eleitorado menos politizado como decisivo
  • Seminário Xandão e evento em LondresPatrocínio de Vorcaro · Desconvite do Joesley Batista · Homenagem a Michel Temer · Veto a participantes · Aprovação prévia de convidados
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Boa noite, brasileiros e brasileiras. É um prazer estar aqui com vocês. Eu sou o Gregório Zubivier e esse é o Calma Urgente. Hoje é segunda-feira, dia 9 de março. E eu queria chamar aqui meus dois parceiros, meus comparsas, meus cúmplices, Alessandra Orofim e Bruno Tartuva. Cúmplices? Cúmplices não. Cumplicidade não é coisa positiva. Eu nego. Não sou eu. Cumplicidade afetiva. Isso.

falar de colupção. Mas deixando claro que todos os crimes do Gregório, a gente não tem nada a ver com isso. Hoje vai falar de colupção. A gente vai falar do estado paralelo. Que semana, não é? Como disse o Capitão Haddock naquele meme. Que semana. Que semana. Que semana nós estamos vivendo. Meu Deus do céu. A gente falou muito por WhatsApp. A gente só fala disso em todos os lugares. Que foi, enfim, não sei nem como resumir. Mas hoje eu vou fazer muito mais perguntas para os meus dois

do que qualquer coisa. Porque eu vou fazer apenas perguntas. Porque perguntar não ofende. Então eu vou começar com perguntas bombas pra vocês. Vou começar pela Alessandra. Não, não. Começa pelo Bruno. Pelo amor de Deus. Perguntas bomba. Vai com o Bruno. Bruno, responde pra mim. Existe alguma chance, sendo sincero, abre o teu coração. Existe alguma chance do Alexandre de Moraes não estar advogando informalmente...

agora ele quer colocar o processo na boca do Bruno. Isso, isso, isso. Perguntar não ofende. Bruno, não responda. Eu como sua advogada. É só uma pergunta. O que eu quero dizer com isso? Ele diz, Alexandre de Moraes, alega que ele não é o Alexandre do celular do Vorcaro. Alexandre esse com quem Vorcaro se comunicava logo antes de ser preso. Como se comunica com advogado. Você vai ser preso, você fala que você é advogado.

E esse suposto advogado, que não tem nenhum relato, nenhum advogado dele que se chama Alexandre, essa pessoa se chama Alexandre no celular dele e só se comunica com ele por mensagens de visualização única, que para mim era uma coisa que servia para nude, certo? Talvez para traficantes também. Aparentemente não, não apenas. Esse Alexandre, você acredita que ele, como Alexandre Moraes diz, não é o Alexandre Moraes? Detalhe, havia um contrato, existia um contrato de fato, um contrato provado, isso aí não é mentira.

Malu Gaspar deu esse furo, parabéns a Malu Gaspar, deu esse furo. Todo mundo se apressou em dizer que era mentira, que era lavajatismo, lembrou do passado lavajatista de Malu Gaspar, que de fato, adoro ela, é um grande jornalista, mas caiu na lábia do Moro, do Deltan, sei lá, na época, então ela existe isso, embora tenha feito meia culpa posterior, mas ela é um grande jornalista, Malu Gaspar, e eu confio plenamente nela, e eu acho que ela, nesse caso, está fazendo um grande trabalho.

E ela, de fato, noticiou antes de todo mundo que havia um contrato de 129 milhões com o escritório da esposa e dos filhos de Alexandre de Moraes.

Ela deu isso. Todo mundo disse que era mentira, que era lavajatismo e tal. Ela estava certa. Esse contrato foi confirmado hoje, na segunda-feira, pelo próprio escritório da doutora Viviane Barça de Moraes. Então, ela estava certa contra esse contrato. Havia um contrato de Daniel Vorcaro com a esposa de Alexandre. 129 milhões. Esse mesmo Daniel Vorcaro, na hora que ele é preso, logo onde ele é preso, ele aciona um Alexandre. Você acha, pelo amor de Deus, me ajuda nisso, Bruno. Existe alguma chance?

dos dois Alexandres não serem o mesmo, o esposo da pessoa para quem ele deu 129 milhões, não ser a mesma pessoa que ele acionou, o mesmo homônimo que ele acionou no dia que ele ia ser preso? Vamos lá. Na minha opinião, que eu não consigo cravar porque eu não tenho todos os dados, todos os metadados, não tenho o celular do Alexandre de Moraes, mas na minha opinião é muito improvável que o que o Alexandre de Moraes está falando seja toda a verdade. Se tem outro Alexandre, se ele cita um Alexandre

numa outra conversa e se refere a um outro Alexandre, eu acho perfeitamente plausível e é possível, não vou a duvidar. Mas eu não acho que nem só o contrato com a mulher do Alexandre de Moraes põe ele numa situação delicada e muito suspeita. Porque tem outras informações nesses vazamentos recentes que comprometem, aí sim, dá pra gente comprovar que o Evorcaro financiou um fórum do Alexandre de Moraes. Um evento que aconteceu no exterior e que o

Alexandre de Moraes vetou a participação do Joesley, que ele aprovava a lista de convidados. Isso está nos vazamentos, entendeu? Então não pode falar que é outro Alexandre que fez um outro. É igual que foi chamado de Seminário do Xandão. Detalhe, ele negou... Outra coisa, quem foi ao resort, a mansão, a mansão do Daniel Vorcário em Trancoso, quem frequentou? Foi outro Alexandre de Moraes ou foi o próprio? Não sei. Ele não falou sobre isso?

Também tem essa notícia. Tem essa notícia. Eu não sei se todas as inferências e as acusações midiáticas que estão sendo feitas ao Alexandre de Moraes vão se comprovar em uma possível e improvável investigação muito aprofunda nele. Porque, vamos falar sério, pegar o celular do Alexandre de Moraes, uma altura dessa do campeonato, não me parece que está no menu próximo de acontecer.

de relação, e a gente já falou isso em outros calmas, que é muito antiética para o que deveria ser uma relação muito mais republicana da família de um ministro do STF com um cara mais sujo do que todos os paus de galinheiro possíveis, entendeu? Com um custo muito acima de qualquer tabela de escritório de advocacia. Quando você conversa a boca pequena com outros advogados, eles admitem claramente de que isso é

muito esquisito, muito suspeito e provavelmente tem a ver com outros interesses que não o mero serviço de advocacia desse escritório, mas ninguém está disposto a falar isso em on claramente. Por quê? Porque é uma acusação séria e porque você vai se indispor com o Alexandre de Amorais, que todo mundo sabe muito bem, é o juiz do supremo mais xerife que a gente tem e ainda bem que teve ele para outros casos. Bruno, eu só vou fazer uma

aqui, porque quando a gente fala em 129 milhões, pode parecer ser meio ingênuo, que caiu, toma aqui 129 milhões e ela não fez nada, nem trabalhou, não. Ela mesmo explicou, tá? 129 milhões, ela mesmo é a esposa do Alexandre de Moraes. Viviane Barça de Moraes. Doutora Viviane do escritório Barça de Moraes. Ela mesmo falou, olha, 120 e tantos milhões, era por tantos anos, e nesses anos a gente já fez 79 reuniões presenciais no Sérgio Banco Master, explicou tudo o que ela fez. Um amigo Rafael Mafei fez uma conta de padrão.

Um ano e meio por enquanto. Em um ano e meio, tá bom, dado esses números que ela deu, tava custando uns 850 mil cada reunião, entendeu? Seria por alto, sabe quanto estaria custando? 85 mil a hora de cada advogado? Sim, é uma coisa, contando que tem 5 advogados na reunião. Então é algo que até para os padrões de advogados de grandes figuras, como Daniel Alvarado, que ganham muito bem no Brasil, ganham cifras milionárias, essa cifra ela é inédita.

explicando que não há possibilidade, sim, há possibilidade porque não existe teto de pagamento para julgado, então não existe a partir daqui é crime, aqui abaixo daqui não é crime, isso não existe, mas existe sim uma imoralidade, algo que não cheira nada bem, concorda? Não. Concorda, Alessandra? Cheira bem isso? Dá para dizer que não cheira bem ou estou incorrendo em algum crime? Já não cheira bem há muito tempo, já não cheira bem desde que a Malu deu esse furo em que ela acertou,

esse contrato entre o escritório da Viviane e o Vorcaro. O que eu sinto desse escândalo todo é que tem dois, pelo menos dois níveis do escândalo, né? Tem a relação Alexandre de Moraes e Vorcaro, e aí tem vários indícios de como essa relação se dava, alguns indícios muito mais fortes e contundentes e com provas, como é o caso desse contrato, que não é com a Alexandra, mas é com a esposa, é com o advogado, com o escritório onde trabalham os filhos e assim por diante.

indícios menos contundentes, mas igualmente relevantes, se eles vierem a se comprovar. As mensagens por celular, e a PF banca a Malu, né? A PF diz que tudo isso é verdade. Então, as mensagens por celular, a presença na casa, no avião, o seminário em Londres, e assim por diante. Então, esse é um plano do escândalo Banco Master. A gente tem esse cara, que era um cara que estava operando um esquema, basicamente um esquema de pirâmide, uma fraude multimilionária, que custou

está custando muito dinheiro ao horário público, que envolveu pessoas físicas, que envolveu fundos de pensão, inclusive públicos, que criou um super problema. E esse cara tinha um monte de figuras importantes da República no bolso e uma dessas figuras vem a ser o Alexandre de Moraes. Isso em si, quer dizer, não sei se ele estava no bolso, mas uma das figuras com quem ele tinha contato e uma relação comprovada era com o Alexandre de Moraes, indireta ou direta. Isso em si é escandaloso por ser o Alexandre de Moraes por várias razões.

principal delas é que o Alexandre se tornou essa figura tão importante na República pela atuação dele nos últimos anos. Então, dele espera-se uma conduta muito ilibada, que talvez tenha sido ingenuidade, sobretudo da esquerda, esperar. Mas o fato é que se tem uma pessoa que não podia estar com um telhado de vidro desse tamanho hoje no Brasil, o Alexandre de Moraes. Porque ele tomou decisões tão consequentes para a democracia brasileira mesmo.

E isso é mérito dele. Ele tomou decisões muito importantes para a democracia brasileira. Que é realmente uma lástima.

lamentar profundamente que ele tenha deixado um telhado de vidro desse tamanho, porque isso vira um problema não só pra ele, pra mulher dele, pra vida dele, mas vira talvez até em maior medida um problema pra República. Porque que o Alexandre de Moraes vai conseguir, com a influência que ele tem, o poder que ele tem, de alguma maneira se desassociar dessa história e sair bem dessa história, eu não duvido, não sei se vai, mas acho que é o mais provável, dado o poder que ele tem. Quem eu acho que sofre muito com essa

é a própria democracia brasileira, mais do que o Alexandre. Porque como ele tomou essas decisões muito consequentes pra democracia brasileira, né? Ele teve uma atuação fundamental no segundo turno das eleições, no sentido de evitar que o Bolsonaro basicamente melasse o segundo turno. Ele depois abriu o inquérito das fake news, que agora a gente tá vendo que, de fato, muito provavelmente é usado politicamente. O Vorcaro se refere ao inquérito das fake news como uma coisa que ele, de alguma maneira, controla.

Ele pode botar uma pessoa no inquérito. E depois a gente vê o Alexandre de Moraes

sindical no inquérito de uma maneira muito estranha. Quer dizer, você tem um monte de indícios que vão minando justamente a legitimidade do Alexandre enquanto juiz do Supremo. E ele usou esse lugar de juiz do Supremo pra fazer muitas coisas importantes pra democracia brasileira. Então, que a legitimidade dele seja questionada é um problema pra democracia brasileira. Isso é, em si, uma dimensão do escândalo. E tem uma segunda dimensão que fica um pouco esquecida ou, de alguma forma, escondida por essa dimensão primeira que envolve o Alexandre, que são todas as

outras figuras da República ligadas ao Vorcaro de maneira também contundente. E aí fica muito óbvio que esse é um escândalo no sentido dessa segunda camada, muito mais da direita brasileira e do centrão do que da esquerda. Então a gente tem aqui alguns dados que eu vou trazer pro início da nossa conversa, porque eu acho que eles podem ajudar a gente a orientar a conversa, né? Um dado importante é que pensando em quem que o Vorcaro tinha na agenda do celular, né? A gente tá com acesso ao celular do

Vorcaro. Então, isso é uma informação que a gente tem. A gente tem alguns deputados e ex-deputados federais que aparecem na agenda do celular do Vorcaro. Todos eles. Especificamente os 18. Então, a gente tem 18 deputados e ex-deputados que aparecem na agenda do aparelho. Todos são ligados a partidos de direita e ao campo bolsonarista. Todos os deputados e ex-deputados que estão na agenda do Vorcaro são de direita. Não tem nenhum. Nenhum que não seja. E só rapidamente, sem querer te

cortar muito. Quase todos eles têm muitas declarações públicas ante Alexandre de Moraes. Então isso pra você ver o caráter meio pivô que o Evorcaro tinha na nossa república, de reunião com o Lula, tipo relação com o Alexandre. Mas os maiores inimigos do Alexandre de Moraes, vários deles estão no mesmo celular que está comprometendo o Alexandre de Moraes. Então assim, meio rouba essa atenção

o mesmo que a gente poderia estar colocando na direita brasileira. Claro, que é muito escandaloso, gente. Eles são doadores de campanha do Bolsonaro. O Fabiano Zettel é o maior doador de campanha do Bolsonaro. E do Tarcísio. E do Tarcísio. Então, só pra gente continuar, né? Só pra gente formar esse quadro total. Todos os deputados e as deputadas federais que aparecem na agenda são de direita e de extrema direita, que aparecem na agenda do Borcaro.

O principal operador que estava no grupo de WhatsApp do Borcaro com o seu sicário, né?

o PM que fazia as ações mais violentas do Vorcaro, ou que recebia as ordens, o capanga dele. Essa figura, a figura mais política que estava presente nesse grupo de WhatsApp com o capanga do Vorcaro é o Zé Tell, que é essa figura ligada à Lagoinha, igreja que, por sua vez, tem uma ligação forte com o Nicolas Ferreira, e que foi o maior doador de campanha do Bolsonaro e do Tarcísio. Então, esse é o segundo grande ligação entre a extrema-direita e o Vorcaro. E, até agora, que a gente saiba,

O único parlamentar, a única figura política que usou a infraestrutura física do Banco Master, o avião do Vorcaro, pra fazer campanha eleitoral em 2022, foi o Nicolas Ferreira. Não tem outra. Ele não emprestou o avião pra deputados de esquerda ou do centro até. Ele emprestou para o Nicolas Ferreira, que diz que não sabia que era do Vorcaro. E mesmo que a gente acredite nisso, o fato é que foi o único que pegou o avião do Vorcaro emprestado pra fazer campanha eleitoral. Então a gente tem uma segunda camada do escândalo que é totalmente direita.

Vai lá, Greg. Perfeito. Não, só sobre o Nicolas, rapidamente. Ele, ao justificar isso, ele comete um lapso, na minha opinião. Ele fala assim, vamos supor, por exemplo, que um zagueiro do Atlético Mineiro vai pegar um avião jatinho do Vorcaro também. Ele é obrigado a saber que o dono do avião fez algum rolo. Quando ele chama de rolo o que o Vorcaro fez, ele está, obviamente, mostrando algum comprometimento. Que é o mesmo cara que só fala em propinoduto, em maracutaia, na maior falcatrua que já existiu.

existiu, quando se trata do Vorcaro, ele fala ele fez um rolo, é um rolo que o Vorcaro fez pra Nicolas Ferreira, ele sem querer, ele entrega o ouro ele entrega o ouro, que ele acha que aquilo que o cara lá fez, que é o parceiro de BH, inclusive amigo do Zé, tem uma ligação uterina, senão não estaria, você não pega emprestado um jatinho de uma pessoa que você não conhece, porra, ninguém vai doar um jatinho, custa caro pra cacete, a parte mais cara de uma campanha, não vai nem saber quem era, então ele obviamente tem essa relação uterina e manda logo assim, eu não tenho

Não tem como saber se ele fez um rolo. Um rolo é bom demais, mas pode continuar. Não, acho que é muito bom você apontar isso, Greg, porque realmente as palavras revelam muitas coisas, né? Mas é isso, também é importante lembrar que não é que o Nicolas pegou uma carona no jatinho uma vez. Isso eu até acreditaria que ele não sabe de quem é. Tá ali, precisa sair de uma cidade pra outra no meio da campanha, aparece alguém que fala, ah, tem aqui um avião que tá indo, ele te dá uma carona, você vai. Entra aí. Entra aí. Não.

O pastor Guilherme Batista, que é ligado também à Lagoinha. E eles fizeram um tour durante o segundo turno ao longo de dez dias em várias, pelo menos nove estados. Engajando juventude. Engajando juventude. Então, isso é... Primeiro que, assim, o fato disso não ter sido declarado como doação de campanha em si é um escândalo, porque isso é uma doação de campanha. E o Nicolas Ferreira alegar que ele não sabia quem era o dono do avião que ele tava usando pra fazer não uma viagem, mas um tour ao longo de dias

estados da União mais o Distrito Federal durante a campanha eleitoral, mostra que ou ele é completamente incompetente e não tem nenhuma condição de exercer um cargo como de deputado federal, porque uma pessoa que não se informa sobre isso realmente tem um problema, ou que ele tá mentindo, evidentemente, que é o mais provável. Então, assim, eu tô dizendo isso porque eu fico muito preocupada, a gente abriu falando do Alexandre de Moraes, e é evidente que o escândalo envolvendo o Alexandre de Moraes é muito preocupante.

E acho que a pior coisa que a esquerda pode fazer agora é exatamente o que ela está fazendo. Não toda a esquerda, mas certas

dentro da esquerda, né? Tentar desqualificar a Malu Gaspar, tentar não acreditar na história, falar que, ah, mas tá muito bem esse contrato, tá tudo certo, advogado cobra caro mesmo, é a gente minimizar o escândalo envolvendo Alexandre de Moraes. Isso é a pior coisa, porque é o mínimo de coerência, gente. Isso é um absurdo e quanto antes a esquerda, de maneira unificada, denunciar o absurdo, melhor. Isso dito, eu fico preocupada porque, como o Alexandre de Moraes virou anemesis lá do Bolsonaro, eu tenho medo disso ser,

da história ser o inimigo do Bolsonaro era o amigo do Vorcaro. Quando, na verdade, os melhores amigos do Vorcaro são os melhores amigos do Bolsonaro. É isso que a gente tem no escândalo hoje colocado. Perfeito. E tem ainda um no seu quadro que você pintou, muito bem pintado, tem ainda um dado, que é o BC do Campos Neto. Era no Banco Central do Campos Neto, que tinha algumas figuras-chave, como duas, pelo menos, o Bellini e um outro lá, com cargos de indicação, com cargos altíssimos, dentro do Banco Central.

que foram, no mínimo, coniventes. Inclusive, tem citação nas conversas a pagamentos a Bellini. Inclusive, um deles é bem curioso, que é tem que pagar a primeira parcela da Disney do Bellini. Ou seja, teoricamente, tá? Alegadamente, pelo amor de Deus, supostamente, foi o Vorcaro que pagou a viagem pra Disney. Ou seja, ele teria subornado, teria subornado o sujeito do Banco Central, adulto, um homem crescido, barbado, provavelmente calvo, pra ir pra Disney. E foi isso. São dois caras.

Para mim, é o que deixa a colupção mais engraçada, mais cara de colupção. É realmente o fato que o Vocalo pagava o servidor do Banco Central com viagens para a Disney. Não é só o servidor, né, Greg? É importante colocar. Eles são os dois caras responsáveis pela supervisão bancária, que é exatamente o que ele precisava para não ser fiscalizado ou perseguido e, mais importante, é responsabilizado pelas suas falcatruas. E isso que a lei estava colocando,

muito importante, e eu acho assim, a gente vai falar aqui, não vai adiantar muita coisa, porque a esquerda faz o que ela quiser fazer, mas que essa defesa do Alexandre de Moraes, a crítica, já criando a narrativa de que é tudo uma nova Lava Jato, de que a Malu Gaspar está cometendo crime, estão acusando ela disso, tá? Calma lá. A gente esquece de uma outra coisa. O Alexandre de Moraes sempre foi um político da direita. A esquerda virou fã dele,

afinidade biográfica, ideológica, porque ela nem lembra de outras coisas que o Alexandre de Moraes fez e representa. Mas é que ele fez o trabalho importantíssimo que não foi de viabilizar as pautas de esquerda ou as causas progressistas do país. Foi simplesmente ter enfrentado com a força da caneta dele uma tentativa de golpe de Estado e uma tramóia golpista. Foi isso que ele fez. Mas sem esquecer que ele foi o ministro indicado,

Em um golpe de Estado. Diferente do que o Bolsonaro tentou fazer. Mas um golpe parlamentar. Um golpe feito na cara de todo mundo, que foi um golpe ítima. Entendeu? Então, assim, a nossa memória não deveria ser tão curta como o campo. O Alexandre de Moraes pode ter feito um trabalho e fez um trabalho importantíssimo, que tem que ser defendido, como o trabalho que ele fez. Não como o autor do trabalho que foi feito. Porque o que ele fez com o Bolsonaro,

me parece impecável do ponto de vista constitucional. Isso deve ficar, isso deve parar em pé por conta própria. Mas o autor disso não necessariamente é uma pessoa que tem que ser defendida com unhas e dentes, como se ele fosse o próprio candidato que vai derrotar o Flávio Bolsonaro esse ano, que é o que a esquerda estava fazendo, amarrando o Alexandre de Moraes culturalmente com o Lula, que é um erro tático, estratégico,

pra esse ano incomensurável. É o que o Flávio precisa, entendeu? Fala assim, ó, tá vendo? O cara que a gente sempre falou que tava tentando ajudar o Lula prendeu meu pai injustamente e olha quem a esquerda tá defendendo. Olha quem é o herói deles. Muito bem lembrado, Bruno. É muito importante isso. Ele é um político, sempre foi, que pertence muito mais ao campo do Vorcaro, do Temer e do Sino do que do nosso. Ele era secretário de segurança.

Exatamente. Do estado de São Paulo. Do Alckmin. Do Alckmin, é verdade. Do nosso vício. Mas do estado do nosso vício. Tem toda razão, Bruno. Agora você me pegou. Eu não queria lembrar. Ele era o cara, Bruno. É o que você disse. Do Alckmin. Mas ele é um cara... Ele era o primeiro... Era do Alckmin do mal na época. Não, mas sem brincadeira. Ele era o cara que tava cortando... Bruno, ele era o cara pra gente que tava cortando pé de maconha no Paraguai.

Sim, empurrada na rua, Greg. Imagina. Pelo amor de Deus, que batia a vez. Mandava a polícia bater. Respirei muito gás na polícia dele.

Respirei gás da polícia do Alexandre. Um cara que nunca esteve ao nosso lado. É bom lembrar que eu fui ao circo voador protestar contra a sua indicação, tá bom? Tem vídeos disso, vídeos de quais eu já me arrependi e hoje me desarrependo. O desarrependimento é uma prática brasileira também, sabe? Se desarrepender é muito importante. Eu já me desarrependi daqueles vídeos, eu tô inclusive exumando eles, eu tinha pedido pra apagar do YouTube, agora eu tô trazendo eles de volta. Eu avisei. Não, mas sem brincadeira, eu avisei. A gente nunca se deslumbrou,

É importante falar isso, sim. Sempre tivemos um pé atrás gigantesco com esse sujeito e muito justificado. Mas o escândalo, na verdade, ele é, talvez, o Alexandre Moraes é a parte mais chocante, mais vultosa até pelo valor, mas ele esbarra, na verdade, não direto todas as esferas públicas, mas muitas esferas públicas. E, claro, ele também poupa outras, não é? E isso é muito importante lembrar. As pessoas que não entraram nele, a revelia do próprio Vorcaro.

E é o caso, por exemplo, do Haddad. É importante lembrar que Haddad foi assediado.

não respondeu, que é mínimo que se espera de uma pessoa do Ministério da Fazenda. Então, ao que parece, também tiveram pessoas que resistiram a isso, é o caso do Haddad, e realmente, esse governo, é bom lembrar, é um escândalo muito mais da oposição, muito mais do Ciro, muito mais do Hugo Mota, esses sim, citados como estando presentes, inclusive na casa do próprio Borcado, mais de uma vez, e aliás, que bom, por um lado, eu tive sentimentos mistos, claro, quando divulgou mensagens íntimas dele com a mulher, porque não é para divulgar mensagem íntima,

Pelo amor de Deus, uma coisa que não tinha nada. Muita coisa ali não tem a menor relevância. Por outro lado, ele confessa tudo é para ela. E acho que isso diz muito para o tipo de pessoa que ele era. Ele confessa tudo para a namorada, no caso. Porque a namorada pergunta e ele vai entregando, entregando, entregando. Então também se não fossem essas conversas, a gente não teria acesso às revelações todas. Porque tem que checar, claro.

Tem que ter menos indícios. Poucas linhas de investigação que se abrem com essas mensagens a mais. Traem muita coisa.

Ali dele, não é? E, cara, é uma loucura, porque eu fico bem moralista, gente. Não moralista em relação às mensagens íntimas, não. Moralista em relação aos gastos. Porque quando eu vi, uma das coisas que me deixou muito chocado é a quebra de despesas da festa de noivado dele. Que custaria 200 milhões. Ele cancelou logo antes, pagando sei lá quantos milhões pras pessoas que ele não conseguiu. De multa, exatamente. Que ele não conseguiu cancelar tempo. E nessa festa, tem entre, acho que 11 milhões do Coldplay. Coldplay.

adoro, que é 11 milhões de Coldplay, 1 milhão David Guetta, 200 mil os DJs, tem muitos DJs que você não conhece, em geral custam uns 200 mil euros, DJs que você não conhece. E 39 mil euros pra orquestra sinfônica da Itália. Aí você vê assim, caralho, um DJ tá levando o valor de 5 orquestras, cada orquestra tem 50 pessoas, tá? Sei lá. 5 orquestras sinfônicas da Itália. Imagina a gente levando a Osesp. Talvez fosse da Sicília.

Ele tava na Itália. Ele tava na Itália, na Itália. Tudo isso é na Itália. Mas assim, a vida do artista, né? É uma merda. O cara estuda uma vida inteira. Ele tem que carregar o violoncelo dele, eventualmente. Tem que carregar pra cima e pra baixo da Cecília. Pra tocar pra um banqueiro, obviamente, suspeito. Pra tocar o que? Sabe? Carregar na volta, depois volta, estuda, estuda, afina o instrumento, troca a corda, que é o que ele tem que pagar, que é a corda no instrumento da Caribe. É o universo de uma vida sofrida pra ganhar. Um duzentos avos.

de um DJ que chega lá, bota o foninho e dá um play. I wanna celebrate, celebrate and dance for free. Caralho. Tá sabendo a música, hein, Greg? É essa que toca em festa de rico? Cara, o Greg, eu gosto das coisas que deixam o Greg mais chateado. Elas nunca são óbvias. Isso me aquece no coração. Isso daí me pegou demais ali. Porque eu fiquei olhando... É uma corrupção cultural, né? É. É uma corrupção civilizatória. Isso é um sintoma, isso é um sintoma muito bizarro.

É muito bizarro. Você entende o sintoma? Eu entendo. Eu entendo perfeitamente. Caralho. Eu lembro quando a Rihanna foi fazer um show na Arábia Saudita pra algum sheik. Eu não sei nem se foi o MBS mesmo. E foi um escândalo que ela se vende pra esse tipo de coisa. Meio que essa é a nossa versão do nosso Petrodollar, né? Coldplay, David Guetta. Mas, Greg, você ia falar que o que te chocou foram os gastos da festa. Não é só por causa da orquestra sinfônica. Ah, eu falei da orquestra.

geral, me deixou meio moralista, assim, do tipo, cara, um cara que gasta 200 milhões numa festa, ele não tem que cair numa malha fina, imediata? Até menos, tá? Tô brincando, não. Esse cara, tipo assim, já não era muito óbvio que ele era filantra, desculpa, supostamente filantra. A gente tava discutindo essa pauta antes de entrar aqui pra gravar com vocês, pessoal, e a Luísa Miguez, que faz nossa apuração e nossa checagem, então se a gente falar besteira, a culpa é dela, ela nos trouxe um dado importante, que eu não conhecia isso, mas

Ela nos contou que na Noruega e na Suécia, há mais de 200 anos, toda a renda, basicamente o imposto de renda, não existe sigilo pro imposto de renda, né? Existe sigilo bancário, mas a declaração de imposto de renda de todas as pessoas físicas é pública. Então, você sabe quanto todo mundo ganha, que é um mecanismo de transparência, mas também um mecanismo pra aumentar, talvez, o custo social do privilégio, né? É a babar dos seus filhos, saber o quanto você ganha.

Então, se você estiver pagando ela, uma coisa que é completamente incondizente, muito miserável,

sobretudo em comparação ao quanto você mesmo ganha, ela ter essa informação. E isso ser uma coisa acionável, você vai criando um custo social pra desigualdade mesmo, e pra desigualdade obscena nesse nível, né? Um pouco de vergonha na cara, que chama, né? Você vai criando vergonha na cara. Isso que você tá descrevendo, Greg, é um pouco parecido com você ter acesso ao imposto de renda de alguém obscenamente rico. Porque você infere que se alguém tá gastando 200 milhões numa festa de noivado, quanto que deve ser a renda anual dessa pessoa? E aí, o lado moralista é um pouco esse mesmo, que é, não existe

Não tem jeito muito limpo de se ganhar dinheiro suficiente pra ser razoável gastar 200 milhões numa festa de noivado. Não tem. É extrativista de qualquer maneira. Se for por fraude, esquema de pirâmide, obviamente é o extrativismo que é criminoso. Mas existem muitas formas legais de extrativismo que são igualmente obscenas e amorais. E acho que a gente precisa falar disso mesmo, socialmente. Nem toda forma de ganhar dinheiro é razoável ou válida. E isso vai ficando ainda mais evidente quando se trata de muito dinheiro.

as pessoas que ganham muito, mas muito dinheiro, também são as que têm mais poder de decisão sobre não ganhar mais um centavo. Elas poderiam hoje falar, não quero mais, já ganhei tudo. Então, todo o dinheiro que a pessoa tá ganhando a mais é realmente por escolha. Não é preciso pagar as contas, preciso alimentar meus filhos. Não, e não só por escolha, né? E acho que vem daí o seu ultraje moral, né? E não só por escolha, eu acho, né?

Tem uma coisa que pra mim é muito óbvia que tem dois níveis. Um é cultural mesmo, que assim, isso é a tradução de uma cultura bilionária hoje em dia, que a gente fez até

um calma disso, que é um tipo de ostentação que o casamento do Jeff Bezos representa, que é uma coisa que cruza a sociedade toda. Que a pessoa de classe média, classe média baixa, classe alta, rico, meio que almeja a mesma festa, que vai ter o mesmo DJ, o Coldplay, tudo é o mesmo código e quem pode, banca e faz. E acho que grande parte da corrupção dele, dessa sede que ele tinha, e nas mensagens com a namorada dele, isso se revela e acho relevante, que não é a coisa sexual, mas a coisa dos valores dele,

ele está se exibindo, ele está ostentando para ela que tipo de reunião ele teve, eu encontrei com essa pessoa e eu palestrei para o presidente, eu falei para os ministros, o Alexandre me ligou. Quer dizer, tem uma ostentação que vai do macro ao mico para os amigos, que é porque ele está fazendo isso. E outra que é um problema claro, que assim, se a pessoa tem 200 milhões para fazer uma festa, independente de como ela conseguiu, pode ser legal o que ela fez. Mas o ponto é, ela está pagando muito pouco imposto.

isso pra fazer festa, cara. Dá esse dinheiro pra sociedade. Não tá sobrando dinheiro no país. Se você tem condição de gastar 200 milhões na Itália, dá esse dinheiro pra cá. A gente precisa. Tem rua pra tapar buraco, tem escola pra fazer. Tem orquestra sinfônica aberta. Tem escola sinfônica brasileira precisando de 200 milhões. E tem, assim, literalmente, cara. A gente com fome, caralho. Então, assim, paga a porra do imposto. Isso é um ponto, né? Que acho que todo esse esquema meio

revela duas grandes disfunções pra além da corrupção em si. Do sicário, das propinas que ele paga, que revela um pouco como é que o Brasil ainda funciona. E é isso aí, né? A gente vê, a gente vê. Mas tem as coisas que não são crimes, mas são imorais. Que é o que tá muito colocado na base e no fim disso. Perfeito, Bruno. Porque tem algo que me incomoda muito numa certa argumentação, que eu acho muito cara de pau, embora legalista, acho que ela faz algum sentido do ponto de estar legal, mas acho que tem uma certa má-fé, que é dizer,

por exemplo, que você não pode proibir a esposa de um ministro do Supremo de exercer a advocacia. Isso daí pra mim é um argumento que tem uma fé mesmo, porque ninguém nunca propôs isso. Esposas, ministras não podem ser advogados. Filhos, ninguém nunca falou isso na vida. Agora, óbvio que tem que haver uma transparência. É óbvio que quando está ganhando 129 milhões, talvez o nome disso não seja honorário. Talvez seja suborno.

Talvez, tá? É óbvio que... Não é razoável. A gente falou muito dela, mas só pra diversificar. O filho do Lewandowski. O filho do Lewandowski tava levando 5 milhões, tá? Alegadamente, supostamente. É porque ele é um puta advogado que vale 5 milhões? Por acaso ele é filho do Lewandowski? Por acaso. Por acaso. Mas 5 milhões é pelo talento, pelo brilho que ele tem que vale cada real dos 5 milhões. Será? Será mesmo? E o cliente importa muito. E o cliente importa muito. E esse é o ponto.

essa ostentação e estilo de vida que ele tinha, ele precisava de blindagem no alto escalão da justiça brasileira. Então não é que uma corporação contratou ele pra ter acesso, pra pagar, porque veja bem, é o modelo de negócio da corrupção do Vorcaro é enfiar dinheiro grosso no alto escalão da justiça brasileira. Ele fez isso. Sem querer de novo tirar o foco da justiça pra jogar em outras esferas da república, mas o escândalo envolvendo o judiciário, ele é escandaloso, mas ele não é o único escândalo.

E ele é, de fato, muito mais esse mecanismo que o Vorcaro encontrou pra evitar que os outros escândalos virassem BO, né? Mas ele tá tentando comprar o judiciário, falando bom português, porque ele tem alguma coisa outra que ele está fazendo e ele não quer problemas no judiciário em relação às outras coisas. E aí tem outros elementos do vazamento recente que iluminam, né? Que dão mais insumos pra gente entender essas outras atividades.

entre ele e a Marta, a namorada, é quando eles falam sobre a relação dele com o Ciro Nogueira. E que ele apresenta pra Marta Greff o Ciro Nogueira como um dos meus grandes amigos da vida. Então ele fala muito do Ciro, da relação com o Ciro. Só pra quem não acompanha tanto, lembrando quem é o Ciro Nogueira. Ciro Nogueira é senador pelo Piauí, ele é filiado ao PP e ele foi, acho que é a parte mais importante da biografia, o ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro.

ele é um senador muito ligado ao bolsonarismo. E muito poderoso, muito importante. Um operador muito poderoso no Senado em si. No Senado. E tem outros envolvimentos curiosos, né? Então, a revista Piauí, por exemplo, mostrou a relação do Ciro Nogueira com o dono de uma empresa de bete que, por sua vez, patrocina grandes páginas de fofoca no Instagram. Ciro Nogueira, ele tem aí suas digitais em vários universos, inclusive na informação. Mas ele fala isso do Ciro e depois ele vai comemorar

emenda parlamentar, na verdade, o Ciro tinha enfiado uma provisão numa outra emenda, numa PEC, na verdade, que tinha sido proposta pelo Ciro. Vamos olhar o que era essa emenda, tá? Ela não passou, aliás, graças a Deus. O Ciro simplesmente apresentou uma emenda pra aumentar a garantia do FGC, que é o Fundo Garantidor de Créditos, de 250 mil reais pra um milhão, tá? Então, basicamente, o Ciro chegou lá e falou, olha, eu vou fazer com que o FGC garanta os investimentos

num teto maior, esse teto de um milhão. Isso é extremamente valioso para o Banco Master. Por que o Banco Master estava fazendo naquele exato momento? Ele estava vendendo títulos garantidos pelo FGC, quer dizer, garantidos pelo FGC até o teto de 250 mil, prometendo um retorno muito acima do mercado. E, obviamente, ele não conseguia dar esse retorno, então o esquema começou a afundar justamente porque esse retorno prometido não era viável fora do que é basicamente um esquema de pirâmide.

Caso o FGC tivesse sido obrigado pelo Senado a aumentar o seu teto de garantia de 250 mil para 1 milhão, o que teria acontecido é que os grandes investidores, aqueles que apostaram muito dinheiro em títulos vendidos pelo Banco Master, teriam sido ressarcidos ou estariam sendo ressarcidos nesse momento pela totalidade dos seus investimentos. O teto de 250 mil... Aumenta o seguro do cheque sem fundo. É. O teto de 250 mil é para proteger o pequeno investidor.

Aquele cara que coloca ali 50 mil no Banco Master, meio desavisada, toda a poupança da vida dele, para ele não perder tudo.

se der merda, o FGC garante. Um milhão, você já não é mais um pequeno investidor. Você já tem muito dinheiro. Ainda mais na sociedade brasileira, como ela está estruturada. Então, a ideia era fazer isso. Alguns analistas fizeram um breve cálculo de quanto teria custado para o Brasil, quando o Banco Master quebra, né? Quanto teria custado para o Brasil caso essa emenda tivesse sido aprovada. Ou seja, caso o teto de garantia da FGC tivesse subido de 250 mil para um milhão. E o prejuízo estimado é entre 55 e 55%.

bilhões de reais, que é simplesmente metade do patrimônio do FGC. Basicamente, se o Ciro Nogueira tivesse conseguido o que ele queria, o que ele propôs, o que ele operou pra tentar conseguir, ele teria quebrado o Fundo Garantidor de Crédito do Brasil pra proteger o Banco Meister e os investidores no Banco Meister. É isso que teria acontecido. Isso só não aconteceu porque o relator da PEC na época não topou, que aliás é um senador do PSDB,

do Amazonas, se não me engano. Que falou, não, a gente não vai fazer. Falou, calma aí, não é bem assim. Tem limite. Tem limite aqui pra pouca vergonha. Mas isso foi o que o Ciro Nogueira tentou fazer, gente. Esse cara, aos piauíenses que nos ouvem, vai ser candidato à reeleição, esse ano, no Piauí. E essa pessoa era referenciada pelo Vorcaro como o seu melhor amigo da vida. E foi ministro-chefe da Casa Civil do Bolsonaro. Tentando dar, basicamente, um golpe de 60 bilhões.

de reais em nós, entende? No fundo de garantidor de crédito do Brasil. É uma loucura. E aí entra um problema gigante pra eles também. E aí você vê também como o Bolsominion, o bolsonarista médio, não tô falando de todo mundo que votou nele, mas como ele é gado mesmo. Que é o seguinte, era pra eles estarem muito mais furiosos com o caso Master. E não estão. E não estão por um motivo. Porque ninguém tá mandando eles ficarem. E tem um motivo pra isso.

O Ciro Nogueira quer a população revoltada com o Banco Master. Entendeu? E mais, não só

ele. Até o Ciro, o outro Ciro, que hoje em dia tá próximo do Nogueira, tá? Porque os dois Ciros hoje em dia tão próximos, tão meio cupinchas. O Ciro Gomes, nessa aproximação dele da extrema-direita, ele acabou ficando próximo e foi lá, encontrou o Nogueira, o Omone, o Chará. Ele quer? Ele tá revoltadíssimo com isso? Mas ele vai romper com o Nogueira. Porque não tem como você ficar revoltado com o Alexandre de Moraes e não ficar com o Ciro Nogueira, que tava articulando pelo Congresso pra...

Entendeu? Ou você vai romper com o teu novo cupincha e com essa extrema-direita que você tá,

querendo desesperadamente o apoio, ou então você vai ficar quieto, assim. Então, você vê que eles estão num puta dilema. Um dilema seríssimo da extrema-direita. Que é assim, cara, você, pra ficar revoltado com o Alexandre de Moraes, você tem que romper com o Ciro Nogueira, com o Hugo Mota, claro. Você tem que romper com o Nicolas, e o Zé, e a Lagoinha, tá? Tem, e não tem. Porque coerência não é o forte dessa turma. Então, a operação narrativa que tá se tentando fazer na direita,

justamente não ter que fazer isso que você está dizendo, né Greg? É poder ficar puto com o Alexandre de Moraes e denunciar a suposta corrupção do Alexandre de Moraes sem no fundo lembrar do porquê que o Vorcaro estava tão interessado em ter grandes aliados no alto escalo no judiciário. Que era para acobertar os crimes que ele estava cometendo com a anuência desses políticos de direita que estavam ali tentando passar emenda parlamentar para defender esse modelo de negócios.

Ciro Nogueira é esse que há um mês atrás estava dando entrevista para a Jovem Pan falando que o Nicolas Ferreira

é presidente da república e que ele é um dos maiores líderes da direita no Brasil são essas pessoas, entende? é muito louco e realmente, você tem razão acho que se não tivesse se eles não tivessem afundados até o peito na lama do Vorcaro eles estariam muito mais animadinhos com o escândalo e botando seu gado na rua mas o fato é que eu temo que no final das contas o que vai ficar de manchete na cabeça das pessoas e que leem rapidamente que olham as notícias rapidamente

que tem as notícias filtradas pelo algoritmo e tal, é Alexandre de Moraes igual mal, igual bandido. E se Alexandre de Moraes igual bandido, então Bolsonaro igual santo, porque quem perseguiu Bolsonaro foi Alexandre de Moraes. Essa é a operação matemática simples, sabe? Quando a coisa é muito mais, obviamente, complexa do que isso. E que num ano de eleição que vai ser curto, que já tá passando rápido, tem Copa do Mundo, tem um monte de coisa acontecendo, tem guerra, tem um monte de coisa que tira a nossa atenção

detalhes, isso importa muito. Que eu acho que fica nessa narrativa mais simplista de bem contra o mal, de campo ou é contra campo e de duas identidades que estão se degladiando nessas urnas. E aí é isso que eu acho que o nosso campo precisa ser muito, muito, muito lúcido, calmo antes de reagir a esse tipo de coisa. Porque sendo solidário com quem está preocupado com uma lava jato nova, eu entendo de onde isso vem e acho que existem coisas que já estão colocadas que são extremamente preocupantes e perigosas mesmo. Que é o fato

de que agora o juiz que está com o caso na mão é o André Mendonça. Alguém aqui confia nele? Alguém aqui acha isso aqui? Ele vai ser o xandão da direita agora. Porque ele é o cara que tem as verdades na mão, ou o campus dele, ou da Polícia Federal, que podem ter outros alinhamentos, tem o poder de vazamentos estratégicos, táticos, de indiciar pessoas, de quebrar sigilo de pessoas, que produzem melhores efeitos nos resultados dessa eleição. Então tem que ter esse olho

vivo mesmo. Tem que ter uma desconfiança muito grande para que rumo essa investigação tomar se o juiz principal é um cara extremamente evangélico do Bolsonaro. E o STF é o centro de uma disputa nessa eleição. Não é à toa que o Senado tem sido anunciado desde que o Bolsonaro estava na Paulista sabendo que ia ser preso, falando que era o lugar mais importante que eles tinham que vencer nas eleições de 26, porque é o órgão que pode derrubar

ministro do STF, né? Então, assim, Alexandre de Moraes, Toffoli, esses caras que potencialmente estão envolvidos nisso, com um Senado de direita verdadeiro no país bem organizado e mais forte, impeachment rápido, e caso o Flávio seja o presidente, é uma reforma profunda no nosso STF. Então, isso é uma coisa que tem que ficar de olho no que, qual o papel do André Mendonça nisso? Que, novamente, confio muito menos até do que o Toffoli, que é um cara que, tipo assim, você sabe o que eu acho do Toffoli.

Pra você ter uma ideia de onde é que eu boto o André Mendonça. Mas o fato é que ele fez uma coisa que o Toffoli tava blindando. Ele botou esses arquivos disponíveis novamente pra Polícia Federal. Tipo, ir pra CPI, pra poder ir as vias de fato. Mas o meu ponto é, a gente tem que estar atento a isso, mas sem cair nessa arapuca de seu campo que vai defender a não investigação disso.

que vai ser o campo que vai ficar falando é perseguição, é perseguição, é perseguição. E, na narrativa simples, fica parecendo que, o quê? Que, novamente, a esquerda petista está defendendo o corrupto, está defendendo o safado. Então, é uma operação difícil de fazer, porque ela demanda aprofundamento de uma narrativa simples, mas ela é possível de ser feita se a gente parar de ficar achando que o problema é Malu Gaspar e o Lauro Jardim. Pelo amor de Deus, gente.

Entendeu? Porque são essas pessoas que estão sendo atacadas. São essas pessoas que estão sendo atacadas publicamente. E aí, lamento informar, a esquerda faz com que o Alexandre seja mais saboroso que o Ciro, porque a polêmica se instala em torno dele e do jornalismo que está sendo feito e não do escândalo em si. Então, assim, isso é muito sério desse ano. E é isso, o André Mendonça não é de confiança, mas, assim, ele desbloqueou o caso. Cara, exatamente, Bruno.

Tem uma coisa que me incomoda um pouco, que é quando falam de cálculo político, por vários motivos. Eu entendo perfeitamente que a gente não pode demonizar o cálculo político, você tem que ser muito ingênuo para achar que a justiça está fora de algum cálculo político. Inclusive, o brilhantismo do Alexandre Moraes em 1922 foi justamente fazer um cálculo político, não só jurídico, mas entender que, por exemplo, se ele cancelasse as eleições ali como os bolsonaristas queriam, ao fechar as estradas, ao melar, eles queriam melar as eleições.

Ou ele fez um cálculo ali e falou, não, isso aqui não vai mudar muito tantos votos, não,

de seguir bola pra frente, ninguém entendeu. Muita gente ficou pedindo, cancela as eleições, adia. Não. Seguiu, fez um cálculo, matou no peito. E as eleições aconteceram de modo justo e limpo. E aquilo foi um certo cálculo em algum lugar político. A preventiva do próprio Bolsonaro, ele fez cálculos políticos por meses. Bem feitos. Exatamente. Então, dito isso, a justiça, ela é um cálculo político. Ela tá dentro da política, é isso que eu quero dizer. Dito isso, eu acho uma loucura pensar nisso ao ver o que é

enfim, o caso Alexandre de Moraes, e achar que é importante a gente fazer um cálculo político de poupá-lo. Isso que eu quero dizer. Porque o preço da democracia não pode ser 129 milhões de reais. Entendeu? Não é assim que funciona. Tem que ser mais baratinho? Tô brincando. Tem que pechinchar. Pechincha. É menos que uma festa do Evorcaro na SCI. Pois é, gente. Não paga nem a festa. Eles devem ter visto aquela festa e falavam, amor,

que cobramos pouco, hein? Eu falei pra você ligar pro Coldplay, perguntar quanto que tava o show, porque eu acho que tem alguma coisa aí. O que é mais importante, né? Ver o Coldplay ou estar solto para ver o Coldplay? Exatamente. Não, mas tem algo mesmo de, assim, esse cálculo político, mesmo fazendo cálculo político, vale mais a pena largar a mão do Alexandre de Moraes ou não? Primeiro que é um cálculo muito louco de se fazer nesse sentido, quando tem um caso tão gritante, óbvio, de corrupção. Quer dizer, desculpa, não é gritante, óbvio, não?

antes que me processem. Um caso que supostamente, pelo amor de Deus... Sussurrante de corrupção. Sussurrante. Obrigado, Bruno. Um caso sussurrante de suposta corrupção. Mas, cara, é óbvio que abraçar esse cara, que nem é do nosso campo, exatamente, que foi indicado pelo Temer, que era secretário de Seguridade de São Paulo, que era esse cara... Homenageado do Seminário Xandão, tá? O que que foi homenageado? O Temer. Ah, foi homenageado no Seminário Xandão, ainda hoje. Em 2025,

2020 alguma coisa, não sei. Tá. E por isso que o Joesley foi desconvidado, inclusive. Sim, por causa do Temer. Tem que cancelar isso aí. Ah, que a Luísa falou. Foi isso, cancelou, falou assim, tem que cancelar esse aí. Vai ter climão, vai ter climão se o Joesley vier. Será que o Joesley ficou chateado ao ver essas notícias de saber que... Acho que agora deve estar aliviado que não foi pro evento, né, o Jo? Mas enfim, só dizendo que assim, essa coisa de ninguém solta a mão de ninguém, gente, pelo amor de Deus, entendeu?

do Alexandre de Moraes, nunca nem dei a mão. Até porque, gente, deixa eu falar uma coisa. O Alexandre de Moraes não precisa dar mão das lideranças midiáticas da esquerda pra se resolver, entendeu? Ele tem outros aliados. E você sabe o que ele tem? Ele não precisa da mídia progressista brasileira. Ele tem a caneta do STF. Ele tem o corporativismo gigantesco. Ele é o sigilo mais difícil de arrebentar do país.

Então assim, ele tá ótimo, o Alexandre de Moraes. Ele tem muito dinheiro pra a defesa dele também, se ele precisar. Mas pobre Greg, ele queria concluir, a gente não deixou, Bruno. Não, não, é isso. Você matou, é isso. Eu acho que tem algo ali, a gente fala assim, olha, bicho, pelo amor de Deus, isso daí não é, não é, tem nada a ver com isso não, pelo amor de Deus, entendeu? E realmente não temos, não é alguém que tá filiado ideologicamente, mesmo que estivesse, tá? Mas não é alguém.

E o que é louco pra mim é isso, sim. A esquerda tem tanto medo de... Aquela coisa de cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, né? Tanto medo de lavajatismo, que vê um lavajatismo onde não há... No sentido de... A cobertura midiática da Malu Gaspar não tem nada de lavajatismo. Lavajatista, curiosamente, é precisamente juiz que combina a sentença com, sabe, com um criminoso. Juiz que blinda políticos. Foi isso que o Lava Jato fez. Blindaram o FHC pra não...

deixá-lo melindrado. Vamos lembrar que o Moro falou isso? Então, é precisamente isso que a justiça faz. Ela tem um viés ideológico, blinda certos lados e tal, ela combina sentença, ela recebe um dinheiro por fora. A Lava Jato é isso, essa união empresarial mediática jurídica. Então, o Lava Jatismo está muito mais presente no caso Master, aparentemente no Xandão e nessa turma, nessa grande blindagem, do que na Malu Gaspar, que está fazendo jornalismo investigativo, que não tem nada de Lava Jatismo, do que na indignação popular contra a corrupção, que não é Lava Jatismo.

Lava Jatismo não é uma indignação contra a corrupção. Não. Lava Jatismo é um grande megazord jurídico, midiático, empresarial, bilionário de blindagem. Para blindar criminosos. É isso que é Lava Jatismo. Foi isso que o Moro fez. Eu concordo contigo muito. Mas tem uma outra parte que às vezes a linguiça é cobra. Que é o fato de que não é porque a gente está admitindo a pertinência das investigações e das suspeitas.

que não há um risco de um lavajatismo, porque parte do lavajatismo é uma blindagem. Mas a outra, que foi a mais ofensiva para o nosso campo, a perseguição. E houve perseguição. Houve o uso eleitoral descarado para tentar derrotar um campo político e eleger outro. E foi muito bem sucedido nesse ponto. O Sérgio Moro foi totalmente instrumental para o Bolsonaro poder ser presidente. Mesmo que a intenção dele original não era provavelmente pôr o Bolsonaro lá,

Era para um tucano, ele mesmo e tudo mais. Mas o fato é que a perseguição política e o atropelo e a acusação e o conluio com a imprensa foi real. O vazamento seletivo no JN. Então tem um trauma que quando você vê o JN indo para cima, eu sei que essa galera fica vendo cobra onde pode ter cobra. Não é necessariamente linguiça. A gente não sabe qual é aquele objeto roliço ali na moita ainda. Bem, mas esse é o meu ponto. A gente não pode gritar linguiça antes de saber.

a Zé grita cobra antes de saber o que é. Por isso que a gente não pode ter uma reação crítica igual a gente teve a Lava Jato. Uma por quê? Quando a Lava Jato estava no seu auge, a maneira como a esquerda se posicionou foi taticamente errada. A gente não soube operar na comunicação pública em reação a Lava Jato em tempo real. Mas agora a situação é delicada de uma outra maneira, porque o Lula não está sendo investigado. Entendeu? A direita está sendo investigada.

e ninguém está blindando a direita. Então há um cálculo tático muito diferente dessa reação traumática. Mas eu admito, há um risco real desse escândalo ser operado para cair no colo da esquerda nessas eleições. Então tem risco lavajatista aí. Existe um risco lavajatista, sobretudo na percepção pública do escândalo. Só que a melhor maneira de fazer com que esse escândalo cheire a um escândalo da esquerda

esquerda preocupada com o escândalo. Entende? Para alguém que não está acompanhando o caso, se você só está acompanhando as reações ao caso, é um pouco aquilo, né? Inimigo de inimigo meu é meu amigo. Se você vê um campo oposto ao seu muito preocupado com alguma coisa, você vai achar bom. Então, para quem está um pouco indeciso, não segue a cobertura política no detalhe, não vai saber dos meandros, não vai entender que o Ciro Nogueira tinha apresentado uma emenda que favorecia o Vorcácio,

não viu ele falando que o Ciro era o melhor amigo, não sabe do jatinho do Nicolas, só tá olhando a coisa de longe, vê expoentes da esquerda preocupados e falando, meu Deus, lavajatismo, é a melhor maneira de concluir, simplesmente por associação, que esse é um escândalo ruim pra esquerda, quando ele não é, repito. Todos os deputados e ex-deputados na agenda do Vorcaro são de direita, foi o Nicolas que pegou o jato emprestado pra fazer campanha eleitoral, não foi nenhum deputado, nem de centro, foi o Nicolas, e apenas ele, pelo menos que a gente saiba,

agora, né? E o melhor amigo é o Ciro Nogueira. O maior doador de campanha do Bolsonaro e do Tarcísio foi o Fabiano Zettel. O maior doador de campanha do Bolsonaro e do Tarcísio tava no grupo de WhatsApp com o PM que era o Capanga, entendeu? Pra quem o Vorcaro dava instruções de bater em gente. Bater em pessoas. Então, assim, é isso. Quem tinha que estar dando explicações é o Tarcísio. Cadê a explicação do Tarcísio? Qual é a

da ligação do Tarcísio com o Zetel. Que história é essa do Zetel em grupo de WhatsApp chamado A Turma, com o Sicário que, aliás, cometeu suicídio. Misteriosamente. Me explica isso aí. Alguém sabe me explicar? Eu não sei explicar, mas antes de tentar explicar, eu vou só falar de um detalhe, aliás, desse grupo de WhatsApp A Turma em que tinha o Zetel. De novo, grupo de WhatsApp. Caralho, o Zetel tava na turma, é? Com poucos membros, era um grupo com quatro, cinco pessoas. Uma delas era o Zetel. E a outra era o Sicário, o Capão,

do Vorcaro que cometeu suicídio sob custódia da polícia. E nesse grupo, a gente aqui criticando o Malu Gaspar, criticando o Lauro Jardim, nesse grupo você tem o Vorcaro falando pro seu Capanga que ele quer que ele dê um sacode, pegar tudo do Lauro Jardim. Ele fala, abre aspas, esse Lauro quero mandar dar um pau nele, quebrar todos os dentes num assalto. É isso que tá sendo... Essa é a hora de tocar jornalista. Essa é a hora de defender jornalista.

gente, vamos defender os nossos jornalistas, porque olha só sobre o que eles estão, é muito grave, é muito grave. Então, e essa morte, eu acho que vale também uma investigação um pouco melhor, vocês concordam? Essa morte é muito suspeita. Ao que parece, ele ficou 10 minutos se matando numa sala que não tem pontos cegos. Não sim, porque não é fácil se matar com uma camiseta, eu imagino. E a sala não tem pontos cegos, justamente é o que comprova que ele se matou.

Por outro lado, se não tem pontos cegos, ele estava filmado durante 10 minutos, não havia ninguém assistido

qual o sentido de filmar se não tem ninguém vendo? Eu vi alguém teria dito, a polícia teria dito que as pessoas que veem as câmeras também fazem outras coisas. Eu me pergunto o que? Se é hobby, se elas estão, sei lá, é um emprego parcial? Deve ser mega precarizado. É isso? Não, estão vendo série ao mesmo tempo, tem um outro emprego, é tão precarizado assim que a pessoa está lá vendo as celas ao mesmo tempo, ela também está, é relatora da polícia, sei lá, eu queria entender. Porque, cara,

Alguém tinha que estar vendo isso, durante 10 minutos não vem que uma pessoa está se matando, sabe? Enfim, claro que isso levanta suspeitas, porra. É uma das muitas coisas que ainda estão para se esclarecer, e assim como todas as coisas que eles fizeram de verdade, porque eu imagino que essa turma, que tem uma pessoa que se chama Sicário, Sicário é assassino, basicamente, um sinônimo de assassino, enfim, de sangrento. Muita gente, inclusive, falou que é assassino em espanhol, não é em espanhol, é em português, é que é uma palavra meio moribunda, mas em português existe essa palavra Sicário, embora se use mais em espanhol,

É o que faz o trabalho sujo mesmo, né? Exatamente. Mas um trabalho sujo, mas sicário, por isso que eu acho que é importante, que sicário não é um faz-tudo, um trabalho sujo de ordem apenas suja, ilegal, criminoso. Não, tem a ver com assassinato, tem a ver com sangue, sicário. E assim, também tem outra questão aí que é bem importante também da gente lembrar de que maneira que o judiciário funciona não só no alto nível, mas no nível um pouco mais baixo mesmo, que é, não sei se foi o

é Mourão ou outro cara que estava nessa lista aí. Mourão é um sicário. É um sicário Mourão, mas tem um outro, né? Tem um outro cara que é um PM mesmo. Enfim. Um deles, eu sei que tem uma lista de crimes e de mandatos em cima dele enorme. De crimes violentos, de crimes financeiros, de todo tipo de crime. Ele não foi preso. Ninguém sabe muito bem como ele escapou desses mandatos e desse crime todo dele. O que também deixa tudo muito suspeito e a gente sabe como

isso funciona, que tipo de blindagem o sistema auto consegue oferecer pra esse tipo de pessoa que presta o serviço criminal pra essas elites e políticas. Então é um tipo de criminoso que tem blindagem, que ele é protegido pra poder cometer esses crimes em nome de quem pode mandar e pagar, por exemplo, um milhão por mês pro cara. Um milhão por mês. Um salário razoável pra um cara perseguido pela justiça brasileira de ser pago. E, de novo,

no grupo, importante frisar isso, o Zetel. Eram quatro pessoas. Pastor da Lagoinha. Dois capangas, o Vorcaro e o pastor da Lagoinha, maior doador privado pro Bolsonaro e pro Tarcísio, relacionado com o Nicolas. Mas tem algo na direita que ela é meio teflon, né? Não importa que seja pastor envolvido, não importa. Ninguém fala assim, ah, porque pastor é foda, pastor evangélico é tudo bandido. Você não vai ver isso, né? Se tiver uma

pessoa que é primo de alguém, diz que os petistas, é tudo bandido, é um grande petralha. Entende? Tem alguma coisa muito louca que faz com que nunca, nunca, é sempre um caso à parte. Seja o Zé, não importa, que é da Lagoinha, uma igreja gigante do Nicolas, não importa que eles estejam metidos até o pescoço. Tem algo que eu acho que tem a ver com cara de pau mesmo, com eles nunca se advogarem muito como... Se bem que se advogam como éticos, sim, então eu não sei explicar.

Mas, cara, que momento. O fato é que realmente deve estar muito mais difícil, era pra estar muito mais difícil

a Tarcísio e o Nicolas, do que pra Lula e a Dade. Isso aí com certeza, né? Porque, enfim, não precisa explicar porquê. Não tem dinheiro físico na conta de nenhum deles. Ligado, ninguém é dono jatinho, não vai pra cá. E as pesquisas não estão indo muito bem. Então, e aí vamos terminar falando disso, porque assim, caralho, o que que tá acontecendo com as pesquisas? No sentido que os números, eu diria que estão, não diria excelentes, mas estão muito mais pra bons, né? Desemprego baixíssimo, inflação muito contida, assim, o poder de compra,

aumentando, isenção de imposto pras pessoas mais pobres, dá pra continuar. A escala 6x1 sendo votada, talvez, enfim, o governo lutando por isso. Um monte de dados muito populares mesmo. Aliás, palmas pro pessoal da licença paternidade. Paternidade que conseguiram aprovar. Conseguiram aprovar palmas pra essa gente aguerrida e maravilhosa conseguiu. É uma lei progressiva ainda, né? Começa cinco dias desse ano. Ano que vem são dez, depois quinze, enfim. Essa é a grande conquista da sociedade civil e, sobretudo, dessa polícia.

os deputados que fizeram essa campanha, Samia, Glauber e tantos outros que conseguiram aprovar. Enfim, nesse governo, com esse congresso, licença paternidade. Enfim, são muitas causas muito populares mesmo e dados de economia muito favoráveis. E o pessoal que diz que é economia estúpido, não é? Você sabe o que eu acho disso, né, Greg? Eu amo sua frase. Fala de novo, Bruno. No fim, é a estupidez economista. Eu acho que a gente vive sob esse dogma, esse meme ridículo que foi forjado nos anos 90 por um estrategista de campanha

do Bill Clinton, que é, funciona, ele é verdade, mas o mundo muda, a cultura política muda. E se a gente testemunhou alguma coisa na nossa geração, de frente, a gente pegou esse tsunami na nossa cara, é a transformação de como as pessoas se relacionam com a política e com o voto delas a partir da era da informação, a partir das redes sociais, do perfil, da transformação da política em uma performance digital pública, em novos meios

comunicação e novas produções de discurso que vão organizando identidade de outra maneira que não é a análise fria que as pessoas faziam da política se está caro ou se é barato. Evidente que isso pesa. Pesa da gasolina, pesa. Picanha, pesa. Mas o que pesa mesmo que a economia tinha mais influência no passado, que não é que as pessoas pensavam no voto assim, quanto custa a carne na época do Collor? Quanto custa no Itamar? Quanto custa no Lula? Vou votar em quem custava menos. Não é isso.

era capaz de produzir de sensação subjetiva nas pessoas. As pessoas estão otimistas e se sentindo bem em ser brasileiro ou não estão. E a economia tinha um peso, na minha opinião, maior no passado. Você conseguir fazer uma compra de supermercado um pouquinho melhor ou ter uma dívida um pouco menor, não sei o que, era muito suficiente para você ter uma sensação boa na sua vida pública, na sua vida como cidadão. Isso não é verdade mais. Isso é um dos fatores. Claro que uma economia,

é colapsada, vai cair na conta do presidente, não tenha dúvida. Uma economia é pungente, o salário é bombando, vai também. Mas nenhuma coisa nem outra está acontecendo. Os nossos índices positivos não são índices que estão se revelando extremamente positivos na base. Mas outras dimensões da nossa vida determinam essa sensação nossa de mal-estar, de ansiedade, de infelicidade, de medo de segurança pública e de paranoias e de identificações

que são criadas em outras esferas, como essa produção de é discurso, quem associa o quê com a corrupção, com família, com pautas morais e pautas culturais. Então, nesse sentido, não dá para achar que se o Lula... O Lula achava que isentar o imposto de quem ganha menos de 5 mil ia ser um passaporte da alegria. E não é bem assim em 2026. E esse é o problema de achar que é economia estúpido. Porque tem uma coisa que é um tipo de estupidez mesmo,

Completamente dominando a maneira como a gente está falando publicamente sobre política. E que, na minha opinião, sustenta um pouco o que você estava perguntando antes. Que é de que maneira que esses caras conseguem ser moralistas, vistos como bastiões anti-corrupção e escândalos na cara de é todo mundo. Porque tem um componente de estupidez na maneira como os nossos campos estão analisando o seu próprio campo. E é isso que eu defendo, que pelo menos o nosso campo não seja estúpido.

na maneira como a gente se expressa sobre a política. Certamente, eu acho que não dá mais pra resumir com uma maneira que a gente resumiu no primeiro ano do governo Lula e é o problema de comunicação. Esse era um clichê. Acho que ele não sabe se comunicar. Eu acho que o governo Lula tá se comunicando bem hoje em dia. Acho que ele teve uma mudança gigantesca na estratégia de comunicação e tem se comunicado com muita eficiência mesmo.

Eu acho que melhorou, mas não tá se comunicando tão bem. Nas redes sociais e tal. Então, eu não acho que seja simplesmente comunicação, não. Eu acho que tem algo maior mesmo, que tem a ver mesmo com isso que você falou.

acho que com identidade quase. Tem essa impressão de que cristalizaram suas identidades. Então a pessoa se identifica como de direita ou de esquerda. Isso é um pouco comunicação. Mas quando a gente fala que ele melhorou na comunicação, eu acho que é numa superfície de comunicação. Tem feito os vídeos melhores de Instagram. Ok. Tem reagido melhor a uma notícia negativa. Tem trabalhado melhor com memes. Mas eu acho que quando a gente está falando de formação de identidade, produção de...

é discurso, é um pensamento mais profundo que a comunicação representa. De qual maneira você vai conseguir desarmar essa pessoa no coração dela, em uma identidade moral que essa pessoa tem, como é que você fala com o aspecto religioso dela para além da igreja dela, que não é puxar saco de evangélico e rezar com um pastor com a mão na sua cabeça, mas quais são as estruturas morais e discursivas que as pessoas estão operando. E eu acho que a comunicação do nosso

governo ainda está nessa superfície de conteúdo. E conteúdo não vai resolver. Eu acho que tem um outro processo mais profundo de comunicação que a gente não consegue nem falar sobre bem ainda. E a direita consegue. Não porque ela é consciente perfeitamente disso, mas ela está operando nesse nível emocional e moral, raivoso. Ela está mexendo mais com os afetos do que com os argumentos. E a gente não. A gente é ruim de dialogar com o afeto. Enfim, acho que a primeira coisa da gente todo mundo lembrar,

quem está nos ouvindo lembrar também, é isso. As últimas pesquisas mostram basicamente um empate técnico entre o Flávio e o Lula. E comparando com o 22, em 22, nesse mesmo momento da campanha, ou seja, em janeiro, perdão, já estamos em março, né, gente? O tempo está passando um pouco rápido. Mas no primeiro trimestre de 22, o Lula estava 20 pontos na frente do Bolsonaro. E esse espaço foi só diminuindo ao longo da campanha. Ele estava 20 pontos na frente do Bolsonaro nessa época? Estava.

pontos na frente. Tá, mas só, desculpa, o Bolsonaro tava na presidência. Claro, o Bolsonaro era o incumbente. E o incumbente tende a crescer no ano de eleição. Exatamente, e o Bolsonaro fez um uso da máquina pública muito descarado, né, durante o ano eleitoral pra tentar angariar voto. Então, é claro que hoje o Lula é o incumbente, então ele tem outros recursos que ele não tinha na campanha lá atrás, mas o fato é que a gente teve na campanha de 22 uma diminuição muito

desse espaço entre Lula e Bolsonaro, a ponto de, no final das contas, vamos lembrar, o Lula ganhar por 2 milhões de votos. Então foi uma eleição muito, muito acirrada. Me preocupa muito a gente não estar com esse espaço hoje. Ainda que o incumbente tenda a ganhar mais terreno durante o período eleitoral, a gente não tem espaço para perder nenhum voto. E a gente precisa ganhar alguns. E aí tem um tanto desse eleitorado que já é completamente capturado,

dos dois lados. Então, que não vai mudar de opinião. Não interessa o que acontecer. Aconteça o que acontecer. Mesmo que apareça a foto do Daniel Forcaro abraçado com Flávio Bolsonaro na Itália durante uma festa de 200 milhões de dólares com uma mala de dinheiro para o Flávio. Não vai mudar. Na loja da Copenhagen e da Cecília. Na loja da Copenhagen e da Cecília, exatamente. Nada vai mudar. Mas tem um eleitorado que é mais indeciso. Que tem o drama do nosso...

sociedade mais polarizada, e aí sim eu concordo com os críticos da polarização, de que tem um problema para a democracia, é que, no fundo, as eleições são decididas por ali um percentual muito pequeno do eleitorado. E que, no caso do Brasil, tende a ser um eleitorado menos politizado, justamente. Porque é justamente esse que tem menos filiação política a priori, cuja principal identidade não é política. Se você é mais politizado, você tem uma identidade política mais fixa, mais difícil de mudar. E a pessoa que não se constrói socialmente, na sua

pública, nas suas amizades, nas suas relações familiares, a partir da política. A política não faz parte desses cálculos. É menos custoso também mudar de ideia politicamente. Você não brigou com o tio, não parou de falar com o pai, você não postou foto no Instagram sobre política. Não foi a política que guiou tudo isso. Então é mais fácil mudar de ideia. Esse eleitorado menos politizado e, portanto, mais flexível, ele é cada vez menor.

Tem um lado que é interessante. A sociedade brasileira se politizou mais. Muita gente diria que isso é saudável. Mas tem um lado que a gente

tem um eleitorado muito menor em disputa e que tende a formar a sua opinião de uma forma também mais superficial no que tange o noticiário político. Então, o que a gente vinha dizendo agora, né, de que o que vai ficar desse escândalo vai ser um resumo de duas linhas e se o resumo for esse é um escândalo à direita, isso é uma coisa, se o resumo for Alessandro de Moraes era mesmo um bandido e o Bolsonaro tinha razão de dizer que ele era um bandido, que parece que esse vai ser o resumo pela cobertura hoje,

mesmo está falando do assunto, isso é muito ruim para o Lula e para o campo de uma forma geral, isso atrapalha muito. E a gente está falando de diferenças muito diminutas de votação, potencialmente. Então eu estou super preocupada, acho que vai ser uma eleição muito difícil. Acho que o nosso campo tem um desafio gigante que é, a gente tem em muitos lugares do campo, muitas decepções com esse governo, com esse mandato específico do Lula, que eu acho que são decepções razoáveis de se ter.

Foi um governo que não entregou em várias frentes que a gente esperava que ele entregasse. Por outro lado,

a gente tem agora um momento em que esse é o candidato que temos, novamente, e que a possível vitória do outro lado, ela é ainda mais dramática do que ela era em 22, eu diria, tá? Porque a gente tá vivendo um outro momento de mundo, a gente tem um Trump na Casa Branca, a gente tem todo um manual de como voltar para o poder como extrema-direita e se vingar dos seus opositores políticos, que é exatamente o manual que tá sendo aplicado pelo Trump, que a gente tem toda a razão de acreditar que seria aplicado também pelo Flávio. Então, eu sinto

hoje muito menos energia no campo progressista pra campanha, por conta desses desgastes, dessas decepções. Também, em parte, porque o campo também reconhece tudo isso que você falou, né, Greg? Que a economia tá indo razoavelmente bem, tá tudo mais ou menos bem, então parece que não é necessário fazer tanta campanha. Mas, na verdade, a gente tá muito mais perto de perder do que a gente tava em 22. A gente tá muito mais empatadinho, muito mais justinho.

E as consequências, caso o campo perca, e aí eu tô falando de um campo democrático lá do censo, são muito mais dramáticas. Então, a gente precisa de muito mais energia.

Esse vai ser um ano em que a gente vai ter que se implicar muito mais nessa disputa, porque ela tem consequências potencialmente muito mais graves pro Brasil, e a gente tá com muito menos chance de ganhar. Essa que é a real. Para, Alessandra, para. É verdade. Eu concordo completamente, acho que parte da falta de entusiasmo, acho que você matou a Charanda bem, a gente tá distante do governo Bolsonaro, a gente tava com trauma, a gente tava com raiva, a gente foi pra rua pra ganhar.

A gente tava com ódio, o ódio é muito mobilizador. O Lula tinha acabado de ser solto, então havia uma narrativa heróica, assim, incrível, né, que a gente foi derrotando o Bolsonaro devagar e sempre,

final a gente ganhou por muito pouco. Agora, eu acho que tem uma outra parada aí que eu acho que é importante da gente dizer, que eu tô chocado o quanto que a esquerda ainda tá em negação. Da possibilidade de perder. Pro Flávio. É. Escuto todo dia a gente falando, não, não, não, relaxa. A rachadinha quando vê a tua... Tipo assim, aonde vocês estão? Tipo, que mundo vocês estão? Parece o Partido Democrata na última eleição, achando que tava na mão a Câmara.

Parece muito o Partido Democrata na última eleição. Parece muito o Partido Democrata. Assim,

Fazendo todos os erros previsíveis de arrogância, de achando que é só explicar, que agora vale, que o candidato é muito mais fraco do que ele era em 16, o pessoal já entendeu. Não é bem assim. E eu tô chocado com uma outra coisa que devia acender um alerta muito grande no nosso campo, que é a rapidez vertiginosa que o Flávio foi aceito pelo liberalismo que se diz de centro no Brasil. É a Folha fazendo a editorial.

do Paulo Guedes, de todos os economistas do país, chamou Paulo Guedes pra dar uma força com o Flávio. Pra domesticar o Flávio. Pra domesticar o Flávio. Dessa vez o cachorro louco a gente vai conseguir pôr uma coleirinha que vai funcionar. Dessa vez vai. Não, e o Flávio, ao contrário do Bolsonaro, ele é do meio. Tipo assim, ele é o Bolsonaro... Ele é profissional. O Flávio é o profissional. O Flávio é o cara que enriqueceu o patrimônio pra caralho. O Jair enriqueceu também. Mas o Flávio é o cara da Copenhague. É o senador.

que sabe lavar dinheiro, enfim, que alegado é supostamente... Que tudo indica que... Não, eu nem acho que ele sabe bem fazer isso, mas o que eu acho dele, que é onde eu acho que o centro liberal brasileiro, o que se considera centro, que não admite que é de extrema-direita, que está normalizando o Flávio, é porque eles veem nele um cara que dá para conversar. Um cara que ele é filho, mas ele já está no Senado, ele é amigo do Ciro, ele sabe conversar, ele já consegue pegar um talher, ele não usa dois,

ele usa um, assim, ele já, ele tá aqui e vai fazer o trabalho que precisa ser feito. Porque essa galera é louca e burra. De novo, não entender, do mesmo jeito que o nosso campo se comporta como partido democrata e tá em negação, esse centro também tá em negação. A Folha também tá em negação de que esse cara vai se beneficiar de um Paulo Guedes do lado dele. Como se o Paulo Guedes não fosse o... É vão papem, mas enfim. A Folha não entendeu nada ainda.

A gente não entendeu uma outra parada, que a gente vai ter que ganhar, e seria bom ganhar bem do Flávio. Por quê? Porque o Flávio não vai reconhecer o resultado de uma derrota dele com o Trump na presidência. E esse Trump, não o Trump do primeiro mandato, esse, que está sem limite nenhum, que provavelmente vai tentar emelar a própria eleição dele na mesma época. Então, assim, o cenário precisa de engajamento e de consciência

muito, muito clara, muito forte e muito tática, que é o que eu não estou vendo o nosso campo reconhecido como esquerda, é fazer. Bem preocupante. Muito preocupante. E com isso, nos despedimos. Leituras? Leituras, falar aqui rapidamente, de Domenico Starnoni, que me conhece, maravilhoso. Nem é novo, não, mas saiu via Jemito, que é muito triste, não é tão denso. Para quem não entrou ainda, recomendo começar pelos segredos, pelos laços, pelas assombrações. São livros curtos e deliciosos que vocês vão ler em dois dias.

é assim, é maravilhoso. Você te pega na primeira página, o Starnoni, pra quem gosta de Helena Ferranti, por exemplo. Pra quem gostou de Veronese, do Colibri, lembra muito. E é uma delícia. Como os italianos contam bem a história, né? Tem uma tradição de contar a história que te pega pelo pescoço. É foda. Caralho, o Starnoni é foda. Tô obcecado, escolhi já o quinto ou sexto. E não paro. Ah, e um detalhe também que... Ah, não tá aqui. Ah, Todavia lançou, ao mesmo tempo, aliás, em que a Antofagia lançou,

Graciliano Ramos, dois livros diferentes, Angústia, Dantofágica e São Bernardo, pela Todavia, dois livraços em edições lindas. São Bernardo, não tá aqui que eu tô lendo antes de dormir, tá lá no quarto. Ele é uma delícia, tem um prefácio lindão do maior gracilianista que tem, que é o Tiago Miasala, se eu não me engano, com o pós-fácio do Antônio Cândido, um livraço, um clássico numa edição linda, São Bernardo, e Angústia, não comecei ainda, mas a edição Dantofágica também é belíssima. Eu acho que tudo isso é porque caiu em domínio público o Graciliano Ramos.

que talvez os nossos maiores escritores, talvez até, com certeza os maiores, talvez o maior, que só não ganhou o Nobel pra provar que o Nobel é uma palhaçada. Depois da Maria Corina, tipo, aposenta o PM. Exatamente. Eu tô numa imersão Eduardo Luí, porque eu vou fazer uma conversa com o Eduardo Luí, que tá vindo pro Brasil. Ele vem aqui pro Rio de Janeiro no dia 17 de março e a Todavia, que a editora dele no Brasil, me convidou pra fazer essa conversa.

conversa pública com o Eduard Luiz, esse escritor maravilhoso, jovem, francês, eu já tinha lido três livros dele, mas não tinha lido os outros, e aí a Todavia me mandou todos, e eu passei os últimos dias lendo um atrás do outro, tô completamente apaixonada, já amava, mas ler eles, assim, um depois do outro, e muitos são curtinhos, né, então é uma leitura muito fácil de você encadear uma atrás da outra, assim, tem sido fantástico, e realmente uma reflexão muito, é muito linda a literatura dele, além dele escrever deliciosamente bem, e ser muito gostoso,

ou ler o que ele escreve, a maneira como ele mistura manifesto político com literatura sem nunca ficar panfletário, mas também sem medo de falar de política e de fazer análise sociológica mesmo dos personagens, das circunstâncias nas quais eles se encontram e como aquilo vai moldando os horizontes de possibilidade, mas ele mistura isso com um texto muito refinado. É muito lindo, é muito inspirador. Então, estou muito animada para essa conversa no dia 17 com o Eduard Louis e muito feliz de estar lendo toda a bibliografia. Eu recomendo especialmente para quem ainda não leu o Eduard Louis,

começar com Quem Matou Meu Pai, que é um livro muito curtinho, e que pra mim é um dos mais fortes dele. E aí emendar já no Monique Se Liberta, o Quem Matou Meu Pai é sobre o pai, o Monique Se Liberta é sobre a mãe. Então é uma boa maneira de ter uma introdução nessa constelação familiar do Edouard Louis. E aí seguir depois pelo Desabamento, que é sobre o irmão dele. Então são três que eu acho especialmente maravilhosos, mas o Greg deve ter outros preferidos, que eu sei que ele também é fã de Edouard Louis. Mudar o método é muito bom, mudar o método é lindo.

não tem nenhum livro ruim não, agora acabou de fazer a história da violência só vou discordar dele que ele deu uma traulitada na Helena Ferranti essa semana desnecessária mas em defesa dele eu não acho que foi enfim, foi desnecessária mas foi num contexto em que estavam indagando sobre a Helena Ferranti e a Nierneau, enfim, e ele tem o direito de ter o gosto literário dele mas dizer que é literatura de adolescente é clara implicância, nunca leu porque nunca leu, não tem como, não é de

adolescente. Tem mil problemas. Pode achar chato, pode achar adolescente. Mas eu adoro ele. E também literatura de adolescente não necessariamente é literatura ruim também. Tem esse detalhe. Até porque alguns dos melhores escritores do mundo escreveram enquanto adolescentes. Exatamente. Coisas belíssimas. E por acaso o Eduard Luiz, muitos adolescentes amam. E acho que uma das coisas mais legais dele é que eu conheço adolescentes maravilhosos que amam.

Mais do que Helena Ferrante, certamente. Então eu acho que a crítica não é uma boba. Ele sabe fazer críticas melhores, com certeza. Ele é genial. E você, Bruno?

me diga. Bom, vou fazer o nosso jabá, porque estou relendo agora pela terceira vez. Estou relendo Realismo Capitalista, que é o livro do nosso próximo mês, do mês de abril, do nosso Clube de Cultura do Calma Urgente. Então, quem já leu o Vivo Povo Brasileiro, que foi o É desse mês, que está sendo o É desse mês, livro maravilhoso. O próximo é bem mais fino, mas um livro muito pertinente, muito relevante para quem está no clube,

não está no clube. Acho que é um livro meio básico para a gente ter a conversa sobre cultura e política e psique e depressão. E o momento que a gente vive é uma análise maravilhosa e muito fundamental. Estou relendo ele para o nosso clube. Então, inscrições ainda estão abertas. Quem quiser fazer parte dessa conversa e ler e assistir muitas outras coisas, calmourgente.com. Faça parte da nossa turma.

lendo um livro que eu não vou recomendar, que é um livro muito pesado, louco, eu tô estudando um pouco... Não, eu tô... Eu recomendo... É porque eu tô lendo sobre um assunto. Eu tô estudando um assunto com vários livros ao mesmo tempo. Então, eu tô lendo um livro pesado e tal, que é sobre eugenia, sobre a história da eugenia, com vários artigos diferentes, que eu acho que é um tema que a gente deveria se debruçar um pouco mais.

A gente quer abordar no Clube de Cultura. Eu acho um elefante na sala da cultura política do mundo, assim, inacreditável. O quanto que a gente não percebe

porque até os eugenistas não se reconhecem como tal, mas os argumentos eugenistas estão difundidos na sociedade hoje. A gente precisa dessa chave muito clara. Mas o que eu amei essa semana foi ter visto Hamlet. Não tinha visto ainda. Eu e Laila assistimos ontem. Eu amei. Eu achei um filme maravilhoso. Pode dar Oscar para a Jessie Buckley. Ela é foda essa mulher. Ela arrasou num nível muito, muito forte. E achei um filme corajoso, uma direção impecável.

assim, a direção muito original, muito forte mesmo. Feminina também, a coisa. Extremamente feminina e muito direta, muito emocional, mas também muito seca. Muito difícil pra quem é pai, pai e mãe, de ver esse filme, mas realmente fazia tempo que eu não chorava vendo o filme, eu chorei bastante. Então, pra quem quiser, Oscar no próximo, é domingo, vai Wagner, vai Kleber, vai a gente, é secreto. Mas pra atriz, eu tô torcendo pra maravilhosa Jessie Buckley. Boa. Prazer falar com vocês, gente. Um prazer, queridos.

Beijo. Até a próxima segunda. Ah, aliás, não. Eu não vou estar semana que vem, tá? Gente, eu vou passar umas duas semanas de férias. Férias só do Calma Urgente. Eu vou estar numa longa turnê pela Europa. Turnê do Céu da Língua. Vamos fazer umas 15 cidades aí. Então eu não vou estar aqui com vocês. Vou ficar com saudades. Mas eu já já volto. Daqui a pouco eu tô de volta. E um beijo grande pra vocês todos e pros meus amigos Bruno e Alessandra. Até já. Beijo, gente. Tchau, tchau.

Alessandra Orofino, Gregório Duvivier e Bruno Torturra. Na produção, Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na pesquisa e roteiro, Luís Amigues. Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes. Ilustrações, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Bruna Messina. Gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E, consultoria de comunicação, Luna Costa. Música