Dark Mulas. O Filme Mais Vorcaro da História
Flávio, Eduardo, Vorcaro e a produção do filme-esquema. Todo mundo numa Frias.
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
Consultoria de Comunicação, Luna Costa
- Previsão climática El NiñoFenômeno El Niño · Super El Niño · Mudanças Climáticas · Impactos no Sul do Continente · Eventos Climáticos Catastróficos
- Eduardo Bolsonaro e o filme Dark HorseDaniel Vorcaro · Flávio Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · Banco Master · Produção do Filme Dark Horse · Financiamento de Filme · Dinheiro Público · Relações Privadas · Investigação Criminal · Golpe Entertainment · Prefeitura de São Paulo · Ricardo Nunes
Bom dia, boa tarde, boa noite, querido espectador ou ouvinte do nosso Calma Urgente. Aqui é Gregório do Vivi e queria chamar ele e apenas ele, Bruno Torturra, porque está acontecendo hoje algo que acontece... Salve, Bruno. Algo que acontece a cada...
Cada 10 ou 20 anos, que são as férias de Alessandra Orofino. Algo raríssimo. Nessa mulher que é uma máquina. E ela não tira férias, é raríssimo. É o super-elninho. Ela só tira férias com o super-elninho. É raríssimo mesmo, né? É uma conjunção de astros muito rara. E quando ela faz isso, o mundo para.
Um mundo, sei lá, ninguém sabe como proceder. O nosso, né? São tantos tentáculos, né? Aliás, o que é? Desculpa, se você falou o super é o ninho, eu ri. Eu ri por educação. Eu não sei o que é o super é o ninho. Ih, Greg, nem começa que o tema muda hoje.
Acho que a gente tinha que fazer um calmo urgente sobre isso em muito breve. Acho que o nome é curiosíssimo, porque o ninho é a criança, né? E é um super... E é o menino Jesus, né? O pessoal não sabe, mas o ninho é o jeito que os peruanos, se não me engano, chamavam esse fenômeno que esquentava as águas do Pacífico e dava mais peixe. Então eles falavam que era o menino Jesus que estava trazendo mais peixe.
Mas, tradicionalmente, ignorando o fato de que é um fenômeno que afeta muito profundamente o sul do continente, o nosso lado pra cá, mudando a temperatura, regime de chuva, secas terríveis e tudo mais. E o super é o Ninho.
E esse ano a gente está com 90% de chance de ter um El Ninho fora de temporada, quer dizer, ele vai ser algo já muito complicado dentro de um mundo com mudança climática, já com os reservatórios de água já muito comprometidos, mas existe uma chance cada vez mais alta, muito provável, que seja o chamado Super El Ninho.
que é o efeito do El Ninho é catalisado por temperaturas significativamente mais altas ali no Pacífico da América do Sul. O que junto com mudança climática, com aquecimento médio já próximo de 1,5 grau acima do que a gente tinha no passado, pode significar eventos climáticos catastróficos no nosso país esse ano.
Tipo, incêndios muito grandes, quebra de safra, secas absurdas que o nosso regime hídrico não vai dar conta de resolver. Então, tem, por exemplo, tem uma das notícias bem preocupantes, assim, que...
científicas, não é uma notícia, mas é uma avaliação científica muito preocupante, é que no século XIX teve um super-auninho desses, que talvez aconteça esse. E foi uma catástrofe climática, com milhões de pessoas mortas no mundo todo, por conta de quebra de safra.
Nós temos um mundo diferente hoje, o nosso regime agrícola tem outros recursos que não dependem exclusivamente da chuva e da estabilidade climática, mas tende a ser desastroso caso ele se forme.
O Eoninho, então, não é algo recente? Para mim era algo... Ele sempre existiu? Você falou do século XIX. O Eoninho sempre existiu. Ele é um fenômeno cíclico que acontece com maior ou menor força, com a periodicidade variável de sete anos. Às vezes tem um rebote depois de três anos e tudo mais. Mas, eventualmente, acontece o chamado super Eoninho, que é quando o aquecimento dessas águas do Pacífico, especificamente, sobe demais.
E aí, seja o que Deus quiser. Então a gente está se encaminhando 91% de chance para um elninho esse ano, o que não é bom, porque esquenta, seca e dá incêndio, mas com uma chance aumentando dele ser um super elninho. E aí, nosso país certamente não está preparado. Eu estou com hiperfoco, Bruno. Então eu queria saber como é que isso afeta as eleições.
Cara, não, porque a gente teve uma semana... Desculpa começar. Começar deprimindo não era o meu objetivo. É que o super-eoninho entrou na diagonal aqui. Eu fiquei curioso pra saber o que era. Mas o fato é que a gente teve uma semana que eu considerei maravilhosa. E eu achei que esse problema ia ser muito pra cima.
Achei que ia ser energia lá no alto. Sabe por quê? Porque, meu Deus do céu, caiu uma ficha muito óbvia para as pessoas, que é algo que desde o começo, a gente sempre falou, que é a ideia de que o Flávio, para usar uma frase que não é minha, mas se eu não me engano do Otônio de Paula, ele é batedor de carteira, que é o fato de que, ao que parece, ao que parece, a família Bolsonaro é tão bandida que roubou o Vorcaro.
Eu acho que isso daí, essa frase talvez resuma tudo. É a ideia de que os caras pegaram aquele talvez. Alegadamente. Eles teriam pegado, tá? O maior... Os caras pegaram, ou teriam pegado o responsável pelo maior farol de financeira da nossa história.
E falou assim, vamos tirar dinheiro desse filho da puta. E tiraram. Ao que parece, tiraram. E mais, na brodagem, chamando de irmãozão, eu amo. Eu queria só atentar para o uso do termo irmãozão. Porque irmão realmente é o que o carioca fala para pessoas das quais ele não é íntimo. Mas irmãozão serve exatamente para deixar claro que você não está falando com irmão qualquer. Não é um colega. Ele é teu irmãozão.
É diferente, irmãozão marca justamente que ele não tá usando irmão no sentido coloquial da coisa, ele tá usando no sentido de um parceiraço. Meu parceirão, meu irmãozão. E, cara, é uma relação de uma intimidade e ao mesmo tempo de uma subserviência. Eu tô me referindo aqui aos áudios vazados pelo Intercept, que a gente tá fazendo um trabalho espetacular no Intercept. Mais uma vez, né?
mais uma vez, e o Intercept vazou áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro, aliás, cobrando dinheiro que o Vorcaro já tinha prometido. Não é qualquer dinheiro, são dezenas de milhões de reais, ele teria prometido, se não me engano, 60 e tantos milhões de um filme que custou 130 milhões, ou seja, metade desse filme que foi, se custou 130 milhões, nossa maior produção.
cinematográfica da história do cinema brasileiro. Teria custado 134 milhões de reais. Isso é muito mais que qualquer filme brasileiro já feito. E é alto até para os padrões hollywoodianos. E esse valor, o Vorcaro teria pagado 61 milhões. Só que não pagou na data e tal. Então o Flávio manda um áudio cobrando dele.
E é um áudio que não é apenas pague meu dinheiro, é um áudio assim, irmão, pô... Não é um áudio de agiota, exatamente. Não é um áudio de agiota. Conta comigo pra tudo, né? Inclusive citando os rolos, pra usar uma metáfora, pra usar um eufemismo, citando os rolos, ou seja, sabendo...
precisamente com o que ele tava falando você tá enrolado, eu sei, tô vendo tudo que tão fazendo aí contigo tamo junto, tô contigo sempre tamo junto sempre isso só um ponto importante véspera do dia que ele foi preso véspera do dia que ele foi preso véspera da prisão do Vercaro então assim, não dá nem pra falar que é na época que eu não sabia dos rolos achei que ele era só um banqueiro
interessado no futuro do país, né? Exatamente. Exatamente. É algo que não dava. Ele tentou falar isso, ele foi à Globo News, aliás, num movimento muito ousado da parte dele, algo que eu acho que o irmão, o pai dele não faria. Excesso de confiança, né? Ele foi ali achando que ia ter uma entrevista...
Não sei o que ele pensou. Eu sei o que ele pensou. Ele pensou num corte. Ele pensou, eu vou lá e vou falar que a Globo recebeu dinheiro do Banco Master. É isso que ele pensou. Ele não pensou em todo o resto. E de fato, hoje em dia, às vezes basta um corte para as suas redes. Se for ver na rede bolsonarista mesmo, raiz, tipo os...
Paulo Figueiredo da vida, eles postaram esse corte dele na Globo News, falando que a Globo recebeu o dinheiro do Master. Então acho que ele foi lá pra isso. Mas ele não contava, talvez, que ele fosse apanhar tanto. Então fica 15 minutinhos e fala que o telefone tocou e sai fora, mas fica o tempo que ele ficou tomando um fogo do Otávio Guedes, da Juiz. Ele tomou um fogo da Malu Gaspar também. Maravilhoso.
O Otávio Guedes da Coisa, muito bem dado, porque ele não contava o básico, que as pessoas iam confrontá-lo quando ele contasse uma mentira, uma aberração. Então uma das coisas que ele fala na Globo News é que ele não sabia que o Vorcaro estava enrolado.
E ele não sabia isso na véspera da prisão. E a Malu, ela confronta com o tweet do próprio pai dele, falando do Vorrado Banco Maestro e tal. Como é que ele não sabia? Enfim, na véspera da prisão, se todo mundo sabia. Ah, mas ninguém sabia. A Malu começa a dar todos os dados como todo mundo sabia. E como ele mesmo sabia, citando os rolos. Então, ele fica completamente sem palavras na Globo News. Ele fica mesmo num ringue acossado, assim, num canto.
e apanha meio, apanha feio feio, feio ele volta a ser o Flávio que a gente conhece de outros carnavais o Flávio Bolsonaro que que tem que usar fralda da conta quando está na TV ao vivo, exatamente ou seja Flávio e Vorcaro é a dupla fralda e fraude
O fraudulento e o fraudado. Exatamente. Ele é o fraudado entre fardados. Fraudando geral. Fraudando geral. E aí, o nosso fraudado, ele foi a Globonil. Espero que ele estivesse usando fralda nesse momento, porque ele deve ter atacado o estômago dele, o intestino dele, perdão.
já comprometido, intestino solto que ele é característico e ele e o Flávio então ali, ele começa a gaguejar e ele faz algo que eu acho que é muito caro a ele, é muito, perdão vai custar caro ele, então a gente não é caro ele fez algo que eu acho que custa caro para um bolsonarista raiz que é, ele é reverente
Ele não banca com o pai e começa a berrar. Que fala assim, seus militantes, eu não tinha nem que estar aqui. A Globo, ele vai e fala assim, poxa Malu, eu respeito muito o seu trabalho. Para Malu Gaspar, uma jornalista muito anti-Bolson, que bate todos os dias no pai e nele. Então ele fala assim, eu respeito muito o seu trabalho. Poxa Malu, você que é uma grande jornalista. Então ele é subserviente, ele é reverente àquelas pessoas que estão ali. Ele não dobra a aposta como o pai faria.
moderado, mas quando uma pessoa está explicitando uma fraude, um crime que você teria cometido, você não pode ser moderado, dentro da lógica bolsonarista. Ele teria que radicalizar, porque não faz sentido se a pessoa está expondo uma coisa criminosa que você fez, você dizer o quanto você respeita o trabalho dela. É algo que não combina com o etos bolsonarista, o respeito à imprensa. Então ele está tentando ser esse megazord que respeita a imprensa, mas ao mesmo tempo é sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal
confrontado com um crime por essa imprensa que ele respeita e gera ali uma dissonância cognitiva que é muito ruim para o bolsonarismo. O bolsonarismo não está acostumado a ver o seu líder tentando ser moderado e respeitoso, algo que Bolsonaro nunca fez, ir à Globo News reverente e elogiar aquelas pessoas e falar obrigado pelo convite, por estar aqui.
Eu acho que é algo que torna ele mais frágil, essa tentativa de diálogo com a Globo News de moderação. Eu acho que ele sai muito, muito fraco. Ele sai mesmo na lona. Ele está, acho que, num momento terrível. Porque não tem o que dizer mesmo. Não tem o que dizer.
É, ele tá num momento terrível, ele não tem a verve do pai, acho que você matou uma charla super importante aí, que o pai ia sair dando coisa, que é o que ele sempre fez. E isso funciona. E prova uma das coisas, né? O Flávio Bolsonaro não tem o apelo mitológico que o pai tinha, aquela paixão de defesa. Acho que não tem uma pessoa que se identifica com Flávio Bolsonaro do mesmo jeito que elas se identificavam com o Gérion. Não imagina essa pessoa.
O Flávio é um político do centrão, né? Essa é a verdade. E o tipo de relação que ele tem com o Vorcaro no áudio, isso também foi um erro tático do Flávio Bolsonaro, na minha opinião, muito amador. Ele...
foi pra a fogueira no dia do fogo, na época que a defesa que ele tinha que fazer não tava muito clara ainda. Tinha um fim de semana que podia baixar essa temperatura. Ele foi com tudo e ele fez o efeito Streisand. Quer dizer, essa entrevista dele chama mais a atenção do que a manchete dessa entrevista pra, aliás, do próprio escândalo pra...
muitas pessoas, pra outras pessoas. Não só que veem em Globo News, mas que vão ver que ele tomou uma traulitada do Otávio ali, de muitas e muitas formas, né? Do Otávio, da Malu e da Júlia. Agora, tem outra coisa. O áudio que vazou...
É esse áudio insider de a corrupção rasteira, que também não tem do pai. O pai, quando é pego, ele é pego de outro jeito. Ele é mais vulgar, ele é mais popular, ele é outra coisa. Ele foi pego como um político do centrão, como um fisiológico safado que está pedindo dinheiro aos montes. E aí uma coisa que é maravilhosa dessa história toda, que é...
que eu também acho que foi um amadorismo da parte dele, que é o seguinte, quando vaza um áudio desse, um áudio íntimo desse, claramente não é o único áudio que vocês trocaram, claramente não é a única relação que vocês dois têm no celular, e claramente se esse áudio vazou, ele não vazou num grupo de zap, ele vazou provavelmente de quem tem um arquivo inteiro na mão.
Então assim, virá mais bombas como veio depois da entrevista dele e como virá muito provavelmente nessa semana. Então qualquer desmentido que ele der...
vai ser imediatamente desmentido. E ele vai sair de mentiroso duas vezes. Não só de ir negando que todo mundo o escutou, mas de ir criando uma nova versão que imediatamente vai ser desmentida. Como agora está escorrendo para cima do Eduardo Bolsonaro, que vem disso que você colocou. Que muito provavelmente, alegadamente, estamos ainda no meio de um processo e uma investigação.
Talvez ele tenha fraudado o fraudador. Talvez esse dinheiro não foi para o filme. Talvez o vocário soubesse disso também. Até porque todas as empresas e todos os emissários que estariam operando esse dinheiro lá nos Estados Unidos para...
em tese em caminhar para a produção do filme, são pessoas que trabalham nos interesses pessoais da família Bolsonaro e já trabalharam com o Evorcaro ou trabalhavam ativamente com ele. Então não é simplesmente uma ponte de envio de grana. É um sistema...
pessoal, interprofissional, de uma rede mesmo, de fraudes, evasões e envios de grana. Que ele alega, e é a parte pra mim mais maravilhosa, é tudo dinheiro privado. Isso não interessa a ninguém. Isso é uma coisa privada. É uma coisa privada aqui. Isso não é dinheiro público, posso fazer o que eu quiser. Então, assim, realmente...
De parabéns, amigo. Cara, o que é muito bom das desculpas deles... Sei que esse é o seu argumento. Elas são hilárias. Porque elas são contraditórias. Eu queria falar da nota. Tem uma nota do nosso Mário Frias, que é o produtor do filme e também interpreta um médico homossexual de...
Bolsonaro, no Dark Horse, sim. Ele é operado... O Mauro é diretor? Não. É Mário é o diretor do filme? Não, né? Não, não, não. O diretor é o americano, perdão, de família iraniana, que é uma tristeza, imagina, vergonha pro Irã. Cyrus North, sei lá o que. O jeito só faz filmes horrorosos, mas que tá se empenhando em fazer o pior filme da carreira dele, assim.
Mas o Mário é o roteirista, é isso? Ele escreveu o roteiro junto? Ele é só produtor e... Eu achei que ele era roteirista. Eu acho que o roteirista é o próprio Cyrus, mas eu chutaria com a ajuda forte do chat GPT. Com todo respeito ao chat GPT. Não ofende o chat GPT. O chat GPT tem uma escrita medíocre. Eu li o roteiro, tá? E assim...
A gente vai falar disso mais na frente. Eu quero atentar pro roteiro. É por que que me alfabetizaram, né, cara? Eu não queria ter lido isso. Caralho, é uma coisa muito louca. Eu falei com o Orlando Calheiros que me mandou o roteiro. Ele tá maravilhado com isso, né? Ele tá maravilhado.
Exatamente, Orlando. Tem um texto ótimo dele no Intercept essa semana sobre isso. E tem algo do roteiro que é muito interessante. Eu falei para o Orlando quando eu li, é engraçado porque eles nunca viram o Bolsonaro para achar esse roteiro. Porque ele é interpretado como um James Bond, um cara muito impecável. Ele tem muito wit. Wit é aquele humor do Oscar Wilde. Aquele humor sagaz. Sagaz. É um tipo de ironia especialmente fina. É rápida.
ele é escrito como elegante e witty, e é tudo que o cara não é, o Bolsonaro. Bolsonaro witty é demais, cara. Cara, então é muito engraçado, porque não é o Bolsonaro aquela pessoa que tá ali, sabe? Que tem que ter essa sofisticação com as palavras, com a coisa, nunca foi, assim. Que usa garfo e faca. Eu falei isso pro Orlando, e o Orlando falou assim, não, Greg, acho que eles nunca viram um ser humano.
Porque realmente as interações não parecem humanas as interações entre os personagens. Então tem esse médico que é homossexual, que é irrelevante, porque o médico já fala pra ele assim, o Bolsonaro já está olhando pra ele e o médico já acha que é por ele ser gay. O médico é paranoico com isso e fala assim, sim, se você está se perguntando, eu sou homossexual. Diz o médico com um bisturi na mão. Pra operada. Você tem algum problema com isso?
Na verdade, isso é roteiro de... E o Bolsonaro fala não. Isso é roteiro de filme pornô, né, gente? Isso não é roteiro de filme. É tipo assim... Mas ele é um pornô. Mas o filme do Bolsonaro, ele é um pornô político. Quando eu digo pornô político é porque ele não tem nenhuma sutileza mesmo. Como um filme pornô, sabe? O diálogo da edição... E tem algo de pornográfico, inclusive, literalmente. Tem muito um tesão do autor no Bolsonaro, no personagem. Fala dele o tempo todo como um cara másculo, viril.
Um homem bonito. Fala algumas vezes o que seria relevante. Handsome. Tall guy. É alguma descrição meio pornográfica. E também tem uma sexualidade dele o tempo todo. Tem a resposta dele pra mulher assim. Afinal, quem é você? E é o que o Bolsonaro fala pra repórter. Algo que você nunca encontrou. Um homem. Por que ele fala isso pra repórter?
Então, assim, é algo meio pornográfico. É uma boa palavra mesmo pra descrever esse roteiro. Mas o que eu tava dizendo, que Mário Frias, o médico homossexual do filme, ele... E eu adoro. Não consigo parar de abrir parênteses com essa história. Médico homossexual? É muito bom, é muito bom. O médico homossexual do filme...
Que aqui em Bolsonaro, ele é tão pouco homofóbico que o Bolsonaro aceita ser operado por ele. Então essa é uma moral do filme. Olha, ele é homofóbico, mas ele deixou o médico...
Hashtag aliado. E aí o Bolsonaro, que é operado pelo Mário Frias no filme, Mário Frias é o produtor. E ele fez uma nota que eu acho maravilhosa, porque a nota é uma piada em si. A nota do Mário Frias é uma piada pronta. Inclusive parece muito uma piada famosa, inclusive. Que eu vou contar. Ah, é. Você sempre fala essa piada. Ela descreve muito esse tipo de... Muito. É a piada do Freud, famosa.
Porque o que Mário Freias diz é o seguinte. Como já esclareceu a produtora Gulp... Aliás, é muito bom, desculpa. O nome da produtora é maravilhoso. Vamos de parênteses. Vamos de parênteses. Está muito bom esse programa. Go Up é o nome da... Go Up é o nome da produtora. Que é brasileira, tá? Go Up Entertainment. A Go Up...
Como é que se lê G-O-U-P em português tudo junto? Golpe. Ela chama Golpe. Ela chama Golpe Entertainment. Golpe. Não é maravilhoso que quem trabalha lá são os golpistas todos? É o Golpe. Eu amo. Que é a Golpe. Depois eu quero falar da Karina Gama também, que é a dona da Golpe. Que é um outro personagem interessantíssimo. Mas a Golpe... Não é Maracara? É muito bom. Que tava tudo escrito. Parece uma piada de um filme ruim. O nome da produtora é Golpe.
A Gulp Entertainment. Como já esclareceu, aí diz o Mário Frias, não há um único centavo do senhor Daniel Vorcaro em Dark Horse. Nenhum. O que já é muito estranho, porque se ele pagou, e se o próprio Flávio disse que ele pagou, vocês não conversaram, né? Mas enfim. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum. Trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem o único real de dinheiro público envolvido. Não há.
Mas o problema todo do Daniel Vorcaro não é justamente que ele usa dinheiro público? E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco. Então tem coisas contraditórias, que é, se não houve nenhum centavo, por que ele está dizendo que não teria problema se tivesse? E mais, por que ele está dizendo que ali não sabia se o dinheiro... Ele fala três coisas...
que são contraditórias, o que lembra a piada maravilhosa. O Freud cita isso no Schist. Então, o Freud tem um livro sobre o Schist. O Schist e sua relação com o inconsciente. Em que ele fala de como as piadas, tem uma piada que explica exatamente isso. Por que a gente está o tempo todo se entregando? É uma piada do Freud, do sujeito que pega emprestado uma chaleira e devolve a chaleira com um buraco dentro. Aí o amigo fala, pô, minha chaleira, você devolveu com um buraco a chaleira que eu te dei? Olha o que o cara diz. Eu te devolvi a chaleira intacta, tá?
Quando você me prestou a chaleira, ela já tinha um buraco. E, além disso, eu não peguei a chaleira emprestada. São três desculpas que se anulam. Se eu não peguei a chaleira emprestada, como é que eu devolvi ela intacta? Se eu devolvi ela intacta, como é que eu vou dizer que quando você me deu, ela já tinha um buraco dentro? E o que o Freud diz é que a gente faz isso o tempo todo na vida. E essa piada, ela explicita um mecanismo que são as desculpas contraditórias.
Porque em cima das quais a gente vive, a gente precisa de desculpas contraditórias o tempo todo para existir. E elas são uma confissão de culpa, desculpa contraditória. Então, isso que o Mário Frias está dizendo é maravilhoso. Porque ele bastaria dizer assim, não tem dinheiro do Vorcar. Só que ele tem medo de ter. E ele não saber, ou de descobriram que tem, ou de não. Então, ele fala assim, mas se tivesse...
não teria problema. E aí tem a terceira declaração, a segunda declaração, que é também maravilhosa. Meio que ele reconhecendo e falando que foi uma imprecisão, na verdade uma imprecisão vernacular e jurídica.
Ele fala aqui, que a Luísa destacou para a gente. Ele voltou atrás dizendo que havia uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento. Quando afirmei que não há um centavo do Master no filme,
Referia-me ao fato de que o Daniel Evo Ocaro não é e nem nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master, nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi afirmado com a entre. Pessoa jurídica é distinta. Foi outra empresa do Ocaro. Foi a entre.
E o Vorcaro não assinou nada com o CPF dele.
Tá. Entendeu? Ah, tá, entendi. Então assim, dinheiro nenhum do Gregório entrou na minha conta. O que teve foi dinheiro do porta dos fundos. Aham. Sabe? É meio isso. Então eu não menti na minha outra declaração dizendo que não era e que se fosse não teria problema também. Então ele complexifica isso. Só que quando ele admite isso e admite que a entre, que é uma outra salacia?
outra empresa com um nome bizarro que eles têm, aí a coisa fica suja mesmo. Porque você vai vendo a composição da entre, a maneira como esse dinheiro entra nos Estados Unidos, qual é o operador que faz isso, aí você vê mesmo que a investigação já deve estar muito mais avançada do que isso e tem uma trilha claríssima do que esse dinheiro estava fazendo e que tipo de favor ele pode representar. E aí tem uma coisa muito louca, né? Que assim, primeiro...
Eu acho que tem uma coisa muito burra deles fazerem isso. De dizer pra fora, achando que eles estão lacrando em cima do jornalista. Quer dizer, falando assim, não tem nenhum problema, porque é privado. Você não tem nem que estar me perguntando isso. Isso é errado. Só que o que ele tá falando, basicamente, é que quem tá achando isso um absurdo, está errado.
E quem tá achando isso um absurdo é o próprio público, não é o jornalista. É assim, o que eles tão falando pras pessoas que tão chocadas com isso é basicamente, não tem nada errado em eu pedir dinheiro pro Vorkar. Porque nós somos pessoas privadas aqui. Isso não isenta ninguém de ir à corrupção. É muito louco porque as pessoas entendem isso intuitivamente. E aí tem uma outra burrice que invalida basicamente todo o argumento que a própria direita fez em relação à esquerda nos últimos tempos. Imagina...
Se a defesa da esquerda ou das pessoas que pegaram o dinheiro não sei o que, fosse assim, não. Eu pedi pro Odebrecht. É dinheiro privado. É dinheiro público. É dinheiro de um empreiteiro. Eu pedi, ele me deu. O que vocês entendem? Isso não tem nada a ver com vocês aqui. É uma transação que a gente fez aqui. Uma, a gente tá falando, mesmo que o dinheiro seja privadíssimo do Evercore, o que a gente sabe que não é.
porque tem muitos, e daí a base de grande parte da própria corrupção que está sendo investigada, muitos bilhões são de investimento de fundos públicos que políticos destinaram lá, tanto no Rio de Janeiro, no Amapá. Mas a outra coisa é um dinheiro privado indo para a mão de um agente público. Claro. E aí ele deixa de ser privado na hora que ele entra.
na mão de um interesse de uma família de deputado, de senador, de gente presa e querendo ser candidato à presidência de novo, como uma peça de propaganda política. Então, assim, é um negócio que não para em pé de jeito nenhum. Não para. Não para. E mais ainda com as suspeitas que o orçamento todo não seria usado no filme. Eu queria falar disso. Porque eu acho que, bom, realmente... É muito saboroso, cara.
É muito saboroso. 134 milhões realmente é muito fora de esquadro. Aliás, é maravilhoso pelo seguinte, esse valor. Eles estão dizendo que o valor todo foi pro filme, tá?
E que Eduardo Bolsonaro até falou uma coisa aqui, que na verdade, pro tamanho do filme, 134 milhões é até barato, Eduardo Bolsonaro foi falar. Pro tamanho do filme, não sei o que ele tá querendo dizer com tamanho, tá bom, usa figuração, mas o que mais que custou tão caro? Não é de época, não é... não tem efeitos especiais, eu quero entender por que custaria tão caro, mas tudo bem.
Ah, é o Open Heimer, né? É, exatamente. Ator hollywoodiano. Os caras contrataram o Brad Pitt mesmo. Eles contrataram o Mário Frias de lá, pra começar. Um ator B que se especializou agora, um trampista que se especializou em filmes de extrema direita e tal. Mas ainda assim, esse cara ia ter custado caro, tá? Isso daí eu chutaria. As pessoas estão dizendo, ah não, mas esse cara custa muito barato fazer filme. Ele faz filme barato lá, pra tirar um ator de Hollywood dos Estados Unidos, trazer ele pro Brasil, pra fazer um filme que é um roteiro horroroso, que o mesmo ator...
burro como ele deve ser, como um estutor besta porque ele faz muito filme ruim, esse seria o pior filme da carreira dele, com certeza. Pra fazer um filme, que é pura propaganda, é pornográfico, como a gente falou. Pra fazer esse ator, mesmo ele sendo um ator mediano, que não é do primeiro escalão, sair dos Estados Unidos, ele não sai por menos de alguns milhões de dólares, eu chutaria. Então esse cara, o que eu só diria pra pessoas tomarem cuidado é eu acho realmente que eles deram uma grana, assim, alta pra esse ator e pro diretor Cyrus. E também pagaram um dinheiro alto, sim.
para os profissionais envolvidos no filme. Por quê? Eles não eram bolsonaristas. Eu vi a lista, eu conheço algumas pessoas que estão ali, muito longe de serem bolsonaristas. São pessoas que sim... São profissionais brasileiros, você está falando, né? Isso. Só para esclarecer aqui. É bom esclarecer que os profissionais brasileiros que estavam no filme não são todos bolsonaristas. E receberam muito mais alto. Um cachê muito mais alto do que de hábito. Era três vezes a tabela, pelo que me falaram.
porque eu conheço pessoas que trabalharam, pessoas que estavam precisando muito trabalhar e que encararam aquilo como um job, como quem faz propaganda política a contragosto, com muita dor no coração, mas aceitaram. E eu não julgo eles porque a vida do profissional de cinema está muito difícil. Sim, isso é uma coisa que a gente tem que falar. O mercado está uma cagada, desde 2016, 2017, depois veio a pandemia, não retomou, a Ancine é um outro capítulo também, não retomou ainda as atividades como eram, até porque ainda tem bolsonaristas lá dentro.
porque um dos problemas assim é esse, o mandato é maior do que o mandato presidencial. Então você tem lá pessoas indicadas por Bolsonaro. Isso é um dos motivos só para o fato que a indústria não voltou a ser o que ela era.
apesar do sucesso internacional do cinema brasileiro, é um sucesso que a gente está colhendo frutos lá de 2014 e 2015, tá? E sim, vamos falar mais sobre isso mais pra frente, mas o que eu queria dizer é o seguinte, as pessoas que toparam fazer esse filme, toparam por um valor muito mais alto do que elas topariam, porque são pessoas que odeiam, provavelmente, o Bolsonaro. Muita gente fez o filme odiando. É o contrário do cinema que paga mal falando que vai ser bom pra Hugo o currículo da pessoa. A gente vai te pagar bem porque a gente sabe que vai ser ruim pro seu currículo.
Exatamente. Tem relatos de uma pessoa que no set ia fazer um trabalho depois do Dark Horse, quando acabasse a filmagem, e ela, quando o outro contratante soube que ela tava fazendo Dark Horse, ela foi demitida. Por estar fazendo Dark Horse. E a pessoa ficou aos prantos e tal, e ficou fudida. E tem relatos de pessoas dizendo que isso acontecia no set. Quando descobriam que tava lá no Dark Horse, era cancelada.
E é algo que realmente tem um ônus. É também compreensível. Também compreensível. Também não dá pra julgar 100% a pessoa que topa fazer um filme desse porque tá precisando, porque não tem, porque o trabalho tá foda, estão pagando três vezes mais. Mas é isso. Não vai ser barato fazer isso. Vai ter um preço social e cultural alto mesmo. Exatamente. Mas olha, mesmo pagando três vezes a diária, todos envolvidos...
o que não é verdade, porque figuração aparentemente eles não pagavam, eu acho que realmente devia ter. O que eu acho que aconteceu, chutando, é que existia uma diferença gigantesca de tratamento entre um elenco estelar e uma figuração. E isso daí, não sei o que eu estou dizendo, tem relatos figurantes que nunca receberam e eu tenho relatos pessoais, pessoas que trabalharam e que ganharam muito bem e receberam. Então, isso daí era algo que, isso daí certamente aconteceu.
Os figurantes terão ser obrigados a assinar termos de imagem e voz com valores muito abaixo do mínimo de mercado. Tudo isso daí está documentado. O fato é que mesmo com o alto escalão ganhando muito bem, muito dificilmente vai bater em 134 milhões. Muito difícil bater esse valor. Ou seja, a hipótese principal é que esse dinheiro foi usado para outras coisas.
Entre as outras coisas, estaria uma vida nababesca de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, no Texas. Eduardo Bolsonaro só viaja de executiva lá nos Estados Unidos, não ganha dinheiro como deputado aqui, federal mais, né? Obviamente, não está trabalhando com isso. Então, ele estaria vivendo de doações de amigo do amigo do meu pai. Foi o que ele mesmo falou. E essa pessoa seria...
isso que a gente vai descobrir mas não só, porque tem outras coisas que também merecem ser explicadas como o Intercept está dizendo há um tempo tem dinheiro da prefeitura de São Paulo provavelmente
envolvido nisso. O Ricardo Nunes destinou 100 milhões para uma ONG, perdão, para uma empresa da produtora do filme, que é a Karina Gama Ferreira. A produtora, a dona da Go Up, recebeu 100 milhões pra quê? Pra botar Wi-Fi
nas ruas de São Paulo, algo que não era especialidade dela, nem da empresa dela, mas ganhou 100 milhões. Botou em algo? Não, botou em todas, como o Nabil Bondu, que aliás descobriu e reportou muito bem. O Nabil, se não me engano, hoje é vereador de São Paulo, pelo PT. E o Nabil...
E o Nabil está falando isso há muito tempo, o que não faz sentido, que esse preço é muito acima do praticado pelo mercado e que essa empresa não seria mais especializada nisso, a empresa da Karina. Tanto não é especializada que ela está, ao mesmo tempo, produzindo filme e botando Wi-Fi, que são coisas que não têm nada a ver uma coisa com a outra.
Então é provável, ou pelo menos bem possível, que tenha dinheiro do Ricardo Nunes, do Ricardo Nunes não, do contribuinte paulistano, nesse filme. Eu não sei se é no filme, né, diretamente. Na vida de Eduardo Bolsonaro. Eu não sei se é na vida de Eduardo Bolsonaro. A gente não dá pra inferir isso, né? Porque isso não tá encaminhado. Mas assim, se ele investiu, se ele gastou dinheiro com...
com o mesmo grupo econômico, com a mesma empresa que faz para fazer um outro serviço, é algo que merece ser super investigado. Mas o que está bem claro, assim, é que tem um grupo econômico, tem essas relações muito próximas de sociedades em grupos, em fundos, em investimentos muito estranhos, em cotas, e que esse filme... E isso é uma das coisas saborosas também dessa história. Se você for ver nos últimos três anos...
O maior inimigo do bolsonarismo da extrema direita brasileira na cultura e na percepção pública é o cinema nacional. A gente viu... Ainda estou aqui, que estreou e que teve o seu sucesso meio que simultâneo ao julgamento do 8 de janeiro.
o que deu uma densidade cultural, histórica, muito maior ao próprio noticiário que a gente estava, quer dizer, de uma ditadura militar, de como ela afeta a família de políticos que foram perseguidos e tudo mais, e um sucesso estrondoso. No ano seguinte, Agente Secreto, que é um filme muito diferente sobre a ditadura.
mas que pela figura do Kleber, do próprio Wagner, do tipo de coisa que ele mostra, do tipo de milícia, do tipo de grupo de extermínio que está narrado naquele filme e da relação desses grupos de extermínio com governos autoritários e com a polícia e tudo mais, universidades públicas sendo massacradas, ele entra perfeitamente nesse caldo anti-autoritário e anti-abolsonarista.
E aí, ironicamente, talvez o filme que mais faça mal é o bolsonarismo. Na hora que ele mais precisava de uma peça cinematográfica de propaganda, é o filme que eles fizeram.
O filme que eles fizeram. E é muito louco, quando você volta um pouco para trás, você lembra do próprio Mário Frias, do que ele representava antes de se tornar do primeiro escalão da política cultural brasileira nos anos Bolsonaro? De quem que o Alvim foi como ministro também, o que ele representava? É esse profundo ressentimento do é artista sem nenhum talento.
que sonhava fazer parte do ambiente audiovisual brasileiro, de ser um ator de cinema, de teatro, de TV, de ser compreendido, entendido, recebido como um grande ator. E é a baixa qualidade do trabalho que eles oferecem, que não jogam ele para o primeiro escalão, por motivos óbvios. E eles fazem questão de falar que, no fundo, foi por conta de ideologia.
Na verdade, eu não sou protagonista de cinema, não me deixam fazer filme porque eu não sou de esquerda. Porque eu não faço parte da panela ideológica que rouba o dinheiro público. Que vive da mamata de Rouanet. Porque eu sou um patriota que eu não estou. E aí quando os caras conseguem um orçamento dez vezes mais alto do que qualquer filme nacional, que desenvolvem roteiros e chamam atores hollywoodianos para fazer uma coprodução, salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam salam sal
Duas coisas acontecem. Vira um produto cult da esquerda de tão ruim que é. É tipo nós que estamos nos divertindo com o roteiro do filme, por enquanto. A gente nem viu o filme estrear ainda. Porque eu acho que se o filme estrear, tende a ter mais público de esquerda indo rir do que gente de direita indo bater palma. Isso é uma coisa.
Então eles produzem um filme péssimo, só com o talento deles, sem nenhum envolvimento, sem nenhuma censura, e vira um esquema. Eles não conseguem fazer uma coisa que tem mais de quatro zeros de cifra sem virar um esquema. Sem roubar.
Sem chamar o Vorcaro no zap um dia antes dele ser preso para ele mandar dezenas de milhões de reais, diga-se de passagem, para a mesma empresa, com o mesmo operador, que está ajudando o Eduardo Bolsonaro lá, sabe-se lá com o quê. Então essa empresa, essa produtora que está recebendo o dinheiro lá, também, isso vazamento agora dos últimos dias. Eles já compraram uma casa...
com esse dinheiro, com o dinheiro que está chegando sabe lá de quem, por cara e tal, na cidade onde o Eduardo Bolsonaro mora. Poderia ser uma coincidência se ele morasse em Los Angeles, Miami, né? Mas ele mora em Arlington, Texas. Não é que ele tenha, assim, né? Um mercado imobiliário de investimento brasileiro em Arlington, Texas. É.
Não, não mesmo. Sabe o que? É tão óbvio, tá tão óbvio o negócio, e o filme é tão ruim, o roteiro é tão horroroso, que vem uma hipótese. A Cinderela Americana. Eu chamo de hipótese, Bruno, eu chamo de hipótese Primavera pra Hitler.
Você lembra desse filme do Mel Brooks? É maravilhoso, do Mel Brooks, clássico. Então, o Mel Brooks é essa comédia maravilhosa, que depois virou um filme recém, um remake também, que é Os Produtores, virou peça na Broadway e tal. Que é uma dupla de produtores fracassados, horrorosos.
Eles têm uma ideia, eles percebem que o fracasso, se for um fracasso completo, ele dá muito dinheiro. Se você pegar dinheiro de muitos produtores, muitos doadores diferentes, e o produtor, no caso, ele tem um esquema com mulheres idolas, idosas herdeiras, com as quais ele está, então ele tem muitos doadores. E se o filme for um fracasso total, todo o dinheiro vai para eles, eles não precisam pagar ninguém. Então eles descobrem um esquema, só que para funcionar, precisa fazer a pior peça do mundo, porque ninguém pode ver melhor, tem isso cancelado na primeira estreia. Precisa ser um fracasso absoluto.
o maior fracasso da história. Então eles inventam Primavera pra Hitler, um musical sobre Hitler, que é feito pra ninguém ver, porque ninguém pode ver, porque o esquema dele depende do fracasso. Me parece um pouco o caso desse filme, entendeu? Eu me pergunto se eles não queriam realmente fazer o pior filme do mundo apenas pra embolsar um trocado, sabe? Eu me pergunto. Esse seria um terceiro filme, esse seria um segundo filme, Greg, e aí você tinha que fazer o roteiro disso, que é que é o roteiro.
A verdadeira história de como o Dark Horse foi escrito. Mas não faz sentido. Primavera pra Jair. Primavera pra Jair. Outono pra Jair. Não faz sentido ser isso. Não faz sentido ser isso, Greg. Por quê? Porque o filme tava programado pra estrear...
Um mês antes das eleições. Aliás, só uma reportagem que não fizeram ainda. Uma distribuidora tinha topado? Que distribuidora era essa? Quem ia distribuir esse filme? Queria muito saber, tá? Fica essa dúvida que ninguém tá indo atrás. Era uma distribuidora grande, imagino? Alguém ia distribuir isso? Vai distribuir? Cadê? Quero falar com essa gente. O filme não é só uma peça cinematográfica nem de propaganda, mas é uma peça possivelmente...
de uma investigação criminal. É uma prova. Ele não é só o produto audiovisual. Tem que entender se isso vai ser distribuído da maneira como foi. E o mais interessante, que pra mim é o... a coisa pra mim culturalmente mais saborosa disso tudo, é que depois desse gasto todo, se o filme estreia...
Vai ser muito pior pra eles. Vai ser uma peça de antipropaganda pro governo Bolsonaro. Porque aí vai ser mais perto das eleições. O escândalo volta com outro tipo de cobertura de imprensa que não vai ser simplesmente a cobertura do jornalismo político. Que vamos ser sinceros, boa parte da população brasileira não acompanha.
nós somos os junkies noticiário político mas aí ele vai para um noticiário cultural vai para a página de fofoca vai para pôster no cinema vai para shopping center vai virar meme, as cenas do filme vão começar a vazar e certamente elas vão ser ridículas vai ter uma memória de quem é quem e aí sim
O Vorkaro, o dinheiro de corrupção, a probabilidade de isso ter ido para o Eduardo Bolsonaro. Aí sim, às vésperas de uma eleição que até hoje, na segunda-feira, dia 18 de maio, parece que está entre o Lula e o Flávio Bolsonaro.
E está bem apertado, vale dizer que até o momento eles têm um impacto técnico. Isso é outra coisa também. Eduardo Bolsonaro vai ficar? Muitos especulam. Eles estão com um problema fodido. Flávio, desculpa. Eu até falei disso numa entrevista que eu dei sexta-feira passada. Eu acho que...
Muito não saudável o famoso atriumfalismo da esquerda, mais do PT mesmo, que acha que isso é a bala de prata, que a eleição tá ganha, que vai dar no primeiro turno. Eu acho que isso não é um jeito saudável ou tático de encarar esse escândalo. Uma porque, vamos lembrar aqui, eu vendo a entrevista do Flávio Bolsonaro com a Júlia, com o Otávio e com a Malu,
Pátio eu fiquei dando risada e Pátio eu fiquei assim, cara, ao mesmo tempo, ele é o mesmo cara do Queiroz, o mesmo cara da Rachadinho, o mesmo cara da milícia, o mesmo cara do Rio das Pedras, o mesmo cara da Copenhagen, que são escândalos que parecem que são fossilizados em uma outra era. Parece que era outro Flávio Bolsonaro, que esse agora tem que responder só por esse escândalo, que ele não tem que se explicar por mais nada. O que eu quero dizer com isso é que...
A nossa memória de escândalo, ela anda cada vez mais curta e muito saturada. As pessoas também não aguentam mais. E acho que parte da estratégia que o Flávio Bolsonaro colocou na própria entrevista dele, que acho que é a estratégia mais cínica e talvez a única que ele tenha, é de falar assim, o Lula também faz, todo mundo faz, eu também fiz, todo mundo sabe, todo mundo sabe, todo mundo sabe. Então assim, já que todo mundo faz, isso não é um assunto, isso não está na equação mais. Tira.
vamos avaliar só de qual grupo está tentando tomar o poder. Ele nem está argumentando que é honesto mais. Ele está só falando assim, o Lula também fez, isso é o escândalo do PT, a capa da Veja, não sei se você viu a capa da Veja. Nossa, a capa da Veja, meu Deus do céu. É que não é para nem ter a falada a capa da Veja, porque ninguém vê a capa da Veja, só a gente que divulga ela. Pois é, a Veja está vivendo disso, meio que tipo o Estadão, que faz uns eixos que é só para a esquerda falar mal.
Qual foi a última vez que você ouviu falar da Veja Sem ser por uma coisa do tipo Você viu a merda da capa da Veja? Honestamente Não foi um furo, não tem nada Não tem jornalismo, só umas capas meio escrotas E eu vou dizer uma outra coisa Eu realmente acredito nisso Eu acho que se o furo Desse caso Tivesse vindo da Veja Ele iria ter vindo com menos impacto Do que do Intercept Eu sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal
E olha que o Intercept está mal das pernas, está afogado em processo, que, aliás, é uma coisa que a gente precisa falar aqui. O Intercept está sendo processado por político, por gente que eles denunciaram. Eles não têm segurança econômica e jurídica como os grandes veículos de comunicação. Então, a gente tem que ser muito solidário, porque grande parte da imprensa industrial hoje está...
comentando, reportando, justamente em cima de um furo que o Intercept deu, sem comunicar ao público de que esse veículo está correndo risco de extinção e de falência dos seus repórteres, das pessoas que fizeram esse trabalho heróico há muitos anos.
parênteses do nosso programa cheio de parênteses pra valorizar não só o próprio jornalismo, mas as finanças do Intercept que precisa do nosso apoio agora. Agora, fazendo exatamente agora. Mas o que eu quero dizer sobre isso é eu acho que é cedo pra dizer o que vai acontecer com a candidatura do Flávio Bolsonaro.
Talvez isso signifique um abalo, mude um ou outro ponto, mas eu tenho a impressão de que nada hoje em dia é capaz de naufragar uma candidatura com sobrenome Bolsonaro ao ponto dele ter que ser substituído às pressas. E eu também acho, e aí é onde eu acho que o Flávio corre mais risco, tá?
Não é num declínio da popularidade numérica dele, mas é do establishment político brasileiro, centrão do fisiologismo brasileiro, ver uma oportunidade de substituir ele. Porque eu não acho que o Flávio era o favorito desses caras. O Flávio foi imposto pelas pesquisas e pelo Jair.
Mas eu acho que se o centrão brasileiro souber operar isso e quiser emplacar um puro sangue deles, ou um cara que eles acham que tem mais chance de ganhar as eleições... Eu entendo, mas eu acho que a unção do Jair ainda é o maior ativo da direita brasileira. Eu acho muito difícil que alguém como o Zema...
Ah não, eu não acho que o Zema é o cara deles. Depois de trair, porque o Zema foi um abutre um pouco... Precoce. Fomeado demais. Exatamente. O cadáver tinha acabado de tomar o tiro... O Tarcísio foi mais esperto, né? Mas não tanto. Você viu o Tarcísio? Não, o que ele falou. Ele cancelou um evento que ele tinha com o Flávio porque ele tava com gripe.
Eu não vi isso. Eu não vi, mas é isso. Ele cancelou o evento que tinha com o Flávio no fim de semana. É que ao mesmo tempo o Tarcísio perdeu a janela, né? Não, o Tarcísio não dá mais, né? O Tarcísio tá com... Não dá mais. O Tarcísio não dá mais. Mas o Zema... Mas o Caiado... Muito difícil. Um Caiado, pode ser. Pode ser que o Centrão se organice. Eu acho que o Caiado tá vindo aí, gente. Correndo por fora, mas com chance de tomar uma pole. E acho o Caiado... Aí o pessoal aposta errado. Mais perigoso.
Eu acho o Caiado que tem mais chances de ganhar do Lula do que o Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sim, claro. Ele alinha mais o liberalismo econômico, o agronegócio, a identidade agro-brasileira do que o Flávio enrolado com um filme que, se tudo der certo, entre aspas, vai estar em cartaz durante as eleições. E é por isso que eu acho que o filme não é...
o Springtime for Hitler. Ele não foi feito só para ser um esquema. Porque se fosse, ele estrearia em 1927, estrearia no ano passado, eles iam fazer um outro filme, falando mal do Lula. Mas esse era para eles uma peça de propaganda. O que prova que eles são extremamente burros, porque eles são tão burros que eles confiam no próprio talento deles.
Eles acham que eles seriam capazes de fazer um filme bom. E sabe o que eu estou achando também, Bruno? Eu acho que isso aí é muito didático também para a gente, para o campo, ver a importância de roteiro, cara. Porque esse roteiro claramente foi feito em cima da hora. Ele não teve trabalho. Até dá para você ver o tempo do começo da ideia até quando o filme é muito curto para o roteiro ter se desenvolvido.
E um roteiro, ele demora tempo. Um roteiro de longa metragem, ele parece mais com a construção de um grande edifício público, talvez até um estádio em termos de anos, de tamanho, do que de uma casa. Ele não é uma barraca de camping, sabe? Um vídeo do Potter e o Potter. Ele não é um conto.
Ele não é uma história, né? Ele tem muitas dimensões. Eu estou falando que um roteirista agindo Porta de Fundo demora. Não é que a gente escreve uma vez. Os caras do Porta têm três, quatro tratamentos, às vezes. Eles demoram. Não é algo que eu escrevo correndo e mando no bloco de notas. Não, tem tratamento. Mas é surreal a diferença em termos de estrutura, de engenharia mesmo de um longa-metragem. Para vocês terem uma ideia, um filme como... Ainda estou aqui. Aliás, os filmes de sucesso brasileiro que saíram ano passado, eles começaram a ser escritos em média de 2014.
Isso daí. É, são 10 anos, o Agente Secreto. E por que eles foram inscritos? O que ajudou muito eles? Algo que chamava Prodave.
Que é um fundo precisamente para o desenvolvimento de roteiros, que existiu até 2017, mais ou menos. Tinham consultas e você tinha vários projetos contemplados. E é maravilhoso, porque não só a gente está vendo agora um fomento que aconteceu há 10 anos atrás, tanto ainda estou aqui. Ainda estou aqui, se não me engano, de 15 ou 16. E saiu agora em 24. E nosso agente secreto, que é de 14...
São filmes que demoram, você demora 10 anos, em geral. É uma média boa para fazer. Ou seja, é feito um estádio. É algo que precisa, como um estádio, cálculos estruturais. Precisa de laudos técnicos. Precisa de conversar com o urbanismo da cidade, no caso do estádio. Um filme também tem que conversar com uma série de coisas, de escutas e doctors. Eu mesmo participei de um desses núcleos de roteiro.
ainda estou aqui, na qual eu li, sei lá, V8, o oitavo tratamento do filme, depois tiveram, sei lá, quantos mais, 10 ou 15. É, porque é algo que passou por muitos olhares, de muita gente. E tem que passar um filme assim, para prestar. Então, se você vê um filme que você gosta, mesmo, ah, não, mas é que eu só gosto de filmes mais hollywoodianos, comerciais, não importa, também passaram por muitos olhares.
Muitos, muitos, muitos. Não existe nenhum filme. Não existe um filme que eu conheço que tenha sido escrito de primeira, num jato. Isso não existe para uma longa-metragem. Então, é isso que a direita está entendendo também. O valor de um roteiro, de um investimento em roteiro, que é algo que vale dizer que a Ancine não está mais fazendo, ou pelo menos não está fazendo como fazia antes. E qual é o problema disso? É que os impactos que a gente vai ver são a longo prazo.
São Impactos daqui há 10 anos. É no cinema dos próximos 10 anos e não no cinema do ano que vem. Exatamente. Muito interessante. E o apagão que a gente está vendo no cinema tem a ver com algo que não se plantou a partir de 2016, do golpe de Temer. Onde começou um processo de precarização, de sucateamento da Ancine, de piora de quadros. Começou em 2016. Em 10 anos.
Exato 10 anos. Então a gente vai começar a ver cada vez mais o problema disso hoje. Porque demora muito. É um pouco como... E pelo amor de Deus, é o que mais funciona, mas é a longo prazo. É por isso que não se investe tanto. É um pouco como o futebol, para fazer uma comparação futebolística meio rala, você investir em base. Todo mundo que entende futebol fala isso. Tem que investir na base. Nenhum time investe na base. Por quê? Porque os frutos de se investir na base, por base, entendem muitas vezes, a partir de 6 a 10 anos ali. As crianças mesmo.
você não vai ganhar o campeonato brasileiro do ano que vem, nem daqui a dois ou três anos. Vai ser daqui a dez anos que você vai ganhar. Vai fazer uma diferença em termos de número de campeonatos e tal. Ou seja, não vai ser na presidência, na gestão do atual presidente, nem do próximo. Vai ser daqui a dois ou três gestões. Então, por isso que as pessoas não investem tanto quanto deveriam naquela coisa que é a coisa mais eficiente e barata do mundo. Que é muito mais barato você investir na base. E roteiro é meio isso. É muito barato investir em roteiro. Muito mais barato do que investir em produção.
Mas não é agora que vai dar frutos. É lá na frente. Então eu queria fazer esse apelo também à volta do investimento mesmo, em desenvolvimento de roteiros, sabe? Núcleos de roteiro. Cadê os núcleos de roteiro que existiam? Eram tão espetaculares e tão produtivos a longo prazo. Cadê eles? Isso é algo que a Ancine tinha que voltar a fazer. Tem que ver, como eu falei, a Ancine ainda está cheia de heranças de Bolsonaro e Temer ali dentro.
Pessoas que não são exatamente as mais interessadas em ter uma produção cultural relevante, independente, autoral, nacional na Ancine hoje. Então, torcendo para essa renovação dos quadros da Ancine e voltar também a ter uma renovação nesse tipo de investimento, sabe? Em roteiros de qualidade, que eu acho que até os bolsonaristas devem estar entendendo agora que é importante. Assim como eu espero que eles estejam entendendo, uma coisa também que é interessante que é valores. Porque o Bolsonaro foi dizer que 134 milhões até é barato.
Mas ao mesmo tempo, esse mesmo Eduardo, e não só ele, o pessoal do MBL, tantos outros que ficaram escandalizados quando o Porta dos Fundos foi fazer o filme e captou 3 milhões. Que nem conseguiu, acho que os 3 inteiros, tá? Mas teve direito a captar 3, se eu não me engano. Algo dessa ordem. Absurdo! Milhões! Da Lei Rouanet, que nem é Lei Rouanet, Lei do Audiovisual.
milhões para o Porta dos Fundos, ué, não entendi. 130 milhões não é pouco? Vocês acham que para um filme do Porta, que foi inclusive um filme enorme, muito mais, vendo, tem muito mais valor de produção do que o filme de vocês? Então, assim, é interessante também ver como eles mudaram em relação às cifras da cultura. É que vocês não pediram para o Vorcaro, né? A gente pediu para as pessoas erradas. Pediram para as pessoas erradas, né?
E eu acho que tem uma coisa importante que você fala disso, Greg, desse período de 10 anos. Eu mesmo não tinha me dado conta de que tanto a gente se é secreto quando ainda estou aqui, eles foram pensados e como projetos começaram a ser escritos antes do golpe do Temer.
Então a gente não pode nem ler eles como uma resposta política aos nossos tempos autoritários. Era simplesmente um filme sendo feito sobre questões relevantes e uma visão que um diretor tinha. Então eles se tornaram mais relevantes por conta do ambiente político, mas eles estavam sendo planejados em tempos democráticos. E aí eu queria juntar isso um pouco com isso que você colocou, que o tanto de profissionais do audiovisual brasileiro que tendem a ser...
no mínimo anti-bolsonaristas, que entendem a importância da política pública e tudo mais, eu acho que eles não foram simplesmente atraídos para fazer o filme do Jair por conta do cachê alto, mas é porque com a quebra da cadeia de incentivo e...
e a produtiva em 2016 e depois aprofundado em 18, 19, 20, 22 com o governo Bolsonaro, são os filmes que não estão sendo feitos hoje, que essa turma deveria estar fazendo. São os roteiros que não foram tratados, são os investimentos que não foram feitos para que 10 anos mais tarde, 8 anos mais tarde, 6 anos mais tarde, essas pessoas pudessem estar trabalhando em filmes autorais brasileiros de qualidade para uma indústria. E é isso que é interessante de falar, que é...
A história do nosso cinema, que novamente, precisa ser incentivado com política e com dinheiro público. Porque é assim, no mundo inteiro...
No mundo todo, todo país que tem cinema de qualidade, ele depende de política pública e de investimento público para isso acontecer e o retorno é imenso. Isso não é caridade, isso é investimento mesmo. Mas outra, ele depende de muita continuidade. E a história da nossa política de incentivo, ela é errática e muito irregular. Então essas interrupções...
que o Collor fez, que depois o Temer fez, que depois o Bolsonaro fez, você não cria uma pausa e depois o cinema volta de onde ele estava. Você desemprega pessoas, você desarticula produtoras, você não forma pessoas nesse período, as pessoas vão arrumar outros trabalhos, vão desistir da sua carreira. E aí é uma queda de uma cadeia de produção.
Que como a gente bem sabe em cadeias de produção não é complexas, no próprio é capitalismo. Se você interrompe elas, elas demoram muito mais tempo para se recuperar do que a mera pausa. Então a gente está vivendo isso hoje. E aí que não basta simplesmente recuperar...
operar as políticas que tinham em 2016, antes do golpe. Mas é de pensar políticas públicas mais avançadas, não só para compensar o tempo de grande retrocesso, mas de adaptar um monte de política pública a uma nova realidade, que hoje em dia também é um universo cinematográfico, em termos de streaming, de consolidação de plataformas, de consolidação de estúdios fora do país e de hábitos mesmo do nosso público.
que precisa de um tipo de política pública que não era tão clara há mais de 10 anos, quando um governo de centro ou esquerda fez um desenho de política pública muito mais adequada para o século XX, para o comecinho do século XXI, do que no cenário que a gente tem hoje em dia. Então acho que o sucesso do...
ainda estou aqui do agente... do agente secreto, ele pode mascarar um pouco a nossa realidade, que fica parecendo que o cinema brasileiro tá, tipo, bombando.
Porque dois filmes foram pro topo do cinema mundial. Mas o fato é que ele tava bombando dez anos antes, quando esse filme começa a se viabilizar, na mão de dois diretores, que tão também no topo da cadeia produtiva mundial, com investimento externo ou com capital próprio, mas que não reflete uma puta realidade dura de quem trabalha no audiovisual. E isso tem que aproveitar. Esse escândalo deveria também servir pra gente falar disso.
que é olha qual o modelo de cinema que a extrema... é direita. E os faria-liner, no final das contas, os donos de banco, o mercado financeiro, esse é o modelo de cinema que eles são capazes de produzir.
do Dark Horse. Muito bem lembrado. E realmente, um dos maiores sintomas de que a pista está salgada profissionalmente para o técnico de audiovisual é o fato de as pessoas terem participado do Dark Horse. Quando você vê a ordem do dia, você vê a pessoa ali, me deu uma dor no coração de ver pessoas talentosas ali, pessoas bons profissionais.
Dá uma dor no coração de pensar que aquelas pessoas elas estavam muito sem trabalho pra ter topado aquilo. Sabe? De que o mercado tá realmente num momento muito ruim. Pra terem profissionais que toparam fazer aquilo com aquele roteiro.
Porque a primeira coisa que você faz é assim, mas qual é o roteiro, qual é o propósito? Não tem condição de uma pessoa topar aquilo se tiver outra coisa para fazer no ano. Então realmente é porque elas estavam... E eu perguntei isso. O que será que a pessoa topou? Falou, cara, ele estava sem trabalhar, sei lá, há quantos anos. Então assim, está muito difícil mesmo. Muito difícil. Sou solidário. E custa caro participar disso. Porque é isso, tem custo social.
Tem uma vergonha interna que a pessoa sente. Tem um constrangimento gigantesco mesmo. Tem. E é isso. O certo era que essas pessoas não tivessem... É agenda pra fazer o filme do Bolsonaro. É, é. Mas tá aí.
Mas está aí, está no momento de uma entre safra, está muito complexo mesmo. O Pedro Butcher é um cara muito interessante, aliás, eu recomendo que sigam, quem quiser acompanhar mais e ler, tem vários artigos dele. Pedro Butcher, com TCH, ele é um pesquisador do cinema tal, a gente conversou com ele aqui para esse episódio, ele está falando coisa que é verdade, que o cinema no mundo inteiro é cíclico. O problema do Brasil é que os ciclos são muito curtos e interrompidos.
então você tem tem algo que é meio sísifo, né? quando a pedra chega lá em cima ela cai e tem que recomeçar, e levar a pedra lá pro alto demora muito mais do que qualquer coisa, assim, do que qualquer país normal, então a gente não tem uma estrutura perene, cara, isso daí é foda mesmo então, cara, a gente tá nesses momentos a gente ri da coisa da cox, mas tem várias tragédias ali
escondidas, sabe? Tem várias tragédias subjacentes. Aliás, outra coisa curiosa é o fato de eles terem feito um filme sobre o Bolsonaro, um patriota, é um filme muito patriota e tal, no qual os atores falam inglês. Pouco se falou sobre isso.
primeiro, o deslumbramento com Hollywood que eles falam assim, conseguimos atores de Hollywood pô, pra uma galera patriota não era mais legal você se orgulhar de ter diretores e roteiristas aqui? Greg, você ainda chama aquilo de patriotismo os caras, tipo, o sonho deles foi escrito por um norte-americano, um estadunidense dirigido por um
em inglês, para um cara que talvez nunca tenha vindo ao Brasil. Porque tem uma coisa curiosa, que é o seguinte, tem uns detalhes que deixam muito claro, que a pessoa não sabe do que ela está falando mesmo. Tem, por exemplo, um personagem que foi inspirado na Damares, muita gente já falou disso, mas é um personagem que é uma curandeira, assim, é uma mística, tá? E ela é uma Damares que tem dreads. Inspirada na Damares? É, foi a Damares. Mas é uma curandeira, a Damares? Pois é.
Todo mundo tá falando que foi inspirada na Damares, porque é uma mulher próxima dele muito religiosa. Quem mais pode ser? E próxima a Michelle. É a Damares. Ah, tá. E ela via coisinha árvore, goiabeira e tal. Isso, ela vê coisa e tal. Como a Damares tem esse lugar meio de... Só que ela tem dreads.
Tem dreads. Que é só racista mesmo. Não tem por que vai botar a Damares com dreads. Tem porque a Damares não tem dread. Mas assim, ah não, pra ela ser meio feiticeira, bora botar um dread. Então assim, é coisa de quem não conhece a realidade brasileira. Porque a Damares nunca teria dread, entendeu? Então assim, você... E que voodoo é da Jamaica também, que é outra coisa. Foi isso que ele pensou. E não do Haiti. Feiticeiro? Ah, tá. Então deve ter dread, porque voodoo, magia negra. Foi isso que eles pensaram. Entendeu?
Então, tem várias coisas no roteiro. E o produtor executivo Eduardo Bolsonaro não deu um toque? Porque a gente nem falou disso. Ele é produtor executivo do filme. O que significa, na prática, que ele tem acesso ao orçamento do filme? Ele pode dispor do orçamento.
Justifica-se ele receber grana Eu estou sentindo falta, aliás Bruno De ter uma pressão maior Das pessoas que fizeram um filme lá Eu não vi nada, ninguém perguntando nada Lá fora para esses caras Aliás não tem nenhuma matéria ainda na imprensa grande A Reuters deu uma Deu um pouco Mas faltou o New York Times Faltou o jornalismo americano E atrás desses caras
Vamos dar tempo ao tempo. Vamos dar tempo, porque assim, talvez o New York Times esteja apurando isso daí. Tomara. Uma coisa que você faz de um dia pro outro. Porque assim, bater o telefonema, ligar pra produtora, investigar onde esse dinheiro tá, bater na porta lá em Arlington, ver onde é que essa empresa tá registrada. Esses caras podem ajudar, entendeu? Receberam tudo? Receberam quanto? Porque afinal de contas, eles estão envolvidos num grande esquema de corrupção. Eles estão envolvidos.
O que os Bolsonaro fizeram foi envolver nomes do cinema hollywoodiano no nosso maior fraude, no nosso maior fraude financeira. Então, esses caras têm que dar respostas também. Eu não chamaria de cinema hollywoodiano, porque a produtora que faz esse filme, os caras que estão envolvidos para fazer esse filme lá, eles são os Mário Frias deles.
eles são os atores, diretores e roteiristas ressentidos que acham que Hollywood não os reconhece ou não indica eles pro Oscar porque eles são de direita. Sim, você tem razão. Então a Produtora é de Utah, fizeram aquele som da liberdade, essas coisas todas que tipo assim, é tipo esse gênero de cinema americano, não é o cinemão. Eles não estão implicando, entendeu? A Paramount, entendeu?
ou qualquer outra delas eles estão eles têm esse sistema paralelo de cinema de extrema direita no mundo, entendeu sem ter uma Lene Riefenstahl é só é só a rapa do tacho cinematográfico mesmo, novamente como Mário Frias atribui a sua falta de sucesso, a falta de alinhamento ideológico e não falta de talento
Perfeito. Não, eu concordo que eles não são do primeiro time. Mas o que eu botaria é assim, eles chamaram pessoas que desenvolveram longas metragens com algum sucesso financeiro, sabe? Sim, pessoas que trabalham lá, isso que eu quero dizer. Não são muito famosas, mas é o bastante para, por exemplo, ter o interesse, teoricamente, da imprensa americana, entendeu? Eu acho que isso pode estar sendo apurado nesse momento. Eu não duvidaria.
Mas de todo jeito... Eu tô aguardando muito essa apuração, sabe? É que a gente tá com muita pressa, Greg. Esse negócio se misturou na quinta passada. Calma. Verdade. Demora fazer uma apuraçãozinha bem feita pra sair no New York Times. E, novamente, a gente se apressa em botar essas matérias porque, pra o nosso país, isso é um furo. Então todo mundo tem que correr.
A Globo News tem que correr, tem que estourar a manchete, tá aqui o vazamento, liga pro Flávio Bolsonaro, vamos entrevistar ele. Porque é a nossa corrida presidencial que tá em jogo, é o nosso cenário político. Mas pra isso ser interessante nos Estados Unidos, não é como furo, é como reportagem bem apurada. E aí eu acho que tem uma coisa extremamente saborosa, que é a ponte que é feita entre uma coisa e outra, que é esse cinema...
de direita nos Estados Unidos. É pauta para eles lá. Eles se interessam, já fizeram matéria sobre isso, podcasts e tudo mais. E aí sim, a relação do Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos é muito mais interessante do que o Flávio. Porque o Eduardo Bolsonaro mora lá e ele é o cara que se diz o chanceler da extrema direita brasileira na Casa Branca Trump.
Então eu acho que a coisa mais interessante disso, e aí não só da imprensa dos Estados Unidos, mas a gente ser capaz de comunicar isso pra fora do país, que é de fazer mais um... mais uma...
mais um argumento pra que a associação do Donald Trump e da extrema direita dos Estados Unidos com o bolsonarismo seja mais queima filme, mais tóxico do que ela já é. De fazer com que o E. Trump pise. Então é muito interessante da gente pensar que isso vem também uma semana depois do Lula encontrar o Trump. Uma semana depois e que a extrema direita fingiu que não aconteceu.
porque era péssima pra eles ver o Trump rindo, chamando o Lula de inteligente, então assim os caras, teve um cara que escreveu um tweet que eu achei genial apesar de eu não estar no tweet e ver ele repercutir que é o encontro do Lula foi tão ruim com o Trump, foi tão ruim pra extrema direita, que os caras estão tentando desviar a atenção é tipo é sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal sal
É bebendo detergente. Ah, e você acha que teve a ver? Não. Mas é isso. Na quinta-feira que isso aconteceu, os caras não tinham uma imagem do Lula com o Trump detonando ou falando assim, tá aqui, olha o Trump. Eles fingiram e tomaram detergente. A gente não sabe como foi a porta de fechadas. A gente não sabe muito o que aconteceu ali, né? É. Bom, minha opinião aqui...
O pessoal aqui reclama muito, que a gente bate muito no Lula, que a gente não gosta de ver o lado bom, que a gente tá sempre vendo o copo metade vazio. Vocês. Eu apanho. A gente apanha como podcast, né? Até você apanha de antipetista aqui. Eu tô zoando. Mas eu achei o Lula...
absolutamente maestro de comunicação lá em Washington. Achei, assim, completamente genial. O fato dele ter conseguido, dele ter alongado a reunião dele com o Trump e pedido ele e Lula para cancelar aquela coletiva dos dois juntos.
que é onde a baixaria acontece. É onde iam perguntar para o Trump na frente do Lula, que o Lula chamou ele de fascista, ia perguntar do Bolsonaro. É onde a imprensa ia perguntar as coisas que nenhum dos dois estava afim de responder. Então, o que o Lula fez? Deixou a imprensa de fora.
controla a narrativa absolutamente sozinho com as imagens que o Sturkart produziu, com as declarações que ele disse que aconteceu. E porque pro Trump essa reunião não é muito importante, porque ele tá muito enrolado com o Irã e com outras coisas, o único presidente que deu uma coletiva sobre essa imprensa, sobre esse encontro, foi o próprio Lula. Então tudo que a gente sabe que aconteceu naquela reunião foi o Lula que disse. Foi o Lula que disse que o Trump riu da piada dele. E o que o Lula falou? Eu não acompanhei.
que tiveram química, que foi muito produtivo, que vão discutir aí, que ele se ofereceu para ser o mediador com o Irã, que ele fez o Trump rir, então ele tem certeza que pode fazer o Trump ter bom as parcerias comerciais com o país. Ele fez o que o Lula no exterior faz. Como jornalista, claro que eu fico ofendido, certo? É uma coletiva, responder, ver a coisa. Mas como...
Um político que estava numa situação extremamente arriscada, que é ir na Casa Branca conversar com o Donald Trump. Tendo em vista o que aconteceu já com Zelensky, com a primeira-ministra do Japão, com o presidente sul-africano e com o Lula, que é, politicamente, ideologicamente, rival da Casa Branca, declaradamente.
Deu entrevistas poucos dias antes de ir pra Casa Branca falando que o Trump governa pelo Twitter, onde já se viu. Então ele criou, o Lula sozinho criou isso, um jeito dele não ser constrangido na Casa Branca e ter o controle total da narrativa política que saiu de lá. Prova disso é que a extrema direita preferiu beber detergente do que falar da casa do Trump com o Lula, literalmente. Caralho, essa daí realmente chegaram realmente.
No fundo do fundo do poço. Que semana difícil, hein? Pro bolsonarista médio. E as pesquisas ainda não foram feitas pós-escândalo, né? Então a gente ainda não sabe exatamente o que aconteceu demograficamente com esse escândalo, assim, em termos de eleição, impacto de intenções de voto. Pois é. Mas não vai ser simples de todo jeito. Não vai ser simples. Achar que tá ganho, aí sim.
Delusional, como eles dizem lá. Delulo. Delulo. Tá meio Delulo mesmo. Eu tô um pouco Delulo. Depois da semana eu tô meio... Eu tô dizendo assim, caraca... Você acha que tá na mão a eleição? Ah, sobretudo se esse filme sair, né? Vamos torcer pra sair, vai.
A gente podia vazar, tipo tropa de elite. Vazou antes, todo mundo viu. Pois é, cara. Tá à vontade. Eu acho que o... Eu acho verdade que tem uma mudança de ventos. Tem uma...
tem uma... Aliás, a Laura Carvalho, deixa eu ver um artigo ótimo na Ilustríssima, tem um pouco a ver com a nossa fala, por acaso, mas a nossa fala foi antes, mas a gente fala muitas coisas parecidas. Eu queria ter lido o artigo dela antes da nossa fala, porque eu ia embasar melhor. A gente não embasou muito.
e é ótimo o artigo dela, está na Ilustríssima, e ela fala, aliás, dela e do Gui, o marido dela, Gui Weber, agora não estou lembrando o nome, mas enfim, os dois escrevem um artigo ótimo, na Ilustríssima, tentando explicar isso, por que o governo Lula não está tão popular quanto os índices de economia apontariam que ele estivesse. Guilherme Klein, perdão.
Então, Laura Cavalho e Guilherme Klein, que é professor da FRJ, o Guilherme, e Laura da USP, eles queriam esse artigo. E é ótimo, mas é bem curioso que está muito em comunhão com o que a gente estava dizendo, que tem a ver... Vou ler os vales lá, vocês lerem, porque acho que vale a gente fazer um programa inteiro na segunda vez sobre ele, porque ela explica muito bem, assim, os conóquos, né?
E o que eu acho interessante, uma das coisas que ela fala é que tem uma comparação com o milagrinho do Lula. Um dos problemas do Lula é que ele tem uma comparação com ele mesmo, que é muito ruim para ele, porque o Lula em 1 e 2 foi um milagrinho mesmo, foi algo muito, muito incomum para o Brasil, em termos de crescimento, distribuição de renda e tal.
mas não só. E acho que vale lá depois vocês verem. Mas enfim, indo pra parte final de leituras, o que você recomenda, Bruno? Tem algo que você recomende? Ah, putz. O que eu tô lendo? Eu já li o nosso livro do Clube de Cultura do próximo mês, que vai ser Os Imortais, da Pauline Torti. Eu que recomendei. Então já estava lido. Leia, Greg. Livro muito, muito, muito bom. Já recomendei três vezes.
Já deu. Eu tô lendo... Aqui, infelizmente, tá lá no meu quarto. Eu tô lendo um livro chamado Sombreiro Fall Out. É um romance americano dos anos 70. Sei lá, não tô nem recomendando ele.
É o que eu tô lendo. É um livro bem doido. Ele é um cara pós-Bitnique. Ele é um Bitnique muito jovem pra ser da geração imediata ali do Alan Ginsberg, do Jack Kerouac, do William Burroughs. Mas ele é um tributário imediato da literatura Bitnique. E nos anos 70...
Ele fez esse romance louquíssimo, um jeito esquisito de escrever. Parece que ele escreve intencionalmente mal. São duas histórias paralelas que vão se entrelaçando. Uma extremamente surrealista e outra um cara frustrado com o coração é partido dele. Mas pra mim faz parte de uma outra coisa. Não é que eu tô lendo esse livro por si só. Eu tô muito interessado por conta do realismo capitalista que a gente leu junto.
eu fiquei particularmente interessado nas criações narrativas, romances, histórias, e na vanguarda narrativa dos anos 70, pré-neoliberalismo. Então, o que o mundo é antes do realismo capitalista se estabelecer como indústria e como cultura psíquica? Qual era o ambiente narrativo literário?
dentro daquela década de vanguarda. Para onde a literatura estava indo antes do neoliberalismo. E se você ver com esse olhar os roteiros dos filmes da década de 70, no Brasil, nos Estados Unidos, na Itália, na Europa, a literatura é vanguardista e tudo mais, é muito interessante você ver essa grande quebra mesmo que houve a partir dos anos 80. Então, já que o...
O Mike Fischer fala que a gente está vivendo essa crise de imaginação e que a nossa cultura reflete, ele é produto disso, ela não nos deixa. Eu estou estudando um pouco o universo antes desse meteoro bater, antes da Thatcher fazer o estrago dela, do Reagan fazer o estrago dela, do Pinochet foder com o XVI.
eu tô tentando ler esse tipo de literatura você leu chegou pra você da Ubu a ficção científica capitalista? chegou, chegou pra mim, ainda não li maravilhoso, eu tô lendo eu acho que chegou chegou na minha casa, mas eu não peguei ainda eu tô confundindo com outro livro que chegou pra gente também, que é imaginações pós-capitalistas que a gente recebeu eu peguei na sua casa até porque tem a ver com isso um salão um salão
Ah, do Fábio Barbosa Silva. É bem interessante esse também. Uma compilação de artigos. Não tá aqui comigo, senão indicava. Mas eu não queria falar desse não, porque eu não terminei. Eu vou falar pra vocês do Apátridas. Cara, que livraço. Do Alejandro Chacoff. Puta, que livraço, cara.
É sobre o Brasil dos anos 90. Na verdade é uma autobiografia, é o que me parece, uma narrativa de uma criança dos anos 80 e 90 ali, em Cuiabá, uma criança que voltou dos Estados Unidos no auge, no apogeu do Império Americano. Chega em Cuiabá aquela criança estadunidense, de certa medida assim.
os pais separaram e aquele olhar de uma criança que por acaso foi a mesma infância que a minha no sentido temporal, não é? olhando para aquele mundo brasileiro em plena periferia, da periferia do mundo, né? Cuiabá ainda estava no Rio, Cuiabá ainda está lá no meio assim do...
do Pantanal do Centro-Oeste brasileiro, uma família cartorial, que o avô dele era cartório. É um retrato de um Brasil muito fascinante. E é bonito porque ele narra todos os personagens com um afeto terrível. Então esse avô, que é o dono do cartório, que é um Dom Corleone, é muito querido também. E é um cara amorosíssimo. O pai dele, pelo qual a criança tem um fascínio, já é uma pessoa...
péssima, assim, nem um pouco confiável. É boa a frase do João Morar Salles sobre o livro. Ele diz que este é, sobretudo, um livro sobre um pai e um país. Ambos pouco confiáveis. Ambos incapáveis de cumprir suas promessas. E, realmente, é exatamente isso. É esse cara chegando no Brasil e o pai dele, que é esse personagem espetacular, mas...
assim, péssimo ao mesmo tempo, se funde com essa coisa de um país em que nada é muito confiável, tudo é fluido, tudo é líquido, e esse garoto, tentando entender o que ele é, porque ele era mecânico, ele veio para o Seu Mapátridas, né? Ele era, mas veio morar no Brasil, mas logo depois sai do Brasil, porque sempre ouviu falar que tinha que sair pra estudar e volta pro Brasil, é muito, muito, muito bonito, é um puta livro, é emocionante, eu achei lindo, no final eu chorei, cara. Escreve bem que é caralho, o Randall Shakov, muito bem, escreve muito bem.
E é uma pena, porque eu falei, cara, esse livro foi bombar pra caralho. Porque eu achei que ele vai sair agora, é 2020. Eu me liguei que não falaram tanto dele, quanto eu acho que deveria. Porque é um livraço pro Brasil hoje, assim. O Radishakoff é um cara da Piauí, resumindo, ele escreve na Piauí há muito tempo, tem artigos ótimos, inclusive tem um artigo muito bom nele na Piauí, sobre o bolsonarismo e os personagens de Rubem Fonseca. Ele fala como na literatura de Rubem Fonseca tem ali um germe de um pensamento bolsonarista. Não que o Rubem fosse.
mas que os personagens têm um tipo de pensamento, um cobrador, sobretudo, que ele vê muito encarnado no bolsonarismo nos anos 2000. Interessante. Muito interessante esse artigo dele. E ele é um cara que sabe super bem, mas eu nunca tinha lido os romances. Esse romance é espetacular. Aliás, agradecer a livreira que me deu. Eu estava em BH numa livreira que eu adoro, o Gene Papo, e tem essa livreira espetacular, que é a Simone Pessoa.
Simone, boa livreira que ela não tem como se negar quando ela vem e chega pra você você já leu Os Apátrias? ela fala, eu não, nunca li tem que ler e aí quando o livro se apresenta dessa maneira, né? é o melhor jeito você se sente obrigado a ler e eu li de fato assim então eu recomendo, pô não é difícil de achar companheira das letras e tomara que o livro alcance eu com um pouco atrasado sim o tamanho que ele merece porque, porra, um livraço mesmo mesmo
Lerei. Vou comprar o meu. E pra encerrar falando em livreiros, vamos lembrar o pessoal aqui que no dia 3 de junho estaremos Gregório, Alessandra e eu ao vivo na Feira do Livro de São Paulo. Vai ser uma quarta-feira. Véspera de feriado de Corpus Christi. Acho que o Greg vai no mesmo dia ter alguma mesa que você vai falar sobre o seu novo livro. Que a gente vai ainda falar dele com mais...
com mais tempo, mas a gente vai gravar o Calmo Urgente, teremos o grande prazer de gravar ali, ao vivo, de graça na Praça Charles Miller, ali no Pacaembu, na grande feira do É Livro, que pra quem é de São Paulo sabe que é um evento imperdível, uma delícia ficar passando a tarde ali, encontrando amigos, todas as editoras, tem muita comida boa, muita mesa e muita fala boa, então a gente se vê lá, tá bom? Com certeza.
Até breve, gente. Valeu, grande. Beijo. Viva. Viva o Cinema Nacional. Viva o Cinema Nacional. O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção, temos Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Tone Costa. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes.
Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.