Episódios de Calma Urgente

Messias sem Redenção

04 de maio de 20261h26min
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Lula, a derrota do Messias no STF e a arte de perder perdendo.

O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções

Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra

Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo

Assistente de Produção, Leo Tone Costa

Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez

Na Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_

Ilustração e Design, Anna Brandão @annabrandinha

Na sonoplastia, Felipe Crocco

Na Edição de Cortes, Julia Leite

Nas Redes Sociais, Gabi Biga

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes

Identidade visual, Pedro Inoue

Consultoria de Comunicação, Luna Costa

Assuntos7
  • Relação com o STFRejeição de Jorge Messias · Aprovação de Flávio Dino · Papel do Senado · Voto secreto · Democracia como performance · Operação do Banco Master · Aliança entre Alcolumbre e Moraes
  • Crise política no São PauloNota oficial vs. entrevista de Edinho · Erro do PT em não assinar CPI do Banco Master · Jacques Wagner e a investigação do Banco Master · PT como significante vazio · Comparação com impeachment de Dilma · Falta de articulação do PT
  • Poder LegislativoEmpoderamento do parlamento · Arthur Lira como figura de poder · Quebra de pacto não declarado · Comparação com Obama e Scalia · Senado como bloco de poder
  • Filho de Artur LiraPerfil tentacular de Lira · Nomeação de porteiros · Mudança de nome do aeroporto de Macapá · Relação com Beto Louco · Combinação de simpatia e achaque
  • Posicionamento EstrategicoGuerra de movimento vs. guerra de posição · Disputa cultural e ideológica · Domínio da mídia, escolas e sindicatos · Olavo de Carvalho e Gramsci · PT e guerra de posição
  • Papel da oposição na democraciaFatalismo político · Democracia aleatória · Poder desproporcional dos partidos · Falta de articulação do PT · Endividamento crônico da população
  • Voto Jovem
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Olá, queridos ouvintes e espectadores do Calma Urgente, aqui é Gregorio do Vivier.

E hoje é sexta-feira, já primeiro de maio. Estamos gravando na sexta, excepcionalmente, esse programa que é o Alar na segunda-feira, dia 4 de maio de 2026. Queria chamar eles aqui, Bruno Torturra e Alessandra Orofino. Oi, Greg. Olá, pessoal. Feliz dia do trabalho pra vocês. Feliz dia do trabalho trabalhando. E cá estamos. E cá estamos. Que é de luta. Pois é.

dia de luta, não é sobre não é sobre trabalho é sobre luta o Bruno me mandou uns flyers que eu tava mandando aí, feito por inteligência artificial pro dia do trabalho, é muito louco é muito simbólico mesmo, porque no dia do trabalho dia do trabalho ponham a IA pra trabalhar

E pra fazer uma análise crítica do trabalho no século XXI. Não é sobre trabalho, é sobre luta. Trabalho não é só isso. É aquela enumeração de três. E aí todos os clichês. E a esquerda mandando flyer feito por IA. É como se fosse luta. É muito louco. E o louco é que, eu não sei se vocês estão vendo, isso aconteceu na minha timeline, acho que nos últimos quatro dias. Alguma plataforma aí tá fazendo flyer ativista, tipo cartaz, pôster, assim.

tudo tá com a mesma cara. O do Tiago Ávila é sequestrado por Israel, dia do É Trabalho, anti-Alcolumbre, aí tem um bar que fez uma promoção, tudo com a mesma cara, e vem esses textos em forma de slogan, tópico, iconezinho, e é meio nessa pegada que veio aí no dia do É Trabalho, falando sobre trabalho, e como o mundo digital está mudando o trabalho e tal, e aí é o Maiá que fez.

Muito deprimente. Só não é mais deprimente, exatamente, só não é mais deprimente, Bruno, do que o fato de que o governo atual do Brasil não consegue indicar um ministro do Supremo.

E detalhe, o ministro do Supremo mais palatável, mais à direita, que conseguiram encontrar, porque afinal de contas, é isso que é mais deprimente. Bom, só resumindo aqui, a gente está na sexta-feira, ontem, o Messias, Jorge Messias, que era o nome do Lula, era o seu terceiro indicado a ministro do Supremo, no lugar do Barroso.

que se aposentou, retirou, abriu uma nova vaga, e o Lula indicou o terceiro homem para o cargo, no caso, Jorge Messias ser o homem de confiança, que ele vinha há mais de um ano tentando indicar, tentando entender qual era o melhor momento, já tinham antecipado que talvez não fosse fácil a aprovação dele no Senado, e o nome indicado do presidente ao Supremo tem que ser aprovado pelo Senado.

e hoje em dia não está fácil e tal, então talvez já pensando nisso, pelo menos foi isso que justificaram, Lula indicou o seu nome mais conservador, Jorge Messias Evangélico, que inclusive na sabatina chorou, chorou falando da igreja, disse que sempre foi contra o aborto, prometeu que seria contra o aborto, Jorge Messias conseguiu a benção de Silas Malafaia, que tinha ao seu lado, seu maior aliado era André Mendonça, o ministro terrivelmente evangélico de Bolsonaro.

Ele que conseguiu arrebanhar esses apoios todos. Arrebanhar é uma boa palavra. Não é? Nesse caso. Ele perdeu. Ou seja, o nome mais à direita, mais conservador, mais... Não, aparentemente, não era conservador o suficiente para o Senado. Não. Isso daí é o que...

É o que o PT está alegando, eles vão dizer assim, o governo, esse Senado é tão retrógrado que não quis aceitar um nome honesto, um nome íntegro, como o de Jorge Messias. Essa é uma leitura...

governista, eu diria assim. Eu entendo que eles têm que ter alguma leitura, têm que contar alguma história, têm que ter uma narrativa. Mas está sendo feita essa narrativa? Porque eles aprovaram o Flávio Dino, né? Pois é, ou seja, não faz o menor sentido. A narrativa agora, Bruno, está parecendo muito com a narrativa de Dilma, em 2015, em 2016. A narrativa do PT para salvar Dilma, que era assim. Messias caiu por ser honesto demais.

Ele caiu por ter ido contra o Master, por ter ido contra o INSS, ele apurou, ele era da AGU e tal. Então o problema dele foi ser honesto demais num país que não tolera a honestidade. Isso tem algum fundo de verdade, não é? Porque assim, de fato, uma das coisas que certamente pesou contra ele foi o fato dele ter se aliado ao André Mendonça.

Ou seja, ter se aliado ao ministro evangélico, que esse sim foi um dos responsáveis por ter vazado a operação do Maestro e tal. Enfim, foi um aliado da Polícia Federal contra o Banco Maestro. E o Banco Maestro está muito entranhado ali dentro do Senado, sobretudo com o Colúmbio, mas não só. Aparentemente com pessoas do PT mesmo, inclusive o Jacques Wagner.

Então, o Messias, ao que parece, quando você lê a pura, Luiz Amigues fez uma apuração maravilhosa pra gente e tal, e ao que parece, ele não teve o apoio do PT, Jacques Wagner teria articulado contra ele, não teve o apoio do MDB, tradicional, era pra ser pelo Renan Calheiros, era pra ser um aliado e tal, não teve apoio, o Renan queria o candidato dele, lá, o Bruno Dantas, não teve apoio nem do PT, nem do PDB, não teve apoio do Flávio Dino.

também do Alexandre Moraes nem se fala, não teve apoio dos aliados tradicionais nenhum, ou seja, os 30 votos de Os Messias pode ser que tenham vindo da Damares, pode ser, eu não sei de quem veio, esse não veio do PT, não veio do PCdoB, não veio do PSB, não veio do PSD, não veio do PMDB, do MDB, de onde é que veio? Pode ter sido da Damares, do Cleitinho,

Não sei dizer, não sei, mas pode ser, não é? De onde é que vieram os seus votos? E o fato de você não saber dizer é parte dessa história, né? É parte da história. É muito notório que uma decisão tão importante quanto a indicação de um ministro do Supremo, que talvez é muito mais consequente para o país do que a aprovação de um projeto de lei, é uma coisa que tem consequências ao longo de décadas, que você teria muita dificuldade de reverter.

e assim por diante, que isso possa ser decidido sem um mínimo de transparência para a população brasileira. Voto secreto nesse caso, aliás, eu acho que em todos os casos, mas especificamente nesse caso, é de um absurdo enorme. É um absurdo, tem toda a razão. É a consumação da democracia só como performance. Você tem uma coisa que acontece ali no plenário que todo mundo sabe que, na verdade, não é onde a decisão de fato está sendo tomada.

Não é onde a discussão de fato está acontecendo. E a gente se acostumou com esse modelo de democracia representativa em que os espaços que deveriam ser os espaços do parlamento, de discussão, de falar, eles são, na verdade, grandes estúdios de Instagram, onde esses representantes eleitos vão para fazer discurso no púlpito e postar em rede. E nada de realmente importante acontece ali. Está tudo acontecendo em algum outro lugar.

E nem jornalistas sérios que estão apurando conseguem cravar com certeza quem que traiu quem, quem que votou a favor, quem que votou contra. E essa leitura é uma leitura democraticamente importante. Se o Jacques Wagner, de fato, for um traidor do governo, se ele agiu e atuou contra o nome que o governo estava propondo para o Supremo, isso é uma informação importante da população ter. Da população da Bahia ter, da base militante ter. E a gente não tem.

Não tem. Não tem, tem apenas suposições. Apenas suposições. Elocubrações.

Mas eu queria só fazer um comentário sobre essa história do Messias como um nome muito honesto e também quero ouvir o que o Bruno está pensando sobre isso. Mas só lembrar que durante esses seis meses, quase seis meses desde que o Lula disse que seria o Messias até o momento em que de fato essa batida foi marcada, teve uma série de matérias sobre o Messias. É claro que isso é natural que queiram também desgastá-lo. Isso acontece com quase todas as indicações ao Supremo.

Mas uma das coisas que vieram à tona foi justamente a quantidade de penduricalhos e supersalários que o Messias tinha tocado durante o seu cargo na Advocacia Geral da União. Então, é honesto, mas é isso. É totalmente enrolado em penduricalho de salário. Parece que a apuração que foi feita, acho que foi pela...

não me lembro mais quem foi o jornalista que fez, mas que foi bastante repetida, é que ele teria tocado em mais de 700 mil reais em super salários ao longo de 2025. Acima do teto, né? Não como salário base. Só uma das informações.

Só de penduricales. Mas vai lá. Eu só leio a mensagem que está circulando em grupos de WhatsApp, mas governistas e tal, pessoas que... Haddad foi claro ao Metrópolis. Aí tem um vídeo do Haddad falando do Metrópolis, ele falando bem do Messias e tal.

Você deve ter visto ele no Metrópole falando. Messias não foi uma mera indicação ao Supremo. Foi peça-chave enquanto a AGU enfrentou os esquemas de corrupção com Master, Refit, REAG e NSS. Por isso ele incomoda. Quem desmonta esquema gera rejeição. Então, seria por causa disso. Eu entendo que certamente teve votos que ele não ganhou que foram por causa disso. Eu não tenho dúvidas.

Agora, tem dúvida que tem a ver com isso também, mas não tem a ver só com isso. Como a Alessandra falou, está longe de ser isso. Nome mais puritano, nome mais puritano. E mais, a gente vê pelos acordos que ele fez ali, do Malafaia, sei lá quem, ao Centrão. Ele tentou, tentou agradar essa gente. Mas desculpa, fala, Bruno. Qual é a pergunta? Você tem tanta coisa já. O que você está achando disso tudo, Bruno? Primeiro, acho que houve um erro brutal.

da parte do presidente Lula, não só de ter indicado o Messias, mas de ter atrasado muito a oficialização dele por um cálculo muito mal feito. Ele avaliou que se indicasse no ano passado, no final do ano passado, ele teria risco de ser rejeitado. Então o governo já tinha um horizonte muito inseguro para a indicação desse nome. E eles adiaram ao máximo

para manter o cenário de rejeição intacto, com o agravamento de uma série de crises políticas que anunciavam que ele poderia estar muito mais afragilizado do que no ano passado, por conta do escândalo do Banco Master e do interesse de várias pessoas em enterrar esse escândalo por conta do André Mendonça, que, à essa altura, já era aliado.

do próprio Emessias, mas também o Lula perdeu o pé porque é ano eleitoral. E a sensação que eu tive quando ele foi derrotado e veio um tsunami de notícia, de indignação, de vazamentos, de pessoas reclamando, mas um impacto político muito forte, porque vamos lembrar, é a primeira rejeição em 132 anos.

Então isso não é o tipo de coisa que acontece quando um presidente está enfraquecido. É uma coisa que não acontece. Então isso aconteceu. E a sensação que eu tive quando a rejeição aconteceu...

é de que a campanha começou, de que houve um impacto lá de um rearranjo político muito mais aprofundado do que a cadeira do STF, pura e simplesmente. Agora, foi uma indicação, independente se ele é honesto, se ele investiga, se ele faz o quê, uma indicação extremamente personalista.

que o Lula já tinha feito quando indica o Zanin, seu advogado de defesa, no escândalo que o levou injustamente à cadeia. Então, o Lula recompensou ele dessa forma. O Flávio Dino...

aparenta não ser muito pessoal, porque de fato é um grande político, um grande juiz, uma pessoa que tem estatura para estar no STF, na minha opinião, mas que tudo indica foi uma decisão pessoal para tirar o Edino de um cenário de...

é presidenciável, fora do PT, que o Dino estava se construindo como ministro. Também foi uma escolha que pode ser lida como muito pessoal. E o Messias, que praticamente é um operador jurídico do PT, é um cara do governo, ele não tem uma carreira fora dos governos do PT.

Então, assim, absolutamente frágil. Pessoalmente, vou ter que dizer isso, lamento os nossos correligionários aqui que estão ofendidos e defendendo ele. Eu vi a Sabatina. Eu achei, independente de ser conservador e parece que ele é, e evangélico num sentido ruim da palavra, não só como fé, mas como posição política mesmo, eu acho um candidato fraquíssimo. Fraquíssimo. Se fosse num outro ano, se não fizesse uma fragilidade tão forte assim, eu se fosse senador, eu teria votado contra.

Então, eu falo, cara, não está à altura de um cargo importante como esse. Seria bom que o Lula indicasse uma outra pessoa. E aí vem o caso mais importante, que é, talvez ele não tenha tempo de indicar uma outra pessoa. E aí, o que acontece que é o mais importante? Essa...

a rejeição pode significar muito mais do que não ter um indicado. Pode indicar e perder a vaga, caso ele não se reeleja no final do ano, e essa vaga fique para o próximo presidente. Pode ser o Lula ou o Flávio, que era uma das pessoas abraçadas com o alcoolumbre no dia da rejeição.

Então tem um cenário aí, tem muita coisa pra falar a respeito disso, mas vamos passar. Me parece que já foi, tá? Os analistas que eu vi lendo falaram assim, não, já perdeu, esse ano não tem mais. A não ser que ele indique o cara que o Alcolumbre queria sempre, que era o Pacheco. Que era o Pacheco. E assim, sinceramente, entre Messias e Pacheco, você vê muita diferença?

Eu nem sei opinar sobre isso. Eu não sei opinar. Mas eu acho que foi esse fato de como o Lula foi tão injustiçado e o PT se deu tão mal na mão da justiça. E eu acho que houve uma mudança de visão política de qual o papel da construção de uma STF.

Eu não duvido que tenha diferença, só para responder a sua pergunta, Greg, entre o Messias e o Pacheco nesse momento. Eu acho que a análise de que parte da rejeição e parte da costura do Alcolumbre foi para se defender e para se blindar, em específico em relação à CPI do Banco Master,

Ela está alicerçada em fatos. A gente não tem como ter certeza de quais foram as intenções ou as motivações dos senadores, mas isso faz muito sentido. E eu não duvido de que o Messias, no caso específico do Banco Mais, teria uma postura menos conciliadora e protetora da classe política e do próprio Supremo do que o Pacheco. Então, essa predileção do Alcolumbre pelo Pacheco, ela tem consequências. Não me parece que ela seja inconsequente.

E eu também, apesar de ter achado constrangedora e ridícula a performance do Messias durante a sabatina e ficar profundamente triste de que o partido tenha perdido com isso, porque é uma perda dupla, tripla, moral e política.

Ainda assim, eu concedo que quando eles dizem que, no fundo, é uma rejeição do Centrão, uma rejeição da classe política a alguém que poderia representar uma ameaça a algum tipo de esquema dessa mesma classe política, isso pode fazer sentido. Isso também pode ser verdade.

Isso também pode ser verdade. E as duas coisas podem conviver. Ele pode ser uma figura extremamente conservadora com uma performance abjeta e patética, e também pode ser alguém que teria tido talvez mais disposição pra comprar algumas brigas que são incômodas pra classe política, e especificamente pro Alcolumbre, e especificamente pro Alexandre de Moraes, em relação a outros possíveis candidatos.

e Jacques Wagner, talvez então parte da loucura e do sentimento um pouco ambíguo é que independentemente do que a gente acha do Messias e da tristeza que é ver o rebaixamento completo de expectativas em relação ao que pode ser um ministro do STF quando essa é a indicação

de um governo que se autodeclara de esquerda e que se elegeu com voto também de pessoas que se preocupam com coisas como direitos das mulheres, como avanço de algumas outras pautas. Mas ainda assim...

Isso também é triste, entende? Ele é rejeitado. Se ele tivesse virado ministro do Supremo, teria sido uma má notícia. E ele não virar ministro do Supremo também é uma má notícia. É uma notícia um pouco pior no cenário que temos. No cenário que temos, exatamente. No cenário que temos. Então é isso que a gente sempre falou sobre indicar uma mulher negra, sobre outras coisas. E vamos lembrar, como a gente viu em Barcelona, que o Lula não está se definindo exatamente como esquerda hoje, mas como progressista.

E como progressista, nada justifica a indicação do Nessias. Não é uma indicação progressista e de nenhuma forma. E aí vem a crítica que a esquerda, mais esquerda mesmo, tem feito. Se posicione.

e politicamente na sua indicação e não faça uma escolha tão palaciana, intra-brasília que essa é a sensação que me dá assistindo de fora tudo isso e que talvez seja o ponto mais deprê disso tudo

que eu fico me sentindo não um participante da política mesmo, nem como eleitor mais. Eu olho e falo assim, nossa, isso é completamente um jogo interno e tudo para fora é absolutamente ritualizado. É tudo performático, é tudo um discurso vazio, seja a acusação dele ou a própria defesa dele, quando todo mundo sabe que ninguém indicou ele porque ele vai defender a lei brasileira até a última consequência. É porque ele é um homem da política daquele grupo.

É só por causa disso. E ele foi rejeitado por isso também. Então, assim, tem uma coisa palaciana, uma coisa brasília, uma coisa isolada.

que bota a gente como espectador de um reality show de quinta, vendo essa situação sem nenhuma estatura. E, lamento eu dizer, de nenhum lado. Essa é o que a gente sempre critica. A gente perdeu é perdendo, não perdeu ganhando. A gente não sai nem com a moral elevada de uma situação dessa como campo e como eleitor.

Isso, e eu acho que eu queria que o PT entendesse algo que é o que parece pela divulgação e pelas narrativas contadas, mas não entendeu ainda, que é, não adianta nada fazer o famoso aceno aos evangélicos, sobretudo em ano eleitoral.

Não adianta. A campanha vai chegar aí e é capaz que agora comecem um circo de igreja chorar com o Malafai tentar desesperadamente prometer mundos e fundos pro Malafai, pros piores lideranças evangélicas em troca de um apoio que supostamente traria o eleitor evangélico. Não é assim que funciona. Não é.

Porque não basta você ter lá o seu braço direito, que era o caso do Messias, que é evangelho de chorar, fazer um teatro, embora seja verdade, tudo isso que ele estava mentindo, não, mas fazer uma encenação, pode ser verdadeira, mas era uma encenação, já que tinha mil câmeras e tal, um choro em frente a um monte de câmeras no Sabatina é também encenado, ele é cena. E isso não traz um voto, sabe? O que você acha da cena como cena, Greg, como ator?

Acho muito deprimente. Meu Deus do céu. Muito ruim, gente. Muito ruim como cena mesmo. Não, mas eu digo como performance mesmo. Eu acho horroroso. Eu acho... Eu fiquei muito constrangido. Olhei pro lado. Uma coisa meio The Office. Meio Nathan... Nathan for you, assim. Uma coisa que você olha. Ele fala, caralho. Que porra é essa, gente? Não faz isso, sabe? Igual eu uma vez parei numa blitz...

um documento atrasado e eu comecei a chorar de constrangimento. Eu comecei a chorar, perdão. Eu comecei a chorar porque foi um animal acuado. Eu pensei assim, agora talvez fosse bom chorar. E eu sei chorar fácil, né? Com o seu ator. E eu comecei a chorar, chorar, chorar. E era na Paulo de Fronten. Eu tava em pé, os carros passavam, olhavam. Por que esse cara tá chorando? E o PM muito constrangido. Ele ia me extorquir. Ele tava falando, vamos dar um jeito.

Eu chorava, ele não parava de chorar. Tava um momento que o PM falou assim, pelo amor de Deus, entra esse carro e vai embora. Tava pegando mal pra caramba aí pra você.

Ele ficou constrangido de ver um homem adulto chorar e ele me libertou porque eu estava chorando, porque é muito doloroso assistir uma pessoa crescida chorando. E eu não fiquei comovido, acho que ninguém ficou ao ver o cara chorando. Eu não acho que isso seja algo que seja carismático, não, é constrangedor. Para!

Para, sabe? De chorar em sabatina. Lembra do Rodrigo Maia também? Toda hora chorava. É uma coisa que não é legal. E vai ver o político, acha que isso vai aproximá-lo do povo. Não aproxima, cara. É só constrangedor. É feito olhar um acidente, sabe? Olha pro lado. Porra, você não consegue segurar o choro aos 50 anos de idade numa sabatina pra um emprego?

Caralho, sabe? Eu tenho uma visão diferente disso, mas tudo bem. Mas fala, fala, Bruno. Não, eu assisti a Sabatini e tava na hora ao vivo, ele chorou e tal. Foi a única hora que eu achei que ele... Isso, ele não segurou. Eu não acho que ele foi ator naquela hora. Eu acho que naquela hora não era uma cena. Naquela hora foi a hora que ele se humanizou, na verdade.

Mas ainda assim eu achei péssimo, porque ele claramente estava lendo um texto cheio de platitude, mal lido, mal interpretado, o que o indicia até como advogado. Porque eu falo assim, nossa, um advogado deveria ter uma retórica mais presente, mais convincente, como orador mesmo, assim, né? E estava mal de orador, estava lendo um negócio, meio qualquer coisa, só obviedade, parecia um gerador de texto e tal. E na hora que ele falou sobre ser evangélico, ele falou dos pais.

E aí ele falou, meu pai é minha mãe, que não sei o quê, que aí ele se engasgou e começou a chorar. E aí eu me solidarizei por um certo lado e falo, tá, claro, emocionante mesmo estar nessa situação, indo pro cargo máximo do... Eu acho que o sério brasileiro, acho que ele não imaginou que ele ia perder. E falou dos pais, eu entendo isso, mas o louco pra mim, que foi o que me preocupou, é que essa humanização foi na religião.

essa humanização dele é o que eu falo assim ah tá, então o cara é mais evangélico do que jurista porque o jurismo dele tava totalmente assim flat, tava hipócrita tava vazio, e a hora que eles viram uma pessoa, era sobre o fato dele ser evangélico

Claro, e a família e tudo mais. Aí me preocupou mais ainda. E acho que isso deve ter comovido, talvez, apenas a bancada reacionária do Congresso, e não a bancada progressista. É, não sei se comoveu, mas eu acho que a Damares deve ter dado voto pra ele. Afinal de contas, ele, tipo, aparentemente, ele já estava fechado com quem? Com o André Mendonça. Isso aqui é só especulação que eu lamentava nessa situação toda. A gente só pode especular, porque não temos clareza do que aconteceu. Nem vamos ter.

Mas eu queria trazer dentro dessas especulações, a gente citou aqui o Banco Master algumas vezes e eu não sei se a gente deu serviço, se a gente explicou porque que o Banco Master está misturado na história, né? Então, só para dar um passo para trás, assim, esse acordão que reuniu do Alcolumbre até o Alexandre de Moraes, aparentemente, até o Flávio Bolsonaro e que resulta na regência... Até o Jacques Wagner, líder do governo no Senado.

e que resulta na rejeição do Messias, tudo indica que é um acordão, na verdade, que tem três itens, digamos. Tem três partes nesse acordo. Tem a rejeição do Messias, que já foi feito. Tem o derrubar o veto da dosimetria, que é derrubar o veto do PL da dosimetria, que visa basicamente diminuir as penas para os condenados do 8 de janeiro. E enterrar a CPI do Banco Master.

E essa decisão de se enterrar a CPI do Banco Master, ela interessa, de fato, a muita gente. Especificamente em relação ao Columbre, a CPI, ela poderia aprofundar...

essa, enfim, dar mais informação durante o período eleitoral, que é ainda mais grave, né? Em relação a essa possível relação dele e do União Brasil, que é o partido dele, com o ecossistema do Vorcaro, né? E aí tem uma peça específica disso que é, tem um sujeito que se chama Jocildo Silva Lemos, que foi indicado pelo Alcolumbre para a presidência da Ampreve, que é basicamente a Previdência do Amapá. É o Amapá Previdência, chama-se Ampreve.

Em 2024 e 2025, sob a gestão desse Jocildo Silva Lemos, indicado do Alcolumbre, a Amprev realizou cerca de 400 milhões de reais em investimentos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

Esse, segundo a revista Piauí, esse Jossildo Lemos, ele despacha numa das salas comerciais que foram pagas com dinheiro vivo, com dinheiro vivo oriundo do esquema. E o irmão, o irmão do Alcolumbre, que se chama Alberto...

é conselheiro fiscal da Ampreve. Então, é uma teia literalmente familiar. Isso é, obviamente, o interesse do Alcolumbre. O Alexandre de Moraes também tem interesse em enterrar uma investigação em relação ao Banco Master, por causa de todos os contratos do escritório da família dele, da mulher dele, com o Banco Master.

E o Jacques Wagner é quem tem talvez a relação menos clara, mas parece que a nora do Jacques Wagner, isso também foi trazido no âmbito das investigações, recebeu 11 milhões de reais do Meister. Eu acho que nem parece não, tá? Eu acho que dá pra dizer que é fato.

O fato é que vários desses personagens têm ligações claras com o Banco Master. Se isso resultaria numa condenação ou não, a gente não tem como saber. Mas eles têm interesse político em matar essa investigação.

Então, esse acordo parece que é um acordo feito para, basicamente, fazer essas três coisas. Derrubar o Messias, portanto, enfraquecendo o André Mendonça, que tem mais interesse dentro do Supremo em investigar o caso Master, porque ele sabe que isso pode enfraquecer o Alexandre de Moraes, e o André Mendonça e o Alexandre de Moraes são inimigos dentro do Supremo, e o Messias se alinharia ao André Mendonça. Não à toa, o André Mendonça estava fazendo campanha para o Messias, então...

Barrar o Messias era importante nesse sentido. O PL da dosimetria, ele entra ali no pacote e a gente tem que lembrar que o Congresso derrubou na quinta-feira, ou seja, um dia depois de vetar o Messias, o Congresso derruba o veto do presidente Lula ao PL da dosimetria. Então é mais um revés para o governo no legislativo. Isso acontece 24 horas depois do Messias ser rejeitado. E aí a terceira coisa é matar a CPI do Banco Master.

É isso que a gente está entendendo que foi o acordo. Esse acordo, não tenho dúvida de que ele é nocivo para o Brasil. Não por causa do Messias. Por causa do que o acordo com a mão todo revela sobre como essas casas estão operando e essa classe política está operando, certo? Olha que delícia. E tem uma outra camada disso, que eu acho que é super importante de colocar também, que é a primeira rejeição em 132 anos.

a gente também tem que começar a ver como que as regras não escritas e os rituais esperados, essas expectativas muito pré-estabelecidas, estão indo por água abaixo de hoje. Mas é mais um passo na...

no teste da tomada de poder do Senado mesmo, de algo que se supunha ser uma prerrogativa do presidente. Novamente, 132 anos. Gente muito enfraquecida, não teve algo assim acontecendo. E acho que é mais um passo na consolidação de um processo que o Congresso, o Senado e o Centrão brasileiro entendem que ele tem mais poder do que o que está escrito na Constituição.

E na Constituição está escrito que o Senado tem que ir aprovar. Então também não dá nem para falar que foi um golpe. Mas foi uma quebra num certo pacto não declarado, num pacto de confiança que existe entre Executivo e Senado, mas um dos muitos de um certo empoderamento do nosso parlamento na direção de um certo parlamentarismo não oficializado no nosso país. E aí me lembra de algo que até o UOL pôs na ROME hoje e que me lembrou muito nesses últimos dias, mas... ...

que é o que fizeram com o Obama no último ano de governo dele. Ele teria uma vaga para indicar porque morreu o Scalia, que era um dos ministros do STF deles, um dos juízes, os justices lá. E o Partido Republicano simplesmente se recusou a votar. Não estou falando que eles recusaram, mas eles foram alargando uma certa prerrogativa que eles tinham.

E simplesmente romperam uma regra, não é escrita, e roubaram a vaga do presidente. Que é uma das coisas que está em jogo no ano, que não é simplesmente a rejeição de um nome, mas é o Senado falando, a gente vai tirar essa vaga de você em ano eleitoral. A gente não vai te dar essa, a gente vai entender que esse poder a gente tem como sequestrar de você e você não tem nada para fazer contra a gente, nada vai nos afetar.

Então eu acho que eles estão se comportando muito mais como um bloco de poder puro do que mero fisiologismo, sabe? Eles estão se comportando como um partido multipartidário, mas que está indo para cima de uma teoria de Estado mesmo, que não está respeitando mais certos combinados, que é o que a gente vê acontecendo em várias democracias que estão se erodindo por falta desses acordos não cumpridos mais.

acho que faz algum sentido mas ao mesmo tempo não existe esse grande bloco progressista pra ele lutar contra não é grande, mas ele tem um bloco

Mas nesse caso, é o embaralhar dessa tese, né Bruno? Porque do lado do Messias, você tinha um campo muito conservador. E o próprio André Mendonça, que foi não só uma indicação da bancada evangélica, a bancada evangélica fez lobby ativo e pressão ativa. Os pastores ligaram para os senadores para que o André Mendonça fosse aprovado. Então...

É um bloco que embaralha justamente essa ideia de um conservadorismo contra um progressismo. Nem o Messias é uma indicação progressista. Deixa eu só me defender. Me defender não, me explicar melhor. Eu não estava me referindo ao Messias que eu acho que embaralha e estou todo confuso mesmo. Mas o fato de que tem um campo político que está indo para cima das regras não escritas da nossa democracia.

E quem tá fazendo isso é meio que o centrão. Não porque ele é conservador. Não porque ele tá alinhado ideologicamente com certos valores. Mas tem uma erosão das prerrogativas e das regras não escritas da nossa Constituição. É possível. Entendeu? Eu acho que é isso que tá acontecendo, entendeu? Orçamento secreto. Ah, sim. Roubo de vaga no STF. E por aí vai. Essa do Wagner, assim, se for comprovado, não vai ser.

mas que ele de fato agiu contra o próprio partido sendo líder do PT, o que dá para dizer sobre Wagner é que se ele não agiu contra, ele certamente não agiu a favor. Acho que isso aí dá para dizer, ou que pelo menos ele não pareceu agir a favor.

Porque ele tem leitura labial, tem o Alcolumbre falando pra ele, vai perder por oito. E ele vai lá dar um abraço no Alcolumbre, ele ri. Tem algo, realmente, ele não se esforçou em parecer que ele estava lutando a favor. Isso aí dá pra dizer. O que eu acho já bastante grave. Sendo que ele é o líder do governo no Senado. É isso precisamente que era pra ele fazer. Da vida. Tá, vídeo dele fofocando com o Flávio. Com o Flávio. Na votação. Na votação.

Que porra é essa? O que é isso? E aí tem isso também, né, gente? O fator Flávio, que vamos lembrar, é senador. Então a gente vê o interesse que esses caras têm em indicar o Pacheco, não sei o que, tem a ver com ter... E ter o Flávio como presidente, que acho que é algo que ficou muito claro que o Alcolumbre quer. Porque não só tem um certo alinhamento político ali, mas é mais um senador, é mais um deles.

É meio que... Parece que desde o golpe, do golpe de pitchman, a gente tem esses poderes que estão disputando espaço em lugares indeterminados ainda, vendo quem pode mais, se é a Câmara, se é o Senado, se é o STF, se é o Executivo. E parece que o Senado está com...

anabolizante no sistema agora. Eles estão vendo até onde eles podem ir tendo um deles na própria presidência, em recusar uma vaga do STF, em impor um senador no STF, em avançar também uma outra coisa que está colocada aí, que é um projeto de facilitar o impeachment de membros do STF, de ministro do STF, que também é uma prerrogativa do Senado.

E essa suspeita sobre o Wagner, que o próprio Messias teria levantado em off, que os vídeos todos comprovam, deixa a gente meio assim com o PT. A gente está numa fase, inclusive, do Clube Leitura do Calma, é sobre o PT, é o livro maravilhoso PT, uma história que eu estou lendo. Que mês para a gente ler esse livro. Que mês para a gente estar lendo isso.

Eu queria entender com você, Ale, que me falou de uma entrevista do Edinho, que saiu essa semana. Edinho é o presidente do PT atual, não é? Saiu hoje. Depois das derrubadas. O que você acha que isso diz sobre o PT? Sobre o momento atual do PT?

A entrevista do Edinho é muito interessante. Ele dá uma entrevista para o Jornal de Brasília. Ele é presidente do partido, né? Para quem não lembra. Primeiro assim, o partido emitiu uma nota oficial. Eu acho que o que é interessante é contrastar a nota oficial e a entrevista do Edinho.

Na nota oficial, em que o PT basicamente fala sobre a rejeição do Messias, eles falam assim. O Senado Federal, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, comete um grave erro. Politizar uma indicação para um cargo onde a formação técnica é o mais relevante.

Essa postura também gera uma importante instabilidade institucional. Há 130 anos que a indicação não é recusada. Então, é um pouco nessa linha. Eles falam que teve um erro, mas eles não nomeiam ao columbre. Eles não falam de máster, eles não falam de morais. É uma nota que, obviamente, reclama da rejeição. Mas ela não é exatamente confrontacional. Ela é bem...

A instabilidade das instituições. Messias é um jurista sério, preparado, comprometido com o Brasil. Sua rejeição não diminui sua trajetória. Também tem uma preocupação, que parece também que é uma preocupação do próprio Lula, num nível aí mais pessoal, de protegê-lo de uma humilhação, que evidentemente que é uma humilhação. Então, é essa linha do PT oficialmente. Aí vai o presidente do partido dar uma entrevista e ele fala assim, abre aspas.

O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Meister. O PT deveria ter liderado a criação da CPMI do INSS. O presidente Lula defendeu isso para as lideranças do PT o tempo todo. Foi um erro que o PT cometeu, porque a gente tem uma concepção, e de todo não está errado, que as comissões de inquérito paralisam o Congresso e impedem a aprovação dos projetos.

E aí ele segue. Mais uma vez, o Congresso vira as costas pra sociedade. O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído.

a diferença de quando o presidente do partido dá uma entrevista e anota e o que o Edinho tá falando aqui, primeiro assim ele tá sendo muito mais direto, específico ele tá falando, se a gente estivesse à frente dessas investigações, o Alcolumbo já estaria desgastado há muito mais tempo e ele não estaria agora com o poder suficiente pra fazer uma coisa dessas, porque ele já estaria sendo investigado, a análise é perfeita mas o que é curioso é que ele fala do PT como se...

É isso que eu ia falar. Ele não conhece ninguém lá no PT, o Edinho? Ele não conhece... Ele não tem uma entrada? Ele não tem uma entrada no PT? Ele é presidente do quê mesmo que vocês falaram? Porque a análise dele é perfeita. Ele tá certíssimo.

Só falta ele falar isso pro presidente do PT. Vai estar na lista político. Entende? Aí ele fala, não, porque o presidente Lula fala isso pras lideranças do PT o tempo todo. O que mais está faltando? Se o presidente Lula fala o tempo todo. Se o Edinho concorda. Quem é o PT? Entende? Então quando você me fala assim, o que que essa atitude do Jacques Wagner revela sobre o PT, a minha sensação hoje é que o PT é um significante vazio.

Que ninguém assume responsabilidade pela criança, entendeu? Quem é esse partido? Que deveria ter feito isso, que deveria ter feito aquilo, que deveria estar fazendo tal coisa. E que nem o presidente do partido, nem o presidente da república eleito pelo partido, liderança principal do partido, desde a sua fundação, aparentemente conseguem ter nenhum tipo de ingerência sobre o que o partido faz. Caralho, isso é uma loucura, Alessandra, realmente. Não é uma loucura?

É uma loucura. Eu achei essa entrevista uma viagem. Quem não leu ainda, vale muito a pena dar uma olhada no Jornal de Brasília hoje. Hoje, o Jornal do Trabalhador. Mas muito interessante, porque o Edinho é um ótimo analista político. Sim. Eu sempre gosto de ouvir ele falar. O Edinho é ótimo em vários sentidos, inclusive. Ele é um bom político mesmo. Mas é muito interessante pensar dessa maneira.

E acho que não é nem só porque desgastaria o Alcolumbre e ele estaria mal posicionado e teria passado essa indicação não é nem esse o ponto, é que o PT se colocaria claramente como o partido que está tentando investigar e o Centrão está tentando barrar.

Só que quando você fica ambíguo, mesmo que você não seja o centrão, você seja o cara que o centrão ataca, você é percebido na opinião pública como parte da mesmíssima máquina. Parte orgânica de quem não quer ver investigação e ir pra frente, mesmo que no fim das contas queira. Mas não se posiciona. Totalmente.

É, tem momentos na entrevista que o Edinho repete a linha oficial do partido. A primeira pergunta é o que ele achou da rejeição, barará. E aí ele fala, a primeira ou a segunda, e aí ele fala, ele quase repete a nota oficial. Messias é um jurista sério, comprometido com o Brasil, instabilidade institucional. Só que eles continuam perguntando, a minha sensação é que foi uma entrevista feita por escrito. E aí algumas perguntas ele copiou e colou ali do que estava no release do partido. E outras ele foi um pouco mais sincero.

E direto. Mas é uma loucura. É uma loucura. É uma loucura, porque a análise dele é perfeita. Óbvio que o PT tinha que ter partido pra cima do Alcolumbre antes. Isso me lembra um pouco de novo o impeachment da Dilma. O qual o PT ficou tentando até o final ganhar voto e acreditando que ia virar a votação na Câmara. Vocês lembram desse momento? Todo mundo já sabia que tinha perdido.

E o PT ficou em negação. E aí depois veio dizer que era golpe. E era, de fato. Eu sou da opinião de que era golpe, óbvio. Mas se era golpe, você não se submete a ele ao longo de tantos meses. Exatamente. Você não fica tentando ganhar voto por voto contra um golpe, entendeu? Você vai denunciar o golpe. Você tem que gritar. Você não vai ficar ali trocando com o Tiririca. O Lula foi encontrar o Tiririca pra ver se mudava a opinião dele, entendeu? Aí depois fica pior. Fica mais complexo você dizer que é golpe.

E nesse caso foi a mesma coisa. O PT negociou, ofereceu, se deu, fez tudo, falhou na negociação e agora vai dizer que é um retrocesso. E é mesmo, concordo que seja igual no impeachment da Dilma. Foi um retrocesso, foi um absurdo, mas o PT estava tentando ali...

É jogar o jogo do absurdo até o final. Agora, falando no jogo do absurdo, também nessa entrevista, eles fazem uma pergunta para o Adinho especificamente sobre o Jacques Wagner. Eu vou ler para vocês, tá? Eles falam assim, mas o caso Master não se refere apenas a um grupo político. Embora o banco tenha sido criado em 2019 na gestão de Bolsonaro, a Polícia Federal analisa a relação do Master com políticos do PT da Bahia, como o senador Jacques Wagner e o ex-ministro Rui Costa. O PT também não tem telhado de vidro nessa história?

E aí ele responde, não, eu não vi nenhuma denúncia de corrupção contra os governos da Bahia. Aí eles respondem, está no relatório da Polícia Federal.

Aí ele fala, a Polícia Federal está investigando o Brasil inteiro. Prefeituras e estados que compraram títulos do Banco Master. Quando tentaram envolver o senador Jacques Wagner, ele foi a público e explicou e disse que absolutamente não tinha nada a ver com aquilo. E basta, né? É uma loucura, né? Tem uma esquizofrenia mesmo, que fica muito evidente nessas muitas declarações diferentes do PT. Eles também não... É isso, não conseguem simplesmente...

se distanciar do próprio Jacques Wagner. Isso é impensável. Então é uma situação muito estranha. E a sensação que dá é que o partido virou um balaio de gato tão grande que ninguém é isso. Ninguém é mãe da criança. Ninguém assume responsabilidade pelo que o partido deveria estar fazendo.

E aí a próxima pergunta é essa que eu citei, que a pergunta é, e por que o PT não assinou a CPI do Banco Master? E ele responde, não sei, acho que foi um erro. O PT deveria ter assinado. E aí ele segue, mas se você não sabe, quem sabe? Entendeu? Que loucura. Aí não, aí claramente, mas aí nem defendendo ele, é que eu compreendo a posição do presidente do Partido dos Trabalhadores de acreditar na palavra do Jacques Wagner, de falar que não sabe o que não é possível de dizer em público. E aí

Eu sei, Bruno, mas você não pode falar que você não viu nenhuma denúncia. Você viu a denúncia. Não é incrível que você não viu a denúncia. É, não, o que ele falou é que foi em uma investigação, todo mundo está sendo investigado. É assim, não estou defendendo, mas eu entendo a posição dele. Porque se ele chegar agora e falar assim, não, de fato, temos telhado de vidro, aí assim, parem as máquinas, vai ser notícia por uma semana, ou ele cai, ou o Jacques Wagner cai.

Aí é um tipo de guerra que não vai ser resolvida, não vai ser decidida em uma entrevista.

É o tipo de briga que aí, na minha opinião de espectador, deveria ser o tipo de briga que o PT precisava ter internamente pra já.

O PT está precisando de uma guerra civil bem feita ali. Porque claramente, do jeito que está, ele não está à altura da própria crise que ele, presidente do partido, identifica no sistema político brasileiro. Porque o que ele está falando é o sistema político brasileiro ruio. Quer dizer, não é o sistema brasileiro, são os combinados ruíram. Porque a Constituição está aí de pé. O Senado tem a prerrogativa de não aprovar.

Então eles não cometeram nenhum abuso de poder de acordo com a Constituição. Agora, o sistema que ele está falando é do acordo, é bom senso, das coisas que não são cumpridas. Isso ruiu, e o PT ruiu junto.

Esse é o ponto. O PT é parte dessa ruína porque não consegue se colocar politicamente de maneira clara na própria sociedade o que ele representa de diferente disso. Fora de um legado. Fora do fato de que ele é o que está tentando barrar o fascismo, alguma coisa assim. Mas esse tipo de crise que ele está identificando bem o PT não tem resposta.

E quem tem é o Alcolumbre. Quem tem são as pessoas que estão fazendo só jogo palaciano, como o Jax Wagner. O Jax Wagner está mais confortável, aparentemente, nessa ruína.

do que o Edinho ou o Lula, claramente. Que está sendo, no fim das contas, o grande prejudicado é politicamente nisso tudo. E tem uma figura também que embaralha um pouco tudo aí, que é o Alexandre de Moraes. Tudo indica que o Alexandre de Moraes foi também um dos operadores dessa rejeição. Teve um jantar na casa de Moraes com a Columbre. Ao ser perguntado...

sobre por que ele operou contra o Messias. Ele disse que, ué, diga um só senador que eu tenha ligado para influenciar no voto, ele disse. E realmente, não dá para dizer um que ele ligou, mas dá para dizer senadores que jantaram na casa dele. Então tem uma ironia aí. Ele não precisou ligar, o cara estava na casa dele. Por que eu vou ligar? Então assim, não é que ele ligou, ele deu jantar.

Entendeu? Por que que tá jantando igual Columbre e mais? Então tem uma aliança aí, Moraes ao Columbre, que é o que parece o Moraes, é o que parece, não, é claro, o Moraes ele bandiou um pouco. Mas Moraes ao Columbre são amigos, né, parece, há muito tempo. Há muito tempo.

Mas acho que tem uma afinidade que vai além da amizade, que tem a ver mesmo também, talvez, com o Master, vai saber. Quero acusar ninguém. Mas tem o Moraes... Só que você não quer acusar o Alexandre de Moraes, assim. Não quero acusar o Moraes de nada. Nem o Alcolumbre hoje, né, gente? Vamos dizer, o homem mais poderoso do Brasil hoje.

Vamos falar do Alcolumbre? Porque o Alcolumbre, aliás, maravilhoso o perfil da Piauí sobre o Alcolumbre. Não é quem foi que fez, aliás, pra citar o jornalista? Um jornalista incrível, uma grande matéria. E que, cara, ele é desse sujeito tentaculares mesmo. Cada vez, ao tempo que a gente vai mudando de vilão, eles vão ficando mais difíceis, né? Tipo um videogame mesmo. Porque, sei lá, quando você vê o Cunha comparado ao Alcolumbre, o Cunha parece um amador.

O Alcolumbre é um cara muito mais poderoso, muito mais rico, muito mais tentacular mesmo. Muito mais difícil de se derrotar do que um Cunha ou do que o Jucá até, que era também um cara muito poderoso, mas tem os antigos vilões do PT. E o Alcolumbre tem essa matéria espetacular.

que diz que, enfim, é um perfil muito interessante, para não dizer apavorante. Ele nomeou, para ter uma ideia, todos os porteiros. Adorei esse detalhe. Todos os porteiros. Ele pessoalmente nomeia todos os porteiros do Congresso, se eu não me engano. Jura?

Você não viu esse detalhe? Eu não vi esse detalhe. Ele tem uma quantidade de indicações pessoais que dão a ordem dos milhares, e pessoais mesmo, sabe? Não é que ele tem uma coisa... Ele é um sujeito que tem mesmo um nível de poder direto infinito. Bom, até para as coisas mais absurdas, não é? Ele mudou o nome do aeroporto do Macapá para o nome do tio dele. Chama-se Alberto Alcolumbre. O que o tio fez?

Vai saber. E ele é esse sujeito que realmente trata o Amapá e o Brasil como um lugar pra qual distrair riquezas e dar pros amigos e conhecidos e tal, né? Ele vive desse intercâmbio. Muitas vezes um pouco de ameaça, assim, a matéria fala de vários momentos em que teve um, ó, tu não vai fazer isso, vai pegar mal pra você e tal. Tem um pouco de Dom Corleone, mas também tem uma coisa bem brasileira, bem bonachona, assim, churrasqueira, cervejeira, do cara que conhece e tal.

Mas é uma figura, hoje talvez é o homem mais poderoso do Brasil, com certeza. A matéria é só pra... Você perguntou quem eram os jornalistas, Greg. É do Alain de Abreu e da Camila. Lixote ou Licote? Eu não conheço ela, eu conheço o Alain. Bom, mas enfim. Lixote, deve ser. Lixote. É ótima a matéria. Luísa está nos dizendo aqui, apuração ao vivo. Lixote.

Maravilhoso. Muito boa matéria. Agora bem apavorante, né? Esse homem... E é isso. É muito a cara do... Nisso ele parece com os antigos vilões. Com o Cunha ou com quem for. Só que ele talvez seja menos ideológico ainda. O Cunha já era... Como se ele tinha alguma coisa. O Cunha era muito evangélico. Ele era muito reacionário em alguns aspectos. O Alcolumbre, não. Não mesmo assim. É só. Só tem a ver com poder e grana. Só. Não dá pra...

Botar ele num espectro nem bolsonarista, nem petista difícil. Ele realmente apenas é só sobre poder e sobre grana. E é o cara mais poderoso disparado. E agora deixou muito claro isso. Muito mais que o Lira até.

Eu li meio rápido, não vi essa história dos porteiros, mas pra mim o detalhe delicioso da matéria é falar que ele distribuiu caneta de munjaro pros senadores acima do peso. Ah, e você viu um detalhe melhor ainda? É inacreditável. E que eram trazidos pelo Beto Louco. Pelo Beto Louco. Pelo Beto Louco, que é, pra quem tá nos assistindo, o empresário que hoje é foragido, né, por milhões de falcatruas no mercado de combustíveis e que é suspeito de ligação com o PCC. Esse é o Beto Louco.

E a ligação com o Alcolumbre não é suspeito, não. É de fato muito ligado. É, e parece que o Beto Louco tinha oferecido uma delação premiada em que ele falaria do Alcolumbre, né? Isso também está colocado. E que também, possivelmente, é um dos motivos para enterrar investigações e CPIs como autopreservação.

É, pessoal. É, gente. Mas você tem razão, né? O que a matéria mostra, de forma geral, né, Greg, é que ele tem essa combinação de simpatia com com achaque, assim. É. É uma coisa mezzo-máfia, mezzo-chacrinha.

É, porque o mafioso brasileiro, ele não fuma charuto e corta a cabeça do cavalo, sabe, e joga na cara. Ele não é tão direto, assim. É diferente, ele faz muita maldade, mas sempre com a cerveja na mão e o nome do cunhado, tem algo bem mais amigável no nosso mafioso. E o Acolumbria é bem esse perfil, cara. E que nessas ele vai fazendo o quê?

Quer, o que quer. E ele tá muito próximo do Flávio. Essa é a verdade. Certamente mais do que do Patrick Wagner. O que é preocupante dessa proximidade é também o que ela revela, e a própria derrota do governo no Senado essa semana, revela que essa classe política tá fazendo o cálculo de que o Lula vai perder. Isso não quer dizer que ele vá perder, mas essas são pessoas que vivem de fazer cálculo político e que tem informação em alguma medida diferente da nossa.

E eles estão calculando que o futuro político do Lula não é promissor, porque se ele fosse, eles não iam querer se indispor com o Lula agora.

E não é só cálculo, né? Porque uma coisa é fazer cálculo e apostar no polimarketing aí deles. Outra coisa é quando você é o agente que pode apender pra uma derrota mesmo. Quando você tem poder, de fato, pra tirar a volta do próprio Lula, que é palanque regional, espaço em alianças possíveis, em atacar ou não outros eco-religionários na campanha que, de fato, é feita.

com apoio de prefeituras, de senadores que têm boa base e tudo mais. Então, assim, é claramente... E isso é que eu disse...

Perdeu pra mim. Eu falei, puta, a eleição começou mal. Porque eu tava sentindo que a eleição não tinha começado. Tava estranho, tudo meio estagnado. O Flávio sobe, mas eu não tava sentindo o clima de eleição colocado. Eu senti um pouco o Lula se recolocando quando foi pra Barcelona, várias entrevistas como estadista, mas ainda assim não era uma eleição começando. Essa derrota eu vi e falei, ah tá, valendo. E o cenário se desenha muito difícil.

Porque é exatamente isso. Não é só o cálculo. É pesar na equação que vai dar nessa conta final. Então são agentes que têm profunda influência no resultado e na capacidade do Lula se colocar. Não é à toa que acho que um dos sinais mais fortes disso...

no jornalismo, foi a coluna que o Ricardo Cochou escreveu no E-Wall, e que loucamente foi a segunda mais lida do E-Wall é ontem. Uma coluna política de um articulista que é zero de clickbait. E o Cochou, para quem não sabe, foi secretário de imprensa do Lula no primeiro mandato dele. Então é um cara que conhece bem, que tem respeito, que é amigo e tudo mais. E disse que essa é a maior derrota política da história dele.

do próprio Lula. É a análise que o coach fez. E ele cita a matéria da própria Piauí como algo que o Lula deveria ter lido.

Meio que antes de achar que essa fatura estava... Antes de se meter com o Alcolumbre. Antes de se meter, não. Achando que a fatura estava paga, e mais importante do que fatura, achando que o Alcolumbre ia se reverenciar aos 132 anos de aprovações... De práticas democráticas. De aprovações de práticas democráticas.

e acho que esse é o meu ponto que é a única coisa que pra mim sobra mesmo a gente não está em ambiente de práticas democráticas, acho que é isso que o Edinho fala quando o sistema político brasileiro ruiu e aí é uma crítica do nosso campo mais amplo, bem mais do que o PT que não está à altura disso acho que o nosso campo não está à altura disso

a gente não se apresentou com nomes, com geração, com a visão do que precisa ser feito. E a agonia que me dá, me deu agonia mesmo, desde a derrota do Messias e ontem especificamente com a derrubada do veto, da dosimetria, eu em trocentos grupos de zap de esquerda, gente que está na política, gente que não está ativista, as artistas, não sei o que, enfiado ali.

Cara, a reação é previsível. Ela é um algoritmo. Vem um monte de flyer, um monte de gente falando que agora é rua e temos que focar no Congresso Nacional. Tipo assim, umas platitudes sem nenhuma substância organizativa, sem nenhuma visão, sem nenhuma estrutura sendo construída de fato pra gente reocupar esse espaço, que seja em 10 anos. Bruno, eu tô muito aflito com isso.

E aí é isso que me dá de ler o livro da história do PT hoje, que pra mim é central, assim. Por isso que eu tô aflito lendo esse livro. É uma história linda de ver. E de ver como, na verdade, o poder é político, ele é construído com estrutura. E ao longo de muito tempo. Ao longo de muito tempo, mas com estrutura. Então, se alguém me falar hoje que daqui a 20 anos nós vamos tomar o poder do centrão...

Eu ficaria mais otimista, porque eu falo assim, tem uma estrutura sendo construída aqui. Mas parece que a única estrutura que a gente tem ainda é o PT, de algum jeito. E ela não está desenhada e nem se desenhando para isso, para o cenário que temos hoje. Mas eu vou te falar como alguém que passou muito tempo tentando construir estruturas e trabalhando para isso, e estrutura organizativa, como você fala, não só que é muito difícil,

mas que é um pouco uma situação de a gente entender, quando a gente fica adulto, que não tem outro adulto na sala. Se não for a gente, a gente já tá velho, gente. A gente já tá... Bom, você então, Bruno, tá velhíssimo. Tá com pé na cova, praticamente. Eu e Greg somos representantes da juventude. E eu sou a caçula desse podcast. Cada vez menos, Alessandra. Cada vez menos. Juventude, não.

Você não é jovem há uns 10... Não, colágeno você tá ótima, baixa filtro de... Tem um ótimo filtro aqui no nosso streamer, mas assim...

Alessandra, juventude acaba aos 27, tá? O que eu quero dizer de verdade, infelizmente já passei da juventude oficial, o que eu quero falar é que também não adianta a gente ficar esperando que alguém venha nos salvar, entende? Tem um dever que é geracional e que é da nossa geração.

muito concretamente da nossa, sabe? Já tá passando da hora dessa geração se apresentar. Aí eu vou olhando, né, pras pessoas à minha volta e acho que eu tenho um trânsito bastante amplo, né, nessa geração em quem tentou se apresentar pra política, ou se apresentou de fato, ou se organizou fora dela, na sociedade civil, e o que eu vejo é uma mistura ou de pessoas que se afastaram porque ficou perigoso de verdade, né, então pessoas que começaram a ser ameaçadas, acho que a morte da Marielle foi, o assassinato da Marielle foi um marco nesse sentido, muita gente e...

Muita gente falou, bom, agora eu tenho que ir mesmo, porque não tem jeito. Mas também teve muita gente que se retraiu. Então, existe uma dinâmica ali de medo. E existe uma outra coisa, que é o famoso fogo amigo, mas que é o desgaste. A gente não tem uma visão de campo que seja uma visão de proteger esse campo amplo, inclusive nas suas contradições, inclusive nas suas diferenças.

Quando a gente ri aqui no programa, vocês falam que eu sou a defensora da Tabata Amaral no programa. Não é porque eu concordo com a Tabata em todas as bandeiras dela. Aliás, eu acho que eu discordo de uma boa parte. Mas é porque eu vejo nela, em outras pessoas como ela, que são da nossa geração, até um pouco mais novos, uma tentativa de fazer exatamente isso que você está falando, de se apresentar.

E ainda que eu não concorde com tudo que ela defende, eu entendo que ela não faz parte desse campo de, como Alcolumbre, de herdeiros de contrabandistas de ouro para a Venezuela, com 45 empresas da família e um primo que gerencia o patrimônio, com 35 milhões de reais de patrimônio líquido e que fica botando gasolina no posto de gasolina do tio.

com verba de gabinete. Ela não é isso, entende? Existe uma geração que não é isso, só que eu acho que a gente tem muita dificuldade. Então, ora é, vamos atacar a Tabata porque ela é de centro demais ou de direita demais, ou é o contrário, vamos atacar a Erika Hilton porque ela é de esquerda demais e aí o movimento trans está dividindo a esquerda, não sei o quê. Quem se apresenta também é muito imediatamente atacado, não só pelo outro lado, mas eu acho que aonde mais dói, aonde é mais difícil, é que essas pessoas são atacadas pelo campo da vida.

de esquerda ou democrático lato senso, ou progressista, o que vocês queiram chamar. Mas certamente pelo campo, digamos, anti-alcolumbre. E anti o que o alcolumbre representa. Isso é um problema organizativo. Porque se desgaste, afasta as pessoas.

É verdade. Eu não vou litigar a Tabata de novo aqui, porque não vira um assunto em si. Eu tinha mais essa opinião parecida com a sua em relação a ela até a questão sionista, antes de emitir esse projeto, mas isso é uma outra questão, é um outro ponto, e não a coloca junto do campo do álcool nobre de nenhuma forma. Isso eu concordo com você.

apesar de eu achar uma política que eu tenho muito mais afastamento do que a proximidade mas o ponto não é esse, mesmo quando você falou, eu também vi algo que sempre dizem, que é assim temos a Erika Hilton temos a Tabata temos as pessoas aqui e a minha posição é exatamente essa, talvez a gente tenha nomes, mas a questão que eu fico muito impressionado com o livro sobre a história do EPT é que mas a gente ainda ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda mas a gente ainda ainda ainda

E aí, de novo, foi uma coisa meio vaga aqui. E é culpa da minha geração, da nossa. Mas que é... Eu não vejo estruturas. Nomes eu vejo. Tem poucos nomes. Muito menos do que devia ter. E eu acompanhei. A minha geração é essa geração. Que tentou se apresentar e foi abatida antes de decolar. Por máquinas partidárias. Pelo PSOL, pelo PT, pela rede, pelo PV. Exatamente. Foi abatida. Foi abatida pelas estruturas que existem.

E aí eu preciso dar que, apesar de também não ter uma identificação total com a situação, também tenho muito mais pessimismo em relação a exatamente isso, o único campo que eu vejo tentando fazer algo estrutural, minimamente, e ainda ensaiando, ainda muito longe uma viabilidade, é uma perspectiva revolucionária, é uma perspectiva...

de eleição, a gente que tá tentando mobilizar estudantes em uma visão não eleitoral. Em uma visão assim, vamos tipo construir uma coisa pra daqui a 20 anos botar esses caras na cadeia, entendeu? E tomar o poder de uma outra forma.

Mas você acredita que isso é, que eles estão de fato construindo o tecido organizativo com esse objetivo de fato, ou esse é um objetivo declarado performático com outras finalidades? Porque eu não vejo de fato a organização da revolução de daqui a 20 anos, Bruno. Não de verdade. Eu acho que pra algumas pessoas é sincero, e aí a gente vai ter que julgar

com os resultados, se é ingenuidade, se é auto-engano, se é ingenuidade ou se as pessoas estão falando sério sobre isso. E acho que muita gente é muito performático, é coisa de DCE, que a gente conhece bem, que também é um compromisso atávico com o inviável, como forma de simplesmente... Mas eu sinto dentro de mim mesmo.

Não a vontade organizativa de fazer uma revolução. Também não acredito nela. Não tenho idade pra isso também. Mas o ponto não é esse. O ponto é que eu vejo dentro de mim um certo desespero fatalista diante disso. Porque assim, uma coisa é o PT se construir durante uma ditadura e nos escombros dela.

quando não haviam estruturas democráticas capazes de representar a classe trabalhadora. E hoje esses instrumentos que foram construídos com muita legitimidade são a maior barreira de entrada mesmo. Então eu entendo a perspectiva revolucionária como talvez quase que a última saída para um processo de transformação real para excluir os alcoolumbres. Porque quando eu olho o meu grupo de WhatsApp falando da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da vida da

Agora é rua. Ou temos que focar no é congresso? Eu falo assim, estamos fodidos. Porque olha o volume. Olha a dificuldade que é a gente meter a Marina Silva no Senado de São Paulo. Uma.

Entendeu? Assim, é foda. Como é que a gente faz com os Alcolumbres, com o PCC, com o Beto Louco? Entendeu? É a democracia que vai resolver isso? Porque essa é a defesa institucional que o Lula faz, que o PT faz e que certamente tá em metástase. O próprio presidente fala isso. O sistema político brasileiro ruiu. Qual é o projeto pra levantar outro? Qual é o seu projeto, Greg?

Meu? O seu pessoalmente. O que você está fazendo agora para resolver esse problema? Por favor.

Gostaria que você me desse uma solução. De todas as pessoas do Brasil, acho que eu sou a menos indicada. Eu tô com um problema muito grave. Eu tô com um problema, assim, seríssimo. Que é uma preguiça gigantesca. De lidar com tudo isso. E eu não sei se todo mundo tá vivendo isso. Se tem a ver com uma rebarba de uns anos todos que a gente foi muito politizado. Mas o que tá rolando hoje é que eu tô meio derrotista. É horrível. Mas eu olho pra isso e falo. Falo, perdemos, perdemos. É.

E eu acho bonito que o Lula não esteja. O Lula não está, é importante que ele não esteja. Mas a gente... Eu estou, eu estou, assim... Eu não vejo... E aí me irrita demais um papo das pessoas muito bem-intencionadas. Eles param na rua, às vezes, e falam assim, vem cá, Cleório, como é que a gente vai fazer? Por quê? Para melhorar esse congresso.

Toda vez que eu estou perguntando também. Essa pergunta pra mim é todo dia, cara. Todo dia. E assim, amigo, e aí entra uma coisa que é assim, infelizmente...

Não sou eu nem a você. Vamos parar de jogar pro eleitor, sobretudo o eleitor que assiste o calma. Porque o eleitor que assiste o calma ele vota no cara. Ele pesquisa antes de saber o voto dele legislativo e tal. Tem um problema que é muito mais grave, assim. É um problema da democracia que a gente vive. Inclusive, eu tô cada vez mais contra a democracia eleitoral. Cada vez mais, de verdade. Eu acho que é um absurdo.

representativa e eleitoral, e a ideia de que você vai, o Congresso você vai eleger os melhores da sociedade, não vai, e pra quem, ah, mas faz o que? Já falei várias vezes, até um Greg News sobre, já falamos aqui, sobre democracia aleatória, que é a única coisa que eu acredito, acho que todo mundo deveria ser convocado um dia ou não para ser político, não acho que isso deveria ser uma profissão, inclusive, sobretudo legislativo, executivo não, ainda acredito.

Sim, eleições ele vai ter que lidar com o Congresso que vai ser uma amostragem da população. Isso existe. No mundo já existiu muito. Antes, exatamente. Mas isso daí é o que eu acho que tinha que acontecer. Vai acontecer? Não, nunca. Então me dá uma preguiça gigantesca ter que fingir que eu acredito em eleições porque eu acho uma palhaçadrão. Todo perdão aos palhaços que são sinceríssimos. Eu acho uma merda, uma farsa. Isso sim. E mais, eu acho que existe...

Uma coisa que está me deixando muito aflita que é assim, não democracia como a gente vive, os partidos têm um poder descomunal. E a gente falou disso também no Clube do Calma no livro da Simone Valdes sobre os partidos. O PT ainda... Não é a gente que tem que eleger o melhor Senado. O PT...

ele precisa se organizar melhor para não repetir o erro de 2022. O PT poderia ter muito mais senadores se ele tivesse feito um trabalho decente. O Rio de Janeiro não ter eleito um senador de esquerda, progressista, ou petista, ou o que for, foi uma vergonha fruto de má organização, má articulação. A gente tinha os votos. O PT insistiu no siciliano. Todo mundo falou que o siciliano não ia entrar. Pra que? Todo mundo sabia. Foi lá, teve 4%, 5%, 6%. Sendo que junto com o Molon, O PLON,

eles se elegeriam se fosse uma candidatura unida. Seria, ah, mas é que o Molon não quis retirar a candidatura. Eu entendo ele, ele tinha 20%, o André tinha 5%. Enfim, resolvam-se. Ah não, mas ele tinha que ter porque tinha combinado portas fechadas entre quatro paredes, a gente fez um combinado. Então também erraram em fazer um combinado que não é cumprido.

É errado também. Vocês erraram. Eu, Molon, pode não ter tido palavra. Vocês fizeram um combinado que não era também... Não tinha substância. Não fazia sentido. O fato é que erraram. Não foi o eleitor que errou. Porque às vezes tem isso. Porque o eleitor tem que combinar para votar na mesma pessoa. O eleitor não vai combinar. O eleitor não vai combinar nada com ninguém.

os caciques políticos, cara. E às vezes falam assim, ah, porque o eleitor do Rio foi votar no Molon, ou o contrário, votou no Siciliano, podendo ter votado todo mundo. Não é o eleitor. O eleitor não tem que fazer esse cálculo, que ele é impossível de fazer. Mesma coisa em São Paulo. Mesma coisa como é que pode que tenha tão pouco senador em Pernambuco?

No Nordeste inteiro. Como é que Pernambuco elegeu o Rogério Marinho? Como é que Pernambuco, o estado talvez mais lulista, tem o Rogério Marinho, ele é senador por Pernambuco, um bolsonarista. Como é que pode? Numa eleição majoritária.

Isso é burrice mesmo, é burrice, é falta de articulação. E aí, ah, porque o eleitor não é o eleitor. No Senado é cálculo, cálculo feito pelos caciques. Tem que se articular, tem que fazer cálculo, sentar, trocar, falar, tá, então bota um do PSB em Pernambuco, bota um do PT no Rio. Mas enfim, tem que se articular para ter uma bancada progressista. O PT, a gente poderia ter muito mais senador do que tem hoje. E aí sim o presidente indica quem ele quiser. Os ministros supremos não ficam mais com medo, tem impeachment todo ano.

Pra isso precisa ter um Senado consistente. Não é só o eleitor. Não é gente, no mano a mano, tem que ficar gente, presta atenção em quem vai votar pra senador, hein? Vamos focar no Congresso. Vamos focar no Congresso. Fala isso pro PT, caralho. Como se a gente não tivesse focado, né? Como se esse eleitor que vai ser atingido por essa mensagem não tivesse preocupado com o seu voto no Congresso.

Não, Greg, só uma coisa Você só se acontradisse Filosoficamente, porque você falou que você não acredita Em eleição, você acha tudo uma farsa E seu diagnóstico é assim, vamos se organizar Pra eleger senador, tipo assim Você ainda tem muita fé no seu eleitoral Minha fé vem justamente do fato de que

não é pra gente se organizar. A gente tá fazendo o possível. O problema da democracia representativa eleitoral como ela é hoje, é que ela é uma ditadura dos partidos. Ela é de fato. Os partidos não têm obrigação de ter transparência nem financeira, nem eleitoral, nem nada. Eles põem o que eles quiserem. Então, já que é assim, de verdade, quem define quem ganha são os partidos pelos cálculos deles. O PT perdeu no Rio porque emolou e siciliano não conseguiram se consertar e deu errado aquilo ali.

da mesma forma em Pernambuco. Não é porque é o eleitor. Então eu não acredito exatamente que tem muito pouco poder no eleitor. A democracia eleitoral não dá poder ao eleitor, ela dá poder aos partidos, como ela é hoje. Então essa que é a minha crítica. Então não adianta a gente ficar assim foco no Congresso. Gente, voto consciente, hein? Pô, pelo amor de Deus, fala isso pro presidente. Vota certo. Fala isso, exatamente. Vota certo.

Eu entendo o desespero e eu claramente cutuquei a onça com Maracurta aqui que o Gregório quase se revoltou e foi embora.

Mas eu perguntei pra você porque eu queria mesmo que você compartilhasse a sua frustração. Não, porque eu acho que a sua frustração é a frustração de muita gente. Aonde eu discordo um pouco, e talvez seja o meu otimismo falando, é que eu sinto que a gente tem um certo fatalismo político. Como se a política fosse um dado da realidade, como se o sistema político fosse um dado da natureza. E todas essas coisas são invenções humanas, e no caso do Brasil, invenções muito recentes.

Eu discordo de você quando você fala, Greg, que um sistema de democracia por sorteio jamais seria implementado. Acho difícil, mas coisas mais difíceis já foram conquistadas na história da humanidade. Mudanças mais profundas de sistema político já aconteceram. Sim, mas em geral, de maneira revolucionária.

Nem sempre, não é verdade. Essa é uma discussão possível. Em muitos casos, de maneira revolucionária, mas muitas vezes também, revoluções simplesmente mudaram tudo para que nada mudasse. E substituíram uma elite no poder tirânica por outra elite no poder tirânica. E você teve outros tipos de mudança que aconteceram.

dentro de sistemas políticos que se reinventaram de maneira mais profunda, mas que geraram resultados talvez mais duradouros. As duas coisas podem acontecer. E eu não sou antirevolucionária, pelo contrário. Acho que revoluções foram muito positivas para o mundo muitas vezes. Muitas vezes a perspectiva de um horizonte revolucionário, ela também serve para nos dar uma desculpa para não trabalhar.

no sistema como ele existe hoje, entende? Não, mas isso aí só vai mudar se houver uma revolução. Ok, então vamos de fato trabalhar pela revolução ou então vamos trabalhar com o sistema que temos hoje. Mas a ideia de que só vai mudar se tiver uma revolução não pode servir, no fundo, pro imobilismo. E muitas vezes eu acho que serve. Porque a revolução, ela vira não um horizonte que... Não é a casa do Galeano, do horizonte que nos estimula a andar. Ela vira quase que um...

Um desejo que não será realizado. Então ela contribui para o nosso fatalismo. Acho que existem mudanças profundas de sistema político, as quais a gente pode sim aspirar, sem necessariamente que isso passe por uma revolução armada no Brasil, que eu acho que essa perspectiva de fato está pouco colocada e ela enseja muitos problemas nela mesma. Ela é complexa do ponto de vista moral, político, ético, de proteção dos vulneráveis e de muitos outros aspectos.

Mas, e que se a gente abdicar desse sonho, da possibilidade de um sistema político radicalmente diferente, onde os partidos exerçam um outro tipo de papel, onde não haja tantos filtros, onde os alcoolumbres tenham menos voz, eu acho que a gente também está abdicando da nossa responsabilidade como geração, sabe? Eu não sei o que fazer com isso, mas eu não estou pronta para dizer que não tem nada para fazer com isso.

Não, eu também não. Eu não estou defendendo a perspectiva revolucionária até porque ela é múltipla e não sei o que. Mas o que eu acho é que eu sinto que a gente tem uma situação que eu tendo ao fatalismo, mas não me conformo com ele, não gostaria de ser, mas a nossa geração não é que ela abdicou.

Eu acho que, de alguma maneira, nós somos engolidos por uma política parasocial, por uma política que aconteceu por fora de instituições que se blindaram, de maneira muito clara, como os partidos, como o processo eleitoral. E o louco é isso, é de uma geração que se dispôs a participar da política mesmo.

Só que assim, com muito voluntarismo, muito auto-iludido por um ambiente midiático completamente diferente, por uma internet que simula a participação e é entrega, é performance. Tem uma série de outras coisas, mas eu estou sentindo nos últimos anos, desde o golpe para cá, que existe certamente uma consolidação muito forte, uma metástase muito forte de um fisiologismo antidemocrático na sua essência.

do estilo alcolumbre de é poder mesmo. E eu vejo não só a gente perdendo espaço, mas, novamente, as nossas estruturas e mesmo a nossa produção intelectual está muito aquém da ambição que o momento é demanda. Isso eu concordo totalmente com... Não é você. E aí, não é o livro do PT.

que eu lembro, mas é o que a gente acabou de ler, que é o realismo capitalista. A gente está encalacrado psicologicamente numa situação. Não é simples sair dela. E aí eu não estou falando que é uma perspectiva revolucionária armada e nada disso. Mas mesmo os nossos instrumentos de poder mais fortes que a gente tinha como sociedade...

a gente relegou eles a um plano quase que invisível já. Que é tipo greves, paralisações, que aí não é rua como performance. Porque é isso, agora é rua. Aí vamos num domingo na Paulista, numa terça-feira, botar 5 mil pessoas no carro de som. Entendeu? E o instrumento de poder de paralisação da economia? E o tipo de pressão política que a gente seria capaz de exercer no PT?

E a demanda de primárias, por exemplo, que iam resolver boa parte desse problema de indicação de gente que a gente quer votar de fato e não indicação de que a gente é obrigado a votar porque o partido escolheu. Coisas que em tese estão mais ao nosso alcance do que uma revolução, que eu entendo que se não é organizativa ela é paralisante como horizonte.

Mas é isso, na nossa audiência tem gente que vota, que escolhe direito que não é culpado pela eleição de pessoas péssimas, mas tem cada vez mais gente também que tá falando, cara, eu não acredito mais nisso, entendeu? Tipo, revolução, entendeu? Assim, vamos mirar em outra coisa, isso não serve mais, entendeu?

É porque o povo tá fora da equação. Há muito tempo, né? O impeachment já foi isso. Já foi algo que aconteceu sem nenhuma participação popular. Não, mas as pessoas foram pra rua. Não teve nada a ver com isso. Mas não tinha esse teatro das pessoas na rua e tal. Hoje em dia nem isso. Qual é a relação? Não há nenhuma...

Não é possível cobrar essas pessoas. Eles não têm medo da cobrança. Não é algo que está no espectro, a cobrança, a população. E tem uma coisa que lembra um pouco, para mim, o aumento gigantesco das bets. E não só das bets. Dessas empresas gigantescas, dessas corporações virtuais. Tem as big techs, mas tem outras. Vou dar um exemplo, estou um pouco obcecado com isso, que é a Via Gogo. Até falei na internet sobre isso.

estão vendendo ingressos, são empresas de cambistas que é permitido, não é permitido mas é uma brecha na lei, e qual o problema delas, principal, além enfim, são mil problemas, o primeiro problema é que não tem accountability pra usar um termo em inglês, é uma empresa que não existe, a Skyman, então se vender um ingresso que não existe, dá duplicidade, chega lá pra quem que você reclama? não tem como

E são milhões, milhões, bilhões de reais que tiram do povo que compra o ingresso e infla. No Brasil você não pode revender ingressos com lucro. Não pode ser uma lei. Não pode. Mas se você for brasileiro, se for uma empresa com sede nas ilhas caimã, você pode. É igualzinho o Bet. Você não pode fazer uma aposta. Então está me irritando profundamente a ideia de que a contravenção

ela só pode se for nas Ilhas Caimã, se for gringa, o que é uma merda, porque a contravenção brasileira, pelo menos, o dinheiro ficava aqui. O cambista, ele gastava o dinheiro no boteco, com a pensão da filha na escola, em algum lugar. Assim como o bicheiro, ele gastava o dinheiro no carnaval, ou sei lá onde, no boteco, onde fosse. Aquece a economia, pelo menos, né? O bicheiro, a contravenção brasileira, ela aquece a economia. A gente quer uma contravenção nacional soberana, entendeu? Exatamente. Essa coisa de contravenção internacional. E por quê?

E a contravenção internacional, o dinheiro nem fica aqui. São bilhões de reais. E por que eu estou falando? Porque a impressão que dá é que nesses casos também não adianta nada. Bicho, bete. É, porque assim, cara, se o bicho, até o bicho, irmão, ou o cambista, o cambista que vende um ingresso falso, você acha ele lá na porta e os próprios cambistas vão se organizar para encontrar o cara, porque é uma queimação para o cambista.

De repente uma pessoa gritando, fala, comprou um ingresso falso. Se tinha uma organização da contravenção.

Bicheiro também. Bicheiro também. Se um anotador ali não anota direito o seu palpite e jogou e você ganhou, o cara anotou, o cara tá fodido. É mão invisível, né Greg? A mão invisível funciona. Bicheiro tem accountability. O bicheiro tem, entendeu? E o cambista também em algum lugar. Essas empresas estão cagando. E a gente tá num momento cada vez mais, foda-se, foda-se o usuário, foda-se o cliente, foda-se mais ainda o cidadão, o eleitor. Porque você tem esse superpoder, que é o capitalismo.

realista, assim, que é um superpoder contra o qual não adianta lutar. Porque não é o pequeno comerciante que você vai lá e vai no Procon. Tanto é que ninguém nem mais fala de Procon. Porque antigamente você ia lá, no Procon, ou você tinha canais como pressionar. É verdade que o Procon perdeu sua centralidade. Agora o Google, você vai recamar no Google.

O que é um dos três bets? Ou a 3, 4, 5 bet? Experimenta reclamar de Procon. Vai lá, aliás, experimenta e não reclame aqui. Do Viagogo. Ou de qualquer bet. Cara, é muito triste. São infinitas reclamações e eles estão cagando porque eles não precisam estar bem no reclame aqui. Eles nem leem aquilo. É um algoritmo que manda o negócio.

Gente, só talvez pra tentar trazer um... E acho que a gente vai ter que finalizar já, mas só pra gente não deixar a nossa audiência querendo cortar totalmente os pulsos. Essa angústia de como que se muda o mundo e parece que ele é impossível de mudar e tem uma Viagogo nas Ilhas Caimã e uma Beth no Reino Unido e um Alcolumbre extraindo com um tio fazendo maracutaia no Amapá. Nossa.

essa angústia, ela não é nossa, ela não é nova, ela sempre esteve presente. A gente tem gerações de pessoas pensando sobre esse dilema, sobre quais são os melhores métodos, se é revolucionário ou se não é, como é que faz, como é que sai do imobilismo. A gente não está inventando essa angústia. Tem uma pessoa que pensou sobre isso, que foi o Gramsci, e ele escreveu no Cadernos do Cárcere, que ele escreveu quando ele estava preso, exatamente sobre essa discussão que eu e Bruno estávamos tendo entre e ele escreveu quando ele escreveu.

o que seria mais eficaz ou factível, né? O confronto direto ou outros tipos de disputa. E ele fazia uma oposição entre guerra de movimento e guerra de posição. Então ele falava que confronto direto, que seria guerra de movimento, que é basicamente uma espécie de revolução no sentido mais insurrecional, mais militar, só funciona para ele, né? E aí ele traz ali os elementos para defender essa posição, em sociedades com Estado fraco e sociedade civil pouco desenvolvida, que não é o caso do Brasil.

E aí ele defende, no fundo, que o que você precisa fazer em sociedades com Estado mais forte e sociedade civil mais desenvolvida é o que ele chama de guerra de posição, que é disputa cultural, é disputa ideológica, é disputa institucional prolongada. Você precisa conquistar a mídia, as escolas, as igrejas, os sindicatos, que é exatamente o que a extrema-direita está fazendo há 30 anos. Eles estão agora colhendo os frutos de uma guerra de posição, que eles estão travando de forma bem sucedida há 30 anos. Tem uma cena no Apocalipse nos Trópicos, mas...

que é o Silas Malafaia falando de Gramsci, basicamente na igreja. Eles leram Gramsci. O Olavo de Carvalho era um psicado por Gramsci. E ele fala isso, eu quero ser pastor de uma geração que vai mudar a mídia, as escolas, os sindicatos, a justiça, as empresas. O próprio dominionismo na teologia fundamentalista cristã, ele é meio gramsciano nesse sentido.

E o PT é muito gramitiano, né? Justiça seja feita. O PT é mais gramitiano do que qualquer coisa. Eles só estão fazendo guerra de posição mal hoje. Eles não entendem mais como fazer essa disputa, sobretudo a cultural. Eu diria. Mas eles fizeram. Mas fizeram durante muito tempo e ganharam, assim. Então, acho que a tese gramitiana nesse sentido, de que nas democracias liberais a guerra de posição é a forma vitoriosa de luta, eu não tô pronta pra abandoná-la.

Eu só acho que a gente não está sabendo dominar a hegemonia cultural. E sem dominar a hegemonia cultural, a gente não domina o Estado.

então agora eu entendi o que você está fazendo pela nossa revolução é um podcast é um podcast

arrasou, justificou muito bem. Eu vou continuar fazendo teatro. Fazendo algo que tem impacto ainda maior que podcast, que é um teatro. O seu tem mesmo. Mas Greg, você tá rindo. Mas você tá com uma peça que tá enchendo teatro falando de poesia de língua portuguesa. Isso é. Isso é guerra de posição. Isso é disputa de hegemonia cultural. E bem sucedida. E vocês falando que tem que ganhar o Senado, pelo amor de Deus.

Se candidata, Greg. Se candidata. Então, eu vou aproveitar com uma indicação muito cabotina. É a primeira cabotina que eu faço na vida. Quero pedir desculpas a vocês por isso. Mas lançou. Meu livro saiu aos pés da letra. Ele tá lindo. Tá lindo.

aquele, tá lindo? Eu digo a capa, não estou falando o conteúdo seria ainda mais cabotino. Não, ele tá demais, da Companhia das Letras. É um livro a partir do Céu da Língua pra você que curtiu o Céu da Língua ou que não conseguiu ver o Céu da Língua aos pés da letra. É tipo um desdobramento. Tem a peça aqui, mas tem mais. Vai além da peça.

por verbete, cada palavra é um verbete, é uma página e tal são grandes divagações a respeito da língua que a gente fala uma palavra vai puxando a outra e tal tomara que você goste, agradecer a Alice Santana minha editora, a companhia das letras o livro saiu e tá numa livraria perto de você, pode comprar pela internet também, mas queria pedir pra você privilegiar as livrarias, especialmente as livrarias de rua passa numa livraria e compra aos pés da letra, viu pra gente ainda fortalecer esse comércio maravilhoso fundamental que é a livraria da vida

Mas nem toda cidade tem. E também é guerra de posição. Aliás, é o meu sonho. Um dia eu vou abrir uma livraria. Que eu acho que aí sim você... Ah, Greg, é aqui do nosso ladinho. Exato, meu sonho. Tá faltando. Eu acho que sempre falta a livraria. Vamos fazer isso acontecer. Tá faltando. É, total. Ótimo. É isso, gente. Eu vou correr pro teatro que eu tenho que ir. Eu vou deixar vocês. Um beijo. Vai pra sua guerra de posição. E até já.

Tchau, tchau. Beijo, tchau, tchau. Beijo, Greg. Gente, a minha indicação de livro eu já dei. E pronto, fica aí com o Cadernos do Cárcere e o livro do Gramsci. Do Gramsci. A direita leu.

Acho que vale a pena a gente ler também. Como assim? Você nunca leu Gramsci? Eu nunca li muito... Honestamente, vou fazer uma confissão aqui. Não é confissão, não estou escondendo de ninguém. Eu não li muito marxistas. Eu não li Marx. A gente é acusado todo dia de marxismo cultural e vem você me dizer que não está lendo o cânone do marxismo cultural. Você não leia os nossos comentários. O que a galera mais comenta é que falta Marx para a gente.

Toda vez que eu faço... Eu fiz um boletim do Fim do Mundo de psicodélicos sobre a legalização que o Trump... O comentário que mais eu vi foi assim, falta materialismo histórico, falta Marx, falta leitura, porque é o capitalismo, não é psicodélico. Então é isso. E eu confesso, o pouco que eu sei...

É muito superficial. É pelo David Harvey, que foi quem eu li Marx através de. Gosto muito dele. E acompanhando podcasts, entrevistas, aulas que eu já tive na faculdade. E debates que eu tenho com quem é marxista, com quem lê. Mas eu nunca li Gramsci e tal. Honestamente, nunca li Lenin.

Nem Marx, fora o Manifesto Comunista, que esse sim eu já li umas duas, três vezes. Mas falando em materialismo histórico, o livro eu ainda não li, eu só li algumas páginas dele, mas eu sei que é um livro importante e eu quero recomendar que a gente preste atenção nele, que é do Cauê Lopes dos Santos.

que é o irmão da amiga do nosso programa aqui, da ENAE, Lopes dos Santos. E ele fez esse livro pela Fósforo, editora Fósforo, chama Parcelado, que é basicamente uma etnografia, um estudo in loco, com muitas entrevistas e muita presença mesmo, sobre os hábitos de consumo periférico.

hoje no país. Acho que há alguns anos a gente falava muito de ascensão da classe C, não sei o que, e acho que ele faz um cenário muito importante para os nossos tempos, que é a população em dívida. Os novos hábitos de parcelamento, as novas linhas de crédito, as empresas que vivem disso, e um cenário demográfico que a gente já falou algumas vezes aqui no Calma, e que acho que é fundamental para entender, inclusive uma certa distância que o PT tem de uma nova base.

que é um povo não só de classes um pouco mais baixas, mas de classe média, indo para uma classe média um pouco mais remediada, que se define por um endividamento crônico, não só pelos seus hábitos, da maneira como o consumo é desenhado, mas para a estrutura financeira que se monta em torno disso.

E acho que esse endividamento que hoje em dia está agravadíssimo com bets, com uma certa distopia digital, eu acho que ele é central pra gente entender algo que a Alessandra sempre fala aqui que a gente precisa de mais definição, que é qual sujeito político nós estamos falando. De quais as outras formas de ler o que há 40 anos era o trabalhador. Então acho que esse livro me parece uma ótima contribuição nesse debate.

Maravilha. Bom, vamos terminar? Muito obrigada, Bruno. Tchau, tchau. Beijo.

Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.

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