PT, Palantir e um Dilema Manifesto
O que dois manifestos na mesma semana revelam sobre a esquerda - e democracia - perdida entre a falta de sonho e o pesadelo.
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Assistente de Produção, Leo Tone Costa
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração e Design, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais, Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
Consultoria de Comunicação, Luna Costa
- Conselhos de LulaLegado de Lula · Desafios da esquerda · Futuro político do Brasil
- Manifesto da PalantirVisão política da Palantir · Hierarquia cultural · Tecnologia e poder
- Crítica à cobertura de mídia do PTFalta de clareza · Defesa de legado · Propostas genéricas
- Impacto da TecnologiaInteligência artificial · Big Techs e democracia
- Participação políticaMobilização da juventude · Discurso político atual
Olá, bom dia, boa tarde, boa noite, aqui é Gregório do Vivi. Esse é o Calmo Urgente. Estou de volta ao Calmo Urgente hoje, segunda-feira, 27 de abril. Queria chamar eles aqui pra conversa, Bruno Torturra e Alessandra Orofino.
A saudade de vocês. Eu não estava com vocês semana passada. Eles estavam em Barcelona, onde eles conversaram com o nosso maravilhoso presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Você ficou com inveja, Greg? Eu não fiquei com inveja. Esse é o canal estatal Calmo Urgente.
Cara, eu, nosso impecável, nosso presidente em exercício. Nosso fino, nosso elegante. Aliás, em exercício ou é o Alckmin quando o Lula foi pra Barcelona? Não, não, ele é o presidente de exercício também. Todo presidente que tá em exercício, tá em exercício até terminar o seu mandato. Ok. Ele, aliás, nunca um presidente... Exercício físico. Nunca um presidente esteve tanto em exercício, Bruno, quanto o Lula. Nunca um presidente esteve tanto em exercício. Nunca na história desse país. De todos os octogenários, o mais fit. Um homem, enfim, eu não poderia estar junto, ali seria constrangedor. Não, não, não.
Eu não posso encontrar o Lua ao vivo, não, que eu passo tudo pro nome dele. É uma coisa constrangedora. Eu não saberia ter... Vocês foram maravilhosos. Vocês foram maravilhosos. Vocês foram entrevistadores. Vocês foram duros na medida certa. Vocês foram... Vocês confrontaram com muito carinho. E ele... E ele foi... E ele... É muito bonito de ver. Eu recomendo que vocês vejam, se vocês não tiverem visto. Não agora. Acaba. Espera acabar o episódio. Vai lá.
Vai lá, vai ver, porque eles... Não, de verdade, vocês fizeram uma... Assim, fizeram perguntas que não costumam ser feitas. E ele não respondeu as perguntas de uma maneira maravilhosa. Ele não respondeu.
Ele deu as melhores evasivas da história desse país. Cara, ele dá uma aula. Ele dá uma aula de evasiva. Eu tenho um amigo meu que me encontrou no fim de semana e falou, cara, que maravilha a sua tentativa de entrevistar o Lula. Meus parabéns.
Foi meio isso, mas é que... Cara, ele dá uma aula disso que eu acho que todo político, não só, todo artista também deveria aprender. Que é assim, cara, na verdade, uma entrevista é pra você falar o que você quiser. E você tem que entender a pergunta... Para. Você tem que entender a pergunta como uma plataforma.
Entendeu? Só que claro, se você fizer isso mal, se você fizer isso mal, é uma vergonha. É um saco de ver. Você fala, caralho, não foi isso que foi perguntado. A pessoa que faz isso mal é horrível. A pessoa que faz isso bem, que quando você menos percebe, ela está falando das coisas maravilhosas que ela fez. Do legado. Porque o que o Lula fez, que eu achei interessante, no sítio assim, politicamente vendo, é que vocês puxavam pro futuro. Interessante, não no sítio positivo, necessariamente. Vocês puxam o tempo todo pra um futuro.
Mas que anda para um outro mundo é possível e ele puxa para o passado. Ele puxa para uma defesa de legado. É isso que ele fez na entrevista. E vocês fazem uma defesa de um sonho, uma defesa de uma utopia possível e ele faz a defesa de um passado, inclusive ironizando algumas vezes. Vocês do outro mundo é possível? Eu adorei que ele falou isso.
Mal sabia ele que o Bruno é o cara mais pessimista do mundo, né? Mas ele chamou o Bruno, vocês aí do Outro Mundo é Possível? Eu acho que Outro Fim do Mundo é Possível. Perfeito. Que é a minha posição utópica. Perfeito. Então, mas foi muito interessante. Vê mesmo esse encontro do Calma com o Lula.
E eu acho que tem o Miguel ali também incrível. Estava também o Miguel Lago lá, que também fez umas ótimas perguntas. Agora, a gente queria falar... Ah, hoje é dia 27 de abril, um breve parêntese. Dia 27 de abril é aniversário da nossa espetacular jornalista Luísa Miguez, que escreve esse programa junto com ela. Sim, existe uma jornalista com a gente.
E é ela, Luísa Miguez, que escreveu durante muito tempo o Greg News também. E antes o Greg News, ela era da Piauí. Ela é uma pessoa espetacular também. É a redatoria. Que nos aguenta há tantos anos. Só por isso ela já merece um bolo. Há muitos anos, há muitos anos. Pois é. Viva, viva, Luísa Miguez. E é ótimo que a gente está sendo bem linear nessa conversa. A gente tem uma pauta, mas a gente começou falando do Lula. Breve pausa para celebrar. Luísa, volta para o Lula, rapidamente.
Vou voltar pro Lula. E antes de voltar pro Lula, só falar também um outro parêntese que dia 4 de maio, ou seja, segunda-feira que vem, a gente vai estar no teatro de novo no Rio de Janeiro. A gente vai estar no Carlos Gomes fazendo o nosso Calma Urgente com plateia. No Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro. Acho que ainda tem ingresso pra quem quiser ver. E vamos pra outros estados também. Vamos pra São Paulo e Minas pelo menos. Certamente pra outros ao longo do ano, mas São Paulo em junho e Minas em julho. Você tá sabendo disso? Sim, em primeiríssima mão, você que está ouvindo.
Ainda não temos data para julho, mas divulgaremos aqui. Ingressos à venda no Simpla.
Simpla, deve ser. É isso. Então, os ingressos que ainda restam, você pode adquirir lá. E se você for membro ou membro do Clube de Cultura do Calma, você tem, maravilhoso, 55% de desconto. Olha, isso é maravilhoso. Do teatro na segunda-feira. Aliás, você que é do Clube do Calma tem vários descontos. Eu tava em BH, num café que eu amo lá, que é o Whoop, e descobri que lá, a pessoa me avisou que se eu fosse sócio do Calma, eu teria acho que 10% de desconto. Você encontrou essa cauterinha na hora, Greg.
Eu não sou sócio do carro. Eu tive que pagar integral.
Eu paguei porque eu sou fã do estabelecimento. Aliás, um beijo a todos do BH. Foi espetacular. Eu amo essa cidade. Foi muito, muito gostoso. E ontem teve a primeira edição do Flap, que é a festa literária de Curitiba, que também foi muito legal. Mas voltando aqui ao Lula. O que é que vocês sentiram? Eu senti isso. Eu senti mesmo um artista da resposta. Sentido alguém que de verdade ou da não resposta. E eu senti também, claro, esse confronto entre uma esquerda que não é... Uma esquerda...
que se quer do século XXI, ou pelo menos quer tentar entrar no século XXI, ou sonha com algo que não seja aquela esquerda do século XX, que era trabalhista e também progressista, e uma esquerda que a Lula, que na verdade não é nenhuma esquerda. A verdade que ficou mais claro para mim é que o Lula, ele é a figura mais central.
politicamente que se pode ser. E é inclusive o que me distancia dele. É o momento em que eu me sinto não tão lulista. Ele é a pessoa mais central no mundo. Ele é tão central que, ao dialogar com a gente, ou com calma, ele parece mais a direita. Ao dialogar com a direita, ele parece mais a esquerda. Ao ir, por exemplo, falar... O discurso dele com as lideranças, o discurso no Fórum Progressista...
ele foi muito mais à esquerda do que o papo dele com calma, com vocês. O que não faria sentido, porque se ele fosse falar com vocês, um político pior, um político mais ralo, mais intuitivo, no mau sentido assim, ele tentaria agradá-lo, ele ficaria mostrando para vocês como ele é de esquerda e tentaria mostrar para as grandes lideranças mundiais como, na verdade, ele é conservador, ele é o líder, na verdade, da institucionalidade. E ele não fez isso.
ele foi mais calmer no discurso para as lideranças, no discurso pro mundo e ele foi mais institucional no discurso pro calma e acho que isso aí diz muito sobre ele ele tem essa força centrípeta o Lula ele puxa tudo pro centro o que mostra como o Brasil é maluco de considerar ele um radical mas o que eu senti foi muito isso ele apela o tempo todo ele acredita muito nessa ideia abstrata o Lula
e confusa e difícil de se defender que é um centro político. Embora ele use esse termo, mas ele está o tempo todo puxando a discussão para a centralidade. É por isso que para a gente ele soa mais direita e lá com os centros ele soa mais de esquerda. Foi a impressão que eu tive. O que vocês sentiram falando com ele? Bruno, o que você sentiu como entrevistador? Como entrevistador? É aflitivo. Eu já sabia que é difícil entrevistar político.
Já sabia que é difícil entrevistar ex-presidente e candidato, que eu já entrevistei. Mas foi a minha primeira vez entrevistando um presidente em exercício, em a campanha.
E muito profissional. Então, assim, é exatamente isso. Você faz as perguntas que você quer e ele dá as respostas que ele já queria dar antes da pergunta ser feita. Isso é muito claro, isso não é uma novidade. Eu acho que eu tentei insistir em alguns pontos. E o tipo de entrevista que, para o jornalista, ela é melhor ser feita ou com mais tempo...
Ou sozinho, porque você fica já num embate mais claro. Você consegue retomar, consegue interromper ele com mais facilidade. Mas eu senti algumas coisas. Claramente, ele está em campanha. Então não é uma entrevista que ele daria no ano passado com o mesmo tom.
Ele já está com os pontos que ele quer falar, porque já está na cartilha do que tem pela frente nos próximos meses. O Lula está extremamente vital. É muito impressionante ver a energia física e a saúde dele, mental e física. Quer dizer, para você ter uma ideia, eu, Alessandra...
E o Miguel, quando acabou a nossa entrevista e a gente chegou lá no evento pra ver o discurso dele, a gente tava exaustos. Távamos, assim, cansadíssimos. O Lula fez o discurso com mais vitalidade do que ele tava quando deu a nossa entrevista. Isso que ele teve. Reunião é bilateral, é de manhã. Tipo, almoço com vários presidentes. Chegou em Barcelona depois do que a gente. Então, assim, o cara tá muito bem de saúde.
Mas aí é o ponto e que eu, novamente, não tomem isso como uma crítica direta ao Lula. Eu acho que é algo que a gente falou no nosso longo preâmbulo para a entrevista.
que tem uma lição de casa gigantesca para a gente, porque o Lula, apesar de estar com uma saúde gigantesca, ele é um homem do século passado. A cabeça dele não é a cabeça dos novos dilemas e da visão do século XXI que a gente precisa como campo, desesperadamente. E não dá para a gente esperar que ele articule isso por conta própria.
Eu acho que tem uma missão do nosso campo que é fazer com que essa visão de futuro que a gente demandou, que esses pilares que a gente demandou, quais são os novos pilares que o Brasil precisa ter para os próximos 100 anos, essa articulação vai precisar vir da nossa geração.
claramente, e nesse sentido a crítica que eu faço é muito mais a nossa geração do que ao próprio Lula que é tipo, a gente não se apresentou com a força e com a assertividade, é necessária pra que esse discurso já deveria estar na boca do próprio Lula porque a gente obrigou esse discurso a estar então eu acho que tem um
Tem uma análise mais ampla do que a figura do próprio Lula. Mas o carisma é muito impressionante, né? No final ele te pega no braço, pergunta onde é que você mora, o nome dos seus filhos, aí você já sai assim, tipo, totalmente rendido. É, tem um momento que o Bruno fala uma coisa assim, ele fala, é porque teve uma vez que eu reformei uma casa, ele começa a contar uma história pessoal, né? Aí o Bruno fala, é, eu também. Aí ele para o que ele tá falando e fala, você reformou? É. Ele olhou pra... Assim, é um detalhe.
Ele é interessado, se reformou. Quem se interessaria por isso? Por o fato de que o Bruno... Ele tem um interesse genuíno no ser humano? Ele é genuinamente interessado. Quando acabou a entrevista, ele me pegou no braço e perguntou aonde eu moro. Olhando no olho. Aí eu falei, moro na Serra da... É muito queira. É mesmo? Que bonito. Aonde? Você tem filhos?
E aonde ela mora? Eu já pergunto a Alessandra, e não era falso. Era realmente um vigor interessado nas pessoas, que acho que é de onde vem até a vocação é política dele. É, com certeza. E você, Alessandra, o que você sentiu? Já jogando um pouco pra pauta de hoje, né? A gente vai falar um pouquinho de futuro, dessas diferentes maneiras de se construir o futuro. Quem é que tá oferecendo perspectiva de futuro afinal de contas hoje, né? Eu sinto que...
Um pouco diferente do Bruno. Eu não sinto que seja totalmente justo dizer que não existam articulações de visões de futuro e que, por isso, elas não estão na boca do Lula. Não acho que o que falta para o Lula é um menu de visões de futuro com opções dentre as quais ele possa escolher um discurso para adotar. Eu concordo que essas opções de futuro estão maior articuladas.
Mas não me parece que seja por isso que o Lula não está falando de futuro tanto, ou tanto quanto a gente gostaria. Eu concordo. A minha sensação é que ele, e eu falei isso um pouquinho também, é que ele está numa perspectiva que é genuína de defesa de legado. Ele não está falando do legado só porque ele está em campanha, ele não está falando do legado só porque esses são os pontos principais que ele precisa martelar nesse momento de campanha eleitoral.
Eu acho que ele está falando de legado porque o Lula tem, de fato, um propósito na vida dele. E ele se propôs a cumprir com esse propósito. E, de alguma forma, ele cumpriu. Acho que, resumindo muito, o Lula tem como missão de vida se assegurar de que todos os brasileiros e brasileiras vão comer três vezes por dia.
E essa história da comida é uma coisa assim, é um leitmotiv, assim. Ele volta pra coisa da comida muitas vezes ao longo dessa curta entrevista, de 40, 50 minutos, né? Quando ele fala de universidade, por exemplo, ele vai falar dos custos, ele compara os custos entre uma pessoa na prisão e uma pessoa na universidade. Isso é brilhante, aliás, né?
É brilhante, pra mim é a melhor parte da entrevista. Eu disse isso, inclusive, no episódio. Mas ele fala, não, mas com o almoço incluído, ele muitas vezes volta nessa ideia de que as pessoas estão comendo. Que é uma coisa que parece muito básica, mas que é longe de ser óbvia num país como o Brasil.
E ele fez com que se tornasse óbvio, não óbvio de que acontecerá, mas óbvio de que precisa acontecer. A ideia de ter gente passando fome se tornou uma coisa inaceitável. E não era inaceitável antes do Lula. Então, acho que ele conseguiu trazer...
a fome, a pobreza, essa experiência que faz parte da experiência de vida dele, para o centro de uma pauta política, ele construiu todo, ele jogou todo o capital político dele em volta disso, de fato é uma pauta de extremo centro, em alguma medida, porque ela não é uma pauta necessariamente...
desafiadora para uma estrutura de poder vigente. Quer dizer, você não precisa mudar radicalmente a distribuição de poder na sociedade desde que você consiga construir um consenso social em volta de uma coisa muito básica, que é não ter gente passando fome. É uma coisa muito doutrina social da igreja, sabe? É bem aquela visão de direitos assegurados básicos. É, Dom Helder.
então, é até aliás mais básico do que o Don Welder ainda era mais socialista talvez então assim, e ele veio fazer isso no mundo e ele fez, e isso é gigante num país profundamente desigual e violento como o Brasil
E eu sinto que a única coisa que está preocupando ele de fato, que de fato o anima, é a defesa desse legado. Eu sinto que a inquietação dele, quando ele percebe que esse legado pode ser desfeito, e de alguma forma foi isso que os anos Bolsonaro representaram para ele, essa inquietação é real. Tanto que quando ele fala dos anos Bolsonaro, ele não fala dele preso, ele não fala de outras coisas, pelo menos não centralmente.
que poderiam até ser mais importantes, porque afetaram ele de forma muito pessoal. Ele literalmente ficou atrás das grades durante um bom tempo. Não é isso que ele retorna. Ele retorna... O Brasil voltou pro mapa da fome. Ele retorna ao aumento da desigualdade. É pra isso que ele vai. Eu acho que é isso que ele teme. E eu sinto que tem uma verdade muito grande nisso. Eu não acho que isso seja jogo político. Eu não acho que isso seja jogo de cena. Eu acho que isso é a realidade e a verdade dele como figura histórica. É...
Agora, a defesa desse legado, ela é a única agenda de fato. Essa é a sensação que a gente tem. E não é uma agenda menor, ela é uma agenda gigante. Mas ela é realmente insuficiente para lançar a gente numa visão de século XXI. E o que é mais trágico, e é isso que eu temo, e é isso que a gente tentou comunicar também para ele, é que eu realmente acho que se a gente ficar numa perspectiva...
de defesa desse legado, sem levantar uma bola de futuro, esse legado vai estar em risco. O risco da crise climática é a gente voltar pra fome. O risco da aceleração das tecnologias de vigilância, do espaço público estar totalmente confinado a essas plataformas, essas big techs que passaram a dominar a conversa pública do mundo, é que a gente consegue suprimir justamente as histórias de fome e de miséria.
simplesmente porque essas plataformas podem decidir fazer isso. E não só isso, a gente volta para a ditadura mesmo, com essas tecnologias de uma outra forma, que também é outra coisa que o Lula defende como parte do legado dele, que é um país democrático e sólido institucionalmente. Então assim, a minha sensação é...
Sabe quando tem uma coisa meio psicológica nisso, né? É um pouco aquela coisa de que se você não parte pro ataque, você também perde na defesa. O Lula tá numa perspectiva muito de defesa. E o meu temor é que essa defesa, ela é insuficiente, inclusive como defesa. Inclusive pra garantir esse legado. Quando ele fala, não, mas ninguém em sã consciência não exploraria petróleo.
que em si é uma frase que rende um programa, para além da discussão sobre isso, sobre o que isso significa então, sobre qual é o papel que o Brasil quer ocupar no mundo nesse momento, e sobre emergência climática de maneira mais ampla, tem uma discussão a ser feita que é sobre...
Os primeiros impactos da crise climática sendo sempre nas populações vulneráveis, de forma muito mais clara e muito mais evidente do que os impactos positivos possíveis da exploração do petróleo em termos de acúmulo de riqueza, beneficiando essas populações. Em outras palavras, a gente sabe que a crise climática vai afetar os pobres primeiros. O que a gente não sabe é que royalties de petróleo serão revertidos em benefício desses mais pobres.
Isso a história nunca mostrou, ou muito raramente mostrou. Houve pouquíssimas experiências em que exploração de petróleo beneficiou populações mais pobres, mas eventos extremos de desarranjo da própria matriz orgânica da vida, eventos de clima extremos, etc., afetando populações pobres, a gente tem isso todo dia. Perfeito. E essa é a minha preocupação quando eu ouço Lula.
Então, e ainda tem um problema, Alessandra, que eu acho que é também de ordem, enfim, de engajamento, para usar uma palavra que tomou outro significado hoje em dia. Engajamento antigamente era, basicamente, a pessoa ter uma posição política, ela é engajada. Hoje em dia engajamento é outra coisa, tem a ver com resposta, tem a ver com redes, tem a ver com as redes viralizarem o seu conteúdo, as pessoas engajarem contra o que você diz. E eu acho que a defesa do legado, ela é muito pouco engajante, em termos de redes.
Ninguém vai às ruas para defender um legado. É muito difícil eu digo irem. E foi o que aconteceu nos últimos anos. Foram às ruas para defender legado. Mas são gatos pingueiros. Nenhum direito a menos. Foi o que a gente mais falou ao longo dos últimos dez anos. E como a gente já falou aqui algumas vezes. Nenhum direito a menos é muito ruim como slogan.
E eu acho que se a campanha do PT esse ano for de não ao retrocesso, não vamos retroceder, eu acho que ela perde. Eu acho que se for uma campanha conservadora nesse sentido, ela sobretudo não vai engajar com os jovens, que são pessoas que justamente mais precisariam engajar, como já falou nesse programa. A gente está com uma escala invertida no Brasil, com uma pirâmide invertida de voto na esquerda.
A gente tem os mais velhos votando mais à esquerda do que a meia-idade, que por sua vez está mais à esquerda do que os jovens. É algo que é inédito, assim, eu diria, no Brasil, na história, e é sobretudo muito específico também em relação ao mundo. Não é uma onda mundial, é uma coisa bem brasileira, ao que me parece.
E isso eu acho que tem a ver com esse discurso que é uma defesa de legado apenas. Ele é conservador, ele é não ao retrocesso, ele não aponta para algo novo. E mais, ele é muito sistêmico, é na defesa da institucionalidade.
O que eu acho que é muito ruim também para o Lula. Se ele for ficar nessa defesa da institucionalidade, no momento atual, ele está especialmente ruim para os incumbentes. É bom lembrar disso. Até o Orbán perdeu, depois de, sei lá, 15 anos, 20 anos, que ele estava ganhando todas. Está ruim para os incumbentes de direita e de esquerda, eu acho. Que mais do que direita ou esquerda, no momento atual, ele é anti-incumbente. Ele é de ruptura com a instituição. E tem mil motivos para isso, claro.
Mas eu tenho a impressão de que Lula, se ele ficar na defesa da incumbência, eu acho que ele está frito. E é triste, porque ele tem muitas coisas para se orgulhar. Mesmo desses últimos... Não só de 1 e 2. Lula 3. Muita coisa. E acho que tem muito material, tem muito número. Mas não é isso que ganha a eleição.
Agora, eu queria entrar num ponto que ele falou por alto uma coisa que não chega a ser um lapso, porque eu acho que é até pensado, mas que é um termo que ele usou, que eu acho que faz uma ponte com a segunda parte do programa. Ele vai falar de inteligência artificial e de realidade em algum lugar. Ao você perguntar sobre Big Techs e sobre legislação de Big Techs, ele dá uma resposta que eu achei muito boa, inclusive, mas com um termo que eu achei muito ruim.
que ele diz que é um absurdo o fato de que a gente tem uma legislação diferente para a vida digital e para a vida analógica. É um absurdo que uma coisa possa ser crime na vida analógica e não ser na vida digital. E ele diz uma coisa, só que a frase que ele usa diz muito sobre uma incompreensão geral. Ele diz assim...
Uma coisa que é crime na vida digital também deveria ser... Perdão. Uma coisa que é crime na vida real também deveria ser na vida digital. A frase que ele usa é essa. Ele defende que um crime na vida digital seja igual a um crime na vida real. Só que a ideia de digital contra o real...
É uma coisa muito louca. Ele ainda entende em algum lugar que a vida digital é o não real. Ou seja, embora ele defenda uma equivalência justamente entre o digital e o analógico, ao usar o termo real pra falar do analógico, ele tá dizendo que o digital é fictício. Ou seja, ele tá dizendo que um crime no mundo digital é fictício também. Você entende o que eu tô dizendo? E eu acho que isso diz muito sobre uma confusão que acontece muito, que as pessoas acreditarem que existe uma vida digital e uma vida real ainda. E eu acho que...
E tem um pouco a ver com a confusão que a gente está, que é uma confusão mesmo de percepção da realidade. Em que as pessoas estão cada vez mais duvidando do que é real, do que elas recebem, e tem que duvidar mesmo. Mas é curioso, né Greg, em defesa do Lula, a juventude também. A juventude. Os jovens hoje em dia, nada me faz me sentir mais velha do que usar essa expressão.
também usa esse termo, né? Em real life, na vida real, IRL, existe essa divisão entre o digital e o real, mesmo que o digital esteja, de alguma forma, muito integrado à realidade. Então, eu não sei. O que eu sinto...
A maior inadequação que eu sinto nas respostas do Lula sobre Big Tech é que ele está parado numa discussão que é uma discussão sobre liberdade de expressão. É uma discussão de o que pode e o que não pode ser dito. Liberdade de expressão não é um salvo conduto para você cometer crimes, para você difamar alguém, para você mentir e assim por diante.
Mas ele não fala de monopólio, ele não fala também das vozes que são caladas. A gente não está só pedindo para que se calem os criminosos. A gente está pedindo, sobretudo, para que não se calem certas vozes que hoje são caladas. Então, toda discussão, por exemplo, sobre shadow banning, sobre quem que consegue se expressar... Ah, não, não sabe o que é.
sobre que tipo de conteúdo que, de fato, tem espaço nessas plataformas da maneira como elas são estruturadas, né? Que não é qualquer tipo de conversa que se adequa a essa plataforma pública. O que isso faz com a democracia? Isso não está na boca dele. E aí, eu acho que o Bruno tem coisas para dizer sobre isso, mas eu queria só voltar um segundo antes de a gente ficar muito longe nessa história da visão de futuro, não visão de futuro. Tem um dado da...
da pesquisa da Coeste agora, que foi publicada agora em abril, que eu achei que, de alguma maneira, aponta para isso. Eles perguntam sobre temor de uma continuidade do governo Lula ou temor de um retorno da família Bolsonaro ao poder. E depois eles perguntam sobre se o governo Lula merece mais um mandato. E aí, quando eles falam sobre temor, as respostas são 46% falam que têm medo da volta da família Bolsonaro ao poder.
contra 40% que dizem que temem a continuidade do Lula. Ou seja, tem mais gente que tem medo da família Bolsonaro voltar ao poder do que gente que tem medo do Lula continuar no poder. O que, ainda bem, eu gostaria muito que essa diferença fosse maior. Mas o fato é que a diferença existe. No entanto, 56% acham que o Lula não merece um novo mandato. Então, é curioso, né? Você tem no fundo... ...
menos gente que... Só 46% temem a volta da família Bolsonaro. Você tem mais gente que acha que o Lula não merece um novo mandato do que gente que teme a volta da família Bolsonaro ao poder. Isso é um dado interessante. Em algum lugar, essa eleição, do jeito que ela está, ela está se desenhando como uma eleição de aversão à perda e não de adesão a um projeto.
Mas a aversão à perda, eu acho que ela está colocada. Eu acho que ela já tem o seu teto. Eu não sei se mais gente vai passar a ter medo da volta da família Bolsonaro. Eu tenho a sensação de que para crescer, a gente tem que crescer justamente na adesão ao projeto. O que a gente precisa fazer é diminuir esses 56% que acham que o Lula não merece o novo mandato. Porque crescer a aversão vai ser um pouco difícil nessa altura do campeonato. E tem mais. Eu acho que na batalha da aversão, a direita sempre ganha.
O medo, ele é uma categoria que joga as pessoas para a direita. O pavor é da direita já, mesmo. O pavor, ele joga a gente para a direita, ele torna a gente mais conservador. Seja o pavor do que for, o pavor da mudança de gênero do filho, da filho que vai usar droga, que vai deixar que é outra do assalto, que vai te fazer querer o fim da maioridade penal. É tudo, eu acho que se a gente entrar na batalha do medo, de o que que dá mais medo, a direita sabe articular muito melhor o medo do eleitor.
O que a direita não sabe propor é a mudança de um mundo novo. É assim, é novidade. E isso a gente deveria saber. E não tá sabendo. Mas fala, Bruno. Deixando falar aqui. Pode falar.
Sobre internet, né? Que eu acho que era uma coisa que, pra mim, foi um dos fatores, não digo preocupantes do Lula. A coisa que mais me preocupou com o Lula foi a resposta dele sobre clima. Mas a gente não precisa entrar nisso. Que eu acho a mais grave. Mas sobre a internet, eu acho que é uma falha não do Lula, mas do nosso campo como um todo. Que é...
que a gente defende como política para o mundo digital barra real, que eu também acho que não é o caso de falar que o mundo digital não é real, mas eu concordo com uma análise...
intermediária, que é a seguinte, tem duas realidades, tem uma influência muito direta do mundo digital na realidade orgânica do mundo hoje em dia e cada vez mais, mas tem uma dissonância entre dois universos, que ainda não estão compatibilizados. E a maneira como eu acho que o nosso campo, a nossa esquerda especificamente, Lula, representa muito bem, é que a tentativa de fazer com que esses mundos sejam finalmente compatíveis é uma visão reguladora entre aspas, repressiva.
que é tudo o que na internet não pode mais ser feito. Não pode mais falar algumas coisas, você precisa restringir o mundo digital. E o que eu acho que não está absorvido, não é no webcurso, mas é na visão mesmo, é que a gente não está oferecendo uma internet melhor para as pessoas.
a gente está oferecendo uma internet mais restrita e não explicando para as pessoas que a internet delas já é muito restrita por conta do monopólio. Então, em vez de oferecer uma internet onde você tem mais controle, mais autonomia, você pode mexer no seu algoritmo, você escolhe o que você vai ver.
você vai poder... Não, você fala o que as crianças estão vendo. Então é tudo baseado também num certo pânico ou é moral, que eu acho extremamente perigoso pra fazer a análise, a análise política do ambiente digital. E aí você entrega, de fato, a defesa de uma liberdade bizarra toda pro campo.
do Flávio Bolsonaro. Então eu acho que o que falta na visão do próprio Lula, mas mais do que isso, não vi isso no manifesto que o PT publicou hoje e uma série de outras coisas, quer dizer, qual internet positiva, qual agenda de um mundo digital é melhor nós estamos oferecendo. E a gente não está fazendo isso, a gente está oferecendo controle e uma reforma muito tímida na superfície digital.
que é uma repetição do problema maior que a gente já agnosticou, que é essa obsessão com uma defesa de legado, com uma defesa de um certo status quo. Então, a relação com as redes sociais, ela é sempre, no fundo, no sentido de minimizar aquilo que as redes sociais, de alguma forma, mudaram na formatação da conversa pública. É quase que uma noção de os intermediários. É uma pauta conservadora. É uma pauta conservadora.
Exatamente. É uma nostalgia do editor do jornal, entendeu? É uma nostalgia do intermediário que, de alguma forma, filtra a informação e evita, em tese, com muitas aspas, que mentiras sejam propagadas, que calúnias sejam feitas, que difamações, enfim, ganhem. E não uma visão positiva de futuro que integra o digital nessa visão de futuro.
E ainda que o mal-estar social com as redes sociais hoje se tornou uma coisa bastante ampla, acho que é uma coisa que todo mundo já sente na sua vida privada, na relação com os filhos, na relação com os pais, são os homens viciados em aposta esportiva, são as crianças scrollando loucamente, são as meninas com baixa autoestima, acho que isso já está muito na boca do povo. Então, eu entendo que falar desse mal-estar seja popular e seja necessário. Ainda assim, eu sinto que a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para a experiência para
que a enorme maioria das pessoas tem com a internet de forma geral, ela é muito mais positiva do que negativa. É a internet como instrumento de trabalho, como forma de conexão, como maneira de buscar informação. As pessoas... E vem ainda na internet, porque também é isso, não é só o ruim.
uma janela para fora do confinamento do seu próprio universo, o que muitas vezes é muito limitado, ainda mais num país novo, muito desigual, muito pobre, com acesso à informação muito limitado em muitos sentidos. Então, se a gente fica com uma visão só repressiva, só reguladora, só conservadora, a gente perde a oportunidade justamente de desenhar essa visão positiva de futuro que integra as coisas positivas da internet.
E a gente também limita a internet à rede social, que é justamente o que as redes sociais querem e que não faz muito sentido. E posso fazer um comentário aí puxando já para a nossa pauta? Claro. Se a gente vai falar só meta comentário. Não, que eu acho o seguinte, ironicamente, essa semana, entre a nossa entrevista e esse nosso comentário, saiu um documento importantíssimo.
gravíssimo, e que aponta exatamente como a extrema-direita e mais importante do que isso, como o setor é privado, como as big techs que a gente não está sabendo falar sobre e ir no âmago delas, que no poder é político delas e não no poder de ir a controle da nossa expressão, a Palantira publicou
Um livro, talvez mais importante, mais repercutido do que o livro deles, publicou uma sequência de tweets que foi entendido como um manifesto, com 22 pontos, que eles apontam como a visão política do futuro. O CEO da Palantir, o Alex Karp.
Ele publicou e já é um dos tweets mais bem-sucedidos da história, com mais de 40 milhões de views e análises amplas na sociedade toda sobre o que isso significa, que é uma visão...
a partir de um livro que ele publicou chamado República Tecnológica. E acho que é bem significativo a gente estar falando isso, de como não só o Lula, a esquerda, e acho que a direita mais institucional, a direita política mesmo, ainda faz essa separação entre mundo digital e mundo real, entre política e entre a internet.
E quem está superando isso e está apresentando uma visão de futuro muito compatível com o ambiente que nós temos instalado como infraestrutura hoje, são as corporações, não vem de um partido político, não vem de uma filosofia de ciência política, mas esse CEO, apesar de ter mais de 20 anos na frente dessa empresa, ele tem formação de ciência política e de filosofia.
E olha que interessante, ele está apresentando não mais uma diferenciação entre o digital e o mundo real, ele está falando que a nova república é tecnológica. E dando uma visão em 22 pontos de qual tipo de sociedade essa empresa para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para a sociedade para
vislumbra para o futuro imediato o que tem que ser feito para uma nova sociedade política, para um novo papel americano especificamente. E o mais importante, essa empresa não é uma cooperação qualquer. Ela já está profundamente integrada com as infraestruturas...
de dados, de vigilância, de inteligência e de Estado de muitos países no mundo. Então eles já estão implementando um novo sistema operacional da nossa política e apresentando publicamente uma nova visão. E acho que o fato de eles estarem vindo a público...
E colocando um livro nisso, já deixa muito claro de que eles já entendem que não só essa visão é apresentável e que a gente vai engolir isso, mas como que ela já é quase que inevitável ao ponto de você precisar estruturar ela filosoficamente. Então acho que é muito significativo que a nossa visão ainda é muito século XX e os caras são os únicos que estão apontando para realmente como a política precisa ser no século XXI.
Só, totalmente, e só duas precisões. Uma é que o tweet não foi do Alex Carp. O tweet foi feito na conta corporativa da empresa, da Palantir. Ah, desculpa, desculpa. Não, mas o que só reforça a sua mensagem. Que é mais grave ainda. Essa não é.
É mais grave, porque essa não foi o desabafo do CEO numa madrugada de insônia, entendeu? Não foi o Alex Carpe chateado em casa e resolveu twittar e a Palantir agora está lidando com essa crise. A Palantir não está pedindo desculpas pelo Carpe. Essa foi a posição política da empresa. E o fato de empresas privadas estarem...
escrevendo cosmologias já é em si algo notável e que merece ser debatido eu queria dar um passo pra trás só pra quem não tá acompanhando muito bem a história pra relembrar quem é a Palantir e quem é o Alex Karp e quem é o Alex Karp, é, pode ser
Então, a Palantir é uma empresa de software americana, foi fundada em 2003 pelo Peter Thiel, que é aquele investidor bem ligado hoje à extrema-direita, que foi o cofundador do PayPal, foi um dos primeiros investidores do Facebook e foi o principal financiador da campanha do J.D. Vance. O Peter Thiel foi responsável, em grande medida, pela aproximação entre Trump e J.D. Vance e pelo fato do J.D. Vance estar hoje no cargo de vice-presidente dos Estados Unidos.
E só rapidamente, e o Peter Thiel é declaradamente antidemocrático. Ele acha que o que a gente chama de democracia é liberar hoje, não funcionou. E desde a época em que ele ficou multimilionário, quando ele vendeu o PayPal, ele tem a missão e está executando ela com maestria de superar o sistema liberal e democrático em nome de uma república tecnológica, que é o manifesto que eles publicaram.
Isso. A Palantir tem como CEO o Alex Karp, que estudou com o Peter Thiel, então já se conheceu há bastante tempo. E o Alex Karp é uma figura bem sugêneres, porque ele é um chefe de empresa no Vale do Silício que tem um doutorado em filosofia. Ele estudou o Abermans, sabe? Ele tem toda uma outra... Não, ele estudou com o Abermans.
Com o Abermas, é verdade. É verdade. Estudou Abermas com o Abermas. Tem uma coisa curiosa, que é o nome da empresa Palantir. Vem dessas pedras videntes que eram usadas pelo Saruman do Senhor dos Anéis, que é o vilão do Senhor dos Anéis. E era uma espécie de...
tipo umas bolas de cristal, assim, que o Saruman usava pra ver tudo. Então essa ideia da hipervigilância tá de fato no nome. E eu acho que já diz alguma coisa sobre a empresa também, ela usar o vilão como a sua referência. E a Palantir, ela nasce um pouco...
Depois do 11 de setembro, ela nasce como o resultado de uma reflexão desses investidores sobre para onde que o Vale do Silício precisaria ir depois do 11 de setembro. E a conclusão do Peter Thiel na época é que o Vale do Silício precisava investir em defesa, em segurança nacional, e que o Vale do Silício de alguma forma teria traído os Estados Unidos ao olhar muito mais para produtos voltados para o mercado consumidor e não para produtos que visassem fortalecer o próprio Estado americano.
Então, ela nasce aí, ela foi incubada com o dinheiro da CIA, do braço de investimentos da CIA, que é um grupo chamado InQTel, que é basicamente a incubadora de... InQ, de incubadora, TEL, de inteligência. Então, é a incubadora de empresas da CIA, em que eles investem em empresas privadas. E a Palantir, ela cresce vendendo plataformas de integração de dados para agências de inteligência, para agências militares e para algumas grandes corporações.
Hoje a Palantir tem um valor de mercado de cerca de 343 bilhões de dólares e é uma das principais fornecedoras do Pentágono e do ICE, que é a polícia de imigração do Trump, dos Estados Unidos. Então isso é um pouco a Palantir. E uma outra coisa da Palantir super importante. Ela é uma empresa bem antiga, ela não era muito conhecida, pouca gente falava dela, eu mesmo não conhecia, eu só vim conhecer a Palantir.
É depois de Gaza, do genocídio que está acontecendo. E que é quando o Alex Karp aparece mesmo, não só vendendo tecnologia para o exército israelense, mas defendendo isso publicamente com uma visão, não uma visão empresarial, mas uma visão étno-ideológica, defendendo que a empresa dele está contribuindo com a morte.
dos próprios inimigos, com um certo sadismo, com uma figura bastante nefasta, muito incomum nos CEOs de Big Tech que a gente estava conhecido até então. Então ela é uma empresa que no nome, na ação e na expressão pública, eles não se envergonham de se apresentarem meio como Lex Luthor, como uma coisa meio vilania, orgulhosa. Nós estamos aqui para isso mesmo. A gente não esconde o que a gente está fazendo.
E isso tem sido muito rentável para a Palantira. A Palantira se insere mais recentemente, depois dessa última eleição do Trump, na guerra cultural. Então, ela já era uma empresa valiosa com valor de mercado alto por estar fornecendo tecnologia com contratos multimilionários com o Departamento de Defesa e com o Pentágono, etc.
Mas depois que o Trump volta ao poder, ela resolve se inserir na guerra cultural exatamente com essa roupagem do vilão orgulhoso. E isso tem resultado financeiro. Hoje a Palantir tem um P sobre L, que é...
Em inglês, a gente chama de Price to Earnings Ratio, que é o preço da ação dividido pelo lucro por ação anual. Então, imagina que uma empresa tem ações na Bolsa e que para comprar uma ação dessa empresa custa X. Quantas vezes... Qual que é a proporção entre esse preço dessa ação e aquilo que aquela ação comanda de lucro num ano? Então, se você é dono de uma porcentagem Y da empresa, você, em tese...
tem direito a esse percentual do lucro da empresa. O preço da ação é sempre maior do que o lucro que aquela ação comanda naquele ano, numa empresa saudável. Mas o quão maior é depende muito do ramo. Então, uma empresa meio tradicional, sei lá, de varejo, ou uma empresa de energia tradicional, em geral tem um P sobre L de entre 8 e 20. Ou seja, demoraria entre 8 e 20 anos para só o lucro anual da empresa repagar o que você gastou comprando aquela ação.
Faz sentido? Faz sentido. Se você for olhar para as big techs, elas têm valuations muito grandes, porque elas têm uma promessa de futuro, de que vai ter muito mais lucro no futuro. Então, o P sobre L fica entre 25 e 40, normalmente. Empresas com crescimento muito agressivo, tipo a Tesla nos picos, ficava entre 50 e 100, o que o mercado, em geral, já considera bem esticado.
E acima de 100 é meio território de... Ou essa empresa vai virar o Google do futuro, ou é território de meme stock. Tem alguma coisa acontecendo com as ações dessa empresa? Fala sobre o meme stock só, explica o que é.
meme stocks são essas ações que se hipervalorizam em momentos de criação de algum tipo de febre de investimento nessa empresa. Altamente especulativo. Altamente especulativo. Não, mais do que especulativo. Muitas vezes é identitário.
Você está comprando ações dessa empresa, não porque você, de fato, acredita que aquilo vai dar lucro no futuro, que seria fazer especulação, mas porque isso significa alguma coisa, diz alguma coisa sobre você, te insere num movimento maior do que você, nesse sentido que é memético. A Palantir hoje tem um P sobre L de 230. É aí que eu queria chegar, tá?
que é alucinado. Então, assim, ou de fato eles vão executar um projeto de dominação completa do mundo e a sensação é que comprando ações da Palantir você está, no fundo, comprando uma parte do próprio império americano e da expressão mais extrativa que ele pode ter. Ou então, você está, ao comprar ações da Palantir, você está, de alguma forma, mandando uma espécie de recado ou...
para a própria sociedade. Você está se inserindo num lado da disputa política. Então, a Palantir, ela ganha ao fazer manifesto político, ao publicar isso no Twitter, ao aparecer do lado do Donald Trump e ao falar que ela é a tecnologia do vilão. Porque ela vai alimentando um tipo de identificação com a empresa que traz resultado em valor de mercado. É só isso que eu queria trazer.
E não é à toa que eles transformaram o livro num tweet. O livro foi publicado há um ano atrás. Agora ele virou tweet. E aí o tweet viraliza. E o livro, sim, era do Alex Karp. Mas o tweet está na conta da empresa. Porque eles querem associar a empresa a essa personalidade política do Alex Karp.
Isso é muito curioso, né? Numa época em que os políticos, eles tendem a fingir que não são políticos e se dizer não políticos ou outsiders, as empresas hoje têm bandeiras muito mais políticas e partidárias. Isso é muito louco. Eu tenho impressão que a corporação, ela sempre se fingiu à política, de modo geral. O único interesse dela era o capital.
dificilmente a corporação botava a bandeira de um partido na porta ou fazia discursos a favor de uma ideologia do Ocidente ou da cristandade. E o que a gente está vendo cada vez mais no mundo todo, porque até no Brasil a gente tem exemplos como Havan, umas coisas do tipo, em que tem uma figura, em geral tem um culto à personalidade também, do Elon Musk, à frente, dizendo explicitamente que aquela empresa que busca o lucro sim, mas que também...
tem uma identidade, em geral, ligada à identidade branca, ou seja, uma defesa de valores do Ocidente, ou seja, do que for, e que propõe uma cruzada. Ou seja, aquela empresa tem sim um ideal, para usar um termo bem da Faria Lima, ela tem um propósito.
que vai além do lucro, e tem mesmo, porque às vezes vai ver eles fazendo um absurdo, feito o Elomante ter comprado o Twitter, hoje X. Aquilo ali é muito mais uma operação ideológica do que uma operação financeira, pelo preço que ele pagou, pelo ter destruído a coisa, por ter mudado o nome, que era o maior ativo da marca.
tudo que ele fez ali, é prova que eles estão, às vezes, mais interessados mesmo nessa cruzada supremacista, e essa é a palavra, não tem outra, inclusive, é a palavra que muitos, inclusive, usam. O próprio Peter Thiel, ele é um supremacista mesmo, da raça branca, assim, da cristandade, ou seja lá como ele chama, do ocidente, ele vai falar, tá bom. Mas o ocidente aqui é usado como proxy de branquitude.
Sempre. E tem um cara, cara, que é o papa desses caras, que é muito absurdo, que eu caí nesse buraco esse final de semana. Tem um cara que se chama Curtin Yardviz, que é um monarquista. Curtin Yardvim, é. Ele é um monarquista. É Curtin Yardvim. Monarquista literalmente, tá? Não é maneiro dizer. Ele se diz um monarquista. Tudo funciona no mundo se for monarquista. Porque, olha o argumento dele. Shakespeare floresceu sobre a monarquia inglesa. Não há um Shakespeare hoje na China. Que idiota.
É isso, é o argumento desse imbecil que é seguido por um monte de gente, inclusive pelo MBL, tá? Ele é o ídolo do Renan Santos, desse povo que fica... Ei, Curtis, note a gente, tentando desesperadamente... Então, é meio que o Olavo dos Estados Unidos, né? Só que eu...
Só que olha só, eu nunca achei que fosse falar isso. Eu acho ele pior que o Olavo. Tipo assim, mais burro. O Olavo era burro também, mas ele é mais primário. Tipo assim, não sei se o Olavo usaria esse argumento. Que a monarquia é boa porque havia um Shakespeare na monarquia. E olha que loucura, ele diz... E a Apple é boa porque ela é uma monarquia. O CEO, ele é um monarca da empresa.
É uma incompreensão tão grande do que é monarquia, porque também não é. Ele é, inclusive, muitas vezes submisso a todos os acionistas. É tudo menos uma monarquia, um sujeito menos... E é errado por outro sentido. É uma comparação historicamente errada em todos os sentidos, mas também é muito cagada.
porque isso é muito primária mesmo, mas tem um apelo gigantesco entre os jovens, mas também entre os bilionários. Por que tem um apelo tão grande entre os bilionários? Que são pessoas inteligentes, e os bilionários são tudo menos burros, no caso do Carpe, no caso do Peter Thiel, são sim pessoas inteligentes. Eles sabem que nessa monarquia que ele propõe, que tem um apelo grande entre os jovens, essa ideia de uma hierarquia, de alguma submissão mesmo a uma ordem estabelecida.
que o Jarvin sonha, que ele propõe, porque o tesão dele, mais que em monarquia, é em ordem mesmo. Nessa hierarquização, quem manda? Ele não propõe que voltem os Tudor. Quem manda são os bilionários. O que ele propõe é uma monarquia na qual o poder está todo concentrado nas mãos do Peter Thiel. Que os Estados Unidos tenham um CEO absoluto, não um monarca absoluto.
E isso tem um apelo gigantesco, claro, entre todos esses bilionários do Vale do Silício. E o que é muito doido é que eles realmente estão numa missão que parece meio monarca mesmo. Eles acham ungidos por Deus. Alguns são até ateus. Mas o Yavin é ateu, por acaso. Mas o Deus do capital, a relação parece mesmo com Deus monarca. Eles acreditam que o Deus do capital tocou eles.
E é muito curioso porque a galera, a esquerda sempre falou que o capitalismo era incompatível com a democracia. Cada vez mais ficou ficando claro que o capitalismo é o oposto da democracia. Uma coisa é a democracia onde o poder está no mundo do povo, outra está no mundo do capital. Não tem nada mais contraditório.
E esses caras estão dizendo isso. É isso que é interessante. Eles estão dizendo o que a esquerda sempre diz. Eles concordam com a gente. Eles concordam. Eles estão falando assim, é isso mesmo. O povo está atrapalhando o capitalismo, gente. Tira o povo da equação. O que eles estão dizendo é a tese da esquerda. Sim, está dizendo a milênios. Mas com todas as letras. E o mais doido é que tem muita gente que embarca por uma nostalgia da ordem. Aí eu não sei exatamente o que é, mas o fato é que as pessoas estão embarcando nessa, cara.
E é importante você falar dele, porque o Curtis Arvin, que eu também acho, ele como filósofo, você vê as entrevistas dele, ele é muito fraco, muito burro, muito fofo, parece um cara do MBL mesmo, assim, você fala, não é possível que isso aqui vinga. Mas por que que ele vinga? Porque ele dá um piso e um lastro filosófico pra os CEOs.
Então, na verdade, toda teoria política para se viabilizar, isso é um testemunho de como a filosofia é importante, ela precisa de um laço filosófico, ela não para sozinha, sem uma filosofia que organiza um conjunto de ideias embaixo de uma execução. Então, o Kant e o Arvin, ele foi se tornando... Porque ele era um...
é blogueiro meio quase que periférico, assim, ridículo e tal. Mas os CEOs do Vale do Silício, eles pegaram ele um pouco pra justificar essa ideia tecnocrática de que se eles são bilionários, eles têm...
um talento, uma disposição, mas ele também cresce muito como referência quando os funcionários dessas grandes empresas digitais começam a se rebelar e começam a exigir coisas dos seus chefes, especialmente nessa era woke, nessa era que começaram a exigir a diversidade, que não podia falar tudo, assédio, quando eles viram que eles estavam sendo disciplinados pela sua força de trabalho, esse tipo de filosofia vem.
Mas é interessante pensar que o Curtis, na verdade, ele é discípulo de um outro filósofo que tem a ver com o realismo capitalista, com o que a gente está lendo nesse mês, que é o Nick Land, que é muito mais denso do que o Curtis e Arvin. O Curtis e Arvin é meio que discípulo dele, que é um cara que entende o capital
como a força imanente mesmo. Ele compra a ideia marxista de que o capital é mais do que dinheiro e ele assume o lado do capital. Então ele é quase que um marxista que fecha com o capital e não com o trabalho. E é interessante que o Nick Land, ele é da mesma turma do próprio Mark Fischer. E eles começaram juntos fazendo uma análise parecida.
do capital e o tipo de aceleracionismo cultural que estava acontecendo, e aí eles rompem. E o Mark Fisher faz a análise do realismo capitalista como algo que tem que ser superado, e o Ennick Land vira essa grande referência para gente como Alex Karp, que na faculdade era socialista.
E é muito parecido com a referência do Senhor dos Anéis que esses caras usam. Eles usam essas mitologias nerd, geek e tudo mais, pra se justificar. Que é o seguinte, você começa a entender do seu lado...
de que o que você julgava ser mal, não é mal. É só o poder. E o mundo é feito de poder mesmo. E o anel que eles reverenciam é o poder puro. Ele não tem moral. Ele é simplesmente onde o poder está. Então ele é monárquico, não no sentido hereditário, que é o que a gente entende hoje, porque toda monarquia é meramente simbólica hoje em dia.
Ela não é real, ela representa só uma certa mitologia. Mas na época que eles defendem monarquia mesmo, era um jogo de quem conseguia conquistar a monarquia. Não era um jogo de quem herda. É o jogo de quem domina o tanto de casas. E o que eles entendem é que se eles dominaram tanto do capital, do espaço público e da nova república, que é o ciberespaço, eles são os reis. Eles já são os reis. Eles só precisam pegar oficialmente o título.
Entendeu? Então na cabeça não faz muito sentido isso. E se eu complementar já que a gente está falando das referências filosóficas dessa galera e eu acho interessante mesmo entender onde é que eles estão bebendo, né? O Yarvin, o Nick Land tem uma outra referência filosófica que é muito importante, especialmente pro Peter Thiel, que aliás não é ateu, é cristão apocalíptico, né? O Peter Thiel diz que a gente está vivendo o fim dos tempos.
E tem palestras do anticristo. Falando que o anticristo é a Greta Thule. E ele é gay, né? Ele é gay, o que é curioso para um católico que acha que é o apocalipse e tal. Essa parte é estranha, porque achou que ele fosse progressista em termos... Deve ser uma confusão a cabeça dele, né?
É uma cabeça confusa, mas ele foi aluno de um filósofo francês que você vai conhecer, Greg, que é o René Girard. E o René Girard deu aula em Stanford nos anos 80. E ele influenciou muito uma certa geração ali de lideranças do Vale do Silício.
E ele era um filósofo francês católico. E ele é autor de uma teoria que eu vou explicar de uma maneira ruim. E os professores de filosofia que nos ouvem vão me julgar. Mas eu vou tentar. Que é autor da teoria mimética. A ideia, basicamente, de que os humanos não desejam coisas espontaneamente. Eles desejam o que eles veem que os outros desejam. É tipo... A gente tem alguns amigos assim, né, Greg? Sem querer citar nomes.
Fofoca! Quero se queremos saber. Não, gente, peraí. A gente, não preciso fofocar pra vocês reconhecerem isso na vida. A ideia de que o desejo, ele não é um desejo por algo. É o desejo por aquilo que desperta o desejo do outro.
Então entender o desejo... Mas isso é lacana, o Lacan vai dizer exatamente isso também. E o Girard, ele usa isso como base da teoria mimética. E aí ele vai explicar que isso gera rivalidade, esse desejo pelo que o outro deseja, que a rivalidade gera violência, e que a violência só é resolvida...
pelo sacrifício de algum tipo de bode expiatório, que pode ser uma população perseguida, podem ser os imigrantes expulsos. Você determina um bode expiatório na sociedade quando o nível de violência está muito alto, de rivalidade está muito alta, a competição está muito alta.
você encontra um bode expiatório para de alguma forma espiar essa violência e poder retomar algum tipo de equilíbrio na sociedade o Girard como era católico via o cristianismo como essa única religião que tomou o partido das vítimas ao colocar o Cristo como o bode expiatório final como aquele que vai expiar os pecados da humanidade
Eu tô falando isso porque a tese central do Thiel, do Peter Thiel, sobre o capitalismo, é de que a competição, ela é pra perdedores, na verdade. Então, ele, na verdade, não é um capitalista clássico no sentido de gostar de competição. Ele gosta de monopólio. Ele diz que o objetivo de uma empresa deve ser virar monopólio. E essa tese vem da teoria mimética. Porque, pro Peter Thiel, a competição...
ela gera violência mimética. O monopólio é a única saída para essa violência, entendeu? Estabilização da sociedade. Ela estabiliza, ela é uma força estabilizadora. Então, a Palantir, como ela é, ela só faz sentido, o projeto de poder da Palantir, se você entender que, para o Peter Thiel, a Palantir em si e o projeto que a Palantir representa é uma espécie de fuga teológica da violência de mercado, entende? É.
Tem uma coisa aí que é profunda mesmo. Então, quando a gente fala que eles são hipercapitalistas, eu acho que a gente pode estar tratando eles de uma maneira que é quase benevolente demais. Eles não são liberais nesse sentido. Ale, mas desculpa. Todo capitalista... E eu queria fazer aqui uma... Todo capitalista é a favor do monopólio. Tende ao monopólio. Tende ao monopólio.
Não sei, isso é uma discussão que rende. Mas eu acho que a ideia, e pode ser que sim, pode ser que não, e depende do marco regulatório, depende de uma porção de outras coisas. Mas o meu ponto aqui só é que é muito mais uma adoração dessa espécie de tecnocapital americano altamente oligopolizante.
do que uma ideia de competição entre pequenos negociantes. Não é o capitalismo do padeiro da esquina, entendeu? Não é a gente vai, a competição, ela ajuda o consumidor porque faz baixar o preço. Não tem a ver com esse tipo de versão mais básica de teoria econômica, bem one-on-one ali de capitalismo. Não, eles não são liberais. Numa visão positiva da competitividade.
Eles não são liberais e liberalizantes, mas eles são profundamente capitalistas no sentido pré-século XX. É muito mais a Gilded Age, mais Companhia das Índias Ocidentais, mais o pensamento é cruzado. E aí, nesse sentido, é que eu acho que, aí sim, é uma pena que esse termo está tão banalizado e tão gasto. Mas vou te falar, esse manifesto, para quem...
leio eles e abriu um pouco as nossas referências históricas, é fascismo. É uma definição de uma defesa capitalista sem o pensamento liberal. Que é a estabilização da sociedade, uma hierarquia cultural nacional, militarização extrema do mundo.
E a ideia de que o soft power está superado e de que o novo hard power é software, eles falam isso. E é a ideia de que o setor é privado, não serve ao Estado, mas ele se funde com o Estado no mesmo interesse. Com essa ideia de alinhamento nacional é perfeito sem o conflito é político. Porque um dos pontos, ele também fala que as pessoas precisam se despolitizar.
De que a identificação pessoal com lados políticos é uma coisa ruim. Que a ideologia é uma coisa desnecessária e muito vulgar. Então, é um pensamento fascista original. O pensamento teológico fascista, o pensamento filosófico é fascista para o século XXI, junto com a máquina de guerra dos Estados Unidos. Então, nesse sentido...
dando razão ao próprio Marx, que, assim, no fim das contas, os capitalistas usam o discurso liberal da padaria, da competição, de que tende, não sei o que, só para justificar sua tendência ao monopólio e ao sequestro do poder mesmo.
E eu queria fazer aqui uma defesa rápida só do Tolkien, tá? Porque o Tolkien... Adoro que a gente vai ter... Eu adoro... Não, eles estão usando, a extrema-direita ama isso, o Tolkien, e o Palantiro que for se apropria, porque ele supostamente seria um conservador.
Não, era talvez conservador, mas era sobretudo um cara antifascista, antiimperialista, muito antiimperialista, inclusive contra o Império Britânico, e um cara que era conservador, talvez, mas no sentido de uma nostalgia rural. Ele acreditava mesmo que isso era... Ele era meio ludista. Tanto é que o Hobbit é o herói. O herói não são os anões ou os ogros, que esses sim eram fascistões, ou o Gollum, aqueles que só buscam o ouro. E não a ferramenta palantir. Os heróis.
exatamente, certamente o herói não era o Saruman eles entenderam errado o Senhor dos Anéis o herói era o Hobbit, que é um cara que só queria fumar o cachimbo dele em casa, que era o Tolkien o Tolkien obviamente, na história ele estava mais próximo do Hobbit, ele deixou isso claro em muitas entrevistas também, que ele era enfim, um sujeito anti-imperialista, anti-dominação anti-capitalista, ele era um conservador nesse sentido, não entenderam nada se apropriaram e de repente é isso, o Senhor dos Anéis está ficando meio tóxico, você falar porque de repente parece que você é isso, o Senhor dos Anéis
É um nerdola de extrema direita, fascistão, supremacista. É triste isso. Só queria defender aqui que o Senhor dos Anéis não é uma obra fascistona mesmo. Novamente, esses caras se apaixonam pelo lado...
ruim pelo vilão dessas grandes ficções, né? Assim, ele foi atrás da ferramenta totalitária, que era uma metáfora de tudo que estava errado, não da coisa que deu certo, né? Mas é isso, eles não são defensores do Tolkien, eles são defensores do Saruman. É diferente. Ainda que eles chamem os funcionários de Hobbits.
Ah, eles chamam? Nossa, que ideia burra Não entenderam nada O Hobbit não gosta de trabalhar O Hobbit na história é um cara que nunca seria funcionário Da Palantir, entendeu? Não entenderam nada Temos um problema Temos um problema de branding Mas eu queria voltar A thread, ao manifesto
Tem o fato de uma empresa privada fazer um manifesto político, que é isso. O que isso já denota? E eu acho que tem a ver com essa história de querer se posicionar dentro da guerra cultural, de querer valorizar o próprio passe, etc. Tem a ver também com esse estofo filosófico aí dessa galera que se vê como estadista, como criadora de uma nova civilização.
E aí tem o que o Manifesto de fato diz. Tem uma coisa ou outra ali que... Acho que fazer uma análise tweet a tweet ou ponto a ponto não é muito interessante, porque sempre vai ter alguma coisa para concordar ou para discordar. Mas o que eu acho mais interessante é uma vez que você pega alguns pontos espalhados, e eles são mal conectados entre eles...
e você extrapola para entender o projeto, o que fica claro, né? O ponto principal é o último, o décimo segundo, acho que é o último, que define algumas culturas como regressivas.
Então, é basicamente essa ideia da criação de uma hierarquia cultural. Então, vai falar, nem todas as culturas são iguais, a gente tem que sair desse multiculturalismo que não nos adianta, e a gente tem que reconhecer que certas culturas são melhores do que outras. É basicamente isso que eles querem dizer. O livro é...
O subtítulo do livro é a República Tecnológica, e aí é Hard Power, Poder Hard, Soft Belief, e o futuro do Ocidente, The Future of the West. Então, quando eles dizem que algumas culturas são superiores a outras, eles estão, essencialmente, se referindo ao que eles chamariam de civilização judaico-cristã, né? Essa ideia de um Ocidente superior ao resto. Então, isso, para mim, é meio que a pedra fundamental do manifesto político.
E aí todo o resto tem que ser lido à luz dessa visão de um Ocidente superior. Então eles vão falar que o Vale do Silício tem uma dívida com os Estados Unidos, com o Ocidente, e que essa dívida precisa ser paga. Isso tem que ser entendido também num contexto em que uma boa parte dos funcionários do Vale do Silício, das pessoas que trabalham no Vale, são imigrantes, são filhos de imigrantes, são pessoas que vieram de outros lugares. Então também tem uma coisa de cobrar uma espécie de teste de lealdade a essa cultura que os teria assimilado.
a essa cultura ocidental. E aí você recruta esses engenheiros pra essa hierarquia entre culturas. Tem essa história de que os adversários não ficam pausando pra debater. Então você vai definir um inimigo externo. Você vai falar de alistamento universal. Então você já universaliza a ideia de sacrifício pelo projeto do Ocidente. E é o que Israel faz, né? Tem muitas coisas aí, desculpa, que são muito sionistas. Sem a palavra sionismo, né? Mas assim, parece uma reprodução de um sionismo nos Estados Unidos.
Exatamente. E essa ideia de que você tem que, de alguma forma, proteger a hierarquia da contestação. E aí tem um ponto que, para mim, é especialmente irônico, se tratando da Palantir, que é basicamente uma máquina de hipervigilância, que é quando eles falam que a gente tem que parar de...
de expor figuras públicas as vidas privadas de figuras públicas o que serve pra pessoas que estão na política, mas serve também pros bilionários pras pessoas que estão no poder de alguma forma, né? E é muito louco uma empresa de hipervigilância falando que as pessoas têm direito à privacidade com relação ao poderoso Mas isso é por causa do Epstein, né? Isso é por causa do Epstein, não é?
Eu acho que dialoga com Epstein, com o vazamento Epstein, é um recado pro Donald e é Trump, é profundo, mas eu acho que é um recado muito... Não acho que é tão consciente, assim, mas quando eu li esse ponto especificamente, me veio uma deprê, assim, que é...
a inversão dos valores que o Assange representava quando o Wikileaks república o seu manifesto em 2010, que é a ideia de que os poderosos têm que ter a transparência total e a população é privacidade.
Ou seja, a gente precisa quebrar o código de quem tem poder de figuras públicas para a gente conseguir disciplinar eles e exigir deles muito, e ter muito o escrutínio para que eles se comportem e não abusem do seu poder. E a sociedade precisa ser protegida de uma nova possibilidade de extrema hipervigilância. E a Palantir...
assume o oposto perfeito disso, que é muita privacidade para os poderosos e para os super ricos e vigilância total para o cidadão, que no fundo é o perigo da sociedade, porque ele é que desestabiliza se você distribui ou é poder. Então é uma diferença inversa de uma ideologia socialista e uma ideologia fascista, francamente, né? De que uma elite sabe o que é melhor para todo mundo e tem que ser protegida como tal, e não é papel do cidadão.
julgar o que essas elites fazem entre quatro aparedes, porque afinal de contas eles estão no outro, eles estão no Olimpo mesmo, eles estão naquele outro lugar. E eu acho bem louco, cara, que eles chamam de república digital e eu também fiquei bem chateado com isso, porque tem anos, quem vê o boletim do fim do mundo, já me ouvi falar disso inúmeras vezes, que eu falo, a república precisa chegar na internet.
A gente ainda está no feudalismo, a gente precisa de uma república, precisa ser cidadão lá. E aí quando eu vi ele reivindicando o termo república para o que ele fala, me veio, na verdade, um sentido mais histórico do que república é, que não é a pós-revolução francesa, mas a república romana mesmo.
que era um jeito de se dizer a república como maneira de justificar um novo tipo de tirania imperial que se arvorava superior a todas as outras culturas. Então é muito mais uma projeção de uma visão política romana
Do que propriamente cristã. Apesar do judaico é cristã ser o código que eles usam em muitas vezes para se definir. É o apito de cachorro. Mas o ocidente que eles estão defendendo me parece muito mais um ocidente pagão, romano, militarizado, com serviço obrigatório, com uma superioridade moral que justifica uma outra colonização. E isso que é interessante, porque eles declaram inimigos para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender para atender
uma série de povos que nunca declararam inimizade propriamente aos Estados Unidos ou ao Ocidente, mas eles chamam de ameaças os povos que o Ocidente invadiu a troco de nada, para começo de conversa. Então esse recado que ele está passando de muitas formas é para o mundo...
árabe para o mundo muçulmano, tem uma islamofobia muito colocada ali, que é o que ele fala quando defende Israel, quando usa palantir para fazer o trabalho de genocídio mas o sujeito oculto desse manifesto é a China
que com todas as contradições possíveis e tudo mais, é quem eles ainda consideram o país socialista. O país que não admite que os bilionários mandem no poder político. Que não está de acordo com essa visão. E é interessante ver como essa ciberguerra é exatamente o que ele está colocando aqui. Que ele fala que acabou a era atômica.
que o que começa agora é a inteligência a inteligência é artificial como a verdadeira arma de dissuasão e de imposição à futura e só pra concluir essa coisa da China rapidamente só porque ele falou da China, só lembrar que esse mesmo, pra refutar rapidamente o idiota lá do Yarvin ele diz assim, a China é uma merda porque olha, na monarquia inglesa teve o Shakespeare, e ele diz, não tem nenhum Shakespeare na China agora esse argumento, cara não, não, não, não
Esse argumento é bizarro. O iPhone, ele é feito por um rei. É uma monarquia a Apple, não é democracia. É um CEO. Amigo, o iPhone é feito na China, seu idiota.
Não, e foi inventado a partir de tecnologia militar financiada pelo Estado. Exatamente. Não, assim, é tudo errado em todos os sentidos. Está escrito ali embaixo. Meio da Apple, a Sando in China. Assim, e até o tempo todo, é, falando da China como, e assim, tem um lugar também que tem uma piora, que a China ainda é centralizada numa pessoa hoje, né? Está lá o Xi Jinping há um tempão, enfim. Eu acho que tem algo, assim, eu argumento muito falho, mas desculpa, Leti, interrompi só para lembrar. Não, não interrompeu nada. Eu acho...
sobre o Yarven Greg ele defende a escravidão o Yarven ele fala que certos povos foram feitos pra servir é um negócio muito barra pesada mas eu queria voltar na sociedade pública desculpa, aí no Brasil ele vai preso, não vai? e não é maravilhoso isso? feita aquela influência aquela influência argentina que descobriu da melhor maneira possível que racismo era crime cara, achei tão bom aquilo
então dá vontade de chamar ele pra uma palestra aqui começou a xingar os funcionários chama uma palestra aqui no Brasil pra ele defender escravidão e conhecer a maravilhosa lei Afonso Arinos uma maravilhosa, manda não se anima muito não se anima muito Greg, é porque a última pessoa que falou que os quilombolas tinham que ser medidos em arrobas foi eleito presidente então
As coisas não são tão simples assim mais. Ele tinha que ter sido preso dali, não presidente. Sim, exato. Bolsonaro tinha que ter sido preso em 91, quando ele tentou explodir. E depois, enfim, várias vezes ao longo da história. Várias vezes. Demoraram muito. Mas sobre a... Eu acho que a camada que o Bruno traz da palavra república é muito interessante. De fato, é uma visão romana, Bruno. Essa visão de uma elite que governa.
Um povo que serve no exército, porque alistamento militar obrigatório também é uma coisa super importante pra República Romana. E os bárbaros do outro lado do muro, sabe? É bem essa visão de um imperialista e com o sacrifício humano do povo, óbvio, porque a elite iluminada está governando, são os patrícios. E supremacia cultural.
E supremacia cultural. Então, você tem toda a razão. Mas tem também o fato de que a República Americana mesmo, a República deles, ela foi construída por um grupo de pessoas, o tal dos Founding Fathers, explicitamente antidemocráticos, no sentido moderno de democracia. Eles tinham medo do povo. Donos de escravos. E eles sempre se afirmaram como república. Essa ideia de que os Estados Unidos são uma república antes de ser uma democracia, que isso é mais importante e mais central para a identidade americana.
ela é muito importante para a direita americana. É o discurso do Ben Shapiro, é o discurso dos republicanos do Texas. É o que diferencia republicano de democrata, em grande medida. Exatamente. Então eles estão se inserindo numa trajetória política que é muito importante nos Estados Unidos. Ainda que... E tanto é que eles falam, é república a tecnologia e não é democracia tecnológica.
Eles estão falando de uma nova institucionalidade que existe para se estabilizar sem necessariamente incluir a maioria das pessoas. E vamos lembrar de uma palavra república que mais remete, que é o próprio Platão, o ataque à democracia atenense justamente, a ideia da República de Platão é a ideia que o povo não sabe votar não sabe escolher, mas ele definiu uma aristocracia, ou seja, Platão ainda era menos reaça do que, certamente, do que esses caras aí, do que o...
Mas o Platão argumentava explicitamente que a democracia era o pior governo porque entregava o poder a essa multidão e meio ignorante, que é a visão do Carpe. Exatamente. E o Carpe é PHD em filosofia, gente. Ele está escolhendo os termos de forma cuidadosa. Então, ele não é um businessman. Isso é importante falar. Ele se forma em ciência política e em filosofia.
e ele tem essa amizade com o Peter Thiel da faculdade, é uma coisa assim é um projeto que vem de longe e que vem de debates filosóficos, porque eles são muito diferentes, isso que eu quero colocar do Jeff Bezos do
Do falecido Steve Jobs, do próprio Bill Gates, que depois começam a se arvorar como filantropos e como visionários, mas eles são homens que se fundaram na fundação de uma empresa. Esses caras têm a empresa como um instrumento da formação de um projeto político. É muito diferente uma coisa da outra.
A Palantir, eu realmente acredito nisso. Como a Alessandra colocou, essa conta é de 230 anos para ser rentável do ponto de vista de a compra de ação e o que o lucro dela compensa. Ou seja, na prática, ela não tem fins lucrativos. Ela precisa do lucro para viabilizar uma outra coisa. Não é um fim em si mesmo. E isso aqui está muito claro. E voltando na nossa conversa inicial, é isso que eu acho que...
o Fórum Progressista, que o Lula, que o nosso campo, está absolutamente atrasado nessa grande ambição de redefinir o que significa democracia, o que significa maioria, o que significa política nesse mundo. Entendeu? A gente está atrasado nesse ponto.
Bruno, antes de a gente voltar e fechar o círculo com a esquerda e o manifesto do PT, que curiosamente saiu na mesma semana da Palantir, enfim, mas eu queria só voltar essa história de que o que eles estão fazendo não é uma empresa. Vocês lembram daquela frase do Sam Altman, do CEO da OpenAI, sobre empresas e religiões?
você falando me lembrou, ele estava atribuindo, ele estava citando uma outra pessoa, que eu não vou mais me lembrar quem era, mas basicamente ele falava que essa outra pessoa dizia que pessoas de sucesso criavam empresas, pessoas bem-sucedidas criam empresas, pessoas ainda mais bem-sucedidas criam países, e as pessoas mais bem-sucedidas criam religiões. E aí o Altman fala, eu fiquei pensando sobre isso,
Realmente, só um detalhe Jesus foi bem sucedido pra caramba em vida, né? Assim, você vê que o objetivo de geral Quem cria religião justamente não é morre cedo Se ferra, mas tudo bem, vai E aí a frase do Altman era assim Não, e aí ele fala que ele começou a pensar sobre isso E que ele chegou à conclusão de que Os fundadores de empresas mais bem sucedidos Eles não criam empresas Eles criam coisas mais parecidas com uma religião mesmo Só que em algum momento eles se dão conta De que formar uma empresa é a maneira mais fácil de fazer isso Sim
então o Samaltman ele explicitamente posiciona o que ele está fazendo na OpenAI e acho que nesse sentido é muito parecido com o que a Palantir faz e com o Carpe, como a criação de uma nova visão teológica, de uma nova cosmologia, de uma nova religião e a empresa ela é só uma desculpa ela é só a formação jurídica é um instrumento é um instrumento
Isso é, eu acho, muito revelador mesmo. E, de alguma forma, o que a gente observa quando a gente vê, por exemplo, o manifesto do PT, que tem um diagnóstico, que eu achei o diagnóstico até bom, o diagnóstico não é ruim, mas as propostas são muito, muito abstratas e genéricas e pouco interessantes. Mas quando a gente vê isso, e a gente pode falar mais disso em um minuto...
É quase o contrário. É quase como se eles tivessem se apaixonado pelos instrumentos e esquecido que o que eles estavam criando era uma cosmologia. O movimento político é sim visão de mundo, é visão de futuro. O instrumento não pode ser a finalidade.
E esses caras, esses caras que são criadores de empresas, empresas com ação na bolsa, eles não se apaixonaram pelas próprias empresas, eles não estão apaixonados pelos instrumentos, eles estão com uma visão religiosa do mundo. É uma loucura. E é o contrário do que a gente está fazendo em boa parte do movimento progressista, mas em estamento, né?
Então, fico bem preocupada com o paradoxo. Perfeita análise. A gente acabou não falando do Iá no Irã, que era o nosso... Não vai dar, que era o tema de hoje. O tema de hoje era Iá no Irã. Inclusive, a gente estava com o título guardado na gaveta já há um tempo, que é Ayatollah.
Iatola Iatola verdade pra vocês verem como é que a nossa cabeça funciona a gente queria chegar nesse assunto, a gente conseguiu falar de tudo o nosso programa ele é um instrumento pro nosso objetivo, que é o trocadilho mas a gente se apaixonou pelo nosso tema e esqueceu do nosso objetivo que era ter um programa chamado Iatola
E a gente se temor agora. Não vai ser dessa vez. Isso porque eu nem falei do meu título que seria preferido, que é Vai me enterrar na areia? Não, não. Aí ato lá. Isso eu nem tinha vocalizado pra vocês, mas eu preferia. Música microtonal, de acordo com o Tom Zé. É grande vídeo do Tom Zé no jogo. Grande vídeo.
Mas então, a gente não vai falar disso, porque já tá meio chegando perto do fim, né? Mas a gente pode falar do manifesto do PT, vai. E contrastar com a Palantir. Justifica, justifica. Cara, o manifesto do PT, primeiro... Fala o que que é, ele saiu hoje, né? É, explica o que é do que você trata. É bom. Explica vocês, vamos explicar melhor. Ele saiu hoje, agora... Não, ontem, saiu domingo. Ontem, ontem. O manifesto do PT, ontem. E realmente tem... Ou seja, no mesmo dia do manifesto da Palantir...
E não tem nada a ver com uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas tem. Porque uma é uma empresa fazendo um manifesto político e outra é um partido político fazendo um manifesto que poderia ser muito mais político. Ele é um manifesto que é... Ele parece uma carta empresarial. Primeiro, eu sinto um cheirinho de IA.
Eu sinto uma falta de pessoalidade na escrita. Eu não estou acusando, mas eu sinto uma falta de pessoalidade. É um texto chato, sem muita... O Palantir sabe fazer, inclusive talvez usando o IA também, mas tem 12 tópicos e é muito claro o que ele quer. Tem propostas concretas, absurdas, fascistas, supremacistas.
mais concretos. E o do PT parece mais uma defesa de legado, bem feita até, porque tem muita coisa a se mostrar. E lendo eu descobri várias coisas que eu não sabia. Então tem uma defesa bem feita. Mas é isso, é uma pena que eu sinto falta mesmo que ele não entrega aquilo que a gente começou falando no começo, né, do programa. Não entrega
A possibilidade de um mundo novo não entrega nada diferente de uma defesa do passado. É muito louco esse manifesto. Então, vocês falaram que tem cheiro de EIA. Em defesa e ao mesmo tempo um ataque...
Pode ser Iá, mas na verdade o mais provável é texto escrito por comitê, que parece Iá sempre. Ela é um texto, é o grande texto de comitê, ele usa tudo como base e faz uma probabilidade de uma média. O comitê da humanidade. E é o texto de comitê, é um texto que não é assinado pelo estrategista do PT, não tem embaixo escrito o nome do presidente e tal. É um texto do...
grande partido. Mas é um texto muito longo, muito prolixo, sem nenhuma novidade de tudo que o PT sempre disse, defendendo o próprio alegado. E o louco é que os pontos, na hora que eles fazem tópicos, então a nossa visão é essa aqui. Tudo começa com reforma.
reforma. Então, a nossa visão é reforma. Sem especificar. Reforma cultural, reforma nas comunicações, reforma agrária, reforma no sistema, não sei o que. E no final, o nosso horizonte nunca deixa de ser o socialismo. Ponto. Final. E aí acaba o manifesto. O que não é o manifesto, porque ele não convoca, ele não empolga, ele não tem densidade. Ele, como formato, ele é muito anacrônico e ele é muito mais uma plataforma para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para a gente para
repetida do que o PT sempre disse representar, sem qualificar e sem instigar muita coisa. É uma análise auto-elogiosa de um legado que o PT fez. Então, de alguma maneira, parece um pouco o que o Lula fez na nossa entrevista. E é exatamente isso. Parece muito mais um texto cuidadoso de uma corporação.
do que um manifesto político para o futuro e uma corporação, uma das mais valiosas hoje, uma das grandes empresas do mundo, tem muito mais arriscado, muito mais ideológico, muito mais propositivo, muito mais louco do que um partido político é capaz de produzir hoje. E a palavra reforma, inclusive a escolha dela, eu acho muito ruim. Até porque qualquer pessoa que fez uma reforma em casa sabe quanto chato uma reforma.
Eu já fiz uma Greg, olha aí Como o próprio Lula falou O Lula sabe como é ruim fazer reforma Ele sabe como é reforma custa mais caro do que fazer uma casa nova Podia usar isso no manifesto Em vez de propor reformas Propõe uma casa nova Propõe uma revolução tributária Eu acho que é mais grave Mas é isso mesmo É isso mesmo
Mas, gente, mas eu sinto, contrastando as duas coisas, o que, obviamente, é uma extrapolação, mas o Manifesto Palantini e o Manifesto PT, é onde eu sinto que tem mais diferença, para além das diferenças de formato, né? De ser uma coisa ultra viral e uma coisa que é um PDF meio velho ali e tal. Mas, ok.
Não são nem as propostas, que evidentemente é muito claro que a Palantir está trazendo propostas mais concretas no fundo do que o próprio partido dos trabalhadores no Brasil. Mas é a clareza do sujeito político. Quando você lê a thread lá da Palantir, você entende quem é o sujeito político.
Que a Palantir quer representar. É esse homem branco do Ocidente que tem uma cultura superior a todas as outras, esse americano forte, militarizado, armado. É essa figura, é esse sujeito político. O manifesto do PT não tem sujeito político claro. Ora são os trabalhadores, ora é o próprio partido, ora são os pobres, ora é também o empresariado preocupado com o futuro do Brasil. Assim, eles vão...
Numa tentativa de meio que botar todo mundo como sujeito político, eles não põem ninguém. Você não entende em nome de quem que eles estão falando. E você também não entende quem é o inimigo. Às vezes é o neoliberalismo, às vezes são os rentistas, às vezes não é nada disso, às vezes é o Trump, mas também não é só o Trump.
É uma coisa meio de... Não tem aonde você se ancorar. Nem no sujeito político e nem no seu inimigo. Coisa que, no caso da Palantir, está muito clara. Nós somos isso. Nosso inimigo são esses bárbaros batendo as portas aqui da civilização ocidental. Nós precisamos manter os bárbaros fora dos muros do império. E é isso que a gente tem para oferecer. Então, isso, para mim, é o mais aflitivo. É que hoje eu não sei quem que eles estão tentando representar.
Sabe o que é louco? É que isso é uma metáfora do que o Curtis Arvin defende. A gente precisa de um CEO. Precisa de alguém que define...
uma pauta clara, porque se você abre pra todo mundo, vira um manifesto de comitê. Então meio que ele também denota um pouco as nossas dificuldades de tentar representar todo mundo de algum jeito. Não tô fazendo uma defesa disso, mas ele também representa um pouco a falta de objetividade que a galera mais autoritária reclama que a democracia não é capaz de produzir. É, Bruno, mas acho que isso daí não acontece sempre. Não acontece com todos os partidos.
não, mas falta liderança nesse sentido, não digo falta um CEO, falta uma visão clara é o contrário, falta um norte mas eu acho que se tivesse contato com as bases pra fazer um manifesto, se ele fosse de fato de comitê, ele seria muito mais interessante, eu acho que ele não é de comitê não à toa ele é tão alinhado com o que o Lula falou com vocês, é o problema do partido do PT hoje, que é um partido do PT hoje
De cacique, vamos ser sinceros. O PT é o maior partido de esquerda da América Latina, um dos maiores do mundo. Ainda assim, ele é um partido que não tem uma democracia interna gigantesca. A gente sabe como funciona. E volta e meia são trocados. Tiram um candidato daqui de cima só para dar para outro, para consertar. Ele é um partido que tem sim uma...
Tem uma dinâmica hoje que ele é muito exclusivamente lulista. E faz sentido mesmo. Faz sentido. O que você vai fazer? O cara é o cara. O cara que eu... Eu não vou ser eu que vou dizer que o PT tem que ser menos lulista, pelo amor de Deus. Mas ele tem muito mais do que, inclusive, qualquer coisa ideológica. O que o PT tem em comum entre todos os afiliados é o lulismo. Concorda?
O que o Coacoá tem a ver com o Lindbergh e, por sua vez, tem a ver com os seus quadros mais à esquerda, os quadros mais à esquerda? O que isso tem a ver? O lulismo. Então é isso que os une. E eu acho que esse manifesto, ele não à toa, ele reproduz o que o Lula falou pra vocês. Então eu acho que o problema dele não é que ele é coletivo demais. Eu acho que ele é...
Ele é uma defesa do Lula, do legado do Lula, ponto. Ele não tem nada além disso. É, não sei. Pra mim, a frase mais reveladora do Manifesto Inter, eles ficam muito tempo fazendo diagnóstico, aí várias vezes eles ensaiam que vão chegar nas soluções e não chegam, vai dando uma certa aflição. E aí, a frase mais reveladora pra mim é faz-se necessário, portanto, consolida... Na hora que eu vejo isso, eu falei, faz-se necessário, portanto. Vamos lá, qual é o portanto?
Fazer necessário, portanto, consolidar um amplo processo de consertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional. Esse movimento deve reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação.
classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia. É imperativo que essa articulação se converta em uma potente força de incidência política e social, a ponto de quebrar a hegemonia do rentismo, viabilizando a nova industrialização e a transição energética como pilares de um projeto de país soberano. Puta que pariu.
E a Palantir falando assim, todo mundo tem que se alistar. Ponto final. Ponto final. Entendeu? Próximo. Algumas culturas são melhores do que as outras. A nossa é a melhor. Ponto. A nossa é a mais maneira. A nossa é a mais maneira.
E quando eu falo que falta sujeito político, é essa frase aqui, entendeu? Esse movimento deve reunir. Meu Deus do céu! Quem que tem que estar aqui? Quem que é o sujeito político a ser representado? Primeiro é o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação. São os primeiros citados. Aí depois a classe trabalhadora. Aí depois o sindicalismo, que está aqui apresentado como diferente da classe trabalhadora. Ele é uma outra coisa. E os movimentos populares, que também são uma outra coisa.
em uma coalizão que é transceder. Alô? Tipo, oi? Eu não consigo entender quem é que tá falando. É uma loucura. Uma loucura. É uma loucura. Imagina essa a palavra de ordem, né? É. E o que que nós precisamos?
da consominação de um processo de consertação que envolve os trabalhadores. Aí quando você acabou... E quando você a gente quer isso? Assim que for possível, dentro da correlação de forças. Mas não é à toa que o Yarvin ganha adeptos.
Não é à toa. Esse léxico da consertação, de tudo é um processo... É isso que eu quero dizer. O que você está fazendo? Não, a gente está fazendo muita coisa. A gente criou um comitê cujo objetivo é definir o processo pelo qual outro comitê será criado para discutir as possibilidades de implementação de um processo long... Assim, essa é a discussão hoje sobre a demarcação de terra devoluta no Brasil. É criar o comitê para criar o comitê para estudar a possibilidade para talvez... Não é assim, demarca a porra das terras, entendeu? Não tem essa objetividade.
E aí fica uma coisa que um tanto disso é democrático e a democracia passa pela discussão mesmo, não tem jeito. E isso pode ser rico e pode ser bom, porque gera resultados que vão refletir pontos de vista mais plurais. Mas um tanto disso é uma masturbação, é uma coisa que é um endeusamento do processo em detrimento do resultado. E as pessoas vivem num mundo dos resultados, elas não vivem num mundo dos processos. Não. Elas querem saber no que vai dar.
Aí na hora que chega em falar de reformas, é tudo um negócio meio vago. Uma reforma política eleitoral capaz de democratizar o poder. Qual, amigo? O que você vai fazer, entendeu? Uma reforma tributária para corrigir distorções graves do sistema. Uma reforma tecnológica. Uma reforma do poder judiciário visando a democratização mecanismos de autocorreção. Como assim autocorreção?
Dentro do judiciário? É o judiciário que tem que se corrigir? Aparentemente sim.
É, poderia, por exemplo, falar do código de ética proposto pelo facinho de orientação. Mas o código de ética é um pouco a autocorreção, né? É autocorreção. Eu acho que isso é uma sinalização ao código de ética. Mas por que não falou do código de ética? Muito mais forte do que... Porque também não cabe no manifesto. Aí fica uma coisa no manifesto judicial. É tipo, gente, não funciona como manifesto. Desculpa. Olha, desculpa. E fora que não cabe no mundo que a gente vive hoje em dia. É que ninguém lê coisa muito grande. Os caras publicaram numa thread.
também tem isso, né? Tipo, o PT tem que fazer uma thread. Tipo, os nossos 20 pontos que o PT acha... Mas Bruno, não adianta, porque não é que não tem o formato, não tem o conteúdo. Não tem os 20 pontos. Eu sei, eu sei, mas até na forma a gente reproduz a falta de conteúdo. Ponto 1, uma consertação. Ponto 2, para criar um processo. Ponto 3, com o empresário, entendeu? Vira um negócio que você não sabe do que tá... No final você não entende nada. É incompreensível.
É isso. E aí, quando a gente fala cadê a visão de futuro, isso é literalmente o título da postagem no site do PT é Construindo o Futuro, o Manifesto do PT para seguir transformando o país. Poxa vida. Pô, gente. Complica. Complica. Complica. E não vai competir com a Palantir, entendeu?
Não, não vai. Mas aí dá raiva, porque tem gente tentando fazer de outra maneira, né? Tá lá, o nosso maravilhoso Tarcísio Mota do Rio, faz o Se a Cidade Fosse Minha, houve 300 mil pessoas pra saber qual é o sonho de uma cidade possível. Faz aí sim, manifesta de acordo com ter ouvido, sei lá, quantas mil pessoas em audiências e tal, com o sonho de uma cidade. É lindo, você vê as vezes e fala assim, isso é um sonho. Qual é o impacto disso em termos de voto e de projeção de coisas? É muito pequeno.
Aí entra a porra do Crivella no mesmo ano que ele, falando assim, eu vou cuidar de você. Eu vou cuidar. Foda-se, toma Crivella, cuida de mim, cuida de mim, como diz o pagode. É isso, e aí... Não, mas aí é a realidade do poder, né? Aí é... Não só.
Não só, eu acho que tem uma coisa do poder político que ele tem que ser democrático porque ele é do interesse da maioria, ele ouve a própria maioria, mas é o que o manifesto do PT não conseguiu fazer que às vezes o é crivela com motivos e uma dinâmica totalmente hipócrita ele é capaz de fazer, que é uma síntese que fala pro sujeito é político com o que ele tem no coração dele, eu vou cuidar de você, uma série de outras coisas eu me lembrei de uma conversa que a gente teve para atender para atender
lá em Barcelona, com um dos amigos nossos, o Caio, é um cara que faz pesquisa no continente todo, trabalha com campanha eleitoral, é um cara que entende muito de dados, pensa nisso o tempo inteiro e sabe o que está nesses grupos de estudo que ele faz com as pessoas, Focus Group. Ele ficou sabendo que a gente ia entrevistar
O Lula. E ele chegou pra gente e falou assim, fala pro Lula só uma coisa, que ele precisa ficar com raiva. Ele precisa falar pras pessoas que ele tá com raiva. É, eu acho também. E eu concordo 100% com ele, porque assim, tem uma questão que é você não precisa chegar com um projeto muito claro, mas assim, em vez de falar tudo isso, fala assim, cara, eu tô aqui pra acabar com a ditadura dos bilionários. O povo sabe que isso tem que ser superado. Eu quero chegar daqui a 10 anos com um país em que os bilionários mandam menos do que mandam hoje.
E aí todo o projeto de consertação, de conversar com as pessoas, tá embaixo disso, mas o objetivo ele precisa dialogar com um afeto que você intuitivamente reconhece vendo as pessoas. E o louco da Palantir sabe o que que é? Que eles são ditadores, mas eles têm o acesso ao que todo mundo pensa.
Então eles têm acesso a esse big data que ele consegue ter uma intuição emocional do que as pessoas realmente querem, muito mais bem informadas do que o nosso campo. E eles produzem essa síntese de falando assim, esses burocratas, esses políticos, esse manifesto que fica falando que precisa de um monte de coisa, não funciona e você sabe.
A gente está oferecendo um mundo em que a sua raça vai ser superior, que o seu país vai ser o maior de todos, que a gente tem que se politizar menos e conquistar mais. Entendeu? E esse é o ponto. Tem uma distorção democrática muito forte no âmago dessa questão toda. Tem. E com essa conclusão, com essa frase belíssima, eu queria pedir para vocês indicarem livros. Tem alguns livros para indicar?
Ou pode ser série ou filme. É. Eu vou começar, então, com a maravilhosa Anos Novos. Los Salles Nuevos. Não sei se vocês já viram. No Mubi. Tá no Mubi. Vamos pra mudar um pouco dos grandes plataformas de streaming. Por exemplo, é o Mubi, que é grande também. E tem um monte de coisa boa. Mubi tá com Anos Novos, que é uma série espetacular. Madrilenha. Passa toda em Madrilenha. Na verdade, na Espanha. Às vezes até muda um pouco de cidade. Mas é sempre um Réveillon. E é sempre com o mesmo casal que você acompanha ao longo de 10 anos.
É o aniversário deles, um faz dia 31, outro faz dia 1º, e você vai acompanhando a vida deles. É uma história de amor, é uma história sobre um casal, mas também conta um pouco as histórias dos nossos últimos 10 anos. Tem várias entradas no mundo, a relação é contaminada pelo mundo lá fora. Da pandemia, claro, até um dos personagens é médico, até a internet, tem o celular ficando cada vez mais presente e as redes sociais.
Então, uma história bonita pra caramba, bem romântica, mas no bom sentido da palavra, um romantismo moderno, você se apega aos personagens, você torce pra eles ficarem juntos, sabe? E ao mesmo tempo você pensa sobre tudo que aconteceu na sua vida ao longo dos últimos dez anos. Eu tenho a mesma idade dos personagens, acho que vocês também um pouco, em grosso modo, então a gente acaba revendo e repensando nossa vida nos últimos dez anos, é muito bonito.
E os atores são ótimos, é um casal espetacular. Los Anjos Nuevos, no MUBI.
Eu estou lendo um livro em inglês que eu recomendo muito que os editores que nos ouvem, eu sei que tem editores nos ouvindo, adquiram os direitos e traduzam. Porque é um livraço da Karen Howe, que é uma jornalista que cobre inteligência artificial há muito tempo, chamado Empire of AI, Império da Inteligência Artificial. Dreams and Nightmares in Sam Altman's Open AI. Então, sonhos e pesadelos na Open AI do Sam Altman.
E a Karen Howe, ela cobre, como eu falei, a inteligência artificial há muito tempo, ela cobre a OpenAI especificamente há muito tempo. Ela fala de alguns momentos da empresa, mas ela se debruça muito sobre o momento em que existe uma tentativa do conselho da OpenAI de expulsar o Sam Outments, que não é bem sucedida, e ele acaba voltando para a liderança da empresa. E é quando o projeto mesmo da empresa se consolida.
E ela fala da OpenAI como um império colonial, assim, do século XXI. É bem nesse léxico. Foi nesse livro, na verdade, que eu li a citação do Sam Altman, que eu citei agora. Que ele fala da coisa de criar uma religião. Eu tô no meio dele, ainda não terminei. Mas tô amando e super recomendo.
E eu acho que foi eu que te dei essa dica, né? A gente tava junto quando falou do Imperial AI. Foi. Eu te passei, te mostrei na Amazon e tal. Acho que foi. É possível. E eu não li ainda, mas eu vi a palestra dela com a Naomi Klein. Eu tô com ele físico aqui em casa, Bruno. Se você quiser, eu te empresto semana que vem. É, não. Eu já comprei. Vai chegar na minha casa. Ah, tá.
Acho que você pediu pro Miguel comprar, você mandou pra ele. Foi alguma coisa assim, pelo que eu me lembro. E eu vou recomendar o livro que a gente definiu, que vai ser o próximo livro do Clube de Cultura do Calmo Urgente, que a gente vai ler no mês de junho, já que maio vai ser a biografia do PT, feita pelo Celso Rocha de Barros, a nossa comparsa com outro podcast no Foro de Teresina, que a gente gosta muito e apoia e defende.
que a gente vai ler junto em junho o livro da Pauline Torti que acabou de sair pela editora Fósforo chama Os Imortais, que é um romance maravilhoso, relativamente curto com 200 e poucas páginas, eu li ele lá em Barcelona, pegando avião e tal você lê ele super rápido porque ele é uma um thriller, você quer saber o que vai acontecer para ver
eu acho uma perspectiva inversa e muito complementar ao mundo que a gente vive hoje, que é sobre uma história, sobre um grupo de neandertais, que se depara com os sapiens, com os homo sapiens, em um passado remoto, não muito é determinado, nessa coisa muito básica da humanidade e é reduzida ao seu lugar animal e é humano.
em conflito com os elementos mas especialmente consigo mesmos e com as suas emoções ainda não tão humanizadas dentro da nossa cultura altamente complexa e tudo mais então em tempos de inteligência artificial e de saturação do nosso projeto como espécie eu acho extremamente revelador você entrar numa ficção numa investigação subjetiva de um grupo de humanos
naquele tempo remoto, que diga-se de passagem, foi a enorme maioria do nosso tempo sobre a Terra. Por 150 mil anos ou algo por aí, era basicamente o que a gente estava fazendo, é o que está nesse livro daqui. Então, recomendo muito o livro atual, recém-lançado, a autora está por aí, está dando entrevista, fazendo palestra, e vamos ler juntos no Clube de Cultura em junho.
Chegaram também dois livros em Poçê, que tem filhos, jovens, adolescentes. Livros da Baião. A Baião está agora com o selo Infanto-Juvenil, que é a duas idades mais importantes para se escrever livros, se lançar livros, porque é onde mais se formam leitores e o hábito da leitura. Então você que tem filhos jovens, adolescentes, ou acho que na infância mais tardia, 9, 10 anos, 11 anos.
Dois livros muito parecem ótimos. Eu não li. Lila Vampira, Tatiana Hayd. E esse aqui do nosso querido Gustavo Suzuki, que escreveu o Greg News um tempão. Safira, o Susa. Susa lançou um livro muito legal. Tô louco pra ler, Susa. E Tatiana também. Parece que é incrível. Esse aqui eu já dei pra minha filha. Vou perguntar o que ela tá achando. E vou ler também, depende com ela. Demais. Mas é isso. Parabéns a Baião, que tá com um selo incrível.
Muito legal, gente. E só pra lembrar, então, segunda-feira a gente tá no Rio de Janeiro, no Carlos Gomes. Ainda tem alguns ingressos, então corre lá se você quiser ver a gente ao vivo. Deve ser a última apresentação no Rio por um tempo. Depois a gente vai começar a ir pra outras cidades. Então, se você tá no Rio, essa é a sua chance de ver ver a gente. Segunda, dia 4. Um beijo, gente. Um beijo. Até mais. Beijo, turma. Até a próxima.
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções. Na produção, temos Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na assistência de produção, Léo Tone Costa. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na edição e mixagem, Vitor Bernardes.
Na ilustração e design, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Gabi Biga. Na gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E uma consultoria de comunicação por Luna Costa.