Líbano, Israel e o Extremismo Complacente
Uma conversa sobre porque não estamos falando mais sobre o Líbano - e onde mora o extremismo na mídia.
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O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prod e Estúdio Fluxo
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais, Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
Consultoria de Comunicação, Luna Costa
- Escalada de violência no LíbanoAtaques israelenses · Hezbollah · Civis mortos · Cobertura midiática · Supremacia étnica
- Perspectiva de esquerda sobre CubaEmbargo dos EUA · Crise humanitária · Solidariedade brasileira
Olá, queridos ouvintes e espectadores do Calma Urgente, aqui é Gregório do Viver. Estamos começando mais um episódio desse podcast. Queria chamar aqui eles, meus amigos, Bruno Torturra e Alessandra Orofino. Olá, queridos. Ambos em liberdade.
Porque não estavam nos Estados Unidos foragidos e foram presos pelo ICE. Pois é. Sim, estou falando de Alexandre Ramagem, nosso foragido, que fugiu do Brasil quando soube que ia ser preso. De fato, se estivesse aqui, estaria preso. Condenado, se não me engano, a 15 anos de prisão, pelo menos, pelo STF.
E foi aos Estados Unidos e lá foi preso pelo ICE porque fez uma barbeiragem. Parece que foi a polícia que o prendeu porque ele estava, cometeu infrações no trânsito. Quando foi ver seus papéis... A pessoa não consegue, nem foragido da justiça. Nem foragido ele consegue. Alexandre Ramagem, não sei nem como é que o reconheceram, porque deve ter caído todo o botox. Não sei se você lembra, o Ramagem ele é todo esticadinho, ele é um...
sabe? Ele tem aquela quantidade de lifting assim, sabe o lifting bolsonarista? É um tipo de estética que é um esticado botocado assim de homem bolsonarista e ele tem aquela cara que eu não sei nem se eu reconhecer, não sei como ele tá exatamente
E ele aqui foi condenado por... É uma delícia. Ele é tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Tentativa de golpe de Estado. Participação em organização criminosa armada. Tudo aquilo que os Estados Unidos não prendem, né? Não prenderam as pessoas, não prenderam. Aqui a gente condenou. Mas ele fugiu para lá, talvez achando que lá...
ele não seria punido por isso. E de fato não foi por isso, mas ele esqueceu que lá ele é apenas um imigrante latino. Então, lá podem não prender golpista, mas prendem latino. E é isso que deu pro norte-americano. Tem um detalhe da fuga do Ramagem que eu acho sempre bom a gente lembrar, né? A gente tava falando agora que ele fugiu por Roraima, mas a APF confirmou que ele teve ajuda logística do Celso Rodrigo de Melo, que é filho de Rodrigo Cataratas, que parece que é o chefe do garimpo ilegal.
Em Roraima. Tem esse detalhe que eu sempre acho bom. Eu sempre acho um detalhe interessante também, de falar que o avião que o Bolsonaro fugiu pra Orlando, quando ele ainda era presidente, e foi pra a Flórida, ele fez uma escala muito esquisita e inexplicada em Roraima. Roraima. Antes de ir pra os Estados Unidos. Ele fez uma parada lá não explicada.
Vamos lembrar que tem toda essa conexão que o Bolsonaro... A gente já fez até um Greg News disso, né? Que o Bolsonaro é garimpeiro, né? O Bolsonaro gosta de um garimpo ilegal em terra indígena, sempre defendeu isso. E ele parou lá, suspeitamente, ninguém... Olha, antes mesmo, Bruno, de ser presidente, ele já foi punido enquanto estava no exército, enquanto ele servia ao exército, enquanto acho que não era capitão ainda.
era sargento, talvez, ele foi punido, tem uma punição disciplinar no exército, por, nas horas vagas, ir garimpar. Era o hobby dele. Faiscar. Faiscar, era o termo que ele dizia. E ele, quando presidente, mandava abraço pros amigos garimpeiros, faisqueiros, falava que saudade dá uma faiscada, ele dizia. Porque era isso que ele mais gostava, assumidamente, ele dizia, o que ele mais gostava na época dele de militar.
Era fazer garimpo ilegal e zero presidente do Brasil. Então, sim, é bem capaz que ele tenha passado ali em Roraima para colher alguma coisa, uma faísca. Um faiscão para fugir para os Estados Unidos. Para fugir. Mas a boa notícia é que a Armagem foi presa. É uma boa notícia, embora, claro, é sempre esquisito você ter um cara que era diretor da ABIN nas mãos.
estadunidenses. É claro que não é motivo para se comemorar o fato de que o ICE está aprendendo latinos, mesmo sendo esse latino golpista, mas tem algo inclusive de preocupante aí. É bom lembrar no fato de ter um diretor da ABIN, um sujeito que dirigiu a nossa agência supostamente de inteligência, embora esse nome no caso...
do Bolsonaro era meio cômico, pensar que quem cuidava da BIM era o Augusto Heleno e o Ramagem, mas vamos lá. O inteligente é o Ramagem. Exatamente. O Ramagem talvez tenha acolhido alguma coisa de lá. O fato é que eles prenderam um diretor da BIM, sujeito que teoricamente tinha muita coisa secreta em mãos.
E ele pode estar tentando oferecer alguma coisa pra ser liberado. Mas pra isso ele precisaria ser minimamente inteligente. Coisa que eu não sei se ele é. Eu imagino que talvez se ele tivesse alguma coisa, talvez ele já tivesse entregado, né? Assim, perdão, pra eles, né? Não, é uma loucura. O que você acha, Alessandra? Independentemente dele ter ou não ter nada pra entregar. E de fato, parece que provavelmente não, porque ele não tá conseguindo barganhar.
claramente, é uma situação muito inédita, assim, muito sui generis, você ter um ex-chefe da inteligência de um país foragido em outro país. E isso ficar por isso mesmo. Isso não ser uma questão diplomática muito mais grave, né? Imagina se o ex-chefe da CIA, que tem todos os segredos da inteligência americana, tivesse foragido na Inglaterra, que fosse. Poderia ser até um país aliado.
que não é exatamente a relação dos Estados Unidos com o Brasil tampouco, né? Muito mais um império com interesses nas nossas terras raras com interesses em um monte de assuntos estratégicos do Brasil. Mas você tem um cara que é literalmente o depositário dos maiores segredos da república por profissão, por cargo ocupado, que se
se refugia, pra usar a linguagem dele, em outro país no momento que ele tá acusado de tentativa de golpe de Estado. E que uma vez condenado, se torna um foragido nesse país e que agora tá na mão de uma rede, né, de uma polícia que não é exatamente estratégica nesse sentido. Ele tá ali num pequeno poder, no fundo, americano. É uma situação muito inédita. Eu falo isso sem nenhuma...
Não como uma sugestão, evidentemente, nem como uma ameaça. Mas se fosse uma situação assim, envolvendo um ex-diretor de uma inteligência de um país grande e com uma agência de inteligência... Um diretor, digamos, mais esperto de uma agência de inteligência mais poderosa, dificilmente ele estaria vivo. Mas muito dificilmente. Então é uma situação muito estranha mesmo. E eu só queria... Eu levantei a coisa lá do...
da fuga por Roraima, mas eu só queria trazer um pouco mais de elemento pra isso, porque eu não acho isso pequeno, tá? Essa história, essa conexão do Ramagem com o Rodrigo Cataratas, o Rodrigo Cataratas é um garimpeiro milionário de Roraima, tem um patrimônio declarado de mais de 30 milhões de reais, é o líder do movimento Garimpo É Legal.
E ele concorreu ao Congresso... É, garimpo é legal. E ele concorreu à Câmara dos Deputados pelo PL, pelo partido do Bolsonaro, em 22. Ele perdeu, agora ele é pré-candidato ao Senado pelo PRD. Ele tem muitos negócios na Guiana.
que é exatamente o país que foi usado na rota de fuga do Ramagem. E ele publicou essa foto com o Ramagem em Boa Vista, e é ele que a Polícia Federal diz que auxiliou o Ramagem na sua fuga com a ajuda do seu filho, que está preso, foi preso no final do ano passado por ordem do Aristânio de Moraes, o Celso Rodrigo de Mello, que é filho do Rodrigo Cataratas.
que é o cara que já tinha sido preso em 2022 por exploração ilegal de ouro na Terra Yanomami. E aí vale lembrar que foi durante o governo Bolsonaro que toda a estrutura de fiscalização lá da Terra Yanomami foi desmontada. Lembra daquela história? Que teve uma situação gravíssima de fome extrema das crianças Yanomami.
Isso foi durante o governo Bolsonaro. Então, é essa turma que auxiliou o Ramagem na sua fuga. E foi exatamente essa mesma rota, parando em Boa Vista e depois subindo pela Guiana, que o Bolsonaro usou quando ele...
quando ele fugiu pra Orlando. Então é estranho mesmo. É de se perguntar o que ele foi pegar em Roraima, né? Porque não tinha nenhuma necessidade dele parar em Boa Vista. É isso. Essas são essas pessoas. A gente tem que lembrar com quem que a gente tá lidando, gente. Que é bandido nesse nível, entendeu o negócio aí.
E aí a ramagem é isso, tá lá, agora, na mão da polícia americana. Pois é. É curioso isso, porque a gente fala muito dos crimes que eles cometeram contra a democracia, foi por isso, inclusive, que foi condenado, e a gente esquece dos crimes comuns, né? Bolsonaro não responde por nenhum crime comum. É verdade, tiveram alguns crimes comuns, provavelmente, aí, tá? Eu não posso... Provavelmente é que vocês já sabem que é o jurídico, né?
Mas o relógio que ele foi lá tentar vender, isso aí morreu. A própria rachadinha. O Flávio, então, tem uma série de crimes comuns pelos quais ele não responde, provavelmente nem vai responder. Só pelos crimes contra a democracia, que já são gravíssimos. É acusado de uma série de crimes comuns.
Obrigado, Aline Tudo muito bem documentado em muito jornalismo muito bem feito ao longo dos quatro anos e a gestão da família é Bolsonaro e não só do Jair já que o filho dele é o wannabe sucessor dele
Não, eu só queria falar sobre o Ramagem, uma coisa que, pelo menos nas matérias de hoje, na segunda-feira, não está totalmente claro. Que assim, o ICE é a polícia migratória, que pega as pessoas que estão na rua sem a documentação, com o visto estendido, ou, que é importante colocar no caso aqui, com pedidos de asilo em análise, que não deveria ser deportado, que supostamente tem alguma garantia nos Estados Unidos, e o pessoal está sendo deportado.
Agora, o Ramagem foi parado, acho que é provavelmente numa infração de trânsito. O ICE o deteu. Só que o que não está claro é se ele foi detido.
porque ele está com o visto estendido dele e supostamente um pedido de asilo, ou se é porque ele tem um mandato de prisão decretado aqui no nosso país. Agora, o que não é certo é que ele vai ser deportado.
Não, não é certo. Porque se ficar um caso político, se a Casa Branca e o departamento, que provavelmente já está muito envolvido nisso, o departamento de Estado dos Estados Unidos, que já está falando que a eleição no Brasil em 22 teve interferência indevida do Alexandre de Moraes, que é o cara que deu o mandato de ir à prisão para o próprio Ramagem e tudo mais, pode ser um incidente político mais sério.
do que essa comemoração e desse fato ridículo que a gente ri e tudo mais. Mas acho que a coisa ainda está indefinida. Porque se ele conseguir fazer isso virar um caso político favorável ao seu campo e aos interesses da Casa Branca, essa história não vai acabar com ele algemado, enviado é pra cá. Mas isso não é certo. A gente não sabe o desfecho dessa história. Então, assim, essa é prisão. Hoje ela está saborosa.
Mas a gente não sabe se ela vai acabar atravessada. Pois é. Mas a gente vai falar agora de coisas que não são em nada saborosas. Não são tão alegres, mesmo que problemáticas, como a prisão do Ramagem, infelizmente. Queria muito ficar uma hora e meia falando de Ramagem preso pelo ICE, mas não. A gente vai falar hoje de Líbano e Cuba. Porque, bom, começando por Líbano. Não sei se vocês estão acompanhando, porque não está muito noticiado.
a guerra ao Irã está tomando, claro, as manchetes todas, mas Líbano está sendo invadido e ocupado por Israel já há um bom tempo, mais uma semana, se não me engano, que Israel vem bombardeando com o pretexto de que estaria atacando o rei Esbolá.
Israel vem atacando o Líbano e a população libanesa. Tem matado uma quantidade enorme de civis, já foram mais de 2 mil mortos no Líbano. Mais do que no Irã, inclusive. No Irã foram 1.700, que já é muita coisa. Foram 2 mil mortos no Líbano, incluindo 165 crianças, 80 profissionais de saúde. Só no Líbano foram mais de 90 hospitais bombardeados. Isso daí agora, recentemente já deve ter subido, porque o dado é do dia 3 de abril.
Então, a gente está vendo uma guerra expansionista mesmo, que vai além dos ataques ao Irã, que são bárbaros por si só. E que não foram cessados agora durante o cessar-fogo com o Irã, né?
Ou o contrário, né? Na verdade, a maior onda de ataque que aconteceu, a maior onda que Israel fez no Líbano, e aí não é só no sul, é na capital, em Beirute, que está sendo devastada, foi exatamente naquela segunda-feira em que o Trump anunciou que chegou a um cessar-fogo de duas semanas com a Irã. Foi aí que Israel falou, então a gente vai descer o míssel.
no Líbano. E, não supostamente, mas de acordo com os iranianos e com as declarações do próprio Paquistão, que fez a mediação entre um país e outro, no cessar-fogo estava incluso o Líbano.
Estava incluso que Israel deveria parar de atacar. O alíbano foi uma das condições que o Irã impôs em tese. Então a gente vê aí, acho que é não só a extrema crueldade, a desumanidade típica do Estado de Israel, mas o desafio é político mesmo, ao próprio cessar fogo e a suposta vitória política que o Trump tinha conseguido no domingo de Páscoa.
E ao ser chamado, é curioso, porque ao ser perguntado sobre o Líbano, o Trump disse que já pediu ao Netanyahu para parar. E aí você vê a moral do Trump, que é zero. Ele é um capacho do Netanyahu hoje. Ele é um sujeito que não tem menor moral mesmo, porque mostra que ele não controla nem o Netanyahu.
Quanto mais, obviamente, seus inimigos, mas nem seu aliado, a quem ele doa bilhões de dólares e armamentos pesadíssimos, a quem ele financia, a quem ele apoia em qualquer medida, mesmo que não faça o menor sentido para os Estados Unidos. Ou seja, ele virou cada vez mais um fantoche assumido mesmo do Netanyahu, o Trump.
E mais, ele não tem moral para pedir. Ele não falou nem assim, exigir, estou negociando, não. Eu pedi para ele parar, foi o que ele disse. Ou seja, depois do cessar fogo, que incluía sim Israel, perdão, incluía o Líbano, o cessar fogo, tá? Estava escrito no cessar fogo, que os Estados Unidos assinou, e que Israel também.
Acabou. A partir desse cessar-fogo, teoricamente acabou. Ou seja, desrespeitando o acordo que tinham acabado de assinar com ataques. Olha isso, quarta-feira agora, quarta-feira agora, Israel bombardeou 100 locais em 10 minutos no Líbano. Tornando o dia mais letal do país desde o início da guerra no Irã. Sim. Imagina, 100 locais em 10 minutos.
Mais de 350 pessoas foram mortas. No único dia. Você tá falando de escola, tá falando de prédio. É um 11 de setembro, todo dia. Israel faz um 11 de setembro, todo dia, no Libro. Todo dia é um prédio residencial que bota abaixo. Porque pode ser que lá tenha alguém do Hezbollah. Pode ser que tenha uma pessoa, duas. Pode ser que tenha armamentos. Não dá pra saber. Na dúvida, mata 350 pessoas. Dá pra saber que se você acompanhar...
jornalismo independente e eu não estou falando só do próprio jornalismo árabe e libanês mas jornalismo dos Estados Unidos mesmo, tem um site que tem feito um trabalho genial que é o DropSite que é um site que tem muita fonte de alta qualidade no Oriente Médio e tudo mais a grande maioria dos alvos pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre
não tem nenhum uso militar direto. Mas Israel alega que eles chamam de uso duplo. E que o uso duplo serve tanto à população e ao Hezbollah. E aí você vai ver, por exemplo, os argumentos que eles fazem no Irã, para eles bombardearem dezenas de universidades, universidades inteiras.
O uso duplo é que eles formam engenheiros e que depois esses engenheiros vão trabalhar na construção de armas iranianas. Então esse é o nível de cinismo que se justifica o ataque em prédio residencial, em escola, em hospital, em pontes, em aeroportos, em estações de produção de energia.
Eu acho que é importante, para quem está ouvindo no Brasil, sobretudo com o fato dessa guerra estar sendo mal reportada, especialmente mal reportada na imprensa brasileira, dar um pouco de contexto em relação aos objetivos declarados da invasão israelense no Líbano hoje. É a maior operação de Israel no Líbano desde 82.
Israel já está ocupando cerca de 10% do território libanês e já disse que pretende tornar essa ocupação permanente. Então, é realmente um ato de ataque a um país soberano e de ocupação de um território gigante, que eles chamaram também bastante cínicamente de uma zona tampão no sul do Líbano, mas que não é uma zona tampão. É uma ocupação permanente de uma parte significativa do território. Eu fui tentar encontrar uma...
escala Brasil, assim, para o que é 10% do território, porque acho que a gente tem dificuldade de conceber isso de fato. E aí eu fui entender, se a gente tivesse um exército invasor invadindo o Brasil pelo sul, que é exatamente a situação da ocupação por terra, que não é só bombardeio, existe uma desde o 16 de março.
Israel está com uma campanha de ocupação por terra do Líbano. Então tem uma invasão por terra mesmo. Se a gente estivesse vivendo isso no Brasil, o que isso quereria dizer em escala Brasil? E seria como perder Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo para um exército inimigo. Isso é 10% da área do Brasil, tá? Começando pelo Sul. Então é como se a gente tivesse um exército que já tivesse tomado Rio Grande, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Isso em termos territoriais. Em termos populacionais...
Hoje, cerca de 20% da população libanesa está deslocada, foi expulsa de casa, não pode voltar para casa. E no sul do Líbano está havendo um esforço deliberado e muito bem documentado também, a gente está falando de imprensa mainstream mesmo, inclusive nos Estados Unidos, do New York Times cobrindo, etc. Então, um esforço deliberado de tornar qualquer possível retorno dessa população deslocada, desses 20% da população...
muito difícil, não só pela ocupação militar, mas também técnicas muito cruéis, assim, de você, por exemplo, jogar fósforo branco nas terras agrícolas para torná-las inférteis por muitos anos. Então, você realmente tornar esse retorno impossível do ponto de vista, inclusive, econômico. 20% da população do Brasil é mais ou menos a população de todo o estado de São Paulo.
Então, imagina se a gente tivesse hoje toda a população do estado de São Paulo refugiada, tendo que sair de casa no espaço de menos de um mês. A ocupação por terra começou no dia 16 de março. Então, nesse período muito curto, você deslocar um contingente desse tamanho num país relativamente pequeno. Então, acho que é muito grave e é muito grande o que está acontecendo no Líbano. É muito difícil de comparar com outras situações.
É muito diferente do que está acontecendo no Irã, que é um absurdo completo também, mas onde não existe ainda uma invasão e nenhuma ocupação. O que está acontecendo no Líbano se parece muito mais com um processo mesmo expansionista imperialista mesmo, de ocupação de terras fronteiriças, de expulsão da população e assim por diante. É parecido com o que aconteceu na Palestina.
ao longo de décadas e décadas mas com uma diferença mas desculpa Bruno, isso de nenhuma forma minimiza o que aconteceu na Palestina, mas tem uma diferença que é, o Líbano é um país soberano constituído então tem um tanto também que não existe nenhuma possibilidade disso ser construído como nada além de uma ocupação militar de um país
Sabe? Isso não está nem em disputa. Mas é aí que a cobertura midiática, a gente queria fazer esse programa, em parte porque a gente está muito chocado com a cobertura brasileira. É muito chocante. A cobertura é vergonhosa. Ela é pior do que a norte-americana, a nossa cobertura brasileira. É muito pior. É muito pior. Porque ela não tem uma diversidade...
de argumentos. Eu lembro da revolta que eu fiquei assistindo o Jornal Nacional, acho que na quinta-feira passada, que eu fiz questão de veste, há muito tempo que eu não assistia, falando sobre o Irã, prioritariamente, eu entendo, tem essa questão geopolítica, preço de petróleo, como isso afeta o Grêmio, e uma cobertura muito breve sobre o Líbano.
E o repórter, que em justiça não era o Guga Chakra, que fala bem a respeito do Líbano, até porque ele tem família libanesa, ele entende melhor do assunto, é um outro nível de cobertura que ele é capaz de fazer, ele e o Marcelo Lins. Mas no JN mesmo, eles falando assim, enquanto isso, Israel segue atacando o grupo extremista Hezbollah no Líbano.
Então, assim, para o grosso da população brasileira, segue essa ladainha, essa frase feita e esse imaginário muito incorreto e muito racista, no final das contas, que o que está sendo feito é simplesmente um ataque a um grupo extremista.
em um país é soberano, sem revelar, na verdade, que é uma invasão. E é nesse sentido que eu acho que tem um exemplo muito mais próximo e a gente vê a distância abissal de cobertura, inclusive no vocabulário que a gente usa, que é o que a Rússia fez na Ucrânia. A Rússia invadiu uma porcentagem significativa do território ucraniano por terra.
com uma alegação de que eles têm direito a esse território por um destino étnico histórico, que é o que Israel faz no Líbano também, e falando que ali tem grupos terroristas que mataram russos e que oprimem russos e tudo mais. Só que o que ninguém fala é em termos de extremismo mesmo. Porque se você for olhar os números e ver quem é extremista, você não vê o Hezbollah atacando hospital, escola.
israelense, assim, com essa tranquilidade. A gente não vê esses índices do outro lado. Quem é o extremista? E aí a gente vê que, na verdade, isso corresponde a um projeto declarado, declarado há décadas, no estatuto do partido que o Netanyahu faz parte, que é o destino do país é ser a grande Israel, que não é o imperialismo militar clássico de expandir o máximo que ele pode, o que ele pode,
mas é numa fronteira bíblica, é definida o que é. E esse sul do Líbano, que eles se reivindicam, é essa parte de expansão do projeto sionista maximizado. Então, vale lembrar, Bruno, que...
O sul do Líbano faz tempo que Israel o contesta, quer abocanhá-lo. Inclusive, é bom lembrar que o Hezbollah nasce em 82, depois da invasão israelense ao sul do Líbano. Exato. Ele nasce depois de uma invasão. Porque Israel fez uma guerra no sul do Líbano, invadiu, e aí nasce o Hezbollah. Então, atacar o sul do Líbano, dizendo que está apenas atacando o Hezbollah, é muito perverso, muito cínico.
E mais, não está atacando o Hezbollah. Isso daí você vai ver em tudo quanto é lugar. Se você botar Líbano e Israel no Google, as notícias vão aparecer no Brasil, são Israel ataca Hezbollah. Entenda por que Israel está... Eu adoro isso. Entenda por que Israel está atacando o Hezbollah. Não, não quero entender por que. Entende por que... Entende? O entenda por que...
já te botam no lugar de advogado do Estado de Israel. Se você é um jornalista que faz essa matéria, entenda por que Israel está atacando o Hezbollah. Você serve, você vive disso, esse seu trabalho como jornalista, ficar explicando as motivações? Eu até aceitaria isso, eu até aceitaria isso, se tivesse uma outra matéria falando é entenda o Hezbollah.
É, exatamente. Entenda por... Você não viu essa matéria. Entenda por que o Ramaz... Entenda por que o Rezbollah... Entenda por que o Rezbollah se formou em 82. Eu não vi essa matéria. Você tem que ir pro Wikipedia pra descobrir isso. Porque você não tem momento nenhum... Você precisa ler um livro, é. Você precisa ler um livro, porque não tem nenhuma matéria assim. Entenda o Rezbollah. Não vai ter.
Entendo o Hamas. E tem uma coisa bem perversa, que é o seguinte, isso daí não é explicado em lugar nenhum. Como o projeto é anterior a 82, como o projeto sionista é expansionista desde o início. E sim, não significa que todo mundo que depois foi Jael, que todo sionista sabia, sabia na verdade do projeto, mas tentou disfarçá-lo. Porque a verdade é que estava lá no Herzl, estava lá no Jabotinsky, estavam todos eles, deixaram muito claro.
Que o projeto era do Nilo ao Eufrates, que era do Rio ao Rio. E mais, o próprio Ben Gurion, o Estado de Real, falou assim, essas fronteiras não são definitivas, ele falava de 47. A gente vai aumentar, a gente quer aumentar. Nunca teve respeito pelas fronteiras na Constituição. São gelentes não estão dizendo quais são as fronteiras.
tem um projeto expansionista de alma, de coração. Então, entenda por que Israel está atacando o rei Esbolá, porque não está atacando o rei Esbolá, está atacando uma população libanesa. Eu só concordaria se na matéria tivesse, porque Israel tem um projeto expansionista, desde a sua fundação.
Só algumas coisas. É só primeiro, não sei se você falou, Greg, mas que essa manchete, Entenda por que Israel continua bombardeando o Líbano, foi da CNN Brasil agora, de 9 de abril, ou seja, um dia depois dessa quarta-feira negra, como ficou chamado o dia em que Israel atacou 100 alvos no Líbano em 10 minutos.
E essa matéria, ela trocou o título, tá? Ela falava bombardeando o resbolar, quando a gente foi pela primeira vez. E mais, não trocou no corpo, tanto é que no corpo da matéria diz o tempo todo o resbolar. O resbolar. Pra continuar atacando o resbolar. Mas eles trocaram a manchete. Trocaram a manchete. Como se resbolar fosse sinônimo do Líbano, porque usa equivalente, na mesma frase, uma frase seguinte fala resbolar no anterior Líbano, como se fosse a mesma coisa.
Eu queria duas colocações. Uma que, assim, de nenhuma forma, eu não acho que fazer uma comparação, não sei se é o mais adequado, e eu não sei do que o resbolar é capaz, não me parece que o resbolar tenha especial atenção ou cuidado com a lei internacional.
ou com a lei de guerra e assim por diante. Mas as escalas, elas são muito diferentes. Acho que isso é muito importante de lembrar. E não só nessa guerra de agora, em que de fato não existiu nenhum ataque do Hezbollah a Israel que tivesse as características desse ataque gigante, dessa ocupação gigante do território libanês.
por Israel, mas desde 2006, né, os últimos 20 anos, a gente teve muitos momentos de conflito em que o Hezbollah, de alguma forma, estava atacando Israel, em que o Líbano estava sendo atacado por Israel, e as escalas são completamente diferentes, né, só nessa guerra de agora, só nessa ocupação e nesse ataque de agora, como você falou, né, Greg, a gente já teve cerca de 80 profissionais de saúde mortos, né, 2 mil pessoas mortas, mais de 90 hospitais bombardeados.
87 ambulâncias destruídas, outros 5 hospitais forçados a fechar. A OMS chegou a confirmar que Israel notificou a OMS de que eles atacariam ambulâncias. É um nível de ataque deliberado à infraestrutura que serve à população civil muito, muito clara. Que há uma simetria...
muito grande com o que o Hezbollah é capaz, não sei se é o que o Hezbollah desejaria fazer com o Israel, mas certamente com o que ele é capaz de fazer. Mas mesmo se a gente for lá atrás, na guerra de 2006, por exemplo, que foi uma guerra com outras características, em que o Hezbollah chegou a atacar uma escola em Israel, uma escola primária, a gente tem ainda assim uma diferença de escala muito grande. Em 2006, teve 43 vítimas civis do Hezbollah em Israel.
no total, ao longo de todo o conflito de 2006. Então, o poder de fogo dessas forças é muito diferente. E o Hezbollah não é o Líbano. O Hezbollah tem uma relação muito próxima, ele tem uma presença política no Líbano, ele é muito diferente de um grupo terrorista, independente, ele tem uma...
uma proximidade mesmo com o centro do poder no Líbano, mas ele não é um país atacando outro país. Acho que isso se perde na cobertura brasileira, que é uma cobertura propositalmente confusa, assim, e muito estranha. A gente falou da manchete da CNL em Brasil...
Mas tem várias outras, assim. E, claro, se a gente for nos veículos realmente mais abertamente de direita, a coisa fica ainda pior. A revista Oeste fez uma manchete no 8 de abril, agora nos ataques, nos piores ataques de Israel ao Líbano, que eu fiquei muito chocada, que era assim.
Israel intensifica ataques no Líbano e deixa mais de 250 mortos. E aí o lead era, a nova, perdão, o subtítulo era, país voltou a neutralizar integrantes do grupo terrorista islâmico.
neutralizar falando de bombardeio na capital em bairros residenciais de ocupação territorial e olha que loucura essa palavra é um jeito dos serviços de inteligência quando eles falam sobre matar os seus adversários não é nem militar
É coisa que a CIA usa, que Mossad usa, que a gente neutraliza adversários. Mas é também uma coisa que o BOP usa, que as polícias militares no Brasil usam. Que eu sinto que ajuda a explicar, Bruno, por que a imprensa brasileira é tão especialmente conivente com um massacre. E tão fácil na sua reportagem desses massacres, desse jeito cínico e naturalizante.
Que a gente está acostumado a reportar dessa maneira quando a gente fala de segurança pública no Brasil. É exatamente a maneira como a gente fala de ocupação territorial numa favela, por exemplo. E vocês conseguem imaginar, vamos falar que no 7 de outubro, quando o Hamas fez os ataques em Israel, uma boa parte das vítimas eram militares. Uma parte muito significativa eram os militares. Você imagina o escândalo que ia ser de algum veículo ou falar que o Hamas...
neutralizou membros do exército israelense. Não, e sobretudo... Porque o Hamas não matou só militares, não matou um monte de civis também. Não, não, não. Eu tô falando só... Não, mas nesse caso eles estão de fato...
É, jogando todos no mesmo balaio. É. Não, imagina... Imagina que chamassem os ataques do 7 de outubro do Hamas de uma retaliação à Mossad. Sabe? Uma retaliação ao IDF. Aquilo que o Hamas fez. Imagina essa manchete. Hamas retalia...
políticas pensionistas da IDF, do exército israelense, sabe? Se fingisse que aquilo é uma coisa apenas contra o exército, que é o que acontece. Os ataques são contra o Hezbollah, os ataques são contra os extremistas que Israel faz. Meu Deus, é uma coisa muito absurda. E mais, tem um termo que estão usando muito na imprensa brasileira, como se fosse normal, e é um termo supremacista.
supremacista mesmo da direita israelense que é algo que diz, como é que é o Zé está naquela matéria da CNN que é o seguinte, entenda porque Israel segue bombardeando o Líbano e está lá, Israel considera o Hezbollah como uma ameaça a sua existência, uma ameaça existencial
Isso é um termo supremacista, porque um povo, e é precisamente o que o Netanyahu diz, tá? O tempo todo, o Netanyahu diz que o Irã e o Hezbollah são ameaças existenciais para Israel. Enquanto eles existirem... O Hezbollah ou o Líbano?
Ele diz o Hezbollah, mas ele está falando do Líbano. Não é, mas... Mas eles estão usando de maneira intercambiável os dois termos na cobertura de imprensa. Exatamente. Como a manchete entenda por que que Israel está bombardeando o Líbano e abaixo ele diz que tem uma ameaça existencial e botando o Irã junto com... Tem uma confusão ali que a imprensa brasileira parece que está comprando que é a ideia de que não pode haver Israel enquanto houver o Irã.
imagina, isso daí é um discurso mesmo supremacista genocida porque você está dizendo que o outro não, o que você está dizendo com isso? você não pode, o outro grupo o outro povo não tem direito de existir porque eles não querem que eu exista então eles não tem direito de existir logo a única solução é exterminá-los é um discurso de extermínio mesmo genocídio é preventivo
E acho que é bom deixar claro que esse discurso de extermínio existe em relação à população de Israel também. Mas nenhum desses agentes tem essa capacidade de extermínio. Quem está de fato executando uma política de extermínio nesse momento é Israel. Isso não tem mais discussão, eu acho. E assim, eu não sei, o Líbano que está longe de ser uma democracia, perdão, o Irã, o Líbano é assim, o Irã que está longe de ser uma democracia, de fato, tem muito mais liberdade para cidadãos judeus no Irã, com certeza.
Mas eu não estou falando dos judeus, eu estou falando da população de Israel. Assim, que o regime iraniano vê Israel como uma construção que não deveria existir e que teria expresso o desejo publicamente de que Israel não exista mais, isso acho que é inegável, Greg. A questão é que o regime iraniano não tem essa capacidade. Uma coisa, mas você vai me desculpar.
Todas as declarações que o Irã tem feito nos últimos anos, eu não sei da série histórica, mas nos últimos anos que eu tenho acompanhado isso com muita intensidade, eles não falam que Israel não tem o direito de existir. O que eles falam é que o regime sionista não tem o direito de existir. Que não é nem a existência do Estado de Israel. O que costuma ser dito é que o projeto sionista...
É um projeto que não tem legitimidade, é legal, é moral, que ele é de supremacia étnica, que ele é racista e que ele é, espero só para eu terminar, que ele é uma ameaça existencial aos povos na sua vizinhança. O que historicamente se confirma verdadeiro.
Não, e mais, Bruno, eu acho que historicamente, e mais, aí sim, existencialmente, a ideia do sionismo, ela é, ela nasce expansionista, e ela segue expansionista, mas ela nasce, a sua ideia, os formuladores do sionismo eram expansionistas, e acreditavam nas fronteiras muito maiores que elas são hoje. Então, isso é um fato. Então, hoje, talvez tenha as pessoas falando que, não, mas o sionismo novo, de esquerda, então você está fazendo um neo-sionismo, que é contrário à ideia inicial do sionismo, que é expansionista? Sim.
Aí sim, é uma ameaça existencial aos povos que moram ali, que vivem ali. E mais, é antissemitas. Se levar em conta que semitas eram os povos que ali moravam. Inclusive é bom lembrar que Israel bombardeou a sinagoga, Niran.
Sim, existe uma sinagoga no Irã. Sim, existem muitos judeus no Irã. E por isso eles têm uma sinagoga no Irã. E essa sinagoga foi bombardeada por Israel. Sim. Sim. E eles estão querendo se advogar vítimas de antissemitismo? Bombardeando sinagogas? Alguém explica isso, pelo amor de Deus.
Sabe, é algo que é muito difícil mesmo. Tem alguns, eu não acho que isso seja muito relevante, sinceramente, mas tem alguns registros das lideranças iranianas, inclusive do Ayatollah, que foi morto no primeiro dia da guerra contra o Irã agora, pelos Estados Unidos.
falando em destruir o país, em destruir Israel e se referindo a Israel como a entidade sionista também. Porque também nunca é chamado de país. Então, é nesse sentido difícil de delimitar. Mas que existe uma...
uma consistência na expressão de um desejo de que esse país, enquanto país, não exista mais, acho que isso é bastante documentado e difícil de negar. O que não quer dizer que o regime iraniano, como a gente falou, seja antissemita, no sentido de se opor à existência de judeus no mundo. Tanto que tem uma comunidade judaica bastante, ao que parece, bastante bem sucedida no Irã.
integrada na sociedade e de fato houve o bombardeio de uma sinagoga, que era uma sinagoga de esquerda pelo que eu entendo, né? agora durante esses últimos bombardeios e essa sinagoga inclusive emitiu uma nota os membros da sinagoga, uma nota muito dura de crítica não só de crítica de acusação mesmo de denúncia contra o Estado de Israel depois da pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre
depois do bombardeio. Eu falo isso porque eu acho que é importante que... Eu acho que a gente não precisa negar que exista um discurso muito virulento e violento contra a população de Israel, inclusive a sua população civil nesses países, para chegar à conclusão de que isso não é muito relevante para a análise do que está acontecendo agora. E não é relevante não porque isso não ajude a entender a situação política em Israel, ou a própria emergência do Netanyahu como liderança, ou do Likud como partido político, ou...
mas não é relevante para entender como a comunidade internacional deve ver o que está acontecendo nesses países agora. Porque, no final das contas, é isso. A gente tem uma invasão, uma ocupação territorial, um bombardeio indiscriminado da população civil, um ataque que é muito deliberado contra a infraestrutura civil do país e, de nenhuma maneira, nem o Hezbollah, nem o Irã, aliás,
tem uma capacidade de infringir esse tipo de dano ao Estado de Israel. Então, a gente tá falando de uma situação em que não existe um outro lado, nem sei se dá pra chamar de guerra exatamente, sabe? Sobretudo no Líbano. É realmente...
Uma invasão, muito mais do que uma guerra. E você fala só de capacidade, mas o Irã tem sim um arsenal bastante poderoso, e o Hezbollah também, inclusive, quase se equipara ao do Irã. O Hezbollah não está atacando. Poderia, sim, atacar as colas? Poderia.
Por que não ataca? Eu não sei. Eu acho que é mais difícil, Greg. É mais difícil de sustentar um conflito nessa escala por parte desses... No caso do Hezbollah, desse grupo. E no caso do Irã, desse país. Eles têm... O Irã está mostrando que tem capacidade de criar uma bela situação para a economia global, de bombardear alvos estratégicos, etc. Mas eu não acho que eles possam competir com o Israel numa... Numa...
Numa perspectiva simplesmente de ocupação e bombardeio discriminado de alvos civis. Não mesmo. E isso não é menor. Porque todo o discurso de uma ameaça pressupõe não só uma ameaça teórica, mas uma ameaça prática, entende? E o que acontece hoje é que o Irã não é uma ameaça prática. Não nessa escala. Não é verdade. Não é verdade. Não é verdade. Israel depende da marinha americana...
para não ser atacada de maneira decisiva. Sim, mas o Israel tem a proteção da Marinha Americana. É que está a questão. Mas assim, vamos falar sério aqui. Eles achavam que isso seria muito mais rápido, de que o regime ia dar uma colapsada, de que o país não ia ter essa capacidade de resistência.
O fato é de que isso também é reportado. Hoje, eles têm menos de 100 artefatos de mísseis de defesa para os ataques iranianos no Estado de Israel. O seu Iron Dome, o seu domo de ferro, está completamente exaurido. E é tanto é que está entrando.
e estava entrando muito mais ataque do que é normal. Nos últimos dias, estavam falando que mais da metade dos mísseis que o Irã estava enviando estava caindo em território israelense. E o fato é de que o Irã se revelou...
Não só muito mais resiliente, muito mais preparado, muito mais estratégico, mas muito mais racional e muito mais moderado nessa situação. Em parte porque sabe que se Israel é bombardeado com força total e se os Estados Unidos não entrarem com tudo para defender Israel, então...
Não é Israel que tem capacidade de destruir o Líbano sozinho. O Líbano, não. É Irã. É Irã. É o exército dos Estados Unidos junto. Agora, o fato, que é a grande questão, que é por isso também que o Irã não ataca Israel com mais força,
em um momento que ele teria toda a justificativa para fazer isso, por conta da coisa devastadora que eles fizeram em Teheran, que vamos lembrar que Israel atacou o maior estoque de petróleo na capital iraniana. E as pessoas foram submetidas a uma fumaça tóxica que vai dar câncer nelas em anos, entendeu?
É um ataque químico, cruel, que a gente já esqueceu. Na capital do país, Israel fez isso. Então o Irã estaria no direito internacional, inclusive, de mandar muito mais bomba para cima de Israel. Eles não mandam porque eles sabem que aquele país psicopata ia mandar uma arma atômica tática, que eles têm.
que eles têm, criminosamente, que fizeram um programa nuclear sigiloso, roubando tecnologia, matando gente. A história é muito bem documentada. Entendeu? Criminosamente fizeram bombas atômicas. E é isso que eles falam que se o Irã tiver uma, eles jogariam em Israel.
Se Irã fabricar essa bomba, essa bomba vai cair em Israel em cinco minutos. Mas o meu ponto, Bruno, é que o Irã não tem uma. E o Irã não está perto de ter uma. E acho que comprar essa ideia do Irã ou do Líbano como ameaças pressupõe entendê-los como países igualmente armados que gozam da proteção de um outro império comparável aos Estados Unidos. Nada disso é verdade. Então a gente está concordando.
A gente está concordando. Eu estou concordando que o Irã não é uma ameaça existencial ao Estado de Israel, muito menos o Hezbollah. Mas o que eu estou falando é que a gente também não pode comprar a ideia, porque ela foi revelada no último mês, de que o Irã era um alvo muito mais frágil do que parecia. Ele não é. Ele tem capacidade de infringir muito mais dano a Israel. Mas o que eles escolheram é fazer até...
por motivos racionais, lógicos, práticos mesmo. É não fazer um ataque civil indiscriminado e ia provocar traumas, porque não ia dar resultado militar, ia ser pior para eles, ia ser pior para a moral do país, e preferiram criar uma situação econômica, mundial, para botar a pressão real nos Estados...
Sim, até porque eles entenderam que quem precisa ser pressionado é os Estados Unidos. Agora, o que eu queria, onde eu queria chegar quando eu falei da parte de discurso, é que todo o discurso que, de novo, eu considero que é absolutamente agressivo e violento também, tanto de autoridades iranianas quanto do Hezbollah, mas ele é muito, ele recebe muita atenção midiática. E o discurso que está sendo construído em Israel hoje para justificar a ocupação do Líbano e a guerra contra o Irã, e o bombardeio do Irã...
ele é muito mal explicado no Brasil. O Greg aludiu um pouco a esse discurso, falando da história da Grande Israel, dessa ocupação territorial muito ampla, mas acho que a gente não trata dessa ideologia mesmo da maneira como a gente deveria, que é uma ideologia assentada num fundamentalismo religioso mesmo.
Ela é de base teocrática. E ela é muito recente, assim, recente. Ela, na verdade, é antiga, mas eu digo, ela está presente hoje. Não é que ela está nos anais da história e a gente precisa recuperar uma coisa que foi dita há 50 anos atrás. É isso que está sendo dito pelas autoridades israelenses que estão no comando nesse momento, né? Então, tem alguns exemplos que eu acho que seria bom trazer. O Netanyahu deu uma entrevista...
Em agosto do ano passado, que ficou meio infame, ele deu uma entrevista pra um canal de Israel em hebraico, e o apresentador dá pra ele um mapa da Terra Prometida, que seria toda essa... O mapa mostra toda uma área que vai do Rio Nilo até... O Eufrates. Até o Eufrates, exatamente. E o apresentador pergunta pra Netanyahu, você se conecta com essa visão? E ele fala muito.
É a grande Israel. Se você me perguntar, nós estamos aqui. Ele começa a falar sobre estar em uma missão histórica e espiritual. É uma roupagem teocrática. Depois, isso causou tanta controvérsia que o trecho foi cortado do YouTube, mas ainda está no site em hebraico. O ministro das Finanças israelense...
fala que o novo limite internacional de Israel no Líbano deve ser o Rio Litane, né? Que é esse rio que passa pelo sul do Líbano. Então já existe uma declaração de que a fronteira tem que ser mudada pro Líbano, né? Pro Líbano, pro Litane, com uma ocupação permanente desses 10% ali do sul do Líbano. Tem, enfim, tem uma série de declarações. O ministro da Educação, pra mim, foi o mais...
didático em mostrar as reais, como Israel vê o Líbano hoje, que é muito parecido com como a imprensa brasileira tem reportado sobre o Hezbollah e o Líbano. Ele falou literalmente o que você falou, Greg. Ele falou, não há diferença entre o Hezbollah e o Líbano. O Líbano será aniquilado. O Líbano, como conhecemos, não existirá. Isso é o ministro da educação. O ministro da educação israelense. É, mas aí, eu só queria fazer um comentário sobre isso. Sim, é teocrático.
Mas vamos lembrar aqui da imagem que Israel tem no Ocidente. Não é de um país teocrático, é de um país democrático, secular, cientificamente avançado. Então essa dimensão teocrática existe, mas ela também é um tipo de fiança religiosa que esses caras usam para esconder o que eu acho que é a essência mesmo. Porque eu não acho que Netanyahu...
fala isso e à noite, entendeu, reza e acha que está fazendo uma missão divina. O que está se revelando mesmo é que o projeto é de supremacia étnica. Entendeu? Eu acho que o que a gente precisa começar a falar de maneira mais clara aqui é que o Likud, o Smoltred, o Ben Gavir, o Gabinete e a Netanyahu e o partido deles vêm de uma tradição que remonta pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre
até antes do Estado de Israel, de que maneira que o exército de Israel foi concebido e montado. Ele foi um aglomerado de milícias.
supremacistas étnicas, de extermínio mesmo, dos anos 20 até os anos 40, até a fundação do Estado de Israel. As pessoas que estavam treinadas em armas para fazer o trabalho da NACBA, da expulsão de palestinos e de defesa de protogrupos de resistência árabes e palestinos também, que é a Haganah, aquele outro grupo, como é que chama?
Irgun também, que era o mais radical, que foi uma dissidência do próprio Haganah. Pessoas extremamente violentas, extremamente racistas, que falavam sobre supremacia étnica.
E o destino religioso é o verniz que você precisa, na verdade é o lastro que você precisa. Eu acho que é mais um lastro do que um verniz. É, é mais um lastro pra você não se sentir um monstro. Mas essas pessoas não são religiosas. Essas pessoas não estão nas suas sinagogas, ajoelhar e reverenciando Jeová. Não, aí você tá... Essas pessoas estão claramente em um projeto político. Porque o fato é de que elas estão engajadas e que elas estão engajadas.
com prazer sádico em matar pessoas. Matar pessoas. E aí vou lembrar, só pra encerrar, do que eu acho que a gente esquece que eles fizeram no Líbano, há um ano e meio, dois anos atrás. Aquele negócio dos pagers, dos bips, que Israel fez, que plantou explosivos em centenas de bips.
do Hezbollah, e explodiram ele simultaneamente, matando criança, família, explodindo braços de gente inocente. Eles não só fizeram essa operação, eles se gabam dessa operação com humor.
Eles dão de presente pagers de ouro para chefes de Estado aliados a Israel, se gabando dessa crueldade covarde que eles fizeram com pessoas inocentes no meio dos supostos terroristas, que, vamos lembrar, só existem...
porque foram invadidos nessa mesma área. Então, eu sei que tem um projeto teocrático, mas o que eu acho que a gente precisa falar aqui, não é à toa que muita gente, e eu honestamente acho isso, que é por que eles são comparáveis com o regime nazista, entendeu?
que a base deles é um projeto de supremacia étnica, de nacionalismo mitológico, mas de supremacia étnica em que entende os seus vizinhos e a parte exterminada como inferiores e que justificadamente precisam morrer. E é isso que está sendo feito lá no Líbano agora, foi feito em Gaza, e o que eu fico puto, chocado com a nossa imprensa, que assim, Gaza nem terminou de ser exterminada, e o que eu fico puto, chocado com a nossa imprensa,
E os caras estão assumindo boa fé nos argumentos israelenses de que eles estão atacando o Hezbollah. É quando ninguém, sem consciência, acha que o que foi feito lá em Gaza foi o Hamas, entendeu? Bruno, eu entendo e concordo. Não discordo que seja um projeto também de supremacia étnica. Mas eu acho que o aspecto teocrático é relevante aqui pelo seguinte. Primeiro porque...
a ideia de que uma teocracia, de que existem regimes teocráticos no mundo, em geral, no imaginário popular, no Ocidente, isso acho que inclusive no Brasil, é sempre associada justamente aos países árabes. Como se teocráticos fossem sempre eles e sempre os outros. E hoje eu entendo que Israel é absolutamente um regime teocrático. E isso está muito presente nas declarações, é isso, em todos os escalões do governo israelense hoje.
Agora, se essa teocracia é sincera ou não, que é um pouco o que eu acho que você está trazendo, são outros 500, entendeu? Não estou dizendo que essas pessoas são sinceramente religiosas e que elas estão sinceramente a serviço de uma profecia bíblica ou do que elas entendem que seria uma espécie de devir espiritual desse país.
acho inclusive que muito raramente lideranças religiosas que utilizam a religião com fins políticos tem sinceridade nos seus argumentos religiosos não acho que isso seja verdade da maior parte da liderança evangélica fundamentalista no Brasil, por exemplo não acho que seja verdade da liderança cristã fundamentalista nos Estados Unidos e também não acho que seja necessariamente verdade da liderança fundamentalista em Israel mas a a
a ideia de que o que está se fazendo ali é o cumprimento de uma profecia bíblica, ela se tornou muito fundamental, não só para dar esse lastro moral, como você falou, né? Para talvez eles dormirem melhor e acharem que eles são bonzinhos, mas, sobretudo, para selar uma aliança
internacional com os Estados Unidos. Porque o principal grupo de apoio político hoje de Israel nos Estados Unidos não são nem as associações sionistas nos Estados Unidos, que também são importantes e também têm seu poder. Mas são, sobretudo, os evangélicos fundamentalistas nos Estados Unidos, ou os cristãos fundamentalistas de forma mais geral. E o Mike Huckabee, que é o embaixador dos Estados Unidos em Israel, é um exemplo vivo disso. Ele é a encarnação dessa aliança entre fundamentalismos religiosos.
E, aliás, disse muito recentemente ao Tucker Carlson que seria ótimo se Israel tomasse todo o Oriente Médio. Essa ideia da grande Israel. O Tucker Carlson perguntou ao Michael Huckabee diretamente sobre isso. E ele confirmou que esse poderia ser muito bem o plano e que isso contaria com o apoio dele.
Então, e eu fico bolado com isso. Quando você vê o Tucker Carlson, o bosta do Tucker Carlson, que é um idiota em todos os sentidos, é um sujeito, é bom lembrar, ele foi trampista de primeira ordem, ele é um sujeito de extrema direita, em vários sentidos, misógino, em todos os problemas possíveis, mas até esse imbecil percebe o absurdo, nem a palavra, os crimes contra a humanidade.
que são cometidos hoje pelo sionismo, pelo exército sionista. E é algo que, ainda assim, a nossa direita tradicional, não vou nem falar direita, a nossa mídia mainstream não percebe. Ela está à direita do Tucker Carlson em relação a Israel. Ela ainda chama, equivale o Líbano e Hezbollah, ainda toda vez que vai citar vítimas palestinas, diz, afirma...
o Hamas, morrem 53 crianças afirma o Hamas, agora a mesma coisa diz o Líbano, morrem 2 mil pessoas, segundo o Líbano tem o tempo todo uma certa desconfiança em relação a dados de vítimas não israelenses
Enfim, é uma mídia muito, muito parcial mesmo em relação ao Israel, que é uma mesma mídia que acho que não é que ela cobre tudo com esse viés, não cobre, eu tenho a impressão de que a guerra na Ucrânia, por exemplo, ela tende a ser, não é tão claramente, não se bem que ela é também bem partidária, né, em relação à pró-Ucrânia, mas nos Estados Unidos, o Trump. O Trump, a nossa mídia cobre com bastante crítica, não dá para dizer que ela é trumpista, que a Globo News é trumpista, isso não é verdade.
mas ela tem um viés muito claro em relação a Israel, por todos os motivos que eu já citei. E eu queria entender por que, se vocês têm alguma tese em relação a isso, por que Israel é esse ponto cego com o perdão do termo, pedindo perdão às pessoas que não enxergam, estarem sendo comparados a esse jornalismo podre, um jornalismo declaratório que compra as versões de Israel. O ministro fala um negócio completamente nazista, como o Bruno falou, às vezes igualzinho, ipsis literis.
falando de sangue impuro, basicamente, falando termos que são do repertório nazista, e ainda assim, isso passa para anos, diz que é proibido, por exemplo, o Lula apanhou para cacete quando comparou.
o que está acontecendo ao holocausto como se o holocausto fosse por exemplo um evento ahistórico e agora você está o Michel Guerma, historiador judeu que disse que é permitido sim comparar outros genocídios ao holocausto pois o holocausto infelizmente ele se repetiu ao longo da história enfim tem uma mídia que é muito alinhada com um discurso sionista
Vocês concordam com isso? A nossa mídia é especialmente alinhada Com a parada internacional? Eu não diria nem só que ela é alinhada Acho que sim, mas acho que sobretudo é uma mídia muito Pobre na sua cobertura desses Desses
desses ataques, e eu não sei muito bem por quê, eu acho que o Bruno tem mais experiência de redação, talvez tenha alguns insights interessantes, o que eu traria de possibilidade e que acho que talvez seja uma coisa pra gente pensar junto, é que, uma coisa eu já adiantei, né eu acho que é uma mídia especialmente acostumada
a falar de ocupações violentas, da eliminação ou da neutralização de um outro ameaçador, a transformar uma população civil numa população inimiga dentro do próprio país. Porque a gente tem uma tradição de jornalismo sangrento que desumaniza até brasileiros, e sobretudo brasileiros em áreas pobres, brasileiros que são todos os dias também submetidos a uma forma de violência muito indiscriminada.
Então, se essa mídia está disposta a aceitar isso quando acontece dentro do seu próprio território, contra os seus próprios cidadãos, eu acho que talvez seja mais fácil eles embarcarem numa cobertura igualmente desumanizante quando acontece longe. Então, isso é um aspecto que eu observo. Outro que eu observo é uma espécie de vassalagem preventiva aos Estados Unidos, sabe? É quase que... Que eu acho que tem menos a ver com Israel daí, tem muito a ver com os Estados Unidos mesmo. Uma coisa de querer ser mais realista do que o rei.
e querer, de alguma forma, replicar o que eles imaginam que seria a perspectiva americana em relação a esses conflitos, sendo que a mídia americana tem mostrado muito mais pontos de dissidência, de cobertura independente na esquerda e na direita e na mídia mainstream do que a própria mídia brasileira.
E a terceira coisa é que eu acho que tem uma incompetência, tá, gente? Tem uma burrice na forma como a coisa é reportada. Mas aí acho que, enfim, a precarização do jornalismo talvez ajude a explicar isso. Mas não sei o que o Bruno... Mas eu acho que é uma burrice que ela não é... Ela é uma burrice que é... Ela é desproporcional em relação a outros temas, sabe? Eu acho que ela é especial nesse caso. Por isso que eu acho que não é só burrice. Não é? Você concorda, Bruno?
Eu concordo, eu tenho uma análise parecida com o que a Alessandra fez. Eu acho que a gente é um país que não tem um apartheid declarado, como o israelense, apesar deles não assumirem, mas eles são uma sociedade de apartheid, de supremacia étnica. A nossa sociedade tem um apartheid difuso, um apartheid invisível, mas muito exposto ao mesmo tempo. Ele não é invisível, mas ele é gasoso, ele está na sociedade.
E eu acho que a gente tem uma identificação profunda, não consciente, inconsciente, mas que estrutura a forma de pensar, especialmente da super elite midiática brasileira, que precisa racionalizar isso para a gente não sentir que a gente vive numa sociedade psicótica e antidemocrática essencialmente.
Nos Estados Unidos é muito parecido, que são sociedades que sentem uma certa identificação muito profunda com o projeto sionista israelense, porque ele é de um colonialismo violento e que você precisa tomar o lado do opressor como a vítima para você justificar o tipo de violência que você impõe na população oprimida. E no Brasil é a mesma coisa, a gente faz...
gazas em câmera lenta nos nossos bairros periféricos na maneira como a gente usa a nossa polícia e justifica a nossa polícia isso eu acho que é um ponto super importante e outro que é
A gente tem um jornalismo, e eu não me isento disso, eu não me coloco diferente desse lugar. A gente tem um jornalismo de qualidade muito mediana para baixo, assim, no padrão, na coisa média. Nós temos excelentes repórteres, temos excelentes comentaristas, pessoas que são capazes de produzir ótimo jornalismo, mas a média, aquela coisa do âncora, da redação, da produção, do discurso médio,
mesmo antes da nossa precarização, é de muita baixa qualidade. E aí a gente tem que lembrar que tem essa vassalagem que você colocou bem, Greg, que eu acho que é totalmente real, mas o Brasil tem um país... A nossa imprensa tem muita resistência de fazer um questionamento da mitologia oficial americana. Por exemplo, a gente critica o Trump, como você colocou. A imprensa brasileira não é pró-Trump, na sua maioria, mas ela se recusa a chamar ele de fascista.
Elas sempre pisem ovos. Ah, tem arrobos autoritários. Será que é verdade e se não é? Assim, se qualquer ayatolá tivesse feito aquele tweet que o Donald Trump fez na Páscoa, as pessoas iam justificar a bomba atômica inteira, entendeu? Então acho que tem essa coisa do nosso realismo, que não é o realismo capitalista, mas é o realismo americano que a nossa imprensa reproduz perfeitamente.
Perfeito, é verdade, Bruno. É uma imprensa que é muito curioso, porque ela não é somente americana, ela é novaiorquina, você já percebeu. A quantidade, a quantidade de correspondente que a Globo News tem em Nova Iorque, eu queria muito que alguém justificasse isso. Tem assim, 30... É uma Rata Connection, né? É, eu acho que não tem um em Manaus.
Mas em Nova York é um lugar mais importante de se cobrir do mundo. Porque eles falam normal. A Martha Connection fala normal. Porque ali na 42 abriu um novo restaurante, sabe ali na esquina da quinta? Porque é um jornalismo situado mesmo em Nova York de ver o mundo dessa ótica, desse lugar.
e a cabeça pensa onde os pés pisam, já dizia nosso querido Mujica, que nunca falou essa frase mas que é a cara dele, eu acho que tem algo mesmo de olhar o mundo do prisma de Nova York, mas tem isso também e só voltando, esse argumento que vocês deram também é muito bom o fato de que existe em Israel sim o sonho molhado de uma direita brasileira
Existe em Israel a concretização de um projeto que é bolsonarista, mas é anterior a Bolsonaro. É o projeto do garimpo, como a gente começou. Vocês falaram muito de ocupação de favela, mas o projeto do garimpo na Amazônia, o projeto da colonização, com muitas aspas, da Amazônia, é exatamente isso. O projeto, aliás, muito bem narrado no Arrabalde, do João Moreira Salles, maravilhoso. Essa ideia de que você tem que entrar para cima da fronteira verde, acabar com o inferno verde e expandir, com muitas aspas, a civilização.
frente ao inferno, se parece muito com o Israel, tem feito com muitas ressalvas, é claro. Mas assim, tem algo que é muito caro a uma certa direita brasileira, que vê esse projeto como algo muito bem sucedido, e que é muito interessante para a nossa elite. Não à toa tem uma penetração muito grande já de um certo tipo de segurança que é muito israelense. Os condomínios e várias empresas de segurança, inclusive, são israelenses, não é? Tem tecnologia israelense.
Uma coisa que eu esqueci, que eu anotei aqui, é super importante de falar, uma das maiores empresas de segurança de prédios e condomínios é a Haganah. E a Haganah, o logotipo é a estrela de Davi com verde e amarelo. E Haganah é o nome de uma milícia.
extremamente violenta de Israel antes do Estado existir. Ela existiu de 1920 até 1948, foi parte fundadora do exército de Israel e de onde saiu a Irgun, que era a milícia mais violenta de todas, genocida, exterminadora e tudo mais, e de onde veio o Likud.
E Raganah, acho que o significado é defesa e segurança e proteção. E isso eu acho que como a nossa mídia reproduz o imaginário e ela produz e reproduz o imaginário da classe média remediada brasileira, classe média alta brasileira especialmente, essa paranoia de segurança...
das pessoas que, apesar de sofrerem violência, são as menores vítimas de violência. A nossa classe média está sujeita à violência, eu não nego isso. O Estado de Israel, os cidadãos de Israel estão sujeitos à violência, eu não nego isso. Mas muito mais violência está sendo exercida em nome da nossa classe média e em nome do povo israelense e numa escala inimaginável.
E essa mentalidade das empresas de segurança, dos alarmes, do uso de inteligência artificial, de feiras de segurança, de deputados indo para lá para fazer esses acordos de software de espionagem com a desculpa de segurança, Israel é...
é um dos polos principais. E não é à toa que a nossa extrema direita, como você disse, tem esse imaginário, antes de ter um nome organizador, já tinha essa bandeira organizadora. Eu achei maravilhoso o Greg lembrar o início do programa, a gente falando do Ramagem e de Boa Vista, de Roraima, porque é isso, é a terra Yanomami, é a mesma lógica de invasão, de exploração, de desumanização.
Que orienta tanto da nossa própria identidade nacional. Então acho que isso ajuda realmente a explicar por que a nossa cobertura é tão leniente com esse tipo de coisa, sabe? É muito naturalizado. E tem um detalhe que junta isso no Líbano, tá? Que eu esqueci de falar aqui, que eu vi na semana passada. Você sabe um dos interesses não teocráticos de Israel lá? Gás.
Essa região que eles estão ocupando, lá no Líbano, é um dos lugares que tem gás natural, que é uma coisa que Israel não tem dentro do seu próprio território. Então também tem a questão de extrativismo, mineração e invasão de recursos naturais.
É, queridos, é isso. Agora, a gente falou muito do Líbano, a gente falou que a gente ia falar de Cuba também, mas acho que a gente não vai conseguir falar adequadamente de Cuba. Cuba merece uma hora da nossa atenção, pelo menos, né? Sim, merece. Mas como já prometeu, eu queria que o Bruno falasse muito rapidamente. A gente tem alguma coisa... Porque Cuba está enfrentando uma crise humanitária sem precedentes, e olha que tiveram algumas. Crise essa causada por um embargo criminoso.
um bloqueio criminoso, na verdade, algo que não é aprovado por acho que nenhuma entidade internacional, é algo que realmente aliás, eu vi um mapa muito bom que é assim é um meme só apenas que dizia assim ONU
ONU condemns puppet kicking. ONU condena chute de filhotes de cachorro. Aí tem o mapa todo verde. Verde estava escrito approve e vermelho disapprove. Vermelho era os Estados Unidos, Israel e Argentina. Está assim para qualquer... Pode ser assim. Diga uma coisa que o mundo inteiro concorda que é um absurdo. Não importa. Vai estar lá de uma outra cor. Estados Unidos, Israel e Argentina. Virou uma tria de graças a humilhé de...
aprovação de qualquer crime contra a humanidade. Uma coisa mesmo absurda. Você vê uma escravidão. Vamos lá. É, não. Pode ser que possa. Pode ser que seja legal. Tá bizarro isso. Mas conta, Bruno. Isso daí, claro. Só falando que o bloqueio, que o embargo do Estado de Cuba que sempre foi criminoso. Sempre.
Porque não é só que o Estados Unidos não quer comprar nada de Cuba. Isso aí está dentro das regras do OMC. Estados Unidos sempre proibiu qualquer pessoa que fizesse comércio de Cuba, qualquer barco que tocasse em Cuba, fosse para os Estados Unidos inviabilizando o comércio de Cuba com o mundo inteiro. É algo criminoso mesmo, proporções bizarras. E Cuba estar hoje ainda, o regime ainda existir hoje. A evolução ter perdurado até hoje.
É assim, é de uma resistência, é algo que é surreal. Então as pessoas falam, nossa, mas se Cuba é tão bom, por que as pessoas estão querendo sair, meu amigo, um bloqueio desse no Brasil? As pessoas já estão querendo sair do Brasil sem bloqueio. Imagina um embargo desse. E mais, os Estados Unidos deu a Cuba o direito, não sei se vocês sabem, tem uma lei que qualquer pessoa que sai de Cuba vira cidadão americano, tá? Imediatamente. Pisou nos Estados Unidos, virou cidadão americano. Quem que ia ficar no Brasil, com todo respeito, tá? Se tivesse uma lei dessa? Se o pessoal tá indo lá pra ser preso pelo ICE.
E o Brasil ainda tem que pagar uma passagem, cara, tá? Claro, eu, por acaso, ia ficar? Acho que eu sou muito... Eu ia adorar ficar. Eu ia adorar ficar. Ia ter uma limpa boa. Ia dar uma melhorada. Mas, Bruno, você imagina... Agora me diz. Imagina quem que ia sobrar no interior de Santa Catarina, com todo respeito ao Estado.
Entendeu? Eu tô falando isso, eu tô brincando não. Só uma precisão, não é que você vira cidadão exatamente quando você pisa, mas é um processo realmente muito facilitado em relação a imigrante de qualquer outro lugar. Você já consegue aplicar pra um green card chegando depois de um ano. Então mudou, porque até há pouco tempo era imediato, era lei pés secos. Não, é a lei de 66. É a lei de 66. Você tinha uma cidadania.
você tinha uma cidadania, enfim, mas diga eu tô falando isso só pra dizer que piorou tudo e eu queria que o Bruno me explicasse como é que tá a situação agora na verdade assim, eu não vou falar como tá a situação agora, porque aí vai a nossa hora que a gente tem que fazer o programa, mas eu vou dar uma informação a jornalística que eu acho relevante pra dar nessa semana na quinta-feira passada, a convite do MST
Eu tive uma reunião com o embaixador de Cuba no Brasil, o Vitor Cairo, com ele e com os representantes do consulado de Cuba em São Paulo. Eu e alguns representantes da mídia independente brasileira que foram conversar e escutar mais do que conversar o embaixador cubano. Foi uma conversa que depois eu conto mais, no próximo programa a gente pode falar disso. É uma conversa muito dura.
muito difícil escutar, muito triste escutar e muito impressionante ver ainda a resiliência, a dignidade e o bom humor do embaixador contar disso porque ele conhece disso na pele dele, ele sabe exatamente a que ele é submetido. Mas uma coisa que eu acho relevante da gente falar aqui, que foi a pergunta principal que ele teve que responder lá, é tipo, o que eles esperam do governo brasileiro?
E a gente está numa situação muito estranha. E deixando bem claro aqui, para não implicar ele em nada do que ele não disse, ele foi extremamente elegante, muito alinhado com os valores principais do que o Lula representa na América Latina e tudo mais. Mas ele, sem falar essa palavra, mas eu digo, muito frustrado.
com a hesitação e com a demora da resposta brasileira em relação à Cuba. Uma, por uma demora de mais de dois meses no envio de alimentos. Não estou falando de combustíveis aqui, estou falando de coisas que os Estados Unidos, em tese, não impedem a entrada. É arroz, leite e pó. Arroz, soja e milho. Arroz, soja e milho.
É o envio. E quem tem feito esse trabalho voluntariamente nos últimos dois meses é o MST, sem articulação com o governo federal, que de acordo com o embaixador, demorava com muitas burocracias de envio de documento, não sei o quê, e que parece que agora vai.
que agora já se desenrolou e vai chegar uma primeira ajuda humanitária do nosso governo para a Ilha de Cuba em relação a alimentos. Isso é uma das demandas. A outra demanda, e que essa não está sendo cumprida de nenhuma maneira, e novamente, o embaixador foi muito elegante falando isso, não houve nenhuma reclamação aberta,
Eles esperavam que o Brasil e o Lula sejam uma voz de liderança num esforço internacional de ajuda a Cuba e de uma denúncia oficial de que o que está acontecendo lá é um crime e uma ação de guerra. E aí que é para dar legitimidade diplomática, para que os países da América Central e outros países possam enviar, aí sim, é combustível a Cuba.
que a gente envie combustível, que é o bloqueio que os Estados Unidos estão fazendo de verdade. Que é um bloqueio energético. Eles estão tentando apagar as luzes de Cuba e estão conseguindo fazer isso. Então tem muitas demandas, tem muitas campanhas civis, o MST está pedindo doações, tem um esforço da mídia independente hoje de fazer uma campanha um pouco mais forte. Mas é isso.
Acho que por motivos eleitorais, por motivos políticos e por uma hesitação em criar mais animosidade com o governo Trump, a solidariedade brasileira à Cuba não está indo muito além de falas. Ela não está sendo, nas palavras do embaixador, uma solidariedade efetiva, que é ação que faça diferença nessa emergência que o povo cubano passa nesse momento. E aí, para encerrar...
Usando uma frase que o embaixador mesmo, citando o Steadley, falando disso. Ele falando que Cuba, de acordo com o Steadley, é o povo mais solidário do mundo.
por conta do tipo de intervenção humanitária que ele tem feito ao longo de décadas e décadas com os seus médicos. O papel fundamental que eles tiveram em países africanos, em epidemias, em Egito, ebola, uma série de outras coisas, a Revolução Africana e tal. E que uma das sanções que os Estados Unidos têm feito hoje em dia é que os países não podem receber médicos de Cuba.
Então tem muitos países que tiveram que mandar de volta médicos cubanos para não sofrerem sanções econômicas americanas e que estão com suas populações sem acesso à saúde que Cuba oferecia quase de graça. Então para vocês terem uma ideia, essa é a situação que a gente está vivendo hoje e precisamos nos aprofundar nisso e ser solidário, porque afinal de contas...
É no nosso continente isso aqui. E diz respeito muito ao nosso futuro, ou é político, como possível quintal dos Estados Unidos nessas eleições e em anos vindouros.
Perfeito. Muito obrigado por lembrar de Cuba. Vamos falar mais de Cuba na semana que vem. Porque o nosso tempo está acabando. E seria muito importante a gente falar mais. Recomendações? Sim. Queria falar, para mudar um pouco, de um audiolivro. Um audiolivro que eu gravei para Supersônica. Não sei se vocês conhecem a Supersônica. Super. Supersônica é o máximo. É uma... Audioeditora publicam livros por áudio. Vocês podem ver várias plataformas. Podem assinar a Supersônica. Coisa que eu...
eu incentivo vocês a fazer, porque tá muito legal, as gravações são muito bem feitas e eu fiz do Diário da Tristeza Comum essa obra-prima
do Mahmoud D'Aouz, talvez o maior poeta palestino, um dos maiores, e um grande escritor também. Foi o seu primeiro livro em prosa. E as coisas mais bonitas e tristes, importantes da gente falar, porque a gente, frente ao genocídio, fica só contando mortos e contando corpos. E o Mahmoud, o que ele faz é contar lembranças, lembrar.
de uma cultura pujante que existia e ainda existe e resiste naquele local. Armudo é palestino e conheceu uma palestina pré-48, pré-67 certamente, e ele conta das mudanças da sua terra natal, do fato de ele mesmo ter sido estirpado de lá, de ter visto...
sua cultura toda desabar, mas nunca perdeu a capacidade de enxergar a poesia. Não vou falar o otimismo, porque isso jamais não é o caso desse livro, nem vou falar de alegria, mas vou falar da poesia, que é algo que ele encontra mesmo na tragédia. O livro ficou bem bonito, eu narrei uma parte, outra foi o Milton Hatum e a outra a Yara Ktaish, que é uma atriz síria.
Então, somos três a dividir o livro, que é um livro meio grande, mas bem gostoso. O livro é bem bonito mesmo. Recomendo muito, muito que ouçam. E ainda dá essa força para a Supersônica, que é um projeto espetacular, que eu recomendo. Vai lá, tem vários livros. Pode ir no próprio site da Supersônica também, que eles direcionam para o melhor lugar para você ouvir. É demais. Supersônica. E, gente, deixando muito claro, quando a gente recomenda livro e está recomendando a Supersônica e tal, a gente não cobra.
A gente recomenda coisas que a gente realmente gosta e se envolve. A gente trabalha com uma política muito estrita de não fazer publi de livro. Aliás, não fazer publi de nada. Então é isso. Só porque a gente gosta mesmo. Isso é muito importante de falar. A gente não é influenciador pago. A gente lê e a gente só recomenda a coisa que a gente leu também. Ou está lendo. Ou está lendo ou está gostando.
que é no meu caso, também um livro lançado recentemente pela Martins Fontes, nos Estados Unidos, onde ele foi lançado, já fez um sucesso, foi um livro muito impactante, que é Um Dia Todos Dirão Terem Sido Contra.
que é baseado num tweet que esse jornalista e esse cara fez no começo, aliás, no primeiro ano do genocídio em Yagasa, e que ele fala que no futuro todos falarão que foram contra o que está acontecendo hoje. E aí, a partir desse tweet absurdamente bem sucedido, tivemos mais de 10 milhões de visualizações e meio que virou uma frase memética para falar sobre como a história iria julgar o nosso tempo.
ele escreveu esse livro daqui, sobre um relato muito pessoal e ao mesmo tempo muito duro, muito íntimo em relação ao sofrimento de Gaza. Mas é um pouco de como isso bate não só na vida objetiva das pessoas lá, mas na subjetividade de um homem árabe que mora nos Estados Unidos e tem essa vida...
remediada, que tem as suas filhas que tem a sua vida e tal então o começo do livro Onde Eu Ainda Estou é duríssimo de ler dá gatilho, dá raiva dá ódio, mas é um livro importantíssimo e que bom que foi lançado nesse ano pela Martins Fontes
Acabei de ler esse também, Bruno. Inclusive, a gente está pensando em colocar no clube, né? Então, a gente leu juntos. Eu vou indicar um livro que eu também acho que tem muita conexão com o tema de hoje. É um livro que foi editado originalmente no Brasil pela Verso e agora a Autonomia Literária está fazendo uma reedição. Está em pré-venda. Então, quem quiser ler é bom se adiantar, porque eles vão começar a enviar em junho. Que é um livro do Norman Filkenstein, chamado A Indústria do Holocausto.
que é um livraço. O Norman Fulkenstein, para quem não conhece, é um cientista político americano, nasceu no pós-guerra, é filho de sobreviventes do Holocausto, a mãe dele sobreviveu ao gueto de Varsóvia e a um campo de concentração. E o pai também sobreviveu ao gueto de Varsóvia e à Auschwitz.
eles se conheceram depois da guerra se migraram para os Estados Unidos e todos os outros membros da família dos dois lados foram exterminados no holocausto e e ela e o Norman Fickensack cresce portanto em Nova York depois disso com essa história de vida, com essa história familiar se torna cientista político e em 67 ele ainda era perdão, em 67 não ele começa, ele situa e
o que ele chama do nascimento de uma indústria do Holocausto em 67, que é quando ele fala que a memória do Holocausto é transformada numa construção ideológica nos Estados Unidos. Então, é onde ele situa o...
a gênese desse processo que é a tese principal do livro. Basicamente, o argumento é que antes de 67, o Holocausto tinha muito pouca presença na vida americana, e ele via isso na própria comunidade judaica na qual ele cresceu, que foi toda a infância e adolescência dele até aquele momento. As organizações judaicas evitavam um pouco o tema para facilitar a assimilação, inclusive.
E que só depois da Guerra dos Seis Dias, quando o apoio dos Estados Unidos se torna meio imprescindível para Israel, que o holocausto vira uma peça central da identidade judaica nos Estados Unidos. E aí ele vai contar a história. E ele mistura uma análise de cientista político, mas também um pouco, no fundo, a experiência dele, né? A gente vê muito claramente que está informando a análise histórica dele.
é muito bom e acho que toca justamente nessa questão que a gente aludiu muito de leve na conversa de se pode ou não pode comparar coisas com o holocausto essa ideia do holocausto como um evento histórico sem paralelos que é justamente o que o Fittgenstein vai questionar e vai dizer que é bem o contrário, que existe uma obrigação moral de comparar
porque se não houver esse tipo de comparação, pra que memorializar, né? Enfim, o livro causou furor quando foi lançado, o Fikestai foi manido de Israel, inclusive, não pôde voltar, acho que por 10 anos, uma coisa assim.
E o grande crime, a grande frase que foi destacada na época na imprensa é que ele questionava por que os Estados Unidos na época não tinham o Museu Nacional do Genocídio Indígena e nem da escravidão, mas tinham o Museu do Holocausto. Então era muito um questionamento dos esforços de memorialização e o que eles revelam sobre as políticas em curso. É um livraço, recomendo. Como que você falou isso, né? Desculpa. E é isso.
E pra quem quiser ler em português, como eu falei, a Autonomia Literária vai lançar em breve aqui no Brasil uma reedição. É um livro bem importante, eu já conhecia ele. O Norman Fickes tem figura inevitável em grandes entrevistas a respeito de gás, o que está acontecendo. Ele tem um livro que é só sobre gás e vai sair um novo dele daqui a poucos meses. Mas eu queria lembrar uma coisa que a gente não falou hoje, não foi...
intencionalmente, a gente esqueceu de falar, mas é importante lembrar nesse momento que a Alessandra colocou sobre a indústria do holocausto, que é esse esforço de transformar o holocausto em uma arma de propaganda e não em uma lição super importante que a humanidade deveria aprender, ele está por trás do projeto que a Tabata apresentou. O projeto que iguala...
Críticas a Israel ao antissemitismo, que é um projeto que vem exatamente nessa ideia de que o holocausto é o lastro que você precisa colocar em qualquer projeto para que Israel seja blindado de críticas. E isso é equivalente ao antissemitismo.
não estou falando necessariamente que a Tabata está fazendo isso intencionalmente ou conscientemente mas o fato é que as organizações e o projeto a que ela se refere no projeto dela é exatamente o tipo de esforço de propaganda que manipula a memória do holocausto pra justificar o genocídio de outras populações então fica aqui só o registro de que esse projeto precisa ser repudiado também pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre pre
e só pra deixar claro que o Norman esse cientista político que eu mencionei o Norman Fielkstein, ele é uma figura bem controversa ele tem várias declarações com as quais eu não concordo o livro é muito bom é isso que eu queria deixar pra quem nos assiste, é isso Obrigado, vocês três vocês três, olha eu tô falando da nossa produção também por trás Ah, e semana que vem a gente não vai estar os três juntos, né?
Alessandra e eu estaremos em Barcelona para uma... Fazer uma cobertura especial. Vamos falar diretamente de Barcelona. Eu, infelizmente, não vou estar aqui no Rio de Janeiro. Não, eu vou estar viajando com a peça. Enfim, não consegui ir para Barcelona. Acho que você vai estar em São Paulo. Mas a gente fala semana que vem. A gente revela o que vai ser o evento semana que vem. A gente conta para vocês o que a gente vai fazer lá. Um beijo, pessoal. Tchau, tchau. Tchau, tchau.
O Calmo Urgente é uma produção da Peri Produções e do Estúdio Fluxo. Na apresentação, Alessandra Orofino, Gregório Duvivier e Bruno Torturra. Na produção, Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes. Ilustrações, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Bruna Messina. Gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E...
Consultoria de Comunicação, Luna Costa