Voto Jovem, Ideias Antigas
Direto do teatro Carlos Gomes, uma conversa sobre a dificuldade de entender e falar com o jovem eleitor.
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O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prod e Estúdio Fluxo
Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra
Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo
Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez
Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_
Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha
Na sonoplastia, Felipe Crocco
Na Edição de Cortes, Julia Leite
Nas Redes Sociais, Gabi Biga
Na gestão de comunidade, Marcela Brandes
Identidade visual, Pedro Inoue
Consultoria de Comunicação, Luna Costa
Equipe Calma - No Teatro
Direção, Gustavo Rosa de Moura
Diretor de Fotografia, Pedro Urano
Assistência e Operação de Câmera, Tomás Camargo e Mariana Durán
Técnico de Som, Renan Sodré
Técnico de Iluminação, Pablo Miranda
Agradecimentos especiais ao Teatro Carlos Gomes e sua equipe.
- Voto JovemCampanha de 2022 · Rejeição ao Lula · Mudança de voto para a direita · Desidentificação com a esquerda · Impacto das redes sociais
- Pesquisas EleitoraisMetodologia da Atlas Intel · Comparação com outras pesquisas · Efeito das pesquisas na política
- Politicas PublicasEducação pública · Reforma do ensino médio · Políticas para jovens
- Cultura e SociedadeInfluência da cultura evangélica · Movimento estudantil · Identidade jovem
- Inteligência ArtificialIA e política · Impacto da IA nas eleições · Ética no uso da IA
Uau, caraca E aí, gente, tudo bem? Uau, que máximo Gente, que barato Eu tô muito tensa Primeiro calma no teatro Com o público Que emoção, muito feliz de estar aqui com vocês Obrigado por terem vindo De verdade, eu duvidei quando essa proposta
Que vocês viriam, mas vocês vieram. E aqui no Carlos Gomes, esse teatro histórico, agradecer ao pessoal do Carlos Gomes, que nos recebeu e vai nos receber várias vezes ao longo do ano, nas segundas-feiras. E que alívio estar presencialmente, não só com eles, mas com vocês. Aqui é outra coisa, não é? A gente fica mais nervoso lá em cima, porque a gente vai falar, meu Deus, a gente não tem o que falar, a gente não combinou direito. A Alessandra, ué, mas a gente nunca combina. Mas tem pessoas lá, tem pessoas lá embaixo. Agora é complicado. Não é?
O Gregório falou assim, gente, as pessoas saíram de casa. Elas saíram de casa. Eu falei assim, Gregório. Eu tenho um dever. Você faz teatro todo dia, não tá entendendo. Eu ensaio as coisas que eu falo. Eu escrevo um texto. Ele escreve. Você decora. Tem luz. Tem burino. Por mais que a peça seja ruim, sempre uma luz bonita já...
Para de falsa modéstia. A parte é um fenômeno. Nada, mas assim, exatamente porque faço teatro, eu fico meio agoniado de fazer as coisas com o público, sem muito preparo. E o Calmo Urgente... Tem preparo, você tem razão. Desculpa, já estou desmerecendo. Toda uma equipe, pauta impressa, tudo bonitinho. Aliás, cadê a sua pauta impressa? Eu deixei lá em cima. Inclusive tinha uma coisa...
Tinham coisas anotadas. Se alguém puder trazer, eu tinha anotado. Por incrível que pareça, eu tinha anotado. Mas a gente tava lá no camarim e aí começou bater palma e a gente... Cacete! Já chamaram a gente. A gente não tava aqui. Era exatamente. É um calmo urgente. Eu preciso agora abrir a minha. É a nossa cara. Então, a gente bateu cabeça sobre o que falar. Acho que como é hábito também. Não que seja diferente toda semana. E a gente resolveu falar do jovem.
Como o Charlie Brown Jr. O que eles falam na TV sobre os jovens não é sério. O jovem não é levado a sério na TV. Citei errado o Charlie Brown. Mas é algo desse tipo. Cadê a checagem numa hora dessas? Como um bom velho que eu sou. E eu acho que tem muita sabedoria nas palavras de Charlie Brown Jr. No caso de Chorão.
As palavras de Charlie Brown, juro. Grande Charlie Brown. Grande Charlie Brown. Que Deus o tenha. O filho, né? Cara, que é o fato de que, de fato, fala-se sempre merda, com perdão da palavra, sobre os jovens, por vários motivos. O primeiro deles é que quem fala nunca é jovem, quem tá falando na televisão em geral não são os jovens, então é sempre um olhar externo. Mas os jovens são muito, de modo como, categoria mesmo.
eles são muito reativos à categoria jovem, justamente. É um público que, ao contrário de outros, eles fogem quando você fala deles, diretamente com eles. Então, não tem nada pior para atingir o público jovem do que você falar jovem. Oi, jovem.
Está aí o exército brasileiro tentando, sei lá quantos anos, jovem, aliste-se. E deu no que deu. E deu no que deu. Só tem velho. Só tem velho. E eu acho que o jovem tem esse problema, esse paradoxo mesmo. É uma categoria que foge quando você busca entendê-la.
Não atores gostam, em geral, de coisas que não são feitas para eles, como conteúdo adulto. Ou outras coisas do tipo que não são feitas para jovem. O material feito para jovem, tipo malhação, é assistido por crianças, de modo geral. É muito louco. E velho nostálgico. E velhos nostálgicos, é verdade.
E eu acho que tem algo nessa categoria que é muito fundamental esse ano especificamente, por um motivo. E é meio desesperador, mas acho que vocês já estão acostumados, que o Calma Urgente vai desesperar vocês. Não vai ser diferente aqui no teatro? Normalmente, o público jovem, e por isso eu quero dizer 16 a 24...
tende a ter um voto mais progressista. E isso faz com que, inclusive, a esquerda, o lato senso por esquerda aqui, incluindo o PT, enfim, o campo progressista, de modo geral, ele tenta sempre fazer com que os jovens se inscrevam para votar, levando em conta que não é obrigatório o voto de 16 a 18 anos. Então, teve uma grande campanha, muito bem sucedida, inclusive em 2022, que fez muitos jovens de 16 a 18.
irem votar, se inscreverem para votar, uma campanha liderada pelo campo progressista que tinha interesse em fazer esses jovens votarem. Foi a maior taxa de emissão de título de eleitor para essa demografia entre 16 e 18 anos desde a democratização, da redemocratização. Então, um sucesso mesmo, uma campanha muito bem sucedida.
E o que a gente está vendo esse ano é que as pesquisas, talvez pelo fato das pesquisas terem indicado que o voto jovem, pela primeira vez, está tendendo mais para o direito, para o extrema-direito, no caso, não houve qualquer campanha de incitação aos jovens para votar esse ano pela primeira vez. Um pouco, eu acredito.
muito porque quem faz esse tipo de campanha em geral é o campo progressista e que fez um cálculo de que é melhor que o jovem não vote esse ano. Deixa o jovem jogando videogame. Deixa quieto. Deixa o jovem no Discord. Gente, muito obrigado. Palmas para a Luísa Miguez. Obrigada, Lu. Mas eu acho que talvez que essa seja a sua, Greg. Tem umas coisas aqui. Essa aqui é a minha. Está escrita. Ótimo. Tudo deu certo no fim.
E isso se deu por quê? Por causa de uma pesquisa da Atlas Intel, que é um instituto de pesquisa que teria dado que os jovens estavam votando assim maciçamente em Flávio Bolsonaro ou em Renan Santos. Estava dando 30% de intenção de voto. 25%. 25% de intenção de voto em Renan.
Santos, que é o cara do MBL, do Tour de Blonde, enfim, um sujeito que é... Vocês conhecem, a gente falou já dele, que criou um partido chamado Missão e tal, e que muita gente, acho que imagino, nunca nem ter ouvido falar. Ou seja, um número que, a princípio, parece muito inflado. E, de fato, todas as pesquisas dão 10%.
máximo, geral, para ele. Entre os jovens, entre os 16 a 24. Mas, ainda assim, 10% para o sujeito que a maioria das pessoas aqui não ouviu falar, é muito alto. O que preocupou muito a gente, que é o fato de que... Tem um outro dado que também é bem importante dessa pesquisa, que acho que foi onde bateu mais pânico nas pessoas, que é a rejeição ao Lula, que deu mais de 70%. E aí
Rejeição ao Lula deu mais 70% nessa pesquisa da Atlas Intel. Então, isso fez com que o jovem deixasse de estar em disputa. E é isso que nos preocupou. A ideia de que o eleitorado jovem não está em disputa. A gente perdeu esse eleitorado de repente. Perdeu e falou assim, não votem ou votem, não é mais com a gente, vamos desistir dele, vamos focar nos que estão em disputa.
E isso é muito preocupante, porque, bom, tem mil motivos para isso ser preocupante. O primeiro fato é de que o eleitorado jovem e o eleitor do futuro, para começar a perder ele agora, pode ser, pode talvez até ganhar a eleição de agora, mas não vai ganhar as próximas com certeza, porque esse jovem precisa estar em disputa, ele é o mais estratégico de todas as faixas etárias.
Mas o que fez também a gente se perguntar o que aconteceu, o que está acontecendo com ele? O que está acontecendo com esse jovem de 16 a 24 que pela primeira vez em muitos anos está indo mais para a direita, para a extrema-direita? O que aconteceu com esse eleitorado tradicionalmente progressista? E aqui, antes de passar a bola para eles e tentar responder essa pergunta, dificílima,
Eu queria só fazer um adendo, que depois a gente foi pesquisar, e tem muitos problemas essa pesquisa Atlas, e foi isso que eu anotei aqui. É uma doideira essa Atlas, tá? E pode ser, sim, que ela esteja inflando, propositalmente ou não, os votos desse tal de Renan Sando. O jurídico repetiu para a gente dizer que você tem algumas razões para levantar essa possibilidade, quem sabe, porém, nenhuma prova.
Tá, por isso que eu falei. Só pra deixar bem claro. Jurídico, tag de amarelo. Tag de amarelo, meu jurídico. É precarização do jurídico. Da profissão, do jurídico, que eu não tenho nem informação para isso, eu tenho. Só pra entender, porque eu tô falando, porque eu tenho embasamento nisso aqui. Quem tem ensino fundamental, segundo o Atlas, tava votando 61%, quem só tem ensino fundamental, tava votando 61% no Lula em janeiro. Em fevereiro eu já tava 37%. Tchau, tchau.
Em março, passou a voltar 53. Ou a pessoa que tem ensino fundamental só no Brasil está doida. O que é uma possibilidade. O que é uma possibilidade. Ou a pesquisa tem que, pelo menos, explicar o que aconteceu. O que reduziu pela metade e depois voltou de novo ao parâmetro anterior de um mês para o outro. Provavelmente tem caroço nesse angu, para usar uma expressão que certamente não é jovem.
Tem caroço nesse angu. Mesma coisa que em ganho de zero a dois mil reais, que estava 48% Lula, em fevereiro passou a 32% e em março 45%. Parece realmente alacaralha, com todo o respeito ao pessoal da Atlas. E perceba que a expressão com todo o respeito é algo que o carioca fala em geral quando não tem respeito nenhum, né? Com todo o respeito. Então, com todo o respeito é sempre o pronúncio...
de algo terrível que você vai dizer. Então, com todo o respeito, essa metodologia eu queria entender um pouco melhor porque está flutuando tanto de um mês para o outro o mesmo indicador. Enfim, foi essa mesma pesquisa que está dando essa guinada do jovem à direita. O que, inclusive, é um problema. O quanto a gente se pauta por pesquisas não necessariamente confiáveis. Não estou dizendo que é o caso da Atlas Intel.
o quanto é problemático o fato da pesquisa ser algo que mede a realidade ao mesmo tempo em que a transforma. Porque essa pesquisa está transformando a realidade. Ao ter dado o jovem como um sujeito mais virado para a extrema-direita, isso faz certamente com que a esquerda não o dispute e assim o perca de vez. E é o que está acontecendo agora, nesse exato momento. Esse jovem não vai ser disputado esse ano. E não vai ser muito por pesquisas como essa da Atleta, que deram que ele não está em disputa.
70% de rejeição é altíssimo. Deixa quieto. Foca nos outros grupos. Não perde tempo nem dinheiro tentando ganhar esse cara. É o que está acontecendo agora no Brasil. Mas, mesmo com todos os problemas da...
tal pesquisa que eu vou parar de citar o nome, a gente tem, de fato, algo que é palpável, e acho que isso aí todas as pesquisas sentem, que é, sim, o fato de que o eleitor jovem, sobretudo o homem, tem migrado para a extrema-direita, sobretudo nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos isso é muito...
muito, muito mesmo mensurado de que houve uma explosão do voto no extremo direito, voto trumpista entre meninos e jovens, mas no Brasil também. Essa praga chegou aqui, crescimento gigantesco de redpill, de masculinismo e tal, mas não só o voto bolsonarista ou antilulista muito forte entre os jovens, isso existe de verdade, não tão forte talvez a ponto de não poder ser disputado.
mas certamente muito forte. Então eu queria perguntar para vocês, depois dessa introdução, talvez começar com a Alessandra, ao que você acha que se deve essa guinada em contexto do eleitor jovem à direita, à extrema direita? Eu vou discordar da guinada em contexto. E não só pelos problemas metodológicos da... Começamos bem. É assim que eu gosto. É isso. E não só pelos problemas metodológicos da Atlas Intel.
essa pesquisa de fato, as pesquisas que a Atlas vem divulgando nos últimos meses, elas têm alguns dados que até comparando elas com elas mesmas, ou seja, a gente não está fazendo uma comparação com outros institutos de pesquisa, levantam dúvidas, mas deixando isso de lado por um minuto, o que tem de pesquisa que eu pelo menos considero mais confiável e mais consistente?
Tem algumas. Uma que eu indico que todo mundo busque depois foi uma pesquisa que foi divulgada pela FEES e pela UERJ, mas que foi, na verdade, feita em vários países da América Latina, então uma pesquisa regional sobre juventude e política, e ela foi divulgada em novembro de 25. Então já tem aí alguns meses, mas não é uma pesquisa super antiga, ela é uma pesquisa de um ano atrás, ela é uma pesquisa de alguns meses atrás. E no Brasil ela falou com cerca de 2 mil jovens, 2 mil e 24 jovens de 15 a 35 anos, tá?
É uma metodologia mais acadêmica, porque é uma pesquisa acadêmica mesmo. Ela não vem de instituto privado de pesquisa política. Então, ela está menos interessada em capturar os efeitos da composição e dos posicionamentos ideológicos da juventude nesse pleito, nessa eleição de outubro, e mais interessada em entender o que está acontecendo com a juventude latino-americana e na sua relação com a democracia.
E aí tem algumas coisas interessantes aí. Uma que, na verdade, a identificação ideológica predominante em todos os países latino-americanos pesquisados é de centro. Ela não é nem de direita nem de esquerda, é entre jovens, né? Tudo que eu vou falar agora é entre jovens. Então, no caso do Brasil, é 44% centro.
E isso é um fenômeno bastante comum a outros países latino-americanos, ainda que no Brasil tenha, na verdade, o dado entre todos os outros países, é o menor patamar de centro entre os países latino-americanos. Os demais países têm mais juventude ao centro ainda. O Brasil ainda tem um pouco mais de polarização na juventude também.
mais blocos consolidados à direita e à esquerda. De fato, entre os que estão consolidados, ou seja, os que se identificam com a direita ou com a esquerda, você tem uma maior identificação com a direita.
quando eles são perguntados sobre esse rótulo. Você é de direita ou você é de esquerda? Você tem mais jovens brasileiros, inclusive nessa pesquisa, dizendo, eu sou de direita. Então, isso é um dado. Mas, quando eles começam a falar dos temas específicos, surgem outras pautas e outras respostas que embaralham essa análise. Então, por exemplo, 60% dos jovens brasileiros dizem que querem imposto adicional sobre os mais ricos.
ainda que você tenha mais jovens identificados com a direita do que com a esquerda. 75% defendem a autonomia de povos indígenas. 85% falam que o Brasil não tem proteção ambiental suficiente. Quer dizer, você tem posicionamentos progressistas, ou que seriam considerados progressistas, em várias pautas específicas. O rótulo esquerda parece ser um rótulo que causa mais rejeição.
E isso me diz, pelo menos, que o que está acontecendo é menos uma mudança de fundo no posicionamento político da juventude, no que tange a política pública específica, o que a gente tem que fazer com o país, a visão de futuro para esse país, etc. Existe uma certa desidentificação, né? Eu leio também essa identificação com o centro, no fundo, mais como uma desidentificação.
com a oferta política que existe. Então não quer dizer que esse jovem está votando por um político que se diz de centro. Não há uma identificação com o centrão. É assim, eu não gosto nem dos que dizem que são de esquerda e nem dos que dizem que são de direita. Portanto, eu sou de centro porque é outra opção que tem na pesquisa. Mas eu leio isso muito mais como justamente um eleitorado em disputa, uma demografia em disputa que ainda não se filiou.
esteticamente, espiritualmente, moralmente a um campo político específico. Mas nas pautas específicas eu leio uma simpatia pelas bandeiras do campo progressista. O que me dá muita esperança. E que me diz que, na verdade, abandonar a disputa por esse eleitorado é uma grande besteira. É uma burrice completa. O que talvez a gente tenha que abandonar é o rótulo de esquerda. E é uma outra discussão. Não sei, porque o rótulo está ruim. Está ruim para o rótulo.
Tem que fazer um rebranding. Mas as pautas, não. Agora, tem alguns últimos dados, e aí vou passar a bola para o Bruno, né? Eles perguntam também, eles são muito preocupados nessa pesquisa específica, como eu falei, é menos sobre a eleição e é mais sobre democracia. Então, eles perguntam sobre apoio à democracia. Você ainda tem uma maioria dos jovens brasileiros, especificamente, 66%.
que defendem a democracia como a melhor forma de governo, eu ainda acho baixo. Eu devia falar, achei baixíssimo. É baixo. Outros defendem o quê? O despotismo? É, outras, não sabem o quê. O seu da linha, 76%? Mas 66%. 60, 66.
E, portanto, você tem 34 que acham que a democracia não está entregando o que ela deveria entregar. Então, isso eu acho relevante. Mas o que é mais interessante aí é que, mesmo assim, você tem metade que falam que a democracia deveria funcionar sem partidos.
Então você tem uma desidentificação ainda maior com as estruturas, com a estrutura mais consolidada da democracia representativa, que viabiliza essa democracia representativa. Eles leram Simone Weil? Eu acho que todos participaram do Clube do Livro do ano passado e ficaram com isso na cabeça. A única explicação é aplausível.
Olha que interessante. Pois é. E aí tem um recorte, nessa data de defesa da democracia, a última coisa que eu vou falar de dados, para não ficar muito dado, dado, dado. Mas só para, antes de eu falar desse último dado, esse jovem que a Atlas Intel está chamando de conservador, ou que as pesquisas estão chamando de conservador, ele é um jovem que defende saúde pública, educação estatal, 86% de defesa de saúde e educação universais públicas.
Ele é um jovem que defende impostos sobre os mais ricos. Esse jovem não é de direita, gente. Ele só não entendeu o que é direito e o que é esquerda. Não é de direita. Vamos fazer um chá de revelação? Vamos fazer um chá de revelação. Jovem, você é de esquerda. Acredite.
Sabe o que me parece isso? Aquele sketch do Monty Python, não é um sketch na verdade, no Vida de Brian, que eles têm uma organização que é a união do povo da Judéia, né? Todos se reúnem pra derrubar os romanos, lembra disso? E eles se reúnem pra falar assim, abaixa os romanos! O que os romanos fizerem por nós? Nada!
Aí um levanta e fala assim, tem as estradas, que são boas estradas, são boas. Eu falo, tá bom, fora as estradas. O que os romanos fizeram por a gente? Outro fala, ah, eu gosto de encanamento. Encanamento foi uma coisa maravilhosa. Aí o outro falando assim, tá, então fora estrada do encanamento. Aí ele fala, escola foi bom. Vamos dizer que escola foi legal. Aí o negócio termina com, tá bom, fora escola, encanamento, as estradas, a lei. Ele começa a falar, o que os romanos fizeram? Nada.
Enfim, parece meio isso, né? Eu sou de direita, mas ué, mas e a educação pública? Tá bom, só a educação pública, só a saúde. Ou então, isso me lembra também agora aquele outro que foi meio parecido, aquele sujeito que tá sempre na Globo News, como é que é o nome daquele Ricardo, esqueci o nome agora, um analista desse Manhattan Connection. Ah, do Manhattan Connection, Ricardo Amorim. Amorim, que falou que em Cuba nada funciona, a não ser a saúde, a educação e a segurança.
Nada. O Vesta é ruim demais. Não é horroroso. O supermercado não tem variedade de iogurte. Tem pouco canal de streaming. Não tem streaming, não pega a internet. Mas só para concluir a parte de dados, dados, dados, que eu tenho essa tendência, não ficar sequestrando a pauta com dados, mas um dado que me chamou a atenção nessa pesquisa que a UERJ participou e divulgou no Brasil.
É o recorte racial. Os jovens negros têm uma visão menos positiva da democracia. Então, esse dado de 66, 64% dos jovens negros defendem a democracia, 71% dos brancos. Então, tem também um...
Tem uma coisa interessante aí, né? De que o racismo estrutural elimina até a fé do jovem precarizado, porque ele também é muito mais precarizado do que o jovem branco, na própria democracia. Mas tudo isso para dizer que, quando eu vejo a reação do campo de esquerda, e aí no caso da eleição brasileira mais vinculada ao PT mesmo, a essas pesquisas que falam que o jovem é conservador, eu vejo o campo muito pronto para abrir mão de todas as pautas de esquerda, mas não a sua própria estética.
aos seus próprios palavras de ordem, à sua própria maneira de fazer. Quando, na verdade, o que essas pesquisas me dizem é que a reflexão tem que ser exatamente contrária. As pautas de esquerda gozam de muito apoio popular entre os jovens. O que não está gozando de apoio popular entre os jovens é a estética, é o rótulo, é o nome, o que me indica uma desidentificação muito mais superficial do que profunda. E, no entanto, o tipo de reação é de falar não, então a gente não pode falar de nada disso, porque o...
O povo não quer. É com as pautas. É um abandono das pautas. Das pautas dos povos indígenas, da pauta de proteção ambiental, da pauta dos direitos da mulher, e não da pauta da educação universal, pública, de qualidade, e é isso uma substituição por uma visão meio empresarial. E não...
da estética que está desengajando. Perfeito. Eu acho que a democracia que parece realmente baixo, 66% defendendo, quando você trouxe esse recorte racial, mostra que talvez eles estão se referindo à democracia liberal, burguesa.
seja uma democracia eleitoral, seja algo em relação, uma desconfiança em relação ao sistema atual que nos rege. Com certeza. Muito mais do que a ideia de uma democracia ideal, porque democracia, teoricamente, é aquele significante positivo para todos. É a única coisa que a gente definiu que é positiva.
Todos defendem que são democráticos. A República Democrática é da Coreia. A República Democrática, todos vão dizer que são uma democracia. Então é curioso que tem tanta gente que até a democracia acredita ter sido contaminada por um signo. E é mesmo, né? Quando você pensa em democracia, é tão impalpável que dá para entender a condenação. Mas o que você sente, Bruno, em relação a essa perda do jovem? Você atribui ao que exatamente?
Concordo muito com o que a Alessandra disse. Eu acho que não tem essa perda, essa perda como um fato dado. Eu acho que mesmo a rejeição, que acho que foi um dado que assustou muita gente, me assustou, ela também não necessariamente significa que não vai votar. Por exemplo, porque se fosse pesquisado, porque eu sou jornalista, porque eu sei como vai funcionar, eu ia falar assim, você aprova o governo Lula? Se fosse publicado no Datafone, ele ia falar sim, eu aprovo. Mas honestamente, não, eu não aprovo.
Entendeu? Eu rejeito em grande medida, mas eu vou voltar. E acho que tem um desvio aí de um certo jovem que acho que a gente não consegue identificar e tem uma limitação da própria compreensão adulta de que maneira que esse jovem se identifica com alguma coisa que é completamente diferente de uma vida adulta e economicamente mais engajada na sociedade como ela é e pagando imposto e endividada não sei o que.
E eu tenderia a concordar com o que a Lê falou antes, que tem um problema estético. Eu já falei disso outras vezes, a gente tinha que ter desapego estético e apego ético e tudo mais. Mas tem alguns dados que me dizem um pouco o contrário, que não tem a ver com desapego estético, mas tem a ver com certa consistência, que é muito diferente. Que é, se você for ver o sucesso...
realmente grande de figuras como o Jones Manuel ou de pessoas que são comunistas, que têm apelo muito grande entre essa faixa etária e talvez um pouco mais velho, mais antes dos 30 anos, não tinha desapego estético nele nenhum. Essas pessoas se afirmam como esquerda radical, se afirmam como comunista, recupera as figuras históricas do comunismo que existiu, não sei o quê. Então, com um apelo jovem, muito mais...
do que o PT é capaz de entregar. E eu acho que tem a ver com o problema geracional, que, claro, não tem a experiência que...
os mais velhos já tiveram com a redemocratização e não sei o que é. Mas eu acho que tem a ver com o fato aferível, muito simples, de que a experiência política do jovem está se dando em um ambiente em que o PT representa uma coisa muito diferente do que se ensina como esquerda. Que para a gente, a gente é muito mais apegado a essa estética histórica e por isso que a gente associa, do que a uma experiência real de identificação e de política pública que esse jovem é submetido.
Então acho que tem um problema aí, que não é de branding exatamente, mas tem a ver com a geração da esquerda que está no poder e que, novamente, não larga o osso. É um problema, na minha opinião, realmente grande.
Bruno, mas tá bom, vamos supor que largue o osso. Aí a gente perde mais legal ainda. Não, não, não tô falando... Que Lula não largue esse osso, pelo amor de Deus. Não, não, não tô falando pro Lula falar assim, por favor, põe o Haddad aí, que é jovem. Não tô falando disso. Nem o Haddad é jovem também. Mas eu vou dar um exemplo. Então, exatamente. Mas o Haddad é o jovem do PT. Você vai me desculpar, cara. Qual é o presidenciável que não tem tanto cabelo branco no PT?
Hoje é verdade. Mas isso daí você trouxe uma coisa que é importante. O Lula não só é um octogenário já? Ele tem 80 anos. Como a linha sucessória é também, o Alckmin deve ter 70 e poucos.
o PT tem até um dado que a Luísa trouxe interessante que o PT dos partidos na Câmara é dos mais velhos, talvez o mais velho a idade média do deputado dos parlamentares então o PT dos partidos da Câmara está entre os mais velhos se não o mais velho é curioso que é um partido que de fato não renovou muito os quadros e que antagoniza também você falou uma coisa que é verdade, não só não renovou como antagoniza com os quadros radicais esse é o meu ponto A Câmara está tendo um punto e assim, se enfure, não só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não, só não só não, só não, só não, só não, só não
de não largar o osso. Não estou falando do cargo de ser presidente. Tipo, vou sair Lula e vai Jones Manuel seja presidente da República sozinho. Não é esse o caso. Mas o caso é. O Jones Manuel eu acho um caso importante de se tratar. Porque eu acho muito sintomático, muito negativo que o PT entenda ele muito mais como uma ameaça do que como algo a ser observado e com interesse do que está acontecendo. De que tipo de coisa está sendo dita que está despertando esses milhões de...
e as seguidores, nas universidades e nas escolas. Entendeu? Então, assim, e aí fica, não, esses webcomunistas não sabem o que estão fazendo. Estão fazendo muita coisa.
que a esquerda se cobra de fazer há 20 anos e não fez, que é circular o país, falar com as pessoas reais, fazer essas assembleias, discutir a comunicação. Não é trabalho de base, é um trabalho mais contemporâneo de formação de comunidade. E eu vou discordar só de uma observação, concordo com tudo, mas eu discordo que eles tenham um apego estético. Eu entendo que tem uma estética, às vezes, um pouco retrô. Ela relembra uma estética comunista mais... Eu entendo o que você está falando. Mas ela é muito diferente da estética do próprio Partido dos Trabalhadores hoje.
completamente. Que já não é mais também essa estética retrô. Não, mas é que quando você falou, eu tava associando muito mais que a pessoa não se identifica como esquerda. Então vamos chamar de outra coisa. Não, não é isso que eu tô dizendo. Mas é essa esquerda. Essa esquerda justamente que ela não é nem lá nem cá. Ela não é nem uma... A estética esquerda mainstream, que não é o Jonas Manuel, justamente, ela é uma esquerda meio pós-lulinha, pós-amor, né? Pós-amor é ótimo. Pós-amor. Ela é uma coisa um pouco...
Um pouco de esquerda, mas sobretudo muito conciliatória. Ela é mais do que tudo instamento. Ela é institucional, ela é institucionalista. Ela tenta unir. E aí traz uma coisa mais de esquerda num ambiente mais do comício ou da manifestação de rua, que é chato. Mas não tem. Posso fazer uma impressão que talvez seja que una as duas opiniões em algum lugar? Você falou que o preconceito das pessoas é estético.
E o Bruno trouxe uma coisa que é verdade. Estética, essa nova esquerda da idade, ela é muito esteticamente comunista. É vermelha, é soviética, até assim, em alguns sentidos, em termos de imagem, de evocações e tal, mas não em termos de linguagem. Não em termos de linguagem. E talvez seja falando mais de linguagem do que de estética, e eu sei que são coisas parecidas, mas eu acho que a gente está falando de uma linguagem, de uma esquerda que não tem medo de ir para debate com 20 liberais, que não tem medo de ir para podcast de extrema-direita.
Não, isso é uma questão. Mas tem algo nessa esquerda web que é super consistente em termos de conteúdo. É difícil, o pessoal estuda, fala de política econômica, vídeos longos, que é de formação política mesmo, e que é uma estratégia clássica comunista. De formação e consciência de classe, de léxico, de vocabulário, de agitação, de propaganda. Mas o que eu acho que é onde o PT não pega a lição mesmo...
tanto dos webcomunistas, como eles chamam, que eu acho um termo errado para falar, mas também do Renan Santos e do MDL, onde eu acho que essas são forças que estão pegando o voto jovem que tem a ver com uma identidade que peita o sistema e de alguma forma aponta para um futuro muito diferente do presente e do passado recente deles.
Eles apontam para um país radicalmente diferente e que, de alguma maneira, a sua maneira, tanto a extrema direita quanto a esquerda radical, eles fazem o quê? Eles assustam os mais velhos, que é uma coisa extremamente preciosa para quem é jovem, como eu já fui.
A gente não gosta que o velho fala o que a gente é, o que a gente era, o que deveria escutar, mas é da produção de um certo discurso que represente em algum nível rebeldia e novidade. E a esquerda oficial, o problema estético dela não é ser de esquerda, é que uma, não convence como o que a esquerda de fato é, deveria ser pelo menos, mas a linguagem é propaganda política feita pelo Sidonio com milhões de reais. É um discurso realmente... Muito obrigado.
melhor feito do que estava sendo feito há um ano atrás. Mas não foge dessa linguagem. É muito profissional. Mas isso que eu insisto, tem uma campanha, que não é uma campanha de marketing, mas é uma campanha passional e que essa esquerda não tem mais esse vocabulário.
E tem algo que o bolsonarismo e o trumpismo fazem muito bem, que é absorver os radicais. Inclusive os nazistas, no caso do Trump. O Trump nunca se desvencilhou, por exemplo, dos proud boys, que são neonazistas americanos. E perguntado em debate, qual é a sua relação com eles? São uns rapazes bons. Ele nunca marcou uma diferença em relação aos nazistas que estão na sua base, e são muitos.
E Bolsonaro, a mesma coisa. Nunca se distanciou da sua base mais radical em termos de discurso. E o Flávio vai ser igual. Ele vai fazer um caminho para o centro sem abandonar ou criticar ou se distanciar dessa base radical. Enquanto a esquerda tem um medo tão grande de ser taxado de radical que a primeira coisa que faz é se distanciar, se alinhar e criticar. Se você for perguntar para pessoas do PT, o problema do governo, o governo da avaliação do PT está ruim?
Por causa dos radicais. Porque tem gente criticando por causa do fogo amigo. Porque é o Jones Manoel, é porque a Erika Hilton... Só culpa a Erika Hilton, não é nem o Jones Manoel, é a Erika Hilton. Exatamente, que é a Erika, que não é nem do PT, não sei o que. Ou seja, o problema são os radicais, entre aspas. Porque não sei se a Erika Hilton é um radical, ou se a Erika Hilton está pedindo 6x1, enfim, coisas básicas, direitos trabalhistas básicos.
Mas sim, é quem causa desconforto de alguma forma. Quem causa desconforto. Ao invés de absorver. Ao invés de trazer para junto e ganhar um eleitorado jovem. E não digo nem só absorver, porque eu entendo que seria muito difícil, e ele é o primeiro que ia falar, não, o Jones ser incorporado na base da esquerda. Mas o que eu acho interessante, ele não ser repelido como um corpo estranho.
do campo. É que mesmo o Jones criticando o PT radicalmente, como ele critica, chamando a Dade de não é liberal, seja que você concorde com isso ou não concorda, você faz uma coisa. Você cria para uma massa de pessoas que falam, ah, isso é um comunista. É o começo de conversa. Então você fica mais difícil de chamar o Lula de comunista, como um pânico vermelho, porque tem um referencial real de comunismo, falando que o Lula é centrista.
de direita, você pode não concordar com isso. Mas tem alguém fazendo esse argumento. O que seria, teria dois efeitos muito positivos para a esquerda como um todo. Uma é um radical chamando o Lula de moderado, demais, pega o cara que o Lula sonha ter.
que é o moderado real. Tipo assim, tem um comunista falando esse cara é muito moderado, é muito equilibrado, ele não bate nos empresários. Então talvez o Lula não seja o cara que eu acho que ele é. E outra, aumento capital jovem de ideias socialistas.
que no bojo faz com que uma janela puxe o centro mais à esquerda mesmo. Porque tem uma pessoa no debate falando que tem que expropriar a riqueza de burguês no Brasil. Se isso não está sendo dito, a gente está fodido. E faz muito bem você ter uma esquerda radical. Inclusive para agregar votos no segundo turno.
Um dos problemas que a gente tem hoje, maiores, o que me apavora num segundo turno é que o Lula não tem um voto para ganhar. Não tem. Porque os outros candidatos são alternativas ao Flávio. O Flávio tem muitos votos para ganhar. De Caiado, a todo mundo que tiver, vão ser direita. Não há 1% que tinha.
Em 1922. Seja no Simone Tebet, que aderiu a Lula, você tinha uma bagunça ali? Ou até no Ciro, que embora tenha feito todo o possível, ainda deve ter tido um eleitor ou outro. Não passa isso, gente. Não passa.
faz o que? bom, aliás, falta ninguém tá dando razão pra gente é, a gente quer ter razão todo dia antecipou que o Ciro era bolsonarista antes a gente fez o chá de revelação pra ele e a revolta dele inclusive tem a ver com isso o pessoal culpa o Greg pela guinada à extrema direita do Ciro
Vocês estão culpando o mensageiro. O pessoal está falando. Vocês estão culpando o mensageiro. Porque eu apenas revelei a ele que ele era de direita, sempre foi. E ele sabia disso, ele tentou esconder para ganhar o voto lunista. Mas ele é do Arena, nasceu no Arena. Mas é uma outra história. O que eu acho que tinha em 18...
Menos, mas em 22, sobre os 18 também tinha o Boulos. Sem ter um voto para ir para as crianças no segundo turno. E hoje não há. E nesse sentido seria muito bom ter uma opção. Sem dúvida. Não digo nem uma opção, mas o discurso ser incorporado de uma outra maneira. De uma outra maneira. Que não requeira subjugação ou submissão. Porque eu discordo quando vocês dizem que não tem uma tentativa de incorporação. Tanto que agora houve uma tentativa real.
de levar o grupo político do Boulos dentro do PSOL para o PT, para que ele se filiasse antes do fechamento das datas de mudança de partido. Isso incluiria a Erika Hilton. Ela não foi bem sucedida, até por uma reação de dentro do próprio PSOL.
que foi contra a... Não era levar para o PT, mas foi contra a criação de uma federação tão longe, tão perto do pleito, que teria milhões de repercussões sobre outras correntes políticas dentro do PSOL. Sem entrar muito no detalhe dessa treta, que é uma treta de PSOL, e treta de PSOL são sempre complicadas. Mas isso me diz que existe uma vontade de incorporar. Mas tem uma tentativa sempre de incorporar, que é...
requerendo uma certa submissão ideológica. Não é incorporar, abrindo a possibilidade de que aquele discurso radical siga sendo radical e seja entendido como amigo e não como fogo amigo.
É isso que eu não vejo ainda. Então, não sei. Eu entendo. Eu entendo e acho que tem muito a ver com o fato de que, de fato, tem muita gente. O PT a gente esquece, mas ele é um balaio de gatos. E tem muita gente de direita no PT. De direita mesmo. Existe cada vez mais... Existe a direita do PT. E muito forte no governo atual. Pessoas que são de direita. De direita é que são bolsonaristas.
Diria até ótimo. A gente tá querendo fazer muito chá de revelação por aí. Existe uma ala bolsonarista do PD, isso é verdade, não é? Existe? É? Não existe? O jurídico disse que tem a chance. Assim, é bolsonarista sem gostar do Bolsonaro. É tipo, coa, coa, vem cá pra eu te falar uma coisa. Deixa eu te explicar um negócio. Não, uma pessoa que é amiga, irmã do Pazuello, e o defende. Ela não é bolsonarista de, assim, lato senso? No meu universo ela é. Pode falar do Badoeno, Chiquinho Brasão.
Chiquinho Brasão, que defende Chiquinho Brasão. A essa altura do campeonato. E Chiquinho Brasão e Pazuello. Assim, se isso não é ser bolsonarista, sei lá o que é, entendeu? Rodovia no meio da Amazônia. Eu acho que o próprio Miguel Lago tem uma tese interessante, que é o nosso quarto integrante do carro. É o integrante oculto.
O Miguel Lago tem uma tese interessante, desculpa citá-lo assim, parafraseá-lo, mas que o PT está virando cada vez mais um peronismo que tem de direita à esquerda, o que une as pessoas lá é uma certa devoção ao Lula, como tinha ao Perón. Mas não é necessariamente uma filiação ideológica, é uma filiação ao Lula. Então existe assim um petismo, um lulismo.
de direita. É, o Miguel acha que depois da morte do Lula é muito possível que o petismo ele tenha essa trajetória que o peronismo teve na Argentina, né? De ele se consolidar, de fato, um peronismo de esquerda, um petismo de esquerda e um petismo de direita, inclusive com a criação até de talvez outras estruturas partidárias, de candidatos que se opõem, que foi o que aconteceu com o peronismo. É possível. Mas acho que o Perón era uma figura mais complicada do que o Lula. Sim, claro, ele era mais fascista mesmo.
Essa parte não ajuda muito a causa. Mas eu queria trazer uma outra informação que eu acho que é relevante também para a conversa sobre a juventude e a migração ideológica. A gente foi olhar outras pesquisas, né? Como a gente não gostou da pesquisa da Atlas. Mas nós queremos uma melhor.
Aí a gente foi procurar outras que a gente achasse mais, assim, animadinhas. Aí a gente... Tem um monte, mas tem uma que não é sobre... A metodologia não é pesquisa, não é polling, né? Você não está perguntando para as pessoas nada, você está analisando postagem. E eles só analisaram postagem de jovens entre 16 e 30 anos, ao longo do tempo. E aí eles vão vendo-se as postagens para uma análise ali de...
dos termos usados, se essas postagens são de esquerda ou se elas são de direita. Então, é muito mais um comportamento observado, e através de um viés gigante, que é a performance em rede social, do que um comportamento perguntado. Mas o que é interessante, não se apeguem muito aos números específicos, mas a variação deles. Entre 16 e 18 anos, 44% das postagens são de esquerda e 11% de direita.
Aí, de 19 a 24, cresceu um pouquinho, já vai para 33 de esquerda e 21 de direita. E de 25 a 30, 18 de esquerda e 17 de direita. Então, basicamente, você vê que o jovem, quando ele começa a se politizar, ele está lá falando mais à esquerda e ele vai ficando mais direitoso. E isso acompanha muito bem, segundo... Eles fizeram um pouco de quali também para tentar entender isso melhor. O que os pesquisadores dizem é que, entre os 16 a 30 anos, a identificação com a esquerda vai caindo.
acompanhando uma trajetória que vai do ensino médio ao mercado de trabalho precarizado. Então, a avaliação que eles fazem é, no momento em que esse jovem se confronta com o mercado de trabalho precarizado, ele começa a se identificar mais à direita. Não à toa, inclusive, quando você faz o recorto de raça e de classe, essa migração para a direita entre a classe mais popular, ela começa mais cedo, porque ela está se confrontando com o mercado de trabalho precarizado mais cedo também. Então, a gente também pensa muito nesse jovem e, assim, a área,
fora da sua inserção primeira no mercado de trabalho, que mudou muito essa inserção inicial. Aliás, um recorte que eu queria muito que as pesquisas fizessem, eu nunca vi isso perguntado, é sobre o regime de trabalho.
e a intenção de voto. Porque eu tenho a impressão de que existe um grande gap, com perdão do anglicismo, de intenção de voto entre CLTs e PJs. Certamente. Entre MEIs e CLTs. Empiricamente, eu percebo muito isso. Entre o trabalhador uberizado, tende mais a... É só ver isso, por exemplo, Uber e táxi. Não é que o táxi exatamente é de esquerda, mas é muito mais fácil ele ser brisolista no Rio.
Isso é uma realidade, o taxista brisolista até hoje, e é comum o cara ser antissistêmico, mais tendendo para a esquerda, e o Uber muito mais raramente. Embora eu tenha também o Uber de esquerda, mas eu tenho a impressão de que, e não significa que o taxista seja CLT, mas ele é mais organizado politicamente, enquanto o Uber tem que responder a esse sistema, esse grande outro que não existe, que é o seu patrão imaginário, que é a tarifa dinâmica, enfim, aquilo que...
que o Mark Fischer fala tão bem no... A gente está estudando no Clube do Calma o realismo capitalista. E é muito louco como o Mark Fischer antecipou vários conceitos que não existiam em 2009. Não existia a uberização, não existia a timeline infinita, não existia um monte de coisas que a gente está vendo e estão adivinhadas ali em 2009 ou preconizadas. E uma delas é essa figura do grande outro que governa e essa despersonalização do capitalismo.
No século do capitalismo tardio, ou do pós-moderno, ou do realismo capitalista, chama-me como quiser, pós-fordista, em que não há mais a figura do patrão, como uma figura com um nome e sobrenome que você odeia e que você consegue lidar com ele, protestar contra ele, fazer a greve contra ele, porque o patrão foi pulverizado e não há nome, não há pessoa. Então, não há quem protestar. Acabou o lugar, acabou o patrão, acabou o rosto do capitalismo. Está tudo meio pulverizado. É uma burocracia sem forma, né? Exatamente. E hipervigilante.
Uma coisa amorfa. E eu acho que isso também faz com que essa figura vá para a direita quando entra no mercado de trabalho. A ideia é de que essa é a realidade. A realidade é de direita. Aliás, uma frase terrível que vocês já devem ter ouvido, que os tiozões de direita sempre falavam, não sei se você lembra dessa frase, que é assim, eu era de esquerda, claro, jovem e tal, e eles falavam assim, tudo bem, quando você é de esquerda, quando você é jovem de esquerda...
Não, um jovem de direita não tem coração, mas um velho de esquerda não tem cérebro. Ai, socorro. E qual é a moral dessa frase idiota? É o fato de que a experiência te faz ser de direita, a sabedoria te torna... É o realismo capitalista mesmo. E não é uma tortura. É a definição do realismo capitalista. É de que a realidade impõe o pensamento. É a realidade de direita. É, porque é a preservação do status quo.
E essa é a questão que eu acho que pega o jovem, e que a gente não analisa isso, porque a gente é um sujeito político de uma outra ordem, inserido no mercado de trabalho, em mídia, de uma outra maneira.
Mas você falou do grande outro. E é muito louco como nessas pesquisas a gente tem tratado o estudante como uma entidade, também o estudante, o jovem, como uma entidade mais etérea. E uma coisa que eu fiquei muito perturbado com essas pesquisas, e mais do que as pesquisas, com a análise midiática que está sendo feita, que é, é Red Pill, é o YouTube, é a precarização, é a comunicação que não está boa, mas eu me lembro que, na minha época, quando eu era jovem,
Gente, Bruno, é a segunda vez... Ser jovem na política era ser estudante, não era ser jovem. Então você só analisava o sujeito político jovem a partir da sua condição de aluno de uma escola média ou de ensino superior. Ele era universitário ou ele era estudante do colégio? Secundarista.
E toda a leitura do jovem e da política pública dirigida a ele e da análise que era feita era que tipo de ensino ele é submetido, qual é a experiência que ele está, qual o nível de notas, qual é a política pública de educação para esse cara e como é que a escola se organiza.
E a politização jovem, tanto da auto-identificação que se dá na vida, ela não se dá muito em relação aos pais ou ao que você lê. Ela se dá entre os seus pares. Ela se dá dentro de um ambiente, sobretudo, escolar.
E o movimento estudantil era o grande organizador, não só da politização jovem, mas das disputas políticas jovens. E o que é interessante é que a nossa análise hoje distante, a gente está tratando o jovem como audiência, como um sujeito midiático, e não como um sujeito escolar e universitário. Essas análises não falam sobre isso. A gente não está fazendo recorte muito para o disto. E nas análises de comunicação é...
Vamos pro TikTok, não vamos. O que a Renan Santos tá fazendo, não sei o quê. E não entende que essa identificação que se dá na escola, ela tem a ver, ela é muito relacional, mas é uma identificação que você tem com outros afetos, com outras coisas. E é muito estranho que a gente não observa esse jovem hoje mais como um aluno.
mas como esse outro grande outro midiático, como uma esfera impenetrável midiaticamente, porque a gente não está no TikTok, porque a gente não entende o que ele fala, porque a gíria é a geração Z, e fica com essa vontade clássica do velho tentando falar gíria para ver se comunica com esse jovem. E a escola, de algum jeito, perdeu esse lugar de alguns anos para cá, talvez da pandemia para cá, isso se radicalizou, acho que até pela...
pelo ensino remoto que se aprofundou. Mas se você for recuperar uma tradição de esquerda, a gente não se comunicava com o jovem como um ser midiático. Tem razão, era o estudante. Ou um cara saindo da escola com algumas coisas. E eu acho que nesse sentido, se você for olhar tanto a extrema-direita do MBL...
quanto a esquerda radical que está se comunicando bem, eles também nascem em um novo ambiente escolar, em um novo ambiente universitário. É a partir disso que eles se formaram. E a gente não está sabendo desse universo hoje em dia. Tem razão. Eu vi meu... Outro dia eu fui pegar umas fotos antigas, porque fez 10 anos. Enfim, alguma coisa eu voltei lá para 2016. Talvez fosse aquela trend de 2016. E ao chegar em 2016, nas fotos do meu celular...
Você não quer falar por quê, Greg? Você foi olhar as fotos? Era porque eu estou fazendo 40 anos, é isso. Semana que vem, né, Greg? E aí ele foi olhar as fotos de quando ele estava fazendo 30. Esse é meu último calmo urgente na faixa dos 30. Vamos fazer 40 agora, sábado. Aí você vira cringe mesmo depois dos 40. Pois é, 40 realmente é... Desculpa se eu te forsei a sair do armário. Obrigado, Alê. Eu deixei de ser uma promessa.
Passou a ser uma execução. Pra ser uma decepção. Não. Ou o establishment, Greg. Que é o que você é hoje. Cara, eu sei que eu fui lá ver o que estava rolando em 2016. Mas eu estava muito bom. O convite da minha festa de aniversário era não vai ter golpe, vai ter festa.
a gente desenterrou vários dias e como deu isso Greg? e como acabou? não acabou bem e 2016 foi o primeiro episódio do Greg News, foi literalmente o Greg tava fazendo 30 anos e a gente tava criando o Greg News e a Alessandra me falando, a gente precisa fazer alguma coisa porque tá tendo um crescimento, foi a ideia da Lê que veio atrás de mim pra gente fazer um programa lembra dela falar pra mim o humor é o novo rock
leva as pessoas, é o que vai politizar a juventude, é verdade. E aí, a gente se... Mas voltando ao 2016, o que mais me deixou chocado, além dessa ingenuidade, não vai ter golpe, vai ter festa, não vai ter... Fica, vai ter bolos. Como tem fotos minhas em manifestação.
Eu passei o ano inteiro na rua, em 2016. O ano inteiro. Era Ocupa Minc, pra caramba, aqui do lado no Capanema. Era a rua mesmo, literal, Presidente Vargas. Era estudante secundarista. Foi a muitas escolas. Exatamente. E eu vi que...
Caramba, cadê? Onde é que estão? A gente não ouviu mais falar dos secundas. A gente não ouviu mais falar de manifestação de modo geral dos estudantios nas escolas, mas era contra a reforma do ensino médio. Que aconteceu. Que passou. Exatamente. Não na hora, porque eles venceram os secundaristas. É bom lembrar que lá em 2016 eles ganharam, foi revogado. O Alckmin.
Ia fechar, o Alckmin ia fechar 90 escolas. Não conseguiu fechar, graças aos secundaristas. Ou seja, eles ganharam em primeira instância. Depois, Temer, Kautal, Mendoncinha, reforma do ensino médio. Que foi uma das coisas mais trágicas que aconteceram. Aliás, me espanta, o governo Lula, para mim, tinha que ter revogado isso. Porque foi feita por um governo, isso, ilegítimo, passageiro. Mandar tampão ali do Temer, fez uma reforma.
gigantesca e criminosa no ensino médico. Basicamente precariza a profissão do professor, basicamente acaba com aulas de humanos, acaba com a sociologia, dá um monte de itinerário formativo, uma coisa que ninguém sabe direito que funciona. Agora tem aula de brigadeiro e de empreendedorismo. É uma coisa assim, é um negócio criminoso que é a cara do governo Temer e que segue aí. Segue aí, você pergunta aos professores...
Não tem um professor que eu conheço que tem apoiado isso e que falha, ah, é legal, porque agora nenhum dos professores acha isso um absurdo. E passou, só passou para um governo não eleito, um governo tampão, aquele governo interino cagado do Temer. Mas, enfim, os secundaristas estavam contra isso. E era lindo, eu fui a várias escolas, fui a Fernão Dias lá, e eles eram a coisa mais linda, toda organizada, eles tinham tabela. Eu achei que fosse entrar lá e fosse estar uma bagunça. Normal, um bando de alunos estavam lá morando na escola há um mês. Era para estar uma confusão.
Caraca, estava limpinha, porque tinha uma organização que eles fizeram de quem varria, que dia e tal. A escola estava um brinco. E tinham demandas específicas que eram inacreditáveis. As demandas eram maravilhosas. Era tipo a gente que ia ter aula de biologia no parque. Exatamente. Eu lembro exatamente dessa frase. Eles tinham lido o Paulo Freire e eles estavam querendo uma reforma do ensino. Eles queriam uma reforma de verdade. Não essa. Que envolvesse aulas em loco. É isso que não volta.
Exatamente, uma escolha maior do aluno no currículo, envolvia justamente um tempo de aula maior do lado de fora. Eram demandas maravilhosas e muito mais, inclusive, interessantes do que a tal da reforma do ensino médio de aula de brigadeiro. Na verdade, serve para precarizar o aluno, para ele justamente não passar no vestibular, não entrar na faculdade e virar mais uma mão de obra de barata na mão do...
do capitalismo. E teve um monte de avaliação, porque o novo ensino médio foi muito bom a gente trazer a primavera das secundas, que foi esse momento de explosão de manifestações jovens, realmente muito jovens no Brasil, há dez anos atrás. Porque foi isso, começou em 2015, aí explodiu mesmo em 2016, que já era em reação ao novo ensino médio do Temer.
que na época não passou, ele estava tentando passar por MP, o Temer, olha a cara de pau. E aí não conseguiu, e em 2017 eles conseguiram aprovar uma lei mesmo. Então, em 2017 entra o novo ensino médio.
E aí, como já faz quase 10 anos, a gente já consegue parar de discutir o novo ensino médio, da implementação faz um pouco menos, ele começou a ser implementado um pouquinho depois. Mas agora a gente já tem alguns anos de implementação. Então, a gente consegue parar de avaliar só na teoria, e a gente consegue avaliar na prática. O que a gente viu na prática é que os tais dos itinerários formativos, que era essa ideia de que o adolescente poderia escolher o seu itinerário de formação, então você diminui as matérias base.
sobretudo diminuindo as humanas. Humanas, exatamente. E você depois dá uma flexibilidade para ele escolher itinerários. E aí já tem algumas pesquisas aferindo como se deu na prática. Em resumo, muito resumo, é que escolas pobres só oferecem o mínimo de itinerários formativos mandados pela lei, que são dois, se não me engano, mas é uma coisa muito diminuta. E escolas mais ricas, inclusive as escolas particulares, sobretudo as escolas particulares, passaram a ter, de fato...
uma oferta muito maior de itinerários formativos e não fizeram, não aplicaram essa erosão do currículo base da mesma maneira, justamente porque não queriam que isso impactasse o vestibular e o Enem. Então, você aprofundou algumas desigualdades dentro do ensino médio brasileiro, o que é um problema seríssimo e leva justamente a essa precarização depois da mão de obra que você está citando, Greg.
Mas você falou que o governo Lula não revogou. O governo Lula, em 2023, logo que o governo Lula toma posse, ele faz uma espécie de reforma da reforma. Não sei se vocês lembram disso. Teve um pouquinho de protesto? Teve secundarista na rua? Porque era muito tímido. Era um negócio assim, muito um remendo do remendo.
E teve um ensaio de protesto estudantil contra o governo. Era bem o início do novo governo, então isso foi muito criticado pelo próprio PT, um pouco como esses estudantes vão fragilizar o governo logo no início desse mandato, e teve uma tentativa de golpe.
E como assim o governo não pode ser fragilizado? Isso acabou dando uma abafada nesses protestos. E, na época, a avaliação que o Planalto foi fazendo já era meio de... Parecida com o que a gente está vendo hoje em resposta às pesquisas eleitorais. Meio de... A gente perdeu essa geração. Eles não são mais base histórica do PT. Eles não estão mais interessados na gente. Eles não têm compromisso com o partido. Então, não precisa se preocupar muito mais com eles. Nem, inclusive, em agradá-los. Você sentiu essa análise naquela época? Essa foi a análise da época totalmente.
E na época, aí tem a disputa de pesquisas, é isso, né? Qualquer história pode ser contada com pesquisas, então ouçam sempre com muita desconfiança. Mas teve uma organização chamada Rede Emancipa, que fez uma pesquisa de aprovação do novo ensino médio em 23, e que mostrou 90% de rejeição dos estudantes, tá? De quem estava no ensino médio, falando que tinha que revogar, revogar. Então teve uma pressão das organizações estudantis pela revogação, revogação completa.
E aí, em 1924, um ano depois, o Lula sanciona a reforma da reforma, veta algumas mudanças no Enem e introduz o pé de meia para tentar conter a evasão escolar. Que foi um golaço, em algum sentido.
Eu acho uma política pública positiva, certamente, sem nenhuma dúvida. Eu não acho um golaço no sentido de que eu não acho que vá... Eu não acho que sozinho configure um golaço. Entendi. O pé de meia é melhor tê-lo do que não tê-lo. É um pouco a discussão que a gente estava tendo sobre o ECA Digital, mas eu continuo achando que o ECA Digital é mais revolucionário do que o pé de meia.
Mas, basicamente, para quem não conhece, quem não é estudante, nem pai ou mãe de estudante secundarista, o Pé de Meia começa com um projeto da Tabata Amaral. Ele tinha uma visão de fazer... Mas é verdade. E eu vou criticá-lo agora. Então, enfim, eu sou sempre a defensora de Tabata. Mas agora vou criticar o Pé de Meia. A semana errada para fazer isso.
Um breve parênteses. Tabata está propondo um PL criminoso de equiparar antissemitismo ao antisionismo. Uma coisa absurda da Tabata. Uma vergonha. Não sei o que é pior. Tomara que ela não tenha lido. Mas tem uma vergonha de propor um negócio que não leu. É um negócio realmente criminoso que bota o Brasil num Estado realmente antidemocrático. É uma coisa absurda. Absurda, absurda, absurda. Que vergonha, Tabata. Na boa, que vergonha. Pode continuar.
Ainda dá para voltar atrás. Mas voltando para o pé de meia. Tem esse projeto inicial. O desenho do projeto inicialmente é que tem uma espécie de poupança para que o jovem, ao sair do ensino médio, caso ele conclua o ensino médio, ele possa resgatar essa poupança como um pé de meia. Uma coisa que vai dar uma ajudinha no início da vida profissional.
Depois, isso vai sendo modificado e a política passa a atender um pouco dois objetivos que são diferentes. Um segue sendo dar essa ajuda para o início da vida profissional ou da vida universitária. Então, você tem ainda ali um dinheiro que você tira, que é entre mil e dois mil reais. Não é uma coisa enorme, mas que você tira quando você se forma. E tem, onde o grosso do dinheiro vem, na verdade, uma política de contenção da evasão escolar. Então, é pagar o jovem mês a mês por cada mês que ele não sai do ensino médio.
E aí são 200 reais por mês. Para mim, assim, tem algumas coisas. De novo, é melhor ter do que não ter, sem dúvida. Mas se o objetivo é evitar que o jovem saia do ensino médio para ir para o mercado de trabalho, não são 200 reais que vão resolver esse problema. Porque é isso, porque você está disputando com o mercado de trabalho precarizado, mas que ainda assim oferece possibilidades de geração de renda que são maiores do que 200 reais. Então, não é suficiente para resolver o problema, mas também, então isso é uma questão.
O ensino médio e a reforma passa, então a gente abandona uma visão um pouco mais sonhadora e promissora, interessante, de reforma positiva do ensino médio, de ampliação das oportunidades que existem para esse jovem, e também de regulação do mercado de trabalho no qual ele vai se inserir. Então você joga esse jovem que você conteve ali na escola, talvez com a ajuda dos 200 reais.
Você bota um pouco de dinheiro no final, mas ele depois vai virar Uber. E você, enquanto isso, está lá tirando a insegurança jurídica da Uber e basicamente tipificando essa relação como uma relação de trabalho aceitável. Então, você joga ele numa relação precarizada agora, sancionada pelo Estado. E, ainda por cima, além de ser insuficiente, ser um pouco ultra pragmático. Isso é o realismo capitalista, essa ideia de que isso é o que dá para fazer.
ao invés de pensar numa política para a escola, que seja colocar a educação no centro. Então, acho muito pouco diante do problema. Ainda tem uma forma de fazer que é muito pouco propícia para um entendimento dessa política pública como uma coisa que é, de fato, o Estado de provendo algo.
Porque ela é posicionada como uma coisa que você conquista ficando na escola. Então ela não é entendida como... É muito diferente da escola ser uma escola pública de qualidade excelente, com um monte de opções, com professores bem pagos, com as coisas que funcionam. Não. É, se você fica na escola, eu te dou 200 reais e aí é você que, no fundo, ganhou aqueles 200 reais. Entende? Então é mais uma dessas políticas públicas que são...
implementadas pela esquerda, independentemente do que os diferentes espectadores acham da Tabata, certamente vem do campo mais protestista, é sancionada pelo governo Lula, implementada no governo Lula, e, no entanto, ela não vai se traduzir em identificação com a esquerda, porque ela vai ser entendida como...
Fui eu que trabalhei. Que é o paradoxo da esquerda, né? Aquela coisa, quando você, por exemplo, dá ganho salarial, isso muito raramente... Inflação é sempre culpa do governo. Se o preço das coisas aumenta, é culpa do governo. Mas se o seu salário aumenta, é porque você trabalhou mais, é porque você se esforçou. Não é porque o governo lutou por um ajuste do salário mínimo, entendeu? Nunca é. Então tem um tanto que essa lógica do salário...
ela é muito pouco politizante também. Existem outras maneiras de você fazer distribuição de renda que eu acho mais interessantes politicamente. Como o quê, por exemplo? Como você, primeiro, fazer uma coisa, se a ideia é conter evasão escolar, isso tem que ser visto realmente como uma coisa que é renda, de fato, que pode manter esse jovem na escola e se substituir a um trabalho precoce, que não é o caso dos 200 reais, que fica mais com essa cara de uma coisinha que eu ganhei porque eu estava aqui, um prêmio por eu estar na escola.
E segundo, é serviço público universal. É menos a política hiperfocalizada, que tem esse detalhe também, é só para o jovem cuja família está inscrita no Cade Único. Então, essa obsessão com focalização, a política, ela vai ser, ela é um empréstimo para o jovem poder ir para a universidade, depois ele tem que pagar de volta. Nunca é assim, universidade pública, universal, para todo mundo, boa para caramba, é isso que é. Não, inclusive, é, exatamente.
E isso é Estado. O ProUni estava muito mais perto desse tipo de política que você está propondo. Se você lembrar, nos primeiros dois é governos Lula, o Haddad, ministro da Educação, tanto o voto jovem e estudante foi muito mais... Quero água. Quero água. Obrigada.
O voto jovem foi muito mais sólido na reeleição do Lula, Dilma 1 e Dilma 2, depois Lula. Mas mais importante do que isso, não era tratar o aluno simplesmente como um indivíduo precarizado como aluno, que é essa micro bolsa que o pé de meia representa. Eu não sei dizer hoje qual é a visão para dentro da escola. Eu sei qual é a visão para o aluno sair com um pé de meia.
pequeno para o aumento do custo de vida. A dificuldade que é passar um projeto como esse, eu entendo, provavelmente eles queriam mais dinheiro, é o que dá. Mas isso é a capitulação para o realismo capitalista mais uma vez, entendeu? A reforma do Temer passou, Inês é morta, entendeu? Vamos agora fazer redução de e é danos nisso. O que falta mesmo, que eu acho que é uma questão não só para o voto jovem, mas para o voto no geral.
na esquerda são políticas públicas que apresentam sonhos e possibilidades coletivas maiores para dentro da escola. Nos primeiros mandatos do Lula, com Haddad ministro da Educação,
número recorde de abertura de vagas, de construção de escolas federais, uma série de coisas, e teve ganho que nem a direita conseguiu negar. Demorou muito tempo para esses caras fazerem o sonho de uma reforma neoliberal na educação. Não é à toa que fizeram isso no ensino médio e não na universidade, que já está consolidada. E você vê muito bem...
O ganho de qualidade nos últimos 20 anos que uma universidade mais democrática, com mais acesso à população de baixa renda, deu no país. De uma mudada de cara absolutamente na população universitária, na produção de discurso. Mas o que não houve exatamente nesses últimos 10, 15 anos, que novamente a galera está no mercado de trabalho já. O pessoal que está hoje no ensino médio, que enfrentou a reforma do Temer, tinha 6 anos de idade. E assim, se tiram humanas...
Você precariza isso, você começa a enfiar IA nos currículos escolares. Tem a plataformização também. Você começa a especializar uma série de coisas na escola pública. Você bota gente como Federer no governo de São Paulo e não põe um... Não, Federer. Quem dera fosse o Federer. Federer na educação de São Paulo. Sempre é o nome desse cara, eu chamo de Nether, Federer. Eu não decoro desse... Enfim.
alegadamente picareta, que tem gente que diz... É só um detalhe. Estavam fazendo protestos contra o Alckmin em 2016, com toda a razão, porque era um absurdo mesmo o Alckmin a fechar 90 escolas. Mas hoje tem no mesmo cargo, tem o Tarcísio, que botou o pior...
Ministro da Educação do Brasil. O pior secretário que é no Brasil. Porque ele é um secretário, para ele ter uma ideia do imbróglio, ele é sócio, dá para dizer isso, Alê? Ele é sócio da Multilaser. Ele tem 30% das ações da Multilaser, que é uma grande fornecedora de tablet para o Estado de São Paulo. E foi no governo Tarsísio que eles incorporaram essa plataformização do ensino, que é basicamente, enfim, entregar para as big techs o ensino também.
É o Chaves comprando churros dele mesmo, para quem pegou a ref. Desculpem, minhas refs são um pouco complexas. Jovens, elas são jovens. Ao contrário, Chaves é jovem. É para dar uma linguagem que o jovem entende, Chaves. Caralho. O jovem não faz ideia do que seja um... Esse episódio. Mas tem algo do Feder que é isso, é a distopia. E aí me lembra o nosso marketing de novo. Porque assim, quando o sujeito escancara...
a ruindade, ele está imune a críticas. Porque o Federer é tão obviamente péssimo, vilanesco, e desculpa, agora supostamente. Tão obviamente supostamente? Bandido? Bandido? Corrupto? Calma, calma. Tá? Que? Supostamente. Talvez! Alegadamente. Talvez. Há quem diga. Quissá, quissá.
Que saco corrupto. Tem um pessoal que diz, né? Pessoal é danado, né, Greg? E aí, tipo, não, falando sério, que aí não faz sentido nem protestar, porque sim, ele é mesmo. Daí, vai fazer essa. É, mas com uma parte eu concordo. Não com o que o jurídico não quer que eu concorde. Não, mas o que eu concordo é que é essa pornografia do conflito de interesse, você escancarar que o projeto é a precarização mesmo.
é abandonar a ideia da universidade como um espaço de crescimento, de politização, de ascensão, de mobilidade social, de educação, etc., e você dizer que o jovem não precisa fazer universidade, deixa ele fazer uma coisa meio semi-técnica.
que é você dizer para o jovem não sonhe, não precisa desse sonho, tá? Ele morreu esse sonho. E quando tudo isso está tão dito, é mais difícil protestar, porque o protesto, ele tem algo de denúncia também. Ele parte de uma revelação. Uma teoria da conspiração, que não é mais uma teoria da conspiração, ela é só a conspiração explícita, ela perde muito a graça, você não tem nem o que dizer contra ela, ela se confunde com a realidade. E não só isso. Ela passa a ser realidade.
Eu acho que tem denúncia, tem isso que é real, quando você aceita uma realidade. Mas tem esse fato de que você protesta porque você acredita que o futuro pode ser um pouco diferente também. Então, quando você entra, quando você educa o cara para ser parte do realismo capitalista, que eu acho que é uma coisa que está claramente dada, não só no ensino médio, mas a maneira como a política pública hoje está sendo desenvolvida, até por quem se considera de esquerda, que é uma assistência financeira...
pequena para o jovem que sai, mas toma um pé de meia e boa sorte. Não é uma política pública, não tem a ver com o espaço de socialização, você está criando...
hiperindivíduos. Você está tratando novamente o estudante como um pré-átomo numa sociedade feita de indivíduos. E esse é o cenário que faz a pessoa virar de direita mesmo. Porque se a pessoa aceita que a realidade é assim, ela não está tão errada de achar que a realidade é de direita. Que o mundo é uma savana, de que cada um por si, de que o seu sucesso, o seu fracasso, o seu mérito ou a sua culpa. E aí sim, eu acho que entra com certeza A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A A
o lugar onde as pessoas mais fazem a análise, mas que junta com essa pauta de política pública estatal e visão estratégica mesmo, que é o ambiente digital, onde esses jovens também estão. A cultura de influencer, de perfil, de produção de conteúdo.
também é como expressão é cultural, também hiper individualizada. Você está tentando catar ali o seu capital social, o seu dinheiro com a bete, o seu frila em alguma coisa, a sua uberização, lato senso. Essa coisa de que nós estamos sozinhos em um mundo de indivíduos. Eu tenho a sensação que o pé de meia como política de controle de evasão, ele pode até ter algum impacto, não duvido que tenha algum, já deve ter alguma coisa sendo averiguada, mas...
Tenho pouco tempo de implementação para você fazer uma avaliação mesmo. Mas eu duvido que seja um impacto profundo. Porque, de novo, os 200 reais por mês, é claro, para uma família muito pobre, isso pode fazer alguma diferença, sem dúvida pode. Mas, de novo, é o que você ganha trabalhando um dia na Uber. Não me parece que esse seja o maior problema da evasão. E não é o que as pesquisas mostram, inclusive.
A evasão tem a ver com falta de perspectiva. O cara sai da escola porque... Para que ficar na escola? Se não está me adiantando nada, se não vai me dar nada melhor no futuro, se eu não tenho para onde ir depois, se a escola não está me acrescentando. Ela tem muito mais a ver com perspectiva de futuro e com uma escola computa nesse cálculo do que com outra coisa. Nas razões mais práticas, ela também olhar para a evasão como um problema só de renda. E, de novo, se é um problema de renda, não é 200 reais. Aí tem que ser mais, sem dúvida.
Mas olhar como problema só de renda também desconta até as outras razões materiais para evasão. Entre meninas, por exemplo, a maior causa de evasão escolar não é sair da escola para trabalhar, é sair da escola porque engravidou. Essa é a maior causa de evasão escolar ainda. Hoje, 2026 no Brasil, é entre meninas. E essa discussão de direitos reprodutivos, de acesso a aborto, essa discussão não pode ter. Porque o jovem é de direito. É. Não. Ali é perfeito isso que você trouxe. É um inferno.
Cadê o sonho? Você trouxe, e é perfeito, porque volta para o começo, para aquela questão de que certos assuntos foram proibidos por causa de pesquisas que resolveram que o brasileiro médio, esse grande outro, o seu Zé, a Dona Maria, eles são de direito?
Então, a pesquisa resolveu isso, porque perguntou de uma maneira que a gente sabe que tem mil maneiras de perguntar, não é? A gente lembra, a gente já criticou muito uma pesquisa aqui que teve, se não me engano, da Quest, que dizia que o brasileiro era conservador. E as perguntas eram do tipo assim, você é a favor da família?
Ah, sim, o brasileiro... Então você é progressista. Mas se bem que a esquerda, quando quer botar esse capuz, bota, né? Vai lá e põe na ala do desfile contra a família. O PT ainda não entendeu o estrago que foi aquele desfile e, sobretudo, aquela ala das conservas. E vai morrer sem fazer essa autocrítica. Porque o problema é do Jonas Manoel.
Não é da Erika Hilton. Não é de fazer um desfile de canal e presenciar o desfile, ir lá um desfile autocongratulatório, no qual tem uma ala de famílias conservadoras, que inclusive... Qual o problema de ser uma família que está juntinha? E a família em conserva da fantasia não é o cara com mamante, os filhos... O cara armado. É, o cara com três pistolas, não. É papai, mamãe, filhinhos abraçadinhos felizes. Mariu, gente!
Pelo amor de Deus! Como se a esquerda odiasse a família. A família contente. É de uma burrice que eu não sei nem por onde começar. E acho que é um estrago que... Não sei se já foi mensurado, mas deveria, porque acho que isso sim pega, né? E se isso é esquerda... Ah, eu também não quero ser de esquerda. Claro. É assim que você gera desidentificação.
Exatamente. Eu acho que tem algo a ser pesquisado nas pautas, mas eu tenho a impressão que nas pautas, em geral, fazendo a pergunta certa, a pessoa é de esquerda. Óbvio que ela é. Eu tenho certeza disso, na verdade.
Mas eu acho que as pessoas não fazem necessariamente e acabam seguindo uma pesquisa que define o que é um brasileiro ou um afegão médio. E essa questão de pesquisa, voltando para a Atlas, mas para outras pesquisas também, que acho que é um problema muito grande de comunicação, que a gente sempre entende, a gente não se preocupa com o que a pessoa que está respondendo entendeu da pergunta. A gente toma essa resposta nos nossos termos.
que é um pouco do que você colocou, tipo, o que significa que esse jovem é de centro? Porque o Eduardo Leite está péssimo nas pesquisas. Então esse centro significa uma outra coisa. E acho que tem uma outra questão, que é como que essa juventude percebeu ser de esquerda entre os seus pares e não simplesmente vendo o PT.
O que significa ser de esquerda no ambiente cultural onde ela é inserida? Acho que isso está mudando um pouco, mas nos últimos anos, a gente discutiu isso várias vezes aqui no Calma Urgente, em outros ambientes, que a esquerda se apresentou no discurso nos últimos anos como o lado moralista, como o lado que restringe o discurso, que restringe o comportamento rebelde de várias formas.
E acho que isso teve um peso muito grande também no tipo de avanço que o MBL consegue, que é a ideia de que ser de direita, de algum jeito, também é ser contracultural em um ambiente onde o instamento é disciplinar e é moral e é cultural, era percebido como esquerda.
Não estou falando que é de esquerda, mas é o registro cultural onde isso foi colocado. Sem dúvida. Isso eu acho que a gente desconta a experiência de ser jovem em um ambiente que não é o que a gente interage politicamente. É outra parada, é outra coisa. Aconteceu uma coisa essa semana, não sei se vocês acompanharam, foi o fato de que...
Um humorista chamado Murilo Couto, que é um cara que eu adoro, um ótimo humorista, muito talentoso, mas que não necessariamente anda com as pessoas que eu mais gosto. Ele anda com vários humoristas de direita ou de extrema-direita, ele tem um trânsito muito forte na direita, mas ele não é de...
de direita, longe disso. Mas ele fez uma paródia, ele fez uma música na qual ele ironizava o fato de que Flávio Bolsonaro não parava de querer ser amigo dele. Flávio Bolsonaro ficava curtindo tudo dele e ele odeia, não é bolsonarista, zero, não tem a menor relação. E aí ele fez uma música chamada Meu Amigo Flávio, brincando com essa coisa. Ele é tão sábio, brincando com o fato de que ele nunca seria amigo do Flávio Bolsonaro.
Mas é uma canção toda irônica. Ele é tão Flávio. Como eu gosto do Flávio, ele é tão sábio. Na cabeça dele, ninguém nunca acreditaria que o Flávio é sábio. Os bolsonaristas não só amaram como a canção dele virou o jingle de campanha do Flávio Bolsonaro. Não, e eles estão pensando em fazer que seja o slogan do Flávio Bolsonaro. Provavelmente, meu amigo Flávio vai ser o slogan do Flávio Bolsonaro.
O que isso diz sobre o... Socorro. Sobre o mundo hoje. Quer começar um outro calmo, gente? Que o humor é o novo rock.
o humor é o novo rock. Que o humor é o novo rock. Mas que, sobretudo, eu acho que tem algo aqui que diz muito, diz mais sobre o Flávio do que sobre o Murilo. Que é o fato de que, se a mesma coisa acontecesse com o Lula, ele muito dificilmente abraçaria e absorveria no tempo que a campanha do Flávio absorveu.
E o Flávio já aprendeu com o pai, porque o Bolsonaro, todos os memes de campanha do Bolsonaro não foram feitos pela sua equipe, nem pelo Carlos Bolsonaro, certamente.
Mas o que o Carlos tinha de interessante era o fato de que ele sabia absorver os memes e as canções e as paródias que nasciam na base. Sim. Isso é algo que traz o jovem, porque você dificilmente vai saber produzir um conteúdo.
legitimamente jovem. Uma família não tem nada pior do que um marqueteiro de 50, 60, 70, a idade que for, pensando no público, tentando fazer algo com cara de jovem. Mas se o jovem fizer, é muito importante que você tenha um marketing que saiba se aproveitar disso, cara. Mesmo a revelia da pessoa, que foi o que o Flávio fez.
É, porque ele se aproveitou de uma brecha, que eu acho que a música foi feita por Iá, e aí entra outro problema seríssimo, e vai usar, e foda-se, o que você vai fazer? O outro também está usando uma coisa, o software de plágio, vai lá, o outro pega o software de plágio da Iá, e usa, e pronto, acabou. E é perfeito para ele, porque já exclui o sobrenome, já adota o Flávio, já vira de novo o centro. E assim, eu confio no Murilo, acho muito difícil que ele tenha feito isso de caso pensado.
Mas ao mesmo tempo parece que é, porque meu amigo Flávio é perfeito. É um puta slogan para o Flávio Rachadinho. Exatamente, para uma pessoa que era famosa por diarreia e rachadinha. Um combo diarreia pela rachadinha, desculpa. É uma pessoa assim. E por uma loja de chocolate que estranhamente combina com a diarreia.
Feliz Páscoa, Greg. Desculpem se eu provocasse imagem em vocês.
Mas é importante lembrar que esse era a fama dele. E de repente vem uma música toda pra cima dizendo meu amigo Flávio, ele é tão sábio. Então parece feita sob medida. Eu tenho certeza que não foi, mas ao longo do tempo parece. E a sabedoria eu acho que foi. O campo deles é muito hábil em se apropriar inclusive das críticas e transformar elas num ativo. E é nesse sentido, só nesse que eles são antissistema de fato. né?
mas o fato é que é isso, o Flávio não poderia ser mais sistema ele é um nepo baby, conhecido por Gerrei Rachadinha, que está no congresso há séculos, senador
Em vários sistemas, tanto político quanto criminal. O enriquecimento ilícito, perdão, supostamente ilícito, muito bem documentado, um crescimento de patrimônio completamente suspeito, um monte de escândalos envolvendo milícia, envolvendo milhões de outras coisas. E aí, esse é o candidato que quer se posicionar como antissistema. Ele não vai conseguir fazer isso na essência, porque não tem absolutamente nada na história dele que diga antissistema.
Mas a partir do momento que ele consegue ter uma campanha que é de resposta rápida, ela tem um sabor antissistema. Porque essa capacidade de se apropriar do que surge da internet, do que vem de baixo, do que é genuinamente orgânico,
é muito pouco comum em instituições consolidadas. Quanto mais consolidada a institucionalidade, as hierarquias, as instâncias de decisão, a reunião que precisa acontecer, que tem que ter não sei quantas mil pessoas, e não sei o quê, mais você fica com cara de uma coisa engessada e institucional. Então, a velocidade é uma sinalização.
Exatamente. De política antissistêmica. E um viral você não provoca. Volto mesmo, as pessoas de clipe chegam pra gente no bordo e falam ah, a gente queria um viral, como se fosse uma encomenda, uma receita, né? Isso denota muito idade. A gente tá precisando de um viral pra campanha da marca. Isso, um viral, você não encomenda. A viralização é uma consequência hipotética, quem sabe, né? Sim, pode acontecer. Você pode encomendar, talvez, pra meta.
Eu acho até que você pode fabricar viralidade se você estiver controlando literalmente o algoritmo. Mas se você for um mero criador de conteúdo... Mas aí não é viralidade. Mesmo a meta, aí é um impulsionamento. Você pode impulsionar, mas a viralização, por definição, só acontece...
A revelia, a revelia eu não diria, mas independente do produtor. Independentemente da vontade do produtor. Porque tem algo na viralização que é da ordem do inexplicável. Você pode tentar explicar, mas é sempre a posteriori. Eu nunca vi, é muito difícil citar um caso de viralização pensada, calculada, entende? E a gente lida com porta que lida, faz três vídeos por semana.
Há 12 anos a gente nunca conseguiu entender e desistiu, claro. Porque não é algo bom você ficar pensando. O que faz esse vídeo virar? Não dá. E aí, o que uma boa, acho que um bom marketing político faz? Pega o que está viralizando no momento que está, tem uma resposta rápida e se apropria do que está já voando. E é isso que o Flávio Bolsonaro já está fazendo. E o Lula não está, não sei se estará.
fazendo, mas pelo que você disse, eu acho a sua leitura em relação aos jovens e manuais, aos homens comunistas, muito acertada, não está fazendo, porque poderia estar. Poderia estar usando. A Hilton que a gente citou aqui está aí martelando a pauta da 6x1 há mais de, sei lá, dois anos, há um tempo. E agora o governo encampou. Ainda bem que encampou, é uma boa pauta. Não, correto. Mas é muito tempo.
Uma pauta que não é individualista, que é coletiva, que muda a vida real das pessoas de maneira muito ampla. E essa é a pauta que teria uma responsabilização direta por parte do governo. Teria algo imediato se o Lula encampa isso mais literalmente. Eu acho que ele não chegou a encampar.
Ele está falando... Agora está dando indício de que vai. Notícia de hoje. Eu achei que o governo bateu o martelo que eles vão adotar o fim da 6x1 em termos que era meio que o piso de uma esquerda que defende a pauta, que é 5x2, é 40 horas, é semanais, sem redução de salário, que era o ponto central para que caia o argumento de que se fizer isso eu vou ganhar menos.
Que é uma coisa que eu ouço de muitos trabalhadores que eu vou conversar e perguntar o que você acha das escurum quando eu vou ir. E que é uma pauta de novo. A maioria das pessoas que eu converso no varejo, gente que está ferrada, trabalhando na Páscoa. Eu fiz essa pergunta ontem. Loja de bebê na Páscoa com as mulheres trabalhando e tal. Elas tinham medo do fim da ser isso.
De perder renda. De perder renda. Então, assim, isso precisa ser muito comunicado. Porque isso eu acho que é o ponto que o trabalhador que vai ser beneficiado não está seguro.
E é uma pauta muito positiva, evidentemente, mas ela é uma pauta do capitalismo fordista, ela é uma pauta do capitalismo industrial ainda. Ela não é uma pauta do capitalismo precarizado, ela nem chega ali. É por isso que eu acho muito surpreendente que tenha demorado dois anos. Se fosse uma pauta que a Érica tivesse introduzido, que dialoga com as formas mais modernas de exploração do trabalhador, ou seja, tudo que a plataformização ensejou, introduziu e normalizou... Quer ver um exemplo, Alessandra? Alessandra?
Perdão, pode terminar. Não, pode, não, fala, fala. Você sabia que MEI tem direito a, por exemplo, licença maternidade? 120 dias? É só um salário. Mas ainda assim, é uma coisa que eu não sabia. Eu descobri isso hoje graças a sua irmã, Daniela Orofino. Esse tipo de coisa, por exemplo, que a grande parte da população não sabe, pode ser ampliada. Você propor, por exemplo, uma licença maternidade plena para MEIs.
Nossa, isso tem impacto até porque é empreendedorismo. Esse pequeno empreendedor é majoritariamente feminino. Ou seja, a política... Lembrar que MEIs têm direitos e podem ter muito mais. E podem ter. A ampliação dos direitos trabalhistas para MEI, por exemplo... Seria incrível. É uma coisa que não é falado, não é pensado. Então, assim, você... O PT ainda fala muito com o CLT, né? Não, mas então... Mas se até quando é uma pauta para a CLT demora dois anos... É. Para falar, boa ideia! Vamos deixar essa pessoa ter uma folga? Uhum.
O que dirá de uma conversa sobre ampliação dos direitos para MEIs, para você tipificar de uma outra, para você pensar em vínculo para trabalhador plataformizado. Aí realmente não vai, entende? Então, o que me surpreende nas seis por uma é que é uma coisa tão óbvia e tão próxima do léxico político de origem do PT seja tão difícil de adotar. Aí tem um problema mesmo. Perfeito. E que não tem pé de meia que resolva, gente. Não vai resolver. Não.
Se não tiver um pouco mais de... Enfim. A gente tem perguntas da plateia? Não, né? Certamente tem, mas a gente não ia fazer... Alguém pegou, não? Alguém pegou? A gente passou o papelzinho? Acho que não passou, né? Acho que não passou o papelzinho. Ah, tá. Eu achei que tivesse passado. Mas se alguém tiver uma expressa, agora que eu já perguntei, não dá para falar. Mas quer fazer só uma conclusão antes? Sim. Eu acho que a gente atirou para alguns lugares bem interessantes. É isso aí que vocês falaram. Primeiro, acho que...
o PT ouvir mais e dialogar mais com a radicalidade, nem que seja para ele ser percebido mais como centro,
Já é um negócio interessantíssimo. É um benefício tático, na minha opinião, ter uma esquerda socialista crítica no ambiente. Eu já fiz essa defesa. Isso, para mim, é um dos recibos muito conhecidos. Já escutamos isso muitas e muitas vezes. Mas ainda me surpreende isso. De que os socialistas mais à esquerda são muito mais rechaçados e tidos como ameaças do que...
direitistas no ministério do que ter o Alexandre Silveira em Minas Energia, nessa altura do campeonato. Muito louco. Ou do que achar que é pragmático eleitoralmente abrir a BR-319 achando que isso não vai te tirar voto.
Entre jovens. Entre jovens. Entre pessoas que querem ter um futuro. Então tem um apego a uma certa rivalidade interna de esquerda que nesse sentido eu vou concordar, que não é só o Trump que absorve os radicais dele, mas a direita brasileira.
mal educada que é, burra que é, irracional que é, esse erro tático eles não cometem. Eles sabem fagocitar muito melhor o campo ampliado deles. Eles lidam muito melhor com um caiado tentando disputar o jogo do que com a esquerda já falando que é culpa da Erika Hilton, que o Lula está mal na pesquisa. É bem louco.
Exatamente. Tem algo do... Inclusive, eu acho que o bolsonarismo, onde ele perdeu muito, foi um golpe de misericórdia nos fãs, foi no abandono da base radical, que teve como único objetivo mesmo livrar a cara do Bolsonaro. Não sei se alguém já calculou esse impacto, mas quando ele largou a mão das pessoas e passou a dizer que... Ele passou a lutar não só pela... Não pela anistia geral, mas só pela sua. E é bom lembrar disso, né? Ele em momento nenhum defendeu as pessoas presas, que essas sim talvez tenham tido a pena A CIDADE NO BRASIL
grave as tais Déboras do Batom e tal. É uma discussão. É uma discussão. É uma discussão e eu não acho que elas são injustiçadas não, pelo amor de Deus. Porque são, eu acho que é um crime gravíssimo. Elas não estavam só depredando uma estátua, não. Estavam tentando acabar com a democracia no país. Mas, ainda assim, onde há uma discussão pra mim é nessas pessoas. Essas pessoas ele não defendeu no momento nenhum. Largou a mão dele. Isso teve um impacto. Não acho que é um impacto. Não acho que ninguém deixou de ser bolsonarista por causa disso. Mas tem um impacto simbólico que eu acho que é forte.
E foi inédito. Ele ter fugido, a coisa fraca. Exatamente. Foi inédito. Mas acho que até então ele estava conseguindo manter essa base mais ou menos radical perto dele. E segue tendo, mas ao mesmo tempo com muito menos poder de mobilização. Muito menos poder de mobilização. Muito por causa disso. Vamos ver agora. Tem alguém com isso? Como é seu nome? Ninfa! Que nome lindo, Ninfa!
Boa noite. Boa noite. Eu queria só botar um tom de otimismo. Vocês não acham que o Flávio Bolsonaro, o inimigo do Pix, viralizou e vai prejudicar ele, não?
Tomara. Eu não vi isso daí, mas eu adorei. Nossa, rolou no Twitter loucamente essa semana. Que maravilha. Eu acho que faz todo sentido. Não só inimigo do Pix, como do Brasil. Mas é que ele falou pro Trump. Ele foi fazer um discurso nos Estados Unidos e falou que faria tudo que o Trump quer, inclusive acabar com o Pix ou algo parecido. Isso, isso. Não, eu acho que esse lado deles...
submisso e entreguista é algo que tinha que ser muito explorado. E eu acho que o Lula, para usar um termo aí sim dos jovens, farmou aura.
Você acabou de matar a gíria. Matei a gíria. Matou a gíria. Tá aqui, homens 40 anos. Quando um 40% usa uma gíria é porque ela morreu. Próxima. Cringe morreu porque eu usei, acho que fui eu. Você matou o cringe. O Lula nunca farmou tanta aura quanto com o embate dele com o Trump ano passado.
Ele ficou gigante e isso foi mensurado em pesquisas. Ele cresceu porque ele peitou o Trump, inclusive entre jovens. Fala assim, cara, esse cara é brabo. Então, lembrar que Flávio Bolsonaro é entreguista, aquela palavra que a gente não usa mais muito, ela tem uma cara mesmo de esquerda antiga, é entreguismo.
Mas ele é um entrevista. Ela é boa. E o Lula? Está lá batendo de frente com esse cara? Que mais? Eu aposto que esse ano vai ser difícil pra caralho pra ele. E acho que essa é uma coisa que a gente tem a nosso favor. Eu não sei se o Trump aguenta até o final do ano. Talvez seja otimista demais. Mas assim, ele vai passar perrengue nessas eleições de mid-term. Com certeza. Se tiverem. A gasolina já explodiu. Se tiverem, é verdade. Mas assim, o norte-americano, o estadunidense,
Obrigado, eu esqueci. Eu tô esquecendo, eu tenho que lembrar. A porra do estadunidense, ele tá cagando, tá cagando pra escola bombardeada. Cagando. Não perde um voto o cara que mata 150 crianças, que foi o que ele fez. O Trump fez. Matou 150 crianças com o Tomahawk.
Foi isso que ele fez. Não perdeu um voto por causa disso. Mas subir um dólar a gasolina, talvez dois, tem gente dizendo que pode chegar a sete, oito dólares no barril. Até o final eu estou achando maravilhoso. Desculpa, que ninguém me ouça. Parece que eu estou comemorando isso aí. Claro que pode ter um impacto também no Brasil e seria horrível.
Mas eu acho que o impacto lá é muito maior, porque eles são muito mais, eu acho que, muito mais, como se diz, impactados diretamente por isso. E mais, eu acho que isso daí, entregar para esse cara que está fraco e está fragilizado e que é... Acho que a pessoa... Ele tem fãs no Brasil, óbvio, tem trampistas no Brasil, o Netinho, o Mila, que foi a...
que foi a passeata com uma... Eu adoro a história que o Netinho foi pra passeata com uma bandeira dos Estados Unidos, 7 de setembro. Aí criticaram, porra, não é feriado do Brasil? Tu foi com uma bandeira 7 de setembro? Aí falou, não, gente, era dupla face. Aí mostrou que de um lado era Brasil, outro Estados Unidos. Agora uma bandeira dupla face. Tem alguma coisa mais bolsonarista que isso? Uma bandeira dupla face? Essa invenção é a invenção mais submissa, deve ser proibida. Eu não sou tão nacionalista, mas uma bandeira dupla face.
É uma coisa de uma covardia, porque parece que se vê um, você mostra um lado, se vê outro, é algo mesmo de um oportunismo. Eu não duvido que seja proibido nos Estados Unidos. Talvez fosse, eu proibiria. Mas o fato é que esses sujeitos de bandeira dupla face têm que ser expostos, e eu acho que tem alguma coisa aí que realmente tem que ser mais explorado, com certeza, politicamente.
Eu acho que é super importante, acho que relacionar a extrema-direita com o Trump esse ano é central. É um trabalho importante, tem que ser feito de muitas maneiras. Acho que não é internacionalizar, é explicar qual é o campo que tem uma rejeição maior possivelmente do que o Fábio Bolsonaro tem. Mas eu não torço tanto para desandar a gasolina lá, porque desanda aqui também.
e desandar a prece de gasolina no Brasil, os impactos econômicos que podem ter a partir dessa guerra, vai pesar possivelmente no bolso, em crescimento, em desemprego, em redução de poder de compra, em uma série de outras coisas.
que eu não sei se a gente consegue explicar para todo mundo que tem que entender que a culpa é do Trump e não do Lula. O Lula já está hoje, já está batendo. O Lula hoje está anunciando mais programa de isenção de imposto para combustível de avião, fazendo uma série de outras políticas. Tem empresas que não estão aderindo a esse programa, tem estados que não estão aderindo a esse programa.
Só para boicotá-lo. Mas eu tenho que fazer um acordo com o Irã para passar por... Não tem nada a ver com o estrelado. Mas aqui não é sobre isso. Não é que o óleo do Brasil passa pelo estreito. É que impacta o preço. É o velho problema de terem vendido a Petrobras. O velho problema de ter vendido a refinaria. Sobretudo das refinarias. Ter vendido a refinaria é o problema. E desse consenso recente do realismo capitalista de que o preço da gasolina de países altos ou é suficiente, se está...
é ligado à Bolsa Internacional. Então a gente fica sujeito a isso. Agora, dito isso, tem que lembrar, o Trump já está colocando em questão as eleições no mês dele, que ele vai perder se for justo, se for limpo, se acontecer. E aquela conversa que a gente teve sobre a intervenção dos Estados Unidos aqui, a coisa está andando. Na semana passada teve uma declaração.
do Congresso dos Estados Unidos, de maioria republicana, falando que as eleições brasileiras têm indícios de interferência por conta do STF. O resultado eleitoral da última eleição foi...
Vamos só dar espaço para mais uma pergunta, gente? Eu não estou conseguindo ver, desculpa, tem uma luz aqui, Lu. Oi. Vamos lá. Oi? Está me ouvindo? Qual o seu nome? Rafael. Oi, Rafael. Tudo bem? É um prazer estar aqui. Prazer. Então, uma pergunta que eu gostaria de fazer, que é uma vertente que eu acho que poderia ser falada também, sobre uma vertente religiosa.
Porque você já até falou aqui que os evangélicos são um grupo bem segmentado, bolsonarista, e ao mesmo tempo a gente tem nos últimos anos um crescimento muito grande dessas igrejas evangélicas entre os jovens, com essa nova estética, com essa nova linguagem.
E eu queria saber como vocês enxergam esse processo por essa vertente espiritual, religiosa, se isso é causa ou é consequência desse jovem de direita. Enfim, muitas das vezes essas igrejas justamente exalam valores conservadores, por vezes reacionários. Enfim, falar um pouco sobre isso, por favor. Obrigada pela pergunta. Posso pegar essa, gente? Pode.
Opa! Amém! Não, então, acho que tem muita coisa aí, né? De fato, já falei algumas vezes no Calma, e às vezes arrumo o problema com os meus amigos evangélicos progressistas, mas o que a gente viu em 22 foi, de fato, que o maior preditor de voto em Bolsonaro, né? Então,
você teve mais propensão a votar em Bolsonaro entre evangélicos do que entre qualquer outro grupo demográfico. Foi um preditor mais forte do que raça, do que gênero, do que renda. Então, é muito notável que a confissão religiosa seja algo que que
dá tanto indício de comportamento eleitoral, no caso específico da população evangélica. Quer dizer que seja a população evangélica inteira? Obviamente não, mas é um preditor muito poderoso de voto. Agora, justamente entre jovens, existe muita disputa.
dentro das igrejas. O Brasil tem um fenômeno de ampliação da população evangélica que é recente, então a gente ainda tem muita gente que é a primeira geração, ou seja, que se converteu à fé, ou era católico.
Ou, na verdade, não tinha uma fé muito bem estruturada, talvez se identificasse com a igreja católica porque foi a tradição do seu nascimento, da sua criação, mas não era alguém que frequentava a igreja. Então, você tem vários fenômenos e perfis possíveis. Tem pessoas de outras confusões religiosas também, evidentemente.
E aí você tem um monte de análises que mostram que quando a pessoa se converte, ela tende a ter uma adesão a todo dogma, a toda estrutura social, etc., daquela igreja, que é muito diferente da identificação religiosa de uma segunda ou uma terceira geração.
que podem ter uma identificação comunitária. Então, você nasce numa família evangélica, cresce na igreja, aprecia o que tem de bom e bonito naquela formação e tem muita coisa boa e bonita, sobretudo, né, organização solidária, a presença comunitária e, às vezes, até coisas mais práticas da vida mesmo, né, o que tem de gente que...
despertou, por exemplo, um talento para música porque começou a cantar ou a tocar na igreja. Isso é muito comum. Então, você aprecia e valoriza esse aspecto, mas você tem um distanciamento crítico em relação a certos aspectos daquela fé.
Isso é muito comum entre jovens. Então, eu acho que o evangélico jovem, hoje no Brasil, também é um público em disputa, assim como eu acho que o eleitorado jovem, de uma forma mais geral. E eu não descartaria de maneira alguma um diálogo mais aprofundado com esse segmento. Acho que isso é necessário.
E acho que isso é sabido nas igrejas, tanto que as igrejas estão fazendo um esforço de criar novos rostos para a nova geração. E acho que o Nicolas Ferreira é talvez a expressão política mais perigosa e mais concreta desse esforço.
Com isso dito, você faz uma coisa na pergunta sobre se é causa ou consequência desse estado de coisas, o crescimento da fé das igrejas evangélicas no Brasil. E eu tenho muito essa dúvida, eu não sei dizer. Tem um tanto que a gente entendeu que ser evangélico era um preditor de voto importante na extrema-direita em 1922, mas isso não quer dizer...
que é difícil entender o que é o ovo e o que é a galinha. Tem um tanto também que a própria igreja, e o tipo de organização social que as igrejas evangélicas têm, que é muito específica, inclusive na sua descentralização, na sua capacidade, um pouco à lá Flávio Bolsonaro, se incorporando o jingle rapidamente, na sua capacidade de se adaptar a diferentes contextos.
Pouca organização hierárquica central, então você pode criar uma igreja facilmente, adaptada ao contexto local, você não precisa estudar não sei quantos milhões de anos para virar pastor, você consegue conciliar. O pastor é muitas vezes um trabalhador precarizado, isso é muito comum no Brasil. Então, um dos pastores que a gente filmou para o Apocalipse, ele era Valet, no Fleury.
E ele era pastor. E tinha uma igreja importante, cheia em Paraisópolis. Ele não queria que a gente filmasse ele no trabalho, ele escondia um pouco essa parte da identidade dele, mas o fato é que ele conciliava esses dois trabalhos, no fundo. Então, tudo isso é muito adaptado e adaptável.
ao regime de trabalho, de produção e de precarização extrema que a gente vive hoje. Então, também não sei o quanto as igrejas estão causando uma identificação maior com a direita. Eu certamente vi e documentei uma tentativa das lideranças de grandes igrejas no Brasil...
efetivamente direcionar voto, isso está amplamente documentado, o posicionamento da eleição como uma guerra santa, como uma batalha final, apocalíptica, etc. Então isso acontece, mas a identificação mais cultural, estética com a extrema-direita, eu não sei o quanto que ela não é simplesmente fruto do mesmo bojo que gera o crescimento das igrejas evangélicas, que é esse bojo mais precarizado.
de uma nova identificação cultural mesmo, que é produto desse novo mercado de trabalho, de uma nova ética, uma nova estética. Tem um tanto da própria teologia, que é muitas vezes propagada nessas igrejas, que é muito adaptado a um mundo mais precário, mais instável, com mais medo, e uma necessidade de disciplinação desse trabalhador, que a forma de você disciplinar o trabalhador também muda. Porque o trabalhador não está submetido àquela hierarquia e até a próxima.
de você ter o patrão e você ter diferentes...
ordens de disciplina que se impõem sobre esse corpo desse trabalhador. Ele é um trabalhador pulverizado, precarizado, plataformizado. Então, a disciplina, em alguma medida, ela tem que vir de dentro. Tem que ser autoimposta. E acho que a religião, ela tem um papel disciplinador autoimposto muito importante. Que é muito útil num contexto realismo capitalista, num contexto pós-fordista, assim, do capitalismo. Então, acho que as coisas dialogam, sinceramente. Não sei. Eu não acho que eu tenha...
capacidade de análise mesmo, para entender o que vem antes e o que vem depois. Alguns temas, né, Alessandra, como, por exemplo, armas, tendem a ter uma aceitação mais progressista entre evangélicos. Totalmente. É uma população muito contra armamento. Isso mudou um pouco o pós-Bolsonaro, porque também, né, eles também vão aprender a ser politizados pela liderança na qual eles acreditam, né.
Mas o fato é que sim, é um tema que causa fissura. Tem alguns temas. E tende a ser também uma população que acredita em educação pública de qualidade, que acredita em saúde pública de qualidade. Isso não muda. É que a análise sobre o que está impedindo isso de se realizar é se a gente não tem escola pública de qualidade é porque a esquerda não está no poder e a esquerda é corrupta.
senão tinha dinheiro para a escola. Mas as duas coisas convivem. Não só na população evangélica. Acho que tem a questão da população, rapidamente só, eu tenho uma visão bem mais crítica, meus amigos mais evangélicos também não gostam que eu fale isso. Mas eu realmente acho que tem uma questão evangélica especificamente, não só religiosa, que ela faz uma coisa que politicamente é muito...
muito eficaz, muito simplificador e que pega a esquerda de frente. Apesar de Alessandra ter falado que a igreja tem essa disciplina interna, que você precisa se disciplinar, tem uma coisa que os evangélicos têm que é muito diferente da religião católica. O catolicismo acha que o mal está dentro de você, que você é pecador. Então você tem que espiar isso. Tem mil problemas de neurose, de sentimento de culpa, de manipulação, de autopunição e tudo mais.
Mas eu acho que na igreja evangélica, especialmente nessa igreja modelo de negócio mesmo, e politicamente é manipuladora, ela externaliza todo o mal. Então a igreja é uma blindagem para o diabo que está fora dela. Que você literalmente se refere como o mundo.
E você se refere como o mundo. Então, a igreja tem alguma coisa que você é protegido do mal que vem de fora te apegar. E ele é representado por outras religiões, por outras linguagens, por outros comportamentos. E dentro disso daqui, às vezes é usado.
É blindado. A gente tira o diabo que te invadiu e agora você está renascido. E a associação foi muito bem feita e feita por muito e muito tempo de que a esquerda, não por suas pautas, mas pela sua natureza, ela é o mal. Ela tem algo de demoníaco nela, mesmo que ela lhe entregue políticas públicas que você é a prova. Isso é uma coisa que eu já vi sendo dita em púlpito, e ela é difundida de muitas e muitas formas. Eu acho que essa externalização do mal...
é uma das essências fascistas, que é essa ideia de que nós somos do bem. Então, se estamos do lado certo, não tem como os nossos adversários serem também virtuosos. Então, acho que tem uma tendência, claro, não é totalizante, mas acho que tem uma teologia muito complicada da gente simplesmente dialogar. Existe algo muito complicado de se resolver. E que eu acho que a gente foi meio...
O nosso campo foi muito condescendente com isso, enquanto ainda dava para fazer coisas que, entrando, não devem ter a ver com o eleitor evangélico, mas tem a ver com as estruturas evangélicas, que é investigar, que é entender que são estruturas de lavagem de dinheiro, de manipulação de crimes sendo cometidos a céu aberto há décadas. E agora, grande demais para desmontar. Tem mais uma pergunta lá em cima, certo?
Tudo bem, gente. Me chamo Hugo. Primeiro, eu queria agradecer pela oportunidade desse encontro. Até porque as conversas dos podcasts são sempre muito leves, muito convidativas. Então, a gente, do outro lado, sempre tem vontade de participar, de fazer algum comentário. E, nesse sentido, a minha pergunta vai muito para puxar para o começo do assunto de vocês.
sobre o jovem, sobre essa disputa do jovem. A direita vence muito essa disputa na atualidade por se comunicar muito com o que seria a distopia do mundo hoje, VGIA, fazer uso desse instrumento. Então, eu gostaria de saber se, na visão de vocês, existe alguma forma da esquerda fazer um uso honesto da IA e, em segundo lugar, se também...
Uma recuperação da esquerda para o jovem também estaria relacionada ao resgate de pautas antigas, como aqui no Rio a gente teve o Brizola, e muito do que participava e compunha o discurso dele são questões que não se falam mais, como entreguismo, nacionalismo, industrialização, educação pública integral, etc. Então eu queria essa análise mais ou menos nesses dois prismas, se possível. Obrigado.
Obrigada. Valabru. Iá é com você. Iá é comigo? Está na sua praça. Minha praça? Só porque é distópico? Eu não tenho uma resposta objetiva. Eu acho uma pergunta super interessante. O uso de Iá de maneira honesta. Eu acho que, antes de honesto, eu acho que tem talvez um uso inteligente, tático, não desonesto para ser feito, já que tem uma realidade colocada, mas que eu acho que tem muito mais a ver com o uso...
muito declarado e muito aberto, até para educar o fato de que estamos submetidos a isso. Acho que tem um trabalho que o Bruno Sartori faz há alguns anos usando o IA, deliberadamente, que acho que, fora de ser engraçado e ser muito bem feito e ter ajudado a prejudicar a imagem pública do próprio Bolsonaro, acho que tem algo de mostrar para as pessoas que isso é uma tecnologia real. Você pode estar sendo submetido a esse tipo de informação.
essa alfabetização, eu acho que é útil. Mas essa pergunta, para mim, mais do que no conceito eleitoral, eu acho que a gente precisa voltar para uma certa base de para que a IA está sendo usada e que empresas estão sendo beneficiadas disso e que tipo de substituição de trabalho é humano está sendo feito. E acho que isso é...
De novo, a esquerda está sem discurso sobre inteligência artificial. De novo, a gente está tentando, que é a descomerça que a gente teve na semana passada, tentando regular e atrasada e não...
tomar ela como um bem que precisa ser feito de outra maneira, na base, com transparência, algoritmo, com interesse público, com participação na programação e tudo mais. Nessa conversa a gente não tem. Então o uso estético dela como uma ferramenta, eu estou cada vez mais fóbico, a gente usava no Calmo Urgente, a gente parou de usar absolutamente, não dá mais. A gente usava nas capas, né? A gente não usa nas capas, a gente não usa na produção de roteiras, essas coisas, mas eu não tenho essa resposta para você objetiva.
Mas eu peço para o IA compilar uma pesquisa, às vezes, por exemplo, 550 slides e me compila. É útil para isso. Acho que mais do que discutir a utilidade da inteligência artificial, que a gente vai encontrar usos intelectualmente honestos e úteis, acho que isso é inevitável, acho que a pergunta, ela...
Ela traz uma outra pergunta, que é mais ampla do que IA, na qual IA se insere, que é a gente tem uma análise crítica do algoritmo e da arquitetura das redes, a gente tem uma análise crítica do sensacionalismo, da coisa mancheteira, da migração do texto para o mini texto, depois do mini texto para o mini reuso, da diminuição e do vício em rede e tal. Isso quer dizer que, num contexto eleitoral de disputa do voto,
com tudo isso que está colocado, que essa eleição pode abrir ou não de caminho para a gente. A gente vai abrir mão dessas ferramentas? Eu diria que não. A gente está disputando o algoritmo, a gente está disputando no mercado de atenção, a gente está disputando dentro do Instagram, a gente precisa que as pessoas vejam o nosso conteúdo, a gente vai estar no TikTok.
e provavelmente vai ter alguns usos de A. Eu acho que a gente tem que saber onde estão os limites que a gente não ultrapassa, não porque no nosso mundo ideal não haveria esse tipo de A, mas porque até no mundo real hoje, no realismo capitalista mesmo, isso fere uma ética básica que a gente não pode ferir.
E aí tem a ver justamente com nunca esconder o uso, com você não... Então tem milhões de outras questões. Mas essa discussão sobre quais são as armas válidas no contexto de guerra, ela é a discussão de todas as eleições. E acho que, em geral, a resposta está numa espécie de...
entender que existe um contexto no qual a gente vai disputar esse pleito, que não vai ser um contexto onde a gente repolitizou as plataformas e quebrou o monopólio das big techs. A gente vai disputar no mercado varejão de atenção pautado pelas big techs mesmo. É ali que vai estar a disputa. Isso não está colocado que não seja nesse espaço. Por outro lado, até dentro desse mercado existem práticas e práticas. A gente vai ter que entender quais são as práticas que a gente aceita e quais são as que a gente não aceita.
E lembrando que a campanha, mais do que nunca, também vai ser feita por uma massa de SVs que têm acesso a essa tecnologia. Então não adianta pensar o que a campanha do Lula vai fazer com o IA, que é um debate amplo, vai ser discutido em público, vai errar, vai acertar, e está tudo no jogo. Mas a gente sabe que o nosso campo também está cheio. Mas vou dar um exemplo que a gente citou de um uso de IA pela direita, que eu achei perfeitamente aceitável, totalmente cabível e razoável de pensar num equivalente do outro lado.
que foi justamente como a direita respondeu ao desfile lá, o Família em Conserva, que foi com uma trend de Instagram, de rede social, que eram os direitosos plotando a sua própria família na fantasia lá e se autodeclarando uma família em conserva.
Aquilo não engana ninguém, está achando que você tem uma família presa numa lata de conselhos. Não se trata de enganar o público. É um uso divertido, engraçado, que não teria sido possível fora daí. Ah, porque você não vai, todo mundo teria que ter muito talento para ilustração, para criar memes de si mesmo. Então, assim, beleza. Acho que é totalmente do jogo, por exemplo.
Não vejo um problema na essência. Vejo um problema no fato disso... Aí você pode falar, pelo amor de Deus, gente, os litros de água que se usa para o povo ficar fazendo... Sim, mas aí é... Entendi. Aí é o problema do campo colocado. Eu espero que o PT não esteja investindo em memes de IA.
Ah, não, acho que não vai funcionar. Isso tem uma coisa que me deprime, é meme de IA. Eu não consigo rir de uma imagem gerada por IA. A não ser, claro, que eu não perceba que seja gerada por IA. Mas quando você percebe, já virou uma estélia, uma coisa pra mim é a coisa mais cringe, deprimente do mundo.
Aquela graça de IA. Ela assim, cara, eu não vou rir de você. É desesperador. Mas só para falar para vocês um uso de IA que a gente não está percebendo, mas ele pode ser potencialmente mais perigoso do que esses videozinhos que as pessoas, bem ou mal, já estão aprendendo a ver e reconhecer. A gente fez um teste na semana passada com um amigo nosso, que estava aqui. O cara é progressista, tudo certo.
E ele usa bastante... Só pra vocês entenderem o contexto. Um cara legal. Não, assim, tá checado, cara, tipo, cara massa e tal. E ele usa muito o chat GPT pra a vida dele. Então ele é aqueles caras que aderiram à tecnologia. Coisa que eu não fiz, mas ele, tipo, faz essa pergunta, fala, tem a vozinha dela que já conhece ele e tudo mais. Que pra mim já é, tipo, Deus me livre. E aí a gente fez o teste. Ele perguntou pra IA.
É baseado no que você me conhece, em quem eu deveria votar para o governo de São Paulo. A inteligência especial deu uma hesitada, falou, mas me fala os assuntos que você se importa. Ele disse, não, pelo que você me conhece, qual o melhor candidato para o governo de São Paulo? Já que você é uma pessoa que gosta de inovação, e é focada em não sei o que, é tarcígio de freitas.
Mandou o Tarsísio. E tem uma questão que acho que a gente não está observando, que não é que a inteligência artificial está sendo programada lá, fala para outro, é Tarsísio. Mas tem uma tecnologia, tem um pensamento tático de SSO, não sei o quê, que é como é que você posiciona na internet o seu candidato para que a inteligência artificial ache ele como ocorrência de busca.
E isso é uma coisa que a gente precisa observar muito. Porque isso, não só, toda busca já é IA, não tem mais Google, não tem mais nada, e as pessoas estão usando isso abertamente. Então, assim, essa manipulação...
pré-vídeo, não sei o quê. Isso é uma formação de uma realidade absolutamente presente já hoje em dia e não é um debate que eu vejo acontecer. Isso é uma coisa que falou muito louca, que assim, não usar, se você quiser não usar IA, você não pode mais usar a internet. Você viu que tem um aplicativo? A internet, ela já está contaminada a tal ponto que a busca default é IA. No Google, o caralho, que ódio que eu estou.
Nota-se. No Gmail, eu tô lá escrevendo. No Google Docs, ele fica assim, buscando, help me write, help me write. Não quero, obrigado, caralho, eu vivo disso. Sabe assim? Ele fica querendo que você peça ajuda dele pra escrever. Fica piscando.
E no Google... Deixa eu ajudar. Ele é tipo um estagiário que tá muito querendo agradar. Que ódio. E sabe o que me dá ódio? Para as coisas que você quer, você mais precisa, ele não faz. Ele não... A IA não tá interessada em... Pô, lavar minha louça, entendeu? Não fica lá.
Ela não fica lá, deixa eu te ajudar a lavar louça, eu quero lavar louça. Você não quer lavar louça, ela não quer. Agora, escrever um poema, tá lá todo dia. Então, o Jon Stewart... Eu quero sonetos. É assim, ela quer a minha vida, ela quer a parte boa da vida. O Jon Stewart, quando fez o programa dele sobre A, falou uma coisa nessa linha, que era...
que a gente achava, a gente tinha uma visão meio Jetsons, que a automação ia resolver a louça, a roupa, em alguma medida, sim. Tem máquinas de lavar a louça, mas não eliminou esse trabalho do dia a dia. O que ela quer é escrever romances. Aí não, entendeu? Deixa essa parte para mim. E a gente vai ficar lavando a louça dela.
Enquanto ela escreve o grande romance da nossa geração. Mas não é totalmente errado, porque aí pode escrever, que vai ter itinerário formativo no novo ensino médio, que vai ser para você virar, no fundo, um... Operador de aula.
Não é nem um programador de IA, mas é para você virar um servicer, uma pessoa que faz a parte física necessária para que a IA funcione. Então você vai lá esfriar a IA, o data center, ter certeza. Não estou zoando. Isso é uma profissão. E mais? Você virar um empregado da IA. Um funcionário. Babar de IA. Tem coisas que a aluna consegue fazer. E vai fazer a parte física, justamente, se não a parte cognitiva. A gente sempre achou que ia ser o físico.
Ou coisa que ela não consegue fazer, por exemplo, a pessoa pede pra IA assim, quero comprar outra coisa e tal. A IA não consegue, às vezes, ir na loja, então você vira um boy de IA. Essa profissão já existe, tá? Boy de IA. Tem agente de IA que você contrata pra fazer serviços no mundo físico, que não é a IA que faz. Ela vai pagar mal alguém, ela vai precarizar.
É um casamento entre o Uber, tipo, Rappi e a IA, é o seu agente de A, fazendo o pedido de hambúrguer no restaurante. E aí vem um ser humano precarizado, mal pago, lá, lá, lá, arriscando a vida de moto para pegar o hambúrguer que a sua IA solicitou. E a gente tem que concluir. Não vou terminar com isso. Esse assunto é outro gênero. Não vai dar para concluir. Vamos ter que concluir agora. Mas a gente vai fazer mais. Esse é o primeiro encontro no teatro. A gente quer fazer uma vez por mês.
Estamos tentando. Vamos lá, vamos lá. Então, a gente quer, primeiro, muito obrigada por virem nesse primeiro, porque é experimental e a gente está aprendendo. Certamente, a gente vai fazer melhor da próxima vez, mas vocês foram nossas maravilhosas cobaias. E a gente quer fazer aqui no Rio algumas vezes. O próximo, que vai ser no início de maio, deve ser no Rio mesmo. Mas a gente também está pensando em ir para outras cidades do Brasil, encontrar outras pessoas. Então, é um esforço que a gente quer fazer, tentando conciliar com as muitas as filhas pequenas e vida.
como eu e Greg moramos no Rio, a gente tem obrigado o Bruno a se adequar às nossas necessidades. Reparação histórica, porque o Carioca passa uma vida tendo que ir a São Paulo e às vezes a gente... Eu venho para o Rio há oito anos por conta de vocês. Mas para a gente fazer esse encontro físico é isso, requer uma ponte aérea, requer uma equipe técnica que vem, que está aqui presente com a gente, então é um esforço também financeiro, é por isso que a gente chamaria a fazer de graça, mas a gente não consegue.
Mas a gente gostaria muito de manter vivo esse espaço de encontro. Então, acho que é... Obrigada por estarem aqui, mas também falem para os amigos quando a gente abrir para o próximo encontro. Voltem se quiserem, mas também indiquem para outros, porque a gente quer aproveitar para ver as pessoas na vida real. E dizer que tem uma coisa... Para vocês se verem na vida real. Ah, e eu estava falando do Marcos Rocher. Maio Rio. Confusão.
Junho, São Paulo, vai ser na Feira do Livro. Feira do Livro em São Paulo. Então, dia 3 de junho, véspera de Corpus Christi, então véspera de feriado, vai ser à noite na Praça Charles Miller, lá no Paquembu, na Feira do Livro. E depois eu vou passar o feriado na casa do Bruno no Mato. Cara, tem algo pra concluir que é bonito. O Greg não foi chamado.
Tem algo bonito do Mark Fischer que a gente está falando no Clube do Livro e tal, que é muito legal, que ele diz sobre ter uma crítica dele, que ele acho que mandou, que foi o nosso Calmer também, do Fernando Toffoli, que está aí no grupo, que está fazendo um grupo de estudo só sobre o Mark Fischer, recomendo encontros e tal sobre ele. Mas o que o Toffoli falou, ele mandou um texto que eu não conhecia, que é um dos últimos textos dele, em que ele fala do ambiente digital tóxico, coisa muito interessante, chama Como Sair do Castelo dos Vampiros, que é como ele chama o Twitter.
E o que ele fala de bonito é que ele fala de um encontro que ele vai analógico, em que as pessoas se ouvem e conversam. E, de repente, pessoas que se odeiam, de repente, se encontram e ouvem o outro, e parece que vai mudar de opinião. E é bonita a maneira que ele narra o reencontro dele com o mundo analógico como um espaço em que os vícios que a gente passou a achar que são da humanidade...
não são da humanidade, são do ambiente em que a discussão está acontecendo, que são as redes sociais. Então, os encontros analógicos como esse também servem a gente lembrar que as discussões podem ser feitas de outras maneiras, não necessariamente uma praça de alimentação, que a rede social é uma praça de alimentação, é um ambiente privado. E sim, um teatro público.
E sim, num teatro, aliás, público, exatamente, o teatro da prefeitura. Então, viva o Carlos Gomes, obrigado por nos receber. Obrigada, Carlos Gomes. E falando em encontros analógicos, vai ter a estreia de um filme com o qual estou um pouco envolvida, mas tem uma equipe maravilhosa que, de fato, tocou esse projeto. Um deles é o Gustavo, que também é produtor aqui com a gente.
que é o Patrulha Maria da Penha, que é um filme, um documentário, sobre uma aplicação muito específica da lei Maria da Penha em Alagoas, uma história linda, de uma unidade ali que está procurando muitas mulheres vivas, uma coisa que aparentemente está a demodê. E aí a gente vai ter exibições no Festival Tudo Verdade, em São Paulo, na sexta, agora dia 10, às 20h30, no Cine Sesc, no sábado, às 11h, também em São Paulo, na Cinemateca, perdão, no sábado, dia 11, às 18h, na Cinemateca,
e no Rio, dia 14, 20 horas no NetRio e 16 horas na quarta, dia 15, também no NetRio. Se não me engano, de graça. Corrijam-me se eu estiver errada.
Tem que chegar uma hora antes de se retirar na bilheteria. Então, quem quiser ver, é muito legal. Espero ver vocês por lá. Ah, e a peça da Giovana, Giovana Nader, está em cartaz. Até o dia? Até o final do mês. Abril ainda tem mais umas três semanas. Pra vocês verem, é uma peça temporal sobre mudanças climáticas, mas também sobre amor, uma relação amorosa dentro desse universo que a gente está vivendo, do capitalismo tardio. É muito interessante. No Poeirinha. Poeirinha.
Peça, chama-se Temporal, de quinta a domingo no Poeirinha, com o Giovana Nadevino Fragoso. E é um barato a peça, então também recomendo. Acho que Calmers tem 50% de desconto. Acabei de inventar, mas eu vou propor pra Giovana e acho que ela consegue, então, dar 50% pros Calmers pra pagarem meia. Pros membros do clube. Mas é isso, gente. Até breve. Muito obrigada, gente. É um prazer. E até já. Obrigado a todos vocês.
O Calmo Urgente é uma produção da Peri Produções e do Estúdio Fluxo. Na apresentação, Alessandra Orofino, Gregório Duvivier e Bruno Torturra. Na produção, Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguez. Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes. Ilustrações, Ana Brandão. Na sonoplastia, Felipe Croco. Na edição de cortes, Júlia Leite. Nas redes sociais, Bruna Messina. Gestão de comunidade, Marcela Brandes. Na identidade visual, Pedro Inoui. E...
Consultoria de Comunicação, Luna Costa