A menina com o brinco de pérola
A história de hoje se chama: A menina com o brinco de pérola
É uma história sobre: Johannes Vermeer, História da Arte, a cidade de Delft na Holanda do Sul, Lazurita e Lápis-Lazúli e a Monalisa do Norte
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Luísa Luzi
- A Menina com o Brinco de Pérola· CulturaJohannes Vermeer·História da Arte·Pintura·O Brinco de Pérola
- Johannes Vermeer· CulturaJohannes Vermeer·Pintor neerlandês·Mestres da pintura·Rembrandt·Vida discreta
- Delft arte e história· CulturaDelft·Holanda do Sul·Lazurita·Lápis-lazúli·Pigmentos ultramarinos·Câmera obscura
- Interpretações de Vermeer· CulturaProtestantismo·Simbolismo religioso·Contemplação moral·Mensagens codificadas
Olá, você está ouvindo Histórias para Ninar Adultos, um podcast para te ajudar a dormir melhor. A história de hoje se chama A Menina com o Brinco de Pérola. É uma história sobre Johannes Vermeer. História da arte, a cidade de Delft na Holanda do Sul, lazurita e lápis-lazuli, e a Mona Lisa do Norte. Meu nome é Luísa Luzi e eu vou contar uma história para te ninar. Sobre o formato dos episódios, para quem acabou de chegar, começamos aqui pequenos informes e antes da história faremos algumas respirações profundas para acalmar o corpo, desacelerar.
Depois eu te conto a história, a mesma história duas vezes, para acalmar a mente, e você pega no sono. Se inscreva no podcast para receber avisos de episódios novos. E dê uma olhada na campanha no Apoia.se ou deixe um comentário para eu saber se você está gostando das histórias. E se você acordar no meio da noite, não se preocupe. Tente lembrar os detalhes agradáveis da história e logo, logo Você volta a dormir. Bem, vamos lá.
Apague a luz, coloque um timer na reprodução, procure a sua posição favorita de dormir, ajuste seu travesseiro, sua coberta. Aconchegue-se. Vamos dedicar um minutinho para fazer respirações lentas, lentas e profundas, sem pressa agora. O objetivo é aumentar a calma, relaxar. Respire fundo, puxe o ar lentamente pelo nariz, segure um instante e depois, como num bocejo, um suspiro, deixe o ar sair pela boca. Vamos começar sentindo e relaxando nossas extremidades.
Que tal? Puxe o ar pelo nariz, segure e solte o ar pela boca. Relaxe seus pés, suas pernas. Puxe o ar pelo nariz, segure E solte o ar pela boca. Relaxe seus dedos, suas mãos, seus braços. Puxe o ar pelo nariz, segure e solte o ar pela boca. Solte seu peso na cama. Relaxe seus ombros, suas costas. Puxe o ar pelo nariz, segure e solte o ar pela boca. Continue respirando lentamente, num ritmo confortável para você. Agora Eu vou contar uma história para te ninar.
A Menina com o Brinco de Pérola. Eu ia falar sobre espaços negativos, sobre Oscar Niemeyer, sobre assimetrias, mas eu não achei o melhor formato para as pétalas dessa flor ainda. E fui perturbada pelos efeitos climáticos recentes, como muitas outras pessoas no planeta. Então procurei uma outra direção e comecei um livro sobre a vida de Vermeer. Achei tão interessante que eu já terminei. Johannes Vermeer foi um pintor neerlandês, um dos grandes mestres da pintura, atrás apenas de Rembrandt, segundo alguns especialistas.
Uma das coisas mais curiosas sobre Vermeer é que ele vivia uma vida discreta. Tão discreta que ele sumiu na história da arte por um tempo. Um grande mestre esquecido, com pinturas vendidas sob nomes falsos. O livro que eu li dedica muito tempo a explicar o contexto religioso dos Países Baixos, especialmente na cidade de Delft, costa da Holanda do Sul, um porto rico o suficiente para garantir o acesso do artista à lazurita extraída do lápis lazuli.
Minerado e trazido de montanhas onde hoje é o Afeganistão para desenvolver pigmentos ultramarinos em seus quadros, como no turbante da menina com o brinco de pérola. Um azul rico, profundo e brilhante, marcante até hoje, séculos depois. Um pigmento mais caro do que ouro. Eu tenho uma história sobre isso também. Delft, na década de 1660, tinha uma sociedade local rica, rica o suficiente para comprar as pinturas tão perfeitas que levavam meses para ficarem prontas, feitas com métodos secretos.
Talvez até mesmo uma câmera obscura, uma tecnologia que seria muito rara naquela época para capturar perfeitamente proporções, perspectivas e valores tonais, possível pela presença em Delft De astrônomos especialistas em lentes, vendedores de lunetas para navegadores que poderiam ter construído uma câmera para vermelho. Não se sabe ao certo, é parte do mistério. No livro que eu li, o autor tinha uma tese principal para justificar suas interpretações dos quadros, vendo o sentido e símbolos de um tipo proscrito de protestantismo que seria popular em Delft naquela época.
Depois da Guerra dos Trinta Anos, algumas pessoas buscavam escapar cansadas, tanto do alcance do poder papal de Roma quanto do formalismo do protestantismo calvinista, sem cores, sem canto, sem música. O autor dessa biografia que eu li acreditava que o pintor deixou poucos registros de sua vida, não apenas por ser uma pessoa discreta, mas por fazer parte de um movimento religioso e cultural proibido, e que sua arte representava mensagens poderosas e discretas, codificadas para evocar intuições e contemplação moral.
Eu queria contar para vocês sobre esse retrato na vida do retratista? Bem, ele fazia retratos do dia a dia. Não os retratos populares de Rembrandt, com rostos da classe alta descritos em tinta densa, mas um tipo diferente de composição. Vermeer começou pintando cenas históricas e religiosas. Depois fez cenas domésticas e trones, um tipo de pintura comum nos Países Baixos. Um retrato de uma figura imaginária, um meme. Vermeer é famoso por suas imagens claras, pinturas vivas, retratos de momentos ínfimos, descrevendo uma alegria íntima, uma paz que Vermeer não viveu politicamente.
Ele viveu uma época conturbada nos anos seguintes à Guerra dos 30 Anos, ainda lidando com as disputas de antes e novas. Na sua vida pessoal, era cercado de atividades, com a esposa e quase uma dúzia de filhas e Vermeer tem poucas pinturas comparado com a produção de seus contemporâneos. Temos certeza de apenas 36 pinturas existentes no mundo todo. Talvez existam mais. Naquela época, a especulação pelo lucro nem sempre garantia a autoria de algumas peças. 36 quadros apenas, mas que produção, que riqueza de detalhes.
Quadros que viajaram o mundo, objetos de especulação, contemplação, arte, e que constantemente incentivam novas interpretações. Eu vi o quadro da menina com o brinco de pérola. E depois de visitar o museu inteiro, eu voltei para aquela sala para ficar lá até o museu fechar, tentando entender a mágica da imagem. Um quadro pequeno, Um fundo escuro que costumava ser mais claro. Tem uma jovem, uma vestimenta estranha e atemporal, trajando um casaco amarelo e um turbante azul.
Tem 3 pontos claros, brilhantes, de tinta branca opaca na imagem. A pérola, inescapável, impossível, enorme, atrai o olhar, o nosso olhar. De espectadores. E quase que involuntariamente, enquanto tentamos focar o olhar nos detalhes da pérola, curiosamente apenas sugerida e não desenhada, O nosso olhar é naturalmente atraído para os olhos da menina na imagem, quase um imperativo biológico buscar os olhos numa face humana. E aí Ela já está olhando para nós.
Estávamos olhando o brinco de pérola por cima do ombro, mas ela olhou para trás e nos viu. Bem, viu alguém. E parece que na sua surpresa ela abriu a boca para falar algo. O olhar segue a luz e o terceiro ponto branco é no lábio molhado, na intenção de falar alguma palavra. Que nunca ouviremos um instante de suspense suspenso. E o nosso olhar, quase que involuntariamente, é atraído pela pérola novamente. E assim, hipnotizante, o olhar segue uma narrativa, uma história num momento, e nós, público e participantes da imagem, esperamos ela dizer alguma coisa.
A Mona Lisa do Norte. A menina com o brinco de pérola. Eu ia falar sobre espaços negativos. Sobre Oscar Niemeyer e sobre as simetrias, mas eu não achei o melhor formato para as pétalas dessa flor ainda. E fui perturbada pelos efeitos climáticos recentes, como muitas outras pessoas no planeta. Então procurei uma outra direção e comecei um livro sobre a vida de Vermeer. Achei tão interessante que já terminei. Johannes Vermeer foi um pintor neerlandês, um dos grandes mestres da pintura, atrás apenas de Rembrandt.
Segundo alguns especialistas, uma das coisas mais curiosas sobre Vermeer é que ele vivia uma vida discreta, tão discreta que ele sumiu na história da arte por um tempo. Um grande mestre esquecido, com pinturas vendidas sobre nomes falsos. O livro que eu li dedica muito tempo a explicar o contexto religioso dos Países Baixos, e especialmente na cidade de Delft. Na costa da Holanda do Sul, um porto rico o suficiente para garantir o acesso do artista à lazurita extraída do lápis-lazúli, minerado e trazido de montanhas onde hoje é o Afeganistão.
Para desenvolver pigmentos ultramarinos para seus quadros, como no turbante da menina com o brinco de pérola, um azul rico, profundo e brilhante. Marcante até hoje, séculos depois. Um pigmento mais caro do que ouro. Eu falo disso numa outra história. Pigmentos azuis. Delft, na década de 1660, tinha uma sociedade local rica, rica o suficiente para comprar as pinturas, pinturas tão perfeitas que levavam meses para ficarem prontas, feitas com métodos secretos.
Talvez até mesmo com uma câmera obscura, uma tecnologia que seria muito rara naquela época para capturar perfeitamente proporções, perspectivas. E valores tonais. Raro, mas possível. Possível pela presença em Delft de astrônomos especialistas em lentes, vendedores de lunetas para navegadores. Que poderiam ter construído uma câmera para vermer. Você sabe ao certo, é parte do mistério. No livro que eu li, o autor tinha uma tese principal.
Espiritual para justificar suas interpretações dos quadros, vendo ali sentidos e símbolos de um tipo proscrito de protestantismo que seria popular em Delft naquela época. Depois da Guerra dos 30 Anos, algumas pessoas buscavam escapar cansadas tanto do alcance do poder papal de Roma quanto do formalismo do protestantismo calvinista, sem cores, sem canto, sem música. O autor dessa biografia que eu li acreditava que o pintor deixou poucos registros da sua vida, não apenas por ser uma pessoa discreta, mas por fazer parte de um movimento religioso e cultural proibido.
E que sua arte representava mensagens poderosas e discretas, codificadas para evocar intuições e contemplação moral. Eu queria contar para vocês sobre esse retrato da vida do retratista. Retratista. Bem, não retratista exatamente. Ele fazia retratos do dia a dia, não os retratos populares de Rembrandt, com rostos da classe alta descritos em tinta densa. Mas um tipo diferente de composição. Ele começou pintando cenas históricas e religiosas, depois fez cenas domésticas e trones, um tipo de pintura comum nos Países Baixos.
Um retrato de uma figura imaginária, um meme. Vermeer é famoso por suas imagens claras, pinturas vivas, retratos de momentos ínfimos, descrevendo uma alegria íntima, uma paz que Vermeer não viveu politicamente. Ele viveu uma época conturbada, os anos seguintes à Guerra dos 30 Anos, ainda lidando com as disputas de antes e novas. Na sua vida pessoal, era cercado de atividade, com a esposa e quase uma dúzia de filhas e filhos. Vermeer tem poucas pinturas comparado com a produção de seus contemporâneos.
Temos certeza de apenas 36 pinturas existentes no mundo todo. Talvez existam mais. Naquela época, especulação pelo lucro nem sempre garantia a autoria de algumas peças. 36 quadros apenas. Mas que produção, que riqueza de detalhes. Quadros que já viajaram o mundo, objetos de especulação, contemplação, arte, e que constantemente incentivam novas interpretações. Eu vi o quadro da menina com o brinco de pérola e depois de visitar o resto do museu inteiro, voltei para aquela sala para ficar até o museu fechar, tentando entender a mágica da imagem.
Um quadro pequeno, Um fundo escuro que costumava ser mais claro. Tem uma jovem numa vestimenta estranha e atemporal, trajando um casaco amarelo e um turbante azul. Tem 3 pontos claros brilhantes, de tinta branca opaca na imagem. A pérola inescapável, impossível, enorme, atrai o olhar, o nosso olhar de espectadores. E quase que involuntariamente, enquanto tentamos focar o olhar nos detalhes da pérola, curiosamente apenas sugerida e não desenhada, o nosso olhar é naturalmente atraído para os olhos da menina na imagem.
Quase um imperativo biológico buscar os olhos numa face humana. E aí ela já está olhando para nós. Estávamos olhando o brinco de pérola por cima do ombro, mas ela olhou para trás. E nos viu. Bem, viu alguém, e parece que na sua surpresa ela abriu a boca para falar algo. O olhar segue a luz. O terceiro ponto branco é no lábio molhado, na intenção de falar alguma palavra que nunca ouviremos. Um instante de suspense, suspenso, de expectativa.
E o nosso olhar, quase que involuntariamente, é atraído pela pérola novamente. Assim, hipnotizante, o olhar segue uma narrativa, uma história, num momento, e nós, público, nos tornamos participantes. Da imagem, esperando ela dizer alguma coisa. A Mona Lisa do Norte. Durma bem.