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105. O papel do medo

06 de maio de 202645min
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“O medo não é um obstáculo mas um guia. E a forma como o interpretamos determina se ele nos trava ou se nos impulsiona.” É a partir desta ideia – e de um estudo pioneiro sobre os medos dos portugueses – que a Marta recebe José Borralho, empreendedor, estratega de marketing e autor do livro “Medo – Como Transformar Ameaças em Forças”, numa conversa sobre o impacto do medo na forma como comunicamos, decidimos e nos posicionamos, tanto na vida pessoal como no contexto profissional.
O medo atravessa, sorrateiramente, a vida de todos nós e tem especial impacto na comunicação, desde a dificuldade em ter conversas difíceis, falar em público, até ao impacto na liderança, na confiança e na construção de reputação. O que é que ele significa na verdade? Com uma abordagem clara e sem dramatismos, este episódio cruza experiência, dados e reflexão para o interpretar não apenas como um limite, mas como um indicador relevante das nossas escolhas e valores.
Lembre-se que tudo comunica e que compreender o medo talvez seja um passo gigante no modo como agimos com mais consciência e intenção. 
Saiba mais sobre o livro “Medo – Como Transformar Ameaças em Forças” aqui: https://tinyurl.com/bdenerrj
Assuntos5
  • Psicologia do Medo e TerrorMedo como guia e impulsionador · Estudo sobre os medos dos portugueses · Impacto do medo na comunicação · Medo de falar em público · Síndrome do impostor · Medo e comunicação pública · Medo como espelho de valores · Medo e a saúde · Medo e a comunicação empresarial · Cultura empresarial e o erro · Medo e a liderança · Ressignificar o medo · Necessidades humanas e medo · Zonas de conforto · Medo como trampolim · Identidade, crenças e pensamentos · Motivação e medo · Medo de elevador · Medo de falar em público · Energias masculina e feminina na comunicação · Medo de falhar profissionalmente · Medo e o sistema de saúde · Medo da perda no mercado de trabalho · Medo no marketing e nas marcas · Comportamento emocional do consumidor · Medo da perda, rejeição e solidão · Ouvir o corpo e a intuição · Silêncio e autoconhecimento · Gestão da intriga, raiva e apego
  • O Papel da Comunicação e MídiaComunicação como exposição e vulnerabilidade · Medo de comunicar · Medo de falar em público · Medo de errar · Medo de ser mal interpretado · Comunicação não verbal · Impossibilidade de não comunicar · Expressar opinião dentro da empresa
  • O Livro "Medo – Como Transformar Ameaças em Forças"Estudo nacional sobre o medo · Experiência pessoal e profissional do autor · Abordagem sem dramatismos · Dados e reflexão · Ferramentas práticas · História de infância do autor · Diferença de um livro de autoajuda
  • Medo e a Sociedade PortuguesaRadiografia do estado de alma português · Medos relacionados com a saúde · Confiança no sistema de saúde · Sistema de saúde orientado para a cura · Medo da perda profissional · Diferenças geracionais de medo
  • Medo no Marketing e nas MarcasMedo como base do marketing · Marketing de perda · Marketing de proteção (seguros)
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Há medos que nos travam, há medos que nos moldam e há pessoas que aprendem a transformá-los em estratégia. E neste episódio falamos com alguém que faz precisamente isso. José Borralho, ele que é empreendedor, estratégia do marketing, criador de marcas que todos conhecemos como a escolha do consumidor e também produto do ano.

Ele que apresentou muito recentemente um estudo nacional sobre o medo, no âmbito do seu livro, com o título Medo, como transformar ameaças em forças. Ele cruza este estudo com a sua experiência, faz também uma reflexão pessoal para falar de algo que todos sentimos, mas pouco verbalizamos com tanta clareza, precisamente o medo.

Então vamos perceber como é que o medo influencia tudo na nossa vida, é certo, mas em concreto como é que influencia a nossa forma como comunicamos, como lideramos, como empreendemos e também como construímos relações. Vamos a isto!

Olá, viva, seja bem-vinda e bem-vindo ao E.A. Comunicar que nos entendemos. Eu sou a Marta Aroujo e este é o meu podcast, um podcast de comunicação e perfeições públicas, onde falamos sobre jornalismo, inflações digitais, eventos e gestão de crise para a reputação e maturidade de pessoas, marcas e empresas. Vamos a isso? José, muito bem-vindo ao E.A. Comunicar que nos entendemos.

Muito obrigado, Marta, pelo convite. É um prazer estar aqui para falar deste tema tão assustador.

Isso, e quero começar justamente por aquilo que obviamente nos interessa muito aqui no podcast, que é a relação entre o medo e a comunicação, porque no fundo comunicar é sempre expor-nos um pouco ou muito na realidade e expor-nos traz sempre vulnerabilidade. E eu sei, mas gostava que José partilhasse connosco que...

resultados é que o seu estudo aponta sobre precisamente isto, sobre o medo que comunicar nos provoca.

Aliás, é um dos principais medos na vertente profissional, é precisamente o medo de falar em público. E de alguma forma não é com surpresa que este resultado aparece. Ao longo da minha vida profissional de 40 anos, praticamente, tenho assistido muito a isso. Eu próprio fui um desses casos, lembro perfeitamente, não querer falar em público. Ainda hoje não gosto muito, mas sim, faz parte do meu trabalho e, portanto, naturalmente...

acaba já com a experiência que tenho por surgir essa à vontade. Agora, este medo tem muito a ver com algumas crenças que temos, não é? Por um lado, a forma como...

toda a vida, aos nossos pais, à sociedade, etc., nos posiciona para sermos perfeitos. Por outro lado, tem muito a ver também com aquilo que é a crença da não suficiência, achamos que não somos suficientes, não somos capazes. E isto, no fundo, é tudo muito psicológico.

porque eu costumo às vezes em conversas que tenho sobretudo pessoas que hoje têm um bocado a tendência para dizer mas para ti é fácil porque és um comunicador nato porque tens isto e aquilo e eu muitas vezes costumo contar-lhes e eu digo há uma coisa que é o síndrome do impostor e o síndrome do impostor é uma coisa muito chata que nos leva a fazer o seguinte leva-nos por muita vontade que nós tenhamos o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o

por muita experiência que tenhamos em determinadas situações na vida pessoal ou na vida profissional, olharmos para o que estamos a tentar fazer ou a fazer e pensar porquê eu tenho tanta capacidade para fazer isto? Será que sou a pessoa ideal? E eu posso confidenciar-vos aqui que cada vez que me convidam para dar palestras, sobretudo em...

É, mas que às vezes, enfim, posso não ser especialista, mas acabo de ser. E muitas vezes tenho essa noção, eu domino esta matéria e portanto eu tenho algo a dizer sobre esta matéria, mas muitas vezes eu próprio me questiono a dizer porquê eu? Não há pessoas muito mais habilitadas no mercado. Será que vou fazer boa figura? E portanto é natural para qualquer pessoa ter estes medos. Outra questão é como é que nós damos a volta a isto. E é disso que estamos aqui a falar hoje, não é?

Exatamente, e o José dá uma série de pistas e de dicas práticas e até exercícios muito úteis no seu livro. E uma das coisas que o José fala é que o medo é sorrateiro, não é? Portanto, estou aqui algumas expressões muito reais para falar sobre este medo.

E precisamente na comunicação o medo aparece muitas vezes disfarçado, não é? O medo de errar, o medo de dizer o que pensamos, o medo de sermos mal interpretados. E na sua experiência, de que forma é que o medo condiciona a forma como comunicamos, sobretudo aqui numa questão mais pública, não é? Portanto, num domínio mais público, seja nas reuniões de trabalho, seja num conteúdo que tínhamos que fazer para uma rede social, seja numa talk.

o medo é invisível eu falo muito dos medos aliás o livro é uma abordagem um pouco à minha vida pessoal e profissional e os exercícios que correm daí o que é que eu gostaria ou o que é que eu acho que deveria ser feito quando era em criança e tive determinados medos etc e portanto

Ele acaba por me influenciar, ainda ontem respondi a uma entrevista na vertente de marketing sobre a forma como o medo está, de alguma forma, a impedir algumas empresas, alguns negócios de crescer. E ele... nós temos que olhar para o medo de duas formas, Marta. Um...

Por um lado, o medo é um espelho de nós próprios. O medo está-nos a dizer aquilo que nós mais valorizamos na nossa vida. E, portanto, um dos dados do estudo, por exemplo, a área da saúde é bastante relevante em termos de medos. Isto quer dizer que nós estamos a privilegiar uma série de coisas da saúde.

Mas o medo não pode ser só o inimigo, sobretudo em termos de comunicação, porque quando nós temos medo a nossa postura é completamente diferente. E quando transportamos isto, por exemplo, para a questão do falar em público, ou por exemplo, como estamos aqui a falar num podcast, quer dizer, há responsabilidade quando estamos aqui os dois a comunicar, a forma como nos mexemos, como falamos, do que é que falamos, isto vai ser, obviamente, temos os dois a noção, de que vai ser alvo de...

comentário público, não é? Tanto há, ainda por cima, hoje na...

no contexto em que vivemos, em que tudo é exposto e tudo é comentável, e facilmente comentável, porque as pessoas comentam atrás de um telefone, de um ecrã, e não dão o rosto. Portanto, isso traz-nos, obviamente, determinados medos. Agora, o que é que nós temos que saber fazer com esse medo? Temos que fazer uma coisa muito simples. Nós temos que saber verbalizar, falar com o medo, e perceber como é que ele joga a nosso favor.

E em termos de comunicação, isto é interessante. Eu costumo dar um exemplo muito engraçado. A comunicação começa logo pela expressão física. Nós comunicamos fisicamente, aliás, em comunicação costumamos dizer falar ou não falar. Não falar também é uma forma de comunicar. Como diz Paulo Václavique, é impossível não comunicar. É impossível não comunicar.

Comunicamos sempre. Eu às vezes costumo dizer, entre dizer qualquer disparate e está calado, ou seja, quando não há nada melhor que o silêncio para dizer, é melhor estar calado. E, portanto, a nossa própria postura começa logo a comunicar. E eu costumo dar um exemplo muito simples. Imaginemos uma criança alta, forte, com boa postura, mas que anda na escola com um cabisbaixo.

É uma criança, aconteceu-me isto quando era criança, é uma criança facilmente algo de troça, algo de bullying, que é o que chamamos agora, no meu tempo não havia nada dessas expressões, e portanto, mesmo que seja por indivíduos de menor constituição do que ele.

Por outro lado, temos uma criança mais pequena, mas que anda na escola de peito feito, confiante, apesar das insegurações que pode ter, é o campeão. Portanto, nós começamos a questão da comunicação e dos medos logo pela questão física. E isto leva-nos a uma série de outros pontos. Quando transportamos isto para as empresas, nós temos uma série de questões associadas ao medo. Por um lado, temos uma cultura...

empresarial que durante muitos anos foi assente na figura do líder ou do patrão. O patrão é que sabe, ainda hoje em pequenas empresas. Se eu erro.

E o erro, porquê? Nós começamos a ser penalizados pelo erro logo na infância. Ter mais notas, enfim, ter mais respostas na escola é penalizado, que é erro. Somos alvo de troça, somos alvo de alguma humilhação, não propositada obviamente pelos professores. Nós tiramos mais notas, temos...

penalização. Portanto, cada vez que não fazemos qualquer coisa bem, nós estamos a ser penalizados. E isto, ao longo da nossa vida, transporta-nos crenças.

Aliás, um dado engraçado que obtemos do estudo, a determinada altura eu mando-lhe fazer a pergunta, que é que crianças é que trouxe da sua infância, o que é que lhe disseram, os seus pais, familiares, etc., que ainda hoje transporta para a vida adulta. E nós temos respostas engraçadíssimas, as mais comuns são isso não é para ti, tu não és capaz.

ou aquelas comparações que se fazem às vezes o teu irmão foi capaz, tu também tens que ser ou quando trazemos determinado tipo de notas e dizemos tens que conseguir mais ou fazendo isto nós estamos a tirar valor àquilo que as pessoas estão a fazer sem querer, muitas vezes estamos só a querer ser motivadores das crianças e não conseguimos. E quando transportamos isto para um ambiente de trabalho

tudo isto está lá, porque é assim nós continuamos a não permitir o erro nas imprensas quando enfim, hoje há uma corrente que diz quanto mais parece-se errar mais parece-se encontramos a solução e temos sucesso portanto começa a haver aqui algumas diferenças de mentalidade, teoricamente mas na prática é PC

Não é bem assim, eu tenho empresas, não é? Portanto, quem tem empresas o que quer é performance, quer lucro e, portanto, não vai agora de repente dizer a toda a gente que temos que errar para encontrar um caminho, há que medir as consequências das coisas. Mas tivemos também uma cultura durante muito tempo, e eu acredito que ainda existe, sobretudo quando temos um tecido empresarial com mais de 90% de pequenas e médias empresas, em que o dono do negócio é que sabe do negócio.

E ainda há poucos anos, tentar colocar o dono de uma empresa a reunir com responsáveis de área de produção comercial, de marketing, etc. Era uma coisa impensável, porque para o próprio, também tem os seus medos, não é? Aquilo que na maior parte dos casos pensei é, se eu estou, ainda há pouco tempo que fiz consultoria a uma empresa, e gerida por...

pessoas jovens, onde isso acontecia. Quer dizer, eu chamar responsáveis da empresa para fazer diagnóstico, analisar o que está bem e o que está mal e encontrarmos caminhos, era motivo de, não era vergonha, mas era um sentimento de inutilidade. Quer dizer, o que é que eu faço na minha organização se eu já não sei definir isto tudo e preciso das pessoas que trabalhem comigo? É, portanto...

Isto quando nós transportamos para o nível de comunicação que nós temos no próprio negócio, já não estamos só a falar daquele ponto, enfim, em que é o falar em público, em conferências. Estamos a falar do expressar a opinião dentro da própria empresa.

E se do ponto de vista da liderança isto não é fomentado e a própria liderança ter a capacidade para conhecer e rei, às vezes nem que tenha que provocar o erro de propósito para que se perceba, ele também é humano e portanto nós também podemos fazer isto.

é bastante difícil contrariar isto. Portanto, isto começa no estagiário que entra, que tem que ser compreendido e tem que ser explicado isto e deixá-lo à vontade, até ao CEO da empresa.

Estamos a falar aqui quase de um efeito, desculpa interromper José, de um efeito dominó, não é? Portanto, na verdade, e aquilo que o estudo mostra e que o José alerta no livro é justamente que o medo atua nas mais diversas vertentes da nossa vida. Estão integradas ainda por cima. Estão totalmente integrados e chama a atenção para algo importante que no fundo tem a ver com a capacidade de nós conseguirmos...

ressignificar um medo enquanto sentimento. Porque muitas vezes aquilo que nós consideramos que é medo pode na realidade ser confundido com outras insegurezas ou até com outro tipo de sentimentos que não são propriamente um medo. Não é, José? Falamos um bocadinho sobre isto. Eu costumo, Marta...

em determinadas sessões de formação que dou e às vezes comerciais explicar, nós temos seis tipos de necessidades humanas encontramos nessa, quatro são emocionais, duas são espirituais e não tem nada a ver com a questão religiosa isto define muito o tipo de pessoa que eu sou e muitas vezes como é que eu comunico com essa pessoa o quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto quanto

Que são? A primeira são pessoas que estão no estado da certeza. Uma pessoa que vive no estado da certeza é uma pessoa que não faz nada na vida se não tiver a certeza absoluta de que vai encontrar a coisa certa. Portanto, não muda de emprego se não tiver a certeza absoluta que o ambiente onde vai os colegas a vão aceitar, que vai ter sucesso, que vai progredir na carreira, etc. Portanto, um conjunto de fatores incontroláveis. Mas a verdade é que há pessoas...

que não mudam, se não tiver esta certeza. O mesmo acontece nas relações. E a questão dos medos também tem a ver, muito a ver com zonas de conforto. Quer dizer, um casal que já não vive na mesma harmonia familiar, muitas vezes não se para porque antes viver naquele conforto desconfortável que já sabe como é que há de lidar, do que ir para o desconhecido, que não sei se vai ser pior ou não.

pois temos pessoas que vivem num estado de variedade. Ou seja, são aquelas pessoas, como eu, que gostam de desafio, gostam de coisas diferentes, gostam de experimentar situações completamente diferentes e, portanto, a minha vida foi a criar, trabalhei não sei quantos projetos, tenho uma escola de ensino doméstico, tenho mil e uma coisas. E ainda hoje, quando me perguntam qual é o melhor projeto de todos, eu digo é o próximo, que eu não sei qual é, mas eu sei que vai existir qualquer coisa. Portanto, precisamos...

É sempre trampolim. É sempre trampolim. Escutem. Para mim, se o universo, se a vida fosse um grande queijo, tinha três fatias. Uma fatia muito pequena, que é aquilo que eu sei. Outra fatia tão pequena como esta, que é o que eu não sei. E depois há um, o que eu não sei, que não sei.

E para mim é isso que me alimenta. Eu, quando escrevi este livro, questionei muitas vezes. Quem sou eu? Eu não sou psicólogo. Por que é que eu vou escrever um livro? Será que tenho capacidade para um livro?

E a determinada altura disse, mas calhando é este o tema, não é? Eu não tenho que ter medo. E nós partimos de uma coisa, muitas vezes, que é olharmos para o passado, costumo dizer isto sobretudo de muitas jovens, nós temos a mania de olhar para o passado. O que é que foi dito, o que é que foi escrito por alguém.

E achamos que não temos tanta capacidade como essas pessoas que no passado escreveram ou editaram determinadas leis e não podemos nós próprias criar as nossas. Temos que olhar para o Leonardo da Vinci e achar que ele foi uma figura única, quando há tantas depois dele também assim, e nós próprios se calhar temos essa capacidade. E portanto, voltando às necessidades.

Depois temos pessoas que só fazem alguma coisa por conhecimento, só procuram significância, e pessoas que só procuram conexão e amor. Portanto, são aquelas que estão constantemente, mudam de trabalho, porque ali são mais fofinhos, têm amigos, etc. Portanto, isso orienta completamente a forma como nós também nos comportamos perante o medo.

uma pessoa que vive num estado permanente de certeza tem muito mais medos e não consegue combater os medos não consegue dar um passo que não lhe permita a segurança, mas assim no fim do dia se calhar é aceitar que é assim e portanto não há muito para combater sobre isso pessoas como nós que calhando vivemos num estado de variedade e queremos desafio, entendem o medo como trampolim

Porquê? Porque percebem que se calhar aquele medo está-me a dizer qualquer coisa. Está-me a dizer que eu tenho que crescer. Está-me a dizer que eu tenho que contrariar a determinada crença que tenho e avançar. E na questão da contrariedade dos medos, nós temos uma identidade com que nascemos.

Temos uma identidade que é reforçada ou é contrariada por força das crenças que nos impõem e essas crenças levam-nos a pensamentos. E são esses pensamentos que nos criam medo. E nós só conseguimos combater esse medo quando provocamos a ação nisto. Vou dar um exemplo. Quem nunca esteve à beira de um pequeno precipício, de um lago, com os amigos, para mergulhar. Portanto, eu vou abordar o meu caso.

Eu não sei nadar. Ou assumi a crença que não sei nadar, porque o meu pai em pequeno pegava em mim e atirava-me para a água, portanto eu vivo em frente ao mar, adoro o mar, só consigo estar ao pé do mar, mas não me atirou ao mar para nadar. Isto criou uma identidade em mim.

Com uma cresça, eu não sei nadar. Portanto, se eu não sei nadar, o meu pensamento é eu não posso ir para dentro de água sem ter pé, porque me vou afogar. O que é que esse medo me faz? Proteger-me. Adoro água, tenho a noção, sei nadar, numa piscina, atravesso de um ponto ao outro, não afogo, mas se me atirar agora ali ao mar para fazer um quilómetro ou dois, não ponho. O meu medo faz-me.

Mas imaginem, estou à beira de precipício e os meus colegas estão-se todos a atirar, não é? Dois, três metros, pumba, tudo divertido. Eu não tomei a ação. Portanto, o contexto que eu vou ter a seguir é que todos os meus amigos estão porreiros felizes a comentar e os é borralho é o mariquinhas que não se atirou, não sei o quê, não sei o quê. Portanto, isto vai recuçar a minha identidade de epá, eu sou fraco, não sei nadar, etc.

Se eu chegar um dia em que perante o precipício eu digo, que saliste, eu não vou morrer por causa disto, eles estão lá em baixo, se for preciso ajudam-me, atiram-me e até percebo que afinal sei comportar-me, isto vai mudar o meu contexto. Porquê? Estamos todos a conviver, somos todos os maiores, somos todos porreiros. Eu mudei a minha identidade e acabei com uma crença.

Portanto, a dificuldade que nós temos é olhar para os medos. Eu tenho uma tia com uma coisa muito engraçada, porque isto leva à questão que nós precisamos para combater o medo, que é a motivação. Nós precisamos de uma motivação. Eu tenho uma tia que não anda de medo.

Odeia. Tem medo. Entra em pânico. E eu pergunto-lhe porquê. Porque é apertado. É escuro. Estou fechado. Eu não gosto de espaços fechados. Muito bem. Vamos apontar duas coisas. Não gosto de espaços fechados. E é curto.

E a seguir eu pergunto, mas eu estou farto de oferecer viagens à minha tia para ir viajar. Paris, Londres, Suíça. E nunca houve problema. Ah, vou viajar. Eu adoro viajar. Eu digo, mas um avião é um tubinho, é muito mais pequeno que o metro, leva 3, 4 horas, não é? O metro pode levar 2, 3 minutos, tenho a opção de sair quando quero, ali não.

Mas vão-me divertir. Eu digo, claro, que é uma questão de motivação. Vamos ao segundo tema. Passos fechados. Então, e os espetáculos que eu ofereço? Ah, eu às vezes gosto de ficar ao pé das portas, mas tu compras sempre uns lugares em frente ao palco. Epa, aquilo é tão divertido. Eu digo, então, voltamos à mesma história. Motivação.

eu vou ter que fazer um seguinte eu vou ter que convidar o André Riau para fazer um espetáculo dentro de uma carruagem de metro para se acabar os medos e ela dizia, só que é ser um espetáculo dentro de metro se calhar, e eu digo, então estamos a falar de motivação também seria uma bela ideia José essa ideia seria excelente, acho que sim

Não só para a sua tia, mas para muitos de nós acho que viemos as fatais. E isto tem muito a ver com a motivação e com a forma como nós posicionamos durante o medo. Eu agora há umas semanas em férias, entrei num elevador e vejo uma senhora estrangeira e claramente quando entra com o marido no elevador, ela faz um ar e eu disse, tem medo de elevador? Tenho, tenho. E digo, faça só uma coisa, fechei os olhos no estante e pense que está a caminhar para o sítio que lhe dá mais prazer. Mas faça isso rápido.

funcionou você mudou a motivação esqueceu-se que está dentro de um elevador a pensar uma série de coisas isto pode cair, aí se vai bloquear e começou a pensar em coisas positivas portanto, esse é um dos truques que nós temos que usar mesmo em termos de comunicação e um dos pontos que era um ponto que interessava bastante à Marta que era do falar em público eu vou-vos dizer como é que eu combati esse meu medo o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o quanto o

das primeiras vezes que me convidaram, eu termia como várias verdes, e vou ter não sei quantas pessoas a julgarem-me, portanto, o que eu vou dizer é essencial. E aprendi há muitos anos uma coisa, um é o poder da postura, e portanto eu não entro em lado nenhum, a não ser peito feito, é bem firme, para que percebam, este tipo marca a presença. Chegou.

Depois, optei por ser, em minha técnica, portanto é a forma como eu me posiciono, ser disruptivo naquilo que digo. Não vou dizer mais do mesmo. Tenho que ser provocador, tenho que fazer os cérebros das pessoas pensarem. E depois, sobretudo, comecei a interiorizar para mim o seguinte. Estão a convidar para falar de alguma coisa, é porque tu dominas o tema. E, portanto, só tu é que sabes o que é que vais falar ali. E, portanto, tu és um experto nisso.

Tudo o resto é saber gerir bom senso e saber gerir a crítica e saber levá-la a bom porto. E portanto, acabei por aprender a assumir um estado, ou seja, pôr-me em estado para fazer sempre qualquer coisa. E encontrou a sua forma...

porque, portanto, falarmos nisto também, que é que cada um de nós terá a sua, não é? Para enfrentar esse medo no caso de falar em público. E só que, para quem nos está a ver e a ouvir, sobretudo aquela primeira dica que o José partilhou connosco sobre a questão...

do abrir o peito e a postura corporal, vão perceber melhor o significado e a importância disto quando lerem o livro do José, que tem a ver com uma história da sua infância, que a mim me tocou mais, por exemplo, no livro, e que fica aqui a pequena provocação para irem ver, lerem o livro e vão perceber ainda melhor, porque é esta questão também da postura física e do que devem enfrentar quando era criança.

E é só acrescentar uma coisa, porque há aqui uma coisa interessante que tem a ver com as energias. Eu não sei se a determinada altura falo disso, tem a ver com as energias masculinas e femininas. E tem a ver com os opostos.

Nós, quando temos situações em que temos um público, ou temos numa relação profissional ou pessoal, pessoas com a mesma energia, imagine que numa situação de discussão profissional, portanto, eu tenho uma energia mais masculina, mais agressiva, e a Marta desse lado também vem com a mesma energia, nós vamos entrar em choque.

Não vamos conseguir a lado nenhum. Agora imaginemos, a Marta vem com uma energia masculina, satiada com alguma coisa, com as suas convicções, e eu, deste lado, usei a minha energia feminina. Marta, tens toda a razão.

estou completamente de acordo mas eu tenho aqui uma perspetiva ou seja, eu utilizei a minha energia feminina para amansar a energia masculina da Marta e para conseguirmos chegar ao ponto de encontro de equilíbrio na comunicação

Porque também fomos os dois muito fofinhos, muito femininos um para o outro, não vamos chegar a lado nenhum, vamos acabar a chorar e não resolvemos nada. E portanto, isto cruzou um bocado também com o que estava a dizer em relação a essas dicas da postura, porque isto também tem a ver com postura, obviamente.

Com certeza, claro que sim. O José, um dos truques que disse que aplicava a si próprio é ser disruptivo, não é? Portanto, era uma pequena provocação. É da minha natureza, portanto. Vou ser um bocadinho provocadora consigo, no menor dos sentidos, que é até que ponto é que o José acredita que...

estas conclusões que o estudo nos traz, o estudo nacional sobre o medo, que no fundo revela aqui que 9 em cada 10 portugueses, por exemplo, têm medo de falhar profissionalmente. Há uma série de estatísticas e convido as pessoas a verem no livro. De facto, há 100 medos, há aqui muita informação, mas até que ponto...

Isto mostra, no fundo, a radiografia de nós enquanto portugueses, enquanto país, o nosso estado de alma. Até que nós também podemos concluir que o medo aqui enquanto país, está a ver, porque o país é feito por pessoas, obviamente, acaba por talvez explicar um pouco do nosso estado enquanto país, do nosso estado de alma enquanto sociedade, por um lado. E por outro lado...

Qual é o papel do medo no marketing e nas marcas? Que é uma área que o José conhece muito bem. Gostava muito de ouvir sobre estes dois aspectos.

Sobre a questão, o medo é uma emoção, basicamente, e as emoções são provocadas também por aquilo que nós vivemos, quer em sociedade, quer mais especificamente em família e em comunidade. E também traz aspectos culturais. Quando nós vimos os 10 principais medos, aliás são identificados os 100, pois no final, e pequenas estratégias.

quando nós olhamos para os 10 principais medos e 9 são da saúde, isto revela claramente um sistema onde não há confiança no sistema de saúde. É a minha leitura, embora alguns medos são complexos, não é? O medo da cegueira, mas há muito medo da dor, da hospitalização, da doença.

E, portanto, como eu ontem dizia numa entrevista, nós, calhando, temos aqui uma radiografia do ponto de vista da saúde. Ou seja, nós temos um sistema de saúde orientado para a cura, o tratamento da doença, não é? Não temos um sistema de saúde orientado para a prevenção da doença. Portanto, se nós tivermos um sistema de saúde onde, enfim, o público não permite isso, portanto, eu vou-vos dar um caso...

um pouco louco, de um disruptivo, eu decidi há coisa de um ano ou há dois anos fazer um exame completo ao meu corpo.

Paguei, muito bem, o sistema de saúde não o permite, mas eu quis chegar ao ponto para perceber ao nível das minhas artérias, com os scores de cálcio, se estão calcificadas ou não, porque isso é o maior provocador de AVCs e por aí afora. E, portanto, há muita gente mais jovem que eu a sofrer AVCs a torto e a direito, e eu digo, eu sei o que é que fiz na minha juventude, alimentei-me muito mal, apesar de ter feito muito esporte, portanto, isto deve ter tido consequências. E, portanto, paguei.

para perceber, e realmente sei que tenho os bloqueios nas arretérias, que não é nada de grave, portanto, o que é que eu tenho que fazer com isso? Eu não vou ter medo, obviamente,

porque tenho um pequeno bloqueio, vou ter um AVC de repente, aquilo que eu posso fazer com estes medos é uma coisa muito simples. Vou passar a alimentar melhor, a fazer muito mais exercício para proteger. Mas, portanto, quando nós chegamos a este ponto, por um lado temos a questão da saúde, por outro lado, a nível profissional, continuamos a olhar para o mercado de trabalho com...

o medo de uma perda. E aqui na questão profissional, eu acho que a questão tem a ver com a perda daquilo que já tenho. E aqui é importante, se calhar, analisar do ponto de vista de gerações. A geração dos meus pais, que começou a trabalhar aos 11 e aos 12 anos, era uma geração que se calhar não tinha tantos medos. Não havia nada para perder porque não tinham nada.

não é? Sobretudo aqueles que vieram do interior, que foi o caso dos meus pais a fome, muitos irmãos, etc tiveram que ser mandados para Lisboa para trabalhar portanto para eles, tudo o que viesse a seguir era ganhar não havia nada para perder bem, a minha geração já é ligeiramente diferente, já privilegia muito mais o bem material o sucesso, portanto todo o passo que eu dei agora

que de alguma forma eu preveja que não me mantém no sucesso em que estou, isto significa perda. A geração mais jovem que vem agora, que já sai de casa dos pais aos 40 anos, que tem dificuldade em encontrar trabalho em Portugal, etc.

Então, calhando já é uma geração que vai sentir menos medos. Porquê? Por um lado, porque está a proteger, tem o ambiente dos pais ainda a criar alguma segurança e, portanto, isto provavelmente dá-lhes maturidade emocional para gerir muito mais o risco. Portanto, isto espelha completamente a sociedade em que vivemos, quer dizer, se nós transportarmos.

isto agora para outro país, em função das condições que está calhando agora se transportarmos isto para a Hungria, com as mudanças que houve, houve medos que se calhar mudaram completamente porque há uma esperança há um ultrapassar, há uma maior capacidade de risco

Quando nós tratamos deste tema ao nível das marcas e da comunicação, é bastante engraçado, porque o medo sempre foi uma base do marketing. Quando tínhamos a mensagem, ou compras isto, ou estás a perder, nós estamos a brigar com os medos. Tem que comprar, não quero perder, é um sentimento negativo.

Quando nós vemos as companhias de seguros, não é? Tratar determinados produtos, ou estás protegido, ou podes ficar sem a tua casa porque não tens seguros, etc. Nós estamos a jogar com medo. A gestão do medo nas marcas...

tem vindo a mudar com aquilo também que é a evolução do consumidor. Primeiro, o consumidor hoje não entende e não suporta tanto comportamento negativo. E nós temos, tem sido falado muito, é muita conferência, é um tema do qual eu falo muito, tem a ver com a questão...

emocional. Nós temos um consumidor que durante anos olhámos para ele em função das idades, em função dos comportamentos que tinha, portanto apelidámos Baby Boomer, geração Y, X, E, etc. E esquecemos de olhar para aquilo que era o comportamento emocional do consumidor. E hoje o que acontece é que um consumidor de 50 anos e um consumidor de 20 podem estar no mesmo estado emocional, no mesmo estado de ansiedade.

Já não tem a ver com comportamento. E portanto, as marcas têm que saber usar, e sobretudo com este estudo e com aquilo que se deteta que as pessoas sentem no estudo, eu devo como marca utilizar isso para perceber como é que eu chego até ao consumidor. Como é que eu ponho o consumidor num estado emocional.

que crie confiança com a minha marca. Muito mais do que lhe dizer que ou compras ou perdes. E isto, por exemplo, se nós transformarmos isto para a área financeira, para os bancos, empresas de crédito, etc., em que a comunicação...

é muito na base da taxa de juros a minha melhor, poupas mais eu tenho que calhando é transformar a mensagem naquilo que é a sua vantagem emocional, eu quando estou a vender o seguro de uma casa, eu não tenho

dizer à pessoa que ela, calhando, vai perder tudo e, portanto, tem que aproveitar a oportunidade. Não, eu tenho que lhe dizer é a proteção que ela vai ter. Nós temos que mudar o discurso e isso está a acontecer em alguns casos. Aliás, tenho para a semana uma conferência em que é precisamente o tema em que vamos tocar é como é que nós fazemos este transporte agora. Portanto, temos a conclusão com isto, nós temos a medita de lado. Até na comunicação das marcas a ser usada para o consumidor.

Porque em último caso é isso que ninguém quer perder, não é? Samarta José, aproveita esta oportunidade ou perde. Não vou aproveitar. Falou-me em perder, eu não quero perder nada na vida, não é? Portanto, vamos lá falar. Muito bem. José, e houve algum medo seu, voado, que tivesse de revisitar, de algum modo, enquanto escrevia este livro?

Este livro começa precisamente, eu sempre achei que, aliás eu costumava dizer na brincadeira, eu já escrevi tanto documento de estratégia ao longo de 40 anos para marcas como consultora, que às vezes me diziam, já plantaste uma árvore, já tiveste filhos, falta o livro. Eu digo, se eu fosse juntar todos os documentos que fiz, dão enciclopédias completamente.

E eu há dois anos, sim, está a fazer dois anos, dois anos e pouco, atravessei o meu terceiro divórcio, ao fim de 14 anos de casamento, 20 anos de relação com duas filhas pequenas, e senti muito medo.

E percebi, aliás, há dois ou três temas que para mim são interessantes de analisar. A questão do amor, a questão dos medos e a questão do universo, Deus e tudo isso. E a determinada altura aquilo era uma coisa estranha, porque racionalmente eu percebia que estava com medo e emocionalmente não conseguia controlar. Até que fiz uma coisa muito simples, foi vou-me isolar.

Vou desligar redes sociais, computadores, peguei, fui até um monte ali, já no Algarve, no Alenteves, enfiei-me num monte durante dois dias, levei um livrinho muito pequenino, muito engraçado. Eu que não sou muito de ler, talvez tenha sido o livro que me tenha marcado mais, que é um livro que se chama...

dentro da pequena loja, uma coisa assim de género, que é uma história muito engraçada, real. E eu disse, tens de te isolar. Tu tens de identificar de onde é que vengaste-te medo. Claramente era o medo da perda, o medo da rejeição, o medo da solidão, que é um homem que chega aos seus 50 e poucos anos e diz, agora estás sozinho. E portanto, a partir daqui, o que é que é a tua vida?

E eu fiz um exercício muito interessante, depois fechei-me. Falei muito comigo, que é uma coisa que as pessoas têm dificuldade em fazer. Nós, na maior parte do tempo na vida, nós andamos ocupados. Nós achamos que estamos a produzir qualquer coisa, mas não estamos a produzir absolutamente nada. Nós estamos ocupados. Isto tanto vale a nível pessoal, espiritual e profissional. Muitas vezes nas empresas estamos só ocupados, não estamos a produzir valor absolutamente nenhum.

E fiz um exercício muito simples comigo próprio. Foi imaginar, um, fazer a timeline da minha vida daquele momento para trás, tudo o que eu tinha vivido, soluções é que tinha encontrado no maior ponto das dificuldades, na maior parte do tempo, nas grandes decisões que tomei, se estava acompanhado ou estava sozinho. E isso que é uma conclusão.

A maior parte do tempo eu tinha estado sozinho a tomar as minhas decisões. A maior parte do tempo eu tinha trazido valor à vida das pessoas. Valor emocional, espiritual, material, todo o tipo. E naquele momento eu questionei. O que é que eu preciso na vida?

Quiser alguém ao meu lado, o que é que eu quero? Quero alguém que me traga valor. Quero alguém que me expanda. E no outro dia fazia este exercício com uma jovem que foi pedida em casamento e de repente bloqueou. Dito casamento, que deve ser um momento de felicidade, não é? Ela aceitou, mas bloqueou. E eu só lhe fiz duas perguntas.

Eu percebi já o que é que estava a acontecer. Eu digo, só te faço duas perguntas. Um. Quando pensas em estar casado, o que é que o teu corpo está? Sinto incómodo. Ok.

Dois, sabes que a tua vida vai expandir ou que estás a retrair? Estou-me a retrair. Digo, pronto, muito bem, só tenho mais uma pergunta. Vais casar por amor ou apenas por coerência da narrativa porque já namoras há 4 ou 5 anos? Não vou casar. Digo, pronto. Aprende a ouvir o teu corpo. O teu corpo não te engana.

E eu naquele dia percebi uma coisa, aliás, eu na altura estava com um psicólogo, um tipo amigo e não sei o quê, e ele viu no dia, eu saía uma terça-feira ao pé dele, que era só emoções, chego na sexta-feira e ele diz, eu nunca vi isto acontecer a ninguém, parece outra pessoa. Tu tens o diagnóstico todo feito, tens a estratégia toda do que tens de fazer e tu parece outro homem. Não é possível fazer isto em 48 horas.

É quando nós nos conseguimos fechar, falar connosco e sermos muito objetivos. E é uma coisa que eu aprendi desde essa altura. E hoje é o que mais privilegio. É silêncio. Estar só comigo. Estar sozinho em casa. Crever. Dar as minhas caminhadas matinais e de fim do dia. Nem fones de leve para ouvir música que já nem consigo. Só quero estar em silêncio comigo. E foi das coisas...

mais fantásticas que eu aprendi na vida. E foi preciso chegar aos 54 ou 55 anos para conseguir perceber que eu tenho que me ouvir, e não quer dizer que não tenha relações, claro que tenho, mas em todas as relações o que procuro é valor. Em último caso, como eu costumo dizer, nem que seja alguém que me faça rir todos os dias, porque isso para mim é de um valor.

Brutal. E portanto, todos nós temos que encontrar as nossas estratégias e muitas vezes só para introduzir muito rapidamente este tema, eu fiz agora uma incursão pelo Tibete, pelo Nepal e pelo Butão há cerca de um mês e eles têm uma roda da vida muito engraçada e trabalha da seguinte forma começa com três elementos e a forma como nós lidamos com esses elementos condiciona completamente a nossa vida.

É a forma como gerimos a intriga, a raiva e o apego. Pessoas que não conseguem gerir intriga não têm uma vida descansada porque estamos constantemente preocupados com o que os outros dizem de nós. Quem não consegue gerir raiva anda constantemente atrás da vingança e, portanto, não consegue ter uma vida em paz. E depois no apego, quem está no estado e há muitas pessoas em várias situações da vida que não conseguem gerir. A forma como se gera o apego

com o outro nas relações sobretudo sempre preocupados com o outro, é meu, para onde é que vai para onde é que não vai, a situação profissional, esta função é minha, não posso partilhar com mais ninguém etc, a forma como gerimos o apego também condiciona a forma como nós conseguimos ou não conseguimos viver connosco próprios e portanto achei muito engraçada a temática destes três elementos e da forma como é que podemos o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o

E o paralelismo que faz com as diferentes vertentes da nossa vida. A marca tem que me parar de vez em quando. Quando começo a falar... Tudo bem, está ótimo. Mas estamos mesmo a chegar ao fim deste episódio e não posso deixar ir embora, José, como é hábito aqui, não é, comunicar que nos entendemos sem baralhar aqui o baralho das cartas para conversas de podcast inesquecíveis, o GoPos. Vamos ver qual é a pergunta.

Pergunta surpresa que lhe vai sair. Então é... Já deu a resposta, ou deu uma resposta, mas quiçá tenha outra e assim em vez de ser um, ficamos com dois. Já vai perceber o que eu quero dizer, que é se pudesse sugerir um livro que todos deveriam ler, qual seria e porquê? Pronto, vou seguir repetindo e vou...

E só por uma razão, eu escrevi o livro primeiro, fiz o estudo, fiz tudo por minha conta, e um dia fui à editora, à Talento, e disse, escrevi isto, não sou psicólogo, isto não é um livro de autoajuda, sou apenas, se calhar, um comum mortal com muita experiência de vida em diferentes áreas, enfim, tenho pais, tenho casamentos, tenho empresas, vendo empresas e, portanto...

crevi, acho que isto pode ser um ponto interessante e uma coisa que eles me disseram depois de ler o livro e terem aceito

publicá-lo, foi é diferente, porque é precisamente isso, isto não é um conjunto de teses de um psicólogo com ferramentas específicas não é uma pessoa a tentar aqui ferramentas de autoajuda isto é um livro em que em diferentes fases e idades da vida há determinadas ferramentas que as pessoas podem usar e tem sido com muito muito, muito o

gozo pessoal, aquele clorzinho que entra cá dentro, que muitas pessoas me têm escrito a dizer, olha, li esta parte assim assim e já implementei e já consegui ultrapassar. E é das coisas, mais do que as vendas que o livro terá ou não, é das coisas que me dão maior satisfação. É saber que a esta altura da vida posso partilhar não só a experiência, mas o conhecimento que tenho para ajudar outros ou para ajudar outros a chegar lá muito mais diferença do que eu cheguei.

E nós vamos deixar no descritivo deste episódio justamente o link com todas as indicações do livro do José, que eu recordo que tem como título o Medo, como transformar as ameaças em forças. E fica aqui o convite para que leiam este livro, como vos disse, tem desde o primeiro estudo nacional sobre o medo e também aqui a viagem que é tudo menos monótona da vida do José, garanto-vos, vão gostar e muitos exercícios práticos.

Para o José, resta-me agradecer a sua presença no arcomunicado que nos entendemos. Fica o desafio de enfrentar o medo e de aprender a nadar. Está bem? Está bem? E, para si, se gostou desta conversa e deste episódio, acompanhe o podcast, partilhe-o e encontremos-nos no próximo episódio. Até breve.

Obrigada por me ter feito companhia e porque é a comunicar que nós entendemos. Fico a aguardar o seu feedback sobre este episódio. Vou adorar receber a sua opinião. Até para a semana.

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