OS DUBLADORES DE RESIDENT EVIL REQUIEM ft. FELIPE GRINNAN E MARCO NEPOMUCENO - #flowgames #186
Fechando a nossa semana especialíssima de Resident Evil Requiem, vamos falar do excelente trabalho de dublagem e localização do novo jogo. Por isso o Flow Games de hoje conta com a presença do @felipegrinnan , o dublador do Leon e do @marconepomuceno8433 , o diretor de dublagem (e também dublador do Mercador no remake de Resident Evil 4). Vem conferir que hoje temos os timbres mais aveludados agraciando os microfones do Flow Games! 🎙️
- Resident Evil RequiemProcesso de adaptação do script · Trabalho com material audiovisual (mockups) · Direção de dublagem e feedback em tempo real · Qualidade e cuidado na execução · Tempo de estúdio e gravação
- Inteligência ArtificialGravação sem imagem vs com imagem · Volume e complexidade de arquivos · Ramificações narrativas em games · Necessidade de imaginação e abstração · Especializações diferentes para cada mídia
- Evolução de sistemas e tecnologiaEnvelhecimento do personagem (de 35 para 51 anos) · Técnicas vocais para representar maturidade · Continuidade desde Resident Evil 4 Remake · Ajustes de registro e posicionamento de voz · Peso e fibração da voz
- Desenvolvimento CulturalCuidados com a saúde vocal · Técnicas de posicionamento de microfone · Múltiplos microfones para espacialização · Limpeza e pós-produção de áudio · Divisão de sessões para preservar voz
- Personagens secundários e efeitos vocaisDublagem de mortes e grunhidos · Reações e sons de dor · Voz do Mercador (remake RE4) · Voz dos Ganados (criaturas) · Coordenação de múltiplas vozes do mesmo ator
- Vazamento de DadosProtocolos de segurança em estúdios · Contatos pesados e controle de acesso · Impossibilidade de levar scripts para casa · Vazamento da presença de Leon no jogo · Impacto do marketing vs. segurança
- Videogames e FilmesEvolução desde Diablo 2 (português) · Crescimento do mercado brasileiro a partir de 2012-2013 · Impacto de The Elder Scrolls V: Skyrim · Número de estúdios e profissionais especializados · Desenvolvimento de cursos e formação
- Responsabilidade como primeiro dublador português de LeonImpacto permanente na memória dos fãs · Comparação com dubladora de Jill Valentine · Peso de representar protagonista mais popular · Primeiro jogo dublado da Capcom no Brasil · Expectativa de manter nível de RE4
- Saúde MentalDublagem repetida ao longo de anos · Conhecimento profundo de maneirismos · Encontros com atores originais · Paixão por personagens e franquias · Evolução da performance com o tempo
- Manutenção de consistência em personagens e nomesImportância da pronúncia correta de nomes · Glossários fornecidos pelas produtoras · Pesquisa em sequências e franquias · Problemas com mudanças de decisão (caso Disney) · Coordenação entre múltiplos diretores
- Pressão comunitária por localizaçãoExigência dos fãs por dublagem e tradução · Impacto na decisão das desenvolvedoras · Caso do jogo 007 James Bond · Importância da localização para imersão · Aprendizado de idiomas através de jogos não localizados
- Improvisação e adaptação culturalLicença para improvisar falas · Gravar variações de cenas · Adaptação de piadas para o português · Limitações em memes e referências atuais · Risco de descambar em absurdo
- Demanda de trabalho e mercado de dublagemRetração em 2023 pela IA · Impacto de plataformas (Netflix, Amazon, HBO) · Estabilidade profissional em São Paulo e Rio · Variedade de produtos (filmes, séries, games, audiolivros) · Recuperação do mercado em 2024
- Tecnicas VocaisImportância da versatilidade vs voz bonita · Registro vocal e posicionamento · Variação de timbres e texturas · Cuidados com saúde vocal antes de gravação · Influência de comida e bebida na qualidade vocal
- Cinema e SériesPapel do diretor em trazer emoção · Importância de conhecimento técnico do diretor · Comunicação entre diretor e dubladores · Detalhes de interpretação e nuances
Fala galera, bem-vindos ao Flow Games, eu sou o David Jones, só pra avisar vocês que o programa de hoje é gravado, tá? A gente gravou na véspera, que tá saindo por questões de agenda e tal, então esse programa gravado não vai ter interação com vocês, tá? Só pra deixar claro isso no início, pra depois, assim, live gravado, hoje foi, tá? Então fiquem espertos aí que vai rolar isso. E hoje a gente tá aqui pra falar com o dublador do Leon Resident Evil Wrecking e o diretor de dublagem, tanto desse quanto de diversos outros jogos de videogame também, e a gente vai ver tudo isso aqui.
aqui com o Cross, tudo bem? E aí, meu amigo? É isso aí. Cara, tô feliz, hein? Pensa num cara que é fã. E, ó, eu falei pra ele já aqui, eu tô com a voz dele aqui e eu falei 60 horas, só que é mais, tá? Eu tô com a voz desse cara desde o 4 Remake na minha cabeça. Verdade. E vou falar, hein? Que prazer, que voz, hein? Ficaria mais uns 100 anos. Exato. E, galera, é um prazer receber aqui Felipe Grinan, que é o dublador do Leon e o Marco Lepomuceno, diretor do jogo.
Sejam bem-vindos. Muito obrigado por ter vindo aí. Obrigado. Obrigado. É um prazer estar aqui. Muito obrigado pelo convite.
Não, não, tá imponente. Eu falei, cara. É animal. A voz é uma voz. E aí, assim, você falou pra mim, né? Eu acho que a maior experiência que você teve em dublar o jogo foi agora com Resident Evil 4 e isso aqui. Como é que é? Só pra gente ter uma noção do quanto que vocês são desse mundo de videogame ou nada. Cara, eu não sou nada. Tá. Eu costumo dizer que a gente trabalha com tela o dia inteiro. Então o lazer dificilmente vai ser a tela, né? Meu lazer tem que ser fora de casa. Faz sentido.
ver série, ver filme, jogar, me prende na tela de novo. Então já é o dia inteiro, tela, tela, tela. Então, mas o lance dos fãs foi tão grande, o hype foi tão grande, que eu na sexta-feira, eu joguei com o pessoal. Ah, legal. Levei um PS5 lá pra casa, joguei, joguei a primeira parte com a Grace, depois a primeira parte com o Leon, e aí eu vou ter que comprar meu PS5. Não vai ter jeito, eu vou comprar. É que é uma coisa que eu vejo as pessoas, às vezes, tendo uma ideia um pouco equivocada. Tem um jogo que saiu recentemente,
popular ano passado, na verdade, foi o maior jogo do ano, que chamava Claro Obscura. E um dos atores que fez foi o Charlie Cox, né? Ator de Hollywood e tal. E ele não tinha ligação nenhuma nem com videogame, nem com jogo, nem com nada. E o povo ficava o tempo todo falando com ele isso e entender que para profissionais nisso, você não tem que ter uma ligação emocional com aquilo pra entregar um bom trabalho. Vocês fazem isso com todos os personagens que vocês lidam, né?
Se a gente fosse se dedicar a todos os personagens que a gente faz, né? Não tem como. Eu, particularmente,
já sou um pouco mais. Ah, boa. Eu sou bastante viciado com o jogo, desde muito moleque. Ah, que legal. Eu curto jogo de tabuleiro, RPG, baralho, card game e videogame. Agora, principalmente, a gente acaba tendo que jogar mais, inclusive, por conta de acompanhar as coisas, entender as mecânicas e tudo. Por exemplo, agora, pra fazer o Resident, dar uma boa, pelo menos uma pincelada em cada coisa é bom pra gente também fazer uma troca indevida, cometer algum erro. E no caso do Resident,
então já tava ligado do que é a franquia, né? Do Colosso que é essa franquia. Sendo dos games, então já ficou um pouco mais tranquilo de entender a importância do personagem. Essas autores a gente pode falar, né? Da volta do personagem, que é um negócio muito marcante, muito forte. Você já tinha noção disso, então? Sim, sim. E eu também participei do 4, né? Como dublado. Ah, você dublou quem no 4? Eu sou mercador. Ah, mercador, é verdade!
É verdade. Muito foda. Então, assim, não tem como, né? O Resident me acompanha desde moleque, apesar de eu não ter jogado todos.
franquia, a gente sabe o tamanho colossal que ela tem. E a gente conversou mais cedo, né? O 4 fez um sucesso muito grande. Então tem uma responsabilidade em cima de mim e dele, uma expectativa de que pelo menos mantenha aquele nível. E o jogo em si foi um jogo muito bom. Então, a gente tinha uma expectativa que eu acho que a gente tentou dar o nosso jeito. Cara, eu acho assim, é porque a gente acompanha videogame há muito tempo, né?
E a mídia de videogame há muito tempo também. E não é desde sempre que os jogos são dublados em português. Na verdade,
de nilandês, sempre que os jogos nem tem a tradução pra português. Hoje em dia, o Brasil se tornou algo muito gigante no mundo dos games, então a maioria das coisas vem dublada e com localizado, né? O termo é localizado em português. Mas não era sempre assim. E o Resident Evil, esse não era mesmo. Até não faz muito tempo. É o Quatro Remake, né? Foi o Quatro Remake, exato. Então foi algo muito marcante pra gente aqui e é aquela coisa.
Infelizmente, aqui no Brasil, a gente já teve algumas dublagens de jogos que não ficaram muito boas. E conhecendo a dublagem brasileira, porque assim, galera que dubla os jogos,
as vozes, né, dos atores, é a mesma galera que dubla filme e série. E a gente tem, a gente sabe, assim, eu sei que eu sou clubista, mas pra mim a dublagem brasileira é a melhor do mundo. E a gente pega, assim, Disney e tal, que tem todas essas coisas muito importantes, e a gente sabe o nível de qualidade. Então fala, pô, por que o dublador no filme é bom, no jogo ficou ruim, né? E aí a gente, obviamente, pegando mais informações, sabe que, ah, às vezes os caras deram muito pouco tempo pra fazer, o medo de vazamento faz os diretores não terem nenhum recurso pra dizer o que tá acontecendo pro dublador.
é um ponto também que não são dubladores. Então, por exemplo, não é? Nós tivemos aí alguns casos, por exemplo, era uma cantora e um cantor que fizeram uma dublagem, aí ficou ruim, e aí a galera, pô, ficou ruim. Sim, porque não são dubladores, né? Então é basicamente por isso. E aí o que acontece? Eu queria justamente que vocês falassem como é que foi essa coisa, porque a dublagem no Resident Evil Econ eu achei incrível. Também.
Infelizmente a gente não conseguiu trazer dublador da Grace aqui hoje porque seria fantástico, porque eu joguei também em inglês pra comparar, né? Porque eu acho normalmente, aí,
A nossa é muito melhor. Não, eu acho muito melhor, mas nem é isso. Eu acho que a dublagem americana eu não curto muito, tá? Em geral, certo? Mas nessa tá muito boa. E aí, eu botei pra comparar e tal. Ainda prefiro a nossa, mas a dublagem americana ficou muito boa também. Então, assim, quem prefere ir em inglês também vai ter uma boa dublagem nessa parada. Eu queria saber justamente isso de vocês, dessa relação com a Capcom, que é uma empresa japonesa.
A gente sabe que tem todas as questões, mas a gente tem os times brasileiros também. Como é que foi isso? Porque a dublagem tá realmente muito boa,
só nas falas e eu queria também, depois que você entrasse em outro aspecto, eu vou perguntar, mas como foi o tempo que vocês tiveram pra fazer, o que vocês tiveram pra trabalhar, como é que foi essa dublagem do Hacking? Bom, é... Igual você falou, o tempo é uma coisa que ajuda a gente muito e o acesso ao material... Puxa um pouquinho só, porque o nosso mic, eu não sei, tá de boa aí? Pelo amor de Deus, eu não quero... Porque às vezes o nosso mic não pega, a voz de vocês é indispensável aqui, pelo amor de Deus. Tempo é uma coisa que conta muito, agora é isso.
o material chegar até a gente sem uma grande preocupação, claro, você tem essa preocupação de não vazar, a gente teve esse problema do vazamento, inclusive, eu acho que a gente teve um acesso a um bom material, e a gente teve tempo também, eu tive a oportunidade de fazer o review do script, de fazer, analisar o script antes, adaptar, e a gente teve uma pessoa da Capcom acompanhando, e isso faz toda a diferença pra gente, mesmo assim, a gente começou acho que em agosto do ano passado.
Deu bastante tempo. Agosto e setembro inteiro, trabalhando em cima dos áudios. E aí tem várias coisas que entram. O tempo de realmente a gente poder fazer uma pesquisa. É isso. Não adianta eu querer dublar o hack sem passar pela história, pelo menos, do que tem o Leon. Tem o que fazer. Você tem que ter esse cuidado de entender o tempo passando e ter essas referências do que a gente sabe que acontece no jogo. Então, a gente teve um tempo bem legal. Uma pessoa acompanhando, que ia dando esse suporte,
pra gente conferir o que tá legal, o que não tá, pras mudanças. E é isso. Na dublagem a gente tem vários tipos de produtos. Reality, novela mexicana, novela turca, tem de tudo. E às vezes é atochado. Rápido, rápido. Fábrica de salsicha. Completamente diferente de como foi o processo aqui. A gente tem tempo mesmo assim pra fazer a fala, ouvir a fala, repete. Não, não é bom. Vamos tentar de novo. E o Marco tinha um cuidado muito grande com isso. E o dublador sente quando o diretor tá junto.
sabe do que está falando, é um cara que está ali só ocupando um lugar. Então você vai na dele, ele, não, o Leon está mais pesado, pesa essa voz e tal. Então você vai se entregando e tenta de novo, não é isso, vai no detalhe, quando você vê pronto, você fala, nossa, valeu a pena. A gente teve tempo de verdade, assim, o resultado, a diferença é nítida. Isso é legal o que você está falando, que era a pergunta que eu ia te fazer mesmo, Felipe, o Marco também pode complementar. A gente nota esse processo de envelhecimento da voz do Leon,
personagem também envelheceu, a gente tava falando lindo o homem, né? 50 anos de idade, lindo, lindo. Envelhece melhor. Nossa senhora. Mas tem também o processo da voz, né? Então eu voltei até pra ver lá no 4 Remake, era uma voz mais firme, mais forte. Eu senti que aqui no Wrecking tem um pouco mais rouco, um negócio mais... Isso. Como é que é pra você? Qual que é a técnica ali? O que você tem que fazer pra dar esse tom diferente?
O que é engraçado, eu tava fazendo as contas, o primeiro Leon da minha vida foi há 16 anos.
Foi quando eu fiz a animação, ou foi condenação ou degeneração, há 16 anos, né? Eu estava chegando em São Paulo, meu primeiro ano em São Paulo. Então, tive o contato com o Leon ali, foi a minha voz que eu tinha há 16 anos. Depois, três anos depois, ou cinco anos depois, veio a outra animação. Quando veio, em 2023, o trabalho que eu fiz com o André, que foi o 4, ele já pediu para eu pesar um pouco a voz, fazer mais essa firmeza que você percebeu,
E, ok, com o Marco, ele falou, agora o cara passa na história mais não sei quantos anos. Ele tá com 51 anos, que é a idade que eu tava também, quando eu gravei. Era a mesma idade a minha. E era engraçado porque ele tá com a voz mais pesada. Cara, mas eu tenho 51, minha voz não tá assim. Mas ele lá tá contaminado. Legal, então vocês tinham essa informação. Bom ponto. Não era eu ao 51, era o lião com o contexto dele ao 51. Então era uma outra voz, que era uma voz mais pesada,
que era aqui, mas um pouco na garganta. O outro livro é mais aqui atrás. Esse é mais aqui, tem uma sujeira. Então é tudo diferente, é um outro jeito de falar. A vibração é menor, a voz acaba aqui. Outra voz preencheu um pouco mais. Essa voz não vai tão longe assim. E aí é uma técnica, a gente vai inventando pra onde que ela sai e vai dando certo. Caramba, que doideira, né, cara? E passa de verdade a real sensação do personagem, o que ele tá sentindo, como ele tá com a voz, você entende o que o livro tá passando naquele momento. Ele não deixava eu sair da voz, não.
Grina, volta. Não tá sujo o suficiente. Ele foi chato comigo. Muito obrigado. Ele foi chato de verdade, assim. Pra gente chegar onde chegou, precisava disso. Ter esse cuidado a tudo. É, isso que é importante, né? Porque a gente escutou já de outros trabalhos que foram criticados, que é justamente isso. O dublador ia lá, fazia, e às vezes ela nem via o que ele fez. Tipo, você não vê de novo pra... Porque normalmente, assim, eu já fiz dublagem milhões de anos atrás, né? Sim, eu fiz curso e tudo. Mas nas coisas, extremamente, há muito tempo atrás,
Você fala, aí dá um play e você escuta o que aconteceu. Você mesmo vai identificar, não, aqui dá pra fazer a diferença, aqui dá pra ser melhor e tal. Pergunta, vocês tiveram imagens ou foi só no áudio? Não, tivemos as cutscenes. Ah, teve as imagens. Pô, você foi muito privilegiado realmente, né? Porque tem vezes que eles não mandam nada pra galera, né? Assim, nos últimos anos, o que tem cutscene, normalmente eles enviam cutscene pra gente poder trabalhar em cima. Às vezes finalizada, próximo de finalizar, às vezes não.
sobretudo é quando a gente recebe, na verdade, o mocap. Porque aí eles podem dublar o ator. E aí tem boca, porque tivemos alguns. Nesse agora? Sim. Ah, legal. Ninguém viu isso, tá? Isso aí não é público de zero. Ninguém nunca viu isso aí. Por exemplo, eu dirigi o Fallen Order e o Survival. Neles também era assim. E você tem os vídeos na internet, do processo de mocap, e aí você consegue ver
esse tipo de coisa. Isso ajuda muito. Quanto mais material, porque é isso, o tempo de estúdio pra game normalmente vai ser o mesmo sempre. As horas que o ator vai ter pra fazer em qualquer jogo vai ser proporcional sempre. A diferença é o material que você tem pra trabalhar em cima. Porque tem horas que, por exemplo, jogo de guerra, essas coisas, às vezes é uma coisa depois, a gente fez Battlefield agora, é uma coisa depois da outra.
Você não tem jeito. Você escuta o original, grava. Escuta o original, grava. Escuta o original, grava. Você não vai voltar. No caso das cutscenes, não.
esse cuidado de poder gravar as vozes, depois, de repente, opa, tá com tempo? Tá com tempo. Volta, assiste, assiste já mais ou menos como vai ficar com todas as vozes juntas. E se tem uma coisa ou outra pra acertar, por exemplo, às vezes a gente tem, a gente deve ter tido, sei lá, umas seis, sete sessões de gravação. A gente consegue voltar, opa, tem um negócio, um detalhe ali naquela outra de trás, vamos fazer. E você fez no mês passado.
É, exato. Então às vezes dá pra gente fazer esse tipo de acerto. E até que ponto vocês, por exemplo,
Que a Capcom, né? O japonês é... É só uma olhadura. Sei como é que é. Mas até que ponto vocês podem improvisar? Por exemplo, pô, eu tenho uma fala aqui que é original, mas, pô, por exemplo, o Felipe tem um site que fala, pô, e se eu fizesse assim? Vocês podem? Vocês têm essa licença pra poder improvisar? Sim. Não tem nenhuma restrição de... Não, faça assim e tal. O máximo que pode ter é, assim, grava de reserva, como tá aí no texto.
E aí faz a sua brincadeira também. E aí, se implicarem, a gente tem a outra. O aprovado. É, porque nesse, o Leon, esse foi um pouco menos,
ele tava todo ferrado e tal, teve menos piadinha, né? Eu julgo, eu fiquei esperando o jogo inteiro pra ver se ele ia falar do bingo de novo. Mas ele fala que quer uma segunda opinião no início. Não, é o bafo do cara, então tem essas coisas que vocês adaptaram pro nosso, não teve problema nenhum. Não, não, nada, nada. O processo de adaptar o script ajuda muito nisso, porque ele vai e volta. Então sempre, você vai ter uma primeira conferência, depois você vai ter material, se tem alguém acompanhando, a pessoa já pode,
dar esse feedback pra gente e de repente eles falam isso que o Grinan falou. Não, grava como tá aí e grava essa outra e a gente tem a de reserva e o tempo que tem de ir pra eles voltar, analisar e eles chamarem de volta se precisar de fazer qualquer coisa. Agora, em relação às piadas, a gente não sabe o que vai funcionar. Se a gente grava a fala do bingo, a gente gravou. Podia ser que não dessem nada. Então ali a gente espera o público dizer o que eles acham engraçado. E aí vai virar um meme em função da internet. O jogo,
segue pela internet. Então tem coisas que você fala assim, sério que o pessoal pirou nisso? Sim, e não tem explicação. E esse final de semana é que agora a partir dessa segunda que a gente vai começar a entender o que o pessoal pirou. O que funciona, né? E vai começar a virar meme. Eles vão começar a repetir por aí. Eu tô curioso pra saber o que eles vão gostar. Mas não tem tanta piada. É, se tem menos. Vamos pro jogo um pouco mais sério.
Em relação... É, eu tenho essa dúvida. E aí acho que é mais que você, porque ele é o chamado nessa história. Mas uma coisa que é muito importante, principalmente pro fã de Resident é chato, cara. Os caras são exigentes.
a parada do nome dos personagens. Então, por exemplo, facilmente um dublador pode ler Leon e não Leon. E aí o funk é morrer com isso. Então tem disso mesmo de, pô, vamos se atentar aí à pronúncia dos nomes, porque, pô, eu já vi Leon. Eu já escutei Leon. Não, assim, não vou com você, mas eu já escutei Leon por aí. E fica parecendo que não é ele. É louco isso, né? Porque é Leon, é Leon. Tem que ser Leon, cara. Tem muito disso, desse cuidado também com os nomes dos personagens, né? Tem. Quando um, que alguns estúdios, algumas
produtoras, né? Elas já têm o seu glossário e eles já mandam o glossário pronto. Do jeito que tem que pronunciar. Exato. Boa. Quando você tá trabalhando já uma sequência, você também já tem o seu próprio e deixa ele guardado. E esse cuidado de quando é franquia, quando é alguma coisa que já tem, a gente ir lá e procurar. A gente às vezes para a gravação e fala, não, peraí, vamos caçar aqui na internet pra não ter erro. Se não tiver ninguém acompanhando.
Quando tem gente acompanhando é sempre muito mais fácil, né? E tem, às vezes, acontece
de, por algum motivo, eles precisarem mudar. O famoso caso do Star Wars, dos filmes que tiveram que mudar o nome de alguns personagens, porque a piadoca ia cair fácil, fácil, fácil. Então, é isso. O cuidado tem sempre. Tem jogos que, às vezes, ficam um pouco mais difíceis de manter uma consistência, porque ele pula de um diretor para o outro, às vezes pega uma equipe muito grande de direção e acaba que, no meio do caminho, uma coisa ou outra acaba escapando. Mas, normalmente, o cuidado é muito severo com isso.
É isso que você falou. Chama o cara de Leon, é outro personagem. É, e isso é uma coisa que acontece, que, por exemplo, jogos que são novos, tipo, a franquia é nova. O jeito que é falado ali vai ser o jeito que todo mundo vai chamar. Então, se falou errado ali, errado, né, a pronúncia que não era pra você, a empresa não teve esse cuidado de passar pra cada lado, e vão ter personagens que, ah, que vai falar de um jeito, os Estados Unidos vão falar de outro, o Japão vai falar de outro, tem isso também, e aí cabe a empresa dona decidir o que ela acha melhor. A gente tá vendo agora a Disney,
mudar todos os nomes pra inglês agora, que agora não é mais o Meia-Aranha, é Spider-Man, que é muito louco, o Meia-Aranha existe no Brasil, é Tinkerbell, é meio doido isso aí, tá? Isso aí eu acho meio loucura, mas a Disney tá fazendo esse caminho, né? Assim, é que esse negócio, pra isso aí funcionar mesmo é pra muito pra frente, porque até, porque a gente tem todos os registros em português aqui, né? Mas eles tão mudando a decisão que a empresa toma e muitas vezes é isso que acontece, muitas vezes as pessoas não entendem que quem tomou a decisão é a empresa que é a dona da franquia e a gente
você pode não gostar. Mas é a empresa que é dona da franquia que chamou isso. Mas assim, quando veio no Resident Evil 4 Remake, porque eu lembro que pra gente aqui foi um negócio muito enorme quando isso foi anunciado, tá? Da luta do Resident Evil 4 Remake. Porque agora no 9 você falou, mas no 4 teve esse impacto do 9 também? Não. No 4 começou, no 9 agora foi uma loucura. Porque desde quando anunciaram que ia ter o jogo, não foi anunciado de cara que ia ter o Leon.
É verdade. Então começou a mensagem. E aí, vai ter o Leon? Você vai fazer parte?
E eu já tava gravando. E eu assim, não posso falar nada. Não sei, não respondia. Quando anunciaram que ia ser o Leon, vem a segunda. Vai ser você? Ih, vai ser você? Então é desesperador. Você quer fazer um post no Instagram com um X na boca? Eu não posso falar nada. Eu não posso falar nada. Porque é diário. Faz post de... Eu no parque de diversões, na roda gigante. Vem um monte de gif do Leon. Leon, Leon, Leon. Eles são incansáveis, mas são maravilhosos, carinhosos. Muito obrigado. Bom demais.
vocês tem esse impacto, por quê? Vocês pegaram não só o protagonista mais popular da série, mas vocês pegaram o primeiro jogo dublado da Capcom. Então, uma responsabilidade dupla aí, né, cara? Porque, você imagine, eu cresci ouvindo dubladores de lá. Você ter uma voz daqui representando o linho localizado é uma loucura. Então, pra gente, a sua voz, independente do que vai ser o futuro, você é o linho que vai ficar marcado. Isso acontece muito com o rosto. Por exemplo, a Jill Valentine, que também é uma personagem do Resident Evil,
O primeiro rosto dela, um dos primeiros, na verdade, que foi do remake, que é da Julia Wolf, um negócio assim, até hoje ela é muito marcada, porque ela foi uma das primeiras, então marca muito pra gente. E nesse caso, localizando pra nossa voz, cara, a sua voz, ela vai ficar eternizada assim pra todo sempre, cara, porque é muito impactante isso. Não, e o louco é porque no jogo passado, talvez eu não fizesse, porque eu fiz duas animações, na terceira foi pro Rio de Janeiro, teve uma pessoa que fez.
Quando veio o game, ficou aquela dúvida, vai ser o Grinan dos dois primeiros animais,
animações. Outro rapaz foi fazer um teste. Eu fiz um teste com desespero. Eu falei, isso tem que ser de qualquer jeito. Eu tenho que ganhar esse negócio. Foi desesperador. E deu certo no final das contas. Deu certo. Se vocês não souberem, tudo bem, mas quantas horas totais deram esse trabalho pro Wrecking? Vocês ficaram no estúdio gravando. A parte dele... Ficaram mais de duzentas. Caraca! Mais de duzentas. Aí é a volta. Porque a gente ficou praticamente dois meses inteiros gravando.
semana, todo dia. Então vai, entre cada semana de trabalho tem 40, 44 horas. Pra mim foi mais 20. Pra mais um pouquinho. Acho que foi duas vezes. Mas 25 horas, talvez. Com certeza a Grace foi a que mais gravou o maior conteúdo dela, mas eu acho que por aí vai entre 100 e 150, com certeza. Outra coisa que a galera tem muita dúvida, quando é dublagem de jogo, como é que é pra fazer todos os efeitos de os grunhidos,
de porrada. Como é que funciona isso? É muito cansativo. Além de cansativo, ali é o mesmo problema dos jogos de guerra. É um arquivo atrás do outro. Então você tem pessoas que têm uma habilidade fenomenal de ouvido, porque às vezes você tem as reações curtinhas, separadas. Às vezes você tem uma trilha de áudio de um minuto só de reação. Caramba! E tem gente que ouve uma vez e faz depois.
idêntico. Então, é isso. É repetir. É ouvir, repete. Ouve, repete. Ouve, repete. Mas é um atleta vocal que você tem que ser. Porque são horas. Então, é meio que dividido. Tentam fazer assim, né? Se eu vou lá cinco dias, eu começo a gravar e termino com reação. Gravo no dia seguinte. Porque se você puser no começo, ou um dia inteiro, você vai perder a voz. Porque morre, morre, morre, morre. Um atrás do outro. É uma loucura. E é isso. Tem que estar com o ouvido atentíssimo. Porque é...
Então, vários níveis. É muito complexo. E são umas mortes meio brutais, né? Você tem que reproduzir os sons ali. Então, é morrendo desganado, morrendo com uma facada, morrendo com o pescoço cortado, aí morrendo de uma queda, cai em pé, cai sentado, cai e bate a cabeça, cai e não sei o que. É uma loucura. E no momento dessas gravações aí, você meio que faz os gestos pra poder acompanhar? Ou é só aqui mesmo? É só na voz? Não pode fazer muita coisa. Ah, não? Você sai do microfone, faz um vento aqui. Então, tem que ser aqui.
Não dá, né? É, muito não. Tem gente que mexe, eu mesmo, quando estou dublando, sou uma pessoa que mexe um pouco. Mas é isso, você tem que ter um super cuidado, porque não pode ter ruído nenhum, né? Tá ligado na cabine, você mexeu o braço, bateu no pedestal de novo. E aqui, sua boca tá aqui, ele programa o microfone pra aqui, é isso. Você não pode fazer isso, isso, isso, isso. Já foi, já foi, de novo. E quanto mais você sair, você vai ter que repetir de novo, e repetir de novo.
Então tem que focar aqui, vai uma atrás da outra. Uma hora sem parar, morrendo, morrendo, morrendo.
Caramba. E aí, esse jogo, a gente viu, né? Tem muita morte. Eu não vi todos os tipos de morte que dá pra ver. Ah, tem muitas. Tem muito tipo de morte. E nos lugares, pro bicho que te matou, é... Os efeitos sonados dos bichos, você... Não, vocês fizeram até do zumbi. Teve zumbi, né? As vozes do zumbi, sim. Caramba, que legal isso, né? Eu, pra mim, foi uma coisa fenomenal. Quando eu descobri que ia ter voz pros zumbis, eu falei...
Cara, primeiro eu fiquei sabendo que ia ter. Depois eu vi como é que seria. Quando eu fiquei sabendo, eu falei... Como assim?
Sério? Será que isso vai funcionar? E quando a gente viu o material original, a gente falou assim, caramba, que sacada fenomenal fazer eles, porque basicamente são as últimas memórias dele. Você tem um zumbi que te pede disso? Desculpa. É. É doido. Eu achei fantástico. Tenho que ficar falando, para de fazer barulho, pô, isso é fantástico. Mas no 4 tinha, mas era... Eles não falavam, né? No 4? Tinha alguns falavam. Só que não é um zumbi, né? Ah, sim, sim, sim.
Mas aí eu queria te perguntar, porque no 4 tem ali a linguagem deles da vila, não tem? Como é que foi isso? Mas no 4 eu não dirigi, então eu não tenho noção. A direção do 4 é de outro camarada, do André. Mas geralmente, na sua experiência, quando vem de outra linguagem, eles mantêm ou colocam dubladores brasileiros para poder dublar? É, depende. Dentro da sua experiência? Depende, depende muito. Por exemplo, eu dirigi o Monster Hunter e tem a língua do Monster Hunter.
tudo. Então eles mandam grafado de uma forma que a gente entenda como que vai pronunciar. Tem coisas que ficam de original, tem coisas que não, mas tem muita coisa até por conta da mixagem, porque a mixagem pode mudar, então algumas coisas são refeitas. Legal. E aí o cara vai falar espanhol. Ah, então nesse aqui então, maravilha, todo mundo falando em português ali, reproduzindo e tal. Excelente, excelente. Eu acho que sempre que localiza é melhor.
A gente tem problemas com isso assim, às vezes, porque você tem que encontrar uma pessoa. Se o personagem
é um personagem, vai, mais cômico e você coloca ele falando um espanhol meia boca, beleza. Agora, se não, se é um cara que tem que passar uma certa seriedade, o cara vai ter que falar e vai ter que falar. Agora, mesma coisa, cara, eu acho incrível essa capacidade que alguns dubladores têm de ter um ouvido fenomenal, de não falar uma língua e escuta, pega e replica de forma... É um superpoder. É um superpoder. De fato, é um superpoder. Cara, os...
que tinha o Leon e a Grace, vocês gravaram separados? Sim, não se grava mais nada. Não se grava mais nada junto? Nada junto. Por questão de mixagem, né? Técnica mesmo. Tem que ser separado. Então ela tá ali, ela só vai entrar quando eu sair. Não tem outra opção hoje em dia. Caramba, não dá pra imaginar que é assim. É, pois é. Realmente vocês estão ali trocando atuação. É, e aí o lance é isso. Se você faz exatamente o que tá sendo feito lá e ela faz o que tá sendo feito lá, quando tira os americanos e encaixa, a gente vai encaixar.
Não pode ficar inventando muita coisa. Porque aí senão um não encaixa com o outro.
Entendeu? Mas ali não tem... E aí é que realmente fica difícil pra direção nesse sentido. Eu acho que o principal papel, assim, da direção é dar essa continuidade. De conseguir... Porque a gente tem que estar com a cabeça muito ligada pra isso. Quando ele tá gravando uma cena, se eu já gravei com outra pessoa, como é que era? Ah, não. Vai funcionar. Quando... Às vezes você consegue, durante a gravação, já deixar o diálogo correndo. Mas o primeiro que grava, grava meio que as cegas. Então...
cuidado de estar sempre atualizando o script pra não dar erro de... É, e às vezes quem grava primeiro tá em cegas, mas ele trava às vezes o diálogo, né? Então, às vezes eu quero mudar uma coisa, não pode mudar, porque a pessoa já fez e tem que responder daquele jeito. Então, primeiro tá em cegas, mas pode inventar algumas coisas, de repente sugerir, propor algumas coisas. É, o primeiro tem essa vantagem de servir de guia e conseguir realmente, de repente, permitir algumas alterações que vai funcionar bem e tudo certo. Cara, pra você, Marco, a gente tem, além do zumbi,
a gente teve a perseguidora, certo? E ela fala também. Como é que foi pra fazer, construir essa voz desse monstro que nunca tinha aparecido, a gente não tinha referência nenhuma, a não ser, obviamente, o original que veio pra vocês. Cara, é o original. É sempre o original que manda, sabe? Óbvio, em alguns casos, você consegue... Por exemplo, a gente tá falando das reações. Vai soar muito melhor se a pessoa segue, mas traz pra nossa linguagem. Porque, por exemplo, a reação do japonês, às vezes, é muito seca. Tá.
Porque isso passa muita precisão. Ah, nossa, tem um arzinho normalmente sobrando. Então seguir, mas trazer para o nosso é sempre muito louvável assim. Mas normalmente o original manda. Não tem o que fazer, o original manda. Em alguns casos, a pessoa propõe uma coisa que separa e fala, opa, vai funcionar. A gente tem que tomar muito cuidado exatamente porque a gente não sabe o nível de processamento que a voz pode sofrer no final. Porque tem o processamento final.
eu fiz o Goro, que se eu pesasse a voz demais e entrasse em processamento, você não entende o que o cara fala. Então, não tem o que fazer. Então, a gente tem que só tomar esse cuidado. Mas é seguindo o original. A referência de vocês foi em japonês ou em inglês? Inglês. Foi em inglês. Veio já no dublado inglês. É, porque o Resident Evil, apesar de ser um jogo japonês, ele é todo espaçado nos Estados Unidos, né? Então, o povo acaba pegando a referência.
São americanos, né? Grande maioria dos personagens. Uma, pra você, que é assim, a gente teve agora um outro jogo chamado God of War, Son of Spark. Sim.
quero perguntar pra você, saindo um pouco com os atores e tal, porque a gente teve agora esse jogo e ele teve um problema que não foi dos dubladores. Aliás, tem um dublador que a gente ama, que é o Ricardo Juarez. Fantástico, amo ele, nosso amigo. Mas teve um probleminha de mixagem, que em alguns momentos um ficava um pouquinho mais alto, ou seja, mixagem. O quanto você tem que estar atento, ou se é que você fica, você deve ficar, obviamente, você tem que estar atento nessa parte de mixagem, porque às vezes, pô, uma dublagem excepcional do Felipe é jogada fora pela parte da mixagem e não estar tão boa, né? Não necessariamente
Não necessariamente tenha acontecido isso agora, mas teve alguns probleminhas assim. Como é que você... Como é que é a sua parte atuando ali? Como é que é? Com a galera? Como é que funciona essa parte? Ou não tem contato? Como é que funciona? Então, você vai ter sempre um processo que vai acontecer na finalização mesmo. Tá. Que a gente não tem qualquer controle sobre esse. Mas, em alguns casos, tem uma parte desse processo que pode ser feita pelo estúdio. Então, quando a gente sabe que a pós vai ser feita no estúdio... Tá.
cuidado de ficar prestando atenção se alguma coisa pode sair fora. Porque isso aí é uma parte totalmente técnica. Lá na Rockets a gente tem a satisfação de trabalhar com uma equipe muito cuidadosa. Então a gente todo mundo joga, todo mundo curte a parada muito. Então a gente está sempre dialogando e, por exemplo, se acontece algum detalhe e a pós está sendo feita com a gente, o cara da pós passa, conversa com o técnico de captação, com o engenheiro de captação e aí a gente também vai
ficando atento, a gente meio que vai cobrindo. A minha parte não se envolve com isso. Eu no máximo falo, cara, não tá uma coisa estranha? Mudou a reverberação da sala? Qualquer coisa nesse sentido. Mas isso é uma coisa que tá na mão dos engenheiros mesmo. Geralmente vocês entregam conteúdo e vai. Então é exceção ficar com vocês esse material do pós? Depende. Não vou falar que é uma exceção porque realmente é a forma como o trabalho é contratado, digamos assim. Entendi. Mas
Quando tá na mão da gente, a gente tem um pouco mais de controle. Mas ainda tem esse detalhe. Existe um nível que é feito aqui e quando vai pra lá ainda tem um processo. Igual comentei. Determinado timbre, se você não toma cuidado, quando chega no final de tudo... Porque, imagina, o que as caras fazem pra 20 línguas. Então eles têm um preset, mano. E eles vão passar esse preset pra todo mundo. Pra todo mundo. Faz sentido. É, porque...
Isso é uma coisa que a gente fica imaginando, né? Como é que o time original que revisa tudo isso, né?
todas essas línguas pra fazer. Tá doido. E jogo é um negócio muito mais longo do que filme, né? Filmes são duas horas e valeu, né? Vocês acham, tanto o Marco Padira, mas também o doador, né? E você, Grana, que a complexidade de fazer um jogo em comparação ao filme, pra vocês? É muito mais difícil. Porque o filme tá lá, né? Tem o começo, meio e fim. O jogo tem ramificações, né? Uma coisa leva pra outra. São arquivos infinitos com nomenclaturas
Cada arquivo é muito complexo. Eu dirigi o jogo uma vez lá atrás. Eu achei que era um jogo até mais simples. O que é feito hoje em dia, eu acho absurdo. É muito complicado. Muito mais. Eu acho assim, a execução do nosso trabalho como dublador, ela não muda tanto. Mas o problema maior é o volume de coisas que a gente precisa e isso. Eu acho que se você não tem orientação, você vai estar muito a sério. É porque tem isso. O diretor do game,
a dificuldade que ele vai ter, ele precisa fazer com que aquele dublador esteja olhando para um gráfico e consiga viajar para onde tem que ser feito. O filme é estimulado pela imagem. Você vê lá o Robert De Niro, você vê o Matt Damon, você está junto com ele ali. O game não. Fora os cutscenes, é uma onda sonora. Se ele não conseguir trazer essa, pode parecer bobagem, mas trazer essa magia para o dublador ali, ele vai ficar só pá, pá, mecânico.
Vai ficar uma coisa sem vida. Então precisa de ser um diretor que entenda o que está sendo feito, que consiga conduzir você
Você viajar com ele para o terror, para a guerra, para o que quer que seja, esteja ali olhando para aquela wave e trazendo a vida necessária. Então é um trabalho, eu acho, bem exaustivo mentalmente. Eu confesso que terminar alguns jogos, se você terminar um dia de trabalho, você não quer fazer outra coisa. Porque assim, quando é um jogo de história linear, se você recebe um bom material para trabalhar e o material chega linearmente, beleza, é um pouco mais suave.
de mundo aberto. É. Que você tem que ficar o tempo todo... Não, pera. A gente tá em tal lugar do mapa. Não, pera. Agora a gente tá em tal lugar. Como é que você faz pra fulano? O Grinan tá fazendo... Porque normalmente nos jogos você vai fazer as mesmas vozes que o ator original fez. Então se o ator no original fez cinco personagens, você vai fazer os mesmos cinco personagens. Como que você tem certeza pra gente aqui no caso, quando às vezes precisa trocar, se não tá falando uma pessoa com ela mesma? Então você começa a montar um mapa
assim, bem complicado. E o Leon faz muito isso, né? Se ele tá andando ali, ele dá um resmungo ou fala alguma coisa ali pra ele mesmo. Não, o que eu digo com ele mesmo é, o Grinan tá fazendo o homem único. Ah, tá, tá. Ano passado teve uns dois jogos que isso aconteceu comigo. O cara que fez o protagonista também fez algum NPC que tinha infinito, o jogo não dá pra ter muito. E aí tá falando a mesma voz, falando com ele mesmo, sabe? Isso realmente acontece. E é difícil de lidar com isso aí.
é doido, né? Porque o... E é uma coisa que... Por que acontece? A dublagem não começou em jogos. Então, os estúdios de dublagem, imagino a grande maioria que estão aqui há tantos anos, que vocês trabalham há muitos anos com isso, começou fazendo filme, sério, não sei o quê. Quando vem os jogos, vocês têm que reaprender a fazer um negócio completamente diferente, né? Tanto que os jogos começaram a ser feitos em estúdios de dublagem, hoje em dia é tão diferente que agora são estúdios para games.
Tanto que lá não faz filme. Não, lá a gente só trabalha. Ah, que legal. É específico para isso. É um universo muito... Pô, que maneiro. Tem estúdio agora de dublagem só para
É, a Rockets, porque a Rockets, os donos da Rockets hoje, que são o Cristiano e o Carlos, eles já estão no mercado há muitos anos. Então, o Chris tinha... O Carlos, ele trabalha desde os primórdios da IA no CD, revistinha de CD. E o Chris tem o estúdio já há muitos anos, já tinha. Ele era o dono da Maximal. A Maximal passou a ser Keywords e depois eles saíram e fundaram a Rockets. Então, a galera está há muito tempo nessa história.
O Chris, desde que ele abriu o estúdio dele, ele trabalha basicamente com game. É o carro-chefe, é por onde vai, é o que ele curte, é o que ele gosta. Por isso que eu comentei. A equipe, normalmente, todo mundo joga. O horário de almoço, quando a gente almoça na empresa, é falando de jogo. Nossa, tem 20 minutinhos. Tem um Xbox, um Playstation, um Nintendo Switch, para a galera vai ficar jogando, assistindo. Então, assim, lá é específico. Você tem ainda estúdios,
Estúdios de dublagem e também trabalham com games. Talvez uns dois ou três. Mas eu acho que hoje a maioria dos estúdios que trabalham com games São Paulo são exclusivos pra games. Vocês são dubladores. Eu vi a lista de vocês aqui. Minha Nossa Senhora. Coisa pra caramba. É difícil até de listar. Isso traz uma bagagem muito legal. Dentro da experiência de vocês, a gente vê que a dublagem dos games mudou muito e cresceu bastante.
Então a maioria dos jogos hoje, graças a Deus, eles chegam localizados. Mas pra vocês,
do ramo, na visão de vocês dois, assim, quando foi que vocês viram essa virada? Citando até outros games, né? Que a Capcom chegou um pouco até atrasada nesse meio, né? Foi muito impactante, mas chegou atrasada. Tiveram vários... Quando é que vocês viram essa virada aí em relação... Pô, aqui é uma oportunidade de começar a dublar games, cara. Tava fora do radar, mas agora dá pra gente trabalhar com isso aqui. Quando é que vocês viram essa virada?
Porque assim, só completando o que você falou, a Blizzard, né? Já dubla jogo desde o Warcraft 2, né? A Blizzard é uma das... Eu fiz o Warcraft 2. Caraca, o Warcraft 2, que foda!
Findlay. É um dos heróis, provavelmente, né? Esse é o mais antigo que eu me lembro. Não sei se tem antes do Warcraft 2, se tem do lado de português. Mais, né, gente? Veio pra mim quando o Warcraft 2 saiu. Eu acho que é mais, hein? Esse é muito antigo. E assim, a Blizzard é realmente, a dublagem dos bagulhos da Blizzard é um bagulho alto nível desde lá atrás. Não só a dublagem, é a qualidade das animações também. 95 o Warcraft 2. Caramba! Chegou um pouco atrasada.
Mas chegou com tudo. Enfim, qual que é a visão de vocês quanto a isso? Nossa, quando isso começou a fazer... Eu cheguei em São Paulo tem 20 anos. Você é do Rio, né? Cheguei em São Paulo tem 20 anos. Eu cheguei aqui e já tinham games rolando. Eu não lembro se no Rio de Janeiro, de 20 anos pra trás... Eu acho que tem. Já tem? Já. O problema é volume. É isso que vocês estão falando. É volume. Eu cheguei em São Paulo em 2013.
gay. Você é de onde? Eu sou nascido em Goiânia, mas vivi em Belo Horizonte a minha vida toda. E aí chego em São Paulo em 2013. E ali eu já começo a dublar game. E eu acho que pra mim, particularmente, é o grande ponto de virada, porque como eu comentei, eu gosto de videogame desde muito sempre. Eu participei de Vi o Diablo 2 ganhar legenda em português por causa de fã. Legal. E eu acho que é por aí. Entre 2012 talvez tenha sido essa virada de você ter grande volume
a ponto de ser uma coisa que está no mercado e é um produto que te ajuda a sobreviver e tudo mais. Tem empresas específicas para isso. É, empresas específicas para isso, né? É, no 2013 é interessante você falar, porque realmente tem um jogo que ficou muito marcante, a dublagem desse jogo foi muito marcante para a gente aqui no Brasil, que foi o The Last of Us 1. Esse aí foi uma dublagem que até hoje realmente é fantástica e que marcou muito na época, se você lembrar assim.
Também foi ano do GTA V, mas não tem dublado, né? Se não me engano, ele foi feito em Curitiba, eu acho. Ele foi feito no Sul. O The Last of Us.
O pessoal do The Last of Us. Pô, Luísa, uma fantástica. Não, fantástica, pô. E assim, realmente, é uma boa data, se você for ver, porque aí a maioria das coisas... E outra coisa também, né? Porque a gente... O que acontece, cara? Vocês, obviamente, devem saber isso. A galera dos videogames, ela é extremamente exigente. Reclama muito, né? Porque, obviamente, a gente paga muito caro o videogame aqui. Então, a gente sabe que tem um nível de exigência muito alto. Então, assim, a galera, no início,
reclamava e cobrava que tinha que ter a tradução dos jogos. Tem alguns empresas que ainda não fazem, que é absurdo, né? Aí, beleza, tá vindo tudo português, tudo bem, agora a gente quer tudo dublado em português. Então, esse movimento, né, é muito interessante, porque diferente de outras indústrias, muita gente pode achar que não, mas a indústria de videogames presta muita atenção no que a gente tá falando. A gente teve uma experiência, agora o Fênix, né, ele foi pra algum evento, não sei qual, porque ele vai pra tantos, né, que ele falou
com um desenvolvedor de um jogo aí da Europa que era um jogo que ele gostava e não tinha em português. E ele foi lá reclamar com o cara. Pô, você botou o jogo em português e fala... E o cara falou pra ele, cara, a gente vai botar em português porque a gente não aguenta mais vocês pedindo. Então, assim, de fato funciona. Funciona. A gente teve agora a experiência com o 007. O James Bond, exato. O James Bond. Mas, assim, é uma questão lógica.
Pô, não é só um jogo. É o 007. É uma franquia lendária. Esse jogo não pode não chegar com localização. A comunidade pressionou, pressionou e os caras vão trazer agora
menos legendado. É, pelo menos vai ter... Agora a gente pode, de repente... Por enquanto só legendado? É. Só legendado. Só legendado. Aí é isso que eu queria te perguntar agora. Se eu quero dublar o 007, eu quero. Não, seria incrível, tá? A gente pode fazer essa pressão agora. Agora. Aí, ó, galera. Vamos começar o movimento Grinan. Pô, vai combinar pra cara. Demais, pô. Tem tudo a ver. Mas assim, tirando o 007, tendo em vista de videogames, assim, tem algum que vocês têm vontade de dublar fora o 007?
Pô, esse personagem combina comigo. Eu queria dublar esse cara. Qualquer um que vocês têm em mente. Tem uma coisa engraçada, porque eu sou da geração... Eu joguei Atari, né? Lá atrás. E aí, quando começou a ter computador, eu jogava Príncipe da Pérsia. E ali é bem antigo. E aí eu falava, ah, porque eu quero... E aí teve o filme do Príncipe da Pérsia, com o Jake Gyllenhaal. Eu dublo ele. Então eu dublei ele no Príncipe da Pérsia. E eu acho que teve algum game de Príncipe da Pérsia na sequência.
recentemente foi cancelado no jogo de Friends of Pass. Tem um remake do Space of Time, que era o mais famoso que teve. Aí, recentemente, foi cancelado. Esse provavelmente viria dublado aqui, porque o Ubisoft dubla tudo, né? Esse aí eu gostaria. Ótimo personagem. Esse daí é simplesmente o que deu vida a Assassin's Creed, por exemplo. É muito importante esse jogo. E o 007. Isso. Ah, vamos fazer esse movimento mesmo, Takeshi? É a galera que tá assistindo aí? Vamos lá. Grinan dublando James Bond. Vai ser incrível. Vai ser incrível, tá?
Tem algum? Cara, não. Não tem um assim que eu falo. Específico. É, específico. Não. Acho que os específicos que tinha já foram. Já foram. Já tá realizado. Puxa vida. O Leon é um personagem interessantíssimo de ser feito. Mercador também. Mercador é muito icônico, né? O Mercador pra mim foi... Cara, nem falo. Não falo nada. E esse foi um grande desafio pra mim, assim, como diretor. Porque as dublagens já foram feitas de...
de Residente, elas tinham um nível muito bom. Sim. Então, era no mínimo entregar a mesma coisa. Então, mas, puxa, o Onimusha que vai sair agora, eu sou muito fã de Musashi. Legal, hein? Ia ser fabuloso. Não tenho voz pra ele, mas fazer um Kratos da Vida deve ser uma coisa deliciosa de fazer. Porque pra mim é muito mais isso, assim. Tem umas coisas... Porque pra mim eu encerrei a vida fazendo Goro. Foda. Que pra mim, e foi muito isso.
Quando eu fui fazer o 10, eu fiz o Kenshi, fiz o Sector, e só na sequência eu fiz o Goro. E quando me falaram, depois de tudo que eu estava fazendo o Goro, eu falaram, vamos lá, profissionalmente. Muito obrigado. Eu saí do estúdio, sentei no meio fio e chorei. Ah, que legal. A gente tem o Goro gigante ali, que o Goro é foda. É isso. Eu pego paixão com essas coisas, assim, de algumas franquias, pra mim, são muito... Mas é engraçado. Ajudar as pessoas a dar vida a esses personagens é quase como...
pari-los juntos. Bom demais. Você tava dublando, localizando e não sabia que era o personagem, é isso? Não, eu já sabia. Era uma franquia que eu acompanho desde moleque. Jogava no clipeirama, roubava o troco do pão da minha mãe e jogava. E eu fiz três personagens. Quando me falaram desse personagem, foi no final, porque eles sabiam que eu gostava. E aí eles só me informaram no final. Que legal. Eu passei por isso no League of Legends. Porque eu via todo mundo, ah, eu faço LOL, eu faço LOL.
Eu não faço, eu quero fazer LOL também. Aí um dia me chamaram pra fazer uma gravação e aí me explicaram tudo, eu gravei. No terceiro dia, no final, o cara falou, isso é League of Legends, é o Silas. Aí eu falei, cara, e é um personagem muito conhecido do League of Legends. E eu queria dublar e assim, eu gosto de ter feito ele, entendeu? Um personagem bem, bem interessante. Cara, o Mercador é interessante porque assim, bom, você já conhece saber que o Mercador, as falas são poucas falas,
muito marcantes, assim, a voz do G. K. Fox é repercutido aí há vinte e tantos anos, né? Então trazer a voz pro mercador, assim, por mais seja pouco, é algo muito icônico, né? Mas no remake ele falou, parece que muito mais do que era no padrão. E foi muito divertido. Foi muito divertido. Porque ele... A primeira reclamação que eu vi é que ele falava muito. Só que pra mim, no remake, ele virou vendedor de feira. Pra mim é igualzinho àqueles caras em feira aqui em São Paulo.
Toma isso. Toma aqui. Não quer levar não? Vamos. Promoção, vamos assim. Essas coisas. Então, foi muito divertido. Então, e a gente teve bastante tranquilidade. Pô, Arsenal não é à toa que Arsenal rima com carnaval. Pô, é super divertido. Tem uma que eu gosto que é o... É que é a gente. Puxa vida. É assim que tem que ser. É uma coisa assim que ele fala. Então, pô, foi muito divertido. Porque ele fala mais e ok. Então é isso. Eu me apego a essas coisas. Você falou do League of Legends. Quando eu fiz League of Legends,
Gosto muito do personagem que eu faço porque eu divido ele com uma amiga. Uma pessoa que já era minha amiga na época. Que é o lobo, o Skindred, né? Que é o lobo e a ovelha. E a ovelha é minha amiga pessoal. Então essas coisas é que me pegam muito mais. Óbvio que tem... Por exemplo, se me fazem um remake de Rock and Roll Racing, eu quero fazer o narrador do Rock and Roll Racing. Porque pra mim aquilo é muito divertido. É um trabalho gostoso.
Eu acho que tem um pouco disso também. Às vezes a gente pega umas coisas pra fazer que ou são novas,
não tem tanta repercussão e pelo próprio trabalho a gente se encanta e vira. E você está dirigindo só games agora? Não, eu só dou direção e só games. Isso é uma novidade para a gente, porque a gente, bom, sabia que os estúdios faziam jogos, mas sabia que agora a gente está com profissionais exclusivos para isso, isso é muito legal. Desde quando em 2000, eu estou junto com o Cris, que eu conheço o Cris, desde 2013, dali ele já,
já era exclusivo de game, só trabalhava com game, e acho que por volta de 2014, 2015, aparece uma figura para dirigir, que é o André, que fez inclusive o Resident 4, e outros tantos, ele é também do The Last of Us 2, e ali começa, quando eu chego, já está há um tempo com essa estrutura, e hoje a gente deve ter aí no mercado cerca de 10, acho que por aí, uns 7,
pessoas que trabalham com direção de game. Só com game. Esse é muito legal. Ô, Felipe, sei lá. Cara, eu não vou perguntar qual que é o teu personagem predileto, tá bom? Não vou fazer isso com você, que eu sei que a galera faz muito. Mas tem uma coisa também, e eu acho que eu quero te perguntar isso. Você vai dublando, por exemplo, tem o James and Eccles, que faz o Soldier Boy. Beleza, você dublou ali o Soldier Boy. Daqui a pouco você vai ter o James and Eccles, vão te chamar de novo, vão te convidar de novo.
Tem o negócio de, e aí você pode até falar do Leon isso, que você vem do 4 Remake e agora no Wrecking.
um negócio de vocês se apaixonando pelo personagem? Eu digo assim, pô, você tá dublando tanto esse ator, tanto esse personagem e você vai criando um negócio diferente com ele do que com os demais? Tem disso ou não? Tem atores que eu dublo há 31 anos. Tem gente que eu dublo há 25 anos. Nossa Senhora. Adrian Brody é um ator que eu dublo desde 1999. Então são 27 anos. O cara agora foi indicado e ganhou o Oscar. Eu costumo dizer que
Eu vou entendendo tanto o cara, eu vou conhecendo as feições dele, a maneira como ele vai propondo. E eu, como ator dublador, eu preciso estar me melhorando cada vez mais, porque o cara lá, ele quer ganhar o Oscar. Se eu ficar conformado, ele vai crescer e eu não. Eu tenho que chegar junto a cada filme, porque cada filme pra ele é um degrau. Então, quando ele foi agora no Brutalista, que ele ganhou o Oscar, cara, eu fui pro estúdio com um professor de polonês pra fazer o sotaque polonês,
Caramba, cara. Ia ser um filme de quase quatro horas e eu gosto do que eu fiz pra caralho. Ou pra caramba. Não, tá liberado. Você é o Leon, cara. Vou falar o que você quiser, hein. E aí eu digo assim, cara, eu gosto... Eu sinto que eu ganhei o Oscar com ele. Aham, legal. Eu fui me afensoando ao jeito dele. Então eu me apego a alguns atores. É claro que a Zéba do Madagascar, eu não quero que ela seja feita por mais ninguém. Lógico, claro. Faz sentido, faz sentido. Mas tem isso, assim. É porque são muitos anos, né?
20 anos, 25 anos fazendo aquele mesmo cara. Você faz ele desde o pianista? O pianista foi feito em São Paulo. Eu morava no Rio. Eu comecei fazendo um filme chamado O Verão de Sam. Fiquei velho, velho. De lá eu fiz já 30 filmes dele. Então, assim, ele, Jude Law, Ian McGregor, Jake Gyllenhaal. São atores que eu faço há 20, 25 anos. Entendeu? Ah, o McGregor, você fez o Bill 1. Eu fiz... Não, então. É? É. A Disney era uma história à parte.
Eu fiz 25 filmes dele. A Guerra nas Estrelas não podia. Tinha uma outra história aí. Uma história. Entendi.
Nem tudo a gente pode contar. Claro, claro. Então essa é uma história ali. Mas a gente sabe que a Disney é peculiar também, né? Muito peculiar. Muito peculiar. Eu nem posso falar. Mas nele eu comecei fazendo Moulin Rouge com ele. Fui embora, assim, vários desses anos todos. Entendeu? Mas tem isso. Você vai se apegando, sim, a alguns personagens, alguns atores. E você vai ficando cada vez mais fácil. Porque você entende o jeito do cara.
Entendeu? Igual uma série que você faça. Série dez temporadas. Na primeira você está se entendendo. Depois de dez anos fazendo aquela série. Entendeu? O teu Ross do Friends, por exemplo.
exemplo, embora tenha sido dublado por duas pessoas, as temporadas que eu fiz, a primeira foi um pouco mais difícil. Depois você encaixa ali, você engata, vai ficando mais fácil. Entendeu? É, e o Brutalista, esse filme do ano passado e tal, foi um filme intenso esse aí, cara. Esse aí foi complexo. Foram, acho que, 20 horas de dublagem pra fazer ele, porque era num tempo, uma gravação mais devagar, porque tinha questão do sotaque. Mas 20 horas só pra você? É. Caramba! Tudo bem, o filme tem 4 horas, mas
assim, né? É, porque você tinha que fazer, tinha o professor de lado do sotaque. Aquela sílaba não ficou. Então eu tinha que refazer, porque tinha que ser natural pra mim falar com o sotaque polonês. Então eu tinha que ir devagar pra poder fazer a fala e refazer até ficar natural aquilo. E ainda em cima disso, né, de ter apego, de ter esse apego com os personagens, pô, a gente teve um encontro lendário, vocês devem ter visto isso, que é o dublador do Hugh Jackman, Encontrando o Hugh Jackman. Gente, isso aí dá repil de falar, porque
mas isso é muito importante, é muito impactante pra gente. E acho que, não sei, vocês podem me responder, acho que todo dublador tem isso com algum ator, com algum cara que dubla há muito tempo. Tem algum ator? Ou vocês já tiveram contato com atores? Então, vocês conhecem a série Drake e Josh? Aham. Então, dublou Drake. Ele veio pro Brasil, a gente fez esse encontro. Ah, que legal, cara. Eu juntei com ele, com a esposa dele. Nossa, então foi um baita encontro, pô.
Foi muito legal, a gente conversou um jantar inteiro, foi muito legal, entendeu? E assim, você chega perto daquela pessoa, né?
Por mais que, não sei, você não quer ficar deslumbrado, mas você tá, o cara de Hollywood, tá lá, né, jantando com você e tal. E ele veio e deu tudo errado na viagem do cara. Então ele chegou pra jantar, assim, pra desabafar comigo, porque, porra, deu errado o voo, deu errado com as malas, deu errado com a vinda pra cá, deu errado no hotel, tudo deu errado. Então ele tava ali meio, sabe... Ele só queria jantar. É, entendeu? Aí foi a parte boa, assim, a conversa foi boa, ele tava triste, entendeu? E a gente ficou bem.
ator. Eu ia encontrar o Ian McGregor num evento X, mas aí veio a pandemia. Ela foi combinada, ia ser em maio. Aí cancelaram tudo, entendeu? Mas é sempre bom, assim, poder participar de um encontro com o seu astro. Pô, que legal. Eu ouvi dizer que esse ano vai ter algumas coisas, né, Vanessa? Mas a gente não pode falar nada. Olha aí. Pô, legal você mencionar isso aí, porque é uma pergunta que eu ia fazer justamente. Porque, assim, infelizmente, o Brasil há muito tempo atrás, tá? Faz muito tempo que isso não acontece, mas a indústria dos games ficou
um tempo assim, que eu acho que a gente já tirou isso, mas que algumas coisas vazaram aqui do Brasil. Só que assim, gente, na indústria do game vaza tudo o tempo todo. Eu não sei quem que vaza mais, se é futebol ou games. Fica essa briga aí. Então assim, porque aconteceu no Brasil uma vez, vamos travar tudo lá. Isso rolou, mas hoje em dia eu acho que é menos. Mas é claro que, né, cuidado pra não vazar nada é uma responsabilidade que vocês têm também, né?
Vocês estão fazendo desde o ano passado e tal. Tem algum tipo de, óbvio, todo mundo assina contrato, mas isso não impediu nunca ninguém
vazar nada as coisas. Vocês fazem alguma coisa especial pra esse tipo de... Pra não vazar nada que aconteça durante... Porque vocês têm o roteiro do jogo todo ali, pô. É, você tem um controle de contrato pesado, né? Você tem coisas de segurança, né? Que são... Por exemplo, há 10 anos atrás, você chegava no estúdio, entrava no estúdio com seu celular. Hoje não. Hoje você tem armários, você deixa tudo guardado, você não consegue mais chegar e ter acesso a muita coisa.
a outra está nos controles de segurança, de tráfego de informação mesmo. Então, por exemplo, há muito tempo atrás, talvez eu pudesse levar um script para casa para adaptar. Não pode mais. Hoje não está, hoje é impossível. Hoje não tem como fazer isso. Se tiver como, porque eu sei que alguns materiais não de jogo necessariamente, mas de dublagem em geral, você tem o que o cara pode trabalhar em casa, mas é um super controle também de pin disso, pin para aquilo. Então, guardar isso é muito importante.
a parte que tá na boca. Sim. E aí realmente, às vezes, é uma luta. Você vai comentar, vamos supor que o 10 já estivesse sendo feito. Você tá no meio de uma conversa e sem querer ser... É fácil isso acontecer. Mas então a gente já tá acostumado. Até por conta disso. Eu, particularmente, como gamer, eu achei super divertido quando vocês falaram, vocês estavam na live e falaram. E nem brinquem com passar uma informação. Porque se você jogar aqui de piadinha, você vai ser banido. Sim, claro.
Cara, é uma mega sacanagem. Você está perdendo a parte mais divertida da parada. Eu fico tentando pensar qual é a graça do vazamento até hoje. O que? Para falar que eu consegui a informação? Para mim é inexplicável. Primeiramente, eu quero dar os meus parabéns e cumprimentar o Felipe. Porque eu vou te falar, se eu sou o dublador do linho, eu não me aguentaria. Nossa! Foi brabo. Nossa senhora, difícil, cara.
nem por mensagem a gente falava. Caramba, cara. Então, o que não pode falar, então vou falar lá com eles o que não pode falar. Não tem nenhuma mensagem minha falando do livro. Caraca. Com nenhum amigo meu. Às vezes eu tinha que falar alguma coisa, eu ligava então. Isso. Eu não posso falar papapá. Não tem um áudio meu em lugar nenhum. É que assim, a gente aqui... Eu não quero correr. Imaginaram. Pode dar uma merda. Eu não quero perder esse cara.
Não pode. Imagina. Vou dar um mole desse. Mas é que assim, mas é isso que é a coisa. Porque os vazamentos, cara, raramente é por acidente quem vaza. Isso que é...
vezes acontece, tá? Sim, claro. Mas é muito mais o cara de propósito vazou. O cara, ou na empresa, ou na loja, alguém vaza. O estagiário, o que acontece? A gente aqui é mídia de videogame, né? Então assim, a gente tem acesso a... Muitas vezes nós tivemos acesso a vazamentos, mas a gente não faz isso. A gente poderia publicar os vazamentos que a gente teve acesso, mas a gente não faz isso. Nem como notícia. A gente reporta quando vaza.
Mas não foi a gente, entendeu? Porque eu já soube de muita coisa, de um monte de negócio que eu não posso... Eu sei coisas agora que eu não posso...
Eu posso falar, inclusive. Porque não é... Existem profissionais por aí que o negócio deles é arrumar informação e tal. Eles não vazam. Eles arrumam a informação de quem vazou. E aí existe toda essa situação por trás. Mas é muito... Eu também tenho essa dificuldade de entender qual é a graça. Cara, eu vou ser muito sincero. O prazer que eu tive de saber que o Leon estava no jogo e ficar aguardando o anúncio oficial. Como é que a galera vai reagir? Como é que a galera vai reagir? E ver esse tipo de reação?
é muito mais impactante, é muito mais gostoso de ver. Com certeza. E, por exemplo, no dia 27, me ofereceram pra jogar o jogo mais cedo que o lançamento. Alguém que já tinha tido. Sim. Eu falei, cara, eu não posso aparecer em lugar nenhum jogando o Leon antes da meia-noite. Entendeu? Vou jogar fingindo que não sei o que tá acontecendo. Entendeu? Então eu tive que esperar meia-noite pra jogar oficialmente. Não tem jeito. Entendeu?
E é isso. É prazeroso. As coisas na hora certa. Vazar o negócio pro cara. Ô, Felipe, e como que
é familiar, assim. Vamos lá. Deve ter uma galera em volta de você que é muito games. Sim. E esses caras sabem que você é o Leo. Na academia, por exemplo. Ah, tá. Todos os professores me perguntavam. É você. Não sei o que você tá falando. Não sei. Não sei o que você tá falando. É que você sabe. Eu não sei do que você tá falando. Era a minha frase pra todo mundo que me perguntava. Eu não sei do que você tá falando. Ninguém ouviu da minha boca.
E é isso. É o prazer de que as coisas aconteçam da certa. E eu segurei a onda mesmo, assim. Não tem o que fazer, cara.
tal do Instagram, uma loucura. Milhões de mensagens, eu nem respondo. Quando botavam gifs do Leon em todas as minhas postagens, eu nem coraçãozinho colocava. Nada. Respondia todo mundo, cada comentário. Os do Leon pulava, pulava, pulava, pulava. Não posso dar nada. E é sempre um, manda um salve na voz do Leon aqui pro meu parceiro. É clássico, entendeu? Eu nem respondo. O cuidado tem que ser muito excessivo, porque é isso.
ainda mais quantos anos esperando um novo, sabe? E assim, inicialmente antes deles revelarem o Leon, eu achava que ia ser muito mais foda as pessoas só saberem quando jogassem. Só que tem certas coisas que é assim, cara se o Leon estivesse no jogo, e isso não tem como, não tem como a gente falou isso na época, se o Leon estivesse no jogo isso 100% de certeza que ia vazar era impossível essa informação não sair, sabe? Então tem coisas que assim, a Capcom
todo mundo que cuida disso podia trabalhar melhor pra não vazar isso. Isso é impossível. A Capcom tem que fazer um jogo, ela não pode se preocupar e ser uma base militar blindada que nada sai dali. Obviamente vai utilizar. Porque isso é um cara falar. É uma pessoa falar, pô. E vazou, de fato. Sim. E outra, faz parte do marketing. Sim. Vai vender menos ou mais com ele. Sim, com certeza. Porque isso, a gente falou que também, quando anunciaram o Leo, é inacreditável o quanto esse jogo foi mais falado depois desse anúncio. Então, foi importante pra vender o jogo.
Eu acho que o primeiro vazamento de meio confirmação foi uma imagem na própria do site da Playstation, que tinha uma estatuazinha dele, uma roupa, não me lembro. Esse não foi tanto, o que foi mesmo, que esse aí eu não vou falar agora tá, foi que saiu na PSN de novo, escrito que tinha roupa pro Leon, tinha uma skin pro Leon, sabe? É, foi isso aí. Aí nesse aí, agora já foi, agora acabou, né? É porque o cara lá falou que não tava, né, o diretor do jogo. Depois ele brinca, né? Eu nunca falei de fato que ele tava.
porque esse negócio do Leon era impossível não vazar. Por exemplo, o Chris Evans volta agora, né, como Capitão América. Foi, cara, e aí eu vi muita gente falando, pô, por que que eles mostraram? Isso ia vazar. É impossível não vazar que o Chris Evans tá... Por quê? Porque o povo vai atrás do... Sei lá, o povo descobre. Olha, contrato, passagem de avião, vê pra onde que o cara foi, onde é que aconteceu. Eles descobrem. Mas eles conseguiram esconder o Robert Downey Jr., hein.
Exatamente, por um tempo até fazer. Porque tem certas coisas que realmente você tem que falar, porque a gente ficava falando, né, quando todo mundo já sabia que o Leon tava, cara, a gente tem que anunciar isso logo pra parar de ter especulado.
Exatamente. Sabe? E aí começar o trabalho de marketing melhor, porque depois que aconteceu isso, ninguém mais se preocupou com isso, sabe? Só quer saber o que vai acontecer. Só quer saber o que vai acontecer, né? E aumentando a expectativa, porque o Leon tava no jogo e realmente era muito, muito esperado, pô. E é isso, né, pô? Aí começam as discussões do tipo, ai, mas você viu o pescoço dele? Ah, você viu a mão? Ah, e isso realmente vai movimentar e tudo mais.
Tem uma aliança agora, não tem? Tem, tem uma aliança. Ele tira ali. Agora a gente tá se perguntando, é claro aí.
Espero que seja a Aida, porque o coitado tá sofrendo há muito tempo por ela, né? Mas eu queria perguntar pra você, Grinan. Seguinte, Otaker, se isso aqui não poder ir pro ar, você corta, tá? Mas é importante, porque se essas horas a galera já jogou e tal, e já se sabe que nesse jogo tem dois caminhos pro fim. E um desses caminhos aí não é muito legal, né? Como foi pra você? Você sabia dos dois quando viu? Sabia. Eu fiquei muito impactado na hora.
Justamente dublar esse outro caminho. Quando eu olhei, eu fiquei em silêncio. É isso mesmo? Ele caiu ali?
ele morre. E aí, é, mas aí depois você me falou, mas tem um outro final, não sei o que, alguma coisa assim. Mas eu fiquei muito impactado, eu não esperava. E eu torço pra que isso não afete o futuro dele. Não, eu acho que não. Eu falo que esse final pra mim... O canônico é o... É, pra mim isso aí, pra mim foi o final de sacanagem, entendeu? Pra mim isso é só sacanagem, pô. É só pra você ver essa porra e ficar puto. Desculpa, mas eu acho que é isso. Desculpa, é o que eu prefiro. Sério? Ele prefere. Que isso?
Mas eu te explico porque eu prefiro. A cena desse final com a Grace é muito maravilhosa. Ah, não. Eu entendo. E você vê aquilo. Porque tem aquele detalhe, né? É exatamente a mesma coisa do 2. Só que agora com o Leon. E eu ver aquilo pra mim... Eu gosto de coisas agridoces, confesso. Eu olhar aquilo, quando eu vejo ela lá no alto, assim, eu só não acho que seja um fim honroso. Morre mais bonito.
Você curte o final? Eu achei que você tava falando no tom de atuação da dublagem. Você curte o final mesmo. Você tá dizendo... Ah, entendi. Ele quer que eu morra. Não, não, não. Calma. Calma. É o que eu disse. O fã do Lee é raivoso, cara. Cuidado. Por isso que eu tô dizendo. Eu não acho que é um final honroso pra ele. Claro. Eu acho que ele merece um outro final. Assim, daquele jeito, ali você fala... Eu já acho que ele não merece final nenhum. Eu particularmente, pra mim,
o nove é um ótimo parte um de um epílogo e parte um de um prólogo. Na minha opinião. É um divisor ali pra mim. Eu particularmente gosto muito da ideia de aposentar. Chega uma hora, porque senão você vai começando a dar tanta corda que aí o cara vai ser, é o que eu costumava brincar com o Sexta-feira 13. Vai ser o que agora? Jason versus as amebas. É isso, porque não tem o que fazer. Então assim, eu acho que ele merece um final honroso. E eu acho que tem tanta história pra contar entre
uma coisa e outra que ele não morre efetivamente. Eu, particularmente, explorar entre um... O que que acontece entre o 6 e o 9? Onde ele tava naquele audiozinho? Então você tem muita coisa, você tem muito caminho. Do 2 pro 4, né? Do 4 pro 6. Exatamente. Eu acredito. Porque é isso. Não só os fãs são raivosos, mas o Lee é um personagem muito bacana. O arco dele, você vê ele começando,
primeiro dia e hoje ver o que ele se torna, caraca, o cara envelhece melhor que vinho. Sim. Cara, pensando aqui agora, ia ser interessantíssimo ver o trabalho de vocês no 2 e Make. Sim, eu tô pensando nisso. Porque a gente tá falando... Entendeu? Porque ia ser interessantíssimo ali a gente ver um Leon com a sua voz, com o seu trabalho inexperiente, porque o Leon é, não sei se você sabe, mas o Leon ele toma um pé da namorada, na bunda, aí ele enche a cara, por isso ele se atrasa e graças a Deus
Se não, ele tinha de base com o Marvin lá e já era. Então ia ser muito legal ver ele conhecendo ali, a Eida, toda aquela troca de conversa entre eles, com o trabalho de vocês. Espero que a Capcom escute isso. Ia ser legal. Uma atualização aí com esse trabalho. Pra mim seria um enorme prazer continuar fazendo. Filipe, assim, a gente viu que nos últimos anos a gente teve uma intervenção muito grande dos streamings agora, né? Isso aí porque, com todo o balanço que eu falo, fala que tá uma loucura de gravação, porque tá tendo muito mais trabalho depois que rolou isso,
Netflix e tal. Como é que tem sido isso? Você que já dubla tanto tempo. Então, aumentou muito uma época. Ano passado foi um ano estranho pra todos os dubladores. Rio, São Paulo, o eixo principal, né? Foi um ano que o trabalho retraiu bonito, assim. Ficou diferente. Então, quem tem um volume grande, eu trabalho pro Rio e pra São Paulo, também dou aula e dirijo, eu consegui manter uma estabilidade. Tem gente que depende só de dublagem, foi um ano muito estranho. Todo mundo achou que era por conta da IA. Só que se fosse nesse tanto de
a gente estaria vendo várias coisas dubladas por IA. É, não viemos. Não é isso. A gente teve um tal de um filme da Amazon, um filme da Globosat, só. Então... Eu nem sabia que tiveram. É, teve um da Amazon que foi um lixo. É, como esperado. É, já retiraram e colocaram a dublagem normal. Então, assim, agora, esse ano está voltando. Eita! Cardozão. Esse ano está voltando, assim. Mas esse fantasma da IA, por exemplo, eu acho que não é uma coisa que vai pegar por enquanto, não.
curto, médio prazo, eu realmente acho que não. Não funciona ainda a tecnologia. Mas existe um boom, assim, porque tem... é Amazon, é HBO, é Paramount, tem muitos streamings. Apple, Netflix. Apple, exatamente. Então, assim, estamos num bom momento. Pra quem realmente tá no mercado e tal, a gente tá num bom momento. E você já... porque o povo fala muito das novelas, né? Antes só tinha as novelas brasileiras, né? Tem as novelas turcas. As novelas turcas são muito famosas. Ah, é? Eu ainda tava nas do...
coreanas ainda. Agora as turcas estão bombando. As turcas vieram antes das coreanas. Ah, é? E as novelas pra Angola. O louco. Dubla em português pra Angola. Eles vêm lá em português no Brasil. Pra países de língua portuguesa. É. Caramba. E até novelas portuguesas a gente dubla com a fala do português do Brasil. Então tá se espalhando mesmo. Tem muito trabalho. Não tem do que reclamar. Cara, é que a sua voz é muito irada, tá? O negócio é assim que... Você é uma voz de apaixonado? Ele tá...
Ele tá apaixonado. Você também já fez, além de dublagem, obviamente, questão de locução e essas coisas. Muita locução comercial. E hoje em dia, se for essa coisa, eu faço uns audiolivros eróticos. Que isso? Essa noite eu gravei umas cenas assim que... Calma, se segura. Que veio no caminho do 50 Tons de Cinza. São livros pra mulheres. Então, o cara vai descrevendo tudo lá, entendeu? Então eu cheguei, não sei o que,
a nuca e tal. E imagino que as mulheres assistindo, ouvindo aquilo, deve ser uma coisa especial, entendeu? É um universo novo que tá se abrindo. Cara, aproveitando esse gancho, o Leon é meio que esse cara pras meninas também. E pros rapazes também, certo? Tem um negócio meio sedutor ali na voz também embutido ou você não pensou nisso? Pensou? Eu acho que a skin dele sugere e a voz vai junto, vai naturalmente. Não tem nenhum momento que a gente tem amor que a gente pense nisso.
Até porque as situações não levam pra esse lugar de jeito nenhum. Não tem. Ali é vida ou morte. A Ashley, talvez, no Resident Evil 4, tenha levado ali naquele finalzinho. Naquele final, né? Ela pensou... Ali é possível. Mas não, acho que a esquinha e a minha voz combina ali, mas não tem nenhum momento que a gente pensa. Não tem como. Eu sou a voz mais aqui atrás, assim, mas meio machucada. Cara, qualquer coisa que você fala é foda, né? Não tem como. Oi, você... Eita, não tem como.
É difícil. Aliás, isso é legal porque, assim, muita gente, e aí eu quero tirar essa dúvida com vocês dois, muita gente pensa que, pô, claro, ter uma voz assim ajuda muito nesse trabalho. Atrapalhar que não vai. Mas não necessariamente o cara precisa ter todo esse grave na voz pra dublagem. Eu quero perguntar pra vocês dois, assim, primeiro pra você, deve ter um tratamento que você faz, um treinamento, algo pra manter a voz assim, os cuidados, né, e tal.
E em relação ao cara que também tá querendo começar nesse ramo, né, não necessariamente
ele precisa ter uma voz tão grave assim, né? Como é que funciona assim? Algumas coisas. Primeiro, a voz tida como bonita, ela pode ser ruim. Ah, é? Porque o cara, ele vai às vezes se apoiar nessa voz e ele vai viver, porque eu sou essa voz bonita, porque eu sou isso. E isso sacrifica a interpretação dele. Ele fica num lugar, num registro, nesse charme. E assim, hoje em dia, os filmes de modo geral não tem tantos galãs como tinha na década de 90, né? Aquelas... Vai ter as comédias românticas
sim, mas tem milhões de outros filmes. Se você fica nesse lugar, eu sou o galã e eu tô aqui o tempo todo assim, você fica pobre no seu trabalho. Então assim, a minha voz ela tá bonita, mas eu tenho que fazer uma voz suja, uma voz arranhada, eu vou fazer. A voz mais leve eu vou fazer também. Então eu vou variando. Então o bom dublador é aquele que consegue variar a voz e é claro que fazer a voz bonita é mais difícil. Eu já tenho a voz que é tida como bonita, mas se eu ficasse colocado nesse lugar eu ia perder vários dos trabalhos que eu faço. Entendi, faz sentido.
Então eu fui ali me esparramando ali. Então eu faço uma zebra, eu faço um Drake, eu faço o desenho do Homem-Aranha, eu faço o Whis, o Dragon Ball. Tem uma voz na cabeça, super soprosa, lá em cima. Não tem nada de... Mas faz o Whis, caralho, que foda! É outra coisa. É impossível saber que faz o Whis. Entendeu? Então, eu sou o Dear Boy, é o Leon. Mas também é o Whis. O Homem-Aranha também é uma outra voz, é diferente. É do Spide? É. Ai, meu filho ama isso aí, vê direto, é muito bom.
lugar de eu sou galã, eu ia perder todas as possibilidades. Então, assim, e o cuidado que eu tenho, assim, de não... Eu tenho um cuidado. Se eu vou no show, eu não canto junto. É só isso. Entendeu? Porque... Tem nada com tomar gelado, com nada disso. Cara, eu tinha isso. Hoje em dia, eu adoro uma água gelada. Tá certo. Eu tava hoje gravando, eu gravei oito horas antes de vir pra cá. E gravei pra caramba e tal, gritei muito. Eu perdi um pouco da voz hoje, tá? No meio da gravação, o cara começou a discutir, eu gritei...
Aí eu falei, putz, tem a gravação do Flow mais tarde. Comecei os exercícios que eu sei fazer. Eu ia falar no telefone, não falei com ninguém. Eu vim em silêncio de lá até aqui, caladinho, só fazendo as massagens que eu quero. Tá normal aqui agora. Você meio que começa a conhecer seu instrumento. Mas grandes cuidados é isso. Eu não posso ficar gastando muito, porque eu tenho que estar guardado pra isso. Ainda mais se tiver uma semana de game e tal, eu tenho que estar ali cuidando. Mas hoje em dia eu não tenho mais tantos cuidados, porque eu já acostumei.
no meu instrumento. No começo da carreira você fica meio desesperado. Você vai gritar aqui, você vai... Sei, mas hoje em dia tá tudo mais tranquilo. Não dá pra jogo de futebol no estádio, né? Não dá. Ou se segura. Principalmente se você tem que gravar no dia seguinte. Sai gol tem que comemorar que nem europeu, batendo palmas. Aliás, você é do futebol? Não sou. Tá, beleza. Porque eu ia te perguntar isso. Canonicamente feito por fãs, o Lio é Botafogo.
Então tem lá o escudo da RPD, né, e tal, e lembra bastante. Então você não torce pra nenhum clube. Se estão falando, se os fãs estão dizendo, eu concordo. Tá, mas você não é muito de futebol, né? Eu não sou do esporte, de modo geral, não. Tá certo, tá certo. Faz bem. E a parada do... Porque eu já vi falando do negócio do chocolate, que comer chocolate próximo de gravar não é uma boa ideia? Fala aí. Cara, eu acho que tem mais a ver com ficar com...
Que fica. Ficar dando uns estalinhos demais, e aí você começa a dar trabalho. Agora, eu particularmente não sei dizer...
se isso acontece com todo mundo. Porque eu já comi chocolate antes e tem vezes que dá, tem vezes que não dá. Então... Porque, assim, a gente precisa facilitar a vida do técnico. Claro. Eu acho que o técnico é a entidade mais importante, na verdade. Porque é isso, cara. Se você dá muito trabalho pro cara, você vai perdendo agilidade. E, às vezes, o cara tem que ir limpando na hora. Eu acho que tem mais a ver com isso. Tem gente que fala do café. Mesma coisa do café. Leite é uma coisa, realmente, que eu já notei
ser um pouco mais complicada. Leite, queijo e manteiga. Vai criando um muco. E aí modifica a loja. E aí dá esse salinho. Entendi. Fica meio sujando aqui. E eu falo, os microfones são cada vez mais modernos e nós somos os mesmos. Então assim, ele consegue captar o barulho do seu dente batendo aqui atrás. É isso, é um ser humano. E o game, os filmes também para cinema tem muito isso, alguns outros filmes. Agora, o game às vezes tem umas microfonações muito malucas da gente gravar com quatro microfones,
ao mesmo tempo. Por que gravaria com mais microfones? Por exemplo, você pode gravar com dois microfones pra que você tenha um efeito na primeira pessoa e um efeito na terceira pessoa. Por exemplo. Entendi, faz sentido. Battlefield acontece, a gente gravou com dois. O Battlefield, por exemplo, é que você tem gravações com microfones pra dar já mais uma sonoridade de um determinado tipo rádio. Então, o game trabalha com microfones muito variados. Tem algo também por segurança?
Se o microfone der problema, você tem outro ali pra... Sim, sim. Mas muito, muito tem a ver com o tipo, espacialização do som e tudo. Cara, tem alguma coisa em dublagem geral que vocês não fariam? Tipo assim, ele falou que fez coisa erótica e tal. Teria algum tipo de... Tipo, não é pra mim, não faria isso aí. Ah, tem uma empresa em São Paulo que tem feito filmes pornôs. Aham. Mesmo, pornozão. Sim. Ah, eu não me sinto confortável de fazer, eu não preciso fazer. Aham.
Ah, tem baby? Deve ter, né? Apesar que fechando o olho é igual uma corrida. Eu não sei. Não por nada, mas tipo assim, eu tô com a agenda cheia, não preciso, entendeu? Não acho muita graça. Imagino que as meninas devem ser super constrangedor pra elas fazerem também. Com certeza, imagino que sim, né? É, mas eu acho que não teria vontade de fazer. Mas caso duvidei. Eu já fiz erótico. Emanuele. Eu comi muito Emanuele. Sério? Muito. Nossa.
Não que eu tenha assistido. Mas conheço. Muito Emanuele. Já comi muito Emanuele. Passava na Band. E aí a empresa, a voz do Grinan. Todo capítulo tinha eu comendo Emanuele. Que doideira. Mas era erótico. Tinha história, tinha personagem. Tinha enredo. Aliás, personagens fortíssimos. A gente lembra bem deles. Cara, em relação a... Você falou uma coisa que é interessante.
do Blue Lion. Vamos supor que você aceite um desses trampos aí, mais calientes. Você pode ter problema com a Capcom? Por exemplo, é o Lion, né? Ou não? Não tem disso. Cara, eu acho que deve ser muito exclusivo de empresa. Talvez. Por exemplo, lembra quando a Disney teve isso um tempo. Com algumas atrizes que vinham de pequenas e aí teve vazamento de imagens delas e tiveram ruído. Mas eu não acredito que vá ter nenhum tipo... Não tem isso. Eles não pedem pra ensinar nada disso, né?
Eu nunca vi ninguém falar de nenhum contrato em que falava sobre impedir de outros trabalhos. Exclusividade, né? Eu já vi, é tipo assim, você faz um personagem muito marcante, você não pode em público repetir, tipo, fazer essa voz para outras coisas. Isso acontece, né? Isso acontece, assim. Por exemplo, o Gross comentou. Às vezes o pessoal pede, ah, me manda um salve. Cara, um, é meu trabalho. Você quer de graça o meu trabalho.
Primeira coisa é isso. As pessoas precisam ter um pouquinho de cuidado com isso. E a segunda coisa é isso, né? Tipo, calma.
que passam também por um direito que é da própria empresa. Eu tenho direito sobre a minha voz, mas tem coisas que também passam pelo direito de criação da empresa. Então, eu acho bastante ruidoso esse lugar. Se eu ganhasse 10 reais por cada áudio que me pedem... Você não estava dublando mais? Não estava. É infinito. Com histórias alegres e com histórias tristes, ainda assim, é óbvio que, sim, se os caras em algumas circunstâncias
a gente também pode ser flexível em determinado limite, mas no nosso caso, sobretudo, a gente ainda tem o limite do detentor da obra, efetivamente. Por mais que a gente seja dono da nossa bola. Marco, eu vi aqui também na lista, eu queria perguntar porque isso era raridade até outro dia e agora está melhorando e tal. Você foi diretor do Bananza, do Donkey Kong. Isso. E até outro dia, a Nintendo mal traduziu jogos para português, agora está dublando algumas coisas. Como que foi assim? E assim, eu não sei...
Quantos estúdios já tiveram que trabalhar com a Nintendo aqui no Brasil? Mas tá começando isso, né? Foram poucos até hoje. É, foram poucos. Como que foi esse do Bananza? Teve muita diferença de outras coisas ou foi o padrão de sempre? Cara, é padrão. O trampo é... O que a gente tem é sempre isso. O legal que eu acho, sobretudo... Aí eu vou falar muito de games. É que assim como os fãs são muito criteriosos com o que eles querem receber, os clientes são muito criteriosos com o que eles querem também. Então, por óbvio,
tudo é muito cuidadoso, né? O trampo é sempre muito... Mas eu acho que é isso, assim. Eu espero que muito em breve a gente veja tudo do lado. Mesmo assim. Porque ainda tem... Pô, imagina, GTA 6 vai sair e não tem perspectiva. Não vai ter. Não vai ter. Não vai ter nenhuma língua, né? Exato. O que é uma pena. O que é uma pena, mas por outro lado, talvez tenha a ver um pouco com essa questão da obra mesmo. Por exemplo, o GTA é um lugar ali,
a gente tava comentando as piadinhas do Leon. Se a gente deixa a coisa virar muito várzea também, imagina o Leon fazendo glú-glú-ie-é. Aham, sim. Entende? Não. Não precisa disso. Então, eu fico pensando muito isso em relação ao GTA, por exemplo. O limiar pra sair e descambar a coisa demais também é muito problemático. Mas eu acho que é isso, assim, sabe? Eu acho que a grande diferença é essa. É o cuidado. A gente vê o nível de cuidado que se tem com as coisas.
o GTA teria muita... Por exemplo, eles fazem muita crítica à própria sociedade deles. Então eles fazem piada com a ação de graças. Eles fazem piada com coisas muito locais deles. Como trazer isso pro Brasil sem ficar meio... E às vezes é isso. Eu acho que a gente precisa também ter esse cuidado. Que é que tem coisas que são intraduzíveis. Nesse sentido. Você não vai conseguir. Então também não se esforça demais pra tentar. Porque se você se esforçar demais, é muito fácil você perder a mão.
E aí você fazer uma piada por uma piada. Às vezes cometer anacronismos absurdos de você estar fazendo, sei lá,
um jogo que se passa na década de 40 e querer colocar um meme da atualidade só porque você quer colocar. Então, assim, é isso. Eu acho que é uma linha muito tênue pra você escapar fácil. Muito, muito, muito. Mas o meu sonho é esse, é ver as coisas acontecerem todas dubladas. Porque é isso. Eu aprendi parte do meu parco inglês exatamente por não ter nada localizado. Isso é um lado muito bom. Mas não tem nada pior do que você tá jogando e não poder emergir. Não conseguir entender o que tá acontecendo.
Você tem que mudar o seu foco pra entender a língua e não pra gameplay. Então quem gosta, pra mim, é outra história. É, antigamente eu lembro de eu jogando jogo que era algum RPG, RPG é texto pra caramba, eu com um dicionário de inglês. E aí você perde muito, né? Porque você gasta muito mais tempo, fica ali hoje em dia. É que falou que saiu aí que o Pokémon vai ser, demorou só 30 anos, mas vai ser finalmente traduzido pra português 30 anos depois. E aí assim,
tipo, meu filho vai poder jogar Pokémon assim que ele aprender a ler, ele vai poder jogar. Sabe? Não vai ter que... Porque são infinitas linhas de texto o negócio. É difícil jogar sem entender o que está acontecendo, como qualquer RPG, né? Então é aquele negócio, né? Se a empresa quer vender o produto no nosso país, né? Deveria colocar na língua, né? Porque é engraçado que a gente... O videogame, apesar de agora já ter 30, sei lá quantos anos, ainda há mídia nova em relação ao resto.
É que a gente fala, ah, o videogame tem 30 e poucos anos, 40 anos, o cinema tem mais de 100, né? Sim, sim.
É um bagulho muito mais maduro, né? É um negócio muito mais que a gente vai chegar lá em algum momento. Mas a gente tá, acho que, num caminho muito melhor. E, assim, vocês, né, fazem parte de... E eu acho muito legal isso, porque os dubladores, todos, pelo menos, que eu já conheci, abraçaram muito o mercado de videogame, entendeu? Porque poderia ter gente que tem preconceito. Esse negócio aí, porque a gente de videogame já viveu com muito preconceito, muito tempo, sobre jogar videogame, né? E é muito legal que vocês, porque são vocês, né, eu acho, né?
o auge do que a gente tem de talento nesse meio de dublagem eu acho que a gente tem aqui no Brasil e todos vocês foram pros videogames do mesmo jeito que vocês lidaram com filmes e séries e mesmo sendo muito mais trabalhoso, né? Vocês fazem um trabalho fantástico. Mas eu não sei se todo dublador consegue brilhar nas duas mídias. Eu acho a do game é bem específico, assim. Conseguir ter aquela energia durante tanto tempo, ouvir, fazer igual, eu acho que é específico. Tem dublador que eu acho que não funciona tanto.
certo. Porque requer uma outra atenção, um outro tipo de ouvido. Não é reagir pela reação, tem que fazer a reação igualzinha e a pausa do meio igual. É diferente. É uma energia diferente. Eu acho assim, que na execução tem coisas que se você tá há muito tempo, você realmente precisa se adequar. Porque você tem no game, na dublagem tradicional, normalmente você tá dublando uma boca com imagem e você tá acompanhando ali a boca. No game, às vezes a gente grava só em cima do áudio. E você tem
dos tipos de arquivo que você grava. Alguns você tem que gravar de uma determinada forma, alguns são livres, outros você tem que seguir metricamente muito igual. E você tem que encontrar um prazer nisso. E quando não tem imagem, é isso. Eu já escutei, por exemplo, isso. Cara, a dificuldade que eu tenho com game é que game não tem imagem. Eu falo, pera, onde você quer imagem? Na tela? Porque na tela não tem. Mas eu também acho que isso tem na dublagem.
Por mais que você esteja comprando o que está no vídeo, cara, você tem que ter um exercício
Uma abstração. Criar uma abstração praquilo muito grande. Então se você não imagina você na situação, é muito mais difícil. O dublador que se dá bem é aquele que faz de conta que eu tô ali discutindo com o cara. Faz de conta que não sei o quê. Se você não acha divertido esse fazer de conta, você não vai brilhar naquela área. Tem que ter isso. Porque assim, eu tô vendo uma cena agora que eu nunca vi na minha vida. Lá o outro lá fez o filme, se preparou durante meses. Decorou o texto, fez laboratório. O dublador é agora. Vê a cena e faz.
Se você não consegue viajar junto, você não vai conseguir brilhar nisso. Não vai ficar bom. Vai ficar meio meia boca. E assim, é o que vocês sempre falam, a gente sabe, a dublagem brasileira é um troço fenomenal. E tipo, Grinan. Grinan já fez o Leon muitas vezes antes de chegar num trabalho que tá comigo. Eu não preciso falar muito pra ele o que fazer com o Leon. Mas esse trabalho coletivo, essa coisa de todo mundo estar junto construindo uma coisa,
a grande diferença. Porque o cara pode entrar lá dentro, cara, eu já faço. Preocupa não. Eu tenho uma dublagem de jogos que pra mim é muito marcante, que eu nem lembro a data disso, se alguém puder buscar aí. Quando foi que saiu Injustice 1? Injustice 1, né? O jogo do super-herói, da DC, né? E... Quando foi vir, a gente falou, cara, será que vai ter a voz dos dubladores do desenho? Que era... Ah, em 2013, que é ano importante.
E quando veio, que foram as vozes dos dubladores dos heróis originais, aquilo foi muito marcante. Muito marcante.
Porque ter essas coisas que a gente reconhece. Porque esses personagens são feitos aí há muito tempo. E eles vieram pra cá. Porque durante um período a gente não sabia se os nossos grandes dubladores não estavam nos jogos. Como é que a gente ia saber disso? E estão. Então isso é ótimo. Porque a gente sempre tem essa... O maior nível de qualidade que a gente tem dos dubladores é realmente muito bom. Vocês falaram uma coisa, cara, que é muito importante.
E que eu sinto em vocês falando aqui. Bom, a gente vê muito de dublagem. Tem contato muito com dublagem.
E tem uma coisa importante que eu escuto quando vocês falam, que é a vontade de estar fazendo dublagem pra videogame. Já aconteceu de, ah, pô, fiz uma dublagem, mas você vê que o cara não dá tanta importância, e tá tudo bem, mas o rumo dele é, sei lá, eu quero fazer filme, e dá pra perceber nitidamente que não é muito no jeito de falar e tal, o negócio dele é outro. E quando vocês falam, cara, tem a paixão mesmo aí, vocês estão empolgados, você tá empolgado com o Leon, você tá empolgado com Resident Evil, pra gente, eu tô falando enquanto jogador,
o bagulho. Não é um negócio assim, ah, preferia estar fazendo o Soldier Boy. Entendeu? Ah, vou fazer o Linho porque... Ah, é videogame. Entende? Então, quando vocês falam, dá pra sentir realmente que vocês estão animados com Resident Evil e, sinceramente, cara, tem que estar muito. É uma franquia gigantesca, cara. É fantástico, sabe? E por isso que chega no resultado que vocês viram. Exatamente. A gente ama fazer isso de verdade.
Eu acho que é uma vantagem de estúdios que trabalham com isso. Especificamente, né? Ah, vou trabalhar com jogo e tudo mais. Tem um pouco a ver com isso também, sabe?
não é puxando a sardinha, mas realmente a gente ali na Rockets não importa o tamanho do jogo que chega. A gente tem muita gana de trabalhar com a coisa porque a gente joga, a gente gosta, a gente sabe o quanto que é importante o resultado final. Pô, quando a gente foi fazer o Aila agora, a satisfação que a gente teve de falar, caraca, vamos fazer um voz original pra um game que tá com uma qualidade muito bacana, brasileiro, já do zero, voz original. Pô, isso pra gente é fenomenal assim. E esse é um de terror? Isso.
Esse, me chamando pro próximo. O mercado tá começando, né? Assim, realmente, caraca, você tem jogos, vão sair jogos agora nacionais que realmente o mercado tá crescendo muito. Tem uma coisa que vocês falaram justamente disso, que você acha que não é todo dublador que vai conseguir fazer o jogo. Vocês sabem se hoje em dia, porque na minha época, quando eu fiz com os dublados lá atrás, nem existia isso aí. Eu fiz no Rio? Eu fiz lá em Botafogo, o da Marlene. Ah, eu dava
aula lá. Ah, é, então, eu fiz com a Flávia e com a Fernanda. Ah, era Flávia, Fernanda, Marlene e eu. Ah, então, é que você não tive aula. Isso, é, eu tive com a... Na verdade, a Flávia era a que eu tinha, mas a Fernanda vinha também de vez em quando. Que ano foi isso? Puts! Não, vai lá, acabou. Quantos, vinte e tantos anos atrás? Eu tinha, acho, quinze anos, então faz vinte e treta, eu com trinta e oito é isso, né, vinte e três anos. Nossa Senhora, caramba. É. Foi isso aí. Então, é, não tinha games, né, tipo,
Pelo menos, hoje em dia, sabe, tem isso? Tipo, nos cursos de dublagem, o povo tá... Tem curso específico de game. Tem curso específico de game? Que legal! Caramba, que legal! É muito diferente. Tem que ter mesmo. Tem que ter. Tem professor só de game. Caramba, que legal. Inclusive, tem um com a diretora, que é a minha amiga, que fez A Ovelha, inclusive, a Rebeca Zadra. Tem uma galera que... Acho que deve ter aí já uns dois, três. O Rubens, que é um técnico... Que era técnico na Maximum, inclusive.
Ele tem. Eu já cheguei a dar uma aula pra um curso de game dele lá. Um outro módulo sem ser o básico dele. Caramba, mas é muito doido, cara. A galera dublagem é impressionante. Porque vocês dublam, vocês dirigem, vocês dão aula. Você vai de tudo no negócio. É porque, cara, é isso, assim. Eu dou aula de teatro até hoje. Eu tento estar todo ano no teatro, fazendo alguma coisa. Quem tá muito tempo fazendo isso, que é o nosso caso, a gente entende que você não é nada. Você está. Ele está dirigindo, ele está dando aula,
as coisas são muito efêmeras. Canais fecham, a Disney muda de dublando uma empresa, depois dublando a outra. Você tem que estar, sabe, cercado de todos os lados. Se der uma merda aqui, você tem aqui, ali, lá. Hoje eu vou dar aula, amanhã eu vou dar aula. Então também, sabe, você tem que se agitar. Então a gente aprende isso. A cobrir a agenda. É, tem que preencher a agenda toda. E isso, querendo ou não, eu sei que muito fã fala vou fazer e quero fazer, você tem os fãs
o Fandube, essas coisas e tudo mais. Mas quando o trabalho vai pro campo profissional, a coisa realmente é muito diferente. Claro. Por causa do tempo que você tem pra fazer, o ritmo e a sua formação vai fazer toda a diferença dentro do estúdio. Porque uma coisa é, eu assisto muita coisa dublada, ouço, já entendi como é que é mais ou menos a dinâmica e beleza. Agora a outra é você, por exemplo, isso que a gente tava falando logo no início, esse ferramental de tipo, não, cansado, a voz tá mais aqui,
assistir o que eu tenho que captar da cena. Então, realmente, não tem como. Você tem que ter especializações pra seguir. Cara, vamos lá. Vocês dois. Quanto tempo de trampo até finalizar o Wrecking? Vocês já falaram, mas... Uns dois meses. Uns dois meses. Com a gente, uns dois meses. Tá. Dois meses pra fazer esse trampo maravilhoso. Cara, quando tá pra sair ali, como é que é pra vocês? Vocês ficam ali já pronto vendo os comentários da galera?
Como é que é a sensação? Porque, pô, é um trabalho feito com muito cuidado. É um negócio que deve ser estressante também em algum momento. Não é só maravilhoso.
Ele só fala dos pontos bons, mas deve ter erro, deve ter estresse, deve ter tudo isso aí também embutido. Mas, cara, quando tá pra sair ali, que tá próximo ao lançamento, qual que é o sentimento de vocês, assim? Então, como aconteceu uma coisa, vocês jogaram antes, né? Sim. Jogaram um mês antes. Já foi 15 dias. 15 dias. Senão a galera fica doida. Aí começou a vazar. Agora não tem mais volta. Grinan está fazendo. E ali já começaram alguns elogios e tal.
Começou você a falar de mim. Eu falei. Você falou. Eu falei, eu falei, eu falei.
Então assim, já você fica meio... Passei, deu certo, entendeu? Então teve isso de... A expectativa até aquela hora. Não precisou chegar dia 27. Ali com vocês a gente começou a entender que tava dando certo, entendeu? Já é um termômetro, né? É, depois mais perto já tinha gente que tava jogando já. Então assim, deu pra entender mesmo antes do lançamento oficial. Já ficou claro que a galera tava curtindo o jogo. O jogo e a dublagem. Então assim, eu já fiquei meio que em paz.
Mas tem ansiosidade ainda hoje de vocês? Tem, claro, claro. Quando ele me pede, faz a voz mais aqui, coloca a voz ali. E eu vou experimentar uma coisa que eu não estou acostumado a fazer. E eu acreditei nele. Ele falou, vai, vai. E eu acreditei e falei, e agora? Porque eu fiz uma coisa que eu não estou acostumado. Eu tirei uma carta da mão. Eu acreditei. Então, será que vai funcionar? Será que quando bater essa voz que eu tirei não sei de onde, com aquela imagem, vai ter a ver? Aí quando vocês veem tudo, funcionou, foi legal. Ufa, que ali, deu certo.
Agora é só esperar, entendeu? Eu fiquei feliz. Acho que todo jogo tem isso, não tem como. E é engraçado, porque, por exemplo, o embargo para os reviews caiu, acho que, 48 horas antes. No dia 25. Ali começa a gente a ter notícias. A gente já tinha visto, mais ou menos, porque termina, a gente quer ver. Então a gente terminou o trabalho no estúdio e começa a ver. Funcionou? Ok. Começaram a sair os reviews escritos. Bons comentários. Saíram os vídeos.
os comentários. Pra mim é só quando, tipo, passou umas 24 horas que tem fã jogando. Porque eu acredito pra minha mídia especializada vai te dar um retorno. Agora, o retorno do fã é uma loucura. Uma vez um desenvolvedor, o Cyberpunk falou com a gente, o polonês, né? E ele disse que antigamente o desenvolvimento de um jogo terminava no momento que você pegava e botava o jogo pra rua, pra vender. Hoje, ele fala que existe uma nova
etapa que é ver as pessoas jogando e entendendo o que ele tentou fazer no jogo, a pessoa que jogou sentiu. Entende? E no caso, eu acho que meio que você tá falando, que tipo, o trabalho de vocês acabou ali, mas você só vai ver o resultado mesmo quando, né, depois que as pessoas jogarem e elas acharem. Porque tem muito isso. Eu vi há muitos anos atrás um making of do Procurando Nemo, na época que DVDs, né, existiam ainda. E no documentário Procurando Nemo, os caras lá falavam da Pixar, diziam que ele demorou
muito mais tempo do que deveria pra concluir. E ele falava que chegou no final do desenvolvimento, os caras já não sabiam mais o que eles tinham na mão. Porque demorou tanto e falou, cara, eu não sei se essa piada é boa, porque pra mim não tem mais graça. Eu já vi 10 mil vezes. Eu não sei se essa cena tá boa, eu não sei. Porque já passou tanto aqui pra mim e qualquer coisa que você vê um milhão de vezes, você já não entende mais.
Então assim, na época eles estavam com muito medo, porque eles não sabiam mesmo o resultado. Talvez vocês, também aconteça que vocês repetiram tantas vezes, eram tantas vezes, somente as gracinhas e tal, não sei o que. Cara, será que isso aqui vai dar certo?
E tem isso, né? O desenvolvedor, pelo menos, ainda tem o direito do pet zero. Isso, pode usar o pet, tá? A gente... Cara, ou você crava, e é isso. Eu acho que a parte que é um pouco complicada é essa. A gente faz um mega trabalho. Excelente trabalho.
o jogo flopa. Pode acontecer. Independente da dublagem. Independente da dublagem. Exatamente. Não adianta você ter feito um trabalho maravilhoso. O jogo flopou. Beleza. A gente faz um excelente trabalho e o jogo bomba. O jogo bomba e a dublagem não tá boa. Aí mesmo. Aí é um problemão. Porque a gente não tem o bet. Claro. A gente não... Não, a gente espera. Agora a gente entendeu. Não, não, não. Foi, foi. Então é isso. Pra mim é sempre o fã. É escutar o fã. Porque a gente sabe. Daqui uma semana vão começar os servios.
caça like, que vai começar a criticar o review de quem falou que é bom, encontrando os pelos na agulha. Gente, a gente sabe que tem problema. A gente sabe que não é a história perfeita. A gente sabe que tem furo. A gente sabe uma série de coisas. A lore do Resident é uma coisa maluca. Nem a Capco entende. É, exato. Entende. Então a gente já sabe disso. Não precisa. Mas ainda tem esse detalhe. O fã jogando pra mim é a coisa... Quando eu pego gente gosta e que no final fala, gostei. E consegue criticar qualquer coisa.
Inclusive parte da dublagem. Aí eu fico mais sossegado. Culpar a dublagem por furo de roteiro é um absurdo. Não faz o menor sentido. E pode acontecer. Mas tem uma... Essa é uma pergunta nada a ver. Mas eu preciso perguntar, porque vamos lá. A gente tem vocês, a nossa dublagem. Vocês recebem comentários e elogios de outros países que utilizaram a nossa dublagem ou isso não acontece? Por exemplo, vamos supor que, sei lá, o jogo vai chegar na Argentina, que recebe outros dubladores.
Esse jogo vai chegar em Portugal. Existe uma galera que utiliza da nossa dublagem e, enfim, vocês recebem comentários ou não? A gente fica aqui só com a gente mesmo. Eu não ouvi falar. Pra mim nunca chegou nada nesse sentido. Pra mim também não. Cara, então, isso é interessante que eu pergunto. Em Portugal, tá indo a nossa dublagem? Tem dublagem específica em Portugal? Algumas dublagens tem. É, algumas tem. Algumas coisas tem. Eu lembro que a gente recebia a deles. É, tinha onde que a gente recebia.
tem a deles também, mas eu acho que alguns produtos talvez recebam a nossa. Eu acho que hoje em dia pode ser que isso aconteça. Não tenho certeza. Realmente não sei dizer. Legal. Bom demais. Gente, muito obrigado por terem vindo. Foi muito legal. Parabéns pelo trabalho. Sensacional. Porque aconteceu o que você falou, né? O jogo é muito bom, tá bombando e o do baixo tá excelente. Então é o melhor dos mundos, digamos assim, né? E a gente também fica muito feliz que o jogo deu grande resultado, porque dá pra ver que é um trabalho de alta qualidade. A gente vive numa indústria de videogame,
que faz muita besteira, né? E ainda bem, a Capcom entrou num caminho muito bom há muitos anos atrás. A Capcom tá voando, né? Tá voando. E esse ano tem um monte de jogo. Um monte. Um monte de jogo. Tem o Onimusha, tem o Pragmata, né? Vai ter o Okami. É, não, que não é da Capcom, né? É, o da Capcom sou esse. Mas vai ter o GTA Sam também. Mas poderia cair pra vocês o GTA também. Podia, né? Assim como o James Bond. Porque o GTA V foi o primeiro que veio traduzido.
Traduzido deles, né? E foi, eu acho até hoje uma das melhores traduções que fizeram. Até porque todas aquelas peculiaridades do GTA que a gente fala,
Então, pelo menos em português, a gente já tem um GT. A gente não tinha um GT em português até outro dia, cara. É verdade. Quer dizer, já faz 13 anos agora. É verdade. 13 anos, né, que a gente tá nessa. Cara, eu queria falar que a gente vai partir pro final. Assim, primeiramente, também, parabéns pelo trampo. Obrigado. Eu jogo essa franquia... Nossa, meu Deus do céu. Desde sempre. Sou chato, sou fã chato. A galera sabe que eu sou fã chato.
Mas, assim, a tua voz, cara, eu... De verdade, não é babação de ovo, não. É que eu não consigo realmente imaginar outro dublador. É muito porque a gente já se acostumou. Eu também não consigo. Nenhum.
acostumou, claro, mas é realmente que combinou muito, sabe? Tem personagem que ganha algumas vozes que você fala, pô, o Leon caiu perfeitamente na sua voz, e assim, eu acho que eu posso agradecer em nome da comunidade, porque eu nunca vi ninguém falar, ah, o Grinan não combinou com o Leon, sabe? Então assim, fechou excelente a sua voz pro Leon, é uma coisa que eu sempre imaginei mesmo, sabe? Principalmente agora no Wrecking, pô, achei uma voz bem envolvente, bem mais madura, mais grossa, hein? Às vezes você falava, eu tava jogando, eu tentava imitar, né?
Que fica muito pra gente, sabe? Então, cara, primeiramente agradecer o trabalho que vocês fizeram, tá? Você colheu, sensacional. Acho que o fã tá muito feliz e que, bom, o fim do jogo ele dá ali uns caminhos e que vocês continuem nessa pegada, assim, que a Capcom entenda que foi um trabalho muito bem feito e continue. Porque a gente precisa disso, cara. É o que eu falei que você marcou muito, não só por ser o primeiro jogo dublado da Capcom, mas também por pegar o protagonista mais popular da série. É muito marcante.
Quero que você perca esse cara. Entendeu? Porque vai ser muito estranho. Isso. Entendeu? E é isso. Parabéns pra vocês. Sensacional. Valeu. Obrigadão. É isso, gente. Obrigado a todo mundo que assistiu. A gente se vê em breve aí. Ah, sim. Manda as redes sociais de vocês pra gente botar lá. Isso. Arroba Felipe Grinan. A gente vai... Aí, ó. Tá aí. Caramba, tá aqui muito rápido. Caramba. Que agilidade isso. Mandou lá o Grinan. O que você costuma postar aí pra galera?
Dos meus trabalhos. É. Tudo no meu trabalho. Quando pode, liberou, eu já boto lá.
eu gosto de cantar. Às vezes eu boto umas... Ah, é? Ah, legal. Ah lá. Bravo demais. Você costuma usar? Eu, arroba marconepo, eu não uso tanto, mas agora, recentemente, tenho postado mais coisas dos meus trabalhos. Minhas cachorras que eu amo de paixão. E é isso. Vou tentar movimentar um pouco mais as redes, mas é isso. Alguns trabalhos. Bom demais. É isso, gente. Obrigado a todo mundo que assistiu, galera. A gente se vê. Tchau. Valeu!