Episódios de Turno da Noite

#88 Insônia

20 de setembro de 202616min
0:00 / 16:33
Participantes neste episódio1
G

Giovanna

HostAstróloga
Assuntos5
  • A história de uma mulher com insônia familiar fatal e as pessoas sombradeterioração mental sem sono REM·alucinações e visão periférica·reinos das sombras e filtros mentais
  • A insônia como um terror psicológico e suas consequências na vidadissociação e perda de memória·sensação de impotência e exaustão·insônia familiar fatal
  • A interferência da protagonista no destino das pessoas e suas consequênciassalvando um homem de ataque cardíaco·salvando um jovem de acidente de carro·descobrindo que os salvos eram criminosos
  • A mensagem das pessoas sombra sobre o equilíbrio do mundonão interferir nos assuntos delas·ações grotescas são necessárias·segunda chance para desfazer erros
  • A reflexão sobre interferir no destino e a série Dead Like Menão interferir na ordem natural das coisas·personagens ceifadores e criaturinhas·o que é para acontecer simplesmente acontece
Transcrição21 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz C

Você sofre de insônia? Se sim, durante seus episódios ali, quando você não consegue dormir, alguma vez você chegou a ver na sua visão periférica ou ali no cantinho do seu quarto alguma coisa se mexendo? Essa coisa é conhecida por aí mundialmente como pessoas de sombra, ou o nome original, shadow people.

?Voz D

E se você nunca ouviu falar Não se preocupa, que tudo tem a primeira vez.

?Voz C

E agora você vai ouvir. Pra quem não me conhece, meu nome é Giovanna. Mas pode me chamar de Gigi ou Gi. E bem-vindos ao turno da noite, onde as coisas sinistras acontecem.

?Voz D

E aí, gente.

?Voz C

Como vocês estão? Esses últimos dias, eu venho me sentindo em Forks. Uma umidade interminável. Um frio horrível, chuva que não para. Eu tô com saudade dos raios de sol e eu também tô com saudade de suar, até disso. Gente, eu queria falar para vocês que nesse tempo em que eu fiquei sumida eu tive muitos episódios de insônia, assim, muita insônia mesmo. Coisa de dormir 6 horas da manhã e para acordar às 8 para trabalhar às 9. E nossa, sofri horrores.

É... Tem uma frase de um filme que eu gosto muito, que é O Clube da Luta. Sim, podem me zoar, mas eu gosto muito. Que diz que quando você tem insônia, nada é real. Você nunca está realmente dormindo, você nunca tá realmente acordado. E isso faz total sentido, porque você começa a dissociar, você começa a esquecer as coisas que aconteceram. Nossa, eu tava esquecendo coisas que eu sempre tive muito na ponta da língua, assim. Eu sou uma pessoa que tem uma memória muito, muito boa.

O meu talento oculto é lembrar de coisas muito específicas pra sempre. E eu tava muito esquecida, assim. Eu não tinha vontade de fazer nada, não tinha vontade de levantar da cama. E eu acho que, honestamente, nada, nenhum terror é realmente mais assustador do que essa sensação de impotência, de desânimo e de exaustão. Então, pensando nisso, hoje eu trouxe uma história Que fala sobre insônia. E fazia tempo que eu não trazia nenhuma história do NoSleep.

Então hoje eu trouxe uma história do NoSleep. Pra quem não conhece, o NoSleep é um subreddit onde tem muitas histórias de terror autorais e umas coisas muito boas. E eu trago sempre as histórias de lá pra cá. E essa história foi postada no NoSleep há 8 anos atrás por um usuário chamado RichardSaxon. E o nome dela é: Eu não durmo há 3 anos.

?Voz D

Meses, falei errado.

?Voz C

Então vou fazer a narração aqui da história e depois eu volto para comentar com vocês.

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?Voz C

Vamos lá.

?Voz D

Três meses sem conseguir ter uma única noite de sono. Isso sequer é possível? Durante décadas, o recorde foi de onze dias e vinte e cinco minutos, mantido até hoje por Randy Gardner. Mas dormir não é simplesmente o ato de ficar inconsciente durante a noite. O sono é muito mais do que isso. Durante a noite, o nosso cérebro passa por vários ciclos. Um dos mais importantes, sem dúvida, é o sono REM, que é quando temos sonhos. Sejam eles memoráveis ou não, eles são necessários.

Sem o sono REM, nossas mentes começam lentamente a se deteriorar ao longo de semanas e meses, até que o cérebro simplesmente pare de funcionar. Ai, como eu sinto falta da doce tranquilidade de um sonho. Merda, eu preferia passar a vida inteira tendo pesadelos a continuar vivendo essa tortura constante. Veja bem, eu sofro de uma condição extremamente rara chamada insônia familiar fatal. E por mais ameaçador que esse nome possa parecer, eu posso garantir que não passa de uma maldição.

Por causa dessa doença, eu sou incapaz de sonhar e o máximo que conseguiria alcançar é um sono leve. No que diz respeito à insônia, esse é o tipo letal, que lenta, mas efetivamente está transformando o meu cérebro em um queijo suíço. Até o fim desse ano estarei morta. Me poupe da pena e me poupe das palavras de consolo. Eu tive uma vida boa e aceitei o meu destino. Em breve encontrarei o meu criador, mas eu temo que tenha de pagar por um terrível erro que eu cometi.

Cerca de uma semana depois do meu diagnóstico, a falta de um sono adequado gera um enorme fardo pra minha saúde mental e física. Eu comecei a ver, na minha visão periférica, figuras borradas se movimentando, mesmo quando eu supostamente estava sozinha. Alucinações eram uma das principais consequências esperadas da minha doença, mas elas continuavam acontecendo mesmo enquanto eu tomava a medicação destinada a suprimir os sintomas.

Eu pedi demissão pouco tempo depois do diagnóstico. Graças ao meu seguro de vida, eu recebi uma boa quantia em dinheiro, o suficiente para me manter em uma vida confortável durante os poucos meses que me restavam. Então passei o meu tempo pesquisando. Você ficaria surpreso com a quantidade de pessoas que tentam ficar acordadas por dias seguidos simplesmente pela experiência alucinógena. Existem até grandes fóruns dedicados exclusivamente a isso.

Foi nesses fóruns que eu ouvi falar pela primeira vez dos reinos das sombras, dimensões ou realidades além do nosso próprio mundo, que só conseguimos enxergar à medida que as nossas mentes começam a se deteriorar. Um dos membros, Robert Rose, escreveu: nossas mentes são criações incríveis que nos permitem experimentar o mundo ao nosso redor, desfrutando das emoções proporcionadas pelas interações químicas dentro do nosso cérebro.

Nós amamos, aprendemos, vivemos. Nossas mentes também funcionam como um filtro, nos protegendo de coisas que estão além da nossa compreensão. Mas esses filtros se deterioram à medida que ficamos cansados e é por isso que precisamos dormir. Sem esse hábito noturno, as paredes entre nós e o reino das sombras começam a desmoronar e você pode realmente começar a enxergar tudo que existe lá fora. Já viu alguma coisa parada aos pés da sua cama no exato momento em que está pegando no sono, só para ela desaparecer quando você acorda por causa de uma descarga de adrenalina?

Aquilo é uma delas, uma das pessoas sombra. Agora eu imagino que, como as pessoas normalmente não conseguem ficar acordadas por mais do que alguns dias seguidos, elas nunca chegam a apreciar de verdade os horrores que emergem do reino das sombras. Como eu já não tinha experimentado um sono profundo havia cerca de 2 semanas, as figuras borradas finalmente começaram a ficar mais nítidas. As pessoas sombra estão por toda parte e, na maior parte do tempo, simplesmente nos observam, seguindo as pessoas enquanto as estudam por algum motivo.

Elas quase nunca interferem. Nas raras ocasiões em que interferem, porém, nada de bom acontece. Sabe aquelas situações em que alguém simplesmente cai morto na rua sem nenhuma causa conhecida? São elas. Como elas só ficavam ali, eu não decidi seguir elas até completar um mês do meu diagnóstico. Mas foi então que eu notei uma atravessando a rua, uma sombra alta e esguia, caminhando com passos lentos, porém determinados. Comecei a segui-la por uma curiosidade mórbida.

O que ela faria? Um homem caminhava pela rua, completamente alheio à presença da sombra. Ele devia ter pouco mais de 50 anos e usava um terno bem alinhado. A criatura caminhava atrás dele, aparentemente intrigada. Isso continuou por alguns minutos, até que aquilo lentamente estendeu sua mão fina em direção ao homem. Tocou o seu ombro suavemente, como uma pena caindo no chão, e o homem caiu enquanto segurava o peito. Eu não sou médica, mas já fiz cursos de RCP em diferentes empregos que eu tive, então sabia reconhecer os sinais de um ataque cardíaco.

Instintivamente peguei o celular para chamar uma ambulância antes de correr até ele e começar as compressões torácicas. Parecia que uma eternidade havia se passado enquanto eu continuava pressionando o seu peito. As costelas estalavam sob a força das minhas mãos enquanto os meus músculos ardiam. Quando a ambulância finalmente chegou, eu tava encharcada de suor. Os paramédicos correram para colocar o homem na ambulância. Um deles anotou meu nome e o meu número antes de entrar na parte de trás e fechar as portas.

Assim que fez isso, eu tive outra visão do homem que eu havia ajudado. Havia algo familiar em seu rosto. Quando a minha descarga de adrenalina passou, a criatura já havia desaparecido. Um dia depois, o hospital me ligou para agradecer pelos meus esforços. Ele havia se recuperado milagrosamente e poderia viver por vários anos, tudo graças a mim. Aquele acontecimento despertou em mim um desejo de fazer a diferença. Ao longo do mês seguinte, comecei a seguir as pessoas sombra.

Elas estavam por toda parte, mas apenas algumas se movimentavam de maneira intencional. Eram essas que eu sabia que iriam atacar. Um jovem, não deveria ter mais de 25 anos, conseguiu bater o carro. Não tinha nenhuma razão aparente para ele ter saído da estrada completamente reta, mas o acidente resultou em uma destruição bem grave. Eu consegui tirá-lo do carro a tempo, pouco antes do tanque de combustível pegar fogo e o veículo ser consumido pelas chamas.

A sombra que aparentemente havia empurrado o carro para fora da estrada percebeu a minha presença. Por um momento eu encarei o seu rosto vazio e naquele instante soube que elas tinham consciência da minha capacidade. Felizmente, o homem que eu salvei saiu ileso do acidente e eu fui embora logo depois de chamar o serviço de emergência. Alguns dias depois, salvei outro homem. Ele havia caído do terceiro andar do prédio onde trabalhava.

Ninguém além de mim percebeu. A queda quebrou algumas de suas costelas, que acabaram perfurando os dois pulmões, mas como eu fui rápida em pedir ajuda, ele foi salvo. Olhei para a janela de onde ele havia caído. Outra pessoa-sombra tava ali. Apesar de não ter rosto, eu já sabia que tava olhando para mim, me julgando por interferir em suas mortes. Dias e semanas se passaram e rapidamente eu perdi a conta de todas as pessoas que eu havia salvado.

Mas meu corpo mal conseguia acompanhar o esforço enquanto a minha doença avançava. Em pouco tempo ele sucumbiria à pura exaustão e não havia nada que eu pudesse fazer a respeito. Minha determinação começava a desaparecer. Um dia a televisão estava ligada no noticiário. Pra ser sincera, eu nem conseguia me lembrar de ter ligado a TV. O esquecimento e essa perda de memória haviam se tornado inimigos constantes durante a minha doença.

Um rosto familiar apareceu na tela. Era a primeira pessoa que eu havia salvado, o homem que sofreu um ataque cardíaco na rua. Seu nome era Samuel Walker e, aparentemente, ele vinha aparecendo nas notícias havia meses, depois de ser relacionado a vários assassinatos. Dois deles haviam sido cometidos durante o seu julgamento. Depois que eu salvei sua vida. Fiquei imóvel, encarando aquele homem. Era realmente ele? Eu havia salvado sua vida e com isso permitido que ele matasse pessoas inocentes?

Eles sabiam? O que mais eu poderia fazer senão pesquisar sobre cada pessoa que eu havia salvado? O homem que tirei dos destroços do carro voltou pra casa e matou a própria namorada depois que eu o salvei. Ela teria sobrevivido se não fosse por minha causa. Cada pessoa que eu tinha salvado era um assassino, um estuprador, um criminoso violento, e cada um deles continuou cometendo atos horríveis depois que eu o salvei. Eles sabiam.

Eu havia sido derrotada. Na minha tentativa de fazer o bem, eu cometi um erro terrível, um erro que acabou resultando na morte de pessoas inocentes e boas. Depois dessa descoberta aterrorizante, eu me entreguei à minha doença. Não saía de casa durante os dias. Apenas bebia até cair em algo que não passava de escuridão. Nenhum sonho pra onde escapar, nenhuma realidade alternativa. O suicídio era uma opção que frequentemente passava pela minha cabeça.

Seria tão fácil simplesmente desistir e enfrentar as consequências. Mas eu não tava sozinha. Um grupo de pessoas sombra estava ao meu redor. Como eu não havia percebido a presença delas antes? Elas estavam ali pra me punir, pra me levar até o reino das sombras. Não, não, elas ficaram apenas paradas. Eu não consigo explicar o que aconteceu, mas a gente se comunicou. Não com palavras nem com pensamentos, simplesmente tivemos uma compreensão mútua.

Não interfira nos assuntos delas. Por mais grotescas e imorais que as suas ações possam parecer, elas são necessárias para equilibrar os males desse mundo. Num piscar de olhos, elas desapareceram. Eu havia recebido uma segunda chance, embora isso significasse apenas mais alguns meses nesse mundo. Mais alguns meses para desfazer os meus erros.

?Voz C

E aí, gente, o que vocês acharam? Apesar de eu ter sofrido já muito com insônia na minha vida, não foi só esses últimos meses que eu passei sofrendo com isso. Acho que eu comecei a ter insônia assim, eu era muito nova. Eu nunca vi as pessoas de sombra, mas eu sei que é um conceito muito amplamente comentado. Então, se vocês quiserem, eu posso fazer um episódio só sobre pessoas de sombra. Porque tem muita história e tem muita explicação sobre elas.

Mas eu não acho que a pessoa em questão da história estava errada em salvar pessoas. Tipo... Tá, ela agiu um pouco, ela interferiu um pouco. No destino e na ordem natural das coisas, mas não sei, acho que muitas pessoas assim, se tivessem a oportunidade de salvar alguém, salvariam. Até porque não dá pra saber o que que a pessoa vai fazer com aquela segunda chance de viver. Então não acho que ela esteja errada, mas fica um aprendizado pra gente pra não interferir no destino, né?

Isso me lembrou uma série que chama Dead Like Me. Uma série bem lá do B, assim, não é muita gente que conhece. Onde as pessoas são... Os personagens, eles são ceifadores, né? Então eles são encarregados de tirar a alma da pessoa antes do acidente acontecer, assim. A alma não sofre na hora da morte. E guiar elas pra outra dimensão.

?Voz D

E aí...

?Voz C

Quem causa esses acidentes, essas mortes, são umas criaturinhas assim. E aí a protagonista, ela no começo, quando ela tá entendendo as coisas, ela quer muito impedir que essas criaturinhas façam as coisas assim. Mas os outros ceifadores falam pra ela, tipo, você não pode fazer isso, você não pode interferir na ação deles. O que é pra acontecer simplesmente acontece. E realmente, né? Quando chega a hora, simplesmente chega. Não tem o que fazer.

Mas enfim, eu gostei muito dessa história. Espero que vocês tenham gostado também.

?Voz D

E esse foi o episódio de hoje do Turno da Noite.

?Voz C

Mais curtinho assim, porque as coisas estão meio corridas aqui em casa. Eu comprei uns móveis novos e aí eu tô reformando e tá tudo um caos. Então esse episódio teve que ser um pouco mais curtinho. Mas eu espero que vocês tenham gostado. E eu vejo vocês aqui semana que vem. Um beijo e até lá! Kelly Clarkson here with Wayfair. I know holiday magic starts at home, and Wayfair makes it easy. They have everything from Christmas trees and mantel decor to outdoor lighting and inflatables that I'll use year after year. Head to wayfair.com today.

?Voz D

Wayfair, every style, every home.

?Voz A

Fall never arrives all at once. First the air, then the light, and slowly the things you love begin to find each other. A jacket meets a dress, a hoodie slips beneath a blazer, an old cap finds a new scarf. Because you don't simply step into the season, you create it layer by layer. Até que finalmente se sinta como outono. Encontre o outono da sua forma no Ross.