Especial Dias das Mães Márcia e Marcelo Alcântara, mãe e filho se dedicam à Ciência PAUSE
Márcia Alcântara, referência em doenças respiratórias, é fundadora do Pulmocenter – Instituto do Pulamão, entidade que une ciência, tecnologia e cuidado humanizado para oferecer soluções inovadoras no tratamento de doenças pulmonares.
O filho, médico Marcelo Alcântara, é o idealizador do Elmo, capacete que salvou milhares de vidas durante a pandemia da Covid-19 e encabeça a criação da Fundação Elmo.
À mesa, com o jornalista Clovis Holanda, apresentador da atração, falarão sobre Medicina, saúde pública, avanços e retrocessos nos atendimentos à população, Ciência, tecnologia e inovação a serviço do bem comum, além dos laços de sangue e amor ao ofício que os unem. #pause #pauseopovo #opovo #fundaçãoelmo #diadasmaēs
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Márcia Alcântara
- Fundação ElmoCriação e objetivos da Fundação Elmo · Capacete Elmo e seu impacto na pandemia · Colaboração de instituições e voluntários · Prevenção de futuras pandemias
- O Papel do Médico na SociedadeConhecimento e ética profissional · Afeto e empatia no cuidado ao paciente · Reflexão sobre o passado e o presente · Respeito e conexão com o outro
- Evolução da PneumologiaTrajetória da Dra. Márcia Alcântara · Semiologia pulmonar e diagnóstico · Erradicação da silicose · Pulmocenter e reabilitação respiratória
- Medicina Estética e Ética MédicaAvanços e riscos da medicina estética · Hormoniologia e procedimentos questionáveis · A importância do método científico · Crise ética na sociedade e redes sociais
- Vírus e PandemiasMutações virais e novas doenças · Impacto das mudanças ambientais · Importância da ciência e tecnologia · Negacionismo e campanhas antivacina
- Estratégia de imunidade de rebanhoNutrição e combate à fome · Atividade física e sedentarismo · Importância do sono e descanso · Conscientização e educação
- Paternidade e MaternidadeLiberdade na educação infantil · Desafios da licença maternidade · Apoio familiar e rede de suporte · Influência da Dra. Márcia como mãe e avó
- CPI da COVID-19Capacidade de regeneração pulmonar · Reabilitação pós-Covid · Baixa taxa de sequelas a longo prazo
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Olá, sejam bem-vindos ao Pause, nosso encontro de todas as sextas-feiras, com exibição ao vivo nas plataformas digitais do Grupo de Comunicação O Povo. Também somos exibidos às 17h, no canal 48.1 TV O Povo, agora filiada à TV Cultura. Esse é o programa Pause, com foco em informação e inspiração para a sua e para a minha vida. Sou Clóvis Holanda, jornalista da casa, e a partir de agora eu te convido a um Pause na Rotina.
menos aceleração, mais bem-estar e conhecimento. E antes da gente começar, já se inscreve aí no nosso canal e não esqueça de deixar o seu like.
Mães e filhos são ligados pelo coração, mas na vida dos meus convidados de hoje, o pulmão também teve um papel especial nesse elo tão forte que celebramos no próximo domingo, Dia das Mães. Médicos e pneumologistas, eles têm ainda mais um elemento em comum, o compromisso com a saúde pública. Essa dedicação ao ofício, a serviço da sociedade, já marcou os nomes de ambos na história da medicina.
A mãe, na década de 80, foi a responsável por descobrir as causas, liderar uma luta, inclusive política, até conseguir erradicar a silicose. O filho, um dos momentos mais difíceis da humanidade nos últimos anos, a pandemia da Covid-19, idealizou o capacete ELMO, instrumento que salvou milhares de vidas e que vai ganhar em breve uma fundação.
É com muita alegria que nosso episódio de hoje especial de Dia das Mães recebe a doutora Márcia Alcântara e o seu filho, o doutor Marcelo Alcântara. Sejam muito bem-vindos ao programa Pause. Hoje, quando eu me dirigia para cá...
eu pensava o quanto o jornalismo me faz feliz por me permitir estar com pessoas como vocês, que marcaram a história, uma história tão difícil da humanidade, marcada por tanta egocentrisa, por tanta luta, por tanta disputa de poder, mas que ainda tem pessoas como vocês, que marcam.
essa marcha civilizatória no trabalho pelo bem comum. Então eu queria abrir falando que não teria uma forma melhor de a gente celebrar o Dia das Mães do que receber vocês dois aqui hoje. Dito isto, eu queria começar pela notícia, o jornalista adora notícia. Então a grande novidade em relação ao capacete Elma, que foi idealizado pelo doutor Marcelo, a gente vai começar a nossa conversa, vai ter muitas etapas por aí.
E vai ganhar uma fundação, doutor Marcelo. Então eu queria que você, por favor, nos apresentasse como é que essa fundação vai funcionar. Lembrando que ela vai ser instalada agora no dia 12 de maio, na semana que vem, no Museu da Indústria, às 18h30. O que é que a gente vai esperar e ver com a Fundação Elma?
Em primeiro lugar, muito obrigado pelo convite, caro Clóvis, minha mãe. Prazer dividir aqui essa entrevista com ela, uma honra para mim, uma emoção para mim. Obrigado pelas palavras de abertura. Sem dúvida nenhuma, a gente vive agora o momento de uma fundação que é uma nova instituição que nasce inspirada na iniciativa do Capacete Elmo.
que, aliás, me permita agradecer enormemente a todas as instituições e pessoas que trabalharam juntas de maneira voluntária, de maneira altruísta.
na época mais difícil da pandemia. Então, instituições como a Unifor, a UFC, duas universidades, a Esmaltec, na área do setor industrial, o sistema Sena e FIEC, o sistema da Funcap e a Escola de Saúde Pública, a CESA, instituições que nunca trabalharam juntas, pela primeira vez se reuniram em torno de um projeto para salvar vidas.
E um projeto extremamente exitoso, que conseguiu por baixo, a gente imagina, alcançar 30 mil pessoas que não precisaram ser entubadas porque usaram capacete. Isso no Ceará e no restante do Brasil. Então, essa história, que é uma história única na medicina brasileira e até mundial,
merece um legado que dê continuidade ao suporte à saúde respiratória. Então, para além do Capacete, que foi uma iniciativa brilhante de todos esses, a gente precisa lembrar que a gente tem que ter um sistema de saúde mais forte, uma sociedade mais resiliente para enfrentar novas pandemias que inevitavelmente vão acontecer.
A gente está tendo notícia hoje na mídia, por exemplo, de um vírus, o ranta vírus, num transatlântico que saiu da Argentina num cruzeiro, que infelizmente algumas pessoas morreram nesse navio, por um vírus que está transmitindo pessoa para pessoa. Parece que o risco é baixo, não deve haver uma pandemia por isso, mas serve de alerta de que qualquer outro vírus no futuro pode novamente causar o dano.
que uma gripe espanhola lá atrás, no início do século XX, depois a Covid no nosso século, dizimaram milhões de pessoas em todo o mundo. Então, por que não, daquela experiência do capacete Elmo, fazer uma homenagem à experiência? Então, o nome de Fundação Elmo é uma homenagem a todos que se envolveram nessa iniciativa.
E aí cinco pessoas se reuniram para submeter essa iniciativa do Capacete e a mão à premiação. A gente ganhou o prêmio Eurofarma, essas cinco pessoas eu devo nominar aqui. Por favor. Elas são Alice Pequeno, Clarice Peixoto, Bettina Tomás e Gabriela Carvalho, quatro mulheres e eu, Marcela Alcântara. É um grupo de cinco que eu brinco, né? E esse grupo submeteu à premiação, nós conseguimos vencer numa concorrência internacional.
E houve uma premiação com recurso financeiro também, além do reconhecimento. E nesse recurso, a gente disse, olha, esse recurso pertence ao povo cearense.
e nós resolvemos criar a fundação. Então, a gente investiu esse dinheiro para criar a fundação com todo o trâmite burocrático, que é super complicado no Brasil de fazer isso. O Ministério Público do Ceará aprovou, depois de mais de um ano de burocracia, depois de mais um tempo de cartório, e finalmente, agora, a gente pode celebrar uma fundação que nós estamos presenteando à sociedade.
Por isso, a gente convida toda a sociedade cearense a conhecer a Fundação Elma e se engajar nos projetos futuros que ela vai apresentar. Não só relacionados ao capacete, não é bem no desenvolvimento de dispositivo, mas na promoção da saúde respiratória, desde a prevenção até a reabilitação. Então, é um escopo bem amplo e esse é o objetivo da Fundação, apoiar em quatro pilares.
Pesquisa, inovação, ensino e memória. Quatro pilares para apoiar qualquer projeto ou ação em benefício da saúde respiratória. E vai funcionar lá na Casa da Indústria.
O lançamento é no Museu da Indústria, a quem eu já agradeço aqui, Museu da Indústria, que está ligado ao sistema Senai FIEC. Agradeço toda uma doação, inclusive, do espaço para isso. Aliás, as doações são muito importantes se tratando de uma fundação, sem fins lucrativos, e isso vai ser o lançamento. Nesse lançamento, a gente apresenta a fundação para a sociedade, isso vai ser divulgado, está sendo divulgado, e a fundação vai fazer os seus projetos serem conhecidos.
e os seus apoios também a projetos que já existem e que serão apoiados na área de saúde respiratória.
Você falou aí sobre essa possibilidade de novos vírus e de um risco eminente de uma pandemia. Isso acontece, eu queria que você explicasse de forma bem simples, é porque novos vírus estão surgindo, que a gente vê tantas informações na internet. Então eu queria que, como é que a medicina vê isso? Por que esse risco existe? Se ele aumentou nos últimos anos? Por que o que a gente tem em termos...
de vacina, em termos de medicamento, de acompanhamento, não é o suficiente para nos proteger como mundo.
Olha, excelente pergunta, Clóvis. A gente tem muitas vacinas hoje em dia. Nós temos inclusive vacina contra um vírus que até pouco tempo a gente não tinha, que é o vírus sensicial respiratório, que é um vírus que causa bronquiolite das crianças, por exemplo. Então nesse período de chuvas do Ceará, no Brasil, a gente tem um surto de bronquiolite viral, mas nós temos vacina agora. Então isso já dá uma proteção a mais.
Contudo, os vírus são seres que sofrem mutações. Então, o gen do vírus, com o passar do tempo, pode modificar. E essa modificação pode torná-lo capaz de driblar até algumas vacinas.
E também pode torná-lo mais capaz, como foi o vírus da Covid, o Sars-CoV-2, capaz de ser transmitido de pessoa a pessoa, facilmente. Então ele se modifica, ele pode se modificar. E não tem como a gente controlar isso. Até porque alguns vírus vêm da natureza. Então com essas mudanças ambientais, a gente tem uma convivência entre natureza e homem que está se modificando.
Então, aquecimento global, a interferência do homem na natureza, explorando minérios, derrubando florestas, se modificando, quer dizer, a população humana crescendo. Então, isso torna a gente mais acessível aos vírus, inclusive aos animais.
Dá um exemplo, mocego, rato e outros. Então a gente pode se contaminar e um desses vírus, por acaso, da mãe natureza, pode se modificar e dizer, ok, eu vou contaminar também agora os seres humanos e passar de pessoa para pessoa. Então a gente precisa de muita ciência. A gente precisa de virologistas, precisa de epidemiologistas, a gente precisa de pneumologistas.
e etc, etc, para que a gente tenha um sistema de saúde que nos proteja. Se por acaso vier uma pandemia, a gente rapidamente desenvolveu uma vacina. Se essa pandemia afeta o sistema respiratório, a gente ter respiradores, UTIs, que cuidem bem das pessoas. Que a gente não precise sofrer o que sofremos.
Na pandemia. Na pandemia. Isso. E nem lembrar mais daquilo. E daquele pesadelo. Exatamente. Doutora Márcia, a senhora fundou, idealizou o Pulmo Center, que é um centro especializado, depois de uma longa trajetória cuidando dos pulmões. E eu queria que a senhora fizesse um retrospecto de quando a senhora começou a trabalhar como pneumologista.
E para hoje, pensando assim na evolução das doenças e da evolução também dos tratamentos. Na época que a senhora conseguiu erradicar a silicose, era outra época na década de 80. Para hoje, que por exemplo, tem um centro desse, totalmente especializado para as doenças do pulmão. É muito bom, estou feliz de estar aqui hoje, viu? Uma alegria. Sinceramente. Na verdade...
Essa passagem inicial do Marcelo me deixa, assim, leve. Por quê? Eu vou explicar. Eu tenho muita coisa meio romanesca dentro de mim. É difícil eu explicar algo sem viajar pela alma.
antes de falar. Então, ele estava falando e eu estava viajando na minha alma, no meu espírito, assimilando essas palavras belíssimas, emocionantes e puras. Para mim tem uma pureza nesse trabalho muito forte, muito forte, que é o comportamento altruístico e a vontade de resolver e de salvar, sinceramente, de salvar.
Eu vou começar primeiro por ele, porque quando ele desenhou o primeiro rascunho, nós estávamos em lockdown. E esse rascunho do elmo me assustou.
Foi um susto. E voltei ao começo da minha vida, nessa hora que ele estava assim. Por quê? Quando o começo da pneumologia, vamos falar da pneumologia primeiro. Minha vida não vai entrar muito hoje aqui, não. Porque a pneumologia, o pulmão já havia me contaminado. Eu era apaixonada pelo pulmão. A palavra que cabe é essa. Ainda sou.
Não perdi essa paixão, não foi aquilo de casamento que deu com o pulmão e depois se separou. Nunca, nunca, nunca, desde o primeiro momento. E o que foi que me fez apaixonar pelo pulmão? Foi a capacidade dele, desse órgão, passar para mim todos os sentimentos humanos.
E todas as percepções humanas, quais, né, Márcia? Primeiro, eu olho você respirando aí, Glaucia, e já vejo o seu pulmão expandindo muito bem. E ele está bem harmônico. Muito bom.
Está bem, você está animado. O pulmão está assim, bonito. Então, a minha visão, a minha sensibilidade visual e o pulmão. Aí, quando chega um paciente, eu examino o paciente, olho, vejo. Já captei como é que ele está movimentando. Se tiver um lado movimentando menos, opa, tem alguma coisa ali. O pulmão me avisou.
Foi ele que me avisou. Aí eu reservo lá. Depois eu experimento as minhas mãos. Eu posso pegar você, você sentado, você despe do tórax, e eu vou com a mão e encosto. Toco. Eu vou sentir a subida e a descida, além de se estar calmo ali por dentro. Com uma sensibilidade tátil. Se tiver alguma coisa, bate na minha mão.
como é um frêmito, por exemplo, que é a vibração da parede do pulmão cheia de líquido. Aí passa para mim aquela entrada de ar na mão. Ou seja, visão, dato, olfato. Algumas doenças, só com o paciente tossindo, por exemplo, queijo, fero de queijo derretido, é tuberculose.
catarro. Não tenha medo nunca do catarro. Nunca tive. O pneumologista não pode se assombrar com catarro, porque vem de dentro. Então, você já viu, já sentiu o rodou, já tocou numa situação, agora você vai ouvir.
O quarto sentido, eu vou colocar o meu estetoscópio ou o meu próprio ouvido. Eu ouvi muito só com o meu ouvido. Encosta ali no torax e escuta. O que você vai ouvir? Ondas de ar entrando e saindo nesse movimento.
Quando ele entra, ele dá o som X. Quando ele sai, ele dá o som Y. E você, quando tem uma obstrução fininha lá na periferia, você ouve assovio, que se chama sibilo. E se você enche, também ouve em algumas situações de fechamento. Se está cheio de líquido, aquele som de entrada é forte, é áspero e às vezes repita.
Assim como um som assim mesmo. Na mão da gente ou no ouvido. Lembra o sal do churrasco, assim, a crepitação. É a crepitação, o nome. Sal do churrasco, quando joga... Faz aquele... Exatamente. Ou então papel, trilhado de papel. Então, eu vou aí completando a minha interação com o pulmão. O ser humano com uma parte do seu próprio ser humano.
E aí que órgão é esse? Pode ser maravilhoso. Não tem nada igual pra mim. Porque ele é quase alguém dentro de você. Ele fala. Eu digo sempre assim, o pulmão fala. E aí, por causa disso, eu comecei a gostar de pulmão. Mas gostar muito. E quando eu comecei a ver...
que, começar, número um, primeiro paciente que eu fui ver no sistema de saúde. Vamos lá para o sistema de saúde. Me chamam, fui contratada, porque nós estávamos no governo, o contrato era direto a pedido de secretário, não sei de quem entrava.
E eu fui contratada em primeiro lugar na Unidade de Saúde, lá da Prazer de Alencar. Cheguei lá com o estetoscópio pendurado. Eu tinha o quê? 24 anos, 25, 26, por aí. E o estetoscópio aqui, com animação donada, né? Com o pulmão adorando. Opa, eu vou ver pulmão e tal, me sento lá. E me chamam para atender o primeiro paciente. Foi daí que começou, foi o caminho maior.
Aí o primeiro paciente seria a sala da tuberculose. Quando eu entro, o impacto foi descomunal. Era um birô, como eu estou aqui com o Marcelo, cadeira aqui no meio, onde você está, que é uma barra de vidro que é até a metade do caminho do teto. Outro vidro aqui, eu ficava numa caixa de vidro. Lá na ponta, lá na parede daqui do estúdio, uma cadeira amarrada no chão.
E o pobre do tuberculoso, pobre, com chinelo no pé, sentava lá e não podia sair. Porque eu tinha medo da contaminação. Eu, quando eu cheguei, eu tomei um susto tão grande de gado. E eu já gostando um pouco de pulmão, ainda não era apaixonada de vez. Eu disse, me deixaram lá, me deixaram só. Eu fui lá, me levantei da cadeira, puxei minha cadeira e me sentei em frente ao paciente.
E comecei a entrevistar e tal. Depois eu peguei meu estatoscópio, pendurado e fui. E fui examinar. Examinei. Estava examinando quando entrou um médico que havia me mandado atender. Deu um escândalo na frente do paciente. Foi uma dor tão grande ali para mim que eu disse, eu vou embora, nunca mais eu volto aqui. Pensei isso.
Aí ele disse, pode vir para cá, você é louca, você não pode se encostar nesse homem, não sei o quê. Vai se contaminar, é tuberculose. Aí eu fiquei, só vou fazer chorar, porque você fica quase humilhado com o pobre. Aí quando eu saio...
Reverteu tudo. O cara que disse isso me chama no canto e diz assim, você quer estudar mesmo pulmão? Eu disse, ah, eu gostaria muito. Aí depois você vai fazer residência médica em pneumologia. Eu vou arranjar para você e você vai logo amanhã. Aí eu fui para Maracanã fazer a residência médica em pneumologia.
E lá o treinamento foi muito grande. Tanto que eu dominei realmente a semiologia pulmonar. Eu não tenho vergonha de dizer que eu não preciso de muito exame complementar para dizer o que está acontecendo.
Pouca coisa, no máximo uma radiografia, uma tomografia. E aí continuei até me formar. Quando eu me formei, essa paixão aumentou, porque muito tuberculoso. Eu cuidei de Maracanã e também viajei um pouco para não tuberculoso, que era o doutor Gilmário Molão Teixeira. Saudosa memória, onde quando naquele tempo da...
Na década de 70, 80, o que havia, vocês sabiam como era o regime, né? Então era proibido fazer residência médica casada. E proibido fazer residência médica tendo filho. Verdade. E eu estava não só casada, como estava grávida do Marcelo.
quando fui para a residência. Aí o doutor me pergunta, doutor Gilmário, maravilhoso, disse assim, Márcio, você é solteira, né? Eu sou solteira. Aí ele falou assim, pois é, solteira, então não tem filho? Não tenho não, nem vai ter filho agora? Não, vou não.
Eu estava casada e estava grávida. Aí ele disse, tá bom, então vamos começar, né? Eu digo, vamos. Aí começou a residência. Quando foi no terceiro dia, eu não aguentei a mentira. Eu acho horrível, eu não consigo mentir, fico doida. Aí pedi, entrei lá, entrei o Dr. Marcos, falei com o senhor Dr. Marcos. Aí ele foi e disse assim...
O que é que você quer? Eu disse, não, eu quero só confessar uma mentira. Eu já estava inscrita. Ele já tinha mandado para o ministério, tudo. Então eu estava segura ali naquela hora, né? Aí ele foi e disse, o que é que você quer me dizer? Eu sou casada, doutor Gilmar. Os documentos todos solteiros lá. Aí eu disse, e eu estou grávida. Como é, doutora Márcia? Eu disse, eu estou. Aí ele olhou assim para mim e tomou uma cabeça.
Meu Deus do céu, pra que você não me disse? Como é que eu ia dizer? O senhor não ia me contratar se eu dissesse? Aí ele foi e disse, é mesmo, tá aí? Gostei. Você tá com vontade de fazer pneumologia mesmo, né? Fazer uma coisa dessa. Pois eu não vou ver sua barriga, só isso. Não vou ver.
Aí eu disse, é, né? É. Agora vai subir os quatro andares todo dia. Vai examinar 12 pacientes todo dia. Vai dar diagnóstico, vai nos... Aí pronto, terminou. Não fiz a residência. Quando terminou essa parte...
veio a vontade de salvar a gente. Numa hora para outra, meu Deus, esse pulmão fala, esse pulmão pode ser assistido, esse pulmão pode ser mantido, esse pulmão não sei o que é visto. Aí comecei a divagar, sei lá, pensar coisas além do limite. E era um dia botar um serviço para botar as pessoas para respirar bem.
Aí nasceu o pulmocente. Que tem quatro anos? Do nada. Quatro paredes. Mal falando, pequena casa. Virou, mas já tinha computador. Sempre gostei de inovar as coisas. Minha vida, minha casa. E são quantos anos de pulmocente? Tem mais de 30.
34. 34, a Marcelo sabe a data. Eu não sei muito. Doutora Márcia, quais são as doenças hoje mais preocupantes do pulmão? A gente tem aquelas doenças na cabeça, né? Epidemia, aquelas clássicas. Olha, o que preocupa muito são as sequelas, né, Marcelo? As DPOC da vida e as coisas agudas como essa da Covid.
Essa da Covid, qualquer coisa que derrube a parede, de viabilização da oxigenação, meu filho é falta de ar e, às vezes, morte. Então, isso era a minha cabeça fixada também, né? Até pensei em botar uma unidade respiratória. Não tinha financiamento, não tinha como. Mas aí, esse menino, que hoje está velho, é mais velho quase do que eu aqui no branco.
Ele de repente começou a pensar em pneumologia e se formou em medicina. E eu tenho um parêntese aqui, pequeno. Quando ele tinha 10 anos, ele chegou para mim.
E disse assim, mamãe, eu quero ir para o colégio militar. Aí eu vi, era década de 70 ainda. Não, 80 já. Aí eu disse, tu vai ser militar? Aí ele disse, não, olha essa frase. Não dá para esquecer nunca. Olha essa frase. Não, eu só quero aprender história, geografia, matemática e português. Bem, e lá ensina bem.
Vamos embora para lá. Aí ele foi atendido pelo diretor de cursinho que fazia para lá.
E tem uma história bellíssima com o Elmo, que é o... Professor Enio. Professor Enio. Enio, do Antares. Isso, do professor Enio. Da rede de Antares. E aí, ele desde a mãe, Marcelo, né? Assim, mais ou menos. Eu aqui sentada, ele aí no seu lugar, que ele era o diretor, o dom. E eu contei a história, que ele queria aprender história, geografia, português e matemática. Bem, que era para o futuro. Futuro. Aí, ele olhou, o Enio olhou e disse assim, vai ficar aqui.
Desse jeito. Sentiu que era um bom aluno. E aí, depois ele se interessou pela medicina. E eu quero colocar logo um fato aqui interessante. Eu liberei meus filhos para fazer o que quiser na vida, desde pequeno. Liberei geral. Liberdade absoluta, que eu gosto de dizer.
Eu gosto dessa palavra, liberdade. Eu acho que é isso que faz criar muito as coisas. Faz a gente criar coisas, porque facilita. Não tem impedimento nem pressão. Por isso que eu, velha, estou gostando de ser velha, liberdade. Pois bem, então chegamos no Pulmocenter.
Quando ele voltou da viagem de residência, pós-graduação, doutorado, veio e ficou comigo no Pulmo Center. E depois viajou faculdade, fez concurso, passou e ficou lá. E eu segurando o Pulmo Center. Mas hoje o Pulmo Center pega todas as doenças respiratórias. E um show agora do Pulmo Center que eu acho que me dá muita alegria hoje.
na reta final da vida, é que nós temos um serviço melhor que existe em termos de reabilitação.
Pegue lá, pode ir. Qualquer um, um DPO ser grave, sem respirar, que respira. E lá volta a respirar puro. Respira. Se você nos assiste nesse momento, nos escuta, certamente você deve ter ouvido já, lido na internet, muitas pessoas relatando sintomas que seriam resquícios da Covid. Então, essa pergunta eu queria muito fazer hoje, doutor Marcelo, o que é que a gente pode reconhecer de verdade como sendo resquício?
de uma Covid. Excelente, Clóvis. Acho que isso permite esclarecer esse ponto. As pessoas têm muita dúvida. Quanto de sequela de uma Covid grave sobra no pulmão? E a boa notícia, eu acho que a minha mãe retratou muito bem esse órgão, a paixão que ela tem pelo pulmão, também tem. E uma das coisas que o pulmão tem de maravilhoso é a capacidade de se regenerar.
Então eu vi paciência com Covid, com um pulmão que a gente brinca, pulmão branco. No raio-x o pulmão aparece preto. Em algumas formas de Covid, de tanta inflamação, o pulmão ficava completamente branco na radiografia ou na tomografia. Era comum na época da Covid, não sei se você lembra, mas as pessoas falarem, eu tive 80% do pulmão comprometido. Ficava até uma competição, não, mas eu tive 90%. Fulano teve 30% e não sei o quê.
Por quê? Porque era muito comprometimento. E a boa notícia, a maioria das vezes, 90% ou 95%, a recuperação é total.
Total. Então, os pulmões que mais sofreram, mas claro, daqueles que sobreviveram, aqueles que infelizmente foram a óbito, certamente tinham um caminho diferente do organismo que não conseguiu reparar o pulmão ou tiveram outras complicações. Pneumonia, por exemplo, porque eram entubados, se desenvolvia pneumonia. Mas os que ultrapassavam a fase mais crítica, o pulmão se regenerou bem ou se regenera bem e fica pouquíssima sequela, se não nenhuma sequela.
5% só que vai ter alguma sequela que vai dar algum sintoma, como, por exemplo, algum cansaço, uma limitação para o exercício, que pode demorar até dois anos para resolver, mas 5% só. Então, a grande maioria, porque senão você viria. A gente teve milhões de pacientes no Brasil, né? Então, se você olhar bem, a gente tem uma taxa de sequela muito baixa. E isso é muito bom.
Agora, vale a pena dizer que se você fazer uma reabilitação após um quadro grave, ajuda numa recuperação mais rápida. Então, a reabilitação é pouco conhecida ainda da sociedade e até mesmo dos médicos é muito pouco indicada. E ela pode ser indicada após um período de UTI. Você tem um problema de pulmão, uma pneumonia, pode precisar passar duas semanas na UTI, três semanas, e você tem sequela até em muscular.
Então você precisa fazer reabilitação para recuperar mais rápido o que você perdeu naquela internação. Hoje em dia, você ainda recebe pacientes com Covid? Sim, sim. Assim como outras? Outras viroses. Por exemplo, acho que essa semana mesmo atendi um paciente com vírus sensicial respiratório, o VSR.
Esse vírus que eu falei, que acomete muito criança, mas também acomete adultos. Acomete os pacientes com enfisema, por exemplo, bronquite. Então, sim, ainda tem casos de COVID, casos de vírus sensacional respiratório, de influenza, que é a gripe.
Está dando muito agora, porque as pessoas ainda não estão fazendo a vacinação como poderiam. Isso mesmo. Então, há uma necessidade de vacinar mais. Acho que também houve um problema na pandemia muito sério, que eu tenho que mencionar, que foi o negacionismo. Ah, foi terrível. Não é? E campanha antivacina. Isso causou um estrago, Clóvis, terrível, do qual a gente não se recuperou ainda. Por exemplo, a gente está tendo sarampo nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, não consegue fazer vacinação para sarampo, uma doença totalmente controlável, 100% controlável. Então, se você for para os Estados Unidos, cuidado, você tem que se preocupar com sarampo, tem que se vacinar, se for o caso. Então, é muito sério isso. Então, acho que a gente precisa refletir. E pego só um gancho, porque eu esqueci de citar, na época da Covid, quero citar a nossa Funcap.
Porque foi a Funcap que, num telefonema que eu recebi da diretoria de inovação da Funcap, ele disse assim, olha, você está convocado para uma reunião aqui com outras instituições porque a gente tem que solucionar o problema dessas mortes que vão vir aqui para o estado do Ceará. E eu não tinha citado nela como uma instituição relevante, ela foi fundamental. Então a gente precisa o quê? Para melhorar, inclusive, o cuidado dessas viroses. Investimento em ciência e tecnologia. E educação.
Por isso mesmo, volta para a fundação, que é o propósito dela, é justamente também a educação e inovação. Você falou em investimento em ciência e tecnologia. Eu queria pedir de vocês, que são profissionais comprometidos com a saúde pública, uma análise do nosso cenário quando a gente pensa em saúde pública no Brasil. Sei que tudo no Brasil é muito complexo de se pensar. É um país continental, com muitas realidades, com muitas questões socioeconômicas, enfim.
Mas se a gente pensar assim, por cima, no panorama geral, o que a gente pode apontar como avanço e quais áreas seriam bem críticas, já que a gente está em ano eleitoral, inclusive. Embora os políticos não estejam mais querendo discutir política pública, eles estão mais voltados a discutir outros assuntos. Mas os que ainda discutem política pública, em que áreas da saúde eles poderiam olhar com mais atenção para resolver os problemas do cidadão?
Excelente colocação. Não, eu coloco você, está na linha de frente. Bom, eu estou na linha de frente, não sei se sentindo. Trabalhei na Escola de Saúde Pública, trabalhei no Hospital Universitário, tenho alguma experiência de gestão também em UTIs. E eu acho que está faltando pautar o SUS corretamente. Dar o devido valor.
E bom, é claro. Você, inclusive, começou a sua carreira... Desesperadamente, eu quero o SUS em dia. Exatamente. Lá dentro, compartilhe. Porque, Clóvis, o SUS é o nosso grande convênio. O SUS é lindo. É o nosso grande pacto social.
É uma joia que o Brasil criou. Isso. E que a gente está precisando lapidar permanentemente, investir mais, discutir. Que modelo de SUS nós queremos? O SUS salva. Se não houvesse o SUS, a pandemia teria um efeito muito pior na população. Então, a gente precisa discutir e pautar o SUS no debate.
Abre a conversa. Outro ponto que eu acho é a questão mesmo social. Porque um dos maiores determinantes de adoecimento são as condições socioeconômicas. Treinamento básico. Segurança. Pronto. Segurança pública. De qualidade. E salário, renda, são fundamentais. Sem isso, também você não tem saúde. Não tem SUS que dê jeito, né? Então, se a gente pautar mais genericamente, talvez saúde fosse a grande pauta.
E saúde não é só o SUS, inclui segurança, inclui moradia, inclui saneamento básico, investimento social de peso, isso dá retorno. Porque as pessoas saudáveis vão ser o quê? Produtivas. Vão gerar riqueza. Riqueza em todos os setores da economia. Desde a riqueza criativa, até o setor produtivo industrial pesado, até a tecnologia digital de ponta, que eu acho que é isso que a gente precisa.
Interferem diretamente. Totalmente. Ele está falando de como... Falou agora da questão socioeconômica.
E no mundo das pessoas privilegiadas, que têm renda e que podem se cuidar também, infelizmente a gente vive numa sociedade cheia de soluções mágicas para fortalecer a imunidade, para proteger, né? Enfim, na época da pandemia, muito, né? As pessoas faziam aqueles shots de imunidade. Verdade. O que é que a gente pode de verdade fazer para fortalecer a nossa imunidade?
A imunidade é uma coisa nata. Ou seja, é cada qual tem a sua, por incrível que pareça. É difícil, mas não é tão difícil assim, porque nós sabemos que o homem bem nutrido é um homem forte. Começar pela nutrição. Felizmente, a gente já tem alguns programas nacionais.
de combate à fome. Eu faço parte de um grupo que eu gosto muito, muito, muito, que é no Janguruçu. Uma ONG, Casa Azul, que só tem médicas e médicos. Ou seja, pessoas que saem do seu consultório... Eu queria que você visse como é bonito o encontro, cada qual arranjando uma brecha do seu tempo para, num dia de sábado, juntar nós todos para chegar lá.
Porque nós já temos hoje, o Ceará Sem Fomos foi para lá, levamos, nós distribuímos cesta básica, as pessoas estão alegres, participam, estão presentes, agora uma biblioteca, uma conversinha infantil. Isso é um dos pontos que precisam ser vistos, ou seja...
A periferia, que é um lugar belíssimo, agora vamos fazer. Eu idealizei uma caminhada junto com o grupo, todo dia em cada qual, com o pai do seu. Vamos caminhar pelo meio, conhecer de perto, visitar.
Não é bicho, não. Isso é possível. E a partir daí, fazer um trabalho de conscientização crítica, que é uma das coisas que me acompanha o tempo todo, 24 horas por dia. Consciência é aquilo que a gente precisa ter para poder agir, perceber e resolver.
Então essa é a minha filosofia. Faz tempo que tem essa consciência. E essa consciência eu carrego isso com garra por causa do meu estudo que eu fiz, o meu material de tese lá no cavador de poço, lá da Ibiapapa. Da silicose. Da silicose. E foi Paulo Freire.
E o teórico dele, no livrinho dessa finurinha chamada Conscientização, ele diz com todas as letras que decodifique o que você quer ver, que você acerta no que resolver.
Pronto. Simplificando, porque ele é complexo, a conscientização é complexa, mas é simplificando isso aí. Fizemos isso, estamos fazendo isso no Janguru Sul. É preciso conscientizar, para isso precisa educar. Essa educação não é obrigatoriamente a educação científica, a educação de não. É uma educação básica elementar.
onde carrega e consiga humanidade ética humana e afeto coletivo. Não é o afeto, ah, eu liam nada disso. O afeto é o respeito, é o trato, é a viabilização da possibilidade para aquela pessoa. Só isso. Isso é afeto.
Então, nós estamos fazendo isso. E na nossa filosofia básica entra isso daí. A ética, o respeito e o incentivo ao SUS, que a gente visita na unidade de saúde, para que aquele grupo seja reconhecido e melhore. Então, no geral, amplamente falando, é cada cidadão praticar a sua cidadania com honestidade, sinceridade e gosto.
E isso, muita coisa se encaminha. Isso é filosófico, mas é preciso que seja dito. E feito também. E provado, né? No dia a dia de cada um. O meu dia a dia é animado. Eu estou agora completamente apaixonado pela velhice. Todo mundo acha horrível. Como é que se pode gostar da velha? Pode-se. Gostar muito. É o seu fim, mas nesse seu fim você está livre para dizer o que pode dizer. Fazer o que pode fazer.
levantar, resolver, tirar, colocar o que pode, mas livre, sem nenhuma impressão. Esse é o momento da velhice sensacional, que não é só a solidão, mas a solidão que eu tenho, todo velho tem. Todo velho tem, eu tenho certeza.
E a solidão do eu consigo. Não precisa ter ninguém no entorno mais. Para quê? Não, eu vou ficar comigo e vou começar a me compreender. E eu compreendo mais o outro. E aí a gente vai levando uma vida nesse sentido amplo, humano, geral. Então não tem, lindas suas palavras, sou seu leitor e convido você a ler também os artigos que a doutora Marcia publica no Povo sobre vida.
Quando a gente pensa em longevidade, a gente pensa em vida como um todo. Afinal de contas, estamos todos caminhando para o fim. Então, vamos aproveitar enquanto estamos aqui. É isso mesmo. Mas, então, além da alimentação, o que a gente pode pensar para a imunidade? Isso, atividade física. Sedentarismo é morte, acredito. E não precisa mais de 10 dias para matar um sedentarismo. E quanto você faz atividade física por dia?
Ah, eu faço todo dia uma linda caminhada, amo a Beira-Mar, amo Fortaleza, amo os espaços, é pena que o chão não preste, porque está ruim. A Beira-Mar é o único chão que tem, mas é um desrespeito tão grande das bicicletas na área de pedestre, não tanto faz ser velho o que for, passam direto, a gente vê que está difícil, mas é um lugar lindo que eu vou lá caminhar, às vezes até 7 quilômetros por dia.
Às vezes. Agora eu tive o tempo dos estresses doidos aí que eu diminuí a velocidade do passo. Estou caminhando só cinco, mas já já eu vou voltar para a cena. Ninguém saudável por cá. Então, atividade física é cheio. Tem que nutrir todos os dias. Então, é nutrição, atividade física, amigos, encontros, sono. Essa eu sou vítima.
vítima de uma doença que não é insônia, é de me acordar de madrugada. Ele sabe que desde a casa que eu acordo de madrugada, porque eu dei 20 anos de plantão.
E o meu horário era duas às quatro da madrugada. Quando dá duas horas eu tô em pé todo dia. Fez um condicionamento. Condicionamento do cérebro. Do cérebro, das minhas células mentais. E eu me acordo. Então, eu já deixei de brigar com esse acordar. Me levanto e vou ler, vou escrever, até voltar ao sono. Passa o plantão. Aí eu volto e durmo. Então, é um sono que eu não vou mais discutir. Vou até o fim, assim, ajustado ao que eu posso, né?
A senhora estava falando de saúde pública, a gente conversou muito sobre saúde pública, e agora, recente, eu estava conversando com um casal de médicos muito comprometido também com a saúde da sociedade, um casal de médicos que há 30 anos atua, e eles falavam da dificuldade, hoje em dia, de encontrar médicos que queiram...
E realmente atender a população, ver as doenças e tal. E aí eles citavam, eu vou falar exatamente o que ele me disse, já que o programa aqui é um lugar aberto. Ele disse, Clóvis, as pessoas saem da faculdade de medicina sonhando...
em ter um carro X, em ter um apartamento em tal lugar. Não tem mais, a gente não sente mais aquele propósito da vocação de querer cuidar de pessoas. Então, essa foi a fala que eu ouvi de um colega de vocês.
muito vocacionado, que tem muitos anos. E eu queria trazer para vocês ouvi-los. A gente tem uma profusão de cursos de medicina. Com certeza essa entrevista vai ser escutada também por estudantes de medicina que admiram muito vocês.
Então, como é esse cenário? Como é que vocês analisam aí esse crescimento rápido da oferta dos cursos de medicina? Perfeito, Clóvis. Olha, foi muito bom você tocar esse assunto. A gente está vivendo uma crise. É uma crise de formação médica. Coisa absurda. E de outras profissões de saúde. Nós temos 500 cursos de medicina no Brasil.
Na minha época, quando eu fiz faculdade aqui na UFC, era a única faculdade no estado do Ceará, nós temos 27 faculdades agora no estado do Ceará. E para ter uma faculdade de medicina, você precisa ter um bom sistema de treinamento que inclua hospital universitário, postos de saúde, emergência, etc. Porque a complexidade da medicina só cresce. Então... Então...
Muitos cursos de medicina, e aí a gente teve o exame nacional, agora o Enamédico, o exame nacional dos cursos de medicina, que mostrou um resultado, até certo ponto era esperado, de que muitos cursos não estão conseguindo dar a formação mínima para os médicos, a proficiência dos médicos. Então, tem muito, infelizmente, esse é um fato, tem muito curso de medicina que não está conseguindo ensinar a profissão como ela tem que ser. Agora, é uma crise que tem convergência com outra crise.
que é a crise ética da sociedade e o avanço tecnológico, as redes sociais, um sistema que valoriza o ter mais do que o ser. Então, esse sistema, junto com essa formação enorme de médicos em algumas escolas, infelizmente, que não estão tão bem preparadas,
Criam uma situação perfeita de ter gente que vai atender pacientes sem estar plenamente preparado. Não só do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista do ser, da ética, da atitude. Quantas vezes a gente não tem, ouve infelizmente uma história, poxa, eu queria que o médico olhasse mais para mim, desse atenção, me examinasse bem, me ouvisse.
Preciso ter tempo na consulta para fazer o exame. Minha mãe descreveu aqui dos pulmões. Fora os pulmões, tem que examinar o corpo todo. Tem que saber quem é a pessoa, com quem ela vive, onde vive. Ou seja, uma consulta boa não é. Uma primeira consulta, se for um problema mais complexo, vai demorar mais de meia hora, 40 minutos, no mínimo.
Dependendo da complexidade. Então, Clóvis, a gente vive uma situação muito séria. Por isso o debate da saúde inclui o debate das escolas. Isso. A formação. Infelizmente, você falou uma coisa importante. A gente não está debatendo isso.
Com a necessidade, com a urgência que isso requer. A gente vê pelo menos o esforço que está tendo atualmente de avaliar as escolas. Isso é um ponto positivo que eu queria deixar aqui. Houve uma avaliação. E eu acho que em cima de avaliação você consegue fazer alguma medida. Então agora, no ano passado, teve sim a avaliação do ensino médico. Temos um novo currículo, tem um currículo novo, a formação médica, isso é bom, mas é pouco ainda diante da situação.
Então a gente precisa discutir isso com a classe dos políticos e dos gestores. Tem que chegar lá.
Até porque é uma profissão que perpassa a vida de todo mundo em algum momento. Com certeza absoluta. Com certeza absoluta. É certeza mesmo, né, Clóvis? É garantido. No podcast O Assumo da jornalista Natuza Nery, ontem, quinta-feira, que hoje é sexta, eles trataram ontem sobre também uma, digamos, uma febre de uma hormonologia.
por parte de profissionais médicos que estão aí receitando chips hormonais e tal. Estou trazendo esse assunto porque temos visto na internet, em várias áreas médicas, não só nessa área mais voltada à estética.
Médicos que usam muito da facilidade de comunicação para criar programas, para criar tratamentos, para oferecer uma série de procedimentos que muitas vezes cientistas, pessoas mais comprometidas com a medicina, com a ética, questionam e comprovam como eu ouvi no programa e em vários outros que eu gosto de ouvir esse assunto.
questionam esse tipo de procedimento que não tem um compromisso real com a saúde do paciente. Então, a gente está numa crise também nessa área, porque eu entendo ser normal a pessoa querer divulgar seu trabalho, afinal de contas, as plataformas servem para isso, mas, ao mesmo tempo, a gente tem visto muito esses casos. A gente vê... E aí
Toda semana aparece um caso, às vezes na parte da cirurgia plástica, às vezes nessa parte de hormônio que está muito em alta, de pessoas que saem muito prejudicadas e às vezes correm até riscos de vida por conta disso. A gente vive uma crise também. Queria a opinião de vocês sobre os colegas que têm feito isso. Olha, eu...
Passei por cirurgia, por ser clara, eu sempre fui clara com a minha pessoa. Para com os outros e para comigo. Quando eu tinha 50 anos, 60 quase.
Um grande amigo meu, amigo de muito tempo, hoje falecido, ele disse assim, Márcia, eu dizendo assim, o que é que eu faço com as minhas rugas que estão aparecendo? Aí ele disse assim, ele disse, é um plástico muito delicado, fino, não tinha essa volúpia de hoje. Ele disse, deixa eu fazer só um mini lift para não deixar teu rosto cair, faz uma higiene das rugas. Aí eu disse, vou fazer.
Enfim, foi ótimo, ainda está hoje funcionando, né? Foi bom, mas fica aí. Já o meu irmão, artista Marcos Francisco, que fez um quadro da mesma década, 80, para lá um pouco, 80, 70, 70, 80 mesmo. Desenhou lá, é belíssimo esse trabalho dele, ele é artista plástico, Marcos Francisco falecido.
E duas madames conversando, uma com a outra. Eu fiz só cinco. Ah, eu fiz seis. Olha como é diferente. É, mas o teu outro está lá no outro lado. Ah, mas esse nariz não presta, não. Ah, então eu vou fazer outra. Isso já existia. Nos anos 80. Pronto, nos anos 80. Eu quero chegar aqui, Clóvis.
Era igual. Apenas, só tinha na época a tal das cirurgias e alguns produtos químicos. Hoje é uma doidice, não tem limite. E tem gente que quer voltar até na ideia do pensamento. Como é que pode? Hormônio. O hormônio muda. Eu começo a ficar tênis tudo, não sei o quê.
Cara, isso é doidice mesmo, grave. Porque o fim é o fim. Vai chegar, não tem jeito. E vai deformado, começa a não ter mais o espírito por causa das drogas circulando. É drogado quem usa muito ao mundo. Efeitos colaterais, complicações. Muitos efeitos. Câncer. Câncer em elevado nível.
Então, isso é bom que você toque aqui, porque adverte, adverte para esse caminho desesperado, do medo, medo, medo. Tem um artigo meu, medo, medo, medo, nome do artigo, da velhice. Medo, medo, medo. Ninguém precisa ter medo da velhice. Ela é boa.
Se quiser fazer um HGN, hoje tem produto químico, simples, natural, de ótimos laboratórios, você passa no rosto todo dia, tira essa ruga. Me permita colocar um ponto, que é o seguinte, tem ciência atrás disso. Tem. A medicina, vamos dizer, estética, pelo menos... Tem ciência. Tem ciência atrás. É, atrás disso. Então, se você está com uma questão de saúde que envolve a sua relação com o seu corpo, com a sua aparência, a sua satisfação consigo mesmo...
você deve procurar assistência. Pode, deve. E aí, mas seguir o método científico. Pronto. Então, o método científico, não é possível passar isso através de uma rede social, ou de um aconselhamento superficial. Pronto. Você vai precisar de uma consulta. Você vai precisar passar por alguns exames, algum check-up, algum teste, avaliar risco, porque às vezes não dá certo aquele procedimento, você ganha um efeito colateral, por exemplo, em vez de ganhar o benefício. Então...
É importante também ciência ser aplicada. Fazer com consciência. Isso. Com consciência e ciência. Com consciência e ciência. A gente está caminhando para o fim. Passa rápido. Passa rápido. E eu queria, doutora Márcia, uma mensagem para os médicos. Quem estuda medicina e nos escuta. O que a senhora diria? Após tantos anos de dedicação a esse ofício e também com essa sua visão humana.
Tão sofisticada e, ao mesmo tempo, tão altruísta e dedicada a pensar o mundo. O que a senhora diria para os médicos? Olha, eu até acho que eu já falei sobre isso por aqui, não me lembro, talvez não. Mas eu resumo muito essas palavras-chave no sentido de compreender o que é importante. Se eu falar muito palavreado, vão se esquecer da primeira palavra. Então, a primeira coisa é conhecimento.
O conhecimento é tudo de bom para você chegar no resultado, seja qual for. O resultado ruim é sem conhecimento, o resultado bom é com o conhecimento. Então, médico, vamos pegar como modelo. O conhecimento, a transmissão do conhecimento para outros, a capacidade ética segura no trato com o outro, a...
O afeto. Pronto, basta isso aí. Talvez esse seja o principal? É o principal. É o principal. A partir daí, você ganha. Com o conhecimento, vai acertar. Com a interação ética, você passa o respeito. Com o afeto, você dá suporte à vida emocional. A vida.
Porque o afeto é como eu disse aqui no começo, não é nada demais. É você olhar, ouvir, sentir, entender e dar caminho. Se você puder, você dá. Isso é a minha filosofia. Sempre foi assim sem eu nem perceber que era assim. Eu vim perceber depois de estudos. A partir de reflexão. A partir da reflexão. Eu não penso mais no passado com vergonha do passado. Eu cheguei a pensar. Vixe, tanta besteira no passado, né?
Não, não tenho mais vergonha do que fiz nada, porque não fiz por mal.
A gente capta essa realidade. Isso não foi feito para maltratar ninguém. Eu fiz sem nem saber, às vezes, o que estava fazendo. Então, pronto. O passado não existe. Existe o agora, esse momento, em que eu posso viver com o passado. Posso trazer ele para cá, para o momento. Não ficar guardado lá, nem nada. É um modo de sentir a vida e levar adiante com outras pessoas.
outras pessoas. E isso me faz uma pessoa conectada no sentido do outro. Não precisa ser apaixonado pelo outro, de jeito nenhum. Precisa só respeitar, gostar, conviver eticamente com a fé.
Que bonito. Agora, como mãe, eu li nas suas páginas azuis sua entrevista aqui para o povo, achei muito bonito, um trecho que a senhora fala de como a senhora conduziu a educação dos filhos, da liberdade, e eu queria trazer de novo para cá isso. Como é que a senhora fala sobre a sua maternidade? Eu falei também na entrevista uma coisa que eu nunca tinha falado.
é que quando eu tive meus filhos, eu não tive direito absolutamente a nada. Eu já trabalhava, dava muito plantão já nessa época. E quando nasceu o Marcelo, eu não trabalhei no outro dia, mas 15 dias eu já estava numa Kombi, no último banco, indo para Maracanã. Terrível aquele ali. Era uma dor muito forte.
Talvez a maior dor da minha vida tenha sido essa, de desgrudar, eu chamo de grudar mesmo, do filho que acabou de nascer, que está chegando no mundo, está só lá dentro de casa. Felizmente, nós tivemos pessoas ótimas com meus filhos, tudinho. Mas eu não tive nenhum dos três, acredito, essa chance. Porque nasceram na época que não era permitido licença maternidade. Não existia.
Então foram 15 dias ficando ali, que era só para chorar e ter saudade de morrer e depois ir trabalhar. Então isso marcou muito a minha vida, marcou pesado, muito pesado, muito pesado. Não pude amamentar tudo isso, foi uma frustração doida.
Mas eu mantive-me como uma pessoa ali, presente na vida deles, de todos os três. Eu estava presente, eu não sou ausente. Preste ter atenção aos estudos, felizmente, todos gostavam de estudar, todos os três. E quando chegou na hora das definições, sejam com a força, até o colégio eles tinham o direito de opinar. Se queria ou não queria aquele colégio.
Tudo. E na hora de se definir o que queria, o que vocês desejaram. Não me meti com medicina, não. Nenhuma vez. Disso para ser médico. Nenhuma vez. Eles foram o que quiserem. Então tem que aguentar, né, Marcelo? Tem que aguentar e com muito prazer. Tem que aguentar todos os três. O outro é médico sensacional, dono da informática médica lá pela Unifor do Ceará, né? Muito querido, os alunos de medicina lá da Unifor, que é o Alexandre Alcântara.
Esse menino, esse daí é demais, dá conta, né? Também muito inteligente, filósofo, formou-se agora em filosofia. Tem a Vanessa Alcântara, jornalista. Minha colega, trabalhei com ela. Um abraço, Vanessa, que você vai ouvir. A Vanessa está aqui em Fortaleza, passando o aniversário dela comigo, muito legal. Trabalhamos juntos aqui na redação. Pois então.
E a Vanessa é jornalista investigativo que ela pratica em São Paulo. Agora está num processo enorme. Sempre foi uma grande jornalista. E é só o que for real. Quer dizer, puxa a mãe também aqui. Só o que for real. Só trabalho no real. Só vou fazer, quero ver o resultado. Verdade. Vanessa. Então, essa mãe hoje é super mãe. Não super mãe poderosa, super mãe de prazer de ter tido os filhos que são o que são hoje.
Estão pessoas, Ave Maria, sei não, o povo gosta dele, as pessoas gostam deles. E eu também, muito, muito, muito, muito. De modo que é um momento que você está me proporcionando para dizer para as pessoas o quanto é importante você criar os filhos livres.
E quebrando a cara mesmo. Deixa eu quebrar um pouquinho a cara para se levantar e ir. Correr um pouco de risco. Isso, correndo risco. Ela é muito risco, né, Martela? Me permita dizer, Clóvis, que não só ela presente, como ela é uma... não só mãe presente.
mas avó presente e bivó presente. Ou seja, são muitas vidas em que ela influencia todos. Todos. Até hoje. Então, meus filhos, do meu irmão, e agora eu sou avô também, eu tive um filho muito novo, ele é médico, o Davi Alcântara.
Mas acho que é bom citar Davi, Mário, João, Nina, Miguel, Marina. Esses são os netos. Ana, Aline e Maria. E tem três bisnetos. Que é a Olivia, a Ana e agora a Maria. E tem uma semana de vida.
Então, é muita gente que a doutora Márcia influencia. Amanhã a Márcia vai ter uma caranguejada na praia só com os netos. E todos com muito orgulho de vocês, assim como o povo cearense, que agradece. Em nome do povo cearense, eu agradeço a vocês. Obrigada também. Muito obrigada. Um dia das mães bem bonito para a senhora. Obrigada.
e para todas as mães que nos acompanharam, também os profissionais de saúde, esse programa foi pensado com muito carinho e com muita atenção e muito cuidado com o que a gente ia entregar. E foi mais do que o que eu esperava. Porque a gente trouxe aqui, na verdade, duas histórias de vida que dizem respeito às nossas próprias histórias de vida pela opção e a decisão que eles fizeram ao estar no mundo e de fazer diferença nas vidas.
Isso tem muito a ver com a maternidade. Que é amar e cuidar do outro. O programa Pause se despede. A gente se encontra na sexta-feira que vem. Pause. Apoio Moura do B. Para morar ou investir, conheça a linha Bitclass da Moura do B.
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Elmo
capacetePulmocenter
Instituto do Pulamão