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ESPECIAL - O SEGREDO DE WARREN BUFFETT: COMO ELE MONTOU UM IMPÉRIO DE US$140 BI NA PACATA OMAHA | Berkshire Hathaway

01 de maio de 202613min
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Em cobertura especial, o Stock Pickers foi até Omaha, Nebraska, conhecer a casa onde Warren Buffett mora há mais de 60 anos - e que é sede de um império de mais de US$ 140 bilhões.
Uma residência comprada por US$ 31.500 para um dos homens mais ricos do planeta. E uma escolha que diz tudo sobre a filosofia por trás do maior portfólio de investimentos da história.
Entenda nesta edição de colecionador de Stock Pickers a história completa de Warren Buffett - gravada in loco, nos lugares que foram o palco da história da economia global.
Entenda por que 40 mil pessoas viajam todo ano para Omaha e admiram tanto as estratégias de um senhor absolutamente único no mercado financeiro global. 
⏱ O QUE VOCÊ VAI VER:
00:00 — A casa mais famosa do mercado financeiro
00:37 — As origens: Omaha, 1930
03:50 — Uma amizade de uma vida com Charlie Munger
05:45 — A Berkshire Hathaway: de fábrica falida a US$ 1 trilhão
09:28 — A "Woodstock do Capitalismo"
11:56 — Legado e o que esperar da Berkshire em 2026 
🔔 Essa foi só uma parte da nossa cobertura do encontro de acionistas da Berkshire Hathaway 2026. 
Tem muito mais vindo por aí.
Acompanhe! 
Créditos:
Apresentação: Lucas Collazo
Direção: Nando Lima
Produção: Letícia Brito
Roteiro: Olavo Granado
Edição: Leonardo Ayres
Captação: Fabio Teixeira
Coordenação de Audiovisual e Produto: Luciana Pilon
Participantes neste episódio1
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Lucas Collazo

Host
Assuntos3
  • História de Warren BuffettOrigens em Omaha · Amizade com Charlie Munger · Berkshire Hathaway · Legado e futuro da Berkshire
  • Investimentos FinanceirosMargem de segurança · Economic Moat · Modelo de negócios da Berkshire
  • Mudanças na Berkshire HathawayGreg Abel como novo CEO · Saída de Charlie Munger
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Essa casa aqui atrás foi comprada em 1958 por pouco mais de 30 mil dólares. O homem que mora nela hoje construiu um dos impérios financeiros mais importantes da história do planeta e nunca saiu daqui. Eu sou Lucas Colasso e essa é uma cobertura especial do Stock Picker direto de Omaha, Nebraska. E tá frio, hein? Warren Buffett não é só um investidor, é o estudo de caso mais longo e documentado sobre a locação de capital da história do nosso planeta.

Warren Edward Buffett nasceu em 1930, no meio da Grande Depressão. O seu pai, Howard Buffett, era corretor de ações e congressista. Vem daí a exposição dele precoce aos mercados, mesmo que longe dos grandes centros financeiros, aqui nos Estados Unidos, o principal deles, Nova York.

Ainda criança, Buffett operava de uma forma bem lógica. Ele transformava o caminho ou os caminhos dele em situações econômicas. Batia de porta em porta para vender chicletes ou entregava jornais e ia acumulando poupança logo cedo. Na adolescência, esse padrão continuou. Aos 11 anos, ele comprou a sua primeira ação e, na sequência, já saiu instalando máquinas de pinball nas diversas barbearias, estruturando contratos de divisão de resultado com os donos das barbearias.

Em todos os casos, a lógica se repetia. É claro que talvez ele não soubesse isso quando tão novo. Ou pelo menos eu acho que não. Estruturas leves, com constante geração de caixa e alocação de capital imediata. Nunca foi sobre acertar uma única vez. Ele queria criar um processo que fosse funcional ao longo dos vários e vários anos. Esse jeito de pensar ganhou forma. A partir do momento que ele entrou na Columbia Business School e estudou com o Benjamin Graham, que foi o seu grande mentor.

O Grian, naquela época, ensinava uma coisa que é meio óbvia, ainda mais nos dias de hoje, mas o mercado negligencia o tempo todo, inclusive até esse presente momento, que é a diferença entre preço e valor. Uma ação não é apenas um ticker que sobe e desce na bolsa todos os dias, é um pedaço de uma empresa que tem fluxo de caixa, ativos, passivos, investimento, alocação de capital e uma leitura...

de longo prazo. E quando o mercado precifica o negócio abaixo de todo esse valor que a empresa tem, isso cria uma distorção que é chamada de assimetria, mas para Benjamin Graham era chamado de margem de segurança, o tal do desconto.

na empresa. Pensa você, um investidor de ações, e vai lá comprar esse negócio que está com essa simetria ou esse desconto. É justamente essa discrepância que vai formar um colchão de segurança para você, para que você possa investir nela a longo prazo e quando o mercado ficar errático, dramático, por qualquer questão que seja, isso te proteger. E digo mais, se você estiver errado sobre esse investimento, esse mesmo colchão também pode acabar te protegendo.

Graham chegou a essa conclusão depois de perder praticamente tudo que ele tinha na grande crise de 1929. Ou seja, o método nasceu praticamente de uma experiência pessoal, mas que Buffett implementou essa mesma metodologia com um nível de paciência e execução ao longo dos anos que talvez tenha superado até o próprio Graham. Ele aplicou esse modelo nas suas partnerships da época, entre 1956 e 1969, e atingiu retornos superiores ao mercado.

Porém, no final dos anos 60, ele encerrou essas parcerias, mas não por um erro dele, e sim justamente por uma leitura do cenário naquele momento, seguindo as premissas e o processo que ele tinha aprendido com Graham e melhorado ao longo do tempo. Essas oportunidades já não faziam mais sentido dentro do seu padrão. E aí foi o primeiro limite real desse modelo. Ele funcionava, mas não escalava da mesma forma conforme o capital crescia.

É nesse momento que o Charlie Munger chega e muda absolutamente tudo, não só na vida de Warren Buffett, mas na história do mercado como um todo. O curioso é o seguinte, Munger é nascido na mesma cidade de Warren Buffett, aqui em Omaha. E eles, inclusive, chegaram a trabalhar juntos em outro local, mas na época eles nunca se cruzaram. Quando finalmente foram apresentados em 1959, a afinidade foi instantânea.

Munger era seis anos mais velho, já formado como advogado pela Harvard Law School, e ele tinha uma cabeça que funcionava de um jeito pouco comum. Ele não confiava cegamente em especialistas. Na verdade, ele tinha uma cabeça multidisciplinar. Queria aprender sobre filosofia, física, biologia, o máximo que ele pudesse para conseguir ir além na visão e não ficar só na análise superficial, que talvez os números financeiros vão te entregar.

Era o que ele chamava de treliça de modelos mentais. Ele misturava todos esses modelos, pontos de vista e conhecimentos para ter uma análise mais completa, aumentar o campo de visão e diminuir as chances de erro. Nas reuniões entre Munger e Buffett, ele era extremamente direto. Quando ele concordava, concordava e ponto, nem continuava a discussão. Quando discordava...

era direto e reto nos seus argumentos e na justificativa sem ficar dando rodeio. Com o tempo, isso foi virando uma característica, uma assinatura, eu diria, até do momento anual da Berkshire com seus acionistas, porque Buffett fazia suas narrações, devolvia para o Munger, e o Munger sempre terminava com comentários super curtos e simples, de poucas palavras, muitas vezes falando que não tinha nada a acrescentar. Eram conclusões e discussões que já tinham sido feitas nos bastidores da Berkshire, então não tinha...

Muito mais porque TC ainda mais comentários ali no palco. E justamente nesses bastidores ele mudou a pergunta central que...

transformou o jeito de investir da Berkshire. Graham perguntava, está barato? E Munger mudou essa pergunta essencial para, é um bom negócio? Essa virou a base essencial da Berkshire. Nem todo negócio que está barato é necessariamente um bom negócio. Muitos são baratos porque merecem ser. Já outros podem parecer caros, mas constroem tanto valor na linha do tempo que em breve você vai perceber que eles nem eram tão caros assim. É daí justamente que vem o conceito que ficou tão famoso por eles do Economic Mold.

que é esse diferencial competitivo da empresa muito difícil de replicar. Como, por exemplo, uma marca, distribuição difícil de replicar, ou ela ser líder absoluta em custos por questões específicas e idiosincráticas daquela empresa. Nesse caso, o retorno da ação não depende puramente do preço dela subir, mas sim da empresa continuar gerando valor ao longo do tempo.

O exemplo perfeito disso é uma das queridinhas do Buffett, que, aliás, ele aparecia sempre comendo os produtos dessa marca, junto com o Munger, no palco do evento no Audio Acionistas da Berkshire, que é a Seas Candies. Ela foi comprada pela Berkshire em 1972, e ela nem de longe era barata.

E ela também não tinha uma perspectiva muito grande de expansão, não. Mas ela tinha uma marca muito forte, ligada a momentos emocionais das pessoas, que ia gerar uma fidelidade muito alta da sua base. O resultado disso, ela conseguiu elevar os seus preços ao longo do tempo, bem acima da inflação durante décadas, com pouquíssimo reinvestimento. Para vocês terem noção, em 35 anos, ela gerou 1,35 bilhão de dólares em lucro, com apenas 35 milhões de dólares em investimento.

Esse caixa ajudou a construir a Berkshire e ensinou o Buffett sobre esse valor, priorizar sempre a qualidade, o que depois levou ao investimento em Coca-Cola e American Express, por exemplo. A Berkshire começou como uma empresa têxtil, em declínio. Buffett comprou ela justamente por estar barata. E depois ele reconheceu o erro, que inclusive custou muito caro.

O negócio era intensivo em capital e não tinha uma vantagem estratégica, competitiva, clara. Mas desse erro surgiu exatamente algo maior. Buffett aproveitou para pivotar a empresa e transformar ela num grande veículo de investimento. A virada veio com seguros. Esse modelo de negócio gera o chamado float, que é justamente quando você vende uma apólice, você recebe esse dinheiro, mas você só eventualmente vai pagar no futuro. E esse dinheiro vira tudo aplicação financeira e o seu resultado vira então o retorno dessas aplicações.

Essa geração de valor é bem relevante. Em 2024 chegou a ser US$ 171 bilhões. Mas isso só funciona com muita disciplina. A Berkshire deixou os custos desse capital praticamente no zero, ou até negativo. Ou seja, ela era paga para investir os recursos de terceiros.

Com o tempo, isso virou uma combinação entre participações, negócios operacionais e esse tal do float. Só que o sucesso da Berkshire, que a gente está aqui na frente, inclusive, do escritório, trouxe um outro problema. Com tantos e tantos bilhões sob gestão, como continuar fazendo investimento de uma forma que gere um impacto relevante para esse montante?

Mas não é só de sucessos que essa história foi escrita, não. Tiveram vários erros. Como, por exemplo, a Dexter Shul, que foi um caso emblemático. Ela foi comprada utilizando as próprias ações da Berkshire, ao invés de dinheiro. E foi um investimento que gerou bilhões de prejuízos ao longo do tempo.

Ele também vendeu cedo demais as participações na Disney e ficou de fora de outros grandes casos da tecnologia, como Microsoft e Google. Mas é que o diferencial dele não foi exatamente somente evitar erros. Na verdade, foi concentrar nos acertos, ficar concentrado em investimento nas empresas mais assertivas e controlar os erros, fazer investimentos menores, controlando o impacto desses erros. É justamente isso que coloca a Buffett e a Berkshire em outro nível.

O encontro anual da Berkshire reúne investidores e entusiastas do mundo inteiro. Por alguns dias, Omaha substitui a função de Wall Street como capital financeira do mundo. Só que dessa vez a situação é bem particular e nunca aconteceu antes na história. Primeiro porque Charlie Munger nos deixou aos 99 anos em dezembro de 2023.

Durante mais de 50 anos, o Munger fez um papel de questionar o Buffett, especialmente nos pontos que, eventualmente, ele não estivesse vendo. E esse papel, essa função, ela não existe num organograma de uma empresa, ela não é substituível. Poucos anos depois, em maio de 2025, exatamente no evento anual de acionistas da Berkshire, Buffett anunciou a sua aposentadoria e nomeou o Greg Abel como o CEO, o novo CEO da Berkshire.

e disse inclusive que ele assumiria a empresa a partir de janeiro de 2026. Ao longo do ano até aqui, bom estamos em 2026, Greg Abel se aproximou muito da unidade de resseguros da companhia que é liderada pelo Ajit Jaim, que também sempre vai ao palco do evento anualmente. Esse braço que é super importante para a empresa e foi criado do zero pelo Ajit, que inclusive continua liderando a área pelo menos por enquanto.

Abel tem um papel um pouco diferente do Buffett. Quando a gente veio aqui na última vez, em cima de relatos de vários investidores que participaram de diversas conexões com as empresas investidas pelo Buffett, eles citavam essa distância. Buffett não era um cara que cobrava, criticava muito as operações. Ele era um acionista, um sócio capitalista.

que olhava a operação de longe e confiava na capacidade dos executivos, na qualidade dos executivos em si de tocar os negócios. Abel não. Abel é próximo das empresas, visita subsidiárias, faz críticas, gosta de olhar de perto, de certa forma até ser um pouco ativista nos negócios, um estilo bem diferente.

até aqui. Outro ponto que vale a pena ser comentado é que ele retomou o programa de recompra de ações da Berkshire. Mas os acionistas que chegam a Omaha em 2026 sem o Buffett no palco sabem que a questão não é meramente operacional. A real questão é saber se Greg Abel consegue observar um economic moat que Buffett sempre procurou nas empresas.

ou até mesmo acabar negligenciando um quando aparece. Não só isso, fazer essa análise com 300 bilhões de dólares sob gestão. Esse é o real ponto, essa é a real questão. Ah, e sem ter essa figura da dupla como Buffett tinha, um contraponto de Charlie Munger...

que Greg Abel não vai ter. A Berkshire talvez esteja passando por um dos seus maiores testes. É uma troca na governança, uma necessidade de tentar manter o modelo que funcionou até aqui com resiliência, consistência, visão de longo prazo e paciência para colher os frutos, justamente no momento que a sociedade e até os investidores são o pleno oposto. O mercado quer tudo na hora, quer ver resultados de curto prazo, quer tudo para ontem.

É claro que existiram investimentos, concentrações importantes na história do Buffett como investidor e que, claro, têm participação e justificam parte dos seus resultados. Mas essa nunca foi a sua grande marca. Ele nunca foi o investidor de uma grande única tacada, de um grande único investimento. Sempre foi com uma cabeça de portfólio, diversificação em bons negócios, em cima dos critérios e o processo que ele criou e fazer isso repetidamente, com muita paciência, até que os resultados venham.

especialmente a capacidade de evitar decisões ruins ao longo do tempo. Isso também ajudou ele demais como investidor. E essa casa aqui atrás talvez seja um dos maiores exemplos disso. Grandes sucessos, grandes resultados, não necessariamente indicam que você precisa mudar a sua essência. Eles podem ser construídos com os mesmos princípios, sendo aplicados ao longo do tempo.

Fica atento aqui no canal porque a gente vai fazer uma cobertura completa, diretamente de Omaha, sobre o evento anual de acionistas de 2026 da Berkshire Hathaway, empresa de investimentos de Warren Buffett. Ah, e óbvio, se inscreve aqui no canal para você ficar por dentro de tudo. Ativa o sininho para não perder nenhuma cena, nenhum episódio, diretamente aqui de Omaha.

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