Impactos da invasão do Irã na economia mundial com Silvio Caccia Bava
- Objetivos Guerra EUA-IsraelInteresses econômicos e geopolíticos de Israel · Projeto da Grande Israel · Interesses econômicos dos Estados Unidos no petróleo do Irã · Corte do petróleo do Irã para a China · Objetivo do Irã de preservar autonomia e soberania · Direito do Irã de produzir energia nuclear para eletricidade · Estratégias do Irã e falha do domo de ferro de Israel · Ataques do Irã a bases militares americanas · Controle do Irã sobre o Estreito de Hormuz · Apoio da Rússia e China ao Irã · Risco de alargamento do conflito · Guerra ilegal do ponto de vista do direito internacional · Perda de apoio dos EUA na Europa · Crise da OTAN e defesa da Europa · Indústria de armamento e o Deep State americano · Lobby judeu nos Estados Unidos e pressão sobre o governo · Guerra genocida contra os palestinos · Aumento de execuções e prisões no Irã · Repressão à dissidência no Irã · Impacto da guerra nos países mais pobres · Aumento do preço do petróleo e inflação · Nacionalismo de defesa do Irã contra EUA e Israel · Impacto da guerra no Brasil e exportação de petróleo · Política monetária brasileira e subsídio de combustível · Crise das democracias liberais no mundo · Necessidade de novas democracias participativas e inclusivas · Centralidade da participação cidadã e bem-estar público
- Medo e AnsiedadeMedo como afeto para lidar com vulnerabilidade · Medo como qualificação da angústia · Medo como arma de dominação · Medo de perder o desejo e de desejos próprios · Medo do escuro, do desconhecido e do traumático
- Meio Ambiente e EnergiaAumento do preço do petróleo como ameaça à segurança nacional · Investimento em energia solar e eólica como alternativa · Necessidade de o Brasil se tornar autônomo em energia
Olhar da Cidadania, um programa do Observatório do Terceiro Setor. Apresentação Joel Scala.
Acreditamos que pessoas e organizações definem o futuro da sociedade com as suas escolhas. O nosso foco é inspirar mudanças, pensamentos e atitudes para a construção de um mundo melhor. Olá, eu sou Joel Scala e começa agora pela Rádio USP, o Olhar da Cidadania, um programa do Observatório do Terceiro Setor.
Olhar da Cidadania destaca... A invasão dos Estados Unidos e de Israel ao Irã tem repercussões que vão muito além do campo militar. Em um mundo globalizado, conflitos geopolíticos empatam diretamente a economia internacional, afetando o preço da energia, a produção industrial e o custo de vida em diversos países.
Afinal, quem ganha e quem perde com esse conflito, quais os interesses que estão por trás desta invasão? Hoje vamos falar da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Para conversar sobre o tema, o nosso convidado de hoje é o Silvio Katiababa. Novamente, que bom recebê-lo aqui, Silvio. É um prazer, Joel, estar com vocês aqui. Muito bom.
Silvio Catiabava é sociólogo, mestre em sociologia pela Universidade de São Paulo e diretor do jornal Le Monde Diplomatique Brasil. Olhar da Cidadania. Apresentação Joel Scala, na Rede USP de Rádio. A invasão do herâncio é justificada publicamente como uma ação em defesa dos direitos humanos, mas ela esconde interesses econômicos e geopolíticos. O rededor vai longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe longe
Qual é o verdadeiro motivo dessa invasão, senhor? Cada um tem os seus motivos especiais. No caso, por exemplo, de Israel, eles têm um projeto de fazer a Grande Israel. A Grande Israel incorpora a faixa de Gaza, a Cisjordânia e o sul do Líbano, que eles estão ocupando agora. Então, o projeto...
de Israel é fazer esse grande Israel e, ao mesmo tempo, destruir o seu oponente principal na região, que disputa a hegemonia com Israel, na verdade, resiste ao impacto.
do trabalho dos Estados Unidos através de Israel na região. Então você tem para Israel esses dois objetivos, destruir o Irã. O Israel acusa o Irã de querer exterminar o Estado de Israel e por isso a ameaça de eventual criação de uma bomba nuclear da parte do Irã seria totalmente inaceitável da parte de Israel, porque colocaria em pé de igualdade o poder destrutivo de Israel e do Irã.
Então, Israel tem esses objetivos. Os Estados Unidos, eles querem, primeiro, assegurar esse controle sobre essa área enorme de produção de petróleo. Querem fazer como fizeram na Venezuela. Na Venezuela, eles invadiram, tomaram conta do petróleo e agora são as empresas americanas que estão operando lá e se aproveitando do petróleo da Venezuela. O mesmo os Estados Unidos querem fazer com o Irã.
com a observação a mais de que o Irã é um dos principais exportadores de petróleo para a China. A presença e o domínio dos Estados Unidos sobre o Irã significa também cortar o petróleo da China. Não só se apossar desse petróleo para si,
como cortar o petróleo da China, aumentando o cerco. A Venezuela também oferecia petróleo para a China. A pressão, por exemplo, que a China pode oferecer sobre os Estados Unidos no que diz respeito ao domínio que ela tem das terras raras, os Estados Unidos tentam se impor dessa forma, controlando as fontes de petróleo.
que alimentam a China também. Então você tem, da parte dos Estados Unidos, o interesse de dominar o Irã e ficar com o petróleo do Irã e assegurar as suas parcerias com aqueles países pequenos, os Emirados dos Unidos, o Kuai, o Qatar, que é uma zona muito importante. E o Irã tem como objetivo preservar a sua autonomia, a sua soberania.
O Irã não tem nenhum interesse de expansão. Nesse século passado, ele não fez nenhum movimento de expansão e ele quer apenas ter o direito de produzir a energia nuclear para a própria eletricidade, para gerar a eletricidade, a energia necessária para viver num mundo moderno, cheio de equipamentos eletrônicos, elétricos e tudo mais. Ele é apresentado aqui no Ocidente como um país atrasado, que viola os direitos humanos.
É, mas não é não, né? Porque se você vai lá, realmente é uma ditadura dos alécolas, é uma teocracia que tem lá, na verdade, que também não tem nenhum caráter agressivo. Eles estão se defendendo e, frente às ameaças constantes, existe esse debate, se já houve possibilidade de um enriquecimento do urânio.
ao nível de produzir uma bomba ou não, uma bomba nuclear. Provavelmente o Irã deve seguir esse caminho de tentar criar sua bomba nuclear, porque ele está ameaçado constantemente. Acontece que a guerra mudou um pouco esse cenário. As estratégias do Irã estão dando certo.
O domo de ferro, que é aquela proteção contra os mísseis criadas por Israel, não está funcionando. Então, a Aviv está sob bombardeio, está se destruindo. E, inclusive, o Irã decidiu atacar também 16 bases militares americanas naquele território do Oriente Médio, na Arábia Saudita, no Kuai, em outros lugares assim.
E está dando certo, destruiu as bases dos Estados Unidos. No Estreito de Hormuz, que é o lugar onde passa 20% do petróleo do mundo,
O Irã hoje continua controlando e está fechado. Ele só abre para quem ele concede isso e parece que mediante um pagamento de uma taxa, agora que está se implantando. O Manca, do outro lado do estreito, o próprio Irã, eles estão controlando o estreito de Hormuz e não desistiram disso. A própria frota norte-americana teve que recuar, porque não teve, foi mais para longe, distante, no mar, no oceano.
porque não teve a capacidade de garantir a segurança dos seus navios, mesmo dos contrator-perdeiros e dos porta-aviões, que são os maiores do mundo. E, na realidade, essa disputa é uma disputa geopolítica. O Irã está dentro dos brinks.
O Irã tem o apoio da Rússia e da China. Esse apoio, por enquanto, é velado. Há notícias de que a Rússia transferiu para o Irã milhares de mísseis para poder fazer a defesa contra Israel e contra os Estados Unidos. E há o risco de um alargamento, uma ampliação desse conflito, que a todo momento está presente, dado...
o alucinante radicalismo sem muita lógica aparente do governo Trump e do próprio presidente, que fica dizendo que fechou acordo, que não fechou acordo, e o Irã nega, enfim, então é uma confusão. É uma guerra de informação e contra informação. Essa guerra tem mais de dois meses, e ela é uma guerra ilegal do ponto de vista do direito internacional. Os Estados Unidos estão perdendo o apoio de vários países na Europa.
E não só do direito internacional, pela lei norte-americana também, né? Lembramos que nós temos eleições também, não só aqui no Brasil, mas também nos Estados Unidos. Quando é que você vê essa posição do Trump perdendo apoio na Europa, tendo que se justificar para o Congresso norte-americano e ferindo o direito internacional? Joel, o Trump está ofendendo e se distanciando dos seus aliados, que ele construiu durante anos.
A União Europeia está brava com os Estados Unidos, insegura, dizendo, olha, agora não vamos ter mais a proteção norte-americana contra uma suposta ofensiva da Rússia. É uma suposta, porque você também não tem evidência disso. É importante observar que também a Rússia não tem esse caráter expansionista.
que a grande imprensa ocidental atribui. Ela estava se defendendo e a guerra da Ucrânia começou porque a OTAN estava cercando os países limítrofes da Rússia, esse país ameaçando militarmente a sua segurança. Então você veja, quer dizer...
A situação aí é uma situação muito delicada, os conflitos se combinam num certo sentido, porque os Estados Unidos é quem está empurrando esses dois grandes conflitos mundiais para que continuem. O Deep State, quer dizer, o estado profundo norte-americano, que é controlado principalmente pela indústria de armamento.
Quer vender mais armas, então impôs à Europa uma exigência de gasto do PIB maior para eles comprarem mais armas norte-americanas. E isso também faz parte desse cenário. Quem controla, afinal, os Estados Unidos?
cabe observar a importância do lobby judeu dentro dos Estados Unidos. O Netanyahu, aparentemente, não vai lá de pires na mão. Ele tem uma capacidade de pressão sobre o governo e o próprio Trump que vem dessa sustentação desses judeus ricos, os banqueiros americanos e tudo mais que estão apoiando Israel e essa guerra genocida contra os palestinos.
Você está acompanhando o Olhar da Cidadania, um programa do Observatório do Terceiro Setor. Na pauta do programa de hoje, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com Silvio Katiabava. Agora vamos com a notícia da Rádio ONU, que é parceira de conteúdo do Observatório do Terceiro Setor.
Aumentam casos de execução e prisões no Irã, em meio a conflito na região. O Felipe Carvalho, de Nova Iorque, tem as informações. Direitos dos iranianos estão sendo corroídos de maneiras duras e brutais. Foucault-Turk citou um aumento nas execuções da pena de morte, prisões em massa e supostos abusos em meio a uma repressão crescente da dissidência durante o conflito no Oriente Médio.
Em nota, ele disse estar consternado com o fato de que, além dos impactos já severos do conflito, os direitos do povo iraniano continuam sendo violados. Pelo menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil foram presas sob acusações relacionadas à segurança nacional desde o final de fevereiro, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Entre os executados estão indivíduos ligados a protestos, supostos membros de grupos de oposição e pessoas acusadas de espionagem. Turk enfatizou que, mesmo em tempos de guerra, as proteções fundamentais devem ser mantidas, pois é justamente nestes momentos em que as ameaças aos direitos humanos aumentam exponencialmente. O alto comissário apelou às autoridades para que suspendam todas as execuções, estabeleçam uma moratória sobre o uso da pena capital.
garantam plenamente o devido processo legal e um julgamento justo e libertem aqueles que foram detidos arbitrariamente. Ele alertou que o uso generalizado de acusações de segurança nacional pelo Irã colocou muitas pessoas, incluindo crianças, em risco.
Relatos de tortura, confissões forçadas e negação de representação legal suscitaram sérias preocupações quanto ao devido processo jurídico. Os detidos também enfrentam condições severas, com superlotação, escassez de suprimentos básicos e acesso limitado a cuidados médicos. Da ONU News em Nova Iorque, Felipe de Carvalho. Silvio, essa guerra trouxe muitas mortes e também afetou a qualidade de vida.
de países que têm populações mais pobres no planeta. Como reagir num momento como esse? Como o campo progressista no mundo pode reagir? E depois eu quero te ouvir também sobre o impacto desta guerra aqui no nosso país. Quem é mais atingido numa guerra como essa?
Olha, quem é mais atingido numa guerra como essa são os países mais pobres, porque uma guerra como essa fecha o estreito do Irã, faz subir o preço do petróleo, o petróleo é essencial ainda como um elemento de mobilidade, de transporte no mundo de hoje, apesar de estar começando a haver uma reconversão para baterias, para carros elétricos, enfim.
Mas o petróleo é fundamental. Então, quando o petróleo sobe de preço, e o barril estava em 75 dólares e foi para 116 por conta da crise, tudo sobe. A inflação sobe, a comida sobe no supermercado, a gasolina sobe para o carro. Então, isso afeta todo mundo e afeta os mais vulneráveis de uma maneira mais particular. Desse ponto de vista, a guerra é um prejuízo global.
Todos os países estão enfrentando esse aumento da inflação, esse aumento dos preços, e isso é um problema. Do ponto de vista das mortes, Joel, a ditadura dos ayatollahs, há pouco mais de três semanas, uma manifestações de rua fortes no Irã contra o governo, a repressão matou milhares de manifestantes. Então, nós não estamos vendo um governo que respeite o cidadão de maneira alguma.
A expectativa dos Estados Unidos com essa guerra era também de convocar os opositores do governo dentro do Irã para que desestabilizassem e derrubassem o controle dos ayatolás sobre...
O que acontece é que com todos esses ataques surgiu uma espécie de um nacionalismo de defesa do país contra os Estados Unidos, contra Israel, que acabou criando também uma base de sustentação desse mesmo governo dos ayatollahs.
nessa ótica do nacionalismo. Não houve uma desestabilização do governo dos ayatollahs, apesar da guerra ter destruído os seus principais líderes, ter conseguido matar os seus principais dirigentes militares e políticos, mas a guerra continua e o Irã diz assim, olha, eu não vou parar isso. A negociação que está proposta pelos Estados Unidos é que a gente abandone a energia nuclear. Nós nunca vamos fazer isso, então vamos para a guerra.
Os destaques importantes que você fez agora, os Estados Unidos imaginava ter o apoio de alguns países ali no Oriente Médio. E o que não aconteceu, né? A guerra acabou dando um impacto ao contrário, né? Se eles não apoiam o Irã, pelo menos eles não vão entrar em conflito com o Irã, né?
E você veja, a Arábia Saudita, o Irã, eles estão também dentro do BRICS. É uma novidade. Isso significa que, por exemplo, com a praticamente dissolução do OPEP, com a saída da Arábia Saudita, você tem uma grande parte dos produtores do petróleo, hoje em dia, dentro do BRICS também. O poder do BRICS vai crescendo.
como uma espécie de oposição e defesa do multilateralismo contra o imperialismo americano e a sua imposição pela força. Então nós temos aí um ponto de atrito importante na geopolítica mundial, onde evidentemente a gente está vendo uma fragilização dos Estados Unidos. Ele está falando assim, eu estou retirando 5 mil soldados da Alemanha dos nossos quartéis que eram para defender a Europa.
dos riscos naquela época da União Soviética, porque vocês não merecem mais a defesa. Ele está se retirando porque ele não consegue mais sustentar essas posições imperiais.
Eu vou fazer um pequeno intervalo, nossa conversa com o sociólogo Silvio Katiabava, para ouvir o professor Paulo Artacho, colunista do Olhar da Cidadania. A guerra entre Estados Unidos e Irã novamente abriu um sinal alerta para a questão do meio ambiente no mundo. Intensificando-se essa guerra, somada a outras que já estão acontecendo, nós podemos esperar mais desastres ambientais, não só no Brasil, mas também no mundo?
A guerra no Irã, promovida por Israel e pelos Estados Unidos, está tendo dois efeitos. O primeiro é o aumento do preço do petróleo, que nós estamos vendo no nosso dia a dia. E o segundo...
é observar que combustíveis fósseis podem ser uma ameaça à segurança nacional de um país. Nós vimos isso na Venezuela, nós estamos vendo agora no Irã, e vimos que muitas das guerras estão sendo causadas por esse interesse econômico por trás dos combustíveis fósseis. E os países perceberam que investindo em energia solar e eólica vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai vai
diminui o seu risco em relação à dependência do petróleo como um todo. Então, isso está provocando uma corrida na implementação de economias que dependam menos de combustíveis fósseis e mais de combustíveis sustentáveis, como é óleo e solar, já que vai ser muito difícil.
Guerras interromperem o fornecimento de energia solar ou de energia eólica. Então, essa ficha caiu, infelizmente, ainda não caiu para o governo brasileiro, mas eu acho que é fundamental o Brasil se tornar autônomo na geração de energia eólica escolar e depender muito menos de combustíveis fósseis.
Obrigado, Paulo. Esse foi Paulo Artacho, professor titular, chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, colunista do Olhar da Cidadania. Comportamento, com o professor Christian Dunker. O medo e a incerteza domina a maior parte da cabeça dos brasileiros dos dias de hoje, em relação ao futuro.
começar com o mais simples, Cristo. O que é esse medo? O medo é um afeto muito importante, é um afeto que, vamos dizer assim, sem ele nós não conseguiríamos lidar com a nossa própria vulnerabilidade. Tem o medo, a coragem vira tolice. Sem o medo, a gente não para para pensar. O medo é uma derivação, uma qualificação da angústia.
Antes do medo vem angústia. A angústia é tratada pelo medo. Por isso a gente tem que, antes de tudo, poder ter medo. Sentir medo não tem que ofender a sua posição de identidade. Sentir medo não é se diminuir. Sentir medo não é perder. Sentir medo é parar para pensar. Vou para frente, ataco, respondo ou vou para trás. Fujo, me protejo, me defendo.
Essa é a dinâmica da decisão para a qual o medo nos empurra. O medo também é uma forma negativa do desejo? O medo, assim como a angústia, está marcando o desejo. Ainda que seja marcando no sentido de proteger o desejo. Não quero perder isso. Isso é importante para mim. Tenho medo que aquilo aconteça.
Muitas pessoas são governadas pelo medo. E aí a gente passa para um outro capítulo. O capítulo em que, diante de autoridades com as quais, ou poderes com os quais a gente considera que não pode enfrentar, que está melancolizado, que está impotente, que está desamparado, o medo é a arma da dominação.
Então, já dizia Maquiavel, é melhor governar pelo medo do que pelo amor. O amor você perde mais fácil. O amor controla menos do que o medo. Então, muitas pessoas são, vamos dizer assim, encurraladas pelo medo justamente para que o desejo não apareça. Em outro contexto, a gente pode olhar também para o medo em relação ao medo dos nossos próprios desejos.
O medo da nossa própria hostilidade. O medo dos nossos próprios fantasmas. E aí tem esse cruzamento. O medo que se impõe desde fora, desde o objeto perigoso, às vezes o objeto fóbico, a situação fóbica que a gente tem medo, porque ele se conecta com o medo que a gente sente de dentro. Medo do escuro, medo do desconhecido, medo do que já aconteceu e pode se repetir, medo do traumático.
Na pauta do programa de hoje, guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com Silvio Katiababa, diretor do Le Monde Diplomatique Brasil. A guerra, como você disse no bloco anterior, gerou crises.
Alguns setores econômicos se beneficiaram com a estabilidade global. Enfim, eu queria saber a sua repercussão no Brasil, que também é um ano eleitoral. 2026 é um ano fundamental para o nosso país olharmos para o futuro. Eu queria a sua opinião sobre esse impacto que ela pode trazer ao Brasil e o que deve acontecer não só com a nossa economia, mas com o próprio país num ano eleitoral.
Eu acredito que nesse momento, particularmente, o Brasil está se beneficiando dessa crise mundial. Está aumentando a exportação de petróleo para a China, está conseguindo manter um índice de crescimento que os outros países não estão conseguindo, dada a crise do petróleo e essa situação toda de guerra. Eu diria assim, a política monetária brasileira, por exemplo...
de subsidiar o preço interno do combustível para evitar o aumento da inflação que está sendo feito através da maneira dos impostos, é uma política interessante, é uma política positiva. Para finalizar a nossa conversa, Silvio, eu queria te perguntar, essa guerra contra o Irã, provocada pelos Estados Unidos e Israel, revela a crise das democracias liberais no mundo?
Eu acho que ela revela, mas não só ela. Nós não temos um espaço no mundo em que a democracia esteja sendo ressaltada e fortalecida. A democracia liberal, como a nós conhecemos antes, não vai retornar. Ou nós vamos fazer algum tipo de ruptura.
em que possa surgir uma nova democracia, mais participativa, mais inclusiva, olhando para o cidadão e não para o mercado? Ou nós teremos outras formas de regime ainda mais perversas do que essas que nós estamos vivendo hoje?
aumentando a segregação, a desigualdade, a exclusão, concentrando poder, concentrando riqueza e destruindo o planeta. Quer dizer, esse caminho é o caminho do que os analistas estão chamando de fim do mundo. E para evitar o fim do mundo, nós temos que defender a centralidade da participação cidadã e da importância do bem-estar público.
como eixo do desenvolvimento e não mais o crescimento da economia, o PIB ou a melhoria das vendas em relação ao mercado. Eu agradeço a participação do sociólogo Silvio Katiababa. Chega ao fim mais uma edição do Olhar da Cidadania. Todos os nossos programas ficam disponíveis.
no site do Observatório, é só acessar o observatório trecetor.org.br. Se tiver algum comentário, dúvida ou sugestão, envia um e-mail para ouvinte.usp.br. O Olhar da Cidadania tem a produção e roteiro da equipe do Observatório do Terceiro Setor. A edição é de Dagoberto Alves. Voltaremos na próxima quinta-feira, sempre.
na luta por uma sociedade mais justa, solidária, tolerante e sustentável. Até o próximo programa. Você ouviu O Olhar da Cidadania, um programa do Observatório do Terceiro Setor. Apresentação Joel Scala.