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[Ep.14/2026] Raimunda Kanindé: a líder inconteste, a incentivadora da educação do seu povo

09 de maio de 202612min
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💬 Boas-vindas a mais um episódio da temporada 2026!

Contamos com a apresentação do panegírico intitulado Raimunda Kanindé: a líder inconteste, a incentivadora da educação do seu povo - presente, agora e sempre!, na voz da professora Jaianne Kanindé, indígena do povo Kanindé, ativista social, Mestre em História e Letras pela Universidade Estadual do Ceará e diretora da Escola Indígena Expedito Oliveira Rocha.

Este episódio marca a continuidade da nossa parceria com a Revista Kixará, periódico eletrônico em fluxo contínuo do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em História e Letras (PPGIHL) da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc) - Campus da Universidade Estadual do Ceará (Uece) em Quixadá.

Tendo como editora-chefe, desde 2024, a professora Yls Rabelo Câmara, a Kixará visa à divulgação aberta e gratuita de artigos, ensaios, resenhas, entrevistas, relatos de experiência, obituários, panegíricos e bibliografias - em português, inglês, espanhol, francês, galego e línguas indígenas - que dialoguem com o espectro interdisciplinar que existe entre História, Pedagogia e Letras, além do repertório de conhecimento que esses campos do saber albergam.

🔗 Para mais informações sobre a Revista Kixará, acesse o site do Portal de Periódicos da Uece: https://revistas.uece.br/index.php/kixara

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📝 Este episódio lhe ajudou em alguma produção acadêmica? Saiba como referenciá-lo de acordo com o estilo bibliográfico ABNT:

RAIMUNDA Kanindé: a líder inconteste, a incentivadora da educação do seu povo - presente, agora e sempre! Gravação do episódio: Jaianne Kanindé. Edição de áudio: Edvander Pires. Editora-chefe da Revista Kixará: Yls Rabelo Câmara. Fortaleza: CoCriando na Podosfera, 2026. Podcast.

🔗 Descrição da imagem de capa disponível em: https://gemini.google.com/share/ae3a1649b67b

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Participantes neste episódio2
T

Tatiana Apolinário Camussa

HostBibliotecária
J

Jayane Canindé

ConvidadoIndígena do povo Kanindé, ativista social, Mestre em História e Letras
Assuntos5
  • Raimunda Kanindé: Legado e EducaçãoPioneirismo na educação escolar indígena · Doação de terreno para a escola · Condições precárias da educação inicial · Acreditar na transformação pela educação · Raimunda Kanindé
  • A Passagem de Raimunda KanindéRitualística de encantamento · Visita à escola e despedidas · Busca por rezadeira e amigos · Banho com ervas e troca de roupa · Últimos momentos e exalação do último suspiro
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeManter conexão com espiritualidade e ancestralidade na globalização · Mensagens recebidas após o encantamento · Permanecer unido pela aldeia e engajado no movimento · Reverenciar e levar o nome de Raimunda Kanindé adiante
  • O legado das pessoas queridasLegado de união entre filhos e aldeia · Silenciamento de maracas e tambores após a passagem · Compreensão da passagem como parte da vida · Preservação da comunidade e coletividade · Resolução de conflitos através do diálogo
  • Divulgação do Panegírico na Revista KixaráImportância de levar vozes indígenas para espaços acadêmicos · Revista Kixará como canal de divulgação · Panegírico disponível para leitura · Gratidão à equipe da revista
Transcrição31 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Tchau.

E o meu pai é rei na terra, o meu pai é rei no mar. O meu pai é rei na terra, o meu pai é rei no mar.

O meu pai é rei dos índios, seja onde ele está. Ando com os mensageiros, foi meu pai quem me mandou.

Ando com os mensageiros, foi meu pai quem me mandou. Eu sou índio, eu sou guerreiro. Eu sou índio, curador. Eu sou índio, eu sou guerreiro.

Eu sou índio curador Olá a todos e a todas, minha saudação da ancestralidade, eu me chamo Jayane Canidé, sou indígena do povo Canidé, resido na aldeia gameleira, no município de Canidé, Ceará. Para mim é um motivo de muita alegria e de muita honra estar aqui para esse canal e divulgando um trabalho que é tão importante.

que foi o trabalho que fala sobre Raimunda Canidé, uma líder guerreira da nossa etnia.

minha avó, e a gente escreveu esse panegírico, eu fiz esse panegírico em homenagem a ela, para a revista Kixará, a qual eu já deixo aqui também a nossa gratidão pela oportunidade, por estar levando as vozes dos nossos povos para outra dimensão, para outros espaços, sobretudo para os espaços acadêmicos, isso é muito importante, e falar um pouco do que foi colocado no panegírico.

O Panegírico tem como objetivo homenagear, honrar pessoas que se encantaram, pessoas que de alguma forma contribuíram e contribuem para o legado de um povo, assim como foi feito com a minha avó, dona Raimunda, Raimundo Canidé.

Raimunda Canidé é uma líder, foi uma das pioneiras da educação escolar indígena do povo Canidé, principalmente na aldeia Gameleira, no município de Canidé, Ceará. Raimunda atuou dentro da sua casa inicialmente, junto com o seu expedito, o expedito Oliveira Rocha.

eles dois doaram o terreno para a construção da escola que hoje tem na comunidade, agora em 2025, a qual eu sou gestora. Então, assim, eles dois, meus dois avós fizeram a doação do terreno para a construção da escola. Anteriormente, antes de nós termos um prédio...

A escola funcionava no alpendre da casa deles, no alpendre da casa deles dois, e passou muito tempo a oferta da educação escolar indígena ocorrendo sobre maneiras precárias. Os bancos eram improvisados, os livros tinham validade vencida, mas eles acreditavam que a educação poderia...

transformar e poderia mudar o rumo da nossa aldeia. E foi acreditando nesse sonho que eles dois iniciaram esse processo, sendo dirigido posteriormente pelo seu filho. E hoje nós temos uma escola dentro da comunidade que foi fruto dessa luta também da dona Raimunda. O panegírico fala sobre quem foi ela.

Dona Raimunda, ela tinha uma ligação gigante com a escola, tanto é que no dia do seu encantamento, teve toda uma ritualística para a sua passagem, ela se dirigiu até a escola, ela conversou com as pessoas, ela passou na cantina, ela sempre tinha um hábito de estar passeando pelos arredores da escola, e no dia do seu encantamento ela fez isso, ela foi para a escola, deu as saudações dela de bom dia a todas as crianças.

conversou com as meninas da cantina, conversou com alguns professores que encontrou pelo caminho, conversou com o seu filho e em seguida passou mal. A gente levou-a para o hospital e aí inicialmente ela ficou em observação e disseram que tinha sido só um susto.

A gente retornou para casa, e aí quando nós retornamos para casa, ela pediu para que eu levasse ela numa rezadeira que ela costumava frequentar, pediu para passar na casa de alguns amigos, nós passamos na casa dos amigos que ela pediu, e aí depois se dirigimos para casa. Quando chegamos em casa...

Dona Raimunda pediu um banho com as evas que ela gostava de tomar. E aí as filhas dela prepararam um banho com cumaru, alfavaca e algumas outras evas. E ela tomou banho.

Vestiu uma roupa com rosas claras e em seguida passou mal novamente. Só que dessa vez não teve como socorrê-la. Só ouvi os gritos e o desespero que assombrou a nós. Então, assim, a passagem dela foi uma passagem...

que teve todo, a gente costuma dizer que foi um tributo à ancestralidade, porque teve toda uma preparação, mas também deixou nossos corações dilacerados. Eu estive com ela durante todo o momento, inclusive retornando com ela para o hospital depois de passar a mão pela segunda vez, e foi nos meus braços que ela exalou o seu último suspiro.

E aquela sensação para mim é muito forte. E hoje estar falando em áudio aqui, estar deixando isso gravado é motivo que muito me emociona. Estou aqui emocionadíssima, já tentei gravar outras vezes, mas sempre a voz embarga, porque falar dela é falar desse misto de emoção, é falar do que ela construiu. Com ela eu aprendi muito sobre a vida, ela tem sete filhos e vários netos, bisnetos.

E Dona Raimunda, ela deixa um legado muito bonito, sobretudo de união entre os filhos, entre a aldeia. Durante algum tempo depois da sua passagem, as maracas e os tambores foram silenciados na aldeia, ficando só aquele sentimento de silêncio e de dor mesmo. Mas com o tempo a gente vem compreendendo que...

Chega o nosso momento, todos nós vamos passar, vamos fazer nossa passagem. E a dela foi tão linda. Foi uma passagem que não houve dor, não houve sofrimento. E que teve toda essa ritualística de encantamento.

Nós, enquanto netos, os filhos, os bisnetos, aprendemos muito com ela, principalmente sobre preservar a nossa comunidade, sobre a coletividade, a dona Raimunda, ela era uma pessoa muito, muito, muito, muito coletiva, tudo dela tinha que ser em comunhão com todos, conversava, ela era aquela pessoa que poderia, uma situação estar ocorrendo da maneira...

mais difícil que fosse, mas ela tinha o poder de conversar, de encontrar uma saída, e ela deixou esse legado para a gente, essa aprendizagem, da gente tentar sempre resolver tudo, a base do diálogo, conversando, e com ela nós aprendemos o valor de preservarmos uns aos outros, de cuidarmos uns dos outros, dizer que ela deixa para a aldeia gameleira, ela deixa para o povo canindé.

uma missão que hoje eu digo que é ainda mais desafiadora, que é no meio disso tudo que hoje nós vivemos, que é a globalização, que é a tecnologia, mantermos ainda mais conectados com a nossa espiritualidade, com a nossa ancestralidade. Durante...

Vários meses depois do seu encantamento, eu recebi mensagens dela, eu consegui me conectar com ela por várias vezes e hoje consigo compreender o que ela queria dizer. A mensagem é justamente essa.

é de permanecermos unidos pela nossa aldeia, é permanecermos engajados no nosso movimento e é reverenciando e é levando o nome dela para vários outros espaços também que eu sei que a gente vai conseguir fazer isso, porque ela se encantou, mas a história dela permanece viva.

O legado dela permanece intacto, a história dela será conhecida por muitas e muitas outras gerações. Eu, pessoalmente, Jayane Canindé, neta dela, farei questão de honrá-la, farei questão de levar o nome dela para...

Todos os espaços que eu puder, principalmente para os meus acadêmicos, quero deixar registrada a sua história de vida, quero deixar registrada os seus marcos históricos, quero deixar registrada o seu legado e o seu conhecimento para as gerações que estão vindo. Eu compreendo que isso é muito importante para a gente poder manter viva essa história. E sabendo que...

Muitas vezes a oralidade se perde com o tempo, mas quando a gente registra isso, deixa documentado, deixa divulgado em canais de divulgações, que assim como estamos fazendo agora, a história tende a continuar e permanecer viva.

Então, dizer que Raimunda foi essa pessoa, o Panegírico está disponível na revista Kixará, na segunda edição, para a leitura, para quem quiser ler, para conhecer e compreender um pouquinho de Dona Raimunda e como foi essa passagem, podem ficar à vontade. A revista é maravilhosa, tem aí uma equipe de edição, professora Ilis, uma pessoa incrível e que também...

vem contribuindo para essa propagação dessas informações, que para a gente também é muito importante. Então, deixar aqui o nosso maior agradecimento à revista Kixará, que é o canal que eu criando pela possibilidade de estar divulgando o nosso trabalho, e dizer que a aldeia gamileira e o povo canindé está muito grato e honrado por vocês nos permitirem divulgar o que para a gente é tão importante. Beijo, um forte abraço e até breve.

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