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[Ep.13/2026] Autismo e Ensino Superior

02 de maio de 20261h55min
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💬 Boas-vindas a mais um episódio do nosso CoCriando na Podosfera!

Eles sempre estarão aqui! é o título da nossa série dedicada a episódios sobre neurodivergência e transtorno do espectro autista. Com idealização das bibliotecárias Tatiana Camurça e Joana Páscoa, receberemos convidadas e convidados que abordarão essa temática a partir do seu lugar de fala.

No episódio, temos as vozes de José Marques e Carla Façanha, docentes da Universidade Federal do Ceará e Universidade Federal do Cariri, respectivamente.

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📝 Este episódio lhe ajudou em alguma produção acadêmica? Saiba como referenciá-lo de acordo com o estilo bibliográfico ABNT:

AUTISMO e Ensino Superior. Palestrantes: José Marques e Carla Façanha. Mediação: Tatiana Camurça. Direção técnica: Edvander Pires. Supervisão de live streaming: Joana Páscoa. Fortaleza: CoCriando na Podosfera, 2026. Podcast.

🔗 Descrição da imagem de capa disponível em: https://gemini.google.com/share/b38ae8863bcf

#projetococriando #cocriaçãoaudiovisual #abrilazul

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Participantes neste episódio3
T

Tatiana Apolinário Camussa

HostBibliotecária
C

Carla Façanha

ConvidadoProfessora
J

José Marques Soares

ConvidadoProfessor titular
Assuntos1
  • Autismo e Ensino SuperiorDefinição e espectro do autismo · Diagnóstico tardio e autismo feminino · Desafios do autismo nível 1 (invisível) · Preconceitos e o 'império da normalidade' · O papel da universidade pública e inclusão · Meritocracia vs. justiça acadêmica · Experiências de docentes autistas · Sobrecarga sensorial e adaptações · Acessibilidade e inclusão educacional · Equidade no ensino superior · Políticas institucionais e leis de inclusão · Manifestações físicas do autismo (fadiga mental, enxaqueca) · O impacto do diagnóstico e o autoconhecimento · Mascaramento (MESC) e sua relação com a sobrevivência
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E aí

Boa noite, eu sou Tatiana Apolinário Camussa, estamos aqui mais uma vez para falarmos sobre autismo, e hoje eu estou mais do que feliz, porque é um reencontro, é um encontro com um professor, com um colega de graduação, que hoje é professora e doutora, e a gente vai falar sobre autismo na universidade. Então, eu primeiro vou me autodescrever, eu sou uma pessoa...

hoje eu estou com meu cabelo curto, na altura do ombro, estou de óculos cor de vinho, e estou com batom vermelho, uma blusa branca de gola aberta, cordões de couro e brincos brancos com a pérola no centro.

Então, hoje a gente vai falar sobre autismo na universidade, porque os autistas crescem, eles não ficam apenas no fundamental, eles também vão às universidades, vão aos mercados de trabalho, e esse tema é muito instigante pela sua novidade, cada vez mais a gente está...

recebendo estudantes autistas nas universidades. E as perguntas são inúmeras, como eu faço, não só estudantes, né? Estudantes, professores, técnicos administrativos, servidores, funcionários terceirizados, nós temos toda uma comunidade. Mas hoje, especificamente, nós vamos falar sobre como o docente se relaciona na sua vida pessoal, porque temos mães de autista, eu sou mãe de autista, o Tcherry tem 15 anos.

E lida também, como isso vem reverberando no seu fazer profissional como docente. Então, a gente vai trazer agora para conversar com a gente o professor Marcos. Boa noite, professor. Tudo bem? Boa noite, Tatiana. É um prazer.

Receber o senhor aqui, estou muito feliz e muito ansiosa para aprender mais um pouquinho sobre essa façanha que é a que a gente está se jogando, que é pesquisa sobre autistas e autismo. Então, eu vou ler um pouquinho do...

currículo do professor, que é um currículo bastante vasto, o professor José Marques Soares, ele é professor titular do Departamento de Engenharia de Teleinformática, o DET, da Universidade Federal do Ceará. Ele é professor em graduação em informática, especialização em engenharia de software.

E também ele estudou na Uniforme, fazendo mestrado em ciência da computação pela Universidade Federal do Ceará. Não, Universidade Uniforme, ele fez especialização e fez mestrado na Universidade Federal. Também fez doutorado na universidade, que eu não vou só falar o nome.

francês, né? É Richard Concez, professor do Instituto Nacional de Telecomunicações na França, vocês estão vendo que a nossa noite promete, né? E ele tem experiência na área de computação, conheces em engenharia de software e sistema distribuído em uma visão computacional. Então, com a fala do professor José Marques Soares.

Bem, queria começar agradecendo o convite. Eu vou me descrever aqui também. Eu sou um homem branco, alto, eu uso barba grisalha.

cabelo curto, estou de camisa preta e estou com o headphone aqui para poder me comunicar com vocês. Então, eu novamente agradeço o convite, para mim é uma honra estar aqui podendo falar sobre esse assunto.

Queria saudar aos participantes, a quem está assistindo a essa live, saudar os colegas que vão compartilhar esse espaço comigo, cada um de nós trazendo um pouco de contribuição, um pouco de experiências múltiplas com a questão autista.

e dizer que esse é um momento importante para fazer essa discussão por vários motivos. Um deles é que a gente está, não só na nossa universidade, acredito que em todos os ambientes...

acadêmicos fazendo um movimento de inclusão cada vez mais efetivo para poder, de maneira mais justa, integrar as pessoas com suas diversas condições. E também é um momento importante em que...

a falta de compreensão e de conhecimento sobre o autismo, em especial autismo nível 1, começa a levantar algumas preocupações em relação a preconceitos que vão se acumulando. Eu vou falar um pouquinho sobre isso ao longo da minha apresentação.

Certo? Então é isso, se puder compartilhar, por favor, os slides para que a gente possa acompanhar. Então, bem, eu queria também dizer que...

a gente conversou, eu e a Gabriela e a Carla antes da apresentação, seria importante a gente apresentar um pouco, falar da nossa condição, da nossa experiência com o autismo para nos autorizar a falar sobre o assunto.

Então, eu tenho diagnóstico de nível 1 de suporte, tenho dois filhos com o mesmo diagnóstico, e assim, não pretendo falar na apresentação especificamente sobre isso, sobre as nossas condições particulares, mas acho que isso permite que a gente...

tenha uma visão eventualmente diferenciada para compreender o autismo dentro da universidade. Então, aqui a minha proposta é iniciar, fazer algumas reflexões sobre o autismo e a neurodiversidade.

a docência e os múltiplos espectros que atravessam a universidade pública. Então, se puder passar para o próximo. Então, assim, primeiro, o que é o autismo? Acho que todo mundo tem uma pequena ideia do que é o autismo. Então, eu coloquei aqui uma definição bem simples e imprecisa, talvez, mas para ajudar nessa...

compreensão geral aqui. Então, é uma condição atualmente caracterizada pela ciência por diferentes diferenças neurobiológicas constitutivas que influenciam a forma como o indivíduo percebe e interage com o mundo.

promove déficit na comunicação social e modificações no comportamento típico, podendo ocorrer em conjunto com outras condições e comorbidades, e normalmente ocorre. Aí vem a questão dos níveis, que justifica a existência de um espectro, que manifesta-se como um amplo espectro, por isso que a gente fala do transtorno do espectro autista.

Abrangendo desde o nível 1, que é menos perceptível, na verdade ele pode ser totalmente invisível, a gente pode ter alunos autistas dentro de sala de aula e não saber, ele mesmo pode não saber também. Ao nível 3, que é o caso em que se exige um suporte e assistência permanente. Então existem várias graduações. Pode passar, por favor?

Próximo. E aí, assim, essa compreensão, de maneira geral, fiz uma definição bem rasteira, existem muitas, poderia-se dizer, muitas coisas sobre o autismo. Mas a gente tem um problema que também é gerador de muita polêmica.

discussão, que é a dificuldade de se fazer um diagnóstico. Então, a etiologia do autismo é complexa, é multifatorial, parece derivar de uma receita genética complexa.

também, por exemplo, a psicanálise já começa alguns psicanalistas a colocar a possibilidade de existência de uma quarta estrutura específica do autismo, mas a verdade é que ainda não há respostas definitivas.

E, assim, muito trabalho de pesquisa vem sendo realizado de diversas naturezas, dentro da universidade, da nossa universidade, tem de outras universidades.

Então, é um trabalho em andamento para que se caracterize de maneira mais apropriada as diversas facetas do autismo, as suas diversas condições que se apresentam no dia a dia. Podia passar, por favor? Então, assim, como é que a gente percebe o autismo na universidade?

Bom, de cara, em diferentes pessoas, em discentes, servidores, docentes e tais.

principalmente no nível 1 de suporte, com alguns registros também no nível 2, pelo que eu tenho de informação na Secretaria de Acessibilidade da UFC. Nível 3 é bem mais difícil, não sei se existe alguém na universidade no nível 3.

E assim, por que no nível 1 tem mais? É porque é a condição, digamos assim, dentro do espectro mais, que é dita mais leve, né? Muitos autistas no nível 1 não gostam desse adjetivo, né? Que digam que é leve, né? Porque cada um sabe da sua condição efetiva. Mas a questão é a seguinte,

Eu até coloquei em destaque aqui que o nível 1 de suporte, que é frequentemente chamado de invisível, vem sendo alvo de preconceitos e ataques, juntamente com o conceito de espectro, como se houvesse interesse dos autistas nesses níveis em usurpar a condição para proveito próprio.

Tem-se escutado algumas coisas em programas na internet, em pequenos vídeos de pessoas que começam a combater a ideia de espectro e, ao mesmo tempo, combater a...

a própria condição do autista nível 1. E a importância de a gente discutir isso com um pouco de seriedade é porque é uma singularidade. A gente não pode...

a gente não pode achar que o outro, porque ele tem uma condição que é pouco visível, ele não tem aquela condição e não interage com o mundo com uma condição diferente por causa dessa natureza.

E o que a gente precisa, enquanto acadêmico, enquanto universitário, é respeitar essa singularidade, empatia, busca por justiça acadêmica que reconheça as necessidades específicas de cada estudante.

Então, essa condição pode representar uma vulnerabilidade que se associa e se acumula com outras vulnerabilidades. E eu vou discutir um pouquinho mais isso. Vou passar para o próximo. Então, ainda falando sobre essa...

Esse ataque que eu tenho percebido de algumas fontes, fontes nível 1, vem do império da normalidade.

Quais são os preconceitos? São frases que eu extraí de vídeos, está certo? São apenas pessoas esquisitas, né? Então, o autista nível 1 é uma pessoa esquisita. Outra aqui, o médico que deu o laudo para o autista nível 1, ele só estava de mau humor.

quando deu o diagnóstico. Aquele que consegue mascarar, se já for uma outra pessoa, a pessoa que consegue, o autista que consegue mascarar a sua condição não pode ser autista. Bom, o mascaramento é um...

uma atitude típica do autista para se passar, vou colocar nessa frase aqui, para que ele possa se passar por normal, dentro de um grupo onde ele não consegue se enquadrar.

Ele mascara o seu comportamento, ele esconde a sua forma natural de ser e de agir. Então, isso é algo que entre os autistas não se discute, todo mundo conhece essa dimensão do autismo.

Então, esses são os preconceitos que vêm se acumulando. E depois vêm outros, eu acho que são até mais pesados, eu prefiro nem colocar aqui. Mas o que se conhece efetivamente sobre o autismo? O avanço das pesquisas, que são multidisciplinares, esse conhecimento é contínuo.

E muita coisa vem se aprendendo sobre o autismo. E, obviamente, que alguns conceitos, algumas teorias que são formuladas hoje vão ser modificadas, como aconteceu no passado também. Então, isso é absolutamente normal. Claro que...

Talvez novas categorias, novas características, novas condições dentro desse universo que hoje a gente chama de autismo podem aparecer. Então, mascarar para esconder limitações é uma questão de sobrevivência no império da normalidade. Então, é muito arrogante alguém chegar e dizer que...

se o autista consegue mascarar, então essa é uma prova que ele não é autista, mas foi mais ou menos a definição de uma pesquisadora. Próximo, por favor. Bem, é...

Numa dessas entrevistas que eu considerei lamentável, houve também uma fala sobre a questão de que seria um absurdo o autista entrar na universidade.

porque não teria condição. Nessa perspectiva, é claro que existem autistas que têm uma condição, uma limitação maior, principalmente quando chegam no nível 3.

mas o autismo abrange pessoas com vários tipos de limitação e vários tipos de potencialidade também. As pessoas não são só as limitações, são as potencialidades. E alguém dizer que a universidade, principalmente a universidade pública, vamos falar da pública aqui, que é o nosso caso,

é um espaço que não pode receber pessoas autistas, então é um desconhecimento bastante grande do que é a universidade, do porquê que ela existe. Então, é isso, é um discurso lamentável e vaidoso, sugerindo que pessoas autistas não devem ter acesso à universidade. Demonstra desconhecimento absoluto do papel da instituição.

Isso está associado ao mito da tábula rasa.

em que isso é, infelizmente, aceito por muitas pessoas dentro da academia, como se todos tivessem condição de chegar ao mesmo lugar, da mesma maneira e ter o mesmo tipo de sucesso, sem valorizar as singularidades de cada um e as possibilidades de cada um.

Mas a verdadeira missão da universidade pública é cidadã integradora e multiplicadora da cidadania. Então, há de haver espaço para todos, e todos têm a possibilidade de contribuição e têm o direito de existir e de participar. Próximo, por favor.

Bom, então a missão da universidade é em contexto, formar indivíduos para atuar profissionalmente com ética e cidadania, visando a construção de uma sociedade justa e inclusiva. Eu botei um linkzinho aqui embaixo, mas é fácil de achar.

é a missão, o valor e o lema da Universidade Federal Ceará. E a gente vai ver algumas coisas parecidas com essa. O próximo slide, por favor. Então, nessa perspectiva...

Por que a gente não pode receber pessoas autistas ou por que a gente não pode receber pessoas com deficiência ou com outros tipos de limitação? Mas apesar dessa...

perspectiva do lema da universidade, da visão, há contradições com as quais a gente tem que lidar. A universidade é um ambiente que apresenta grande competitividade.

E isso acaba sendo fomentado, muitas vezes, por destaques acadêmicos de diversas ordens, tanto para alunos como para professores. E isso deriva aqui do discurso da meritocracia.

das expressões de uma cultura voltada para valores de altíssima produtividade, no qual a gente está mergulhado. A sociedade do desempenho. Próximo, por favor. Já penso.

Então, assim, nessa perspectiva de enxergar, por exemplo, todos os alunos com a mesma condição de partida, tem essa figura que foi um amigo que me enviou uma vez, eu achei que ela descreve bem esse cenário que a gente atravessa na universidade.

A gente tem uma competição, é uma competição, né? Para alcançar o mérito acadêmico. E não importa as diferenças, né? O teste é o mesmo, né? Então, por exemplo, aqui tem os animaizinhos aqui, todos eles têm que subir na árvore. Tem alguns que vão levar a alguma desvantagem, né? Como é o caso aqui do nosso amigo Peixe, principalmente. Mas, entretanto...

num espaço de valorização das habilidades individuais. Se a prova fosse atravessar um rio, acho que seria ele que estaria sorrindo. Então, atentar para as diferenças e para as multiplicidades dentro do nosso ambiente é muito importante. Passar para a próxima, por favor.

Então, assim, esse é o desafio que eu considero fundamental aqui para a docência, né? Associado aos desafios da discência, das diferenças discentes. É que existe uma ortogonalidade que me parece ser incontornável.

entre um eixo meritocrático e um eixo acadêmico, que preze pela justiça, pela inclusão. A gente não consegue ser inclusivo e meritocrático, ao mesmo tempo eu, pelo menos, já refleti muito sobre isso e não consegui arrumar nenhum tipo de solução.

Então, na universidade pública a gente está sendo forçado a lidar com essa contradição entre um sistema meritocrático que ele é intrinsecamente excludente e as ações de inclusão que visam dar oportunidades àqueles que são mais vulneráveis. O próximo, por favor.

Bem, então, falar um pouquinho sobre a minha experiência, porque eu comecei a pensar e trabalhar um pouco sobre esse cenário, não só do autismo, mas da neurodivergência, de maneira geral, que envolve outras condições. E tais vulnerabilidades, que são muitas,

comecei a me questionar, comecei a perceber os alunos, né? E comecei a me colocar muitas questões, né? Como algumas dessas aqui. Por que meu aluno parece ter dificuldade? Por que minha aluna parece não ter interesse?

E parece que eu não consigo me fazer entender, o que eu não entendo que eles estão me dizendo, o que há comigo, o que há com eles, se essa comunicação é truncada. Ao mesmo tempo, eu me identifico com esses alunos, porque, principalmente no curso de graduação, para mim foi um curso bastante difícil, doloroso.

por muitos motivos. A pós-graduação foi até um pouco mais fácil, mas a graduação foi difícil. Próximo, por favor. Então...

Percebia-se algo de singular, preciso entender melhor isso. E aí começam a vir algumas reflexões, não é necessariamente um problema de esforço, a gente via esforço às vezes muito, concentrado, mas sem aqueles resultados típicos desesperados.

Não é só um problema de nível escolar ou intelectual, parece-se apenas desinteresse. Há dificuldade, mas quem não as tem de alguma maneira, não devo julgar, mas o que posso fazer? Próximo, por favor.

Bom, meus pontos de partida, né? Desenvolver sensibilidade, empatia e paciência. Algum estudo sobre comportamento, psiquismo, escuta e investigação de algo fora do conteúdo das disciplinas, pois estamos lidando com gente.

e formá-los em todas as dimensões é o nosso trabalho, não é só o conteúdo da disciplina. A gente tem a responsabilidade, inclusive, da formação cidadã. E uma medida que recomendo aos colegas, professores, é abolir, de vez, o conceito de aluno bom e aluno ruim, porque esse é um reflexo da ordem meritocrática, de uma maneira...

Muito sério, eu me policio para não usar essa expressão mais. Então, esses foram meus pontos de partida. Claro que eles se conjugam a outros, mas a pergunta é suficiente. Próximo, por favor.

isso é suficiente. A gente tem uma, enquanto docente, tem uma trincheira, um trabalho multifacetado. E tem muitas situações que concorrem para dificultar essas reflexões mais personalizadas. Turmas numerosas, especialmente nos...

críticos anos iniciais, falta de preparo específico, nem suficiência de recursos humanos e materiais, para suporte de compreensão sobre o que é determinada condição, material, tempo, recursos técnicos.

uma heterogeneidade, às vezes, de conhecimentos prévios, falta de conhecimento prévio, problemas de saúde mental, de expectativas, cargas extra-classe também, gestão, pesquisa, orientação, preparo didática.

Então, todas essas coisas concorrem pelo seu tempo de dedicação a pessoas que precisam de atenção especial. Próximo, por favor.

E aí, assim, eu estou colocando mais problemas do que soluções, né? Então, assim, até por isso eu estou começando aqui a fala com as colegas que vão apresentar algumas tratativas, né? Que elas vêm... algumas iniciativas que elas vêm tendo...

em relação a como lidar com a condição dentro da universidade. As minhas sugestões são mais de ordem geral, mas eu queria ainda colocar mais duas coisinhas nos meus dois minutos restantes aqui. É que a gente atente também para um paradigma de múltiplos espectros dentro da universidade.

Às vezes não é só a questão do autismo, tem outras dimensões. Dois autistas no mesmo nível, no espectro, podem ter condições absolutamente diferentes, de ordem social, de outras vulnerabilidades, de saúde. E isso torna também a nossa responsabilidade maior.

Às vezes a gente tem alunos que nem autistas são e têm vulnerabilidades muito grandes. E ser justo é uma tarefa árdua que tem que ser buscada todos os dias. Então, eu deixo essa reflexão aqui. Próximo, por favor.

Então, o que a Universidade Federal do Ceará pode fazer? Sugestões de ordem geral. Eu coloquei uma lista aqui, ensino e formação, promover formações críticas interdisciplinares para compreender e enfrentar a complexidade.

Pesquisa e inovação, produzir conhecimento científico para iluminar decisões e soluções para problemas multifacetados. Extensão e impacto social, atuar junto à sociedade, dividindo, ouvindo, aprendendo. Gestão e governança, fortalecer políticas institucionais inclusivas. Compromisso com o futuro. Enfim.

São várias frentes, muitas dessas frentes já foram abertas, elas já estão funcionando. Na verdade, o fato de estarmos aqui hoje já tem, já prova que essas medidas estão acontecendo. Então, estamos aprendendo e todas essas ações fazem parte daquilo que podemos fazer. Próximo, por favor.

Bom, então, concluindo, a minha...

Última grande sugestão, que o primeiro grande degrau dessa escadaria é a sensibilização. Sem sensibilização, nada feito. E foi nessa perspectiva que nós implementamos um projeto, eu e alguns colegas, chamado Universidade Rima com Neurodiversidade, que é uma provocação. Na verdade, ainda falta...

um espaço para que essa rima seja efetiva. Mas acho que as portas estão abertas para que a gente tenha essa compreensão. Eu registro novamente cuidado com o preconceito que ora se estabelece.

de uma espécie de reação ao número de diagnósticos que vem aumentando, e a compreensão de que a gente tem muito a caminhar, muito a aprender, muito a pesquisar.

e muito a realizar nessa integração das pessoas autistas dentro da universidade e da sociedade. Então, agradeço novamente pela oportunidade e fico à disposição. Estava aqui, até me acalmei, com o tom de voz do professor tão calmo. Aí o meu contato...

Quando eu começo a falar de autismo, eu quase termino sem voz, que eu vou gritando, vou aumentando a minha voz, porque é como o senhor falou. Tem muito mato para tirar ainda. Tem muita pedra para quebrar. E eu estou nessa discussão já há pouco tempo, 13 anos.

Por causa do Thierry, como o senhor falou, a sensibilização às vezes vem em forma de nascimento de uma pessoa na sua família, nascimento de um filho, porque até então a gente era capacitismo, como a maioria, a gente passava e não viu diferente. E quando você tem alguém que você se importa, ele se transporta para um lugar que você enxerga mais longe, um olhar alargado para as diferenças, não só para o autismo, mas para o autismo.

para pessoas que estão em uma situação de diferença. E o senhor falou do mestre, que eu não vou me alongar, porque eu quero ouvir a Carla e a professora Gabriela, e o tempo corre, mas eu terminei até o doutorado, e um dos meus achados foi falar sobre narrativa de si, de pessoas autistas, o que os autistas estão escrevendo sobre si em livros. E aí foram quase 50 livros de...

de narrativas de si, de autobiografias, e a maioria deles falavam que o mesc ou a camuflagem, nos Estados Unidos, os dois termos. Até a minha professora disse, como é que você vai chamar na sua tese? Tem hora que você diz que é uma estratégia, e eu disse, eu vou chamar de operação. Como o autista, ele opera o mascaramento como salvo conduto na sociedade, para ele se manter vivo.

porque ele percebe que é violentado cotidianamente desde muito cedo.

E para ele não entrar naquela loucura da depressão, e muitos acabam entrando e nunca mais saem, porque chegam ao auto-extermínio, causa de mortes com autistas adultos, de suportir um que sabe que o outro não o quer por perto, acaba levando para esse lugar de auto-extermínio, e eu não estou vendo as discussões sobre isso. Parece que ninguém está sentindo falta deles. Nunca sentiram? Será que vão sentir?

Então, assim, quando eu começo a falar, eu fico muito importante. E o senhor trouxe uma paz. Mas, assim, aprendi muito. Depois eu quero até pedir essa apresentação para eu mostrar para a minha ex-orientadora, a professora Maura Cossini, que é lá da Unicino.

São Leopoldo, que foi onde eu fiz o doutorado, porque a gente fala muito sobre meritocracia e essa coisa da produtividade, e ela foca muito do individualidade, porque se eu só foco em mim, eu não me importo com o outro, o outro que se exploda. Como a gente está nessa tríade da produção, da competição e do individualismo,

Quando a gente vai falar de inclusão, a minha voz não chega até o coração nem a mente dessa pessoa, se ela está imbuída desse neoliberalismo. Então, a gente fica pensando em uma maneira de educar pessoas dentro desse terreno. Parece que a gente é uma gota e eles são um oceano, porque é como se a gente estivesse com uma pequena bandeira e eles vêm com tudo, com esse discurso mesmo do mais, do mais, da visibilidade, de quem fala mais.

do coach, e é tanto inimigo para a gente falar sobre respeito, singularidade, aprendizagem. É uma luta que eu não vejo que a gente realmente está bem no início, nós estamos com um pequeno facão cego tentando tirar o mato. É uma luta. É uma luta. Às vezes a gente cansa, eu recuo, eu como mãe que preciso trabalhar, estudar, porque gosto.

Gosto muito de pesquisar, né? Eu assisti toda a entrevista do doutor Salomão quando ele falou aquilo. Eu sou tão ética. Entrevistas por aí. É. Para não divulgar. E a minha professora até disse...

tese, vai escrever um artigo só falando do MESC e você vai trazer autores de pesquisa do ano passado para cá, a gente precisa combater com conhecimento a gente precisa combater essas narrativas que não trazem uma ciência e trazer a voz do autista porque você não passou quatro anos ouvindo autistas para depois outras pessoas vêm visibilizar, invalidar então assim Kim

É uma guerra, é uma luta acadêmica, intelectual, científica, que cansa, mas que eu vou ficar lutando incansavelmente enquanto pesquisadora e enquanto ativista da causa. Então, ficaremos. Agora eu vou chamar a Carla, a professora Carla Façanha, que foi minha colega, quando eu entrei, ela já estava no curso de biblioteconomia.

E aí eu fiquei, e aí ela voou, foi, ganhou seu espaço como professora, acadêmica, e essa novidade que eu não sabia, que eu vou ouvir hoje pela primeira vez, né? Deixa eu ler aqui um pouquinho sobre a trajetória da professora Carla Farsen, ela é doutora em museologia e patrimônio pela Unirio.

Ela desenvolve pesquisa sobre musealização e representação documental de ex-voto do Museu Vivo de Padre Cício em Juazeiro do Norte, Ceará. Fez mensagem em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba, onde desenvolveu pesquisa relacionada aos processos de representação de ex-voto do Museu Vivo do Padre Cício em Juazeiro, Ceará. E ela é professora...

atualmente da Universidade Federal do Cariri, UFCA, atuou como coordenadora com a bioteconomia no mesmo lugar. E é isso, Carla, somos só ouvidos. Boa noite. Primeiro também eu vou me autodescrever, né? Eu estou com uma camiseta...

cor marrom, cor de caramelo, né, cabelos ruídos, num tom pobre, um pouco abaixo dos ombros, né, estou com um cordão, né, com o símbolo do autismo, né, e tenho uma tatuagem no meu braço esquerdo também, né, e...

vou começar um pouco da minha fala, né, falando um pouco também da minha experiência sobre o autismo, e aí eu começo até dizendo que eu acho que eu e Gabriela ficamos na desvantagem, né, porque o professor Marques apresentou as problemáticas e a gente ia apresentar as possíveis soluções, né, mas a gente sabe que a gente vê muito mais, né, problemáticas, as dificuldades da inserção.

do autista na universidade do que, muitas vezes, a solução, né, as formas de ajudar, né, e a gente sabe que muita coisa está na utopia, ainda está na ideia, né, está muito distante disso, mas a gente vai tentar apresentar um pouco do que a gente consegue trabalhar, né, mesmo tateando ainda aí nessa experiência, tá certo?

se quiser pode apresentar já os slides, que a minha fala, né, é sobre um pouco da minha experiência também, que a gente combinou um pouco de trabalhar, né, isso vai estar logo no primeiro slide. Eu intitulei meu primeiro slide, né, falando aí do autismo e a inclusão no ensino superior, e coloquei três palavrinhas chaves, que seria o acolhimento, a inclusão e a permanência, né, que é o que a gente tanto vê na nossa experiência, né, não é só, né, permitir esse acesso, mas...

acolher, incluir e fazer com que ele permaneça durante todo o processo da graduação, que são os quatro anos aí. Pode passar. E aí nesse segundo slide eu vou falar um pouco sobre o autismo, o professor José Marques já falou, não vou adentrar em algumas questões, mas só trazendo essa discussão do espectro autista, o TEA.

alguns vão ver muito essa classificação, TEA, o que é o TEA, classificado como transtorno neurodivergente, que afeta o funcionamento cerebral, manifestando-se muitas vezes nas primeiras anos da infância, e geralmente sempre associado a um processo de comunicação, dificuldades.

de interação social, e esses processos o autista ele leva durante toda a sua infância e carrega aí quando ele chega nesse nível adulto, né?

seja suporte 1, suporte 2 ou suporte 3, né, comportamentos repetitivos, né, são comportamentos que algumas pessoas conseguem visualizar mais, aí, talvez, um suporte 2, suporte 3, né, hiperfocus e rigidez cognitiva, né, são alguns aspectos, algumas características que a gente consegue visualizar mais, né, em autistas também de suporte 1, né, é uma condição permanente, ou seja, não tem cura,

É...

é algo que afeta, como eu disse, o funcionamento cerebral, então não há cura e não há, né, e a permanência traz isso, né, no autismo e tem esse olhar também de ser da heterogênea, né, do aspecto, do espectro, então, como o professor Marques falou, não tem um autista igual, mesmo que ele tenha, né, sejam suportes um, né, então não vai ter um autista igual ao outro, né.

E aí eu trago um pouco, nesse começo, falar um pouco da minha experiência, né, dentro da docência e da minha experiência no autismo. Eu fui diagnosticada com autismo, né, há um ano atrás, eu tenho 47 anos, eu fui diagnosticada com 46 anos.

né, fez um ano já que eu recebi esse diagnóstico tardio, eu tenho um filho de sete anos que é autista, por isso, né, esse meu olhar interno, diante de algumas questões que a gente foi descobrindo, pesquisando, observando, né, no meu comportamento, e aí a gente foi fazendo algumas reflexões até, né, eu chegar a procurar, né, um psicólogo, fazer alguns testes e a gente chegar nesse lado tardio, e aí eu até coloco...

isso nas minhas redes sociais e também falo geralmente quando eu preciso expor alguma coisa do autismo, que eu falo que o diagnóstico tardio, principalmente no autismo feminino, que eu acho que isso é outro pano para manga que a gente consegue trabalhar também isso, né, como a Tatiana falou aí do MESC, então a mulher tende a mascarar muito, né, algumas ações, então a gente tem uma dificuldade muito maior de descobrir, né, de ser laudada.

E aí eu coloco muito que eu vivo, né, há um ano atrás, há um ano e meio, entre o alívio de não ser louca e o luto e a dor de ser diferente, né? Porque, no fundo, as coisas que mais mexeu comigo foi eu entender que eu tenho uma deficiência, que até agora eu não tinha, né? Há pouco tempo eu não tinha olhado nisso, e que eu sempre vou ser dependente de alguém, eu sempre vou precisar de um suporte, nunca vou ser aquela mulher...

livremente, independente, que em algum momento eu posso não ser tão forte e eu vou precisar de um suporte, de uma dependência, vou precisar de um tratamento diferenciado. Então, isso é o que mais mexeu comigo quando eu descobri o laudo.

do autismo aí há um ano e meio atrás, né, mas no decorrer da minha fala, porventura, em alguns momentos eu vou colocar um pouco dessa minha experiência, né, principalmente dentro da graduação, né, porque a gente recebe o laudo e a gente começa a olhar para trás, olhar para algumas ações nossas, esses olhares, né, que o professor, inclusive, José Marques falou, né, de...

que estereotipiam, estereotipizam esse autista, né, alguns olhares que eu recebi durante toda a minha vida, né, de chata, de preguiçosa, de antipática, enfim, né, de pré-potente, e que hoje, né, o laudo me fez me perdoar, né, em algumas ações, né, que eu mesmo me olhava, de acordo com a forma como era o católico.

Eu era categorizada, né? Então, eu consegui olhar e me perdoar em alguns momentos, né? E me perdoo hoje ainda nesse processo ainda, que é um processo ainda de cura que eu estou vivendo. Pode passar?

E aí agora eu queria falar um pouco mais, né, dialogar sobre como é que a gente vê como docente esse autista, né, dentro da universidade, né, em sala de aula, né, professor Matos colocou algumas problemáticas, né, que...

que o autista traz consigo, traz com a sua deficiência, e aí a gente vê hoje uma crescente presença de estudantes autistas no ensino superior, não só em níveis locais, mas em nível global, a gente fala com outros colegas docentes e a gente vê essa inserção na própria UFCA, a gente tem recebido alunos autistas, alunos laudados, a gente sabe que os autistas também estão na universidade muitas vezes sem laudo.

Então, a gente consegue ver isso no nível além.

nesse nível local, e essa presença, né, desses estudantes agora, né, laudados, né, participando, entrando na universidade, né, e aí eu coloquei algumas questões, por que, né, e o que que, por que que isso, né, por que isso agora, né, os diagnósticos estão mais frequentes, principalmente nesse autista, né, de suporte um, que é o, que é, na realidade, o autista que vai conseguir.

né, é vencer algumas barreiras e adentrar aos muros da universidade, né, esse autista do suporte 1, um pouco do autista do suporte 2, também desconheço autistas, né, com todas as suas dificuldades, o suporte 3, né, grande maioria às vezes são autistas não verbais, enfim, né, essa dificuldade de até entrar na universidade, então a grande maioria que a gente encontra.

realmente são autistas de suporte um, né, ou seja, pela frequente conversa, as informações e as políticas, algumas políticas, né, instituídas aí tanto no governo como na universidade, conseguem abrir espaço, né, para que esse autista consiga reivindicar seu espaço, né, dentro da universidade, então é urgente, né.

a gente pensar e discutir a necessidade de ambientes acessíveis e o apoio institucional, não só da Secretaria de Acessibilidade, mas das prós-reitorias, da reitoria, enfim, do corpo docente, dos centros universitários, enfim.

Então, por que pensar, né, para que pensar, para que discutir, para que hoje a gente está aqui, né, nesse momento discutindo sobre o autista na universidade, né, ou seja, para que a gente possa ter possíveis soluções, o professor Marques colocou, é grandes problemáticas, mas como é que a gente pode pensar, né, como docente, hoje eu penso como, né, como docente, né.

dentro da universidade, como é que eu posso trabalhar essa adaptação, né, dessa rotina acadêmica, desse meu aluno autista, né, que é tão diferente, né, de outro, de três, de quatro autistas que eu possa receber, como é que eu consigo trabalhar essa rotina e adaptar essa rotina, né, para o meu aluno que é típico e o meu aluno, né, que é atípico, que é um neurodivergente, que tem, né, que é autista, né.

E aí, como a gente pode pensar também em questões de sobrecarga sensorial, né, ruídos, luzes, multidão, a gente sabe que a universidade, ela é esse espaço, né, vivo, né, de comunicação, de barulho, de entra e sai, e muitas vezes a gente sabe que em algumas questões, né, para quem já...

convive com o autista ou conhece, né, sabe muitas vezes que ruídos e luzes e informações e transições de pessoas, de falas, podem prejudicar, inclusive, isso dentro de sala de aula, né, o desenvolvimento, enfim, né, a percepção do autista em determinados conteúdos que são, inclusive, dialogados em sala de aulas, né. E aí eu até coloquei alguns exemplos que veio...

Quando eu fui criar os slides, foi surgindo, né, eu pensei, por exemplo, a UFCA, a gente tem um refeitório, né, universitário, e a gente tem ambientes internos, e tem um refeitório, a gente tem, ela abriu um ambiente externo, né, então, os alunos conseguem comer também fora do ambiente fechado do refeitório.

E isso eu olho de uma forma bem diferente exatamente pela minha experiência. Por exemplo, eu não gosto de ir em restaurantes, o espaço fechado, e que tem muito barulho de prata batendo, de talheres batendo, batendo a conversa misturado com o som, a música ambiente ao mesmo tempo.

e a fala das pessoas ruídos de forma diferente no mesmo espaço. Então, muitas vezes o espaço aberto facilita para o autista, né, que tem uma dificuldade com ruídos, enfim, mais sensível a esse tipo de...

de situação, ele consiga conviver melhor, né, e estar na universidade como um espaço prazeroso, né. Trabalhos em grupos, né, é questão de comunicação social também, isso acarreta, às vezes, muito prejuízo com o autista, né, os autistas não gostam de se expor, é tanto que a gente já até já conversou sobre isso, inclusive no nosso bate-papo.

antes da live, né, essa neurodivergência e essa heterogeneidade desse espectro, ou seja, eu tenho, por exemplo, alunos que são falantes, são comunicativos, né, que às vezes a gente precisa puxar, até dar um freio para que ele possa falar, enquanto eu tenho alunos que são mais introspectivos, né, que preferem ficar calados, que têm uma dificuldade de comunicação, então, olhar, né, essas...

essas deficiências, essas dificuldades de trabalho, muitas vezes em grupo, de comunicação social, é imprescindível para que o docente possa, né, conseguir trabalhar com esse aluno, né.

Ansiedade também, saúde mental. A gente sabe que dentro do espectro autista, né, o autista muitas vezes ele vem com outras comorbidades, ele não vem só com o laudo de autismo. Muitas vezes ele vem com ansiedade, ele vem com depressão, ele vem com TDAH, né, ele vem com TOD. Então, ele tem outras comorbidades que não é só o autismo. Então, algumas outras questões podem funcionar nisso, por exemplo, ansiedade, né, e...

E aí ele ficar, por exemplo, com dificuldade de falar em público quando ele é solicitado, atividades de comunicação, por exemplo, que não tiveram comunicação prévia, né, então ele fica muito ansioso, muito nervoso, isso pode prejudicar, por exemplo, a fala, a avaliação de um professor, enfim, né, então é preciso ter esse olhar, ter um conhecimento mais amplo, né.

do autismo, para que a gente, como docente, consiga, né, trabalhar e dar essa atenção, né, mais específica a esse público, né, barreiras atitudinais e preconceitos, né, a Tatiana falou aí sobre ações capacitistas, palavras, eu recebi muitas, né, rótulos durante toda a minha vida, né, que eu fui levando e muitas vezes eu fui achando que eu era.

que eu era esses rótulos, né, então são atitudes de que, por exemplo, o professor Marques também até falou isso, né, a gente se complementa muito, que, ah, você consegue, se esforça mais um pouco, né, ah, isso é para escura, ah, né, então o autista, ele recebe muito, né, esses rótulos.

atitudinais, né, e esse preconceito. Então, são palavras e ações que a gente tem que se policiar, a gente tem que olhar e a gente só consegue trabalhar isso de forma plena quando a gente tem, a gente lê sobre, a gente tem acesso a esse conhecimento e a gente começa a entender, né, como é que isso se processa, por exemplo, no cérebro de um autista que funciona de forma diferente, né, de uma pessoa típica. Pode passar.

E aí eu trouxe só um conceito para a gente trabalhar a questão de acessibilidade e inclusão educacional, né, que muitas vezes a gente olha, pode olhar isso como sinônimo, né, ah, mas tem acesso, qualquer um pode entrar, né, então não é bem assim, né, eu acho que um complementa o outro, mas são...

conceitos diferentes, distintos, né, dentro desse contexto pedagógico que a gente vive aí no ensino superior. Então, ou seja, acessibilidade é a condição que você permite ter acesso, né, a percepção, a utilização dos espaços, né, os serviços de informação, com autonomia e segurança, ou seja, no ambiente universitário, vai além de como você pensa, talvez, por exemplo, de rampas, né, para algumas deficientes, pessoas com deficiência, dificuldade de mobilidade.

Enfim, mas abrange também a eliminação de barreiras digitais, comunicacionais, pedagógicas, isso é acesso. Mas existe também o conceito de inclusão, ou seja, que é o objetivo político e social.

vai além de só permitir o acesso, a integrar pessoas, grupos e ambientes, né, de forma plena e duradoura, né, fazer com que o autista, ele consiga ser, né, incluso, participativo, né, dentro dessa estrutura que é o ensino superior, ou seja, significa transformar a universidade para que ela acolha a diversidade, garantindo que o aluno não apenas esteja presente, mas ele esteja participante, né, aprenda de forma efetivamente no espaço universitário, aqueles...

possa contribuir também dentro desse espaço comunitário. Então, não é só permitir o acesso, né, mas é permitir também, como eu falei lá no começo, no primeiro slide, com que ele tenha essa permanência dentro desse espaço. Pode passar. E aí eu trouxe...

um outro slide falando um pouco sobre essa questão da inclusão educacional, desse tratamento diferenciado, que foi o que mais mexeu comigo quando eu recebi meu laudo, de eu me ver...

me olhar como uma pessoa que precisa de um tratamento diferenciado, que, na minha cabeça, capacitista, durante toda a minha vida, né, como se isso fosse um pontapé, né, como se isso fosse, sei lá, uma forma de me colocar na frente das pessoas, né, de permitir que eu entrasse no início da fila, como se eu tivesse tendo alguma vantagem em relação a outras mais pessoas, né, então isso é o que mais...

Mexeu comigo, eu trouxe essa questão da equidade, né, nesse, inclusive nessa figurinha aí, né, da necessidade desse tratamento diferenciado, então não posso, né, tratar o meu aluno autista da mesma forma, né, eu não posso dar para ele o mesmo suporte que eu dou, né, a um aluno típico, ou seja, quando a gente fala em autismo, a gente fala, né, numa pessoa com deficiência, né.

Então, que necessita de condições específicas para atuar sua autonomia nos espaços de aprendizado. Então, é preciso que ele seja autônomo em grande parte dos momentos. Então, pensar em acessibilidade e inclusão educacional, pensar fundamentalmente em garantir que todos os alunos, independente das suas condições, eu acho que isso vem também muito ao encontro do que o professor José Marques colocou naquela figurinha, das suas condições, sejam físicas, sensoriais ou intelectuais.

e que para ter igualdade em um universo de pessoas diferentes, é preciso tratamento, ações e serviços diferentes. Ou seja, aí a gente entra no conceito de equidade, que começa por entender as diferenças individuais e oferecendo recursos e oportunidades ajustados a necessidades específicas dessas pessoas, que são necessidades bem diferenciadas. Ou seja, equilíbrio para resultados justos.

E aí eu trouxe até essa figurinha, que é uma figurinha que a gente vê muito aí nas redes sociais, né? A questão de comparação da igualdade, da equidade, e aí eu coloquei até a questão da libertação, né? Ou seja, são os garotinhos vendo o jogo de futebol, cada um tem uma altura diferente, tem necessidade diferente.

tem ajustes diferentes, e aí eu coloco o mesmo, uma bancadazinha para cada um ver. Logicamente que quem tem a estatura mais baixa, a criança menor, não vai conseguir visualizar de forma plena o jogo como os outros. E aí, se o equilíbrio é a equidade, eu coloco todos.

no mesmo altura, para que todos consigam visualizar. Então, eu vou colocar dois cachorros para a criança menor. Então, é assim que funciona, né, pensar, né, nessas atividades e ações e políticas e atitudes dentro do espaço, né, da biblioteca ou do ensino superior. E aí eu coloco até o conceito também aí um pouco de libertação, que a gente, isso demanda também outras discussões, que é o conceito da gente eliminar certas barreiras, né.

para evitar, né, talvez em alguns momentos, uma dificuldade maior desses espaços. Então, a gente quebra, né, alguns espaços, algumas formas, para que a gente possa ter, né, esse processo de libertação. Pode passar ao ponto.

E aí a gente vem para alguns ajustes, né, que eu coloquei, dividi em algumas ações, essas dimensões, né, de acessibilidade do autista nessa educação, né, e aí eu coloquei até uma figurinha que, né, mostra algumas questões, né, do acesso, né, de formas de...

inclusive de trabalho, né, dentro do espaço de um laboratório, de um espaço dentro da universidade, e aí eu coloquei que para que a inclusão realmente ela seja efetiva, né, dentro desse espaço, né, de diversas, né.

frentes, eu coloquei alguns pontos que eu acho que são imprescindíveis, né, a questão que eu já coloquei também de atitudinal, né, eliminação de preconceitos, estigmas por parte de colegas e professores, né, a gente ainda encontro muito isso, né.

esse olhar de que será que o autista vai conseguir, será que ele vai ser tão inteligente, será que ele vai conseguir desenvolver essa atividade contra os outros, ele é mais despeço, ele dorme na sala de aula, ele se levanta, ele sai, então existe toda uma questão comportamental que precisa desse olhar mais aprofundado, do conhecimento que esse docente possa ter, para que ele possa olhar.

de forma diferenciada.

essas práticas de um autista dentro desses espaços universitários, que mexem com ele de todas as formas, seja assessorial, seja de outras maneiras. Há questão também comunicacional, que é o uso de recursos, e aí eu coloquei outras questões de libras de braile, que envolvem outras questões, outras eficiências, mas a audiodescrição, sistemas de comunicação também alternativa.

Alguns autistas têm dificuldade de comunicação, alguns autistas têm dificuldade de verbalização, ou são autistas não verbais, né, que conseguem ainda adentrar nesses espaços e que precisam desse sistema de comunicação também alternativa. Isso facilita esse processo comunicacional, né, essa interação do autista nesse espaço. A questão também metodológica, né, adaptação dos currículos, né, isso, isso, isso, isso...

É importante cada vez mais, até eu digo assim, que a gente tem esse autista, né, laudado pela acessibilidade, essa comunicação, para que a gente possa ter mais conhecimento disso e possa entender que cada vez mais a gente está recebendo autistas nesses prazos, para que a gente possa, quando for desenvolver um edital, um estatuto, um PPC de curso, que a gente possa pensar.

nesse aluno autista. Então, essa questão que envolve a metodológica, a metodologia da universidade, a adaptação dos currículos, quando eu vou pensar no PPC, será que eu penso que quando eu vou criar, sei lá...

O aluno tem que defender o TCC, por exemplo, no final do curso. Será que isso é uma habilidade que vai ser imprecidível? Porque aquele meu aluno autista realmente tenha que fazer esse processo? Não pode ter outra atividade, outra forma de extrair essa habilidade desse aluno, essa cognição desse aluno.

essa capacitação desse aluno, né, então pensar esses currículos, os PPCs do curso, né, de forma que a gente também possa visualizar esse aluno, criar estratégias para que ele possa, né, conseguir extrair o potencial, né.

E aí, formas de avaliação diferenciadas, né, eu tenho muito esse olhar também, né, de trabalho em equipe, às vezes é seminário, a possibilidade de você trabalhar sozinho, caso você tenha essa necessidade, né, então eu deixo muito livre essas questões de...

a forma como vai se trabalhar, essa questão de avaliação, avaliação, né, de uma forma a mais, e aí realmente a gente começa a trabalhar com um olhar mais de experiência, né, de como é que eu consigo observar esse meu aluno, como é que ele está absorvendo os conteúdos, né, como é que eu consigo extrair dele que ele realmente...

finalizou a disciplina, que ele tem capacidade de passar, que ele absorveu os conteúdos, mesmo que ele não tenha as mesmas respostas dos outros alunos típicos, né? Então, eu tenho que ter essa sensibilidade, né?

outras questões também, né, os materiais didáticos, eles não podem ser rígidos, eles precisam ser adaptados a esse aluno, né, isso a gente vai lá com o ensino fundamental, é dessa forma, e na universidade ela não é diferente, né, então, se aquele material, ele não dá conta, o meu aluno autista, ele não consegue trabalhar com ele, eu preciso adaptar esse material, né, então, os materiais didáticos.

seja que tipo de estratégia o professor for utilizar, se ele não der conta, se ele não for subvergênero, eles precisam ser adaptados, não podem ser materiais rígidos. A questão instrumental, disponibilidade de ferramentas e utensílios adaptados, teclados especiais, enfim, áudio, então isso precisa também ser trabalhado, ser pensado.

diante de algumas perspectivas de acessibilidade, né, das pessoas com deficiência. A questão do digital, né, garantia de conteúdos online, sites e softwares educativos, né, sejam navegáveis por tecnologias assistivas, né, que também é outra forma da gente conseguir trabalhar a permanência desse aluno no espaço da universidade. Pode passar, Tatiha.

E aí, aqui eu faço uma pergunta, né, e eu coloco a figurinha do apoio aí acadêmico, né, como é que a gente pode, né, um orientador, um professor, psicólogo, a gente sabe que a universidade oferece, né, esse tipo de assistência, né, seja o intérprete, a família, né, e aí como é que a universidade, ela pode apoiar? Eu tenho até um caso que eu queria relatar, uma experiência, né, a gente...

Eu recebo alguns autistas, então eu recebi, né, e eu tenho alunos laudados, alunos que defendem a causa, né, que partilham, né, que conseguem falar das suas experiências, e isso facilita muito, né, porque o conhecimento é partilhado dentro da sala de aula, então os alunos, né, os colegas conseguem entender e o professor também consegue.

compreender esse universo do autismo, né, e aí como é que eu coloquei algumas coisas, algumas questões, como é que a universidade, ela pode apoiar, né, então a inclusão da pessoa autista no ensino superior brasileiro, né, é garantida por um conjunto de leis, né, então são conjuntos de leis também que vão apoiar isso, né, que asseguram desde o ingresso, seja por cotas, né, de deficientes até a adaptação de provas e rotinas acadêmicas, né.

E aí eu coloquei a questão das universidades, sejam públicas, sejam federais ou instituições privadas, né, mantém esse núcleo de acessibilidade, né, nas federais a gente tem a Secretaria de Acessibilidade, mas outras universidades trabalham com esse núcleo, que é um órgão extremamente importante para trabalhar, né, essas políticas, essa inserção, né, de debates, de conteúdos.

discutidos aí dentro da universidade. E aí eu coloquei algumas leis, a lei de cota, que é a 13.409 de 2006, que permite aí os alunos com deficiência adentrar na universidade, é uma questão de acessibilidade, e aí depois a gente, por ela, a gente trabalha a questão da inclusão.

A lei 12.764, que é a lei Berenice Piana, né, que vai trabalhar, né, algumas questões também de tecnologias assistivas, de ajuda financeira, né, para questões de inclusão.

A Lei 13.000, que é a LBI, também 146, são leis que apoiam e que vão favorecer para que a universidade possa criar essas políticas, mas para se trabalhar no espaço, né? Políticas, inclusive, adaptadas à própria localidade, enfim.

E aí eu trouxe também a questão da acessibilidade do Enem, né, que às vezes, muitas pessoas às vezes desconhecem isso, mas o candidato pode solicitar um tempo adicional, né, sal individual, né, então muitas vezes o barulho entra e sai, né, o barulho de um ar-condicionado, ele pode interferir nesse processo, né, de...

desenvolver uma prova, uma prova tão cassativa aí, que é o ENEM, né, de algumas horas dentro do espaço da sala de aula, então ele pode, né, auxiliar, por exemplo, pedir auxílio de um leitor, de um transcritor, né, além de tecnologias assistivas específicas para a prova do ENEM. Então, a acessibilidade começa aí, né, nessas primeiras leis aí que conseguem trabalhar essa questão da...

de defender, né, alguns direitos do autista, né, possibilidades e talentos, eu também coloquei algumas questões assim, porque alguns autistas, eles têm hiperfóculos, a gente sabe, né, de algumas...

questões que mexem mais com ele, que eles gostam mais e que eles conseguem desenvolver melhor, então explorar esses hiperfocos, né, as áreas de interesse é muito bacana, né, e aí você consegue ter esse olhar mais sensível em relação a disciplinas, atividades propostas e colocar, né, essas questões mais diferenciadas para o aluno, né, atenção a detalhes, né, professor Marques até falou.

sobre algumas questões de observar e tudo.

Eu, como autista também, como docente também, sala de aula, né, eu sou constantemente bombardeada, eu estou dando uma aula e, ao mesmo tempo, eu estou pensando, né, será que o aluno está com interesse? O aluno não está com interesse, será que é porque eu não estou falando uma coisa que ele está entendendo? Será que a aula não está achada? Então, eu dando conteúdo e, ao mesmo tempo, esse pensamento rodeando, né, que rodeia a mente de um autista, né.

E aí você consegue, por tabela também, observar melhor o comportamento dessas pessoas, as feições faciais, né? Um vestido, um olhar, um olhar que devaneia, que vai para o outro lado, uma ação de sair e entrar dentro de sala de aula. Então, você fica tentando mapear se o problema sou eu, né? Que estou dando uma aula chata e eu fico me policiando e, ao mesmo tempo, eu consigo olhar e observar esse comportamento em sala de aula, né? Que não é...

uma vantagem do autista, pelo contrário, como o professor Marques falou, é algo que sobrecarrega demais. Eu estava até pensando aqui, o professor Marques estava falando, e eu estava pensando, eu vou começar a minha fala e eu vou estar bocejando, porque quando eu tenho uma fadiga mental muito grande...

E aí, isso se compara, né, quando a gente explica, a gente se compara com a fadiga de corpo. Quando você, sei lá, vai para a academia, você treina, seu braço fica cansado, sua perna fica cansada, ou você faz uma atividade muito pesada e você sente aquele corpo cansado. Então, eu sinto a minha mente cansada quando eu tenho uma sobrecarga maior. Quando, por exemplo, eu me exponho mais, eu falo em público, eu tenho, por exemplo...

hoje essa palestra para fazer, né, então eu estava com o professor Max falando e eu bocejando, bocejando, né, eu disse, não, eu vou já, se eu começar a bocejar, explicar, porque muitas vezes esse meu bocejo vem dessa fadiga mental, como se a minha mente tivesse cansado, né.

E eu tenho até alguns colegas que às vezes me chamam, a gente chama a gente para sair a algum lugar, e eu disse, olha, quando passam das 11 horas eu não sou mais ninguém, né? Aí às vezes eu levo um Red Bull para não ficar bocejando, para não achar que o programa está chato. Mas muitas vezes é porque minha mente já cansou, então ela começa a avisar que ela está com sobrecarga, né? Então muitas vezes isso acontece nos desafios que a gente enfrenta como autista na universidade, seja dando uma aula, seja um aluno, né?

recebendo isso e desenvolvendo uma atividade avaliativa. Então, esse olhar detalhista é imprescindível para que o docente consiga...

atender melhor esse aluno, né, explorar mais as potencialidades desse aluno, né. Criatividade, pensamento inovador, sempre está olhando formas diferentes, né, de trabalhar, de avaliar, comprometimento com tarefas e diferentes formas de resolver os problemas que vão, né, que você vai recebendo de cada experiência que você vai vivendo. Pode passar.

E aí, pensando em algumas questões, né, para que, né, esse autista, ele possa, né, ter, né, essa permanência nesse espaço, eu coloquei algumas questões de política de acesso, né, não só de acesso, mas de acesso e permanência, né, estratégias de permanência e apoio pedagógico, né.

Ou seja, o aluno tem direito a adaptações que visam reduzir barreiras sensoriais e comunicação, né? Seja fone de ouvido, então você tem que estar muito aberto a isso. Às vezes o aluno está em sala de aula, mas não está com abafador, mas está com fone de ouvido que tem bloqueador de ruído, né? Então, essas questões são bem relevantes, né? E aí, por exemplo, atendimento educacional especializado, plano de ensino individual, isso não é só no ensino fundamental.

A universidade também precisa ter essa atenção ao PEI do aluno, né? Mediação e monitoria, a gente tem monitores que trabalham com as disciplinas, então, essa atenção maior a esses alunos.

de tirar dúvidas, enfim, de organização de rotina acadêmica, integração dos trabalhos, ou muitas vezes esse processo de integração em grupos, em atividades de grupos, enfim, ações que são funções executivas, controle de estímulos, então é preciso que o docente tenha, além de conhecimento, ele tenha essa sensibilidade docente. Pode passar.

E aí eu coloquei um trechinho bem rápido de práticas, práticas, o que eu chamei de práticas docentes inclusivas, que é esse olhar, por exemplo, o docente tem uma comunicação mais clara e objetiva, ele programar, e isso o sistema da universidade, por exemplo, da universidade pública, conseguirá, ele já permite isso de forma antecipada, você colocar os tópicos de sala de aula, o aluno já saber se antecipar, quais são os assuntos que vão se debater.

ele se preparar previamente para alguma avaliação, atividade, né, nada de última hora, por exemplo, ele precisa ter essa questão do tempo, da rotina, né, planejamento visível das atividades, materiais organizados, né, respeito às diferenças, essa escuta ativa e esse acolhimento, né, essa disponibilidade de estar conversando muitas vezes com esse aluno, né.

combater os estigmas e incentivar a empatia, né, respeitar os limites sensoriais e sociais, né, e valorizar a diversidade neurológica que foi tanto colocada aí pelo professor José Marques. E aí, para finalizar, pode passar o penúltimo slide. Eu trouxe só uma frase para a gente fechar aí a...

a nossa conversa, né, a nossa troca de experiência, até disse que ia ser muito mais uma troca de experiência, porque é muito mais, a gente está muito mais aí tateando nesse espaço e tentando, né, encontrar essas soluções, né, essa inclusão desse aluno, do que muitas vezes efetivamente, né, isso de prática acontecer, né.

Mas eu coloquei aí que a inclusão não é apenas um estar presente, é sobre ter o direito de pertencer. Então, ele tem que tomar a universidade como dele, o espaço precisa ser agradável, ele precisa se sentir acolhido e ele precisa se sentir pertencente ao ensino superior, ao curso que ele escolheu para que ele realmente possa permanecer.

Pode passar, no mais, agora é só meu obrigado, né, eu deixo aí meu e-mail também, nos slides, para que alguém possa se interessar, trocar alguma ideia, né, a gente está sempre aberto, disponíveis.

depois eu vou até trocar mais ideias com o professor José Marcos sobre esse projeto, projeto de extensão, para que a gente possa trabalhar também e trocar essas atividades que são tão positivas, que acontecem, que efetivamente funcionam, para que a gente também possa aplicar aqui na UFCA, que a gente tem essa incidência.

de autista, né, no nosso curso, né, às vezes a gente desconhece, né, durante os outros cursos, a gente acaba atendendo muito a nossa demanda, mas que a gente realmente possa, né, ser docentes mais sensíveis, né, e abertos a essa neurodivergência, né, que o conhecimento, ele possa, né, nos tornar, nos tornar, né, docentes mais capacitados a lidar com esse tipo, né, com essa deficiência que é o autismo.

Carla foi como a Fórmula 1, meteu a quinta e foi. A gente sempre toma alguns pontos só para a gente fazer um bate-bola e depois já passar para a professora Gabriela, mas foram tantos os pontos que eu vou resumir assim. A gente tem tanta lei bonita e completa. No mestrado eu trabalhei sobre a legislação, né? O duro e frio texto da lei, porque não causa impacto nas salas de aula.

Porque a gente já tem as leis, elas vêm com esse poder de fazer o aluno estar dentro da sala de aula. O que a gente não tem, professora Carla, ainda, é achar o acesso para dentro da mente dos docentes, todos que eu falo, entender que a inclusão é algo que veio e não vai voltar mais.

Então, assim, eu falo muito com um aluno autista, muito no meu dia a dia, e tenho muitas amigas autistas que... Eu fiz uma live com a Joana, acho que foi em 2022, com a Karina, que é autista, irmã de autista, ela é artesã. Ela simplesmente passou em oito EFEM. Ela passava. Só que a universidade só colocava ela para dentro. Depois...

E ela não concluía porque era uma violência sensorial tão absurda, não tinha adaptação, e ela só foi concluir o ensino superior quando ela fez EAD, que ela disse assim, EAD é o colírio para mim, porque ambiente controlado.

atividade com previsibilidade, e eu nunca tinha tentado para isso, sabe? Que para alguns nunca vai ser possível permanecer três anos, quatro horas por dia dentro da universidade, porque nós temos umas trincheiras muito pequenas, tem a Tatiana ali no IFCE, tem a Carla, a professora Gabriela, o professor Marques, mas a universidade é um trem desgovernado com seus cronogramas.

e com suas atividades, com seu calendário fixo e duro, e como fazer com que esse discurso tem que fazer, se realize em todas as salas, em todos os cursos de uma universidade, como a Universidade Federal do Ceará, como onde eu trabalho, Instituto Federal, a gente mal tem tempo para saber um pouco sobre a vida do aluno.

Se você não se importa por aquela vida, você não vai se importar pelas... Como ele vai aprender? Precisa ter tempo e paciência para conhecer. E esse tempo de conhecer não está acontecendo, porque as aulas são tão rápidas.

e de repente no bloco 2 de repente no bloco 3 de repente e ele ele tem que se estruturar naquela velocidade que a universidade ela é ela é assim rápida célebre produtiva totalmente contra o discurso que a inclusão é que ela é singular pessoal e ela precisa de um tempo né outra coisa que você falou é que muitas pessoas dentro das universidades estão tentando levantar

essa discussão, fazer essa reflexão muito isoladas, muito sozinhas. A gente fala com um, legal, bonita, bate, todo mundo bate palma para a inclusão. Você nunca vai encontrar alguém e dizer assim, eu sou contra a inclusão. Sou contra, não. É moralmente aceitável, mas como que estão as tuas aulas? Me mostra o que tu está fazendo para tornar a tua aula mais inclusiva, mais respeitosa.

Tu publica sobre isso, cadê o conhecimento dos professores que estão criando suas estratégias de incluir, adaptando seu material? Esse conhecimento em sala de aula, ele se perde, por quê?

Eu não vejo, registro nas bases de dados, nos periódicos, dessas ações, desses movimentos isolados, nos periódicos. E conhecimento que a gente sabe, como bibliotecário, conhecimento que não é registrado, divulgado, não é conhecimento. Então, muitas vezes o que eu vejo são atitudes isoladas que ninguém nem sabe. Às vezes a sala do outro professor que está louco arrancando os cabelos porque chegou um aluno cego.

ou surdo, como lá no ISE, chegou um aluno cego para fazer telemático, foi um verdadeiro pavor. Como que a gente vai fazer com aluno cego que passou no curso de telemática? Parecia uma guerra civil. Então, a lei de 1996, a LDB já disse, é direito, é garantido, não tem mais o que discutir, ele vai entrar.

O professor que está perdendo tempo e não se capacitando, não se atualizando, muda de profissão, não vai ser mais docente, porque o desafio está posto, ele só vai aumentar, e cada vez mais, graças a Deus. Então, assim, eu sempre digo, o professor que ele não está, que ele diz que eu não estou preparado, eu não estou preparado, já tem 20 anos que a gente está nessa discussão sobre inclusão. Então, você tem que mudar de profissão.

né, porque não existe mais, a gente não aceita mais discurso de docente dizer que não está preparado, porque eu não sou docente, sou técnico administrativo bibliotecário, e eu me vi na necessidade de fazer especialização, mestrado e doutorado com isso na inclusão e na diferença, se eu, como dona de casa, profissional, mantive condições de me preparar, eu não aceito que um docente fale que ele não tem condição, porque tem, é interesse, não é isso?

Eu queria falar, perguntar para ti, professora, como que tu vê teus colegas docentes nesse movimento de buscar capacitação para que esse discurso saia do discurso e torne realidade em qualquer sala, independente, tem aluno que diz, tomara que eu pegue professor tal, porque professor tal, ele tem capacitação. Aí o outro não tem, então vai passar prova atrás de prova para mim. Ele não acredita, ele não legitima a minha deficiência porque ela não tem uma marca no corpo.

um signo invisível, e aí fica assim refém, se fosse o professor tal, ele ia ser sensível, mas como é o professor tal, eu vou sofrer. Então, assim, é sorte, inclusão é um jogo.

É porque, como eu disse, assim, como até o professor Zé Náquio falou, por exemplo, o autismo de esporte, ele ainda é muito velado, né? Eu até disse, olha, a gente tem autistas que se declaram autistas, mas você tem autistas que não querem se declarar exatamente pelo preconceito, de achar que ele não vai desenvolver, aí colocam, por exemplo, eu tenho, não, eu tenho TDAH, ai, professor, pensei que ele só tinha TDAH, né? Porque se esconde atrás de outros, né, de outras questões e que

tem medo de expressar que é um autista por achar que as pessoas vão achar que ele não tem aquela capacidade, né, e ainda é uma situação de muita falta de conhecimento, e os professores, eles não sabem agir, né, por exemplo, às vezes a acessibilidade, ela coloca, ela informa, por exemplo, a coordenação que vai receber o aluno autista, laudado e tal, tal, tal.

Se tiver alguma dúvida, nós estamos à disposição, não sei o quê, mas muitas vezes não tem essa iniciativa, né, de debater, de colocar isso, né, para conhecimento dos professores. E aí, entre as imensidões de demandas aí dos professores, tem muitas vezes, se desconhecem mesmo, né, como trabalhar, como agir com esse aluno, né, autista, e aí por isso que eu falei tanto às vezes em sensibilidade, porque muitas vezes vai para essa sensibilidade, né.

Eu até falei, por exemplo, na...

Na nossa reunião, antes da gente, para a gente alinhar, por exemplo, eu tenho um aluno, né, laudado, que inclusive é muito defensor da causa, se coloca muito, né, e que ele já veio de outro curso, que ele não teve, né, teve dificuldades de ser incluído, né, veio para a biblioteconomia, a biblioteconomia abraçou, né, ele está se identificando, mas, por exemplo, eu conheci muito mais dele pela família, pelo pai que me procurou, que tem meu WhatsApp.

que fala comigo, que me pergunta semanalmente como é que ele estava nas aulas, quando eu estava me chamando a disciplina para ele, por exemplo, semestre passado, como é que ele está, como é que está o desenvolvimento, ele está assim, ele está... Então, eu sei muito mais dele, porque ele me deu, ele chegou e me deu os lautos dele, olha, além disso, ele tem isso, ele tem aquilo, ele tem isso aqui, então, por exemplo, você tem que estar disponível a ouvir, por exemplo, também a família.

Então, eu sei muito mais desse aluno, muito mais pelo pai, pela família que me procurou, e que eu fiquei à disposição e continuo à disposição. Isso quando eu era coordenadora, coloquei a coordenação à disposição, e agora quando eu sou mais, eu sou professora, dentro da...

professor especificamente dele, né, e aí eu, por exemplo, eu conheci muito mais sobre ele, né, tendo acesso aos laudos dele, aos comportamentos dele, a forma como agir com ele, né, e abraçar toda essa situação do que muitas vezes, né, a própria informação da universidade. Então, às vezes o professor, ele precisa estar, né, com essa disposição, né, mas aí eu quero ter uma política da instituição, eu sinto muita falta. É muito raro, é.

É muito pontual, 2026 faz uma coisa, 2027 ganha... Então, assim, é preciso uma política interna institucional para que a gente ganhe mais força.

Mas é como você disse, por exemplo, quando você recebe um aluno com a deficiência visual, e aí todo mundo fica, porque não é rotineiro. A mesma coisa, a gente está recebendo agora essa demanda de autistas, então você vai se preocupar quando você recebe que você tem...

algo que você vê, que você chama de problema e que você tem que tentar resolver de alguma forma. E aí você vai tatear, vai buscar. Mas é como se a universidade não tivesse, realmente não tem políticas, para que possa trabalhar. E se o professor não sabe como adaptar uma metodologia, um material, é muito rígido em algumas avaliações.

não consegue abrir, até eu falei, inclusive, isso aí na fala anterior, a questão, por exemplo, quando se pensa em criar, por exemplo, um PPC, e trabalhar isso, você não pensa nesse aluno com deficiência que você vai receber, né? Como é que eu vou pedir para um aluno, sei lá, desenvolver um TCC?

trabalho de conclusão de curso, escrever, sei lá, 30, 40, 50 laudas, dependendo do tipo de dificuldade. Você se envolve as normas, citações. Eu estou coorientando uma aluna que nem é autista, ela é TDAH, mas ela veio tão assustada, tão assustada, chorou, porque ela disse que estava sendo passada de professor para... Ninguém queria orientar elas.

Aí eu ouvi falar, alguém assurviou que a bibliotecária tem conhecimento e inclusão, aí foi lá na biblioteca. E assim, muito machucada, você vê que ela vem de uma trajetória de muito medo. Tipo, se ninguém quer me orientar, é que eu sou ruim mesmo, né? Tipo, reforçando o discurso capacitista dentro da universidade em 2026.

Então, assim, esse catacal de lei, legislação, decreto que tem, que existe, ele não está fazendo um movimento de melhora dentro das universidades, porque o caminho não é só existência de leis. Muitos pais e familiares vão logo na justiça e abrem um processo contra a instituição.

Eu não sei se é o caminho mais eficaz a longo prazo, mas pontualmente causa uma revolução, né? Quando chega o processo, todo mundo... Ah, olha aqui, chegou. Uma família denunciou, mas eu acho que a gente não pode viver de denúncia, né? Carla, eu vou aqui falar um pouquinho com a audiência, né? Mandando beijo para você, o pessoal, o Jorge.

Rodrigo, Débora, Araújo, a Joana, Vinícius, a Islânia, que trabalha comigo, vai fazer uma dissertação sobre inclusão nas bibliotecas. A gente vai contaminando, viu, no dia a dia. Jorge, Rodrigo, Tiago, a Joana, dizendo que não vem a hora de ver meu livro, que ainda é uma tese. Vai ser livro, vai, Joana, eu falei. A professora Auli, Ária, o Manuel.

Manda beijo e está dizendo que está sendo uma noite excelente de trocas de conhecimento. E também eu queria dizer, muito corajoso da sua parte, falar hoje aqui na live. Eu sou autista, tenho muitas amigas, estão em processo de investigação.

E elas falam justamente desse receio, né? De como colegas, amigos vão receber essa notícia, se vão invalidar, se vão desacreditar. É um sentimento assim de vou ou não vou, diga ou não diga, eu abro ou não abro para o público.

E hoje você falou, assim, eu queria te perguntar se para você foi tranquilo, recebeu o diagnóstico, ok, sou autista, mundo, eu sou autista, ou teve aquele momento de ruminar, eu acho que eu não vou falar, eu acho que esse lado está errado, o meu marido, ele... O meu marido foi que me diagnosticou, antes. Foi, o meu marido, a gente recebeu o lado do meu filho, ele disse assim, esse médico não sabe de nada, vamos em outro.

aí ele eu disse rapaz tem dinheiro para estar pagando o euro não ele é autista aí uma disse assim minha filha o seu filho é tão autista ele vai no aeroporto aquela multidão de gente eu ia dizer assim o que a gente está ali clássico ali ele se convenceu então assim foi um sentimento difícil para o meu esposo para

Eu sempre... Ele é autista, ele vai falar para todo mundo que ele é autista. Hoje ele tem 15 anos, eu estou falando, quando ele tinha 4, 3, 5, aí ele não queria falar essa frase. O meu filho é autista, parece que pesava. Eu não sei se é mais para os pais, para as mães é mais tranquilo, não sei. Como foi?

Na realidade, a gente já vinha investigando, foi até tranquilo, o que eu disse que mais me pesou foi aquela coisa assim, eu vou ser para sempre dependente de alguém, eu disse essa carga vai cair sobre o meu esposo.

Mas, assim, a gente já vinha investigando algumas coisas, porque Isaac tem sete anos, que é o meu filho mais novo, né? Ou o do meio, né? Que tem sete anos. E a gente recebeu o laudo dele mais ou menos próximo de dois anos. Então, de lá a gente vem frequentando terapias e conversando com pessoas. E aí a gente acabou adentrando nessa questão, né? De algumas questões do autismo adulto. Então, a gente tem dois aspectos muito fortes do meu autismo, que é uma dificuldade de socialização.

né, e de rigidez cognitiva. Então, ao mesmo tempo que foi aquela coisa assim, ah, eu sou dependente, eu sou deficiente, veio uma libertação, né, de algumas ações que a gente tinha, que vai melhorando durante o tempo em relação, por exemplo, à rigidez cognitiva.

a não aceitar mudanças de rotinas, e isso às vezes a gente tinha um conflito, por exemplo, dentro de casa, né? Ou eu vou viajar, aí pronto, eu desabava, né? E aí, ah, porque eu não posso fazer isso, eu não posso fazer aquilo, ou então porque mudava de planos e eu ficava questionando, então parecia algo muito mais egoísta meu do que a minha deficiência, né? E com o tempo a gente vai...

vai convivendo com isso, vai entendendo, e tem o autoconhecimento também, né? Então, eu vou tentando, né, entender algumas questões e muitas coisas que a gente, que você até falou, né? Que o autista, ele se violenta, principalmente quando a gente vai trabalhar, se quiser depois fazer uma outra live sobre o autismo feminino, sobre essa questão do mesc, né? Você vai se violentando, né? Você vai tentando ser igual, isso aí aconteceu muito na universidade, né?

de você ser igual às outras pessoas, as pessoas fazem isso, por que eu não vou conseguir fazer isso, né? E aí, todo esse processo, mas está sendo um processo de autoconhecimento, de cura, e aí, como eu levanto muita bandeira sobre o meu filho, não poderia deixar de também falar e dialogar sobre, né?

Esse autismo, o autismo adulto, principalmente o autismo feminino, muito velado e muito... Que eu acho que talvez seja o que menos recebe diagnósticos, né? Principalmente dentro do esporte 1, né? O que é a mulher mais cara muito. Eu queria perguntar para o professor João Marques também sobre o diagnóstico dele, se ele teve dificuldade de revelar no ambiente de trabalho, foi tranquilo. Professor?

Ele vai já aparecer. Então, eu confesso que hoje eu provavelmente estou surpreendendo alguns dos meus alunos, provavelmente, que estão aqui, ou até colegas, né? Eu não sinto...

Eu não me sinto muito à vontade, no meu ambiente, de fazer as revelações, embora sim, é um sentimento meio contraditório.

Não tenho nenhum problema de me assumir como autista, é o que eu sou, essa é a minha condição, mas, ao mesmo tempo, eu conheço muito bem o terreno onde eu caminho. E, assim, entra um pouco no aspecto do... Quer dizer, na mesma lógica do masking, do mascaramento, que você utiliza para...

para melhor se passar dentro daquele contexto. E a omissão, eu tenho esse livro aí. E assim...

Essa questão da revelação é uma coisa complexa. Eu não tenho uma ideia 100% formada sobre isso. Em alguns momentos, eu me arrependi de ter revelado para algumas pessoas. Hoje, eu prefiro...

atuar discretamente sem me preocupar com isso, entendeu? Se, quer dizer, eu não tenho como deixar de me colocar em situações como essa. Eu estou aqui falando sobre o autismo, mas quem é esse cara para falar sobre o autismo, né? O que ele entende disso? Eu tenho que dizer.

mesma coisa no projeto lá da universidade, eu não podia propor o projeto, desenvolver, sem revelar que eu tinha, digamos assim, eu tinha condição de estar ali discutindo aquele... Verdade, a palavra é essa, o senhor tem autoridade.

É verdade, credibilidade e legitimidade. Mas, assim, eu não acho que seja um ponto fácil, né? E, assim, eu...

vivi boa parte, quer dizer, a maior parte da minha vida, eu tenho um diagnóstico há poucos anos. Eu sabia que tinha alguma coisa de diferente, não sempre soube. Tem um histórico familiar que me levava para uma outra dimensão, outro problema de ordem até mais complexa, que eu desconfiava, mas acabou que...

que se revelou nessa condição autista. Mas, assim, eu desenvolvi toda a minha vida numa estrutura e, de repente, lidar com essa nova conjuntura. A conjuntura foi de sempre, mas o conhecimento sobre a condição...

me colocou e me coloca até hoje em reflexões que às vezes eu não consigo me posicionar de maneira muito absoluta.

e estou sempre me colocando também às vezes no lugar do outro, o outro que me conhecia há tanto tempo e que me via de uma forma ou de outra, e agora tem um elemento diferente, mas na verdade esse elemento sempre existiu, e agora se toma consciência. É complexo isso aí.

Desculpa, não consigo responder de uma forma muito objetiva. Inclusive, algumas pessoas me questionaram, inclusive até meu esposo, disse assim, para que você quer esse laudo? Eu disse, porque se eu sou, eu preciso me proteger de alguma forma, em algum momento, isso vai ser útil. E aí eu queria até perguntar para o professor Zé Martins, que eu, por exemplo, se ele sente alguma...

Dependendo da... Eu não sei qual é, né? Em algum momento em que o autismo... Como ele se manifesta, né? Minhas questões são bem ligadas a dificuldades sociais. Então, quando eu me exponho muito, quando eu falo muito, e se eu tiver, por exemplo, algum atrito em reunião, sei lá, de curso, de alguma coisa assim, eu sinto alguns aspectos físicos e antes eu não sabia que era do autismo.

Eu sinto ânsia de vômito, eu sinto, às vezes, dor no estômago. Por exemplo, agora eu estou com uma leve enxaqueca pela exposição que eu estou passando aqui. Eu não sei se você sente esses aspectos, que eu ouço muito e falo de alguns autistas, mas eu nunca conversei diretamente com a pessoa. Esses aspectos físicos mesmo, uma dor de barriga. E eu sempre senti, por exemplo, ânsia de vômito durante toda a minha vida. E às vezes me falo, menina, tu é doente. Mãe, agora... Mãe, agora...

A senhora devia fazer um exame dessa menina. Essa menina vive com gastura, vive com vontade de vomitar. E hoje eu tenho pavor, ânsia de monto, porque eu passei a minha vida inteira sentindo essa sensação. Eu não gosto. Meu marido, inclusive, sabe. E meu marido até, um pouco do lado autismo, dizia assim, a marido devia ter sido médico, porque tu vive com esses mal-estar, vive com essas coisas. E aí hoje eu sei que isso é do autismo. Por exemplo, o Lauro foi libertador em alguns momentos.

para me entender isso, porque, ou seja, quando eu me coloco em situações muito de exposição, eu sei que eu vou sentir isso. Então, eu consigo me proteger, hoje eu consigo me avaliar e dizer assim, não vou entrar nessa agora porque, sei lá, eu estou sozinha, não tenho ninguém aqui, eu posso passar mal. Então, eu penso muito nisso, exatamente porque eu sinto aspectos físicos no meu corpo em relação a essas exposições, que às vezes eu não entendia, e hoje eu sei que é por causa do autismo, da exposição social.

E eu não sei se você sente isso, esses aspectos físicos no seu corpo. Tem algumas manifestações físicas, sim, não é essa exatamente que você descreve.

Mas a exposição para mim é um problema. Na verdade, as relações sociais são muito difíceis. Eu tenho uma ansiedade muito exacerbada com coisas muito pequenas.

E essa coisa da exposição, ela provoca algumas reações. Por exemplo, quando eu falo demais, e esse é um momento em que eu estou falando demais, isso tem uma espécie de ressaca, dá uma espécie de ressaca. Eu vou ser.

Às vezes, eu fico, em vez de bocês, eu fico sem dormir, sabe? Então, assim, eu tenho aquela ansiedade antes, no momento eu tenho ansiedade também aumentada, e depois eu ainda fico pensando naquilo durante muito tempo. E dependendo do evento, são meses antes. Por exemplo, o casamento de alguém da família, que eu sei que eu tenho que ir.

Eu sei disso com um ano de antecedência, a minha ansiedade já começou um ano.

É impressionante. E eu pensando, aqui e acolá, pensando naquele momento ali. Aí tenho que viver aquele momento ali, aguentar o tranco. E aí depois eu fico com aquele pensamento sistemático na cabeça de como é que eu me comportei, o que eu falei, o que eu fiz, o que eu não fiz durante não sei quantos meses. É um negócio impressionante. Chaqueca é uma coisa que eu tenho... Sim, eu não...

Uma parte da enxaqueca, pelo menos, eu acho que tem algum tipo de relação, sim, com o autismo, e foi, é um ponto curioso, porque...

Depois que eu descobri a condição e alguns sintomas típicos que eu comecei a reunir, com uma hipersensibilidade à luz que eu tenho, por isso que meus slides são escuros, porque eu não aguento olhar para o slide branco. Eu comecei a respeitar essa limitação.

E aí eu passei, por exemplo, eu uso quase sempre, eu estou de boné e na rua sempre de óculos escuros, eu reduzi mais de 50% a quantidade de remédio que eu tomo para enxaquejo. Você acha sensorial, né?

Então, assim, você falou da questão da importância do diagnóstico, eu acho que o diagnóstico é importante por várias dimensões. Essa é uma delas que eu estou colocando, porque você, de repente, começa a ver que tem algumas coisas que realmente são diferentes e que você precisa entender e respeitar.

E isso faz com que você se adapte melhor ao ambiente. Dos laudos que eu recebi, o mais difícil para mim foi o neuropsicológico, porque ele me colocou diante das limitações que...

eu sabia que tinha, mas eu não achava que eram intransponíveis. E, de repente, eu entendi que não era bem assim. E isso me pegou um pouco. Então, assim, teve a questão da...

daquele sentimento de pesar, de luto, tem coisas que eu não vou conseguir realmente fazer, embora eu já tivesse caminhado bastante na jornada. Mas tem coisas que eu ainda esperava.

alcançar e eu não acho que vai ser muito sofrimento para tentar lidar com isso. E tem a questão também do alívio, né? Tipo assim, você... Eu imagino que todo autista...

mais adulto carrega uma bagagem de culpa muito grande, porque as cobranças ao longo da vida são sempre muito grandes, tanto a dos outros como as suas próprias, por não conseguir fazer determinadas coisas, por não conseguir se portar como castor.

como você aprendeu que é o correto, que é o típico, que é o normal, pelos momentos, no meu caso, de...

alguns momentos que marcaram a minha vida, dos colapsos nervosos, os meltdowns e tal, que provoca muita vergonha depois, sabe? Você estourar, fazer coisas que, enfim, depois você se arrepende. Então, assim, você carrega muita culpa a vida inteira. De repente, você tem, com aquele diagnóstico...

Você começa a refletir, mas de repente foi porque eu tinha uma condição diferente e isso interferiu na forma como eu lidei com aquilo naquela época. Então você sente o alívio. Você passa a se perdoar. É uma dicotomia, porque tem um lado que...

que você sente esse alívio, e tem outro lado que você sente o pesar. E, no meio disso, vem as múltiplas dúvidas que vão irrigando o nosso dia a dia na busca de uma adequação. Gente, por mim, se o canal fosse meu, a gente podia ficar até meia noite, mas é emprestado.

O canal é da Dona Joana, eu acho. Eu queria dizer para o professor que foi uma aula para mim. Primeiro pelo tom da voz, que é muito calmo, sereno e tranquilo. Eu sou tão acelerada. Carla é do meu time. Depois a gente precisa tomar dois Dorflex, que não termina.

É porque normalmente eu não tenho... O professor tem um lado de você... Ele vai falando, você vê que ele está pensando na palavra que vai vir. A gente não pensa, né? Eu não penso. É o download completo que vem assim, ó. Enfim, eu vou terminar falando um gancho de que vocês falaram, que é perdão. Eu acho que eu li quase 50 livros escritos por pessoas autistas e eles terminam os livros dizendo assim, Agora me perdoar. Eu não sou a burra.

Eu não sou nervosa, eu não sou estranha, eu não sou um ET. Tudo que eu pensava sobre mim e que os outros também me diziam, eu não sou nada disso, eu sou autista e eu me perdoo. Eles falam isso, quem não é autista, como eu, diz que perdão é esse? Que perdão? Eles falavam muito se perdoar e agora começar essa jornada sabendo mais de si e sabendo mais de si eu me melhoro e eu me aprovo.

E aí o seu falou sobre isso, né? Se perdoar.

que é preciso se perdoar, mas nem fez nada errado, porque a gente é o tempo todo e ninguém nem quer te perdão para a gente, né? Então, está tudo bem? Está tudo bem. E obrigada, do fundo do meu coração, pelo esse tempo, pela disposição, pela exposição. Espero que as enxaquecas sejam leves. Eu espero também receber convite do professor para eu conhecer mais o projeto. E a Carla me convida para um café para a gente conversar.

Sim, claro Tudo bem? Edivan, faz uma foto bem bonita Logo eu que pintei os cabelos E esses braços da Carla aí Bota o braço É um hiperfoco meu, viu? A das grandes Talvez benefícios Com o hiperfoco ele é Controlado, assim, de certa forma, né? Então ele ajuda em alguns momentos

Mas eu preciso, eu preciso desses bracinhos, que o meu de sete anos... Meu autista de sete anos... O meu de sete anos é suporte 3, então provavelmente ele vai precisar de mim. Eu com 80 anos ainda... Eu não sabia, Carla. É, o meu é suporte 3, ele é não verbal. Então ele tem... Você está em esvazeiro ainda? Estou, estou. Graças a Deus. Amo o Juazeiro do Norte.

Ah, é? Ah, eu vou falar isso, porque todos que eu conheço vieram para Fortaleza. Não, mas eu estou aqui. Eu prefiro aqui a Calmaria de Joazeiro do Norte do que esse turbulência de Fortaleza. Não, mas eu estou por aqui, graças a Deus. Eu estou por aqui. Pois, venha, venha conhecer. Venha visitar o Padre Cícero, conhecer, seja bem-vinda. Quando venha por aqui, pode me procurar. Claro que eu vou.

Edson, você tirou a nossa foto? Tirei. Tatiana, a gente só se desculpar com o público que a gente teve um problema na conexão da professora Gabriela, mas aí fica o convite para ela voltar em outro momento e a gente fazer essa roda de conversa com ela. Não é isso?

A professora Gabriela está com a gente desde seis e meia, tentando conexão. O celular dela está danificado, então ela estava tentando entrar pelo norte, tentou várias vezes. Em nenhum momento ela deixou de mandar mensagem, só que eu dizia, eu não posso falar, eu estou ao vivo. Mas é um pretexto para a gente fazer um novo encontro, um novo tema. Vamos pensar.

E aí a gente faz um segundo, tá bom? Gabi, não fica triste. Tá jóia. Tô encerrando aqui então com a vinheta. Um beijo. Até mais. Boa noite. Um prazer. Obrigado, Aís. Pela oportunidade. Tchau, tchau.