Entrevista com Arlindo Veiga, a propósito da Conferência Internacional BIN@Cabo Verde 2026
NO "Repórter Morabeza" desta quarta-feira, o jornalista Selton Monteiro entrevista Arlindo Veiga, a propósito da Conferência Internacional BIN@Cabo Verde 2026 - Inovação nas Regiões Ultraperiféricas, organizada pela Uni-CV, que decorre de 7 a 8 de maio, na Uni-CV, na cidade da Praia.
Selton Monteiro
Arlindo Veiga
- Conferência Nacional de InteriorizaçãoInovação nas Regiões Ultraperiféricas · Universidade de Cabo Verde · Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto · Rede BIN
- Cabo VerdeRegião ultraperiférica · Experimentação em pequena escala · Agricultura e sensores · Tecnologias como drones · Inovação social
- Temas abordados no cursoInovação na agricultura · Mix de energias renováveis · Resíduos a produtos de valor agregado · Transição digital · Empreendedorismo tecnológico global
- Importância da participação internacionalContato pessoal e interação · Incubação de startups · Aceleração de startups · Soft landing para empresas · Oportunidades de cooperação
Bom dia, Nuno, bom dia à equipe da Rádio e bom dia a si, ouvinte da Rádio Morabeza. A nossa conversa é com o professor Arlindo Veiga, a propósito da conferência BIN Cabo Verde organizada pela Universidade de Cabo Verde. Bom dia, Arlindo, e obrigado por aceitar o convite. Bom dia aos ouvintes da Rádio Morabeza. E eu aqui agradeço o convite aqui para divulgar também um pouco o evento BIN Cabo Verde de 2026.
O que é esta Conferência BIM de Cabo Verde 2026? A Conferência BIM de Cabo Verde 2026, uma conferência, sim, realmente organizada pela Universidade de Cabo Verde, mas em colaboração com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que tem fomentado a criação de uma rede de investigadores, de académicos, de empresas, de startups.
para discutir temas que resolvem problemas das várias regiões. Até então tem sido um evento que decore nas Europas, nos vários pontos da Europa e no Brasil. É a primeira vez que tem um associado africano e é a primeira vez que realiza-se no continente africano e justamente...
aqui em Cabo Verde. Como o título diz, inovações nas regiões ultraperiféricas, obviamente por ter o centro da União Europeia. Cabo Verde é visto como uma região ultraperiférica e tentar trazer os conhecimentos, usar Cabo Verde como laboratório vivo de aplicação de investigações e conhecimentos que existem.
noutras regiões, neste caso em concreto na Europa. Qual é o objetivo desta conferência? Como o próprio evento BIN propõe, o evento BIN é mais amplo do que propriamente o evento, ou seja, este evento é apenas uma das atividades da rede BIN, propõe desenvolver uma rede internacional sustentável de parceiros de indústrias, de academia, investidores, incubadores, empresas e agências de desenvolvimento.
de forma a partilhar, apoiar as boas práticas de conhecimento, bem como promover a inovação aberta. E no caso em Cabo Verde, se formos ver o programa, as discussões vão acontecer em torno de economia azul e verde, desenvolvimento sustentável, também vamos falar sobre inovação tecnológica, nas várias discussões que vamos ter.
ao longo desses dois dias. Por que razão Cabo Verde e a Universidade de Cabo Verde foram escolhidos para este evento? A história vem de longe. Aliás, o evento BIN põe a academia no centro desta conexão dos vários parceiros, das indústrias, da academia, dos investidores e dos investigadores. Normalmente, os parceiros são parceiros académicos, ou seja, tentar usar a academia para fazer a ligação.
aos vários mundos de desenvolvimento. Cabo Verde, porque a Universidade de Cabo Verde é a maior universidade, maior academia em Cabo Verde. Temos tido um corpo docente que formou em várias partes do mundo e vários deles formaram na Universidade do Porto. Temos contacto com a Universidade do Porto desde a longa data, os vários cursos que desenvolvemos aqui. Uma oportunidade de mobilidade que aconteceu há justamente um ano.
lançou-se a ideia da Universidade de Cabo Verde ser um dos parceiros da Rede Ibin. Aliás, nós somos o último parceiro a aderir à Rede Ibin. Somos o quadragésimo parceiro, só para ver a quantidade de parceiros que fazem parte desta rede. A maioria, obviamente, da Europa, do Brasil. Cabo Verde pode ser visto como um espaço de inovação? Cabo Verde pode e devemos. Como...
Um espaço pequeno pode servir de laboratório vivo para experimentar coisas antes de se alargar a escalas maiores. Quando estamos a falar de inovações, estamos a falar de vários tipos de inovação. Em que áreas isso é mais evidente? Provavelmente, por exemplo, podemos fazer pequenos experimentos com a agricultura. Aqui, experimentar sensores na agricultura, experimentar a utilização de novas tecnologias como drones ou mesmo desenvolver...
usando produtos locais, ou mesmo a questão social. Quando estamos a falar das questões social, imaginemos que há um problema, comportamento de alunos nas escolas e que se quer experimentar uma nova abordagem, e por que não experimentar num laboratório vivo em que tem um impacto, se calhar, mais rápido, por sermos pequenos.
depois pode-se alargar a outras realidades maiores. Obviamente que na área tecnológica é mais evidente, é mais fácil o facto também de termos aqui já um quadro bem desenvolvido de capacidades, ou seja, pessoas qualificadas, comparando aqui com a nossa região, obviamente, em que rapidamente podemos implementar tecnologias bem avançadas, obviamente com a nossa escala, se calhar, não terá um impacto.
mas pode-se experimentar e depois escalar numa outra realidade, muito maior a nível regional ou mesmo em países com outra dimensão. Qual a importância da participação de instituições internacionais neste evento? Houve uma vez na altura da Covid em que se fez um bin online, mas pelas experiências que eles nos reportaram, o contato pessoal facilita conhecer pessoas, ter interação com vários parceiros.
A rede BIN não é só para eventos, eles promovem a incubação de startups. No Porto eles têm lá um parque tecnológico que dá um espaço reservado ao BIN, aceleração de startups, também um soft landing, empresas que querem vir para um país novo e não conhecem a realidade.
facilitam a transmissão e também ver oportunidades de cooperação entre os vários parceiros internacionais. Aqui, se calhar, por causa de Cabo Verde em concreto, é conhecer a realidade. Cabo Verde é um país pequeno, se calhar precisa de projeção. Trazer aqui parceiros internacionais que conhecem a nossa realidade, ver o clima, ver o ambiente de negócio, ver em termos de recursos humanos que temos disponível, pode ser uma oportunidade.
de criar negócios por aqui, que mais conviviam para expandir para outras realidades. Por isso eu acho que é interessante termos aqui parceiros internacionais. Quem pode participar? Qualquer pessoa. E a inscrição é de graça, não tem custo. No site do evento tem lá um formulário em que qualquer pessoa esteja interessada pode participar. Quem tem interesse em economia azul, quem tem interesses em questões de...
economia sustentável, quem tem interesse em empreendedorismo e inovação, quem tem interesse em sinergias azul-verde, conservação e utilização sustentável, sistemas complexos para territórios complexos, além das plenárias, temos também os que nós chamamos de action tank, que serão painéis de discussão em vários temas, como, por exemplo, inovação na agricultura.
o mix de energias renováveis nas regiões ultraperiféricas. Temos um tópico muito interessante que fala dos resíduos a produtos de valor agregado e também, obviamente, não podia deixar o caso de transição digital. E no final do evento haverá um painel de empreendedorismo tecnológico global. Qualquer empresa que quer vir assistir, fazer um pitch, apresentar-se aos vários parceiros internacionais que cá estão,
podem vir assistir, é aberto a todos, aqui já há uma série de empresas que já estão registradas e que podem vir ver o que é que se pode fazer, oportunidades de cooperação existem nas várias áreas. Não é apenas a área tecnológica em si só, mas em tudo que tem a ver com sustentabilidade, quem tem interesse na área dos ecossistemas, na área do ambiente, na área de...
economia circular, todos são convidados a virem participar no evento. O que os participantes podem esperar levar desta experiência? Muitos contactos desde já, contactos privilegiados, verem as opções que a Rede Bin dá em termos de soft landing para várias outras paragens, imaginemos que haja aqui empresas cabocardianas.
e querem saber como podem cooperar ou mesmo desenvolver para o Brasil, para os vários países europeus que fazem parte da rede BIN, mesmo tentarem explorar os seus negócios, apresentarem aqui vários exemplos de pessoas que participaram na rede BIN.
e que possibilitou, por exemplo, os contactos com instituições que nem faziam parte da rede DNA. Existem várias outras oportunidades que se abrem, podem ser exploradas a posterior. Obviamente, há aqui um potencial de oportunidades que dificilmente se pode explicar aqui em poucas palavras, mas o que eu aconselho é que as pessoas vêm com os seus próprios olhos, vêm cá, falam, interagem e veem a potencialidade que pode sair daqui.
Arlindo, muito obrigado pela sua disponibilidade. Eu é que agradeço e, então, a continuação de bom dia, voltem sempre, disponham sempre. Assim foi a nossa conversa com Arlindo Veiga a propósito da Conferência Internacional BINCAPVER 2026, que decorre de 7 a 8 de maio na Unicef, na cidade da Praia. Obrigado aos ouvintes e até a próxima.