Carmo Dalla Vecchia fala de preconceito em 'A Favorita', prazer gay e bastidores de teatro
No 'Maria Vai Com os Outros', Carmo Dalla Vecchia comenta fala de mãe em almoço com sogra, abre o jogo sobre relação com Celso Nunes e bastidores do teatro, relembra participação em 'A Favorita' e conta como assumiu o marido, João Emanuel Carneiro.
Maria
Carmo Dalla Vecchia
- Preconceito e aceitaçãoFalar sobre orientação sexual · Assumir o casamento com João Emanuel Carneiro · Reação da imprensa e do público · Ser gay no Brasil
- O Teatro Aramá e sua históriaTrabalho com Celso Nunes · O Estranho Casal · Processo de ensaio e verbalização · Direção difícil e impacto no ator
- Relacionamentos e traições homossexuaisFalar sobre o prazer do homem gay · Ser o 'viado da família brasileira' · Perda de público homofóbico como ganho
- Carmo Della VecchiaInício na televisão e par romântico · Participação em Dança dos Famosos · Criação de conteúdo no Instagram · Atuação em 'A Favorita'
- Programacao TelevisivaSonho de aparecer na campanha da TV Globo · Participação no Faustão · Dança dos Famosos com Cláudia Raia
- Paternidade e MaternidadeFala da mãe sobre o pai de João Emanuel Carneiro · Relação com a mãe · Paternidade de Pedro
- Abandono de apegos e vícios mundanosOrigem gaúcha e significado · Falar o que está na cabeça · Consciência aberta
Gente, Maria vai com os outros, vai com Carmo Dallavecchia. Só isso que eu digo pra vocês. Repete, porque é Dallavecchia. Hã? Dalla, é italiano. Gente, Maria vai com os outros, com Carmo Dallavecchia. Tá? E agora eu vou conversar com ele com a câmera desligada. Talvez a gente, inclusive, se veja.
Quem que disse que café com vinho do Porto não combina? É. Essas regras do que foi combinado. E você que tá... Eu não tenho moral nenhuma. Não, e chimarrão aqui em Portugal? Não tem lógica. Quem disse que pode? Não, não pode. Você sabe que eu fiquei com medo de trazer erva mate no voo.
E depois pensar que era tóxico e querer não me deixar entrar? Eu acho que se bobear não pode nem na Constituição. Não. Depois de três anos do Maria Vai Com Os Outros, eu acho que já deu pra perceber que uma das melhores coisas desse programa é trabalhar e matar as saudades dos meus amigos.
Eu conheço o Carmo há mais de 20 anos. A gente tem fotos juntos até no meu casamento. Da série Engraçadinha, que foi a sua estreia na televisão, até hoje, passando por uma novela em que a gente fez par romântico, o Carmo se tornou pai do Pedro, fez inúmeros trabalhos importantes, participou de dois Dança dos Famosos, assumiu o seu casamento com o autor João Emanuel Carneiro e aí
e virou um dos criadores de conteúdo mais legais do Instagram. Com vocês, o meu gaúcho preferido, o desabrido Carmo Dalla Vecchia.
Eu não consigo muito me ver não, sabia? Eu não me vejo. Mas eu hoje em dia vou te dizer que eu não me vejo porque... Por exemplo, outro dia eu tava reprisando uma novela minha que eu tinha 20 anos e eu olhava e falava, gente, quem é essa pessoa? É como se era outro mundo assim. Fora que eu fico com um pouco de saudade da pele. Aí eu vou ficar... É, fica? Fico. Ai, eu não fico. Eu fico tão feliz de não ficar. Mas é que você, amor...
Você é uma categoria, assim, você é tipo uma beldade, né amor? Você é uma categoria galã, né? Você tem uma... E o homem fica galã forever, né? É, entendo o que você quer dizer. É verdade. Eu entendo o que quer dizer. As pessoas acham charmoso o ruga em homem, né? As pessoas acham charmoso o cabelo grisalho, né? Pô, quantos metros você tem?
1,88m. 1,88m, olho claro. A pessoa que tem 1,88m, olho claro, não devia nem estar falando pra você. Não. Não devia nem ser sua amiga, inclusive. Sou contra. É, eu entendo. Você sempre quis ser ator? Não, porque eu morava no interior do Rio Grande do Sul e não existia como, né? Eu fazia Faculdade de Educação Física.
Qual cidade? Santa Maria. E o gaúcho, como o meu marido fala, é um povo desabrido. O que quer dizer desabrido? Fala o que está na minha cabeça. Fala. Gente, eu sou desabrido. Tem um consciente aberto. Fala.
Fala, fala. Nunca te ouvi, eu vou usar muito isso. Fala, fala. Se você conhecer a minha mãe, você vai dizer, eu não acredito que ela está dizendo isso. Minha mãe faz... Eu tenho cada história para contar da minha mãe, que é inacreditável. Ela é um super personagem. Não é que ela é um super personagem. A minha mãe fala coisas e você diz, ela não está falando isso. Teve uma vez.
no encontro da minha mãe com a mãe João. Mãe do João, uma mulher contérrima, intelectual, Lélia Coelho Frota. Eu vi ela falando em alguma universidade. Alguma coisa de passeio que eu falei, gente, cabeçudona. Uma vez ela estava almoçando com a minha mãe. E aí eles estavam sentados na mesa, eu não estava. Eu estava gravando e o João estava sentado na mesa com ela e eles estavam comendo alguma coisa. O nome do meu pai era Osmar. Aí deu um silêncio na mesa. Aí do meio de silêncio a minha mãe disse assim...
O Osmar não funciona mais. Eu falei pra ele tomar Viagra, mas ele não quer. Na hora que a minha mãe foi embora, que a Lélia se despediu do João, ela bateu no ombro do João e disse... Força, meu filho! Não é maravilhoso? Ela fala rodriguiana. Você disse, pra onde que ela tirou isso? Ninguém tava falando de sexo. Por que ela tocou nesse assunto? Uma fala rodriguiana.
Depois de 18 anos de psicanálise, muita psicanálise eu fiz, eu acho que me tornei uma pessoa que teve a necessidade de falar, porque durante muito tempo foi muito contido por não pode falar, né? Sobre a questão da orientação sexual, mas não só sobre isso não. Falo isso no âmbito geral mesmo, assim. Então hoje eu me vejo na necessidade, e eu aprendi isso.
com o pai do seu amigo, o Celso Nunes, com o pai do Gabriel Braga Nunes. Você nunca trabalhou com o Celso? Porque o Celso era tipo... Não, vou te dizer por quê, foi um pesadelo trabalhar com o Celso. Você trabalhou com o Celso? Trabalhei, ele dirigiu O Estranho Casal e foi muito difícil trabalhar com ele.
Tem que ter mesmo, ele é muito difícil. Eu trabalhei com ele e ele... Eu aprendi com ele que se eu não verbalizasse o que estava passando na minha cabeça no momento de ensaiar o espetáculo, aquilo não é que deixaria de existir para o outro, para o espetáculo, aquilo deixaria de existir para mim.
Isso que foi muito foda que eu aprendi com o Celso, porque o processo foi tão difícil com ele que eu tive que me posicionar de uma maneira, não, estou fazendo isso por causa disso, disso, disso, então nesse momento tem que ser isso, tem que ser isso, tem que ser isso, isso, isso, isso. Porque o Celso, ele... Repete de novo, só porque eu já... Muita erva, muito chimarrão que eu tomei na vida. Outro tipo de chimarrão, mas enfim.
Entendi. Se você não falar o que está te passando na cabeça para outra pessoa, eu estou falando de um processo de ensaio, mas isso é para a vida da gente. Não é que aquilo vai deixar de existir para outra pessoa, vai deixar de existir para você. Porque o pensamento é fluido e você tem trilhões e milhões de pensamentos durante o seu dia.
E às vezes você não toma nota, às vezes você não anota, e aquilo simplesmente deixou de existir na sua existência. Você não lembra o que você pensou, você não sabe daquilo. Quantas vezes uma pessoa do seu passado diz pra você lembra que aquela vez você falou tal coisa e você dizia isso e isso? E você diz, eu? Sim. Eu encontro pessoas, colegas da minha escola, aí as pessoas olham pra mim e dizem assim, você lembra que você falava que você ia ser ator?
Eu digo, eu? Eu nem sabia o que eu queria, você estava falando isso. Eu falava que ia ser ator? Você falava, e olha, você chegou lá, você foi ator.
Isso é? Não lembrava. Mas então, Celso, a gente trabalhava e eu tinha acabado de fazer a favorita. Celso olhava e dizia assim pra mim, engraçado, pelo sucesso que você tem, você é quase deprimido, né?
Olha, foi difícil! Foi difícil! Então, naquele... E aí eu me lembro que eu tava produzindo espetáculo, né? Eu tava produzindo aquele espetáculo... Você escolheu ele, você tipo... Eu não queria fazer espetáculo, porque era minha empresa, com meu ex-marido, que tava produzindo espetáculo, e eles queriam que eu fizesse espetáculo, e eu dizia, eu não quero fazer comédia, eu não sou engraçado, porque que eu tô fazendo aqui, eu não quero fazer isso.
Eu acabei fazendo o espetáculo, a gente ficou em cartaz três anos e meio, o espetáculo dando super certo, só parou de desistir, porque eu cansei de fazer. Mas eu dizia, eu não sou, por que eu estou fazendo aqui? Eu não vou. E aí a gente começou a ensaiar e eu ficava na dúvida, será que eu vou conseguir fazer isso, gente? Será que eu vou conseguir fazer isso? Nossa, de segurança, eu já estou. Por que eu estou fazendo aqui um personagem gigantesco?
Aí teve um dia que a gente ensaiou, e naquele ensaio eu disse, eu acho que vai rolar, eu acho que vou conseguir fazer.
Só que eu fui muito expansivo, esbarrei num móvel, não sei o quê. Terminou o ensaio, ele bufava de ódio de mim, de raiva de mim, ele bufava. O olho vermelho. Eu não entendo um ator como você. Eu só entendo um ator que entende código, que trabalha com símbolos. Eu nunca trabalhei com uma pessoa igual a você. Ele acabou comigo. Esse personagem do seu está muito bom, você está fazendo muito bem esse personagem. Acho que você nunca fez esse personagem.
Ele destruiu, ele me destruiu de uma maneira muito violenta, muito, muito, muito violenta. Mas ele é tão bom diretor, apesar de ser uma pessoa extremamente difícil, que às vezes eu tenho a sensação de que ele fez isso justamente para eu tomar o próximo passo, que foi o que eu fiz.
Quando ele fez isso comigo, nós estávamos, sei lá, 20 dias da estreia, eu voltei no próximo ensaio, porque isso foi numa sexta-feira, eu voltei no ensaio na segunda-feira. E aí, o que acontece? Eu voltei para o ensaio dizendo assim, então, sabe aquela marca que você tirou? Vai voltar. Essa piada que você colocou aqui não é boa para mim, eu não vou fazer. Nesse momento aqui vai acontecer tal coisa e tal coisa, porque isso aqui é melhor para mim e isso aqui eu não gostei.
Não vai ser assim, pô, eu era o produtor. Por que eu estava sendo obrigado a levar tanto tapa do diretor? Claro, e aí você...
Aí ficou amarradão. Eu era o dono da casa. Na história, é uma história que deu muito certo. Jack Lemmon e Walter Mattel, o estranho casal, que conta a história de um cara que é dono de um apartamento, e eles estão num jogo de pôquer com os amigos, e liga a esposa de um amigo que ainda não chegou dizendo olha, eu terminei com ele e saiu pra se matar.
E como saiu pra cima da... E aí esse cara bota com pena dentro do apartamento, e esse cara que bota com pena dentro do apartamento é um mala, é um cara com todos os toques, é um cara chato pra caramba. Eu acho que talvez o Celso tenha feito isso naquele momento pra eu me sentir o dono do apartamento, o dono da casa, o dono da situação. E eu voltei realmente dizendo, então, é assim, é assim, é assado, não vai acontecer isso, não vai acontecer isso, não vai acontecer...
Ah, hoje a gente precisa terminar o ensaio mais cedo, isso pra mim não é bom. Eu acho melhor o ensaio não terminar tão cedo, não.
Então foi um cara que te marcou profundamente. Me marcou profundamente. E te destravou uma fase do videogame aí. Foi. E fez eu ter a certeza de que se eu não falar aquilo que me incomodou quando você fez determinada coisa ou numa cena, se eu não verbalizar, eu estou fazendo isso, essa pequena conversa do dia a dia que a gente tem, que às vezes a gente não fala, tem que falar.
O meu sonho era aparecer na campanha de final de ano da TV Globo. Sim. No ano que eu fiz o protagonista de novela das oito, foi um ano em que a campanha de final de ano era assim, as pessoas mandavam vídeos caseiros de casa, na época do VHS, vídeos caseiros de casa... Que foi uma das mais legais. Para a TV Globo editar, ou seja, os atores da emissora não apareciam.
E eu disse pra Cláudia, Cláudia Arraia, pô, Cláudia, sacanagem. Justamente no ano que eu tenho a chance de fazer campanha de final de ano. Eu queria ter aquele galerão. Na chance que eu tenho de aparecer, os caras fazem esse negócio de mandar uma fita VHS e essa campanha de final de ano. Cláudia guardou a informação. Eu amo. Fui gravar, fui gravar Faustão ao vivo.
Cláudia Raia, no meio do programa, a novela bombando, a Cláudia Raia no meio do programa, ele diz para o Faustão assim, Faustão, o Carmo tem um sonho que a gente poderia ajudar a realizar. Porque o sonho dele era cantar a música de final de ano da TV Globo para o Brasil inteiro. Então vamos dar essa chance para ele, vamos botar... O Faustão me bota no meio do público e eles começam a tocar a música do final de ano da TV Globo e eu cantando sozinho, junto com toda a arquibancada. Eu só olhava para o Cláudio e fazia assim, ah.
E depois, não satisfeito, porque eu tinha participado de Dança dos Famosos. Ele fez eu dançar com... Gente, você fez dança dos... Você é muito louco. Como é que você fez Dança dos Famosos? Ele fez eu dançar. Ele fez eu dançar com a Cláudia Raia. A música de final de ano da TV Globo, em ritmo de samba, em ritmo de valsa, em ritmo de tango... Não, não, não, peraí, peraí, peraí. Você juntou... Isso aí, isso aí, isso aí. Espera aí. Você fez.
A dança dos famosos com a música de fim de ano. Foi, em vários ritmos diferentes. Vários ritmos diferentes. Eu queria matar, claro. Sempre eu olho para ela e disse um dia eu vou fazer ela pagar um mico também. Eu tenho que me vingar de alguma forma, eu não sei como. Eu não sei como que eu posso me vingar, mas eu tenho que fazer alguma coisa. Ela não precisava. Olha que sacana. Eu vou sair do meu Deus desse Google agora. Vou botar nos stories. Olha que sacana que ela foi.
Muito bom! Você acha que a favorita foi tipo o seu...
Foi muito difícil. Porque você mandava muito bem. Não, foi... Eu acho que é uma das novelas que eu mais gostei de fazer. Eu amo a Márcio, favorito. Que pra mim foi Cobras e Lagardos. É porque a favorita é uma história muito especial do João, né? Mas pra mim foi difícil demais, Maria, porque eu tava sendo lançado com um personagem muito grande, sendo casado com o autor da novela, numa época e num universo que todo mundo queria largar essa fofoca na imprensa.
Todo mundo queria comentar, dizendo, ah, o cara é casado com o autor da novela, ele tá fazendo um personagem grande na novela.
Gente, mas isso aconteceu a vida inteira. Com as mulheres. Pelo menos alguma coisa a gente tem que se dar bem, em alguma situação. Palmas. Acabei de dar uma... Palmas pra vocês. Eu tô pra gravar. Eu nunca dei pras pessoas certas nesse sentido. Tá, tá vendo? Não me beneficiei desse negócio, mas agora...
Entendeu? Não, mas uma puta saca... Não, um absurdo. Mas é que isso sempre rolou com todo mundo. Sempre. Por que é errado, entendeu? Você fazer uma novela do João... Todas as mulheres dos diretores sempre fizeram novelas dos diretores. Aí eu me senti... Mas é que pra mim não era só a questão de estar fazendo. Era a questão de ter essa imprensa que tava querendo chupar meu sangue ali. Sim.
Então a primeira entrevista que eu fui dar foi uma entrevista que, então, você já teve, foram direto no ponto. Aí eu me fechei, nunca mais dei entrevista pra ninguém, mas pra mim foi difícil, porque era meio uma prova de fogo. Sim, não, claro que é difícil. Esse julgamento, o fato de por que você está ali, a sorte é que a novela foi um sucesso e que eu fui absorvido por diversos outros autores da casa.
foi eu olhar você nas redes sociais como um comunicador muito importante. Como é que foi isso? Eu tinha passado muita... Eu acho que o nascimento do Pedro tem a ver, mas tinha passado a pandemia também. E tinha o fato de eu querer falar sobre esse assunto há muito tempo. Eu, durante um tempo, eu vi que tinham me colocado num escaninho, assim, e eu dizendo, não quero participar desse escaninho, não quero ficar nesse lugar que as pessoas me colocaram. Eu acho mais importante ser eu.
E eu acho que nada melhor no mundo do que ser eu. E poucas pessoas iguais a mim têm coragem de dizer quem elas são. E eu tive essa necessidade. Aí eu ia conversar com pessoas no nosso trabalho e as pessoas olhavam para mim e diziam, não faça isso, não faça isso porque se você fizer isso você não vai trabalhar mais.
É, rola essa... Só que essa pessoa que vinha falar isso pra mim, eu nunca sabia se isso era preconceito desta pessoa ou se isso era um fato. Porque entre nós, atores, entre os diretores, entre os autores, eu vejo uma vontade de falar sobre o tema. Mesmo porque muitos de nós são como eu.
Tem um pensamento mais fora da caixinha, né? Mas a gente não é representativo de todas as pessoas do nosso país. Vamos dizer que a gente mora ou faz parte de uma bolha pelo fato de morar no Rio de Janeiro, pelo fato de ser artista, pelo fato de ser ator, pelo fato de talvez ter lido...
alguns livros a mais do que a... Sei lá. Não quero parecer presunçoso também, não. Mas eu tive uma necessidade de falar sobre o assunto. E aí eu fui fazer o Dança dos Famosos de novo, com o joelho operado. Gente, isso aí, depois a gente vai ter esse outro... Júlio, meu Deus. Isso aí é a pessoa que eu gostaria de ser. Porque eu me julgo dançando em festa. Eu tenho o tempo inteiro um superego, assim... Nossa! Ah, não, não.
Eu tenho uma vergonha e no fundo tudo que eu queria era... Eu olho para os danços dos finales e falo, gente, essa pessoa... Jovem teve alta da análise. É o pensamento, deixa eu pagar um mico com coragem, né? Foda-se que eu estou pagando um mico, estou feliz aqui, sou eu. Esse sou eu, essa merda aqui sou eu. E Carmo, o que é pagar mico? Você entende? Essa é a grande virada para mim. É tipo assim...
O que é chique? Ah, cinema é isso aqui, aí novela, não sei o que, aí danças famosas é o que? Não, gente. Chique é ser feliz, chique é fazer o que você tem vontade. É, fazer o que você tem vontade. E é um super desafio. É um desafio que independente de você achar chique ou não, você chegar lá, sair aquilo e dizer caraca, é toque...
Toque, toque, você sai dançando, sendo que não é sua profissão. Não, é uma ralação na facina. É uma ralação. Quando eu fui fazer a segunda vez, eu tinha operado meu joelho. E eu tava passando por um processo muito difícil pra mim ali. Que talvez o tempo, cirurgia bilateral de menisco, eu tava todo ferrado. Eu ia dançar, meu joelho virava uma bola. Meu melhor amigo de infância já tinha falecido de Covid. E aí eu fui dançar We Are Family.
We are family. Aí eu cheguei pro João e disse, então, João, eu vou falar que eu sou gay. Tudo bem? Tudo bem.
Cheguei para a minha família e disse, então, estou pensando em falar aí. Abri, falar. Porque era um assunto que eu nunca tinha falado publicamente. Geralmente, quando eu dava entrevista, era para falar sobre trabalho. Tudo bem? Tudo bem. Tem certeza? Tem. E aí volta com o Celso Nunes, né? Porque se você não fala... É, se você não fala, você não é. Tem que manifestar através da voz. Eu acho que a própria Bíblia fez a palavra, sei lá o quê. Caraca, foi longe agora. Foi longe, mas é que fala do poder da palavra.
De você manifestar aquilo, de você dizer. E aí eu falei... Eu fui dançar We Are Family e eu falei, então, eu queria... Essa música é uma música que foi uma homenagem, que fizeram tal e tal, e eu queria mandar um grande beijo pro meu marido, pro meu filho. E não avisei a produção. Não acredito. E foi o primeiro programa sem o Faustão. Foda. O Faustão tinha se machucado no dia anterior, sei lá o que tinha acontecido, foi o primeiro programa que o Faustão fez.
E aí, quando eu falei isso, o cara ficou me olhando, tinha uma passinha, mas eu disse que você não estava no script, mas falou isso? E aí eu falei sobre isso e a gente ficou aguardando. Tinha sido gravado o programa um mês depois e eu ia ao ar. O João falou mesmo, eu falei. Não, você está brincando, você falou. Falei. Aí quando a gente foi assistir, no dia que foi ao ar, quando eu olho, sabe aquelas letrinhas que passam embaixo na Globo News?
Você está falando assim, você está falando assim, você está falando assim.
Amor, a gente pensando... Porque eu disse assim, eu tinha saído para almoçar com o João tarde no domingo. Eu disse, ah, eles cortaram, não apareceu, não sei o quê, não sei o quê. Porque era às cinco e meia da tarde, às seis horas, não tinha dado nada. Tá bom. Aí a gente foi para casa, a gente estava se mudando de casa. Uma vizinha chegou e disse, vamos lá em casa assistir a dança, o seu programa que você vai fazer. Eu disse, eu não quero assistir.
E ela disse, você se incomoda, deu assistir? Eu disse, não, não incomodo não. Aí a gente foi para lá, para a casa dessa vizinha nossa. Na hora que a gente entrou em casa, estava eu falando.
Eu estava começando a falar. João olhou para mim assim, aí ele pega o celular dele, a gente nas letrinhas da Globo, New Carmo, da Marra Laveca, declara-se o amor à família, ao marido, não sei o que, não sei o que, e a gente em todos os sites do Brasil. Aí João ficou meio preocupado e tal, mas eu disse, ah, essa é a verdade.
E aí depois de um tempo eu comecei a fazer muito sucesso no Instagram falando sobre o tema. E eu sou ator e eu disse, ah, vou criar algumas histórias para eu contar no Instagram também. E eu comecei a brincar, mas eu sumei sem filtro. Desabrido, Rio Grande do Sul. Desabrido, amei. Eu sumei sem filtro, assim. Eu resolvi brincar e brincar sério. É um sem filtro, é isso que eu estou te falando, que só você tem. Que eu descobri que a gente tem que entender na vida o que a gente é e que ninguém é. Que são umas combinações que não necessariamente...
É tipo café com vinho do Porto. E você, o jeito que você fala as coisas, você é tão honesto e tem tanto humor e tem tanta franqueza que você não...
Que não ofende, que não agride. Que não ofende, que não assusta, que não afastas. Para algumas pessoas agride. Você convida as pessoas a te ouvirem. Mas às vezes essa naturalidade, porque às vezes eu falo de coisas que, por exemplo, no universo heterossexual sempre se falou e sempre se permitiu.
Quando eu falo isso sobre o inverso homossexual, as pessoas que são muito homofóbicas, elas se atraem, elas ficam putas. Comigo, se eu vou fazer uma brincadeira que sempre foi feita com mulher, com mulher pode. Se eu faço falando sobre o prazer do homem...
Eu fazia muito vídeo brincando com o Kaysar, que é uma das pessoas mais bacanas que eu já trabalhei, legal, gente boa. Tem algumas coisas que eu faço porque eu digo, já que é pra brincar, vamos brincar sério, vamos brincar de verdade. Eu não vou ter esse filtro, não. Pra algumas pessoas aquilo passa num lugar que... Mas não é uma boa peneira, Carlos? É, tá tudo certo. Porque tem umas pessoas que a gente perde, que na verdade a gente tá ganhando essa perda. É. É.
Mas eu digo, eu quis fazer uma brincadeira e digo, já que eu vou falar, vou falar mesmo. Então eu vou ser politicamente todo corretinho, vou ser aquele cara que vai falar só sobre a causa, vai levantar a bandeira, vai falar isso de uma maneira chique, de terno, bacana. Eu digo, não, vou falar sobre o gay, sobre o viado, sobre o prazer dele, vou brincar que eu sou o viado da família brasileira, porque eu fui abraçado pela família brasileira e quando resolvi falar sobre isso, as pessoas cresceram.
também é uma coisa que é que é o fato de ser você quem tá falando você dá uma é você autoriza você fala assim cara eu eu eu eu eu falo que eu quero o tempo que eu quiser
Eu queria te dizer o seguinte, estou para te dizer isso desde 2015. Teve uma vez que você me deixou no hotel, que eu separei do Zé Pedro e fui morar no hotel, e a gente começou a ficar junto e tal, que você sumiu e tal.
E eu não tive coragem na época de... Você nunca me assumiu, né? Eu não podia. Não tinha como. Eu sempre fui gay.
Ele é um filho da puta, eu dando tudo de si aqui em cima. Eu dando tudo de si. Eu dando tudo de si. Tipo assim, sabe? Eu ia falar, vamos terminar com beijo. Vamos, tipo assim, teriam que falar assim. Não, mas ele não... Quer ver? Ô, Carmen, quer ver? Ele não é... Qual era o nome da minha personagem? Não lembra?
Nossa, eu não lembro. Eu era Maurílio, né? Você era Maurílio. Maurílio também. Maurílio, você esqueceu. Maurílio também. Maurílio também, se eu esqueci. Maurílio é tipo Carmo, né? Maurílio é tipo... Maurílio e Carmo só tem dó. Amor, obrigada. Parabéns, parabéns, parabéns.