Podcast RPC - Abril 2026
Seeing beneath the surface: Are current risk scores enough in hypertrophic cardiomyopathy?
Profª Ana Abreu
Prof. Pedro Silva Cunha
- Estratificação de risco na miocardiopatia hipertróficaFibrose miocárdica · Ressonância magnética · Scores de risco
- Limitações dos scores de riscoMarcação clínica indireta · Desorganização miocárdica
- Importância da fibrose na estratificação de riscoArritmias ventriculares malignas · Modelos integrados de avaliação
Música
Boa tarde. A miocardiopatia hipertrófica continua a destacar-se com uma área de grande interesse em cardiologia e assim hoje falaremos sobre estratificação de risco nesta doença. E isto a propósito de um editorial, o Seeing Beneath the Surface, Our Current Risk Scores Enough in Hipertrophic Cardiomyopathy, que foi escrito pelo professor Pedro Silva Cunha e pela professora Silvia Aguiar.
Este editorial diz respeito a um artigo publicado pelo grupo do professor António Ferreira do Hospital de Santa Cruz e que realmente olha para a miocardiopatia hipertrófica do ponto de vista da imagem, da ressonância magnética.
E assim eu perguntaria, desde já as boas-vindas, ao professor Pedro Silva Cunha, tenho pena que não esteja presente por motivos pessoais, a professora Sílvia, mas eu passaria já a perguntar qual é a mensagem central do texto do editorial.
Muito obrigado pelo convite. Cumprimento todos os ouvintes do podcast da Revista Portuguesa de Cardiologia. A ideia central, na verdade, é simples, ou seja, nós sabemos que os scores de risco atuais são muito úteis e são verdadeiramente importantes na avaliação dos nossos doentes, mas não são suficientes. Ajudam-nos a estimar o risco de morte súbita.
e baseiam-se sobretudo em marcadores clínicos indiretos, chamemos-lhe assim. O que nós tentamos chamar a atenção e defendemos é que devemos olhar mais diretamente para o verdadeiro substrato rítmico da doença, em particular para a fibrose miocárdica, que é identificada por ressonância magnética com o realsterdio.
Muito bem, então, mas se nós temos scores, scores clínicos, sobretudo, onde é que está a principal limitação destes scores utilizados na prática clínica?
A principal limitação é que os secores medem, sobretudo, podemos chamar a superfície da doença, digamos assim, a espessura parietal, os gradientes, a fração de injeção, a história clínica é muito importante e, portanto, no fundo, são, essencialmente, outros também marcadores indiretos, arritmicos, nomeadamente o alter, etc. No entanto, a minha cardiopatia hipertrófica é uma patologia que é muito mais do que hipertrofia.
envolve outros mecanismos, mecanismos de desorganização miocárdica, heterogeneidade elétrica, disfunção microvascular e, naturalmente, a fibrose. E é precisamente este substrato biológico que estes marcadores que nós temos estado a falar e que são presentes hoje em dia nos escórdios de risco não conseguem captar de uma forma absolutamente direta.
Muito bem, falou do real se tardiu, qual é o papel realmente que tem o real se tardiu que consegue ser avaliado na ressonância magnética neste novo paradigma?
O real estardio, na verdade, vai mudar profundamente este campo, porque podemos, desta forma, visualizar e quantificar a fibrose miocárdica, o que é, muito provavelmente, um dos principais substratos das arritmias ventriculares malignas neste tipo de doentes.
O que nós sublinhamos neste editorial é que a presença da fibrose extensa se associa a um maior risco arítmico, independentemente dos modelos clássicos. Mas talvez ainda mais interessante seja a ideia de que, se não houver realce tardio, portanto, esta ausência completa do realce tardio, nós conseguimos identificar também um subgrupo de doentes com um score de risco muito baixo. Muito bem.
Há aqui uma questão que eu lhe queria colocar e que diz respeito aos cut-offs. Portanto, tem-se falado muito em cut-offs do Real se tardiu, como valores de 15%, 10% ou ainda valores mais baixos. O editorial consegue assumir alguma posição em relação a estes cut-offs?
Sim, de facto, neste aspecto nós tentamos ser bastante claros ao dizer que a procura, na verdade, um catófilo universal pode ser muito redutora, porque há um aspecto interessante, ou seja, a fibrose não deve ser apenas olhada como estando presente ou ausente.
ou com o, na verdade, abaixo ou acima de um determinado número. Ou seja, temos que olhar para este biomarcador também no seu contexto de forma contínua e o contexto, justamente, que é observado na imagilogia. Ou seja, a extensão, a progressão, até mesmo o padrão de distribuição pode influenciar estes fatores, o risco.
Isto aproxima-nos, portanto, esta forma de olhar de uma medicina mais personalizada, que é isso que se pretende também. Muito bem. Como sabemos, e como eu disse no início, o editorial está a comentar um estudo recente. O que é que pensa que esse trabalho acrescenta à discussão?
Este estudo é bastante interessante e mostra que, apesar de nós termos melhorado ao longo do tempo a nossa capacidade de avaliação do doente e de discriminação do risco, as guidelines europeias e americanas continuam a ter uma capacidade global discriminativa, digamos assim, apenas moderada. E na maior parte das guidelines até não concordam em alguns detalhes entre si.
Além disso, o trabalho reforça que a fibrose, quando avaliada por real se tardia, não é apenas um detalhe, digamos assim, é também por si próprio um fator de predição independente de eventos rítmicos. Ou seja, nós não estamos só a refinar os scores, estamos verdadeiramente a mudar a lógica da estratificação de risco no doente com a miocardiopatia hipertrófica.
Muito bem, e tentando chegar aos clínicos, que são aqueles que estarão em contacto mais direto, ou pelo menos o primeiro contacto com esta patologia, se tivesse que deixar uma mensagem final para os clínicos que seguem estes doentes, com a miocardiopatia hipertrófica, qual seria essa mensagem?
A mensagem é que, na verdade, os cores continuam a ter uma enorme importância. Não devem ser, e é isso que nós tentamos chamar a atenção, o fim da reflexão clínica. Na miocardioepatia hipertrófica, estratificar o risco implica ir além dos marcadores.
digamos assim, substitutos secundários e tentar identificar o verdadeiro substrato arrítmico, o substrato arrítmico real. O futuro, provavelmente, vai passar por modelos integrados, combinando os dados clínicos, imagem genética e o conhecimento da biologia da doença. Até lá, a fibrose miocárdica continua a ser, muito provavelmente, um dos melhores marcadores que temos para ver para além da superfície.
Muito bem. Penso que realmente esta conversa é, sem dúvida, uma reflexão muito atual sobre esta área, que do ponto de vista de imagem e de estratificação de risco continua em evolução e onde a decisão clínica é cada vez mais exigente em relação a uma maior precisão e um menor automatismo. Portanto, muito obrigada.
estar aqui, professor. Obrigado, foi um prazer. Obrigado pelo convite. Nesta conversa da Sociedade Portuguesa de Cartologia. Obrigada. Obrigado.