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A promessa de um novo banco | MASTER FRAUDE | Episódio 001

11 de março de 202620min
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Um banco que saiu de R$ 200 milhões para R$ 63 bilhões em 5 anos.
CDBs vendidos como investimentos seguros.
Plataformas gigantes distribuindo o produto.
Um regulador que sabia há anos e um ministro do Supremo que, segundo a Polícia Federal, tinha negócios com o dono do banco investigado.

Esse é o caso Banco Master — um dos maiores escândalos financeiros recentes do Brasil.

Neste episódio, reconstruímos a ascensão e a queda de Daniel Vorcaro, o banqueiro que se apresentou como outsider da Faria Lima enquanto seu banco crescia em ritmo explosivo usando títulos controversos como lastro.

Nessa série especial do the news, você irá entender o caso com mais profundidade.

Assuntos15
  • Fraudes FinanceirasUso de precatórios como lastro dos CDBs · Compra de precatórios por valores baixos e relançamento por valores maiores · Ressalvas da KPMG sobre R$ 8,7 bilhões em incertezas · Precatórios como ativos de baixíssima liquidez · Títulos falsos estimados em até R$ 12 bilhões
  • Conflitos Interesse ToffoliTransferências financeiras entre Toffoli e fundos Master · Venda de complexo hoteleiro de Toffoli · Relatório da PF apontando relação próxima · Abandono da relatoria após pressão · Validade duvidosa das decisões anteriores
  • Interferencia STF InvestigacoesToffoli assume relatoria alegando foro privilegiado · Sigilo máximo sobre documentos eletrônicos · Restrição de acesso a peritos · Ordens contraditórias travando investigação · Relatório da PF sobre relação entre Toffoli e Vorcaro
  • Banco MasterCrescimento de R$ 200 milhões para R$ 63 bilhões em 5 anos · Estratégia de captação com juros altos · Uso de CDBs como produto principal · Transformação do Banco Máxima em Banco Master · Perfil de Daniel Vorcaro como outsider
  • Regulação Banco CentralConhecimento prévio da irregularidade por anos · Termo de compromisso assinado por Vorcaro em novembro de 2024 · Prazo de 180 dias não cumprido · Liquidação só em novembro de 2025 · Atraso deliberado de ação regulatória
  • Previdência Privada19 RPPS de estados como Amazonas, Amapá e Rio de Janeiro afetados · Rio Previdência investiu R$ 970 milhões em letras financeiras · 240 mil aposentados em risco de não receber · Histórico de crise em 2016 no Rio de Janeiro · Risco de nova crise de pensões
  • Insuficiencia FGCLimite de R$ 250 mil por CPF · FGC financiado pelos próprios bancos · Rombo total de R$ 51,8 bilhões (Master, Will Bank e Banco Pleno) · Incapacidade do FGC de cobrir colapso · Impacto em fundos de previdência
  • Segurança OperacionalFuga e detenção em Guarulhos · Liquidação do banco em 18 de novembro · Depoimento de 3 horas negando fraude · Apresentação como vítima do sistema · Recusa facultativa em depoimento parlamentar
  • Atuação de Lucia na políticaMichel Temer como consultor · Ricardo Lewandowski como consultor · Mensagens com senadores · Possível contato com Alexandre de Moraes · Operações em mansões de Trancoso
  • Venda fraudulenta para BRBVenda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito para BRB · Carteiras falsas ou superfaturadas · Necessidade de injeção de até R$ 5,5 bilhões no BRB · Possível aporte de dinheiro público do Distrito Federal · Impacto em banco estatal
  • Distribuição através de Plataformas GrandesXP, BTG Pactual, Nubank distribuindo CDBs do Master · Justificativa de segurança pela cobertura FGC · Propaganda enganosa contra plataformas · Falta de aviso adequado sobre risco real · Ações judiciais contra distribuidoras
  • Democratização do Acesso Financeiro vs FraudeFintechs e apps de investimento abriram mercado · Qualquer pessoa poderia comparar taxas · Sistema aberto facilitou fraude em larga escala · Facilidade de abertura de conta em minutos · Acesso a CDBs sem compreensão de risco
  • Mecanismo de Captação com CDBsOferta de taxas acima do mercado (120-140% do CDI) · Garantia aparente do FGC · Facilidade de acesso via apps · Falta de educação ao investidor sobre risco · Confiança baseada apenas no lacre verde FGC
  • Milicia Privada IntimidacaoEsquema de grupo pago para monitorar · Intimidação e ameaças físicas · Alvos: jornalistas e funcionários · Mensagens nos celulares de Vorcaro · Operação Compliance Zero
  • André MendonçaSubstituição de Toffoli · Desbloqueio imediato da investigação · Exigência de autorização para novas frentes · Investigação desbloqueada mas não livre · Supervisão contínua do STF
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Dinheiro é poder. Sempre foi assim. Quem controla o dinheiro, controla o que acontece. Controla quem constrói, quem destrói, quem decide e, claro, quem vai obedecer.

E por isso, ao longo da história, as pessoas que estavam no topo sempre encontraram maneiras de controlar onde o dinheiro vai, quem tem acesso a ele, quem entende como ele funciona e, talvez mais importante, quem confia em quem para cuidar dele. No Brasil, esse controle sempre passou por um clube pequeno. Cinco bancos dominaram mais de 80% do sistema financeiro do país. Os mesmos sobrenomes, as mesmas conexões, os mesmos corredores em Brasília.

A internet colocou o mercado financeiro na palma da mão de qualquer pessoa. Fintechs, apps de investimento, plataformas digitais. De repente, qualquer um podia investir. Qualquer um podia comparar taxas. Qualquer um podia encontrar uma oportunidade que antes só o gerente do banco oferecia. E claro, para quem ele queria. Parecia que o clube estava finalmente abrindo as portas. Mas o que acontece quando o sistema abre as portas e alguém usa essa abertura não para democratizar, mas para escalar uma fraude?

O que acontece quando o banco cresce de 200 milhões de reais para 63 bilhões de reais em 5 anos, usando o dinheiro de gente comum que encontrou uma taxa boa num app bonitinho? E o mais importante, o que acontece quando o ministro do Supremo Tribunal Federal, designado para investigar esse banco, tinha, segundo a Polícia Federal, negócio com o dono? Isso é o caso Banco Master. E essa é a história de como o dinheiro e o poder que vem com ele funcionam de verdade aqui no Brasil.

Entender essa história. Eu peguei meu celular e baixei três apps de bancos que eu nunca tinha ouvido falar antes. Eu tô olhando aqui pra ele agora e na lista de aplicativos do meu celular tem três bancos novos, um do lado do outro. Zero reconhecimento de marca, tá? Inclusive, logo em cima tem o aplicativo do Rabo Hotel. Eu fiquei nostálgico esses dias. Enfim, a ideia é criar uma conta em cada um e ver quanto tempo leva até eu conseguir investir dinheiro de verdade.

Vamos chamar o primeiro app de... Primeiro app. Nome, CPF, e-mail, foto de documento, selfie, endereço.

Confirmação por SMS. Foram 8 minutos. Eu já tô dentro aqui. Já aparece na tela CDB. 104% do CDI. Garantido pelo FGC. Ok. Segundo app. Vamos chamar ele de... Segundo app. Processo bem parecido. Um pouco mais rápido dessa vez. Porque eu já sei o que vem pela frente. Deixa eu olhar o que o cronômetro. 7 minutos. CDB. 108% do CDI. Garantido pelo FGC também. E agora no terceiro app. Foi um pouco diferente. Eu precisei esperar um e-mail de confirmação.

4 horas pra chegar, mas em pouco tempo eu também já tava com acesso. E tô vendo aqui uma lista de investimentos que eu já tenho a possibilidade de fazer. 106% do CDI eu tô encontrando, também garantido pelo FGC. Tá, menos de 10 minutos. 3 bancos que eu nunca tinha ouvido falar na vida, prontos pra receber o meu dinheiro. Eu fiquei aqui olhando pra esses 3 apps e pensando se aparecesse o Banco Master eu saberia a diferença? Em algum momento, nesses 8 minutos, alguém me explicou como avaliar se um banco é sólido?

Ou se pelo menos os ativos que estão por trás desse CDB são reais? Ninguém me contou nada. Só apareceu o lacre verde, garantido pelo FGC. E é exatamente essa velocidade, essa facilidade que o Banco Master usou para crescer. Para entender o Banco Master, você precisa entender o Daniel Vorcaro. Ele nasceu em Belo Horizonte, numa família de classe média com dinheiro no mercado imobiliário. O pai construiu imóveis em Nova Lima. O avô era pastor protestante e imigrante italiano.

Daniel estudou em colégio de elite, se formou em economia no IBMEC. Fez MBA. Nos anos seguintes, tentou vários negócios. Um sistema de ensino para escolas, investimentos em saúde. Comprou e vendeu ativos. Nem sempre deu certo. Mas ele sempre se ergueu. Em 2016, apareceu uma oportunidade estranha. Um banco pequeno em dificuldades, o Banco Máxima, cujo dono tinha sido inabilitado pelo Banco Central. Vorcaro topou entrar. Primeiro como minoritário, depois assumiu o controle.

Foram dois anos de negociação com o Banco Central, visitas semanais ao regulador e muita paciência. Em 2021, o Massima virou o Banco Master. Então começou a ascensão. A estratégia era simples na teoria, captar dinheiro pagando juros altos e investir em empresas em crise apostando em recuperação, o chamado turnaround. Você compra barato, reestrutura e lucra na saída. Em 2019, o Master tinha um patrimônio de 200 milhões de reais.

A carteira de crédito foi de 1,4 bilhão para 40 bilhões de reais. Isso tudo em cinco anos. Isso não é crescimento, isso é explosão. E o Vorcaro se tornou um personagem. Na Faria Lima, Avenida dos Bancos e Fintechs de São Paulo, ele era o outsider, o mineiro que não seguia as regras do clube. Tinha Jato Próprio, uma das casas mais caras do Brasil em Trancoso, Bahia. Óbvio, jogou 200 milhões de reais no Atlético Mineiro. Investia em hotéis, em farmacêuticas e em varejistas.

Então ele achava que era discriminado por não fazer parte do sistema. Mas o sistema estava prestando atenção nele. Pelos motivos errados. Ok, antes de ir em frente eu preciso te explicar uma coisa rápida. Porque o caso master só faz sentido se você entender como um banco médio cresce. E como ele pode usar isso pra te enganar. Um banco pequeno tem um problema básico. Você não confia nele.

Você não vai largar seu dinheiro no banco tal se você nem sabe quem é o banco tal. Então o banco pequeno precisa te seduzir, e ele só sabe flertar através de taxas. Em vez de pagar 100% do CDI como um banco como o Itaú pagaria, ele oferece 120%, 130%, até 140%. Você pensa, bom, é garantido pelo FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, que funciona como um seguro bancário no Brasil, garantido até 250 mil reais por CPF por instituição, e vai lá e investe.

fazer outros negócios. Até aqui, tudo normal. O problema é como o Master estava lastreando esses CDBs. O que o banco tinha de verdade para honrar esses pagamentos? A resposta é precatórios. E precatórios é uma dívida do governo com você, reconhecida por uma decisão judicial definitiva. Em tese, o governo tem que pagar. Na prática, pode levar décadas. São ativos com liquidez baixíssima, difíceis de vender, também difíceis de precificar. O Master comprava precatórios por valores baixíssimos.

e os lançavam nos seus balanços por valores muito maiores. Isso como se fossem ativos sólidos, líquidos, garantias reais. Inclusive, a KPMG, a maior editoria do mundo, colocou ressalvas no balanço de 2024 do Banco Master. Alertou sobre 8,7 bilhões de reais em incertezas na precificação de precatórios e direitos creditórios. Tá, 8,7 bilhões de reais em dúvida. Isso na mesma empresa que estava vendendo CDBs como investimento seguro pra você.

E aqui vem a parte mais frustrante da história. O Banco Central do Brasil sabia. Não de um dia para o outro, não de repente. Sabia havia anos. Em novembro de 2024, o próprio Vorcaro assinou um ofício se comprometendo a adotar medidas de liquidez e governança em 180 dias, o que seria maio de 2025. Era uma resposta a um termo de compromisso do Banco Central, uma promessa formal de que o banco iria se arrumar.

O Banco Central aceitou, deu o prazo e transferiu o problema para o seu sucessor. O prazo venceu, o banco continuou operando. A liquidação só veio em novembro de 2025, seis meses depois. Enquanto isso acontecia, o Master estava fazendo outros negócios. Ele vendeu 12,2 bilhões de reais em carteiras de crédito para o BRB, o Banco de Brasília, que é controlado pelo governo do Distrito Federal. Segundo as investigações, parte dessas carteiras eram falsas ou simplesmente não valiam o que o Master dizia valer.

O diretor de fiscalização do Banco Central disse em depoimento à Polícia Federal que o BRB pode precisar de uma injeção de até 5,5 bilhões de reais para sanear suas contas. O próprio BRB admitiu em nota que uma das alternativas é um aporte direto do governo do Distrito Federal, que é o seu maior acionista, ou seja, dinheiro público. Mas não é só o Distrito Federal. A BBC News Brasil apurou que 19 fundos de previdência de servidores públicos, os chamados RPPS,

do Master, estados como Amazonas, Amapá e Rio de Janeiro. O caso mais grave é o da Rio Previdência. Em oito meses, entre novembro de 2023 e julho de 2024, o fundo investiu R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Letras financeiras não têm cobertura do FGC, não têm seguro. Se o Master não pagar, o fundo não recebe. Somente a Rio Previdência é responsável pelo pagamento de pensões a mais de 240 mil pessoas.

Uma representante do Sindicato de Professores do Rio disse à BBC que em 2016, quando o Estado enfrentou uma crise financeira, aposentados ficaram três meses sem receber. Eles tinham que organizar doações de alimentos porque as pessoas não tinham o que comer. O medo deles é que essa situação se repita nesse exato momento. Essa é a conta real do caso Master, não são números abstratos no balanço. São 240 mil aposentados lá no Rio de Janeiro que não sabem se vão receber.

CDBs do Master chegavam até o investidor comum? Pelos apps que eu baixei e por algumas das maiores plataformas de investimento do Brasil. XP, BTG, Pactual, Nubank, todas distribuíram CDBs do Master. A justificativa era simples. O produto era garantido pelo FGC, então era seguro. Portanto, podia vender. Mas essa lógica tem um problema enorme que ficou claro só depois. O FGC não foi construído para suportar o colapso de um banco do tamanho do Master.

O FGC é financiado pelos próprios bancos. Itaú, Bradesco, Santander, eles pagam uma contribuição periódica. É uma espécie de pool de seguro coletivo. O rombo do Master foi de R$ 40,6 bilhões só no banco principal. Você pode somar mais R$ 6,3 bilhões do Will Bank e mais R$ 4,9 bilhões do Banco Pleno, que também estava ligado ao esquema, o que totaliza R$ 51,8 bilhões.

de todo o lucro registrado pelos cinco maiores bancos brasileiros em 2025 somados. Essas plataformas grandes que vendiam os CDBs do Master hoje enfrentam ações judiciais. A acusação? Propaganda enganosa. Que elas não avisaram adequadamente os investidores sobre o risco real do Master. Elas dizem que seguiram as regras. E talvez esse seja exatamente o problema.

7X, decolou do aeroporto de Guarulhos. A bordo, Daniel Vorcaro, 42 anos. Deixando o declarado Malta com escala em Dubai. Ele diria depois que iria se encontrar com potenciais compradores do banco. A Polícia Federal achou diferente. Ele foi detido no próprio aeroporto. Na manhã seguinte, 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Encerrava ali um banco com 1,6 milhão de clientes, 63 bilhões de reais em ativos declarados e um buraco

que investigadores estimam em até 12 bilhões de reais em títulos falsos, além dos 40 bilhões de reais em garantias que agora o FGC teria que honrar. O ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Ricardo Lewandowski chegaram a atuar como consultores nas negociações de venda do banco. Ou seja, o nível de conexão política de Vorcaro era alto. Mas as conexões não paravam por aí. Depois da prisão de Vorcaro, a investigação deveria seguir o seu curso normal. Banco Central passa as provas para a Polícia Federal,

investiga, Ministério Público denuncia. Não foi o que aconteceu. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, interveio. Alegou que a investigação poderia envolver pessoas com foro privilegiado, parlamentares, altos cargos. Portanto, o caso deveria ficar sob supervisão do STF, ou seja, sob supervisão dele. E então começou uma sequência de decisões difíceis de entender. Toffoli colocou documentos e dispositivos eletrônicos sob sigilo máximo do Supremo, depois os transferiu aos promotores,

restringiu o acesso só a um grupo pequeno de peritos, cada ordem contraditória anterior. A investigação foi sendo travada passo a passo. Mas então a Polícia Federal entregou um relatório ao presidente do STF, o ministro Edson Fachin. O relatório dizia que Toffoli tinha uma relação próxima com Daniel Vorcaro e citava transferências financeiras ligadas à venda de um complexo hoteleiro parcialmente pertencente ao próprio Toffoli, isso para fundos de investimento ligados ao Banco Master.

Após horas de reuniões entre os ministros, Toffoli concordou em abrir mão da relatoria do caso.

O STF escolheu o ministro André Mendonça para assumir. O comunicado oficial do Supremo foi cuidadoso, disse que não havia nenhuma suspeição ou impedimento e afirmou que todas as decisões dele continuavam válidas. Válidas, as mesmas decisões que travaram a investigação por meses. Mendonça assumiu e, em sua primeira decisão, desbloqueou a investigação.

Mas tem um detalhe nessa decisão que vale notar. Mendonça determinou que a PF vai precisar de autorização dele para abrir novas frentes de investigação. Ou seja, a investigação está desbloqueada, mas não está livre. Ainda passa pelo STF.

supervisionava o caso. Sem dispositivos. Parados. O que está nesses aparelhos a gente não sabe por completo ainda. Mas a investigação finalmente parece estar caminhando. Agora, presta atenção no que você acabou de ouvir. Um banco vendendo produtos de risco como se fossem seguros. Plataformas de investimento distribuindo sem avisar direito. E um regulador que esperou anos para agir. Um auditor que colocou ressalvas que ninguém leu. O ministro do STF que travou a investigação e que, segundo a Polícia Federal,

A investigação está desbloqueada por enquanto. O STF está em sua pior crise de credibilidade,

desde a redemocratização. E o Banco Master não existe mais. Vorcaro já falou. Em dezembro de 2025, prestou depoimento de quase três horas no STF. Negou fraude. Disse que o banco sempre operou com o respaldo do FGC e consciência do Banco Central. E chamou as investigações de uma campanha reputacional articulada por concorrentes e por uma ala do próprio Banco Central para tirá-lo do mercado. Ele se apresentou como vítima do sistema. O mesmo sistema que, segundo a Polícia Federal, ele usou para crescer,

e continuar solto. Quando foi convocado pelo Senado para explicar tudo isso em público, seus advogados recorreram. O ministro André Mendonça, o mesmo que desbloqueou a investigação, decidiu que a participação de Vorkar em depoimentos parlamentares é facultativa. Ele pode ir ou pode não ir. Mas então a PF abriu os celulares. E o que estava lá dentro mudou tudo. Mensagens mostrando um esquema de milícia privada, um grupo pago para monitorar, intimidar e ameaçar fisicamente pessoas consideradas um problema.

Jornalistas, funcionários, o que é um que cruzasse o caminho errado. Mensagens com políticos de alto escalão, com senadores, com nomes que chegam ao centro do poder em Brasília. Inclusive, segundo a investigação, com o ministro Alexandre de Moraes. Em março de 2026, Borcaro foi preso de novo. Operação Compliance Zero, por decisão do mesmo ministro André Mendonça que desbloqueou a investigação. Olha, eu preciso ser honesto aqui com vocês.

Tudo o que você ouviu nesse episódio, o Banco, os Precatórios, o FGC, o Banco Central,

o STF que travou a investigação é só a ponta do iceberg. Porque embaixo tem mais, muito mais. Tem as peças em mansões de trancôs onde políticos e banqueiros se encontravam, tem o escritório em Miami na mira das autoridades, tem o mecanismo exato de como os precatórios eram precificados, a engenharia da suposta fraude por dentro e tem os 100 dispositivos eletrônicos que a PF ainda está analisando. E tem as perguntas que esse caso levanta sobre como o poder funciona no Brasil, quem protege quem,

E a que custo? Cada um desses assuntos vai ter um episódio. Porque o caso Master não é a história de um banco que quebrou, é a história de um sistema inteiro, financeiro, político, jurídico, que funcionou exatamente como foi construído para funcionar. E a gente ainda está descobrindo o tamanho dessa história. Em nota, o Nubank diz que não utiliza assessores de investimentos. A XP diz que a remuneração média de produtos de renda fixa, incluindo CDBs, é de 0,3% ao ano para assessores, em linha com o praticado no mercado.

inclusive a de outros produtos como fundos e notas estruturadas. Eu sou o Alan e esse é o podcast especial da The News sobre o caso Master, o maior escândalo financeiro da história do Brasil. A gente se encontra no próximo episódio.

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